Com acervo histórico, Instituto completa 110 anos em Belo Horizonte (MG)

Apesar dos 110 anos de história, a associação tem projetos para atrair as novas gerações. A digitalização de documentos, mapas e fotos tem projeto e está em andamento.

Que tal visualizar um mapa de Minas Gerais de 1824? Ou vídeos culturais e políticos registrados em meados do século passado? E ter acesso a livros e documentos que contam a história de Belo Horizonte e Minas Gerais? Tudo isso é possível no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que completou 110 anos de existência em agosto deste ano.

Localizado na região central de Belo Horizonte, na rua Guajajaras, o instituto conta com biblioteca, videoteca, hemeroteca e mapoteca, que preservam a história de Minas Gerais e também do Brasil, por meio de livros, revistas, mapas e vídeos dos séculos XVIII, XIX e XX.

“A biblioteca é o local com mais referência histórica, obras e documentos raros, originais. Inclusive, coleções e doações ligadas ao instituto de alguma forma”, diz o atual presidente da instituição, Aluízio Quintão.

Em todo estado mineiro, o IHGMG é a instituição privada mais antiga em funcionamento. Para ter uma ideia, há livro com título “A Capitania das Minas Gerais”, de Augusto de Lima Junior. Outro exemplo, sobre a história nacional, o instituto conta com livro “Memória a respeito da Sepultura Rasa do Descobridor do Brasil Pedro Alvares Cabral”, publicado em 1902.

O instituto foi criado em 15 de agosto de 1907, após movimento político. Em 1896, Nelson de Sena começou o movimento pela criação do instituto, que era inspirado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que fora fundado ainda no regime monárquico, em 1838.

Em 1897, foi a vez de Antônio Augusto de Lima realizar reuniões com políticos e intelectuais da época em favor da criação do instituto. Apenas 10 anos depois, o grupo conseguiu fundar o instituto, que fora presidido pelo então presidente (governador) de Minas Gerais João Pinheiro da Silva. “O Instituto surgiu pelo idealismo de jovens políticos que queriam registrar a história de Minas Gerais”, afirma Aluízio.

Futuro

Apesar dos 110 anos de história, a associação tem projetos para atrair as novas gerações. A digitalização de documentos, mapas e fotos tem projeto e está em andamento. “A digitalização ajuda a pesquisa, sem alterar documentos. Temos site que está sendo restruturado e vamos tentar colocar os arquivos de maneira ampla”, diz Aluízio.

A missão do instituto parece simples, mas exige esforços para que a história mineira seja mantida, como diz o diretor de comunicação Paulo Lasmar. “Numa época em que a educação e a cultura ficam relevados a segundo plano, essa lamentável situação só aumenta a responsabilidade e importância do instituto, que possui acervo inestimável”, afirma.

Serviço

Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
Funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 13h às 17h30
Telefone: (31) 3212-4656
Rua Guajajaras, 1268. Centro. Belo Horizonte.

Fonte original da notícia: O Tempo




Vestígios arqueológicos dão pistas sobre a pré-história de Belo Horizonte (MG)

Artefatos de pedra e cerâmica resgatados em sítios arqueológicos mostram vestígios de ocupação humana que fazem a história da cidade recuar no tempo entre 500 e mil anos. Estudiosos batalham para resgatar peças do acervo, hoje no Museu Nacional do Rio, e escavações continuam no Horto.

Antônio Gilberto Costa mostra área do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG onde foram feitas as escavações da década de 1940. Foto: Beto Novaes/EM

Qual a idade de Belo Horizonte? Qualquer criança responderá, em um piscar de olhos: 120 anos. Mas se a pergunta incluir a expressão “verdadeira idade”, com certeza muita gente ficará com cara de interrogação. É que a história da que hoje é conhecida como capital dos mineiros vem de muito antes da transferência, em 1897, da sede do poder de Ouro Preto para o primitivo Arraial do Curral del-Rei, sobre a qual foi erguida a cidade; antes até mesmo das sesmarias recebidas, em 1701, pelo bandeirante João Leite da Silva Ortiz. “BH tem um passado desconhecido. Muito antes dos pioneiros, já havia ocupação humana, conforme vestígios arqueológicos encontrados na forma de artefatos de pedra e cerâmica. O grande problema é que esse material foi levado para o Rio de Janeiro e nunca mais voltou”, lamenta o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, também integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), com base em estudos da década de 1940.

Na publicação Arqueologia de Belo Horizonte, de dezembro de 1947, quando a capital comemorava 50 anos, o então presidente da Academia Mineira de Ciências e do IHGMG, professor Aníbal Mattos, escreveu sobre a ancestralidade da capital e registrou em fotografias os vestígios cerâmicos (pedaços de potes de variados tamanhos e rodas de fuso) e líticos (machados, soquetes e bigornas de pedra) provenientes de antigas aldeias indígenas existentes principalmente nas regiões do Horto Florestal, no Bairro Santa Inês, e do Córrego do Cardoso, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste. “Trata-se de um livro precioso”, diz Souza Miranda, explicando que o trabalho foi apresentado em 1938, em BH, e dois anos depois no 3º Congresso Rio-grandense de História e Geografia, em Porto Alegre. Para o especialista, são necessárias políticas para proteger o patrimônio arqueológico da capital.

Na sede do IHGMG, na Praça Raul Soares, Região Centro-Sul da capital, com os olhos atentos sobre o opúsculo (texto impresso de poucas páginas) de Aníbal Mattos, entende-se melhor a “pré-história” de Belo Horizonte, metrópole hoje com cerca de 2,4 milhões habitantes que completa 120 anos de fundação na próxima terça-feira. Mattos escreveu: “São páginas inéditas de uma história que o belo-horizontino ainda não conhecia, e de cuja existência talvez nem suspeitasse”. Entre os achados estavam machados indígenas, conhecidos popularmente como “pedras de raio”.

Em seu texto, o escritor e pesquisador revelou ainda que as melhores peças encontradas pelo doutor Soares de Gouvêa, que trabalhou em escavações na região do antigo Horto Florestal, hoje parte do Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (MHNJB/UFMG), “tinham sido enviadas a Roquette Pinto, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro”. E ressaltou: “Das jazidas arqueológicas que devem ter existido aqui, a mais importante até agora é a do Horto Florestal”.

Luz do Conhecimento. Na avaliação do arqueólogo André Prous, professor aposentado do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG, o material pode ter de 500 a 1 mil anos. Ele também destaca que o passado da capital e a ocupação primitiva são pouco conhecidos dos mineiros. Na sede do Museu de História Natural, onde Prous é pesquisador voluntário, há mais luz sobre a pré-história de BH. O diretor da instituição, o geólogo e professor Antônio Gilberto Costa, conta que uma equipe faz constantes escavações na área da instituição, concentrando as atividades no entorno do Palacinho, construção do início do século 20.

Fotos de peças arqueológicas encontradas entre 1938 e 1947 na região do Horto, em BH, hoje Museu de Historia Natural e Jardim Botânico da UFMG. Foto: Arqueologia de Belo Horizonte, de Anibal Mattos/Reprodução/Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

O professor Gilberto explica que em 2014 esteve no Museu Nacional, no Rio, e conversou com a diretoria sobre o acervo enviado na década de 1940. Com surpresa, foi informado de que ninguém sabia localizá-lo. Dois anos depois, voltou à carga, com objetivo de tentar um comodato para a exposição dos bens, mas até hoje não houve solução. “Continuamos aguardando uma posição do Museu Nacional”, diz o diretor, que está à frente de uma empreitada valiosa: uma exposição, em 2018, sobre a arqueologia em Minas, contando 12 mil anos de ocupações no estado, sendo grande parte do acervo pertencente ao Museu de História Natural da UFMG. “Será muito importante termos na mostra o acervo referente a Belo Horizonte”, afirma o geólogo.

Caminhando pela área verde do museu, o professor Gilberto conta que ao serem encontrados os primeiros artefatos, em 1938, foi nomeada uma comissão para acompanhar os trabalhos e recolher o material. “Houve uma grande sensibilidade dessas pessoas. A questão, no entanto, era onde guardar, já que não havia um museu especializado nessa área na cidade. Assim, as peças foram encaminhadas ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro.”

Hoje, em uma pequena exposição na Sala de Arqueologia Pré-Histórica, podem ser vistos quatro artefatos – lâminas de machado picoteadas e polidas –, da Coleção Anibal Machado, embora sem registro de procedência. Em uma vitrine ao lado, há peças que poderiam ser também vestígios da primitiva ocupação de Belo Horizonte. Mas o diretor da instituição não perde a esperança de mostrar o acervo maior em Minas, mesmo que não tenha sido encontrado um documento formal transferindo as peças para o Rio de Janeiro.

Palavra de especialista

Marcos Paulo de Souza Miranda, promotor de Justiça e integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

Estudos preventivos

“Talvez o melhor presente que os administradores públicos possam ofertar a Belo Horizonte seja a incorporação, na política de licenciamento ambiental e urbanístico da capital, da realização de estudos preventivos de arqueologia urbana para obras que demandem escavações e revolvimento do solo, o que já é praticado em outras capitais do país, gerando informações preciosas. Tal medida teria um enorme alcance preventivo e, seguramente, contribuiria significativamente para a melhor compreensão da extensão do patrimônio cultural da capital mineira, que não se resume a prédios neoclássicos ou ecléticos. É preciso pensar que, mesmo antes do surgimento do Arraial de Curral del-Rei, havia, comprovadamente, presença humana no território de BH, em torno do qual há vestígios arqueológicos que superam 10 mil anos de idade – a exemplo dos esqueletos encontrados na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, e Lapa do Santo, em Matozinhos, além de marcas deixadas por tatus e preguiças- gigantes em paleotocas cavadas em afloramentos ferruginosos como na Serra do Gandarela, nos limites de Caeté e Santa Bárbara, ainda no período Pleistocênico. Como os antigos seres humanos e animais da megafauna extinta não conheciam fronteiras e transitavam por toda a região, certamente percorreram o solo belo-horizontino e aqui deixaram marcas de suas passagens.”

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Decoração de Natal na Praça da Liberdade reflete atrativos de Belo Horizonte (MG)

Entre as luzes em tomo branco e dourado, elementos em vermelho na alameda travessia destacam paisagens da capital mineira. Túnel de luzes chama atenção do público.

Foto: Túlio Santos/EM

A decoração natalina da Praça da Liberdade, inaugurada na noite desta quinta-feira, tem como tema a capital mineira, representada em peças que destacam elementos arquitetônicos e a paisagem natural da cidade, posicionadas estrategicamente entre as 350 mil microlâmpadas de LED – 75% mais econômicas que as convencionais – e mais de 1,5 mil metros de mangueiras iluminadas. Pela primeira vez, a proposta conceitual para a tradicional iluminação, realizada pela Cemig desde a década de 1990, foi definida em concurso público.

De 25 projetos apresentados, o vencedor foi o da jovem arquiteta Maria Carolina de Assis Quadros, de 23 anos, que mora em Divinópolis, Centro-Oeste, e se formou no ano passado na Universidade de Itaúna.

“A proposta é homenagear Belo Horizonte, com ícones que representam a cidade, em diferentes camadas. BH é muito atrativa e a ideia foi por meio de diferentes elementos expressar essa característica, em suas diferentes épocas, como no túnel de luzes”, explicou a arquiteta.

O túnel citado por Maria Carolina chamou a atenção do público. O espaço, com painéis retratando pontos marcantes da capital, atraiu visitantes ávidos por fazer selfies, como as amigas Natália Ramos e Ana Paula Souza, as duas de 21 anos.

“É a primeira vez que venho à praça com decoração. Muito lindo, maravilhoso esse túnel destacando BH”, disse Natália. “Esse é meu quarto Natal aqui e vim das vezes anteriores à praça. Este ano está mais sóbrio, sem tantos elementos e cores. Gostei muito dessa proposta”, assinalou Ana Paula.

Luzes brancas e douradas realçam alameda

Foto: Túlio Santos/EM

Gustavo, de 7 meses, compareceu com os pais, Cláudia Tofani, de 31, e André Bernardes, de 32, à sua primeira decoração natalina na praça. O casal, que é vizinho de um dos mais belos locais turísticos da capital, já coleciona imagens das iluminações anteriores. O pequeno Gustavo, porém, era só sorriso e olhar atento às luzes da Alameda Travessia, realçando as palmeiras, e os cubos com ilustrações destacando ícones de BH.

De acordo com a gerente de Comunicação Interna, Nathália Dornellas, o projeto “Natal de Minas Gerais” é um presente à população e à capital. No concurso para o projeto conceitual de decoração foram levados em consideração a criatividade, o diálogo com o tema proposto, a valorização do patrimônio histórico, a viabilidade, a sustentabilidade e os elementos plásticos estéticos contidos na ideia.

A arquiteta Maria Carolina  usou predominantemente as cores branco frio, branco morno, vermelho e verde e disse que a intenção foi criar adornos diferenciados, que chamassem a atenção dos visitantes e evitassem o já tradicional. “Tais adornos foram dispostos em diferentes pontos da praça para não concentrar os atrativos em apenas um local”, afirmou Maria Carolina. Entre esses elementos, há duas árvores de Natal.

O projeto de Natal conta com o apoio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). O Circuito Cultural Liberdade, gerido pelo instituto, oferece uma programação especial gratuita para a população durante todo o período natalino. O público poderá ver exposições, shows, mostra de vídeos e participar de oficinas. A programação completa está no site http://circuitoculturalliberdade.com.br/plus/.

Importante motoristas ficarem atentos, já que até 6 de janeiro, último dia da decoração, o trânsito no entorno da praça sofrerá alterações, no período da noite. Das 19h à meia-noite, a Alameda da Educação, entre Rua Gonçalves Dias e Avenida Brasil, será interditada. E das 20h à meia-noite, será fechada a Alameda da Segurança, entre Avenida Brasil e Rua Gonçalves Dias. Para garantir a segurança e a mobilidade de todos que vão visitar a iluminação ou mesmo de passagem pela área, será também restringido o estacionamento em algumas vias do entorno da praça.

Decorações em vários pontos da cidade

Conheça a lista os pontos da capital que também recebem decoração natalina da Cemig:

*Praça do Cardoso, na Comunidade da Serra
*Praça Dona Valdete, no Alto Vera Cruz
*Paróquia Nossa Senhora do Morro, na Barragem Santa Lúcia
*Praça Cristo Redentor, no Barreiro
*Praça Amintas de Barros, em Venda Nova
*Igreja da Pampulha
*Complexo Itamar Franco, no Barro Preto
*Tribunal de Justiça de Minas Gerais
*Tribunal Regional do Trabalho
*Ministério Público de Minas Gerais
*Avenida Afonso Pena, entre a Rua da Bahia e a Avenida Álvares Cabral
*Avenida Barbacena

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Belo Horizonte (MG) – Após seis anos, Museu Mineiro reabre completamente restaurado

Reinauguração da Sala das Sessões marca a conclusão das intervenções no prédio do Museu Mineiro.

Quem entrar na construção em estilo eclético terá outras boas surpresas, além da Sala de Sessões, agora com o forro e as pinturas parietais reluzentes sob a iluminação própria para destacar o acervo pictórico. Foto: Beto Novaes/EM

De volta à cena para encantar, preservar a história e disseminar cultura. Quase seis anos longe dos olhos dos moradores e visitantes, um espaço emblemático do Museu Mineiro, no Circuito Cultural Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, reabre as portas completamente restaurado e com nova adequação das obras de arte, valorizando, assim, o acervo com seis telas de autoria de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), mestre do Barroco, e de outros expoentes da pintura. Na celebração dos 120 anos da capital, a reinauguração da Sala das Sessões marca a conclusão das intervenções no prédio da Avenida João Pinheiro, antiga sede do Senado Mineiro, e os 35 anos da unidade, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura.

Entre as novidades para o aniversário de BH, informa Andréa de Magalhães Matos, superintendente de Museus e Artes Visuais (Sumav) da Secretaria de Estado da Cultura, está a mostra Primeiros registros – a data de abertura será divulgada durante a semana –, com mais de 100 obras do Museu Mineiro, Arquivo Público Mineiro e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). Na Galeria de Exposição Temporária, estará um panorama da trajetória da cidade por meio de quadros, fotografias, documentos, plantas cadastrais e objetos, com destaque para uma tela retratando o engenheiro construtor Aarão Reis (1853-1936) com o projeto original de BH nas mãos, e uma bonequinha de biscuit que pertenceu à menina Alice, uma das que participaram do primeiro sorteio de lotes da nova capital.

“Este é um museu mineiro, com obras de artistas mineiros ou daqueles que retrataram Minas Gerais”, ressalta Andréa, orgulhosa por dirigir uma instituição que guarda a memória do estado e muito da capital. No total, são 3,5 mil peças, das quais 700 em exposição e de várias épocas e estilos. “Nosso objetivo é manter o dinamismo do museu, formar novos públicos e valorizar movimentos artísticos e culturais”, afirma.

Surpresas. Como dizia um poeta, trata-se, nesse momento, de um “museu de grandes novidades”. Quem entrar na construção em estilo eclético terá outras boas surpresas além da Sala das Sessões, agora com o forro e as pinturas parietais (feitas diretamente no reboco) reluzentes sob a iluminação expositiva e própria para destacar o acervo pictórico. No hall, pode ser admirado outro conjunto de pinturas parietais, que, conforme pesquisas, tem autoria do mesmo artista que trabalhou no Palácio da Liberdade, o alemão Frederico Steckel (1834-1921). A superintendente conta que foram removidas seis camadas de tinta até se chegar ao original.

Bem na entrada, estão em exposição obras de autoria do pintor natural de Ouro Preto Honório Esteves (1869-1933). Todos os quadros retratam personagens masculinos, destaca a superintendente, e, de cara, causa grande impacto a figura de um egípcio. Caminhando um pouco mais, fica-se frente a frente com a Sala dos Monarcas e vale o convite para contemplar as figuras, em óleo sobre tela, de dom João VI, Pedro II, dona Maria I e o brasão da família real.

No primeiro pavimento, mais perto da avenida, fica a Sala Jeanne Milde, homenagem à escultora belga (1900-1997) que chegou a BH em 1929, numa missão pedagógica europeia, para trabalhar no ensino de arte e educação. Os olhos não se cansam de admirar a escultura As adolescentes, verdadeira poesia feita com o cinzel. Sem pressa, tem-se a chance de conhecer o acervo moderno, com pinturas de Guignard (1896-1962) e trabalhos de Amílcar de Castro, Márcio Sampaio, Mário Silésio e Érico de Paula. “Este acervo é permanente, com obras datadas de 1929 em diante”, explica Andréa.

A conclusão das obras de restauro emociona a equipe do Museu Mineiro. “Estamos extasiados”, revela Andréa, revelando que foram empregados R$ 250 mil, via lei estadual de incentivo à cultura, com patrocínio da Cemig. “Não gastamos nada além disso, a curadoria foi daqui mesmo, enfim, fizemos milagre.”

Tesouros. O casarão da Avenida João Pinheiro, antes de abrigar o Museu Mineiro, teve múltiplas serventias – residência de secretários de governo no início de BH, Senado e na década de 1960 a 1981, Pagadoria do Estado. Hoje, leva os visitantes a fazer uma viagem sensorial ao caminhar por ambientes distintos e admirar imagens, oratórios e prataria, a maioria originária da Coleção Geraldo Parreiras, adquirida pelo estado em 1978. Na Sala das Colunas, causa impacto o pórtico de madeira trabalhada, com anjos, que pertenceu a uma igreja, já demolida, do interior. Nas vitrines, é de encher os olhos as imagens de Santana Mestra, São José de Botas, Nossa Senhora da Conceição e outros santos.

O olhar curioso do visitante vai encontrar muitas preciosidades: a colher de pedreiro que assentou a primeira pedra da construção da Cidade de Minas, nome anterior a Belo Horizonte – a ferramenta, com inscrição datada de 7 de setembro de 1895, tem lâmina de ouro e prata e cabo de madeira e estará na mostra Primeiros registros; o livro contando a festa do Triunfo Eucarístico, realizada em Ouro Preto em 21 de maio de 1733, e considerada pelos estudiosos uma das mais ricas e belas do Brasil colonial; um relógio pertencente a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), e outros objetos que contam parte da história de Minas. Na Sala das Sessões, vale a pena ficar longos minutos observando a o quadro A má notícia, datado de 1897 e de autoria do mineiro Belmiro de Almeida (1858-1935).

Camadas do tempo

Em maio, conforme mostrou o Estado de Minas, foi descoberta no Museu Mineiro, sob seis camadas de tinta, a última delas na cor preta, um conjunto de pinturais parietais – feitas diretamente nas paredes, sobre o reboco. São figuras aladas, folhas de acanto e outras ornamentações. Um mês antes, especialistas do Grupo Oficina de Restauro, de BH, iniciaram os serviços de recuperação nessa área do museu. Tudo começou com a prospecção na parede pintada de preto, e, após a intervenção, a equipe descobriu várias camadas de marrom, de massa e outros materiais e cores diferentes. No ambiente ao lado, que era preto e agora exibe um tom pêssego, dando mais leveza ao ambiente, não houve registro desses trabalhos, tão em moda na BH do início do século 20

1895 – O acervo do Museu Mineiro começa a ser constituído com a criação, em Ouro Preto, do Arquivo Público Mineiro

1910 – Lei 528, de 20 de setembro, autoriza a formação de coleções de objetos para composição do futuro museu

1977 – Decreto 18.606 determina a implantação do Museu Mineiro e o desvincula do Arquivo Público

1978 – Museu recebe 187 peças de arte sacra (séculos 18 e 19) da coleção Geraldo Parreiras, adquirida nesse ano pelo governo do estado

1982 – Museu é inaugurado em 10 de maio e funciona no prédio do antigo Senado Mineiro

1984 – Em abril, museu passa a ser vinculado à recém-criada Secretaria de Estado da Cultura

2002 – Término do processo de revitalização do Museu Mineiro, iniciado em 1999, que culminou na abertura da exposição Colecionismo mineiro

2012 – Em 18 de janeiro, Museu Mineiro é reaberto, com espaço multiuso e novos sistema elétrico, projeto luminotécnico, pintura e museografia

2017 – Em dezembro, são concluídas as obras de restauração do museu, com a reabertura da Sala das Sessões

Serviço

Museu Mineiro: Avenida João Pinheiro, 342 – Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte
Aberto às terças, quartas e sextas, das 10h às 19h; às quintas, das 12h às 21h; e sábados e domingos, das 12h às 19h
Telefones: (31) 3269-1103 e 1106 (visitas de grupos devem ser marcadas com antecedência)
Entrada franca

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




MG – PBH é condenada a pagar indenização de R$ 3,5 mi por loteamento no entorno da Serra do Curral

O local é área legalmente tombada e considerada patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As obras, que já tinham sido embargadas em agosto de 2016, aconteciam no Bairro Comiteco.

Denúncias de invasão acontecem desde de 2011. Foto: Gladyston Rodrigues/EM

A Justiça condenou o Município de Belo Horizonte e um loteador a pagar indenização de R$ 3,5 milhões, por danos morais coletivos, devido a um loteamento e construções irregulares no entorno da Serra do Curral, na Região Centro-Sul da cidade. O local é área legalmente tombada e considerada patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As obras, que já tinham sido embargadas em agosto de 2016, aconteciam no Bairro Comiteco. A PBH informou que vai recorrer da decisão.

Na sentença, o juiz também determina que a área seja reabilitada pela prefeitura e pelo loteador. Além disso, a administração municipal deverá retirar as pessoas do loteamento irregular entre as Ruas Aldebaran e Monte Azul. Também deve inserir as famílias em programa habitacional do Município, caso preencham os requisitos, no prazo de 180 dias. Segundo o Juiz, caso a administração conclua pela possibilidade de regularização de parte do loteamento, que seja feito em um prazo de 180 dias.

O imbróglio em relação as construções no bairro são antigas. As denúncias de invasão e construção irregular de imóveis na região começaram em 2011. Com base em um inquérito civil daquele ano, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação. As investigações dão conta que a área invadira fica entre as Ruas Aldebaran e Monte Azul, e compreende as quadras 182 e 183. Elas são classificadas como áreas de proteção e diretrizes especiais e de interesse ambiental. Além disso, estão inseridas no tombamento no entorno da Serra do Curral.

Segundo o MPMG, as obras são clandestinas e de responsabilidade de um empreendedor que alega ser proprietário de 60 lotes no local, onde teria intenção de construir um condomínio fechado. Por isso, questionou a atuação da Prefeitura de Belo Horizonte, pois, segundo a promotoria, o loteamento deveria ser autorizado e submetido às diretrizes do Conselho de Patrimônio e da legislação vigente.

Foram apresentados boletins de ocorrência da Polícia Militar do meio ambiente e florestal que apontaram parcelamento clandestino e a supressão de vegetação e uma área de aproximadamente 23 mil metros quadrados. Nos documentos da PM constou que o terreno estava cercado com uma tela e um portão e tinha apenas uma entrada. Outras irregularidades apontadas foram edificações, já dotadas de energia elétrica e esgoto disperso por meio de duas fossas. Segundo o MP, elas podem contaminar o meio ambiente.

Decisão

Na decisão, o juiz Rinaldo Kennedy, da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal, reconheceu a caducidade da aprovação do parcelamento proposto em 1949 e, como consequência, tornou sem efeito a aprovação do loteamento ratificado em 1951. “A Serra do Curral se afigura como sendo um patrimônio histórico e cultural, e, nessa condição, devem ser a ela dirigidas políticas públicas visando preservar sua história, eis que de grande valia para a comunidade belo-horizontina”, afirmou o juiz.

O magistrado, segundo o Fórum Lafayette, avaliou que a área no entorno da Serra do Curral é protegida pela legislação. Além disso, considerou que as ocupações vão atrapalhar a vista do local. Diante disso, responsabilizou o município e o empreendedor a pagar indenização pelos dados causados no meio-ambiente. Ele afirmou que ficou comprovado que os acusados causaram dano moral coletivo, porque efetuaram ou permitiram o parcelamento do solo sem a autorização prévia do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

Além da indenização, o magistrado determinou que a Prefeitura de Belo Horizonte retire as pessoas do loteamento irregular entre as Ruas Aldebaran e Monte Azul e insira as famílias em programa habitacional do Município, caso preencham os requisitos, no prazo de 180 dias. Segundo o Juiz, caso a administração conclua pela possibilidade de regularização de parte do loteamento, que seja feito em um prazo de 180 dias.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que, por meio da procuradoria-geral da Justiça, irá recorrer da decisão.

Por João Henrique do Vale

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Minas Gerais é celeiro de arte rupestre na região Sudeste

Há cerca de 200 sítios arqueológicos somente na região metropolitana de Belo Horizonte.

Pinturas representam cenas pré-históricas como esta de um homem matando o outro.

Muitas pessoas vão a exposições de quadros pintados há 200, 300 anos, em museus e galerias internacionais onde tudo é muito bonito, sofisticado, com segurança. Mas bem pertinho de Belo Horizonte há pinturas milenares, com até 13 mil anos, feitas por homens pré-históricos em cavernas ou paredões de pedras. Elas estão expostas ao sol, à chuva ou a até algum desavisado que pode jogar uma tinta por cima – e grande parte dos próprios moradores da capital nem sabe ou não dá valor.

Minas Gerais é o celeiro da arte rupestre, e há milhares de sítios arqueológicos espalhados pelo Estado. Somente na região metropolitana, são cerca de 200 com esses vestígios pré-históricos. “Rio de Janeiro e Espírito Santo não têm nada, em São Paulo são apenas 16. A pintura rupestre é a nossa praia, aqui estão os melhores arqueólogos especialistas nisso”, defendeu a historiadora Alenice Baeta, que tem pós-doutorado em arqueologia e é especialista em transmitir a relevância desse patrimônio mineiro.

“É o início de tudo, é o início da comunicação gráfica, um legado visual que foi deixado em tantos lugares do mundo, e o território mineiro foi escolhido também para isso”, disse a arqueóloga, que enfatiza a luta que é a preservação desse legado deixado por nossos ancestrais.

Na serra do Cipó, na lapa da Sucupira, é possível ver muitas pinturas e desenhos mais nítidos de homens e animais.

Diante de um paredão com essas pinturas no Parque Estadual Cerca Grande, em Matozinhos, Alenice pediu aos visitantes que fechassem os olhos, como quem está de frente a um templo sagrado, e começou a guiá-los para imaginar os homens pré-históricos fazendo as tintas com pigmentos de minério, montando andaimes com bambus para subir, pintar e deixar mensagens, símbolos e marcas para as próximas gerações, mais de 6.000 antes. “Pense na sua origem pessoal, na origem da humanidade, nos primeiros homens que estiveram aqui na terra, que não são de longe, são os povos indígenas do Brasil”, falou, fazendo com que todos sentissem a dimensão daqueles vestígios.

Com a falta de investimento nesse patrimônio produzido pelos pré-históricos, poucos sítios estão protegidos e possuem estrutura de visitação. “Cultura no Brasil não tem valor, pré-história então. Trabalhar com memória é muito complicado, não tem incentivo”, destacou Alenice.

Foi em Minas, na lapa Vermelha, na região de lagoa Santa, que foi encontrado o crânio da Luzia, fóssil humano mais antigo achado na América, com cerca de 13 mil anos. O Parque Estadual do Sumidouro, situado entre Lagoa Santa e Pedro Leopoldo, é de tamanha importância para a arqueologia que nutriu de dados o naturalista britânico Charles Darwin, autor de “A Origem das Espécies”, de 1859. “E as escolas brasileiras continuam dando exemplos de fora para falar do período pré-histórico”, alfinetou a arqueóloga, que já participou de mapeamentos de sítios mineiros que duraram em torno de dez anos.

Depredações põem patrimônio em risco

No Parque Estadual do Sumidouro, é possível chegar aos paredões com pinturas rupestres por meio de uma trilha que sai da Casa Fernão Dias, em Pedro Leopoldo. Lá, além de um mirante lindo para as montanhas de Minas, há uma estrutura (deque) para visualizar as gravuras e incisões milenares. Quem tiver um binóculo, pode ver com mais detalhes, já que muitas estão apagando por ser um lugar que o sol bate diariamente. Por meio de um incentivo da montadora japonesa Nissan, foram colocadas placas com as fotos das pinturas e um desenho por cima do que seriam as figuras para o visitante ter uma noção dos símbolos que estão se apagando naquele patrimônio.

Mas não são só o tempo e o ambiente que prejudicam a preservação desses vestígios; o principal, talvez, seja a ação do homem. Várias pinturas são depredadas por vândalos que escrevem o seu nome ou algum dizer por cima e por tribos urbanas que fazem pichações, já que há centenas de sítios bem próximo a capital. A arqueóloga Alenice Baeta conta ainda que existe um mercado negro em torno dos patrimônios arqueológicos: “Tem pessoas que encomendam uma pintura rupestre verdadeira (quebram o pedaço da pedra) para colocar em casa”.

Onde visitar

Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas. Éum monumento natural em unidade de conservação estadual, com visitação diária das 9h às 16h.
Parque do Sumidouro, na Quinta do Sumidouro, em Lagoa Santa. A trilha guiada de 2,5 km é oferecida de terça a domingo, 8h30, 10h30 e 15h (R$ 10 por pessoa), saindo da Casa Fernão Dias. Casando a visita com a gruta da Lapinha, que fica no mesmo parque, conhece-se o Museu de Peter Lund (considerado o pai da paleontologia).
Lapa do Ballet, em Matozinhos. Tem que agendar, pois fica dentro de uma unidade de conservação da empresa Lafarge.
Gruta de Maquiné, em Codisburgo, funciona todos os dias, das 9h às 17h.
Lapa da Sucupira, na serra do Cipó, fica no sítio Rancho Fundo, onde a família cobra R$ 10 para quem quer a visita guiada.
Pedra Pintada, em Cocais, distrito de Barão de Cocais. Uma família cuida do local, com várias pinturas.

Por Joana Suarez (Repórter viajou a convite da Nissan para a Expedição à Procura do Início do Brasil)

Fonte original da notícia: O Tempo




Obras de restauração da Igrejinha da Pampulha, em BH (MG), são adiadas

Projeto que havia sido feito em 2015 está defasado, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte. Intervenções são exigidas pela Unesco que concedeu título de Patrimônio da Humanidade ao local.

Igreja da Pampulha é um dos principais pontos turísticos de BH. Foto: Miguel Aun/Belotur

As obras de restauração da Igreja de São Francisco de Assis, a Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte, que iriam começar em novembro deste ano, foram adiadas. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o projeto deve ser revisado, já que o plano original, feito em 2015, estaria defasado.

Em 2015, o orçamento das obras e o cronograma haviam sido aprovados junto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o termo de compromisso foi devolvido à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em junho de 2015. Naquela época, a previsão era que as intervenções começassem no primeiro semestre de 2016.

Porém, a paróquia já havia agendado vários casamentos no local, impossibilitando a realização das obras. Segundo a PBH, a obra já estava licitada e o contrato publicado. Porém, após revisão, constatou-se que custos e serviços previstos inicialmente estavam desatualizados.

Por causa disso, foi necessário fazer o distrato do contrato com a empresa que ganhou a licitação e submeter o projeto mais uma vez à aprovação dos órgãos financiadores e do Iphan para realizar novo processo licitatório.

Estão previstos os serviços de recuperação das juntas de dilatação, recuperação das pastilhas externas, impermeabilização, substituição dos painéis de madeira, pintura, polimento do piso de mármore e limpeza das fachadas. O orçamento previsto é de R$ 1,8 milhões. Os recursos são do PAC Cidades Históricas.

De acordo com a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Célia Corsino, as obras dependem do tempo que o processo licitatório vai levar, já que ainda há a necessidade de aprovação por parte do órgão e também pela diretoria do PAC.

“Tive reunião com a prefeitura e foi surpreendida com a notícias que a licitação não está em andamento”, disse a superintendente. As obras de restauração fazem parte das exigências da Unesco para que o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido ao Conjunto Arquitetônico da Pampulha, seja mantido. Um relatório sobre o andamento das intervenções determinadas pela entidade terá de ser apresentado em dezembro.

Fonte original da notícia: G1 MG




Belo Horizonte (MG) – Telas de Candido Portinari da Igrejinha da Pampulha serão restauradas

Telas de Portinari abordam a via-sacra. Wesley Rodrigues/Hoje em Dia

As 14 telas de Candido Portinari que estão na Igreja São Francisco de Assis e retratam as estações da via-sacra serão restauradas pelo Centro de Conservação e Restauro de Bens Culturais da UFMG (Cecor), a partir de um convênio com a Arquidiocese de Belo Horizonte. Na tarde desta terça (17), as obras serão tiradas da Igrejinha da Pampulha e encaminhadas à universidade.

O trabalho de restauro não se limita às telas. A visitação à Igreja de São Francisco na Pampulha, assim como as missas e celebrações, prosseguem normalmente até o dia 18 de novembro, mas, a partir daí, o espaço deve ficar fechado por um ano para restauração.

O trabalho de restauração terá supervisão do Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte e das instituições do poder público que cuidam da proteção de bens culturais – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) e Fundação Municipal de Cultura.

Para o transporte das obras, foi preparado um planejamento especial que contempla a cuidadosa embalagem de cada quadro, o controle da temperatura interna do veículo que levará as telas até o local indicado pelo Cecor e as medidas de segurança, com escolta policial.

Segundo a Fundação Municipal de Cultura, as obras de Portinari que compõem a Via Crucis, feitas com técnica de têmpera sobre madeira, foram restauradas uma única vez no início da década de 1990, por volta de 1992.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Pampulha tem importante conjunto arquitetônico histórico para Belo Horizonte (MG)

Conjunto arquitetônico, projetado por Oscar Niemeyer, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. A Lagoa da Pampulha é lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo.

Conjunto da Pampulha – Viva BH 120 anos. Foto: Reprodução/TV Globo

Pampulha é uma das regiões turísticas mais relevantes de Belo Horizonte. Nela está o conjunto arquitetônico, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

A Lagoa da Pampulha, espelho d’água criado entre as décadas de 1930 e 1940, é atualmente lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo. A lagoa, idealizada pelo ex-prefeito Otacílio Negrão de Lima, em 1936, já foi usada também por esportistas náuticos, mas a poluição e o assoreamento por conta do lixo acumulado impedem algumas práticas, como a pesca e a natação.

Apesar disso, a lagoa é importante ponto de encontro do belorizontino. A orla, com 18 quilômetros, é frequentada por praticantes de corrida e caminhada diariamente e, aos domingos, recebe mais visitantes.

No entorno da lagoa estão os prédios do conjunto que formam o Patrimônio Cultural da Humanidade – Casa do Baile, Museu de Arte da Pampulha, Igreja de São Francisco de Assis [conhecida como Igrejinha da Pampulha] e o Iate Tênis Clube. Além destes, pertencem ao conjunto arquitetônico o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade [conhecido como aeroporto da Pampulha], o Estádio Governador Magalhães Pinto [Mineirão], o Estádio Jornalista Felipe Drummond [Mineirinho], a Fundação Zoo-Botânica e o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Inaugurado em 1943, o Iate Tênis Clube foi criado para ser um espaço de esportes e lazer. Sua sede, com formato de barco, “avança” sobre o espelho da Lagoa da Pampulha. O local ganhou painéis de Cândido Portinari e do paisagista Burle Marx.

A Casa do Baile, localizada em uma ilha artificial e ligada à orla por uma ponte de concreto, foi inaugurada em 1943. Na época, o local era ponto de encontro da alta sociedade já que os preços cobrados no local estavam longe de serem populares. Um dos mais famosos frequentadores era o próprio Juscelino Kubitscheck, então prefeito da cidade, conhecido por sua afeição à vida boêmia.

O Museu de Arte da Pampulha nasceu como Cassino da Pampulha e foi o primeiro projeto do Conjunto Arquitetônico idealizado por Oscar Niemeyer a ficar pronto, em 1943. Os jardins que circundam o prédio foram feitos pelo paisagista Roberto Burle Marx. Estátuas de Alfredo Ceschiatti, August Zamoiski e José Pedrosa também foram incorporadas ao local.

O espaço funcionou como cassino até 1946 quando o jogo foi proibido no Brasil. Ele entrou em um período de decadência até 1957, ano em que foi transformado no Museu de Arte da Pampulha (MAP). Hoje ele abriga um acervo com cerca de 1,4 mil obras.

As curvas da Igrejinha, emoldurada com azulejos de Cândido Portinari e enfeitada pelos jardins de Burle Marx, não agradaram a Igreja Católica por ser considerada “moderna demais” pela Cúria Metropolitana. O local foi o último do Conjunto Arquitetônico a ser concluído.

O prédio permaneceu proibido ao culto por 14 anos, sofrendo com a má conservação. Ela só saiu do ostracismo quando o então papa João XXIII manifestou interesse em expor no Vaticano a via sacra de Portinari, registrada na Igrejinha. Mas a primeira missa só foi ser celebrada no dia 11 de abril de 1959.

A Pampulha como um todo pode ser traduzida pela fala de Oscar Niemeyer. “Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia o arquiteto.

Fonte original da notícia: G1 MG




Azulejo da marca ‘Pampulha’ à venda em Belo Horizonte (MG)

Projeto com a marca ‘Pampulha’ vai comercializar azulejos. Pedro Gontijo/Belotur/Divulgação

A empresa Terra Revestimentos foi a primeira contemplada no edital que permite a utilização da marca ‘Pampulha’ e irá comercializar azulejos. A marca, reconhecida mundialmente após o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conquistado no ano passado, poderá também ser utilizada em produtos de diversos segmentos como vestuário, calçadista e acessórios, materiais de escritório, souvenir, artigos para recreação, literário e impressos, entre outros.

O conceito da marca relaciona as formas geométricas presentes nos equipamentos que compõem os três principais elementos do conjunto moderno: a arquitetura de Niemeyer, o paisagismo de Burle Marx e o espelho d’água da Lagoa da Pampulha. O edital permanece aberto até o 29 de dezembro.  Interessados podem solicitar o documento pelo email licitações.belotur@pbh.gov.br ou pessoalmente, na rua da Bahia, 888, 6º andar.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia