Pampulha tem importante conjunto arquitetônico histórico para Belo Horizonte (MG)

Conjunto arquitetônico, projetado por Oscar Niemeyer, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. A Lagoa da Pampulha é lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo.

Conjunto da Pampulha – Viva BH 120 anos. Foto: Reprodução/TV Globo

Pampulha é uma das regiões turísticas mais relevantes de Belo Horizonte. Nela está o conjunto arquitetônico, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

A Lagoa da Pampulha, espelho d’água criado entre as décadas de 1930 e 1940, é atualmente lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo. A lagoa, idealizada pelo ex-prefeito Otacílio Negrão de Lima, em 1936, já foi usada também por esportistas náuticos, mas a poluição e o assoreamento por conta do lixo acumulado impedem algumas práticas, como a pesca e a natação.

Apesar disso, a lagoa é importante ponto de encontro do belorizontino. A orla, com 18 quilômetros, é frequentada por praticantes de corrida e caminhada diariamente e, aos domingos, recebe mais visitantes.

No entorno da lagoa estão os prédios do conjunto que formam o Patrimônio Cultural da Humanidade – Casa do Baile, Museu de Arte da Pampulha, Igreja de São Francisco de Assis [conhecida como Igrejinha da Pampulha] e o Iate Tênis Clube. Além destes, pertencem ao conjunto arquitetônico o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade [conhecido como aeroporto da Pampulha], o Estádio Governador Magalhães Pinto [Mineirão], o Estádio Jornalista Felipe Drummond [Mineirinho], a Fundação Zoo-Botânica e o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Inaugurado em 1943, o Iate Tênis Clube foi criado para ser um espaço de esportes e lazer. Sua sede, com formato de barco, “avança” sobre o espelho da Lagoa da Pampulha. O local ganhou painéis de Cândido Portinari e do paisagista Burle Marx.

A Casa do Baile, localizada em uma ilha artificial e ligada à orla por uma ponte de concreto, foi inaugurada em 1943. Na época, o local era ponto de encontro da alta sociedade já que os preços cobrados no local estavam longe de serem populares. Um dos mais famosos frequentadores era o próprio Juscelino Kubitscheck, então prefeito da cidade, conhecido por sua afeição à vida boêmia.

O Museu de Arte da Pampulha nasceu como Cassino da Pampulha e foi o primeiro projeto do Conjunto Arquitetônico idealizado por Oscar Niemeyer a ficar pronto, em 1943. Os jardins que circundam o prédio foram feitos pelo paisagista Roberto Burle Marx. Estátuas de Alfredo Ceschiatti, August Zamoiski e José Pedrosa também foram incorporadas ao local.

O espaço funcionou como cassino até 1946 quando o jogo foi proibido no Brasil. Ele entrou em um período de decadência até 1957, ano em que foi transformado no Museu de Arte da Pampulha (MAP). Hoje ele abriga um acervo com cerca de 1,4 mil obras.

As curvas da Igrejinha, emoldurada com azulejos de Cândido Portinari e enfeitada pelos jardins de Burle Marx, não agradaram a Igreja Católica por ser considerada “moderna demais” pela Cúria Metropolitana. O local foi o último do Conjunto Arquitetônico a ser concluído.

O prédio permaneceu proibido ao culto por 14 anos, sofrendo com a má conservação. Ela só saiu do ostracismo quando o então papa João XXIII manifestou interesse em expor no Vaticano a via sacra de Portinari, registrada na Igrejinha. Mas a primeira missa só foi ser celebrada no dia 11 de abril de 1959.

A Pampulha como um todo pode ser traduzida pela fala de Oscar Niemeyer. “Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia o arquiteto.

Fonte original da notícia: G1 MG




Azulejo da marca ‘Pampulha’ à venda em Belo Horizonte (MG)

Projeto com a marca ‘Pampulha’ vai comercializar azulejos. Pedro Gontijo/Belotur/Divulgação

A empresa Terra Revestimentos foi a primeira contemplada no edital que permite a utilização da marca ‘Pampulha’ e irá comercializar azulejos. A marca, reconhecida mundialmente após o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conquistado no ano passado, poderá também ser utilizada em produtos de diversos segmentos como vestuário, calçadista e acessórios, materiais de escritório, souvenir, artigos para recreação, literário e impressos, entre outros.

O conceito da marca relaciona as formas geométricas presentes nos equipamentos que compõem os três principais elementos do conjunto moderno: a arquitetura de Niemeyer, o paisagismo de Burle Marx e o espelho d’água da Lagoa da Pampulha. O edital permanece aberto até o 29 de dezembro.  Interessados podem solicitar o documento pelo email licitações.belotur@pbh.gov.br ou pessoalmente, na rua da Bahia, 888, 6º andar.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Casarões do patrimônio histórico de Belo Horizonte (MG) se deterioram enquanto não têm destinações definidas

Partes importantes da história da capital, imóveis nos bairros Santo Agostinho, Serra e Santo Antônio se dividem entre o abandono e a falta de perspectivas de um dia ser reintegrados à rotina da cidade.

Na Avenida Amazonas, há anos casarões servem de tela para pichadores e exibem marcas de abandono e depredação. Escola afirma ter projeto de restauração. Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Enquanto a imponente construção conhecida como Castelinho, no Bairro Floresta, considerado um dos símbolos do passado de Belo Horizonte, comemora um ano de restauração depois de um incêndio em 2002 e quase uma década e meia de abandono, o futuro de outros endereços que também integram o patrimônio histórico da capital continua incerto.

O fantasma do abandono assombra imóveis como a Villa Rizza, no Bairro Serra, o conjunto de casinhas da Rua Congonhas, no Santo Antônio, e os casarões no quarteirão da Avenida Amazonas entre ruas Aimorés e Mato Grosso, no Bairro Santo Agostinho, todos na Região Centro-Sul da capital.

Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Os três exemplos em nada lembram a situação atual do Castelinho, erguido em 1918, em estilo eclético com inspiração art nouveau. O prédio foi construído para ser residência familiar, com dois pavimentos e uma majestosa torre lateral de quatro andares. Ao longo de sua história, também foi pensão. A reforma foi financiada pelo Instituto MRV, organização sem fins lucrativos, e doado à Prefeitura de Belo Horizonte para abrigar o Programa Miguilim, centro de referência na assistência a crianças e adolescentes que vivem em situação de rua.

Outras construções não tiveram a mesma sorte. A Villa Rizza, na Avenida do Contorno, 4.383, na Serra, foi erguida na década de 1930 e teve o que restou de sua estrutura tombado em 1993. A fachada foi recuperada e desde então o imóvel já abrigou espaço de eventos, restaurante e café. Desde 2005, a Petrobras é a proprietária do terreno, onde chegou a manter um posto de combustíveis anexo à construção.

Os negócios não foram para frente, e a edificação foi a leilão, em 30 de agosto, com lance mínimo de R$ 4,65 milhões. Porém, não houve comprador. “O imóvel, com terreno, vale em torno de R$ 10 milhões. Pertence a Petrobras, que estuda a possibilidade de outro leilão”, disse João de Souza Simão, leiloeiro da empresa Arremax, responsável pelo processo. Ele explicou que há muitos interessados no espaço, mas que o tombamento da construção dificulta a transação. “É um dos empecilhos, pois lá não pode ser construído, por exemplo, um prédio. A casa não pode ser modificada”, afirmou Simão.

A história do Vila Rizza começa no fim da década de 1920, quando o major Antônio Zeferino da Silva comprou uma porção de terra entre a Avenida do Contorno e as ruas do Ouro e Pouso Alto, na Serra. O major encomendou a arquitetura a Humberto Hermeto Pedercini Marinho. Já o nome do imóvel foi uma homenagem à neta do proprietário, Rizza Porto Guimarães.

Na Avenida do Contorno, Villa Rizza conserva fachada imponente, mas imóvel está sem uso e leilão não teve comprador. Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Assim como o imóvel da Serra, cinco casarões na Avenida Amazonas, no quarteirão entre as ruas Aimorés e Mato Grosso, no Bairro Santo Agostinho, aguardam destino e chamam a atenção de quem passa pelo endereço, devido ao nível de degradação. As construções foram erguidas entre 1936 e 1939, em estilo eclético, e pertencem à Sociedade Inteligência e Coração, mantenedora do vizinho Colégio Santo Agostinho, desde 2003.

O pipoqueiro Célio de Castro torce para que os imóveis sejam revitalizados. Ele trabalha na região desde 1969, quando as cinco casas tinham aparência bem diferente da de hoje: “A arquitetura delas é muito interessante. São casinhas lindas, mas que precisam de uma repaginada. Hoje, os imóveis, que estão pichados e com vidraças quebradas, são moradias de sem-teto”, disse o homem.

Há dois anos, a Sociedade Inteligência e Coração (SIC) informou a intenção de construir um edifício no local. Os andares seriam ocupados, por exemplo, por escola de idiomas e biblioteca. Na parte em que não há construção, a previsão seria fazer um estacionamento para professores e funcionários do colégio, que funciona no quarteirão vizinho. Das cinco casas, quatro são tombadas pelo patrimônio histórico, informa a entidade, e o quinto será demolido. “Os projetos (relativos aos imóveis) estão prontos e aprovados pelo Patrimônio Histórico municipal. Atualmente, a mantenedora do Colégio Santo Agostinho está em fase de negociação para início da restauração das quatro casas e de construção de um edifício nos fundos dos terrenos, que foram unificados. O alvará de construção já foi expedido pela Prefeitura de Belo Horizonte”, informou a SIC. As casas tombadas serão restauradas e a ideia é usá-las em projetos culturais, acrescentou.

Santo Antônio

No Santo Antônio, quarteirão que já foi endereço de Guimarães Rosa tem destino incerto. Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Outro conjunto de casinhas que aguarda desfecho fica no quarteirão formado pelas ruas Congonhas, Santo Antônio do Monte e Leopoldina, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul. Os imóveis foram cenário para gravação do filme O Menino Maluquinho, inspirado na obra homônima do escritor mineiro Ziraldo, dirigido por Helvécio Ratton em 1995.

A construtora Canopus tentou erguer quatro prédios de 27 andares cada no local, com quatro apartamentos por pavimento. A empresa, porém, suspendeu o projeto até que a prefeitura defina quais usos poderão ser dados ao espaço. Desde 2014, parte do quarteirão está coberto por tapumes de metal. Uma das casinhas, a de número 415 da Rua Leopoldina, foi moradia do escritor e médico João Guimarães Rosa (1908-1967). Também foi lá que funcionou o Bar do Lulu, point de Belo Horizonte nas décadas de 1980 e 1990. O Estado de Minas fez contato com a empreiteira para detalhar os projetos para o conjunto de imóveis, mas não obteve retorno.

Palavra de especialista
Yuri Melo Mesquita, diretor de Patrimônio Cultural, Arquivo Público e Conjunto Moderno da Pampulha da Fundação Municipal de Cultura.

Referências para a cidade

“Todos os imóveis têm valor social para Belo Horizonte. São pontos de memória. Há interseção de várias temporalidades neles. Há cruzamentos do modo de viver do passado e do presente, ou seja, um ponto de interseção da memória. São elementos que nos possibilitam ter raízes com a nossa cidade. É uma forma de dar lastro para a experiência, um ponto de memória, de referência para manter vivo o patrimônio.”

Por Paulo Henrique Lobato

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Belo Horizonte (MG) quer receber exposição do Santander Cultural vetada em Porto Alegre (RS)

O presidente da Fundação Municipal de Cultura, Juca Ferreira, vê com ‘bons olhos’ a proposta de trazer a mostra “Queermuseu” para a capital mineira.

Cruzando Jesus Cristo Deusa Schiva, de Fernando Baril.

Cancelada no Santander Cultural, em Porto Alegre, no último domingo, após uma onda de protestos nas redes sociais, por causa da insatisfação de frequentadores, que acusaram a exposição de blasfêmia contra símbolos religiosos e também apologia à zoofilia e pedofilia, Belo Horizonte pode ser a próxima cidade a receber a mostra “Queermuseu — Cartografias da diferença na arte brasileira”.

Com mais de 270 obras de 85 artistas, que exploravam a diversidade dos gêneros e de diversidade sexual, o secretário de Cultura de Belo Horizonte, Juca Ferreira, vê com “bons olhos” a proposta da exposição como uma oportunidade para a cidade. “Estamos estudando se seria viável. Não há nada de concreto ainda, precisaríamos levantar qual espaço cultural da cidade poderia abrigar a exposição, tem a questão de financiamento também. Já estamos na metade do ano, os recursos estão comprimidos, mas é extremamente importante dar continuidade à mostra. Não podemos legitimar a volta da censura, conquistamos esse amadurecimento. A arte precisa de liberdade para que ela se desenvolva”, destacou.

Em seu perfil no Facebook, o ex-ministro da Cultura dos governos Lula (2008-2011) e Dilma Rousseff (2015-2016) criticou a decisão do Santander Cultural de cancelar antecipadamente a mostra, comparando a pressão feita contra a exposição por grupos ligados ao MBL com a censura do regime militar: “Os ecos do golpe de 1964 não nos deixam esquecer a tragédia de 25 anos de uma ditadura que se concretizou a partir da fabricação de um ambiente de instabilidade política, moralismo exacerbado, manipulação midiática e ruptura da coesão social. Não podemos nos enganar. A história se repete”.

O curador da mostra, Gaudêncio Fidelis, acredita que a obra seria bem recebida na cidade. A pressão viria de uma minoria conservadora. “A questão da logística poderia ser um dificultador, mas eu gostaria que qualquer lugar do país tivesse condições técnicas para receber a mostra. Foi um desrespeito com a curadoria e com os artistas selecionados. É um trabalho realizado desde 2010. Isto abre uma brecha sem precedentes no país. Capturaram e editaram imagens fora do contexto, criaram uma falsa narrativa. Foi um movimento orquestrado e conservador”, observa o curador.

Entre os autores expostos na “Queermuseu”, estavam Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano e Ligia Clark. A mostra reunia pinturas, gravuras, fotografias, colagens, esculturas, cerâmicas e vídeos. Críticos da mostra afirmaram que alguns dos quadros representavam “imoralidade”, “blasfêmia” e “apologia à zoofilia e pedofilia”. Os comentários contra a exposição viralizaram nas redes, impulsionados por grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL). As pinturas mais compartilhadas mostram a imagem de um Jesus Cristo com vários braços, crianças com as inscrições “Criança viada travesti da lambada” e “Criança viada deusa das águas” estampadas, além do desenho de uma pessoa tendo relação sexual com um animal. Travesti da lambada e deusa das águas é de 2013. A obra é de Bia Leite.

“Se vier para a cidade vamos protestar e continuar estimulando o boicote. Não existe censura quando não existe aparto coercitivo, somente mostramos nossa indignação e realmente estimulamos as pessoas a boicotarem a mostra. É uma exposição que agride a crença de diversas pessoas”, afirmou o coordenador do MBL de Belo Horizonte, Ivan Gunther.

Reembolso

Nesta segunda-feira, o Banco Santander comunicou que irá devolver à Receita Federal os R$ 800 mil captados via Lei Rouanet para a realização da exposição. Em nota, a instituição pediu desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra. O objetivo da empresa, de acordo com o comunicado, “é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia”.

Exposição

Aberta no dia 15 de agosto e prevista para acontecer até 8 de outubro, a “Queermuseu” reuniu cerca de 20 mil visitantes no Sul do país.

Campanha no Facebook

No Facebook, internautas criaram uma página em apoio à vinda da exposição ‘Queermuseu’ para a capital mineira.  Horas depois da criação do evento, mais de 600 pessoas já se diziam interessadas. “Esta página tem por objetivo reunir pessoas que apoiam a reabertura da mostra! Viva a arte! Viva a liberdade!”, diz a página.

Não há pedofilia, diz promotor

Um dia após o cancelamento de uma exposição de diversidade sexual em Porto Alegre, dois promotores do Ministério Público do Rio Grande do Sul foram até o Santander Cultural, que sediava a mostra. A visita ocorreu na segunda-feira (11) e foi motivada por denúncias de que as obras estariam promovendo pedofilia e a sexualização de crianças, além de zoofilia.

“Fomos examinar in loco, ver realmente quais obras que teriam conteúdo de pedofilia. Verificamos as obras e não há pedofilia. O que existe são algumas imagens que podem caracterizar cenas de sexo explícito. Do ponto de vista criminal, não vi nada”, disse o promotor da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Julio Almeida, ao portal de notícias G1.

Por Letícia Fontes

Fonte original da notícia: O Tempo




Justiça condena empreendedores do Belvedere III a pagar indenização de R$ 27,8 milhões pelos danos causados à Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG)

A PBH deverá pagar multa diária de R$ 10 mil, caso aprove novos empreendimentos na região sem a prévia anuência do Iphan e do CPDC-BH.

Foto: Divulgação/Internet

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) obteve sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública Municipal condenando o grupo de 11 empreendedores que implantou o Belvedere III a pagar R$ 15 milhões pelos danos morais coletivos e R$ 12,8 milhões pelos danos materiais, totalizando R$ 27,8 milhões em indenização pelos danos paisagísticos causados à Serra do Curral.

Já a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deverá pagar multa diária de R$ 10 mil, caso aprove novos empreendimentos na região sem a prévia anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (CDPC-BH).

A sentença foi proferida pelo juiz Rinaldo Kennedy Silva, em Ação Civil Pública proposta em 2011 pelos promotores de Justiça Lilian Marotta, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte; Marcos Paulo de Souza Miranda, então coordenador das Promotorias de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico; e Marta Alves Larcher, que está à frente da Coordenadoria de Habitação e Urbanismo.

A indenização de R$ 15 milhões deverá ser corrigida monetariamente desde a data de publicação da sentença e depositada no Fundo Estadual de Direitos Difusos, e os R$ 12,8 milhões deverão ser corrigidos a partir de 2004, quando o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPMG apresentou laudo concluindo que “as edificações do Belvedere III obstruíram a visibilidade da Serra do Curral, causando supostamente um dano irreversível ao bem paisagístico”.

No cálculo, foi apurado o valor total do dano ocorrido desde a concessão do primeiro alvará até a data da vistoria.

Valor paisagístico – O MPMG argumenta na ação que a Serra do Curral é o marco geográfico mais representativo da região metropolitana de Belo Horizonte, em razão de seus valores paisagístico, geológico, histórico, ambiental e turístico.

Segundo os promotores de Justiça, é possível perceber que o empreendimento foi aprovado em desacordo com várias leis vigentes e que estudos feitos por profissionais renomados atestaram o risco de consideráveis danos ambientais naquela região. “Apesar das considerações apresentadas pelos profissionais, no sentido de riscos geológicos, o empreendimento foi aprovado sem a anuência do CDPC-BH, dispositivo de lei vigente à época”, salientaram os autores da ação.

Já o juiz Rinaldo Silva ressaltou que “os empreendedores enriqueceram ilicitamente ao descumprir a legislação vigente, haja vista que, conforme atestado na perícia oficial, nenhuma ação que for desenvolvida atualmente poderá viabilizar a desobstrução da paisagem da Serra do Curral, não havendo, portanto, a possibilidade de retornar o bem paisagístico à situação anterior, de forma que a medida se tornou irreversível, sendo cabível o pagamento de indenização”.

A sentença foi proferida no dia 7 de julho deste ano, nos autos do processo nº 0024-11.180.88-5, instaurado contra os empreendedores Comercial Mineira S.A.; Empresa Agrícola Santa Bárbara Ltda.; Abaeté Empreendimentos Ltda.; Empreendimentos Sion Ltda.; Mineração Lagoa Seca Ltda.; Ical-Indústria de Calcinação Ltda.; Comercial L. P. Guimarães Ltda.; S. M. Guimarães.; P. O. de Sá.; Holding Pentagna Guimarães Ltda.; e Comercial Santa Zita S.A.

Belvedere III – O projeto foi aprovado em 1988, com lotes de 525 m2, predominando edificações verticais de alto padrão. Classificado como zona residencial e comercial mista, o Belvedere III fica junto à BR-356, na saída do município no sentido Rio de Janeiro, e é contíguo ao entroncamento com a Av. Raja Gabáglia e a rodovia MG-030. Delimita-se pela Rua Jornalista Djalma Andrade, pela antiga linha férrea Águas Claras e pelo Trevo do BH Shopping.

Fonte original da notícia: Portal do MPMG




Visitantes de museu em Belo Horizonte (MG) podem se divertir montando maquetes

Reprodução Facebook/Divulgação

O Museu de Artes e Ofícios (MAO), localizado na Praça da Estação, no Centro da capital, está promovendo o projeto “Conhecer para Cuidar”. A ação busca despertar o interesse da população pela memória e o cuidado com o patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Os visitantes quem forem ao museu durante o projeto, além da visita, vão poder levar para casa uma maquete em paper-toy do MAO.  As maquetes são em miniaturas de papel e têm três dimensões. A miniatura é montada por grupos de visitantes durante as oficinas do projeto.

Para participar, os visitantes precisam se inscrever no site do museu. O projeto vai até o dia 12 de agosto, com exceção aos dias 06 e 07, quando o museu não abre. A visita e montagem da miniatura duram em torno de 2 horas, podendo se estender.

As oficinas são abertas ao público geral, a partir dos 08 anos de idade. Os participantes visitam o Museu e em seguida realizam uma oficina lúdica para montagem das maquetes do prédio do MAO. No local, as maquetes são montadas por grupos de 10 visitantes. Entretanto, cada um dos participantes leva pra casa um kit para fazer a própria miniatura.

Serviço

Quando? de 1 a 12 de agosto, exceto 6 e 7 (domingo e segunda-feira).

Quanto? Gratuito

Horários? De terça a Sexta: de 08h30 às 11h30 ou 13h30 às 16h30 / Sábados: de 09h30 às 12h00 ou de 14h00 às 16h30

Classificação? A partir de 8 anos

Onde? Museu de Artes e Ofícios – Praça Rui Barbosa, 600, Centro

Faça a inscrição clicando aqui. Mais informações pelos telefones: 32488621 / 32488614, ou pelo evento no Facebook.

Fonte original da notícia: BHAZ




Bens tombados de Belo Horizonte (MG) sofrem com ações constantes de vandalismo

A Praça Rio Branco, que fica em frente à rodoviária de BH sofre com pichações, bancos quebrados, acúmulo de lixo e mau cheiro. Fotos: Lucas Prates

Pichações por toda parte, muita sujeira, bancos quebrados e um mau cheiro difícil de passar despercebido. Esse é um breve aspecto da Praça Rio Branco, que, por estar localizada em frente à rodoviária, é o primeiro patrimônio tombado acessível a quem chega de ônibus a Belo Horizonte.

O cartão de visita escancara a degradação de importantes pontos da região Centro-Sul. A reportagem do Hoje em Dia percorreu dez bens históricos protegidos e constatou precariedades e falta de zelo em oito. Os estragos, na maioria das vezes, são provocados por vândalos que roubam e danificam praças, monumentos, imóveis e outros espaços.

“Há seis meses que não passava por aqui (Praça Rio Branco). Estou impressionada. Está imunda, quebrada e virou morada para pessoas que estão nas ruas”, reclama a aposentada Maria Aparecida Teixeira, de 71 anos.

Lixo

Logo em frente à rodoviária, nem mesmo o prédio amarelo da Região Integrada de Segurança Pública (Risp), tombado há duas décadas, ficou imune. As muretas pichadas tiram um pouco da beleza da construção em estilo eclético, erguida há 92 anos.

Como se não bastasse, o lixo tomou conta de um dos gramados. Lá, há acúmulo de restos de comida, caixas de papelão, CDs, sapatos, cobertores e marmitas.

Próximo dali, o estado de outros patrimônios também provoca indignação. Boa parte foi alvo de pichadores. É o caso da fachada do prédio do Shopping Oi, do obelisco da Praça 7 e das praças da Estação e Raul Soares.

Janelas quebradas e pintura danificada na fachada do prédio no Shopping Oiapoque.

Situação que assustou o jovem Vinicius Martins, de 22 anos. Na quarta-feira, ele saiu cedo de casa, no Barreiro, para fotografar pontos turísticos de BH. Mas, não gostou do viu. “É muito triste. Tenho fotos da Praça 7 de 2008 e estava tudo novo”.

Quebrado e queimado

Além da pichação, outros danos despertam a atenção. Um dos leões da Praça Rui Barbosa – umas da estátuas mais tradicionais da capital – está quebrado e queimado. Não se sabe ao certo quando ocorreu o estrago, mas pedaços da escultura sugerem que foi recente.

“Uma praça tão bonita que é cartão-postal da cidade não poderia estar degradada assim”, afirma a belo-horizontina Priscila Campos, de 35 anos. Para ela, o vandalismo cria uma sensação de insegurança. “Se por aqui frequentam pessoas que estragam o patrimônio tão livremente, podem existir assaltantes também”, diz Priscila Campos.

O prédio do antigo Cine Candelária, na Praça Raul Soares, é outro retrato da necessidade de investimentos. Em 2004, o local sofreu um incêndio e, até hoje, a estrutura está escorada para evitar desabamento.

Vigilância

Apesar dos danos mostrados, a Fundação Municipal de Cultura garante que monitora o estado de conservação dos bens tombados. Vistorias ocorrem após demandas da população ou de órgãos da prefeitura.

“A Diretoria de Patrimônio Cultural aciona a fiscalização quando há problemas. Se houver intervenção irregular, descaracterização ou ameaça de desabamento, a fiscalização emite auto de infração que pode incorrer em multas”, informa nota enviada. Além disso, o Ministério Público pode ser acionado e cobrar multas ou medidas compensatórias.

Regional Centro-Sul tem alta nos registros

Obelisco que fica no hipercentro sofre com pichações.

Não são só os bens tombados que sofrem com o vandalismo. A regional Centro-Sul enfrenta crescimento nos ataques. Dados da Guarda Municipal, mostram que esses crimes subiram 14% no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2016.

A região segue na direção contrária da média geral do restante do município, que registrou queda de 8,61% nos crimes provocados por vândalos. Entram nessa estatística pichações, furtos, danos e arrombamentos, dentre outras ocorrências.

Para o coordenador da Comissão de Políticas Urbanas e Ambientais do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais, Sérgio Myssior, uma das possíveis justificativas para a maior depredação no Centro é a grande circulação de pessoas. Ele lamenta a situação.

“São lugares de integração e lazer, importantes para a vida em sociedade”. Além disso, Myssior alerta que o turismo pode ser afetado caso os pontos históricos fiquem com aspecto de mal cuidados.

Manutenção

Praça da Assembleia já tem brinquedos danificados por vândalos.

A regional Centro-Sul foi questionada sobre os gastos para a correção dos patrimônios degradados. No entanto, a pasta apresentou apenas os valores empenhados na manutenção dos equipamentos próprios da prefeitura. Em 2016, foram R$ 548,86 mil. Nos primeiros seis meses de 2017 foram 314,57 mil.

Para tentar inibir os atos de vandalismo, a Guarda Municipal fez 45 intervenções na regional Centro-Sul neste ano, com detenções de autores e encaminhamentos à Polícia Civil. O efetivo na região é de 983 agentes. Dentre as ações executadas está o patrulhamento dos equipamentos públicos.

Já o chefe da Sala de Imprensa da Polícia Militar, major Flávio Santiago, afirma que o patrulhamento dos equipamentos públicos é de responsabilidade da Guarda Municipal, mas que a PM dá apoio. “Tem gente que pensa que pichação é arte, o que dificulta o combate a essas ações”, afirma.

Editoria de Arte / N/A

Por Tatiana Lagôa 

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Belo Horizonte (MG) – O antigo volta a aparecer em casarão

Cômodos com pinturas originais já foram descobertos em prédio erguido no início do século XX.

Sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), local será, no futuro, sede do Museu Ferroviário.

O casarão onde funcionou a extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que receberá a 23ª edição da CasaCor Minas, de 12 de agosto a 17 de setembro, vem passando por um processo de restauração. Sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o objetivo das intervenções é preparar o imóvel, construído nas primeiras duas décadas do século XX, para receber a mostra e para abrigar, futuramente, as instalações do Museu Ferroviário, entre outras atividades.

Nos últimos dias, a restauradora Maria Caldeira, uma das responsáveis pela execução de um estudo que conduzirá o processo de restauro após o evento, identificou que existem pinturas originais, em cinco cômodos do local, que estão sendo descobertas após a retirada de algumas camadas de tinta. No entanto, pode ser que tenha mais em outros espaços. As pinturas encontradas misturam tons claros e escuros, criando efeitos marmorizados e imitação de madeira.

“Ainda é muito cedo para precisarmos o estilo, a época e garantir que estas pinturas ocupam cômodos inteiros do casarão. Porém, até o final deste mês pretendo apresentar um estudo técnico sobre o que está sendo encontrado e suas características. Elas ficarão à mostra em alguns ambientes durante a CasaCor Minas”, revela Maria Caldeira.

O imóvel, que acomodará 40 ambientes da mostra, integra o conjunto arquitetônico da praça da Estação. Localizado na rua Sapucaí, 383, no bairro floresta, ele possui cerca de 4.000 metros quadrados. Depois de 13 edições ocupando imóveis tombados, o evento deste ano volta a acontecer em uma edificação que é patrimônio cultural.

Para a diretora da CasaCor Minas, Juliana Grillo, “um bem tombado possui regras de prevenção que devem ser respeitadas para que as intervenções realizadas nos ambientes não afetem a integridade das construções originais, a fim de não desconfigurar ou fazer perder a autenticidade da casa”, frisa.

Sustentabilidade. Outra preocupação dos organizadores do evento é com o descarte dos materiais que foram retirados durante o processo de restauração. De acordo com Juliana, somente na primeira fase da reforma foram retirados 128 metros cúbicos de resíduos, que tiveram uma destinação adequada.

“Desse total, retiramos 39 metros cúbicos de madeira, que foram doados para a J&E Reciclagem; nove metros cúbicos de lã de vidro, provenientes de forros, que foram doados para o projeto social Seu Vizinho, localizado no aglomerado da Serra, que também serviram para a utilização da montagem de um sistema de isolamento acústico dentro da própria CasaCor; 24 metros cúbicos de alumínio e ferro, provenientes dos forros, divisórias, eletrocalhas e luminárias, que foram destinados para reciclagem na empresa Koprum; e 48 metros cúbicos de entulho, que foram enviados para o aterro sanitário”, conta Juliana.

Por Leonardo Cunha

Fonte original da notícia: O Tempo




Acaiaca, prédio mais alto de Belo Horizonte (MG), completa 70 anos em 2017

O edifício de mais de 120 metros de altura, famoso pelas esculturas de índios em sua fachada, guarda elevadores que funcionam a 20 km/h e um abrigo antiaéreo em seu subsolo.

Reprodução/G1.

Mais de 120 metros de altura, 29 pavimentos, cerca de 460 salas e um abrigo antiaéreo. Estas são algumas das características do Acaiaca, um dos edifícios mais tradicionais de Belo Horizonte, que completa 70 anos em 2017. Mas as marcas registradas são as duas esculturas de rostos indígenas criadas pelo próprio arquiteto que projetou o prédio, Luiz Pinto Coelho, genro do idealizador do arranha-céu, Redelvim Andrade.

“Quando ele fez os índios, ele chegou ali da escadaria da (igreja) São José (em frente ao Acaiaca) olhou e achou que pareciam gângsteres americanos. Sabe o que ele fez? Desceu as efígies e as recompôs. Aí sim ele ficou satisfeito”, disse o autor do livro “Edifício Acaiaca – O colosso humano e concreto”, Antonio Rocha Miranda, que aos 79 anos mantém uma relação estreita com o prédio que conheceu ainda criança.

“Eu tinha sete anos quando meu pai me trouxe aqui no centro e eu vi o edifício pela primeira vez. Eu tinha que envergar o pescoço para enxergar lá em cima. E então eu insisti com ele para que ele me trouxesse aqui no edifício. Na viagem do elevador parecia que eu estava em um foguete”, contou o escritor.

Segundo a administração do Acaiaca, os elevadores vão do 1º ao 25º andar em 20 segundos, a uma velocidade de 20 km/h. Não é possível confirmar que eles são os mais rápidos da cidade, segundo o Corpo de Bombeiros, mas seu Antonio não tem dúvidas disso. “São os mais velozes de Belo Horizonte”, afirmou. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, o prédio é o mais alto da capital mineira.

As obras do Acaiaca, cujo nome homenageia uma tribo de índios do Vale do Jequitinhonha, cidade do empreendedor e comerciante de pedras preciosas, Redelvim Andrade, começaram em 1943. O terreno de 26 mil m² foi comprado da Igreja Metodista que estava no local há 38 anos.

“O Redelvim fez uma proposta de ‘futebol chinês’ para a igreja. Esse terreno custou 2,5 mil contos de réis. É uma soma fabulosa se você comparar com o valor do terreno da área de dentro da Avenida do Contorno, antigo Curral Del Rey e hoje Belo Horizonte, que foi de 36 mil contos de réis”, disse Antonio.

Abrigo antiaéreo

Cerca de 250 pessoas trabalharam na obra do Acaiaca, ainda hoje o prédio mais alto de Belo Horizonte, segundo a prefeitura . Além das salas e lojas, os operários também construíram um abrigo antiaéreo no subsolo atendendo ao decreto 4.098 de 1942, assinado por Getúlio Vargas.

Naquele ano, a 2ª Guerra Mundial estava no auge e a medida buscava garantir a segurança dos brasileiros em caso de eventuais ataques de aviões dos países do Eixo.

“O espaço ainda existe, mas hoje funciona um depósito, uma cantina e banheiros dos funcionários”, contou o escritor que chegou a trabalhar no Cine Acaiaca, cujo primeiro filme exibido foi “Sempre te amei”, de Franz Borzade, em 1948. O cinema funcionou até 1998. Hoje há uma igreja evangélica no local.

O prédio também já abrigou uma boate, um teatro e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que funcionou no local de 1953 a 1961.

A primeira sede da TV Itacolomi, fundada pelo então dono do Diários Associados, Assis Chateaubriand, foi no Edifício Acaiaca. A estreia, no dia 8 de fevereiro de 1955, foi acompanhada por Antonio Miranda.

“Ela funcionava no 23º e no 24º andares. Eu assisti ao primeiro programa aqui e assisti o último dela aqui também”, contou ele. A empresa saiu do Acaiaca nos anos 70 e funcionou até os anos 80.

“O nosso pensamento é de resgatar este edifício para a população de Belo Horizonte. Nós queremos fazer do Acaiaca um ponto turístico. Olha só esta vista”, disse Antonio, apontando para as varandas do salão do 25º andar de onde é possível ver outros símbolos da capital mineira como a Serra do Curral, o Parque Municipal, o Viaduto de Santa Tereza e a Praça da Estação.

Patrimônio

O condomínio do Edifício Acaiaca está elaborando um projeto de restauração com o objetivo de transformar o imóvel em ponto turístico. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, ele ainda não foi protocolado para análise do Conselho de Patrimônio.

“Nós queremos devolver o prédio para as pessoas. O local é um ícone da cidade”, disse Antonio.

O Acaiaca é tombado pelo patrimônio municipal desde 1999.

Por Thais Pimentel

Fonte original da notícia: G1 MG




MG – Projeto percorre as ruas de BH para fotografar e identificar residências antigas

Escondido entre prédios e muros, um portão marrom passa quase despercebido por quem transita pela rua Hermínio Alves, no bairro Santa Tereza, região Leste de Belo Horizonte. Do lado de dentro, 12 casas surpreendem pelas suas cores vivas e a história que guardam. Com a construção iniciada na década de 1910, a Vila Ivone é o retrato da riqueza arquitetônica que faz parte da capital. A menos de quatro quilômetros do Centro da cidade, a área teve como seus primeiros moradores Avelino de Souza Vieira e Florinda Pereira de Souza, que vieram de Portugal. Em 2003, foi tombada pelo patrimônio histórico e até hoje abriga os familiares do casal.

Já no bairro Serra, região Centro-Sul, as curvas e o estilo neoclássico marcam uma residência de dois andares na rua Estevão Pinto. Com projeto do arquiteto italiano Octaviano Lapertosa, um dos fundadores da Escola de Arquitetura da UFMG, o espaço já abrigou o professor Antônio Aleixo, foi colégio e até convento. Esses são apenas alguns detalhes da riqueza histórica que passam despercebidos pelos olhares dos apressados belo-horizontinos. Para mudar esse panorama, o projeto Casas de BH percorre as ruas da cidade para identificar e registrar residências antigas. De acordo com o fundador, o arquiteto Ivan Araújo, mais de 115 casas já foram catalogadas.

“A proposta surgiu em 2015 e tive uma grande aceitação, principalmente nas redes sociais. Tem pessoas que participam e contam que já moraram nesses locais ou tiveram algum familiar residindo ali”, contou. O projeto já promoveu duas caminhadas explicativas com estudantes e interessados pela área nos bairros de Lourdes e Funcionários, que concentram o acervo histórico de BH. “Na primeira, foram pouco mais de 50 pessoas participantes. Já na segunda edição, que aconteceu neste mês, recebemos mais de 100”, disse.

Preservação histórica

Conforme o especialista, muitos moradores relatam dificuldades para manter as propriedades em bom estado de conservação, principalmente pelos altos custos das reformas. “Como muitas são tombadas, eles relataram falta de incentivo e apoio, principalmente com o custo. E manter uma casa em bom estado envolve muita manutenção”, finalizou.

O arquiteto e professor da UFMG, Flávio Carsalade, explicou que grande parte da história da cidade já foi perdida. “Porém, a partir de 1990, com a criação da diretoria de patrimônio histórico de BH, essa situação vem se revertendo. Além da proteção municipal, o órgão oferece assistência técnica gratuita para os moradores”, argumentou.

Por Lucas Morais

Fonte original da notícia: Metro BH