Theatro D. Pedro II mantém história de Viçosa do Ceará

O local foi reinaugurado em janeiro de 2012 e conta com uma programação de peça e exibição de filmes.

Em 2003, o local foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, em 2008, foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Viçosa, na Serra da Ibiapaba.

Um espaço de arte cênica, exibição cinematográfica e que mantém viva fortes lembranças de manifestações culturais e da vivência social ao longo do século passado, nesta cidade do Interior do Ceará, localizada na Serra da Ibiapaba, na Região Norte. Esses são significados que o Theatro Dom Pedro II representa para grande parte da população local.

O Theatro D. Pedro II foi reinaugurado em janeiro deste ano e mantém uma programação permanente de apresentação de peças teatrais, exibição de filmes, visitação de alunos da rede pública de ensino e oferece espaço para reuniões. Em 2003, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, em 2008, foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Viçosa.

As obras de restauro somente começaram em 2010 e em outubro de 2011 foram concluídas. Foram investidos R$ 918 mil com recursos do Iphan e contrapartida do município. Técnicos do Iphan realizaram prospecção para identificar a cor original interna e externa. O piso de ladrilho (tijolo de barro) no interior e na calçada é original. O forro é de madeira e acompanha a inclinação do telhado.

A fachada mantém a tonalidade original do amarelo, portas azuis e as paredes interiores foram pintadas de branco. “Viçosa do Ceará hoje tem um cine-teatro moderno que preserva os traços de importante exemplar da arquitetura civil do início do século XX”, observou a secretária de Cultura do município, Margarida Pereira Lopes. “Esse é um espaço cultural que faz parte da história da cidade e que está preservado”. O arquiteto do Iphan, Alexandre Veras, participou do projeto de prospecção e de reforma do espaço cênico. “Recuperamos alvenaria, coberta, área de palco e inserimos novos espaços, ambientes de suporte (camarins e banheiro). O teatro apresenta uma arquitetura eclética, com traços coloniais e da ´art déco´”. Veras ressaltou a importância do equipamento cultural por ser o único da região serrana e que estava há décadas fechado.

O Theatro D. Pedro II foi construído em 1909. É um dos mais antigos do Ceará. A obra foi idealizada por Valdivino Elias de Alencar, potiguar, residente na cidade. Após ser eleito presidente do então Recreio Dramático Viçosense, Alencar teve a ideia de oferecer para os moradores um espaço dedicado às expressões artísticas e culturais.

Alencar, com apoio de acionistas, dentre eles, Felizardo de Pinho Pessoa, construiu o teatro, que foi registrado em nome da Sociedade Club União Viçosense. Na época da conclusão da obra, havia pouco tempo do fim do Império monarca no Brasil e iniciava o período republicano. Para homenagear o imperador, o teatro recebeu a denominação de D. Pedro II.

Em 2008, o imóvel foi adquirido pela Prefeitura Municipal da família Pinho Pessoa, representada por Hildo Pinho. O teatro foi ampliado e foram construídos cantina, camarins e banheiros. Foram instaladas 136 cadeiras novas, adequada iluminação, som e sistema de projeção. A capacidade é para 136 pessoas.

História

Antes mesmo da inauguração do teatro, na primeira década do século passado, a cidade de Viçosa do Ceará já era palco de diversas manifestações culturais. Como não havia espaço adequado, as apresentações de peças teatrais aconteciam nos salões da maioria das casas. Naquela época, era comum a realização de festas e bailes nas residências das famílias que detinham o poder político e econômico.

Após a inauguração em 1910, o Theatro D. Pedro II passou a ser um dos principais espaços culturais da cidade, contando com peças e exibição de filmes de companhias estrangeiras. Atualmente é um dos poucos teatros que existem no Interior do Ceará. Apesar de pequeno, com apenas 287,44m² de área construída, é um dos mais importantes monumentos arquitetônicos da cidade. O tombamento pelo Iphan há quase dez anos, na gestão do ex-prefeito, Evaldo Soares, contribuiu fortemente para preservar os traços de sua arquitetura original, realçando o conjunto eclético dos imóveis históricos da cidade.

A secretária de Cultura, Margarida Lopes, lembra que antes das obras de restauro, o teatro estava há 40 anos praticamente sem uso, com poucas condições de recursos cênicos, de mobiliário, e de equipamentos audiovisuais. Nos anos de 1930, exibiu o cinema panorâmico mudo, preto e branco. Nessa época, as exibições eram acompanhadas de conjunto musical. Depois, vieram as exibições sonoras e coloridas, legendadas até meados do ano da década de 1970.

Restauração

O teatro foi restaurado na gestão do atual prefeito, Pedro da Silva Brito, que se empenhou na parceria com o Iphan. “Representa mais do que um prédio histórico. Os moradores mantêm vivas lembranças, recordações. Representa a memória de várias gerações”, frisou Margarida Lopes.

A partir do próximo ano, será ampliada a programação de exibição de filmes culturais e haverá um calendário para apresentação de peças teatrais de grupos locais e convidados de outras cidades do Ceará.

Recentemente, esteve em cartaz o espetáculo “O trânsito não é uma comédia”, que integrou uma programação voltada para a educação de trânsito com a participação de centenas de estudantes. Foi realizado também o projeto “Educação e Arte no Teatro” voltado para os alunos da rede pública e particular de ensino. No espaço cênico, ocorre também show musical.

Espaço para a arte cênica é restrito

O Teatro da Ribeira dos Icós é o mais antigo do Ceará. Apresenta características neoclássicas e foi construído em 1860, pelo médico francês, Pedro Thebérge, então radicado no município. Fotos: Honório Barbosa

Icó. A arte cênica no Interior do Ceará encontra espaço adequado de produção em poucas cidades: Icó, Sobral, Limoeiro do Norte, Barbalha, Aracati, Nova Olinda, Crato, Crateús e Iguatu, que são exemplos de centros urbanos que oferecem teatros. Quatro estão em áreas tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): Sobral, Icó, Viçosa do Ceará e na cidade de Aracati (que está desativado).

O Teatro da Ribeira dos Icós é o mais antigo do Ceará. Apresenta características neoclássicas e foi construído em 1860, pelo médico francês, Pedro Thebérge, então radicado no município. Representa a fase áurea do ciclo econômico do couro e do gado no sertão nordestino. Tem localização estratégica no Largo do Thebérge (centro histórico da cidade) e destaca-se pela beleza e tamanho.

O Teatro da Ribeira dos Icós está próximo a outros monumentos históricos na área de tombamento pelo Iphan: Casa de Câmera e Cadeia, Sobrado do Barão do Crato, Santuário do Senhor do Bonfim e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Expectação. As famílias da elite local frequentavam o teatro com regularidade no século XIX e início do século XX até a crise econômica do ciclo do couro.

A cidade de Icó localizada às margens do Rio Salgado. É patrimônio nacional e o núcleo urbano foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1997. A área tombada inclui vários quarteirões. No entorno do Largo do Thebérge, uma imensa praça, de um quilômetro de cumprimento por 100 metros de largura, estão localizados os principais imóveis históricos, dentre eles o teatro.

O Programa Monumenta do Ministério da Cultura, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e em parceria com o governo do Estado, restaurou a partir de 2000 as principais obras arquitetônicas: o Teatro da Ribeira dos Icós, a Casa de Câmara e Cadeia e o Sobrado do Canela Preta e ainda liberou recursos para obras de restauro em imóveis particulares.

A casa de espetáculo mantém um calendário de apresentação de espetáculos de grupos locais e convidados de outras cidades. Está também inserido no projeto Cine mais Cultura, do Ministério da Cultura para exibição de filmes com acervo renomado. O teatro recebeu equipamentos de projeção, som e funcionários foram treinados.

O arquiteto do Iphan, Erick Rolim, chefe do escritório técnico em Icó, destacou a importância dos teatros em funcionamento nas cidades do Interior. “São espaços culturais que possibilitam a exibição de filmes e apresentação de peças, oferecendo arte para os moradores e contribuem para a formação de plateia”, disse. “Aglutinam a população e reservam a história e a memória e os teatros no passado eram frequentados pela aristocracia, a elite local”.

O teatro de Aracati está fechado e no próximo ano deve ser reformado com recursos do Iphan. “Existe um projeto de restauro já elaborado, mas não houve tempo para ser licitado este ano e esperamos em 2013 começar essa obra”, observou Erick Rolim.

Em Crateús, na Região dos Inhamuns, o Teatro Rosa de Moraes, fundado em 1999, é um importante espaço de manifestações culturais. Oferece exibição de filmes, encenação de espetáculos, possibilita a realização de audiências públicas, seminários, lançamentos de livros, mostras itinerantes e números de dança. Existe uma agenda cultural permanente.

A cidade do Crato, no Cariri cearense, é privilegiada, pois dispõe de três casas de espetáculos. O Teatro Municipal Salviano Arrais Saraiva, o Teatro Rachel de Queiroz da Sociedade Cultura e Artística do Crato e o Teatro do Sesc. A programação de apresentações culturais (peças, dança, música) é intensa e ocorre todos os meses. Na cidade de Iguatu, na região Centro-Sul, há o Teatro Municipal Pedro Lima Verde e o Teatro do Sesc. Por Honório Barbosa

Mias informações:

Secretaria de Cultura de Icó
Rua Inácio Dias, S/N
Centro Histórico do Largo do Thebérge. Fone: (88) 3561. 1628

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