Os centros têm de ganhar vida

Sem adensamento humano e econômico, os projetos de revitalização urbana têm pouca chance de sucesso.

Porto Maravilha, no Rio de Janeiro: uma recuperação de sucesso é a que atrai moradores. Rogério Reis/Pulsar Imagens/Revista Exame

Um fenômeno curioso ocorre em São Luís, a capital do Maranhão. A população cresceu mais de 20% desde o início do século, mas o coração da cidade encolheu. No centro — que abrange áreas declaradas como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco —, o número de habitantes diminuiu 10% entre os dois últimos censos.

O movimento começou nos anos 70, quando obras viárias permitiram a expansão do município para além dos limites dos rios Anil e Bacanga, que cercam a região. A transferência de secretarias e órgãos públicos para outros bairros reforçou a tendência de descentralização.

Durante o dia, a região central se mantém agitada por causa do comércio, mas à noite o movimento cai bastante por causa do baixo número de moradores. “Há investimentos na preservação do patrimônio, mas a verdadeira revitalização acontece quando há adensamento humano e econômico”, diz Gustavo Marques, secretário de Projetos Especiais da prefeitura de São Luís. Nos casarões históricos tombados e desocupados, a moda mais recente é a instalação de estacionamentos — irregulares, é claro.

Situações parecidas se observam do norte ao sul do país. Em Porto Alegre, uma área conhecida como Quarto Distrito, vizinha ao centro, já foi a mais pujante. Lá se concentrava a indústria da cidade até a metade do século passado, um tempo em que a proximidade com o Guaíba, o rio que banha a capital gaúcha, era uma vantagem — parte do transporte de mercadorias era fluvial. “A área era uma espécie de bairro-cidade, porque se achava de tudo por perto”, diz Leila Mattar, professora de arquitetura e urbanismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Com o aterramento da orla do rio na região, a desativação de uma ferrovia e a expansão de outros bairros, o Quarto Distrito perdeu importância. Hoje, o que se encontra por ali em abundância são fábricas abandonadas e obras inacabadas — a duplicação da Rua Voluntários da Pátria, um ponto de referência, prevista para a Copa do Mundo de 2014, não chegou à metade. “Uma intervenção como essa reduziria o problema viário, mas não traz moradores de volta para a região”, afirma Leila.

As áreas centrais das cidades, em geral, não deixaram de ter vida — mas muitas perderam a função habitacional. Um exemplo é o que ocorre em Salvador. Há 25 anos, a região do Pelourinho era um problema. Habitada por moradores de baixa renda, não tinha nenhum tipo de manutenção do casario antigo. Nos anos 90, o governo baiano iniciou uma restauração para atrair turistas. Estima-se que 2 000 famílias tenham sido deslocadas da região para que a reforma ocorresse. “O Pelourinho deixou de ser um bairro e virou um parque temático. Isso não tem sustentabilidade no longo prazo”, diz Armando Freire Branco, membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia.

Os programas de revitalização costumam ser caros — a transformação da área central e da zona portuária do Rio de Janeiro no chamado Porto Maravilha exigiu uma parceria público-privada de 8 bilhões de reais. A região ganhou mais espaço aberto, mais área verde e um museu com vista para o mar. Agora, espera-se que novos moradores a povoem. A previsão da prefeitura carioca é que até 2025 a área passe dos atuais 30 000 para 100 000 moradores.

Outros municípios, mesmo na penúria, se mantêm empenhados em planejar intervenções urbanas. A prefeitura de São Luís obteve um financiamento de 13,5 milhões de dólares para restaurar edifícios do centro histórico — do total, 250 000 dólares deverão ser gastos com estudos para promover a moradia na região. Em Salvador, um plano de investimento de 200 milhões de reais na zona central foi lançado em agosto. A promessa da prefeitura é direcionar o dinheiro para programas de mobilidade e de habitação, além da reforma de monumentos e edifícios.

Mas a dificuldade para colocar de pé projetos de revitalização de áreas urbanas no Brasil não ocorre somente por falta de dinheiro. Há programas de investimento em vários níveis do governo — só o PAC Cidades Históricas, um desdobramento do Programa de Aceleração do Crescimento iniciado em 2013, está destinando 1,6 bilhão de reais a obras de recuperação de edifícios e espaços públicos em 44 cidades. “Fazemos intervenções organizadas, mas elas não são acompanhadas por planos de mobilidade urbana ou programas de estímulo à residência nas regiões centrais”, diz Andrey Rosenthal Schlee, diretor de patrimônio material e fiscalização do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. “Para funcionar, um projeto de revitalização precisa estar associado a outras ações.” Infelizmente, é o que tem faltado na maioria dos casos.

Por Mariana Segala

Fonte original da notícia: Revista Exame




Laguna: os pontos turísticos da “joia” dos Encantos do Sul de Santa Catarina

A cidade, de colonização açoriana, tem mais de 600 edificações tombadas pelo Iphan.

Laguna, localizada a 121 km de Florianópolis, é considerada a joia da região dos Encantos do Sul. Quem passeia pelo centro histórico do município entende bem o porquê da afirmação. Com colonização açoriana, as mais de 600 edificações tombadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) levam a um retorno ao passado. A primeira parada para quem quer saber mais sobre a cidade é o Museu Histórico Anita Garibaldi, que assim como outros locais foi batizado com o nome da personagem mais famosa da cidade.

Entrada da casa de Anita, em Laguna – Divulgação/ND

O prédio fica na praça República Juliana e tem uma estátua imponente de Anita dando boas-vindas aos visitantes e data de 1735, sendo a primeira edificação construída na até então vila de Laguna. Ali já foram julgados e presos quem não seguia as leis na época e também foi o local onde foi proclamada a república catarinense em 1839, virando museu quase cem anos após pelo centenário da morte de Anita, em 1949. “ Aqui no museu o visitante fica sabendo o que aconteceu em Laguna desde o momento em que as civilizações antigas estiveram por essa região, com os sambaquis que já existiam há mais de 2.000 anos. Poderá saber mais sobre o Tratado de Tordesilhas, que foi assinado entre Portugal e Espanha em 1494”, diz Thiago Laurindo, diretor de departamento da Secretaria de Turismo. Jerônimo Coelho, o pai da imprensa catarinense, é lagunense e a prensa do primeiro jornal impresso do Estado está entre os objetos em exposição.

Mas a história mais instigante é de Anita, Ana Maria de Jesus Ribeiro, que viria a ser mais tarde reconhecida como “A heroína dos dois Mundos”. A jovem de família humilde, que desafiava o padrão da época em que as mulheres deviam ser apenas donas de casa e cumprir os afazeres domésticos, tem uma casa que leva o seu nome, uma espécie de relicário de sua breve história. Foi ali que ela se arrumou para o primeiro casamento com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar, o ‘Manoel dos Cachorros’ e onde hoje se encontram um pouco de suas memórias, como certidões de nascimento, um punhado de areia de sua sepultura em Ravena, na Itália, e uma tesoura que dizem ter sido entregue por ela a uma amiga antes de ir embora com seu grande amor Giuseppe Garibaldi, logo após ficar viúva.

Casa inspirada em quinta portuguesa

Igreja onde Anita se casou- Divulgação/ND

Em frente à Casa de Anita está a Igreja Matriz, onde ela também se casou. Várias obras de arte enfeitam os altares, como a “La Madonna”, de 1856, do pintor catarinense Victor Meirelles. Na praça da igreja, mais curiosidades sobre os Garibaldi: um monumento à Giuseppe fica em frente a uma árvore que, conta a história, brotou no Seival, o navio do italiano Garibaldi.

Outro local que merece a visitação é a casa Pinto D´Ulissea, uma charmosa construção de 1866 e que foi inspirada numa quinta portuguesa, com a fachada revestida de azulejos e um pequeno jardim com inspiração francesa. O local abriga atualmente a Fundação Lagunense de Cultura e fica ao lado da Fonte da Carioca, datada de 1836. Segundo historiadores foi a água desta fonte que motivou a localização da cidade por seu fundador Domingos de Brito. Segundo a lenda, quem bebe da água ganha o poder da juventude eterna e a certeza que retornará à cidade.

Não há como negar que mesmo com tantos locais e histórias, Laguna respira Anita. “Anita transgrediu a sua época: estamos falando de uma mulher inovadora, que queria era tocar a boiada com o tio ou ir para a lavoura com o pai, isso quando as mulheres ficavam em casa. Ela lutou ao lado do seu grande amor, principalmente na questão da libertação da Itália nas causas republicanas e foi fiel aos seus objetivos”, enfatiza Thiago Laurindo.

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Quatro caixas d’água de Curitiba (PR) que são referência na paisagem e símbolos históricos

Além de funcionais, reservatórios de água são pontos turísticos de Curitiba e contam a história da urbanização da cidade.

Reservatórios de água podem não ser pontos turísticos comuns, mas na capital paranaense alguns deles merecem um olhar especial. Há os com mais de 100 anos e que seguem em funcionamento, patrimônios tombados e os que têm painel de artistas locais.

O coordenador de Patrimônio Histórico da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Junio Ferreira Lima, ressalta quatro reservatórios de água históricos: Carvalho, Alto São Francisco, Batel e Cajuru. Todos, com exceção do Cajuru, seguem ativos. O reservatório do Carvalho tem capacidade para 800 mil m³ de água, o do Alto São Francisco para 6 mil m³ e o do Batel tem capacidade para 16 milhões m³. Além de funcionais, cada um deles tem características arquitetônicas que convidam a um olhar mais atento.

Alto São Francisco

O reservatório São Francisco, inaugurado em 1908, foi tombado como patrimônio cultura do Paraná. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Uma caminhada pela região do Centro Histórico de Curitiba permite conhecer o maior reservatório de água da cidade. A construção foi tombada em 1990 e é cercada por jardins com desenho de inspiração art noveau. No local também há um chafariz e um característico edifício que abriga a antiga casa de máquinas. O reservatório propriamente dito é subterrâneo, com pilares de fundação e teto de abóbodas e arcos.

Álvaro de Menezes e Octaviano Machado de Oliveira foram os dois engenheiros responsáveis por projetar o sistema, inaugurado em 1908. Em uma ponta do sistema está o conjunto dos Mananciais da Serra, que compreendia 17 caixas coletoras localizadas nas bacias do Rio Caiguava e Litorânea e o reservatório do Carvalho. Na outra ponta, está o reservatório do Alto São Francisco que recebia o líquido vindo do reservatório do Carvalho depois de percorrer os 38 quilômetros de adutoras que ligavam as duas construções. A água vinda do reservatório do Carvalho e armazenada no reservatório do Alto São Francisco abastecia a Curitiba do início do século 20 com cerca de 35 mil habitantes.

“Esse reservatório também tem importância estratégica para o abastecimento da cidade”, comenta o coordenador de Patrimônio Histórico da Sanepar. O Alto São Francisco é responsável por levar água para toda a região central de Curitiba e outros 16 bairros do entorno, abastecendo cerca de 600 mil pessoas.

Carvalho

O reservatório do Carvalho integra o primeiro sistema de abastecimento de água de Curitiba e é aberto para visitação do público. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Parte do primeiro sistema de abastecimento de água de Curitiba, o reservatório do Carvalho tem beleza histórica, construído com pedras exclusivas da região. Localizado aos pés da Serra do Mar, o local conta com paisagem natural e possibilidade de visitação pública, organizada uma vez por mês pela Sanepar.

Em 1950, o reservatório do Carvalho deixou de funcionar em sua totalidade. Das 17 caixas coletoras, apenas uma, a do Rio Carvalhinho ainda alimenta o Reservatório do Carvalho.

Atualmente, esse reservatório abastece uma aldeia indígena nas proximidades e o restante da água é incorporada na barragem do Piraquara que ajuda a abastecer Curitiba e a região metropolitana.

Batel

No Batel, o antigo reservatório de água ganhou um painel do artista André Mendes. Foto: Ike Sthalke/Sanepar

Até 1908, o sistema composto pelo reservatório do Carvalho e do Alto São Francisco conseguia abastecer toda a população de Curitiba, mas no final da década de 1920 o poder público começou a estudar sua ampliação. Inaugurado em 1928, o reservatório de água do Batel não conta com apelo arquitetônico como o do Alto São Francisco e seu belo jardim. “Ele é mais funcional”, opina Lima. O reservatório atende principalmente a região do Batel, Bigorrilho, Campina do Siqueira e São Braz.

Em 2003, foi construído um anexo, um reservatório maior, e colocado um painel do artista curitibano André Mendes que traz um apelo estético à construção histórica.

Cajuru

Mesmo desativado, o reservatório do Alto da XV serve como ponto de referência para os moradores de Curitiba. Foto: Brunno Covello/Sanepar

Desativo entre 1999 e 2000, o reservatório elevado que fica no Alto da XV (chamado oficialmente de Cajuru) foi construído em um estilo art déco, com linhas retas e sem muitos detalhes. “Observamos o uso de linhas mais retas, sem tanta beleza arquitetônica e mais funcional”, comenta Lima.

O reservatório do Cajuru também foi construído quando os mananciais da serra passaram a não ser suficientes para o abastecimento de Curitiba. Na década de 1940, iniciou-se o estudo para ampliação do sistema Tarumã, composto pela captação no rio Iraí, a estação de tratamento de água Tarumã e o reservatório que hoje é conhecido como “caixa da água do Alto da XV”.

Por Haus

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo




João Pessoa (PB) – Casarão onde João Pessoa morou definha após projeto de museu não sair do papel

Prédio na Praça da Independência está em ruínas. Projeto de 2007 previa transformar casa em Museu da Cidade.

Casarão onde João Pessoa morou está em ruínas. Foto: André Resende/G1

Entre escolas, em frente à Praça da Independência, no Centro de João Pessoa, definha um casarão que seria igual aos demais que compõem o Centro Histórico e que estão em ruínas. Exceto pelo fato de que a casa em questão foi residência do ex-presidente da Paraíba, João Pessoa, o homem que deu nome à capital paraibana.

Em 2005 foi firmado um convênio com o governo federal para reforma do prédio e adequá-lo para se tornar o Museu da Cidade. Em 2007, o governo estadual contratou uma empreiteira por meio de licitação e foram feitos os primeiros empenhos, conforme registros do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB). Placas indicando as reformas chegaram a ser instaladas mas, assim como o próprio casarão, elas sucumbiram à ação do tempo.

Sete anos após o início do que viria a ser a obra, em 2014 o projeto de entregar o museu da cidade Império e Repúblico chegava ao fim. Conforme o Ministério do Turismo, até aquele ano, havia sido repassado R$ 700 mil ao governo para construção do museu, valor que foi devolvido pelo governo estadual. A quantia corrigida pelos sete anos de convênio chegou a algo em torno de R$ 1,2 milhão.

Valor arquitetônico e material

Obras chegaram a ser iniciadas, mas não foram concluídas após fim do convêncio com governo federal. Foto: André Resende/G1

A historiadora e restauradora de prédios tombados Raquel Miranda Carmona avalia que o museu teria valor cultural tanto arquitetônico, quanto material. “O estado do que viria a ser o museu era ruim quando foi iniciado o projeto, agora está péssimo. Seria um museu com valor tanto arquitetônico, como na representação do material da cidade em seu interior, localizado em uma das praças mais bonitas do Brasil”, acredita.

A Praça da Independência, onde está localizado o casarão do ex-presidente do estado, como eram chamados os governadores na época, também é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local foi projetada pelo arquiteto pernambucano Roberto Burle Marx.

Sobre a falta de rumo para a casa e com o fim oficial do projeto de revitalização do prédio, Raquel Miranda Carmona lamenta o impasse. “Deveria ser um museu com a história viva para mostrar para estudantes, alunos, para ser um atrativo para turistas, até para o próprio paraibano conhecer um pouco da sua história e reforçar sua identidade. Sentimos falta disso. O turista vem para conhecer o Centro Histórico de João Pessoa e muitas vezes acaba conhecendo uma porta fechada”, avaliou.

De acordo com a diretora executiva do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estado da Paraíba (Iphaep), Cassandra Figueiredo, a reforma e a implantação do casarão não foram executados porque o governo da Paraíba não acompanhou e executou o convênio firmado junto ao ministério do Turismo. Ela explicou que a antiga residência de João Pessoa pertence ao governo da Paraíba e um novo projeto deve ser iniciado para revitalização do casarão.

“Iremos fazer um novo projeto para sairmos em busca de novos recursos. Se não for para instalar um museu no local, como era o projeto anterior, mas para recuperar a casa, que neste momento está em péssimas condições. Existe uma consciência, uma vontade política, e por isso acredito que vamos conseguir o recurso necessário para recuperação do prédio”, explicou.

Casarão localizado na Praça da Independência sofre com abandono. Foto: André Resende/G1

Fonte original da notícia: G1 PB




Casarão histórico é atingido por incêndio em Iguape (SP)

Incêndio atinge casarão em Iguape. Foto: Divulgação/Cidade de Iguape

Um incêndio atingiu um casarão histórico de Iguape, na região do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, na noite desta sexta-feira (1). Ninguém ficou ferido.

De acordo com informações obtidas pelo G1, o incêndio começou por volta das 23h, em um casarão na rua Nove de Julho. O imóvel pertence a uma tradicional família da cidade e estava desocupado. O centro histórico de Iguape é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como patrimônio nacional desde 2009.

Casarão atingido por incêndio fica no Centro de Iguape. Foto: Juan Alexsander/Arquivo Pessoal

Como a cidade não possui um posto do Corpo de Bombeiros, uma equipe de Registro, que fica a cerca de 1 hora de distância de Iguape, foi deslocada. Por conta da demora, as chamas se alastraram rapidamente, o que dificultou o trabalho dos militares.

Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas. Não havia ninguém no local no momento do incêndio. As causas ainda serão investigadas.

Fonte original da notícia: G1 Santos




Prefeitura de Porto Alegre (RS) fará nova licitação para obras na Praça da Matriz

Executivo finaliza um projeto para conseguir utilizar uma verba de R$ 4 milhões.

Nova licitação será lançada para reforma da Praça da Matriz | Foto: Mauro Schaefer

Para conseguir utilizar uma verba de R$ 4 milhões para revitalização da Praça da Matriz, no Centro Histórico de Porto Alegre, a Prefeitura finaliza um projeto e um orçamento de execução para o lançamento de um novo processo licitatório. A primeira licitação chegou a ser feita aparentemente com sucesso, no entanto, uma demora de cerca de três anos na assinatura do contrato com a empresa vencedora uma atualização de valores e ocorreu a rescisão.

O motivo inicial do atraso foi que a ideia inicial previa a revitalização da Praça e do Monumento a Júlio de Castilhos em um mesmo projeto. De acordo com a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas em Porto Alegre, Briane Bicca, se percebeu, contudo, que havia uma necessidade de separar os procedimentos, que são de natureza e execução diferentes. A divisão, então, ficou de R$ 1,1 milhão para o monumento e de R$ 2,9 milhões para a Matriz – com recursos do PAC, sendo que os referentes à Praça são repassados pela Caixa Econômica Federal.

Só isso, lembra Briane, já provocou o primeiro atraso, que viria a ser agravado em seguida. Quando a licitação finalmente foi lançada, foi promulgado um decreto municipal que alterava as taxas de todas as obras da prefeitura e a revitalização da Praça da Matriz teve um acréscimo de R$ 86 mil em seu orçamento. “A partir daí, como o PAC não tem aditivo, o que correspondia a essa mudança de índice teria que ser coberto pelo município”, explica.

Com o aumento de custo, que se estabeleceu aproximadamente um ano e meio depois do processo licitatório, a empresa vencedora, a Engenharia e Pesquisas Tecnológicas S.A., reviu seus orçamentos e acabou desistindo de dar sequência ao projeto. “Infelizmente para a empresa e para nós, ela não se interessou pela obra”, relata Briane, que também garante que a rescisão foi feita de forma amigável.

Desde então, conforme a coordenadora do PAC Cidades Históricas na Capital, o trabalho vem sendo para que se consiga adequar o projeto ao valor inicial de R$ 2,9 milhões. Para isto, tem sido retirados itens que não cabem neste orçamento fixo. Um dos procedimentos descartados é a retirada do asfalto prevista para as quatro ruas do entorno da Praça. Quando esta etapa for finalizada, o projeto e o orçamento serão encaminhados à Caixa e, se forem aprovados, uma nova licitação será feita. Restarão, então, o prazo de julgamento e assinatura de contrato.

Já o trabalho de revitalização do Monumento a Júlio de Castilhos foi iniciado normalmente e continua sendo executado. Ocorreu, no entanto, uma prorrogação do prazo inicial em dois meses. O motivo, segundo Briane, é que o Monumento da República e um globo terrestre localizado junto a ele vão precisar ser retirados no processo. A realocação precisa ser feita com segurança, pois os objetos estão localizados a 13 metros de altura.

Por Henrique Massaro

Fonte original da notícia: Correio do Povo




Florianópolis (SC), cidade que preserva sutilezas urbanas

Um exemplo é o pacato bairro do José Mendes, uma extensão do Centro que já teve até fábrica de refrigerantes.

Uma das praias do José Mendes: sem banho de mar, por causa da poluição, mas a pesca continua – Carlos Damião

Apesar do ritmo de crescimento desenfreado, registrado em especial nos últimos 20 anos, Florianópolis é uma cidade que ainda preserva sutilezas urbanas muito interessantes. O Centro Histórico é um exemplo disso, com suas edificações centenárias, a Praça 15, as igrejas de São Francisco da Penitência, Nossa Senhora do Parto e Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, a Catedral Metropolitana, o Mercado Público, a Alfândega, o Palácio Cruz e Sousa, entre outras referências importantes. Os poetas e artistas costumam dizer que nesses cenários resiste um pouco da aldeia que já fomos.

Avançando um pouco, em direção ao Sul da Ilha – pela estrada velha, como dizem os antigos – ainda é possível se surpreender com detalhes de uma cidade tranquila, que aparentemente parou no tempo, por causa de seu perfil urbano menos conturbado e mais tradicional. A menos de dois quilômetros da Praça 15 encontramos um bairro histórico – embora sem patrimônio significativo – cujo nome representa um mistério para os novos moradores e para o público mais jovem. José Mendes é a denominação do lugar, desde o século 18, lembrando a figura de José Mendes dos Reis, um português que era simplesmente o dono de tudo, inclusive da ilha das Vinhas, que fica de frente para a praia. Diz a história que a ilha, de 10 mil metros quadrados, recebeu esse nome porque o dono mantinha ali seus parreirais.

Lugar histórico

A célebre Curva do Madalona, com destaque para o antigo Clube Penhasco (construção arredondada) – Acervo Carlos Damião

Caminho para o Sul da Ilha até a implantação do túnel Antonieta de Barros e da Via Expressa Sul, o bairro José Mendes é pequeno: espalha-se por ruas perpendiculares à principal, José Maria da Luz, entre os bairros da Prainha e do Saco dos Limões. Com cerca de 5 mil habitantes, sua ocupação começou no século 18, quando chegaram à Ilha de Santa Catarina e arredores os imigrantes açorianos que deram início à colonização. Ao longo do século 19 tornou-se uma opção de moradia para famílias de renda mais baixa, em geral ligadas ao comércio e à pesca, atividade que persiste, de forma artesanal.

Mas o José Mendes já teve importância econômica mais destacada, com a instalação, na década de 1960, da fábrica da Coca-Cola, que era administrada por uma empresa chamada Catarinense de Refrigerantes. Desativada há mais de 30 anos, a fábrica passou ao controle de uma empresa do Rio Grande do Sul, que produz a linha de bebidas da Coca no município de Antônio Carlos.

Destaca-se no bairro, ainda, uma edificação que lembra os áureos tempos dos clubes florianopolitanos. Chamado de Penhasco, o prédio tem formato arredondado e oferece aos visitantes uma das vistas mais fascinantes da cidade, talvez a contemplação panorâmica mais bela do pôr do sol. Fica no alto de um ponto da cidade que os mais antigos conhecem como a Curva (ou Volta) do Madalona, logo após o Veleiros da Ilha.

Pequenas praias

Ainda no bairro há um castelinho histórico, das estações elevatórias de esgoto construídas no início do século 20, localizado na Curva do Amadeu, onde começa o bairro seguinte, do Saco dos Limões.

Curiosamente, no passado as pequenas praias do bairro, como a do Curtume (ou Praia do José Mendes) eram frequentadas por banhistas. A poluição da baía Sul, no entanto, tornou o banho de mar proibitivo. O que persiste é a presença de barcos de pesca, abrigados em ranchos ao longo das praias.

Por Carlos Damião

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Salvador (BA) – Donos de imóveis terão descontos para fazer reforma no Centro Histórico

Mais de R$ 28 milhões serão investidos em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do quarto eixo do programa Salvador 360.

Evento de lançamento do programa Salvador 360 Centro Histórico, no Fera Palace Hotel. Foto: Betto Jr./Correio

Proprietários de imóveis que estão em situação precária, no Centro Histórico de Salvador, terão um incentivo a mais para fazer a reforma dos prédios e casarões. Nesta segunda-feira (21), a prefeitura anunciou que dará isenção e descontos de impostos para quem fizer a recuperação das estruturas e dar uma funcionalidade aos espaços. A ação faz parte do quarto eixo do programa Salvador 360, lançado pelo prefeito ACM Neto, que anunciou mais R$ 28 milhões em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do programa na área da cidade.

“É o projeto mais completo já realizado pelo poder público municipal para o Centro Histórico. O objetivo principal é garantir uma revitalização consistente, com a presença não só de um comércio pulsante e uma vida econômica ativa, mas também de órgãos públicos e novas habitações, e toda uma condição de mobilidade e urbanização que vão projetar o futuro da região”, afirmou Neto, durante o lançamento no Fera Palace Hotel, na Rua Chile.

Segundo o secretário municipal de Turismo (Secult), Claudio Tinoco, atualmente existem cerca de 500 imóveis nessa situação no Centro Histórico e arredores. As ações de incentivo fiscal serão dividas em duas fases, com isenção de impostos como ISS (serviço), IPTU (propriedade de imóvel) e ITIV (transferência de imóvel).

Segundo ele, isso já representa “um impacto muito significativo porque é a isenção total”. “Depois que a obra for concluída, eles terão descontos nesses impostos”, completa o secretário.

Repercussão
Quem frequenta o local ficou feliz com a notícia. A fisioterapeuta Aline Camargo, 31 anos, acredita que as reformas são uma necessidade urgente. “São muitos casarões lindos e importantes historicamente, mas que estão abandonados, se perdendo no tempo e oferecendo risco de desabar. É preciso que alguém olhe mesmo para essas questões”, opina.

Para o comerciante da Praça da Sé Akin Olabode, 32, que deixou a Nigéria há dois anos para morar na Bahia, as ações também são necessárias. “Muita coisa já foi feita, mas ainda precisa melhorar. Salvador é uma cidade linda e quanto mais linda ficar, mais clientes teremos”, prevê.

Confira um vídeo divulgado pela prefeitura que explica outros detalhes e projetos do eixo Centro Histórico:

Outros eixos
Três eixos do Salvador 360 já foram lançados este ano. Em maio, foi lançado o Salvador Simplifica, que tem como objetivo reestruturar o modelo atual de licenciamento e abertura de empresas, obras e publicidade, promovendo facilidades no atendimento aos cidadãos. Em junho, a prefeitura lançou o Salvador Negócios, que é destinado ao estímulo para atração de empresas, através de incentivos fiscais e treinamento de mão de obra qualificada, entre outros pontos.

Em julho, foi a vez do Salvador Investe, destinado aos investimentos públicos, que alcança o montante de R$ 3 milhões. Parte do valor a ser investido será captada por meio de concessões e parcerias público-privada (PPPs).

Por Gil Santos

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Manaus (AM) – Empresários desrespeitam a lei e mudam fachadas de prédios históricos no Centro

Imóveis de ruas do Centro de Manaus não seguem as determinações da legislação do patrimônio e ainda colocam em risco a vida dos pedestres.

Quando não alteram fachadas, empresários colocam seus produtos nas calçadas. Foto: Márcio Silva

Não é preciso andar muito pelo Centro de Manaus para encontrar prédios com fachadas belas e que lembram o período áureo da borracha. O problema é que alguns desses imóveis históricos, além de não seguir as determinações da legislação do patrimônio e normas do projeto Viva Centro, da prefeitura, ainda colocam em risco a vida dos pedestres que circulam no entorno deles.

Na rua Rocha dos Santos, por exemplo, uma loja que comercializa redes ficou  com parte da estrutura comprometida depois que metade da fachada de ferro foi retirada. O vendedor João Mendes, 49, disse que, o proprietário do prédio retirou a estrutura para reformar outra loja, que fica ao lado. “Eles retiraram o toldo e, em seguida, serraram o painel de ferro. Só ficou uma parte para identificar a loja de redes. O dono retirou para não atrapalhar a estética da nova loja vizinha”, explicou.

Perto dali, na rua Miranda Leão, uma loja de confecções também foi flagrada fora dos padrões determinados pela Prefeitura.  O projeto de reordenamento do Centro exige que lojistas devem manter os produtos para venda, dentro dos limites dos comércios. Em frente ao estabelecimento, foram encontrados vários manequins e peças de roupa espalhadas pela calçada. Para a dona de casa Gisandra Coelho Paes, 26, isso atrapalha a todos que passam por ali.

“Há alguns meses eles mantinham uma cesta cheia de sapatos em promoção quase no meio da rua. Era muita confusão. Depois do ‘tal’ reordenamento, cessou um pouco, mesmo assim, a gente precisa andar ‘apertadinho’, quando passamos em frente a essas lojas”, criticou Gisandra, que ainda denunciou a prática de vendas no meio da rua, durante o fim de semana.

“É só você chegar aqui, no sábado, a partir de nove da manhã. Muitas pessoas vendendo nos moldes da Henrique Martins (bate-palma). Eu acredito que a fiscalização do poder público precisa ser maior”.

Limpeza

A sujeira também é outro problema apontado pelos clientes e pedestres que circulam pelas ruas do Centro Histórico de Manaus. Em um estabelecimento que comercializa variedades, localizado na rua dos Andradas, além do mostruário no meio da calçada, o lixo acumulado espanta os clientes, conforme relata a vendedora ambulante Rosalina Souza, 51. Ela explicou que os lojistas pagam um serviço terceirizado para retirar o lixo da calçada, mas o serviço é irregular.

“Eu sei que é de responsabilidade da prefeitura manter as ruas limpas, mas todos os comerciantes tem o dever de cuidar do seu próprio espaço na calçada. Como vamos ter um centro ‘modelo’ se ninguém coopera?”, questiona.

Implurb

O Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) foi questionado sobre as denúncias de fachadas irregulares em imóveis no Centro Histórico de Manaus, no entanto, até o fechamento desta edição, não respondeu sobre as ações que eventualmente toma.

Por Danilo Alves

Fonte original da notícia: A Critica




Porto Alegre (RS) – Um destino para a Casa dos Leões

Palacete no Centro deve abrigar Instituto Zoravia Bettiol. Marco Quintana/JC

A Casa dos Leões, uma edificação histórica situada na Rua dos Andradas, 507, deverá se tornar um instituto cultural. Localizada na zona dos quartéis, no Centro Histórico de Porto Alegre, o casarão foi erguido há cerca de um século e se encontra abandonado há mais de 25 anos. O espaço já serviu de plataforma para a obra Tapume do paulista Henrique Oliveira, concebida para a 7ª Bienal do Mercosul.

O palacete pertence à prefeitura de Porto Alegre – no fim da gestão passada, o então prefeito José Fortunati publicou um decreto repassando o espaço para o Instituto Zoravia Bettiol. O município, através do Termo de Cessão de Uso, em fase de elaboração, possibilitará a utilização da Casa dos Leões como sede do Instituto Zoravia Bettiol, onde serão realizadas atividades artístico-culturais, educacionais e científicas. A edificação é um bem inventariado pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (Epahc).

O instituto é uma associação sem fins lucrativos que tem por missão a preservação, a pesquisa e a difusão do acervo artístico e documental da artista Zoravia Bettiol, bem como o apoio e o incentivo às manifestações da arte contemporânea. “Ele ficará em uma zona privilegiada, um corredor cultural da cidade, que, no entorno, contempla a Usina do Gasômetro, o Museu do Trabalho, a Casa de Cultura Mario Quintana etc. Um instituto deve se envolver com a comunidade e ser um elemento vivo que tem que conhecer o passado, mas sempre estar com a visão no futuro”, comenta Zoravia.

“A proposta de assumir a gestão da casa partiu do instituto. Neste momento, está em processo de análise o termo de cessão de uso, nele constará os elementos de responsabilidade que a instituição arcará a partir do momento que ela assume a edificação”, avisa o coordenador de Memória Cultural do município, Eduardo Hahn. Segundo ele, basicamente, deverá ser feita toda a atualização do projeto de restauração da casa, uma vez que já existia uma proposta anterior. “Também deverá o instituto buscar recursos para recuperação do espaço, que provavelmente seja via Lei de Incentivo à Cultura, e depois todo o processo de manutenção e de gestão do espaço”, conta Hahn.

Segundo a equipe de arquitetura responsável pelo projeto – composta por Ester Meyer, Iran Fernando da Rosa e Adriana Sabadi -, a pretensão é de que o Projeto de Restauração Arquitetônica contemple a recuperação de um bem de valor histórico e adapte os novos espaços a uma nova função, que terá como finalidades promover a arte, a cultura e a preservação do patrimônio cultural; restaurar e conservar o acervo artístico e a documentação sobre a vida e a obra da artista Zoravia Bettiol; constituir um centro de excelência para pesquisa, estudos, desenvolvimento e difusão da arte e da cultura, denominado Laboratório-Atelier Científico; entre outros objetivos de cunho cultural.

Nos anos 1990, cogitou-se transformar a edificação em sede do Museu de Arte de Porto Alegre, abrigando as pinacotecas Rubem Berta e Aldo Locatelli. A partir de 2010, um projeto foi elaborado pela Coordenação de Dança da Secretaria Municipal de Cultura, mas nada vingou.

Por Michele Rolim

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio