Situação de abandono do Mercado Eufrásio Barbosa será alvo de audiência em Olinda (PE)

Mercado está completamente abandonado com janelas quebradas e telhado com goteiras. Foto DP/D.A.Press/Arquivo

Nesta quarta-feira, dia 22 de maio, às 9h, será realizada audiência pública, no plenário da Câmara Municipal de Olinda, para discutir a requalificação do Mercado Eufrásio Barbosa. A ação é de autoria da vereadora Graça Fonseca (PR), e tem por objetivo trazer de volta à cidade Patrimônio da Humanidade, um de seus principais cartões postais. O mercado encontra-se degradado e clamando por revitalização. Os turistas passam longe do prédio, no Varadouro, e os olindenses criticam o abandono.

A beleza do edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é ofuscada pelas janelas quebradas, fiações elétricas expostas, sujeira e falta de manutenção. No espaço onde já funcionaram 28 lojas de artesanato, apenas três resistem ao tempo e ao descaso. A promessa de que o mercado será reformado alimenta a esperança dos artesãos que permaneceram.

O plano de transformar o Eufrásio Barbosa num centro de artesanato, cultura e lazer está, desde janeiro, sendo analisado pelo Iphan. Não há data definida para colocá-lo em prática. De acordo com a Secretaria Estadual de Turismo, enquanto a resposta do Iphan é aguardada, não é possível fornecer maiores detalhes sobre o projeto.

O secretário de Patrimônio e Cultura de Olinda, Lucilo Varejão Neto, comentou que ainda não há informações concretas porque os detalhes ainda estão sendo discutidos. “Enquanto o plano tramita no Iphan, estamos definindo a viabilização financeira da requalificação e se a gestão ficará sob a responsabilidade do estado ou do município”, informou.

Segundo o historiador Carlos Bezerra Cavalcanti, a história do mercado se confunde com a de Olinda. “Foi onde funcionou a primeira alfândega do estado. Eufrásio Barbosa foi prefeito da cidade e era sogro do poeta Carlos Pena Filho”.

Fonte: DiáriodePernambuco.com.br

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Iphan diz que A Voz do Brasil não pode virar patrimônio imaterial do país

Um projeto (PLS 19/2011) que transforma o programa A Voz do Brasil em patrimônio cultural e imaterial do Brasil foi tema de audiência pública realizada nesta segunda-feira (20) na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan), Jurema Machado, disse que o programa não pode virar patrimônio imaterial do país. Na avaliação de Jurema houve um equívoco na elaboração do projeto e na interpretação do que pode ser considerado patrimônio imaterial. Segundo ela, se o objetivo da proposta for proteger o programa para impedir que ele acabe um dia, esse não seria o instrumento adequado.

“O reconhecimento de um bem qualquer como patrimônio imaterial traz para o Iphan a obrigação de zelar pela sua salvaguarda. A salvaguarda não é como o tombamento, uma obrigação de imutabilidade de continuar como está. A salvagurada é um monitoramento no sentido de que aquele bem continue existindo, mas não de obrigar a sua existência”, esclareceu.

O secretário de imprensa da Presidência da República, José Ramos, que também participou da audiência, adiantou que o governo ainda não tem uma posição a respeito do projeto. Segundo Ramos, é preciso saber quais seriam as consequências desse novo status do programa. Ele destacou as transformações que o programa sofreu ao longo dos anos para se modernizar e se adequar a uma nova linguagem com foco no cidadão e disse que o temor do governo é que, como patrimônio imaterial, o programa fique engessado.

Para Jurema Machado, se a proposta for adiante, ela pode virar alvo de questionamentos legais, tanto por questões de tombamento como de registros de patrimônio imaterial, que são prerrogativas exclusivas do Executivo e não podem ser feitos por via legislativa. Jurema disse ainda que um programa radiofônico não se encaixa dentre as possibilidades de inclusão como patrimônio imaterial.

Com base na discussão, a senadora Ana Rita (PT-ES) disse que vai reexaminar o relatório dela sobre a proposta que tramita em caráter terminativo na Comissão de Educação do Senado.

A Voz do Brasil é transmitido diariamente às 19 horas, pelo horário de Brasília, para 100% dos municípios brasileiros. Este ano o programa completa 78 anos no ar. Karine Melo – Repórter da Agência Brasil – Edição: Denise Griesinger

Prédio projetado por Oscar Niemeyer em Teresópolis, RJ, será tombado

No local funciona a Escola Ginda Bloch. Decreto de tombamento foi publicado no Diário Oficial do município.

O prédio onde funciona a Escola Ginda Bloch em Teresópolis, no bairro do Alto, será tombado como patrimônio histórico cultural. (Foto: Jeferson Hermida)

O prédio onde funciona a Escola Ginda Bloch em Teresópolis, Região Serrana do Rio, será tombado. A obra tem seu projeto de construção atribuído a Oscar Niemeyer e, a partir de agora, tanto o prédio como a Praça Nilo Peçanha, no bairro do Alto, onde está situado, são considerados patrimônios históricos culturais. O decreto de tombamento foi publicado nesta semana no Diário Oficial do município.

A decisão é resultado de amplo estudo e pesquisa realizados pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Municipal. O processo teve início em 2010, quando o Ministério Público foi provocado, começando a investigação, tendo em vista informações de que a escola, construída pelo empresário Adolpho Bloch e doada ao município, teria projeto atribuído ao renomado arquiteto Oscar Niemeyer.

De fato, embora não reconhecido no catálogo do arquiteto, o projeto da escola – cujo prédio tem formato de materiais escolares quando visualizado de vista aérea – tem em suas linhas e traços todas as características presentes nas obras de Niemeyer, falecido aos 104 anos em dezembro de 2012. Sua autoria foi, inclusive, destacada pelo próprio Bloch durante a inauguração da escola, no ano de 1970, conforme matéria publicada na revista Manchete, à época.

Para o Secretário de Cultura, Wanderley Peres, o tombamento da Escola Ginda Bloch é fundamental dentro do processo de preservação da memória de Teresópolis. “Mesmo não estando oficialmente no catálogo de Niemeyer, é sabido e comprovado que o projeto foi desenhado pelo arquiteto. Uma obra com esta importância histórica não pode de forma alguma ser deixada de lado. Ao contrário, merece o tombamento, tornando-a parte integrante do Patrimônio Público de Teresópolis, o que possibilitará seu reconhecimento e sua manutenção com a garantia da preservação de suas características”, comentou.

Fonte: G1 Região Serrana – Rio de Janeiro – Inter TV

Tombamento não garante preservação do patrimônio histórico em Itajaí (SC)

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O processo de tombamento de prédios antigos é um dos procedimentos que busca a preservação do patrimônio histórico. Mas, às vezes, nem isso é suficiente para a conservação de patrimônios arquitetônicos que acabam sofrendo com a ação do tempo e muitos nem chegam a passar pelo tombamento e são demolidos em nome do progresso.

Fonte: http://ricmais.com.br/

Casarão no Centro Histórico de Oeiras no Piauí ameaça cair

Impasse entre IPHAN e dono do prédio deixa imóvel em situação indefinida. Ação do tempo já fez com que algumas paredes do casarão caíssem.

Situação da Pensão dos Portelas envolve proprietários e IPHAN. (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

A cidade de Oeiras, localizada a 313 quilômetros de Teresina, ao Sul do Piauí, integra a Rede de Patrimônio Cultural do estado com algumas edificações tombadas pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, alguns prédios antigos, que compõem o Centro Histórico da cidade, que foi a primeira capital do estado, estão ameaçando desabar.

Um exemplo é o ‘Casarão dos Portelas’, localizado no cruzamento das ruas Cônego João com a Getúlio Vargas. Segundo a oeirense Ester Rêgo Ribeiro, vizinha do prédio, a situação do antigo casarão é crítica e ele ameaça desabar por completo a qualquer momento.

Ester Rêgo Ribeiro, diz que situação do casarão é preocupante. (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

“Isso está causando muita preocupação para os moradores dessa região, pois o prédio está em ruinas e qualquer ventania ou uma chuva forte pode destruir tudo e causar um problema maior”, disse.

De acordo com o antigo dono do casarão, Francisco Portela Barbosa, logo que o prédio apresentou problemas a família ainda tentou fazer uma reforma, porém uma comissão do Iphan não teria autorizado as intervenções no casarão.

Francisco Portela Barbosa afirma que IPHAN não autorizou reforma no prédio. (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

“As autoridades têm que tomar providências antes que aconteça uma tragédia. A gente fica sem saber a quem recorrer, pois existe um jogo de empurra sobre a quem cabe a responsabilidade na restauração da casa antiga”, falou Portela.

Segundo ele, a última vez que técnicos do Iphan estiveram no local foi há dois anos. “Queremos que nossa história seja mantida para outras pessoas conhecerem como era antigamente”, disse o aposentado.

“Casarão já estava aruinado quando foi tombado”, diz superintendente do IPHAN. (Foto: Pedro Santiago/G1)

Claudiana Cruz dos Anjos, superintendente do IPHAN no Piauí, explica que existe um entrave com relação ao proprietário do imóvel, que não vem obedecendo as diretrizes impostas pelo IPHAN.

“A antiga pensão Portela, quando foi tombada em 2010, ela já estava em avançado estado de degradação, já estava arruinada. Desde então a gente vem buscando um entendimento com os proprietário. Houve uma notificação, auto de infração e todos os procecimentos administrativos possíveis foram realizados em relação a Pensão Portela”, explica.

A gestora desmente que o órgão esteve no local há dois anos e fala sobre a atual situação do ímovel. “Solicitamos à Defesa Civil municipal que isolasse a área, mas não fomos atendidos. Na última vistoria realizada, em fevereiro de 2013, verificamos que o dono está construindo uma garagem na área. Essa construção foi embargada e isso foi comunicado ao Ministério Publico Estadual”, relata.

Valor histórico
Em função de seu valor histórico de primeira capital do Piauí, entre os anos de 1939 e 1940, o Iphan tombou isoladamente três bens em Oeiras: a Ponte Grande, o Sobrado João Nepomuceno (1939) e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória (1940).

Pensão Portela ameaça cair. (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

A proposta do Instituto é abranger uma área mais ampla do Centro Histórico, que inclui alguns dos trechos mais antigos da cidade, como o conjunto da Praça das Vitórias, o entorno dos riachos do Môcha e da Pouca Vergonha, o conjunto da Praça do Mercado Público Municipal e Praça Mafrense e o conjunto do Largo do Rosário.

Além destes, o Iphan também pretende tombar a Casa do Canela, uma antiga propriedade rural de arquitetura tipicamente piauiense e totalmente preservada, e a Casa da Pólvora, o único edifício militar remanescente do período colonial no Piauí, construída para abrigar o paiol das forças militares da Capitania.

Associadas a esse conjunto também se destacam manifestações culturais de longa tradição, que permanecem vivas no seio da comunidade em celebrações religiosas como a Procissão dos Passos, a Procissão do Fogaréu, eventos religiosos realizados durante a Semana Santa e que conseguem atrair diversos turistas. Outra manifestação é Congo de Oeiras, dança africana que chegou ao Piauí no início da colonização. Por Ellyo Teixeira e Patrícia Andrade

Fonte: G1 Piauí Rede Clube

Primeira ferrovia do Brasil está esquecida e abandonada

A primeira ferrovia do Brasil pode estar perto de desaparecer completamente do mapa, esquecida no meio do mato e encoberta por toneladas de asfalto.


Na estrada, a placa informa a existência de um marco na história do país. Alguns metros adiante, ainda é possível ver a linha de trilhos, engolida pelo matagal.

A ferrovia foi construída em 1854. Quando fez 100 anos, em 1954, foi tombada pelo patrimônio histórico. De lá para cá são quase 60 anos do mais completo abandono. A primeira ferrovia do Brasil foi atropelada pela modernidade. Soterrada pelo asfalto.

Em um trecho, a linha do trem desaparece debaixo da rodovia.  A ferrovia é obra de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá.  O traçado original, com 14,5 quilômetros, ligava Inhomirim, base da Região Serrana do Rio, à Baía de Guanabara.

A linha foi criada para levar o café produzido no Vale do Paraíba ao cais de Magé e, de lá, de barco ao porto do Rio de Janeiro.

“É uma estrada importante porque chegaria mais rápido, escoaria produtos, subindo e descendo com esses produtos de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro”, avalia o historiador Carlos Gabriel Guimarães.

Do cais, restam os pilares, quase todos destruídos. A primeira estação ainda está de pé.  Em frente a ela, uma réplica da primeira locomotiva.

Tudo isso pertencia a Rede Ferroviária Federal até 1998, quando foi entregue à prefeitura de Magé  e ao Instituto do Patrimônio Histórico. A área em torno foi alugada a uma empresa de tubulação e ocupada por moradias irregulares.  A estação virou um depósito.

“Até o fim de maio a gente vai estar com segurança armada para ocupar os terrenos com cerca e com a contratação de um escritório de arquitetura, para estabelecer o perímetro de tombamento”, afirma Cristina Lodi, superintendente do Iphan.

Há 30 anos, a Associação de Preservação Ferroviária tenta convencer as autoridades a  reativar o caminho de ferro. “O que nós queremos mais tarde é tentar enquadrar este projeto na Lei Rouanet, lei dos incentivos fiscais, para aí sim, conseguir de grandes empresas, que tem interesse na preservação e na memória do Brasil para poder aplicar recursos nesta ferrovia  abater do imposto de renda, e reativar. Porque só assim a gente vai conseguir reativar”, explica Antonio Pastori, associação de preservação ferroviária.

Fonte: Jornal Nacional

Secreto e preservado, abrigo nuclear soviético vai virar museu

Bunker para guardar ogivas na República Tcheca abre em agosto. Local terá exposições sobre a corrida armamentista da Guerra Fria.

Instalação de uma das exposições no abrigo nuclear soviético perto da vila de Misov, na República Tcheca. (Foto: Petr Josek/Reuters)

Um antigo abrigo nuclear secreto na República Tcheca, usado para guardar ogivas durante a corrida atômica da Guerra Fria, vai ser transformado em museu.

O bunker de cimento, que fica no subsolo, foi construído nos anos 1960 em uma floresta perto da vila de Misov, ao sul de Praga e a 60 km da fronteira com a Alemanha.

Foto de Stalin na parede do abrigo. (Foto: Petr Josek/Reuters)

Trata-se de um dos três lugares do tipo existentes na antiga Tchecoslováquia. Apenas ele se manteve intacto. “É o único que ainda existe para lembrar as futuras gerações”, disse Vaclav Vitovec, director da Fundação Cortina de Ferro, que está se preparando para abrir o lugar em agosto.

O bunker fica no meio de uma floresta, protegido por paredes grossas de concreto e dois pares de pesados portões de ferro. No interior, há quatro câmaras com capacidade para estocar 80 ogivas nucleares que podiam ser montadas em mísseis.

Uma sucessão de pequenos ambientes abriga o resto dos equipamentos, como motor a diesel, máscaras de gás, ferramentas variadas e filtros de ar.

Tudo isso será exibido junto com fotos e textos sobre a corrida armamentista entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Estrela soviética e pombas brancas estão pintadas no chão do abrigo. (Foto: Petr Josek/Reuters)

Historiadores dizem que o lugar era tão secreto que não se sabe nem se sabe se ogivas chegaram a ser guardadas ali. Mas os diretores da Fundação Cortina de Ferro, citando generais tchecos e soviéticos reformados, estão convencidos de que o local foi usado.

Eles dizem que as ferramentas e os equipamentos encontrados lá também indicam que o local foi operacional. “De 60 a 131 ogivas foram estocadas aqui”, diz Vitovec.

Desde que as forças soviéticas foram expulsas da Tchecoslováquia, em 1990 e 1991, o bunker de Misov era usado para estocar toneladas de notas de dinheiro da Tchecoslováquia, que foram tirados de circulação quando o país se dividiu em 1992.

Fonte: G1 Turismo e Viagem

Dores de Indaiá (MG) – Prédio que já foi cadeia e abriga a Prefeitura de Dores do Indaiá sofre com ação do tempo

Sem verba para restauração, prédio que já foi cadeia e hoje abriga a Prefeitura de Dores do Indaiá tem problemas como infiltrações e rachaduras. Moradores pedem providências.

Refém das infiltrações, prisioneiro de gambiarras e condenado à degradação se obras de restauro não forem executadas com urgência. Assim está o prédio da Prefeitura de Dores do Indaiá, na Região Centro-Oeste de Minas, erguido em 1928 para ser o fórum da comarca, mas, ao contrário da ideia inicial, se transformou numa das primeiras cadeias públicas regionais de Minas no período republicano. Mantendo a estrutura e imponência originais, com quatro colunas sobressaindo na fachada em estilo neoclássico, a construção de dois andares está à espera de projeto de preservação e dos recursos, estimados em cerca de R$ 1,5 milhão. “Não podemos perder essa joia arquitetônica, pois outras já se foram. É fundamental restaurar a edificação e dar-lhe um destino cultural”, diz a professora aposentada, cronista e autora de livros Maria das Dores Caetano Guimarães, conhecida como dona Branca.

Localizado no Bairro Rosário, na entrada da cidade de 14,5 mi habitantes, o prédio causa impacto visual, com seu porte grandioso e palmeiras na frente. Mas basta olhar com atenção para ver os problemas graves que ele apresenta. Do lado de fora, a pintura no tom rosa está bem estragada, com destaque para as colunas danificadas e, no forro, aparecem as ferragens no concreto. Dentro, há problemas de cima a baixo. O mofo, causado pelas goteiras, deixou preto e descascado o teto de vários cômodos, enquanto as instalações elétrica e hidráulica carecem de troca imediata. Num dos banheiros, os fios estão soltos, numa cena que, de imediato, causa espanto e sinaliza perigo.

“A prefeitura tem interesse em recuperar o prédio, mas não tem verba”, lamenta o chefe do Departamento Municipal de Cultura, Evamir Araújo de Sousa. Ele adianta que, até o fim do mês, será aberta a licitação para contratar a empresa que fará o projeto de restauro. “Depois, vamos correr atrás do patrocínio, via lei de incentivo”, afirma. Ele faz questão de mostrar cada detalhe, como as portas com grades e chapas de aço; janelas que já tiveram as barras serradas; o pátio onde os presos ficavam, depois transformado em jardim e atualmente cimentado; e o piso original de ladrilho hidráulico decorado, além de algumas adaptações para receber os servidores. “A construção não foi feita para ser sede da municipalidade. Então, as nossas salas de trabalho ficam nas 15 antigas celas. Aqui ficaram presos muitos perigosos e de fama nacional, entre eles Ramiro, o Bandido da Cartucheira, que espalhou o terror na década de 1970 no estado. Era a prisão de segurança máxima da época. Quando chove, os funcionários são obrigados usar o guarda-chuva ao transitar na varanda que dá para o pátio, pois não há marquise protetora”, conta Evamir, ressaltando que fala sem exagero.

Caminhando pelas dependências é que se vão vendo as mazelas e a beleza escondida. Logo na entrada, há uma escada de mármore com corrimãos dourados, fabricados na Inglaterra na década de 1920, e dá pena ver que já existe vegetação brotando em buracos na pedra encardida. No alto da escadaria estão um vitral verde e branco e um lustre original, embora com lâmpadas fluorescentes. A espessura das paredes é de chamar a atenção e a funcionária do setor de convênios e prestação de contas Valdira da Silva Lopes, trabalhando há 23 anos no prédio, enaltece a importância da construção: “O valor cultural é alto e a estrutura, sólida. Temos que conservá-lo”.

Corró – No primeiro andar, num canto perto do pátio, Evamir mostra um cubículo, tipo solitária, que funciona hoje como depósito de material elétrico. Ali era o corró, um tipo de cela na qual a pessoa ficava temporariamente detida, por prisão em flagrante ou cumprimento de determinação judicial, até sua remoção definitiva à unidade prisional. O apelido corró vem de “presos correcionais”, gente detida na rua para averiguação, embora o nome popular tenha se confundido com cela-castigo. Com a Constituição Federal de 1988, tal sala, mal iluminada e sem janelas, deixou de existir, mas o termo persistiu.

Durante os 55 anos em que funcionou como cadeia pública, segundo Evamir, o prédio não teve sirene, apenas um sino para avisar aos moradores quando ocorresse fuga de presos. Mas, entre 2007 e 2012, na direção do Colégio São Luiz, Evamir achou melhor levar a peça para a escola, pois teria melhor serventia para avisar alunos e professores sobre horário do recreio, término das aulas etc. O prefeito, Ronaldo Costa, informa que está muito empenhado nas questões culturais e na preservação dos bens públicos, dando “apoio irrestrito a todas as ações nesse sentido”.

Memória – De arraial a cidade

O nome Dores do Indaiá está relacionado à devoção a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem veio de Portugal, no século 17, com dona Leonor Luíza, mulher do coronel José Luiz Sayão, dono de uma sesmaria, segundo dona Branca. Já Indaiá tem duas versões: refere-se ao Rio Indaiá, afluente do lado direito do Rio São Francisco, e também à palmeira andáia ou indaiá. A história do município, que já pertenceu a Pitangui, começou no século 17, quando o primitivo arraial, Boa Vista da Serra, foi fundado pelo sesmeiro Domingos de Brito, que tentava chegar às minas de ouro de Goiás, mas foi impedido pelos índios que habitavam a região. Mais tarde, os irmãos da família Costa Guimarães, tendo à frente o capitão Amaro, obtiveram quatro sesmarias e deram início ao povoamento, construindo a primeira capela do arraial dedicada a São Sebastião, embora a paróquia fosse de Nossa Senhora das Dores. Em 1850, o arraial foi elevado a vila e, no ano seguinte, o território foi novamente incorporado a Pitangui. Em 8 de outubro de 1885, pela Lei 3.333, Dores do Indaiá foi elevada à categoria de cidade.

Professora acredita que artesanato será salvação de prédio

Para a professora dona Branca, o prédio deve se tornar um novo tipo de equipamento, como casa de cultura.

Na sala de sua casa, dona Branca, de 75 anos, escreve livros, consulta papéis que guardou ao longo da vida, confere fotos e visita o passado de vez em quando. “Adoro história, ações ligadas à conservação do patrimônio cultural, enfim, preservação da memória”, diz a senhora simpática, formada em 1955 como professora primária no Instituto de Educação de Belo Horizonte. Ela abre uma gaveta e retira, com cuidado, o diploma guardado com o maior carinho.

Empenhada na luta pela preservação do imóvel, edificado quando Antônio Carlos de Andrada (1870-1946) era presidente de Minas (de 1926 a 1930) e Francisco Campos (1891-1968), nascido em Dores do Indaiá, secretário de Interior, dona Branca acredita que a arte será a salvação do prédio. “Trabalhei lá entre 2001 e 2007 e sentia um certo estranhamento. Quando menina, passava em frente à cadeia e ouvia os presos gritando pedindo cigarros. Ficou essa lembrança. Acho que o prédio poderia abrigar um centro de artesanato, se tornar um novo tipo de equipamento, como havia a Casa de Cultura José Ribeiro Machado, um escritor e intelectual de renome”, sugere. A professora não poupa palavras de elogio: “A arquitetura encanta e se impõe. A fachada romana, com imponente escadaria, remete ao equilíbrio e à beleza das edificações artísticas das grandes praças da Roma antiga, os ex-foros, ostentando colunas e nobres capitéis”.

Cobertura – O movimento para sensibilizar a comunidade e o poder público foi deflagrado há quatro anos, pelo arquiteto José Ozório Caetano, de família dorense e preocupado com a preservação do patrimônio da cidade. “Eu e um engenheiro fizemos uma vistoria geral na edificação, uma das poucas em estilo genuinamente neoclássico de Minas, e constatamos que a cobertura, por estar com sua estrutura de madeira bastante comprometida, precisa ser substituída. Por serem muito antigas e comprometer o madeiramento, as telhas também deverão ser trocadas. Só essa parte demanda recursos financeiros enormes”, afirma o arquiteto, certo de que é preciso o envolvimento de toda a comunidade na luta pela conservação. José Ozório destaca que, há cinco anos, fez campanha, bem-sucedida, para que o governo restaurasse a Escola Normal Francisco Campos, antiga Escola Normal Oficial, construída pelo filho ilustre da cidade, que foi também ministro da Justiça no governo Getúlio Vargas. Por Gustavo Werneck

Cinco Tempos da História

1928 – Empresa Lapertosa Impelizieri, tendo como encarregado de obras o italiano Felício Damiani, constrói o prédio inicialmente destinado ao funcionamento do fórum da comarca. No entanto, a construção se torna cadeia pública regional
1983 – Cadeia pública de Dores do Indaiá é desativada por empenho do então prefeito Geraldo Marques. Outra unidade, de menor porte, é construída
1984 – Em 4 de março, Marques recebe do estado as chaves da cadeia. No mesmo ano, começa a funcionar no local a Casa de Cultura José Ribeiro Machado
1988 – Prefeitura passa a ocupar o prédio da antiga cadeia regional
2009 – Em 31 de julho, pelo Decreto nº 22, o prédio é tombado pelo município

Fonte: Estado de Minas

Seminário destaca arquitetura Barroca do Pará

Nos dias 27,28 e 29 de maio de 2013 acontece na Universidade da Amazônia o Seminário Sobre a Arquitetura Barroca do Estado do Pará.  O evento faz parte de uma ação educativa para restauro da Igreja do Carmo e conta com o apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional no Pará (IPHAN-PA). O Seminário enfatiza questões sobre historia, restauração e conservação, ligados à revitalização da Igreja do Carmo que  teve sua construção iniciada em 1626 e tem como um principal diferencial histórico sua fachada em pedra, única na cidade de Belém.

Veja o convite [Aqui]

Serviço:
Seminário : A Arquitetura Barroca do Pará

Data: 27, 28 e 29 de maio de 2013
Hora: 15h às 18h
Local :  Universidade da Amazônia (UNAMA), Av. Alcindo Cacela, 287, Umarizal – Belém – Pará.
Mais informações: (91)4009-3147 /3201-8721
Incrições : Até 24 de Maio, na UFPA e Unama

Bahia – História do Brasil é cantada em musical

Foto: Divulgação

A arte como instrumento de educação. É com este principio que surgiu o projeto História Cantada, criado e dirigido pelo professor e compositor Gerson Guimarães, que traz para o Teatro Jorge Amado, o musical “Assim se fez o Brasil”. A peça encenada por alunos da 12ª série da Escola Pan Americana da Bahia, além de contar a história do Brasil através da arte, ainda é uma maneira criativa de revisar os temas mais comuns nos vestibulares.

Alunos viram atores, roteiristas, figurinistas, coreógrafos e cantores, contando e cantando diversos temas históricos, como a Chegada da Família Real no Brasil, a Crise de 1929, a Guerra Fria e a Ditadura Militar, numa viagem histórica da colonização aos dias de hoje com muito humor, conteúdo e música. O espetáculo acontece no dia 21 de maio (terça-feira), às 20 horas. Os ingressos custam R$ 30 (trinta reais) e podem ser encontrados na própria escola ou no local, antes da apresentação. Vale a pena conferir e conhecer um pouco mais sobre toda essa história.

Serviço
O que
: História Cantada por Nós – Assim se Fez o Brasil
Onde: Teatro Jorge Amado (Pituba)
Quando: 21 de maio
Horário: 20 horas
Valor: R$ 30

Fonte: Tribuna da Bahia