Salvador (BA) – Donos de imóveis terão descontos para fazer reforma no Centro Histórico

Mais de R$ 28 milhões serão investidos em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do quarto eixo do programa Salvador 360.

Evento de lançamento do programa Salvador 360 Centro Histórico, no Fera Palace Hotel. Foto: Betto Jr./Correio

Proprietários de imóveis que estão em situação precária, no Centro Histórico de Salvador, terão um incentivo a mais para fazer a reforma dos prédios e casarões. Nesta segunda-feira (21), a prefeitura anunciou que dará isenção e descontos de impostos para quem fizer a recuperação das estruturas e dar uma funcionalidade aos espaços. A ação faz parte do quarto eixo do programa Salvador 360, lançado pelo prefeito ACM Neto, que anunciou mais R$ 28 milhões em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do programa na área da cidade.

“É o projeto mais completo já realizado pelo poder público municipal para o Centro Histórico. O objetivo principal é garantir uma revitalização consistente, com a presença não só de um comércio pulsante e uma vida econômica ativa, mas também de órgãos públicos e novas habitações, e toda uma condição de mobilidade e urbanização que vão projetar o futuro da região”, afirmou Neto, durante o lançamento no Fera Palace Hotel, na Rua Chile.

Segundo o secretário municipal de Turismo (Secult), Claudio Tinoco, atualmente existem cerca de 500 imóveis nessa situação no Centro Histórico e arredores. As ações de incentivo fiscal serão dividas em duas fases, com isenção de impostos como ISS (serviço), IPTU (propriedade de imóvel) e ITIV (transferência de imóvel).

Segundo ele, isso já representa “um impacto muito significativo porque é a isenção total”. “Depois que a obra for concluída, eles terão descontos nesses impostos”, completa o secretário.

Repercussão
Quem frequenta o local ficou feliz com a notícia. A fisioterapeuta Aline Camargo, 31 anos, acredita que as reformas são uma necessidade urgente. “São muitos casarões lindos e importantes historicamente, mas que estão abandonados, se perdendo no tempo e oferecendo risco de desabar. É preciso que alguém olhe mesmo para essas questões”, opina.

Para o comerciante da Praça da Sé Akin Olabode, 32, que deixou a Nigéria há dois anos para morar na Bahia, as ações também são necessárias. “Muita coisa já foi feita, mas ainda precisa melhorar. Salvador é uma cidade linda e quanto mais linda ficar, mais clientes teremos”, prevê.

Confira um vídeo divulgado pela prefeitura que explica outros detalhes e projetos do eixo Centro Histórico:

Outros eixos
Três eixos do Salvador 360 já foram lançados este ano. Em maio, foi lançado o Salvador Simplifica, que tem como objetivo reestruturar o modelo atual de licenciamento e abertura de empresas, obras e publicidade, promovendo facilidades no atendimento aos cidadãos. Em junho, a prefeitura lançou o Salvador Negócios, que é destinado ao estímulo para atração de empresas, através de incentivos fiscais e treinamento de mão de obra qualificada, entre outros pontos.

Em julho, foi a vez do Salvador Investe, destinado aos investimentos públicos, que alcança o montante de R$ 3 milhões. Parte do valor a ser investido será captada por meio de concessões e parcerias público-privada (PPPs).

Por Gil Santos

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Painéis portugueses irão passar por restauro na Igreja da Ordem Terceira

Joá Souza | Ag. A Tarde

Com sinais de deterioração pela ação do tempo, o conjunto de painéis de azulejos portugueses ao redor do claustro da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, localizada no Terreiro de Jesus, terá investimento de R$ 10 mil para a realização de ações emergenciais.

O recurso foi anunciado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA) para a obra que possui 207 anos e passou por restauro há 15 anos.

Por meio da assessoria de comunicação, o Ipac informou que deverá aguardar o parecer técnico para estabelecer que tipo de intervenção será mais apropriada para fazer a manutenção do painel, o que deverá ocorrer nos próximos dias.

Atribuída a autoria ao mestre português Valentim de Almeida, a obra encomendada durante o reinado de dom João V e distribuída por cerca de 85 metros quadrados no Centro Histórico de Salvador tem se desmanchado por causa da infiltração no templo religioso.

O conjunto arquitetônico erguido em 1587 narra o cortejo naval de partida da princesa Mariana Vitória de Bourbon e Farnésio para casar com o príncipe herdeiro dom José I; a chegada do casal real a Portugal pelo rio Tejo; a recepção popular pela capital do país; e uma Lisboa ainda com 12 arcos.

Vistoria

O tombamento do conjunto da igreja ocorreu em 1939 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que, em nota, informou que “fará uma vistoria conjunta com o Ipac no local na próxima semana para tratar das intervenções e para fazer um diagnóstico do que precisa ser realizado e priorizado”.

O instituto relatou ainda que “o bem não está contemplado no PAC Cidades Históricas”, além de esclarecer que “realiza a fiscalização do estado de conservação dos bens tombados, cabendo ao proprietário a manutenção e a conservação do imóvel”.

A última restauração foi capitaneada pela equipe da fundação portuguesa Ricardo do Espírito Santo, em um trabalho que durou três anos, de 1999 a 2002. Como a intervenção não incluiu a impermeabilização das paredes, a obra voltou a ficar ameaçada.

A Ordem se mantém com o aluguel de imóveis, doações, colaborações, venda de souvenirs e cobrança de uma taxa de visitação no valor de R$ 5. Segundo o diretor de patrimônio da irmandade, Cláudio Seixas, faltam recursos para a manutenção do templo religioso. “O trabalho de restauração não é um serviço barato. Essa igreja foi construída com a colaboração da irmandade”, informou Seixas.

Análise

Prestadora de serviço na Ordem, a arquiteta Karin Hartmann diz que, apesar de haver azulejos em toda a igreja, os que adornam o claustro são os mais afetados. “Além da infiltração, que não detectamos de onde vem, se de baixo ou de cima, eles ficam expostos no espaço aberto”, avalia.

A profissional indica algumas etapas a serem cumpridas para evitar a soltura das peças, a começar pela implantação de uma tela protetora. “Primeiro, para evitar que caiam e que se perca parte da história pouco conhecida de Lisboa, antes do terremoto que a devastou, em 1755”, explica.

Em seguida, continua, é preciso remover os azulejos, colocar placas de cimento na parede para evitar o contato das peças com a umidade, fazer o restauro e, por fim, reaplicá-los. “Há mão de obra qualificada em Salvador, mas é um processo caro. Estamos buscando obter recursos”, afirma.

Por Franco Adailton

Fonte original da notícia: A Tarde




Salvador (BA) – Nova sede da Fundação Gregório de Mattos será no antigo Hotel Castro Alves

Prefeitura divulga detalhes do projeto que irá ocupar o espaço abandonado na Barroquinha nesta quarta-feira (2).

O prédio do antigo Hotel Castro Alves, na Ladeira da Barroquinha. Foto: Arquivo Correio

O projeto de recuperação do antigo imóvel no qual funcionava o Hotel Castro Alves, um símbolo da região da Barroquinha, em Salvador, além de três estruturas anexas, darão lugar à nova sede da Fundação Gregório de Mattos (FGM), órgão da prefeitura voltado para o fomento à cultura.

Nesta quarta-feira (2), o prefeito ACM Neto e o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, vão divulgar os detalhes do projeto, a partir das 15h, no Espaço Cultural da Barroquinha (em frente à Praça Castro Alves). Também estarão presentes representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), demais autoridades e representantes da classe cultural.

Realizado em parceria entre a Prefeitura e Iphan, o projeto de instalação da nova sede da FGM contará com investimento de R$ 9,5 milhões, sendo R$ 1,5 milhão já aplicados pela administração municipal no processo de desapropriação. Por conta do abandono, parte do prédio que irá abrigar a FGM chegou a desabar em abril de 2008. O Iphan já deu início ao trabalho de limpeza do local.

Instalações extras
Além da estrutura administrativa, o equipamento prevê a instalação de um café-teatro; espaço para cursos, oficinas e ensaios; reserva técnica e auditório. As salas vão abrigar ainda a sede dos conselhos Municipal de Políticas Culturais (CMPC) e Consultivo do Patrimônio Cultural (CCPC).

Com isso, segundo a prefeitura, a intenção é transformar o local em um complexo cultural, que envolve os já existentes Espaço de Cinema Glauber Rocha, o Espaço Cultural da Barroquinha e o Teatro Gregório de Mattos (TGM). A ação faz parte do programa Salvador 360, eixo Centro Histórico, que deverá ser lançado ainda neste mês de agosto.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Ruínas de maternidade no Rio Vermelho recontam parte da história e de figuras ilustres do bairro mais boêmio de Salvador

Terreno situado no Morro do Menino Jesus, que fica em frente à praia do Buracão, está sem destino definido há mais de 30 anos.

Foto da antiga maternidade Nita Costa e Hospital da Criança. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Abrigo dos boêmios, o bairro do Rio Vermelho tem em cada rua parte da história de Salvador. Com relíquias escondidas em muros, prédios e casas, as ruínas em um terreno que já sediou hospital e maternidade revelam parte dessa riqueza histórica. Mais de 30 anos após a desativação do local na década de 80, a área de mais de 19 mil metros quadrados já foi alvo de polêmica com moradores da região e continua sem destino definido.

Vigiada por apenas um segurança, o espaço foi, segundo o historiador e escritor Ubaldo Marques, a maternidade pública mais importante do estado da Bahia, assim como o Hospital da Criança, que era referência. “A maternidade era uma construção monumental, com fachada principal e escadarias de acesso voltadas para a Rua Marquês de Monte Santo e entrada para ambulância e outros veículos por uma passagem lateral, vizinha à Rua do Barro Vermelho”, diz o trecho do livro “Rio Vermelho”, de Ubaldo Marques, publicado em 1991.

Ruínas da escadaria da antiga maternidade Nita Costa. Foto: Danutta Rodrigues/G1

Hoje, o que restou do complexo de saúde, inaugurado em 25 de dezembro de 1936, foi apenas a escadaria da conhecida Maternidade Nita Costa, construída apenas em 1952. “Ali era uma propriedade particular, de Adolfo Moreira, que era morador do bairro e foi o maior benemérito que o Rio Vermelho teve. Ele desmembrou uma parte da antiga fazenda dele para a construção do Hospital da Criança”, conta Ubaldo Marques.

De acordo com o historiador, o terreno foi doado com a garantia de que o espaço servisse para a finalidade de instituição pública de saúde. Ele diz que no documento de doação tinha uma cláusula garantindo que, no dia que o local deixasse de cumprir com as finalidades beneficentes, o bem doado, assim como todos os benefícios, voltaria para o poder do doador e os respectivos herdeiros.

Palacete Alfredo Magalhães, onde atualmente fica o restaurante Fogo de Chão, no Rio Vermelho. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

O responsável pela construção do Hospital da Criança, que foi referência em pediatria no estado, foi o médico Alfredo Magalhães, também morador do Rio Vermelho, que conseguiu viabilizar o espaço por meio de campanhas. Ele era presidente do Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Bahia (IPAI-BA), instituição filantrópica fundada em 11 de junho de 1903, por ele e também pelo médico Joaquim Augusto Tanajura. O IPAI-BA tinha como objetivo a proteção materno-infantil.

“Era um hospital tradicional e era referência na área da pediatria. Alfredo era conhecido a nível nacional. Ele tinha uma casa belíssima, que é onde fica atualmente o restaurante Fogo de Chão, próximo ao Largo da Mariquita”, conta o pesquisador e arquiteto italiano Federico Calabrese, autor da tese de mestrado “Estudos de Requalificação e de Valorização Urbana e Paisagística do Rio Vermelho em Salvador”.

Em 1930, a convite de Alfredo Magalhães, Leonina Nita Barbosa Sousa Costa, conhecida como Nita Costa, torna-se vice-presidente do IPAI-BA. Em 1943, após a morte de Magalhães, ela ocupa a presidência, quando o Hospital da Criança passou a levar o nome do médico. Já em 1952 é construída a ala da Maternidade Nita Costa, no período do governo de Luís Régis Pacheco (entre 1951 e 1955), que viria a se tornar a melhor do estado.

À esquerda, a fachada da Maternidade Nita Costa; à direita, Hospital das Crianças já em ruínas no final da década de 1950. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Natural de Feira de Santana, Nita Costa prosseguiu com o trabalho de Alfredo Magalhães e pelo importante papel na questão assistencialista e política, a maternidade levou o nome dela. Nita Costa foi uma das fundadoras do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na Bahia e a primeira deputada federal do nordeste do país, em 1955, quando a bancada feminina possuía apenas duas cadeiras, segundo registros do centro de pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Seguindo pelo terreno que fica no Morro do Menino Jesus, um pouco da história do bairro descoberto antes mesmo de Salvador, em 1509, por Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, vai se revelando. Ao fundo, tem a praia do Buracão, uma das mais badaladas de Salvador, e à frente um posto de gasolina, que já foi uma fábrica de papel.

As ruínas da maternidade Nita Costa ainda abriga muitas histórias dos personagens que por lá passaram. Segundo o historiador Ubaldo Marques, foi lá na instituição pública onde nasceu uma moradora ilustre do bairro, Lindinalva de Assis, mais conhecida como ‘Dinha do Acarajé’.

Muito frequentado por músicos, boêmios, turistas e baianos, o Largo de Santana, que fica no Rio Vermelho, até hoje é conhecido popularmente como Largo de ‘Dinha’, tamanha a fama da baiana de acarajé que morreu aos 56 anos, em 2008.

À esquerda, a Praia do Buracão; à direita, a chaminé da antiga fábrica de papel do Rio Vermelho. Foto: Danutta Rodrigues/G1

O historiador Ubaldo Marques conta que o hospital e maternidade foram fechados por questões políticas, a partir do surgimento de outra maternidade, já no governo que sucedeu o de Régis Pacheco. “Foi construída a Tysila Balbino, no governo de Antônio Balbino. O governador queria que a ‘dele’ fosse a melhor da Bahia e mandou trancar todos os recursos da maternidade Nita Costa. E aí ela fechou. Foi um ato criminoso. Depois veio o governador Juracy Magalhães e não reativou. A construção monumental entrou em processo de ruínas”, conta o historiador.

O fechamento ocorreu em junho de 1959. Apesar disso, uma pequena ala do complexo de saúde continuou a funcionar como casa de órfãos até 1983, o que manteve o terreno a serviço da comunidade. Porém, com o fechamento total dos espaços do terreno, ele deveria ter voltado ao poder da família dos donos, mas segundo Ubaldo Marques, a área passou a ser do governo do estado.

“Não se sabe em qual governador, mas o terreno passou a ser do IAPSEB (Instituto de Assistência e Previdência dos Servidores do Estado da Bahia), de forma ilegal. Na época de funcionamento dessa instituição de órfãos, já eram ruínas as unidades do terreno. Depois, o governador Valdir Pires quis fazer um centro integrado do menor lá no espaço. O projeto foi até feito por Oscar Niemeyer. Aí, quando passaram o trator e quebraram a obrigação prevista na doação [de ser um espaço filantrópico], um empresário comprou o terreno da família de Adolfo Moreira e entrou na Justiça contra o Estado”, conta Ubaldo Marques.

De acordo com o historiador, o empresário, que ele não divulgou de quem seria, não tinha interesse em fazer um empreendimento e vendeu para exploração imobiliária. “Dizem que ali se tornaria um condomínio de luxo”, conta Marques.

Lauro Matta, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (AMARV), conta que há mais de dois anos foi chamado para uma reunião com a construtora Odebrecht e a Associação dos Moradores da rua Barro Vermelho, onde fica o terreno, para falar sobre os planos da empreiteira à época.

“A princípio, seria uma torre com 20 andares, uma por andar, e no mesmo terreno, um hotel seis estrelas, e seria o mais luxuoso e melhor do nordeste. Mas os moradores da rua Barro Vermelho chegaram até a sugerir que eles construíssem uma praça”, lembra o presidente.

O historiador Ubaldo Marques desaprova a possibilidade de que o local se transformasse dessa forma. “Chega de grandes prédios no Rio Vermelho. É um bairro histórico, não tem um centro cultural aberto para o público, em uma localização privilegiada. Aquela escadaria poderia ser preservada, é lindíssima”, diz Marques.

O G1 tentou contato com a Associação dos Moradores da rua Barro Vermelho, que também seria contrária à construção de um empreendimento imobiliário no local, mas até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. A reportagem também não conseguiu acesso ao espaço interno do terreno.

De acordo com a empresa de segurança que atualmente toma conta da área, que é cercada por muro e tem a lateral fechada com placas de alumínio, a Odebrecht vendeu o terreno para a BV Financeira, que é do grupo Votorantim, mas a reportagem não conseguiu contato com os atuais donos do espaço. A Odebrecht confirmou, na manhã de terça-feira (1º), que a venda do terreno ocorreu em 2016.

Área onde funcionava a antiga maternidade e Hospital da Criança no Rio Vermelho. Foto: Danutta Rodrigues/G1

O pesquisador e arquiteto Federico Calabrese aposta em uma restauração do espaço e preservação da memória do bairro.

“O Rio Vermelho é uma área de proteção paisagística natural pelo município, pela Lous [Lei de Ordenamento e Uso do Solo]. Depois, tem alguns prédios tombados, pelo Ipac e Iphan, como a igreja de Santana, a Casa de Jorge Amado, a casa onde tem a academia Vila Forma, algumas edificações tombadas, mas o resto não tem nenhum tipo de proteção. Tem o resto de uma fábrica de papel, que [os atuais donos] preservaram aquela chaminé. O Rio Vermelho tem vários elementos que são patrimônios antigos. Um bairro a ser estudado. Um bairro que tem vida na cidade”, declara Calabrese.

Rampa de acesso às ambulâncias do antigo hospital e maternidade continua conservada. Foto: Danutta Rodrigues/G1

Segundo ele, não há nenhum tipo de proteção para o espaço onde foi o Hospital da Criança e Maternidade Nita Costa. “A escadaria é muito monumental, porque o hospital estava lá em cima. Era escadaria de acesso ao hospital. Eu trabalho na UFBA, sou professor, sou envolvido com patrimônio. Aqui [em Salvador] é muito difícil. Lá [no terreno] não tem quase nada. Nem sei por que eles não demoliram essa escadaria”, ironiza.

“O Estado tinha que aproveitar para fins de utilidade pública. Deveria desapropriar e construir um centro cultural ali. O Rio Vermelho não tem. É um bairro artístico e histórico. Chega de trazer prédios para o bairro. Ninguém aguenta mais. Jogar mais um equipamento imobiliário ali é crime”, sugere Ubaldo Marques, que também é morador da região desde os 13 anos, quando o local era apenas de veraneio. Enquanto o sonho do historiador não se concretiza, as ruínas seguem sem futuro definido no lugar mais charmoso da cidade, onde a noite nunca termina.

Imagem da praia do Rio Vermelho na primeira metade do século XX. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Por Danutta Rodrigues

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Instituto do Cacau será reformado cinco anos após incêndio

Obra vai custar R$ 1,7 milhão e terá início no mês que vem; resultado da licitação foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Cinco anos após o incêndio, o terceiro andar ainda permanece interditado; obras começam em agosto. Foto: Evandro Veiga/Arquivo Correio

Cinco anos depois do incêndio que destruiu o terceiro andar do Instituto do Cacau, no bairro do Comércio, em Salvador, finalmente o prédio vai ser reformado. A Secretaria da Administração do Estado (Saeb) publicou no Diário Oficial do último final de semana o resultado da licitação para recuperação estrutural da laje da cobertura e casa de máquina do prédio, que contará com um investimento de R$ 1,7 milhão. As obras serão realizadas pela AMF Engenharia e Serviços Ltda e terão início ainda neste mês de agosto.

Em 17 de janeiro deste ano, a Saeb havia divulgado que mais R$ 2 milhões seriam investidos na primeira etapa da obra. O edital chegou a ser publicado e a licitação marcada para 20 de fevereiro. No entanto, uma ação popular, liderada pelo advogado Bruno Almeida, conseguiu suspender a licitação, alegando que o projeto não possuía aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Na ocasião, o Iphan havia confirmado que seria necessária a análise e autorização deles para que ocorressem reformas no imóvel, pois o Instituto do Cacau fica em uma região do Comércio tombada pelo órgão, estando também sob a proteção dele.

A liminar que suspendeu a licitação foi julgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e cassada no dia 30 de maio. Um dia depois, a Saeb lançou a nova licitação que escolheu a empresa que vai tocar a obra.

Arquitetura
Quem nota as paredes pichadas e sujas ou as grades enferrujadas do Instituto do Cacau nem imagina que aquela estrutura foi uma das primeiras obras de arquitetura moderna na Bahia. Do lado de fora, o teto queimado relembra a manhã de 16 de julho de 2012, quando o terceiro andar foi destruído por um incêndio.

Incêndio ocorreu no dia 12 de julho e destruiu o terceiro andar do prédio. Foto: Evandro Veiga

No alto do edifício, ainda é possível ver vários andaimes estruturados que sustentam os destroços do terceiro andar – o qual continua interditado desde o fogo – e impedem um possível desabamento. Nos andares inferiores do prédio funcionam o SAC Educação, o SAC Cidadão e o Núcleo Regional da Educação.

O Instituto do Cacau foi criado em junho de 1931. Para a época, o design do prédio foi uma importante evolução arquitetônica no estado. O projeto foi assinado pelo arquiteto alemão Alexander Buddeus e reúne linhas sofisticadas, com elementos de estilos clássicos como o art déco e a Escola de Bauhaus.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Casarão com risco de desabamento no Barbalho será demolido

Prefeitura informou que trabalho para derrubar o imóvel começa no sábado.

A rua ao lado do casarão precisou ser interditada. Foto: Arquivo Correio

O casarão da Rua Professor Viegas, no Barbalho, será demolido a partir deste sábado (29) pela manhã, informou a prefeitura nesta quinta-feira (27). O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) afirmou que o imóvel está fora do polígono de tombamento sob responsabilidade do órgão.

No último dia 19, foi realizada uma vistoria no casarão pela Codesal que indicou risco de desabamento do prédio – por precaução, o trânsito chegou a ser interditado na rua lateral. Desde então, iniciou-se um impasse entre Codesal e Ipac sobre quem caberia a demolição do bem.

“De acordo com as leis municipais, estaduais e federais, Soledade e Barbalho são responsabilidade constitucional da Prefeitura Municipal de Salvador, já que a mesma detém uso, ocupação e funcionamento sobre o solo urbano da cidade que administra”, sentenciou o Ipac, em nota divulgada também nesta quinta (27).

A demolição será conduzida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbano (Sedur), iniciando a partir das 8h.

Segundo a Codesal, provavelmente vias da região serão interditadas pela Transalvador durante o processo de demolição – os locais exatos ainda não foram divulgados.

Segundo os moradores, o local já apresenta problemas na estrutura há cerca de 30 anos. Os vizinhos disseram ainda que o imóvel serve de abrigo para moradores de rua e usurários de drogas. “É um perigo porque aqui passa muitos estudantes. A qualquer momento pode acontecer uma tragédia como o da Soledade. Os entulhos que ficam no interior atraem vários ratos”, diz o comerciante Fernando Jacó, 57 anos.

O dono das intervenções que adornam o casarão há cinco anos teme que o local de exposição das suas obras caia. “Se desmoronar tenho que procurar um outro local, mas o importante mesmo são as vidas das pessoas”, pondera o comerciante  Edmilson Conceição, 40.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Casarão centenário da Ribeira será leiloado

Um dos mais belos casarões da orla da Cidade Baixa, é difícil passar pelo bairro sem observar o suntuoso Solar Amado Bahia.

Foto: Reprodução/Correio

É difícil passar pela orla da Ribeira sem observar o suntuoso Solar Amado Bahia, um dos mais belos casarões da orla do bairro. Na próxima quarta-feira (2), às 8h30, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Salvador, quem estiver disposto a gastar no mínimo R$ 1.863.750 poderá se tornar o novo dono do edifício centenário.

Construído em 1904, o Solar Amado Bahia foi projetado pelo português Francisco Mendonça e inaugurado com pompa para os casamentos da filhas do proprietário, o comerciante Francisco Amado Bahia, que deu o próprio sobrenome à edificação.

A casa rosa, que é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), possui diversos elementos decorativos importados da Europa do século XIX, como lustres, vasos, vidraçaria francesa gravada para as esquadrias e louça sanitária inglesa.

Interior do Solar Amado Bahia. Foto: Reprodução/Correio

O Solar foi doado em 1949, após a morte do patriarca, à Associação dos Empregados do Comércio da Bahia (AECB), que já desocupou o prédio, segundo confirmou a entidade ao bahia.ba, nesta quarta-feira (26).

Os interessados em se tornarem donos da residência devem se cadastrar no site do leiloeiro oficial e encaminhar os documentos solicitados com antecedência de 24 horas.

Fonte original da notícia: bahia.ba




Salvador (BA) – Projeto de reforma do centro histórico está inacabado após 25 anos

Foto: Margarida Neide | Ag. A Tarde

A autônoma Sandra Regina Silva dos Santos, 53, era dona de sete imóveis no Centro Histórico de Salvador, herdados da mãe, quando o governo estadual iniciou a 7ª etapa da revitalização da região. O ano era 2002 e, até então, ela alugava os edifícios para viver da renda.

Essa possibilidade teve fim, no entanto, em 2005, quando os moradores da área compreendida dentro dessa fase da recuperação começaram a ser removidos do local e transferidos para casas de passagem – imóveis alugados pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) para abrigá-los por um ano, até o fim da obra.

As intervenções, executadas pelo órgão estadual com recursos do Programa Monumenta, financiado pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), faziam parte do Projeto de Requalificação do Centro Histórico de Salvador – iniciativa lançada em 1992 pelo governo Antônio Carlos Magalhães com a promessa de transformar a região. A ideia era reformar casarões da área tombada como Patrimônio Histórico para atrair turistas.

À época das remoções, conta Sandra, cada morador podia cadastrar um imóvel residencial e um comercial no banco de dados da Conder, para tê-los de volta após a obra. No próximo dia 28, 12 anos após sair de casa, ela finalmente vai receber a chave da residência.

O prédio da rua 28 de setembro onde ela morava, reformado após pegar fogo, foi dividido em seis – um deles para a Sandra. Já o ponto comercial, que desabou, ela não deve reaver mais, pois, há cerca de oito meses, a Conder comunicou aos moradores que, em vez de retornarem a esses espaços, eles serão indenizados.

Apesar do retorno para casa, conquistado após mais de uma década, Sandra não comemora o resultado. Ela cita o longo período em que o tema ficou esquecido e critica a condução dada à 7ª etapa da requalificação.

Lista, ainda, uma série de descumprimentos de um termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado lá em 2005 entre as partes, com o aval do Ministério Público da Bahia (MP), para que fosse assegurada às pessoas a permanência na área.

Entre as irregularidades, está o não pagamento do aluguel das casas de passagem. Segundo a Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico de Salvador (Amach), essa despesa foi transferida para os moradores e uma bolsa-aluguel de R$ 450 acabou sendo criada para as 108 famílias.

“Nossa história de negro que foi tirado da África para carregar pedra aqui não é respeitada. Nos abandonaram aqui, esqueceram nossa história, tratam a gente como cachorros, como pessoas que não merecem respeito”, lamenta a autônoma.

Dimensão

A situação vivida por Sandra, porém, vai além de uma história individual. De acordo com a Amach, 25 anos após o lançamento do projeto pelo governo ACM e 15 anos após o início da 7ª etapa dele, 25 famílias ainda não foram realocadas para imóveis definitivos.

Isso representa 23% dos 108 núcleos familiares que estavam incluídos no TAC e foram beneficiados pelo Programa de Habitação de Interesse Social (PHIS), que possibilitou, à época com financiamento do Ministério das Cidades, a permanência dos moradores na área histórica soteropolitana.

Já os 13 casos de pessoas que possuíam pontos comerciais abrigando sebos, lanchonetes, bares, quitandas, bombonieres e outros pequenos estabelecimentos tomaram o rumo relatado por Sandra. A Conder oferece indenização de R$ 40 mil para que essas pessoas não retornem aos espaços onde tinham comércio.

A Diretoria do Centro Antigo de Salvador (Dircas), autarquia do órgão, confirma a versão (veja na página A6).

A sede da associação, localizada no número 24 da rua do Bispo, ainda é alvo de uma ação de reintegração de posse da companhia estadual, segundo a presidente da entidade, Jecilda Mello. A Amach, explica ela, também é abrigada em casa de passagem (provisória) e aguarda receber sede definitiva.

O mesmo tipo de processo, segundo Jecilda, é movido contra moradores que habitam em residências de passagem e ainda não receberam seus imóveis. “Difícil é aceitar essas mudanças sem que eles conversem com a gente”, ela afirma.

Como exemplo da falta de comunicação, a líder comunitária cita a anulação do comitê gestor criado para tratar da 7ª etapa. Segundo ela, equipamentos previstos no acordo, como uma creche para a comunidade, nunca foram construídos.

A Dircas afirma, entretanto, que entregou aos moradores da região, em julho de 2015, a Cozinha Comunitária do Pelourinho, equipamento previsto no TAC.

Contexto

Foi lá que, semana passada, a equipe de A TARDE encontrou Jecilda e Sandra. Da janela do imóvel antigo, mas aparentemente preservado, uma grande parede em ruínas é vista por quem senta às mesas do salão. A iminência da queda do imóvel defronte à cozinha, porém, é minimizada pelas moradoras.

“Quem não é daqui se impressiona mesmo, mas a gente sabe quando está para cair”, desdenha Sandra.

É assim em quase toda região compreendida na 7ª etapa da requalificação do Centro Histórico de Salvador. Pobre, a área é composta, segundo a Amach, pelas ruas do Bispo, D’Ajuda, da Oração, Saldanha da Gama, São Francisco, 3 de maio, Guedes de Brito e 28 de Setembro.

O abandono das casas – que acumulam entulhos e sujeira e são focos para o consumo de drogas – contrasta com o outro extremo da região, próximo ao largo do Pelourinho, onde turistas visitam casarões coloridos que abrigam bares, pousadas, restaurantes, museus e órgãos públicos.

“Essas ruas são o lado escuro do Centro Histórico que o governo faz questão de esconder”, sentencia a presidente da Amach.

Promotor de Justiça responsável por instaurar o inquérito civil e ajuizar a ação que resultou no TAC, o hoje desembargador Lidivaldo Reaiche Raimundo Brito explica que as obras na região compõem uma série de intervenções que tiveram início ainda nos anos 1990, no último governo ACM.

“A ideia era transformar o Pelourinho numa Disneylândia para as pessoas admirarem a beleza”, define.

À época das expulsões promovidas pela 7ª etapa do projeto, Lidivaldo comandava a Promotoria de Combate ao Racismo do MP.

“A Conder argumentava que as pessoas eram invasoras e usava até a Polícia Militar para tirar moradores, com muita truculência”, rememora o magistrado, que sustentava em suas ações a tese de “uma assepsia social” promovida pelo governo estadual. “A intenção era que funcionários públicos morassem nesses prédios reformados”.

Atualmente, mesmo 15 anos após o início das reformas, o desembargador avalia que houve avanços. Defende, porém, que a restituição do comitê gestor poderia resolver atritos entre moradores e a Conder.

Já a presidente da Amach, Jecilda Mello, avalia negativamente. “Eu costumo dizer que terminou a Fonte Nova, terminou o metrô, mas não terminou a revitalização do Centro Histórico”.

Ciclos de política

A arquiteta e urbanista Ana Fernandes, professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), explica que a política adotada no Centro Histórico de Salvador se caracterizava pela completa retirada de moradores do local. “A ideia era um shopping a céu aberto, com galerias de arte e restaurantes sofisticados para turistas. Ou seja, morador nem pensar”, diz.

Depois, com a gestão Jaques Wagner, há uma “inflexão política” de apoio à inclusão das moradias de interesse social na região, detalha ela. “A construção de moradia no centro é algo fundamental para a requalificação, assim como a instalação de comércios, porque permite que as pessoas vivam no lugar”, analisa.

A especialista avalia, entretanto, que essa política passou a falhar a partir de 2008, pois perdeu centralidade nos governos, em meio à crise econômica. “Há um abandono por causa dessa falta de centralidade e por causa de uma cultura técnica preconceituosa, que existe nos órgãos públicos, e que descarta a possibilidade de pobre morar no centro”.

O descumprimento de acordos com a comunidade afetada, diz ela, também é decisivo no declínio da política adotada a partir do governo Wagner. “Como é que isso ainda não foi cumprido 12 anos depois?”, indaga.

Por Yuri Silva

Fonte original da notícia: A Tarde




Salvador (BA) – Risco de desabamento leva a interdição de rua no Barbalho

Moradores fizeram denúncias ao perceber o desgaste avançado na fachada, agravado pelas chuvas constantes na capital nas últimas semanas.

Nem três meses se passaram desde que um casarão desabou na Ladeira da Soledade, resultando na morte de três pessoas e na interdição daquela via durante vinte dias, e outro imóvel antigo ameaça vir a baixo, o que, já resultou numa novo bloqueio da via vizinha à ladeira já foi feito pela Defesa Civil de Salvador (Codesal), para evitar outra tragédia. O casarão em si fica na esquina da Rua Professor Viegas, no Barbalho, com o pé da Ladeira da Soledade, em um trecho de confluência com as ruas São João de Cima e São José de Baixo. Segundo alguns moradores da região, o imóvel já funcionou como uma padaria e um armazém, mas, está abandonado a mais de duas décadas.

A interdição foi feita na tarde da última quarta-feira (19), pela Transalvador após solicitação da Codesal, ao receber denúncia dos mesmos moradores que, observando o desgaste avançado na fachada – agravado pelas chuvas constantes na capital nas últimas semanas – temem o desabamento da casa da parede do imóvel a qualquer momento. O imóvel tem aproximadamente dez metros de altura, e costuma ser utilizado para intervenção artística. Contudo, ao chegar perto desta, é possível observar várias rachaduras que evidenciam o estado crítico da estrutura, além de uma grande abertura na parede.

O risco, segundo o operário de construção civil, Mário Sérgio Santos, que mora no bairro há mais de vinte anos, é maior por causa da localização do imóvel, que está na decida de duas vias. “Os carros e ônibus que passam por aqui, nunca passam devagar. Quando eles passam, inclusive, a gente sente o chão tremer. Imagine o efeito que tem numa casa nesse estado”, relatou o morador.

Em 2017, foram notificados 69 casarões com risco muito alto de desabamento. A rua Professor Viegas continuará interditada por tempo indeterminado. De acordo com o diretor-geral da Codesal, Gustavo Ferraz, a última vistoria no imóvel foi feito há dois meses, e a notificação enviada ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac).

Por Matheus Fortes

Fonte original da notícia: Tribuna da Bahia




Salvador (BA) – Museu da Ordem Terceira de São Francisco tem queda no número de visitantes e desvalorização

A cobrança de ingressos, no valor de R$ 5, é uma das fontes de receita da Ordem.

Foto: Marina Silva/Correio

A recepcionista do Museu da Ordem Terceira de São Francisco, Marilice da Silva Natividade, conta que, nos últimos anos, o número de visitantes vem caindo gradativamente – até junho, 22 mil pessoas visitaram o espaço, segundo o diretor executivo da Ordem, Jaymme Baleeiro Neto. “O fluxo baixou muito. Estamos vivendo um verdadeiro luto do turismo”, afirmou Marilice.

Segundo a recepcionista, alguns fatores podem ter contribuído para essa queda de visitantes, entre eles as facilidades da internet e o estado de conservação do acervo artístico. “As pessoas vêm para cá para ver os azulejos. Como eles estão danificados, elas terminam vendo em sites, o que é uma pena”, lamenta ela.

Outro ponto abordado por Marilice é a interdição do Centro de Convenções. Segundo ela, quando o espaço estava em funcionamento, o passeio pelo Centro Histórico estava sempre na rota das pessoas que participavam dos inúmeros congressos que aconteciam na cidade. “Hoje, ficamos muito dependentes da alta estação, quando a cidade está cheia por conta das festas.”

A cobrança de ingressos, no valor de R$ 5, é uma das fontes de receita da Ordem, que conta ainda com a cobrança de aluguéis de alguns imóveis, mas a inadimplência e a desvalorização estão prejudicando a cobrança dos aluguéis, segundo o diretor. Hoje, a Ordem conta com nove funcionários e câmeras de segurança.

O espaço fica aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h45 e das 13h às 16h30; aos sábados, domingos e feriados funciona sem interrupção.

Por Saulo Miguez e Hilza Cordeiro

Fonte original da notícia: Correio – Bahia