UFMG e ICOMOS – Brasil promovem o 5º Seminário Ibero-Americano Arquitetura e Documentação

A pesquisa na área da História da Arquitetura e do Urbanismo tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, refazendo-se versões tradicionais da historiografia dominante. A intensa revisão a que tem se submetido o passado da Arquitetura e a significativa ampliação vivida pelo campo da preservação do patrimônio a partir dos anos 1980 fez com que a disciplina da História da Arquitetura voltasse a ser colocada na ordem do dia.

De fato, os últimos trinta anos assistiram a uma tremenda efervescência no campo da História da Arquitetura no mundo ibero-americano, com grande vitalidade editorial e com a multiplicação de programas de mestrado e doutorado e de eventos na área.  Ao mesmo tempo, percebe-se uma crescente colaboração entre áreas distintas, com a necessidade de um olhar integrado com os campos da ciência da informação e ciência da computação, considerando a explosão informacional e a repercussão da internet.

Neste contexto, em outubro de 2017, vai se realizar, em Belo Horizonte,  o 5Seminário Ibero-americano Arquitetura e Documentação, que pretende reunir profissionais e pesquisadores de toda região ibero-americana. Dando sequência aos trabalhos realizados em 2008, 2011, 2013 e 2015, a quinta edição deste Seminário, promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)  e do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS-BRASIL), vai ser composta por conferências e mesas-redondas, além de ter lugar para comunicações, que serão selecionadas através de chamada de trabalho  dirigida a todo o mundo ibero-americano. O envio de propostas de comunicações pode ser feito no site do evento (www.forumpatrimonio.com.br/arqdoc2017) até o próximo dia 25 de agosto.

Evento:  5Seminário Ibero-americano Arquitetura e Documentação
Promoção: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS-BRASIL)
Local: Belo Horizonte / MG / Brasil
Data: 24 a 26 de outubro
Mais informações: www.forumpatrimonio.com.br/arqdoc2017 ou +55.31.3409.8820

Fonte original da notícia: ICOMOS – Brasil




Exposição retrata o patrimônio arquitetônico de Passo Fundo (RS)

O curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade de Passo Fundo (Fear/UPF), por meio das professoras Mirian Carasek, Greice Baruffo Rampanelli e Débora Grando Schoffel, com apoio da Setorial de Patrimônio Material, Imaterial, Arquitetura e Urbanismo e da Confraria das Artes promoveram a exposição “Estação da memória – afirmação do patrimônio arquitetônico de Passo Fundo”. Realizada de 22 a 30 de julho na Galeria Estação da Arte, a exposição destacou a cidade Passo Fundo e sua arquitetura por meio de maquetes, aquarelas e fotos de alguns exemplares do patrimônio arquitetônico preservado no município.

De acordo com a professora Mirian, existem diversos meios pelos quais uma cultura pode se expressar. Quando se trata de arquitetura e urbanismo, a expressão cultural se dá por meio das construções e vias que configuram a cidade. “A percepção atual estabelece patrimônio histórico e cultural como o conjunto de bens imóveis e móveis de valor significativo, ambiências, parques urbanos e naturais, praças, sítios e paisagens, assim como manifestações culturais entendidas como tradições, práticas e referências, que configuram a identidade do município”, explica.

A preservação desses bens patrimoniais é importante para a transmissão das tradições de uma geração para outra, contribuindo para a consolidação da identidade cultural do lugar. “Passo Fundo possui alguns trabalhos voltados ao campo do patrimônio histórico e cultural, como o Inventário do Patrimônio Arquitetônico do Município de Passo Fundo. Contudo, muitos trabalhos ainda necessitam ser realizados para que se consiga consolidar e ampliar o cuidado com os bens patrimoniais municipais, o que inclui atividades de educação patrimonial, no sentido de conscientizar a população da importância da preservação”, observou a professora Mirian.

A proposta da exposição foi promover uma interação entre academia e comunidade, de modo que a primeira expõe à segunda informações sobre a identificação e a valorização do patrimônio arquitetônico por meio de maquetes, desenhos e fotos, divulgando também o curso de Arquitetura e Urbanismo da UPF.

Fonte original da notícia: Universidade Federal de Passo Fundo




Salvador (BA) – Instituto do Cacau será reformado cinco anos após incêndio

Obra vai custar R$ 1,7 milhão e terá início no mês que vem; resultado da licitação foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Cinco anos após o incêndio, o terceiro andar ainda permanece interditado; obras começam em agosto. Foto: Evandro Veiga/Arquivo Correio

Cinco anos depois do incêndio que destruiu o terceiro andar do Instituto do Cacau, no bairro do Comércio, em Salvador, finalmente o prédio vai ser reformado. A Secretaria da Administração do Estado (Saeb) publicou no Diário Oficial do último final de semana o resultado da licitação para recuperação estrutural da laje da cobertura e casa de máquina do prédio, que contará com um investimento de R$ 1,7 milhão. As obras serão realizadas pela AMF Engenharia e Serviços Ltda e terão início ainda neste mês de agosto.

Em 17 de janeiro deste ano, a Saeb havia divulgado que mais R$ 2 milhões seriam investidos na primeira etapa da obra. O edital chegou a ser publicado e a licitação marcada para 20 de fevereiro. No entanto, uma ação popular, liderada pelo advogado Bruno Almeida, conseguiu suspender a licitação, alegando que o projeto não possuía aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Na ocasião, o Iphan havia confirmado que seria necessária a análise e autorização deles para que ocorressem reformas no imóvel, pois o Instituto do Cacau fica em uma região do Comércio tombada pelo órgão, estando também sob a proteção dele.

A liminar que suspendeu a licitação foi julgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e cassada no dia 30 de maio. Um dia depois, a Saeb lançou a nova licitação que escolheu a empresa que vai tocar a obra.

Arquitetura
Quem nota as paredes pichadas e sujas ou as grades enferrujadas do Instituto do Cacau nem imagina que aquela estrutura foi uma das primeiras obras de arquitetura moderna na Bahia. Do lado de fora, o teto queimado relembra a manhã de 16 de julho de 2012, quando o terceiro andar foi destruído por um incêndio.

Incêndio ocorreu no dia 12 de julho e destruiu o terceiro andar do prédio. Foto: Evandro Veiga

No alto do edifício, ainda é possível ver vários andaimes estruturados que sustentam os destroços do terceiro andar – o qual continua interditado desde o fogo – e impedem um possível desabamento. Nos andares inferiores do prédio funcionam o SAC Educação, o SAC Cidadão e o Núcleo Regional da Educação.

O Instituto do Cacau foi criado em junho de 1931. Para a época, o design do prédio foi uma importante evolução arquitetônica no estado. O projeto foi assinado pelo arquiteto alemão Alexander Buddeus e reúne linhas sofisticadas, com elementos de estilos clássicos como o art déco e a Escola de Bauhaus.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Duas casas que pertenceram ao poeta Thiago de Mello estão abandonadas, em Barreirinha (AM)

Projeto dos imóveis foi assinado pelo renomado arquiteto Lúcio Costa, autor do plano piloto de Brasília.

Duas casas que pertenceram a Thiago de Mello estão abandonadas. Na Foto, Porantim do Bom Socorro. Fotos: Arquivo pessoal

Duas casas que pertenceram ao poeta Thiago de Mello e tem projeto assinado pelo renomado arquiteto Lúcio Costa, autor do plano piloto de Brasília, sofrem com o abandono e a falta de manutenção, na cidade de Barreirinha (a 331 quilômetros de Manaus). Os imóveis conhecidos como Porantim do Bom Socorro e Casa do Ramos foram vendidos para o Governo do Amazonas em 1992 e 2005, respectivamente, e depois repassados para a prefeitura do município para servir de espaço cultural.

Contudo até hoje as residências não passaram por restauração nem reparos, como mostram as fotos feitas pelo cantor e compositor Thiago de Mello, filho do poeta. Nas imagens, ambas aparecem em condições precárias. “É muito triste vê um lugar que teve tanta vida, recebeu tanta gente do povo (artista, poeta) não servindo para nada de produtivo. Essas casas têm como se transformarem em coisas com mais potencial e importância do que abandonadas como estão”, disse Thiago.

O artista, que mora no Rio de Janeiro, esteve em Barreirinha na última semana, e postou as fotos das “casas de Thiago de Mello” numa rede social na expectativa de sensibilizar os órgãos competentes. Ele tem esperanças de um dia ver as residências, onde o pai morou e ele mesmo passou boa parte de sua vida, restauradas e preservadas. “Sobretudo, porque são projetos do Lúcio Costa, que tem um valor arquitetônico imensurável, e de ter sido residência do meu pai por vários anos”, destaca.

Reaviver

Casa do Ramos.

O poeta também morou numa residência, projetada por Lúcio, na Freguesia do Andirá, Zona Rural de Barreirinha. Esta, conhecida como a Casa de Poesia Thiago de Mello, também precisa de manutenção para permanecer de pé. Mas, ao contrário das outras duas localizadas na cidade, há um projeto de revitalização sendo discutido para o imóvel que ainda pertence à família de Mello. Thiago Thiago disse que em breve deve retornar aquele lugar para iniciar a obra e deixar o espaço firme.

A ideia é tornar a Casa de Poesia Thiago de Mello em um pouso para amantes da poesia, da arquitetura, da arte e da Amazônia. “Para que possa manter a memória do meu pai e de todos os artistas viva. Vou atrás de recurso financeiro para fazer essa revitalização e espero que este movimento possa também transformar a situação das casas de Barreirinha porque se nada for feito vão acabar, assim como outras casas antigas de pessoas importantes no campo da arte que desapareceram”.

Planejamento

Casa de Poesia Thiago de Mello.

Em nota, a Prefeitura de Barrerinha informou que  aguarda o laudo de planejamento da Casa para a Secretaria de Obras  iniciar a restauração.”Eu preciso que o governo do Estado me estenda a mão uma vez que hoje, Barreirinha não dispõe de recursos, destacou o prefeito Glenio Seixas.

Imóvel já foi ‘ameaçado’ 

Em 2013, a Casa do Ramos foi ameaçada de demolição pela Prefeitura de Barreirinha por conta das obras de revitalização da orla da cidade. O fato causou polêmica e no mesmo ano foi anunciado à restauração e preservação do imóvel, mas isso nunca aconteceu.

Por Silane Souza

Fonte original da notícia: A Critica




Alunos de arquitetura da UFMG se recusam a fazer casa com área para empregados

Clique na imagem para ler na íntegra a nota.

Uma disciplina intitulada “Casa Grande” levantou polêmica na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além do nome da disciplina remeter ao período escravocrata brasileiro, seu conteúdo também reforçava essa referência e incluía a criação de um projeto de residência com quartos e banheiros para oito empregados.

Diante disso, o Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura (DAEA UFMG) publicou uma nota de repúdio sobre a disciplina e o projeto exigido por ela através de sua página do Facebook. A nota começa com uma pequena recapitulação da história brasileira, com referências a casa grande e à senzala, símbolos de hierarquia e separação entre escravos e a família do senhor do engenho.

“Após 129 anos da abolição da escravidão no Brasil, no entanto, a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro. Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888.”

A disciplina, ministrada pelo professor Otávio Curtiss, propunha a criação de um projeto de residência localizada em um condomínio de alto padrão na cidade de Nova Lima, vizinha de Belo Horizonte. Dentro da estrutura da casa deveriam ser criadas 5 suítes com banheiro completo, bem como uma zona de serviço, com “cozinha, lavanderia, despensa, depósito, quartos e banheiros para 8 empregados“.

Por Mari Dutra

Fonte original da notícia: Hypeness




Secult-Pe e Fundarpe acatam pedido de tombamento do Palácio Joaquim Nabuco, sede da Alepe

Prédio histórico da Alepe abrigará memória do Legislativo de Pernambuco.

A Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe acataram o pedido de tombamento do Palácio Joaquim Nabuco, sede da Assembleia Legislativa de Pernambuco. O pedido foi feito pelo presidente da casa legislativa, o deputado Guilherme Uchoa, fundamentado na documentação apresentada pela Superintendência de Preservação do Patrimônio Histórico do Legislativo do Estado de Pernambuco. A publicação do deferimento do pedido, assinado pelo secretário de Cultura Marcelino Granja, acontece numa data que será emblemática para o edifício histórico: é nesta quinta, 29, que acontece no Palácio Joaquim Nabuco a sua última reunião plenária.

O prédio histórico ficará como museu do Legislativo e da história dos pernambucanos, como já é sua vocação, comprovada pela visita de turistas de todo país e estudantes de várias instituições de ensino do estado. O novo plenário da Alepe funcionará num prédio novo, localizado na Rua da União, que também será inaugurado hoje (29).

O pedido de tombamento será suprimido da fase de notificação, já que o bem material é de propriedade do próprio Estado. “Após a publicidade do ato no Diário Oficial, o processo segue para o corpo técnico da Gerência de Preservação do Patrimônio da Fundarpe, que poderá acrescentar novas documentações e posteriormente encaminhar para a análise e decisão final do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural. Durante todo o trâmite do processo, o bem fica protegido como se já tombado estivesse”, esclarece Márcia Souto, presidente da Fundarpe.

No pedido para tombamento do imóvel, a Alepe argumenta que o tombamento garantirá a salvaguarda do edifício e seu acervo, configurando-se “como um reconhecimento, por parte do Estado de Pernambuco, da importância desse patrimônio para o Parlamento, para os seus membros e para todos os cidadãos, que têm direito a ter sua história divulgada e preservada, como herança para as futuras gerações”, defende Guilherme Uchôa.

Histórico – O Paço da Assembleia Legislativa de Pernambuco teve sua pedra fundamental assentada em 02 de dezembro de 1870, sendo concluído em 1875, quando passou a abrigar o Poder Legislativo Estadual de Pernambuco. O local está localizado nas proximidades do Palácio do Governo, às margens do rio Capibaribe, na Rua da Aurora, bairro da Boa Vista que, à época da construção do edifício, passou a receber sobrados de veraneio e edificações que abrigavam outras instituições públicas, tornando-se uma área nobre da cidade.

O projeto foi de autoria do major do Corpo de Engenheiros e Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas Tibúrcio de Magalhães, inspirado no estilo Neoclássico, que também norteou vários edifícios públicos daquele período, como o Palácio de Buckingham, na Inglaterra, e o Capitólio, nos Estados Unidos. Entre os elementos constitutivos do estilo Neoclássico presentes na edificação, podem ser destacados a simetria da planta baixa, em forma de cruz latina, a cúpula, estruturada por arcos, as colunas lisas e capiteis, frontão em formato triangular e o entablamento composto por frisos e cornijas.

Além do estilo predominantemente neoclássico, houve a utilização de elementos decorativos, em argamassa de estuque de cal e areia, que fazem referência à flora local e o uso de gradis em ferro fundido, que fazem a proteção dos parapeitos das galerias e das sacadas do Plenário e estão presentes na murada e portões da área externa, configurando a presença do ecletismo no partido arquitetônico.

Salão nobre do Palácio Joaquim Nabuco, com móveis dos anos 1870/80.

Em 2010, o prédio foi oficialmente reconhecido como Instituição Museológica pelo Instituto Brasileiro de Museus – Ibram e também está tombado, pela Fundarpe, através de decreto do ano de 1985, como parte do polígono da Rua da Aurora. Este tombamento de 1985 protege apenas a fachada e volumetria do edifício, e não sua estrutura interna e acervo.

O Museu da Alepe preserva boa parte dos móveis confeccionados especialmente para o Palácio Joaquim Nabuco nas décadas de 1870/80, e outros trazidos do Forte do Matos, sede inicial do Parlamento Pernambucano. As peças mais antigas são as cadeiras em couro lavrado, com solas pregadas na madeira com tachas. Além delas, integram o acervo mesas, marquesãos, consoles, cinzeiros, cuspideiras e outros itens importantes como a pinacoteca, os lustres, as arandelas e os elementos em madeira e em ferro fundido. Também conta com um extenso acervo documental histórico, único e raro, que registra a história da Casa Joaquim Nabuco e dos pernambucanos.

Para a Alepe, o tombamento da edificação contribuirá não só para preservação da memória do legislativo, da arquitetura e mobiliário nele contido, mas também contribuirá para a execução de projetos de restauro, manutenção preventiva e expansão dos projetos de visitação.

Fonte original da notícia: Cultura.PE




Conselho municipal tomba parque do Povo e prédios da Santa Casa em SP

Prédio principal da Santa Casa de São Paulo; complexo foi tombado por conselho municipal. Foto: Daniel Guimarães – Folhapress

O Conpresp, órgão responsável pela preservação do patrimônio municipal, decidiu tombar o complexo de prédios da Santa Casa, o parque Mário Pimenta Camargo, conhecido como parque do Povo, e o conjunto das antigas instalações da Oban (Operação Bandeirantes) e do DOI-Codi.

Os três ícones da arquitetura, da história e da cultura paulistana já eram tombados pelo Condephaat (órgão estadual do patrimônio) e tiveram o novo tombamento publicado no “Diário Oficial” do último sábado (10).

No caso da Santa Casa, localizada na região da Vila Buarque (centro), as instalações tombadas foram separadas em dois grupos, um com preservação integral das edificações, que inclui parte da construção original que margeia o jardim interno, e outro com preservação das fachadas, como o muro que delimita todo o complexo.

Já as antigas instalações da Oban e do DOI-Codi incluem imóveis localizados entre as ruas Tutóia, Tomás Carvalhal e Coronel Paulino Carlos, no Paraíso (zona sul). Entre eles, o do setor de inteligência do DOI-Codi, o do 36º DP, o pátio no setor central do conjunto, o prédio de alojamento e as guaritas.

A publicação aponta a importância “da identificação e divulgação pública das estruturas, locais, instituições e as circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos, suas eventuais ramificações nos diversos aparelhos estatais e na sociedade”. As instalações na zona sul foram usadas para prender e torturar opositores da ditadura.

Com o tombamento, qualquer intervenção nos três locais deverá ser previamente analisada e aprovada pelo DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) e pelo Conpresp.

No parque do Povo, até a poda de árvore deverá ser precedida de autorização do conselho. A Secretaria de Cultura afirma, no entanto, que vai estabelecer um protocolo para casos de manutenção corriqueiros e “apenas mudanças significativas deverão ser analisadas e aprovadas pelo conselho”. As atividades esportivas e culturais do local serão mantidas normalmente.

Crianças brincam no parque do Povo em domingo de sol; local também foi tombado pelo Conpresp. Apu Gomes – Folhapress

O parque, localizado no Itaim Bibi (zona oeste), está na lista do prefeito João Doria (PSDB) entre os que devem ser entregues à iniciativa privada.

Há duas semanas, a prefeitura já tinha tombado também, por meio do Conpresp, o cemitério da Consolação e a praça Dom José Gaspar, da Biblioteca Mário de Andrade, ambos localizados no centro da cidade.

Fonte original da notícia: Folha de S. Paulo




Imóveis históricos do Rio estão em péssimo estado de conservação

Palacete São Cornélio, na Glória. Fotos: Bruna Prado/Metro Rio

Palacete São Cornélio, casarões na Lapa, Hotel Glória, casas de Chiquinha Gonzaga e de Monteiro Lobato são alguns dos imóveis históricos do Rio encontrados em péssimo estado de conservação. Mesmo sendo protegidos e tombados, estão abandonados sem perspectiva de melhorias.

Caminhando pelo Rio Antigo, vemos belas construções com arquitetura do século 20. Imóveis que já tiveram seus dias de popularidade, como  o Hotel Glória, o Palacete São Cornélio e os casarões da Lapa estão abandonados. Além deles, as casas dos ícones da cultura brasileira, Monteiro Lobato e Chiquinha Gonzaga, estão em péssimo estado de conservação.

1 – Palacete São Cornélio. Obra parada

Construído em 1862, o Palacete São Cornélio, na Glória, foi doado à Santa Casa de Misericórdia, que instalou ali um asilo. Atualmente, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas o imóvel está vazio. Segundo o Iphan,  está em péssimo estado de conservação e ainda pertence à Santa Casa.

2 – Casarões na Lapa. Abandonados

Casarões na Lapa.

Sem numeração, pichados, vazios e à venda. Esse é o estado dos casarões da Lapa. Algumas casas são protegidas pelo Corredor Cultural, projeto da prefeitura que avalia a necessidade de obras, com objetivo de manter a fachada. Apesar da proteção, seguem abandonadas.

3 –  Chiquinha Gonzaga. Modificada

Chiquinha Gonzaga.

A casa de dois andares, na rua do Riachuelo, já pertenceu  à compositora da famosa marchinha “Ó Abre Alas”, Chiquinha Gonzaga (1847-1935), ícone da cultura brasileira. O imóvel, ex sede do Arquivo Nacional de Teatro, chegou a ser invadido, mas atualmente está abandonado.

4 – Monteiro Lobato. Mudança

Monteiro Lobato.

Muitos moradores da Tijuca não sabem, mas esta casa azul já pertenceu ao escritor Monteiro Lobato (1882-1948), autor das obras que deram origem ao “Sítio do Pica-pau Amarelo” da TV. Apesar de mal conservado, o imóvel é tombado. Mesmo assim teve a sua fachada modificada.

5 –  Hotel Glória. Falência

Hotel Glória.

O hotel já foi ponto de encontro de celebridades, políticos e chefes de Estado por conta da proximidade com o centro financeiro do Rio. Hoje, o Glória é o retrato do abandono: há correntes, cadeados, tapumes e pichações por todo lado. Em 2008, o empresário Eike Batista comprou o hotel com o objetivo de transformá-lo em um dos melhores do mundo, mas fracassou e revendeu. As obras estão paradas. Para manter a fachada tombada, havia sido iniciada a construção de outro prédio por dentro do antigo.  

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Moradores e pesquisadores elaboram relatório para tombamento da Vila Vicentina, em Fortaleza (CE)

Vila Vicentina surgiu por volta da década de 1940, no Bairro Dionísio Torres.

Parte da Vila Vincentina, em Fortaleza, foi destruída em outubro de 2016. (Foto: Diário do Nordeste)

Moradores, pesquisadores e profissionais elaboraram relatório técnico sobre a Vila Vicentina como parte processo de tombamento patrimonial da vila na Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). O pesquisador e estudante de arquitetura da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Átila, diz que o pedido de tombamento será entregue à Coordenação do Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (CPHC/Secultfor).

Átila diz que não há previsão para a resposta da prefeitura, mas o fato do órgão receber o pedido de tombamento mostra que os órgãos competentes estão cientes da importância da preservação da Vila que existe desde da década de 40. “A prefeitura não nos deu um prazo para fornecer seu posicionamento. No entanto, estamos esperançosos no veredito positivo, já que o estudo, o relatório teve a orientação do professor Romeu Duarte, do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC)”, explicou.

Em outubro de 2016, quatro casas foram demolidas após a aquisição das unidades por uma empresa. No mesmo mês, o juiz José Cavalcante Júnior, da 27ª Vara Cível, suspendeu a reintegração de posse e proibiu novas demolições na Vila.

Década de 1940

Como parte da ocupação histórica da área leste de Fortaleza, a Vila Vicentina surgiu por volta da década de 1940 como abrigo para viúvas, no antigo bairro da Estância, hoje Bairro Dionísio Torres. As 42 pequenas casas conjugadas, com tipologias e áreas diferentes, uma capela e um grande pátio arborizado na sua área central, transformado em um amplo quintal comunitário, para onde dão os fundos das residências, formam um importante conjunto de relevância arquitetônica, urbana e ambiental.

Atualmente cercada de prédios, a Vila Vicentina é uma das construções mais antigas do Bairro Dionísio Torres. (Foto: André Teixeira/G1 Ceará)

A elaboração da instrução do tombamento da Vila Vicentina, como patrimônio municipal, fundamenta-se nos artigos 9º e 10 do Capítulo III da Lei Municipal Nº 9.347, de 11/03/2008, cuja pertinência será analisada pela Coordenação do Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor.

Seu Raimundo é um dos moradores mais antigos da vila; ele chegou ao local em 1961: “tudo o que construí está aqui”. (Foto: André Teixeira/G1 Ceará)

 Fonte original da notícia: G1 CE



Prefeitura decreta tombamento da ‘Capela da Saudade’ em Uberlândia (MG)

Capela tem grande influência religiosa sobre comunidades locais de Uberlândia. (Foto: Reprodução/TV Integração)

A Capela da Saudade foi tombada como patrimônio histórico de Uberlândia a partir do decreto publicado nesta segunda-feira (8), no Diário Oficial do Município. A proposta de tombamento efetivada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Cultural de Uberlândia (Comphac) leva em consideração o valor histórico e cultural do imóvel, além da influência de religiosidade que o bem detém sobre as comunidades rurais da região.

O decreto assinado pelo prefeito Odelmo Leão e a secretária municipal de Cultura, Mônica Debs, veda qualquer intervenção estrutural no imóvel sem prévia concordância do Comphac. “Todos os elementos arquitetônicos da fachada frontal e lateral direita, tais como janelas, portas, balaustradas, vitrais, dentre outros, deverão ser preservados e só poderão ser alterados no sentido de reverter eventuais descaracterizações”, diz o decreto.

Os projetos de intervenção deverão ser elaborado por um arquiteto com experiência e formação comprovadas na área de conservação e restauração de bens culturais imóveis. Além disso, as cores da pintura de todas as fachadas da capela também deverão manter coerência com as características formais do prédio e do período construtivo.

História e arquitetura

A história da Capela da Saudade se molda às festividades religiosas da região rural conhecida como “Cruz Branca”. João Rezende, avó do atual proprietário da área, ergueu um cruzeiro e, depois, a construção foi realizada em caráter improvisado e só em 1899 é que foi erguida a capela pelo então genro de João, Francisco Pereira de Rezende.

O imóvel passou por uma reconstrução em 1954. Durante vários anos a capela foi espaço de celebração de missas, festas, cavalgadas e procissões.

O sistema construtivo emprega alvenaria estrutural, de tijolos maciços, assentados sobre alicerce de pedra que nivela a capela. As portas em madeira apresentam duas folhas. As janelas são metálicas com vidros coloridos. A cobertura se dá em duas águas, com telhas francesas, não originais.

O piso é de ladrilho hidráulico com desenhos geométricos e o acesso pela porta principal é feito por escada em cimento grosso, de forma circular. Possui dois óculos na fachada posterior, vedados por tela metálica.

Por Caroline Aleixo

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro