Após mais de 20 anos sem água, chafariz do centro de Ouro Preto (MG) será religado

Equipamento do século 18 será restaurado e voltará a matar a sede de quem passa no Centro de Ouro Preto. Obra de R$ 52 mil deve terminar em outubro.

Trabalhadores já estão em ação no Chafariz dos Contos, cercado por tapumes: obra é bancada com recursos do Fundo Municipal do Patrimônio. Foto: Ana Paula Paixão/Divulgação

As águas vão rolar no Chafariz dos Contos, no Centro Histórico de Ouro Preto, na Região Central de Minas. Depois de mais de 20 anos no seco, e com muitos problemas na preservação, o equipamento do século 18, usado originalmente para abastecimento público voltará à cena barroca com a mesma serventia e, melhor, restaurado. Segundo o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira, os recursos de R$ 52 mil para a obra são do Fundo Municipal do Patrimônio e a expectativa é de que tudo fique pronto no fim de outubro ou início de novembro.

“A água do chafariz será potável, então própria para o consumo, e representará um atrativo a mais para moradores e visitantes”, afirma Zaqueu. Ele destaca a importância do monumento construído em 1745 para Ouro Preto, cidade que é Patrimônio da Humanidade, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e tem a região central tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“A peça tem uma inscrição em latim (Is quae potatum cole gens pleno ore Senatum, securi ut sitis nam jacit ille sitis) numa referência ao antigo Senado da Câmara. A tradução é ‘o povo de boca cheia louvará o senado que sua sede saceia’”, diz o secretário. Em resumo, o Senado da Câmara, como administrador impessoal, e não o governador da época, entregou à população a obra de utilidade pública.

Quem passa na Rua São José e para na Praça Reinaldo Alves de Brito, chamada de pracinha do cinema, pode ver o chafariz com os tapumes e trabalhadores em ação. Entusiasmado com o serviço, Zaqueu conta que uma réplica desse monumento se encontra num parque da cidade norte-americana de Brazil (com z mesmo), no estado de Indiana. Ele foi dado de presente pelo ex-embaixador do Brasil em Washington (EUA) Maurício Nabuco (1937-1985).

Sem Água. O Chafariz dos Contos é considerado o mais importante de Ouro Preto. Construído em alvenaria de pedra rebocada e partes aparentes em cantaria, ele fica no centro de um grande paredão na praça. De acordo com os especialistas, ele tem duas grandes e largas volutas (ornamento) de cantaria, em curvas, com o espaço no qual se insere uma grande concha barroca apoiada numa bacia esculpida. A diferença do Chafariz dos Contos para os outros de Ouro Preto, restaurados e entregues à comunidade no ano passado, é que o agora em obras terá água, diz o secretário.

O conjunto de 22 chafarizes foi restaurado com Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do governo federal. A maioria foi construída entre 1740 e 1760, época de grandes investimentos em obras públicas na então capital da Capitania de Minas Gerais, chamada de Vila Rica. O responsável pela construção dos chafarizes era o Senado da Câmara, que publicava editais de arrematação e contratava artífices para trabalhar sob a orientação de um risco, como era chamado o projeto. No período colonial, o material preferencialmente empregado nos tanques, ornatos e muros eram rochas locais, como o itacolomi ou a canga, sendo que mais tarde, novos materiais foram introduzidos, como o ferro fundido.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Turistas dormem nus em píer de Veneza

Os dois foram flagrados dormindo sem roupa na frente de hotel.

O vídeo dos turistas viralizou nas redes sociais / Reprodução

Mais um episódio de comportamento inadequado de turistas voltou a irritar os moradores de Veneza nesta terça-feira (1º), apesar das pesadas multas contra violações do “decoro” aprovadas pela Prefeitura.

Por volta de 5h30 da manhã (horário local), dois homens foram flagrados deitados nus no píer de um hotel cinco estrelas no Canal Grande, a mais movimentada via aquática da capital do Vêneto. Os turistas estavam abraçados e aparentemente dormindo.

“Eram dois homens na faixa dos 30 anos. Pedimos para eles saírem e, com toda a calma, eles se vestiram e se afastaram. Acho que estavam dormindo antes de nossa chegada”, diz o autor do flagra, um barqueiro que chegava ao hotel para entregar mercadoria.

O vídeo dos turistas viralizou nas redes sociais e irritou a população de Veneza, que cobra punições ao suposto casal. De acordo com as novas regras da Prefeitura, a multa para quem andar em público com o torso nu é de 200 euros (R$ 736, segundo a cotação atual), mas os dois podem alegar que estavam em uma área privativa.

O governo municipal vem adotando uma série de medidas para coibir comportamentos inadequados dos turistas e reduzir a tensão com os moradores. Além das multas contra violações do decoro, o prefeito Luigi Brugnaro proibiu o consumo de bebidas alcoólicas na rua durante as noites e madrugadas dos fins de semana.

Nos últimos meses, habitantes de Veneza fizeram diversos protestos contra o turismo de massa e o esvaziamento populacional de seu centro histórico, que perde, em média, dois moradores por dia por causa do encarecimento dos imóveis.

Ansa

Fonte original da notícia: Band.com.br




Paraty (RJ) – Na Flip, presidente do Iphan destaca relação entre patrimônio e turismo

Kátia Bogéa. Foto: Divulgação/Internet

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, abriu ontem (27) a participação da instituição na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), defendendo a criação de um modelo sustentável de gestão do patrimônio nacional. Este ano o Iphan completa 80 anos e promoverá uma série de eventos para debater sua atuação.

Kátia discutiu a questão da sustentabilidade do patrimônio com a população da cidade, gestores e representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela chamou atenção para o fato de que atualmente, com a crise econômica que o país atravessa, é necessária a elaboração de um novo modelo financeiro de gestão.

“Nós temos que ter um modelo diferenciado, porque o dinheiro não está tão fácil. A restauração do patrimônio, principalmente o edificado, consome uma soma muito vultosa de recursos. Então, não adianta a gente ficar gastando dinheiro para recuperar aquele patrimônio, se não existe um estudo de viabilidade econômica para que aquele monumento, aquela cidade histórica possam atrair investimentos, possam mostrar um modelo de governança”, disse Kátia à Agência Brasil.

Kátia citou o caso do centro histórico de Paraty, cuja renda vem basicamente da indústria do turismo. Para ela isso é positivo, uma vez que o turismo cultural é o segmento que está mais em alta no mundo. Ela comparou por exemplo o caso da cidade de Cracóvia, na Polônia, onde esteve recentemente para reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que atrai cerca de 11 milhões de turistas por ano, enquanto o Brasil inteiro recebe apenas 6 milhões de visitantes estrangeiros/ano.

Na opinião de Kátia, o turismo cultural vai estar à frente do turismo regular, uma vez que os viajantes querem conhecer e consumir a cultura local. Neste cenário, o Iphan, a quem cabe proteger e preservar o patrimônio, deve trabalhar de forma conjunta com o Ministério do Turismo. “Paraty é um exemplo disso, porque não só tem o patrimônio cultural, mas também o patrimônio natural, que é muito explorado pelo turismo”.

Para a presidente do Iphan, o trabalho de preservação do patrimônio e do turismo deve ser feito de forma harmoniosa, mas destacou que “essa convivência pode, sim, ser bastante benéfica para ambos os lados, sem que um consuma o outro”.

Kátia Bogéa disse que os projetos para restauração e preservação têm que ser sustentáveis, com governança, “essa responsabilidade com o retorno do dinheiro e, principalmente, com a manutenção da atividade porque, sem planejamento, não tem jeito”. Segundo a presidente do Iphan, é preciso, cada vez mais, “a gente não ficar dependendo de recursos esporádicos, mas ter um planejamento muito concreto, firme e bem feito, uma governança, ou seja, que todos os atores sentem à mesa e discutam esse modelo, porque senão, não vai funcionar”, assegurou.

80 anos

Dentro da Flip, foi aberta também exposição organizada pelo Iphan em parceria com os cidadãos de Paraty, incluindo fotografias do técnico do instituto, Oscar Liberal, que abordam a relação do patrimônio edificado com o dia a dia da população, além da exibição do vídeo Memórias Afetivas de Paraty. “Essa comunidade falando do patrimônio tanto de natureza material, como imaterial, seus festejos, todo o complexo cultural que é Paraty”, explicou Kátia.

A presidente do Iphan observou que uma sequência de obras de restauração será entregue à população brasileira até o final do ano, como parte das comemorações pelos 80 anos da instituição.  Ao longo do segundo semestre o Iphan vai realizar uma série de eventos em comemoração à data, entre elas exposições e um  seminário internacional no Museu do Amanhã, em outubro, quando autoridades nacionais e estrangeiras do setor discutirão a política de preservação no mundo e o planejamentos do órgão para os próximos anos.

Por Alana Gandra – Edição Amanda Cieglinski

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




Salvador (BA) – Projeto de reforma do centro histórico está inacabado após 25 anos

Foto: Margarida Neide | Ag. A Tarde

A autônoma Sandra Regina Silva dos Santos, 53, era dona de sete imóveis no Centro Histórico de Salvador, herdados da mãe, quando o governo estadual iniciou a 7ª etapa da revitalização da região. O ano era 2002 e, até então, ela alugava os edifícios para viver da renda.

Essa possibilidade teve fim, no entanto, em 2005, quando os moradores da área compreendida dentro dessa fase da recuperação começaram a ser removidos do local e transferidos para casas de passagem – imóveis alugados pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) para abrigá-los por um ano, até o fim da obra.

As intervenções, executadas pelo órgão estadual com recursos do Programa Monumenta, financiado pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), faziam parte do Projeto de Requalificação do Centro Histórico de Salvador – iniciativa lançada em 1992 pelo governo Antônio Carlos Magalhães com a promessa de transformar a região. A ideia era reformar casarões da área tombada como Patrimônio Histórico para atrair turistas.

À época das remoções, conta Sandra, cada morador podia cadastrar um imóvel residencial e um comercial no banco de dados da Conder, para tê-los de volta após a obra. No próximo dia 28, 12 anos após sair de casa, ela finalmente vai receber a chave da residência.

O prédio da rua 28 de setembro onde ela morava, reformado após pegar fogo, foi dividido em seis – um deles para a Sandra. Já o ponto comercial, que desabou, ela não deve reaver mais, pois, há cerca de oito meses, a Conder comunicou aos moradores que, em vez de retornarem a esses espaços, eles serão indenizados.

Apesar do retorno para casa, conquistado após mais de uma década, Sandra não comemora o resultado. Ela cita o longo período em que o tema ficou esquecido e critica a condução dada à 7ª etapa da requalificação.

Lista, ainda, uma série de descumprimentos de um termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado lá em 2005 entre as partes, com o aval do Ministério Público da Bahia (MP), para que fosse assegurada às pessoas a permanência na área.

Entre as irregularidades, está o não pagamento do aluguel das casas de passagem. Segundo a Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico de Salvador (Amach), essa despesa foi transferida para os moradores e uma bolsa-aluguel de R$ 450 acabou sendo criada para as 108 famílias.

“Nossa história de negro que foi tirado da África para carregar pedra aqui não é respeitada. Nos abandonaram aqui, esqueceram nossa história, tratam a gente como cachorros, como pessoas que não merecem respeito”, lamenta a autônoma.

Dimensão

A situação vivida por Sandra, porém, vai além de uma história individual. De acordo com a Amach, 25 anos após o lançamento do projeto pelo governo ACM e 15 anos após o início da 7ª etapa dele, 25 famílias ainda não foram realocadas para imóveis definitivos.

Isso representa 23% dos 108 núcleos familiares que estavam incluídos no TAC e foram beneficiados pelo Programa de Habitação de Interesse Social (PHIS), que possibilitou, à época com financiamento do Ministério das Cidades, a permanência dos moradores na área histórica soteropolitana.

Já os 13 casos de pessoas que possuíam pontos comerciais abrigando sebos, lanchonetes, bares, quitandas, bombonieres e outros pequenos estabelecimentos tomaram o rumo relatado por Sandra. A Conder oferece indenização de R$ 40 mil para que essas pessoas não retornem aos espaços onde tinham comércio.

A Diretoria do Centro Antigo de Salvador (Dircas), autarquia do órgão, confirma a versão (veja na página A6).

A sede da associação, localizada no número 24 da rua do Bispo, ainda é alvo de uma ação de reintegração de posse da companhia estadual, segundo a presidente da entidade, Jecilda Mello. A Amach, explica ela, também é abrigada em casa de passagem (provisória) e aguarda receber sede definitiva.

O mesmo tipo de processo, segundo Jecilda, é movido contra moradores que habitam em residências de passagem e ainda não receberam seus imóveis. “Difícil é aceitar essas mudanças sem que eles conversem com a gente”, ela afirma.

Como exemplo da falta de comunicação, a líder comunitária cita a anulação do comitê gestor criado para tratar da 7ª etapa. Segundo ela, equipamentos previstos no acordo, como uma creche para a comunidade, nunca foram construídos.

A Dircas afirma, entretanto, que entregou aos moradores da região, em julho de 2015, a Cozinha Comunitária do Pelourinho, equipamento previsto no TAC.

Contexto

Foi lá que, semana passada, a equipe de A TARDE encontrou Jecilda e Sandra. Da janela do imóvel antigo, mas aparentemente preservado, uma grande parede em ruínas é vista por quem senta às mesas do salão. A iminência da queda do imóvel defronte à cozinha, porém, é minimizada pelas moradoras.

“Quem não é daqui se impressiona mesmo, mas a gente sabe quando está para cair”, desdenha Sandra.

É assim em quase toda região compreendida na 7ª etapa da requalificação do Centro Histórico de Salvador. Pobre, a área é composta, segundo a Amach, pelas ruas do Bispo, D’Ajuda, da Oração, Saldanha da Gama, São Francisco, 3 de maio, Guedes de Brito e 28 de Setembro.

O abandono das casas – que acumulam entulhos e sujeira e são focos para o consumo de drogas – contrasta com o outro extremo da região, próximo ao largo do Pelourinho, onde turistas visitam casarões coloridos que abrigam bares, pousadas, restaurantes, museus e órgãos públicos.

“Essas ruas são o lado escuro do Centro Histórico que o governo faz questão de esconder”, sentencia a presidente da Amach.

Promotor de Justiça responsável por instaurar o inquérito civil e ajuizar a ação que resultou no TAC, o hoje desembargador Lidivaldo Reaiche Raimundo Brito explica que as obras na região compõem uma série de intervenções que tiveram início ainda nos anos 1990, no último governo ACM.

“A ideia era transformar o Pelourinho numa Disneylândia para as pessoas admirarem a beleza”, define.

À época das expulsões promovidas pela 7ª etapa do projeto, Lidivaldo comandava a Promotoria de Combate ao Racismo do MP.

“A Conder argumentava que as pessoas eram invasoras e usava até a Polícia Militar para tirar moradores, com muita truculência”, rememora o magistrado, que sustentava em suas ações a tese de “uma assepsia social” promovida pelo governo estadual. “A intenção era que funcionários públicos morassem nesses prédios reformados”.

Atualmente, mesmo 15 anos após o início das reformas, o desembargador avalia que houve avanços. Defende, porém, que a restituição do comitê gestor poderia resolver atritos entre moradores e a Conder.

Já a presidente da Amach, Jecilda Mello, avalia negativamente. “Eu costumo dizer que terminou a Fonte Nova, terminou o metrô, mas não terminou a revitalização do Centro Histórico”.

Ciclos de política

A arquiteta e urbanista Ana Fernandes, professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), explica que a política adotada no Centro Histórico de Salvador se caracterizava pela completa retirada de moradores do local. “A ideia era um shopping a céu aberto, com galerias de arte e restaurantes sofisticados para turistas. Ou seja, morador nem pensar”, diz.

Depois, com a gestão Jaques Wagner, há uma “inflexão política” de apoio à inclusão das moradias de interesse social na região, detalha ela. “A construção de moradia no centro é algo fundamental para a requalificação, assim como a instalação de comércios, porque permite que as pessoas vivam no lugar”, analisa.

A especialista avalia, entretanto, que essa política passou a falhar a partir de 2008, pois perdeu centralidade nos governos, em meio à crise econômica. “Há um abandono por causa dessa falta de centralidade e por causa de uma cultura técnica preconceituosa, que existe nos órgãos públicos, e que descarta a possibilidade de pobre morar no centro”.

O descumprimento de acordos com a comunidade afetada, diz ela, também é decisivo no declínio da política adotada a partir do governo Wagner. “Como é que isso ainda não foi cumprido 12 anos depois?”, indaga.

Por Yuri Silva

Fonte original da notícia: A Tarde




Autorização para reforma de escola centenária em Sabará (MG) é assinada pelo governador

Reforma e ampliação do espaço escolar são uma demanda antiga da população, segundo a Secretaria de Governo.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

O governador Fernando Pimentel assinou nesta quarta-feira um despacho que determina à Secretaria de Estado de Educação e ao Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER/MG) dar início às obras de ampliação e restauração do prédio tombado da Escola Estadual Paula Rocha. As obras estão previstas para começar este mês e terminar no fim de 2019. Nelas deverão ser investidos cerca de R$ 3,3 milhões.

A reforma e ampliação do espaço escolar são uma demanda antiga da população de Sabará, segundo a Secretaria de Governo. As demandas para a recuperação do patrimônio foram apresentadas pelos moradores e lideranças de Sabará durante o Fórum Regional Metropolitano deste ano. O prédio da Escola Estadual Paula Rocha, fundada em 1907, tem arquitetura neoclássica e faz parte do Centro Histórico de Sabará, tendo sido tombado em 1938 pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Entre as intervenções previstas, estão serviços de restauração do prédio principal, pintura e instalação de ladrilhos hidráulicos. Além da recuperação de pisos, forros, portas e janelas. As partes hidráulica e elétrica serão trocadas. Também está prevista a construção de um anexo com 362 metros quadrados de área construída, implantação de rampas cobertas e descobertas, instalação de plataforma de deslocamento vertical para acessibilidade, sistemas de combate e prevenção de incêndio e de proteção contra descargas atmosféricas.

Durante a solenidade de assinatura, Pimentel disse que se sentia “incomodado” pela demora do início das obras. “Inicialmente, o projeto não foi aprovado pelo Iepha (Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), por isso teve de voltar e ser refeito. Nesse meio-tempo, perdeu-se o contrato original, e tivemos que fazer outra licitação. Tudo no setor público é muito demorado. Mas conseguimos chegar ao final desse processo e a ordem de serviço já foi dada”, afirmou.

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Nos 280 anos de Aleijadinho, Ouro Preto (MG) ganha igreja onde mestre foi sepultado

Matriz de Nossa Senhora da Conceição será reaberta aos moradores e visitantes depois de dois anos fechada para restauração.

Fechada por dois anos, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição será reaberta em 18 de agosto, mas ainda passará pela segunda fase de restauração, que incluirá os elementos artísticos da construção. Foto: Marcelo Tholedo/Divulgação

Dentro de um mês, em 18 de agosto, uma das mais importantes igrejas de Ouro Preto, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, conhecida como Matriz de Antônio Dias, será reaberta aos moradores e visitantes, depois de dois anos de restauração comandada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

Se na primeira etapa foi contemplada a parte arquitetônica, na segunda, com licitação assegurada pela autarquia federal para este semestre, será a vez dos elementos artísticos da construção do século 18. Sem dúvida, a obra figura como destaque de 2017 na cidade, berço de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que está sepultado nesse templo sob o altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Conforme estudo recente, o mestre do Barroco nasceu em 1737, portanto há 280 anos, embora a polêmica exista, pois outros historiadores falam em 1730 e 1738.

Para os visitantes, a nova etapa na igreja será oportuna tanto para se conhecer o trabalho dos restauradores como também para ver a intervenção em todos os retábulos da nave e da capela-mor, além de forros e pinturas. Segundo o chefe do escritório do Iphan em Ouro Preto, André Macieira, as portas ficarão abertas durante os serviços, pois a matriz oferece completa segurança. O secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira, aplaude a iniciativa e adianta que toda a programação da Semana Aleijadinho, em novembro, será alusiva aos 280 anos do patrono das artes no país e natural de Ouro Preto, cidade cujo Centro Histórico é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo estudos, a história da matriz começa por volta de 1699, quando foi elevada, a mando do bandeirante Antônio Dias, uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Em 1705, instituiu-se a primitiva matriz, sofrendo provavelmente modificações e acréscimos para se adaptar à nova função. O rápido crescimento da população do antigo Arraial de Antônio Dias fez com que os moradores, em 1711, exigissem a construção de um novo templo, o que ocorreu em 1724.

Em 1727, foi iniciada a construção da atual matriz, cujo projeto é atribuído a Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. Os trabalhos iniciados antes da Matriz do Pilar seguiram em ritmo mais lento até 1756, quando se inicia a talha da capela-mor e posteriormente as obras de pintura e douramento. Os altares da nave são bem mais antigos, podendo incluir, como no caso da Matriz do Pilar, peças remanescentes da primitiva. A decoração interna da nave é atribuída também ao pai de Aleijadinho. Já a talha da capela-mor, a Jerônimo Félix Teixeira e Felipe Vieira, discípulos de Noronha e Xavier de Brito, daí sua afinidade com a Matriz do Pilar.

Pesquisa. O ano de nascimento de Aleijadinho sempre despertou polêmica, alguns dizendo que foi em 1730 e outros em 1738. De certeza mesmo, só o da morte, 1814, tanto que em 2014 houve muitas homenagens pelo transcurso do bicentenário. Mergulhado em pesquisa no Brasil e Portugal, o promotor de Justiça e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais Marcos Paulo de Souza Miranda jogou luz sobre o assunto no seu livro Aleijadinho revelado – Estudo histórico sobre Antonio Francisco Lisboa, ao descobrir que foi mesmo em 1737.

Cores da fachada chamam a atenção em meio às ladeiras históricas de Ouro Preto. Foto: Marcelo Tholedo/Divulgação

Na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, Marcos Paulo localizou o registro de nascimento de Antonio Francisco Lisboa, filho da negra forra Isabel. Em entrevista ao Estado de Minas, ele explicou que “os estudiosos certamente procuravam o registro apenas pelo nome do pai, o artífice português Manuel Antonio Lisboa. A questão é que, naquela época, pelo direito canônico, era proibido que constassem do registro os nomes dos pais quando o casal não fosse formalmente casado. Daí só haver o nome da mãe no documento. Além disso, o costume era levar a criança à pia batismal logo após o nascimento.” A única data que se conhecia era a da morte, 18 de novembro, conforme consta do atestado de óbito. É curioso notar, no túmulo, que uma placa traz o sinal de interrogação ao lado do ano de 1738, que seria o do nascimento.

O autor do livro lembrou que a primeira biografia foi escrita em 1858, por Rodrigo José Ferreira Bretas, ex-promotor de Justiça de Ouro Preto. “O trabalho foi publicado no jornal Correio de Minas, 44 anos depois da morte de Aleijadinho. Bretas conversou com dona Joana Lopes, parteira, que foi casada com o filho do artista, Manoel Francisco Lisboa, batizado com o mesmo nome do avô.”

O pai de Aleijadinho, Manoel Francisco Lisboa, nasceu em São José de Odivelas, antes pertencente a Lisboa, Portugal, hoje município autônomo, conforme os levantamentos de Souza Miranda: “O nome de família não é propriamente ‘de Lisboa’, apenas indica a procedência. O pioneiro João Francisco e seus três filhos vieram da capital portuguesa atraídos, no auge da mineração do ouro nas Gerais, pela alta efervescência de construção de igrejas. Era uma família de artífices. Os tios de Aleijadinho, Antonio Francisco Pombal e Francisco Antonio Lisboa, foram exímios entalhadores e atuaram, respectivamente, nas matrizes do Pilar e de Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias”.

Aleijadinho foi aprendiz, oficial e tornou-se mestre, aprendendo a trabalhar com a própria família, pois todos eram do ramo. Em 1760, aos 23 anos, ele começou com sua oficina, embora não fosse um espaço físico, mas um serviço itinerante. De acordo com Souza Miranda, “ele se deslocava para o lugar onde houvesse serviço, tanto que morou em Rio Espera, na Zona da Mata, e Sabará. A equipe dormia geralmente nas casas paroquiais. Outra atividade importante, a exemplo da desempenhada pelo pai, foi a de perito ou ‘louvado’.

Um dos irmãos de Aleijadinho, o padre Félix, seguiu a mesma trilha e se tornou talentoso escultor de peças sacras”. Autor do prefácio do livro, o secretário de estado de Cultura, Angelo Oswaldo, afirma que 1738 continua o ano dado como aceito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas acredita que pode ser dada a largada para os festejos. “Aleijadinho é para se festejar todo dia”, afirma. O ano de 1738 decorre de uma certidão de óbito datada de 18 de novembro de 1814, na qual há a informação de que o homem sepultado teria 76 anos, portanto, nascido em 1738. “Na época do bicentenário, foi formada uma comissão pelo Iphan para estudar a fundo o legado de Aleijadinho, identificar as obras, tirar as dúvidas, mas acho que não evoluiu”, diz o secretário. Ele lamenta que o Museu Aleijadinho, composto pelo acervo das igrejas de Nossa Senhora da Conceição, São Francisco e Mercês de Baixo, em Ouro Preto, não esteja aberto à visitação.

Reconhecimento. O nome Aleijadinho tem reconhecimento de norte a sul. “Dos artistas brasileiros que atuaram no período colonial, Aleijadinho foi o que mais se destacou, tanto do ponto de vista qualitativo, quanto quantitativo. Ele viveu em Minas e sua trajetória coincide com o período áureo da exploração de metais preciosos, quando a região presenciou um grande momento de vida social urbana”, ressalta o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Rosenthal Schlee. Ele explica que “a riqueza do ouro e dos diamantes, associada à profusão de irmandades religiosas, garantiu trabalho e reconhecimento ao artista, que deixou obras significativas em Ouro Preto, São João del-Rei, Congonhas e Sabará.

Foto: Marcelo Tholedo/Divulgação

“Para demonstrar a importância de Aleijadinho e de sua oficina, basta citar a delicadeza da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto ou a monumentalidade do conjunto arquitetônico dos Passos e Adro dos Profetas do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas”, conta Andrey, também professor da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP).

Retrato Oficial

Foto: Cristina Horta/EM

Louvado pelas imagens que brotaram de suas mãos, o gênio do Barroco paradoxalmente tem na própria fisionomia um mistério. Nos séculos 18 e 19, muitos desenhistas e pintores fizeram o “retrato falado” de Aleijadinho, um assunto ainda bastante polêmico. O chamado retrato oficial, que faz parte das homenagens no bicentenário de morte, está exposto no Museu Mineiro, na Avenida João Pinheiro, em Belo Horizonte. Trata-se de óleo sobre pergaminho (foto) feito no século 19, por Euclásio Penna Ventura. O quadro, na verdade um ex-voto, medindo 20cm por 30cm, pertenceu à Casa dos Milagres, de Congonhas, e mostra um homem mulato bem-vestido. Foi vendido em 1916 a um comerciante de Congonhas, identificado como Senhor Baerlein, proprietário da Relojoaria da Bolsa do Rio de Janeiro. A alegação de que se tratava do rosto do mestre do Barroco se baseou na imagem representada ao fundo da pintura, em segundo plano, que parecia idêntica a uma obra de autoria do artista.

Linha do Tempo

» 1720
Chegam a Ouro Preto, vindos de Portugal, João Francisco e três filhos, sendo um deles Manuel Francisco Lisboa.

» 1737
Em 26 de junho, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é batizado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Ouro Preto. Ele é filho de Manuel Francisco Lisboa com a negra forra Isabel. Alguns estudiosos apontam 1730 ou 1738 como o ano do nascimento.

» 1750
O menino Antonio frequenta o internato do Seminário dos Franciscanos Donatos do Hospício da Terra Santa, em Ouro Preto, onde aprende gramática, latim, matemática e religião.

» 1755
Nasce Félix Antonio Lisboa, irmão de Aleijadinho. Foi padre e escultor talentoso.

» 1763
O artista faz sua primeira intervenção com características arquitetônicas: frontispício e torres sineiras da Matriz de São João Batista, em Barão de Cocais, e ainda a imagem São João Batista.

» 1766
Em Ouro Preto, o artista executa o projeto da Igreja de São Francisco de Assis, as imagens do frontispício e a fonte-lavabo da sacristia.

» 1768
Antonio se alista no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto e, durante três anos, presta o serviço militar, o qual conjuga com uma atividade profissional intensa.

» 1774
Recebe a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, de São João del- Rei, e executa o projeto da Igreja de São José, de Ouro Preto. Em Sabará, faz trabalhos para a Igreja do Carmo.

» 1777
Nasce o filho de Aleijadinho, que recebe o mesmo nome do avô – Manuel Francisco Lisboa. O menino é batizado em 23 de janeiro na catedral do Rio de Janeiro. É detectada uma grave doença degenerativa, que deforma corpo e membros do artista.

» 1780
Aleijadinho conclui o conjunto de talha, retábulos, púlpitos e coro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Jaguara, encomendada pela Irmandade da Ordem Terceira do Carmo de Sabará.

» De 1784 a 1786
Aleijadinho esculpe o conjunto em madeira da Fazenda da Jaguara, em Matozinhos. No início do século 20, o acervo é transferido para a Matriz do Pilar, em Nova Lima, na Grande BH.

» 1790
Recebe o apelido de Aleijadinho. Tem obra elogiada no levantamento de fatos notáveis, ordenado pela Coroa em 1782 e feito pelo vereador da Câmara de Mariana capitão Joaquim José da Silva.

» 1790-1794
Aleijadinho se ocupa do retábulo do altar-mor da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto, com grande equipe de oficiais de talha. Obra é a coroação da atividade de escultor e entalhador.

» De 1796 a 1799
Nas capelas que recriam a via-crúcis, em Congonhas, Aleijadinho esculpe o conjunto de 64 figuras em madeira. Nas paredes, há as pinturas bíblicas de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830).

» De 1800 a 1805
No Santuário Basílica do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, Aleijadinho esculpe os 12 profetas que receberam reconhecimento da Unesco como patrimônio mundial.

» 1812-1813
O estado de saúde de Aleijadinho se agrava. Passa a viver em uma casa perto da Igreja do Carmo, em Ouro Preto, para supervisionar as obras que lá estavam em andamento.

» 1814
Aleijadinho morre em 18 de novembro, segundo certidão de óbito arquivada na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Está sepultado sob o altar de Nossa Senhora da Boa Morte.

» 1858
Publicada a primeira biografia do mestre do barroco, escrita pelo promotor de Justiça Rodrigo José Ferreira Bretas.

» 1930
Feita a primeira exumação dos restos mortais de Aleijadinho, para lembrar o bicentenário do nascimento do artista, que, segundo nova pesquisa, nasceu em 1737 e não em 1730 ou 1738, como se considerava anteriormente.

» 1947
Feita a segunda exumação, de forma clandestina. Pedaços de ossos são levados para exames na Inglaterra. Outras duas ocorreram em 1970 e 2003.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Prédios históricos estão abandonados e em ruínas no Centro de João Pessoa (PB)

Foto: Reprodução/ TV Cabo Branco

Dezenas de prédios, que compõe o centro histórico de João Pessoa, estão em ruínas e sem perspectiva de restauração.

Há anos os casarões se tornaram um perigo para pedestres e comerciantes, por causa do abandono dos proprietários e poder público. O valor histórico tem se deteriorado, assim como as paredes.

O abandono pode ser vistos em vários pontos, como num casarão, que está com sua estrutura comprometida e com iminência de desabar, localizado entre a rua Dom Ulrico e avenida Visconde de Pelotas, em frente à praça Dom Adalto.

A avenida João Suassuna, próximo à praça Antenor Navarro, também apresenta prédios abandonados, assim como na avenida Duque de Caxias.

Segundo a diretora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), Cassandra Figueiredo Dias, a revitalização dos prédios não é simples pois, apesar de muitos serem de propriedade do Município, Estado e União, alguns são de pessoa física e em sua maioria a identificação destes se torna impossível. Além de que muitos envolve herança.

Recentemente o Iphaep deu início a restauração da Casa dos Azulejos, na praça Dom Adalto, construída no século 19 e que chama atenção por ter sua fachada revestida por azulejos portugueses.

Ainda não há previsão para a finalização do projeto.

Com informações da TV Cabo Branco

Fonte original da notícia: paraibaonline.com.br




Manaus (AM) – Falta de audiência pública não impede tombamento de patrimônios históricos

Área tombada no centro de Manaus inclui Teatro Amazonas, inaugurado em 1896. Wikimedia Commons

Falta de audiência pública não é suficiente para impedir o tombamento de patrimônios históricos, pois todo o processo é regulado pelo Decreto-Lei 25/1937, que não exige esse tipo de consulta. Assim entendeu o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, ao negar pedido do estado do Amazonas contra a homologação do tombamento do centro histórico de Manaus (AM).

O conflito com a União e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) existia desde 2012. O governo estadual dizia que o processo administrativo de tombamento teve uma série de vícios em sua tramitação, como ausência de audiências públicas e demora na disponibilização de cópias do processo administrativo.

O Executivo amazonense dizia que faltaram medidas de participação da sociedade local no procedimento de tombamento, como recomenda a Lei 9.784/1999, que rege o processo administrativo no âmbito federal. O texto afirma que, quando um assunto do governo tem interesse geral, o órgão competente pode abrir período de consulta pública e promover audiência antes de tomar decisões.

Quando o caso chegou ao STF, o relator convocou audiência de conciliação entre as partes. Foi firmado acordo ainda em 2012, mas meses depois tanto o estado como o Iphan alegaram descumprimento do trato. As partes foram intimadas a se manifestar novamente em abril de 2015, porém persistiu o impasse sobre o alegado descumprimento de cláusulas.

Ao analisar o mérito, Fux afastou a alegação de ofensa ao contraditório e à ampla defesa no trâmite do processo administrativo. O ministro disse que nem o Decreto-Lei 25/1937, que regula tombamentos, nem a norma sobre processo administrativo exigem consultas e audiências públicas. “A Lei 9.784/1999 trata sua realização como faculdade do poder público”, afirmou.

O relator também concluiu que todas as atitudes do Iphan durante o trâmite processual indicam não só o cumprimento dos postulados constitucionais, “como também boa-fé, cooperação e lealdade da autarquia em envolver o ente estadual em todo processo de tombamento, a fim de que eventuais discordâncias entre os mesmos pudessem ser sanadas de forma harmônica, consensual e democrática na via administrativa”.

Assim, Fux descartou qualquer motivo para intervenção, no momento, do Judiciário na questão. A decisão monocrática do ministro foi assinada em 30 de junho, antes das férias forenses, e ainda não foi publicada.

História viva
O tombamento do centro histórico de Manaus inclui a orla do Rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas. Em 2012, o Iphan declarou que a área “mantém os aspectos simbólicos e densos de realizações artístico-construtivas” dos séculos XIX e XX, quando o ciclo da borracha atraiu europeus à Amazônia. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

ACO 1.966

Fonte original da notícia: Consultor Jurídico




Porto Alegre (RS) – Obras, sonhos e curiosidades: quatro famílias que escolheram casas históricas como lar

Lançados entre 2006 e 2009, três editais selecionaram 15 projetos de restauro no Centro Histórico.

Foto: Montagem sobre fotos de Isadora Neumann

Basta uma caminhada atenta pelas vias do Centro para perceber: já somam algumas dezenas as edificações antigas que receberam cuidados nos últimos anos. Com frequência, prédios que compõem a história de Porto Alegre se tornam empresas ou comércios. Alguns, porém, viraram o lar de quem não se importa em investir em imóveis com a obrigação de se manterem fiéis às características originais.

Contamos as histórias de quatro famílias que, na hora de escolher a nova casa, optaram por se enquadrar nas regras do patrimônio histórico e, mais tarde, financiaram o restauro dos imóveis por um programa de estímulo à revitalização do Centro da década passada.

— Um recurso investido em patrimônio é como um tiro que atinge vários pontos: contribui com o meio ambiente, a cultura, a geração de empregos. E ele gera uma onda, há um estímulo para que outros façam — avalia Luisa Durán Rocca, doutora em arquitetura e especialista em conservação e restauração de patrimônio histórico.

O projeto Monumenta, que ajudou proprietários de edificações históricas em 26 cidades brasileiras a restaurarem seus imóveis, mostrou ser capaz de dar frutos. Segundo a coordenadora do PAC Cidades Históricas, Briane Bicca, depois dos primeiros editais na Capital, entre 2006 e 2009, pelo menos sete outros proprietários procuraram o poder público querendo restaurar prédios antigos.

Dinheiro não falta: graças a um fundo criado quando a cidade entrou no Monumenta, o município conta com quase R$ 10 milhões prontos para serem reinvestidos em restauro de construções históricas. Há quase cinco anos, porém, a continuidade dos trabalhos esbarra em questões burocráticas.

— A prefeitura precisa de um agente financeiro para estruturar o financiamento. Tentamos com a Caixa (Econômica Federal), mas ela nos enrolou durante todo esse tempo, e no fim não teve interesse — conta a coordenadora do PAC Cidades Históricas.

Depois da tentativa frustrada, os gestores do fundo — que recebe também R$ 200 mil anuais da prefeitura — devem buscar alternativas. A ideia é uma parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul (BRDE). Briane diz que as tratativas para uma reunião estão sendo feitas por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília.

Projeto teve de convencer proprietários

O pontapé inicial do movimento ainda tímido de preservação da história no centro da Capital foi dado mais de 10 anos atrás. Em 2004, dois anos depois de pactuar a entrada no Monumenta, representantes do programa em Porto Alegre fizeram uma série de reuniões com moradores de prédios e casas antigas para vender uma ideia nova: financiar, a juro zero, o restauro de seus imóveis.

— Quando começamos a conversar com os proprietários, eles estavam furiosos. Queriam demolir os imóveis para fazer garagens, porque achavam que dava mais dinheiro. Até mudarmos a visão, foi muita conversa. Mostramos exemplos de outras cidades, de (imóveis) privados que podiam ser restaurados — lembra Briane.

Conforme a coordenadora do PAC Cidades Históricas, foram feitas quase 10 reuniões até que os primeiros interessados se manifestassem. Uma das razões para a resistência dos proprietários é o tabu em torno de edificações protegidas. Imóveis tombados e alguns tipos de inventariados não podem ser demolidos e precisam respeitar certos critérios para receber intervenções — o assunto é tão delicado que, em 2014, o inventário do bairro Petrópolis foi alvo de acaloradas discussões na Câmara Municipal e chegou a ser revogado e refeito por duas vezes.

No Centro, onde fica a maior parte dos mais de cem bens tombados do município, o diálogo surtiu efeito. Lançados entre 2006 e 2009, três editais selecionaram 15 projetos de restauro no Centro Histórico, entre casas, condomínios residenciais, prédios comerciais, uma igreja e um clube.

Tombamento
– Protege integralmente o imóvel. Ele não pode ser demolido, e o proprietário tem de preservar volumetria, divisões internas, elementos artísticos (como vitrais e escadarias) e a fachada com as características originais.

Inventário de estruturação
– 
Imóveis desse tipo também não podem ser demolidos, e precisam ter fachada preservada. Outras alterações são permitidas, desde que autorizadas pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc)

Inventário de compatibilização
– São imóveis localizados perto de inventariados de estruturação (geralmente ao lado). Podem ser demolidos, mas a nova edificação tem de manter a mesma volumetria do imóvel antigo, respeitando o contexto original.

Conheça as quatro histórias

A casa de artistas da Demétrio Ribeiro

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

O tombado da Riachuelo 

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

Vida de interior na General Auto

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

A casa dos sonhos de Maria Helena

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

Por Bruna Vargas

Fonte original da notícia: Zero Hora




Paraty (RJ) recupera antigo cinema do centro histórico

Inauguração do cinema está prevista para o primeiro trimestre do ano que vem. Leonardo Assis/Associação Paraty Cultural

A população de Paraty, cidade histórica situada na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro, terá de volta seu antigo cinema, que será restaurado. A inauguração está prevista para o primeiro trimestre de 2018.

Iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e desenvolvido pela Associação Paraty Cultural, o projeto está inserido no Conjunto Arquitetônico de Paraty, tombado, em seu conjunto, em 1958, como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinou R$ 1,3 milhão às obras, em recursos não reembolsáveis. O apoio do banco faz parte da terceira e última etapa do projeto e se destina à finalização, compra de mobiliários e equipamentos. A mão de obra utilizada é toda do município.

Na avaliação da secretária de Cultura de Paraty, Cristina Maseda, a notícia “é extremamente importante” para a cidade, que não tinha um cinema desde 1974. “Uma cidade que foi referência na cinematografia brasileira, sendo cenário de vários filmes do Cinema Novo e em vários outros momentos do cinema brasileiro, volta a ter uma sala de exibição cinematográfica. É extremamente importante para a nossa cidade, para a nossa memória e, principalmente, para a juventude”.

Ganhos

O cinema terá arquitetura e mobiliário que permitirão múltiplos usos, assim como diferentes configurações, de modo a atender às necessidades da cultura local, informou a superintendente de Gestão da Associação Paraty Cultural, Andréa Maseda. Além da programação cinematográfica semanal, serão promovidos projetos ligados à educação, à pesquisa, à criação e à produção cultural.

Para o superintendente executivo da Associação Paraty Cultural, Raphael Moreira, a restauração do cinema tem um significado que ultrapassa o interesse do projeto para a entidade. “Para a cidade, é um ganho de equipamento público sem precedentes. Ainda mais que nossos avós, nossos pais viveram aquele espaço como um cinema e, hoje, ele não vai ser só um cinema, mas será cinema e um espaço multiuso”. Moreira informou que o salão do cinema, por exemplo, poderá ser desmontado. O novo cinema de Paraty terá áreas para oficinas. Outro detalhe importante é que o cinema ficará na praça principal do município, a Praça da Matriz, onde não havia mais nenhum equipamento público municipal.

Na avaliação dos moradores, a novidade merece comemoração. O presidente da Associação dos Moradores de Paraty-Mirim, Renato Vieira da Silva, acredita que o cinema trará muita coisa boa para o município. “É difícil ter que ir a Angra dos Reis [município vizinho, no estado do Rio de Janeiro] ou Ubatuba [São Paulo] para assistir a lançamentos”.

História

O imóvel onde funcionou o antigo Cinema de Paraty, situado no centro histórico da cidade, foi originalmente uma casa térrea, no período de 1894 a 1908. Após ampla reforma, se transformou em sobrado, em 1930, abrigando o Cine São Jorge, que funcionou até 1973. O sobrado que sediará o Cinema da Praça Espaço Experimental de Cultura foi adquirido pela prefeitura de Paraty em 2011. O projeto de reforma e adequação é assinado pelo arquiteto Marinho Velloso, da Secretaria Municipal de Obras de Paraty e foi aprovado em julho de 2015 pelo Iphan. Na etapa inicial de restauro, houve patrocínio da Petrobras e do governo fluminense, entre outras instituições.

A grande integração espacial do imóvel, apresentando várias camadas de história nas paredes aparentes, foi destacada pelo arquiteto Marinho Velloso. O projeto tem como referências a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Sesc Pompeia, ambos localizados na capital de São Paulo, e o Teatro Engenho Central, em Piracicaba (SP), que mostram situações especiais de patrimônio histórico.

O sobrado ficou fechado durante muitos anos e era usado como depósito. O restauro priorizou a intervenção mínima, de maneira a preservar ao máximo as paredes originais, que serão mantidas em alvenaria de tijolos maciços aparentes. Já as paredes novas terão acabamento liso, com reboco e pintura. Para facilitar a manutenção, que é uma questão sensível em prédios públicos, Velloso destacou que as instalações elétrica e hidráulica serão externas. As portas e janelas estão sendo submetidas a raspagens para identificar as cores originais, atendendo a uma exigência do Iphan.

A missão do Cinema da Praça Espaço Experimental de Cultura é se consolidar como um centro de difusão, experimentação, documentação, formação e produção de cultura em Paraty, por meio de uma gestão compartilhada e múltiplas parcerias.

Monumentos

Outros dois monumentos do conjunto arquitetônico de Paraty receberam apoio financeiro do BNDES, no âmbito do Fundo Cultural – Lei Rouanet. São eles a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, situada no centro histórico do município, e a Praça da Matriz, localizada em frente e considerada a mais antiga e maior área verde inserida no bairro histórico da cidade.

Segundo o BNDES, o apoio ao projeto de restauração do cinema de Paraty reforça a descentralização do parque exibidor nacional, meta do programa Cinema Perto de Você. Por meio do programa, o banco financia a implantação de salas de cinema em cidades médias e na periferia de grandes centros urbanos.

Por Alana Gandra / Edição Juliana Andrade

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil