Belo Horizonte (MG) – O antigo volta a aparecer em casarão

Cômodos com pinturas originais já foram descobertos em prédio erguido no início do século XX.

Sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), local será, no futuro, sede do Museu Ferroviário.

O casarão onde funcionou a extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que receberá a 23ª edição da CasaCor Minas, de 12 de agosto a 17 de setembro, vem passando por um processo de restauração. Sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o objetivo das intervenções é preparar o imóvel, construído nas primeiras duas décadas do século XX, para receber a mostra e para abrigar, futuramente, as instalações do Museu Ferroviário, entre outras atividades.

Nos últimos dias, a restauradora Maria Caldeira, uma das responsáveis pela execução de um estudo que conduzirá o processo de restauro após o evento, identificou que existem pinturas originais, em cinco cômodos do local, que estão sendo descobertas após a retirada de algumas camadas de tinta. No entanto, pode ser que tenha mais em outros espaços. As pinturas encontradas misturam tons claros e escuros, criando efeitos marmorizados e imitação de madeira.

“Ainda é muito cedo para precisarmos o estilo, a época e garantir que estas pinturas ocupam cômodos inteiros do casarão. Porém, até o final deste mês pretendo apresentar um estudo técnico sobre o que está sendo encontrado e suas características. Elas ficarão à mostra em alguns ambientes durante a CasaCor Minas”, revela Maria Caldeira.

O imóvel, que acomodará 40 ambientes da mostra, integra o conjunto arquitetônico da praça da Estação. Localizado na rua Sapucaí, 383, no bairro floresta, ele possui cerca de 4.000 metros quadrados. Depois de 13 edições ocupando imóveis tombados, o evento deste ano volta a acontecer em uma edificação que é patrimônio cultural.

Para a diretora da CasaCor Minas, Juliana Grillo, “um bem tombado possui regras de prevenção que devem ser respeitadas para que as intervenções realizadas nos ambientes não afetem a integridade das construções originais, a fim de não desconfigurar ou fazer perder a autenticidade da casa”, frisa.

Sustentabilidade. Outra preocupação dos organizadores do evento é com o descarte dos materiais que foram retirados durante o processo de restauração. De acordo com Juliana, somente na primeira fase da reforma foram retirados 128 metros cúbicos de resíduos, que tiveram uma destinação adequada.

“Desse total, retiramos 39 metros cúbicos de madeira, que foram doados para a J&E Reciclagem; nove metros cúbicos de lã de vidro, provenientes de forros, que foram doados para o projeto social Seu Vizinho, localizado no aglomerado da Serra, que também serviram para a utilização da montagem de um sistema de isolamento acústico dentro da própria CasaCor; 24 metros cúbicos de alumínio e ferro, provenientes dos forros, divisórias, eletrocalhas e luminárias, que foram destinados para reciclagem na empresa Koprum; e 48 metros cúbicos de entulho, que foram enviados para o aterro sanitário”, conta Juliana.

Por Leonardo Cunha

Fonte original da notícia: O Tempo




Acaiaca, prédio mais alto de Belo Horizonte (MG), completa 70 anos em 2017

O edifício de mais de 120 metros de altura, famoso pelas esculturas de índios em sua fachada, guarda elevadores que funcionam a 20 km/h e um abrigo antiaéreo em seu subsolo.

Reprodução/G1.

Mais de 120 metros de altura, 29 pavimentos, cerca de 460 salas e um abrigo antiaéreo. Estas são algumas das características do Acaiaca, um dos edifícios mais tradicionais de Belo Horizonte, que completa 70 anos em 2017. Mas as marcas registradas são as duas esculturas de rostos indígenas criadas pelo próprio arquiteto que projetou o prédio, Luiz Pinto Coelho, genro do idealizador do arranha-céu, Redelvim Andrade.

“Quando ele fez os índios, ele chegou ali da escadaria da (igreja) São José (em frente ao Acaiaca) olhou e achou que pareciam gângsteres americanos. Sabe o que ele fez? Desceu as efígies e as recompôs. Aí sim ele ficou satisfeito”, disse o autor do livro “Edifício Acaiaca – O colosso humano e concreto”, Antonio Rocha Miranda, que aos 79 anos mantém uma relação estreita com o prédio que conheceu ainda criança.

“Eu tinha sete anos quando meu pai me trouxe aqui no centro e eu vi o edifício pela primeira vez. Eu tinha que envergar o pescoço para enxergar lá em cima. E então eu insisti com ele para que ele me trouxesse aqui no edifício. Na viagem do elevador parecia que eu estava em um foguete”, contou o escritor.

Segundo a administração do Acaiaca, os elevadores vão do 1º ao 25º andar em 20 segundos, a uma velocidade de 20 km/h. Não é possível confirmar que eles são os mais rápidos da cidade, segundo o Corpo de Bombeiros, mas seu Antonio não tem dúvidas disso. “São os mais velozes de Belo Horizonte”, afirmou. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, o prédio é o mais alto da capital mineira.

As obras do Acaiaca, cujo nome homenageia uma tribo de índios do Vale do Jequitinhonha, cidade do empreendedor e comerciante de pedras preciosas, Redelvim Andrade, começaram em 1943. O terreno de 26 mil m² foi comprado da Igreja Metodista que estava no local há 38 anos.

“O Redelvim fez uma proposta de ‘futebol chinês’ para a igreja. Esse terreno custou 2,5 mil contos de réis. É uma soma fabulosa se você comparar com o valor do terreno da área de dentro da Avenida do Contorno, antigo Curral Del Rey e hoje Belo Horizonte, que foi de 36 mil contos de réis”, disse Antonio.

Abrigo antiaéreo

Cerca de 250 pessoas trabalharam na obra do Acaiaca, ainda hoje o prédio mais alto de Belo Horizonte, segundo a prefeitura . Além das salas e lojas, os operários também construíram um abrigo antiaéreo no subsolo atendendo ao decreto 4.098 de 1942, assinado por Getúlio Vargas.

Naquele ano, a 2ª Guerra Mundial estava no auge e a medida buscava garantir a segurança dos brasileiros em caso de eventuais ataques de aviões dos países do Eixo.

“O espaço ainda existe, mas hoje funciona um depósito, uma cantina e banheiros dos funcionários”, contou o escritor que chegou a trabalhar no Cine Acaiaca, cujo primeiro filme exibido foi “Sempre te amei”, de Franz Borzade, em 1948. O cinema funcionou até 1998. Hoje há uma igreja evangélica no local.

O prédio também já abrigou uma boate, um teatro e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que funcionou no local de 1953 a 1961.

A primeira sede da TV Itacolomi, fundada pelo então dono do Diários Associados, Assis Chateaubriand, foi no Edifício Acaiaca. A estreia, no dia 8 de fevereiro de 1955, foi acompanhada por Antonio Miranda.

“Ela funcionava no 23º e no 24º andares. Eu assisti ao primeiro programa aqui e assisti o último dela aqui também”, contou ele. A empresa saiu do Acaiaca nos anos 70 e funcionou até os anos 80.

“O nosso pensamento é de resgatar este edifício para a população de Belo Horizonte. Nós queremos fazer do Acaiaca um ponto turístico. Olha só esta vista”, disse Antonio, apontando para as varandas do salão do 25º andar de onde é possível ver outros símbolos da capital mineira como a Serra do Curral, o Parque Municipal, o Viaduto de Santa Tereza e a Praça da Estação.

Patrimônio

O condomínio do Edifício Acaiaca está elaborando um projeto de restauração com o objetivo de transformar o imóvel em ponto turístico. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, ele ainda não foi protocolado para análise do Conselho de Patrimônio.

“Nós queremos devolver o prédio para as pessoas. O local é um ícone da cidade”, disse Antonio.

O Acaiaca é tombado pelo patrimônio municipal desde 1999.

Por Thais Pimentel

Fonte original da notícia: G1 MG




MG – Projeto percorre as ruas de BH para fotografar e identificar residências antigas

Escondido entre prédios e muros, um portão marrom passa quase despercebido por quem transita pela rua Hermínio Alves, no bairro Santa Tereza, região Leste de Belo Horizonte. Do lado de dentro, 12 casas surpreendem pelas suas cores vivas e a história que guardam. Com a construção iniciada na década de 1910, a Vila Ivone é o retrato da riqueza arquitetônica que faz parte da capital. A menos de quatro quilômetros do Centro da cidade, a área teve como seus primeiros moradores Avelino de Souza Vieira e Florinda Pereira de Souza, que vieram de Portugal. Em 2003, foi tombada pelo patrimônio histórico e até hoje abriga os familiares do casal.

Já no bairro Serra, região Centro-Sul, as curvas e o estilo neoclássico marcam uma residência de dois andares na rua Estevão Pinto. Com projeto do arquiteto italiano Octaviano Lapertosa, um dos fundadores da Escola de Arquitetura da UFMG, o espaço já abrigou o professor Antônio Aleixo, foi colégio e até convento. Esses são apenas alguns detalhes da riqueza histórica que passam despercebidos pelos olhares dos apressados belo-horizontinos. Para mudar esse panorama, o projeto Casas de BH percorre as ruas da cidade para identificar e registrar residências antigas. De acordo com o fundador, o arquiteto Ivan Araújo, mais de 115 casas já foram catalogadas.

“A proposta surgiu em 2015 e tive uma grande aceitação, principalmente nas redes sociais. Tem pessoas que participam e contam que já moraram nesses locais ou tiveram algum familiar residindo ali”, contou. O projeto já promoveu duas caminhadas explicativas com estudantes e interessados pela área nos bairros de Lourdes e Funcionários, que concentram o acervo histórico de BH. “Na primeira, foram pouco mais de 50 pessoas participantes. Já na segunda edição, que aconteceu neste mês, recebemos mais de 100”, disse.

Preservação histórica

Conforme o especialista, muitos moradores relatam dificuldades para manter as propriedades em bom estado de conservação, principalmente pelos altos custos das reformas. “Como muitas são tombadas, eles relataram falta de incentivo e apoio, principalmente com o custo. E manter uma casa em bom estado envolve muita manutenção”, finalizou.

O arquiteto e professor da UFMG, Flávio Carsalade, explicou que grande parte da história da cidade já foi perdida. “Porém, a partir de 1990, com a criação da diretoria de patrimônio histórico de BH, essa situação vem se revertendo. Além da proteção municipal, o órgão oferece assistência técnica gratuita para os moradores”, argumentou.

Por Lucas Morais

Fonte original da notícia: Metro BH




Museu da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), completa 60 anos e tem acervo guardado e sob ameaça de fungos

Projetado por Oscar Niemeyer, antigo cassino faz parte de conjunto arquitetônico que se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade em 2016.

O Museu da Pampulha, em Belo Horizonte, completa 60 anos com as salas de exposição vazias. Todo o acervo permanente do museu está guardado em uma sala fechada e tomados pelo mofo. Projetado por Oscar Niemeyer, antigo cassino faz parte de conjunto arquitetônico que se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2016.

O prédio modernista surpreende pela beleza. “A gente ficou brincando que é uma inovação. Você chegar num museu e não ter exposição nenhuma”, disse a estudante de história Ana Laura Alves Alvim.

Os visitantes podem andar pelas rampas, observar as curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer e o jardim criado pelo paisagista Burle Marx. Mas não vão encontrar uma obra de arte sequer. “I que eu gostaria de ver são as artes, pinturas, que é uma coisa que eu nunca vi de perto. Eu gostaria de ver isso”, lamentou a educadora social Carla Barbosa de Souza Silva.

O museu tem um acerco com cerca de 1,4 mil obras de arte. Os trabalhos estão longe do público e guardados em condições que preocupam. As obras estão numa sala que ficou um ano sem ar condicionado. O problema agora são os fungos que se espalharam pelo acervo, segundo o diretor do Conjunto Moderno da Pampulha, Gustavo Medicino.

“A gente conseguiu solucionar agora, com o ar, não teve danos maiores às obras, não causou, a gente, se ficasse mais tempo poderia causar, mais a gente conseguiu solucionar e agora o que a gente precisa combater os fungos que proliferaram”, disse Medicino.

O acervo só pode ser visto em catálogos. São obras de artistas consagrados como Guignard, Amílcar de Castro e Di Cavalcanti. “As obras do acervo aqui da Pampulha têm um valor cultural muito importante, porque são obras de artistas que atuaram aqui desde a construção da Pampulha até hoje”, disse Marília Andrés Ribeiro, historiadora da arte.

A dificuldade para montar exposições é o excesso de luz natural, que pode danificar telas e gravuras. O projeto inicial de Niemeyer era de um cassino e só virou museu depois da proibição do jogo no Brasil. “Ele fez isso como uma vitrine pra paisagem fora. (…) Pra se tornar museu, de alguma forma, a gente tem que obscurecer alguma parte desses vidros pra impedir que a luz entre”, explicou Priscila Freire, ex-diretora do Museu da Pampulha.

Uma das propostas de solução do problema é construir um anexo do museu. A prefeitura já tem o terreno e gastou mais de R$ 500 mil em dois projetos, um deles do próprio Niemeyer. Mas a direção do museu diz que não tem os R$ 30 milhões necessários para fazer o anexo.

A proposta, por enquanto, é levar o acervo pra um galpão, em melhores condições, mas em outra região da cidade. Alguns historiadores, no entanto, discordam da medida. “Considero que as obras devem estar próximas ao museu, porque o museu é da Pampulha. Se você leva o acervo para um outro lugar e mistura com outros acervos descaracteriza completamente”, afirmou, Marília Andrés Ribeiro.

Para quem visita o museu, o jeito é aguardar. “A gente fica só esperando a oportunidade de ver isso, se realmente tiver essas exposições a gente vai presenciar, com certeza”, falou a vendedora Simone Vieira.

Fonte original da notícia: G1 MG – Bom Dia Brasil, Belo Horizonte




Espaço dedicado à gastronomia mineira será inaugurado em Belo Horizonte (MG)

O bairro Santo Agostinho é o local escolhido para abrigar a Mineiraria, casa que pretende incentivar toda a cadeia produtiva da gastronomia do estado.

A Mineiraria vai ser aberta em imóvel tombado no Santo Agostinho: a ideia é promover produtos da culinária, além de oficinas, eventos e intercâmbios entre chefs. Foto: Marcelo Sant’Anna/Divulgação

A terra do pão de queijo, doces de compota, cachaça e tropeiro vai ganhar mais força para a sua culinária, que promete ser alavanca para o desenvolvimento econômico e estímulo ao turismo no estado. A gastronomia de Minas Gerais, que é referência em todo o Brasil e até em outros países, terá espaço exclusivo em Belo Horizonte. Trata-se da Mineiraria, a casa da gastronomia mineira.

O espaço cultural, destinado à promoção do segmento, começa a funcionar até o final do ano, em casa tombada no Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, no bairro Santo Agostinho. O complexo abriga atualmente a Orquestra Filarmônica e em breve receberá também a Rádio Inconfidência e a TV Rede Minas. A ideia é que a Mineiraria promova os produtos da culinária mineira, além de oficinas, eventos e intercâmbio entre chefs de todo o país.

A casa faz parte do programa +Gastronomia, lançado em maio pelo governo do estado em parceria com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig) e outras entidades públicas e privadas. O programa visa incentivar, fomentar e valorizar toda a cadeia envolvida na produção: desde a agricultura familiar até o comércio. “A indústria, como conhecemos hoje, vai desaparecer dentro de pouco tempo, substituída por uma economia muito mais leve e dinâmica”, afirmou, na cerimônia de lançamento, o governador Fernando Pimentel. Ele lembrou que a culinária, além de ser um aspecto fundamental na sociedade mineira, é geradora de emprego e renda. “Vamos valorizar e mostrar a importância econômica da gastronomia, além da evidente importância cultural.”

Foto: Marcelo Sant’Anna/Divulgação

O objetivo do Gastronomia é conectar todas as atividades do setor em um único discurso. “É a nossa principal vitrine. As pessoas reconhecem na comida mineira valor importante do estado”, afirma a primeira-dama, Carolina Oliveira Pimentel, presidente do Servas. Ela enfatiza que a culinária de Minas é reconhecida desde o couvert até a sobremesa e é a porta de entrada para muitos turistas. “Faz parte da hospitalidade mineira sentar-se à mesa e receber as pessoas com café e pão de queijo”, diz. E lembra que muita gente não volta sem levar para casa produtos como o queijo e a famosa goiabada cascão. “A ideia do programa é divulgar também os circuitos gastronômicos.”

A Mineiraria estará em ampla casa de 1,2 mil m2 e terá espaço para escola de gastronomia e mesmo um pequeno museu, reverenciando os quitutes mineiros. “Já temos muitas pessoas interessadas em doar rótulos de cachaça antigos e até fogões históricos”, afirma Carolina. Alguns produtos âncoras deverão ganhar espaço na casa, como o café, cachaça, queijos artesanais, doces de compotas e novidades que começam a ganhar espaço no estado, como azeite e vinho. O ambiente vai ter gestão pública e privada e todas as atividades serão definidas por um Grupo Gestor da Política e um Conselho Curador, presidido pela Codemig. Ambos terão diferentes integrantes da administração pública, bem como entidades representantes da cadeia produtiva do setor.

“Por meio do conselho vamos discutir a programação e os serviços e produtos que serão oferecidos”, afirma Fernanda Machado, diretora de fomento à indústria criativa da Codemig. A casa, de dois andares, diz, tem capacidade para receber eventos diferenciados. “Poucos lugares têm amplo espaço de visitação para se conhecer a história e os produtos da gastronomia”, completa.

A maior preocupação do governo é que a casa não se torne mais um restaurante e concorra com a iniciativa privada e mercados. No projeto, o Servas terá forte atuação na inclusão social. A entidade já conta hoje com o programa Cozinha Inteligente,  que está em sua terceira edição. O curso, lançado em 2015, é focado no reaproveitamento de alimentos, mediante parceria com o Senac e o Sesc. As turmas são formadas com 25 alunos de baixa renda, que aprendem as funções de auxiliar de cozinha.

Apreciada por suas cores, sabores e aromas marcantes, a culinária mineira tem forte potencial para atrair novos negócios, empregos e turistas para o estado. Os ingredientes não faltam. Receitas preparadas de formas simples, como é o caso do pão de queijo e do queijo de minas, são conhecidas como “patrimônio cultural” de Minas Gerais. “Queremos que a Mineiraria seja um ambiente criativo e mostre a gastronomia das Minas e dos Gerais”, afirma Carolina. E que seja um tempero, é claro, no preparo de pratos nacionais e internacionais.

A gastronomia mineira em números*:

Eventos gastronômicos anuais: 154
Roteiros estruturados nas regiões turísticas: 19
Cursos em funcionamento de nível tecnológico: 16
Produtores de queijo de minas artesanal: 254
Produtores de cachaça: 509
Marcas de cachaça: 1.020
Agricultores familiares: 390 mil
Negócios no setor de alimentação fora do lar: 105,6 mil
Participação das indústrias de alimentos e bebidas no PIB mineiro: 20%
Participação nas exportações do estado: 29%
*Fonte: governo, ministérios e entidades do setor

Por Geórgea Choucair

Fonte original da notícia: Revista Encontro




Arquidiocese quer que Igreja da Boa Viagem seja declarada marco zero de Belo Horizonte (MG)

Título hoje pertence à Praça da Estação. Pároco conta que o primeiro registro do Curral del-Rei se deu em torno de 1714, com a chegada da imagem da Nossa Senhora da Boa Viagem de Portugal.

Arquidiocese defende que o templo, área arborizada no que é hoje o Bairro Funcionários, foi o ponto inicial do povoamento do arraial sobre o qual se ergueu a cidade planejada. Foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press

Onde fica o coração de uma cidade? Para a Arquidiocese de Belo Horizonte, a Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem representa o início da história da capital e, portanto, deve ter direito ao título. Na tentativa de oficializar o templo como ponto de origem da cidade, religiosos da paróquia convocaram para hoje uma reunião com representantes do poder público, em níveis municipal e estadual, para defender o projeto. O encontro também visa a planejar ações comemorativas a serem realizadas neste ano, quando são celebradas quatro décadas de tombamento da igreja e os 80 anos de adoração ao Santíssimo Sacramento, de forma ininterrupta, no Santuário da Arquidiocese.

A proposta da arquidiocese prevê que a Igreja da Boa Viagem, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de BH, seja reconhecida como “marco zero” da cidade. Segundo a historiadora Lays Silva de Souza, essa referência representa o ponto no qual a construção de BH teve início. Mas outro espaço da capital é detentor do título atualmente. “Os arquivos da comissão construtora apontam que o marco zero histórico da capital é a Praça da Estação. Foi lá que a cidade começou. Até hoje existe uma placa demarcando o local”, explica.

A arquidiocese defende que a igreja seja reconhecida como o local histórico que deu início ao Curral del-Rei, o povoamento original sobre o qual se ergueu Belo Horizonte. O padre Marcelo Silva, reitor do Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua, Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, que solicitou a reunião, afirma que o objetivo é tornar oficial aquilo que “já é histórico”. O pároco conta que o primeiro registro do vilarejo se deu em torno de 1714, com a chegada da imagem da Nossa Senhora da Boa Viagem de Portugal. “Naquela época, foi criada uma capelinha e o vilarejo cresceu em torno dela, como era costume”, afirma. “Tornar a igreja o marco zero é o reconhecimento legal necessário para preservar e promover a história e a cultura da cidade, além de restaurar o local onde Belo Horizonte começou”, ressalta. A atual Catedral Nossa Senhora da Boa Viagem, inaugurada em 1923, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) há 40 anos.

Para a historiadora Lays Souza, o pleito de reconhecer a igreja como marco zero precisa ser analisado. “Os documentos apontam para um marco que se deu depois da vinda da comissão construtora. Se formos considerar o Curral del-Rei e a população anterior, que provavelmente já tinha a igreja para atender à demanda religiosa, a mudança pode ser levada em consideração e pode ser relevante”, avalia. De acordo com a Arquidiocese de Belo Horizonte, são aguardadas na reunião as presenças do secretário de cultura de Minas Gerais, Ângelo Oswaldo, e do vice-prefeito da capital, Paulo Lamac, entre outras autoridades.

Vigília. Desde 1937, após a realização do Congresso Eucarístico Nacional em Belo Horizonte, o Santíssimo Sacramento – peça que exibe Eucaristia, que segundo a tradição católica representa o corpo de Cristo – permanece exposto 24 horas por dia na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. Os fiéis dedicam pelo menos uma hora por dia para rezar no espaço. Conforme o padre Marcelo Silva, essa é a única adoração ininterrupta de Minas Gerais, e uma das poucas do país.

A adoração perpétua conta com mais de 60 grupos que se revezam, dia e noite, em oração ininterrupta. “Temos uma estrutura de pernoite, com dormitórios e local para banho e alimentação, de modo que o peregrino seja acolhido. É importante para nós mostrar que, além da história e da cultura, o local que consideramos marco zero é também fonte contínua de oração”, aponta o padre Marcelo Silva.

Na reunião desta quarta-feira também será anunciado que já está no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) o pedido para que a adoração perpétua seja reconhecida como bem imaterial do estado. Em nota enviada por sua assessoria de comunicação, o Iepha confirmou que o pedido foi recebido no início do mês. “O material será analisado pelo instituto, que também realizará pesquisas complementares para embasar a decisão sobre a pertinência da abertura do processo de registro”, informou.

Por Karen Santos, estagiária sob supervisão do editor André Garcia

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Belo Horizonte (MG) – Casarão histórico guarda a memória da região de Venda Nova

Reconstruído pela PBH em 2013, o imóvel do século XIX recebeu 9 mil visitas em 2016.

Um casarão do século XIX guarda as memórias da região de Venda Nova, um dos mais antigos distritos de Belo Horizonte. (foto: Arquivo Gercom-VN/PBH/Divulgação)

Construído em 1894, um casarão azul e branco de estilo arquitetônico colonial é um autêntico cartão postal da região de Venda Nova, no vetor norte de Belo Horizonte. Tombado em 2003 pelo Conselho do Patrimônio Histórico do município, ele comporta o Centro de Referência da Memória de Venda Nova, ligado à Fundação Municipal de – Cultura (FMC).

Danificado pela ação do tempo e por um incêndio, o casarão foi reconstruído pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e entregue à comunidade em agosto de 2013, com objetivo de abrigar exposições e o acervo histórico sobre a região, reunido pelos moradores.

A edificação agradou a uma das figuras que mais atuou para que o projeto de reconstrução se consolidasse: dona Lúcia César, de 82 anos, integrante do extinto Culturarte, movimento local que lutou durante décadas pela valorização e preservação da memória de Venda Nova. “Está mais bonito do que era”, comenta a moradora.

Visitas orientadas

Desde a inauguração, o casarão histórico tem recebido vários grupos de estudantes, de pessoas da terceira idade e de instituições de saúde mental. O espaço está sob os cuidados do técnico do Patrimônio Cultural, Henrique Willer de Castro, que tem desenvolvido um trabalho de educação patrimonial, com visitas orientadas, utilizando diversos recursos lúdicos e didáticos, como caça-palavras, jogo da memória, todos especificamente criados e desenvolvidos com informações sobre a região.

Os visitantes são recebidos, na maioria das vezes, pela professora Silvana Cheib, que está cedida para a FMC. Ela conta que é muito bom ver a emoção das pessoas em relembrar e outras em conhecer a história de Venda Nova.

Em 2016, o espaço recebeu cerca de vinte grupos de visita orientada, totalizando quase 350 visitantes. Somados ao público espontâneo, foram quase nove mil visitas. A exposição Caminhos de Venda Nova: Memória, Sensibilidade e Identidade, que, atualmente, está instalada no local, têm propiciado experiências emocionantes.

“Numa delas, fomos procurados por um senhor, indagando sobre uma foto que está exposta na área externa do local, plotada num dos vidros. É a foto de alguns homens num armazém, que ficava à rua Padre Pedro Pinto. Emocionado, reconhecera ali seu pai, de quem não possuía nenhum registro fotográfico. Com lágrimas, agradeceu pela oportunidade de receber uma cópia digital da imagem do pai”, conta Henrique Willer.

O técnico do Patrimônio Cultural vê com bons olhos a iniciativa da PBH em manter um espaço de memória para uma região com uma história tão rica. “Venda Nova tem vivido um verdadeiro boom do crescimento habitacional e comercial, que traz diversos impactos. Num contraponto, a iniciativa do poder público municipal em criar e manter um espaço de natureza museológica e memorial se mostra importante, uma vez que a região possui uma história rica, que precisa ser transmitida e preservada. Um esforço de lidar com a tradição e a modernidade, com o desenvolvimento urbano e econômico”, diz Henrique Willer.

Com assessoria de comunicação da PBH.

Fonte original da notícia: Revista Encontro




Belo Horizonte (MG) – Prédios vazios e subutilizados podem virar “points culturais”

Ideia está em Plano Diretor para área entre Francisco Sales e Contorno com rua Rio de Janeiro.

Viaduto Santa Tereza está dentro da área da zona cultural de BH.

A Fundação Municipal de Cultura (FMC) finalizou as propostas para a elaboração do Plano Diretor da Zona Cultural da Praça da Estação, em Belo Horizonte. A ideia é transformar em corredor cultural a área que vai do viaduto da avenida Francisco Sales até a avenida do Contorno com a rua Rio de Janeiro. Entre as demandas apresentadas pelo Conselho Consultivo da Zona Cultural da Praça da Estação, criado em 2014 para discutir a proposta, estão o fechamento de vias para eventos culturais e políticas e a ocupação de imóveis vazios e subutilizados com atividades com vocação para o entretenimento ou de cunho social.

A partir de agora, essas diretrizes serão encaminhadas para a Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano, que vai buscar instrumentos jurídicos para viabilizar a implementação dessas políticas. As ações do Plano Diretor poderão ser implementadas por portarias, decretos ou projetos de lei nos casos que demandarem a aprovação da Câmara Municipal. Antes, porém, precisarão ser aprovadas no Conselho Municipal de Política Urbana (Compur).

Entre as diretrizes defendidas pelo conselho consultivo está um levantamento dos imóveis ociosos na região, públicos e privados. Uma pesquisa inicial apontou 25 prédios ou lotes nessa situação, incluindo os que são utilizados como estacionamentos.

“Evitamos fazer indicações pontuais de cada imóvel e no que cada local desses teria potencial de se transformar. Só apontamos que, levando em consideração a população que hoje ocupa essa região, seria necessário a construção de um Centro de Referência para atendimento à População de Rua e um Centro de Referência de Atendimento à Mulher”, afirmou Felipe Soares, um dos membros do Conselho Consultivo da Zona Cultural da Praça da Estação, que também é pesquisador do grupo interdisciplinar da Escola de Arquitetura da UFMG.

Soares destaca que é preciso uma preocupação além da cultura, para não haver uma gentrificação da área, expulsando os frequentadores da região após a mudança no perfil de ocupação. “A vocação cultural da região é muito importante e precisa ser incentivada, mas é preciso ir além e pensar também em incentivos sociais voltados para quem hoje utiliza o local”, acrescentou o advogado.

Outra diretriz apresentado pela Fundação Municipal de Cultura foi a criação de banheiros gratuitos. A ideia é abrir ao público as estruturas que já existem embaixo do viaduto Santa Tereza. Os banheiros teriam vestiários, inclusive com chuveiros, e ficariam abertos em tempo integral. Há ainda a previsão de implantar banheiros químicos em locais que não atrapalhem o uso do espaço público.

Saiba mais

Estrutura. Hoje, a região onde deve ser criada a Zona Cultural da Praça da Estação tem diversos pontos culturais e de entretenimento, como a Serraria Souza Pinto, o Museu de Artes e Ofícios e a sede da Fundação Nacional das Artes em Belo Horizonte, no imóvel conhecido como Casa do Conde.

Política. Apesar do Conselho Consultivo da Zona Cultural da Praça da Estação ter sido criado na gestão de Marcio Lacerda (PSB), as diretrizes apresentadas seguem a linha da política adotada por Alexandre Kalil (PHS), com a abertura dos espaços públicos. Uma das ações nessa linha é o fechamento de avenidas na Savassi aos domingos para atividades de lazer.

Por Bernardo Miranda

Fonte original da notícia: O Tempo




Belo Horizonte (MG)- MAP está em estado de alerta

Em carta, funcionários do Museu de Arte da Pampulha denunciam descaso do poder público em relação ao espaço

Patrimônio de BH, museu sofre, segundo funcionários, com o abandono e a falta de incentivos do poder público.

Funcionários do Museu de Arte da Pampulha (MAP) divulgaram na última sexta-feira (5) uma carta aberta pedindo apoio para o espaço, que atualmente se encontra em “grave situação de negligência” e tem sofrido com “baixo recurso e falta de investimento”. Dentre as reivindicações presentes na chamada “Carta de Apoio ao Museu de Arte da Pampulha”, estão a denúncia de falta de profissionais, deterioração do acervo e redução na verba destinadas a projetos. A divulgação da carta ocorre no ano em que o MAP completa 60 anos.

Nessa terça (9), vereadores da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo, Pedro Patrus (PT) e Arnaldo Godoy (PT) realizaram uma visita técnica ao local para verificar as condições do acervo após as denúncias. De acordo com Patrus, a situação das obras é “aterrorizante”. “O acervo está jogado às traças. Há obras do museu que estão em um galpão do bairro São Bernardo. Esculturas fundamentais estão completamente deterioradas”, diz.

Situação complicada. Em determinado trecho da carta, os funcionários dizem que o projeto Arte Contemporânea, que tem calendário anual, “teve redução de mais de 50% em seu orçamento”. De acordo com uma funcionária do museu que pediu anonimato, o MAP vive “uma situação complicada há quatro anos”. “O orçamento vem sendo reduzido todos os anos. Por isso, não conseguimos executar as atividades”, diz.

Outra questão levantada no documento é que o espaço não possui curador efetivo desde 2012, nem museólogo desde 2014. “Não ter um curador efetivo é um problema grande, mas não ter um museólogo é um problema maior, porque, por lei, todos os museus precisam de um museólogo”, afirma a mesma funcionária.

Além disso, ela destaca que a deterioração do acervo é constante. “Ele está em um local que já é pequeno. Estamos sem ar-condicionado há mais de um ano. O acervo já está sofrendo com a ação de micro-organismos, algo que não acontecia até um ano atrás”, relata.

A carta destaca ainda que o museu recebeu grande visibilidade com a implantação dos projetos Bolsa Pampulha e Arte Contemporânea, em 2002, mas que ela foi se perdendo com o passar dos anos. De acordo com a funcionária, o espaço tem perdido a função de instituição museológica para dar lugar a promoção de eventos turísticos, como Circuito Pampulha Noturno, que ocorre às terças-feiras. “Quando foi dado o título à Pampulha de Patrimônio Cultural da Humanidade, foi visado a paisagem e o conjunto arquitetônico, mas não o museu. Essa instituição tem sido colocada de lado. Está sendo chamada a atenção apenas do turismo e eventos que não estão ligados à instituição”, comenta.

Posicionamento. O diretor do Conjunto Moderno Pampulha – órgão sob responsabilidade de Fundação Municipal de Cultura –, Gustavo Mendicine, foi procurado para se posicionar perante os questionamentos da carta. Ele confirmou que o espaço não tem curador fixo nem museólogo. Segundo ele, “os curadores trabalham por projeto”. “Existem outros museus que trabalham assim”, afirmou.

Mendicine disse ainda que não contar com um museólogo “não é particularidade do MAP”. “Na cidade, só existem dois museólogos. Não é porque não existe esse profissional que o trabalho dele deixa de ser feito”, afirma.

Quanto à condição em que se encontra o acervo, que tem sofrido deterioração por conta da falta de ar condicionado, Mendicine destacou que esse é um “problema pontual, que deve ser resolvido em um prazo de 30 dias”.

Ao ser questionado sobre a declaração de que a instituição está sendo deixada de lado, o diretor afirmou que isso não condiz com a realidade. “O museu está vivendo em um período entre exposições. Em março, foi retirada a última, e em um período de duas, três semanas deve ser anunciada outra”, diz.

As questões levantadas pelos vereadores que visitaram o MAP, nessa terça, serão levadas a público em audiência, que ocorrerá na próxima segunda-feira (15). Na reunião, também será discutida a possibilidade de mudança do acervo do Museu da Imagem e do Som, situado na avenida Álvares Cabral, para o MIS Cine Santa Tereza.

Por Laura Maria

Fonte original da notícia: O Tempo




Belo Horizonte (MG) – Cine Santa Tereza será revitalizado e vai concentrar ações na área audiovisual

Lucas Prates/Hoje em Dia

A Prefeitura de Belo Horizonte irá investir R$ 1,37 milhão na reforma e revitalização do Cine Santa Tereza, espaço cultural que foi reaberto em abril do ano passado e vem exibindo mostras cinematográficas com entrada gratuita. O equipamento público da Fundação Municipal de Cultura terá nova estrutura para um melhoramento no funcionamento da atividade cinematográfica, preservação e fomento da produção visual.

Além disso, o espaço receberá as equipes atualmente instaladas junto ao Museu da Imagem e do Som (MIS), atendendo a uma antiga demanda do setor, que buscava um local mais adequado para a realização desse trabalho. Estas ações contarão com recursos do BNDES, de compensação de patrimônio histórico e da própria prefeitura.

Segundo o diretor do arquivo, museus e centros de referência da Fundação Municipal de Cultura, Yuri Mello Mesquita, o Cine Santa Tereza também terá avanços no seu tratamento acústico. Uma nova porta corta-fogo vai contribuir para que o áudio dos filmes seja melhor reproduzido durante as sessões, reduzindo o ruído externo. Uma segunda fase do projeto prevê a transferência também do acervo, hoje localizado em um imóvel da região Centro Sul, para o equipamento cultural.

A administração municipal estuda também a implantação de núcleo de produção digital, com o objetivo de formar pessoas na produção audiovisual, em um imóvel da área central. Se a ideia for concretizada, será o primeiro do gênero em Minas Gerais.

Para o Museu da Imagem e do Som, a mudança é motivo de preocupação. “Quando recebemos essa noticia dessa forma, como algo ja dado como certo, com prazo de desocupação estabelecido, ficamos assustados porque o que nos preocupa é o quanto isso vai impactar negativamente as ações que desenvolvemos no Museu”, explica a técnica de nível superior do Patrimônio Cultural do MIS, Isabel Beirigo.

Isabel explica que o maior problema com essa transferência é a questão do acervo. “Atualmente, a área do acervo ocupa toda a parte de baixo do Museu. São cinco salas com reserva técnica com climatização, controle de temperatura e umidade relativa do ar e sistema de exaustão. Todas as salas ficam separada para manter as condições físicas ideais para cada fim. Além destas salas, temos ainda uma sala de tratamento e mais duas de atendimento do pesquisador. Como vamos colocar o Museu, construído numa área de 420m² em um espaço de 150m²?”, questiona.

O produtor cultural do Cine Santa Tereza, Gilberto César Vieira, concorda que o espaço não será suficiente, além do mais, a mudança vai acarretar no cancelamento de mostras importantes de cinema que o Cine receberia. “O Cine Santa Tereza não tem nenhuma condição de receber o acervo do MIS. Primeiro por questão de espaço, de infraestrutura. Segundo porque o cinema teria que interromper toda a sua programação já fechada até dezembro, em que receberíamos algumas mostras muito importantes de cinema russo, europeu, o Anima Mundi, então vamos ter que cancelar tudo”.

Gilberto explica que a forma com que a decisão foi comunicada, também deixou a todos muito incomodados.”A gente foi surpreendido pelo comunicado verbal do prefeito, não teve nenhuma formalidade nisso. Ficamos sabendo por meio da diretoria do MIS, o que nos causou um grande susto. O prefeito, infelizmente, mesmo tendo sido amplamente apoiado pelos servidores da cultura e por toda a classe artística de BH, não tem dialogado com os funcionários. Nem o corpo técnico do MIS quanto do Cine foi consultado”. ​

O secretário municipal adjunto de comunicação, Chico Maia, considera que as divergências de opinião neste caso são uma manifestação natural. “As pessoas costumam ter receio de mudanças. Na verdade, trata-se da potencialização do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte e do fortalecimento do audiovisual na cidade”, explica. Sobre as críticas feitas ao prefeito Alexandre Kalil, a prefeitura não se manifestou.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia