Guia de Arquitetura de Porto Alegre (RS) apresenta um mapeamento do patrimônio arquitetônico, paisagístico e urbanístico da cidade


A publicação, com 232 páginas, em três idiomas, registra os exemplares mais representativos, entre edificações da Capital. (Foto: Leandro Selister/Divulgação)

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas, registra os exemplares mais representativos, entre edificações da Capital. (Foto: Leandro Selister/Divulgação)

Porto Alegre, desde sua origem, passou por uma evolução urbana e arquitetônica cujos remanescentes preservados, aliados às novas edificações, permitem vivenciar as marcas de sua trajetória muito além de registros fotográficos e documentais.

Para compor um panorama desse patrimônio, o Guia de Arquitetura de Porto Alegre reúne textos, fotografias e informações sobre 100 obras arquitetônicas, urbanísticas, paisagísticas, históricas e culturais da cidade.

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas (português, inglês e espanhol), registra os exemplares mais representativos, entre edificações (como museus, igrejas, estádios de futebol, centros culturais), além de lugares e logradouros, que ilustram o desenvolvimento urbano de Porto Alegre desde sua origem aos dias atuais.

Dentre as obras clássicas e contemporâneas catalogadas no guia, destacam-se a Antiga Provedoria da Real Fazenda (1790, de autoria do Capitão Alexandre José Montanha), o Theatro São Pedro (1858, do arquiteto Philip von Normann), o Paço Municipal (1901, do engenheiro João Antônio Luiz Carrara Colfosco), o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (1912, do arquiteto Theodor Alexander Josef Wiederspahn), o Palácio da Justiça (1953, dos arquitetos Luis Fernando Corona e Carlos Maximiliano Fayet) e a Fundação Iberê Camargo (2003, projetado por Álvaro Siza).

O projeto é dos arquitetos Vlademir Roman e Rodrigo Poltosi  e conta com o patrocínio da Savar por meio do financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister.

Lançamento

O lançamento será realizado no IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) RS (Rua General Canabarro, 363 – Centro Histórico) no dia 29 de março, às 19h30min, com uma exposição fotográfica.

Antes da sessão de autógrafos os autores vão ministrar a palestra “Arquiteturas de Porto Alegre: Um guia”. O evento integra o projeto Quarta no IAB.

O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister. (Foto: Divulgação)

O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister. (Foto: Divulgação)

Fonte original da notícia: O Sul




UFPA comemora os 390 anos do Ver-o-Peso com roteiro turístico


Roteiro ‘Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém’ será domingo, 26. Interessados podem fazer a inscrição gratuita por e-mail.

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Em homenagem ao aniversário de 390 anos do Ver-o-Peso, comemorado na próxima segunda-feira (27), o Projeto Roteiros Geo-Turísticos da UFPA realiza o roteiro “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém” neste domingo (26). O evento é gratuito e os interessados podem fazer a inscrição pelo formulário online ou pelo e-mail roteirosgeoturisticos@gmail.com até o dia da programação.

O trajeto inicia no Terminal Turístico da Estação das Docas, às 8h30, e passará pelos diversos mercados e ruas que compõem um dos pontos mais característicos de Belém. Nesta edição, o Roteiro passará pelos seguintes locais: Praça do Pescador, Feira do Ver-o-Peso, Pedra do Peixe e Doca do Ver-o-Peso, Mecardo de Peixe, Solar da Beira, Erveiras, Mercado de Carne, Rua XV de Novembro, Igreja e Largo das Mercês, Boulevard Castilho França, Praça dos Estivadores, Praça Pedro Teixeira, Prédio da CDP, Porto e Escadinha do Porto, Estação das Docas e Forte São Pedro Nolasco.

A coordenação do evento orienta que devido o passeio ser todo a pé, é recomendado que os participantes utilizem roupas e calçados apropriados, como tênis, roupas leves e boné. Também é aconselhável levar protetor solar e guarda-chuva ou capa de chuva.

Roteiros
Organizado pelo grupo de pesquisa em Geografia do Turismo da Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, o Roteiros Geo-Turísticos existe desde 2011, com o objetivo de promover roteiros que visam divulgar o patrimônio cultural, material e imaterial de Belém, resgatando a memória sócio-espacial da cidade. Assim, o grupo organiza caminhadas a pé e gratuitas no Centro Histórico de Belém, mostrando sua geografia, história e arquitetura.

No projeto participam estudantes de ensino médio e graduação, além de professores de diversas áreas do conhecimento, como Geografia, História, Museologia, Turismo e Arquitetura. As ações do projeto também ocorrem no município de Cametá e no distrito de Icoaraci.

Ver-o-Peso
Fundado em 1627 com a construção de uma ponte que ligava as duas margens do Igarapé do Piri, o Ver-o-Peso se estabeleceu inicialmente como o ponto de chegada e saída de barcos e navios para o Rio Amazonas ou para o mar. O “local de ver o peso” só foi instituído a partir de 1687, quando o Porto de Piri passou para a economia formal da cidade. O nome foi preservado pela tradição oral por mais de 300 anos.

Com o aterramento do Igarapé do Piri e a construção da doca no início do século XIX, o Ver-o-Peso foi cada vez mais ganhando importância econômica, cultural e social, fazendo parte de eventos significativos para a história de Belém e do Pará. Na virada do século XIX para o XX são construídos o Mercado de Ferro e o Mercado de Carne, que contribuem para a paisagem local e incrementaram as trocas culturais e comerciais, características do Ver-o-Peso.

Serviço: Roteiro Geo-Turístico “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém”, neste domingo (26), às 8h30, no hall de entrada no Terminal Turístico da Estação das Docas (av. Boulevard Castilhos França). Para se inscrever, basta preencher o formulário online. Mais informações pelo e-mail: roteirosgeoturisticos@gmail.com.

Fonte original da notícia: G1 PA




Em ruínas, Justiça obriga IPHAN a recuperar Casarão do Padre Taborda em Itaverava (MG)


Toda a estrutura do imóvel, cujas pinturas pertencem ao Mestre Athayde, passará por ampla reforma.

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Um dos mais importantes e emblemáticos patrimônios históricos de Minas passará por recuperação estrutural. O Casarão do Padre Taborda, em avançado processo de deterioração, foi alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público (MP), através da curadoria de cultura, contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a prefeitura de Itaverava.

A ação o próprio IPHAN elaborou laudo pericial que atesta o estado crítico de conservação do casarão e aponta como solução para o problema a elaboração e a execução imediatas de projeto de restauração da edificação.

Após as contendas judiciais o MP conseguiu uma vitória em favor da cultura itaveranse salvando um exemplar do século XVIII quem contava com a sorte para permanecer de pé. Na ação, o MP demonstrava “cabalmente que existe um seríssimo risco de que o Sobrado do Padre Taborda venha a entrar em colapso estrutural”.

Os laudos apontam que os elementos da sua estrutura, bem como os demais elementos da sua arquitetura e decoração estão comprometidos pela ação dos cupins e umidade.

No final de novembro, a Superintendente do IPHAN em Minas Gerais, Célia Maria Corsino, assinou a ordem de serviço em que a empresa Restaurare Construtora executará serviços da primeira etapa das obras emergenciais do Sobrado.

O serviço deve iniciar ainda este e entre eles estão a reforma completa da cobertura com substituição de peças deterioradas e reposição de telhas rompidas e deslocadas, execução de drenagem pluvial ao longo do perímetro do edifício, reestruturação da escada de acesso ao pavimento superior, reforço das fundações, com preenchimento das lacunas e injeção de material, retirada das tábuas acondicionadas no segundo pavimento e tratamento adequado para a preservação das pinturas nas paredes e forros no segundo pavimento da casa, de acordo com projeto específico. O prazo final para conclusão das obras é de um ano.

A história

O IPHAN tombado o Casarão do Padre Taborda em 1993 pela sua importância devido à sua importância histórico-cultural. Ali foi residência do primeiro vigário colado na Freguesia de Santo Antônio de Itaverava, Padre Manuel Ribeiro Taborda. O período de atuação do religioso no local, 1752 a 1788, indica a data de sua edificação.

As pinturas artísticas do Sobrado – sua tipologia, qualidade e materiais usados datam do mesmo período de execução das da Igreja de Santo Antônio– início do séc. XIX – e seriam do mesmo artista, Manoel da Costa Athayde, o Mestre Athayde.

A cidade de Itaverava, que abriga esse importante acervo histórico e artístico, foi dos primeiros arraiais mineiros, tendo se originado das incursões bandeirantes que precederam ao ciclo de descobrimento do ouro. É, ainda, considerado o primeiro local dessa descoberta em 1694, embora essa riqueza não tenha ali prosperado.

A vitória do Ministério Público é uma vitória da cultura de Minas e de Itaverava.

Fonte original da notícia: Correio de Minas




Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural avalia cinco pedidos de proteção


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Hoje, 24 de novembro, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural reúne-se em Brasília para apreciar cinco pedidos de proteção federal, sendo quatro solicitações de tombamentos no Rio de Janeiro e um de registro para Pernambuco.

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A instância conta com 23 conselheiros, formada por especialistas de diversas áreas como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia, mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan, analisam os estudos apresentados no parecer e dossiê, aprovando ou negando o título de Patrimônio Cultural Brasileiro.

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Ao longo desses quase 80 anos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi o grande responsável pela condução e evolução da Política de Preservação do patrimônio material e imaterial no Brasil, aprimorando seu conceito como reflexo à ressignificação do patrimônio cultural por parte da sociedade, cada vez mais engajada e envolvida no processo de preservação da identidade e da memória coletiva.

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Assim, durante a 84ª Reunião que ocorrerá na sede Iphan, os conselheiros avaliarão pela manhã o pedido de Registro para a manifestação cultural de Caboclos, ou Caboclinho da Região Metropolitana de Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco. Datada desde o final do século XIX, o Caboclinho simboliza a memória do encontro cultural e da resistência, sobretudo das populações indígenas e também dos povos africanos escravizados, que reverberam profundamente na história do nordeste rural brasileiro. A prática marcada por uma forte presença religiosa afro-indígena-brasileiras está ancorada principalmente no culto à Jurema, com entidades espirituais denominadas Caboclos.

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Na parte da tarde, as discussões se voltam às propostas de tombamento de quatro bens localizados na cidade do Rio de Janeiro: os prédios das Antigas Docas de Dom Pedro II; do Antigo Supremo Tribunal Federal, do Instituto de Resseguros do Brasil, além do Lampião do Largo da Lapa.

Antigas Docas
O edifício do Armazém Central das antigas Docas D. Pedro II fica localizado em frente à área do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas.  A região, atualmente conhecida como “Pequena África”, é espaço simbólico para a comunidade afrodescendente que, rapidamente, após a realização das pesquisas arqueológicas, converteu o local em símbolo da luta pela afirmação de sua identidade e de sua história.

A proposta de tombamento está respaldada nos valores histórico e etnográficos atribuídos ao edifício das Antigas Docas D. Pedro II, como um dos últimos testemunhos da obra do engenheiro André Rebouças na região portuária do Rio de Janeiro. Também registra um importante capítulo da evolução da técnica de construção e modernização da operação de portos no Brasil.

Antigo Prédio do Supremo Tribunal Federal
O edifício, do período colonial, foi palco de julgamentos históricos, como o banimento da Família Real, o habeas-corpus de Olga Benário e o mandado de segurança em favor de Café Filho, quando se viu impedido de assumir a Presidência da República. Construído entre 1905 e 1909, durante as reformas urbanísticas do Rio de Janeiro realizadas pelo prefeito Pereira Passos, idealizador de um concurso de fachadas para a abertura da Avenida Central, o prédio – que abriga, atualmente, o Centro Cultural Justiça Federal – é detentor ainda de valores artísticos, como um importante exemplar da arquitetura eclética do período da primeira República.

Edifício do Instituto de Resseguros do Brasil – IRB
O Instituto de Resseguros do Brasil foi criado em 1939 pelo Presidente Getúlio Vargas com o objetivo de acabar com o domínio das seguradoras estrangeiras. Em 1940, os seguros contra incêndio e de transporte se tornaram obrigatórios e o IRB assimilou essa função, além de se responsabilizar pelo seguro de grandes obras federais. Em 1948, o prédio foi reconhecido pelo Royal Institute of Britsh Architects (RIBA) como uma das vinte melhores obras da época.

Lampião situado no Largo da Lapa
Desenhado por Rodolfo Bernadelli como encomenda do Prefeito Francisco Pereira Passos para sua implantação no ponto inicial da então recém-projetada Avenida Mem de Sá, foi inaugurado em 1906 e logo tornou-se um marco da nova avenida. Além de seus aspectos estilísticos, tem ainda importância histórica, como um dos últimos símbolos das grandes obras comandadas por Pereira Passos, no início do século XX. Seu tombamento complementa a proteção de diversos outros bens já tombados pelo IPHAN na mesma região, como os Arcos da Lapa, a Igreja da Lapa do Desterro e o Passeio Público. A proposta prevê o tombamento do bem por sua importância histórica e artística.

Avaliação do Conselho em 2016 
Neste ano, o Conselho avaliou favoravelmente para inserção na lista dos bens culturais protegidos: três obras do arquiteto Oscar Niemeyer, sendo a Passarela do Samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói (RJ), e o Conjunto de edificações projetadas do Parque do Ibirapuera (SP). A Casa da Flor, construída em 1912 em São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos (RJ), também ganhou a proteção federal. Já a Romaria de Carros de Boi da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade, em Goiás (GO), foi inscrito no Livro de Registro das Celebrações.

Serviço:
84ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Dia: 
24 de novembro de 2016, de 9h às 18h
Local: Sede do IPHAN
SEPS 713/913 Bloco D – Ed IPHAN – Asa Sul
Brasília – DF

Fonte original da notícia: IPHAN




Ilustrador mistura moda e arquitetura e o resultado é incrível


Com a série “cut-outs”, o ilustrador usa a cidade como as estampas das roupas de seus desenhos.

Reprodução/Instagram

Reprodução/Instagram

O ilustrador Shamekh Al-Bluwi lançou a série “cut-outs“, onde combina ilustrações de moda com detalhes arquitetônicos de cidades e o resultado nos deixou babando. Ele faz desenhos de moda, recorta-os e usa a cidade como estampa para seus croquis.

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Por Ana Flavia Monteiro

Fonte original da notícia: Revista Estilo




Abandonado pela prefeitura, prédio de biblioteca histórica de Manaus (AM) vira privada


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O abandono do prédio histórico da Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, em pleno Centro de Manaus, foi alvo nesta terça-feira, dia 8, de críticas da população a partir de um post do advogado e escritor Gaitano Antonaccio, vizinho do local na praça Antônio Bittencourt, a conhecida praça do Congresso, no coração da capital.

Gaitano expressou no título do post um termo que simboliza bem a situação do prédio de responsabilidade da Prefeitura de Manaus: cagadouro.

“Verdade, meus amigos. O prédio acima foi transformado em novo Cagadouro dos desocupados da cidade, cheiras-cola, que ocuparam o prédio sob o olhar contemplativo da Prefeitura de Manaus, e os vizinhos que se danem com o mau cheiro de merda, urina e outras sujeiras”, escreveu ele.

O problema não é novo. Já se arrasta há anos, período em que não faltaram denúncias, pedidos de reforma à prefeitura e reportagens da imprensa.

A única providência por parte da prefeitura nesse período todo foi cercar o prédio com um tapume que não tapa nada.

Comentários da população

Fotos: Reprodução/Facebook

Fotos: Reprodução/Facebook

O prédio é uma das obras que melhor representam o período áureo da arquitetura histórica de Manaus e é, ao lado do também abandonado prédio da Santa Casa de Misericórdia, símbolos da falta de atenção do poder municipal.

Em setembro de 2014, reportagem do jornal A Crítica já denunciava que o prédio estava sendo invadido e vandalizado por moradores de rua.

Fonte original da notícia: BNC




Como era Pompeia antes de ser soterrada pelo Vesúvio


Com modelagem 3D, cientistas fazem reconstituição detalhada da vida no Império Romano do século 1.

Uma das casas reconstituídas na primeira parte do projeto pertencia a um poderoso membro da elite de Pompeia, Caecicilius Iucundus. Foto: Reprodução/Universidade de Lund

Uma das casas reconstituídas na primeira parte do projeto pertencia a um poderoso membro da elite de Pompeia, Caecicilius Iucundus. Foto: Reprodução/Universidade de Lund

A história da destruição da cidade de Pompeia, a 20 km de Nápoles, no sul da Itália, é notória. No ano 79 d.C, as cinzas da erupção do vulcão Vesúvio soterraram a cidade e dizimaram seus 20 mil habitantes. Sob a camada de resíduos vulcânicos, Pompeia ficou oculta até 1748.

A rapidez com que a tragédia aconteceu teve um efeito curioso: prédios, objetos e até os corpos dos habitantes ficaram protegidos do efeito do tempo sob cinzas e lama. Quando encontrados, os escombros de Pompeia constituíam um perfeito retrato petrificado do momento exato em que a cidade foi atingida pela erupção.

Por meio desse fenômeno, arqueólogos foram capazes de recuperar objetos, observar hábitos e arquitetura da época – e obtiveram uma perspectiva única do que foi o Império Romano no século 1. Pompeia ainda é um dos mais ricos sítios arqueológicos do mundo.

Em outubro de 2016, um grupo de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suíça, reconstituiu visualmente a arquitetura interna e externa dos prédios de Pompeia por meio de modelagem 3D. O resultado é um mergulho no mundo clássico italiano de dois mil anos atrás.

Como foi feita a reconstituição

Desde 1980, quando um terremoto de grandes proporções atingiu a Itália, o governo italiano convidou pesquisadores da comunidade internacional de arqueologia para ajudar a documentar a ruínas da cidade, antes que outros efeitos adversos destruíssem ainda mais os escombros de Pompeia.

Tomou a frente do projeto a pesquisadora Anne-Marie Leander Touati, então diretora do Instituto Sueco em Roma, que faz escavações e pesquisas arqueológicas na Itália. Hoje, Touati é professora de Arqueologia Clássica na Universidade de Lund.

A partir de 2010, a pesquisadora passou a coordenar os estudos sobre Pompeia direto da universidade suíça – e incluiu no projeto um ramo de arqueologia digital. Entre 2011 e 2012, a equipe responsável escaneou e digitalizou toda a cidade. Agora, quatro anos depois, as primeiras reconstituições em 3D ficaram prontas.

O modelo criado pelos pesquisadores mostra detalhes da vida doméstica em Pompeia antes da erupção do vulcão, e tem uma reconstituição detalhada da luxuosa casa de Caecicilius Iucundus, um dos membros da elite da cidade.

De acordo com a equipe de arqueólogos responsável pelo projeto, a ideia é reconstituir outras partes da cidade ao longo dos próximos anos usando as mesmas técnicas.

O que os pesquisadores descobriram sobre Pompeia

A reconstituição de Pompeia em 3D é única porque a maneira como a cidade foi petrificada permitiu descobrir detalhes precisos sobre a vida dos habitantes na época.

Entre as descobertas, estão azulejos, pisos e vitrais de gesso translúcido intactos, três grandes casas que pertenciam a membros da elite da cidade, uma taverna, uma lavanderia, uma padaria e vários jardins – em um deles, os pesquisadores verificaram que as torneiras de uma fonte estavam ligadas na hora da erupção.

As pesquisas de campo também identificaram os sistemas de distribuição de água – pouco antes da erupção a cidade havia construído um aqueduto – e de coleta de esgoto da época, o que permitiu que os pesquisadores pudessem interpretar a lógica das hierarquias sociais na cidade, por exemplo: aqueles que tinham acesso a esse tipo de estrutura provavelmente viviam em áreas mais nobres da cidade, enquanto os que dependiam de poços artesianos ou favores dos mais ricos faziam parte da população mais pobre.

Por Ana Freitas

Fonte original da notícia: Nexo




Recife (PE) – Edifício Oceania destoa dos espigões que o rodeiam


Prédio do filme “Aquarius”, na orla do Pina, traz em si as histórias do Recife e da sua arquitetura.

Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O edifício Oceania destoa dos espigões que o rodeiam na orla do Pina. É um prédio atrasado, uma manifestação tardia – fora do tempo original – de uma tipologia arquitetônica. É inclusive velho, mesmo. Tem mais de 50 anos de construído. Não foi assinado por um arquiteto importante. Por arquiteto nenhum. É, na verdade, um prédio de catálogo; de manual. No melhor estilo “Faça um prédio você mesmo”.

E ainda foi modificado após reformas arbitrárias. Tudo isso foi levado em consideração em 2003, quando a solicitação de seu tombamento foi negada por unanimidade pelo conselho do Governo do Estado. Só que o “personagem” do filme “Aquarius”, de Kléber Mendonça Filho, atualmente em cartaz, se tornou uma das construções mais amadas do País.

Afinal, ser um velho prédio de catálogo é um bom argumento contra uma solicitação de tombamento? Para o mestre em desenvolvimento urbano Milton Botler, não. “Foram feitos por meio de manuais os Mercados de São José e de Casa Amarela e a Igreja Matriz da Boa Vista. Não devem ser demolidos por isso. É preciso considerar o valor atribuído pela sociedade a cada uma dessas construções”, rebateu o arquiteto, que preparou e sustentou a solicitação.

Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Para além desse valor, o Oceania é único. Traz um conceito de “cidade-jardim”, encontrado apenas fora do Estado. Em Copacabana ou no Leblon, no Rio, exemplares assim estão tombados. “Ele marca uma transição das casas de veraneio para os prédios. Por isso tem um pátio interno, que remete a um quintal, com estacionamentos. Isso não se vê mais. Apenas em algumas casas na Zona Norte da Cidade. Há décadas, alguns ‘puxadinhos’ foram construídos acima das garagens como área de serviço também, indicando essa função. Outra particularidade está numa espécie de marquise que ostenta na lateral do prédio. O primeiro andar avança por sobre a calçada, o que é muito raro. Aqui, só alguns prédios no Centro demonstram o padrão”, argumentou.

Sob a marquise, lojas que constituíam o uso misto do edifício desapareceram. Sobrou apenas um restaurante, que invadiu espaço do condomínio. O Oceania é, como já citado aqui e nos pareceres de arquitetos contrários ao tombamento, uma manifestação tardia de sua tipologia arquitetônica. Não seria original. Mas até isso age em favor do edifício. Seu atraso conta a história do Recife, especificamente do Pina.

 É que, enquanto Boa Viagem era espetado por construções verticais e modernas como o Holiday, o Pina permanecia horizontal. Motivo é que a região, em si, era atrasada. “Não era valorizada por ter sido o quarentenário do Porto, onde ficavam pessoas que vinham de navio e portavam doenças como a varíola, e porque era zona do baixo meretrício. O despejo do esgoto da Cidade toda era ali na areia da praia, o que também lhe tirava o interesse”, contextualizou.

A unanimidade do conselho na rejeição do pedido de tombamento não assusta Botler. Revela o pensamento da época sobre o que deve ser o padrão estético de uma cidade. “Há um tempo, era unânime que o Recife Antigo deveria ser posto abaixo para ser reconstruído. Só depois que modelos que restauram o antigo deram certo em grandes cidades mudamos nossa opinião, por exemplo. Não é algo permanente.” De qualquer forma, parece que, hoje, o Oceania nem mesmo precisa de um tombamento para estar protegido. A Cidade o adotou.

Os descaminhos do padrão estético
Por pouco o Oceania não foi destruído em 2003. A solicitação de tombamento foi uma das alternativas escolhidas para tentar resistir aos assédios de uma construtora que tinha intenção de derrubar toda a sua estrutura. Planejava substituí-lo por um edifício de 33 andares. Com mais apelo comercial. Semelhante ao que ocorreu no filme “Aquarius”, alguns – quatro – dos 18 apartamentos haviam sido comprados. Outros onze, chegado a acordo com a construtora. Dois negociavam. Aronita Rosenblatt se negava a sair.

Ela vivia desde 1980 ali, vinda de prédios de tipologia arquitetônica semelhante na Inglaterra, e já mantinha com o apartamento uma relação estreita. Hoje, aos 62, lembra da oferta: R$ 2,6 milhões. Mas para ela, como para poucos, “algumas coisas valem mais do que dinheiro”.

Na percepção dela, demolir o prédio seria uma perda para a Cidade. “Eu faço tudo que eu tenho vontade e não tenho grandes aspirações de ter carros caríssimos, por exemplo, ou nada de luxo. A perda é cultural. As pessoas daqui vão a Miami admirar edifícios como esse, mas aqui, os derrubam”, ponderou.

Aronita resistiu o quanto pôde. Chegou a procurar apartamentos para alugar quando a construtora apertou o cerco: “você vai ficar sozinha, precisa sair em dois meses”, disseram. Mas, como ela própria esperava, houve uma mudança na lei de uso do solo e, caso um novo edifício fosse construído sobre o terreno do Oceania, teria muito menos andares que os 33 planejados inicialmente. Assim, a viabilidade do empreendimento e o interesse da construtora foram comprometidos e o prédio permaneceu, intacto. Acordos e negociações com moradores foram cancelados.

Melhor para Kléber Mendonça Filho, diretor de “Aquarius”, que, por pouco, também não ficava sem locação para filmá-lo no Recife. “O primeiro roteiro foi escrito para o Caiçara, alguns metros ao sul do Oceania. Já estava pronto quando tratores o deixaram semi-demolido. Aquele aspecto de construção bombardeada foi uma perda para o Recife e uma perda para o filme. Mas, quando vi o Oceania, me pareceu a opção óbvia. Ele é horizontal e fotografa muito bem. Com os prédios altos atrás dele, traz a ideia instantaneamente que tentamos passar.

Ele era nossa última chance, porque o mercado extinguiu qualquer outra forma antiga de se morar na praia. Ele é um prédio que pensa que é casa. Você, em 2016, vem caminhando no calçadão e adentra, sem precisar passar por uma guarita, sem aquele sentimento de penitenciária. Com uma chave, abre a porta de madeira (original) e já está na escada.”

Por Paulo Trigueiro

Fonte original da notícia: Folha PE




Fortaleza (CE) – Casa de Juvenal Galeno é tombada


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A Casa de Juvenal Galeno, ao lado do Theatro José de Alencar, no Centro, é um patrimônio histórico estadual. O tombamento definitivo do imóvel foi aprovado nesta quarta-feira, 21, e o local deverá passar por reforma em outubro. Um edital de R$ 100 mil será lançado para seleção de projetos para programação artística e cultural na casa. O processo foi aprovado pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará (Coepa).

“A política de patrimônio cultural no Estado já vem sendo desenvolvida há algum tempo, mas precisamos aprimorar no sentido de termos um código de normas mais bem definidas. Não apenas no tocante às propostas de estudos de registro de tombamento, mas sobretudo no tocante ao acompanhamento, fiscalização e valorização desses equipamentos”, afirmou o titular da Secretaria da Cultura (Secult), Fabiano dos Santos Piúba.

O gestor destacou que a defesa pelo tombamento se deu não apenas pela preservação arquitetônica, mas pela valorização do patrimônio imaterial. “Ali as pessoas se encontram com a arquitetura, a biografia e a obra”, frisou. A aprovação do tombamento aconteceu durante uma reunião dentro da Casa de Juvenal Galeno, e seguiu com uma visita guiada ao local.

“O tombamento da Casa de Juvenal Galeno nos deixa muito felizes, pelo reconhecimento a uma história de 180 anos e à movimentação cultural e artística que continua acontecendo aqui de modo muito forte, com várias entidades literárias, artísticas em geral, em uma programação permanente”, destacou o diretor da casa, Antônio Galeno. Foi neste imóvel onde Rachel de Queiroz lançou a obra “O Quinze”.

Fonte original da notícia: O Povo




Duzentos anos do ensino de arquitetura no Brasil: história e reflexões


O ensino de arquitetura no Brasil completou nesta sexta-feira, 12 de agosto de 2016, 200 anos de história. A arquitetura é uma das profissões mais antigas do mundo. As técnicas de construção foram transmitidas oralmente, de geração em geração entre os praticantes do ofício, ao longo do tempo. No país, o ensino acadêmico começou a partir da assinatura do decreto de criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, por D. João VI. De lá para cá, naturalmente, muita coisa mudou. Seja na forma de ensinar, de construir e até mesmo de pensar a arquitetura, seja na forma como a sociedade se organiza, habita e ocupa os espaços.

Hoje, a arquitetura e urbanismo se veem diante de uma série de desafios, que vão desde o reconhecimento mais amplo da importância do papel dos profissionais pela sociedade ao frequente descaso com projetos completos em obras públicas, passando por dilemas éticos como a reserva técnica. Os arquitetos e urbanistas são fundamentais para colaborar para amenizar grandes problemas urbanos como a falta de integração entre as cidades, a mobilidade urbana, o déficit habitacional.

Esse cenário se reflete no ensino. As universidades buscam uma formação que possa acompanhar não só os avanços tecnológicos em relação a técnicas e materiais de construção, mas que dê protagonismo aos arquitetos e urbanistas, possibilitando que atuem levando em considerando questões como o bem-estar social, o desenvolvimento urbano e a sustentabilidade.

A comemoração dos 200 anos do ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil é, além de uma forma de resgatar as origens dos cursos de graduação, uma pausa para refletir sobre a formação que queremos para os profissionais que construirão nossas casas e cidades nos séculos seguintes.

A seguir, um pouco dessa história.

 As origens

Pórtico da Academia Imperial de Belas Artes no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Pórtico da Academia Imperial de Belas Artes no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

“Atendendo ao bem comum, que provem aos meus fiéis vassalos de se estabelecer no Brasil uma Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em que se promova, e difunda a instrução, e conhecimentos indispensáveis aos homens (…)”*, decretou D. João VI, em 12 de agosto de 1816, dando origem ao primeiro curso de arquitetura do Brasil. Fundada durante missão artística francesa ao país, então sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios também oferecia os cursos de pintura e escultura.

De acordo com a professora do Prourb/UFRJ Margareth da Silva Pereira, nos séculos XVIII e XIX, o arquiteto é considerado um artista, o que explica a proximidade com as Belas Artes. “Até 1816, não havia no país uma escola ou formação específica para arquitetos. A própria palavra arquiteto não circulava por aqui. A assinatura do decreto foi um marco jurídico, político e administrativo para a formalização do ensino”, explicou.

História da Arquitetura, Construção e Perspectiva, Estereotomia (técnica para corte de materiais de construção), Desenho, Cópia de Modelos, Estudo de escalas e Composição eram algumas das matérias estudadas pelos primeiros arquitetos. Os professores da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios foram grandes nomes da cena artística na França pós-Napoleão. Entre eles, os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay e o arquiteto Auguste Henry Victor Grandjean de Montigny, um dos vencedores do Prix de Rome, principal reconhecimento aos artistas da época.

Em 1822, com a Independência, a escola recebeu o nome de Academia Imperial de Belas Artes e, em 5 de novembro de 1826, uma nova casa, inaugurada por D. Pedro I. A sede da Academia, situada na atual Avenida Passos, no Centro do Rio, foi projetada por Grandjean de Montigny. O prédio foi demolido durante o Estado Novo e pórtico, trasladado para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde está situado atualmente. Como Escola Nacional de Belas Artes, nome recebido com o advento da República, a Escola funcionou em um edifício de arquitetura eclética projetado em 1908 pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios.

Um novo decreto de 1937, desta vez de Getulio Vargas, criou o Museu Nacional de Belas Artes, local que abrigou o curso de arquitetura. A desvinculação da Escola de Belas Artes aconteceu em 1945. As graduações de Arquitetura e de Urbanismo passaram a compor a Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na década de 50, o curso passou a ocupar o edifício do antigo Hospício Pedro II, então recuperado, localizado na Av. Pasteur, na Praia Vermelha. Em 1961, a faculdade foi transferida para seu endereço atual, na Ilha do Fundão, ocupando um prédio projetado pelo arquiteto Jorge Machado Moreira.

Em relação ao urbanismo, a professora Margareth da Silva Pereira contou que houve diversas tentativas de incluí-lo no ensino da arquitetura. “Na década de 20, em São Paulo, tentou-se criar uma cadeira de urbanismo e, em 1928, a Associação Brasileira de Urbanismo. No começo da década de 30, o arquiteto Lúcio Costa propôs uma reforma curricular na Escola de Belas Artes, que incluía uma disciplina de urbanismo e outra de arquitetura paisagística. No entanto, a reforma fracassou”, informou.

Fachada do Museu Nacional de Belas Artes. (Foto: Marina Mendes)

Fachada do Museu Nacional de Belas Artes. (Foto: Marina Mendes)

“Embora não seja muito lembrado, o curso de urbanismo no Brasil surgiu com a Universidade do Distrito Federal em 1935 e, em 1939, como pós-graduação. Era formado por uma geração preocupada com a redução das desigualdades e a educação para uma vida em cidade”, acrescentou Margareth Pereira. Com professores como os arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, a Universidade do Distrito Federal, até então no Rio de Janeiro, formou nomes como Carmem Portinho e Paulo Camargo.

A Universidade, no entanto, foi fechada por Getúlio Vargas, em 1939. “Depois dessa data, surgiram alguns cursos de formação rápida, no pós-guerra, em Belo Horizonte, mas o urbanismo só volta a ter destaque no ensino de arquitetura com a reforma universitária da década de 70”, informou a professora do Prourb. Com a Reforma do Ensino Superior, aprovada pelo Conselho Federal de Educação, em 25 de junho de 1969, os cursos de arquitetura e urbanismo são unificados, criando o modelo que vigora até hoje*, de acordo com o pesquisador Joany Machado.

Atualmente, há 20 cursos de Arquitetura e Urbanismo no Rio de Janeiro, e outros cinco aguardam reconhecimento pelo MEC. No país são 418 cursos de graduação, segundo informações do Sistema de Inteligência Geográfica do CAU (IGEO).

“Ao resgatar a história do ensino da arquitetura no Brasil, devemos refletir sobre os desafios atuais da formação do arquiteto e urbanista. É importante para discutir os caminhos para o futuro do ensino e, dessa forma, cumprir uma de nossas funções como Conselho, que é promover a educação permanente dos arquitetos e urbanistas”, afirmou o presidente do CAU/RJ, Jerônimo de Moraes.

200 anos depois

Do decreto de D. João VI ao BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção), passando pela arquitetura moderna, houve muitas transformações, não apenas no ensino. A forma como a sociedade se organiza também mudou, impactando a formação das cidades e, consequentemente, a arquitetura e o urbanismo.

“Se décadas atrás havia uma migração do campo e a construção das cidades, hoje a população vive, predominantemente, em áreas urbanas, mas em cidades precárias. Também houve mudanças estruturais com a redução do número de filhos por família”, disse o coordenador da Comissão de Ensino e Formação (CEF) do CAU/RJ, Leonardo Mesentier. “Há, ainda, o desenvolvimento da tecnologia e da ciência, que acelera o ritmo das pesquisas”, acrescentou.

Todas essas transformações colocam o ensino da arquitetura e do urbanismo diante de vários desafios. “Os conteúdos se renovam e se expandem de um ano para o outro. A questão é como lidar com as disciplinas de forma que a carga horária do curso não seja incompatível. Há uma necessidade de adaptar a educação profissional, no sentido de atualizar os métodos de ensino a práticas mais contemporâneas e preparar o aluno, inclusive, para as pressões do campo ético em um mercado de trabalho que atropela os planos e projetos completos”, avaliou Mesentier.

Para o diretor da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (Abea), vice-reitor de extensão e professor da Universidade Estácio de Sá, Carlos Eduardo Nunes Ferreira, a graduação não tem a função de ensinar todos os conteúdos, mas de formar um arquiteto “pensador”. “A universidade forma o generalista. Não é possível ampliar o currículo dos cursos para comportar todas as inovações, mas o papel da universidade está mais denso. O ensino da arquitetura e do urbanismo está mais complexo e multidisciplinar”, ponderou.

O diretor da Abea cita a flexibilidade das fronteiras entre os países como outro fator de impacto na formação dos profissionais. “Hoje o arquiteto e urbanista pode trabalhar em qualquer lugar do mundo. A universidade precisa ensinar o aluno a pensar a arquitetura para qualquer contexto, do Complexo ao Alemão ao centro de Xangai”, aponta. “Além disso, atualmente, o modo de trabalho dos arquitetos e urbanistas é muito mais complexo e colaborativo em diversas áreas”, completou.

Os problemas das grandes cidades, como a falta de infraestrutura urbana e déficit habitacional, também estão entre as preocupações dos arquitetos e urbanistas. Cada vez mais, as universidades têm buscado adequar a formação para que os futuros profissionais possam atuar em áreas como a assistência técnica a habitações de interesse social (HIS).

A criação de escritórios-modelos nas universidades para este fim, como previsto pela Lei de Assistência Técnica (Lei 11.888/2008), tem sido objeto de discussão entre universidades e entidades. O assunto vem recebendo atenção dos organizadores do Congresso da UIA 2020 e também será tema do II Fórum CEF-CAU/RJ-Escolas de Arquitetura, que acontece em setembro.

“Os arquitetos e urbanistas de hoje precisam lidar com a realidade das comunidades. Os escritórios-modelos, que algumas universidades já possuem, são uma forma de aplicar o conhecimento produzido na universidade com essa finalidade social, capacitando os estudantes”, defendeu o diretor da Abea, Carlos Eduardo Nunes.

Íntegra do decreto de D. João VI que estabelece a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=827&sid=101. (Atualizado em 15/08 e 17/08 para inclusão de informações sobre a Escola Nacional de Belas Artes e sobre mudança do curso para a Praia Vermelha)

Fonte original da notícia: CAU/RJ