Marquesa de Santos, de amante do imperador a santa casamenteira


Depois de escandalizar a corte, Domitila viveu 38 anos em São Paulo, onde se reinventou. Hoje devotos visitam seu túmulo.

Domitila de Castro Canto e Melo, que chamava D. Pedro I de “Demonão” – Foto: Reprodução.

Domitila de Castro Canto e Melo, que chamava D. Pedro I de “Demonão” – Foto: Reprodução.

Domitila de Castro Canto e Melo entrou para a história do Brasil como a amante de D. Pedro I que escandalizou a Corte e fez sofrer a imperatriz Leopoldina. Essa, no entanto, era apenas uma das facetas da Marquesa de Santos. Irreverente, manipuladora e nepotista, Domitila foi também uma bem-sucedida mulher de negócios. Como se não bastasse, depois de ser dispensada pelo imperador, ela se reinventou de tal forma em São Paulo que hoje chega a ser venerada como santa.

No túmulo da marquesa, no Cemitério da Consolação, em São Paulo, há placas agradecendo graças alcançadas e um aviso instigante: “Proibido acender velas e depositar objetos”. É que, devido à fama de santa casamenteira de Domitila, acontece de devotas mais afoitas deixarem calcinhas sobre a lápide. Outra crença é que, para alcançar dádivas no campo amoroso, as pessoas devem completar três voltas em torno do túmulo enquanto fazem o pedido.

Para alguns, os milagres da marquesa extrapolam o campo amoroso. Era o que acreditava o acordeonista italiano Mario Zan, autor do Hino do IV Centenário de São Paulo, um dos mais fervorosos devotos de Domitila. Durante décadas, o acordeonista cuidou do túmulo da marquesa, uma construção singela de mármore e alvenaria, tombada pelo patrimônio histórico. Na lápide, só não confere a informação de que ela doou as terras do cemitério. Na verdade, Domitila ajudou na construção da antiga capela.

Antes de morrer, em novembro de 2006, Mario Zan comprou o próprio túmulo, quase em frente ao da marquesa. Nascida em dezembro de 1797, Domitila foi uma mulher à frente de seu tempo. Demorou, mas conseguiu a separação oficial do primeiro marido, de quem levou duas facadas, por supostamente traí-lo. Três anos depois do episódio de violência doméstica, ela conheceu D. Pedro, que tinha viajado do Rio de Janeiro para São Paulo. O irmão caçula de Domitila estava na escolta do então príncipe regente.

No Rio, Domitila ganhou um palacete perto da Quinta da Boa Vista, a residência da família real. Ganhou também títulos. Antes de se tornar marquesa, ela foi Viscondessa de Santos. A escolha teria sido uma forma de D. Pedro I alfinetar os irmãos Andrada, seus desafetos, nascidos em Santos. O mais proeminente deles, José Bonifácio de Andrada e Silva, sentiu o golpe, como registrou em carta: “Quem diria que a michela (prostituta) Domitila seria viscondessa da pátria dos Andradas. Que insulto desmiolado!”.

Domitila, que em bilhetes ardentes chamava D. Pedro I de “Demonão”, nunca foi aceita pelos aristocratas do Rio. Com a prematura morte da imperatriz Leopoldina, as notícias em torno dos maus-tratos a que ela tinha sido submetida, e a dificuldade de encontrarem uma nova esposa para D. Pedro I na Europa, em 1829 ele decidiu despachar Domitila de volta para São Paulo.

Na cidade, a marquesa viveu mais 38 anos, durante os quais conquistou reputação de caridosa, por ajudar escravos e prostitutas. Ela também quebrou o provincianismo da capital paulista, ao levar o estilo da corte para o solar onde morava. Nas festas e saraus que promovia, muitas moças encontraram marido. E assim começou a fama de casamenteira.

O túmulo da marquesa, que foi preservado por décadas pelo acordeonista Mario Zan – Fotos: Luiza Villaméa.

O túmulo da marquesa, que foi preservado por décadas pelo acordeonista Mario Zan – Fotos: Luiza Villaméa.

Por Luiza Villaméa

Fonte original da notícia: Brasileiros




Crânio encontrado no Brasil altera a história da ocupação das Américas


Análises morfológicas sugerem a ocorrência de duas ondas migratórias.

Crânio encontrado em cidade mineira contesta teoria de apenas uma migração para América do Sul - Mauricio de Paiva

Crânio encontrado em cidade mineira contesta teoria de apenas uma migração para América do Sul – Mauricio de Paiva

Um crânio encontrado no sítio arqueológico Lapa do Santo, em Lagoa Santa, Minas Gerais, pode reescrever a história da ocupação das Américas. Análises morfológicas sugerem que em vez de uma, foram ao menos duas grandes ondas migratórias que chegaram ao continente há milhares de anos. Essas populações vindas da Ásia cruzaram o estreito de Bering e desceram pela costa da América do Norte, até chegar à América do Sul.

— Quando você olha para os dados genéticos contemporâneos, a sugestão, particularmente para a América do Sul, era de uma onda de migração e que os povos indígenas sul-americanos eram todos descendentes dessa onda — disse Noreen von Cramon-Taubadel, professor de Antropologia na Universidade de Buffalo, nos EUA, e líder do estudo publicado no início do mês na revista “Science Advances”. — Mas os nossos dados sugerem que existiram ao menos duas, senão mais ondas de pessoas entrando na América do Sul.

O debate sobre o modelo de ocupação das Américas é antigo na comunidade acadêmica. Hoje, existe quase um consenso de que os primeiros humanos entraram no continente há pelo menos 15 mil anos, e dispersaram rapidamente para a América do Sul, pela costa do Pacífico. Estudos arqueológicos indicam, no entanto, a existência de uma diferenciação incomum na morfologia cranial dos povos sul-americanos, em relação a outras regiões do mundo.

Muitos estudos baseados em análises genéticas de povos nativos sul-americanos do passado e contemporâneos apoiam a tese de uma única migração para a parte Sul do continente, com a diferenciação subsequente pelo isolamento de diferentes grupos humanos. Isto porque, quando um mesmo grupo se separa em dois, que não mais se relacionam, cada um deles começa a desenvolver assinaturas genéticas únicas, e crânios diferentes — e por essa teoria todos os povos indígenas modernos da América do Sul descendem de apenas uma onda de dispersão.

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Porém, ressaltam os pesquisadores, existem poucos dados genéticos disponíveis sobre povos “paleoamericanos”, que chegaram ao continente provavelmente durante o Pleistoceno, era geológica encerrada há 12 mil anos com o fim do último período glacial. “Também é necessário notar que, apesar de todos os povos do passado terem um ancestral, nem todas as populações deixam descendentes. Então, os “paleoamericanos” não necessariamente contribuíram para a história genética dos nativos americanos contemporâneos”.

— Fazendo uma analogia com o teste de paternidade, seria bom usarmos amostras genéticas para fazer comparações, mas o DNA desses povos antigos não está disponível. Então, nós usamos a morfologia craniana — explicou o paleantropólogo brasileiro André Strauss, professor na Universidade de Tubinga, na Alemanha, e coautor do estudo. — A boa notícia é que existe uma correlação entre a morfologia craniana e o DNA.

A tese sustentada por Cramon-Taubadel, Strauss e Mark Hubbe, da Universidade Estadual de Ohio, é que uma primeira onda migratória chegou ao Sul do continente provavelmente entre 20 mil e 15 mil anos atrás, ainda no Pleistoceno, e foi extinto ou teve uma contribuição marginal para a genética dos nativos modernos. Um segundo grupo chegou depois, entre 12 mil e 10 mil anos atrás, já no Holoceno, e se estabeleceu na região dando origem aos povos indígenas encontrados pelos europeus no Novo Mundo.

Da Ásia para a América na pré-história

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— Pela morfologia, encontramos uma variedade humana muito diferente desses nativos mais recentes — disse Strauss. — O crânio que analisamos data de entre dez mil e oito mil anos. Existem indícios de que populações dessas duas ondas migratórias coexistiram, mas esse não foi o tema do estudo.

Ancestral comum fora da América

Além disso, as análises indicam que os “paleoamericanos” compartilham um ancestral comum com os nativos sul-americanos modernos fora do continente.

— Todos os seres humanos vieram para a América do Nordeste Asiático, cruzando o estreito de Bering — disse Strauss. — Essas duas populações têm a mesma origem, mas vieram em momentos diferentes.

O conflito de dados entre a morfologia e a genética alimenta o debate sobre como os primeiros humanos chegaram às Américas. O trio de pesquisadores sustenta a teoria de duas ondas migratórias, afirmando que as conclusões são similares a outras pesquisas morfológicas, mas por uma metodologia inovadora. Até então, cientistas buscavam por similaridades entre a morfologia de ossadas pré-históricas com os nativos modernos.

Cramon-Taubadel e seus colegas fizeram o caminho inverso. Eles olharam para os nativos modernos como descendentes possíveis de muitos ramos de uma árvore genealógica teórica e usaram a estatística para determinar onde a amostra melhor se encaixava. O método tem a vantagem de não predeterminar modelos de dispersão, mas considerar todos os padrões possíveis de ascendência.

— Foi um estudo de ancestralidade, como quando uma pessoa quer saber quem é seu tataravô. Mas em vez de indivíduos, nós tratamos de populações de 10 mil, 15 mil anos atrás — disse Strauss.

Crânio ainda no sítio arqueológico de Lapa do Santo. Foto: André Strauss

Crânio ainda no sítio arqueológico de Lapa do Santo. Foto: André Strauss

Por Sérgio Matsuura 

Fonte original da notícia: O Globo




Patrimônios do Brasil têm potencial turístico, mas atraem poucos visitantes


turismo

Apesar de ser o décimo primeiro país com maior número de Patrimônios Culturais e Naturais Mundiais da Humanidade declarados pela Unesco, o Brasil não entra na lista dos que mais recebem turistas. Faltam investimentos e promoção das vinte localidades brasileiras que possuem esse status para atrair visitantes ao país, na avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). Por isso, o órgão recomenda ao governo federal a criação de uma política nacional de gestão desses patrimônios.

Somente em Minas Gerais, são quatro patrimônios culturais registrados na Unesco: a cidade de Ouro Preto, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, o Centro Histórico de Diamantina e o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte.

Por terem a importância mundialmente reconhecida, o esperado era que esses locais atraíssem um contingente maior de pessoas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que cada patrimônio mundial seja capaz de aumentar em 1% o número de visitantes no país.

No entanto, segundo análise do TCU, não é esse o caso no Brasil. Tanto que, segundo o Fórum Econômico Mundial, o país está na vigésima oitava posição em competitividade no turismo global.

Fora daqui

Mundialmente, os dez destinos mais procurados coincidem com os de maior número de patrimônios registrados. A França, por exemplo, é o quarto país em declarações na Unesco e o primeiro em turismo. A Espanha ocupa o terceiro posto nos rankings e a China é o segundo país com mais opções de patrimônios e o quarto em recebimento de pessoas.

Para o TCU, o que falta no Brasil para tornar esses pontos mais atraentes é um planejamento com visão de longo prazo. Além disso, o Tribunal aponta para falta de investimento na infraestrutura desses locais. Pautando-se nisso, o órgão recomenda a criação de um Plano Nacional de Gestão do Patrimônio Mundial da Humanidade.

“A verdade é que temos os patrimônios, mas não existe um trabalho consolidado para atrair os turistas para eles”, concorda com o TCU o consultor executivo especializado em hotelaria Maarten Van Sluys.

Em nota, o Ministério do Turismo afirma que já desenvolve políticas que busquem a proteção e conservação dos patrimônios. Dentre as ações citadas pela pasta estão a implantação de sinalização turística nos municípios que compõem o patrimônio mundial. Em 2016, foram 1.050 obras entregues em todo o Brasil com investimento de R$ 499 milhões. Além disso, foram liberados no fim do ano mais R$ 16, 5 milhões para 13 obras do PAC do Turismo.

O governo explica, ainda, que foram feitas parcerias com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na melhoria da infraestrutura dos parques nacionais do país, e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a realização do projeto Patrimônio e Turismo, que visa debater a inclusão das fortificações brasileiras na Lista do Patrimônio Mundial. Orçado em R$ 370 mil, o projeto prevê seminários e atualização do Guia Brasileiro de Sinalização Turística.

Minas Gerais será ‘vendida’ como ‘acervo’ histórico

Os turismos cultural e histórico serão os motes de atração turística de Minas Gerais. O governo do Estado investirá R$ 8 milhões neste ano, em uma campanha visando esse reposicionamento e incrementando o turismo local. Em 2016, foi investido R$ 1,5 milhão para esse mesmo fim.

“Fizemos uma análise do potencial turístico do Estado e decidimos apostar no que de fato atrai turista. Vamos vender Minas Gerais como Patrimônio Histórico do Brasil. Quem quiser conhecer o país necessariamente tem que passar por aqui”, afirma o secretário de adjunto de Turismo do Estado, Gustavo Arrais. “Turismo é mercado. Por isso estamos buscando inserir Minas Gerais de forma mais ativa nesse negócio”, observa.

O secretário concorda com a conclusão do TCU de que falta uma política nacional mais ativa para estimular o turismo nos Patrimônios Culturais da Humanidade.

No prejuízo

Minas Gerais acaba sendo prejudicada com isso, uma vez que o Estado possui quatro sítios de patrimônio. Para Gustavo Arrais, um estímulo dos turismos cultural e histórico beneficiará diretamente as cidades que possuem bens da humanidade. Até porque três delas são históricas e a outra é a capital, porta de entrada para o turismo internacional.

O primeiro passo é tornar o potencial turístico do Estado mais conhecido internacionalmente. O segundo é partir para o fomento da atividade, formando parcerias com os setores. “Sozinhos não conseguiremos resultados. Somos indutores de investimentos. Por isso atuamos mais no planejamento”, explica Arrais.

Por Tatiana Lagôa

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Lei eleva rodeio e vaquejada à condição de patrimônio cultural do Brasil


Foto: Divulgação/Internet

Foto: Divulgação/Internet

O presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.364/2016, que eleva o rodeio e a vaquejada – e suas respectivas expressões artístico-culturais – à condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial.

De acordo com o texto, consideram-se patrimônio cultural imaterial do Brasil o rodeio, a vaquejada e expressões decorrentes, como: “montarias; provas de laço; apartação; bulldog; provas de rédeas; provas dos Três Tambores, Team Penning e Work Penning; paleteadas; e outras provas típicas, tais como Queima do Alho e concurso do berrante, bem como apresentações folclóricas e de músicas de raiz”. A nova lei está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 30. Estadão Conteúdo

Fonte original da notícia: Isto É




Florianópolis (SC) – Freguesias de Santo Antônio, Lagoa, Ribeirão da Ilha e Enseada do Brito se tornam patrimônio nacional


Gelci José Coelho, o Peninha, na janela de casa na Freguesia de Enseada de Brito, uma das áreas tombadas pelo Iphan. Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Gelci José Coelho, o Peninha, na janela de casa na Freguesia de Enseada de Brito, uma das áreas tombadas pelo Iphan. Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

As ruas de pedra, o bilro das rendeiras, os barcos de pesca, o casario colorido e a pacata vida em frente ao mar são algumas das características que ajudaram a elevar as freguesias de Santo Antônio de Lisboa, Lagoa da Conceição e Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, e Enseada de Brito, em Palhoça, à categoria de patrimônio histórico e paisagístico do Brasil.

O processo de tombamento das freguesias luso-brasileiras – os antigos centrinhos das vilas açorianas – foi oficializado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na última semana.

Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha. Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha. Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

De acordo com o Iphan, o tombamento garante a preservação dos locais pela importância da história e da paisagem. No Ribeirão da Ilha, no Sul da Ilha de Santa Catarina, a região tombada fica na extensão da Rodovia Baldicero Filomeno, próximo à Igreja Nossa Senhora da Lapa em direção ao mar. Os detalhes são descritos no Diário Oficial da União.

Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição e entorno, na Lagoa da Conceição, estão entre os locais preservados. Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição e entorno, na Lagoa da Conceição, estão entre os locais preservados. Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Já na Lagoa da Conceição, foram tombados a Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a praça em a ela e o Largo da Igreja – caminho de pedra que inicia na Rua João Pacheco da Costa. Também estão incluídos na Rua Francisca Luiza Vieira a antiga Casa do Vigário, Casa Coutino, Teatro Divino Espírito Santo, Casa Haro, Capela, Casa Santos e a portada do Antigo Cemitério.

Vista da Lagoa da Conceição a partir do sino doado por Dom Pedro II à comunidade da Freguesia no século 19. Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Vista da Lagoa da Conceição a partir do sino doado por Dom Pedro II à comunidade da Freguesia no século 19. Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

O tombamento abrange ainda as construções da Rua João Pacheco da Costa, como a Creperia Degrau e a Casa Pereira, e a Casa Cabral, da Travessa Erotides Maria Oliveira.

Centrinho de Santo Antônio de Lisboa. Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Centrinho de Santo Antônio de Lisboa. Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Em Santo Antônio de Lisboa, a região impactada pelo tombamento do Iphan envolve uma área compreendida entre cruzamento das ruas Senador Mafra com a Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, além de trechos das ruas General Aleluia, Cônego Serpa, Professor Osni Barbato, Rodovia Gilson da Costa Xavier, Estrada Caminho dos Açores e o cemitério da Igreja Nossa Senhora das Necessidades.

Enseada de Brito, em Palhoça. Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Enseada de Brito, em Palhoça. Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Na Freguesia da Enseada de Brito, em Palhoça, o território compreendido pelo tombamento envolve trechos a partir do encontro das ruas Vereador Hermundino Silveira com a Rui Hermundino da Silveira, além das ruas Nossa Senhora do Rosário, cemitério paroquial, Rodovia BR-101, Rua 1582 e Rua 1510.

Os proprietários dos bens localizados nessas regiões têm até a próxima semana, segundo o edital do Iphan, para manifestar conhecimento sobre o tombamento ou pedir impugnação da iniciativa.

Vista do pôr do sol em Santo Antônio de Lisboa. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Vista do pôr do sol em Santo Antônio de Lisboa. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

As áreas do entorno dessas freguesias também são definidas no edital. Segundo o Iphan, a definição foi feita para dar ciência aos proprietários e assegurar “a ambiência das freguesias luso-brasileiras da Grande Florianópolis.

O governo do Estado de Santa Catarina recebeu do Iphan a notificação de tombamento das freguesias na última quinta-feira. O documento foi recebido pelo secretário de Estado da Casa Civil, Nelson Serpa, na última quinta-feira, para encaminhamentos e resposta ao órgão federal.

Enseada do Ribeirão da Ilha, no sul da Ilha de Santa Catarina. Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Enseada do Ribeirão da Ilha, no sul da Ilha de Santa Catarina. Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

O documento foi enviado para a Fundação Catarinense de Cultura e para a Secretaria de Estado da Cultura, Turismo e Esporte para conhecimento e avaliação sobre a medida federal. A notificação foi publicada no Diário Oficial da União do dia 4 de novembro.

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Exposição em Paris apresenta aquarelas de Debret produzidas no Brasil


Aquarela Tabacaria (1823) de Debret está na exposição. Imagem: Casa da América Latina/Divulgação

Aquarela Tabacaria (1823) de Debret está na exposição. Imagem: Casa da América Latina/Divulgação

A Maison de l’Amérique latine (Casa da América Latina) em Paris (França), completa 70 anos este mês e, para celebrar a data, recebe a mostra L’Atelier Tropical – Jean-Baptiste Debret.

A exposição, que faz parte das comemorações do bicentenário da Missão Artística Francesa, foi realizada em parceria com os Museus Castro Maya (Chácara do Céu e Museu do Açude), unidades do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) no Rio de Janeiro, que emprestaram 74 aquarelas originais de Debret (1768-1848).

A exposição será aberta dia 20 de outubro e fica em cartaz até 20 de dezembro. Em novembro, nos dias 25 e 26, acontece um simpósio científico internacional com o tema O momento em 1816 da ciência e das artes: perspectivas Franco-brasileiras.

A mostra chega a Paris após um período em cartaz no Museu da Chácara do Céu e apresenta um panorama, sob a perspectiva do artista francês, das camada sociais que compunham a população brasileira da época, retratando índios, africanos escravizados, caboclos, mestiços e europeus em situações cotidianas. Saiba mais.

Missão Artística Francesa
O principal objetivo da Missão Artística Francesa, que chegou ao Rio de Janeiro em março de 1816, foi criar a Escola de Belas Artes. Além disso, esperava-se que os profissionais estrangeiros divulgassem a imagem modernizada da colônia portuguesa, que acabava de virar sede do Reino de Brasil, Portugal e Algarves.

De volta à França, após 15 anos no Brasil, Debret publicou o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, das pessoas e da sociedade brasileira no início do século XIX.

Fonte original da notícia: IBRAM




Trilha Cultural


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Que tal fazer uma viagem pelos patrimônios culturais do Brasil, combinando diferentes selos e conhecendo a imensa produção cultural de nosso país? O jogo Trilha Cultural propõe a ampliação do repertório cultural a partir do contato com o patrimônio artístico-cultural nacional e sua diversidade, bem como estabelece um diálogo com professores e estudantes sobre a compreensão dos potenciais educativos desses espaços, entendo-os como recursos socioinclusivos.

Na trilha, o jogador deve juntar os selos disponibilizados para formar os cartões postais com os patrimônios culturais do país, entendendo como patrimônio cultural o conjunto de bens materiais e imateriais tombados pelo governo com objetivo de serem protegidos e preservados.

O jogo é uma ferramenta que pode contribuir para o desenvolvimento de vivências relacionadas ao ensino das Artes, alinhadas aos discursos contemporâneos da interculturalidade e apoiadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, propondo que os usuários tenham experiências divertidas e prazerosas.

Confira abaixo um vídeo com especialistas e professores de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, falando sobre a proposta do jogo e a importância de se trabalhar com os alunos as concepções de cultura e patrimônio cultural.

Trilha Cultural está disponível nas lojas da Google Play e da App Store com download gratuito. Acesse AQUI para baixar e jogar!

Fonte original da notícia: Plataforma do Letramento




Encontrados novos desenhos do primeiro europeu que reproduziu o Brasil


O artista viajou em 1637 à colônia holandesa no Brasil com o príncipe João Maurício de Nassau.

Acuarela de um capibara desenhado por Frans Pós em sua viagem à colônia holandesa no Brasil.

Acuarela de um capibara desenhado por Frans Pós em sua viagem à colônia holandesa no Brasil.

Frans Post (1612-1680) ocupa um lugar de destaque na longa lista de pintores barrocos holandeses graças ao convite do príncipe João Maurício de Nassau, governador da colônia holandesa no Brasil, para que reproduzisse suas paisagens, flora e fauna. Foi a viagem da sua vida, já que entre 1637 e 1644, em Pernambuco e na foz do rio São Francisco, Post imortalizou imagens destinadas a fomentar a migração para a nova terra. Várias de suas telas foram posteriormente dadas de presente a Luís XIV, razão pela qual a obra de Post está no Louvre. De volta ao seu ateliê na cidade de Haarlem, continuou evocando o Brasil, mas até agora nada se sabia dos seus desenhos de plantas e animais exóticos. Em 2010, entretanto, apareceram 160 desenhos de aves numa pasta dedicada a outros artistas no arquivo provincial da Holanda do Norte (noroeste dos Países Baixos). Após um estudo exaustivo, chegou-se à conclusão de que 34 das ilustrações são dele, tendo passado séculos guardadas ali. Como foi o primeiro europeu a reproduzir paisagens da América do Sul, a descoberta é considerada excepcional.

O príncipe Nassau, que dá nome à célebre Galeria Mauritshuis, em Haia, recrutou artistas e cientistas durante sua aventura brasileira para que documentassem a geografia e a história natural do lugar. Por volta de 1630, os holandeses tinham arrebatado dos portugueses o controle de uma grande parte do nordeste do Brasil, e a poderosa Companhia das Índias Ocidentais tinha sua sede em Recife. Lá atracou Post em 1637, aos 24 anos, disposto a servir como cronista gráfico do governador. Vendo os desenhos, imagina-se que sua atividade tenha sido frenética. Detalhista como seus colegas do Século de Ouro, a finura com que registra animais desconhecidos para os europeus preparava possíveis colonos para uma mudança para a América. Entre as lâminas recuperadas há um esboço a carvão e um desenho a guache e aquarela de uma capivara. Esse simpático roedor era então desconhecido na Europa, mas se tornou muito popular com o tempo. Post lhe dedica dois estudos preliminares completos para uma pintura hoje exposta em Paris.

A atribuição dos desenhos foi demorada porque nem Alexander de Bruin, conservador do arquivo de Haarlem, que os encontrou durante a digitalização do acervo, nem os especialistas do Rijksmuseum, de Amsterdã, que os estudaram, queriam se enganar. “A pasta original continha trabalhos dos artistas Pieter Holsteijn, o Jovem e o Velho, e foi dada de presente ao arquivo em 1888”, observaram seus responsáveis. “Como os de Frans Post não estão assinados, era preciso compará-los com suas pinturas posteriores”, acrescentam fontes do Rijks. Post era conhecido por suas paisagens, e os animais que aparecem ali foram analisados a fundo para que as 34 lâminas lhe fossem atribuídas. “São o elo perdido entre sua aventura brasileira e sua obra em Haarlem”, diz De Bruin, em um comentário publicado no site do arquivo provincial para apresentar a “descoberta espetacular”.

Entre os 24 guaches e aquarelas e 10 desenhos a carvão destacam-se crocodilos, onças, tatus, saruês, caititus e porcos-espinhos. O pintor acrescentava comentários como: “Muito amigável e simpático” (sobre um mico); “cruel e destruidora” (a onça); “tem cheiro de galinha” (tatu). Uma lula, um tamanduá e uma cobra completam a série. Na expedição da qual Post participou, os espécimes capturados eram dissecados. O museu Naturalis, de Leiden, as tem no seu acervo, e viajarão em outubro ao Rijksmuseum – templo de Rembrandt e Vermeer, seus contemporâneos – para a exposição Frans Post, Animais no Brasil. Estarão acompanhados dos desenhos dele e de seis telas emprestadas pelo Louvre, pela Fundação Estudar (São Paulo) e pelo museu Boymans van Beuningen, de Roterdã.

Por Isabel Ferrer

Fonte original da notícia: El País




Nota Pública do Icomos-Brasil sobre as substituições nas Superintendências Estaduais do IPHAN


icomos

O ICOMOS-Brasil, em sua tarefa de zelar pela preservação dos monumentos e sítios históricos urbanos brasileiros, vem manifestar a sua preocupação com as recentes substituições em diversas Superintendências Estaduais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Os cargos de Superintendentes Estaduais do IPHAN têm sido historicamente ocupados por renomados especialistas no campo do patrimônio cultural. Nos últimos meses, contudo, o critério fundamentalmente técnico que, historicamente, foi adotado no preenchimento destes cargos deixou de ser observado, sendo substituído, aparentemente, por negociações políticas, como demonstram as substituições realizadas no final de 2015 nas Superintendências dos Estados da Bahia, Maranhão e Piauí e que foram, oportunamente, objeto de nota pública emitida pelo ICOMOS-Brasil, datada de 19 de outubro de 2015.

A situação agora parece ser ainda mais grave e difusa. No último dia 29 de agosto, os Superintendentes do IPHAN nos Estados do Amazonas, Paraíba e Rio Grande do Sul foram exonerados, ao mesmo tempo em que foram nomeados os seus substitutos. No mesmo período, foram também nomeados os novos Superintendentes do IPHAN nos Estados do Ceará e de Sergipe, cargos que se encontravam vacantes.

Estas novas nomeações não observaram, em diversas situações, os critérios técnicos que historicamente prevaleceram na instituição, prevalecendo as indicações eminentemente políticas. Na Superintendência do IPHAN no Estado da Paraíba, por exemplo, um arquiteto com larga experiência na proteção dos monumentos e sítios históricos foi substituído por um político profissional sem formação ou qualquer experiência prévia na área, que foi deputado estadual por 11 mandatos consecutivos e chegou a ocupar, por dois anos, o cargo de vice-governador do Estado da Paraíba, até que foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2009.

Neste sentido, o Conselho Deliberativo do ICOMOS-BRASIL vem reiterar sua solicitação ao Governo Brasileiro para que respeite o caráter técnico e a autonomia do IPHAN, condições essenciais para esse órgão possa continuar atuando de forma eficiente e plena na defesa do patrimônio nacional, tarefa que desempenha ininterruptamente há quase 80 anos.

Fonte original da notícia: ICOMOS-BRASIL




Museu Nacional do Mar de São Francisco do Sul (SC) está em processo de municipalização


Todo processo incluindo a documentação de transferência deverá ser concluído em dois meses.

As margens da Baía Babitonga museu salvaguarda mais de 90 embarcações - FCC/Divulgação/ND

As margens da Baía Babitonga museu salvaguarda mais de 90 embarcações – FCC/Divulgação/ND

Na quinta-feira (1), o governador Raimundo Colombo tomou a decisão de municipalizar o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul. A decisão, segundo o governador, atende a um pedido do município e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional). “A melhor forma é passar para a Prefeitura e dar todas as condições financeiras e humanas pra que ela possa cuidar melhor do que nós estamos conseguindo fazer até agora”, afirma.

O Museu Nacional do Mar foi criado em 1993, e reúne um acervo guarda mais de 90 embarcações originais, vindas de todo o país e aproximadamente 150 miniaturas, que são verdadeiros tesouros da história marítima brasileira. A gestão do museu é compartilhada entre o Governo do Estado, FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e Associação de Amigos do Museu. De acordo com o arquiteto do Iphan, Dalmo Vieira Filho, o museu possui uma grande importância para o patrimônio cultural do Brasil, então o Iphan endossa essa decisão.

Para ele, a municipalização se concretizar, um termo será elaborado pela Casa Civil e durante elaboração do documento de transferência, serão descritas as atividades competentes a todos estes órgãos. “É muito importante para requalificar o museu no caminho do qual ele nunca deveria ter saído e com o termo vamos restabelecer o sistema de parceria”, ressalta.

Esse processo deverá ser concluído em até dois meses, o objetivo, segundo a secretária da ADR (Agência de Desenvolvimento Regional), Simone Schramm é que à medida irá auxiliar na desburocratização dos recursos principalmente para a manutenção do museu. A bilheteria será a alternativa para este recurso. “Nosso principal objetivo era articular no governo uma forma de reverter os ingressos para a conservação do espaço e isso irá permitir uma melhor conservação do prédio e do próprio acervo”, afirma.

Estavam presentes na reunião além do governador, da secretária da ADR de Joinville e o representante do Iphan, o secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Filipe Mello, o secretário da Casa Civil, Nelson Serpa e o navegador Amyr Klink.

Decisão feliz

O navegador Amyr Klink acredita que a municipalização foi uma decisão feliz, pois segundo ele, embora o espaço tenha passado por alguns problemas, ainda é considerado uma referência mundial. Além disso, ele afirma que a gestão será bem mais dinâmica, sendo feita por quem tem o conhecimento do funcionamento do museu. “Para São Chico o museu poderá ser uma alternativa interessante, um gerador de riqueza, ele já é um destino importante e pode amanhã operar uma marina própria”, comenta.

Entre as 18 salas do museu, está uma sala em homenagem ao navegador, que salvaguarda modelos navais, maquetes de barcos utilizados pelo navegador. “Estou terminando o restauro de um barco e quero muito levar ele de volta A casa dele é São Chico, assim que estiver definido esse novo caminho para o museu”, disse.

Por Suelen Soares

Fonte original da notícia: Notícias do Dia