Falta de recursos empata restauração da Igreja dos Remédios em Manaus (AM)


Projeto de reforma do prédio histórico do Centro da capital está travado. Padre da paróquia lançou campanha para conseguir patrocínio.

Foto: Arquivo A Crítica

Foto: Arquivo A Crítica

A Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, no Centro de Manaus, precisa passar por uma restauração. Além das infiltrações, a estrutura do prédio como um todo preocupa o padre Mauro Cleto. O pároco, empossado no cargo em fevereiro deste ano, busca conseguir patrocínio público e privado para fazer os restauros necessários na igreja, que é tombada pelo Governo do Amazonas desde 1988.

De acordo com o padre Cleto, existe um projeto na Secretaria de Estado de Cultura (SEC) para a restauração do prédio, mas por falta de recursos financeiros ele não pode ser executado. “Vou procurar autoridades, empresas, firmas, entre outros, para poder conseguir patrocínio. Na segunda-feira, volto à SEC para uma reunião. Queria que a restauração começasse ainda este ano”, afirmou.

O padre disse que se preocupa não só com os fiéis que vão à paróquia, mas também com o patrimônio histórico. “A primeira coisa é não deixar o teto cair sobre a multidão. A segunda é fazer com que a sociedade manauara e a libanesa, que iniciou todo o processo de criação da igreja, tenha conhecimento e olhe para esse importante patrimônio histórico que existe na nossa cidade”, observou.

Mauro Cleto destacou as belezas da igreja, cuja criação completa 200 anos no ano que vem. “O prédio é belíssimo por dentro e por fora e é um dos mais antigos da cidade junto com a Catedral. Em 2018, faremos as comemorações dos 200 anos do início da construção da igreja. Gostaria muito que até lá já tivéssemos feito a sua restauração. Quem quiser nos ajudar pode procurar a paróquia ou a SEC”, ressaltou o padre.

Foto: Euzivaldo Queiroz

Foto: Euzivaldo Queiroz

De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura, o projeto de restauração do estilo neoclássico da Igreja Nossa Senhora dos Remédios existe há três anos, mas não há verba para execução da obra. O projeto prever a demolição das construções que não são da época, o resgate da pintura (cores e tinta) original, além da recuperação de todo o material desgastado pelo tempo.

Dois séculos de devoção e mudanças

A devoção à Virgem dos Remédios tem uma tradição de quase dois séculos em Manaus. Foi o major Manuel Joaquim do Paço, governador da Capitania de São José do Rio Negro, em 1818, que criou o posto, obrigatório a todos os moradores, para a construção da capela de Nossa Senhora dos Remédios.

A capela foi edificada no local de um antigo cemitério indígena e destruída pela população em 1821, por ocasião de uma manifestação denominada “Revolução da Independência”, à qual o governador da época não aderiu. Mas, em 1827, foi determinada sua reconstrução.

A partir de 1850, a Capela dos Remédios passou a servir de Matriz, tendo em vista o incêndio ocorrido na Catedral de Manaus. Essa condição de Matriz provisória manteve-se durante 27 anos, até 1877, quando foi inaugurada a nova Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Em 1878, a capela de Nossa Senhora dos Remédios se tornou paróquia.

Vandalismo: meia década

Há pelo menos cinco anos, o templo da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios foi atacado com jatos de tinta vermelha. O mesmo ato de vandalismo foi registrado em outras igrejas da cidade. Até hoje, a Igreja dos Remédios tem suas paredes da frente e laterais marcadas pela tinta vermelha.

Por Silane Souza

Fonte original da notícia: A Critica