MPF pede suspensão de novo decreto para exploração mineral na Amazônia

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho (à dir.), e o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

O MPF (Ministério Público Federal) voltou a pedir na Justiça Federal nesta terça-feira (29) a suspensão do decreto de extinção de uma reserva na Amazônia para exploração mineral.

Um primeiro decreto já tinha sido revogado em razão da polêmica nesta segunda (28). Em um segundo decreto, publicado na noite de segunda-feira (28), o governo manteve a extinção da reserva e detalhou as condições de exploração.

Para o MPF, a medida da Presidência da República “é uma afronta à Constituição e mantém o meio ambiente sob ameaça de “ecocídio”.” A procuradoria acusa o governo de publicar novo decreto sem diferenças em relação ao texto revogado.

A Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados) está localizada nos Estados do Pará e Amapá, numa área de quase 4 milhões de hectares de vegetação, o equivalente ao Estado do Espírito Santo.

Área da reserva comparada à Dinamarca. WWF Brasil

A reserva foi criada em 1984, ainda durante o regime militar, e mantinha área de alto potencial para exploração de ouro e outros minérios (como ferro, manganês e tântalo) em posse da União.

A extinção, proposta pelo Ministério de Minas e Energia, permite a concessão da área para exploração mineral da iniciativa privada. O argumento da pasta era de que a medida seria necessária para viabilizar investimentos na região.

Cinco meses antes, investidores e mineradoras canadenses souberam dos planos de extinção da reserva em uma reunião com o ministério em março.

Na ação, a Procuradoria do Amapá pede ainda que nenhuma medida, seja licenciamento, licitação ou pesquisa minerária na área, seja tomada enquanto o decreto não for anulado.

Para os procuradores, é possível classificar a área como espaço territorial especialmente protegido. Assim, somente poderia ser alterada por meio de lei específica, conforme a legislação.

“O MPF ressalta, ainda, que a União não pode intervir nos Estados e municípios, e fomentar atividade potencialmente poluidora sem que haja ampla discussão, especialmente com os amazônidas”, escreveram na ação.

De acordo com a Procuradoria, na região existem indígenas e comunidades agro-extrativistas e ribeirinhos, e desrespeitar os direitos dessa população pode gerar responsabilidade internacional ao Brasil.

“Ecocídio”

Nas informações complementares à Justiça Federal, o MPF fala em “ecocídio” em razão dos prejuízos ao ambiente, aos indígenas e as comunidades com a exploração mineral na região.

“Assim, a ampliação não planejada de exploração mineral em área de proteção ambiental qualificada na Amazônia ensejará grave lesão ao meio ambiente e, consequentemente, a toda humanidade”, diz o MPF.

A Justiça Federal ainda não se manifestou sobre o pedido da Procuradoria.

Fonte original da notícia: UOL




Corais da Amazônia: as primeiras imagens de um novo mundo

O sucesso de nosso primeiro mergulho revelou que os recifes surpreendem pela exuberância de vida em uma região considerada pouco amigável a abrigá-la.

Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

“Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.


Neste 27 de janeiro, às 13h15, retornava à superfície com as primeiras imagens que revelavam os contornos de um mundo oculto . Um capricho da natureza, que não cansa de nos surpreender ao preencher de vida uma região considerada inóspita e tão improvável de abrigá-la. Dentro de nós, que estamos à bordo do navio Esperanza, fica a certeza de que a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” merece toda a nossa atenção.

Foram quase duas horas de mergulho. A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, lá estavam eles, os recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para nossas lentes suas cores e formas. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida”, conta Ronaldo.

Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

Na expedição realizada em 2014, os pesquisadores usaram redes para coletar exemplares. Desta vez, eles realizaram a primeira observação desse novo bioma embaixo d’água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. Empresas querem explorar petróleo perto dali e um vazamento poderia colocar em risco não só os corais mas a vida marinha da região.

Quando Ronaldo e John começaram a explicar o que viram debaixo d’água, a alegria e a satisfação estampavam seus sorrisos. Eles contaram que nos primeiros minutos o submarino passou por uma extensa área de areia, o que os deixou ansiosos por tentar ver alguma coisa. No navio, o capitão e a tripulação iam dando as coordenadas certas para que a pequena cápsula com os dois tripulantes chegasse aos recifes. Os rodolitos e as esponjas foram aparecendo aos poucos. Até que o submarino chegou a um paredão: uma grande estrutura de carbonato de cálcio. Ali estava o que realmente procuravam! O submarino precisou subir um pouco, a 180 metros de profundidade, para ver o ecossistema por cima.
 Entre os peixes avistados, estavam um cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção.

Ronaldo Francini Filho e John Hocevar fazem o primeiro mergulho no submarino - Foto ©Marizilda Cruppe / ©Greenpeace

Ronaldo Francini Filho e John Hocevar fazem o primeiro mergulho no submarino – Foto ©Marizilda Cruppe / ©Greenpeace

Esses peixes usam os recifes como locais para sua reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais surpreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.

Este primeiro mergulho de submarino realizado pelo Greenpeace a bordo do Esperanza revelou esse novo universo a ser protegido. . 
”Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do Rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema”, disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Toda a tripulação se envolveu nessa operação. Da cabine de controle, o capitão e seus ajudantes garantiam que o navio Esperanza não se distanciasse do submarino. A cada 15 minutos, sinais de comunicação eram enviados para saber se tudo estava bem.

A diversidade de vida nos Corais da Amazônia surpreendeu os cientistas ©Greenpeace

A diversidade de vida nos Corais da Amazônia surpreendeu os cientistas ©Greenpeace

Ao final do dia, a aventura foi celebrada em uma roda de conversa entre todos no navio. John e Ronaldo contaram em detalhes o que viram debaixo d’água e a experiência de viajar em um equipamento tão moderno. Juntos, assistimos a um vídeo sobre nossos primeiros dias reunidos nessa missão. Uma cumplicidade de equipe e um espírito de aventura expressos em olhares trocados, que certamente renovam a união e a energia para os próximos dias. Foi de arrepiar.

 Nossa missão por aqui, entretanto, está apenas começando. Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem. Continue conosco nesta jornada. Nos ajude a divulgar essas imagens e participe da luta para defender os Corais da Amazônia da exploração de petróleo.

Assine a petição

Fonte original da notícia: Greenpeace




Cidade de Belterra terá o primeiro museu de história natural do Pará

Museu de Ciências da Amazônia vai estimular o turismo e disseminar a cultura. Obras foram lançadas na quinta-feira (14); museu deve entrar em operação em 2018.

Primeiras ações será a restauração de prédios e a casa construída para Henry Ford. (Foto: Adonias Silva/G1)

Primeiras ações será a restauração de prédios e a casa construída para Henry Ford. (Foto: Adonias Silva/G1)

O município de Belterra, localizado na região metropolitana de Santarém, no oeste paraense, terá o primeiro museu de história natural do Pará. O Museu de Ciências da Amazônia usará a educação para estimular o turismo e disseminar cultura, explorando a riqueza cultural deixada pela passagem do ciclo da borracha no município e seu patrimônio natural. Na quinta-feira, (14), uma solenidade realizada no centro histórico de Belterra marcou o início das obras do museu.

A cerimônia contou com a presença do secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), Alex Fiúza de Melo, de diretores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e do coordenador da Organização de Desenvolvimento Cultural e Preservação Ambiental (AmaBrasil), de Luiz Felipe, bem como secretários municipais e outras autoridades locais.

Museu vai estimular o turismo e disseminar cultura, explorando a riqueza deixada pelo ciclo da borracha. (Foto: Adonias Silva/G1)

Museu vai estimular o turismo e disseminar cultura, explorando a riqueza deixada pelo ciclo da borracha. (Foto: Adonias Silva/G1)

O Museu foi idealizado para ser um espaço interativo, tecnológico e dinâmico focado nas riquezas naturais da Floresta Amazônica, com destaque para a Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, importante área de preservação localizada nos limites dos municípios de Belterra, Aveiro, Placas e Ruropólis. Entre os eixos de ação prioritários estão a educação ambiental, a economia verde e a pesquisa em torno da biodiversidade local.

Sediado no antigo Hospital, o Museu contará com exposições interativas, tour virtual, laboratórios para pesquisa básica, coleção zoológica e locais apropriados para exibição de vídeos e oficinas culturais. O patrimônio histórico restaurado servirá de base, também, para hospedagem de pesquisadores e turistas interessados em conhecer as riquezas culturais e naturais desta parte da Amazônia. A previsão é de que o Museu entre em operação em 2018.

O investimento inicial será de cerca de R$ 15 milhões, sendo R$ 4,3 milhões em recursos próprios do governo do Estado e o restante proveniente do BNDES. As primeiras ações envolvem a restauração do antigo hospital Henry Ford, do alojamento da Embrapa, das duas caixas d’água, da casa construída para que Ford morasse, e ainda o inventário da fauna e flora da região, o projeto museológico, o abastecimento de água e o esgotamento sanitário do município.

Floresta Nacional do Tapajós e as praias também serão alvos das ações. (Foto: Adonias Silva/G1)

Floresta Nacional do Tapajós e as praias também serão alvos das ações. (Foto: Adonias Silva/G1)

Vizinho ao Museu está a Floresta Nacional do Tapajós (Flona) e dezenas de praias banhadas pelo Rio Tapajós, que também serão alvos das ações. “O Museu vai servir de referência para formação de pessoal local no trato da biodiversidade que temos no entorno e na aplicação para o turista no trato dessa biodiversidade, que inclui não só a borracha, mas diversos fármacos, cosméticos e outras matérias-primas vegetais. Será um atrativo turístico incorporado ao Polo Tapajós, que tem Alter do Chão como porta de entrada”, destaca o titular da Sectet, Alex Fiúza de Mello.

Belterra a sua história
Belterra possui vasto e rico patrimônio histórico, herdado da implantação do ‘Projeto Ford’, em 1934. O magnata Henry Ford sonhava em construir um império no coração da Amazônia, usando a riqueza oriunda da exploração do látex natural. Nascia o então chamado Ciclo da Borracha. O projeto de Ford, contudo, não durou por muito tempo, mas deixou uma estrutura urbana invejável à época para os padrões locais e baseada na arquitetura norte-americana, entre casas pré-fabricadas em madeira, hidrantes, caixas d’água, escolas e um até hospital.

A cidade de Belterra possui vasto e rico patrimônio histórico, herdado da implantação do Projeto Ford, em 1934. (Foto: Adonias Silva/G1)

A cidade de Belterra possui vasto e rico patrimônio histórico, herdado da implantação do Projeto Ford, em 1934. (Foto: Adonias Silva/G1)

Fonte original da notícia: G1 Santarém




Belém (PA) – Artistas protestam após decreto retirar museu na Casa das 11 Janelas

Em carta aberta, artistas solicitam veto de Iphan para a retirada do museu. Governo quer instalar Polo de Gastronomia da Amazônia no local.

Museu de Arte Contemporânea funciona há 11 ano no espaço da Casa das Onze Janelas, em Belém. (Foto: Elza Lima/Divulgação)

Museu de Arte Contemporânea funciona há 11 ano no espaço da Casa das Onze Janelas, em Belém. (Foto: Elza Lima/Divulgação)

Artistas plásticos e pessoas ligadas à cultura no Pará protestam contra o fim das atividades do Museu de Arte Contemporânea de Belém na Casa das Onze Janelas, onde funcionava há 14 anos. Os manifestantes produziram uma carta aberta para Maria Dorotéa de Lima, superintendente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), solicitando que o órgão nacional se posicione contra a retirada do Museu de Arte Contemporânea da atual local.

O lugar, que servia de espaço de experimentação para artistas, deixa de funcionar após o governo do Pará ter publicado um decreto na última segunda-feira (20), determinando a criação do Polo de Gastronomia da Amazônia, que deve ser instalado no espaço que era ocupado pelo museu em Belém. Segundo o decreto, as obras do acervo serão guardadas e transferidas para um local ainda indefinido, onde deverá funcionar um novo museu.

O artista plástico Geraldo Teixeira acredita que a mudança é um retrocesso para a arte e cultura do Pará, pois o atual espaço compreende todas as necessidades que um museu contemporâneo necessita, além dos espaços adequados para a realização de oficinas, cursos e palestras.

“A retirada de um museu nacional e que está estabelecido há 14 anos é a prova de como o atual governo trata e enxerga a cultura no estado. Ali conseguimos trabalhar com todas as dimensões possíveis de arte. Atualmente estão sendo feitos trabalhos artísticos, laboratórios de arte e qualquer alteração prejudicará a classe artística irreparavelmente”, alerta Geraldo Teixeira. “A cidade e o estado pertencem as pessoas. Para realizar uma ação dessa teriam que ter consultado a população, e não ser decidido por um grupo restrito”, completa.

Déficit museológico
Em 2015, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) classificou o Pará com a segunda pior média nacional de museus por habitantes. O Pará tem apenas um museu para um grupo de 173 mil habitantes, ficando à frente apenas do Maranhão. A média nacional é de uma instituição para 57 mil habitantes.

“Belém e o Pará sempre colocaram a cultura para escanteio. Não temos uma quantidade de espaços adequados para criação e exposição artistas aqui. Pela falta de investimento dos governos muitas coisas já foram perdidas”, afirma Geraldo Teixeira, utilizando o bairro da Cidade Velha como exemplo do descaso público com a arte e cultura local. “Na questão do turismo, a Cidade Velha foi abandonada. Lá se concentrava a maior parte das azulejaria europeia da cidade. O poder público não se preocupou em preservar, ou criar iniciativas para a preservação da história da nossa cidade”.

Segundo Teixeira, os artistas não são contra a criação do polo de gastronomia, mas acreditam que a nova iniciativa não deve suplantar a antiga. “Nós incentivamos a criação do Polo de Gastronomia da Amazônia, mas não queremos que seja retirado o museu de lá. Belém tem vários outros espaços vazios e interessantes para o polo, espaços que podem ser revitalizados para esta iniciativa, mas substituir o Museu de Arte Contemporânea é inaceitável, por isso a nossa luta pelo museu, para não deixar cair no descaso. A rotina nos acostuma com tudo que é de bom e também com o que é de ruim. Se não brigarmos pelo espaço a cultura será derrotada mais uma vez. Vamos continuar lutando”, conclui.

Fonte original da notícia: G1 PA




Xapuri (AC) – Começam as obras de restauro da Casa de Chico Mendes

casa_chico_mendes

Único bem tombado como patrimônio cultural nacional no Acre, a Casa de Chico Mendes, em Xapuri, será restaurada. Local onde o líder seringueiro viveu os últimos anos de sua vida e foi assassinado – em retaliação à sua luta em favor do modo de vida das populações da floresta – as obras de conservação e restauração foram autorizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio da Superintendência do Acre, e tem o prazo de realização de dois meses, devendo ser concluída no fim de maio.

O projeto de restauro foi contratado pelo Iphan em 2014, mas teve que ser interrompido por conta de uma enchente, que atingiu a Casa no começo de 2015. Após a licitação da obra, ainda em 2015, o Iphan decidiu iniciá-la somente após o fim do inverno amazônico, período chuvoso que vai de dezembro a abril, para evitar que a Casa fosse atingida por uma eventual nova alagação enquanto estivesse em obras.

A obra prevê o reforço estrutural dos pilares da Casa e amarrações nas junções da estrutura, para que no caso de eventuais novas enchentes a estabilidade da Casa esteja garantida, além de micro drenagem ao redor da edificação, a fim de minimizar os efeitos da umidade sobre os pilares de madeira.  As partes da Casa que estão com danos irreversíveis terão a madeira substituída ou complementada com enxerto ou preenchimento, a depender do caso.

Sobre a Casa

AC_Casa_de_Chico_Mendes_Xapuri_AC_Jose_Aguilera

Foi na Rua Batista de Moraes, nº 10, Setor 1, Distrito 1, Lote 290, no centro de Xapuri, município do Acre, que o líder sindical e seringueiro Francisco Alves Mendes Filho passou os últimos dois anos da sua vida, dedicado ao seringalismo, ao movimento de resistência dos trabalhadores locais e à luta contra a devastação da Amazônia.

A casa de Chico Mendes é um imóvel simplório, que obedece a um sistema construtivo tradicional da região, ainda de uso frequente. A casa cabocla em madeira coberta de telha de barro possui apenas 4m de largura e pode ser edificada em menos de uma semana. Todo composto de tábuas verticais, inclusive as portas e janelas, o imóvel possui telhado em formato de V, de telha francesa.

Singela construção de madeira pintada de azul turquesa, a casa guarda um acervo de seus objetos pessoais, inclusive a cadeira onde ele morreu por um tiro de espingarda, na noite de 22 de dezembro de 1988, após sucessivos atentados encomendados por fazendeiros locais. O tombamento aconteceu em 2011 e foi importante para garantir a preservação do local, já que a paisagem da casa estava em processo de descaracterização, com a derrubada de algumas árvores e uma invasão urbana no bosque.

Fonte original da notícia: IPHAN




Arqueólogos descobrem contato de povos do Marajó com as Guianas

Cerâmica de Gurupá apresenta características únicas, diz pesquisadora. Estudo aponta contato entre grupos do Pará, Amapá e Guianas.

Cerâmica encontrada em Gurupá tem traços do estilo Koriabo, encontrado em povos mais ao norte do Pará. (Foto: Acervo projeto OCA/MPEG)

Cerâmica encontrada em Gurupá tem traços do estilo Koriabo, encontrado em povos mais ao norte do Pará. (Foto: Acervo projeto OCA/MPEG)

Um projeto arqueológico em Gurupá, na ilha do Marajó, surpreendeu pesquisadores com evidências de novos contatos entre os povos da Amazônia. Através de escavações e coleta de materiais, os arqueólogos encontraram peças com estilos diferentes das cerâmicas tapajônica e marajoara, indicando que as civilizações que viviam na floresta antes do descobrimento interagiam com mais povos do que se pensava.

“Sabemos que a comunicação do passado pré colonial seguia o fluxo do rio. O Amazonas era uma grande avenida, mas o que está nos surpreendendo é a ausência de semelhanças estilísticas entre a cerâmica encontrada em Gurupá e as peças do restante do Marajó e de Santarém. A semelhança é com artesanato Koriabo, que aparece nas Guianas e no Amapá”, explica a arqueóloga Helena Lima, coordenadora do projeto Origens, Cultura e Ambiente (OCA).

De acordo com a pesquisadora, a semelhança entre a cerâmica de Gurupá e de civilizações ao norte do estado do Pará fizeram com que os arqueólogos debatessem a possibilidade da interação entre povos que não são ligados pelos grandes rios. “Percebemos semelhanças muito fortes, então começamos a discutir o baixo Amazonas como área de intenso fluxo estilístico, de ideias e estilos em sentido norte-sul ou sul-norte”, disse. “É absolutamente viável em comunicação fora do fluxo dos grandes rios”, afirma.

Tesouro oculto
Segundo o Museu Goeldi, desde o século XIX o arquipélago do Marajó serve como referência para pesquisa sobre as culturas da região antes da chegada dos portugueses. Apesar disso, o projeto OCA é a primeira iniciativa a explorar o potencial de Gurupá.

“O município de Gurupá, embora tenha potencial arqueológico muito grande, com mais de 50 sítios, nunca havia sido pesquisado. Houve um inventário do Iphan realizado em parceria com a Ufpa entre os anos de 2008 e 2009 que resultou em uma publicação de um livro que já apontava uma cerâmica diferente das demais culturas amazônicas, não relacionada com conjuntos conhecidos”, explica Helena Lima, coordenadora do projeto , realizado pelo Museu Emílio Goeldi.

Riqueza ameaçada
A cidade de Gurupá está localizado entre os Xingu e Amazonas, no arquipélago do Marajó. O município possui pouco mais de 31 mil habitantes de acordo com o censo do IBGE, e tem abundância de sítios arqueológicos espalhados pela Reserva Ambiental de Jacupi, um local que desperta interesse de madeireiros e loteadores.

Entre os materiais coletados, os pesquisadores encontraram cerâmicas, carvões e amostras de solo de diversas épocas. Há vestígios de povos desde antes da chegada dos europeus à Amazônia até períodos mais recentes. Os itens foram trazidos para a Reserva Arqueológica do Museu Goeldi onde são analisados.

Fonte original da notícia: G1 PA




Fordlândia, um império perdido na Amazônia

Há 70 anos, terminava o plano de Henry Ford de abastecer suas fábricas com borracha produzida no Brasil. Local virou ruína.

Fordlândia deixou de existir em 1945. (Colin Mcpherson / Corbis / Latinstock)

Fordlândia deixou de existir em 1945. (Colin Mcpherson/Corbis/Latinstock)

Neste 2015 completam-se sete décadas da ruína de um pedaço de império no meio da floresta amazônica. Era uma área extensa, de aproximadamente 15 mil quilômetros quadrados no sudoeste do Pará, na região de Santarém, a 800 quilômetros de Belém. Foi onde se construiu a Fordlândia, referência ao empresário norte-americano Henry Ford, que planejava estabelecer ali sua base de fornecimento de borracha. A aventura começou em 1927 e terminou em 1945, sem sucesso. A área hoje está em ruínas. No início deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou rapidez ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) no processo de tombamento, mas ambos concordam que isso não será suficiente para recuperar e preservar o local.

Na primeira década do século passado, Henry Ford causou sensação com seu modelo T, pioneiro na fabricação em série. O modelo de produção inovador para a época foi batizado de fordismo. Surgia a linha de montagem. Para os pneus dos automóveis, ele precisava de borracha – e aí surge o projeto da Fordlândia.

O ciclo da borracha no Brasil já estava superado. No início do século 20, quem produzia eram colônias inglesas do Sudeste Asiático. O empresário viu na Amazônia oportunidade de investimento e de fornecimento contínuo e mais barato para seus produtos, fugindo do monopólio britânico. Adquiriu o terreno e, em pouco tempo, criou não apenas uma fábrica, mas uma típica cidade dos Estados Unidos em plena Amazônia, no final dos anos 1920. Uma little town (cidadezinha) à beira do Rio Tapajós, que chegou a ter mais de 3 mil trabalhadores.

Cidade chegou a ter 3 mil trabalhadores, que não se adaptaram ao estilo norte-americano de vida. Na foto, vila operária em 1933. Colin Mcphearson / corbis / Latinstock

Cidade chegou a ter 3 mil trabalhadores, que não se adaptaram ao estilo norte-americano de vida. Na foto, vila operária em 1933. Colin Mcphearson/Corbis/Latinstock

A produção da borracha, no entanto, nunca se firmou. As pragas atacaram as seringueiras e as plantações ainda foram transferidas – outra cidade foi erguida, em Belterra, que faz parte do processo de tombamento em análise pelo Iphan. Mas a indústria também já havia descoberto a borracha sintética. O projeto brasileiro perdia sentido.

A empresa teve ainda problemas com seus funcionários brasileiros, ao tentar impor uma cultura norte-americana, que não se limitava ao modelo de produção, e incluía novos hábitos de comportamento e alimentares. Em 1930, por exemplo, houve uma rebelião de trabalhadores, que se batizou de Revolta das Panelas, descrita em detalhes pelo historiador norte-americano Greg Grandin, no livro Fordlândia – Ascensão e Queda da Cidade Esquecida de Henry Ford na Selva, lançado no Brasil cinco anos atrás.

Fascínio e desolação

Hábitos norte-americanos, inclusive os alimentares, revoltaram os brasileiros e resultaram na Revolta das Panelas. Benson Ford Research Center

Hábitos norte-americanos, inclusive os alimentares, revoltaram os brasileiros e resultaram na Revolta das Panelas. Benson Ford Research Center

Segundo a superintendente do Iphan no Pará, Maria Dorotéa de Lima, o processo de tombamento encontra-se “em vias de finalização”, com algumas pendências. Mas os problemas são muitos, acrescenta. “Na prática, quem responde pela gestão local é a prefeitura de Aveiro, pois Fordlândia é um distrito municipal. Porém, trata-se de área da União, o que dificulta a atuação do município no que se refere à fiscalização”, diz Dorotéa, que conta ter experimentado “sensações contraditórias de fascínio e desolação” ao visitar o local. “O desafio está em superar o isolamento e encontrar soluções que associem preservação, sustentabilidade e gestão.”

“Só o tombamento não vai resolver, se não houver outros canais de proteção”, afirma a procuradora Janaína Andrade, do MPF paraense, que vê necessidade de políticas públicas para cuidar efetivamente da área. “A situação é difícil. Com o passar do tempo, as intempéries vêm, e são perdas que não serão recompostas. E não é só esse patrimônio. Assim como na Fordlândia, infelizmente o patrimônio cultural não tem valor. O próprio Iphan não tem estrutura”, lamenta Janaína.

No começo de junho, a procuradora esteve em contato com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), que atua junto com o Iphan no caso. Foi feito um pedido de seis meses para conclusão do inventário. Apesar do prazo elevado, o Ministério Público tende a aceitar, até por uma questão prática: uma possível ação civil pública não teria efeito nenhum, porque não haveria como cumpri-la.

Para Janaína, é preciso tentar despertar a consciência da população. “A sociedade não valoriza o patrimônio que tem lá”, afirma. Uma ideia em estudo, que está sendo discutida com professores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), é levar um curso de extensão (de Arqueologia) de Santarém para Aveiro, cidade onde fica a Fordlândia, com população estimada em 16 mil pessoas, segundo o IBGE.

Mato e ruínas

Fordlândia em 1933. Benson Ford Research Center

Fordlândia em 1933. Benson Ford Research Center

A Fordlândia deixou de existir, definitivamente, em 1945. O governo brasileiro indenizou a empresa e ficou com a infraestrutura, que aos poucos se perdeu. O local chegou a receber instalações federais e fazendas, com casas habitadas por servidores do Ministério da Agricultura. Mas a área foi abandonada aos poucos e os prédios se deterioraram ou foram alvo de vandalismo. Ainda há moradores na região. Alguns ocuparam casas remanescentes da chamada Vila Americana.

Recentemente, o repórter Daniel Camargos, do jornal Estado de Minas, visitou o local. Sua descrição a respeito do hospital que funcionava ali ajuda a dar uma ideia do que aconteceu com o passar do tempo: “O projeto do hospital foi elaborado pelo arquiteto Albert Khan, o mesmo que projetou as fábricas da Ford em Highland e River Rouge, nos Estados Unidos. A capacidade era de 100 leitos e foi um dos mais modernos do país, sendo o primeiro a realizar um transplante de pele. Hoje, é só mato e ruínas. No local abandonado, somente o zumbido de mosquito interrompe o silêncio”.

Dorotéa considera que a experiência pioneira, no sentido de implementação de um grande projeto internacional na Amazônia, não deve ser desprezada, mas faz ressalvas. “Os muitos estudos e trabalhos a respeito revelam que o desprezo do componente cultural e da realidade local muito contribuiu para os desacertos”, analisa a superintendente do Iphan. “Muitos projetos vieram depois e, apesar de um outro entendimento da região e do componente local, pode-se dizer que continuamos a ser meros fornecedores de matéria-prima, inclusive no caso da energia. Muitas vezes o que fica na região é apenas o lado perverso desses investimentos: desmatamento, poluição, aumento da população nas periferias dos projetos em áreas de ocupação irregular, inchando as cidades que, em geral, não têm as condições devidas para atendê-las.”

Sonho amazônico de Henry Ford deu em nada. Ford Motor Company/Divulgação

Sonho amazônico de Henry Ford deu em nada. Ford Motor Company/Divulgação

Henry Ford morreu em 1947, sem conhecer sua cidade amazônica.

Por Vitor Nuzzi

Fonte original da notícia: Rede Brasil Atual




Governadores de MT e 8 estados da Amazônia assinam Carta de Cuiabá

Documento deverá ser encaminhado à Presidente Dilma Rousseff (PT). Texto reúne reivindicações e propostas dos estados da Amazônia Legal.

Governadores e vice-governadores se reuniram em fórum da Amazônia Legal em Cuiabá. (Foto: Lucas Ninno / GCom)

Governadores e vice-governadores se reuniram em fórum da Amazônia Legal em Cuiabá. (Foto: Lucas Ninno / GCom)

Governadores e vice-governadores dos nove estados da Amazônia Legal assinaram na tarde desta sexta-feira (29), na capital mato-grossense, a “Carta de Cuiabá”, documento que lança uma série de seis reivindicações do bloco amazônico por mais investimentos e por maior proteção ao patrimônio natural da região. Além de Mato Grosso, compõem a Amazônia Legal os estados do  Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O texto ainda deverá ser entregue à presidente Dilma Rousseff (PT).

A assinatura da Carta de Cuiabá encerrou o 10° Fórum de Governadores da Amazônia Legal, iniciativa que também tenta consolidar a agenda comum do bloco de estados no âmbito internacional visando as discussões de metas ambientais que deverão estar em pauta na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 21, a ser realizada em Paris ainda este ano. A íntegra da Carta de Cuiabá está disponível no site do governo de Mato Grosso.

Como resumiu o governador mato-grossense Pedro Taques (PDT), a reunião do fórum e a assinatura da carta são uma “força-tarefa” da Amazônia Legal. “Nós queremos ser ouvidos”, enfatizou. Já o vice-governador do estado de Rondônia, Daniel Pereira (PSB), caracterizou a iniciativa como uma tentativa de integração do bloco regional. “O problema é que nós vivemos aqui na Amazônia de costas um para o outro”, refletiu.

Investimentos na Amazônia
No manifesto assinado por Taques e por oito governadores e vice-governadores vizinhos, os estados defendem o direito de receberem investimentos nacionais e estrangeiros em compensação pelas reduções de desmatamento e de emissão de gases poluentes conquistadas nos últimos anos.

“Atingir essas reduções custa caro e, atualmente, esses custos estão sendo pagos quase que unicamente com orçamento público dos governos municipais, estaduais e federal, além de esforços individuais de produtores rurais, comunidades tradicionais e povos indígenas de nossa região amazônica. No entanto, já atingimos o limite máximo em nossa capacidade de investimento orçamentário, particularmente no atual momento da economia brasileira”, protesta o documento.

Alguns dos investimentos a que a Carta de Cuiabá se refere são aqueles que podem ser obtidos por meio do sistema REDD+, que prevê a geração de créditos conforme a redução do volume de gases poluentes à atmosfera. Os créditos são pagos por países poluentes que precisam compensar suas emissões excessivas.

Flagrante de desmatamento ilegal com uso de "correntão" em Mato Grosso: casos continuam, mas estado tem conseguido reduzir significativamente área desmatada, gerando créditos. (Foto: Assessoria / Ibama)

Flagrante de desmatamento ilegal com uso de “correntão” em Mato Grosso: casos continuam, mas estado tem conseguido reduzir significativamente área desmatada, gerando créditos. (Foto: Assessoria / Ibama)

“Nós [Mato Grosso] reduzimos cerca de dois bilhões de toneladas de carbono em razão do desmatamento que foi evitado nos últimos dez anos. Se você considerar que uma tonelada custa no mercado cerca de US$ 5,00, então nós temos hoje, para negociar no mercado internacional, cerca de R$ 30 bilhões, fora o potencial que nós temos nas reduções até 2020. Nós temos créditos consideráveis a serem resgatados no exterior”, defendeu a secretária de estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, Ana Luisa Peterlini.

BNDES
Na carta os estados também pedem que o governo federal apoie os estados na busca individual de recursos estrangeiros para investimentos em iniciativas sustentáveis e também exige alterações em critérios de destinação da verba obtida por meio do REDD+.

O principal ponto neste sentido é a alteração do decreto de 2008 que autoriza o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) a operar o Fundo Amazônia, que recebe recursos oriundos da compensação de carbono regulamentada pelo REDD+. No decreto, os estados que assinam a Carta de Cuiabá pedem que o termo “Bioma Amazônico” seja substituído por “Amazônia Legal”.

A mudança terminológica dentro do decreto deverá dar maior abrangência à distribuição de recursos do Fundo Amazônia, permitindo que cidades desses estados, embora não necessariamente localizadas dentro da área do bioma, recebam financiamento de projetos.

Por Renê Dióz

Fonte original da notícia: G1 MT




Descoberta de 400 geoglifos na Amazônia ajuda a desvendar mistério

O avanço nas pesquisas arqueológicos levou à descoberta da existência de cerca de 400 desenhos gigantes espalhados pela Amazônia, conhecidos como geoglifos. Agência Acre/Divulgação

O avanço nas pesquisas arqueológicos levou à descoberta da existência de cerca de 400 desenhos gigantes espalhados pela Amazônia, conhecidos como geoglifos. Agência Acre/Divulgação

O avanço nas pesquisas arqueológicas revelou a existência de cerca de 400 desenhos gigantes espalhados pela Amazônia, os geoglifos — valetas de cerca de dez metros de largura e entre dois e três metros de profundidade feitas em formato geométrico preciso, normalmente círculos ou quadrados.

A descoberta ensina mais sobre a forma como foram feitos e os hábitos dos povos que os construíram há mais de 1.000 anos. Pelo que se sabe, os geoglifos foram feitos por índios Aruaques que moram na Amazônia séculos atrás para servir de campo para rituais religiosos.

Os primeiros desenhos datariam da era Antes de Cristo. A maioria, porém, foi feita entre os séculos 1º e 10º.

“Quando a gente faz as medidas percebe que eles são muitos constantes. Eles não tinham instrumentos de metal, faziam provavelmente com pás de madeira, mas tinham precisão matemática”, afirma Denise Schaan, da UFPA (Universidade Federal do Pará), e coordenadora das pesquisas dos geoglifos.

Com tamanhos entre 100 a 300 metros de largura, os desenhos foram descobertos em 1977 pelo pesquisador Ondemar Dias, do Instituto de Arqueologia Brasileira do Rio de Janeiro. Hoje, sabe-se que eles se estendem por uma área de 200 km entre o sul do Amazonas, leste do Acre, oeste de Rondônia e parte da Bolívia.

Hábitos em análise

Com o avanço dos levantamentos, um grupo de pesquisadores brasileiros e finlandeses se concentra em analisar e estudar quais os hábitos dos povos, e algumas descobertas já foram feitas.

“A gente tem feito pesquisas para fazer datações dessas construção, para ver o que eles comiam, o que plantavam, e para ver os tipos de atividades que tinham. A gente busca isso nas escavações, e já temos descoberto algumas coisas: em um deles, por exemplo, havia um resto de construção na entrada. Encontramos restos de panelas de cerâmica, algumas bem mais elaboradas. Se descobriu algumas coisas de plantação, e eles comiam milho”, explica Schaan.

A maioria dos desenhos foi feita em lugares abertos, próximo a palmeiras. “Os índios tinham crença nessa coisa de espíritos que habitam as palmeiras, e essas vegetações são características desde a época dos geoglifos”, diz.

Avanço da pesquisa

Quando Denise Schaan iniciou a pesquisa dos geoglifos, há dez anos, eram apenas 24 desenhos conhecidos. “Aquele ano marcou uma mudança importante, que foi o uso de imagens [por satélite] do Google Earth. Tanto que, com esse método, em poucas semanas o número subiu para 150. Hoje já temos 400”, conta.

As descobertas foram ocorrendo e sobrevoos e visitas às áreas onde estão os geoglifos foram realizados, aumentando o conhecimento sobre os desenhos gigantes.

Dos 400 já encontrados, pelo menos 70% estão bem conservados. “Podem existir muito mais. A gente tem trabalhado nas áreas cobertas desmatadas, e tem ainda às área cobertas, onde não é possível ver. Depois que os índios abandonaram, o mato cresceu nas valetas. Têm geoglifos que só se veem do alto; quando se chega no terreno, não dá nem para ver mais”, diz.

A pesquisadora explica que existem desenhos semelhantes em Portugal, Espanha e Inglaterra, mas que não têm nenhuma ligação entre si.

Uma das preocupação agora é garantir a preservação do patrimônio na Amazônia e atrair turistas para conhecer o patrimônio histórico.

“Muitos deles estão em fazendas de gados e áreas de questão de plantações de cana, e não há cuidados de preservação. Eles poderiam servir para o turismo, mas não há estrutura. Não há também um sítio preparado para visitação”, finaliza Schaan.

Por Carlos Madeiro

Fonte original da notícia: UOL




Maior aquífero do mundo fica no Brasil e abasteceria o planeta por 250 anos

sistema-arquifero-1426795419821_600x400

Imagine uma quantidade de água subterrânea capaz de abastecer todo o planeta por 250 anos. Essa reserva existe, está localizada na parte brasileira da Amazônia e é praticamente subutilizada.

Até dois anos atrás, o aquífero era conhecido como Alter do Chão. Em 2013, novos estudos feitos por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) apontaram para uma área maior e nova definição.

“A gente avançou bastante e passamos a chamar de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Fizemos um estudo e vimos que aquilo que era o Alter do Chão é muito maior do que sempre se considerou, e criamos um novo nome para que não ficasse essa confusão”, explicou o professor de Instituto de Geociência da UFPA, Francisco Matos.

Segundo a pesquisa, o aquífero possui reservas hídricas estimadas preliminarmente em 162.520 km³ –sendo a maior que se tem conhecimento no planeta. “Isso considerando a reserva até uma profundidade de 500 metros. O aquífero Guarani, que era ao maior, tem 39 mil km³ e já era considerado o maior do mundo”, explicou Matos.

O aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) e Acre –todas na região amazônica– chegando até a bacias sub-andinas. Para se ter ideia, a reserva de água equivale a mais de 150 quatrilhões de litros. “Daria para abastecer o planeta por pelo menos 250 anos”, estimou Matos.

O aquífero exemplifica a má distribuição do volume hídrico nacional com relação à concentração populacional. Na Amazônia, vive apenas 5% da população do país, mas é a região que concentra mais da metade de toda água doce existente no Brasil.

Por conta disso, a água é subutilizada. Hoje, o aquífero serve apenas para fornecer água para cidades do vale amazônico, com cidades como Manaus e Santarém. “O que poderíamos fazer era aproveitar para termos outro ciclo, além do natural, para produção de alimentos, que ocorreria por meio da irrigação. Isso poderia ampliar a produção de vários tipos de cultivo na Amazônia”, afirmou Matos.

Para o professor, o uso da água do aquífero deve adotar critérios específicos para evitar problemas ambientais. “Esse patrimônio tem de ser visto no ciclo hidrológico completo. As águas do sistema subterrâneo são as que alimentam o rio, que são abastecidos pelas chuvas. Está tudo interligado. É preciso planejamento para poder entender esse esquema para que o uso seja feito de forma equilibrada. Se fizer errado pode causar um desequilíbrio”, disse.

Mesmo com a água em abundância, Matos tem pouca esperança de ver essa água abastecendo regiões secas, como o semiárido brasileiro. “O problema todo é que essa água não tem como ser transportada para Nordeste ou São Paulo. Para isso seriam necessárias obras faraônicas. Não dá para pensar hoje em transportar isso em distâncias tão grandes”, afirmou.

Por Carlos Madeiro

Fonte original da notícia: UOL