Lucas Prates/Hoje em Dia

Lucas Prates/Hoje em Dia

Após mobilização popular, a construtora responsável pelo megaempreendimento Praça da Cidade, condomínio comercial com três grandes torres previsto para ser erguido no bairro Santa Tereza, Leste de Belo Horizonte, decidiu retirar o projeto da pauta do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural. A ideia é estudar melhor a construção, alvo de polêmica. Moradores temem que os edifícios mudem a paisagem e dinâmica da região.

Os representantes de associações que participaram da reunião ontem no conselho comemoraram a suspensão da análise do projeto. Inclusive, eles voltaram a pedir o tombamento do imóvel do século 20 que abrigou uma antiga fábrica de pregos no local onde os edifícios serão construídos e que corre o risco de ser demolido. A primeira solicitação de proteção foi enviada em outubro de 2013 pelo movimento Salve Santa Tereza.

De acordo com o diretor de Patrimônio Cultural, Carlos Henrique Bicalho, ainda não há previsão para analisar o possível tombamento da fábrica. “Temos um cronograma definido e que vamos seguir, mas isso não quer dizer que não podemos avaliar esse pedido específico. Ainda vamos conversar com os conselheiros sobre ele”, afirmou.

Repercussão

Membro do Salve Santa Tereza, Maria Guiomar da Cunha afirma que as torres, cada uma com 20 metros de altura, irão trazer uma série de impactos tanto para a qualidade de vida dos moradores quanto para o patrimônio histórico, já que a região é tombada e Área de Diretrizes Especiais (ADE). “A barreira de prédios prejudica a vista da Serra do Curral, que é uma das determinações de preservação do Patrimônio Histórico. Já os que transitam pela avenida Andradas perderiam a vista para o bairro”, explicou.

“Esses prédios afetam também o clima, deixando a área mais quente. Meu medo é que aconteça como no Belvedere (região Centro-Sul), onde a parede de prédios mudou até a circulação de ventos na região”, diz o artista plástico Aluízio Figueiredo, que tem uma galeria no Santa Tereza há 16 anos.

Jair Dayrell, de 31 anos, morador do bairro há 28, teme aumento da criminalidade e do trânsito. “Aqui é muito tranquilo. Um empreendimento deste tamanho aumentaria muito o fluxo de carros, com o qual não estamos acostumados”, argumenta.

Avaliação

Em nota, a PHV Engenharia informou que irá avaliar os impactos gerados pela construção e que, para o ano que vem, estão previstas reuniões com a comunidade local. Alegando que os moradores até então não tinham sido consultados, Maria Guiomar considera a possibilidade de conversas um avanço. “Uma reunião seria importante para fazermos as nossas críticas, mas também sugestões para o local, que tem potencial para receber quadras, praças e espaços de lazer, por exemplo”, afirma.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia