Porto Alegre (RS) – Arquivo Histórico exibe originais com temas históricos

O Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHRS) começa em julho o projeto “Mês a Mês na História”, que vai expor documentos originais do seu acervo. São materiais relacionados a contextos e assuntos que revelam marcos e movimentos da história. A primeira edição inicia dia 18 de junho, no primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul, com entrada franca e segue até dezembro.

A ideia é valorizar e incentivar a leitura de fontes primárias, que trazem um conhecimento histórico realista da época. Por outro lado, o desconhecimento desse material, mesmo entre o público erudito, torna essa documentação invisível e incapaz de cumprir sua utilidade como vestígios materiais da existência dos homens em diferentes tempos e lugares.

A seleção foi feita a partir conforme momentos da história gaúcha, cujos registros constem no acervo da instituição. A exposição traz legendas específicas, com o Fundo Documental a que pertencem as peças, a numeração e uma explicação em casos que se fazem necessários, como remetente, destinatário, período, pequena síntese do conteúdo, etc.

O acervo do AHRS é proveniente das funções exercidas pelo Governo do Estado em sua tarefa de planejamento e administração pública, distribuição de terras, aldeamento e catequese indígena, policiamento e repressão, assuntos jurídicos, militares e religiosos, bem como arquivos particulares. Os documentos são recebidos através de doação ou compra, relacionados a personagens e movimentos com desempenho significativo na história gaúcha, como Borges de Medeiros, Pinheiro Machado, João Neves da Fontoura, Francisco Brochado da Rocha, Alfredo Varela e Julio de Castilhos, entre outros.

Documentos expostos em julho

– Registro da Junta Comercial de Porto Alegre de marca usada por Antonio Klinger, cidadão alemão, nas garrafas de cerveja por ele fabricadas, em 05/07/1884.

– Promulgação da primeira Constituição Republicana do Rio Grande Sul, em 14/07/1891.

– Manifesto dos correligionários de Julio de Castilhos para que os Constituintes o escolhessem como nosso primeiro Governador, 20/07/1890.

– Colonos vindos de Hamburgo ao Rio de janeiro. Chegada a São Leopoldo em 25/07/1824.

– Registro dos colonos chegados em Rio Grande entre 1857 e 1863.

Serviço

Exposição “Mês a Mês na História” do Arquivo Histórico do RS
Local: Térreo do Memorial do RS – Rua 7 de Setembro, nº 1020, Centro Histórico / Porto Alegre/RS
Horário: de terça a sábado, das 10h às 18h; e domingos e feriados da 13h às 17h
Entrada Franca
Contato: (51) 3227.0883

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do RS




Busto-relicário esculpido por Aleijadinho volta ao acervo de Minas Gerais

A escultura de cedro estava com um colecionador do interior de São Paulo e passa a integrar o patrimônio de Ouro Preto.

O busto-relicário de São Boaventura estava com um colecionador de São Paulo e ficará sob a guarda definitiva do Museu de Aleijadinho. Foto: MPMG/Divulgação

Vitória para o patrimônio cultural mineiro e em defesa do legado de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814). A Justiça determinou que o busto-relicário de São Boaventura, peça esculpida pelo “mestre do barroco” para a Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto, na Região Central, seja reintegrado definitivamente ao acervo original sob guarda do Museu Aleijadinho e da Arquidiocese de Mariana, e reconheceu a obra como integrante do patrimônio de Ouro Preto. A ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi proposta em 2011, em atuação conjunta da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ouro Preto e Coordenadoria de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), sendo a sentença proferida pelo Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Ouro Preto.

De acordo com informações do MPMG, a escultura de cedro, com 69 centímetros de altura, estava com um colecionador do interior de São Paulo e ficará sob a guarda definitiva do Museu Aleijadinho e da Arquidiocese de Mariana – por determinação judicial, ela fica num cofre, em local não divulgado e sem exposição. Como a obra foi desviada do acervo de origem, em data indeterminada e ficou em poder de um colecionador do interior de São Paulo, a ação pediu também o pagamento de indenização por danos materiais e danos morais coletivos, explicou, ontem, o promotor de Justiça da comarca de Ouro Preto, Domingos Ventura de Miranda Júnior, já que esse pedido foi negado pela Justiça, mas o MPMG vai recorrer da decisão.

“Trata-se de uma decisão muito importante, pois a Justiça reconheceu que a peça pertence realmente a Ouro Preto e deverá ficar no município. É um precedente fundamental para valorizar o acervo daqui”, afirmou ontem Miranda Júnior, por telefone. Na sentença, o juiz destacou que a obra apresenta “valor cultural, histórico e artístico muito acentuado, justificado pelo período em que foi produzida, no qual o Brasil estava sob o regime do padroado (Igreja e Estado), e é protegida pelo Conjunto Histórico de Ouro Preto, assim como pela Lei 4.845/65. Além disso, trata-se de bem tombado, pois faz parte do acervo da Igreja de São Francisco de Ouro Preto”.

Histórico. Conforme a ação civil pública, Aleijadinho teria produzido um conjunto formado por quatro bustos-relicários representando os doutores franciscanos Venerável Duns Scott, Santo Antônio de Pádua, São Tomás de Aquino e São Boaventura para integrar a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, bem tombado desde a década de 1930 e localizada no Centro Histórico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco). Estudos mostram que a obra teria sido concluída na terceira fase de produção de Aleijadinho, entre 1791 e 1812. Os outros bustos ficam no acervo do Museu Aleijadinho, em Ouro Preto.

Em 2014, o MPMG entrou com recurso requerendo à Justiça tutela antecipada determinando a manutenção da obra em Ouro Preto até o julgamento final da ação. Os promotores de Justiça alegaram que “toda a prova pericial produzida indica que o busto objeto dos autos foi produzido para ornar a Igreja de São Francisco de Ouro Preto, de onde não poderia ter sido retirado, pois trata-se de bem fora do comércio e expressamente protegido em razão de seu valor cultural imensurável”.

No acórdão, o relator do agravo de instrumento, desembargador Caetano Levi, decidiu, então, que “a peça sacra constitui patrimônio cultural inquestionável da comunidade onde foi produzida” e que “a prova pericial realizada torna certo que a peça é mesmo de autoria do consagrado escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, razão pela qual deve permanecer em Ouro Preto até o julgamento do mérito do recurso pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais”.

Entenda o caso

De acordo com a ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais, na Comarca de Ouro Preto, Aleijadinho teria esculpido um conjunto formado por quatro bustos-relicários representando os doutores franciscanos – Venerável Duns Scott, Santo Antônio de Pádua, São Tomás de Aquino e São Boaventura – para integrar a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, tombada desde a década de 1930

O busto-relicário de São Boaventura, com 69cm de altura, foi desviado do acervo de origem em data indeterminada, indo parar nas mãos de um colecionador do interior de São Paulo. A obra, em cedro, teria sido concluída na terceira fase de produção de Aleijadinho, entre 1791 e 1812. Os outros três bustos que formam o conjunto estão no Museu Aleijadinho, em Ouro Preto.

A primeira ação do MPMG, em 2008, pediu a devolução definitiva do busto-relicário de São Boaventura à Arquidiocese de Mariana, além do pagamento de indenização por danos materiais e danos morais coletivos. A ação principal ocorreu em 2011, tendo à frente o então promotor de Justiça de Ouro Preto, Ronaldo Crawford, e pelo ex-titular da Coordenadoria de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC) Marcos Paulo de Souza Miranda.

Em 28 de abril de 2015, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio da 1ª Câmara Cível, determinou que o busto-relicário ficasse em Minas até o fim da tramitação da ação.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Google digitalizará acervo de obras da Câmara dos Deputados

Lote de 221 obras da Câmara passará a integrar exposição na plataforma do Google Arts&Culture.

Acervo da Câmara dos Deputados passa a integrar o projeto Google Arts&Culture, que disponibiliza passeios virtuais em museus.

O acervo de obras de arte da Câmara dos Deputados e parte das dependências do prédio projetado por Oscar Niemeyer dividem agora o mesmo espaço na rede mundial de computadores que o Museu do Louvre, em Paris, o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, e a Tate Modern, de Londres. Desde ontem, um lote de 221 obras da instituição passaram a integrar a exposição Câmara dos Deputados no Google Arts&Culture, plataforma que reúne mais de seis milhões de documentos de instituições do mundo inteiro.

Acessível no link https://www.google.com/culturalinstitute/beta/partner/camara-dos-deputados-brasil, a exposição traz imagens de obras pertencentes ao Museu da Câmara, incluindo duas peças importantes: a pintura Tiradentes ante o carrasco (1951), de Rafael Falco, que hoje está na sala da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e Candangos, o enorme painel de 9 metros de comprimento pintado por Di Cavalcanti para o Salão Verde e inaugurado em 1960, junto com o prédio. Outras pinturas do acervo, assinadas por artistas como Glênio Bianchetti, Ivan Serpa e Aldemir Martins, também foram digitalizadas, assim como imagens de dezenas de objetos, mobiliário e peças históricas.

Além da exposição, os visitantes da página Câmara dos Deputados no Google Arts&Culture podem também passear pelo prédio. Com ajuda de um carrinho equipado com a mesma tecnologia utilizada para o Street View, os principais salões foram registrados em milhares de pequenas imagens para que o internauta tenha a sensação de caminhar pelo local. Além do plenário, é possível passear virtualmente pelo lobby de entrada, pelo Salão Verde, no qual estão os painéis de Marianne Peretti e Athos Bulcão, e pelas salas de espera, com direito sempre a observar detalhes do ambiente aumentados em zoom graças ao registro em alta definição.

Em Brasília, a Câmara é a segunda instituição a entrar para o Google Arts&Culture, que já tem uma página com a digitalização em alta resolução de todas as obras da Fundação Athos Bulcão. No total, 46 instituições brasileiras já estão na plataforma. “A Câmara tem um acervo muito vasto e ainda não estão todas no projeto. Eles fizeram uma seleção das obras mais impactantes e significativas. Eles têm um material muito interessante e que, talvez, nem todo mundo conheça”, diz Alessandro Germano, diretor de parcerias estratégicas do Google para a América Latina.

Boa parte do material já estava digitalizado, mas o Google ajudou a colocar em alta definição pelo menos 50 peças do acervo, incluindo as pinturas de Di Cavalcanti e Rafael Falco, para que os visitantes pudessem ter acesso aos detalhes das obras. “Basicamente, o que fazemos é pegar o que eles já têm digitalizado e ajudar a organizar, a fazer os metadados”, explica Germano. “Temos uma tecnologia que permite a digitalização profunda com fotos de cada pedaço da obra. No fim, um software junta tudo. Isso permite detalhes até difíceis de ver ao vivo.” Além das visitas virtuais, os internautas que tiverem acesso a alguma tecnologia de realidade virtual podem utilizá-la, já que a plataforma também foi planejada para experiências virtuais.

Em um primeiro passo, o Museu da Câmara idealizou seis exposições, entre elas Memória massacre Carandiru, Povos indígenas no Brasil e Antes de Brasília: Palácio Tiradentes, esta última com itens que estavam na antiga sede da Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, entre 1926 e a transferência para o Planalto Central. A ideia é montar outras mostras virtuais e digitalizar a totalidade do acervo, que conta hoje com 1,7 mil peças. “Esse projeto é uma chance de universalizar e aumentar o acesso das pessoas a esses conteúdos. É interessante ter um canal de comunicação com a sociedade que mostre esse patrimônio”, diz Gisele Azevedo Rodrigues, da secretaria de Comunicação Social da Câmara.

Por Nahima Maciel

Fonte original da notícia: Correio Braziliense




Brasília (DF) – Sem espaço adequado, Câmara dos Deputados guarda 1,2 mil obras de arte

O gigantesco painel “A Verdade Ainda Que Tardia”, de Elifas Andreato, está guardado há quatro anos no acervo técnico.

Divulgação.

Um valioso acervo artístico-cultural, com cerca de 870 pinturas, gravuras, fotografias e esculturas e 300 peças de mobiliário, está longe dos olhares de quem circula pela Câmara dos Deputados. Por falta de um espaço apropriado à exposição dessas obras, a maior parte fica exposta em gabinetes ou guardada nas salas da chamada “reserva técnica”, no subsolo do Congresso, onde estão acondicionadas telas de artistas como Rafael Falco, Carlos Bracher, Fayga Ostrower, entre outros.

Há mais de quatro anos, por exemplo, o painel “A Verdade Ainda Que Tardia”, do artista gráfico Elifas Andreato, consagrado autor de célebres capas de discos da Música Popular Brasileira, não é exposta ao público.

Com 5,8 metros de comprimento e 2 metros de altura, o painel em três módulos retrata a tortura contra presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985) e foi doado pelo próprio artista, que, até semana passada, acreditava que a obra estava desaparecida.

Painel
O painel foi, segundo o próprio Andreato, criado por sugestão de um integrante da Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação do Chile, durante evento da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara dos Deputados.

“Ele comentou comigo que era preciso criar uma imagem contundente, capaz de representar os relatos sobre o absurdo do período. Voltei a São Paulo pensando nisso. Como sempre estive envolvido com essas questões, me senti um pouco responsável por criar uma tela que denunciasse as barbaridades cometidas pelas ditaduras latino-americanas”, contou Andreato à Agência Brasil.

Por três meses e meio, o artista dedicou cerca de 15 horas diárias ao propósito de “denunciar os horrores cometidos por agentes públicos”. O artista tomou conhecimento das práticas na segunda metade da década de 1960, por meio de amigos e conhecidos que foram torturados.

Mais de 40 anos depois, ouviu os depoimentos de sobreviventes dos abusos prestados à Comissão Nacional da Verdade – colegiado criado em 2012 e que, até 2014, apurou as violações aos direitos humanos ocorridas no Brasil, entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. “Foi doloroso pintar esse assunto. Custou-me muitas noites de sofrimento repassar toda essa tragédia”, contou.

Doação
Quando doou o painel e os direitos de reprodução à Câmara dos Deputados, no final de 2012, Andreato avaliou que a obra valia R$ 60 mil. Sua expectativa era que a tela ficasse permanentemente exposta ao público.

A obra ficou exposta na Câmara durante o mês de dezembro de 2012, como parte da mostra Parlamento Mutilado: Deputados Federais Cassados pela Ditadura de 1964, em homenagem a 173 deputados que tiveram os mandatos devolvidos em 2012. Encerrada a exposição, foi guardada em uma das salas da “reserva técnica”.

Até a semana passada, Andreato não sabia do paradeiro do painel, mesmo tendo pedido ajuda a ex-integrantes da comissão parlamentar para descobrir o destino da obra. Foi então que amigos decidiram denunciar nas redes sociais o suposto “desaparecimento” da tela – que não consta na relação de itens do acervo disponível no site da Câmara, conforme a reportagem apurou.

Falta de espaço
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Câmara informou que a tela foi recolhida pela falta de locais onde expô-la. A reportagem foi autorizada a fotografar o quadro no acervo. “A Câmara não dispõe, no momento, de uma parede na qual seja possível expor permanentemente, com segurança, uma obra de dimensões tão grandes.

Aquela em que o painel foi exibido, em 2012, fica em uma área de grande circulação de público, onde acontecem diferentes eventos, inclusive a projeção de vídeos. Outras paredes utilizadas para a realização de mostras temporárias estão em locais cuja iluminação poderia ser prejudicial a obras expostas por longos períodos”, acrescentou a instituição, em nota.

Quanto ao fato de o painel não constar da relação de obras do acervo disponíveis para consulta online, a assessoria explicou que o Portal da Câmara está sendo reformulado e que menos de 90 das 1,7 mil obras patrimoniais foram cadastradas até o momento.

Alívio
Informado pela reportagem da Agência Brasil que a tela está há mais de quatro anos guardada no acervo da Câmara, Andreato disse estar aliviado por saber que o trabalho não está perdido, mas também decepcionado por ver sua obra “escondida em um acervo”.

“É triste. Se eu tivesse sido informado de que, por qualquer motivo, ela um dia seria retirada do local onde esteve exposta e guardada em uma sala, teria me mobilizado para garantir que ela fosse para outro lugar onde pudesse ser preservada e exposta”, comentou Andreato.

O artista, no entanto, levanta a hipótese de o painel ter sido guardado por causa do tema que aborda. “[Em 2012] Alguns deputados acharam um absurdo a Câmara expor uma tela como aquela. Diziam que há mulheres nuas, que é de mau gosto… É fácil arrumar desculpas para tentar escondê-la. O que posso fazer é pedir que a devolvam para que eu possa doá-la para outra entidade ou instituição que tenha espaço apropriado.”

A assessoria da Câmara garantiu que não há nenhuma razão político-ideológico para impedir a exibição do painel. “A decisão de recolher a obra à reserva técnica foi motivada pela preocupação em garantir a integridade da tela. Assim como em relação às demais obras, a intenção é que o painel de Andreato volte a ser exposto na Casa, desde que haja um local adequado”, afirma a assessoria, explicando que, periodicamente, são realizadas exposições temporárias com outras peças do acervo e que o painel só não deixa a reserva técnica desde 2013 porque, além da falta de condições locais, a Câmara nunca recebeu um pedido de empréstimo de outra instituição interessada em exibir a obra.

Empréstimo
Ex-curador dos palácios presidenciais, o galerista Rogério Carvalho considera que, se não dispõe de local apropriado para expor as obras, o mais indicado seria a Câmara doar ou emprestar o acervo para museus que possam exibi-lo.

“Não é retirando o acervo das instituições governamentais que vamos resolver o problema da falta de acesso do público às obras de arte. O melhor é que as instituições invistam em programas de visitação e exposições temporárias. Se isso não é possível, que a Câmara doe seu acervo. A obra de arte serve para fazer as pessoas melhores. Se não estiverem acessíveis, se não forem conhecidas pelas pessoas, não há sentido em preservá-las. Acho que esta é a expectativa de qualquer artista que doa seu trabalho a uma instituição pública”, diz Carvalho.

Para ele, em edifícios públicos, como o Palácio do Planalto e o Itamaraty, quadros, esculturas, mobiliário, tapeçaria e outras peças têm a função de representar a diversidade e a cultura nacional, apresentando-a aos visitantes, principalmente aos chefes de Estados.

“É impossível pensar o espaço arquitetônico de locais públicos como, por exemplo, os palácios presidenciais, sem peças que representem o que de melhor nossa cultura produziu. Mas não se pode querer dar caráter museológico a estes espaços, que são locais de trabalho. Por isso mesmo, tenho dúvidas se Câmara deveria manter este acervo, já que se trata de um local por onde passam muitas pessoas; onde o controle é complicado e cuidar desse patrimônio se torna ainda mais complexo ”, pondera Carvalho.

Para o galerista, uma vez que doou o painel, Elifas Andreato não pode reavê-lo pelo fato dele não estar exposto, mas pode questionar o fato da obra estar há tanto tempo guardada em uma sala.

Fonte original da notícia: Metrópoles




Museu da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), completa 60 anos e tem acervo guardado e sob ameaça de fungos

Projetado por Oscar Niemeyer, antigo cassino faz parte de conjunto arquitetônico que se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade em 2016.

O Museu da Pampulha, em Belo Horizonte, completa 60 anos com as salas de exposição vazias. Todo o acervo permanente do museu está guardado em uma sala fechada e tomados pelo mofo. Projetado por Oscar Niemeyer, antigo cassino faz parte de conjunto arquitetônico que se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2016.

O prédio modernista surpreende pela beleza. “A gente ficou brincando que é uma inovação. Você chegar num museu e não ter exposição nenhuma”, disse a estudante de história Ana Laura Alves Alvim.

Os visitantes podem andar pelas rampas, observar as curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer e o jardim criado pelo paisagista Burle Marx. Mas não vão encontrar uma obra de arte sequer. “I que eu gostaria de ver são as artes, pinturas, que é uma coisa que eu nunca vi de perto. Eu gostaria de ver isso”, lamentou a educadora social Carla Barbosa de Souza Silva.

O museu tem um acerco com cerca de 1,4 mil obras de arte. Os trabalhos estão longe do público e guardados em condições que preocupam. As obras estão numa sala que ficou um ano sem ar condicionado. O problema agora são os fungos que se espalharam pelo acervo, segundo o diretor do Conjunto Moderno da Pampulha, Gustavo Medicino.

“A gente conseguiu solucionar agora, com o ar, não teve danos maiores às obras, não causou, a gente, se ficasse mais tempo poderia causar, mais a gente conseguiu solucionar e agora o que a gente precisa combater os fungos que proliferaram”, disse Medicino.

O acervo só pode ser visto em catálogos. São obras de artistas consagrados como Guignard, Amílcar de Castro e Di Cavalcanti. “As obras do acervo aqui da Pampulha têm um valor cultural muito importante, porque são obras de artistas que atuaram aqui desde a construção da Pampulha até hoje”, disse Marília Andrés Ribeiro, historiadora da arte.

A dificuldade para montar exposições é o excesso de luz natural, que pode danificar telas e gravuras. O projeto inicial de Niemeyer era de um cassino e só virou museu depois da proibição do jogo no Brasil. “Ele fez isso como uma vitrine pra paisagem fora. (…) Pra se tornar museu, de alguma forma, a gente tem que obscurecer alguma parte desses vidros pra impedir que a luz entre”, explicou Priscila Freire, ex-diretora do Museu da Pampulha.

Uma das propostas de solução do problema é construir um anexo do museu. A prefeitura já tem o terreno e gastou mais de R$ 500 mil em dois projetos, um deles do próprio Niemeyer. Mas a direção do museu diz que não tem os R$ 30 milhões necessários para fazer o anexo.

A proposta, por enquanto, é levar o acervo pra um galpão, em melhores condições, mas em outra região da cidade. Alguns historiadores, no entanto, discordam da medida. “Considero que as obras devem estar próximas ao museu, porque o museu é da Pampulha. Se você leva o acervo para um outro lugar e mistura com outros acervos descaracteriza completamente”, afirmou, Marília Andrés Ribeiro.

Para quem visita o museu, o jeito é aguardar. “A gente fica só esperando a oportunidade de ver isso, se realmente tiver essas exposições a gente vai presenciar, com certeza”, falou a vendedora Simone Vieira.

Fonte original da notícia: G1 MG – Bom Dia Brasil, Belo Horizonte




Biblioteca Nacional disponibiliza acervo de periódicos

Na Hemeroteca Digital, o portal de periódicos da Biblioteca Nacional, é possível encontrar um raro acervo de jornais e revistas, desde os primeiros jornais do Brasil, como a Gazeta do Rio de Janeiro e o Correio Braziliense, até publicações atuais. Atualmente, são 14 milhões de páginas de jornais e revistas digitalizadas. Em 2016, o portal teve mais de 7 milhões de acessos, tanto do Brasil quando do exterior.

De acordo com a coordenadora da Biblioteca Nacional Digital, Angela Bettencourt, a instituição cumpre com seu papel de preservar e divulgar a informação. “Projetos como a Hemeroteca Digital são importantíssimos para os brasileiros. Iniciativas como essa atingem também o público em geral, não apenas pesquisadores, tornando-se fundamentais para democratizar o acesso aos bens culturais”, ressalta.

A Hemeroteca Digital foi criada em 2009, a partir de um projeto apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A ideia inicial era digitalizar apenas periódicos já em domínio público, mas o escopo acabou sendo ampliado. “Fomos procurados por proprietários de jornais, como o Jornal do Brasil, autorizando a digitalização. Depois vieram os proprietários dos Diários Associados, que incluem o Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e a famosa revista O Cruzeiro. Desde então, passamos a digitalizar também periódicos atuais. Não temos o direito patrimonial, mas podemos divulgar em nosso portal”, explica Angela.

Para pesquisar na Hemeroteca Digital, basta digitar ou escolher o nome do periódico, escolher o período e o que se quer encontrar. Uma das grandes vantagens da pesquisa no acervo é que não é preciso procurar página por página do jornal ou revista para encontrar a informação pesquisada. “Nossa indexação é por palavra. Isso facilita muito a recuperação da informação na vastidão do material”, frisa a coordenadora.

Para Angela, a Biblioteca Nacional acompanha os novos tempos com projetos como a Hemeroteca Digital. “A Biblioteca Nacional dita as normas para catalogação de livros, o material analógico, podemos dizer. E também marcamos presença no mundo digital. Atualmente, a instituição é a maior biblioteca digital do País e estamos ensinando às outras como fazer, que padrões seguir. Isso vai nos ajudar a cooperar no futuro, quem sabe nos transformando em um verdadeiro Google da cultura”, destaca.

Por Alessandra de Paula

Fonte original da notícia: Ministério da Cultura




São Francisco do Sul (SC) – Mais de 800 documentos navais históricos são digitalizados

Acervo será lançado na internet em 9 de junho e reúne além de livros, plantas, cartas náuticas e manuscritos.

Documentos remontam ao período da colonização do País. Divulgação/Museu do Mar

Mais de 800 obras raras do patrimônio naval do País foram digitalizadas e serão disponibilizadas no lançamento do Portal Barcos do Brasil, marcado para o dia 9 de junho.

O objetivo do Portal é a disponibilização do acervo da Biblioteca Kelvin Duarte, que fica no Museu Nacional do Mar, ao maior número de pesquisadores possível, promovendo acessibilidade e tornando a biblioteca uma referência nacional no tema, a fim de atender estudantes, curiosos e especialistas.

O acervo disponibilizado no site reúne, além de livros, também plantas, cartas náuticas e manuscritos. Grande parte do acervo se constitui em uma reunião de exemplares fora de circulação do mercado livreiro, edições esgotadas e de conteúdo precioso, abordando assuntos que incluem história naval, modelismo, pesca, folclore, descrição de viagens, entre outros.

Os pesquisadores encontrarão no site publicações como Compendio del arte de navegar (Rodrigo de Zamorano, 1581) e Viagem do Paraguay ao Amazonas (Paulo Ehrenreich, 1853). Para facilitar o acesso ao usuário, as buscas das publicações poderão ser feitas segundo critérios de: comunidades e coleções; data do documento; autores; títulos; e assuntos.

O projeto foi financiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio de convênio com a Associação dos Amigos do Museu do Mar, e contou com parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Fundação Catarinense de Cultura.

Museu Nacional do Mar

O Museu Nacional do Mar de São Francisco do Sul (SC) conta com um acervo de obras raras disponível na Biblioteca Kelvin Duarte, composto por cerca de 3 mil documentos de variados tipos – cartas náuticas, plantas de embarcações, documentos sobre engenharia naval, documentos da marinha portuguesa da época da colonização brasileira, entre outros documentos históricos.

A Biblioteca leva o nome de um dos maiores conhecedores e estudiosos do modelismo naval brasileiro, Kelvin Duarte. O especialista dedicou sua vida ao estudo da construção de miniaturas náuticas, além de ter reunido livros nacionais e internacionais sobre o assunto de raro valor comercial e intelectual, adquiridos pelo Museu do Mar.

Fonte original da notícia: Portal Brasil




Belo Horizonte (MG)- MAP está em estado de alerta

Em carta, funcionários do Museu de Arte da Pampulha denunciam descaso do poder público em relação ao espaço

Patrimônio de BH, museu sofre, segundo funcionários, com o abandono e a falta de incentivos do poder público.

Funcionários do Museu de Arte da Pampulha (MAP) divulgaram na última sexta-feira (5) uma carta aberta pedindo apoio para o espaço, que atualmente se encontra em “grave situação de negligência” e tem sofrido com “baixo recurso e falta de investimento”. Dentre as reivindicações presentes na chamada “Carta de Apoio ao Museu de Arte da Pampulha”, estão a denúncia de falta de profissionais, deterioração do acervo e redução na verba destinadas a projetos. A divulgação da carta ocorre no ano em que o MAP completa 60 anos.

Nessa terça (9), vereadores da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo, Pedro Patrus (PT) e Arnaldo Godoy (PT) realizaram uma visita técnica ao local para verificar as condições do acervo após as denúncias. De acordo com Patrus, a situação das obras é “aterrorizante”. “O acervo está jogado às traças. Há obras do museu que estão em um galpão do bairro São Bernardo. Esculturas fundamentais estão completamente deterioradas”, diz.

Situação complicada. Em determinado trecho da carta, os funcionários dizem que o projeto Arte Contemporânea, que tem calendário anual, “teve redução de mais de 50% em seu orçamento”. De acordo com uma funcionária do museu que pediu anonimato, o MAP vive “uma situação complicada há quatro anos”. “O orçamento vem sendo reduzido todos os anos. Por isso, não conseguimos executar as atividades”, diz.

Outra questão levantada no documento é que o espaço não possui curador efetivo desde 2012, nem museólogo desde 2014. “Não ter um curador efetivo é um problema grande, mas não ter um museólogo é um problema maior, porque, por lei, todos os museus precisam de um museólogo”, afirma a mesma funcionária.

Além disso, ela destaca que a deterioração do acervo é constante. “Ele está em um local que já é pequeno. Estamos sem ar-condicionado há mais de um ano. O acervo já está sofrendo com a ação de micro-organismos, algo que não acontecia até um ano atrás”, relata.

A carta destaca ainda que o museu recebeu grande visibilidade com a implantação dos projetos Bolsa Pampulha e Arte Contemporânea, em 2002, mas que ela foi se perdendo com o passar dos anos. De acordo com a funcionária, o espaço tem perdido a função de instituição museológica para dar lugar a promoção de eventos turísticos, como Circuito Pampulha Noturno, que ocorre às terças-feiras. “Quando foi dado o título à Pampulha de Patrimônio Cultural da Humanidade, foi visado a paisagem e o conjunto arquitetônico, mas não o museu. Essa instituição tem sido colocada de lado. Está sendo chamada a atenção apenas do turismo e eventos que não estão ligados à instituição”, comenta.

Posicionamento. O diretor do Conjunto Moderno Pampulha – órgão sob responsabilidade de Fundação Municipal de Cultura –, Gustavo Mendicine, foi procurado para se posicionar perante os questionamentos da carta. Ele confirmou que o espaço não tem curador fixo nem museólogo. Segundo ele, “os curadores trabalham por projeto”. “Existem outros museus que trabalham assim”, afirmou.

Mendicine disse ainda que não contar com um museólogo “não é particularidade do MAP”. “Na cidade, só existem dois museólogos. Não é porque não existe esse profissional que o trabalho dele deixa de ser feito”, afirma.

Quanto à condição em que se encontra o acervo, que tem sofrido deterioração por conta da falta de ar condicionado, Mendicine destacou que esse é um “problema pontual, que deve ser resolvido em um prazo de 30 dias”.

Ao ser questionado sobre a declaração de que a instituição está sendo deixada de lado, o diretor afirmou que isso não condiz com a realidade. “O museu está vivendo em um período entre exposições. Em março, foi retirada a última, e em um período de duas, três semanas deve ser anunciada outra”, diz.

As questões levantadas pelos vereadores que visitaram o MAP, nessa terça, serão levadas a público em audiência, que ocorrerá na próxima segunda-feira (15). Na reunião, também será discutida a possibilidade de mudança do acervo do Museu da Imagem e do Som, situado na avenida Álvares Cabral, para o MIS Cine Santa Tereza.

Por Laura Maria

Fonte original da notícia: O Tempo




Rio de Janeiro (RJ) – Livros de cemitérios se deterioram em sala na garagem do Arquivo Geral da Prefeitura

Acervo com registros a partir de 1851 está no local desde 2013, quando foi retirado da Santa Casa de Misericórdia. Sindicância foi aberta para apurar furtos dos documentos.

Acervo dos cemitérios está alojado ao lado da garagem do Arquivo da Cidade do Rio. (Foto: Marco Antônio Martins/G1)

Livros mortuários de 13 cemitérios públicos do Rio de Janeiro estão se deteriorando armazenados em uma área de 66 metros quadrados, ao lado da garagem, no subsolo do prédio do Arquivo Geral da cidade. No acervo estão armazenados 2.164 livros, cerca de 1,5 mil da Santa Casa de Misericórdia. São documentos de 1851 até os dias atuais. O G1 foi ao local e encontrou uma sala quente, sem vigilância e os registros armazenados em péssimo estado de conservação em estantes de aço.

O Diário Oficial do Município publicou, em sua edição de terça-feira (25), a abertura de uma sindicância para apurar “irregularidades supostamente praticadas no Acervo dos Livros Mortuários do Rio de Janeiro”. A equipe de reportagem apurou que livros foram furtados e outros tiveram as folhas rasgadas.

Há duas semanas, um livro de 1852 foi encontrado jogado, em um domingo, no chão da sala. O documento não fazia parte do catálogo elaborado pelo setor da Prefeitura do Rio que administra os cemitérios públicos.

Os livros mortuários são registros de pessoas que adquiriram, a partir de 1851, sepulturas na cidade do Rio. Não apenas o nome de quem comprou, mas dados sobre a pessoa e quem foi sepultado local, além de quem recebeu o jazigo de herança, por exemplo.

Esses dados servem aos historiadores como informação sobre o ciclo de vida dos moradores do município durante os séculos 19 e 20. Ou ainda para se definir a árvore genealógica de uma família ou até como prova de casos de dupla cidadania.

Em abril de 2013, suspeitas de irregularidades nos arquivos da Santa Casa de Misericórdia levaram a Prefeitura do Rio a acautelar os livros. As suspeitas teriam sido praticadas em três cemitérios do Rio: Irajá, Inhaúma e Ricardo de Albuquerque, todos na Zona Norte do Rio. Em julho daquele ano, os livros foram levados para a garagem do Arquivo Geral da Cidade, onde estão até hoje.

Livro mortuário se deteriora no Arquivo Geral da Cidade do Rio. (Foto: Marco Antônio Martins/G1)

O acervo dos cemitérios está no subsolo do prédio localizado na Cidade Nova, no Centro do Rio. A história dos sepultados na cidade do Rio de Janeiro está numa sala ao lado do estacionamento de carros.

O local foi inundado em 2016 após uma chuva forte, de acordo com um ofício de março do ano passado. Há relatos de servidores, em documentos obtidos pelo G1, de que livros foram levados do lugar e colocados em carros parados ao lado da sala.

Junto à entrada da área onde está o acervo, não há câmeras ou qualquer vigilante. Na sala, ficam apenas dois funcionários. Próximo às estantes de livros, há fios desencapados no teto.

Um ventilador na porta tenta refrescar, sem sucesso, o ambiente. Há extensões que servem para ligar o outro ventilador e carregar os aparelhos celulares dos servidores.

Os livros são manuseados com luvas que já estão quase no fim. Não há máscara para os funcionários. Alguns livros foram encontrados pela reportagem rasgados ou com as folhas soltas. Bem diferente dos 3,5 milhões de documentos digitalizados nos andares acima.

Prefeitura promete digitalizar o acervo

O secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente, Rubens Teixeira, diz que o acervo será digitalizado e, assim, preservado.

“Vamos primeiro descontaminar o acervo, microfilmar e assim cuidar da digitalização de todo material”, afirma o secretário. Todo o processo deve durar seis meses.

No Arquivo da Cidade, há livros do século 19. (Foto: Marco Antônio Martins/G1)

Por meio da assessoria, a diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio, a historiadora Beatriz Kushnir, declarou que o arquivo cuida apenas da guarda dos livros. De acordo com a nota, toda a documentação “que chega ao local entra pela garagem e passa por uma sala de acolhimento e pequeno tratamento, para não contaminar o restante do acervo”.

A nota da Casa Civil da Prefeitura, ao qual a direção do Arquivo Geral é subordinada, diz que procedimentos como microfilmagem e digitalização não foram feitos pela antiga administração municipal quando os livros foram acautelados pela prefeitura.

Leia a íntegra da nota:

A documentação dos cemitérios foi entregue ao Arquivo no início de 2013, quando a gestão passada rompeu o pacto com a Santa Casa de Misericórdia e acautelou os livros dos 13 cemitérios públicos da cidade. Por não haver espaço adequado na Coordenadoria de Cemitérios, responsável pela documentação, foi determinado que o Arquivo cedesse um espaço onde essa documentação poderia ficar para continuar sendo manuseada pelas pessoas das funerárias e da coordenadoria. Por ser uma documentação corrente que continua sendo manuseada e preenchida, ela não tem o caráter permanente – por isso não pertence ao arquivo geral da cidade.

Quando a documentação chegou, o AGCRJ produziu um termo de referência, com todas as etapas necessárias ao arquivamento dessa documentação: higienização, pequenos reparos, digitalização, microfilmagem, acondicionamento e construção de uma base de dados que transferisse as informações dos livros.

O processo não foi feito pela antiga gestão. A atual administração está em negociação com as concessionárias para garantir que as mesmas cumpram as exigências do contrato, entre elas colocar uma base de dados em todos os cemitérios e também na coordenadoria, para que as novas inclusões ao invés de serem feitas nos livros sejam colocadas diretamente ali, de forma digital, o que vai permitir que os livros ganhem um caráter permanente e sejam devidamente arquivados“.

Fios ficam junto às prateleiras dos livros mortuários. (Foto: Marco Antônio Martins/G1)

Por Marco Antônio Martins

Fonte original da notícia: G1 Rio




Acervo de museu em Divinópolis (MG) é removido após interdição de imóvel

Peças foram transferidas para o Centro Administrativo como medida de proteção. Exposição ao público não ocorre devido a processo de inventário.

Equipe da Secretaria de Cultura acompanha situação de peças guardadas no Centro Administrativo. (Foto: Prefeitura de Divinópolis/Divulgação)

Equipe da Secretaria de Cultura acompanha situação de peças guardadas no Centro Administrativo. (Foto: Prefeitura de Divinópolis/Divulgação)

Após a interdição do prédio que abriga o Museu Histórico de Divinópolis devido a danos na estrutura, as peças que integram o acervo passam por um processo de salvaguarda – proteção concedida por autoridade ou instituição. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, elas foram retiradas do prédio e estão em uma sala do Centro Administrativo. Um inventário sobre as obras está sendo elaborado. Por causa disso, o acesso pelo público foi suspenso.

A gerente municipal de Memória e Patrimônio, Thais Venuto, disse que a edificação onde funciona o museu começou a apresentar danos em 2014. “Mas as chuvas do início deste mês tornaram a situação mais preocupante. Isso levou o prédio a ser interditado pela Defesa Civil”, explicou.

Em nota, a Prefeitura comunicou que estuda uma possibilidade de parceria público-privada com uma arquiteta para revitalizar e requalificar o casarão histórico. “O museu passará por processo de revitalização e adequação de espaço, sem previsão de término, para expor o acervo”, disse o secretário de Cultura, Oswaldo André de Mello.

Danos estruturais no Museu Histórico de Divinópolis motivaram interdição pela Defesa Civil (Foto: Prefeitura/Divulgação)

Danos estruturais no Museu Histórico de Divinópolis motivaram interdição pela Defesa Civil (Foto: Prefeitura/Divulgação)

Construído em 1830, o prédio que abriga o Museu Histórico foi residência familiar em uma época em que Divinópolis era Arraial do Divino Espírito Santo. Tempos depois abrigou a primeira sala de cinema da cidade e foi posto de saúde, sede da cúria paroquial e do colégio seráfico. Abrigou ainda o convento dos frades franciscanos e a escola normal.

Em 1982, um movimento em defesa da preservação da construção recebeu apoio na Câmara Municipal. Foi tombado e restaurado em 1988.

Fonte original da notícia: G1 Centro-Oeste de Minas