Curitiba (PR) – Croquis Urbanos completa cinco anos retratando a cidade em traços e cores

Croquis Urbanos celebra aniversário de cinco anos do grupo com encontro na Praça do Japão.

Correr no Parque Barigüi, passear pela Feirinha do Largo da Ordem, parar por algumas horas para contemplar e desenhar a cidade. Há cinco anos, esta última atividade integra a lista dos programas dominicais dos curitibanos que gostam de vivenciar a cidade e retratá-la em traços e cores a partir do projeto Croquis Urbanos Curitiba.

Criado em 2013, ele nasceu despretensioso da observação de Lia Mônica e do desejo de seu marido, o designer José Marconi, de se enturmar na cidade. “Tudo começou quando, da janela do nosso apartamento, em frente ao Paço da Liberdade, a Lia avistou o arquiteto Reinoldo Klein desenhando sozinho. Eu tinha chegado a Curitiba e estava precisando de algo para me enturmar, então pensei: vou falar com o Reinaldo para começarmos a desenhar juntos. No dia 11 de março de 2013 fizemos o primeiro encontro – eu, o Reinoldo e o Wagner Polak -, no Museu de Arte Contemporânea”, lembra Marconi. Desde então, mais de 250 eventos do Croquis Urbanos já foram realizados e reuniram cerca de 1 mil pessoas, em um cálculo aproximado.

Para participantes do grupo, desenhar a cidade é uma forma de exercitar a cidadania. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

Para marcar o quinto aniversário do projeto, o grupo Croquis Urbanos se reuniu na manhã deste domingo (11) na Praça do Japão, ícone de Curitiba e centro da discussão envolvendo a nova linha do ligeirão Norte-Sul. Para dar sequência à implantação do projeto, a prefeitura está abrindo um trecho da praça. A comunidade, por sua vez, pede a integridade do endereço.

Esta não é a primeira vez que o grupo desenha a Praça do Japão – outros dois encontros já ocorreram ali – ou outro local que desperta a atenção da cidade. Os “croquiseiros” já se reuniram para retratar o Palácio Belvedere, após o incêndio que danificou parte da estrutura do prédio, e a área do Antigo Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, que receberá o novo mercado Angeloni e para a qual a comunidade pede a criação de um parque.

“Quando desenhamos desenvolvemos uma intimidade com o tema e, com isso, acabamos nos apropriando dele. É uma espécie de exercício de cidadania, pois, por meio do desenho, você entende e conhece melhor a cidade e, assim, cuida melhor dela”, destaca Marconi.

A estudante de Design Gabriela Amaral, que participou pela primeira vez do Croquis Urbanos neste domingo (11), concorda e acrescenta que, além do cuidado, o exercício permite aos participantes refletirem sobre a utilização do espaço público da cidade pelas pessoas.

Pertencimento

Participantes utilizam diferentes técnicas para “dar vida” aos trabalhos. Na foto, Luiza de Sá Moreira. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

A paixão pelo desenho e o desejo de conhecer pessoas e criar uma rede de contatos são características comuns entre os integrantes do grupo. Este fato foi um dos pontos que atraiu a professora de arte Geceoni Jochelavicius para o projeto, há cerca de quatro anos. “Nós estamos na rua, fazendo desenhos, mas não estamos vulneráveis. Estamos amparados e nos fortalecemos e crescemos mutuamente, pois estamos sempre aprendendo uns com os outros”, avalia.

O aprendizado, aliás, é outra marca importante do projeto. Isso porque o Croquis Urbanos não recebe somente arquitetos, ilustradores, designers ou pessoas que já têm alguma habilidade com as diferentes técnicas de desenho (aquarela, grafite, giz de cera, lápis de cor, canetas hidrográficas, entre outros). Ao contrário, é aberto a todos que queiram aprender ou se aprimorar na arte do desenho.

Há cinco ano, grupo se reúne todos os domingos com o objetivo de retratar a cidade. Na foto, José Marconi e Rui Tavares. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

“Infelizmente no Brasil se vende a ideia de que desenhar é um dom, o que faz com que as pessoas se inibam. Desenhar é um aprendizado como outro qualquer e nós somos uma comunidade de aprendizagem com lugar para todos”, destaca Marconi.

Outro ponto que atrai a atenção de quem circula pelos lugares onde os “croquiseiros” estão reunidos é o tom de exclusividade dos trabalhos, que se dá não apenas devido à técnica utilizada por cada desenhista, mas especialmente pelo olhar que cada um deles tem em relação ao espaço a ser retratado. “É um momento de meditação, de educar o olhar”, resume a arquiteta Cel Paim, que há quase cinco anos participa do projeto.

Como participar

Lívia Albuquerque pinta em aquarela. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

Os encontros do Croquis Urbanos acontecem todos os domingos, às 9h30. Para participar, não é necessário fazer inscrição prévia. Basta comparecer ao local agendado com papel, caneta, lápis ou outros materiais de desenho e pintura. Na página do grupo do Facebook é possível acompanhar a agenda completa.

Por Sharon Abdalla

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Curso sobre patrimônio de Porto Alegre (RS) tem inscrições até 20 de março

Estátuas como esta do prédio do Margs, de 1914, ajudam a contar a história da Capital /José Francisco Alves/Divulgação/JC

Até 20 de março, estão abertas as inscrições para o curso Porto Alegre: Arte, monumentos e História, ministrado por José Francisco Alves, em promoção do Atelier Livre Xico Stockinger, da Secretaria Municipal da Cultura. As aulas são voltadas principalmente para guias de turismo, professores e interessados na história da Capital por meio de acervos e obras de arte ao ar livre.

Até 28 de junho, as aulas sobre arte urbana e arquitetura ao ar livre, com caminhadas e visitas dirigidas, ocorrerão em semanas intercaladas, iniciando em 22 de março, com encontros às quintas-feiras (às 19h), no Auditório do Atelier Livre (Érico Veríssimo, 307), numa semana; e na seguinte, aos sábados de manhã (das 10h às 12h). As ocasiões nos fins de semana, durante o dia, são para a realização de roteiros pela cidade, como o Centro Histórico, cemitérios e parques

Entre os temas dos encontros, um breve histórico da cidade, resgate da arquitetura historicista e da estatuária fachadista, e considerações sobre monumentos públicos e obras de arte moderna e contemporânea ao ar livre. Tendo valor total de R$ 250,00, o cronograma e o conteúdo completo do curso podem ser solicitados ao e-mail da instituição: alivre@smc.prefpoa.com.br- pelo qual também pode ser feita a inscrição. Contatos ainda pelos telefones (51) 3289-8057 e 3289-8058.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Artistas fazem movimento contra fechamento da Casa do Jongo, no Rio

A sede do Jongo da Serrinha fechou na semana passada por falta de condições financeiras. ONG de produção cultural dedicada à preservação da arte atendia 400 crianças.

G1. Divulgação/Internet

Um grupo de artistas fez uma manifestação na terça-feira (9), no Centro, em protesto contra o fechamento da sede do Jongo da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio. Por falta de condições financeiras, a instituição encerrou as atividades na semana passada.

Foi ao som dos tambores numa roda de dança alegre e pacífica que os manifestantes protestaram em defesa da Casa do Jongo. A coreógrafa Yza Diordi destaca os aspectos do jongo.

“No jongo não há violência. As regras são de alegria, de respeito. Não trabalhamos com a violência”, disse a coreógrafa.

Por falta de condições financeiras, a Casa do Jongo fechou as portas na semana passada. O grupo Jongo da Serrinha existe há mais de 50 anos e tem uma produção cultural dedicada à preservação das artes, do conhecimento e das raízes africanas do ritmo.

Projeto social

A casa atendia 400 crianças da comunidade da Serrinha com atividades educativas e culturais. Apesar do investimento de empresas privadas, a ONG contava com recursos do programa de fomento à cultura que foram reduzidos pela prefeitura.

“A gente chegou na Secretaria de Cultura e avisou que isso ia acontecer: olha, a gente precisa de um aporte, de um fôlego para conseguir novos parceiros porque nesse período a gente não vai conseguir, o que vai acontecer é que no final do ano a gente vai fechar. E foi exatamente isso que aconteceu. A gente ficou quase um ano esperando uma resposta da Secretaria de Cultura e em outubro – a primeira reunião foi em março – chegou uma resposta dizendo que não teria recursos, sendo que a gente viu que ela apoiou outros grupos, com perfis diferentes, inclusive mais comercial, do que o jongo. Então, para a gente, é insustentável manter uma turma de 400 alunos e uma visitação de duas mil pessoas por mês”, disse a coordenadora executiva do Jongo da Serrinha, Dyonne Boy.

O jongo, considerado o pai do samba, foi tombado em 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). E virou patrimônio imaterial do país. Hoje, 13 anos depois, corre risco de perder um de seus principais centros.

A Secretaria Municipal de Cultura afirmou que nunca suspendeu o financiamento à Casa do Jongo, e que os repasses sempre foram feitos via edital de fomento ou lei de incentivo. Ela disse ainda que a Casa do Jongo vai contar este ano recursos de fomento indireto e que o projeto aprovado para 2018 – uma captação de R$120 mil – não pode mais receber recursos por conta de um decreto. Segundo a secretaria, cabe à Casa do Jongo captar mais recursos junto a possíveis apoiadores.

Fonte original da notícia: G1 – Bom Dia Rio




Época dourada: descubra os belos conjuntos arquitetônicos de Congonhas (MG)

Famosa por fazer parte do Ciclo de Ouro, a cidade desperta a curiosidade de visitantes, além de ser casa das obras de Aleijadinho.

Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, com as imagens dos profetas, é um dos mais visitados. Foto: Wellerson Athaydes/Divulgação.

O nome Congonhas vem do tipo de vegetação encontrada nos campos, uma planta que os índios chamavam Congõi, que, em tupi, significa “o que sustenta”, “o que alimenta”. Situada em um vale e rodeada de montanhas, a cidade alimenta a alma dos que desejam reviver uma época dourada. Pepitas de ouro do tamanho de batatas fizeram a fama do lugar, na era do Ciclo de Ouro.

Congonhas é também bastante procurada por suas festas religiosas, que reúnem mais fiéis a cada ano durante as romarias. Quem visita a cidade, além de se encantar com a beleza histórica, pode saciar o apetite com a deliciosa comida típica mineira. Essa cidade é considerada perfeita para o turismo e lazer, porque reúne arte, história, culinária e beleza num só lugar.

Foi nessa cidade que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, esculpiu, em pedra sabão, as famosas imagens dos 12 profetas em tamanho real, visitadas anualmente por milhares de turistas de toda parte do mundo. Pela proximidade de Brasília, é um destino que dá para ir num fim de semana.

As imagens erguidas no espaço frente à basílica representam a Vila Sacra . Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press.

As belas imagens ficam no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Seis capelas que compõem o Jardim dos Passos, em frente à basílica, representam a via Sacra, com belíssimas imagens esculpidas em cedro também por esse grande artista barroco. Em 1985, todo esse conjunto foi tombado pela Unesco e transformado em patrimônio cultural da humanidade.

Peregrinação e arte

Antes de ser a “Cidade dos Profetas”, Congonhas foi e ainda é um grande centro de peregrinação. Todo ano, o município reúne milhares de fiéis em busca de cura das suas aflições. São aproximadamente 5 milhões de peregrinos que visitam Congonhas entre 7 e 14 de setembro, período em que é comemorado no município o jubileu do Senhor Bom Jesus do Matosinhos.

O município tem como maior fonte de renda a extração mineral e a indústria metalúrgica, com destaque para a mina de Casa de Pedra — Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Mina da Fábrica, antiga Ferteco Mineração S/A — hoje incorporada à Vale — e  a Mina Viga, que atualmente pertence à Ferrous, e à Gerdau Açominas.

Os principais atrativos do município são a Basílica Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Romaria, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Rosário, museu da Imagem e Memória e o Parque da Cachoeira.

O museu, inaugurado em 2015, tem obras sacras e barrocas . Foto: Leo Lara/Iphan

Construído para potencializar a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, sítio histórico que, desde 1985, detém o título de patrimônio mundial, o Museu de Congonhas abriga importantes acervos que tratam das manifestações da fé no passado e no presente, como a coleção Márcia de Moura Castro, formada por ex-votos e santos de devoção; a coleção de livros do Fábio França, que é referência no Brasil sobre o barroco, a arte e a fé; além das réplicas e cópias de segurança dos profetas de Aleijadinho.

A instituição também promove um programa intenso de exposições temporárias. Ano passado, por exemplo, a mostra Agridoce, do artista Haroon Gunn Salie – que estabelecia uma relação da tragédia de Bento Rodrigues, em Mariana, com a realidade mineradora de Congonhas, foi escolhida pela crítica especializada como uma das melhores apresentadas no Brasil.

O espaço, inaugurado em 2015, fruto da parceria entre a Prefeitura de Congonhas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco no Brasil) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tem, ainda, forte atuação cultural. Em sua programação constam apresentações artísticas, como espetáculos musicais, de dança, teatrais.

Também se tornou um espaço para a produção de conhecimento, com a realização de conferências, seminários, oficinas e cursos diversos. Estudantes da região de Congonhas e de instituições de todo o país têm visitado o espaço diariamente para desenvolver projetos de extensão da sala de aula. Também se qualificou como um roteiro imperdível para os turistas que visitam Minas Gerais.

Cachoeiras

Nem tanto cultural, nem tanto religioso. O roteiro de Congonhas oferece paradas incríveis para admirar e apreciar a natureza. O Parque Ecológico das Cachoeiras é um complexo de lazer e turismo composto por uma cachoeira natural e diversas piscinas para adultos e crianças. Está localizado a cinco quilômetros do centro da cidade, com infraestrutura completa!

A beleza natural da Cachoeira de Santo Antônio, que tem área represada para banho, é somada ao complexo de lazer que o parque tem. Antes mesmo de ter a infraestrutura do parque, a queda já era atração entre os moradores da região.

Ao redor da Cachoeira de Santo Antônio há uma área de preservação ecológica com mais de 70 mil metros quadrados. Na mata preservada é possível encontrar diversas espécies da fauna (maritacas, bem-te-vis, pintassilgos, lontras, pacas e o tatu-bandeira) e flora (cedro, jacarandá, quaresmeira e amescla).

Caminhando pelo parque, é possível também encontrar diversas nascentes de água potável. O acesso até a cachoeira se dá por meio de uma estrada não asfaltada, porém em boas condições.

Visite

Parque Ecológico das Cachoeiras
Av. Tenente Horácio Coelho, s/nº, Bairro Campinho – Congonhas
Telefone: (31) 3731-1911
Cidade dos profetas

Fonte original da notícia: Correio Braziliense




Céu de Querubins

Céu de Querubins é um documentário de Gustavo Massola, com duração de 25 minutos, que apresenta o seguinte contexto:

Aecio Sarti é um artista que pinta sobre lonas usadas de caminhão. A reutilização da lona faz com que sua funcionalidade original dê lugar à manifestação da arte.

Para o projeto Aecio pintou um “Céu de Querubins” sobre uma lona inteira de 12 x 8 metros. Inúmeros querubins representaram a proteção do caminhão frente às adversidades nas estradas brasileiras.

A lona pintada cobriu o carregamento de potes de barro que foi transportado por um motorista e seus dois assistentes. Tais potes são produzidos por mulheres de uma pequena comunidade no sertão baiano, com o propósito de serem utilizados em outras regiões sertanejas como recipientes que armazenam e mantém água fresca. A atividade dos caminhoneiros é comprar os potes novos, seguir por diferentes localidades e trocá-los pelos potes velhos, que então são levados ao sudeste para serem vendidos como objetos de decoração.

Essa foi a jornada testemunhada pelo “Céu de Querubins”.

Vale a pena assistir!

Documentary “Céu de Querubins” – 25 min. (with subtitles) from Gustavo Massola on Vimeo.

Fonte original do vídeo: Vimeo




Exposição reúne aquarelas de Florianópolis (SC) que serão transformadas em livro

Florianópolis será homenageada através da arte. A arquiteta e artista Gabriela Luft, natural de Florianópolis, está retratando as paisagens naturais e a riqueza cultural da ilha que serão transformadas em um livro de aquarelas.

Divulgação/Assessoria de Imprensa

O projeto criado pela artista, sob o título de “Floripa, sua Linda!” retrata com aproximadamente 350 aquarelas praias, igrejas, praças, fortalezas, casarios e monumentos. Entremeadas com mapas e referências da cidade, esboçam e resgatam vestígios históricos, culturais e naturais de Florianópolis. O livro tem previsão de lançamento para março de 2018, no aniversário da cidade.

Mas antes, de 5 a 27 de outubro, ocorre uma exposição com algumas das aquarelas originais que farão parte do livro, na galeria de arte do Banco BRDE no centro de Floripa. Além das obras do Projeto Floripa, Sua Linda!, a Mostra exibirá as aquarelas do artista Rudi Scaranto Dazzi. A galeria fica na Avenida Hercílio Luz, n. 617, Centro, Florianópolis.

Divulgação/Assessoria de Imprensa

Gabriela enfatiza que, “o livro é uma homenagem à nossa cidade, onde busco interpretar de acordo com minhas vivências e experiências a essência e a magia destes locais”.

O projeto Floripa, Sua Linda tem o incentivo da Lei Rouanet e da Lei Municipal de Cultura de Florianópolis, onde qualquer pessoa ou empresa pode contribuir, doando 6% de seu imposto de renda e/ou 20% do IPTU e ISS que pagam no município. Mais informações sobre o projeto na página do Facebook: Floripa, Sua linda.

Fonte original da notícia: Portal da Ilha




‘Papel da arte é fazer pensar’, diz pesquisadora após exposição sobre diversidade ser cancelada em Porto Alegre (RS)

Ataques nas redes sociais e no próprio museu motivaram o cancelamento. Para MBL, que coordenou as críticas, não é um caso de censura. Especialistas em arte e gênero discordam da decisão.

Exposição Queermuseu contava com 90 obras, de 270 artistas nacionais, abriu em 15 de agosto e iria até 8 de outubro. Foto: Marcelo Liotti Junio/Divulgação

O cancelamento de uma exposição de diversidade sexual em Porto Alegre, no último domingo (10), levantou a discussão sobre o papel da arte na sociedade. Para um grupo de pessoas, a mostra, que ganhou o nome de Queermuseu, foi considerada ofensiva porque, segundo eles, promoveria a pedofilia, zoofilia, além de um ataque contra a religião e os bons costumes. A reação foi coordenada pelo grupo Movimento Brasil Livre (MBL).

A exposição, sediada no Santander Cultural, no Centro de Porto Alegre entrou em cartaz no dia 15 de agosto e ficaria até o dia 8 de outubro.

Para Ana Albani de Carvalho, professora do Instituto de Artes da UFRGS e pesquisadora das relações entre arte e política, na arte moderna e contemporânea, não são raros os casos em que os artistas demonstram uma perspectiva crítica com certos temas que, muitas vezes, atingem o limite do intolerável para alguns públicos. Mas isso não significa que tais obras devam ser censuradas.

“É difícil para muitas pessoas fazerem uma apreciação de uma obra que apresenta algo polêmico, e que [na visão dos críticos] estaria fazendo uma apologia, quando na verdade essa obra tem sentido de crítica, de ironia”, avalia a pesquisadora.

Essa é a missão das obras artísticas, na visão de Ana. “Propor ao espectador que faça uma reflexão sobre o tema”. Por isso, um quadro com imagens de crianças, ou uma instalação com deboches à determinada religião, por exemplo, não devem ser levados ao pé da letra, nem interpretados como apologia. “Se a arte tivesse tanto poder de convencer alguém a praticar algo, considerando todas as obras que mostram coisas belas, nós viveríamos no paraíso”, analisa.

“A obra vai incentivar mais do que o próprio dia a dia da cidade? Do que os noticiários?”, comenta a especialista.

Ana, que também atua como curadora de arte nas instituições da cidade, foi na abertura da Queermuseu, em agosto, e lamenta a decisão de fechar a exposição. “O ideal seria trazer esses grupos [que criticaram as obras] para uma discussão aberta, junto com todos”.

O problema é que neste episódio específico, como comenta Ana, aqueles que levantaram acusações sobre a exposição não demonstram estarem abertos à troca de ideias. “Se uma pessoa chega com abertura, você estabelece um diálogo. Mas, se ela vem com a ideia pronta, fechada, agressiva, ou se reage com sarcasmo, tentando manipular ou afrontar as tuas palavras, isso fica difícil”, analisa.

Já a professora e pesquisadora de educação e relações de gênero da UFRGS Jane Felipe classificou como “lamentável” a reação de algumas pessoas.

“[Elas] visivelmente não compreendem que o principal papel da arte hoje é fazer pensar. Muitos ainda têm uma visão romântica da arte como sinônimo de beleza e perfeição, por isso talvez se choquem com algumas obras e não consigam entendê-las na sua dimensão de trazer algumas reflexões sobre determinados temas”, entende a pesquisadora.

“A arte está aí para fazer pensar e desestabilizar certezas. Não pode haver esse tipo de policiamento de uma arte mais certinha e mais palatável.”

Para Jane, o problema não está na arte nem nos artistas. “O problema está no desconhecimento e desinformação das pessoas, na falta de capacidade de abstrair e refletir sobre o mundo a partir de diversos pontos de vista. É preciso admirar, isto é, olhar com atenção, ficar em silêncio e refletir sobre o que a arte tem a nos oferecer”, salienta a professora.

Já a mestre em gênero, mídia e cultura Joanna Burigo entende que a situação está relacionada com atuação de grupos conservadores, que pretendem manter a ordem e a tradição, que, para ela, limita as possibilidades de expressão.

“É uma ordem social na qual sexo, sexualidade e identidade de gênero precisam ser constituídos de acordo com certas balizas: nominalmente, a heterossexualidade compulsória e a hierarquia de gênero”, descreve. “Expressar-se livremente contra mecanismos de controle não é um acinte – esta é a própria livre expressão”, observa ela.

Joanna diz não estar surpresa com o pedido de suspensão da exposição. “Até aí, nenhuma novidade. São eles os agentes da manutenção de uma ordem e uma tradição que excluem. O que assusta é o Santander ter acatado.” Ela, que é fundadora da Casa da Mãe Joanna, enxerga outra perspectiva para o caso: o de incentivar ainda mais a produção de arte “independentemente de censuras”.

‘Foi um nível de agressividade que eu nunca tinha visto’, diz curador

Em entrevista ao G1, o curador da exposição, Gaudêncio Fidelis, afirmou que foi xingado por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que estão envolvidos nos ataques, dentro do Santander Cultural. Além dele, frequentadores da mostra também foram abordados, o que Gaudêncio classifica como “ataques sistemáticos”, que iniciaram a partir de quarta-feira (6) e prosseguiram durante o fim de semana.

“Eles ingressaram na exposição atacando público com câmera em punho, perguntando se gostavam de pornografia, de pedofilia. Foi um nível de agressividade que eu nunca tinha visto. ” Segundo Gaudêncio, os seguranças intervieram e retiraram os integrantes do MBL do local, devido aos cuidados necessários com as obra.

O curador lembra que fotografias e vídeos no local são proibidos. “Não se pode ingressar em exposição e infringir direitos de imagem, não pode editar, tirar de todo o contexto, infringir todos os direitos, atribuir frases que não falaram.”

Página do Santander Cultural foi tomada por críticos à exposição Queermuseu, que foi cancelada neste domingo (10). Foto: Reprodução/Facebook/Santander Cultural

“Não é só incômodo, mas as manifestações nas redes sociais são, na maioria, de pessoas que não viram exposição”, entende o curador.

Questionado sobre a acusação de incitar pedofilia e zoofilia, Gaudêncio considera que as peças foram descontextualizadas e que o MBL criou uma falsa narrativa.

“Isso foi feito com base em narrativa falsa, imagens e vídeos editados. O MBL resolveu transformar a exposição como plataforma de visibilidade.”

Gaudêncio conta que soube do cancelamento da exposição por um amigo, via mensagem de whatsapp, ainda no domingo. “Foi um choque”, declara. “Estamos diante de uma situação complicada, grave e trágica para a comunidade artística brasileira. Um grupo (MBL) decidiu o que podemos e o que não podemos ver.”

Para coordenador do MBL, censura não é ‘questão central’

Em entrevista à rádio Gaúcha, um dos coordenadores do MBL, Kim Kataguiri, admitiu que o movimento organizou um boicote à exposição e ao próprio banco. Entre as ações estava a realização de campanhas pelas redes sociais. Por outro lado, ele negou os “ataques sistemáticos”, referidos pelo curador da exposição, por integrantes do MBL.

“Pedimos o boicote à exposição. Estava sendo obrigado a pagar, isso não foi só do MBL, mas de clientes do Santander, a empresa sofreu boicote. Hoje o verdadeiro rei é o consumidor, se o Santander tivesse que sobreviver com clientes que toleram zoofilia, pedofilia, mas eles não sobrevivem”, disse Kataguiri.

Questionado se a ação do MBL não foi uma prática de censura, Kim desconversou. “A questão central não é essa. Estou sendo obrigado a pagar [para entrar na exposição], muitos jornalistas disseram que o MBL não estava sendo liberal. Mas não existe maior expressão de livre mercado que o boicote.” Segundo a assessoria de imprensa do Santander Cultural, a entrada para a exposição era franca.

Outro que criticou a exposição é um dos fundadores do MBL e secretário de Serviços Públicos, Ramiro Rosário. “Intitulada Queermuseu, suas obras exaltam a sexualização de crianças, promovem abusos de animais e profanam imagens sagradas ao Cristianismo”, disse em seu site.

Na página, afirma que um grupo está organizando um processo criminal contra os responsáveis. O G1 procurou a assessoria de imprensa do secretário, que negou entrevista. “O secretário Ramiro Rosário não dará entrevista. As posições que ele defende foram publicadas em suas redes sociais no final de semana”, disse a assessoria.

Arquidiciocese manifesta ‘estranheza’ com a exposição

Após o episódio, a Arquidiocese de Porto Alegre emitiu uma nota, em que manifestou o que chamou de “estranheza” diante da exposição. Para a igreja, a exposição “utiliza de forma desrespeitosa símbolos, elementos e imagens, caricaturando a fé católica e a concepção de moral”. Ainda, o texto cita que “é urgente combater o preconceito e a discriminação em todas as suas manifestações”.

Contraponto

Em comunicado no Facebook, a instituição afirmou que “o objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia”.

Leia a íntegra da nota publicada no Facebook do Santander Cultural

Nos últimos dias, recebemos diversas manifestações críticas sobre a exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na Arte Brasileira. Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra.

O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia. Nosso papel, como um espaço cultural, é dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros para gerar reflexão. Sempre fazemos isso sem interferir no conteúdo para preservar a independência dos autores, e essa tem sido a maneira mais eficaz de levar ao público um trabalho inovador e de qualidade.

Desta vez, no entanto, ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana.

O Santander Cultural não chancela um tipo de arte, mas sim a arte na sua pluralidade, alicerçada no profundo respeito que temos por cada indivíduo. Por essa razão, decidimos encerrar a mostra neste domingo, 10/09. Garantimos, no entanto, que seguimos comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e outros grandes temas contemporâneos.

Por Janaína Azevedo e Hygino Vasconcellos

Fonte original da notícia: G1 RS




Florianópolis (SC) – Arte da renda de bilro e tramoias são ensinadas para crianças da Lagoa da Conceição

Fotos: Marco Favero / Agencia RBS

Yasmin e Ana Clara eram só atenção. Miravam, compenetradas, as mãos de rendeiras como Norma, cujos dedos laçavam e entrelaçavam a renda de bilro e tramoias, heranças da colonização açoriana e patrimônio cultural de Florianópolis. Ali, separadas por meio século de vida, a rendeira e as aprendizes davam continuidade à cultura mané, exemplo de uma Ilha que não existe mais, mas que busca através de gerações manter viva nos pequenos a riqueza e tradição do mais puro artesanato ilhéu. Assim foi a estreia do projeto Mãos que Ensinam Mãos, ocorrido no sábado, na Escola Básica Municipal Henrique Veras, na Lagoa da Conceição.

Além disso, a iniciativa visa dar oportunidade para que rendeiras e rendeiros, geralmente adultos e idosos, estejam mais próximos dos pequenos, fortalecendo o sentimento de utilidade e valorizando a contribuição desses artistas para a sociedade. Uma pesquisa feita pela orientadora educacional Diléia Pereira Bez Fontana observou que as rendeiras de Florianópolis não têm menos de 70 anos. A atividade, que para os antigos passava de geração em geração, hoje sobrevive nas mãos de gente como Norma Nunes D¿Ávila, 64 anos, que mora na Joaquina.

— Se as rendeiras não passarem os conhecimentos para as novas gerações, daqui a 20 anos não vamos mais ter rendeiras em Florianópolis. Então foi onde eu, trabalhando com crianças e idosos, percebi que precisava fazer algo para perpetuar a cultura açoriana — destaca Diléia, entusiasmada com a primeiro evento de um calendário que já prevê outras edições do Mãos que Ensinam Mãos que, daqui a três meses, estará em comunidades historicamente ligadas à renda de bilro, como Armação, no sul da Ilha, e Santo Antônio de Lisboa.

Vontade de criança

E parece que a ideia de Diléia deu certo. Pelo menos foi o que mostrou Yasmin Borchartt da Silva Vianna, 10, que há tempos dizia para a mãe que desejava aprender a arte da renda de bilro. Começou a gostar ao ver a matriarca fazer tricô, mas a pequena queria era a renda. No sábado realizou o desejo.

Além da renda de bilro, também pôde conhecer fuxico e bordados, outras duas oficinas de cultura popular. Aluna da escola Henrique Veras, Yasmin pode seguir aprendendo a renda todas as sextas-feiras, no contraturno escolar.

— Ela já até me falou que quer fazer a renda no contraturno. Amou – resumiu a mãe de Yasmin, Patrícia Borchartt da Silva.

Vizinhas na Joaquina e companheiras na renda

Quem também vai seguir aprendendo o ofício tão em desuso é Ana Clara Lima da Silva, 10. A garota conseguiu como professora de renda de bilro sua vizinha na Joaquina, a rendeira Norma. Atenta, mal desviou o olhar da atividade para falar com a reportagem, queria captar todos os detalhes do que as mãos da sexagenária faziam. A rendeira, que trabalha com a tradição desde os oito anos, se diz feliz de poder ensinar aos pequenos um pouco do que os anos lhe ensinaram.

— As crianças não vão trabalhar com a renda, como a gente, mas também não vão deixar a tradição acabar. Por isso que é muito bom ensiná-las – disse Norma, prontamente acompanhada pela vizinha Ana Clara.

– Estou gostando muito – definiu a pequena.

Por Leonardo Thomé

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Duas casas que pertenceram ao poeta Thiago de Mello estão abandonadas, em Barreirinha (AM)

Projeto dos imóveis foi assinado pelo renomado arquiteto Lúcio Costa, autor do plano piloto de Brasília.

Duas casas que pertenceram a Thiago de Mello estão abandonadas. Na Foto, Porantim do Bom Socorro. Fotos: Arquivo pessoal

Duas casas que pertenceram ao poeta Thiago de Mello e tem projeto assinado pelo renomado arquiteto Lúcio Costa, autor do plano piloto de Brasília, sofrem com o abandono e a falta de manutenção, na cidade de Barreirinha (a 331 quilômetros de Manaus). Os imóveis conhecidos como Porantim do Bom Socorro e Casa do Ramos foram vendidos para o Governo do Amazonas em 1992 e 2005, respectivamente, e depois repassados para a prefeitura do município para servir de espaço cultural.

Contudo até hoje as residências não passaram por restauração nem reparos, como mostram as fotos feitas pelo cantor e compositor Thiago de Mello, filho do poeta. Nas imagens, ambas aparecem em condições precárias. “É muito triste vê um lugar que teve tanta vida, recebeu tanta gente do povo (artista, poeta) não servindo para nada de produtivo. Essas casas têm como se transformarem em coisas com mais potencial e importância do que abandonadas como estão”, disse Thiago.

O artista, que mora no Rio de Janeiro, esteve em Barreirinha na última semana, e postou as fotos das “casas de Thiago de Mello” numa rede social na expectativa de sensibilizar os órgãos competentes. Ele tem esperanças de um dia ver as residências, onde o pai morou e ele mesmo passou boa parte de sua vida, restauradas e preservadas. “Sobretudo, porque são projetos do Lúcio Costa, que tem um valor arquitetônico imensurável, e de ter sido residência do meu pai por vários anos”, destaca.

Reaviver

Casa do Ramos.

O poeta também morou numa residência, projetada por Lúcio, na Freguesia do Andirá, Zona Rural de Barreirinha. Esta, conhecida como a Casa de Poesia Thiago de Mello, também precisa de manutenção para permanecer de pé. Mas, ao contrário das outras duas localizadas na cidade, há um projeto de revitalização sendo discutido para o imóvel que ainda pertence à família de Mello. Thiago Thiago disse que em breve deve retornar aquele lugar para iniciar a obra e deixar o espaço firme.

A ideia é tornar a Casa de Poesia Thiago de Mello em um pouso para amantes da poesia, da arquitetura, da arte e da Amazônia. “Para que possa manter a memória do meu pai e de todos os artistas viva. Vou atrás de recurso financeiro para fazer essa revitalização e espero que este movimento possa também transformar a situação das casas de Barreirinha porque se nada for feito vão acabar, assim como outras casas antigas de pessoas importantes no campo da arte que desapareceram”.

Planejamento

Casa de Poesia Thiago de Mello.

Em nota, a Prefeitura de Barrerinha informou que  aguarda o laudo de planejamento da Casa para a Secretaria de Obras  iniciar a restauração.”Eu preciso que o governo do Estado me estenda a mão uma vez que hoje, Barreirinha não dispõe de recursos, destacou o prefeito Glenio Seixas.

Imóvel já foi ‘ameaçado’ 

Em 2013, a Casa do Ramos foi ameaçada de demolição pela Prefeitura de Barreirinha por conta das obras de revitalização da orla da cidade. O fato causou polêmica e no mesmo ano foi anunciado à restauração e preservação do imóvel, mas isso nunca aconteceu.

Por Silane Souza

Fonte original da notícia: A Critica




Dourados (MS) – Abandono não tirou o brilho da casa que hoje é recanto de arte e cultura

Quem entra pelo portão pequeno da Casa Colaborativa Casa dos Ventos, em Dourados, já sabe que o lugar é diferente. Foto: Helio de Freitas

As pinturas transmitem alegria e o barulho das árvores que permeia a residência traz de volta a calmaria. Quem entra pelo portão pequeno da Casa Colaborativa Casa dos Ventos, em Dourados, já sabe que o lugar é diferente. Pensado por quatro mulheres dispostas a criar e viver da arte, o lugar que completou 5 anos é pioneiro no Estado e recheado de histórias.

Além de agitar a união dos coletivos, a casa surgiu para criação e apoio à arte. Quem está a frente da Casa dos Ventos atualmente é a artista plástica Fabiana Fernandes, de 29 anos. “A ideia surgiu comigo e mais três amigas, artistas locais, diante da falta de espaço público para ensaios e criações. E por isso a gente pensou em uma casa colaborativa para que houvesse uma troca mútua entre artistas e comunidade”, explica Fabiana.

No início, a ideia era mostrar que a casa tinha arte e espaço para uma série de trabalhos com música, circo e produção cultural. “Customizávamos roupas, havia bazar e produtos artesanais. Mas em questão de meses precisamos mudar para um lugar maior e dar espaço a um novo conceito”.

A primeira residência, embora pequena, também era de madeira quando as amigas deram o primeiro passo para a Casa dos Ventos. Meses depois, uma enorme casa abandonada se tornou sede para os sonhos de Fabiana. “Aqui essa casa é alugada e quando chegamos aqui ela estava totalmente abandonada. Na base da colaboração começamos a dar um trato em tudo. Aos poucos estou colocando em prática o processo de restauração”, detalha.

A casa com mais de dez cômodos, se tornou a primeira Rede Cultural e Ecológica especializada em arte e eco educação integrada e colaborativa. Se tornou um laboratório de ações coletivas e orgânicas. Ali são oferecidas oficinas à comunidade e nas vivências cotidianas, surgem reflexões sobre questões de gênero, étnico-raciais, ecológicas, novas tecnologias e produção cultural colaborativa.

“Há um intercambio cultural de arte educadores, artistas e permacultores, fomentamos a formação nas áreas de música, circo, teatro, audiovisual, artes visuais, artesanato, agricultura urbana e cultura urbana. Hoje Casa dos Ventos é considerada a maior casa de cultura não governamental do estado”.

Fabiana conta que cresceu em uma família de artistas e que por isso, foi motivada a criar a um espaço que fizesse a diferença. “Estava cansada de não ter um espaço para trabalhar e acredito muito na importância de dar uma oportunidade a todos. O que me motiva é isso e faço questão de lembrar que a casa não é uma empresa, mas um porta para ter acesso à arte”, afirma.

A Casa dos Ventos está aberta para visitação pública das 16h às 20h durante todos os dias. No entanto, alguns horários são reservados para a prática de atividades cotidianas na horta, na cozinha e biblioteca comunitária. O público é livre para interagir com a ideias discutidas na casa e construir a coletividade. Informações pela página do Facebook.

Fonte original da notícia: Lado B – Campo Grande News