Salvador (BA) – Estado anuncia continuidade das obras no MAM

Fotos: Jefferson Vieira/IPAC

As obras de reforma do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), localizado no Solar do Unhão, em Salvador, a principal intervenção já realizada no local nos últimos 50 anos, e que estava parada por falta de recursos, terão continuidade. Na primeira das duas etapas foram investidos cerca de R$ 8 milhões, incluindo a restauração da capela, casarão, galeria 1 com cinema, biblioteca e reserva técnica com ações físico-estruturais.

A segunda etapa tem previsão de mais R$ 7,7 milhões em investimento, incluindo requalificações das oficinas do MAM, galeria 3, sistema de ar-condicionado, subestação, além dos famosos arcos criados pelo arquiteto Diógenes Rebouças na Avenida Contorno da década de 1960 e o restante do Parque das Esculturas. Os recursos são do Tesouro estadual.

No início deste mês, o vice-governador e secretário estadual do Planejamento, João Leão, realizou vistoria no museu – considerado um dos pontos turísticos mais importantes da capital baiana -, acompanhado do diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), João Carlos de Oliveira, da diretora do MAM, Ana Liberato, e de arquitetos, engenheiros e assessores estaduais. A comitiva percorreu as dependências do museu.

João Leão reiterou que a continuidade da obra é um compromisso do governo estadual, para garantir “a preservação desse centro cultural, uma referência das artes e da cultura para a Bahia e o Brasil”. Segundo ele, por se tratar de área urbana com mais de 300 anos e a proximidade do mar, a intervenção passa por cuidados superiores a de outras obras.

De acordo ainda o vice-governador, além de ser Monumento Nacional tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional (Iphan/MinC) desde 1943, “tratam-se de edificações antigas que requerem prospecções e readequações, já que existe forte interferência do salitre e água do mar”.

Programação no MAM

A data de término das intervenções dependerá dos recursos a serem liberados. Mesmo em obras, a programação do MAM continua com as conhecidas Oficinas do MAM, que promovem gratuitamente cursos de desenho artístico, pintura, cerâmica, litografia, modelagem e serigrafia abertos. Segundo Ana Liberato, também continuam abertas ao público as três exposições em cartaz – ‘Natureza que Aflora’ (até 18.06), ‘Eles por Ela’ (até 9.07) e ‘Elas’ (até 23.07), além do projeto JAM no MAM, às 18h, todos os sábados, e o MAM Medita, às 16h, aos domingos”. Mais informações estão disponíveis no site da Diretoria de Museus (Dimus/Ipac).

Por Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac)

Fonte original da notícia: Portal da Secretaria de Cultura da Bahia




Salvador (BA) – MAM pede socorro: obras de reforma estão paradas há oito meses

Intervenção é a primeira e maior no Museu de Arte Moderna da Bahia, cujo projeto, de Lina Bo Bardi, é da década de 1960.

Foto: Marina Silva/Correio

Todos os dias, centenas de pessoas se deslocavam para o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), para apreciar o sol se pôr na Baía de Todos-os-Santos. Desde o começo de maio passado, o espetáculo foi suspenso. A direção do espaço reduziu o  horário de fechamento dos portões em duas horas. Agora, abre às 13h e fecha às 17h.

O complexo museológico, criado por Lina Bo Bardi nos anos 1960 para abrigar a arte contemporânea, iniciou uma reforma em 2013 que não tem data para acabar. Está parada há mais de oito meses por falta de recursos. Dos R$ 15,7 milhões previstos, R$ 8 milhões já foram consumidos.

A alternativa para quem gosta de avistar o sol sumir no mar da baía na companhia da arte seria então o Espaço Mário Cravo, mais conhecido como Parque das Esculturas. Criado em 1998 como uma extensão do MAM para abrigar esculturas de artistas contemporâneos, o espaço está abandonado, fechado ao público por questão de segurança e sem previsão de reabrir. Por lá, tudo está em ruínas.

A passarela de madeira que dá acesso a obras de artistas como Tunga, Carybé, Siron Franco, Mário Cravo, Mestre Didi, Tati Moreno, Emanuel Araújo e tantos outros gravadores da cena artística nacional e internacional está comprometida. O guarda-corpo de madeira que circunda a passarela está em decomposição.

Caminhar pelo espaço é como andar num cemitério abandonado. A sensação torna-se ainda mais real quando cruzamos com as três figuras humanas de concreto assinadas pela artista alemã Janaina Tschäpe. Os “corpos” estão cobertos pelo mato. A placa de identificação da obra está a metros de distância e requer esforço para desvendá-la.

O cenário de abandono torna-se maior quando nos deparamos com obras de artistas consagrados como Mestre Didi e Carybé. A primeira, descolorida, a outra faltando partes.

A Sala Rubem Valentim, que reúne grande parte do acervo do artista baiano, está fechada. A diretora do MAM, Ana Liberato, não consegue esconder seu constrangimento diante do cenário. Sensível, tenta manter a postura de gestora firme, mas o seu corpo denuncia sua tristeza por não ter o que fazer.

Obra paralisada

A crise no MAM se agravou quando o dinheiro para prosseguir com as obras escasseou. Há mais de oito meses a Construtora Pentágono, responsável pela obra, fechou o barracão e demitiu os operários. A obra parou de vez. “Não tínhamos como continuar. Seguramos até onde podíamos, depois a situação ficou insustentável porque não recebemos mais nada e ainda ficaram nos devendo, Aí tivemos que paralisar”, conta Mateus Amorim, diretor da empresa.

Coube a João Carlos Oliveira, diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão da Secretaria de Cultura, responsável pela gestão de museus, cortar custos. Ele foi direto na carne. Dispensou 132 contratados em Regime Especial de Direito Administrativo (Reda). Destes, 24 atuavam no MAM como monitores.

Além destes, a área de vigilância também sofreu cortes. De cada grupo de oito vigilantes que se revezavam em quatro turnos, dois foram dispensados.  Segundo Oliveira, todos os contratos venceram ao mesmo tempo. A equipe, diz o diretor, será substituída por outro modelo de contratação.

“Este é meu modelo de gestão, reduzir o quadro e colocar as equipes para circular pela estrutura do Ipac”, justifica. Sua ideia, conta, é substituí-los  por jovens do programa Primeiro Emprego. Todos de nível médio. Oliveira garante que cerca de 60 ex-redas serão recontratados por empresas terceirizadas. Só não sabe precisar quando.

Ameaça de fechar

Agora, o museu que já integrou o circuito de arte internacional, luta para não fechar. Com as obras paradas, perdeu a vitalidade. O barracão de obras, abandonado pela Construtora Pentágono, virou depósito e refúgio dos seguranças. “Guardamos as coisas da gente lá”, conta um dos vigilantes, lamentando a existência de uma geladeira, “novinha em folha”, deixada lá. “Podiam dar a quem precisa”, sugere.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico, Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), o Solar do Unhão virou um canteiro de escombros para todos os lados. No ano passado, segundo o diretor do Ipac, o governo liberou R$ 1 milhão para a obra. Depois, a fonte secou de vez.

Na primeira fase, foram recuperadas duas das três galerias, a capela e o telhado do casarão. Mas nada disso funciona conforme o planejado. Tudo está mal ajambrado. As crateras abertas para instalação do ar-condicionado central aguardam os equipamentos serem comprados. O cinema está a espera de cadeiras, de climatização, dos projetores e demais equipamentos.

Segundo Oliveira, 60% da obra está concluída. Diz que espera recursos para finalizar. “Estamos aguardando R$ 2,5 milhões para dar um gás”. O dinheiro seria usado para adquirir os equipamentos.

O Solar do Unhão pede socorro. O que se vê por lá é um monte de entulho espalhado por toda a área. Por trás dos tapumes que isolam áreas, externas e internas, escondem-se lixo, restos de madeira e resíduos. A visão contrasta com a paisagem deslumbrante do mar que emoldura o conjunto secular.

“O MAM precisa voltar a existir para a cidade. O museu não tem tido uma atuação”, diz o artista Caetano Dias. A queixa dos artistas é geral. “Não tenho ido lá, mas pelo que me dizem a situação é desoladora. O museu se afastou dos artistas e da comunidade”, lamenta. Para o também artista Alamandrade, que ministrou oficinas no MAM e lá também expôs, “o museu, em particular o de arte, no seu acervo e na sua programação, deve refletir essa pluralidade, porque ele não é o lugar da exclusão, e sim do confronto, do diálogo com diferentes manifestações, compatível com a sua função e sua especificidade”, diz.

A diretora do MAM sonha com a volta do Salão de Artes. Da Bienal, ninguém fala. Por hora, o acervo de mais 1,2 mil obras que inclui artistas como Djanira, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, Carybé, Rubem Valentim e Portinari, dentre outros, continuarão privadas de admiradores. Assim como o pôr-do-sol, agora proibido.

Por Ronaldo Jacobina

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Seminário destaca o Patrimônio Cultural como estratégia de desenvolvimento econômico

Foto: Divulgação

Como promover ecossistema de inovação no Centro Histórico é o tema do painel que contará com a presença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), durante o seminário Centros Históricos: Inovar é Preciso. Os debates acontecem na cidade de Salvador (BA), nesta terça-feira, dia 30 de maio, reunindo especialistas nacionais e internacionais que trazem exemplos de cidades onde o Centro Histórico está mais dinâmico.

Com o foco em inovação e empreendedorismo, o seminário é realização do Instituto ACM com apoio da Oi. As inscrições são gratuitas e estarão abertas a partir das 8h, no dia e local do evento, no Hotel Pestana Convento do Carmo. A proposta do Seminário é mobilizar governos, da sociedade civil, especialistas e comunidade para buscar recursos inovadores e sustentáveis para o centro de Salvador, visando torna-lo um lugar pulsante, promovendo, ainda, a ideia do Patrimônio Cultural como estratégia de desenvolvimento econômico.

A coordenadora Geral de Bens Imóveis, do Departamento de Patrimônio Material (Depam), Érica Diogo, representa o Iphan no painel, que reúne, ainda, a chefe do departamento de economia da cultura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciane Gorgulho, o secretário de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador, Guilherme Bellintani. Outro palestrante do evento é Josep Piqué, que apresentará, por videoconferência, a palestra Cidades de Conhecimento em Cidades Inteligentes: o case de 22@ Barcelona. Ele também participará de um talk show, mediado pelo pesquisador e professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Marcus Alban.

Fonte original da notícia: IPHAN




Cachoeira (BA) – Em cidade histórica, tombada pelo Iphan, família convive com risco de ser atingida por casarão abandonado

Funcionário público mora com mulher e duas filhas no centro de Cachoeira, marco da luta pela independência do Brasil na Bahia. Ao lado deles, construção barroca está condenada e pode ruir a qualquer momento.

Casa de Cláudio é a verde, onde a mulher dele aparece na janela. Como o casarão abandonado é muito alto, é possível que paredes mais altas atinjam a residência da família, caso desabem. (Foto: Maiana Belo/G1 BA)

O risco de desabamento de um casarão antigo no centro de Cachoeira, cidade histórica a cerca de 120km de Salvador, no Recôncavo Baiano, está tirando o sono da família do funcionário público Cláudio de Carvalho Barbosa, de 47 anos. Ele mora há 11 anos bem próximo ao imóvel de dois andares, com sótão, que está abandonado, com rachaduras, janelas quebradas, cheio de problemas de infraestrutura e que pode ruir a qualquer momento, conforme apontou parecer técnico de um engenheiro. A casa onde Cláudio vive com a mulher e as duas filhas, de 16 e 19 anos, tem quatro quartos distribuídos em dois andares, e pode ser atingida por estrutura da parte mais alta do casarão, caso ele desabe.

A mulher de Cláudio, a psicóloga Sônia Rocha, de 43 anos, conta que não dorme em noites de chuva, temendo uma tragédia. O casal também precisou mudar uma das filhas de quarto, pois o cômodo dela fica muito próximo à parede mais alta do casarão.

Diante do perigo, Cláudio procurou órgãos públicos para tentar uma solução para a fragilidade na estrutura do casarão. Ele foi à Prefeitura de Cachoeira, buscou o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) no município e também o Ministério Público. “Eu quero deixar claro que tem vidas em jogo. Estamos primando pela vida”, explica.

A Secretaria de Obras e do Meio Ambiente de Cachoeira emitiu um parecer técnico no ano passado onde condenou o casarão. Segundo Cláudio, o imóvel foi interditado pelo Iphan após parecer da prefeitura, em 2016, mas ele e a família continuam convivendo com o risco do desabamento. Este ano, com a mudança da gestão municipal, um novo parecer já foi elaborado pela mesma pasta, que ainda identifica o problema de infraestrutura no local. De acordo com o secretário de Obras e Meio Ambiente, Edgar Moura, a família dona do casarão foi acionada para uma reunião prevista para esta quinta-feira (25), onde devem definir o destino do imóvel antigo.

Por meio de nota, o Iphan esclareceu que o casarão não possui tombamento individual, e que ele é parte do conjunto tombado pelo Iphan em 1971, quando a cidade de Cachoeira recebeu o título de “Monumento Nacional”, por conta da riqueza arquitetônica que inclui o casario barroco.

O Iphan disse ainda que já notificou os proprietários do casarão, com auto de infração e, até o momento, não foi apresentado qualquer atestado que comprove que eles não têm condições financeiras de restaurar o imóvel para justificar a degradação do bem e o abandono. O G1 tentou, mas não conseguiu falar com os donos do imóvel.

O funcionário público procurou o Ministério Público do Estado (MP-BA) no ano passado, que entendeu a situação como algo individual e que o órgão, voltado para interesses públicos, não possuía atribuição para atuar no caso. Cláudio conta que poderia recorrer do indeferimento em três dias, mas acabou deixando o caso de lado no âmbito do MP.

Abandono, descaso e riscos

Rachaduras e e fendas na parede do casarão antigo perto da casa do funcionário público, Cláudio Barbosa. (Foto: Arquivo Pessoal/Cláudio Barbosa)

Enquanto a situação não é resolvida, o funcionário público continua na própria casa e o imóvel vizinho segue com risco de desmoronar. Cláudio já ficava apreensivo com a possibilidade de desabamento do casarão desde 2015, e isso se intensificou quando, no mesmo ano, parte da lateral da parede do imóvel caiu, mas não atingiu ninguém.

Na época, a estrutura já sofria com muitas rachaduras, infiltrações e péssima infraestrutura. “Foi um estrondo, todo mundo saiu correndo para ver o que era. Entramos lá para tirar o morador, mas ele disse que não iria sair. Depois, ele chamou uns pedreiros que colocaram blocos e ajeitaram só a parte que caiu”, relatou.

Mesmo com o casarão em ruínas, o antigo dono aproveitou até um terreno próprio, ao lado, onde ergueu um arco e colocou um portão, transformando o espaço em uma garagem. “Quando ele [o dono do casarão] ainda estava vivo, cobrava para os carros parassem aí, um tipo de estacionamento. Quando ele morreu, os familiares dele pediram que todos tirassem os carros”, contou.

Conforme o funcionário público, em 2016, o único morador do casarão faleceu e a preocupação dele com o imóvel antigo aumentou. “Quando ele ainda era vivo, a gente já se preocupava porque a casa já estava velha, mal cuidada e ainda teve o episódio da queda da parede. Depois que ele morreu, a última esposa dele voltou aí [no casarão] para pegar uns objetos pessoais e disse que estava com medo de entrar sozinha [no imóvel]. Então, ela me pediu para entrar na casa com ela. Quando vi a situação, aí fiquei ainda mais angustiado. Também fiquei impressionado com as rachaduras, vi fendas de quase dois centímetros entre a parede e a fachada da casa. O piso é de madeira, já estava desnivelado e a casa estava muito degradada”, revelou.

Parte da parede que está com tijolos que destoam do resto da parede, desabou em 2015. (Foto: Arquivo Pessoal/Cláudio Barbosa)

Sônia Rocha, a mulher de Cláudio, relata que fica acordada nas noites de chuva, apreensiva e preocupada que algo, que eles tanto temem, se concretize. Disse ainda que ela e o marido decidiram tirar uma das filhas do quarto onde dormia, pois, em caso de desabamento do casarão, os destroços podem atingir em cheio o quarto da jovem. Agora, a filha do casal dorme com a irmã mais nova, em um quarto na parte térrea da casa.

Apesar da residência do funcionário público ser separada do casarão por apenas uma casa, que também está abandonada, ele acredita que não está a salvo de uma tragédia. “Mesmo com essa casa aí do lado, se essa parede do casarão ceder, a cumeeira vem direto no quarto da minha filha. Como meu quarto é mais para o fundo e fica lado a lado com a parede mais baixa do casarão, eu acho que não alcança nosso quarto e a gente fica resguardado. E no andar de baixo, acredito que se cair algo vai ser em cima da laje, o que pode segurar um pouco [a estrutura da casa] para que as meninas, consigam sair de casa”, conta.

Segundo Cláudio, a pessoa que morava na casa que está abandonada, e que fica entre o casarão e o imóvel dele, faleceu. “Esse imóvel aí a gente considera abandonado também. Os familiares da senhora que morava aí também ficavam preocupados com o desabamento do casarão, até porque a casa da idosa é que seria mais atingida. Mas depois que ela morreu, o pessoal trancou o imóvel e só eu que posso ser o maior prejudicado em caso de um desmoronamento”, concluiu.

História

Parte interna do casarão que fica próximo à casa de Cláudio, em Cachoeira, no recôncavo baiano. (Foto: Arquivo Pessoal/Cláudio Barbosa)

Cachoeira mantém destaque histórico e cultural no Recôncavo Baiano como reconhecimento à importância do município nas batalhas travadas pela conquista da independência do Brasil, que tiveram início no dia 25 de junho de 1822. Foi em Cachoeira que se iniciou o movimento que culminou da proclamação de Dom Pedro I como imperador.

Baianos de várias partes do estado se dirigiram até Cachoeira e se apresentaram como voluntários no Exército, que chegou a reunir 13 mil combatentes, entre os quais a famosa Maria Quitéria. De lá, as tropas marcharam para fazer o cerco a Salvador, que também teve dias de guerra pela independência, especialmente na região de Pirajá. Os combates acabaram no dia 2 de julho de 1823, quando os brasileiros conseguiram abater as tropas portuguesas.

A Heróica, assim denominada pela lei nº 43, de 13 de Março de 1837, em virtude dos seus feitos, foi a Sede do Governo Provisório do Brasil durante a guerra da Independência em 1822 e, novamente, em 1837, quando ocorreu o levante da Sabinada na Bahia. Por conta disso, anualmente, nos dias 2 de julho, a sede do governo do estado da Bahia é transferida simbolicamente para Cachoeira.

Parecer técnico do engenheiro em 2016 no casarão vizinho à casa de Cláudio Barbosa. (Foto: Maiana Belo/G1 BA)

Documento do MP que indefere pedido de Cláudio. (Foto: Maiana Belo/G1 BA)

Documento onde família herdeira do casarão foi notificada, em 2016, e documento do pedido do parecer técnico deste ano. (Foto: Maiana Belo/G1 BA)

Entrada da cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano, anuncia o título de ‘Cidade Monumental’. (Foto: Maiana Belo/G1 BA)

Lateral do casarão que corre risco de desabar em Cachoeira, na Bahia. (Foto: Maiana Belo/G1 BA)

Por Maiana Belo

Fonte original da notícia: G1 BA




Festa D’Ajuda, em Cachoeira (BA), recebe registro especial de Patrimônio Imaterial

Celebração acontece entre outubro e novembro, na cidade do Recôncavo Baiano; reconhecimento foi feito pelo Ipac.

Festa D’Ajuda recebe registro especial de Patrimônio Imaterial da Bahia. (Foto: Elias Mascarenhas/Ipac)

A Festa de Nossa Senhora D’Ajuda que acontece entre outubro e novembro, na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, recebeu o registro como Patrimônio Imaterial da Bahia. A determinação foi do governo do estado, na última sexta-feira (5), mas a informação foi divulgada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) nesta quarta-feira (10).

De acordo com o Ipac, o decreto do governo se dá considerando as propostas formuladas em dossiê, que foi enviado para o Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC), e aprovado pelo Ipac e pelo CEC, ambos da estrutura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Ainda segundo o instituto, a partir do registro, a manifestação cultural da cidade de Cachoeira constará no Livro de Registro Especial dos Eventos e Celebrações, como Patrimônio Imaterial.

Segundo a tradição, a festa ocorre desde início do século XIX, como uma data móvel, entre outubro e novembro. Os festejos iniciaram-se a partir da capela de mesmo nome inicialmente devota à Nossa Senhora do Rosário e, depois, com a transferência para a atual matriz, à Nossa Senhora D’Ajuda.

Patrimônio do Brasil

Decreto foi determinado pelo governo do estado. (Foto: Elias Mascarenhas/Ipac)

De acordo com o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, a capela está no Largo da Ajuda, no cume de uma pequena colina no centro da cidade, com acesso por três ladeiras em sentidos opostos. Segundo ele, a capela integra o Centro Histórico da cidade e é tombada individualmente como Patrimônio do Brasil desde 1939 através do IPHAN/MinC.

A edificação é do século XVII, entre 1595 a 1606, e a característica mais importante é a capela-mor recoberta por cúpula. A Festa D’Ajuda tem liturgia Católica em adoração a Nossa Senhora. As festividades têm início com o Pregão do Bando Anunciador, grupo de cavaleiros ornados que em montarias tocam instrumentos de sopro metálicos, clarins e cornetas, anunciando a passagem do tradicional cortejo.

Festa acontece entre outubro e novembro, na cidade de Cachoeira. (Foto: Elias Mascarenhas/Ipac)

O pedido para se pesquisar a Festa D’Ajuda foi feito pelo Centro de Estudos Raízes do Recôncavo e pela Irmandade de Nossa Senhora D’Ajuda.

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – A Biblioteca mais antiga do Brasil, disponibiliza obras raras online

A Biblioteca do Mosteiro de São Bento da Bahia, fundada em 1582, reúne um acervo bibliográfico considerável, tanto no que se refere a quantidade de volumes, como no que diz respeito a qualidade do acervo, que dispõe de obras escritas nas mais variadas línguas, abrangendo as diversas áreas do conhecimento.

O valioso acervo acumulado e conservado ao longo de mais de quatro séculos de existência conta com uma notável coleção de obras raras dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX (são manuscritos, iluminuras, livros, documentos históricos, cartas, testamentos, mapas, desenhos e plantas de arquitetura, partituras musicais), tornando a Biblioteca do Mosteiro uma das mais importantes do país. A preocupação de preservar o legado cultural ao longo da história sempre foi uma característica dos mosteiros beneditinos.

Durante todo o século XX, o acervo foi sendo ampliado e diversificado. A aquisição de obras deste último século foi complementada com uma importante sessão de periódicos das mais diversas áreas de pesquisa, mantida em constante atualização.

A Biblioteca do Mosteiro é especializada em Teologia, Filosofia e História. O acervo é aberto ao público e as consultas e pesquisas são feitas na própria Biblioteca, sendo vetado o empréstimo de livros e periódicos, como também o acesso direto dos pesquisadores à área destinada ao acervo raro. As visitas mais frequentes têm sido de estudantes universitários, pesquisadores de universidades e instituições nacionais e estrangeiras.

A sala de pesquisa da Biblioteca tem sido utilizada ainda para o lançamento de livros e exposições. O projeto de ampliação prevê a instalação de gabinetes de estudo individual e coletivo, como também a informatização do acervo, processo que se encontra em estágio bastante adiantado.

Além do trabalho permanente realizado pelos monges, a Biblioteca do Mosteiro conta com a colaboração de voluntários e doadores nas obras de conservação, modernização e ampliação do acervo bibliográfico, das instalações físicas e dos equipamentos técnicos de apoio.

A Biblioteca destaca-se como importante elemento integrante do contexto acadêmico. Caracteriza-se pela oferta, ao corpo docente e discente, de um lastro bibliográfico e de serviços de informação que apóiam os programas de ensino da Instituição. Dessa forma, a Faculdade São Bento da Bahia conta com apoio de uma Biblioteca acadêmica qualificada que garante o suporte aos seus programas de ensino, pesquisa e extensão.

O Mosteiro de São Bento, entidade mantenedora da Faculdade São Bento da Bahia, possui Biblioteca própria, cujo acervo abrange as mais diversas áreas do conhecimento, para o uso dos monges, dos docentes e discentes da Faculdade São Bento e de pesquisadores de outras Universidades e Faculdades.

Obras raras disponíveis online
O público pode conferir mais de 60 obras raras, dos séculos XVI ao XIX, que podem ser acessadas gratuitamente pelo Portal de “Livros Raros da biblioteca do mosteiro.

Entre as obras restauradas e digitalizadas está a coleção “Obras Completas de Luiz de Camões”, edição crítica com as mais notáveis variantes, de 1873; a súmula “O Médico do povo”, de 1868, com instruções para cura e tratamento de moléstia; “Cartas Selectas”, de Padre Antônio Vieira, de 1856; “Index Librorum Prohibitorum”, do Papa Bento XIV, de 1764; e “Historia dos Judeos”, de Flavio José, de 1793. Os mais antigos da lista são “Cometario as Sentenças de Duns Scoto, do Fr. Nicolau de Orbellis”, de 1503; e “Suma Theologica Secundæ”, de São Tomas de Aquino, de 1534.

O Mosteiro de São Bento foi o primeiro mosteiro fundado pela ordem dos Beneditinos nas Américas. A biblioteca do local foi fundada em 1582 e é tombada pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) desde a década de 1930. O acervo ultrapassa os 200 mil volumes, e o setor de obras raras possui aproximadamente 13 mil obras impressas do séc. XVI ao XIX.

Site Oficial: Mosteiro de São Bento da Bahia

Fonte original da notícia: Revista Prosa Verso e Arte




Salvador (BA) – Centro Antigo tem 500 casarões com situação estrutural de risco

As fachadas dos dois imóveis acidentados, no fim da noite da última segunda. Foto: Xando Pereira /| Ag. A Tarde

O caso do desabamento do casarão de nº 146 na ladeira da Soledade, que resultou na morte de três moradores que estavam em uma residência ao lado, traz à tona a situação de muitos imóveis da região do Centro Antigo que apresentam riscos de desmoronamento.

O diretor geral da Defesa Civil do município (Codesal), Gustavo Ferraz, disse ao A TARDE que, desde o início do ano, cerca de 250 casarões localizados naquela região de Salvador já foram georreferenciados pelo município e apresentam diferentes graus de risco: de baixo a muito alto.

Do total, 120 considerados de alto risco já foram notificados, segundo Ferraz. Os 130 restantes são de baixo e médio riscos, e ainda não tiveram os proprietários alertados. A previsão é que, após o período da Operação Chuva, o mapeamento destes imóveis seja finalizado.

A estimativa é que há cerca de 500 casarões na região com riscos.

O imóvel do acidente desta segunda-feira, 24, era tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) e, segundo Ferraz, o órgão estadual havia sido notificado desde 2011.

Seis anos depois, não houve nenhuma resposta do Ipac e nem do proprietário, identificado como José Ivo da Costa Santos.

“Vamos entrar com um processo contra o assassino. Ele é conhecido como Ivo Gato. Tenho várias queixas na Defesa Civil por vários anos. A Codesal é outro órgão que deixou morrer gente para vir fazer algo. O Ipac até agora nem apareceu. Todo mundo sabia que era uma tragédia anunciada”, afirmou a promotora de vendas Simone Carrero, 42.

Ela e o filho de 12 anos conseguiram sobreviver ao acidente. Foram levados para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas liberados no mesmo dia. Simone perdeu o pai, José Prostero Deminco, 73, e os irmãos Paulo Carreiro Deminco, 43, e Ana Carreiro Deminco, 37. O enterro deles foi realizado nesta terça, 25, no cemitério do Campo Santo.

Providências

No documento encaminhado há seis anos pelo município para o órgão estadual, é feito um alerta sobre os riscos apresentados pelo imóvel que desabou e pede-se que providências sejam tomadas. No entanto, a Codesal não mandou novas notificações.

“Não precisa ficar notificando sempre. Vai fazer todo ano a mesma coisa? A notificação é simplesmente o alerta da Defesa Civil, pede que o proprietário realize obras para que o imóvel saia do risco”, disse o gestor.

Gustavo Ferraz afirmou, ainda, que “não cabe à Defesa Civil realizar a intervenção. É tombado. Não tinha como obrigar o Ipac e nem o proprietário, porque a legislação não permite. Do ponto de vista da hierarquia, o Ipac está acima da prefeitura”.

Ele contou que parte do telhado e o muro desabaram sobre a casa ao lado, onde havia cinco pessoas. A operação para retirada dos corpos terminou às 4h30 desta terça. “O proprietário mora na mesma rua e fugiu. O casarão estava vazio. Não funcionava nada nele. Ele fez madeiramento no telhado, colocou telha de eternit por cima e escorou as paredes laterais. Pode ter havido sobrecarga”, afirmou Ferraz.

Ipac

Por meio de nota, o Ipac, órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado, informou que encaminhou nesta terça uma notificação extrajudicial para a prefeitura, pedindo “todas as informações e documentos relativos ao imóvel de nº 146”.

O Ipac destacou, também, que não recebeu ofício do município requerendo anuência do órgão estadual para a concessão de alvarás para a realização de obra no casarão, e apontou a intervenção feita como “ilegal e causadora do acidente”.

“Os imóveis da ladeira da Soledade são propriedade privada, não sendo um prédio público nem tombado pelo Estado individualmente, mas se encontra em área de proteção do Estado como conjunto arquitetônico. Contudo, o tombamento não significa a desapropriação ou responsabilização integral do imóvel ou da área tombada, mas, sim, uma tutela”, ressaltou na nota o instituto.

O Ipac informou, ainda, que “se solidariza com as famílias das vítimas”, mas que só pode agir legalmente caso ocorra a solicitação formal do proprietário do imóvel, “que deve comprovar não ter condições financeiras para arcar com as despesas de conservação do imóvel para que o governo estadual possa agir, ou por solicitação expressa, oficial e comprovada da prefeitura”.

Proprietário

Parede do sobrado caiu sobre o imóvel ao lado (Foto: Xando Pereira | Ag. A Tarde)

A TARDE procurou o proprietário na casa onde vizinhos afirmaram que ele mora, mas não havia ninguém no local.

Segundo avaliação da Codesal, o imóvel ainda tem risco de desabamento e, para ser demolido, ainda depende de aprovação do governo do estado.

Em 2011, na mesma rua, outro casarão havia desabado, matando uma pessoa. “Quem vai responder é o proprietário e, como subsidiário, o Ipac. O maior peso é de quem tem a propriedade”, acrescentou o diretor geral da Codesal.

De acordo com moradores do local, outros imóveis próximos também estão deteriorados. “Tem uma casa que os pedaços estão caindo na travessa da Soledade. Está assim há mais de um ano”, reclamou o estudante Hércules de Marchi, 27.

Promotor diz que órgãos podem ser responsabilizados

O coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac) do Ministério Público do Estado (MP-BA), o promotor de justiça Edvaldo Vivas, afirmou que os governos federal e estadual costumam “jogar a responsabilidade” para os proprietários.

“De acordo com o decreto do tombamento, a responsabilidade é do proprietário. Mas há uma exceção quando ele não tem comprovadamente condições para fazer o restauro. Aí a responsabilidade é subsidiária que é do órgão que tombou”, explicou o promotor.

Para Vivas, é necessário apurar se houve de fato notificação da Codesal e se o Ipac fez alguma obra de escoramento. “O restauro é muito caro. O que a gente pode conseguir na justiça é que seja feito o escoramento. Mas é interessante que a população sempre denuncie para que o Ministério Público possa abrir uma investigação”, acrescentou.

O promotor contou que o Nudephac planeja, para o 2º semestre deste ano, realizar uma fiscalização preventiva, integrado a outros órgãos, da situação atual dos casarões do Centro Antigo. No entanto, ainda não saiu do papel o projeto. Ele está fechando parcerias com outros entes para que a ação possa ser realizada.

O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia Territorial (Lapinha). O titular da unidade, o delegado Luís Henrique Ferreira, disse que vai oficiar órgãos públicos e ouvir envolvidos para apurar as três mortes ocorridas.

Ele confirmou que o proprietário do casarão não foi localizado. Apesar da prefeitura ter divulgado que ele estaria foragido, o delegado afirmou que ainda não há mandado de prisão contra o proprietário. Portanto, ele não pode ser considerado foragido.

“Cedo” 

“Está muito cedo para afirmar se houve responsabilidade. Vamos apurar se houve negligência, se houve imperícia ou dolo de alguém. Vamos verificar se há culpados”, destacou. O delegado disse, também, que aguardará o resultado dos laudos do Departamento de Polícia Técnica.

Por Anderson Sotero

Fonte original da notícia: A Tarde




Salvador (BA) – Cinco anos depois de incêndio, Instituto do Cacau ainda não foi reformado

Licitação foi suspensa pela Justiça após ação popular que questiona falta de autorização pelo Iphan.

Andaimes sustentam a estrutura do terceiro andar que pegou fogo em 2012; governo diz que projeto para reforma tem autorização do IPAC, mas uma ação popular impediu a licitação (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Andaimes sustentam a estrutura do terceiro andar que pegou fogo em 2012; governo diz que projeto para reforma tem autorização do IPAC, mas uma ação popular impediu a licitação (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Quem nota as paredes pichadas e sujas ou as grades enferrujadas do Instituto do Cacau, localizado no Comércio, nem imagina que aquela estrutura foi uma das primeiras obras de arquitetura moderna na Bahia. Do lado de fora, o teto queimado relembra a manhã de 16 de julho de 2012, quando o terceiro andar foi destruído por um incêndio.

No alto do edifício, ainda é possível ver vários andaimes estruturados que sustentam os destroços do terceiro andar – que continua interditado desde o fogo – e impedem um possível desabamento. Nos andares inferiores do prédio funcionam o SAC Educação, o SAC Cidadão e o Núcleo Regional da Educação.

O equipamento pertence à empresa Alpe Locação de Estruturas, que afirmou ser responsável apenas pelo aluguel dos andaimes e não tem nenhuma relação com a reforma do patrimônio.

Licitação
Em 17 de janeiro deste ano, a Secretaria Estadual da Administração (Saeb) divulgou que mais R$ 2 milhões seriam investidos na primeira etapa da obra. O edital foi publicado no mesmo dia, e a licitação, marcada para 20 de fevereiro, no Auditório da Superintendência de Patrimônio do Estado, no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

No entanto, uma ação popular, liderada pelo advogado Bruno Almeida, conseguiu suspender a licitação, alegando que o projeto não possuía aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Num caso como este, onde o Instituto do Cacau é um bem tombado, e se pretende realizar obras sem a prévia obtenção de licença, tal fato é grave, pois, se não há projeto aprovado no IPHAN, não há projeto definitivo. Então, como licitar uma obra se não há projeto definitivo ainda? Qualquer alteração no projeto poderá ter diversas consequências, desde a impossibilidade de conclusão da obra até o dano aos cofres públicos”, afirma o advogado.

Imbróglio
O Iphan confirmou que é necessária a análise e autorização deles para que ocorram reformas no imóvel, pois o Instituto do Cacau fica em uma região do Comércio tombada pelo órgão, estando também sob a proteção dele. No esclarecimento, o Iphan citou ainda que não recebeu nenhum projeto de reforma.

Em nota, a Saeb, porém, afirma que a autorização não é necessária na fase de licitação. Ressaltou ainda que o Instituto do Cacau é tombado também a nível estadual, pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), que já tem conhecimento da obra.

O Ipac confirmou ser o responsável pelo tombamento do edifício e que não apresentou nenhum impedimento para o prosseguimento da licitação. O órgão ainda ressaltou que oferecerá todo o suporte técnico necessário quando a obra estiver sendo feita, para que o patrimônio não perca suas características originais.

O Instituto do Cacau foi criado em Junho de 1931. Para a época, o design do prédio foi uma importante evolução arquitetônica para a Bahia. O projeto foi assinado por um arquiteto alemão chamado Alexander Buddeus e reúne linhas sofisticadas, com elementos de estilos clássicos como o art déco e a Escola de Bauhaus.

A liminar que suspendeu a licitação está sendo julgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A Procuradoria Geral do Estado assumiu o caso e diz que busca resolver a situação o mais rápido possível, para dar continuidade ao processo de reforma do patrimônio com a mesma licitação. Não há previsão para o encerramento do caso na Justiça.

Por Jordan Dafné

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Tombamento permite acesso a verbas para restauração

Inaugurado em 1946, o Edifício Sulacap tem formas que remetem a um navio transatlântico. Mila Cordeiro | Ag. A Tarde

Inaugurado em 1946, o Edifício Sulacap tem formas que remetem a um navio transatlântico. Mila Cordeiro | Ag. A Tarde

Inaugurado em 1946 como sucursal da Companhia Sulamérica de Capitalização, e depois eternizado como o ponto em que os trios elétricos fazem a  curva, o Edifício Sulacap está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). E o melhor efeito prático é que isso facilita a captação de recursos oficiais para a reforma do prédio. Algo que já está sendo feito pelo condomínio de outro edifício icônico de Salvador, o Oceania, na Barra.

Pela lei, um imóvel tombado em função de sua importância histórica, cultural ou arquitetônica  não pode ser demolido nem sofrer alterações na fachada. Mas podem se habilitar a financiamento público e até privado para a realização de reformas. Como está acontecendo com o Edifício A TARDE, na Praça Castro Alves, que vai se tornar um hotel de luxo.

Depois de décadas em que a  preocupação com a conservação de imóveis em Salvador limitou-se ao casario colonial, prédios modernos, art déco e neoclássicos começam a despertar mais interesse.

Formas aerodinâmicas

“O Sulacap detém formas aerodinâmicas que remetem ao design industrial, aos transatlânticos, trens e automóveis, sugerindo velocidade, mais um item da modernidade urbana na arquitetura Déco”,  afirma a arquiteta do Ipac Lígia Larcher.  Especialista em art déco, Lígia foi  autora do parecer para tombamento do prédio, que na década de 60 abrigou em uma de suas 121 salas um estúdio onde Gilberto Gil gravou.

Tombado pelo Iphan, o Solar Amado Bahia foi construído entre o final do século XIX e o começo do século XX, por Francisco Amado Bahia, um próspero comerciante de carnes que mandou vir da Europa materiais como o ferro fundido, utilizado na varanda.  “Alguns prédios, como o solar,  são exemplos de edificações únicas, em que se utilizou o melhor material disponível na época”, ressalta o vice-presidente do Conselho de Arquitetos e Urbanistas da Bahia (CAU), Raul Nobre.

O arquiteto salienta que, além do valor arquitetônico,  algumas dessas edificações foram valorizadas pela localização estratégica. Enquanto o Edifício Sulacap ocupava a esquina da Avenida Sete com a Rua Carlos Gomes, à época um reduto elitista, o Oceania foi construído justamente no encontro entre o Oceano Atlântico e a Baía de Todos-os-Santos.

Vai virar museu

Tombada pelo Ipac, a Casa de Azulejo,  no Comércio, deve tornar-se a sede do Museu da Música, a ser construído com recursos do Prodetur. O secretário  de Cultura e Turismo de Salvador, Cláudio Tinoco, declarou  que o processo de implantação do museu tem três dimensões: projeto, modelo de operação e disponibilidade da área.  “O imóvel ainda está sob a posse e responsabilidade dos proprietários privados”, afirmou Tinoco, ao comentar a degradação contínua do imóvel.

Desde o ano passado, a prefeitura de Salvador também está autorizada a fazer tombamentos e já tombou o terreiro Vodun Zô, na Liberdade,  e o Monumento ao Cristo Redentor, na Barra.

Solar Amado Bahia: varandas de ferro fundido,  vindo da Inglaterra. (Foto: Mila Cordeiro | Ag. A Tarde)

Solar Amado Bahia: varandas de ferro fundido, vindo da Inglaterra. Foto: Mila Cordeiro | Ag. A Tarde

Por Gilson Jorge

Fonte original da notícia: A Tarde




BA – Obras na Fortaleza de Morro de São Paulo entram em fase final

Investimentos no monumento baiano são de R$ 8,5 milhões e inclui instalação de um museu, anfiteatro, área para eventos e visitas guiadas.

Monumento, datado do século XVII, foi tombado pelo Iphan em 1938 Arquivo/Gov. Bahia

Monumento, datado do século XVII, foi tombado pelo Iphan em 1938
Arquivo/Gov. Bahia

As obras de recuperação da Fortaleza do Morro de São Paulo, na Bahia, estão em fase final. Nesta etapa, o trabalho contempla a restauração do Portaló, do Corpo da Guarda, do Forte da Ponta e do caminho ao longo da muralha. A primeira parte das obras, emergencial e já pronta, foi a recuperação estrutural da muralha.

Está prevista, ainda, a instalação de um museu, anfiteatro, área para eventos e uma cafeteria. O projeto prevê visitas guiadas por jovens da comunidade, selecionados e preparados para trabalhar na recepção de turistas.

“Estamos alinhados com nossos parceiros neste trabalho de valorização de um equipamento de relevante interesse turístico, histórico, arqueológico e arquitetônico”, resumiu o secretário do Turismo da Bahia, José Alves.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o local é um importante atrativo histórico cultural, localizado na zona turística Costa do Dendê, no sul baiano.

Monumento histórico

Atualmente, a Secretaria do Turismo do Estado (Setur) detém a cessão de uso do equipamento militar e histórico, concedida pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ao governo da Bahia.

O monumento datado do século XVII requer um cuidadoso plano de uso. Isso inclui a instalação de uma exposição permanente com objetos encontrados durante o restauro: balas de canhões, artefatos arqueológicos e cinco canhões, que ajudam a contar a história do local.

O projeto de restauração e readequação prevê a integração do conjunto arquitetônico à dinâmica turística da região.

Fonte original da notícia: Portal Brasil