Moradores e pesquisadores elaboram relatório para tombamento da Vila Vicentina, em Fortaleza (CE)

Vila Vicentina surgiu por volta da década de 1940, no Bairro Dionísio Torres.

Parte da Vila Vincentina, em Fortaleza, foi destruída em outubro de 2016. (Foto: Diário do Nordeste)

Moradores, pesquisadores e profissionais elaboraram relatório técnico sobre a Vila Vicentina como parte processo de tombamento patrimonial da vila na Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). O pesquisador e estudante de arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Átila, diz que o pedido de tombamento será entregue à Coordenação do Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (CPHC/Secultfor).

Átila diz que não há previsão para a resposta da prefeitura, mas o fato do órgão receber o pedido de tombamento mostra que os órgãos competentes estão cientes da importância da preservação da Vila que existe desde da década de 40. “A prefeitura não nos deu um prazo para fornecer seu posicionamento. No entanto, estamos esperançosos no veredito positivo, já que o estudo, o relatório teve a orientação do professor Romeu Duarte, do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC)”, explicou.

Em outubro de 2016, quatro casas foram demolidas após a aquisição das unidades por uma empresa. No mesmo mês, o juiz José Cavalcante Júnior, da 27ª Vara Cível, suspendeu a reintegração de posse e proibiu novas demolições na Vila.

Década de 1940

Como parte da ocupação histórica da área leste de Fortaleza, a Vila Vicentina surgiu por volta da década de 1940 como abrigo para viúvas, no antigo bairro da Estância, hoje Bairro Dionísio Torres. As 42 pequenas casas conjugadas, com tipologias e áreas diferentes, uma capela e um grande pátio arborizado na sua área central, transformado em um amplo quintal comunitário, para onde dão os fundos das residências, formam um importante conjunto de relevância arquitetônica, urbana e ambiental.

Atualmente cercada de prédios, a Vila Vicentina é uma das construções mais antigas do Bairro Dionísio Torres. (Foto: André Teixeira/G1 Ceará)

A elaboração da instrução do tombamento da Vila Vicentina, como patrimônio municipal, fundamenta-se nos artigos 9º e 10 do Capítulo III da Lei Municipal Nº 9.347, de 11/03/2008, cuja pertinência será analisada pela Coordenação do Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor.

Seu Raimundo é um dos moradores mais antigos da vila; ele chegou ao local em 1961: “tudo o que construí está aqui”. (Foto: André Teixeira/G1 Ceará)

 Fonte original da notícia: G1 CE



Prefeitura decreta tombamento da ‘Capela da Saudade’ em Uberlândia (MG)

Capela tem grande influência religiosa sobre comunidades locais de Uberlândia. (Foto: Reprodução/TV Integração)

A Capela da Saudade foi tombada como patrimônio histórico de Uberlândia a partir do decreto publicado nesta segunda-feira (8), no Diário Oficial do Município. A proposta de tombamento efetivada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Cultural de Uberlândia (Comphac) leva em consideração o valor histórico e cultural do imóvel, além da influência de religiosidade que o bem detém sobre as comunidades rurais da região.

O decreto assinado pelo prefeito Odelmo Leão e a secretária municipal de Cultura, Mônica Debs, veda qualquer intervenção estrutural no imóvel sem prévia concordância do Comphac. “Todos os elementos arquitetônicos da fachada frontal e lateral direita, tais como janelas, portas, balaustradas, vitrais, dentre outros, deverão ser preservados e só poderão ser alterados no sentido de reverter eventuais descaracterizações”, diz o decreto.

Os projetos de intervenção deverão ser elaborado por um arquiteto com experiência e formação comprovadas na área de conservação e restauração de bens culturais imóveis. Além disso, as cores da pintura de todas as fachadas da capela também deverão manter coerência com as características formais do prédio e do período construtivo.

História e arquitetura

A história da Capela da Saudade se molda às festividades religiosas da região rural conhecida como “Cruz Branca”. João Rezende, avó do atual proprietário da área, ergueu um cruzeiro e, depois, a construção foi realizada em caráter improvisado e só em 1899 é que foi erguida a capela pelo então genro de João, Francisco Pereira de Rezende.

O imóvel passou por uma reconstrução em 1954. Durante vários anos a capela foi espaço de celebração de missas, festas, cavalgadas e procissões.

O sistema construtivo emprega alvenaria estrutural, de tijolos maciços, assentados sobre alicerce de pedra que nivela a capela. As portas em madeira apresentam duas folhas. As janelas são metálicas com vidros coloridos. A cobertura se dá em duas águas, com telhas francesas, não originais.

O piso é de ladrilho hidráulico com desenhos geométricos e o acesso pela porta principal é feito por escada em cimento grosso, de forma circular. Possui dois óculos na fachada posterior, vedados por tela metálica.

Por Caroline Aleixo

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




Instituto de Arquitetos sugere concurso para projeto de ocupação da Maesa, em Caxias do Sul (RS)

Reunião com secretários municipais ocorre na próxima sexta-feira em Caxias do Sul.

Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS), Rafael Passos, estará em Caxias do Sul nesta semana para reuniões com as secretárias municipais de Cultura, Adriana Antunes, e Planejamento Urbano, Mirângela Rossi. Além de discutir o Plano Diretor da cidade, os profissionais vão sugerir um concurso público de projeto de arquitetura e urbanismo para ocupação do prédio histórico da Maesa, no bairro Exposição. A reunião ocorre na sexta-feira pela manhã. As informações da Gaúcha Serra.

De acordo com a arquiteta Silvia Nunes, presidente do IAB em Caxias do Sul, a prefeitura ainda não definiu se vai ter concurso público, mas a intenção é mostrar como funciona este processo.

— A nossa proposta depende das decisões que a prefeitura tomar em relação ao plano de ocupação e aí poderemos ajudar a definir a abrangência do concurso, se ele será de ideias ou para realização da obra ou ainda de partes específicas. Auxiliamos em termos de edital e de busca de patrocínio — exemplifica.

A arquiteta defende a importância do concurso não é só por se tratar de um prédio histórico, mas também porque permite explorar a capacidade criativa dos profissionais em um projeto importante para o município. Um exemplo de prédio público que fez concurso público nacional de arquitetura é o da Assembleia Legislativa do Estado.

Na semana passada, a prefeitura também disse que estuda a formalização de parcerias público-privadas para administrar serviços com a ocupação do prédio da Maesa. O primeiro evento artístico ocorreu na última segunda-feira. O assunto está em análise pela comissão que discute o uso do prédio.

Por Babiana Mugnol

Fonte original da notícia: Pioneiro




Guia de Arquitetura de Porto Alegre (RS) apresenta um mapeamento do patrimônio arquitetônico, paisagístico e urbanístico da cidade

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas, registra os exemplares mais representativos, entre edificações da Capital. (Foto: Leandro Selister/Divulgação)

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas, registra os exemplares mais representativos, entre edificações da Capital. (Foto: Leandro Selister/Divulgação)

Porto Alegre, desde sua origem, passou por uma evolução urbana e arquitetônica cujos remanescentes preservados, aliados às novas edificações, permitem vivenciar as marcas de sua trajetória muito além de registros fotográficos e documentais.

Para compor um panorama desse patrimônio, o Guia de Arquitetura de Porto Alegre reúne textos, fotografias e informações sobre 100 obras arquitetônicas, urbanísticas, paisagísticas, históricas e culturais da cidade.

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas (português, inglês e espanhol), registra os exemplares mais representativos, entre edificações (como museus, igrejas, estádios de futebol, centros culturais), além de lugares e logradouros, que ilustram o desenvolvimento urbano de Porto Alegre desde sua origem aos dias atuais.

Dentre as obras clássicas e contemporâneas catalogadas no guia, destacam-se a Antiga Provedoria da Real Fazenda (1790, de autoria do Capitão Alexandre José Montanha), o Theatro São Pedro (1858, do arquiteto Philip von Normann), o Paço Municipal (1901, do engenheiro João Antônio Luiz Carrara Colfosco), o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (1912, do arquiteto Theodor Alexander Josef Wiederspahn), o Palácio da Justiça (1953, dos arquitetos Luis Fernando Corona e Carlos Maximiliano Fayet) e a Fundação Iberê Camargo (2003, projetado por Álvaro Siza).

O projeto é dos arquitetos Vlademir Roman e Rodrigo Poltosi  e conta com o patrocínio da Savar por meio do financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister.

Lançamento

O lançamento será realizado no IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) RS (Rua General Canabarro, 363 – Centro Histórico) no dia 29 de março, às 19h30min, com uma exposição fotográfica.

Antes da sessão de autógrafos os autores vão ministrar a palestra “Arquiteturas de Porto Alegre: Um guia”. O evento integra o projeto Quarta no IAB.

O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister. (Foto: Divulgação)

O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister. (Foto: Divulgação)

Fonte original da notícia: O Sul




UFPA comemora os 390 anos do Ver-o-Peso com roteiro turístico

Roteiro ‘Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém’ será domingo, 26. Interessados podem fazer a inscrição gratuita por e-mail.

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Em homenagem ao aniversário de 390 anos do Ver-o-Peso, comemorado na próxima segunda-feira (27), o Projeto Roteiros Geo-Turísticos da UFPA realiza o roteiro “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém” neste domingo (26). O evento é gratuito e os interessados podem fazer a inscrição pelo formulário online ou pelo e-mail roteirosgeoturisticos@gmail.com até o dia da programação.

O trajeto inicia no Terminal Turístico da Estação das Docas, às 8h30, e passará pelos diversos mercados e ruas que compõem um dos pontos mais característicos de Belém. Nesta edição, o Roteiro passará pelos seguintes locais: Praça do Pescador, Feira do Ver-o-Peso, Pedra do Peixe e Doca do Ver-o-Peso, Mecardo de Peixe, Solar da Beira, Erveiras, Mercado de Carne, Rua XV de Novembro, Igreja e Largo das Mercês, Boulevard Castilho França, Praça dos Estivadores, Praça Pedro Teixeira, Prédio da CDP, Porto e Escadinha do Porto, Estação das Docas e Forte São Pedro Nolasco.

A coordenação do evento orienta que devido o passeio ser todo a pé, é recomendado que os participantes utilizem roupas e calçados apropriados, como tênis, roupas leves e boné. Também é aconselhável levar protetor solar e guarda-chuva ou capa de chuva.

Roteiros
Organizado pelo grupo de pesquisa em Geografia do Turismo da Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, o Roteiros Geo-Turísticos existe desde 2011, com o objetivo de promover roteiros que visam divulgar o patrimônio cultural, material e imaterial de Belém, resgatando a memória sócio-espacial da cidade. Assim, o grupo organiza caminhadas a pé e gratuitas no Centro Histórico de Belém, mostrando sua geografia, história e arquitetura.

No projeto participam estudantes de ensino médio e graduação, além de professores de diversas áreas do conhecimento, como Geografia, História, Museologia, Turismo e Arquitetura. As ações do projeto também ocorrem no município de Cametá e no distrito de Icoaraci.

Ver-o-Peso
Fundado em 1627 com a construção de uma ponte que ligava as duas margens do Igarapé do Piri, o Ver-o-Peso se estabeleceu inicialmente como o ponto de chegada e saída de barcos e navios para o Rio Amazonas ou para o mar. O “local de ver o peso” só foi instituído a partir de 1687, quando o Porto de Piri passou para a economia formal da cidade. O nome foi preservado pela tradição oral por mais de 300 anos.

Com o aterramento do Igarapé do Piri e a construção da doca no início do século XIX, o Ver-o-Peso foi cada vez mais ganhando importância econômica, cultural e social, fazendo parte de eventos significativos para a história de Belém e do Pará. Na virada do século XIX para o XX são construídos o Mercado de Ferro e o Mercado de Carne, que contribuem para a paisagem local e incrementaram as trocas culturais e comerciais, características do Ver-o-Peso.

Serviço: Roteiro Geo-Turístico “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém”, neste domingo (26), às 8h30, no hall de entrada no Terminal Turístico da Estação das Docas (av. Boulevard Castilhos França). Para se inscrever, basta preencher o formulário online. Mais informações pelo e-mail: roteirosgeoturisticos@gmail.com.

Fonte original da notícia: G1 PA




Em ruínas, Justiça obriga IPHAN a recuperar Casarão do Padre Taborda em Itaverava (MG)

Toda a estrutura do imóvel, cujas pinturas pertencem ao Mestre Athayde, passará por ampla reforma.

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Um dos mais importantes e emblemáticos patrimônios históricos de Minas passará por recuperação estrutural. O Casarão do Padre Taborda, em avançado processo de deterioração, foi alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público (MP), através da curadoria de cultura, contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a prefeitura de Itaverava.

A ação o próprio IPHAN elaborou laudo pericial que atesta o estado crítico de conservação do casarão e aponta como solução para o problema a elaboração e a execução imediatas de projeto de restauração da edificação.

Após as contendas judiciais o MP conseguiu uma vitória em favor da cultura itaveranse salvando um exemplar do século XVIII quem contava com a sorte para permanecer de pé. Na ação, o MP demonstrava “cabalmente que existe um seríssimo risco de que o Sobrado do Padre Taborda venha a entrar em colapso estrutural”.

Os laudos apontam que os elementos da sua estrutura, bem como os demais elementos da sua arquitetura e decoração estão comprometidos pela ação dos cupins e umidade.

No final de novembro, a Superintendente do IPHAN em Minas Gerais, Célia Maria Corsino, assinou a ordem de serviço em que a empresa Restaurare Construtora executará serviços da primeira etapa das obras emergenciais do Sobrado.

O serviço deve iniciar ainda este e entre eles estão a reforma completa da cobertura com substituição de peças deterioradas e reposição de telhas rompidas e deslocadas, execução de drenagem pluvial ao longo do perímetro do edifício, reestruturação da escada de acesso ao pavimento superior, reforço das fundações, com preenchimento das lacunas e injeção de material, retirada das tábuas acondicionadas no segundo pavimento e tratamento adequado para a preservação das pinturas nas paredes e forros no segundo pavimento da casa, de acordo com projeto específico. O prazo final para conclusão das obras é de um ano.

A história

O IPHAN tombado o Casarão do Padre Taborda em 1993 pela sua importância devido à sua importância histórico-cultural. Ali foi residência do primeiro vigário colado na Freguesia de Santo Antônio de Itaverava, Padre Manuel Ribeiro Taborda. O período de atuação do religioso no local, 1752 a 1788, indica a data de sua edificação.

As pinturas artísticas do Sobrado – sua tipologia, qualidade e materiais usados datam do mesmo período de execução das da Igreja de Santo Antônio– início do séc. XIX – e seriam do mesmo artista, Manoel da Costa Athayde, o Mestre Athayde.

A cidade de Itaverava, que abriga esse importante acervo histórico e artístico, foi dos primeiros arraiais mineiros, tendo se originado das incursões bandeirantes que precederam ao ciclo de descobrimento do ouro. É, ainda, considerado o primeiro local dessa descoberta em 1694, embora essa riqueza não tenha ali prosperado.

A vitória do Ministério Público é uma vitória da cultura de Minas e de Itaverava.

Fonte original da notícia: Correio de Minas




Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural avalia cinco pedidos de proteção

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Hoje, 24 de novembro, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural reúne-se em Brasília para apreciar cinco pedidos de proteção federal, sendo quatro solicitações de tombamentos no Rio de Janeiro e um de registro para Pernambuco.

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A instância conta com 23 conselheiros, formada por especialistas de diversas áreas como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia, mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan, analisam os estudos apresentados no parecer e dossiê, aprovando ou negando o título de Patrimônio Cultural Brasileiro.

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Ao longo desses quase 80 anos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi o grande responsável pela condução e evolução da Política de Preservação do patrimônio material e imaterial no Brasil, aprimorando seu conceito como reflexo à ressignificação do patrimônio cultural por parte da sociedade, cada vez mais engajada e envolvida no processo de preservação da identidade e da memória coletiva.

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Assim, durante a 84ª Reunião que ocorrerá na sede Iphan, os conselheiros avaliarão pela manhã o pedido de Registro para a manifestação cultural de Caboclos, ou Caboclinho da Região Metropolitana de Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco. Datada desde o final do século XIX, o Caboclinho simboliza a memória do encontro cultural e da resistência, sobretudo das populações indígenas e também dos povos africanos escravizados, que reverberam profundamente na história do nordeste rural brasileiro. A prática marcada por uma forte presença religiosa afro-indígena-brasileiras está ancorada principalmente no culto à Jurema, com entidades espirituais denominadas Caboclos.

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Na parte da tarde, as discussões se voltam às propostas de tombamento de quatro bens localizados na cidade do Rio de Janeiro: os prédios das Antigas Docas de Dom Pedro II; do Antigo Supremo Tribunal Federal, do Instituto de Resseguros do Brasil, além do Lampião do Largo da Lapa.

Antigas Docas
O edifício do Armazém Central das antigas Docas D. Pedro II fica localizado em frente à área do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas.  A região, atualmente conhecida como “Pequena África”, é espaço simbólico para a comunidade afrodescendente que, rapidamente, após a realização das pesquisas arqueológicas, converteu o local em símbolo da luta pela afirmação de sua identidade e de sua história.

A proposta de tombamento está respaldada nos valores histórico e etnográficos atribuídos ao edifício das Antigas Docas D. Pedro II, como um dos últimos testemunhos da obra do engenheiro André Rebouças na região portuária do Rio de Janeiro. Também registra um importante capítulo da evolução da técnica de construção e modernização da operação de portos no Brasil.

Antigo Prédio do Supremo Tribunal Federal
O edifício, do período colonial, foi palco de julgamentos históricos, como o banimento da Família Real, o habeas-corpus de Olga Benário e o mandado de segurança em favor de Café Filho, quando se viu impedido de assumir a Presidência da República. Construído entre 1905 e 1909, durante as reformas urbanísticas do Rio de Janeiro realizadas pelo prefeito Pereira Passos, idealizador de um concurso de fachadas para a abertura da Avenida Central, o prédio – que abriga, atualmente, o Centro Cultural Justiça Federal – é detentor ainda de valores artísticos, como um importante exemplar da arquitetura eclética do período da primeira República.

Edifício do Instituto de Resseguros do Brasil – IRB
O Instituto de Resseguros do Brasil foi criado em 1939 pelo Presidente Getúlio Vargas com o objetivo de acabar com o domínio das seguradoras estrangeiras. Em 1940, os seguros contra incêndio e de transporte se tornaram obrigatórios e o IRB assimilou essa função, além de se responsabilizar pelo seguro de grandes obras federais. Em 1948, o prédio foi reconhecido pelo Royal Institute of Britsh Architects (RIBA) como uma das vinte melhores obras da época.

Lampião situado no Largo da Lapa
Desenhado por Rodolfo Bernadelli como encomenda do Prefeito Francisco Pereira Passos para sua implantação no ponto inicial da então recém-projetada Avenida Mem de Sá, foi inaugurado em 1906 e logo tornou-se um marco da nova avenida. Além de seus aspectos estilísticos, tem ainda importância histórica, como um dos últimos símbolos das grandes obras comandadas por Pereira Passos, no início do século XX. Seu tombamento complementa a proteção de diversos outros bens já tombados pelo IPHAN na mesma região, como os Arcos da Lapa, a Igreja da Lapa do Desterro e o Passeio Público. A proposta prevê o tombamento do bem por sua importância histórica e artística.

Avaliação do Conselho em 2016 
Neste ano, o Conselho avaliou favoravelmente para inserção na lista dos bens culturais protegidos: três obras do arquiteto Oscar Niemeyer, sendo a Passarela do Samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói (RJ), e o Conjunto de edificações projetadas do Parque do Ibirapuera (SP). A Casa da Flor, construída em 1912 em São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos (RJ), também ganhou a proteção federal. Já a Romaria de Carros de Boi da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade, em Goiás (GO), foi inscrito no Livro de Registro das Celebrações.

Serviço:
84ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Dia: 
24 de novembro de 2016, de 9h às 18h
Local: Sede do IPHAN
SEPS 713/913 Bloco D – Ed IPHAN – Asa Sul
Brasília – DF

Fonte original da notícia: IPHAN




Ilustrador mistura moda e arquitetura e o resultado é incrível

Com a série “cut-outs”, o ilustrador usa a cidade como as estampas das roupas de seus desenhos.

Reprodução/Instagram

Reprodução/Instagram

O ilustrador Shamekh Al-Bluwi lançou a série “cut-outs“, onde combina ilustrações de moda com detalhes arquitetônicos de cidades e o resultado nos deixou babando. Ele faz desenhos de moda, recorta-os e usa a cidade como estampa para seus croquis.

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Por Ana Flavia Monteiro

Fonte original da notícia: Revista Estilo




Abandonado pela prefeitura, prédio de biblioteca histórica de Manaus (AM) vira privada

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O abandono do prédio histórico da Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, em pleno Centro de Manaus, foi alvo nesta terça-feira, dia 8, de críticas da população a partir de um post do advogado e escritor Gaitano Antonaccio, vizinho do local na praça Antônio Bittencourt, a conhecida praça do Congresso, no coração da capital.

Gaitano expressou no título do post um termo que simboliza bem a situação do prédio de responsabilidade da Prefeitura de Manaus: cagadouro.

“Verdade, meus amigos. O prédio acima foi transformado em novo Cagadouro dos desocupados da cidade, cheiras-cola, que ocuparam o prédio sob o olhar contemplativo da Prefeitura de Manaus, e os vizinhos que se danem com o mau cheiro de merda, urina e outras sujeiras”, escreveu ele.

O problema não é novo. Já se arrasta há anos, período em que não faltaram denúncias, pedidos de reforma à prefeitura e reportagens da imprensa.

A única providência por parte da prefeitura nesse período todo foi cercar o prédio com um tapume que não tapa nada.

Comentários da população

Fotos: Reprodução/Facebook

Fotos: Reprodução/Facebook

O prédio é uma das obras que melhor representam o período áureo da arquitetura histórica de Manaus e é, ao lado do também abandonado prédio da Santa Casa de Misericórdia, símbolos da falta de atenção do poder municipal.

Em setembro de 2014, reportagem do jornal A Crítica já denunciava que o prédio estava sendo invadido e vandalizado por moradores de rua.

Fonte original da notícia: BNC




Como era Pompeia antes de ser soterrada pelo Vesúvio

Com modelagem 3D, cientistas fazem reconstituição detalhada da vida no Império Romano do século 1.

Uma das casas reconstituídas na primeira parte do projeto pertencia a um poderoso membro da elite de Pompeia, Caecicilius Iucundus. Foto: Reprodução/Universidade de Lund

Uma das casas reconstituídas na primeira parte do projeto pertencia a um poderoso membro da elite de Pompeia, Caecicilius Iucundus. Foto: Reprodução/Universidade de Lund

A história da destruição da cidade de Pompeia, a 20 km de Nápoles, no sul da Itália, é notória. No ano 79 d.C, as cinzas da erupção do vulcão Vesúvio soterraram a cidade e dizimaram seus 20 mil habitantes. Sob a camada de resíduos vulcânicos, Pompeia ficou oculta até 1748.

A rapidez com que a tragédia aconteceu teve um efeito curioso: prédios, objetos e até os corpos dos habitantes ficaram protegidos do efeito do tempo sob cinzas e lama. Quando encontrados, os escombros de Pompeia constituíam um perfeito retrato petrificado do momento exato em que a cidade foi atingida pela erupção.

Por meio desse fenômeno, arqueólogos foram capazes de recuperar objetos, observar hábitos e arquitetura da época – e obtiveram uma perspectiva única do que foi o Império Romano no século 1. Pompeia ainda é um dos mais ricos sítios arqueológicos do mundo.

Em outubro de 2016, um grupo de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suíça, reconstituiu visualmente a arquitetura interna e externa dos prédios de Pompeia por meio de modelagem 3D. O resultado é um mergulho no mundo clássico italiano de dois mil anos atrás.

Como foi feita a reconstituição

Desde 1980, quando um terremoto de grandes proporções atingiu a Itália, o governo italiano convidou pesquisadores da comunidade internacional de arqueologia para ajudar a documentar a ruínas da cidade, antes que outros efeitos adversos destruíssem ainda mais os escombros de Pompeia.

Tomou a frente do projeto a pesquisadora Anne-Marie Leander Touati, então diretora do Instituto Sueco em Roma, que faz escavações e pesquisas arqueológicas na Itália. Hoje, Touati é professora de Arqueologia Clássica na Universidade de Lund.

A partir de 2010, a pesquisadora passou a coordenar os estudos sobre Pompeia direto da universidade suíça – e incluiu no projeto um ramo de arqueologia digital. Entre 2011 e 2012, a equipe responsável escaneou e digitalizou toda a cidade. Agora, quatro anos depois, as primeiras reconstituições em 3D ficaram prontas.

O modelo criado pelos pesquisadores mostra detalhes da vida doméstica em Pompeia antes da erupção do vulcão, e tem uma reconstituição detalhada da luxuosa casa de Caecicilius Iucundus, um dos membros da elite da cidade.

De acordo com a equipe de arqueólogos responsável pelo projeto, a ideia é reconstituir outras partes da cidade ao longo dos próximos anos usando as mesmas técnicas.

O que os pesquisadores descobriram sobre Pompeia

A reconstituição de Pompeia em 3D é única porque a maneira como a cidade foi petrificada permitiu descobrir detalhes precisos sobre a vida dos habitantes na época.

Entre as descobertas, estão azulejos, pisos e vitrais de gesso translúcido intactos, três grandes casas que pertenciam a membros da elite da cidade, uma taverna, uma lavanderia, uma padaria e vários jardins – em um deles, os pesquisadores verificaram que as torneiras de uma fonte estavam ligadas na hora da erupção.

As pesquisas de campo também identificaram os sistemas de distribuição de água – pouco antes da erupção a cidade havia construído um aqueduto – e de coleta de esgoto da época, o que permitiu que os pesquisadores pudessem interpretar a lógica das hierarquias sociais na cidade, por exemplo: aqueles que tinham acesso a esse tipo de estrutura provavelmente viviam em áreas mais nobres da cidade, enquanto os que dependiam de poços artesianos ou favores dos mais ricos faziam parte da população mais pobre.

Por Ana Freitas

Fonte original da notícia: Nexo