UFPA comemora os 390 anos do Ver-o-Peso com roteiro turístico


Roteiro ‘Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém’ será domingo, 26. Interessados podem fazer a inscrição gratuita por e-mail.

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Em homenagem ao aniversário de 390 anos do Ver-o-Peso, comemorado na próxima segunda-feira (27), o Projeto Roteiros Geo-Turísticos da UFPA realiza o roteiro “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém” neste domingo (26). O evento é gratuito e os interessados podem fazer a inscrição pelo formulário online ou pelo e-mail roteirosgeoturisticos@gmail.com até o dia da programação.

O trajeto inicia no Terminal Turístico da Estação das Docas, às 8h30, e passará pelos diversos mercados e ruas que compõem um dos pontos mais característicos de Belém. Nesta edição, o Roteiro passará pelos seguintes locais: Praça do Pescador, Feira do Ver-o-Peso, Pedra do Peixe e Doca do Ver-o-Peso, Mecardo de Peixe, Solar da Beira, Erveiras, Mercado de Carne, Rua XV de Novembro, Igreja e Largo das Mercês, Boulevard Castilho França, Praça dos Estivadores, Praça Pedro Teixeira, Prédio da CDP, Porto e Escadinha do Porto, Estação das Docas e Forte São Pedro Nolasco.

A coordenação do evento orienta que devido o passeio ser todo a pé, é recomendado que os participantes utilizem roupas e calçados apropriados, como tênis, roupas leves e boné. Também é aconselhável levar protetor solar e guarda-chuva ou capa de chuva.

Roteiros
Organizado pelo grupo de pesquisa em Geografia do Turismo da Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, o Roteiros Geo-Turísticos existe desde 2011, com o objetivo de promover roteiros que visam divulgar o patrimônio cultural, material e imaterial de Belém, resgatando a memória sócio-espacial da cidade. Assim, o grupo organiza caminhadas a pé e gratuitas no Centro Histórico de Belém, mostrando sua geografia, história e arquitetura.

No projeto participam estudantes de ensino médio e graduação, além de professores de diversas áreas do conhecimento, como Geografia, História, Museologia, Turismo e Arquitetura. As ações do projeto também ocorrem no município de Cametá e no distrito de Icoaraci.

Ver-o-Peso
Fundado em 1627 com a construção de uma ponte que ligava as duas margens do Igarapé do Piri, o Ver-o-Peso se estabeleceu inicialmente como o ponto de chegada e saída de barcos e navios para o Rio Amazonas ou para o mar. O “local de ver o peso” só foi instituído a partir de 1687, quando o Porto de Piri passou para a economia formal da cidade. O nome foi preservado pela tradição oral por mais de 300 anos.

Com o aterramento do Igarapé do Piri e a construção da doca no início do século XIX, o Ver-o-Peso foi cada vez mais ganhando importância econômica, cultural e social, fazendo parte de eventos significativos para a história de Belém e do Pará. Na virada do século XIX para o XX são construídos o Mercado de Ferro e o Mercado de Carne, que contribuem para a paisagem local e incrementaram as trocas culturais e comerciais, características do Ver-o-Peso.

Serviço: Roteiro Geo-Turístico “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém”, neste domingo (26), às 8h30, no hall de entrada no Terminal Turístico da Estação das Docas (av. Boulevard Castilhos França). Para se inscrever, basta preencher o formulário online. Mais informações pelo e-mail: roteirosgeoturisticos@gmail.com.

Fonte original da notícia: G1 PA




Secretaria de Cultura de Ouro Preto (MG) investiga origem de imagem de Cristo do século 19


Peça foi encontrada em uma gaveta, passa por restauração e vai compor acervo de capela em Ouro Preto. Prefeitura também quer saber quem foi o doador do objeto.

O secretário Zaqueu Astoni mostra o Cristo e a cruz em madeira, encontrados em espaço próximo à capela. (Foto: Beto Novaes/EM/D.A PRESS)

O secretário Zaqueu Astoni mostra o Cristo e a cruz em madeira, encontrados em espaço próximo à capela. (Foto: Beto Novaes/EM/D.A PRESS)

Tempo de quaresma, descoberta e restauração. Uma imagem de Cristo crucificado, do século 19, foi encontrada no Casarão Rocha Lagoa, sede da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio, no Centro Histórico da cidade, e já seguiu para restaurado na Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), vinculada à Secretaria de Estado da Cultura. A peça em madeira, com 50 centímetros de altura, estava dentro de uma gaveta, em meio a outros objetos, num espaço próximo à capela. “Foi uma grande surpresa. A gaveta estava fechada, tudo indica há muito tempo, num local antes usado como almoxarifado. Assim que ficar pronto, vamos pôr a peça sacra no lugar de destaque que merece”, disse, ontem, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, Zaqueu Astoni Moreira.

Segurando o crucifixo com todo o cuidado, Zaqueu explica que há partes quebradas e outras coladas, embora sem a intervenção adequada do trabalho de restauração. O serviço está a cargo do restaurador e professor da Faop Sílvio Luiz Rocha Vianna de Oliveira, responsável, com sua equipe, pela recente recuperação das pinturas de São Luís Rei da França e São Eduardo Rei da Inglaterra, do século 18, da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. “Estamos investigando a origem do crucifixo e quem o doou à Secretaria de Cultura e Patrimônio”, explicou Zaqueu, adiantando que o restauro da peça será concluído até a Páscoa. Uma missa de reentronização será celebrada na capela por dom Francisco Barroso Filho, conhecido como dom Barroso e residente em Ouro Preto.

Localizada no térreo do imponente Casarão Rocha Lagoa, a capela vai ganhar iluminação especial e alguns reparos para ser visitada por moradores e turistas e frequentada pelos funcionários. O secretário mostra o teto em policromia, do século 18, doado ao município pelo ex-prefeito e atual secretário estadual de Cultura Angelo Oswaldo.

Cerimônias. O momento não poderia ser mais oportuno para recuperar a peça, já que, em 1º de abril, começam as cerimônias do Setenário das Dores (veja programação), na Igreja de Nossa Senhora das Dores, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro de Antônio Dias. A cada ano, as celebrações solenes da Semana Santa em Ouro Preto se alternam entre essa paróquia (ano ímpar) e a de Nossa Senhora do Pilar (ano par), ambas no Centro Histórico. Em outras cidades mineiras do Ciclo do Ouro, como Sabará e Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, as meditações e rezas das Sete Dores de Maria enchem as igrejas.

Histórico.
O Casarão Rocha Lagoa fica na Rua Teixeira Amaral, ladeira de acesso às igrejas São José e São Francisco de Paula e rodoviária de Ouro Preto. De provável construção datada do fim do século 18, o sobrado recebeu esse nome por ter sido residência, já na segunda metade do século 19, da tradicional família Amaral e Rocha Lagoa, representada principalmente pelo senador Francisco Rocha Lagoa e sua esposa, Amélia Amaral Rocha Lagoa, filha do coronel Francisco Teixeira Amaral.

De acordo com o Inventário de Proteção do Acervo Cultural (Ipac), a mais antiga referência ao imóvel data de 1806. Naquele ano, consta do Livro de Tombos de Terrenos Foreiros a informação de que “Vicência Moreira de Oliveira possuía uma casa na rua da ladeira que segue para a capela de São José”. O documento destaca ainda que a primeira referência direta ao coronel Francisco Teixeira Amaral se deu em 1872.

Setenário das Dores
Confira a programação

» Ouro Preto
Local: Igreja de Nossa Senhora das Dores, no Centro Histórico
De 1º a 7 de abril, às 19h, com a participação do Coral Pio X

» Santa Luzia
Local: Paróquia Santuário de Santa Luzia, no Centro Histórico
Segunda-feira, às 17h – Mutirão de confissões na Matriz
Dia 1º de abril, às 19h – Missa solene de abertura do Setenário de Nossa Senhora das Dores
Dia 2, às 19h – Primeira Dor (Profecia de Simeão), seguida de missa
De 3 a 8, às 19h30 – Meditação e reza de Nossa Senhora das Dores

» Sabará
Local: Igreja de São Francisco, no Largo de São Francisco, no Centro Histórico
De 2 a 8, às 19h, com participação da Orquestra Santa Cecília na abertura e no encerramento. No dia 8, haverá a procissão do Depósito de Nossa Senhora das Dores, em direção às Mercês
Local: Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na Praça Getúlio Vargas
De 2 a 8, às 19h

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Detentos de Ouro Preto (MG) trabalham na conservação do patrimônio


Após passar por treinamento, detentos atuam na conservação do patrimônio, iniciativa que permite a redução das penas e lhes abre portas para refazer a vida na cidade.

Reeducandos roçam jardins do Casarão Rocha Lagoa, numa parceria que diminui os dias passados na prisão e garante economia para a cidade. (Foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Reeducandos roçam jardins do Casarão Rocha Lagoa, numa parceria que diminui os dias passados na prisão e garante economia para a cidade. (Foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Quando sair da cadeia em maio, S., de 35 anos, pai de uma menina, sabe que vai enfrentar o preconceito da sociedade e receber olhares enviesados de muita gente ao revelar que pegou quatro anos por praticar assalto. Mesmo assim, ele pretende conseguir um emprego e ter vida nova na cidade onde nasceu e cumpre pena em regime semiaberto. “Quero trabalhar, ficar por aqui. Espero que as pessoas confiem em mim, me deem oportunidade, um emprego”, diz o detento, deslizando com precisão a roçadeira sobre o gramado do jardim do Casarão Rocha Lagoa, sede da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio. A exemplo de S., mais oito presos, no mesmo regime, participam do Programa de Liberdade de Assistência ao Encarcerado (Prolae), que lhes deu a chance de aprender um ofício e, agora, de atuar na preservação de monumentos históricos de Ouro Preto.

A iniciativa da prefeitura local foi idealizada em janeiro, quando o país fervilhava com as rebeliões nos presídios do Amazonas e Rio Grande do Norte, que deixaram dezenas de mortos e um clima de insegurança nacional. “Enquanto o Brasil discute a questão carcerária, pensamos na ressocialização e na dignidade humana. Ouro Preto, assim, dá o exemplo com uma ação positiva do reeducando na cidade onde vive. Esses homens foram capacitados, ganharam experiência e poderão ter uma carta de apresentação”, conta o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira.

O secretário explica que, ao assumir o governo, a nova administração encontrou os cofres públicos vazios e uma dívida alta: “E, aqui, os jardins degradados, tomados pelo mato. Foi então que procuramos o Poder Judiciário e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para, em caráter excepcional, fazer uma parceria e absorver os detentos do Prolae, programa vinculado à direção do presídio de Ouro Preto. Tudo isso só foi possível, acrescenta, graças ao empenho do Executivo municipal e do irrestrito apoio da direção do presídio e do Prolae, da Vara Criminal e da Promotoria de Justiça. “As autoridades envolvidas foram sensíveis às dificuldades enfrentadas pelo município e apoiaram a proposta”, diz Zaqueu.

Sem recursos para faxina geral em monumentos que fazem a beleza da cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, os presos começaram a trabalhar no início do mês passado e seguem nessa lida até maio, cuidando ainda do prédio histórico da Secretaria Municipal de Assistência Social, doado pelo Barão de Camargos, no Bairro Passa-Dez, e outros de relevância. “O serviço inclui limpeza e jardinagem e os custodiados estão fazendo tudo muito direito. Nenhum deles veio obrigado e sim de forma voluntária”, explica Zaqueu.

Orgulho. O grupo de presos, sob a supervisão de um funcionário da prefeitura local, cumpre jornada diária de oito horas, durante cinco dias da semana, recebe alimentação e transporte fornecidos pela prefeitura e, para cada três dias trabalhados tem remição de um dia na pena. “Todos os internos foram selecionados pela direção do Presídio de Ouro Preto”, observa o secretário. O prefeito Júlio Pimenta (PMDB) se mostra satisfeito com o resultado, exibe com orgulho, na tela do celular, a repercussão nas redes sociais e planeja o próximo passo, dentro do Prolae: o emprego dessa mão de obra no restauro de bens tombados. A intenção é firmar um convênio para tornar o programa prática contínua.

Com uniformes diferenciados dos da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi)/Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), comprados pela prefeitura a pedido do MPMG e da Justiça, os presos se deslocam pelo gramado e jardins do casarão, que se alonga por uma encosta, com muros de pedra seculares dando sustentação. “Estamos planejando uma iluminação especial para que moradores e visitantes conheçam esse patrimônio de Ouro Preto. A vista daqui é muito bonita, podemos ver igrejas, casarões, o Museu da Inconfidência e outras construções dos tempos coloniais”, adianta Zaqueu. Ele lembra que, no Prolae, os reeducandos têm uma série de atividades e cuidam de um viveiro de plantas.

No fim da manhã, o preso S. continua sua tarefa e daqui a pouco vai parar e seguir para o almoço. “Já trabalhei antes de ser preso. Acho que este programa é um exemplo para o Brasil”, afirma com a voz baixa. Interno há quatro anos dentro de uma sentença de 10, por tráfico de drogas, W., de 28, cuja mãe mora em Belo Horizonte, está certo de que o trabalho “distrai a mente, o que para nós é muito melhor”. E afirma que “ninguém fica no crime para sempre”. Seguindo para a refeição, ele acrescenta. “Este aqui é um bom jeito de recomeçar, pois há muito para fazer”.

Histórico. O Casarão Rocha Lagoa fica na Rua Teixeira Amaral, ladeira de acesso às igrejas São José e São Francisco de Paula e rodoviária de Ouro Preto. De provável construção datada do fim do século 18, o sobrado recebeu esse nome por ter sido residência, já na segunda metade do século 19, da tradicional família Amaral e Rocha Lagoa, representada principalmente pelo senador Francisco Rocha Lagoa e sua esposa Amélia Amaral Rocha Lagoa, filha do coronel Francisco Teixeira Amaral.

Conforme o Inventário de Proteção do Acervo Cultural (Ipac), a mais antiga referência ao imóvel data de 1806. Nesse ano, consta do Livro de Tombos de Terrenos Foreiros a informação de que “Vicência Moreira de Oliveira possuía uma casa na rua da ladeira que segue para a capela de São José”. O documento destaca ainda que a primeira referência direta ao coronel Francisco Teixeira Amaral se deu em 1872.

O que diz a lei  – Benefício por trabalhar

A Lei de Execução Penal (7.210/84) dispõe sobre a remição de parte do tempo de cumprimento da pena por estudo ou trabalho. O inciso um do artigo 126 assegura ao condenado no regime fechado ou semiaberto que um dia da pena será descontado para cada 12 horas de frequência escolar (ensinos fundamental, médio, profissionalizante, superior ou de requalificação profissional) divididas, no mínimo, em três dias. Já o inciso dois garante o desconto de um dia a cada três trabalhados. Por sua vez, o artigo 127 determina que, “em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até um terço do tempo remido (…), recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar.”

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Lisboa (Pt) – Passar uma borracha na memória da capital


A loja de confecções Paris em Lisboa está na Rua Garrett desde 1888.

A loja de confecções Paris em Lisboa está na Rua Garrett desde 1888.

Lisboa deixou-se seduzir pela massificação do turismo. O patrimônio cultural da cidade, servido através de lojas cuja história alimentou o próprio ADN da baixa lisboeta e pela realização de ofícios que a globalização não permitiu que vingassem, está a ser apagado para dar lugar à primeira necessidade dos turistas: o alojamento.

A erradicação do patrimônio vivo que caracterizou a baixa de Lisboa, desde o Chiado à Rua Augusta, passando por várias artérias conhecidas pelos artífices que em tempo as ocuparam e de cujo labor resultaram os topônimos, deriva da aplicação de políticas que menosprezam quem vive e trabalha na capital, em detrimento de grandes interesses privados.

A todas as lojas e emblemáticos restaurantes que encerraram nos últimos anos – a cada dia que passa surge a notícia de mais um desaparecimento – faltou uma verdadeira política de urbanismo.

A Lei do Arrendamento criada pelo governo do PSD e do CDS-PP, com a então ministra Assunção Cristas a assumir a responsabilidade direta, e o excesso de licenciamento para a construção de hotéis por parte do Executivo de Fernando Medina na Câmara de Lisboa, têm sido uma boa alavanca para despejar a cidade do comércio histórico.

Seja porque as rendas aumentaram de forma exponencial, porque os contratos de arrendamento não foram renovados ou porque fundos imobiliários estrangeiros, enquanto proprietários, resolveram mandar embora os inquilinos a fim de realizarem as obras que têm dado origem a hotéis, vários espaços comerciais não têm encontrado alternativa a encerrar para sempre. Os emblemáticos Café Pirata, na Praça dos Restauradores, e a loja de confecções Paris em Lisboa, no Largo do Chiado, são os mais recentes casos em risco.

A aposta no turismo, que tem vindo a consolidar-se como «indústria» – notícias recentes apontam uma nova subida em 2017 –, não pode desmerecer nem desvalorizar o tecido social, econômico e cultural da cidade. De resto, a massificação do turismo e da uniformização das componentes endógenas coloca em risco a sua própria existência.

Urge travar as políticas que levam a vida das zonas históricas da cidade, e implementar medidas de desenvolvimento e prosperidade para quem cá vive e trabalha.

Fonte original da notícia: Abril




Prédios marcantes do Centro de Manaus (AM) estão entregues às baratas


O que se vê ao ficar em frente a esses monumentos é muito mato, tapumes e estruturas de aço, concreto, madeira e vidro caindo aos pedaços. 

Fachada do complexo Booth Line, onde também funcionou o TCE. (Fotos: Euzivaldo Queiroz)

Fachada do complexo Booth Line, onde também funcionou o TCE. (Fotos: Euzivaldo Queiroz)

Apesar da promessa  da Prefeitura de Manaus de valorização do Centro Histórico, prédios dos tempos  da “Paris dos Trópicos”, importantes para a memória da capital amazonense, alguns inclusive com projeto de revitalização, seguem em ruínas. O que se vê ao ficar em frente a esses monumentos é muito mato, tapumes e estruturas de aço, concreto, madeira e vidro caindo aos pedaços.

O Hotel Cassina, depois Cabaré Chinelo, na rua Bernardo Ramos, é um dos grandes símbolos da degradação do Centro Histórico e de projetos oficiais que não dão certo. O decreto 3.125, de 24 de junho de 2015, na gestão do prefeito Arthur Neto (PSDB), declarou o local “de utilidade pública” para fins de desapropriação e construção de um Centro de Arte Popular. Mas, até hoje, nada foi feito e a estrutura segue correndo risco de desabamento. A Prefeitura não respondeu sobre o andamento do projeto de revitalização do Hotel Cassina.

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O Museu do Porto, no boulevard Vivaldo Lima, é outro monumento histórico que retrata a falta de sensibilidade e respeito pela memória da cidade. O prédio, que contavam com um acervo de peças referentes às atividades portuárias, está desativado há anos devido a disputa judicial. Enquanto isso, algumas das antigas máquinas permanecem expostas na área externa e relegadas a sol e chuva.

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O complexo “Booth Line”,  na antiga Praça Oswaldo Cruz, passa pela mesma situação. O problema é que lá só existe a “casca” das fachadas dos prédios que abrigaram desde lojas de artigos importados, supermercado, a agência de banco, repartição pública e bar e restaurante. A frente do complexo virou um depósito.

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Quem frequentou o complexo na época que havia supermercado e lojas de artigos importados lembra como ele era bonito, agradável e com produtos alimentícios que ainda dão água na boca só de pensar. “Meu pai e minha mãe costumavam nos levar ao Booth Line para tomar sorvete. Havia uma grande variedade de sorvetes. Também tinha umas bolachas importadas deliciosas”, contou o professor Joaquim Filho, 58.

Joaquim  afirma que fica indignado com o descaso das autoridades com patrimônios históricos como o Booth Line. E não é só ele que pensa desta forma, pois mesmo quem nunca viu esses prédios em pleno apogeu fica revoltado ao  ver suas estruturas com sérios riscos. “Não é apenas pela bonita fachada, mas pelas histórias que carregam, que fazem parte da nossa cidade se perdendo”, disse o estudante Vagner Souza, 19.

Personagem: Robério Braga, secretário de Estado da Cultura

O Secretário de Estado da  Cultura, Robério Braga, por sua vez, explicou que o Museu do Porto e o complexo Booth Line são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas são propriedades particulares. “Há um problema judicial entre o Governo Federal e o Porto Privatizado de Manaus quanto à revitalização. Chegaram a discutir comigo a passagem deles para o Estado, pedi para fazerem um inventário, mas não tive mais retorno. Isso faz uns quatro anos”, contou.

O secretario lembrou que, no governo  Amazonino Mendes, foi feito um projeto para revitalizar do Hotel Cassina, o Estado pagou inclusive por sua desapropriação. Mas, no início da atual gestão municipal, a prefeitura pediu o projeto para fazer a restauração, o governo estadual lhe passou o prédio, mas nada foi feito até agora. “Não se sabe o porquê”.

Lojistas questionam obrigação

Se não bastassem os monumentos históricos abandonados, ajudando a consumar parte da história de Manaus, outros prédios, também situados no Centro, foram obrigados a retirar fachadas, como acontece nas ruas Henrique Martins e Lobo D’Almada. Quem vê as estruturas sendo quebradas pergunta se a ação foi autorizada por algum órgão. Os lojistas alegam que as mesmas sempre fez parte do imóvel.

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Para o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), porém, isso não é verdade. O órgão informou que atua na regularização de engenhos e fachadas no Centro Histórico, atendendo legislação municipal e federal em vigor e desde 2008 é realizado um trabalho permanente para despoluição visual do Centro Histórico, tendo como base o Manual de Placas, decreto-lei usado para nortear os engenhos de áreas de interesse de preservação histórica.

Após as ações de engenhos, se passou a atuar para promover a recomposição de fachadas históricas, sendo notificados os imóveis com marquises irregulares e em desconformidade com a fachada original e vãos, incluindo retirada de aparelhos de ar condicionado e compressores. Os donos recebem prazos para os devidos ajustes. Esse é um trabalho de rotina da Gerência de Patrimônio Histórico (GPH), sempre com base na lei.

A gerência aprova, conforme pedido, colocação de lonas do tipo retrátil, desde que haja interesse do proprietário. Em muitas lojas do Centro elas existem e são usadas nos períodos de chuva, para ajudar na proteção de pedestres e consumidores.

De acordo com o órgão, cinco lojas foram notificadas este ano para atender o Plano Diretor da cidade, para retirada de tubulação de ar condicionado, painéis irregulares e marquises que avançam sobre os logradouros e demais estruturas irregulares, que tanto cobrem fachadas históricas quanto muitas vezes provocam goteiras e água jogada nas calçadas.

O prédio citado estava com a fachada em situação irregular. Os proprietários também são sensibilizados a melhorar suas fachadas, o que embeleza a cidade de modo geral. Na avenida Eduardo Ribeiro, por exemplo, o Implurb teve ano passado 98,3% de adequações realizadas. De 122 unidades, 104 se adequaram. “Arrumar as fachadas é como cuidar da sua casa, deixar ela mais atrativa e bonita até mesmo para o comércio”, explicou a arquiteta do GPH, Carolina Azevedo.

Por Silane Souza

Fonte original da notícia: A Critica




Primeira casa de espetáculos da PB, teatro de Areia está abandonado


Teatro Minerva, na cidade do Brejo paraibano, tem fortes sinais de desgaste. UFPB e Secretaria de Cultura se desencontram sobre gestão do local.

Reprodução.

Reprodução.

Conhecida pelas riquezas históricas, a cidade de Areia, no Brejo paraibano, tem um de seus mais importantes espaços culturais ameaçado pelo abandono. Com sinais de desgaste por falta de manutenção, o Teatro Minerva não abre mais ao público. Por motivos de segurança, ensaios e apresentações estão proibidos na casa de espetáculos mais antiga do estado.

Inaugurado em 1859, o teatro foi construído no estilo barroco. Segundo os moradores, há pelo menos dois anos, os problemas começaram a aparecer. Por fora, a fachada está suja e cheia de manchas. A calçada, que passou recentemente por uma obra de restauração, teve parte dos ladrilhos retirada depois que um caminhão estacionou em cima.

Por dentro, as 53 cadeiras na plateia até estão conservadas, mas o palco ficou praticamente sem tablado. “Nós temos vários visitantes. Temos da criança ao idoso. Não pode subir no palco como antigamente, porque a estrutura não está legal. Então, se uma criança ou um idoso sobe, a escada também não é firme. Não tem condições”, diz a atriz Fran Santos.

O teto, sustentado por colunas, está comprometido por cupins. Os moradores temem que o prédio histórico venha a desabar.

Diante da situação, os ensaios no prédio foram suspensos. “O novo diretor do teatro pediu que a gente parasse por causa da estrutura. E aí impossibilitou todos os grupos e atores de ensaiar aqui. Eles disseram que ia ter uma reforma, que não teve até hoje”, conta o ator Tarciano Tangram.

‘Toda a sociedade de Areia frequentava’
O aposentado Josué de Lima não esconde a tristeza ao ver a situação do teatro. Quando chegou à cidade, em 1982, trabalhou como porteiro e encarregado da limpeza do local.

Nos dias de folga, tocava sanfona com um grupo que se apresentava no teatro. Um passado que, para ele, não deve voltar. “Se pudesse voltar tudo o que era antigo, do jeito que ele [o teatro] era. Agora, está difícil”, lamenta.

A dona de casa Marília Perazzo, que mora em frente à casa de espetáculos, também guarda lembranças das peças e shows que viu no local. “Toda a sociedade de Areia frequentava, fazia festas no teatro. Hoje não tem mais nada, está precisando muito de socorro. É um descaso total. A cultura tem que sobreviver”, comenta.

Sem gestão
O Teatro Minerva era administrado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que informou que o contrato com o governo estadual foi encerrado no ano passado e, desde então, não é responsável pela gestão do teatro.

A reportagem procurou o secretário de Cultura, Lau Siqueira, que disse que não foi informado pela UFPB sobre o encerramento do contrato, mas que vai conversar com a reitoria para saber se há interesse em renová-lo. Caso contrário, ele afirmou que tentará angariar recursos para promover a reforma do prédio.

Fonte original da notícia: G1 PB




Ouro Preto (MG): restauro devolve cor original à Matriz de Nossa Senhora da Conceição


Restauração do templo no Centro de Ouro Preto devolve à igreja o tom amarelo-ocre. Obra deve ser concluída em maio.

foto: Beto Novaes/EM/D.A Press Detalhe: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press -14/2/13

foto: Beto Novaes/EM/D.A Press Detalhe: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

Nestas férias de verão, quem visita Ouro Preto encontra uma novidade que enche os olhos pela beleza, tranquiliza o espírito diante da restauração e valoriza ainda o conjunto arquitetônico da cidade, tombada pela União e reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Depois de décadas com um tom avermelhado, meio puxado para o rosa, devido ao tempo, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Matriz de Antônio Dias, no Centro Histórico, exibe uma cor bem diferente, “velhinha em folha”, como brincam alguns especialistas: amarelo-ocre, seguindo o padrão de outras centenárias, como as de São Francisco de Paula, Santa Efigênia, Mercês de Baixo e Mercês de Cima.

O impacto é grande, principalmente para aqueles acostumados com a antiga tonalidade, que se misturava às cores do casario dos séculos 18 e 19 e pouco sobressaía na paisagem barroca. Segundo a superintendência em Minas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), não se trata simplesmente de uma alteração de cor. Os técnicos informam que foi feito o resgate do padrão cromático preexistente obtido a partir de análises técnicas, entre elas prospecções cromáticas, iconografia histórica e relatos da própria comunidade de Antônio Dias.

Em nota, os técnicos afirmam que é “curioso registrar que o padrão cromático resgatado já podia ser facilmente identificado antes das obras. Na cúpula das torres, por exemplo, o amarelo- ocre já se encontrava exposto após a perda e desgaste da camada de pintura superficial pela ação direta das intempéries”. Em todo o processo de preservação, os restauradores do Iphan ouviram sugestões de moradores da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Nesse templo do século 18 está sepultado o “mestre do barroco” Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814).

O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Antônio Dias, Gerson Honório, confirma que a escolha da cor foi discutida com a entidade. “Ficou ótima. Com o tempo vai desbotando, como ocorreu com as outras, mas o mais importante é que a igreja está sendo restaurada. No início, as pessoas podem até estranhar um pouco, pois a pintura está nova, mas depois de acostumam, afinal, esse era o tom original dela”, afirma Honório.

Moradora da Rua Santa Efigênia, a aposentada Marta Cordeiro, de 58, “nascida e criada aqui”, conforme faz questão de destacar, diz que a matriz ficou mais “majestosa”. Todos os dias, ela vê a igreja de sua casa, e diz que não chegou a conhecê-la nessa tonalidade. “Lembro-me de que era ocre com portas vermelhas, depois pintaram de vermelho. O pessoal do Iphan afirmou que é um resgate, então, quem somos nós para discutir com quem entende? Para mim, Ouro Preto é bonita de qualquer jeito. Até se passassem tinta preta eu acharia bonito”, brinca.

Restauro. A expectativa é de que ainda neste semestre, possivelmente em maio, depois de longa espera por parte dos moradores de Ouro Preto e defensores do patrimônio, o restauro da Matriz de Nossa Senhora da Conceição seja concluído, e as portas do templo do século 18 abertas à visitação. Em entrevista ao Estado de Minas, no início do mês, durante as comemorações dos 80 anos do Iphan, a superintendência da autarquia federal em Minas, Célia Corsino, adiantou que, tão logo terminem os serviços, será iniciado o restauro dos elementos artísticos da igreja. A obra tem recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

Segundo pesquisa publicada no portal da Prefeitura de Ouro Preto, a história do templo começa por volta de 1699, quando foi elevada, a mando do bandeirante Antônio Dias, uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Em 1705, foi instituída a primitiva matriz de Nossa Senhora da Conceição, sofrendo provavelmente modificações e acréscimos para se adaptar à nova função. O rápido crescimento da população do antigo Arraial de Antônio Dias fez com que os moradores, em 1711, exigissem a construção de um novo templo, o que ocorreu em 1724.

Em 1727, foi iniciada a construção da atual matriz, cujo projeto é atribuído a Manoel Francisco Lisboa. Os trabalhos iniciados antes da Matriz do Pilar seguiram em ritmo mais lento até 1756, quando se inicia a talha da capela-mor e posteriormente as obras de pintura e douramento. Os altares da nave são bem mais antigos, podendo incluir, como no caso da Matriz do Pilar, peças remanescentes da primitiva. A decoração interna da nave é atribuída também a Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. Já a talha da capela-mor é atribuída a Jerônimo Félix Teixeira e Felipe Vieira, discípulos de Noronha e Xavier de Brito, daí sua afinidade com a Matriz do Pilar.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: em.com.br




Depredações em Vila Velha (ES) geram prejuízo de mais de R$ 50 mil


Gasto foi registrado entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Na troca de placas e semáforos foram gastos R$ 38 mil em 2016.

Pichações em Vila Velha. (Foto: Divulgação/PMVV)

Pichações em Vila Velha. (Foto: Divulgação/PMVV)

A depredação de patrimônio público em Vila Velha, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017, gerou prejuízos de R$ 55,5 mil aos cofres da cidade. Placas, semáforos, academias populares de ginástica e outros patrimônios estão constantemente precisando passar por reparos, segundo a prefeitura.

Um levantamento preliminar apontou que somente em 2016 foram gastos R$ 38,2 mil na substituição de placas e semáforos, por causa de vandalismo. Em 2015, foram gastos R$ 46,6 mil. Já nas três semanas de 2017, o custo da depredação chegou a R$ 2,3 mil.

As 28 academias de ginástica públicas do município também sofrem com a depredação. Mas a prefeitura mantém um contrato para manutenção corretiva e preventiva dos equipamentos municipais.

Das 75 praças do município que contam com equipamentos para exercício físico, 18 foram revitalizadas nos anos de 2015 e 2016. Nesse caso, a depredação normalmente é vista nos balanços, escorregadores, gangorras e equipamentos. Em 2015 foram gastos pouco mais de R$ 15 mil em manutenção das academias.

Patrimônios históricos
Os monumentos históricos também são alvo de depredação. Mas, segundo avaliação do subsecretário municipal de Cultura, Eliomar Mazoco, a preocupação maior é com a Igreja do Rosário, na Prainha, em Vila Velha, que foi pintada recentemente por causa de pichações e, agora, precisa ser reaberta. Mesmo assim, Mazoco avalia que o impacto da depredação nos monumentos históricos ainda seja muito pequeno.

O registro de depredação é relativamente pequeno na Casa da Memória, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Museu Homero Massena e Academia de Letras de Vila Velha, todos no sítio histórico da Prainha.

Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Esporte, Cultura e Lazer, o Teatro Municipal, no centro da cidade, é o que mais está sujeito à depredação, em função do número de moradores de rua que ocupam o local.

Quanto ao Forte Piratininga, no interior do 38° BI, e o Farol de Santa Luzia estão sob a guarda de militares do exercito e da marinha.

Já a estação Santa Leopoldina, que pertence ao IPHAN, a prefeitura tem interesse na gestão do patrimônio histórico para estudar a possibilidade de transforma-lo em um Centro  Educacional com cursos livres e atividades culturais.

Fonte original da notícia: G1 ES




Centro histórico de Perdões poderá se tornar patrimônio de Minas Gerais


Cidade possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. Moradores querem preservação, mas se preocupam com futuro delas.

Casarões históricos de Perdões podem se tornar patrimônio do Estado. (Foto: Reprodução EPTV)

Casarões históricos de Perdões podem se tornar patrimônio do Estado. (Foto: Reprodução EPTV)

O Centro de Perdões (MG) pode se tornar, em breve, patrimônio protegido do Estado de Minas Gerais. O Conselho Estadual de Proteção abriu um processo de estudo para o tombamento do centro histórico do município, que possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência.

O que não falta é história nas construções que fazem parte do centro. O prédio onde hoje funciona o museu municipal e também uma rádio, já foi usado como fórum e até como a cadeia da cidade.

“É bem estranho, a gente chega aqui de manhã, o trabalho começa 5h, por saber que aqui já foi cadeia, a gente fica assim.. mas já acostumou também, já há 17 anos que a gente está trabalhando da emissora e pra gente é um privilégio estar trabalhando na memória da cidade, é um prédio que tem uma estrutura neoclássica, é um prédio muito bonito”, disse o radialista Rodrigo Fidélis.

Construções que, assim como na maioria das cidades, foram surgindo ao redor de igrejas. Uma delas fica no entorno da matriz do Senhor Bom Jesus de Perdões. Um prédio de 1790, que já passou por alterações, mas foi restaurado para recuperar as características originais.

Pelo menos duas décadas antes, os moradores viram surgir a igrejinha do Rosário. Na época, a então matriz de Perdões já chamava a atenção pelo estilo jesuítico.

“Nós tínhamos uma torre aqui na lateral da igreja, uma torre que determinava que essa igreja foi construída no estilo jesuítico, na última reforma descobrimos isso e todo mundo admira a igreja, todo mundo quer estar presente nela porque ela é pequenininha, aconchegante e isso nos faz querer participar dela, estar com ela”, disse o produtor cultural Bruno Costa.

Perdões possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. (Foto: Reprodução EPTV)

Perdões possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. (Foto: Reprodução EPTV)

Para proteger essas igrejas, os casarões e até imagens sacras, o município já fez um tombamento, em 2003, de 12 bens públicos e particulares. Mas agora o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) também está fazendo um estudo para avaliar a necessidade do tombamento pelo estado não só desses bens, mas de todo o centro histórico da cidade.

“O histórico percebeu que Perdões tem um acervo cultural muito grande e importante, e eles decidiram fazer esse estudo de um possível tombamento do centro histórico, o que para nós é muito importante, a gente fica muito feliz com essa notificação. O estado está reconhecendo que a cidade tem um valor histórico interessante”, disse o chefe de sessão do patrimônio histórico da cidade, Amauri Donizetti Leite.

A abertura desse estudo já foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais. Desde então, qualquer alteração nos bens tem que ser informada ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, o Iepha. Entre os moradores, o tombamento divide opiniões. “O Estado que tombou passa a ter direito na casa e os que são herdeiros como ficam?”, perguntou a aposentada Iracema Barbosa Pinheiro.

Quem já mora em uma dessas casas há pelo menos quatro gerações, quer manter a estrutura do mesmo jeito em que ela se encontra.

“Essa casa foi construída pelo meu bisavô, Coronel Joaquim Francisco, que era da Guarda Nacional de Dom Pedro II. Dele passou para minha avó, da minha avó passou para minhas tias e das minhas tias passou para mim, eu já sou a quarta geração que estou com a casa. A preservação é importante porque é a memória da cidade, um povo sem memória não existe”, define a aposentada Olinda Teixeira Macêdo.

Fonte original da notícia: G1 Sul de Minas




Bairros Lagoinha, Carlos Prates e Bonfim viram patrimônio municipal de BH (MG)


Além dos três vizinhos da Região Noroeste, parte da Pedreira Prado Lopes também terá suas memórias e acervo arquitetônico protegidos e preservados.

Vista do alto da Praça 15 de Junho na importante Rua Além Paraíba, no Lagoinha. (Foto: Cristina Horta/EM/DA Press)

Vista do alto da Praça 15 de Junho na importante Rua Além Paraíba, no Lagoinha. (Foto: Cristina Horta/EM/DA Press)

Os bairros Lagoinha, Carlos Prates e Bonfim, na Região Noroeste da capital, foram tombados pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte nesta semana. A justificativa para o tombamento patrimonial é a proteção e preservação do acervo arquitetônico, que é de grande relevância para a história da cidade. O projeto foi aprovado e as iniciativas para sua execução já serão colocadas em prática.

Os bairros escolhidos se situam nas áreas pericentrais de Belo Horizonte e possuem um estilo simples de arquitetura. Construídos por operários que trabalhavam na fundação de Belo Horizonte, esses imóveis preservam histórias de extremo significado para a memória da cidade. Parte da Pedreira Prado Lopes também foi incorporada no tombamento, primeira vez que um aglomerado é reconhecido pelo patrimônio municipal.

As regras para as novas construções nos bairros tombados ainda serão implementadas. A altura dos imóveis, por exemplo, deve ser respeitada para que se preserve também a visibilidade de marcos referenciais e vistas privilegiadas, como a vista da Serra do Curral pelo Bonfim. Outra diretriz apresentada é a restauração dos imóveis que foram reformados clandestinamente e tiveram sua construção original modificada. Eles deverão ser reparados para que haja a recuperação de suas estruturas genuínas.

História
Nos primeiros anos da nova capital de Minas Gerais, a região da Lagoinha serviu como polo de fixação para os imigrantes que não conseguiram se instalar dentro dos limites da Avenida do Contorno. Entre as décadas de 1910 e 1920 lá foi instalado um ramal férreo, que permitiu o desenvolvimento comercial na região e que a transformou em um ambiente de maior sociabilidade, além de se tornar uma zona boêmia.

1971: ano da inauguração do viaduto da Lagoinha, via que dá acesso a região. (Foto: Arquivo EM)

1971: ano da inauguração do viaduto da Lagoinha, via que dá acesso a região. (Foto: Arquivo EM)

Essa característica acabou também desencadeando um estereótipo negativo, de que a Lagoinha era uma região violenta e marginal.

Entretanto, em paralelo com essa “fama”, houve no bairro a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do Ginásio Municipal e do Grupo Escolar Silviano Brandão. Há registros de que antes mesmo da atuação da Comissão Construtora da Nova Capital, na antiga estrada para Venda Nova, hoje as ruas Itapecerica e Formiga, as pedreiras da área já eram exploradas. O bairro do Bonfim abriga o tradicional Cemitério do Bonfim, a mais antiga necrópole da cidade.

Fundado no princípio de 1897, lá se encontram lápides e mausoléus esculpidos por artistas italianos nos mais diferentes estilos. Além do cemitério, observa-se no Bonfim um grande número de residências e prédios comerciais que seguem traços arquitetônicos comuns, o que o distingue de outros bairros de Belo Horizonte. Assim também ocorre no Bairro Carlos Prates, que também é contemplado pelo projeto.

No dia 8 de dezembro, procissões em homenagem a Imaculada Conceição levam fiéis às ruas da Lagoinha em ato de fé. (Foto: Túlio Santos/EM/DA Press)

No dia 8 de dezembro, procissões em homenagem a Imaculada Conceição levam fiéis às ruas da Lagoinha em ato de fé. (Foto: Túlio Santos/EM/DA Press)

Fonte original da notícia: em.com.br