Bom Princípio (RS) – Casa da Família Selbach será restaurada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura


selbach

No domingo (27) foram lançadas as obras de restauro da Casa da Família Selbach, localizada em Bom Princípio, em evento que contou com a presença do secretário de Estado Adjunto da Cultura, André Kryszczun, e da diretora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), Mirian Rodrigues.

O projeto tem financiamento por meio da Lei de Incentivo à Cultura RS (LIC) e após a recuperação será sede da Escola Regional de Música, coordenada pela Orquestra WBK. Além de local para ensaios da orquestra e também dos corais masculino e feminino, e das Meninas Cantoras e Pequenas Vozes, o espaço poderá receber reuniões e outros eventos de cunho cultural.

André Kryszczun destacou a importância de projetos como este. “A recuperação de patrimônios culturais significa resgatar, preservar a memória e a história de uma comunidade e de sua cultura. Este é um dos objetivos desta gestão da Secretaria de Estado da Cultura, por isto comemorados momentos como este”, afirmou.

A destinação de uma sede para os grupos culturais de Bom Princípio era uma demanda antiga, A proposta vai beneficiar cerca de 170 integrantes. O prédio histórico fica na Rua Irmão Weibert, na frente da igreja Matriz, que também está com obras de restauração bem adiantadas. Os dois projetos são de responsabilidade do arquiteto Edegar Bittencout da Luz.

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul




Moradores se unem na recuperação da Matriz de Santo Antônio, em MG


Igreja fica no Distrito de Itatiaia, em Ouro Branco, na Região Central. Trabalho exige cuidado para não prejudicar características originais.

Reprodução/Internet

Reprodução/Internet

Moradores do Distrito de Itatiaia, em Ouro Branco, na Região Central de Minas Gerais, se uniram para recuperar a Matriz de Santo Antônio. A comunidade criou o projeto e ainda buscou recursos para as obras de restauração. Um trabalho que exige muito cuidado para não prejudicar as características originais.

As portas da igreja estão sempre abertas para a comunidade e turistas verem de perto o processo de restauração que começou há pouco mais de um ano. “Não conhecia, a primeira vez que vi achei excelente, bacana, parte de restauração é a primeira vez que eu vejo, achei muito bonito”, contou o aposentado Antônio José Morale.

Durante a restauração, os cinco altares foram desmontados. Peças foram encontradas atrás deles: são pedaços de madeira, alguns com pinturas. Tudo muito antigo. São fragmentos, possivelmente, desde 1714, época da construção da capela que deu origem à matriz.

Nos altares, por baixo de camadas de tintas, também foram feitas descobertas. Há flores que são pinturas originais. “As pinturas encontradas acredito que sejam ainda da primeira metade do século 18 na capela primitiva, até então esses retábulos eram datados como do inicio do século 19”, disse o restaurador Gilson Felipe Ribeiro.

A igreja ganhou características novas, as cores e os desenhos seguem o padrão original. Além das reformas no telhado e no piso, cerca de 40 peças sacras também serão restauradas, como um oratório, por exemplo.

Toda essa reforma foi uma conquista da comunidade que se uniu, fez o projeto de restauração e captou recursos. Uma luta que já dura 15 anos.

Fonte original da notícia: G1 MG, com informações do Bom Dia Minas




Blumenau (SC) – Antiga ponte de madeira será desmontada e levada para outro local


Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

A ponte de madeira com cobertura que ainda resiste na Rua Arnold Hemmer, bairro Badenfurt, será desmontada para ser aproveitada em outro local. A decisão partiu da reunião do Conselho do Patrimônio Histórico Edificado (Cope) de Blumenau na tarde de quinta-feira. No lugar dela será construída outra mais segura e adequada ao fluxo de veículos.

A estrutura, que foi construída no início do século passado, tinha processo aberto para tombamento no patrimônio histórico. Segundo o secretário de Planejamento, Juliano Gonçalves, a ponte está descaracterizada, já que passou por inúmeras reformas, além de oferecer risco à comunidade. A ideia é remontá-la numa área que a comunidade do bairro pretender revitalizar como parque.

A ponte está interditada desde outubro de 2014, depois que um caminhão arrancou boa parte da cobertura.

Por Pancho

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Iphan nega autorização à Samarco para construção de dique em Bento Rodrigues


O documento foi entregue na Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nesta quinta-feira.

MP afirma que construção de dique destruirá sítios arqueológicos em Bento Rodrigues. (Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

MP afirma que construção de dique destruirá sítios arqueológicos em Bento Rodrigues. (Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) negou autorização à Samarco para a construção do dique S4, em Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. O documento foi entregue na Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nesta quinta-feira. A empresa já tinha iniciado as obras antes mesmo do aval de órgãos ambientais.

A construção do dique S4 era realizada para conter o vazamento de rejeitos de minério da Barragem do Fundão, que se rompeu em 5 de novembro, matando 19 pessoas e arrasando os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Em 3 de junho deste ano, a Polícia Militar de Meio Ambiente embargou as obras depois de constatar o desmatamento de uma área aproximada de 1,4 mil metros quadrados de mata atlântica e o aterramento de parte do córrego Santarém.

Para o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, a construção do dique coloca em risco o patrimônio cultural do distrito. “Ele fica logo abaixo de Bento Rodrigues a poucos metros da Capela de São Bento, que é uma área mais antiga e de onde surgiu o distrito. Existem vários bens de valores na área, como sítios arqueológicos do início do século 18. A construção deste dique ocorreria na destruição definitiva deste sítio arqueológico, inclusive uma parte grande do cemitério”, afirmou o promotor.

Segundo o MP, as obras aconteciam de forma irregular. “Essas obras estavam acontecendo sem qualquer tipo de autorização dos órgãos ambientais e de órgãos ligados ao Patrimônio Cultural. As obras não tiveram autorização do conselho do Patrimônio municipal de Mariana. Além disso, o distrito de Bento Rodrigues se encontra tombado”, explicou Marcos Paulo. “A área afetada era de propriedade de terceiros e a Samarco invadiu e realizou as obras sem autorização dos donos. Uma completa inversão de valores. A empresa causou a destruição da propriedade alheia e do patrimônio cultural da comunidade e depois que dele se apropriar como se fosse dona e pudesse continuar a destruição”, completou o promotor.

No documento do Iphan, o órgão reconhece que é importante conter os sedimentos depositados na região afetada e evitar o carreamento para o Rio Gualaxo, além dos sólidos provenientes da Barragem de Fundão que ainda não estão totalmente estancados. Porém, afirmou que é fundamental que a comunidade de Bento Rodrigues seja respeitada “em seu direito de memória”. Ressaltou, ainda, o riscos de novos alagamentos do distrito com a construção do dique.

A Samarco informou que não teve acesso ao conteúdo do documento do IPHAN, mas reforça a importância e a urgência da construção do dique S4, para minimizar o risco de carreamento de rejeitos depositados em Bento Rodrigues para os rios Gualaxo e Doce, no próximo período chuvoso.

Por João Henrique do Vale

Fonte original da notícia: em.com.br




RS – Festival Preserve Torres: Cultura Popular e Meio Ambiente no Caminho para a Sustentabilidade


1 - festival preserve

Nos dias 08, 11 e 12 de junho, a cidade de Torres será contemplada, em plena semana do meio ambiente com o Festival Preserve Torres, evento realizado pelo Projeto Praia Limpa Torres (Associação dos Surfistas de Torres) e DEFENDER (Defesa Civil do Patrimônio Histórico). A ideia nasceu da necessidade de celebrar a cultura local e o meio ambiente numa abordagem preservacionista por meio de atividades culturais (palestras, poesias, contos e pocket show musical) e saídas de campo no intuito propiciar experiências com a natureza exuberante de Torres.

O Delegado da DEFENDER, professor, pesquisador e escritor Leonardo Gedeon sintetiza a proposta do evento: “O Festival Preserve Torres traduz os anseios da comunidade local na defesa dos seus bens naturais, históricos e culturais no compromisso de fornecer os elementos necessários para fortalecer a identidade e o sentimento de pertencimento com sua terra, o seu lugar no mundo. Um despertar para a preservação e exercício da cidadania revestida de arte e poesia!”

O evento foi planejado para ter uma sequência de três dias de atividades, com foco na participação das escolas de ensino fundamental da cidade, fruto da parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME). No final de semana haverá duas atividades ao ar livre, sendo uma no sábado (11/06) prevendo uma caminhada pelas trilhas e plantio de mudas nativas no Parque Estadual de Itapeva (PEVA) com a monitoria e acompanhamento da Equipe Gestora do Parque. Esta atividade terá número limitado de inscrições (30 vagas) que serão realizadas a partir do dia 08/06 no Centro Municipal de Cultura. Já no domingo (12/06) será realizada a ação voluntária de limpeza de praia sob a coordenação do Projeto Praia Limpa Torres na histórica e encantadora Praia da Cal. Essa será à quarta atividade voluntária de limpeza de praia de 2016 do Projeto Praia Limpa Torres, já reconhecido pela sensibilização ambiental através destas ações voluntárias. Ambas atividades ao ar livre estarão sujeitas ao cancelamento em caso de chuva.

Por fim o coordenador do Projeto Praia Limpa Torres, Alexis Sanson destaca a importância da participação da população em geral e do engajamento dos parceiros e apoiadores para a realização do Festival: “Esperamos que toda comunidade escolar, entidades e demais setores da sociedade se façam presente nestas atividades pois será algo inédito que estamos propondo para a nossa cidade, com diversas atrações, sendo elas culturais com ótimas palestras e profissionais renomados da nossa comunidade, com poesias e prosas do ativista ambiental e grande inspirador Paulo França e com show musical do artista Jorge Herrmann. Só temos a agradecer a parceria e apoio de todos envolvidos neste Festival que será de grande valia para todos! Sintam-se convidados e vamos celebrar nossa Semana do Meio Ambiente! Torres merece!”.

Realização

Projeto Praia Limpa Torres (Associação dos Surfistas de Torres -AST)
Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico

Apoio
Secretaria Municipal de Educação
Secretaria de Cultura e Esporte
Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Urbanismo (Prefeitura Municipal de Torres)
Sema (Equipe Gestora do Parque Estadual de Itapeva)
Licenciar
Jamboo
Onda Verde
Ecos de Angola
North Design
Jornal A Folha

Texto: Assessoria de Imprensa Projeto Praia Limpa Torres

Fonte original da notícia: A Folha




Condephaat tomba prédios históricos em Mogi das Cruzes (SP)


Atualmente imóveis são são sede do CPAM-12 e da Secretaria de Cultura. Locais já foram Câmara Municipal, cadeia e fórum.

Prédio da Secretaria de Cultura foi tombado. (Foto: Guilherme Berti/PMMC)

Prédio da Secretaria de Cultura foi tombado. (Foto: Guilherme Berti/PMMC)

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) aprovou o tombamento de dois prédios em Mogi das Cruzes. Um deles é a sede do Comando de Policiamento de Área Metropolitana de São Paulo – 12 (CPAM/12) e o outro é a sede da Secretaria Municipal de Cultura.

De acordo com informações do Conselho Municipal de Preservação  do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap) , o prédio do CPAM-12 foi construído em 1900 e abrigava o fórum na parte superior e a cadeia pública na parte inferior. O estilo arquitetônico do prédio é eclético, revelando as novas posturas da arquitetura do Brasil República, com amplas janelas, molduras, frontão e muros que lembram um pequeno castelinho.

Já o prédio da Secretaria de Cultura foi construído em 1860 e sediou a Câmara Municipal até 1929. Com a saída da Câmara, abrigou a Escola Normal, o Ginásio do Estado, a Escola Técnica Industrial. Atualmente, além da secretaria sedia o Arquivo Histórico “Historiador Isaac Grinberg”,  Divisão de Preservação do Patrimônio Histórico e Conhecimento e o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (COMPHAP).  O edifício tem características de estilo neoclássico, apesar da utilização de técnica típica do período colonial.

“Este tombamento tem o objetivo de chamar a atenção dos municípios para o valor de prédios semelhantes também originados da ação pública do governo do Estado de São Paulo”, afirma a arquiteta Silvia Wolff, técnica do Grupo de Estudos e Inventário, da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico. O CONDEPHAAT informou ainda que o tombamento também traz para a esfera de valorização pública o significado cultural deste patrimônio e busca garantir a orientação de futuras intervenções de modo a assegurar sua preservação pela comunidade.

Prédio onde funciona atualmetne o CPAM-12 abrigou cadeia e fórum e também foi tombado em Mogi das Cruzes. (Foto: Comphap/Acervo de Imagens)

Prédio onde funciona atualmetne o CPAM-12 abrigou cadeia e fórum e também foi tombado em Mogi das Cruzes. (Foto: Comphap/Acervo de Imagens)

Fonte original da notícia: G1 Mogi das Cruzes e Suzano




São Francisco do Sul (SC) luta para fortalecer os laços da comunidade com as riquezas históricas


Centro Histórico tem um conjunto arquitetônico que guarda origens locais e monumentos históricos. Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Centro Histórico tem um conjunto arquitetônico que guarda origens locais e monumentos históricos. Foto: Maykon Lammerhirt Agencia RBS

Ser uma das cidades mais antigas do Brasil é um trunfo turístico, mas não é o mais recorrente quando turistas e moradores da região se encaminham para São Francisco do Sul. Eles costumam ir atrás de belas e festivas paisagens litorâneas, que oferecem praias como Enseada, Ubatuba, Capri e Grant. Os próprios francisquenses parecem dar a impressão de que a vida cotidiana se passa perto da praia.

Certeza ou não, o fato é que há um coração batendo no Centro Histórico, o antiquíssimo e preservado conjunto arquitetônico que guarda as origens locais e seus monumentos mais valiosos, além de ser abençoado pela gloriosa vista da baía da Babitonga.

Mas no momento em que celebrou mais um ano de emancipação política – o 169º foi comemorado neste dia 15 de abril –, São Chico olha com carinho para esse núcleo patrimonial, ansioso por aliar a preservação com o pulsar de gente indo, vindo, comprando, conhecendo e vivendo.

Os ventos começaram a soprar diferentes no Centro Histórico quando de seu tombamento pelo governo federal, nos anos 80. Ao mesmo tempo, foram criadas estruturas municipais para acompanhar o processo, entre elas, a Fundação Cultural.

Um segundo sopro de mudança veio no começo dos anos 2000, quando o Programa Monumenta proporcionou financiamento para a recuperação de imóveis históricos particulares e públicos e a urbanização da região, entre outras obras, uma injeção de recursos que chegou a R$ 13,3 milhões em 2007.

Os benefícios que o programa trouxe para a cidade são inegáveis, mas criou uma espécie de sacralização do Centro Histórico, na opinião do diretor da Fundação Cultural de São Francisco do Sul, Aldair Daia Carvalho. Essa situação, diz ele, afastou uma parcela dos moradores, assustados com a aura de “intocável” que o conjunto de prédios ganhou e as exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para mantê-lo intacto.

— Nosso grande desafio é fazer com que o Centro Histórico seja o lar dos francisquenses. Não cuidar só dos prédios em si, mas das pessoas que os ocupam. Conservar esse patrimônio também é incentivar a qualidade de vida — defende Daia.

O secretário cita, por exemplo, o fato de muitos moradores das praias se referirem ao Centro como São Chico, como se morassem em outra cidade. Ele chama a atenção também para a ausência de crianças, a não ser a passeio com os pais. Seja como for, o vaivém na região é calmo nos dias de semana e quase parado aos sábados e domingos.

Segundo Daia, um primeiro passo para mudar isso seria recuperar o encanto dos habitantes pelo Centro, fazendo com sintam que ele lhes pertence e deve ser utilizado. Um outro movimento é mostrar que o patrimônio histórico e cultural é viável economicamente, levando artesãos e congêneres a exibirem seus trabalhos no Centro. Uma terceira via é incentivar o retorno da região como local de moradia, e não somente de trabalho ou “temporada”.

Há uma iniciativa do Iphan, esclarece o secretário, de criar um programa de moradia no Centro Histórico de São Chico à base de financiamento. Em paralelo, haveria discussões para tentar reconectar o francisquense com o patrimônio e transformar os equipamentos da região em aglutinadores de ações, culturais ou não, como cursos de teatro.

— Estamos criando um mecanismo para desconstruir uma imagem equivocada do Centro Histórico. Se não encontrarmos uma forma de sustentabilidade, ele será eternamente um cenário — compara Daia.

Comerciantes têm visões diferentes sobre incentivo e cuidado com Centro Histórico de São Francisco do Sul

Centro Histórico da cidade do Norte catarinense. Foto: Maykon Lammerhirt/Agencia RBS

Centro Histórico da cidade do Norte catarinense. Foto: Maykon Lammerhirt/Agencia RBS

A loja de roupas e acessórios de Mônica Cardoso fica na rua Babitonga, a principal do Centro Histórico de São Francisco do Sul, num casarão centenário pertencente a sua família. Mas, apesar da localização privilegiada, a comerciante não sai distribuindo sorrisos. Isso porque ter seu comércio num prédio tombado, em meio a um conjunto arquitetônico de mais de meio século, não traz grandes benefícios para o bolso.

Mônica reclama, por exemplo, dos impostos que paga – além do IPTU, outro referente às terras de marinha (SPU) – e da dificuldade de fazer seguro, pelo temor que as empresas do ramo têm de edifícios tombados.

— Qualquer mexida na estrutura, eu tenho que pedir permissão ao Iphan, mesmo que seja para trocar uma telha. Preciso esperar 30 dias, para autorizar ou não — diz a comerciante.

Para Mônica, essas dificuldades impostas estão fazendo o Centro Histórico deixar de ser o núcleo comercial da cidade. Segundo ela, as lojas – em número bem maior há dez anos – estão migrando para a rua Barão do Rio Branco, a algumas quadras dali. De fato, existem muitas portas comerciais fechadas na rua Babitonga. Sem contar que os Correios, INSS e bancos já deixaram o local. E vale a pena continuar nele?

— É bonito para aquele turista que quer ver uma coisa diferente, mas, para quem vive o dia a dia, fica difícil — afirma Mônica.

Ricardo Assef, cujo comércio de calçados ocupa um prédio na rua Babitonga que está há três gerações na família, não vê nuvens tão escuras no horizonte francisquense. Para ele, além de o Iphan estar mais flexível com relação a mudanças e reformas, o órgão recomenda descontos no IPTU de acordo com a situação de cada imóvel.

Na verdade, o que o comerciante questiona é a troca de endereço feito pelos bancos e repartições públicas e o péssimo estado em que os prédios se encontram agora. Para ele, isso reduz a beleza da região e afasta o público.

— O Centro Histórico sobrevive bem, mas poderia ser muito melhor — diz Assef, cobrando mais atenção dos órgãos públicos.

— Eu morei aqui, trabalho aqui, meu pai mora aqui em cima. Se o Centro Histórico acabar, perco minha casa e meu emprego. Por isso, defendo muito muito isso aqui.

Por Rubens Herbst

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Mutirão faz limpeza de prédio histórico em Pinheiro Machado (RS)


Fotos: Divulgação

Fotos: Divulgação

Quando muitos querem algo e se dispõem a trabalhar por isso, alcançar o objetivo traçado se torna mais do que uma possibilidade: passa a ser um fato consumado. Com esse ideal e essa expectativa, um grupo de voluntários realizará na próxima terça-feira, dia 19/04, um mutirão de limpeza do antigo Hotel da Luz, no município de Pinheiro Machado, 350 quilômetros ao Sul de Porto Alegre. Denominada “Marco Zero”, a ação começará por uma lavagem do edifício, a ser efetuada por profissionais de diversos campos, unidos na intenção de desmitificar a visão acomodada de que preservar é uma ação complexa.

“O mutirão é uma ação educativa, tanto para o grupo de voluntários, quando para a comunidade”, ressalta a arquiteta Eulália Anselmo, que além de mobilizar-se pelas atividades braçais da iniciativa, dividirá com o colega Fábio Galli a explanação inicial aos participantes e assistentes sobre a arquitetura do prédio e suas técnicas construtivas. “Pretendemos mostrar que sabemos nos unir por um propósito maior mas, também, começar humildemente com uma limpeza”.

FACHADA LATERAL

O mutirão, que busca chamar a atenção para uma construção, atualmente abandonada, da significativa arquitetura regional, será realizado com os voluntários divididos em grupos, para a execução de tarefas como a retirada da vegetação e dos entulhos que se acumulam no edifício. Serão efetuados o escoramento de parte da cobertura, que já está comprometida; a lavagem de pisos, paredes e calçadas; a prospecção de pinturas decorativas já identificadas e de outros artefatos que surjam; a pintura (uma mão de cal branco) onde for possível e a identificação de ferragens, gateiras e portões. Balaústres e calçadas também merecerão atenção dos voluntários. Essas ações iniciais do Mutirão Marco Zero terão, ainda, bênçãos das representações religiosas locais.

Os voluntários à frente do projeto contam com adesões de pedreiros, pintores e artífices, a quem serão transmitidas as técnicas de restauro, formando uma mão de obra local – a exemplo do que ocorre nos chamados sítios históricos de Minas Gerais: Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João Del Rey, Congonhas e Diamantina, dentre outros municípios. O Hotel da Luz deve se tornar protótipo, desde sua recuperação arquitetônica, sua história e suas técnicas construtivas, até seu novo uso, de forma sustentável e funcionando como memorial desse trabalho.

DSC06562

Sobre o município – Pinheiro Machado, no extremo sul brasileiro, é um dos mais antigos municípios gaúchos, emancipado em 1878, originalmente chamado “Cacimbinhas”. Deve sua atual denominação ao fato de ser a terra de origem do assassino do senador José Gomes Pinheiro Machado (1851/1915). A meio caminho entre Pelotas e Bagé, tem 14 mil habitantes e economia baseada na agropecuária e na fabricação de cimento. Sede da Feira e Festa da Ovelha, realizada anualmente, nas últimas décadas tem diversificado sua economia para a produção de uvas finas e, mais recentemente, para a olivicultura. Com ruas de traçado regular, ostenta prédios centenários que lhe dão personalidade peculiar.

Sobre o Hotel da Luz – construído como hotel em 1934, então sob propriedade de Cincinato Brandão, tem uma parte preservada, em que funciona a Câmara de Vereadores, e outra abandonada há cerca de 10 anos. O conjunto conserva suas características originais, mas mais da metade de sua área construída no chamado ecletismo tardio sofre os efeitos do tempo e da falta de preservação, ameaçando desabar em plena área central da cidade.

Sobre o mutirão – o trabalho voluntário a ser desenvolvido no próximo dia 19 de abril é uma iniciativa de um grupo inconformado com o abandono a que está relegado o edifício, e reúne profissionais liberais e lideranças locais, contando com assessoria também voluntária de especialistas e apoios de organizações como o Sindicato Rural, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a Votorantim, a Prefeitura, o Sebrae/RS e a e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. Esse grupo já produziu e lançou, em fevereiro passado, a publicação “Pinheiro Machado, a Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas”, como forma de promover o município e, assim, contribuir para a recuperação da autoestima de seu povo.

Serviço

O quê – Mutirão Marco Zero, ação voluntária de limpeza e recuperação do prédio do antigo Hotel da Luz.
Quando – Dia 19 de abril, terça-feira, das 8 às 16h30.
Onde – Esquinas das Ruas Humaitá e Nico de Oliveira, em frente à sede do Sindicato Rural de Pinheiro Machado.

Por Assessoria (voluntária) de Imprensa – Jornalistas Bernardo Duarte (14670/RS, fone 51 8182-5161) e Nikão Duarte (4429/RS, fone 51 8413-8028)

Fonte original da notícia: encaminhada por e-mail




Comunidade busca recursos para restaurar igreja histórica em MG


Matriz de São José das Três Ilhas teve projeto aprovado na Lei Rouanet. Igreja feita em Belmiro Braga no final do séc.19 tem trincas e rachaduras.

Projeto de restauração da Igreja de São José das Três Ilhas, em Belmiro Braga, foi aprovado na Lei Rouanet. (Foto: Arquidiocese Juiz de Fora/Arquivo)

Projeto de restauração da Igreja de São José das Três Ilhas, em Belmiro Braga, foi aprovado na Lei Rouanet. (Foto: Arquidiocese Juiz de Fora/Arquivo)

Os moradores e os responsáveis pela igreja de São José de Três Ilhas, em Belmiro Braga buscam captar recursos para reforma da matriz do distrito que fica na Zona da Mata. De acordo com o padre Liomar Rezende, a igreja construída no final do século 19 está com trincas, rachaduras e precisa de uma restauração.

O projeto da reforma foi aprovado na Lei Rouanet de 2015 e tem até novembro deste ano para levantar pelo menos 20% dos R$ 2.999.372,75 autorizados. O valor ainda não é o integral do necessário para a obra, orçada em mais de R$ 4.600 milhões. Apesar de não ter conseguido adesões, o padre acredita que irão sensibilizar empresas e pessoas físicas a ajudar na preservação do patrimônio cultural.

O Centro Histórico do distrito e a Igreja Matriz de São José das Três Ilhas tiveram o tombamento estadual homologado em outubro de 1997. De acordo com informações do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), a igreja começou a ser construída em 1880 com recursos de fazendeiros da região e do Governo da então Província e foi finalizada cerca de dez anos depois com a construção da capela-mor.

Passou por obras em 1945, quando o altar original foi substituído pelo atual em madeira e por intervenções nas décadas de 1990 e 2000, fiscalizadas pelo Iepha. E em 1997 foi cenário nas gravações do filme “Menino Maluquinho”.

“Parte da obra foi feita por escravos e o final por trabalhadores livres, porque foi concluída após a abolição. Ela tem tijolos apenas em uma parte superior, no restante é toda em pedra e não teve acabamento externo. A parte interna foi concluída. E possui um valor histórico e arquitetônico muito grande para nossa comunidade”, explicou o padre.

A ação do tempo tem causado preocupação no padre e na comunidade. A igreja funciona normalmente com missas a cada 15 dias e sendo um ponto de turismo na região.

“Ela está apresentando trincas e rachaduras, que causaram a necessidade de intervenção na estrutura. Os cálculos apontam a necessidade de R$ 4.612 milhões para toda a recuperação necessária. Por isso, apresentamos projetos de captação de recursos e fomos aprovados na Lei Rouanet”, afirmou padre Liomar Rezende.

"Há necessidade de intervenção na estrutura", destacou padre diante das trincas e rachaduras na Igreja de São José das Três Ilhas. (Foto: Arquidiocese Juiz de Fora/Arquivo)

“Há necessidade de intervenção na estrutura”, destacou padre diante das trincas e rachaduras na Igreja de São José das Três Ilhas. (Foto: Arquidiocese Juiz de Fora/Arquivo)

Pela Lei Rouanet, os responsáveis podem captar até R$ 2.999.372,75, diante da importância da conservação e proteção do imóvel, que “trará uma série de benefícios à população em geral, promovendo a continuidade da memória, a promoção cultural e o desenvolvimento turístico e social no Distrito”, como menciona o decreto publicado em agosto de 2015 no Diário Oficial da União, que é válido até 31 de dezembro deste ano.

“É mais da metade do que precisamos. Temos até novembro para conseguir pelo menos 20% para iniciar a obra. As empresas podem destinar para o projeto 3% do imposto de renda (IR)  e as pessoas físicas, 6%. Muitos já fecharam a declaração deste ano. Vamos iniciar contatos visando a inclusão no IR de 2016. É uma forma do doador associar o nome a um bem cultural que é tombado pelo estado e tem valor para nossa comunidade”, lembrou o padre.

As empresas e pessoas interessadas em contribuir com o restauro da Igreja de São José das Três Ilhas pela Lei Rouanet podem entrar em contato com o Departamento de Patrimônio da Arquidiocese de Juiz de Fora para ter informações mais detalhadas sobre o projeto.

Fonte original da notícia: G1 Zona da Mata




Jundiaí (SP) – Ponte Torta é premiada entre melhores do mundo na Itália


A 5ª Edição do Prêmio Internacional Domus de Restauro e Conservação, nessa quarta-feira (6) na Universidade de Ferrara, na Itália, reconheceu o projeto “Ações de Conservação e Zeladoria da Ponte Torta” como uma das melhores iniciativas mundiais no âmbito do patrimônio histórico.

Com iniciativa da Prefeitura e implementação pelo Estúdio Sarasá, o trabalho envolveu tanto ações físicas nas ruínas da ponte quanto a mobilização da comunidade para o reconhecimento do local como monumento da memória coletiva.

“A recuperação da Ponte Torta não ocorreu apenas pelo fato de ela ser um monumento com papel histórico e paisagístico. Essa revitalização significa a preservação de valores e da relação que todos os jundiaienses nativos ou radicados possuem com a cidade”, afirma o prefeito Pedro Bigardi.

O prefeito Pedro Bigardi e a secretária Daniela da Camara na entrega do projeto, em 2015.

O prefeito Pedro Bigardi e a secretária Daniela da Camara na entrega do projeto, em 2015.

O envolvimento dos técnicos e dos moradores no processo acabou colocando a ponte de 50 mil tijolos, construída entre 1886 e 1888, como um marco do início da industrialização de Jundiaí.

De acordo com a secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara Sutti, esse entendimento foi ampliado com as memórias pessoais e familiares da comunidade.

“O conceito de zeladoria trouxe espaço para o lado mais afetivo, inclusive com a circulação da carreta do projeto por diversos bairros, mostrando de forma participativa que essa relação com a ponte existia em toda a cidade”, diz.

Além do monumento, o projeto acabou criando também um pequeno mirante no início da Esplanada do Monte Castelo e uma praça ao lado da Ponte Torta que homenageia o ativista cultural Erazê Martinho. A entrega do conjunto, emoldurado por grafites no entorno como na palavra “veracidade”, aconteceu como ponto alto do 360º aniversário de Jundiaí em dezembro.

Veja as apresentações em italiano e em inglês:

Manutenzione del Ponte Torta: recupero, conservazione e trasposizione

L’intervento nell’area del “Ponte Torta”, si configura come una grande dimostrazione di modalità alternativa per la tutela del patrimonio. Il corretto processo conservativo ha coinvolto fin dalla nascita la popolazione locale in diverse attività di sensibilizzazione verso il bene culturale. Il progetto è inoltre un importante esempio per la formazione di una manodopera specializzata per lavorare in contesti simili.

Janitorial of the Torta Bridge: rescue, conservation and transposition

The project in the “Ponte Torta” area demonstrates an alternative way of protecting the heritage. From the beginning, the correct conservative process involved the local population in various activities aimed at heightening awareness of the cultural asset. The project is also an important example of the training of a specialised workforce to operate in similar contexts.

Celebração

O-restaurador-Toninho-Sarasá-no-Salão-do-Restauro-na-Itália-zeladoria-como-método-participativo

O restaurador Toninho Sarasá no Salão do Restauro, na Itália: zeladoria como método participativo.

Representando o projeto no evento, o restaurador Toninho Sarasá defendeu o conceito de zeladoria aplicado no projeto de Jundiaí. “Viva a Ponte Torta, viva nós que acreditamos no amor ao patrimônio e viva o amor das pessoas de Jundiaí”, afirma.

O projeto foi um dos destaques escolhidos entre 84 projetos inscritos de várias partes do mundo.

Também foram premiados os restauros de Prédios Tradicionais de Madeira e Vidro em Koya (Tokushima, Japão), da Igreja da Fraternidade da Misericórdia (Turim, Itália), das Salas da Fortaleza de Hohensalzburg (Salisburgo, Áustria), da Ex-Portaria Central da Vila Sanatorial (Sondalo, Itália), do Teatro Thalia (Lisboa, Portugal), do Castelo de Doria (Dolceacqua, Itália), Ecoresort Casa Yun (Guilin, China), do prédio do Instituto de Arquitetos do Brasil (São Paulo), da Torre Sudeste do Complexo Quattro Coronati (Roma, Itália), da Abadia de São Clemente, depois do terremoto (Pescara, Itália), do Campanário da Catedral (Parma, Itália) e do Museu e Capela do Bispo (Ravena, Itália).

Os projetos vão ser também tema da revista Paesaggio Urbano, que circula no Salão do Restauro. De acordo com a colaboradora da publicação, Mariana Rolim, “é muito bom encontrar um projeto brasileiro de patrimônio sendo reconhecido na Itália”.

Além de Toninho Sarasá, atuaram diretamente na equipe do projeto as técnicas Flávia Sutelo e Magda Rosa entre outros colaboradores, como Wagner Ramos, além dos responsáveis legais Marcelo Ramos Sarasá Martin e Graziella Giogi Martin Gomes.

Pela Prefeitura, além dos técnicos da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, colaboraram técnicos das Secretarias de Cultura, Educação, Serviços Públicos, Agricultura, Abastecimento e Turismo, e da DAE.

Tudo isso, claro além de moradores apaixonados pela Ponte Torta e especialistas da comunidade.

Por José Arnaldo de Oliveira – Fotos: Arquivo PMJ e Divulgação

Fonte original da notícia: Prefeitura de Jundiaí