Índios pataxós lutam para resgatar as tradições culturais

Na chegada do ano 2000, o Globo Rural dirigiu seu olhar para os 500 anos do descobrimento do Brasil e para os primeiros habitantes de nossa terra. O assunto foi a recuperação da cultura dos índios pataxós. Para eles, o contato com o homem branco provocou a perda da terra, dos costumes e até da própria língua.

Em 500 anos de contato com o homem branco, os pataxós perderam muito, a começar pela terra. Quando os portugueses desembarcaram em Porto Seguro, em 1500, encontraram os índios tupis. Mas em toda a região, desde o norte do Espírito Santo até a altura de Ilhéus, na Bahia, viviam também os ancestrais dos Pataxós. Hoje, os Tupis estão extintos. Os pataxós ainda lutam por seu espaço.

Depois de cinco séculos, é possível se notar gente que nem tem mais feições típicas de índio. Há muita mistura de sangue, com negro e com branco. Dispersos, com pouca defesa no contato com o mundo, as tradições pataxós foram desaparecendo.

Só há dois anos, isso começou a mudar, com a criação das reservas pataxós. A reserva visitada tem 2300 hectares. Fica na Coroa Vermelha, balneário de Santa Cruz de Cabrália, ao lado de Porto Seguro, o portal da descoberta do Brasil pelos portugueses.

Só depois da conquista da terra que começou todo o trabalho de recuperação das tradições culturais dos pataxós, para resgatar músicas, danças, comidas e até plantas que eles deixaram de cultivar ao longo de tantos anos, sem ter terra para viver.

Hoje, a maioria dos pataxós mora na vila da Coroa Vermelha. Para comemorar os 500 anos de Brasil, o Ministério da Cultura construiu o Centro Cultural Pataxó. No centro funcionam o posto médico, uma área para cursos e treinamento e uma escola, onde as crianças aprendem a língua indígena, músicas e danças. A preocupação maior é inspirar nas crianças o orgulho de ser pataxó.

A planta parecida com a mandioquinha, que os pataxós colhem, é a araruta. Dela se faz o polvilho usado pelos índios na produção de remédios, beiju e mingaus. A araruta faz parte de um programa da Embrapa de Recursos Genéticos para resgatar plantas que os Pataxós cultivavam antigamente e que se perderam com o tempo.

O Globo Rural registrou a primeira colheita de araruta em terras pataxós depois de décadas de seu desaparecimento da região. Para os mais velhos é uma oportunidade de matar as saudades da infância. Já para os mais jovens é uma completa novidade. A araruta colhida na roça vai sendo limpa e ralada.

As crianças que estudam na escola do centro cultural logo aparecem e se encantam com a história da araruta.

O resgate genético também envolve a área onde fica a Reserva da Jaqueira, que se estende por 800 hectares de floresta atlântica. No lugar trabalham 50 índios, que desenvolvem atividades ecológicas e culturais.

O passeio pela Reserva da Jaqueira revela alguns segredos da floresta atlântica, guardados na memória dos índios mais velhos. O guia da equipe de reportagem pela trilha é o pajé Remunganha, com sua fala plena de humor e sabedoria.

Na Reserva da Jaqueira os pataxós organizam suas festas, algumas abertas aos turistas. Hoje, a cerimônia é de casamento. Os índios jovens, em idade de casar, cortejam as moças jogando flores. Depois, participam da corrida de toras. O mais rápido tem o direito de escolher a noiva primeiro.

Hoje em dia, os noivos se escolhem livremente. Mas alguns se casam em cerimônias tradicionais. Foi o caso de Taciriema, de 15 anos, e Araçanã, de 16 anos. Eles celebraram a união cercados pela comunidade indígena e na língua maxacali, que substituiu o já extinto idioma pataxó.

Taciriema e Araçanã formam uma nova família Pataxó, confiantes de que esse trabalho de resgate cultural garanta ao seu povo um futuro melhor. Quem sabe um dia seus filhos possam olhar para o passado com o conhecimento e o orgulho que perderam nos últimos séculos.

Em cinco séculos, mais de mil grupos indígenas foram extintos no Brasil.

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16 comentários

  1. Estive em porto seguro semana passada e pude conhecer e conversar com dois indios pataxós,infelizmente não pude visitar a aldeia,o tempo foi curto.Mas vontade não me faltou.Os pataxós fazem parte da nossa história,mas o preconceito ainda é muito grande.As pessoas ainda os tratam como se fossem inferiores a nós.Quero deixar bem claro que eles são pessoas tão importantes ou até mais do que nós os brancos,na verdade foram os indios que fundaram o Brasil e não os europeus.E no que depender de mim eles tem total apoio e ajuda pra resgatarem a cultura,que os brancos tentam tirar deles.Hoje em dia eles ja não vivem da caça,apenas preservam.E vivem de artesanato.E muito bom conhecer a cultura indigena.É um novo horizonte em que defenderei com a minha vida se for preciso.

  2. ana carolina dos reis xavier

    eu adorei saber sobre os indios pataxos historia bastante interessante

  3. ana carolina dos reis xavier

    queria que o povo aprendessem a respeitar a vida delss

  4. devian passar no globo rural grupos sociais da questao indigena.

  5. O GLOBO RURAL E UM PROGRAMA OTIMO E EU ADORO E EU SO TENHO 12 ANOS

  6. Estive em Porto Seguro,e me agendei para conhecer as praias e a hist´ria dos nossos primeiros moradores:os indios;os quais tenho infito respeito,converssei com alguns deles e aprendi muito,forão muito maltratados já desde o principio,agora aprenderão que é importante preservarem sua liberdade e seu espaço,fui convidada em uma cermonia a dançar com os mesmos a adorei,me senti orgulhosa do convite.

  7. Eu tive a oportunidade de conhecer Porto Seguro, os índios Pataxós, fui à Escola Indígena e à Reserva da Jaqueira. Fiquei impressionada, ou melhor, emocionada…como nós brasileiros, com raízes tão fortes na descendência indígena, não sabemos nada sobre nossos “pais”; somos cheios de preconceito por pura ignorância. Hoje, posso respeitar, admirar sua força e perceber verdadeiramente suas contribuições na minha vida….

  8. Amei este site, vai me ajudar muito no trabalho de ensino religioso e EU só tenho 10 anos.

  9. Tenho contato com alguns indígenas Pataxó, e realmente eles estão fazendo um belíssimo trabalho, principalmente em escolas em várias cidades,um desses lugares é aqui no RJ, para poder resgatar a sua verdadeira Identidade Cultural, e a verdade é que estão conseguindo. A Língua deles é o Patxohã e não foi extinta, mas apenas é oral e agora passam para o papel. Sua principal fonte de renda e o artesanato, lindo mesmo! Torço por todos eles. Povo guerreiro que amo muito. Esse link é o vídeo que fiz com eles que mostra suas danças e os outros que existem é uma palestra do cacique.

    http://www.youtube.com/watch?v=uzmsCSwwwIw

  10. sou india pataxo, vivo na cidade de belo hoizonte,quero entrar em contato com outros indios.somos gentes como todos os outros seres humanos,precisamos de pessoas para nnos ajudar a encontrar nossas familias e resgatar nossa cultura.

  11. gostei muito de tudo que seu trabalho com tinui
    Taciriema e Araçanã formam uma nova família Pataxó, confiantes de que esse trabalho de resgate cultural garanta ao seu povo um futuro melhor. Quem sabe um dia seus filhos possam olhar para o passado com o conhecimento e o orgulho que perderam nos últimos séculos.
    vcs esta de parabens

  12. ola bom dia nao sou indio mais acho que os indios sao os verdadeiros donos dessa terra
    portanto os fazendeiros tem mais e que deixar as terras dos indios e o governo baiano que der terras em outras areas e as autordades federas que investigue como se deu a entrada dessa gente em terras indiginas pos como tudo nesse pais tem algo de propina sver essa ai tambem.

  13. Parabéns para a rede Globo, pela riquissima matéria apresentada hoje 05/11, através do Globo egologia, sobre o resgate da história dos índios Pataxós na Reserva da Jaqueira. É importante que o povo brasileiro e principalmente as crianças e jovéns,conheçam a história desses povos que foram tão massacrados pelos nossos antepassados, mas mesmo assim com muita luta tentaram e conseguiram resgatar um pouco da sua história. Ao contrario de nós “o branco” só fazemos destruir nosso Planeta.

  14. É com muito orgulho que tenho o prazer de ter amigos índios.
    Quero passar uns dias lá.

    Leila Angela

  15. Depois de adulto descobri que minha origem é PATAXÓ por parte das minhas bisavós paternas, desde então passei a interessar-me e pesquisar sobre o povo PATAXÓ, e venho descobrindo o óbvio, alguns dos meus hábitos, costumes e paladares, a região onde nasci (vale do Jequitinhonha) tem muitas coincidências, diante disso quero aprofundar mais nas pesquisas. Quero conhecer meu povo, e colaborar no que for possivel para o resgate de nossa liberdade e CULTURA.
    Nossa língua apenas falada ainda existe: PATXOHÃ.
    Ajude-nos, a nos conhecermos! publique nas redes socias.

  1. Pingback: Ana Beatriz

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