Congonhas (MG) conquista recursos para restauração da Romaria e construção do Teatro Municipal

Congonhas conquistou recursos para mais duas obras do PAC Cidades Históricas. Na sexta-feira, 8, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Kátia Bogéa, e o prefeito Zelinho, assinaram o Termo de Compromisso que garante o repasse de verbas do Governo Federal para a restauração do Centro Cultural da Romaria e a construção do Teatro Municipal. O projeto terá aporte inicial de 2 milhões. A partir de 2018, o valor chegará em mais de 19,5 milhões. A decisão será publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 11. A região da Basílica é o espaço com o maior investimento em requalificação urbana e cultural já realizado em Congonhas.

O trabalho será executado em duas frentes de trabalho, uma para a restauração do Centro Cultural da Romaria e outra para a construção do Teatro Municipal. De autoria do arquiteto Sylvio de Podestá, o projeto prevê a integração do novo Centro Cultural da Romaria e do Teatro Municipal ao Parque Ecológico da Romaria.

A coordenação do PAC Congonhas, ligada à Secretaria Municipal de Planejamento (SEPLAN), irá criar, nos próximos dias, um grupo de trabalho para compatibilizar todos os projetos; organizar o cronograma das obras junto às equipes de arquitetura e engenharia da prefeitura; organizar e preparar os processos licitatórios; criar equipes de acompanhamento e de fiscalização das obras; e planejar as mudanças dos serviços instalados na Romaria.

Em Congonhas, três obras do PAC Cidades Históricas já foram entregues à comunidade: a restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, além da requalificação urbanística da Alameda Cidade Matozinhos de Portugal.

Além dessas, outras ações contempladas pelo programa são a restauração da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, que está em andamento; construção do Parque Ecológico da Romaria, também em andamento; requalificação do adro da Basílica, que está a cargo da superintendência do IPHAN em Minas Gerais; restauração do Cine Teatro Leon, que já tem os projetos arquitetônico e executivo aprovados pelo IPHAN e o de captação de recursos pelo Ministério da Cultura (MinC), e aguarda a fase final de liberação desses recursos pelo BNDES;  e a restauração do Museu da Imagem e Memória e restauração da antiga Câmara Municipal, onde será a Biblioteca Municipal, que também têm os projetos arquitetônicos e executivos aprovados pelo IPHAN e aguardam a liberação dos recursos financeiros.

A requalificação de monumentos históricos e o entorno deles proporciona valorização dos espaços públicos, de referência simbólica, o que confere a estes bens tombados qualidade compatível com a importância do significado deles na vida da cidade.

Investimentos

A região da Basílica será o espaço com o maior investimento em requalificação urbana e cultural já realizado em Congonhas. Na parte histórica as ações contemplam a construção do Museu de Congonhas, restauração dos elementos artísticos da Basílica, restauração da Alameda das Palmeiras, recuperação do muro da Alameda das Palmeiras, construção do Parque da Romaria, instalação da sinalização turística e, agora, a restauração da Romaria e construção do Teatro Municipal.

Além de ter inaugurado a Unidade de Atendimento Primário à Saúde (UAPS) Basílica, o Governo Municipal investiu em infraestrutura urbana, realizando obras de recapeamento na av. Magalhães Pinto, rua Dr. Paulo Mendes, Alto do Cruzeiro, Praça Bandeirantes e em parte da av. Bias Fortes. Também fez a abertura da rua Mariana, ligando-a ao Boa Vista, e revitalizou a Praça do Alto do Cruzeiro.

Outras ações que mudaram a vida da comunidade foram a drenagem realizada no Alto do Cruzeiro, na Praça Bandeirantes e em um trecho da av. Bias Fortes, o calçamento da Estrada do Alto Maranhão e o asfaltamento da estrada de Santa Quitéria.

Fonte original da notícia: Portal de Congonhas




Vestígios arqueológicos dão pistas sobre a pré-história de Belo Horizonte (MG)

Artefatos de pedra e cerâmica resgatados em sítios arqueológicos mostram vestígios de ocupação humana que fazem a história da cidade recuar no tempo entre 500 e mil anos. Estudiosos batalham para resgatar peças do acervo, hoje no Museu Nacional do Rio, e escavações continuam no Horto.

Antônio Gilberto Costa mostra área do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG onde foram feitas as escavações da década de 1940. Foto: Beto Novaes/EM

Qual a idade de Belo Horizonte? Qualquer criança responderá, em um piscar de olhos: 120 anos. Mas se a pergunta incluir a expressão “verdadeira idade”, com certeza muita gente ficará com cara de interrogação. É que a história da que hoje é conhecida como capital dos mineiros vem de muito antes da transferência, em 1897, da sede do poder de Ouro Preto para o primitivo Arraial do Curral del-Rei, sobre a qual foi erguida a cidade; antes até mesmo das sesmarias recebidas, em 1701, pelo bandeirante João Leite da Silva Ortiz. “BH tem um passado desconhecido. Muito antes dos pioneiros, já havia ocupação humana, conforme vestígios arqueológicos encontrados na forma de artefatos de pedra e cerâmica. O grande problema é que esse material foi levado para o Rio de Janeiro e nunca mais voltou”, lamenta o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, também integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), com base em estudos da década de 1940.

Na publicação Arqueologia de Belo Horizonte, de dezembro de 1947, quando a capital comemorava 50 anos, o então presidente da Academia Mineira de Ciências e do IHGMG, professor Aníbal Mattos, escreveu sobre a ancestralidade da capital e registrou em fotografias os vestígios cerâmicos (pedaços de potes de variados tamanhos e rodas de fuso) e líticos (machados, soquetes e bigornas de pedra) provenientes de antigas aldeias indígenas existentes principalmente nas regiões do Horto Florestal, no Bairro Santa Inês, e do Córrego do Cardoso, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste. “Trata-se de um livro precioso”, diz Souza Miranda, explicando que o trabalho foi apresentado em 1938, em BH, e dois anos depois no 3º Congresso Rio-grandense de História e Geografia, em Porto Alegre. Para o especialista, são necessárias políticas para proteger o patrimônio arqueológico da capital.

Na sede do IHGMG, na Praça Raul Soares, Região Centro-Sul da capital, com os olhos atentos sobre o opúsculo (texto impresso de poucas páginas) de Aníbal Mattos, entende-se melhor a “pré-história” de Belo Horizonte, metrópole hoje com cerca de 2,4 milhões habitantes que completa 120 anos de fundação na próxima terça-feira. Mattos escreveu: “São páginas inéditas de uma história que o belo-horizontino ainda não conhecia, e de cuja existência talvez nem suspeitasse”. Entre os achados estavam machados indígenas, conhecidos popularmente como “pedras de raio”.

Em seu texto, o escritor e pesquisador revelou ainda que as melhores peças encontradas pelo doutor Soares de Gouvêa, que trabalhou em escavações na região do antigo Horto Florestal, hoje parte do Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (MHNJB/UFMG), “tinham sido enviadas a Roquette Pinto, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro”. E ressaltou: “Das jazidas arqueológicas que devem ter existido aqui, a mais importante até agora é a do Horto Florestal”.

Luz do Conhecimento. Na avaliação do arqueólogo André Prous, professor aposentado do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG, o material pode ter de 500 a 1 mil anos. Ele também destaca que o passado da capital e a ocupação primitiva são pouco conhecidos dos mineiros. Na sede do Museu de História Natural, onde Prous é pesquisador voluntário, há mais luz sobre a pré-história de BH. O diretor da instituição, o geólogo e professor Antônio Gilberto Costa, conta que uma equipe faz constantes escavações na área da instituição, concentrando as atividades no entorno do Palacinho, construção do início do século 20.

Fotos de peças arqueológicas encontradas entre 1938 e 1947 na região do Horto, em BH, hoje Museu de Historia Natural e Jardim Botânico da UFMG. Foto: Arqueologia de Belo Horizonte, de Anibal Mattos/Reprodução/Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

O professor Gilberto explica que em 2014 esteve no Museu Nacional, no Rio, e conversou com a diretoria sobre o acervo enviado na década de 1940. Com surpresa, foi informado de que ninguém sabia localizá-lo. Dois anos depois, voltou à carga, com objetivo de tentar um comodato para a exposição dos bens, mas até hoje não houve solução. “Continuamos aguardando uma posição do Museu Nacional”, diz o diretor, que está à frente de uma empreitada valiosa: uma exposição, em 2018, sobre a arqueologia em Minas, contando 12 mil anos de ocupações no estado, sendo grande parte do acervo pertencente ao Museu de História Natural da UFMG. “Será muito importante termos na mostra o acervo referente a Belo Horizonte”, afirma o geólogo.

Caminhando pela área verde do museu, o professor Gilberto conta que ao serem encontrados os primeiros artefatos, em 1938, foi nomeada uma comissão para acompanhar os trabalhos e recolher o material. “Houve uma grande sensibilidade dessas pessoas. A questão, no entanto, era onde guardar, já que não havia um museu especializado nessa área na cidade. Assim, as peças foram encaminhadas ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro.”

Hoje, em uma pequena exposição na Sala de Arqueologia Pré-Histórica, podem ser vistos quatro artefatos – lâminas de machado picoteadas e polidas –, da Coleção Anibal Machado, embora sem registro de procedência. Em uma vitrine ao lado, há peças que poderiam ser também vestígios da primitiva ocupação de Belo Horizonte. Mas o diretor da instituição não perde a esperança de mostrar o acervo maior em Minas, mesmo que não tenha sido encontrado um documento formal transferindo as peças para o Rio de Janeiro.

Palavra de especialista

Marcos Paulo de Souza Miranda, promotor de Justiça e integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

Estudos preventivos

“Talvez o melhor presente que os administradores públicos possam ofertar a Belo Horizonte seja a incorporação, na política de licenciamento ambiental e urbanístico da capital, da realização de estudos preventivos de arqueologia urbana para obras que demandem escavações e revolvimento do solo, o que já é praticado em outras capitais do país, gerando informações preciosas. Tal medida teria um enorme alcance preventivo e, seguramente, contribuiria significativamente para a melhor compreensão da extensão do patrimônio cultural da capital mineira, que não se resume a prédios neoclássicos ou ecléticos. É preciso pensar que, mesmo antes do surgimento do Arraial de Curral del-Rei, havia, comprovadamente, presença humana no território de BH, em torno do qual há vestígios arqueológicos que superam 10 mil anos de idade – a exemplo dos esqueletos encontrados na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, e Lapa do Santo, em Matozinhos, além de marcas deixadas por tatus e preguiças- gigantes em paleotocas cavadas em afloramentos ferruginosos como na Serra do Gandarela, nos limites de Caeté e Santa Bárbara, ainda no período Pleistocênico. Como os antigos seres humanos e animais da megafauna extinta não conheciam fronteiras e transitavam por toda a região, certamente percorreram o solo belo-horizontino e aqui deixaram marcas de suas passagens.”

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Salvador (BA) – Elevador Lacerda completou 144 anos na sexta-feira (8)

Construído em 1869, equipamento foi inaugurado em 1873 e é usado como meio de transporte em Salvador. Elevador também um dos principais cartões-postais da cidade.

Elevador Lacerda visto de cima. Foto: Egi Santana/G1

O Elevador Lacerda, um dos principais cartões-postais de Salvador, completou 144 anos na sexta-feira (8), mesmo dia da padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia.

Inaugurado em 1873, o equipamento liga a Cidade Baia à Cidade Alta. Da Praça Cayru, no Comércio, turistas e baianos podem apreciar o equipamento pela parte de baixo. Já da Praça da Sé, na parte de cima, se tem uma das vistas masi bonitas da capital baiana, que mostra o Mercado Modelo, parte da Cidade Baixa e a Baía de Todos-os-santos.

Com construção iniciada em 1869, o cartão-postal da capital baiana foi o mais alto elevador urbano do mundo e o primeiro edifício público modernista no Brasil. Concebido pelo engenheiro Antônio de Lacerda e construído pelo irmão Augusto de Lacerda, inicialmente foi denominado Elevador Hidráulico da Conceição. Isso porque o maquinário contava com uma bomba a óleo movida originalmente por uma máquina a vapor para fazer o transporte de pessoas entre 63 metros de altura. O nome Lacerda – em homenagem ao idealizador – foi concretizado em 1896.

Em 1906, o sistema foi modificado para tração elétrica e, 21 anos depois, a Companhia Linha Circular de Carris da Bahia, empresa concessionária do elevador, passou a ser controlada pela General Eletric. Com isso, uma nova mudança foi realizada: a ampliação do equipamento com a construção de uma nova torre de 73,5m, mais duas cabines e ponte superior de acesso.

A inauguração da estrutura foi feita em 1º de janeiro de 1930. Devido à importância, o ascensor foi tombado como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 7 de dezembro de 2006.

Administrado pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), o Elevador Lacerda transporta cerca de 28 mil pessoas todos os dias, O funcionamento é de 6h às 23h, de segunda a sexta-feira, e das 6h às 22h, aos sábados e domingos. A tarifa custa R$ 0,15. A viagem dura cerca de 30 segundos.

Fonte original da notícia: G1 BA




Justiça manda prefeitura revitalizar praça e reparar museu em Guajará (RO)

Praça do Pioneiros e Museu Histórico são pontos turísticos da cidade. Prazo para cumprir exigências vai até o próximo dia 6, sob pena de multa.

Praça já recebeu alguns ajustes nesta terça-feira, 5. Foto: Júnior Freitas/G1

A Justiça do Trabalho expediu, na última semana, uma ordem judicial determinando que a Prefeitura de Guajará-Mirim (RO) faça a revitalização da Praça dos Pioneiros, situada às margens do Rio Mamoré, e também a pintura e iluminação do Museu Histórico Municipal.

O prazo foi estipulado até às 8h da próxima quarta-feira (6), sob pena de multa pessoal de R$ 1 mil por dia para o prefeito Cícero Noronha (DEM), caso não cumpra as exigências.

A vistoria nos locais foi realizada pelo Juiz da Vara do Trabalho, Carlos Antônio Chagas Júnior, na última sexta-feira (1°).

Na inspeção da Praça dos Pioneiros, o magistrado identificou entulhos, postes quebrados e sem iluminação, bancos deteriorados e o sistema de drenagem fluvial danificado.

Exigências da Justiça do Trabalho

A ordem judicial determina que a Prefeitura faça a limpeza da praça e também a manutenção de toda a estrutura, além de fixar uma estátua de um pajé, que faz parte da história e cultura dos Bois Bumbás Flor do Campo e Malhadinho. A estátua será instalada entre a Locomotiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e o Museu, como parte do acervo turístico da cidade.

Praça de Guajará precisa ser revitalizada, diz decisão. Foto: Júnior Freitas/G1

Já no Museu, a determinação é que o prédio receba uma pintura e também uma iluminação adequada durante o período de festas natalinas.

A ata de inspeção expedida pela Justiça do Trabalho determina ainda que a Polícia Militar (PM) seja notificada para intensificar as rondas ostensivas na Praça dos Pioneiros, principalmente à noite, já que o local tem um grande fluxo turístico na fronteira com a Bolívia.

Posicionamento da Prefeitura

O G1 não conseguiu contato com o prefeito Cícero Noronha porque ele viajou para Brasília (DF), onde participará de alguns compromissos políticos.

Por telefone, o atual vice-prefeito e secretário municipal de saúde (Semsau), Davino Serrath, declarou que a Prefeitura Municipal foi notificada oficialmente pelo Tribunal de Justiça Trabalhista e que vai cumprir a ordem judicial.

Por Júnior Freitas

Fonte original da notícia: G1 Guajará-Mirim e Região



Projeto inédito fará inventário do patrimônio histórico do PR começando por Antonina

Projeto-piloto do MP-PR quer catalogar o patrimônio histórico de Antonina e fortalecer o vínculo do município com sua comunidade.

Foto: Antônio More/Arquivo/Gazeta do Povo

Reconhecer e preservar a história de Antonina ao mesmo tempo em que se fortalece o vínculo do município com sua comunidade. Este é o objetivo do projeto-piloto encabeçado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) em parceria com a FAE Centro Universitário e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Batizado inicialmente de Projeto de Proteção do Patrimônio Histórico de Antonina, ele prevê o levantamento do patrimônio histórico da cidade do litoral paranaense e a realização de ações educativas com o intuito de munir e facilitar o acesso da população às informações sobre as características e a história dos prédios que compõem a cidade onde vivem.

“É uma atribuição nossa a preservação do patrimônio histórico e cultural, que também está prevista na Constituição Federal. Antonina é uma cidade com muitas questões desta ordem, então propus à Doutora Nicole [Mader Gonçalves, ex-promotora de Antonina] que fizesse um projeto-piloto para que nós o adotássemos como ponto de partida de uma atuação mais prática e menos teórica. Ou seja, de não ficarmos apenas naquele fazer pontual, de quando ocorre alguma denúncia”, conta o procurador Alberto Vellozo Machado, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça, de Proteção ao Meio Ambiente e de Habitação e Urbanismo do MP-PR.

Assim, a proposta do projeto é criar uma espécie de arquivo público que liste quais são os prédios/paisagens tombados na cidade e catalogue as informações sobre eles.

“Queremos reconhecer junto com a comunidade quais são as unidades de interesse cultural da cidade para que ela possa saber qual é o seu patrimônio e acompanhar o estado de conservação dele – se os prédios foram ou não restaurados ou se precisam de restauro”, explica a arquiteta e urbanista do Centro de Apoio do MP-PR, Laura Esmanhoto Bertol. “Também vamos investir na educação patrimonial por meio de ações com os alunos e professores das escolas do município”, acrescenta.
Levantamento

O trabalho de campo, que se refere ao levantamento de quais são e do estado de conservação das edificações de interesse patrimonial em Antonina, será realizado em parceria com as universidades. Tendo como base o inventário do patrimônio histórico de Antonina organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Paraná (Iphan-PR), os alunos irão atualizar as informações referentes aos imóveis em disciplinas e projetos de extensão.

“Um dos maiores desafios que temos para formar bons profissionais é trazer o ensino da Arquitetura e do Urbanismo para a prática. Possibilitar aos alunos participarem de um projeto de extensão como este representa um salto muito significativo no seu desenvolvimento [como profissionais]”, avalia a Adriane Cordoni Savi, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAE.

O início dos trabalhos de campo está previsto para março de 2018, após o início do ano letivo. A previsão é a de que até setembro esta primeira etapa do projeto-piloto esteja finalizada para que, então, os dados sejam organizados e disponibilizados à população por meio do site do Ministério Público.

“A intenção também é criar um aplicativo para que as pessoas possam conhecer a história e denunciar casos de abandono do patrimônio histórico”, acrescenta Adriane. “Este banco poderá servir de base de dados do próprio município, do Ministério Público e de órgãos de controle, como a Secretaria da Cultura e o Iphan, para que tenhamos [as informações] e possamos corrigir os problemas”, completa Machado.

Ainda segundo o procurador, e a partir da conclusão das etapas do projeto-piloto de Antonina, a ideia é a de que ele possa ser replicado em outros municípios do estado. “Prever exatamente quais são todos os resultados deste trabalho é um pouco difícil. Mas o desdobramento de um projeto deste só pode ser positivo. Nossa utopia é que ele se torne atividade normal de qualquer Promotoria de Justiça que esteja em face, principalmente, de áreas com patrimônio histórico-cultural mais evidente. É uma meta bem ambiciosa”, afirma o procurador.

Por Sharon Abdalla

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Três Lagoas (MS) – Casarão de 1914 segue em ruínas

Ordem judicial de restauração do prédio que abrigou o Consulado Português, em Três Lagoas, no século passado, não foi cumprida.

Foto: Hugo Leal/JPNews

Dois anos depois de condenada pela Justiça a restaurar um antigo casarão construído no início do século passado, a Prefeitura de Três Lagoas ainda não tem um projeto da obra nem previsão de quando poderá cumprir a sentença. O imóvel abrigou um órgão do Consulado Português, em 1914, um ano antes da fundação da cidade. O prédio de 400 metros quadrados fica na rua Paraíba, no centro.

A sentença de primeira instância saiu em outubro de 2015 e foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em agosto do ano passado. O prazo para elaboração de um projeto de restauração do imóvel venceu há um ano. Agora, o Ministério Público – autor da ação – quer o bloqueio de contas da prefeitura.

O promotor Antônio Carlos de Oliveira disse que pediu à Justiça a execução da sentença, que também prevê multa diária de R$ 5 mil. Não havia decisão sobre o pedido até a tarde de ontem. A área jurídica da prefeitura disse desconhecer o pedido de penhora.

“Não se trata de uma reforma simples. É um restauro, que deve ser feito por mão de obra especializada. O processo de contratação de uma empresa que fará um levantamento do restauro está em fase final. Só depois disso é que saberemos quanto vai custar. Então, será aberto uma licitação para a recuperação do prédio”, disse o diretor de Cultura, Rodrigo Fernandes.

História

O casarão foi construído pelo vice-cônsul de Portugal no Brasil, Teotônio Mendes, pertence à sua família e é cuidado pelo neto Cláudio Mendes Pauliquevis. De acordo com relato feito por ele, ano passado, o prédio era usado para a regularização de documentos de imigrantes portugueses que chegavam ao Brasil e foi usado por autoridades e visitantes estrangeiros até por volta de 1950.

Pauliquevis também disse, na entrevista, que sua família planejava a venda do prédio para se livrar da cobrança de impostos municipais, especialmente o IPTU. A prefeitura descartou a possibilidade de comprar o casarão, avaliado pelos donos em R$ 1,4 milhão.

Para o promotor, o prédio representa “uma parte da história de Três Lagoas e tem uma arquitetura que deve ser preservada”.

As paredes têm rachaduras, portas e janelas de madeira estão quebradas. Detalhes de molduras e linhas da arquitetura se perderam com a ação do tempo.

Desde 2013, uma lei municipal declara o casarão como patrimônio cultural da cidade, sob responsabilidade da prefeitura.

Fonte original da notícia: JP News




Nos órgãos do patrimônio em SP, a ordem é “liberar geral”

Decisões sobre o patrimônio histórico da cidade têm desconsiderado pareceres técnicos.

OFICINA: grupo liderado pelo dramaturgo Zé Celso Martinez tem lutado contra a construção de torres ao lado do teatro. Foto/VEJA.com

Não foi nesta segunda-feira que a construção de duas torres no terreno do Grupo Silvio Santos, ao lado do Teatro Oficina, em São Paulo, foram liberadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). O grupo empresarial e os gestores do Oficina travam uma batalha pelo uso do terreno em que está instalado o teatro, tombado desde 1983.

O tema foi pauta da reunião do Conpresp nesta segunda-feira, mas ficou decidido que o processo não seria votado, após uma série de acontecimentos que colocaram em xeque a credibilidade do conselho para se posicionar sobre o assunto. Tudo que foi discutido na reunião, inclusive, foi considerado nulo pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) havia entrado com mandado de segurança por abuso de poder no Conpresp, porque o direito de representação no conselho não estava garantido.

Isso porque, no dia 8 de novembro, os dois representantes do IAB no Conpresp haviam renunciado a suas cadeiras, porque o modo como as decisões estavam sendo tomadas causavam “estranheza” aos arquitetos, como afirmou o presidente do instituto, Fernando Túlio, durante a reunião desta segunda-feira. Em entrevista a EXAME, o arquiteto Silvio Oksman, titular da cadeira do IAB no conselho, afirmou que o debate estava inviável. “Parecia que os conselheiros já chegavam nas reuniões sabendo como iriam votar”, diz Oksman. Ele também questionou os interesses por trás das deliberações, afirmando que estava inserido num conselho “chapa branca”. “Com um prefeito pró-mercado, as empresas têm conseguido destravar projetos que não tinham conseguido viabilizar em gestões anteriores e derrubar entraves à construção”, diz Oksman.

Na reunião desta segunda-feira, ao falar sobre o processo que envolve o Teatro Oficina, o presidente do conselho, Cyro Laurenza, afirmou que gostaria de apresentar uma nova ideia da construtora Sisan, do grupo Silvio Santos. “A construtora decidiu doar uma faixa de 20 metros do terreno para se tornar espaço público, e doar a parte dos fundos do terreno do teatro para o grupo Oficina”, afirmou. Ele chegou a afirmar que “vamos entregar a você o futuro”, como se falasse pela construtora.

O dramaturgo Zé Celso Martinez, que dirige o teatro, disse que ali já eram “todos cartas marcadas”. Os nove conselheiros, pressionados, mudaram a pauta sem concluir a discussão. Mais tarde, foi informado que Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), órgão da prefeitura que dá assessoria técnica ao conselho, tinha pedido vistas do processo. Às 15h30, foi anunciado que estava anulada a reunião por liminar da Justiça – e qualquer outra que transcorra sem representação do IAB.

O pano de fundo da discussão sobre o teatro Oficina, e sobre outros imóveis tombados na cidade, é o programa de privatização da prefeitura, “o maior da história de São Paulo”, como João Doria voltou a afirmar em evento da revista VEJA nesta segunda-feira. Em agosto, o prefeito se reuniu com o empresário Silvio Santos e com o dramaturgo Zé Celso para discutir uma solução para o impasse.

Que a iniciativa privada pode ter papel decisivo no processo de construção da cidade de São Paulo não há muitas dúvidas. Mas as decisões recentes dos responsáveis por preservar o patrimônio municipal mostram que a ânsia de mudar a cidade tem atropelado as recomendações e os estudos feitos pela própria prefeitura.

Patrimônio em risco

Nas últimas semanas, EXAME investigou como o Conpresp e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) têm deliberado sobre o patrimônio da cidade. Foram ouvidos representantes dos conselhos, especialistas em patrimônio histórico e espaço público e funcionários da prefeitura sobre as decisões do Conpresp e sobre o modus operandi da gestão João Doria (PSDB) para o patrimônio paulistano.

Criado em 1985, o Conpresp é o órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura responsável por deliberar sobre os pedidos de tombamento de bens culturais ou sobre intervenções em bens tombados. Sua composição conta com a participação de nove conselheiros, que representam a administração pública e a sociedade civil, e que são nomeados para mandatos de três anos, com direito à recondução. A credibilidade do conselho tem sido questionada. O próprio DPH tem munido o conselho com pareceres questionáveis, uma vez que estudos elaborados pela área técnica da prefeitura têm sido desconsiderados.

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) também entrou na mira ao aprovar, no dia 23 de outubro, o projeto do Grupo Silvio Santos, rejeitado pelo mesmo conselho em setembro de 2016. A suspeita é de que pressões políticas estejam influenciando decisões que deveriam ser técnicas.

O fato de o Condephaat ter mudado de opinião sem que nenhuma alteração no projeto tivesse sido apresentada fez o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), publicar uma carta aberta intitulada “São Paulo, Patrimônio cultural em risco”, no dia 7 de novembro deste ano, alegando que “as demandas e agendas da preservação do patrimônio vêm sendo colocadas sistematicamente em segundo plano pelos Conselhos, privilegiando pautas de interesses privados”. A carta alerta para o que diz ser “o arquivamento sumário de processos com estudos consistentes das áreas técnicas” pelo Conpresp.

“Os conselhos estão colocando em primeiro lugar o interesse imobiliário, os projetos de governo e os interesses da gestão, em claro desrespeito institucionalizado à paisagem, à cultura e à memória da cidade”, afirmou o arquiteto Fernando Túlio, presidente do IAB em São Paulo.

A única coisa que mudou no intervalo de um ano entre as duas votações foi a constituição do conselho. Em 9 de março de 2017 o governador Geraldo Alckmin, por meio do decreto 62.510, ampliou o participação de órgãos vinculados ao governo no conselho. Foram criadas oito novas cadeiras, sendo uma delas entregue ao Instituto de Engenharia e as outras sete às secretarias de Cultura, Planejamento, Justiça e Habitação, à Procuradoria Geral do Estado, à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e à Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa). Com a mudança, o governo passou a contar com 13 das 30 cadeiras do conselho; quando antes tinha seis de 22. Em nota, a Secretaria de Cultura do estado informou que “o objetivo da mudança foi oferecer ao conselho maior qualificação técnica às decisões de tombamentos e de registro de patrimônio imaterial nas áreas de especialidade desses órgãos”.

“A ideia inicial do governo era reduzir o número de representantes das universidades, mas nós soubemos antecipadamente e protestamos. Então, eles aumentaram a participação do governo”, afirma a arquiteta Sarah Feldman, professora da USP em São Carlos, universidade que ela representou no Condephaat entre 2015 e 2016, e atual representante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no conselho. A mudança foi questionada também pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL), no dia 7 de novembro deste ano, sob a justificativa de que, com a mudança na estrutura, “o Condephaat parece ter mudado seus entendimentos e revisto algumas decisões técnicas e que, em vez de proteger o patrimônio histórico, tem defendido empresas imobiliárias e incorporadoras”.

É a secretaria municipal de Urbanismo e Licenciamento, criada este ano, que dita “as diretrizes para desenvolver e aprimorar as políticas de planejamento urbano da cidade, assim como para analisar e decidir sobre os pedidos de novos empreendimentos”, conforme o site da prefeitura. Procurada, a secretária Heloísa Proença não deu entrevista.

“O clima é de pastelaria” 

À reportagem, foi relatado por funcionários da prefeitura que os membros da gestão Doria que passaram a comandar as equipes fizeram pouco caso, desde o começo, do trabalho da área técnica. “Eles não quiseram nem saber quem nós éramos ou que projetos estávamos tocando. O tom era de que essa é uma gestão que preza pela eficiência, e era como se o funcionalismo público fosse o oposto disso”, contou um dos funcionários entrevistados.

Segundo os funcionários, os conselheiros do Conpresp recebem diretrizes de como devem votar as pautas, independentemente do que tiver sido ponderado pela área técnica. Em entrevista a EXAME, a diretora de Patrimônio Histórico, Mariana Rolim, negou que exista qualquer pressão política para aprovação de matérias no conselho.

“O clima é de pastelaria, tudo precisa ser resolvido com agilidade”, diz outro funcionário da prefeitura, que também admitiu que havia pressões políticas para flexibilização do patrimônio na gestão anterior, de Fernando Haddad, mas que a área técnica era valorizada pela antiga diretora do departamento, Nádia Somekh. “Essa pressa não combina com patrimônio histórico”, diz outro funcionário. “O instrumento de tombamento está sendo utilizado como ferramenta do mercado imobiliário, e ao seu bel prazer”, completa.

Segundo eles, decisões políticas estão influenciando o andamento de processos que envolvem imóveis tombados na cidade de São Paulo. São quatro os casos principais: o próprio Teatro Oficina, tombado desde 1983; o Anhembi, principal centro de eventos da cidade, que teve seu processo de tombamento arquivado este ano; o terreno da Cruz Vermelha, sede de um hospital, que também teve seu processo de tombamento arquivado; e imóveis da rua Correia Dias, no Paraíso, que foram excluídos do processo de tombamento este ano, e onde se estuda a construção de um projeto imobiliário pela construtora Setin.

Uma série de outros bens tombados também estão sendo cotados para intervenção por essa gestão, como o estádio do Pacaembu e o Jockey Club, e alguns projetos já foram apresentados. Além disso, uma lei de 2016 determina que todos os processos de tombamento que estavam abertos precisavam ser concluídos em dois anos, prazo que se encerra em março de 2018. Essa é uma das justificativas do DPH para estar encaminhando de forma apressada os projetos.

Teatro Oficina

A disputa que envolve a construção de um empreendimento nos terrenos ao lado do Teatro Oficina, no bairro do Bixiga, teve início em 1980, quando Silvio Santos fez uma oferta para comprar o teatro e ficar com o terreno inteiro. O Oficina, grupo fundado em 1958 que ocupa o endereço desde 1961, negou a proposta — e conseguiu que o valor histórico, cultural e arquitetônico do teatro fosse reconhecido pelo Condephaat, que tombou o imóvel em 1983. Desde então, qualquer projeto que o Grupo Silvio Santos queira erguer no terreno precisa ser aprovado pelos órgãos de patrimônio nos níveis municipal, estadual e federal, porque, posteriormente, o Conpresp e o Iphan também decidiram pelo tombamento.

O histórico de aprovações de projetos pelo Grupo Silvio Santos no terreno é bastante controverso. Primeiro, na esfera estadual: em 2006, foi liberada a construção de um shopping center no local, mas a construtora mudou de ideia e decidiu investir num empreendimento imobiliário. A primeira torre, com entrada pela Rua Santo Amaro, foi aprovada pelo Condephaat em 2013.

No dia 26 de setembro de 2016, o órgão estadual, porém, vetou a construção de mais duas torres, com entrada pelas ruas Abolição e Jaceguai. Na ocasião, considerou-se que os edifícios prejudicariam “a visibilidade e o destaque do bem tombado”, conforme informou em nota a Secretaria de Cultura do estado. O Grupo Silvio Santos entrou com recurso e, após a polêmica decisão do Condephaat, com configuração alterada, as torres foram liberadas.

No Conpresp, também há controvérsias. Em agosto deste ano, o conselho aprovou a construção da torre na Rua Santo Amaro. O sinal positivo foi dado com unanimidade pelos conselheiros, porém essa torre havia sido rejeitada pelo Conpresp em 2014, e um outro projeto do grupo também já havia sido indeferido em 2009. Na reunião desta segunda-feira, em que se falou sobre as duas torres, o relator Ronaldo Parente falou que não tinha conseguido se posicionar sobre o processo, porque havia um parecer técnico contrário ao projeto desde 2014, e nenhum novo elemento havia sido apresentada até então. Ele também deixou claro que a pauta só tinha voltado à discussão porque, no dia 1º de novembro deste ano, foi pedido pelo presidente do Conpresp que o caso fosse colocado na pauta no conselho.

O bairro da Bela Vista, onde se insere o Bixiga, é tombado desde 2002. Só nas imediações do Oficina estão instalados o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), a Escolinha de Primeiras Letras e a Casa de Dona Yayá. Isso não quer dizer que não se possa construir na região, mas que todo e qualquer empreendimento a ser construído precisa “se compatibilizar e se harmonizar com o patrimônio preservado do bairro”, conforme consta no texto “Bela Vista: a preservação e o desafio da renovação de um bairro paulistano”, inserido na edição da Revista do Arquivo Municipal (nº 204/2005). O texto lembra que, na resolução de tombamento do Conpresp, consta que “não é desejável a construção de edifícios fora do padrão urbanístico predominante, caracterizado por construções de gabarito baixo (…), pois a sua implantação implicará necessariamente numa interferência negativa na paisagem e na ambiência locais”.

As torres do Grupo Silvio Santos também precisam passar por aprovação do Iphan. Procurado pela reportagem, o instituto informou que apresentou parecer contrário à construção das torres em março de 2016 e que a empresa ainda não respondeu aos últimos apontamentos técnicos apresentados na época.

O dramaturgo Zé Celso Martinez, presidente e diretor artístico da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, como é batizada a companhia, defende a criação do Parque do Bixiga no terreno. No domingo (26), foi realizada uma grande manifestação em defesa do espaço público, do respeito aos bens tombados da região, da manutenção do caráter cultural, artístico e histórico do bairro e das atividades da consagrada companhia de teatro. Cerca de 1.500 pessoas abraçaram, em corrente humana, o quarteirão em que fica o teatro. “Hoje foi muito especial. Fica a prova de que esse embate não é entre Silvio Santos e Zé Celso, essa é uma luta de toda essa gente”, disse o dramaturgo, em entrevista a EXAME. O vereador Gilberto Natalini (PV) apresentou à Câmara dos Vereadores um projeto de lei que defende a criação do parque.

Anhembi

O Parque Anhembi teve seu processo de tombamento arquivado pelo Conpresp em outubro deste ano. O tombamento vinha sendo estudado desde 2004, quando o Conpresp resolveu determinar abertura de processo de tombamento para os imóveis que estavam enquadrados como Zonas Especiais de Preservação Cultural, mas o processo de tombamento que olhou especificamente para o caso do Anhembi foi aberto apenas este ano, sem que a área técnica da prefeitura tivesse realizado estudo sobre a área. A arquiteta Raíssa Oliveira, então, decidiu encaminhar ao Conpresp, no dia 14 de setembro, sua tese de doutorado sobre o centro de exposições, de forma a ajudar a embasar os estudos da área técnica. No dia 20 de outubro de 2017, a arquiteta Ana Lúcia Winther assinou parecer favorável ao tombamento do Anhembi após análise do Departamento de Patrimônio Histórico.

A diretora do DPH, Mariana Rolim, redigiu um parecer no dia 23 de outubro que diverge dos estudos da sua equipe, e sugere o tombamento apenas do Palácio de Convenções do Anhembi. Em entrevista a EXAME, ela informou que se baseou em teorias e métodos diferentes sobre tombamento para manifestar sua decisão, e que há uma pluralidade de opiniões dentro do próprio departamento.

No dia 30 de outubro, o caso foi colocado em votação no Conpresp, e os sete conselheiros presentes decidiram, por unanimidade, pelo não-tombamento do complexo inteiro, contrariando os estudos técnicos apresentados para o caso.

Antes mesmo de o processo sobre o tombamento ganhar uma definição e antes mesmo da Câmara dos Vereadores votar pela permissão da privatização do Anhembi, a prefeitura já havia lançado, no dia 17 de agosto, o edital para privatizar o complexo. Porém, no dia 23 de setembro, o Tribunal de Contas do Município decidiu suspender o pregão. Conforme foi informado em nota à reportagem, a auditoria do tribunal verificou que não havia justificativa suficiente nem para a venda da participação acionária nem para a contratação de uma única instituição para a condução da operação. O tribunal também aponta que juntar todas as etapas de privatização numa única licitação é inadequado, já que abre margens para conflito de interesses e dificulta a contestação da avaliação econômica elaborada pela contratada. Também não havia menção às restrições de uso que poderiam recair sobre os imóveis.

Correia Dias

Outro caso polêmico foi referente aos imóveis nos números 73 e 93 da rua Correia Dias, no bairro do Paraíso. Na votação do Conpresp do dia 12 de junho de 2017, a construtora Setin conseguiu que seus imóveis fossem liberados da abertura de um processo tombamento, por meio de um processo que não deveria nem ter sido iniciado — uma vez que a parte interessada deveria ter apresentado estudos prévios sobre o bem, o que não aconteceu. O Conpresp deu vitória à construtora alegando falta de estudos sobre o valor dos imóveis, mesmo com uma das conselheiras lembrando que o processo de abertura de tombamento se dá justamente para que estudos possam ser realizados e mesmo com um parecer da área técnica contrário à exclusão, por considerar a decisão prematura.

Cruz Vermelha

No mesmo dia 12 de junho, o conselho deliberou de forma controversa sobre outro projeto de especial interesse da sociedade: o terreno onde está instalado o hospital Cruz Vermelha, no bairro de Moema, onde se discute a possível construção de um shopping pelo Grupo Iguatemi. O caso estava em discussão já na gestão anterior, do prefeito Fernando Haddad (PT), mas o processo não foi concluído.

No dia 20 de abril de 2017, a diretora do DPH, Mariana Rolim, solicitou o processo, que estava em mãos do herbário da cidade para a realização de estudo sobre o valor ambiental do bem. Apesar de a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirmar que os estudos não estavam prontos, a diretora pede que haja devolução com “máxima urgência”, porque o caso seria colocado para votação no Conpresp.

A área técnica, então, apresentou um estudo em que afirma que a “avifauna urbana” na área da Cruz Vermelha é única, e que sua descaracterização e a supressão da vegetação rasteira representariam uma “perda real” em termos de riqueza de espécies de aves no bairro. Considerando também a importância da arquitetura dos prédios, o DPH emitiu parecer favorável ao tombamento da Cruz Vermelha no dia 7 de junho de 2017.

Este é mais um caso em que os estudos da área técnica foram desconsiderados. A diretora de Patrimônio Histórico, Mariana Rolim, emitiu um parecer contrário ao tombamento, alegando que já há outros hospitais protegidos na cidade, como a Santa Casa da Misericórdia e o antigo hospital Matarazzo, que o edifício não apresenta mais sua configuração original e que a área foi descaracterizada ambientalmente. Em entrevista a EXAME, a diretora informou que, mais uma vez, utilizou parâmetros diferentes do da área técnica para emitir seu posicionamento. O Conpresp decidiu pelo não-tombamento do espaço.

No dia 8 de junho, quatro dias antes da votação, o Ministério Público de São Paulo já havia instaurado um inquérito civil, ao ter recebido denúncias de irregularidades no andamento do processo. De acordo com a promotora Claudia Fedeli, hoje há uma liminar que proíbe qualquer intervenção no terreno, além de um processo em curso para garantir que a Cruz Vermelha seja preservada. “O tombamento é apenas uma das maneiras de garantir a proteção de um bem. Se os órgãos de preservação se negaram a reconhecer o valor apresentado nos estudos técnicos, estamos buscando a preservação por vias judiciais”, diz a promotora.

O vereador Gilberto Natalini, ex-secretário de Verde e Meio Ambiente no início da gestão João Doria, também encaminhou ofício ao Conpresp questionando a decisão, no dia 8 de novembro de 2017, ressaltando que todos os documentos apresentados pela área técnica “demonstram a importância e relevância histórico-cultural e ambiental” da Cruz Vermelha para a cidade. “O conselho involuiu, mudou para pior. São 100 anos de valor histórico, mas o Conpresp preferiu liberar geral”, diz Natalini.

Preservar não é congelar

A discussão sobre tombamento, nesse embate entre a preservação da história e a construção do novo, não é exclusivo da cidade de São Paulo, e se replica em várias cidades do Brasil e do mundo. Um caso emblemático do uso político dos instrumentos de preservação foi o do edifício La Vue, em Salvador, revelado em novembro de 2016, depois que o então ministro da Cultura, Marcelo Calero afirmou ter sofrido pressão no Iphan em Brasília para emitir parecer favorável ao empreendimento, onde o também ministro Geddel Vieira Lima tinha comprado apartamento. O prédio fica em área preservada da cidade, por estar próxima a bens como a Igreja de Santo Antônio e o Forte de São Diogo, mas, em 2014, o Iphan na Bahia já havia autorizado a construção da torre com base num estudo sem valor legal.

A arquiteta Anna Beatriz Galvão,  professora da Escola da Cidade e superintendente do Iphan em São Paulo entre 2008 e 2015, acredita que a preservação tomou um caráter político como nunca antes. “O que se vê é uma conivência do poder público para transformar a cidade rapidamente”, afirma. Para ela, tombamento não é congelamento. “Não é que não possa construir. Pode. Mas as novas construções precisam não podem invisibilizar ou descaracterizar o patrimônio”, diz. “O grande desafio da arquitetura é justamente esse: de fazer o novo dialogar com a preexistência”, diz a arquiteta Sarah Feldman.

Por Camila Almeida

Fonte original da notícia: Exame




Imóvel histórico vai para o chão no Centro de Jaraguá do Sul (SC)

Foto Eduardo Montecino/OCP

Foto Eduardo Montecino/OCP

Reconhecida como bem histórico cultural de Jaraguá do Sul em 2014, a construção de 1968 popularmente conhecida como Bar e Lanchonete Boaventura foi demolida. A notificação de proteção dada pelo Setor de Patrimônio Histórico foi revertida por decisão do Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural), ainda em abril desse ano, e nos últimos dias a estrutura deixou de fazer parte da paisagem já comum aos jaraguaenses que paravam ou passavam pela esquina da Procópio Gomes de Oliveira com a Barão do Rio Branco.

O pedido para demolição partiu da família, segundo informação do setor, e a exclusão Cadastro do Inventário de Bens Culturais foi concedida pela maioria dos membros do conselho. O imóvel estava com nível de preservação 3, o que na prática significava que seria possível construir nos fundos e até mesmo serem feitas intervenções externas e internas, é o grau mais leve da legislação.

O imóvel foi construído pelo comerciante José Boaventura, que desde 1954 atuava no segmento na cidade. A ligação do local com a memória da cidade foi reconhecida, inclusive, em 2006, na ocasião da comemoração dos 130 anos da fundação de Jaraguá do Sul. Entre os agricultores, industriais e comerciantes mais antigos da cidade que receberam homenagem devido à contribuição com o desenvolvimento do município, estava José Boaventura, por oferecer há mais de meio século serviços como comerciante na área de alimentação.

Prédio da Antiga Sebus também teve proteção revertida

Pelo menos três imóveis reconhecidos pelo Patrimônio Histórico municipal tiveram proteção revertida por decisão do Comphaan neste ano. Além do Bar e Lanchonete Boaventura, a casa Moretti, localizada no bairro Nereu Ramos, foi destombada a pedido da Prefeitura de Jaraguá do Sul que apontou risco de desabamento do imóvel – atualmente abandonado e com parte da estrutura cedida. A casa deve ser demolida para construção de uma rotatória no local.

O terceiro patrimônio que o conselho revogou a notificação de tombamento foi do imóvel que abrigou a antiga Sebus, na rua Domingos Rodrigues da Nova. E outros procedimentos pedindo reversão estão entrando no setor de Patrimônio Histórico.

O Comphaan, responsável por analisar os pedidos, é um conselho composto por 18 membros, metade representantes da administração pública e o restante são representantes de setores da comunidade.

Fonte original da notícia: OCP Online




Dezenas de edifícios históricos são preservados no Rio

Ações de resgate da tradição cultural da cidade ajudam a estimular a economia local.

Igreja de Nossa Senhora da Candelária: restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. Fernandoandando/Getty Images

A cidade maravilhosa está resgatando seu passado. Há dezenas de projetos de recuperação e manutenção de pontos importantes para a história e a cultura do Rio de Janeiro. Eles incluem desde o Museu Nacional de Belas Artes até o Paço Imperial, passando pela Igreja de Nossa Senhora da Candelária, pela Sala Cecília Meireles e pelo Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).

Merece destaque a criação da Casa do Choro. Tombado e restaurado, o casarão conta com salas de aula, estúdio de gravação, centro de pesquisas e auditório com capacidade para 120 pessoas, onde são desenvolvidos trabalhos de pesquisa, educação e produção musical. Desde 2015, a Casa do Choro é um centro de referência para amantes do gênero musical. Funciona também como base do Instituto Casa do Choro, criado em 1999 e que atende 1 000 alunos por ano em seu núcleo fixo, além de já ter formado 13 000 estudantes, no Brasil e no exterior, incluindo comunidades do Rio de Janeiro.

Importância estratégica

Investir na restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. O impacto positivo, portanto, começa na preservação, passa pela educação e alcança a economia. Afinal, o setor de turismo cultural e histórico representa 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gera cerca de 800 000 empregos formais.

Dos projetos em andamento no Rio, 21 recebem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição atua, na verdade, em todo o Brasil. Desde 1997, 72 municípios, de norte a sul, receberam apoio para restaurar ou preservar mais de 200 monumentos históricos, como centros culturais, universidades, fortes, teatros, igrejas e museus.

O investimento total nesse período foi de 565 milhões de reais. “Cada restauro torna-se uma oportunidade para estimular ações de capacitação e qualificação profissional”, diz Luciane Gorgulho, chefe do departamento de economia da cultura do BNDES.

O Rio, em especial, recebe um maior volume de investimentos desde 2005, quando da preparação da cidade para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Manteve a restauração de equipamentos culturais e históricos durante o esforço para a Copa do Mundo de 2014 e, em especial, para a Olimpíada de 2016. Nesse período, o Theatro Municipal, por exemplo, passou por restauração arquitetônica e artística, enquanto o Museu do Índio foi modernizado e a Biblioteca Nacional recebeu um projeto cultural em comemoração aos seus 200 anos de construção.

Revitalização em Minas

As ações do BNDES também chegam, por exemplo, à cidade mineira de Tiradentes, que recentemente recebeu dois novos museus, construídos do zero. Também estão sendo restaurados cinco templos, incluindo um investimento de 4,75 milhões de reais para a paróquia de Santo Antônio, que vai recuperar o Santuário da Santíssima Trindade e as Capelas dos Cinco Passos da Paixão de Cristo, tombados desde 1938.

O banco também investe em ações de educação patrimonial e na execução do Plano Diretor do Município. Desde 2009, já foram destinados 23 milhões de reais para Tiradentes. Investimento que é revertido em qualidade de vida para os moradores.

BNDES

Fonte original da notícia: Veja Rio




Passeio por bares antigos de Manaus (AM) garante ‘mergulho’ na história da capital

Bares com mais de meio século de existência fazem parte da história da cidade, que completa 348 anos nesta terça-feira (24).

Bar do Armando, um dos principais pontos turísticos da capital amazonense. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

Os mais antigos bares da capital amazonense, uns com até 60 anos de existência, fazem parte da história da cidade que completa 348 anos nesta terça-feira (24). Eles podem ser encontrados por quem passa pelos bairros mais antigos, formados ao redor de Centro de Manaus. Alguns estão em casas e prédios com formatos arquitetônicos característicos da Belle Époque. O G1 conversou com os responsáveis por alguns desses locais que são considerados Patrimônio Cultural Imaterial do município.

O primeiro destino do G1 foi encontrar o bar de um português que se fixou no Centro da capital e transformou o seu estabelecimento em um dos pontos turísticos mais frequentados da cidade. Em frente ao imponente Teatro Amazonas, o Bar do Armando já contabiliza mais de 50 anos de história.

O bar é parada obrigatória para quem visita o Largo de São Sebastião. No início, o local era um mercado, segundo a filha de Armando Soares, hoje coordenadora do bar, Ana Claudia Soares.

Bar do Armando no Centro de Manaus. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

“Depois de uns anos como mercado, vendendo de tudo, chegaram em Manaus os supermercados, que antes não existiam, e meu pai sentiu muito a queda das vendas e começou a vender cerveja. Paralelo a isso, tudo acontecia aqui perto, estudantes da Ufam, desembargadores do fórum de Justiça, todos começaram a frequentar, e aos poucos foi virando bar”, disse Ana Claudia.

As mesas ao lado de fora do prédio invadem parte da rua 10 de Julho. A arquitetura do Bar do Armando já conta parte da sua história, uma herança dos ingleses no período áureo da borracha. Quem decide entrar no bar poderia sentir-se em uma breve viagem no tempo, com o piso datado do século 20 e fotos de momentos importantes durante os 51 anos do estabelecimento.

Bar do Armando foi oficializado como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

Cenário de momentos históricos, o Bar do Armando não perdeu a essência de diversificar a clientela. Segundo Ana Claudia, o local fundado pelos pais foi, desde o início, um local de acolhimento para diversas tribos na cidade.

Caldeira

Bar do Armando é um dos pontos turísticos mais frequentados da cidade. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

Saindo do Bar do Armando, alguns minutos a pé é possível chegar ao nosso segundo destino, o Bar Caldeira. Antiga mercearia Nossa Senhora dos Milagres, o bar se constrói em cima de uma das tragédias que marcou a cidade. Em 1970, uma caldeira da Santa Casa de Misericórdia explodiu ao lado da mercearia, deixando 10 pessoas mortas. Para o atual proprietário do bar, Carbajal Gomes, de 55 anos, data foi um marco para a história do bar.

“As pessoas que bebiam naquela época falavam ‘vou beber naquele barzinho onde explodiu a caldeira’ e aí o prefeito de Manaus naquela época veio ao Caldeira e doou a placa com o nome Bar Caldeira e aí ficou até hoje”, disse.

Bar do Caldeira. Foto: Patrick Marques/G1 AM

As mesas na rua e a música ao vivo chamam a atenção de quem passa pela esquina das ruas Lobo D’Almada e José Clemente. Quem prefere ficar dentro do bar desfruta da pura e verdadeira boêmia. Uma foto grande estampada na parede registra um dos momentos mais importantes da história do lugar, a visita de Vinícius de Moraes, no dia 13 de setembro de 1974.

Registro da passagem de Moraes pelo bar em Manaus. Foto: Patrick Marques/G1 AM

Carta escrita por ele foi emoldurada como forma de lembrança. Foto: Patrick Marques/G1 AM

Na parede, ao lado da grande foto do poeta, uma carta escrita por ele foi emoldurada como forma de lembrança. Atualmente, todos os dias 13 do mês de setembro o bar celebra Vinícius como forma de homenagear um dos mais ilustres clientes do local.

Bar fica localizado no Centro de Manaus. Foto: Patrick Marques/G1 AM

Hoje, o bar dos portugueses Antônio e Maria embala as noites manauaras com muita música brasileira e trazendo a essência da boêmia que é história do local.

Cipriano

Para o terceiro destino é preciso ir um pouco mais longe. Ainda entre o Centro de Manaus e o bairro Presidente Vargas, o Bar do Cipriano, na esquina da Avenida Ayrão com a rua Ferreira Pena.

Tímido por fora e cheio de história por dentro, o Bar do Cipriano de cara chama atenção. Pinturas amazônicas nas paredes, música ao vivo nos finais de semana e clientes assíduos fazem parte dos quase 60 anos de bar.

Bar do Cipriano completa 60 anos em 2018. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

Conhecido por comandar a tradição da malhação do Judas durante anos, o estabelecimento não perdeu a essência também na aparência física. As portas de madeira, o piso, as árvores na calçada, tudo isso fazem com que mais de meio século de existência justifique a fama do local.

“Aqui, assim como os outros, começou como uma mercearia, vendia de tudo, depois que virou bar, desde 1970, mais ou menos. Governadores, desembargadores, todos frequentavam e alguns ainda frequentam o bar. Tem muita história”, disse Anselmo Cipriano, de 69 anos, filho do fundador Joaquim Cipriano.

Carvalho

A alguns quilômetros de distância, chegamos ao último destino do trajeto, no bairro Cachoeirinha, histórico e um dos primeiros a serem formados na capital. Na esquina da rua Ipixuna com a avenida Castelo Branco, um bar tímido atrás das copas das árvores esconde histórias para mais de três gerações.

Foto do fundador do bar fica estampada na parede do local. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

O prédio do Bar do Carvalho tem 104 anos. O primeiro José Carvalho da família era português e chegou em Manaus no início do século 20 também com a proposta de montar um mercado, que por sinal, ganhou fama pela cidade. Mas quem deu nome ao bar foi o filho, também José Carvalho, que iniciou a tradição na década de 1950.

Prédio centenário marca a história do Bar do Carvalho, em Manaus. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

Quem chega no bar já de cara se encontra a história do lugar. Nas paredes, fotos antigas em preto e branco montam a linha do tempo do que é o verdadeiro e mais antigo bar da cidade. Uma foto do Carvalho da segunda geração estampada em tamanho real mostra o real legado daquele que, hoje com 95 anos, ainda é um dos grandes nomes da tradição dos bares manauaras.

Prédio onde funciona o Bar do Carvalho foi tombado como Patrimônio Histórico. Foto: Indiara Bessa/G1 AM

Atualmente, todos os quatro bares foram oficializados como Patrimônios Culturais Imateriais de Manaus.

O prédio onde fica localizado o Bar do Carvalho, com 104 anos de idade, foi tombado como Patrimônio Histórico da cidade.

Por Indiara Bessa

Fonte original da notícia: G1 AM