A pichação arruinou uma das maiores joias da arquitetura de Porto Alegre (RS)

Histórico prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS sucumbe a essa covarde praga urbana que alguns ainda enxergam como rebeldia.

José Francisco Alves/Arquivo Pessoal

Como diz meu amigo Caue Fonseca, jornalista aqui da Zero, a pichação é covarde. Ela ataca o imóvel exposto ao público, aquele sem grades, sem vigilante, sem qualquer condição de defesa, mas poupa qualquer mansão milionária com um mastodonte guardando a porta.

A pichação ataca a vendinha da esquina, mas poupa o hipermercado. Ela ataca o coitado que não consegue pagar R$ 400 para pintar a parede de branco, mas poupa quem teria R$ 400 mil para pintar o bairro inteiro.

E há quem considere a pichação rebelde. Transgressora. Uma forma de dar voz a quem vive à margem da sociedade. Que besteira, por favor. A pichação é uma praga urbana que produz barbarismos como este: a completa degradação do antigo prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Andréa Graiz/Agencia RBS

A histórica construção, na esquina da Sarmento Leite com a Luiz Englert, hoje abriga o Instituto de Ciências Básicas da Saúde, também da UFRGS, com a fachada quase que em estado de putrefação.

– Não é de hoje que o prédio sofre com vandalismo, mas nunca o vi tão podre. É uma das maiores joias da nossa arquitetura – diz o professor José Francisco Alves, doutor em História da Arte que enviou à coluna a foto no topo desta página. – Fico pensando nos médicos que se formaram ali e pariram esses pichadores.

Andréa Graiz/Agencia RBS

Inaugurada em 1923, a construção em estilo eclético foi projetada por Theo Wiederspahn (1878-1952), um dos mais aclamados arquitetos que já atuaram no Estado. São dele também os projetos do Margs, do Hotel Majestic, do prédio dos Correios e do Edifício Ely – todos símbolos do nosso patrimônio arquitetônico.

Há quem diga que pichação é “arte urbana”, e eu juro que tento entender, mas como pode uma arte destruir outra obra de arte? É o que ocorre na fachada do antigo prédio da Faculdade de Medicina. Uma beleza arruinada.

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Tradição doceira e arquitetura de Pelotas (RS) são patrimônio nacional? Iphan vai decidir em maio

Caso se confirme, será a primeira vez na história que o instituto faz a distinção, de forma simultânea e no mesmo lugar, de um patrimônio material e outro imaterial.

Mercado Público de Pelotas. Isadora Neumann/Agencia RBS

Em menos de um mês, a cidade de Pelotas, no sul do Estado, poderá ser alvo de um ato de preservação inédito no Brasil. Em 15 de maio, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidirá se o conjunto histórico do município e o modo de fazer doces da região vão se tornar patrimônio nacional ao mesmo tempo. Caso se confirme, será a primeira vez na história do Iphan que será realizado de forma simultânea, em um mesmo lugar, o reconhecimento de um patrimônio material (o conjunto arquitetônico) e o registro de um patrimônio imaterial (a tradição doceira).

— O Iphan, há algum tempo, tem estimulado que os processos sejam pensados não como material e imaterial, mas no sentido de patrimônio cultural. Em Pelotas, optamos por fazer um estudo geral porque se percebeu a importância do ciclo do charque, que permitiu a chegada do açúcar e fez com que a cidade desenvolvesse uma cultura própria. Não tinha sentido tratar de forma isolada — explicou Andrey Rosenthal Schlee, diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan.

A análise conjunta parte do princípio de que a produção de charque, principal atividade econômica de Pelotas entre o final do século 18 e o começo do século 20, teve influência direta sobre o desenvolvimento da tradição doceira na região. Isso porque, a venda de carne para o Nordeste permitia o acesso ao açúcar produzido nesses Estados, que era trazido pelos mesmos navios.

A concepção do parecer que será avaliado pelos conselheiros — 23 pessoas, entre representantes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil — teve origem em quatro processos isolados em que cidadãos pelotenses que pediam o tombamento de diferentes partes da cidade e em um inventário sobre a tradição doceira elaborado entre 2006 e 2008. Natural de Pelotas, o atual diretor do Iphan esteve diretamente envolvido: antes de trabalhar no órgão — quando assumiu como professor de arquitetura da Universidade de Brasília, em 2002 —, ele solicitou o reconhecimento do centro histórico da cidade como patrimônio nacional.

O documento elaborado pelo Iphan demandou um estudo que envolveu pelo menos três superintendentes no Rio Grande do Sul e diversos técnicos do órgão que vieram de Brasília para avaliar os prédios históricos e conhecer o processo de fabricação de doces. A proposta prevê o tombamento do que foram definidos como sete setores: as praças Cipriano Rodrigues Barcelos, Coronel Pedro Osório, José Bonifácio e Piratinino de Almeida, o Parque Dom Antônio Zattera, a Charqueada São João e a Chácara da Baronesa. Ela descreve as características arquitetônicas de cada um dos lugares e estabelece diretrizes para a preservação desses locais e de prédios importantes do entorno, como o Mercado Público Central, a Catedral São Francisco de Paula e o Teatro Sete de Abril, entre dezenas de outros _ alguns deles já tombados ou inventariados em outras esferas. A partir de um eventual tombamento nacional, os locais passarão a ter a gestão compartilhada entre o poder público municipal e o governo federal.

Já o registro da tradição doceira como patrimônio imaterial abarca, além de Pelotas, municípios próximos — a chamada “Antiga Pelotas”, que envolve  Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo, São Lourenço e Turuçu . O reconhecimento prevê um plano de salvaguarda do modo de produzir doces na região, com ações que visam à manutenção da preservação e transmissão de conhecimento de uma geração a outra. Será contemplada tanto a produção dos chamados doces finos, que fizeram a fama da cidade e estão ligados à área urbana e à tradição europeia, quanto os doces coloniais, desenvolvidos principalmente zona rural e vinculados à história dos imigrantes europeus e dos negros trazidos como escravos à época do ciclo do charque. Caso ocorra, este será o segundo bem imaterial do Rio Grande do Sul reconhecido pelo Iphan: o único até hoje foi a Tava, lugar de referência para os Guarani-Mbyá, registrado no Livro dos Lugares — a tradição doceira deverá entrar no chamado Livro dos Saberes.

“Espero que seja um começo”, diz arquiteta que pediu tombamento de sítio charqueador

A reunião que decidirá pelo reconhecimento ou não do patrimônio cultural pelotense em nível federal é um desdobramento de uma série de ações pontuais realizadas ao longo das últimas décadas para preservar a memória de uma das mais importantes cidades do Estado.

O primeiro tombamento realizado pelo Iphan foi em 1955: o obelisco construído em homenagem a Domingos José de Almeida, por sua participação na Revolução Farroupilha. Em nível municipal, um dos primeiros marcos em termos de volume foi um inventário da década de 1980 que previu a proteção de mais de 1 mil imóveis. Atualmente, Pelotas possui um dos maiores acervos de estilo eclético do Brasil, com cerca de 1,3 mil prédios inventariados.

A elite intelectual da cidade esteve entre os principais defensores do patrimônio, principalmente, através de estudos da Universidade Federal de Pelotas, cuja Faculdade de Arquitetura elaborou o inventário municipal e outros cursos, através do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural, elaboraram pesquisas que destacam o valor cultural e relevância histórica de diferentes aspectos do município.

Professora aposentada da UFpel, a arquiteta Ester Gutierrez dedica-se, desde a década de 1990, ao estudo das charqueadas na cidade. Depois de contribuir com um projeto da prefeitura para delimitar áreas de interesse cultural em Pelotas, ela foi, cerca de uma década atrás, a primeira cidadã a pedir o tombamento do chamado sítio charqueador, região às margens do Arroio Pelotas onde se estabeleceram dezenas de fábricas de charque. Em maio, poderá ter parte de seu pedido deferido: a Charqueada São joão, uma das mais antigas da cidade, está entre os setores que podem virar patrimônio nacional.

—  Acho que é louvável, mas é uma coisa pontual. Espero que seja o começo de um processo de reconhecimento que permita ações de conservação mais amplas — avaliou a professora aposentada.

Por Bruna Vargas

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Livro infantil estimula crianças a conhecer a arquitetura paulistana

O primeiro volume infantil do Prédios de São Paulo conta histórias e curiosidades da cidade. O livro será lançado oficialmente em julho de 2018.

O projeto Prédios de São Paulo para Crianças leva o público infantil para conhecer o Centro Histórico de São Paulo. Foto Divulgação

O projeto Prédios de São Paulo começou lá em 2014 na internet, documentando informações e memórias sobre a arquitetura da capital paulista. A partir de 2015, a ideia virou um livro e, desde então, já foram publicados três volumes. Imagens e histórias transformam os edifícios de São Paulo em verdadeiros personagens da cidade. O projeto, que já catalogou mais de 300 prédios, acaba de ganhar um novo público em sua última edição: as crianças. Afinal, nunca é cedo demais para se imergir na cidade.

Matteo Gavazzi, idealizador do projeto, diz que a ideia do livro infantil é estimular nas crianças o interesse em conhecer melhor a cidade, assim como foi despertado nos adultos em volumes anteriores. A obra, produzida pela GAPS Editora, tem texto assinado pela jornalista Tatiana Engelbrecht e as ilustrações são do Daniel Almeida.

Foto Divulgação

O passeio pelas páginas é uma verdadeira expedição, bem no estilo de caça ao tesouro mesmo, e é conduzida pelo Miro, um cão simpático e curioso. Com o livro, as crianças poderão conhecer prédios do centro de São Paulo como, por exemplo, o Edifício Martinelli e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

O lançamento oficial do livro será em julho de 2018. Mas, por enquanto, é possível adquirir um exemplar por meio de apoio ao projeto em um financiamento coletivo, na plataforma Partio, no valor de R$ 80. Posteriormente, o livro estará à venda no site da GAPS Editora e em algumas livrarias em São Paulo.

Miro, um cachorro bem simpático, guia a expedição do projeto Prédios de São Paulo para Crianças. Foto Divulgação

Fonte original da notícia: Revista Casa e Jardim




Recife (PE) – Aos 89 anos, Hotel Central é tombado

Solicitação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).

Foto: Arthur de Souza

Um dos ícones da arquitetura recifense do século 20, sede de eventos gloriosos da sociedade pernambucana, teve finalmente seu pedido de tombamento aceito. De características ecléticas, o edifício que abriga o Hotel Central, localizado no número 209 da avenida Manoel Borba, esquina com a rua Gervásio Pires, no bairro da Boa Vista, área central da Capital, teve a solicitação aprovada por unanimidade pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).

De acordo com o parecer do conselheiro Rodrigo Cantarelli, relator do processo relacionado ao prédio, o exame elaborado pelo corpo técnico da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe concluiu que o Hotel Central “foi a primeira construção do gênero de grande porte em Pernambuco e foi palco, durante décadas, de um sem número de eventos sociais envolvendo não só a sociedade recifense, mas de todo o Estado, que de alguma maneira possuem ligações afetivas com o lugar”.
Para entender o glamour que permeava o Hotel Central em seus anos áureos, basta lembrar alguns de seus hóspedes mais famosos: o ex-presidente da República Getúlio Vargas, o cineasta americano Orson Welles e a cantora e atriz Carmen Miranda. A tripulação do dirigível alemão Graf Zeppelin, que por diversas vezes atracou no campo do Jiquiá, na Zona Oeste da Cidade, também se hospedava lá.

A avaliação para o tombamento ainda levou em conta que, embora o edifício já “esteja inserido numa área de preservação municipal, a Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (ZEPH) 08 – Boa Vista, desde 1980, a quadra fronteiriça ao Hotel Central, segundo a mais recente legislação aprovada pela Prefeitura da Cidade do Recife, possui índices urbanísticos altíssimos que poderiam permitir construções que causem interferência na ambiência e na visibilidade do bem em questão”.

O tombamento, de acordo com o relator, além da importância cultural para Cidade, é um marco inegável desse tipo de construção no Estado por haver inaugurado “um novo padrão para a verticalização das cidades pernambucanas que, adaptado pelo mercado imobiliário, repete-se até hoje (…) e que só foi possível de ser realizado graças à adoção do concreto armado associado ao uso de elevadores, provavelmente um dos primeiros instalados na Cidade”.

A iniciativa de construção do edifício partiu do empresário greco-suíço Constantin Aristide Sfezzo. A ideia inicial era construir um prédio de apartamentos para aluguel voltado para estrangeiros que se instalavam no Recife na segunda metade da década de 1920. Após uma contraproposta do empresário George Kyrillos – dono do Palace Hotel, na vizinha praça Maciel Pinheiro -, Sfezzo requalificou o objetivo do projeto transformando-o em um hotel de luxo.

Com 35,74 metros de altura – na época, considerado um arranha-céu – o Hotel Central foi inaugurado em 31 de outubro de 1928 – um ano e 15 dias após o início das obras – com seis apartamentos de luxo e 80 quartos, além de bar, restaurante, barbearia, perfumaria, salão para senhoras e um terraço na cobertura com uma privilegiada visão panorâmica da Cidade.

Mas nem tudo foi glamour na história do Hotel Central. A partir de meados da década de 1950, o empreendimento enfrentou anos de decadência. O fato, contudo, jamais alterou sua finalidade. A determinação dos empreendedores que assumiram o negócio ao longo dos anos permitiu que o hotel chegasse a seus quase 90 anos com sua fachada revitalizada, com recursos do Fundo de Cultura (Funcultura).

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




ArquiMemória 5 reúne especialistas mundiais da arquitetura e patrimônio edificado em Salvador (BA)

Foto: Divulgação

O principal encontro sobre a preservação do patrimônio edificado realizado no Brasil, o ArquiMemória 5 acontece de 27 de novembro a 1º de dezembro, em Salvador. No encontro estarão reunidos especialistas de mais de 20 países e de todo o país, dentre pesquisadores, gestores públicos e outros profissionais atuantes na área de preservação do patrimônio edificado.

Com o tema “O global, o nacional e o local na preservação do patrimônio”, o ArquiMemória 5 é realizado pelo IAB-BA, Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento da Bahia, e pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA), com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Governo do Estado da Bahia, CAPES, CNPq, CAU-BR e CAU-BA. Informações sobre inscrições e programação completa estão disponíveis no site do evento: http://iab-ba.org.br/arquimemoria5/.

Sob coordenação de Nivaldo Andrade Junior, arquiteto baiano, recém-eleito presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o evento coincide com a celebração de importantes instituições do patrimônio cultural. Não por acaso, a abertura do ArquiMemória 5 será no Teatro Castro Alves (TCA), a mais importante casa de espetáculos do estado e marco da arquitetura moderna em Salvador, recentemente tombado pelo IPHAN, que completa 50 anos em 2017. Também serão festejados os 80 anos de institucionalização da política de preservação do patrimônio cultural no Brasil, a partir da criação do atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e os 50 anos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão estadual de preservação do patrimônio cultural baiano.

O ArquiMemória 5 faz parte da programação preparatória para o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, o maior evento mundial da arquitetura, a ser realizado no Rio de Janeiro em 2020 e deve reunir cerca de 15 mil profissionais. O congresso acontece a cada três anos, sendo a quarta vez na América Latina e a primeira vez no Brasil. A última edição na América Latina foi em 1978, no México. “O maior desafio, no entanto, não é preparar celebrações e organizar eventos, mas sim resgatar a dimensão social da arquitetura. Boa parte da população brasileira desconhece a importância do arquiteto e urbanista na melhoria e qualificação dos espaços que utilizamos todos os dias”, conta o organizador do ArquiMemória 5, Nivaldo Andrade.

Programação – O evento é dividido em três eixos temáticos: “A circulação de conceitos e teorias”, “Instituições e sociedade: global, nacional e local” e “Projeto e tecnologia: formação e prática”. A estrutura é composta por conferências, mesas redondas temáticas, sessões de comunicações, colóquios temáticos, exposição de projetos e feira do ArquiMémoria.

Toda a programação acontecerá em uma série de edifícios tombados localizados no Campo Grande e arredores. Em dois dias, a programação do evento acontecerá na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA): a abertura, no dia 27 de novembro, a partir das 9h e a jornada especial dedicada aos 80 anos do IPHAN e aos 50 anos do IPAC e do TCA, realizada no dia 30 de novembro.

O Salão Nobre da Reitoria da UFBA, a Reitoria do Instituto Federal da Bahia (IFBA), antiga sede do Colégio Maristas e o Teatro Martim Gonçalves da Escola de Teatro da UFBA também receberão uma série de atividades do ArquiMemória 5. Parte da programação do ArquiMemória 5 será realizada no Sheraton Hotel da Bahia, hotel oficial do evento.

Convidados nacionais e internacionais – Estão confirmados para o evento nomes referenciais da arquitetura e do restauro, como os italianos Andrea Bruno e Marco Dezzi Bardeschi, o alemão Alexander Schwarz, o argentino Ramon Gutiérrez, entre outros conferencistas convidados. Representado pelo arquiteto David Barragán, o premiado coletivo de arquitetos equatorianos Al Borde realiza uma conferência na abertura do evento, dia 27/11, no Teatro Castro Alves. Seguidores da arquitetura do “fazer muito com pouco”, os projetos do grupo buscam impulsionar o desenvolvimento local e a inovação social.

Barragán vem compartilhar as experiências vivenciadas em Quito, no Equador, especialmente o projeto “Casa em Construção” – uma estratégia inovadora de restauração e refuncionalização de uma casa do Centro Histórico, onde funciona a sede do Al Borde. A recuperação da casa é feita com baixo custo, uso consciente dos recursos locais e material reciclado.

Os desafios da preservação do patrimônio dos séculos XX e XXI será abordado nas palestras realizadas pela Diretora Regional de Cultura do Alentejo (Portugal), Ana Amendoeira, pelo Subdiretor de Patrimônio Mundial do INAH – Instituto Nacional de Antropologia e História do México, Francisco Vidargas, e pelo Professor Flávio Carsalade, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que foi o responsável pela recente inscrição do conjunto arquitetônico da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer em Belo Horizonte, na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. A professora catedrática de restauro arquitetônico da Universidade de Nápoles,Renata Picone, abordará o tema da acessibilidade universal no sitio arqueológico de Pompéia.

Lançamentos e Exposição – Durante o evento serão lançados mais de 20 livros, de autores do Brasil, Alemanha, México e Itália. No dia 30/11, será lançado o livro “A cidade-atração: a norma de preservação de áreas centrais no Brasil dos anos 1990”, de autoria da arquiteta e professora da UFBA Márcia Sant’Anna. Mais de 40 projetos selecionados serão expostos no salão do Sheraton da Bahia Hotel. No local, acontecerão sessões de apresentação dos trabalhos expostos e debates.
 
Serviço:

ArquiMemória 5: “O global, o nacional e o local na preservação do patrimônio”
Data: 27 de novembro a 1º de dezembro, em Salvador.
Informações e inscrições: http://iab-ba.org.br/arquimemoria5

Fonte original da notícia: Secretaria de Cultura da Bahia




China inaugura biblioteca pública futurista

Mar do conhecimento? Oceano dos livros?

Arquitetura que impressiona!

A deslumbrante Biblioteca de Tianjin Binhai é um centro cultural de 33.700 m² que possui um luminoso auditório esférico em torno do qual encontram-se cascatas de livros do chão ao teto. As estantes onduladas são o principal dispositivo espacial do edifício. A biblioteca de 5 andares tem espaço para 1,2 milhões de livros.

Fonte original da notícia: www.pesquisamundi.org




Brasília (DF) é reconhecida pela Unesco como ‘cidade criativa’ pelo design

Paraty (RJ) e João Pessoa (PB) também receberam título. Rede é formada por 116 cidades do mundo que compartilham estratégias, experiências e conhecimentos sobre indústria cultural.

Cofundadora do Experimente Brasília, Tatiana Petra, de 40 anos mostra camiseta com tema relacionado à cidade. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

A Unesco anunciou nesta terça-feira (31) Brasília como uma das novas integrantes da Rede de Cidades Criativas, reconhecida como capital criativa do design. O título ocorre no mesmo ano em que a capital do país celebra três décadas como patrimônio cultural da humanidade. As cidades de Paraty (RJ) e João Pessoa (PB) também foram contempladas, nas categorias gastronomia e artesanato respectivamente.

“Acho que muda um pouco a dinâmica na questão da economia criativa e do turismo na cidade. Brasília tem um potencial enorme na vertente da economia criativa”, disse a subsecretária de Produtos e Políticas de Turismo, Caetana Franarim.

“Já vem sendo feito muitos investimentos, principalmente de governo, para este setor. Brasília tem um histórico na arquitetura que merecia ser chancelado por um órgão internacional”, completou.

O gesto da Unesco, no entanto, não significa que o Distrito Federal passe a receber verba da Organização das Nações Unidas para reforçar atividades culturais. É apenas um reconhecimento da capital federal como um polo de “design criativo”.

Vista aérea da parte central de Brasília, mostrando o início da Asa Sul. Foto: Raquel Morais/G1

Criada em 2004, a Rede de Cidades Criativas é composta por 116 cidades de 54 países que atuam em cooperação para aprimorar as estratégias de desenvolvimento por meio de sete pilares da indústria criativa e cultural. Além do design, há também artesanato e artes folclóricas, gastronomia, cinema, literaturas, artes midiáticas e música.

No Brasil, cinco cidades fazem parte da rede – sendo Belém e Florianópolis em gastronomia, Curitiba em design, Salvador em música e Santos no cinema. Na categoria design, estão incluídos setores como arquitetura, decoração, moda, arte de rua e design gráfico.

Ao ser aceita na rede, Brasília assume o compromisso de compartilhar boas práticas com outras cidades, firmar parcerias que fortaleçam atividades culturais e integrar estes fatores nos planos de desenvolvimento urbano.

Também deverá ampliar os investimentos em criação, produção e distribuição de atividades culturais, bem como o acesso à arte pela população mais desassistida.

Produtos de design expostos durante coletiva de imprensa no Buriti. Foto: Luiza Garonce/G1

A participação na rede também permite que Brasília “troque figurinhas” com outras cidades que tiveram experiências positivas na área.

Por Raquel Morais

Fonte original da notícia: G1 DF




Assista ao documentário “Crônica Da Demolição” no dia 15/10, às 18h, no Canal Brasil

O Palácio Monroe foi uma das mais imponentes construções do centro do Rio de Janeiro no início do século 20. O casarão de suntuosa arquitetura localizado próximo à Cinelândia, onde também foram edificados o Theatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Câmara dos Vereadores do município, entre outros prédios de crucial importância histórica, era a casa do senado federal enquanto a cidade maravilhosa foi capital do país, mas perdeu importância após a transferência da sede do governo federal para Brasília e foi alvo de uma grande campanha vexatória de interesses especulativos de construtoras. Coproduzido pelo Canal Brasil, o documentário de Eduardo Ades investiga os reais motivos da demolição do palacete em 1976.

O filme faz um passeio pela história do Rio de Janeiro e remonta o contexto histórico desde a construção do palácio. Desenhado pelo arquiteto Francisco Marcelino de Souza Aguiar, o palacete foi projeto para ser o pavilhão do Brasil em uma exposição universal realizada nos Estados Unidos em 1904. Laureado no evento, o projeto foi tirado do papel depois de dois anos e ganhou nome de batismo em homenagem ao quinto presidente norte-americano, James Monroe. A grandiosa construção localizada ao fim da Avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro da cidade e com uma das mais belas vistas da região – a capital passava por grandes transformações urbanas à época – funcionou como o plenário da Câmara dos Deputados durante oito anos e como sede do Senado Federal de 1922 até a construção de Brasília, em 1960.

Toda a pompa do palácio não foi suficiente para mantê-lo de pé após perder os representantes do legislativo brasileiro. Arquitetos modernistas como Lucio Costa e veículos de imprensa deram início a uma grande campanha para a demolição do prédio alegando que seu estilo estético não se adequava mais ao desenho da cidade. Aspectos políticos e financeiros se escondiam nas sombras dos argumentos técnicos. O prédio ficava no caminho dos trilhos do metrô, impedindo o traçado original de ser mantido pela empreiteira. A localização privilegiada atraiu os olhares das principais construtoras, interessadas em produzir novas edificações no local. A partir do depoimento de especialistas em arquitetura e urbanismo, o filme discorre sobre as motivações escusas de quem apoiou a destruição de um importante patrimônio histórico do Rio de Janeiro.

Fonte original da notícia: Canal Brasil




‘Vem Viver o Patrimônio’ celebra 30 anos de tombamento de Sítio Histórico em Mimoso do Sul (ES)

O projeto contempla seis edições: abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro, sempre no último sábado do mês. Durante o evento, o visitante tem a oportunidade de presenciar a história do local como se tivesse voltado ao passado.

Na próxima sexta-feira (29) e sábado (30), o Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana, em Mimoso do Sul, receberá mais uma edição do projeto ‘Vem Viver o Patrimônio’. Desta vez, o projeto vai celebrar os 30 anos de tombamento do local, comemorado neste mês de setembro. A programação cultural será intensa, com contação de histórias, exibição de filmes, exposição de fotografias e shows com violeiros e sanfoneiros.

O projeto ‘Vem Viver o Patrimônio’ tem o intuito de proporcionar sustentabilidade econômica ao Sítio Histórico, criando novas possibilidades de geração de renda local. Durante os dois dias, a arquitetura, culinária, artesanato, história local e a música aliada às raízes, atrai turistas e amantes da cultura, contribuindo para que o Sítio Histórico se torne sustentavelmente preservado em sua originalidade histórica, fortalecendo o Patrimônio Cultural local.

O distrito de São Pedro do Itabapoana foi o segundo município mais populoso do Espírito Santo até o final da década de 20, perdendo apenas para Alegre. Foi um dos municípios mais importantes do Estado até Revolução Varguista de 1930 quando, segundo contam moradores locais, teve sua sede e comarca ‘roubadas’ por uma caravana getulista apoiada por políticos do então distrito de Mimoso. Daí em diante Mimoso do Sul passou a ser a sede do município e São Pedro do Itabapoana passou a ser seu distrito.

O Sítio Histórico está a aproximadamente a 460 metros de altitude e tem uma população urbana estimada em mil habitantes. O acesso é feito por rodovia pavimentada e tem como principais atrativos o clima de montanha, a natureza exuberante, um grande conjunto de fazendas que datam do século XIX, o prédio Câmara e Cadeia, e o museu de São Pedro de Alcântara.

Tombamento

São Pedro do Itabapoana tornou-se Sítio Histórico em 1986, quando o Conselho Estadual de Cultura realizou o tombamento de 41 imóveis residenciais, além do prédio Câmara e Cadeia, da igreja e o calçamento central em pedras pé-de-moleque, a maioria deles datados do século XIX, como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual.

A partir de 1998 mudanças importantes alavancaram uma transformação do Sítio Histórico. Foi iniciado um processo de restauração e revitalização das casas e imóveis do Sítio, juntamente com a comunidade e com a ajuda de restauradores vindos de Ouro Preto, Minas Gerais, entre eles, a implantação do Antiquário São Miguel e do Museu São Pedro de Alcântara do Itabapoana.

Ainda nesse período o Sítio Histórico passou a realizar um dos eventos mais representativos da cultura capixaba: o Festival de Inverno de Sanfona e Viola. A partir de uma tradição antiga da região de se tocar sanfona e viola, o festival foi criado como uma forma de chamar a atenção de turistas e, principalmente do capixaba, para conhecer melhor e desfrutar um pouco da região repleta de história, cultura, tradição e arte.

No ano de 2015, São Pedro do Itabapoana recebeu da Assembleia Legislativa do Espírito Santo o título de ‘Capital Estadual da Sanfona e da Viola’.

Fonte original da notícia: Folha Vitória




Azulejo da marca ‘Pampulha’ à venda em Belo Horizonte (MG)

Projeto com a marca ‘Pampulha’ vai comercializar azulejos. Pedro Gontijo/Belotur/Divulgação

A empresa Terra Revestimentos foi a primeira contemplada no edital que permite a utilização da marca ‘Pampulha’ e irá comercializar azulejos. A marca, reconhecida mundialmente após o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conquistado no ano passado, poderá também ser utilizada em produtos de diversos segmentos como vestuário, calçadista e acessórios, materiais de escritório, souvenir, artigos para recreação, literário e impressos, entre outros.

O conceito da marca relaciona as formas geométricas presentes nos equipamentos que compõem os três principais elementos do conjunto moderno: a arquitetura de Niemeyer, o paisagismo de Burle Marx e o espelho d’água da Lagoa da Pampulha. O edital permanece aberto até o 29 de dezembro.  Interessados podem solicitar o documento pelo email licitações.belotur@pbh.gov.br ou pessoalmente, na rua da Bahia, 888, 6º andar.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia