Audiência pública cria grupo de trabalho para discutir ações de preservação do patrimônio histórico de João Pessoa (PB)

Durante audiência pública realizada na tarde dessa terça-feira (25), na Câmara Municipal de João Pessoa, foi criado um grupo de trabalho com vários segmentos da sociedade com o objetivo de formatar ações de preservação do patrimônio histórico da Capital. Devem compor essa comissão, representantes do Iphaep, Academia de Letras da Paraíba, Fundação Casa de José Américo, Funjope, Coordenadoria do Patrimônio Cultural (Copac), artistas e pessoas ligadas ao setor, além do vereador Eduardo Carneiro (PRTB), autor da propositura.

De acordo com Eduardo Carneiro, o grupo deverá se reunir nos próximos 20 dias e iniciar a discussão dos temas. Segundo ele, o Centro Histórico de João Pessoa possui um rico acervo cultural e precisa ter potencializada essa vocação, sobretudo para o turismo. “A criação desse grupo de trabalho é de fundamental importância para que o tema seja constantemente debatido e para que possamos discutir e encontrar as saídas necessárias de que tanto o setor precisa”, comentou.

Eduardo Carneiro se colocou à disposição para atuar como intransigente defensor do tema na Câmara Municipal e lembrou as ações desenvolvidas pelo seu mandato neste sentido. “Já conseguimos importantes avanços para que o nosso Centro Histórico possa absorver a grande demanda de turistas que nos visitam, pois entendemos que o turismo em João Pessoa não pode se resumir ao turismo no Litoral. Uma dessas ações é a solicitação junto à bancada federal para que se destinem recursos que garantam a construção de um museu em nossa cidade. Outra iniciativa nossa é o Centro de Atendimento ao Turista, que atuará diretamente na ponta, direcionando o turista para visitar as nossas potencialidades e movimentar o setor”, destacou.

Participaram da audiência, os vereadores Tibério Limeira e Léo Bezerra, ambos do PSB, Bispo José Luiz (PRB), Damásio Franca Neto (PP), Milanez Neto (PTB), a deputada Estela Bezerra (PSB), a diretora-executiva do Iphaep, Cassandra Dias, o coordenador do Patrimônio Cultural de João Pessoa, Rui Leitão, a coordenadora de Arquitetura e Ecologia do Iphaep, Gabriela Pontes, presidente da Fundação Casa de José Américo, Damião Ramos, e o vice-presidente da Funjope, Jonildo Cavalcanti.

Fonte original da notícia: paraiba.com.br




João Pessoa (PB) – Prédios abandonados podem ser desapropriados

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Os imóveis abandonados no Centro Histórico de João Pessoa podem ser retomados pelo Poder Público. É o que prevê o Projeto de Lei (PL) 29/2017, de iniciativa do vereador Fernando Milanez Neto (PTB), que tramita nas Comissões Permanentes da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP).

“Uma das capitais mais antigas do Brasil está perdendo a sua identidade histórica por completo abandono”, avaliou o autor da proposta. “Com esse projeto, queremos normatizar o uso dos imóveis tombados, acabar com a especulação imobiliária e garantir a preservação da nossa história, tratando-a com o devido respeito”, justificou.

Milanez Neto esclareceu que todas as edificações tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Estado da Paraíba, Iphan e Iphaep, respectivamente, são de responsabilidade solidária dos seus proprietários e do Executivo Municipal. “O que estamos propondo é devolver para a cidade o que já é dela”, argumentou.

“Muitos donos de casas históricas viram no abandono uma saída para driblar o tombamento. Eles esperam os imóveis caírem para poderem vender os terrenos, sem precisar investir na recuperação e preservação das propriedades”, destacou o parlamentar. “A Câmara Municipal não pode ficar omissa diante da depreciação da nossa história”, reforçou.

Desapropriação

O projeto prevê a retomada do imóvel para a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), caso seja confirmado o abandono. De acordo com o texto da matéria, serão consideradas abandonadas aquelas edificações cujos proprietários não possuam a intenção de mantê-la em seu patrimônio e não estejam em posse de outra pessoa; que possuírem pendências fiscais; que não estejam conservadas; ou que sejam utilizadas em desacordo com a finalidade econômica e social dos bens históricos.

“Um prédio tombado, que é utilizado como casa de shows sem o devido tratamento acústico, por exemplo, pode comprometer seu valor histórico, pois não há o cuidado necessário com a preservação do bem”, explicou Milanez Neto. “Na Rua das Trincheiras vemos várias casas ruindo. Recentemente, uma casa na Rua da Areia desmoronou, comprometendo inclusive a segurança de quem transita pela cidade. Não podemos permitir que isso continue acontecendo”, alertou.

O vereador ainda informou que o processo de desapropriação pode ser iniciado pela PMJP ou através de denúncia de qualquer cidadão. “Cidades históricas, como Olinda (PE) e Ouro Preto (MG), já possuem leis com esse mesmo objeto”, citou.

Finalidade

O PL prevê ainda que os imóveis desapropriados sejam destinados, prioritariamente, a programas habitacionais, à prestação de serviços públicos e ao fomento do turismo, ou que sejam utilizados por entidades civis que, comprovadamente, tenham fins filantrópicos, assistenciais, educativos, esportivos ou outros de interesse do Município.

Fonte original da notícia: Mais PB




300 anos: Centro da cidade retrata o abandono da história de Cuiabá (MT)

Fotos: Ahmad Jarrah

Fotos: Ahmad Jarrah

O prédio com fachada com mais de 20 metros de altura tem traços arquitetônicos do século XIX. A existência dele retrocede a um tempo em que teria servido para hotel para um príncipe que passou em visita por Cuiabá. “Esse casarão já serviu de hotel para um príncipe que passou por aqui com a sua comitiva toda pomposa”, conta um morador próximo do local.

A alguns metros dali, outro prédio com estilo da mesma época abriga a Academia Mato-grossense de Letras, reduto de intelectuais socialmente reconhecidos em qualquer sociedade. Além do período histórico, ambos têm em comum com outras construções a localidade no Centro Histórico de Cuiabá e todos enfrentam o risco de simplesmente não ter sequer vestígios de existência em algumas décadas – e nem tantas assim.

O Centro Histórico de Cuiabá engloba 400 prédios com data mais recente de construção de cem anos, informação que já serviria para chamar a atenção para a necessidade de conservação pela importância histórica e cultural. Mas o pouco-caso de herdeiros de famílias tradicionais de Cuiabá, o desleixo até tempos bem recentes de gestão pública e o engessamento de lei federal para restaurações desses prédios convergiram para abandono quase completo.

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“Moro aqui na [rua] Ricardo Franco há 33 anos e a cada ano que passa a situação está só piorando. O comércio está decaindo, os prédios estão precisando de reformas e quase todos estão vazios, com grade na frente”, diz a comerciante Donatila Sena, 56.

Ela é proprietária de um bar cujo telhado desabou em parte no fim do ano passado, as paredes têm rachaduras profundas e o reboco ameaça desgrudar da parede que ficou úmida por causa do material adobe com que foi construída – uma característica dos prédios que compõem o Centro Histórico. Todos foram construídos em época em que a tecnologia de alvenaria ainda descobriria os materiais hoje conhecidos e considerados mais seguros.

“Em dia de chuva, chove mais aqui dentro do que lá fora. Queremos reformar, mas é difícil porque é preciso pedir para o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Nacional), que precisa vir aqui para mostrar o que pode ser mexido”, diz.

O aposentado Eurídes Gonçalves da Costa, 73, mora duas quadras à frente de Donatila, há pouco mais de 15 anos, mas frequenta a região há mais de 50 anos. “Eu trabalhei na redondeza nos anos 1960 e 1970 e sei como isso está diferente. As casas estão fechadas porque não tem ninguém para habitar nem para tomar conta. Os herdeiros não querem vir para cá e nem se interessam por restaurar as casas. O prédio que serviu de hotel para o príncipe está com a fachada bonita, mas dentro as paredes estão cedendo”.

Eles são praticamente remanescentes de moradores em região que já foi a mais movimentada de Cuiabá, por concentrar locais de atividade pública (comércio, instituições oficiais), lazer (bares, prostíbulos, por exemplo), além de moradores comuns.

“Estou aqui há oito anos e já vi muita gente ir embora. Muitas casas estão fechadas sem pessoas para tomar conta e vir saber como está a situação. E alguns viciados que circulam por aqui hoje acabam invadindo as casas para servir de abrigo”, conta Madalena, 45.

Desinteresse de famílias prejudica preservação do Centro Histórico

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A presidente do Iphan em Mato Grosso, Amélia Hirata, afirma que os trabalhos de reforma de prédios no Centro Histórico de Cuiabá podem ser realizados por moradores desde que haja monitoramento do instituto, para preservação dos traços característicos de época.

“Pequenas reformas podem ser feitas pelos moradores. Ele vem ao Iphan informar o que vai ser realizado e o instituto vai acompanhar os serviços. Colocar vidraça, ‘blindex’, ar condicionado, são projetos que podem ser realizados sim. Nós temos isso aqui no instituto”.

Ela explica que há confusão sobre a função do instituto no trabalho de preservação dos prédios e na própria ideia de tombamento histórico de prédios, o que acaba servindo de tangência para afastamento de proprietários.

“O tombamento da área não tira a propriedade dos donos e nem dá autonomia para o Iphan mexer no local por conta pública. Não temos pessoal o suficiente e nem orçamento para fazer essas intervenções”.

Amélia Hirata diz que a maioria dos prédios no Centro Histórico de Cuiabá pertence a famílias tradicionais de capital, gerando espólio de considerável número de herdeiros, e por restrição de mudanças devido ao tombamento histórico surgem conflitos entre o Poder Público e a iniciativa privada.

“Os donos geralmente não veem importância no prédio porque é antigo, e eles chamam de velho, não pode ser demolido, então perde valor de mercado e não gera interesse para eles. Eles deixam o tempo passar na ideia de que quando cair não haverá mais problema. Uma ideia que também se percebe nos profissionais que deveriam zelar pela conservação”.

O Centro Histórico tem 400 imóveis, públicos e privados, que foram tombados definitivamente em 1993. A área da Rua Cândido Mariano, na região Oeste, à Avenida Mato Grosso, ao leste; de Morro da Luz ao Norte, à Rua Comandante Costa, ao sul.

O espaço inclui prédios históricos como a Igreja de São Benedito, a Catedral Basílica Senhor Bom Jesus, o Palácio e Praça Alencastro, a Praça da República e a Praça da Mandioca, por exemplo. O sítio histórico, no entanto, se estende para uma área maior com englobamento de mil imóveis. Esse segundo espaço, no entorno do Centro Histórico, não está oficialmente tombado, mas contém prédios que o Iphan avalia como importantes para o ingresso no status de patrimônio histórico.

Má gestão travou desenvolvimento do PAC Cidades Históricas

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O secretário de Planejamento de Cuiabá, Zito Adrien, diz que a má gestão do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) para Cidades Históricas em Cuiabá prejudicou o processo de restauração do Centro Histórico. Ele afirma que o trâmite de trabalhos da área estava travado até o fim do ano passado devido a pontos irrisórios que não foram resolvidos.

“Havia problemas, por exemplo, por troca de fiscal de serviço, de falta de informações para a Caixa Econômica Federal, que travaram aplicação de recursos do PAC. O que estamos tentando fazer agora é acelerar essas obras para tentar resultado grande no aniversário de 300 anos de Cuiabá”, diz.

Segundo ele, 14 prédios foram reformados no Centro Histórico de Cuiabá. Os trabalhos incluem a Casa Barão de Melgaço que deverá se inaugurada no dia 15 abril em comemoração ao aniversário capital, no dia 8 abril.

O secretário afirma que o entrave teve efeito sobre a restauração da Academia Mato-grossense de Letras (AML), que fica no prédio da Casa Barão de Melgaço. A reforma da Academia teve início em 2015 com previsão de entrega para setembro do ano passado, sob a responsabilidade da prefeitura de Cuiabá. Mas devido a impasses, o prazo está estourado há seis meses. A reforma está orçada em R$ 562 mil.

A prefeitura também firmou convênios com o Iphan para restauração da Casa Bem Bem, na Rua Barão de Melgaço (R$ 2,1 milhões); da Casa Funai (R$ 535 mil); Casarão Irmã Dulce, prédio do Iphan (R$ 1,2 milhão); da Igreja Senhor dos Passos (R$ 115 mil). Os convênios começaram a ser assinados em 2012 e alguns encerram neste ano. Ao todo, cerca de 8 milhões estão disponíveis para obras, conforme a Secretaria de Planejamento de Cuiabá.

Leis sobre tombamento precisam ser flexibilizadas

O secretário Zito Adrien afirma que os planos de restauração de sítios arqueológicos precisam ser repensados para incluir linha de crédito para financiamento a proprietários para serviços de reforma de prédios e participação do comércio.

Em Cuiabá, ele critica a extensão da área tombada pelo Iphan e as leis municipais que engessam a atividade comercial, devido ao tombamento.

“Nós precisamos pensar uma lei que inclua os comerciantes e linhas de crédito para os proprietários ou enfrentarmos o risco de no médio e longo prazo toda a área do tombamento se perder”.

O hoje o sítio arqueológico de Cuiabá toma conta de quase toda a região central, com restrições consideradas duras pelo secretário para o desenvolvimento do comércio.

“Hoje tem lei, por exemplo, para instalação de placa de nome de lojas no Centro Histórico. O comerciante coloca a placa, a prefeitura vai lá e taxa. Isso precisa ser revisto. O comércio faz parte do centro e não pode pagar por qualquer coisa. Sou a favor da preservação e da restauração dos prédios, mas algumas leis precisam ser revistas”.

Adrien cita a concorrência do comércio no centro de Cuiabá com shopping centers que cercam área e têm melhores condições de competir no mercado.

“Shopping concentra lojas, tem espaço para estacionamento e não funciona no horário burocrático. Coisas que não existem no Centro Histórico. O estacionamento é muito difícil e o comércio funciona até às 18h”.

Outro caminho seria a cobrança de recursos ao governo federal para impulsionar o desenvolvimento de sítios, com a abertura de linhas de crédito para proprietários e aumento de recursos para serviços do setor público.

“Ou o governo flexibiliza as leis ou investe o necessário para, por conta própria, restaurar e preservar os sítios e centros históricos. Mas mexer em lei federal é muito difícil”.

Beco da droga e da prostituição

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A rua é estreita e curta e fica atrás de uma pequena praça rodeada pelo comércio. O tráfego de pessoas no entorno dela é intenso, pois está paralelamente a poucos metros da Avenida Tenente-coronel Duarte, uma das principais do centro de Cuiabá.

A ruela tem sua movimentação própria. À medida que se adentra, se passa por mulheres encostadas em portas de bares em roupas e comportamento que não deixam dúvida. “Há muitas mulheres por aí querendo ‘dar banho em você’. Você passa e elas perguntam: ‘Você quer tomar banho’. Se você concordar, está pronto: o negócio está feito”, diz um senhor.

Rapazes parados em dupla ou em pequenos grupos encaram transeuntes como se estivessem à espera de algum sinal.  Em uma casa de esquina com as paredes destruídas pela metade cheia de entulho, dois homens conversam entre si e tentam acender um cachimbo para fumar crack.

Bruna estava parada em frente a sua casa com sua mãe e seu filho de 4 anos. Ela diz conhecer os usuários de drogas que circulam pelo Centro Histórico e tem o Beco do Candieiro com local de concentração. “Faz três anos que eu estou limpa. Jesus me libertou, agora eu fico aqui cuidando de carros pra ganhar um dinheiro. Eu conheço essa galera toda aí, sei como é o ciclo”.

Ela diz que a convivência com usuários de drogas e mulheres, de várias idades, em prostituição é “tranquila”, mas há seus momentos de tensão. “Isso porque eu conheço o pessoal, eles vêm aqui, pedem comida, eu dou, e daí a pouco chegam mais dois, três pedindo e eu falo: ‘Vocês já comeram tudo o que tinha’”.

Carla conta que “ciclo” da droga e dos usuários pelo Centro Histórico interage com outros três pontos em Cuiabá onde ambos têm circulação intensa: a Ilha da Banana, a poucos metros do Centro Histórico, a área antiga no bairro Porto e a “cracolândia”, próxima ao terminal rodoviário, no bairro Alvorada.

“Quando chega a droga o pessoal amontoa, e é todo mundo. Tem médico, tem universitário, tem advogado. Tem galera da alta [sociedade] e o pessoal que fica aí o dia todo mesmo”.

Falta de interesse de gestores prejudica o Centro Histórico, diz FCDL

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O presidente da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas (FCDL) em Cuiabá, Ozair Bezerra, atribui à falta de interesse político o estado de degradação do Centro Histórico. Ele afirma que nos últimos 50 anos nenhum prefeito da capital apresentou projetos para restauração e revitalização da área, cujo comércio representa cerca de 700 prédios.

“Eu tive o prazer de participar da comemoração de 250 anos de Cuiabá, isso no final de década de 1960. Eu era um garoto de dez anos com uns quatro anos morando em Cuiabá. Eu lembro que foi uma festa bonita, fizeram um bolo enorme, chamaram a população para comemorar, muita gente alegre. Depois disso, Cuiabá, mais especificamente no Centro Histórico, só decaiu”.

Proprietário de uma loja de aviamentos, com prédio de construção datada do século XVIII, o comerciante afirma que o Centro Histórico representa hoje a falta de investimento e de interesse tanto do Poder Público quanto de familiares que herdaram os prédios.

O abandono, diz ele, afeta diretamente o comércio da área. Por exemplo, com a perda das atividades noturnas. “Depois de seis horas da tarde, o centro de Cuiabá morre, no fim de semana acontece a mesma coisa. Isso porque o centro está desabitado, falta segurança. Hoje o Centro Histórico é o centro da vergonha e do medo”.

Bezerra afirma ainda que a falta de estrutura na área também prejudica o mercado local, na concorrência com shopping centers, que margeiam o centro de Cuiabá. “Há mais de quatro anos lutamos para conseguir estacionamentos no centro, porque o cliente vem para o centro e não tem onde estacionar o carro. Tínhamos a Faixa Verde, que foi bom enquanto durou, mas o prefeito resolveu usar o serviço para a política e entregamos o projeto”.

Outra reclamação foi quanto à quantidade de leis que oneram as atividades comerciais no Centro Histórico, cujos prédios têm proibição para alteração de fachadas. No entanto, Bezerra aponta que ao menos 500 prédios estão descaracterizados na área.

“Se não pode mexer na fachada, tudo bem. Mas o comerciante precisa reformar a loja por dentro, e considerando o estado atual da economia e perda de valor do Centro Histórico, a situação só se complica. Defendo que seja criada uma linha de crédito para ajudar os comerciantes e reformar seus prédios, isso é bom para o comércio e para o Centro Histórico. Ambos precisam de pujança”.

Conforme número s da FCDL em Cuiabá, 80% da movimentação financeira da capital têm origem no comércio, grande parte ligada ao segmento de serviços e bancos.

Morro da Luz será revitalizado para os 300 anos

O secretário Zito Adrien diz que a prefeitura tenta viabilizar um projeto de revitalização de parte do Centro Histórico para comemoração dos 300 anos de Cuiabá, em 2019. Os serviços incluem a reforma do Morro da Luz e prédios históricos na redondeza, como igrejas católicas e mesquita.

Segundo ele, o projeto está sendo articulado com a bancada federal de Mato Grosso em Brasília que já teria sinalizado a liberação de R$ 50 milhões para a execução das obras.

“A revitalização do Morro da Luz é uma forma de se integrar ao Centro Histórico, porque é comum se pensar que o Morro da Luz não faz parte do sítio arqueológico por causa da separação pela Avenida da Prainha. Então, o objetivo é revitalizá-lo e criar um circuito de turismo histórico, que acabará levando aos prédios do outro lado da avenida”.

A proposta é que parte dos serviços seja realizada por parcerias público-privadas (PPPs). Conforme o secretário, a prefeitura ficaria responsável pelos trabalhos de recuperação do Morro da Luz e dos prédios tombados vizinhos, e empresas entrariam no projeto para construção de estacionamento e comércios, por exemplo.

“Já conversamos com deputados e senadores em Brasília e conseguimos sinalização de R$ 50 milhões para iniciar as obras, desde que projetos sejam apresentados. É dinheiro o suficiente? Não, mas isso irá impulsionar a revitalização do Centro Histórico, que é um trabalho para vários anos”.

16 obras estão em andamento em Cuiabá, diz Ministério do Planejamento

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O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas foi lançado em 2013 pelo governo federal sob a coordenação do Ministério do Planejamento. A proposta é recuperar sítios arqueológicos e outros patrimônios históricos (prédios, praças, igrejas) em 44 cidades de 20 Estados.

A criação de projetos foi destinada ao Iphan. O investimento em obras de restauração é de R$ 1,6 bilhão, destinado a 425 obras de restauração.

Em Cuiabá, 16 prédios e espaços públicos entraram na lista de obras: Praça Caetano Albuquerque, Praça do Rosário, Praça Dr. Alberto Novis, Praça Largo Feirinha da Mandioca, Praça Senhor dos Passos, entorno do Casarão do Beco Alto à Rua Pedro Celestino, Igreja Senhor dos Passos e outros três casarões na Rua Pedro Celestino.

Os serviços estão orçados em R$ 4,7 milhões, conforme dados do Ministério do Planejamento.  Todas elas com data de referência de 31 de dezembro de 2016. Cuiabá entrou na lista do PAC Cidades Históricas em 2013. Hoje, os projetos estão em fase ou de licitação ou de execução de obras.

Por Reinaldo Fernandes

Fonte original da notícia: Circuito Mato Grosso




Vân­da­lo que pichou Museu da Inconfidência, em Ou­ro Pre­to (MG), con­ti­nua sol­to

Pichação foi feita há dois meses na lateral do prédio do século 18, uma das instituições mais importantes do país.

Câ­me­ras de se­gu­ran­ça da ins­ti­tui­ção re­gis­tra­ram o mo­men­to do ato, po­rém, a ima­gem mos­trou ape­nas a per­na de uma pes­soa. (Foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Câ­me­ras de se­gu­ran­ça da ins­ti­tui­ção re­gis­tra­ram o mo­men­to do ato, po­rém, a ima­gem mos­trou ape­nas a per­na de uma pes­soa. (Foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Exa­tos dois me­ses após a pi­cha­ção do Mu­seu da In­con­fi­dên­cia, em Ou­ro Pre­to, na Re­gião Cen­tral, a po­lí­cia ain­da não tem in­for­ma­ção so­bre a iden­ti­da­de do vân­da­lo que es­cre­veu com spray as pa­la­vras Pa­tri­mô­nio da Hu­ma­ni­da­de Eli­tis­ta na la­te­ral do pré­dio do sé­cu­lo 18. “Es­ta­mos con­fian­tes de que o res­pon­sá­vel se­rá en­con­tra­do. É uma si­tua­ção mui­to gra­ve e, do jei­to que es­tá, não po­de fi­car”, diz o di­re­tor do mu­seu, Rui Mou­rão. Na tar­de de on­tem, por te­le­fo­ne, do Rio de Ja­nei­ro, on­de se en­con­tra­va, Mou­rão ex­pli­cou que vai pro­cu­rar no­va­men­te o de­le­ga­do re­gio­nal Ro­dri­go Bus­ta­man­te, en­car­re­ga­do da in­ves­ti­ga­ção, pa­ra ver o an­da­men­to do ca­so. “A po­lí­cia es­tá fa­zen­do for­ça pa­ra lo­ca­li­zar o pi­cha­dor. O ca­so es­tá an­dan­do, é pre­ci­so pu­ni­ção”, afir­mou.

Con­si­de­ra­do uma das ins­ti­tui­ções mais im­por­tan­tes do país, o Mu­seu da In­con­fi­dên­cia, vin­cu­la­do ao Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Mu­seus (Ibram), foi al­vo de pi­cha­ção na ma­dru­ga­da de 6 de fe­ve­rei­ro. Câ­me­ras de se­gu­ran­ça da ins­ti­tui­ção re­gis­tra­ram o mo­men­to do ato, po­rém, a ima­gem mos­trou ape­nas a per­na de uma pes­soa. Pa­ra evi­tar no­vas in­ves­ti­das, no­vos equi­pa­men­tos fo­ram ins­ta­la­dos. Na se­quên­cia, foi fei­ta a lim­pe­za, com ma­te­rial doa­do por um em­pre­sá­rio de São Pau­lo. “Fi­cou ab­so­lu­ta­men­te lim­po. Des­de en­tão, não ocor­reu mais na­da aqui”, dis­se Mou­rão.

Na ma­nhã da ocor­rên­cia que re­vol­tou a po­pu­la­ção e vi­si­tan­tes, o di­re­tor do mu­seu dis­se ao Es­ta­do de Mi­nas ser pre­ci­so “pren­der” o res­pon­sá­vel pe­la su­jei­ra dei­xa­da no pré­dio do In­con­fi­dên­cia, o se­gun­do mu­seu fe­de­ral mais vi­si­ta­do do país, com 150 mil pes­soas/ano, atrás ape­nas do Mu­seu Im­pe­rial, de Pe­tró­po­lis (RJ). Na sua ava­lia­ção, o ca­so era se­me­lhan­te ao da Igre­ja de São Fran­cis­co de As­sis, na Pam­pu­lha, em Be­lo Ho­ri­zon­te, igual­men­te al­vo de pi­cha­ção. As­sim co­mo o Cen­tro His­tó­ri­co da Pam­pu­lha, que de­tém o con­jun­to ar­qui­te­tô­ni­co mo­der­no, o Cen­tro His­tó­ri­co de Ou­ro Pre­to é re­co­nhe­ci­do co­mo Pa­tri­mô­nio Cul­tu­ral da Hu­ma­ni­da­de, tí­tu­lo con­ce­di­do em 1980 pe­la Or­ga­ni­za­ção das Na­ções Uni­das pa­ra a Edu­ca­ção, a Ciên­cia e a Cul­tu­ra (Unes­co).

História. Em tex­to so­bre o Mu­seu da In­con­fi­dên­cia, Rui Mou­rão, que es­tá na di­re­ção da ins­ti­tui­ção há 42 anos, es­cre­veu: “Rom­pen­do tra­di­ção que vi­nha dos tem­pos do rei­na­do bra­si­lei­ro de Dom João VI, o Mu­seu da In­con­fi­dên­cia foi o pri­mei­ro a se ins­ta­lar fo­ra da fai­xa li­to­râ­nea do país. A cria­ção de­cor­reu de uma ação po­lí­ti­ca. Em 1936, o pre­si­den­te Ge­tú­lio Var­gas, que pla­ne­ja­va a im­plan­ta­ção da di­ta­du­ra do Es­ta­do No­vo, re­sol­veu se for­ta­le­cer jun­to à po­pu­la­ção, apre­sen­tan­do-se co­mo de­fen­sor de uma das nos­sas tra­di­ções mais sen­sí­veis. Pro­mo­veu o re­pa­tria­men­to dos res­tos mor­tais dos in­con­fi­den­tes con­de­na­dos a de­gre­do na Áfri­ca, on­de se en­con­tra­vam se­pul­ta­dos. As ur­nas fu­ne­rá­rias, na sua che­ga­da, fi­ca­ram lon­ga­men­te ex­pos­tas à vi­si­ta­ção pú­bli­ca no Rio de Ja­nei­ro. As­si­na­do o de­cre­to 965, de 20/12/1938, de cria­ção do mu­seu, a trans­fe­rên­cia das os­sa­das pa­ra Ou­ro Pre­to con­tou com o acom­pa­nha­men­to de Var­gas. (…) O go­ver­no de Ge­tú­lio Var­gas man­dou vir os ori­gi­nais do 7º vo­lu­me dos Au­tos de De­vas­sa, que con­tin­ha a sen­ten­ça con­de­na­tó­ria de Ti­ra­den­tes e duas tra­ves da for­ca em que pen­deu o már­tir da In­con­fi­dên­cia na Pra­ça da Lam­pa­do­sa”.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Tiradentes (MG) – Troca de calçamento em centro histórico terá que ser refeita

Além de as pedras terem sido substituídas e mal colocadas, há problemas elétricos e de drenagem.

Precaução. Pedras da rua da Câmara foram retiradas para evitar que participantes da procissão da Semana Santa escorreguem e caiam.

Precaução. Pedras da rua da Câmara foram retiradas para evitar que participantes da procissão da Semana Santa escorreguem e caiam.

Quem planejou passar a Semana Santa em Tiradentes, no Campo das Vertentes, pode ser surpreendido ao caminhar pelas tradicionais vias de pedra do município. A rua da Câmara, que recebe as procissões da festa religiosa, está quase toda em terra batida. Outras que também compõem o trajeto foram cobertas com pedras escorregadias. A situação é resultado de obras de calçamento e de revitalização de monumentos que se arrastam há quase dois anos no centro histórico e que agora precisarão ser refeitas também por problemas elétricos e de drenagem. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) constatou irregularidades nas obras, e a prefeitura já foi notificada diversas vezes desde junho de 2015, logo no início das intervenções.

O contrato foi assinado entre município, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Estado em 2012. As obras começaram em junho de 2015, e o recurso previsto de R$ 4.926.986,36 foi repassado ao município um mês depois. A Suprema Engenharia venceu a licitação.

A previsão era que até dezembro passado, 17 ruas e monumentos históricos tivessem sido revitalizados. Entretanto, problemas na elaboração do projeto teriam atrasado a execução e a maior parte dos locais previstos não foi reformada. Além disso, pontos que receberam obras tiveram problemas na execução que teriam causado impacto também em outras ruas, que não estavam previstas no projeto, mas que depois tiveram que ser reformadas.

Previsões. Elaborado pela prefeitura durante a administração de Ralph Justino (PV), o projeto previa a alteração no nivelamento das pedras do calçamento do centro histórico, mas não contava com a drenagem pluvial subterrânea. Ao atender a exigência do Iphan de anexar a drenagem ao projeto, a prefeitura avaliou que a verba não seria suficiente. Dessa forma, pontos que antes deveriam receber intervenções não foram contemplados.

Segundo a atual administração e o Iphan, boa parte da obra foi feita com erros. Em ofício encaminhado pelo Iphan em Tiradentes à superintendência estadual, no mês passado, técnicos afirmaram que nas ruas da Câmara e da Santíssima Trindade, que receberam as obras, “pedras encontram-se totalmente descoladas e o estado crítico pode ocasionar acidentes”. Segundo a prefeitura, mais de 95% dos recursos destinados à obra já foram gastos, mas nem 50% foi concluído.

A superintendente estadual do Iphan, Célia Corsino, informou que o instituto fiscalizou as obras e identificou irregularidades no calçamento. A prefeitura foi avisada mais de uma vez, porém o Iphan não tem autoridade para cortar o pagamento, já que o contrato foi celebrado com a prefeitura. “Desde janeiro estamos avisando o prefeito que o trabalho não está bom. No dia 5, oficiei dando 30 dias (para a regularização da obra) e em março a gente constatou que continuava igual”, detalhou a superintendente. (Com Aline Diniz)

O que diz a empresa

Certo. Geraldo Castilho, sócio da Suprema Engenharia, afirmou que as obras seguiram pedidos do Iphan e da prefeitura.

Chuva. “A rua da Santíssima Trindade, acima da Matriz, não foi contemplada com drenagem pluvial, e o volume que desce de água dela é muito grande. Quando teve a chuva, essa água desceu com velocidade. Só por isso está sendo refeito”.

Chafariz tem danos no reboco

Construído no fim do século XVIII, o chafariz de São José está entre os monumentos que passaram por revitalização. Poucos meses após o término da obra, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) constatou danos no reboco e falhas na execução da obra.

“Fizemos uma recomendação à prefeitura que solicitasse à empresa responsável pelas obras que fizesse ajustes. Restaurar não é pintar o chafariz”, argumentou a superintendente estadual do Iphan, Célia Corsino.

De acordo com a superintendente do instituto, a parte de trás do monumento, responsável por fazer o chafariz jorrar água, teria que ter sido recuperada, mesmo que futuramente o sistema fosse desligado.

Histórico. O chafariz tem fachada barroca e abriga uma imagem rara de são José, além de um brasão de armas do reino de Portugal. Antigamente, ele servia de bebedouro e apoio para lavadeiras. (AD)

Pedras sumiram

Originais. Um dos objetivos da reforma, segundo o projeto, era o realinhamento das pedras, das décadas de 50 e 60, no centro histórico. Embora tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), algumas pedras foram trocadas durante as intervenções por novas para que o encaixe pudesse ser feito.

Sumido. De acordo com o ex-prefeito, Ralph Justino, as pedras estariam na sede da prefeitura. Porém, segundo a nova administração, nenhuma delas se encontra no local.

Moradores insatisfeitos

Moradora da rua da Câmara, a estudante Ana Clara Ferreira, 21, reclama de rachaduras nas paredes de casa após as obras. “Sempre tropeçamos. Meu medo é cair, porque está realmente impossível de caminhar. Quando reformaram o calçamento, no ano passado, ficou uma beleza. Estava tudo alinhado, certinho. Mas, com o tempo, começou a desandar. As pedras começaram soltar”, disse.

A empresária Juliana Ferreira, 38, se queixa do impacto da obra nos casarões. “Usaram máquinas grandes e tem rachaduras nos casarões”.

Por Mariana Nogueira

Fonte original da notícia: O Tempo




Porto Alegre (RS) – Moradores do Centro Histórico querem revitalizar a escadaria da Rua João Manoel

Além de limpar, pintar, grafitar e iluminar a escadaria, a ideia é cultivar uma horta em um terreno adjacente, que hoje está abandonado.

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Um grupo de moradores se mobiliza para revitalizar o que já foi um dos pontos mais charmosos do Centro Histórico: a escadaria que liga a Fernando Machado à João Manoel. Construída no final dos anos 1920 e tombada pelo Patrimônio Histórico, a abandonada travessia hoje abriga usuários de crack em meio a sujeira e pichações.

No dia 8 de abril, será realizada uma reunião com os proprietários das casas ao lado da escada para discutir propostas de ocupação do espaço. Além de limpar, pintar, grafitar e iluminar a escadaria, a ideia é cultivar uma horta em um terreno adjacente, que hoje está abandonado.

— Já conversamos com os donos do terreno, e eles querem a parceria — diz a presidente da Associação das Hortas Coletivas do Centro Histórico, Carmen Fonseca, que sonha com feirinhas e oficinas na escadaria.

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




TCE diz que Triunfo (PE) não preserva de forma adequada patrimônio histórico

Auditoria mostra que Patrimônio Histórico não tem atenção adequada. Estudo mostra que 11,5% dos bens encontravam-se descaracterizados.

O Cine Teatro Guarany deve ser reestruturado. (Foto: Batistinha Linhares/Divulgação )

O Cine Teatro Guarany deve ser reestruturado. (Foto: Batistinha Linhares/Divulgação )

A prefeitura de Triunfo, no Sertão de Pernambuco, não preserva o Patrimônio Histórico e Artístico da maneira adequada. Essa é a conclusão de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no município. Diante desse fato, a segunda Câmara do TCE julgou irregular o processo de ações de preservação adotadas pelo município em 2014.

O G1 entrou em contato com a prefeitura de Triunfo, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta. Segundo o relatório, as análises demonstraram que o município não tinha capacidade administrativa, técnica e operacional para preservar e difundir adequadamente o patrimônio.

A ausência de inspeções periódicas ou rotinas para garantira manutenção dos monumentos e dos bens culturais preserváveis foi outro aspecto observado. O estudo mostra que 11,5% do total dos bens catalogados como valores culturais, legalmente protegidos, encontravam-se descaracterizados ou em processo de arruinamento.

“Isso significa que, a cada ano, três desses imóveis eram diretamente atingidos por esse problema, caracterizando um forte processo de deterioração de seu patrimônio histórico, danos irreversíveis e a perda de bens culturais”, diz o texto.

Outro aspecto apontado pelo levantamento mostrou que Triunfo não tem um plano de ordenamento de mobilidade urbana que atendesse ao Centro Histórico da cidade. A comunidade quilombola de Águas Claras, por exemplo, não era beneficiada por políticas públicas com o objetivo de corrigir desigualdades raciais ou étnicas acumuladas ao longo de anos, principalmente no que diz respeito à educação.

Com base na realidade encontrada, o Tribunal recomendou à atual gestão que o órgão responsável pela fiscalização e controle urbano fosse adequado às exigências da auditoria e apresentasse a devida qualificação técnica para o exercício de suas atribuições. Exigiu também a atualização do Código de Obras municipal.

O TCE pediu ainda pela reestruturação e funcionamento do Cine Teatro Guarany e a elaboração de um Plano de Gestão da Preservação que contemple o atendimento às demandas do Núcleo Histórico e subsiste mas, como casario, espaços públicos e monumentos, complementam a lista de sugestões do TCE.

O não atendimento às recomendações apresentadas pelo TCE no relatório preliminar de auditoria, e a não resolução dos problemas do patrimônio da cidade, deram causa ao julgamento pela irregularidade do processo, além da imputação de uma multa no valor de R$14.800,00 ao prefeito.

Fonte original da notícia: G1 Caruaru




Salvador (BA) – Centro Antigo vive transformação

Mudanças buscam resgatar os tempos áureos, preservando a história do local.

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Considerado o berço de uma nação inteira, a região mais antiga de Salvador passou por várias transformações, principalmente no último século, até se tornar um dos símbolos de conservação da história. Divididos em bairros que acabaram adquirindo maior ou menor importância econômica, a região do Centro Antigo de Salvador (CAS) está passando agora por uma série de mudanças que buscam resgatar os tempos áureos daquele lugar.

De acordo com a professora Luciana Sobral, coordenadora do Núcleo de Estudos Históricos da Unijorge, a busca por atender à demanda global, o CAS foi mapeado, recenseado e inúmeras transformações foram empreendidas nas últimas décadas, como a revitalização do Pelourinho, a reforma de inúmeros monumentos históricos como igrejas, prédios, praças; a modernização do porto de Salvador, calçamentos, etc.

“Todo esse investimento econômico na região, se trouxe benefícios e adequações à realidade da nova ordem mundial, por outro lado impactou de forma decisiva a vida de milhares de pessoas que viviam ou trabalhavam na região”, explica a historiadora. Essa influência também é notada em diferentes pontos de todo o Centro Antigo, que pode se dividir por bairros mais turísticos (como o Pelourinho) e residenciais (como Nazaré, Saúde ou Barbalho, por exemplo).

“Influencia em inúmeros quesitos, como por exemplo, na especulação imobiliária, no índice de violência e até de abandono por parte das autoridades. Regiões com maior fluxo turístico atraem a atenção dos órgãos gestores que tendem a investir mais pesadamente na segurança e na manutenção do patrimônio que reverte em lucro para as instituições, enquanto regiões sem grande apelo turístico tendem a ser menos privilegiadas neste e em outros sentidos”, explica Luciana.

Até o final do século XIX, o CAS era local de intensa movimentação e abrigava a elite da cidade do Salvador. “Existem relatos históricos de que havia touradas e carneiradas na Av. Sete de Setembro em direção à Praça Castro Alves. Ainda nessa praça temos o que é considerado por alguns pesquisadores como o primeiro teatro de ópera do Brasil, o Teatro São João, fundado em 1812 e destruído por um incêndio em 1923”, detalha a professora.

O Terreiro de Jesus era local de disputas a cavalos entre os jovens filhos de fazendeiros, políticos e senhores de escravos que vinham a Salvador a fim de cortejarem as jovens damas da corte. Palco de inúmeras procissões religiosas e eventos diversos, o CAS abrigava os principais prédios administrativos, a cadeia, o Palácio do Governo e era ainda o local de encontro de irmandades religiosas como a Santa Casa da Misericórdia, a Ordem Terceira de São Francisco, dentre outras. Também era área de circulação de uma população escrava ativa que transitava e comercializava nas ruas barulhentas e amontoadas, os chamados escravos de ganho.

Com a crise da agroindústria açucareira, o prestígio econômico e político da região diminuiu e a cidade expandiu-se em outras direções. Novas formas de transporte serviram para otimizar esse processo de expansão, como o surgimento dos bondes, inicialmente puxados a tração animal, depois, elétricos. Durante o governo de J. J. Seabra (1912-1916), ocorreu intensa reforma urbana que destruiu ou danificou alguns prédios históricos importantes, como a Igreja da Ajuda (o grande orador jesuíta Antônio Vieira utilizou o púlpito desta igreja algumas vezes), de São Pedro, Rosário e Mercês.

O vácuo deixado pela mudança das famílias mais abastadas da região para outras mais distantes permitiu o ingresso de imigrantes espanhóis, árabes e portugueses que se dedicaram ao comércio local. Nos anos 60, o Comércio abrigava um grande contingente de comerciantes, trabalhadores manuais, artesãos em geral, além de pessoas de baixa renda, prostitutas e marginais, expurgados dos bairros mais nobres, confinados em cortiços espalhados pelos becos e ruas do CAS, vivendo em péssimas condições de vida e exercendo atividades econômicas informais.

Recentemente, autoridades do Estado e Município têm mostrado cada vez mais interesse no resgate do Comércio que atualmente possui muitos imóveis sem utilidade. Para a historiadora, o aspecto que mais deve ser levado em conta nessa retomada é o que leva em consideração as necessidades e o potencial humano de quem reside, trabalha ou estuda na região.

“O Poder Público deve definir medidas que equacionem com justiça social as estratégias de sustentabilidade, moradia e inclusão, relacionando cultura e desenvolvimento, que não são necessariamente, excludentes. Qualquer medida que vise revitalizar e atrair mais investimentos e pessoas para a região deve respeitar o patrimônio artístico, histórico e cultural da região, e especialmente, o patrimônio humano, que é o que mantém tudo pulsante e vivo.”, avaliou.

Pelourinho, o tesouro da capital

A região mais conhecida evidentemente é o Centro Histórico, que, compreendendo o trecho na Praça Castro Alves, e indo até o Pelourinho, é considerado o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina, valor que rendeu à região o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco, em 1985, e atraiu permanentemente a atividade turística ao local.

Com edificações que datam do século XVII até o início do século XX, o Pelourinho hoje é um dos maiores tesouros de Salvador – uma cidade cujo turismo tem grande importância em sua economia. A maior parte de suas casas se transformaram em lojas, restaurantes e estabelecimentos de hospedagem, atraindo todos os anos, milhares de visitantes.

No bairro, a beleza arquitetônica divide espaço com elementos de clara desigualdade social, a exemplo dos pedintes e moradores de rua, e o movimento de pessoas no ponto turístico, é sazonal, tendo grande presença dos seus frequentadores durante a alta estação. Assim, o atual Pelô divide opiniões entre comerciantes, turistas e dos próprios baianos que passam pelo local.

A turista fluminense Maria Julia Alvarez se diz encantada com a expressão cultural presente no local durante sua primeira visita à cidade. “Acho que nós brasileiros deveríamos valorizar mais isso, e fazer todo esforço para preservar esses lugares, pois eles estão cada vez mais difíceis de encontrar”, exaltou ela, enquanto assistia uma apresentação de capoeira no Terreiro de Jesus.

Não muito distante, já na Rua das Portas do Carmo, o comerciante Antônio Francisco tem uma opinião bem divergente sobre o atual bairro. De acordo com ele, que trabalha com a venda de produtos artesanais e souvenirs há 20 anos, a situação apenas piorou. “Quando comecei a trabalhar aqui o movimento era muito maior e as pessoas se sentiam mais seguras”, explica ele.

Antônio detalha que, por conta da queda no movimento, sua loja, que nos primeiros anos chegava a funcionar até 23h, agora fecha sempre às 20h. Para ele, é preciso que o bairro tenha mais eventos, e mais policiamento para que baianos e turistas voltem a frequentar o espaço o Centro Histórico.

Santo Antônio

Ao lado do Pelô, o Santo Antônio Além do Carmo ostenta um cenário muito parecido de beleza arquitetônica, mas com uma atmosfera mais reservada, com menos comércio, e mais residências, e que pode ser notado pelas ruas bem menos movimentadas do que o seu bairro vizinho. Ainda assim, a Rua Direita de Santo Antônio – principal via da vizinhança – também dispõe de vários estabelecimentos de hospedagem de médio porte, assim como um de grande porte instalado no Convento do Carmo.

Moradora desde que nasceu, há 19 anos, Laís Cruz, diz ter presenciado poucas mudanças no bairro, mas, destacou algumas que tem melhorado bastante a vida dos residentes. Segundo ela, a revitalização do Plano Inclinado Pilar – que liga o Santo Antônio ao Comércio, na Cidade Baixa – foi fundamental para a sua mobilidade e a dos vizinhos.

“Ficou melhor para sair do bairro para resolver problemas no banco, ou comprar algo que não posso encontrar por aqui”, destacou ela, assim como os equipamentos de ginástica instalados no Largo do Santo Antônio, que voltou a reunir as famílias da redondeza.

Ainda assim, ela faz ressalvas em relação à segurança. Laís explica que, mesmo com a instalação dos hotéis e pousadas, a região carece de policiamento. “Acredito que o Santo Antônio, assim como o Pelourinho, também tem potencial turístico, mas é preciso ter mais investimento em segurança aqui, pois infelizmente não é incomum a gente presenciar delitos”, avalia.

Revitalização

Enquanto isso, falta pouco para recuperar as vias do Centro Antigo da capital, e a revitalização já alcança os 70% de obras concluídas. Recentemente, 700 metros da Rua Djalma Dutra, que integra a região já foram repavimentados e as antigas calçadas foram substituídas por novas, equipadas com itens de acessibilidade como piso tátil e rampas de acesso. A previsão é que as obras de todo o projeto sejam finalizadas até o fim do ano.

Localizada entre os bairros de Brotas, Sete Portas e Nazaré, a Rua Djalma Dutra faz parte de uma iniciativa ainda maior, que é o projeto ‘Requalificação Urbana do Entorno da Arena Fonte Nova’, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur), com o investimento de R$ 10,5 milhões.

Além desta, o projeto envolve ainda a requalificação de pontos como a Avenida Vasco da Gama, passando pelo Dique do Tororó, até a Arena Fonte Nova, e trecho da Avenida Presidente Castelo Branco, no Vale de Nazaré, que está em fase de finalização. A ação também inclui melhorias na Avenida J.J.Seabra (Baixa dos Sapateiros), no trecho da Sete Portas até a Estação Aquidabã, e finalizando na junção das vias, em frente à Arena Fonte Nova.

Também estão sendo realizados os projetos ‘Pelas Ruas do Centro Antigo’, que investe R$ 124 milhões na recuperação de mais de 260 vias em 11 bairros da capital, e ‘Requalificação Urbana da Baixa dos Sapateiros’, que recupera vias, passeios e praças, envolvendo ainda a instalação de nova iluminação e a reforma do Quartel do Corpo de Bombeiros, da Praça dos Veteranos e da Ladeira do Pax.

Por Matheus Fortes

Fonte original da notícia: Tribuna da Bahia




UFPA comemora os 390 anos do Ver-o-Peso com roteiro turístico

Roteiro ‘Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém’ será domingo, 26. Interessados podem fazer a inscrição gratuita por e-mail.

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Em homenagem ao aniversário de 390 anos do Ver-o-Peso, comemorado na próxima segunda-feira (27), o Projeto Roteiros Geo-Turísticos da UFPA realiza o roteiro “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém” neste domingo (26). O evento é gratuito e os interessados podem fazer a inscrição pelo formulário online ou pelo e-mail roteirosgeoturisticos@gmail.com até o dia da programação.

O trajeto inicia no Terminal Turístico da Estação das Docas, às 8h30, e passará pelos diversos mercados e ruas que compõem um dos pontos mais característicos de Belém. Nesta edição, o Roteiro passará pelos seguintes locais: Praça do Pescador, Feira do Ver-o-Peso, Pedra do Peixe e Doca do Ver-o-Peso, Mecardo de Peixe, Solar da Beira, Erveiras, Mercado de Carne, Rua XV de Novembro, Igreja e Largo das Mercês, Boulevard Castilho França, Praça dos Estivadores, Praça Pedro Teixeira, Prédio da CDP, Porto e Escadinha do Porto, Estação das Docas e Forte São Pedro Nolasco.

A coordenação do evento orienta que devido o passeio ser todo a pé, é recomendado que os participantes utilizem roupas e calçados apropriados, como tênis, roupas leves e boné. Também é aconselhável levar protetor solar e guarda-chuva ou capa de chuva.

Roteiros
Organizado pelo grupo de pesquisa em Geografia do Turismo da Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, o Roteiros Geo-Turísticos existe desde 2011, com o objetivo de promover roteiros que visam divulgar o patrimônio cultural, material e imaterial de Belém, resgatando a memória sócio-espacial da cidade. Assim, o grupo organiza caminhadas a pé e gratuitas no Centro Histórico de Belém, mostrando sua geografia, história e arquitetura.

No projeto participam estudantes de ensino médio e graduação, além de professores de diversas áreas do conhecimento, como Geografia, História, Museologia, Turismo e Arquitetura. As ações do projeto também ocorrem no município de Cametá e no distrito de Icoaraci.

Ver-o-Peso
Fundado em 1627 com a construção de uma ponte que ligava as duas margens do Igarapé do Piri, o Ver-o-Peso se estabeleceu inicialmente como o ponto de chegada e saída de barcos e navios para o Rio Amazonas ou para o mar. O “local de ver o peso” só foi instituído a partir de 1687, quando o Porto de Piri passou para a economia formal da cidade. O nome foi preservado pela tradição oral por mais de 300 anos.

Com o aterramento do Igarapé do Piri e a construção da doca no início do século XIX, o Ver-o-Peso foi cada vez mais ganhando importância econômica, cultural e social, fazendo parte de eventos significativos para a história de Belém e do Pará. Na virada do século XIX para o XX são construídos o Mercado de Ferro e o Mercado de Carne, que contribuem para a paisagem local e incrementaram as trocas culturais e comerciais, características do Ver-o-Peso.

Serviço: Roteiro Geo-Turístico “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém”, neste domingo (26), às 8h30, no hall de entrada no Terminal Turístico da Estação das Docas (av. Boulevard Castilhos França). Para se inscrever, basta preencher o formulário online. Mais informações pelo e-mail: roteirosgeoturisticos@gmail.com.

Fonte original da notícia: G1 PA




Secretaria de Cultura de Ouro Preto (MG) investiga origem de imagem de Cristo do século 19

Peça foi encontrada em uma gaveta, passa por restauração e vai compor acervo de capela em Ouro Preto. Prefeitura também quer saber quem foi o doador do objeto.

O secretário Zaqueu Astoni mostra o Cristo e a cruz em madeira, encontrados em espaço próximo à capela. (Foto: Beto Novaes/EM/D.A PRESS)

O secretário Zaqueu Astoni mostra o Cristo e a cruz em madeira, encontrados em espaço próximo à capela. (Foto: Beto Novaes/EM/D.A PRESS)

Tempo de quaresma, descoberta e restauração. Uma imagem de Cristo crucificado, do século 19, foi encontrada no Casarão Rocha Lagoa, sede da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio, no Centro Histórico da cidade, e já seguiu para restaurado na Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), vinculada à Secretaria de Estado da Cultura. A peça em madeira, com 50 centímetros de altura, estava dentro de uma gaveta, em meio a outros objetos, num espaço próximo à capela. “Foi uma grande surpresa. A gaveta estava fechada, tudo indica há muito tempo, num local antes usado como almoxarifado. Assim que ficar pronto, vamos pôr a peça sacra no lugar de destaque que merece”, disse, ontem, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, Zaqueu Astoni Moreira.

Segurando o crucifixo com todo o cuidado, Zaqueu explica que há partes quebradas e outras coladas, embora sem a intervenção adequada do trabalho de restauração. O serviço está a cargo do restaurador e professor da Faop Sílvio Luiz Rocha Vianna de Oliveira, responsável, com sua equipe, pela recente recuperação das pinturas de São Luís Rei da França e São Eduardo Rei da Inglaterra, do século 18, da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. “Estamos investigando a origem do crucifixo e quem o doou à Secretaria de Cultura e Patrimônio”, explicou Zaqueu, adiantando que o restauro da peça será concluído até a Páscoa. Uma missa de reentronização será celebrada na capela por dom Francisco Barroso Filho, conhecido como dom Barroso e residente em Ouro Preto.

Localizada no térreo do imponente Casarão Rocha Lagoa, a capela vai ganhar iluminação especial e alguns reparos para ser visitada por moradores e turistas e frequentada pelos funcionários. O secretário mostra o teto em policromia, do século 18, doado ao município pelo ex-prefeito e atual secretário estadual de Cultura Angelo Oswaldo.

Cerimônias. O momento não poderia ser mais oportuno para recuperar a peça, já que, em 1º de abril, começam as cerimônias do Setenário das Dores (veja programação), na Igreja de Nossa Senhora das Dores, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro de Antônio Dias. A cada ano, as celebrações solenes da Semana Santa em Ouro Preto se alternam entre essa paróquia (ano ímpar) e a de Nossa Senhora do Pilar (ano par), ambas no Centro Histórico. Em outras cidades mineiras do Ciclo do Ouro, como Sabará e Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, as meditações e rezas das Sete Dores de Maria enchem as igrejas.

Histórico.
O Casarão Rocha Lagoa fica na Rua Teixeira Amaral, ladeira de acesso às igrejas São José e São Francisco de Paula e rodoviária de Ouro Preto. De provável construção datada do fim do século 18, o sobrado recebeu esse nome por ter sido residência, já na segunda metade do século 19, da tradicional família Amaral e Rocha Lagoa, representada principalmente pelo senador Francisco Rocha Lagoa e sua esposa, Amélia Amaral Rocha Lagoa, filha do coronel Francisco Teixeira Amaral.

De acordo com o Inventário de Proteção do Acervo Cultural (Ipac), a mais antiga referência ao imóvel data de 1806. Naquele ano, consta do Livro de Tombos de Terrenos Foreiros a informação de que “Vicência Moreira de Oliveira possuía uma casa na rua da ladeira que segue para a capela de São José”. O documento destaca ainda que a primeira referência direta ao coronel Francisco Teixeira Amaral se deu em 1872.

Setenário das Dores
Confira a programação

» Ouro Preto
Local: Igreja de Nossa Senhora das Dores, no Centro Histórico
De 1º a 7 de abril, às 19h, com a participação do Coral Pio X

» Santa Luzia
Local: Paróquia Santuário de Santa Luzia, no Centro Histórico
Segunda-feira, às 17h – Mutirão de confissões na Matriz
Dia 1º de abril, às 19h – Missa solene de abertura do Setenário de Nossa Senhora das Dores
Dia 2, às 19h – Primeira Dor (Profecia de Simeão), seguida de missa
De 3 a 8, às 19h30 – Meditação e reza de Nossa Senhora das Dores

» Sabará
Local: Igreja de São Francisco, no Largo de São Francisco, no Centro Histórico
De 2 a 8, às 19h, com participação da Orquestra Santa Cecília na abertura e no encerramento. No dia 8, haverá a procissão do Depósito de Nossa Senhora das Dores, em direção às Mercês
Local: Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na Praça Getúlio Vargas
De 2 a 8, às 19h

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas