Peritos devem avaliar possibilidade de restauração de hotel histórico em Treze Tílias, no Meio-Oeste de SC

Procedimento administrativo da Fundação Catarinense de Cultura tenta, desde julho, conseguir o tombamento do Hotel Áustria.

Hotel Autria em Treze Tílias conservava detalhes da cultura austríaca. Foto: Daisy Trombetta / Agencia RBS

Hotel Áustria está sendo demolido. Foto: Daisy Trombetta/Agência RBS – 17/10/2012

Para tentar evitar maiores danos, peritos da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) devem visitar Treze Tílias, no Meio-Oeste de SC, na próxima segunda-feira e analisar as condições atuais do Hotel Áustria. O grupo quer saber, por exemplo, se há condições de restaurar o velho casarão.

Um procedimento administrativo da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) tenta, desde o mês de julho, conseguir o tombamento do Hotel Áustria, em Treze Tílias, no Meio-Oeste do Estado. Mesmo que o documento impeça intervenções no velho casarão, as demolições seguiam a todo o vapor nesra sexta-feira.

Grande parte da estrutura, que tem 65 anos e foi o primeiro hotel da cidade, já foi desmanchada. Segundo o presidente da FCC, Joceli de Souza, o dano é irreparável, uma vez que o imóvel tem grande valor cultural e histórico.

Ele explica que as intervenções ficaram proibidas desde que o processo que pede o tombamento foi aberto. Na época, o proprietário do imóvel também foi notificado sobre a necessidade de manter a estrutura intacta. O descumprimento da ordem pode resultar em multa e até prisão em flagrante por crime contra o patrimônio cultural.

— Quando inicia o processo de tombamento, o imóvel tem as mesmas garantias como se tombado fosse. É um caso ímpar a forma como os proprietários estão encarando a situação — frisa Silva.

Para tentar dimensionar a importância do Hotel Áustria à região, o presidente da FCC compara o valor cultural do imóvel ao significado da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, para o Estado. Mesmo diante das justificativas para mantê-lo em pé, o entendimento do caso também depende da Justiça.

Uma ação civil pública continua tramitando no Tribunal de Justiça (TJ) e também pede o tombamento do imóvel. Conforme a promotora Mônica Lerch Lunardi, de Joaçaba, embora não exista medida judicial que impeça a demolição, os proprietários não poderiam descumprir a ordem administrativa, embasada no processo aberto pela FCC.

Ela explica que, caso os peritos da Fundação concluam que é possível restaurar o imóvel, o atual proprietário terá de arcar com todos os custos. A promotora salienta que os donos do hotel também tiveram o alvará de demolição, expedido em 2010, suspenso pela Justiça. O documento não foi renovado pela prefeitura.

Estrutura estaria comprometida

A medida judicial citada pela promotora é referente à liminar que impedia a demolição, cassada pelo juiz Edemar Gruber, da segunda Vara Cível de Joaçaba, que também julgou improcedente a ação civil pública do Ministério Público (MP).

O magistrado embasou a decisão no fato de que o prédio estaria com a estrutura comprometida e haveria risco evidente de desabamento. Gruber também afirmou na decisão que não havia interesse, por parte de órgãos ouvidos pela Justiça, em tombar o imóvel porque o custo de manutenção seria muito alto. O MP tenta contestar a decisão no TJ.

Cenário

Dos lustres à mobília, cada detalhe do antigo casarão é uma viagem à cultura tirolesa. Com cerca de 15 quartos, todos com banheiro, o casarão foi um hotel durante toda a sua história. Até a numeração das portas é esculpida na madeira.

Uma escada estreita leva aos quartos superiores. O terceiro andar é o menor e parece um sótão. As duas sacadas frontais do prédio têm detalhes austríacos no corte da madeira. O estilo arquitetônico também é notado na recepção, que tem um grande balcão e longos bancos fixados à paredes.

Móveis e objetos de decoração foram vendidos por baixos preços, em apenas algumas semanas de negociação. O atual dono do hotel comprou o prédio e tudo o que estava dentro dele.

A madeira de lei também rendeu algum dinheiro. E poucas pessoas que circulam pela rua do antigo hotel, que é a principal da cidade, lamentam a desvalorização da história. A maioria sequer percebe os pedreiros em cima do telhado.

Quatro pessoas trabalham no local. A demolição começou pela retirada das telhas e deve seguir com a retirada das tábuas. A parte de concreto, que dá base ao primeiro andar, é a última a virar ruína. Por Daisy Trombetta

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