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Safári Histórico

O conjunto arquitetônico de Joinville se mostra como recortes do tempo. Enquanto os modernos prédios envidraçados se erguem imponentes, construções acinzentadas denotam a idade da cidade. As décadas se misturam na paisagem que, ao ser observada com mais cuidado, é composta por verdadeiros tesouros arquitetônicos. O historiador Dilney Cunha acompanhou a reportagem de A Notícia nesse safári cultural pelo cenário da cidade, que rastreou as edificações que têm destaque na história de Joinville.

Dilney optou por começar pela rua do Príncipe, onde a memória de Joinville se mostra em várias janelas empoeiradas, situadas acima dos coloridos estabelecimentos comerciais. Ali, Joinville começou a ganhar vida no século 19. “A rua foi aberta em 1851, sendo considerada a principal via de comércio da cidade. É onde foram instalados os primeiros estabelecimentos comerciais da Colônia Dona Francisca”, conta o historiador.

Nessa época, a conhecida via tinha o nome de rua da Olaria. “Hoje, ela tem um conjunto de construções que representa uma fase de urbanização, retratando o enriquecimento tanto das famílias germânicas quanto das luso-brasileiras.”

Palacete Schlemm.

Palacete Schlemm.

A primeira parada ocorreu na esquina da rua Jerônimo Coelho com a rua do Príncipe. O Palacete Schlemm, ainda que oculto pelos estabelecimentos mais novos, não passa despercebido por causa do tamanho. O prédio é de 1830.

“O lugar teve a parte térrea reservada para o comércio, o primeiro andar já foi usado como restaurante e o terceiro funcionava como hospedaria”, pontua Dilney. Tombado pela Fundação Catarinense de Cultura, o palacete é administrado por descendentes do primeiro proprietário.

As figuras em auto-relevo têm autoria do artista Fritz Alt. Os detalhes são carregados de simbologia. “Um deles é a estátua do deus Mercúrio, na mitologia romana, o deus do comércio, que é a finalidade do prédio”, diz o historiador. Ainda da mitologia romana, a estátua da deusa Minerva direciona o olhar para a rua Jerônimo Coelho. “Minerva corresponde à sabedoria”, completa.

Junto com Mercúrio há o escudo da família, com as letras JSF. “As iniciais J e S indicam o nome do proprietário Jorge Schlemm e a letra F corresponde a Filho, denotando que o casarão ficaria como herança para a família”, explica.

Próxima parada: Farmácia Minâncora. Na esquina com a rua das Palmeiras, a casa foi erguida nos tempos em que a palavra “farmácia” ainda era escrita com as iniciais “Ph”, na década de 1930.

O estabelecimento servia para a produção de remédios, farmácia e também como residência da família Gonçalves. Dilney comenta que o estilo eclético, bastante comum naquela época, pode ser visto no casarão, considerado um marco de acesso à rua das Palmeiras.

O prédio, construído por Eduardo Augusto Gonçalves, apresenta dois andares e conserva as características originais da fachada. O imóvel é considerado como patrimônio histórico joinvilense, segundo Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj).

Mario Mendes, gerente de recursos humanos da Minâncora, diz que as salas foram se adaptando conforme a estrutura da antiga residência.

“Onde era um quarto, colocamos uma sala de reuniões e assim as coisas foram se encaixando com o passar do tempo”, detalha o funcionário da Minâncora.

O gerente conta que, hoje, a casa pertence a Lady Gonçalves Dória, 95 anos, única filha de Gonçalves. A manutenção do patrimônio tombado fica por conta da empresa. “Podemos pintar e restaurar partes por nossa conta, mas tudo dentro do padrão deles.”

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