Igreja da Sé: patrimônio cultural dos paraenses

Uma das construções mais bonitas e imponentes da cidade de Belém está de cara nova. Após um processo de restauração que durou cinco anos, a Igreja da Sé ou Catedral Metropolitana está novamente aberta ao público, o que tem gerado uma grande movimentação em torno do prédio, considerado um dos patrimônios arquitetônicos mais importantes do Estado. A obra guarda, em seu interior, reflexos dos mais diversos capítulos da história do Pará e do Brasil.

A Catedral Metropolitana teve sua pedra fundamental lançada em 1748, embora sua origem esteja, de fato, intimamente, ligada à própria fundação de Belém, em 1616, quando os colonizadores portugueses construíram aquilo que seria, mais tarde, o Largo da Sé, atual praça Frei Caetano Brandão.

Com o crescimento da cidade e do número de religiosos na capital paraense, o rei de Portugal, dom João V, determinou, em 1723, a construção da Catedral, cuja primeira fase foi concluída em 1755. Alguns anos mais tarde, com a chegada do arquiteto italiano Antônio José Landi ao Pará, a obra ganhou alguns novos elementos, sobretudo na fachada e no interior, os quais refletem claramente as influências luso-italianas do artista. O templo foi considerado pronto em 1771.

Ao longo do tempo, muitas outras intervenções foram feitas na construção, destacando-se a reforma do final do século XIX, momento que ficou conhecido como a Belle Époque paraense, por conta do êxito advindo da economia da borracha. Foi nessa época, principalmente a partir de 1884, que muitos artistas – sobretudo europeus – deixaram suas contribuições ao patrimônio da igreja, entre os quais merecem destaque Domenico de Angelis, Paul Deschwauden, Lottini, Silvério Caporoni, entre outros. Nesse mesmo período, a Catedral de Belém chegou a receber o corpo do maestro Carlos Gomes, o qual seguia para ser enterrado em sua cidade natal, Campinas, interior de São Paulo.

Depois dessas renovações, contudo, muito pouco foi feito pelo templo, o que provocou o comprometimento não só da estrutura física, mas também da riqueza artística que compõe o patrimônio da igreja, incluindo pinturas, esculturas, vitrais, entre outras modalidades. Assim, em 2004, o Estado começou o projeto de restauração do monumento, o qual, por conta de divergências principalmente com a comunidade católica, acabou sendo interrompido, só voltando à tona em 2007, já na atual gestão. De acordo com a diretora de patrimônio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Lélia Fernandes, o restauro da Catedral foi composto por muitas etapas, num trabalho minucioso e muito delicado, a fim de que nada corresse o risco de se perder.

Conceitos modernos incluídos no restauro da Sé

O restauro envolveu, entre outras coisas, pesquisa histórica e iconográfica; prospecções arqueológicas, arquitetônicas e pictóricas; além de um detalhado diagnóstico do estado de conservação do prédio e seu acervo. “A igreja é um monumento belíssimo que se destaca dentro do centro histórico e dentro do sítio onde está localizada, que é o antigo Largo da Sé. Além disso, também guarda toda uma simbologia religiosa, não só por representar um dos principais poderes do período colonial, que é a igreja, mas também porque de lá sai a maior manifestação do catolicismo popular na América Latina, o Círio de Nazaré”, lembrou.

Segundo Lélia, um outro aspecto importante da restauração diz respeito à inclusão de alguns conceitos modernos e altamente inovadores ao processo, como é o caso da sustentabilidade social.

Nesse sentido, junto ao trabalho técnico, foram desenvolvidas ações de cunho social, com o objetivo de aproximar a comunidade ao monumento e gerar trabalho e renda. “Cerca de 95% da mão de obra recrutada para trabalhar na obra era local. Para esse pessoal, realizamos oficinas, capacitações e cursos de formação”.

Detalhes que impressionam

A Catedral de Belém possui aspecto majestoso e é dotada de muitas marcas das principais escolas da arte italiana setecentista. Também apresenta nítida influência portuguesa, a exemplo do uso de elementos escultóricos aplicados no remate da fachada (obeliscos, fogaréus, vasos floridos, frontão mistilíneo, folhagens, grilhões e concheados, além de outros detalhes do barroco tardio).

Desde 1881, os dez altares laterais da igreja expõem obras dos pintores Domenico de Angelis e Paul Deschwauden. As capelas do cruzeiro acompanham o revestimento em mármore e o estilo neoclássico do altar-mor.

A tela do altar-mor é assinada pelo artista italiano Lottini, que criou uma figuração do presépio, representando a natividade. Já o painel “Pai Eterno” é obra de Silvério Caporoni.

Os púlpitos, em ferro fundido, de características neo-góticas, também chamam a atenção.

Por que se orgulhar?

A Igreja da Sé foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1941. Trata-se de um dos patrimônios mais ricos da capital paraense, principalmente, do ponto de vista arquitetônico e artístico. Por mais de 200 anos, foi o ponto de partida do Círio de Nazaré, uma das maiores procissões católicas do mundo, função que voltou a exercer em 2009, depois da conclusão de sua reforma, que custou, ao todo, R$ 14 milhões. Dedicada à Santa Maria de Belém, a Catedral é considerada, ainda, um dos monumentos mais expressivos da arquitetura eclesiástica setecentista na região Norte do Brasil.

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