Ruínas de quartel de exploração de ouro em Jacuí (MG) são reconhecidas como sítio arqueológico

No século 18, local era usado pelo Estado para controlar a exploração de ouro na região. Ruínas podem se tornar ponto turístico.

Ruínas em Jacuí funcionavam como quartel do Estado para controlar extração de ouro no século 18. (Foto: Reprodução/EPTV)

Ruínas em Jacuí funcionavam como quartel do Estado para controlar extração de ouro no século 18. (Foto: Reprodução/EPTV)

Dentro da mata de Jacuí (MG), pesquisadores descobriram um verdadeiro tesouro histórico do Sul de Minas. As ruínas de um antigo quartel que controlava a extração de ouro na região foram identificadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecidas como sítio arqueológico. Com isso, o local pode se tornar um ponto turístico para contar uma história que permaneceu desconhecida por séculos.

As ruínas ficam em uma mata dentro de uma propriedade particular. Até serem identificadas, as ruínas foram confundidas com resquícios de construções antigas. “Somente os proprietários do local que conheciam [as ruínas]. Mas aqueles que estiveram aqui por algum motivo falavam: ‘são muros de delimitação de cerca, de áreas’, ou senão era conhecido como ‘muro de escravos’, os escravos que construíram esses muros e pronto”, conta a professora Renata Aparecida Silva Baquião.

Renata foi aluna do professor e historiador Antonio Teodoro Grillo. Juntos, eles descobriram que no século 18 havia uma grande atividade de exploração e fundição do ouro em Jacuí. Os primeiros estudos sobre as ruínas começaram em 2003, quando eles localizaram as paredes de pedra.

Até então, os moradores não tinham ideia do valor histórico do local. Em 2015, arqueólogos do Iphan comprovaram a hipótese de que no local existiu um quartel, construído pelo Governo do Estado na época. A intenção era controlar a exploração de ouro.

Os paredões de pedra dizem muito sobre a construção da época. “A gente não tinha ideia que ia ter uma escada aqui, coberta de folhas, então foi fazendo a limpeza que nós vimos a escada, e percebemos que tinha acesso com as construções de cima. Foi aí a importância, porque nós fomos entender que, em cima dessas construções, tinha uma outra base.”

Depois da descoberta, vieram os trabalhos de comprovação e preservação do patrimônio. O lugar ficou conhecido como Sítio do Lanhoso, que era o nome oficial designado pelo governo pra fazer a guarda do quartel. O córrego onde o ouro era lavado também recebeu o mesmo nome.

Ao longo dos anos, Renata e o professor encontraram muitos objetos da época da mineração, como cerâmicas e cachimbos, peças que foram essenciais para o local ser reconhecido pelo Iphan como sítio arqueológico.

“Agora, por determinação do Iphan, essas peças vão pro Museu do Carste, que é o Museu Arqueológico em Pains, pra serem curadas, e depois elas voltam para o município, pra abrigar um acervo, museu, um centro de memória”, explica Renata.

Rota turística

O próximo passo é o sítio ser recuperado para virar um ponto de encontro de estudantes e pesquisadores. “É a minha e a nossa grande expectativa”, explica o professor Grillo. “Resume-se numa palavra: proteção total. Isso é o grande mérito da inserção de instituições como o Iphan, porque eles têm estrutura pra isso.”

A pedido da Procuradoria da União, no dia 9 de maio haverá uma reunião em Passos (MG) com o Iphan, Prefeitura de Jacuí e o proprietário das terras, para discutir como será feita a preservação das ruínas.

A secretária de Educação e Cultura de Jacuí, Angelita Mendonça, já faz planos pra explorar o turismo histórico das ruínas. “Jacuí faz parte do Circuito das Montanhas Cafeeiras, e aí é muito gostoso ver que a gente pode agregar esses valores, mostrar a nossa história. A gente precisa valorizar tudo isso, para as crianças, os adolescentes, a gente trazer tudo isso pra eles, incentivar, pra que eles vejam a história do nosso município.”

Fonte original da notícia: Jornal da EPTV 1ª edição