Museus de Araçatuba (SP) estão fechados há anos por falhas estruturais

Entre eles está o Museu do Som, Imagem e Comunicação fechado desde 2007.

Museu Histório Pedagógico de Araçatuba está fechado para manutenção. Foto: Reprodução/TV TEM

Três museus de Araçatuba (SP) estão fechados há anos por apresentarem falhas estruturais. Os prédios aguardam reforma e, para os moradores da cidade, os lugares que deveriam guardar a história centenária da cidade parecem estar esquecidos.

“A gente vê nossa cultura, história se perdendo no abandono. É muito triste”, afirma a artesã Alessandra Bottato, que costumava ir ao Museu Histórico e Pedagógico, fundado em 1964, mas que está de portas fechadas desde janeiro.

O prédio apresenta rachaduras, defeitos no telhado e infiltrações nas paredes. Alguns itens do acervo estão quebrados e, outros, empoeirados.

O Museu do Som, Imagem e Comunicação está fechado desde 2007 por motivos parecidos. São problemas no telhado, fiação e infiltrações. No acervo, mais de 50 itens estão catalogados, como rádios, vitrolas, câmeras fotográficas e outros. “É uma pena estar fechado. As pessoas teriam a oportunidade de conhecer e ter o livre acesso à história”, diz a divulgadora comercial Tiffane Oliveira.

O Museu Infanto-Juvenil criado por uma artista plástica também está fechado desde 2013. O acervo foi retirado e o espaço está vazio. A prefeitura informou que pretende oferecer o local para artistas interessados em criar um ambiente permanente de produção e exposição cultural.

Museus de Araçatuba estão fechados há anos. Foto: Reprodução/TV TEM

O abandono também afeta o Centro Cultural Ferroviário de Araçatuba. O prédio construído na década de 20 era uma oficina de locomotivas, mas com a retirada dos trilhos na década de 90 passou a ser utilizado para a realização de feiras, atividades culturais e exposições. Mas desde 2009 permanece fechado. As vidraças estão quebradas, as paredes apresentam inclinações e há diversas infiltrações.

Segundo a prefeitura, no Museu Histórico e Pedagógico, o acervo já foi todo reorganizado, catalogado, mas algumas peças se perderam. A prefeitura fez a limpeza do imóvel e agora irá começar a reforma e revitalização.

Segundo a secretária de Cultura, Tieza Lemos Marques, o Centro Cultural Ferroviário conta com projeto do Proac, e uma verba de R$ 500 mil para dar início à revitalização. De acordo com a secretaria, faltam R$ 34 mil de aporte para dar início às obras e o recurso deve sair logo.

Já no Museu do Som, as peças serão selecionadas para serem recuperadas, além de tirar móveis e objetos que não tem nada a ver com o museu. “Ficou muito tempo abandonado e acabou servindo como um depósito”, afirma. Ainda não tem prazo para a recuperação.

Fonte original da notícia: G1 Rio Preto e Araçatuba




Casarões do patrimônio histórico de Belo Horizonte (MG) se deterioram enquanto não têm destinações definidas

Partes importantes da história da capital, imóveis nos bairros Santo Agostinho, Serra e Santo Antônio se dividem entre o abandono e a falta de perspectivas de um dia ser reintegrados à rotina da cidade.

Na Avenida Amazonas, há anos casarões servem de tela para pichadores e exibem marcas de abandono e depredação. Escola afirma ter projeto de restauração. Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Enquanto a imponente construção conhecida como Castelinho, no Bairro Floresta, considerado um dos símbolos do passado de Belo Horizonte, comemora um ano de restauração depois de um incêndio em 2002 e quase uma década e meia de abandono, o futuro de outros endereços que também integram o patrimônio histórico da capital continua incerto.

O fantasma do abandono assombra imóveis como a Villa Rizza, no Bairro Serra, o conjunto de casinhas da Rua Congonhas, no Santo Antônio, e os casarões no quarteirão da Avenida Amazonas entre ruas Aimorés e Mato Grosso, no Bairro Santo Agostinho, todos na Região Centro-Sul da capital.

Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Os três exemplos em nada lembram a situação atual do Castelinho, erguido em 1918, em estilo eclético com inspiração art nouveau. O prédio foi construído para ser residência familiar, com dois pavimentos e uma majestosa torre lateral de quatro andares. Ao longo de sua história, também foi pensão. A reforma foi financiada pelo Instituto MRV, organização sem fins lucrativos, e doado à Prefeitura de Belo Horizonte para abrigar o Programa Miguilim, centro de referência na assistência a crianças e adolescentes que vivem em situação de rua.

Outras construções não tiveram a mesma sorte. A Villa Rizza, na Avenida do Contorno, 4.383, na Serra, foi erguida na década de 1930 e teve o que restou de sua estrutura tombado em 1993. A fachada foi recuperada e desde então o imóvel já abrigou espaço de eventos, restaurante e café. Desde 2005, a Petrobras é a proprietária do terreno, onde chegou a manter um posto de combustíveis anexo à construção.

Os negócios não foram para frente, e a edificação foi a leilão, em 30 de agosto, com lance mínimo de R$ 4,65 milhões. Porém, não houve comprador. “O imóvel, com terreno, vale em torno de R$ 10 milhões. Pertence a Petrobras, que estuda a possibilidade de outro leilão”, disse João de Souza Simão, leiloeiro da empresa Arremax, responsável pelo processo. Ele explicou que há muitos interessados no espaço, mas que o tombamento da construção dificulta a transação. “É um dos empecilhos, pois lá não pode ser construído, por exemplo, um prédio. A casa não pode ser modificada”, afirmou Simão.

A história do Vila Rizza começa no fim da década de 1920, quando o major Antônio Zeferino da Silva comprou uma porção de terra entre a Avenida do Contorno e as ruas do Ouro e Pouso Alto, na Serra. O major encomendou a arquitetura a Humberto Hermeto Pedercini Marinho. Já o nome do imóvel foi uma homenagem à neta do proprietário, Rizza Porto Guimarães.

Na Avenida do Contorno, Villa Rizza conserva fachada imponente, mas imóvel está sem uso e leilão não teve comprador. Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Assim como o imóvel da Serra, cinco casarões na Avenida Amazonas, no quarteirão entre as ruas Aimorés e Mato Grosso, no Bairro Santo Agostinho, aguardam destino e chamam a atenção de quem passa pelo endereço, devido ao nível de degradação. As construções foram erguidas entre 1936 e 1939, em estilo eclético, e pertencem à Sociedade Inteligência e Coração, mantenedora do vizinho Colégio Santo Agostinho, desde 2003.

O pipoqueiro Célio de Castro torce para que os imóveis sejam revitalizados. Ele trabalha na região desde 1969, quando as cinco casas tinham aparência bem diferente da de hoje: “A arquitetura delas é muito interessante. São casinhas lindas, mas que precisam de uma repaginada. Hoje, os imóveis, que estão pichados e com vidraças quebradas, são moradias de sem-teto”, disse o homem.

Há dois anos, a Sociedade Inteligência e Coração (SIC) informou a intenção de construir um edifício no local. Os andares seriam ocupados, por exemplo, por escola de idiomas e biblioteca. Na parte em que não há construção, a previsão seria fazer um estacionamento para professores e funcionários do colégio, que funciona no quarteirão vizinho. Das cinco casas, quatro são tombadas pelo patrimônio histórico, informa a entidade, e o quinto será demolido. “Os projetos (relativos aos imóveis) estão prontos e aprovados pelo Patrimônio Histórico municipal. Atualmente, a mantenedora do Colégio Santo Agostinho está em fase de negociação para início da restauração das quatro casas e de construção de um edifício nos fundos dos terrenos, que foram unificados. O alvará de construção já foi expedido pela Prefeitura de Belo Horizonte”, informou a SIC. As casas tombadas serão restauradas e a ideia é usá-las em projetos culturais, acrescentou.

Santo Antônio

No Santo Antônio, quarteirão que já foi endereço de Guimarães Rosa tem destino incerto. Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press

Outro conjunto de casinhas que aguarda desfecho fica no quarteirão formado pelas ruas Congonhas, Santo Antônio do Monte e Leopoldina, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul. Os imóveis foram cenário para gravação do filme O Menino Maluquinho, inspirado na obra homônima do escritor mineiro Ziraldo, dirigido por Helvécio Ratton em 1995.

A construtora Canopus tentou erguer quatro prédios de 27 andares cada no local, com quatro apartamentos por pavimento. A empresa, porém, suspendeu o projeto até que a prefeitura defina quais usos poderão ser dados ao espaço. Desde 2014, parte do quarteirão está coberto por tapumes de metal. Uma das casinhas, a de número 415 da Rua Leopoldina, foi moradia do escritor e médico João Guimarães Rosa (1908-1967). Também foi lá que funcionou o Bar do Lulu, point de Belo Horizonte nas décadas de 1980 e 1990. O Estado de Minas fez contato com a empreiteira para detalhar os projetos para o conjunto de imóveis, mas não obteve retorno.

Palavra de especialista
Yuri Melo Mesquita, diretor de Patrimônio Cultural, Arquivo Público e Conjunto Moderno da Pampulha da Fundação Municipal de Cultura.

Referências para a cidade

“Todos os imóveis têm valor social para Belo Horizonte. São pontos de memória. Há interseção de várias temporalidades neles. Há cruzamentos do modo de viver do passado e do presente, ou seja, um ponto de interseção da memória. São elementos que nos possibilitam ter raízes com a nossa cidade. É uma forma de dar lastro para a experiência, um ponto de memória, de referência para manter vivo o patrimônio.”

Por Paulo Henrique Lobato

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Laguna: os pontos turísticos da “joia” dos Encantos do Sul de Santa Catarina

A cidade, de colonização açoriana, tem mais de 600 edificações tombadas pelo Iphan.

Laguna, localizada a 121 km de Florianópolis, é considerada a joia da região dos Encantos do Sul. Quem passeia pelo centro histórico do município entende bem o porquê da afirmação. Com colonização açoriana, as mais de 600 edificações tombadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) levam a um retorno ao passado. A primeira parada para quem quer saber mais sobre a cidade é o Museu Histórico Anita Garibaldi, que assim como outros locais foi batizado com o nome da personagem mais famosa da cidade.

Entrada da casa de Anita, em Laguna – Divulgação/ND

O prédio fica na praça República Juliana e tem uma estátua imponente de Anita dando boas-vindas aos visitantes e data de 1735, sendo a primeira edificação construída na até então vila de Laguna. Ali já foram julgados e presos quem não seguia as leis na época e também foi o local onde foi proclamada a república catarinense em 1839, virando museu quase cem anos após pelo centenário da morte de Anita, em 1949. “ Aqui no museu o visitante fica sabendo o que aconteceu em Laguna desde o momento em que as civilizações antigas estiveram por essa região, com os sambaquis que já existiam há mais de 2.000 anos. Poderá saber mais sobre o Tratado de Tordesilhas, que foi assinado entre Portugal e Espanha em 1494”, diz Thiago Laurindo, diretor de departamento da Secretaria de Turismo. Jerônimo Coelho, o pai da imprensa catarinense, é lagunense e a prensa do primeiro jornal impresso do Estado está entre os objetos em exposição.

Mas a história mais instigante é de Anita, Ana Maria de Jesus Ribeiro, que viria a ser mais tarde reconhecida como “A heroína dos dois Mundos”. A jovem de família humilde, que desafiava o padrão da época em que as mulheres deviam ser apenas donas de casa e cumprir os afazeres domésticos, tem uma casa que leva o seu nome, uma espécie de relicário de sua breve história. Foi ali que ela se arrumou para o primeiro casamento com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar, o ‘Manoel dos Cachorros’ e onde hoje se encontram um pouco de suas memórias, como certidões de nascimento, um punhado de areia de sua sepultura em Ravena, na Itália, e uma tesoura que dizem ter sido entregue por ela a uma amiga antes de ir embora com seu grande amor Giuseppe Garibaldi, logo após ficar viúva.

Casa inspirada em quinta portuguesa

Igreja onde Anita se casou- Divulgação/ND

Em frente à Casa de Anita está a Igreja Matriz, onde ela também se casou. Várias obras de arte enfeitam os altares, como a “La Madonna”, de 1856, do pintor catarinense Victor Meirelles. Na praça da igreja, mais curiosidades sobre os Garibaldi: um monumento à Giuseppe fica em frente a uma árvore que, conta a história, brotou no Seival, o navio do italiano Garibaldi.

Outro local que merece a visitação é a casa Pinto D´Ulissea, uma charmosa construção de 1866 e que foi inspirada numa quinta portuguesa, com a fachada revestida de azulejos e um pequeno jardim com inspiração francesa. O local abriga atualmente a Fundação Lagunense de Cultura e fica ao lado da Fonte da Carioca, datada de 1836. Segundo historiadores foi a água desta fonte que motivou a localização da cidade por seu fundador Domingos de Brito. Segundo a lenda, quem bebe da água ganha o poder da juventude eterna e a certeza que retornará à cidade.

Não há como negar que mesmo com tantos locais e histórias, Laguna respira Anita. “Anita transgrediu a sua época: estamos falando de uma mulher inovadora, que queria era tocar a boiada com o tio ou ir para a lavoura com o pai, isso quando as mulheres ficavam em casa. Ela lutou ao lado do seu grande amor, principalmente na questão da libertação da Itália nas causas republicanas e foi fiel aos seus objetivos”, enfatiza Thiago Laurindo.

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Quatro caixas d’água de Curitiba (PR) que são referência na paisagem e símbolos históricos

Além de funcionais, reservatórios de água são pontos turísticos de Curitiba e contam a história da urbanização da cidade.

Reservatórios de água podem não ser pontos turísticos comuns, mas na capital paranaense alguns deles merecem um olhar especial. Há os com mais de 100 anos e que seguem em funcionamento, patrimônios tombados e os que têm painel de artistas locais.

O coordenador de Patrimônio Histórico da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Junio Ferreira Lima, ressalta quatro reservatórios de água históricos: Carvalho, Alto São Francisco, Batel e Cajuru. Todos, com exceção do Cajuru, seguem ativos. O reservatório do Carvalho tem capacidade para 800 mil m³ de água, o do Alto São Francisco para 6 mil m³ e o do Batel tem capacidade para 16 milhões m³. Além de funcionais, cada um deles tem características arquitetônicas que convidam a um olhar mais atento.

Alto São Francisco

O reservatório São Francisco, inaugurado em 1908, foi tombado como patrimônio cultura do Paraná. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Uma caminhada pela região do Centro Histórico de Curitiba permite conhecer o maior reservatório de água da cidade. A construção foi tombada em 1990 e é cercada por jardins com desenho de inspiração art noveau. No local também há um chafariz e um característico edifício que abriga a antiga casa de máquinas. O reservatório propriamente dito é subterrâneo, com pilares de fundação e teto de abóbodas e arcos.

Álvaro de Menezes e Octaviano Machado de Oliveira foram os dois engenheiros responsáveis por projetar o sistema, inaugurado em 1908. Em uma ponta do sistema está o conjunto dos Mananciais da Serra, que compreendia 17 caixas coletoras localizadas nas bacias do Rio Caiguava e Litorânea e o reservatório do Carvalho. Na outra ponta, está o reservatório do Alto São Francisco que recebia o líquido vindo do reservatório do Carvalho depois de percorrer os 38 quilômetros de adutoras que ligavam as duas construções. A água vinda do reservatório do Carvalho e armazenada no reservatório do Alto São Francisco abastecia a Curitiba do início do século 20 com cerca de 35 mil habitantes.

“Esse reservatório também tem importância estratégica para o abastecimento da cidade”, comenta o coordenador de Patrimônio Histórico da Sanepar. O Alto São Francisco é responsável por levar água para toda a região central de Curitiba e outros 16 bairros do entorno, abastecendo cerca de 600 mil pessoas.

Carvalho

O reservatório do Carvalho integra o primeiro sistema de abastecimento de água de Curitiba e é aberto para visitação do público. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Parte do primeiro sistema de abastecimento de água de Curitiba, o reservatório do Carvalho tem beleza histórica, construído com pedras exclusivas da região. Localizado aos pés da Serra do Mar, o local conta com paisagem natural e possibilidade de visitação pública, organizada uma vez por mês pela Sanepar.

Em 1950, o reservatório do Carvalho deixou de funcionar em sua totalidade. Das 17 caixas coletoras, apenas uma, a do Rio Carvalhinho ainda alimenta o Reservatório do Carvalho.

Atualmente, esse reservatório abastece uma aldeia indígena nas proximidades e o restante da água é incorporada na barragem do Piraquara que ajuda a abastecer Curitiba e a região metropolitana.

Batel

No Batel, o antigo reservatório de água ganhou um painel do artista André Mendes. Foto: Ike Sthalke/Sanepar

Até 1908, o sistema composto pelo reservatório do Carvalho e do Alto São Francisco conseguia abastecer toda a população de Curitiba, mas no final da década de 1920 o poder público começou a estudar sua ampliação. Inaugurado em 1928, o reservatório de água do Batel não conta com apelo arquitetônico como o do Alto São Francisco e seu belo jardim. “Ele é mais funcional”, opina Lima. O reservatório atende principalmente a região do Batel, Bigorrilho, Campina do Siqueira e São Braz.

Em 2003, foi construído um anexo, um reservatório maior, e colocado um painel do artista curitibano André Mendes que traz um apelo estético à construção histórica.

Cajuru

Mesmo desativado, o reservatório do Alto da XV serve como ponto de referência para os moradores de Curitiba. Foto: Brunno Covello/Sanepar

Desativo entre 1999 e 2000, o reservatório elevado que fica no Alto da XV (chamado oficialmente de Cajuru) foi construído em um estilo art déco, com linhas retas e sem muitos detalhes. “Observamos o uso de linhas mais retas, sem tanta beleza arquitetônica e mais funcional”, comenta Lima.

O reservatório do Cajuru também foi construído quando os mananciais da serra passaram a não ser suficientes para o abastecimento de Curitiba. Na década de 1940, iniciou-se o estudo para ampliação do sistema Tarumã, composto pela captação no rio Iraí, a estação de tratamento de água Tarumã e o reservatório que hoje é conhecido como “caixa da água do Alto da XV”.

Por Haus

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo




Imóveis históricos sofrem com falta de ocupação e uso em Fortaleza (CE)

Foto: Helene Santos

Construções de décadas atrás, tombadas ou não, guardam importantes traços do passado da cidade, mas padecem com não utilização e vulnerabilidade. Leia mais…

Por Vanessa Madeira

Fonte original da notícia: Diário do Nordeste




Florianópolis (SC), cidade que preserva sutilezas urbanas

Um exemplo é o pacato bairro do José Mendes, uma extensão do Centro que já teve até fábrica de refrigerantes.

Uma das praias do José Mendes: sem banho de mar, por causa da poluição, mas a pesca continua – Carlos Damião

Apesar do ritmo de crescimento desenfreado, registrado em especial nos últimos 20 anos, Florianópolis é uma cidade que ainda preserva sutilezas urbanas muito interessantes. O Centro Histórico é um exemplo disso, com suas edificações centenárias, a Praça 15, as igrejas de São Francisco da Penitência, Nossa Senhora do Parto e Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, a Catedral Metropolitana, o Mercado Público, a Alfândega, o Palácio Cruz e Sousa, entre outras referências importantes. Os poetas e artistas costumam dizer que nesses cenários resiste um pouco da aldeia que já fomos.

Avançando um pouco, em direção ao Sul da Ilha – pela estrada velha, como dizem os antigos – ainda é possível se surpreender com detalhes de uma cidade tranquila, que aparentemente parou no tempo, por causa de seu perfil urbano menos conturbado e mais tradicional. A menos de dois quilômetros da Praça 15 encontramos um bairro histórico – embora sem patrimônio significativo – cujo nome representa um mistério para os novos moradores e para o público mais jovem. José Mendes é a denominação do lugar, desde o século 18, lembrando a figura de José Mendes dos Reis, um português que era simplesmente o dono de tudo, inclusive da ilha das Vinhas, que fica de frente para a praia. Diz a história que a ilha, de 10 mil metros quadrados, recebeu esse nome porque o dono mantinha ali seus parreirais.

Lugar histórico

A célebre Curva do Madalona, com destaque para o antigo Clube Penhasco (construção arredondada) – Acervo Carlos Damião

Caminho para o Sul da Ilha até a implantação do túnel Antonieta de Barros e da Via Expressa Sul, o bairro José Mendes é pequeno: espalha-se por ruas perpendiculares à principal, José Maria da Luz, entre os bairros da Prainha e do Saco dos Limões. Com cerca de 5 mil habitantes, sua ocupação começou no século 18, quando chegaram à Ilha de Santa Catarina e arredores os imigrantes açorianos que deram início à colonização. Ao longo do século 19 tornou-se uma opção de moradia para famílias de renda mais baixa, em geral ligadas ao comércio e à pesca, atividade que persiste, de forma artesanal.

Mas o José Mendes já teve importância econômica mais destacada, com a instalação, na década de 1960, da fábrica da Coca-Cola, que era administrada por uma empresa chamada Catarinense de Refrigerantes. Desativada há mais de 30 anos, a fábrica passou ao controle de uma empresa do Rio Grande do Sul, que produz a linha de bebidas da Coca no município de Antônio Carlos.

Destaca-se no bairro, ainda, uma edificação que lembra os áureos tempos dos clubes florianopolitanos. Chamado de Penhasco, o prédio tem formato arredondado e oferece aos visitantes uma das vistas mais fascinantes da cidade, talvez a contemplação panorâmica mais bela do pôr do sol. Fica no alto de um ponto da cidade que os mais antigos conhecem como a Curva (ou Volta) do Madalona, logo após o Veleiros da Ilha.

Pequenas praias

Ainda no bairro há um castelinho histórico, das estações elevatórias de esgoto construídas no início do século 20, localizado na Curva do Amadeu, onde começa o bairro seguinte, do Saco dos Limões.

Curiosamente, no passado as pequenas praias do bairro, como a do Curtume (ou Praia do José Mendes) eram frequentadas por banhistas. A poluição da baía Sul, no entanto, tornou o banho de mar proibitivo. O que persiste é a presença de barcos de pesca, abrigados em ranchos ao longo das praias.

Por Carlos Damião

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Dubrovnik/Croácia – Como turistas viraram uma ameaça à cidade de Game of Thrones

Um alerta da Unesco fez Dubrovnik, na Croácia, tomar medidas para conter o excesso de turistas que afeta a conservação de seu centro histórico, que é considerado patrimônio mundial e é cenário de algumas das cenas mais marcantes da série da HBO.

Unesco alertou que excesso de turistas pode trazer riscos à conservação dos monumentos históricos. Foto: Tonci Plazibat

Em “Game of Thrones”, a disputa pelo trono de ferro e a chegada do inverno são grandes ameaças à principal cidade da série, King’s Landing. No mundo real, o perigo é outro.

Em vez de dragões e zumbis, Dubrovnik, na Croácia, onde são filmadas algumas das principais cenas passadas na capital dos Sete Reinos, enfrenta problemas trazidos por hordas de turistas.

O alerta veio no ano passado, após uma inspeção da Unesco no seu centro histórico, conhecido como Cidade Velha. A organização detectou que a expansão do número de visitantes, especialmente aqueles vindos em cruzeiros, gera riscos para a conservação de monumentos e cobrou medidas da Prefeitura.

Cercada pelas águas cristalinas do mar Adriático, a Cidade Velha é considerada desde 1979 um patrimônio da humanidade. Há igrejas, monastérios, palácios e fontes de estilos gótico, resnascentista e barroco, tudo cercado por uma imensa muralha medieval

Esse local já resistiu a terremotos e às bombas lançadas na guerra pela independência da Croácia, no início dos anos 1990. Agora, precisa lidar com um volume insustentável de turistas que chegam à cidade na alta temporada, de junho a setembro, atraídos também por conhecer a locação de sua série preferida.

“A Cidade Velha foi um dos primeiros locais eleitos como patrimônio da humanidade. Antes, não havia tanto turismo, mas, recentemente, houve um grande aumento, especialmente por causa dos cruzeiros, que são cada vez maiores”, diz Mechtild Rössler, diretora do Centro de Patrimônio Mundial da Unesco.

Quantidade x qualidade

Na última década, o número de visitantes mais do que dobrou: de 473,9 mil em 2006 para 1,01 milhão no ano passado, dos quais 748,9 mil vieram dos 529 cruzeiros que passaram pela cidade. Dois anos antes, eram 463 embarcações.

No período de maior procura, Dubrovnik, que tem 42 mil habitantes, chega a ter 25 mil turistas hospedados. A Unesco está trabalhando junto às autoridades locais para desenvolver formas de gerenciar melhor tantos visitantes.

Em janeiro, o então prefeito Andro Vlahusić anunciou um plano. Foram instaladas câmeras para monitorar a entrada e saída de visitantes da Cidade Velha e estabelecido um limite máximo de 8 mil pessoas presentes ali simultaneamente.

“Queremos qualidade em vez de quantidade”, diz o novo prefeito, Mato Franković, que fez carreira na indústria de turismo e assumiu o cargo em junho. Ele diz que o monitoramento já permitiu compreender que a superlotação se dá normalmente entre 8h e 14h, em especial às terças, sextas e sábados.

Franković explica que ainda serão colocadas em prática medidas para reduzir de seis para dois o número de navios que chegam diariamente e estabelecer horários de entrada para excursões, que precisarão ser reservados com antecedência.

Ruas estreitas podem ficar lotadas de visitantes durante a alta temporada. Foto: Amanda Anderson

“Em vez do limite de 8 mil pessoas recomendado pela Unesco, queremos no máximo 4 mil pessoas na Cidade Velha em qualquer momento”, diz o prefeito.

“Dubrovnik é uma das cidades mais bonitas do mundo, e muita gente quer visitá-la. Todos são bem-vindos, mas, se o limite for ultrapassado, será preciso vir em outro dia ou horário.”

Efeito ‘Disneylândia’

De fato, o centro histórico da cidade croata e seu labirinto de vielas medievais é singular. Tem ruas de mármore liso e macio que reluzem com o sol durante o dia e, à noite, brilham na cor âmbar das luminárias de bares e restaurantes.

No fim de tarde, a revoada de andorinhas que toma os céus da cidade nos meses de calor em meio ao pôr do sol cria uma aura quase mágica.

Grande número de cruzeiros que passam pela cidade todo ano é apontado como um dos principais problemas. Foto: Tonci Plazibat

Mas os impactos do turismo podem ser sentidos por quem a visita entre a primavera e o verão do Hemisfério Norte, algo que já rende má fama a Dubrovnik.

Ao planejar uma viagem à Croácia, fui advertido por mais de uma pessoa sobre o problema. “Tem tanta gente que nem vou para lá”, me disse uma turista francesa em Split, cidade mais ao norte na costa croata.

O excesso de visitantes gera um efeito “Disneylândia”. É comum cruzar com excusões enormes. As ruas estreitas ficam lotadas, e parece haver nelas só visitantes – além de vendedores, guias turísticos e funcionários de hotéis e restaurantes.

Dubrovnik na vida real e na ficção; a cidade é locação de ‘Game of Thrones’. Foto: BBC Brasil/HBO

Hoje, há pouco mais de 1 mil pessoas vivendo na Cidade Velha. Eram cerca de 5 mil moradores no início da década de 1990, mas eles venderam suas casas ou as transformaram em acomodações.

“Quando cheguei aqui”, diz Mark Thomas, editor do jornal The Dubrovnik Times, “eu parava para não passar na frente das pessoas que estavam tirando fotografias. Agora, são tantas que eu não conseguiria chegar a lugar nenhum se continuasse a fazer isso.”

“Game of Thrones” tornou-se uma presença difícil de ignorar no centro histórico.

A série passou a ser gravada na cidade em 2011. Atualmente, há lojas inteiras dedicadas ao programa da HBO, e fãs da série fazem tours para conhecer pessoalmente onde foram gravadas cenas-chave, como a escadaria da Caminhada da Vergonha da rainha Cersei, o local do Casamento Púrpura no qual o rei Joffrey morre envenenado e o porto onde se deu a Batalha da Baía de Blackwater.

Ruína ou exagero?

Foram gravadas em Dubrovnik algumas das cenas mais marcantes da série da HBO. Foto: HBO/BBC Brasil

O jornal britânico The Telegraph declarou em uma reportagem recente a “morte de Dubrovnik”, dizendo que superlotação “arruinou” a cidade conhecida como “Pérola do Adriático”.

A reportagem cita o alerta da Unesco ao mencionar que o status de patrimônio histórico da cidade estaria sendo revisto, algo que o organismo internacional nega.

“Até hoje, isso só ocorreu duas vezes, quando os danos aos locais fizeram com que perdessem seu valor histórico”, afirma Rössler.

‘Game of Thrones’ tornou-se uma presença difícil de ignorar no centro histórico. Foto: BBC Brasil

“Há muitas etapas até algo assim ocorrer, e a primeira delas é o alerta, mas não vejo isso acontecendo com Dubrovnik no momento.”

Romana Vlasić, diretora do conselho de turismo da cidade, acredita que esse sinal amarelo chega em boa hora, para fazer a cidade parar e refletir sobre seu sucesso.

“Estamos no nosso limite. Ninguém se sente confortável de andar em uma multidão.”

Prefeitura está tomando medidas para controlar melhor o turismo e preservar a cidade. Foto: Conselho de Turismo/Dubrovnik

Uma estratégia adotada é promover a cidade em outras épocas do ano, fora da alta temporada. “Temos de organizar melhor os visitantes, ajustar o cronograma de cruzeiros, ter navios menores e rever a construção de hotéis, porque mais quartos trarão mais gente”, afirma Vlasic.

“Só assim seremos capazes de mostrar nosso melhor.”

É uma questão delicada para uma cidade em que 70% da economia gira em torno do turismo. O prefeito diz que, por isso, restrições ao turismo demandam cuidado, mas são inevitáveis.

“No curto prazo, vão haver impactos para todos, mas, no futuro, isso vai fazer as pessoas que hoje evitam ou passam rapidamente pelo centro histórico ficarem mais tempo por lá”, afirma Franković, para quem as notícias sobre a ruína de Dubrovnik são um exagero.

“Estamos cientes de que temos um pequeno problema e estamos buscando resolvê-lo. Dubrovnik resiste a adversidades há séculos. Ninguém nunca a destruiu nem o fará.”

Por BBC

Fonte original da notícia: G1




Porto Alegre (RS) – Por trás dos tapumes: veja como estão as obras no Largo dos Açorianos e na Praça da Matriz

Há meses, dois dos pontos mais emblemáticos do Centro estão interditados para receber reparos.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Porto-alegrenses terão de esperar um pouco mais para rever uma parte da história da cidade, atualmente encoberta por tapumes, revitalizada. Em obras há meses, o monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz e o Largo dos Açorianos e ainda dependem de intervenções para serem devolvidos à comunidade. Saiba como andam os trabalhos nos dois locais:

O aspecto ainda é de abandono: o que costumava ser um espelho d’água sob a famosa Ponte de Pedra mais parece uma poça enlameada, e o gramado que o cercava se resume a alguns tufos de vegetação. Mas, pelo menos no calendário da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smams), a obra de revitalização do Largo dos Açorianos já tem data para o fim: fevereiro de 2018.

Iniciados no ano passado, os trabalhos no sítio histórico foram divididos em três blocos: a primeira consistiu em melhorias no Monumento aos Açorianos, e o segundo, no restauro da Ponte de Pedra — ambas já concluídas. A última inclui a revitalização do entorno da ponte, que receberá passeios, esplanadas, piso tátil, bancos de concreto, escadarias e arquibancadas, além do preenchimento do espelho d’água, esvaziado há quase dois anos.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Aparentemente mais simples do que as outras duas fases — o restauro da ponte, por exemplo, exigiu minúcia para preservar as características antigas do monumento —, a terceira etapa tem sido a mais difícil de sair do papel. Um primeiro projeto, feito em 2015, foi descartado pela prefeitura por ser complexo demais. A ordem de início para a obra viável foi dada em outubro do ano passado, com previsão de execução em nove meses. Neste ano, porém, a nova gestão decidiu revisar os contratos, o que atrasou os trabalhos, empurrando a devolução do cartão postal para o ano que vem.

Segundo a Smams, “a necessidade de rebaixar o nível o lago no lado da ponte para resgatar a sua originalidade (deixando aparente os pilares de pedra), bem como preservar suas alvenarias, e a necessidade de manter o nível no lado do viaduto para preservar as redes de infraestrutura existentes, que passam abaixo do lago, definiu parte do projeto”. Atualmente, segundo a pasta, estão sendo realizadas a decapagem e a limpeza do fundo dos espelhos d’água, com retirada do material orgânico, além do envelopamento das redes do Dmae e CEEE, com capas de concreto. A próxima etapa será o reforço do solo.

Quando começou: janeiro de 2016
Valor: R$ 4.680.914,86 (terceira etapa)
Final previsto: fevereiro de 2018

Praça da Matriz

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Uma das obras mais emblemáticas da cidade, o monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz, recebe, desde maio, cuidados que causariam inveja ao mais abastado dos centenários. A estátua, em bronze e granito, passou por um diagnóstico para determinar que tipo de tratamento será feito para recuperar a forma de outros tempos.

Primeira etapa da revitalização da Praça da Matriz, a análise já foi concluída, segundo o PAC Cidades Históricas. O diagnóstico identificou a existência de fissuras e partes corroídas pela ferrugem. Com exceção da figura da República, que terá de ser removida do topo do monumento, os outros problemas serão sanados no local. As intervenções devem ocorrer entre setembro e outubro, quando a equipe do francês Antoine Amarger, responsável pelo estudo, retornará a Porto Alegre para executar o restauro.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Enquanto as obras na estátua não começam, estão sendo realizados reparos no entorno do monumento: o piso de basalto foi substituído, e as escadarias e os guarda-corpos estão recebendo melhorias. Detalhes mais sensíveis, como a recolocação da faixa em mármore (que poderá ser substituído por granito), e a instalação de um material para prevenir rachaduras nos degraus da escadaria só serão feitos após a conclusão das intervenções na parte em bronze, que exigirão o auxílio de andaimes.

A intervenção integra a primeira etapa de obras na Praça da Matriz, que inclui também o restauro das luminárias. Os trabalhos estão sendo realizados com recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do PAC Cidades Históricas. A requalificação do restante da praça deverá ocorrer em 2018, na segunda etapa de obras.

Quando começou: maio de 2017
Valor: R$ 1,1 milhão
Final previsto: novembro de 2017

Por Bruna Vargas

Fonte original da notícia: Zero Hora




São Paulo (SP) – Problemas contemporâneos do Patrimônio Cultural

Programa
Condições especiais de atendimento, como tradução em libras, devem ser informadas por email ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade.
centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

As questões relacionadas ao campo do patrimônio cultural têm ganhado destaque cada vez maior nos debates sobre cidade e cultura. Isto se deve, principalmente por se tratar de um tema que ampliou sua área de atuação. O que antes era um campo restrito a uma parcela da população, vem ganhando espaço em discussões mais amplas. Junto com isto, novos problemas aparecem, solicitando abordagens renovadas a partir de outras perspectivas.

Neste sentido este curso pretende discutir 6 problemas contemporâneos ligados a preservação do patrimônio cultural de forma geral. Serão abordados temas como o da autenticidade, instrumentos de reconhecimento e preservação, turismo e lugares de consciência a partir de discussão de conceitos e apresentação de estudos de caso. O curso pretende construir um debate aprofundado que permita compreender quais os limites e perspectivas de atuação.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Palestrantes

Sabrina Fontenele
Pós-doutorando em História pelo IFCH-Unicamp onde estuda questões como domesticidade, preservação e arquitetura moderna.

Silvio Oksman
Doutor pela FAU-USP, com mestrado (2011) e graduação pela mesma instituição. Desde 1998 desenvolve projetos de arquitetura com ênfase nas questões da preservação de patrimônio cultural.

Eduardo Costa
Pós-doutorando em História pelo IFCH-Unicamp. É arquiteto formado pela Unicamp. Especialista em Cultura Visual, História Intelectual e Patrimônios.

Data
24/08/2017 a 28/08/2017
Quintas, das 14h às 17h.

As inscrições podem ser feitas a partir de 25 de julho às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista – São Paulo.

Valores
R$ 18,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 – inteira

Fonte original da notícia: Sesc São Paulo




Imóveis da Vila Ferroviária de Paranapiacaba (SP) são restaurados

Uma típica vila inglesa, do século XIX, em breve estará de volta, com toda a sua plenitude. Com recursos do PAC Cidades Históricas, diversos edifícios da Vila Ferroviária de Paranapiacaba, no município de Santo André (SP), estão sendo restaurados, promovendo o turismo e a qualidade de vida para a população. No próximo dia 22 de julho, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entrega à comunidade quatro deles: a Casa do Engenheiro (atual Biblioteca); a Garagem das Locomotivas; as Oficinas de Manutenção e o Almoxarifado das antigas companhias férreas.

A data marcada para a entrega coincide com o primeiro dia do XVII Festival de Inverno de Paranapiacaba, um dos eventos culturais mais importantes da cidade. A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, participa da solenidade, que terá início na Garagem das Locomotivas, a partir das 10h, ao lado do diretor do PAC Cidades Históricas, Robson de Almeida, da superintendente do Iphan-SP, Maria Cristina Donadelli, e do prefeito de Santo André, Paulo Serra, entre outras autoridades locais.

Ao todo, as quatro obras de restauração receberam mais de R$ 6,8 milhões em recursos do Governo Federal, por meio do Iphan, e foram executadas em parceria com a Prefeitura Municipal de Santo André. Com as obras, a Garagem das Locomotivas poderá ser utilizada como plataforma de embarque e desembarque do Trem Turístico e apoio ao turista que passa pela Vila de Paranapiacaba. Nas Oficinas de Manutenção das antigas São Paulo Railway Co. (SPR) e Rede Ferroviária Federal (RFFSA) foram implantadas áreas de oficinas, depósito, espaço para formação de mão de obra em restauro e ainda um galpão que será utilizado como museu vivo.

As outras duas obras já haviam sido concluídas e estão em plena utilização desde o ano passado: a restauração do Almoxarifado da Antiga SPR, agora com condições estruturais para sua utilização como restaurante, possibilitando também um melhor atendimento à demanda turística da região; e a restauração da Casa do Engenheiro, que abriga atualmente a Biblioteca Pública local, atendendo cerca de 3 mil usuários por ano, entre alunos das escolas municipais e demais visitantes.

O conjunto de investimentos realizados pelo Governo Federal atua diretamente com os bens materiais protegidos na Vila de Paranapiacaba, que tem toda sua trajetória marcada pela relação com a ferrovia. As intervenções visam, portanto, não só a preservação desses bens culturais, mas sua continuidade relacionada ao desenvolvimento da cidade, promovendo Santo André como polo de turismo para São Paulo. Essa relação é fundamental já que o Expresso Turístico que roda pelo local tem previsão de atendimento de cerca de 10 mil passageiros por ano e a Vila, em si, possui um fluxo anual de 200 mil visitantes.

Uma vila inglesa em São Paulo

No século XIX, com o crescimento da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, determinou-se a construção da Ferrovia Santos-Jundiaí, a fim de facilitar o escoamento da produção. Em seus arredores surgiu, então, a Vila Ferroviária Paranapiacaba, onde se instalaram o centro de controle e residência dos funcionários da companhia inglesa de trens responsável pelo transporte de cargas e de passageiros. A partir dela, surgiram duas povoações: a Vila Velha e a Vila Martin Smith, sendo a primeira resultante de uma ocupação urbana espontânea e a segunda como resultado de um plano urbanístico claro e inovador para a época, com edifícios padronizados e estrutura pré-definida.

Em 2008, a Vila Ferroviária de Paranapiacaba teve seu conjunto urbano tombado pelo Iphan, entendido por sua grande importância histórica e ambiental, como o registro dessa época de forte influência inglesa na região. A Vila constitui um dos únicos exemplares no Brasil de núcleo urbano planejado com uso especializado – Vila Ferroviária. Além de estar inscrita na Lista Indicativa a Patrimônio Mundial pela Unesco, Paranapiacaba também é Núcleo da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo e integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela Unesco como de relevante valor para humanidade.

PAC Cidades Históricas

Pela relevância da Vila de Paranapiacaba, o PAC Cidades Históricas prevê investimentos em outras quatro ações na localidade, para além das já concluídas. Está em execução a maior delas, a restauração de 242 imóveis da Vila Martin Smith, que conta com recursos de aproximadamente R$ 30 milhões. O Programa é uma linha exclusiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinada aos sítios históricos urbanos protegidos pelo Iphan. O PAC Cidades Históricas está presente em 44 cidades de 20 estados, totalizando R$1,6 bilhão em investimentos em 424 ações, objetivando a recuperação e revitalização das cidades históricas brasileiras, a restauração dos monumentos e a promoção do patrimônio cultural, com foco no desenvolvimento econômico e social e no suporte às cadeias produtivas locais.

Fonte original da notícia: IPHAN