Maringá/PR – A arquitetura que conta história

Saia de casa. De preferência, a pé. Caminhe pelas ruas de Maringá, mas sem deixar de notar, ao seu redor, o que foi construído pelas mãos dos homens. Repare que não foi apenas Deus que atuou com maestria na cidade, presenteando os maringaenses com as mais belas árvores, parques e bosques.

Além do verde que predomina tem também muito vidro, metal, concreto e asfalto por aqui. Uma série de obras, casas, prédios e condomínios, que, em seu conjunto, guarda consigo toda uma história vista pelo viés arquitetônico.

E é sob esta ótica que o historiador da gerência de Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura, João Laércio Lopes, conta, com prazer, como a arquitetura de Maringá foi se desenvolvendo, com o passar das décadas até chegar aos dias de hoje.

História arquitetônica retratada em belo quadro de Edgar Werner Osterroht (tela retrata o Maringá Velho em 1952) e também em fotografia antiga do Cine Horizonte, na Vila Operária, em 1951

Esquecemos a roça

Para o historiador, embora haja conhecimento da história arquitetônica do plano urbano de Maringá, pouco ou nada se sabe da arquitetura rural do município, que se perdeu pela falta de interesse da maior parte das pessoas.

“O plano urbanístico forte da cidade ocultou o mundo rural. Mesmo com a ideia de ‘Cidade Jardim’ e ainda tendo em sua área física 3/4 como sendo rural, não sabemos quase nada da história da arquitetura rural”, lamenta Laércio, citando ainda que, em 1960, dos pouco mais de 100 mil moradores de Maringá, cerca de 70 mil viviam no campo.

Casas de madeira

A história urbanística maringaense passa por fases comuns no desenvolvimento das cidades, com o diferencial que, ao contrário de Londrina, por exemplo, Maringá foi totalmente projetada e bem organizada.

O seu primeiro plano urbanístico mais abrangente (lembrando que o plano com as primeiras quadras no Maringá Velho já havia sido feito em 1943) foi realizado pelo engenheiro civil e urbanista Jorge Macedo Vieira no ano de 1945 e dividia a cidade em oito bairros, indo da Zona 01 à Zona 08.

A expansão urbana em Maringá é muito ligeira. Mas, quando ainda a cidade era um grande sítio, as primeiras casas, chamadas de ranchinhos, eram feitas com tronco de palmito, que era cultivado na cidade naquela época e que servia para a construção e para a alimentação”, diz o historiador Laércio.

Depois disso, logo começaram a ser construídas as casas de madeira, estimulando assim a criação de serrarias na cidade. O historiador afirma que as casas de madeira reinaram em Maringá dos anos 40 até a década de 60.

Alvenarias e grandes prédios

Já na década de 70 começam a ser construídas em maior quantidade as casas de alvenaria. Nesta época era comum também se encontrar em Maringá edificações com fachadas de alvenaria e com fundos de madeira.

Láercio ressalta que, já na década de 60, alguns grandes edifícios foram erguidos na cidade, como o Edifício Três Marias e o Maria Tereza.

Um marco na construção civil

Com a grande expansão demográfica vivida em Maringá na década de 80, saltando de 168 mil para 240 mil habitantes, a área da construção civil pegou carona e também obteve aceleração, principalmente com a construção de inúmeros prédios residenciais.

É quando, na opinião de Laércio, que o mercado imobiliário maringaense passa a ganhar força, o que é uma realidade até nos dias de hoje.

“Na Zona 01, ali nas avenidas Arthur Thomas e na Tiradentes, por exemplo, foi onde vimos um grande crescimento imobiliário na década de 80, com a construção de vários prédios”, exemplifica o historiador.

Os horizontais

João Laércio explica que não houve grande salto demográfico na década de 90 em Maringá, situação logo invertida a partir dos anos 2000, quando a cidade passou de 290 mil para, segundo o último Censo (2010), 367 mil habitantes.

Crescem Juntos
“A arquitetura de Maringá expressa o arrojo da cidade”
João Laércio Lopes
Historiador do Patrimônio Histórico

Junto com mais um aumento da população, começa-se desenhar em Maringá uma classe social mais abonada e com melhores condições financeiras.

A partir de 2000, explica o historiador, a cidade passa a ver com grande expressão as construções dos chamados condomínios residenciais horintozais.

“A arquitetura de Maringá expressa o arrojo da cidade. Os residenciais fechados expressam também a necessidade que muitos maringaenses sentiram com relação à falta de segurança. Os condomínios horizontais são legítimos, ainda que perdem a questão estética da arquitetura de se mostrar a obra. Ninguém, a não ser os moradores, contemplam as casas construídas”, expressa Laércio.

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