Manaus (AM) – Inscrições abertas para curso livre na área de Patrimônio Cultural

Secretaria de Cultura abre inscrições para curso livre na área de Patrimônio Cultural / Divulgação

A Secretaria de Estado de Cultura informa que estão abertas as inscrições para o Curso Livre de Patrimônio Cultural de Conservação, Restauro, Registro e Salvaguarda. O curso é uma iniciativa do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura (DPH/SEC), em parceria com o Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, e acontecerá no Palacete Provincial, localizado na Praça Heliodoro Balbi (da Polícia), nos meses de julho e agosto deste ano.

O curso, que inicia na próxima quinta-feira (12), é composto por seis módulos, cujas aulas serão ministradas por renomados profissionais da área de patrimônio histórico no Amazonas: o arquiteto Humberto Barata, o historiador Pedro Mansour, a arqueóloga Tatiana Pedrosa, o antropólogo Cristian Pio Ávila e a restauradora Judeth Costa. Os módulos incluem assuntos como legislação patrimonial, elaboração de projetos de restauro, políticas públicas para patrimônio imaterial, entre outros assuntos.

Para o curso, que é gratuito, serão disponibilizadas 30 vagas e, no ato da conclusão do curso, será emitida declaração de participação para os alunos. As inscrições podem ser feitas na Gerência de Formação Cultural e Eventos do Liceu Claudio Santoro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e também pelo e-mail fc.liceu@gmail.com.

A restauradora Judeth Costa, gerente do Ateliê de Restauro da Secretaria de Estado de Cultura e também professora do curso, explica que será uma oportunidade para a população entender o trabalho que se realiza nos patrimônios histórico-culturais. “Nós queremos que os participantes se interessem, conheçam e até mesmo se capacitem dentro dessa área. Esperamos que eles possam compreender como é feito o trabalho que desempenhamos, principalmente no restauro de bens patrimoniais”, completa.

Fonte original da notícia: Amazonas +




USP abre programa de residência em pesquisa em estudos brasileiros

Foto: Divulgação/Internet

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), maior coleção do gênero formada por particulares, abre, de 17 de julho a 18 de agosto, inscrições para a 3ª Edição de seu programa de residência em pesquisa. O Edital 2017 destina-se a pesquisadores brasileiros e estrangeiros, com o título mínimo de doutor, que tenham financiamento próprio e experiência de pesquisa na área de estudos brasileiros ou de conservação e restauro de acervos.

O programa, cuja intenção é possibilitar que pesquisadores desenvolvam projetos relacionados ao acervo da BBM – composto por cerca de 60 mil volumes – prevê dois tipos de vinculação à biblioteca: Residência de Pós – doutorado e Residência de Pesquisador. Serão contemplados cinco projetos voltados para a pesquisa do material constante do acervo da biblioteca e um projeto sobre conservação e restauro da mesma coleção.

Para concorrer à seleção, todos os projetos deverão esclarecer suas finalidades acadêmicas e suas afinidades com o perfil e natureza da Biblioteca. Quanto ao processo de avaliação dos projetos, serão duas etapas, sendo a primeira a análise de enquadramento da proposta e a segunda uma análise por parte do Comitê Acadêmico. Os resultados serão divulgados no dia 25 de outubro.

Para instruções de como participar, informações sobre as modalidades, acesse o edital completo em e.usp.br/96c ou entre em contato com a BBM pelo e-mail bbm@usp.br ou pelo telefone (11) 2648-0310.

Fonte original da notícia: PRCEU/USP




Imóveis históricos do Rio estão em péssimo estado de conservação

Palacete São Cornélio, na Glória. Fotos: Bruna Prado/Metro Rio

Palacete São Cornélio, casarões na Lapa, Hotel Glória, casas de Chiquinha Gonzaga e de Monteiro Lobato são alguns dos imóveis históricos do Rio encontrados em péssimo estado de conservação. Mesmo sendo protegidos e tombados, estão abandonados sem perspectiva de melhorias.

Caminhando pelo Rio Antigo, vemos belas construções com arquitetura do século 20. Imóveis que já tiveram seus dias de popularidade, como  o Hotel Glória, o Palacete São Cornélio e os casarões da Lapa estão abandonados. Além deles, as casas dos ícones da cultura brasileira, Monteiro Lobato e Chiquinha Gonzaga, estão em péssimo estado de conservação.

1 – Palacete São Cornélio. Obra parada

Construído em 1862, o Palacete São Cornélio, na Glória, foi doado à Santa Casa de Misericórdia, que instalou ali um asilo. Atualmente, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas o imóvel está vazio. Segundo o Iphan,  está em péssimo estado de conservação e ainda pertence à Santa Casa.

2 – Casarões na Lapa. Abandonados

Casarões na Lapa.

Sem numeração, pichados, vazios e à venda. Esse é o estado dos casarões da Lapa. Algumas casas são protegidas pelo Corredor Cultural, projeto da prefeitura que avalia a necessidade de obras, com objetivo de manter a fachada. Apesar da proteção, seguem abandonadas.

3 –  Chiquinha Gonzaga. Modificada

Chiquinha Gonzaga.

A casa de dois andares, na rua do Riachuelo, já pertenceu  à compositora da famosa marchinha “Ó Abre Alas”, Chiquinha Gonzaga (1847-1935), ícone da cultura brasileira. O imóvel, ex sede do Arquivo Nacional de Teatro, chegou a ser invadido, mas atualmente está abandonado.

4 – Monteiro Lobato. Mudança

Monteiro Lobato.

Muitos moradores da Tijuca não sabem, mas esta casa azul já pertenceu ao escritor Monteiro Lobato (1882-1948), autor das obras que deram origem ao “Sítio do Pica-pau Amarelo” da TV. Apesar de mal conservado, o imóvel é tombado. Mesmo assim teve a sua fachada modificada.

5 –  Hotel Glória. Falência

Hotel Glória.

O hotel já foi ponto de encontro de celebridades, políticos e chefes de Estado por conta da proximidade com o centro financeiro do Rio. Hoje, o Glória é o retrato do abandono: há correntes, cadeados, tapumes e pichações por todo lado. Em 2008, o empresário Eike Batista comprou o hotel com o objetivo de transformá-lo em um dos melhores do mundo, mas fracassou e revendeu. As obras estão paradas. Para manter a fachada tombada, havia sido iniciada a construção de outro prédio por dentro do antigo.  

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Igreja Nossa Sra. da Conceição em Jaraguá (GO) ainda aguarda restauro determinado em sentença

Flagrantes do descaso. Fotos: arquivo da Promotoria de Justiça de Jaraguá.

O Estado de Goiás, a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), o Município de Jaraguá e a Paróquia Nossa Senhora da Penha foram condenados a restaurar integralmente a Igreja Nossa Senhora da Conceição em Jaraguá. Apesar da decisão proferida em 2015 ter confirmado a liminar ao MP, os sentenciados ainda não deram cumprimento às determinações. O processo está em fase recursal, mas o MP adianta que apresentará as contrarrazões em resposta às partes contrárias.

Essa mesma decisão condenou os acionados a não destruir, demolir ou mutilar o imóvel, nem reparar ou restaurar sem prévia autorização dos órgãos competentes, devendo, a partir de então, conservar e preservar o o imóvel, dando-lhe, ainda, destinação útil compatível com sua relevância cultural.

Rachaduras no prédio.

A ação, que data de 2013, foi proposta pelo promotor de Justiça Everaldo Sebastião de Sousa apontava que a igreja, já naquela época, estava em péssimo estado de conservação, com problemas na cobertura, presença de cupins na estrutura de madeira, trincas e infiltrações e irregularidades agravadas com o período de chuvas.

Por Cristiani Honório

Fonte original da notícia: MPGO




UFG faz inventário da arquitetura moderna em Goiânia (GO)

Levantamento registrou 339 residências históricas nos setores Central, Sul, Oeste, Aeroporto, Marista, Bueno e Universitário.




Arqueólogo da UFS comanda primeira missão do Brasil no Egito

Ideia é transformar o espaço de pesquisa em campo escola para alunos brasileiros já em 2018.

Julian Sanchez analisando blocos com decoração. (Foto: Arquivo/BAPE)

No Sul do Egito está localizada a província de Luxor, que tem como capital a cidade de mesmo nome, antiga Tebas. É ali que um grupo de cientistas liderado por um pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), iniciou em março de 2016 a primeira missão arqueológica do Brasil no país africano com o estudo de tumbas Tebanas. E que nos próximos anos deve fazer do local um ponto de referência para estudantes brasileiros de arqueologia.

O Programa Brasileiro de Arqueologia no Egito (BAPE) é dirigido pelo Dr. José Roberto Pellini, professor da UFS, e tem como objetivo desenvolver projetos ligados aos temas da Arqueologia Egípcia. A equipe conta com 10 pessoas, sendo seis egípcios, que representam o Centro de Documentação e do Conselho Superior de Antiguidades, e quatro brasileiros.

“A missão [terceiro-mundista] em um país em desenvolvimento recebeu apoio do Conselho Superior de Antiguidades do Egito e do Centro de Documentação, quebrando a lógica da arqueologia egípcia que sempre foi dominada pelos europeus”, explica o diretor.

Professor Pellini no momento daabertura da tumba 294 olhando para os materiais presentes na tumba. (Foto: Arquivo/BAPE)

De acordo como ele, as tumbas estão localizadas em uma encosta chamada de Sheikh Abd el-Qurna, Luxor. A 123, é considerada a mais importante, e pertencia a um sacerdote chamado Amenenhet, do período do Novo Império, (1570-1069 a.c). Por duas semanas, ela foi aberta e explorada. Durante as escavações, a equipe encontrou uma outra tumba, batizada de 294.

“O estudo da tumba é importante para entendermos o modo de pensar dos egípcios antigos, no que se refere à apropriação do ambiente. Em 2016 fizemos uma visita técnica à tumba e este ano a gente pode ver que o potencial dela é fantástico. É uma tumba inédita, nunca foi publicada, nunca foi trabalhada, tem muito potencial para a arqueologia para a conservação e restauração”, explicou Pellini.

Fragmento de vaso cerâmico com decoração e inscrições. (Foto: Arquivo/BAPE)

Fragmento de basalto com inscrições hieroglificas. (Foto: Reprodução/BAPE)

Parte da decoração da TT123, com soldado acompanhando a caçada ao pântano. (Foto: Reprodução/BAPE)

“A Tumba 123 já tinha sido estudada no ano de 1905, quando foi desenhado um mapa superficial , e nos anos 80 houve outros trabalhos nela. Porém, apesar dessas pesquisas anteriores, não constavam algumas áreas descobertas agora pelos brasileiros. Existem duas salas e uma delas revelou uma câmara anexa. Foi aberta este ano para fazer uma vistoria. Constatamos uma grande quantidade de material, entre eles ossos humanos, restos de múmias e pedaços de sarcófagos. E fizemos a documentação de uma série de blocos da nova tumba. Nos desenhos, existem uma quantidade absurda de representações de plantas e animais. Algumas cenas muito raras como abate de porco, o que torna a tumba ainda mais especial do ponto de vista acadêmico”, conta Pellini.

Outro ponto destacado pelo projeto é uma parceria com a antropóloga Bernarda Marconetto, da Universidade de Córdoba, na Argentina, que vai realizar um estudo antropológico focando na relação dos moradores de Qurna com o patrimônio e o com a necrópole, que são as áreas destinadas ao sepultamento dos mortos.

Professor Pellini e a inspetora do Serviço de Antiguidades do Egito assinando os documentos de encerramento dos trabalhos da primeira etapa de campo da missão brasileira. (Foto: Arquivo/BAPE)

Campo escola

De acordo com o Pellini, o projeto deve durar entre seis e 10 anos e a segunda etapa deve iniciar entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018. Para o ano que vem, está planejada a abertura de dois setores para a escavação e o início da restauração e conservação da tumba, já que apresenta alguns danos. “Nesta fase vamos contar com um apoio de algumas equipes estrangeiras”, afirma.

Também em 2018, está previsto o pedido de concessão da nova tumba, que recebeu dos pesquisadores a inscrição número 294, e também a utilização das pesquisas de campo como espaço educacional para estudantes brasileiros.

“A ideia é levar seis estudantes, três de graduação da UFS e três de pós-graduação de outros cursos da USP, Universidade de Pelotas no Rio Grande do Sul. Estamos fazendo contatos com outras universidades, porque um dos objetivos do projeto é permitir o desenvolvimento da arqueologia egípcia aqui no Brasil. Hoje temos uma equipe que pesquisa sobre o tema no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Mas queremos criar outras frentes de pesquisa sobre o Egito, inclusive em Sergipe. Sendo, assim, é muito importante usar a tumba como escola de campo”, revela.

Pesquisadora faz anotações dentro de tumba. (Foto: Arquivo/BAPE)

Tecnologia

O diretor do Programa Brasileiro de Arqueologia no Egito (BAPE), José Roberto Pellini, explica que dentro da arqueologia são poucos os trabalhos que usam a realidade virtual e escaneamento 3D, como está sendo aplicado. “O projeto é bastante inovador e deve trazer bastante resultado, principalmente em relação à socialização”, explica.

Com a ajuda da tecnologia, vai ser possível fazer um estudo mais aprofundado e uma melhor compreensão da paisagem da necrópole tebana, além de possibilitar a imersão dos pesquisadores e do público em geral. “Vai permitir que outras pessoas, que não podem ir ao Egito, conheçam a tumba e também criem as suas próprias narrativas, expandindo as interpretações”, conclui Pellini.

Equipe brasileira e a egiptóloga Bori Nemet, o vice-coordenador Julian Sanchez, o coordenador da missão (de preto) e na ponta Caroline Murta, coordenadora de escavação. (Foto: Arquivo/BAPE)

Necrópole tebana no West Bank, em Luxor (Egito). (Foto: Arquivo/BAPE)

Por Anderson Barbosa e Jolema Gonçalves

Fonte original da notícia: G1 SE




Ouro Preto (MG) – 10º Seminário Patrimônio Cultural

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A Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP promove entre os dias 24 e 28 de abril o 10º Seminário Patrimônio Cultural | Conservação e Restauração no séc XXI. O evento para promove a discussão sobre a preservação de bens culturais, conceitos e práticas do processo, além de trazer debates sobre a profissionalização da área. As inscrições custam R$120, sendo que estudantes pagam meia.

Neste ano, a programação conta com palestras, debates e minicursos com foco na “Formação e Prática Profissional”. Para tratar deste tema, foram convidados professores e especialistas, reconhecidos no Brasil e no exterior, com histórico ligado à restauração de bens móveis e imóveis.

As mesas redondas tratam de temas como conservação de bens, restauração de monumentos, conservação e restauração de acervos modernos, dentre outros. Dentro dos minicursos estão os de marmorino e estuque em relevo; Oficina Introdutória de Afresco; Oficina de conservação, restauro e produção de ladrilhos e mosaicos; introdução de afresco; e técnica de confecção de olhos de vidro artesanal para imagens de devoção doméstico.

Serviço

Seminário Patrimônio Cultural | Conservação e Restauração no séc XXI – Formação e Prática Profissional

Público: Conservadores, Restauradores, professores e interessados na área

Data: 24 a 28 de abril

Custo: R$120 reais, estudantes pagam meia.

Local: Fundação de Arte de Ouro Preto | Rua Irmãos Kennedy, 601, Cabeças, Ouro Preto | MG

Mais informações: www.seminariopatrimoniocultural.wordpress.com e pelo telefone (31) 3551-2014

Fonte original da notícia: FAOP




Detentos de Ouro Preto (MG) trabalham na conservação do patrimônio

Após passar por treinamento, detentos atuam na conservação do patrimônio, iniciativa que permite a redução das penas e lhes abre portas para refazer a vida na cidade.

Reeducandos roçam jardins do Casarão Rocha Lagoa, numa parceria que diminui os dias passados na prisão e garante economia para a cidade. (Foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Reeducandos roçam jardins do Casarão Rocha Lagoa, numa parceria que diminui os dias passados na prisão e garante economia para a cidade. (Foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Quando sair da cadeia em maio, S., de 35 anos, pai de uma menina, sabe que vai enfrentar o preconceito da sociedade e receber olhares enviesados de muita gente ao revelar que pegou quatro anos por praticar assalto. Mesmo assim, ele pretende conseguir um emprego e ter vida nova na cidade onde nasceu e cumpre pena em regime semiaberto. “Quero trabalhar, ficar por aqui. Espero que as pessoas confiem em mim, me deem oportunidade, um emprego”, diz o detento, deslizando com precisão a roçadeira sobre o gramado do jardim do Casarão Rocha Lagoa, sede da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio. A exemplo de S., mais oito presos, no mesmo regime, participam do Programa de Liberdade de Assistência ao Encarcerado (Prolae), que lhes deu a chance de aprender um ofício e, agora, de atuar na preservação de monumentos históricos de Ouro Preto.

A iniciativa da prefeitura local foi idealizada em janeiro, quando o país fervilhava com as rebeliões nos presídios do Amazonas e Rio Grande do Norte, que deixaram dezenas de mortos e um clima de insegurança nacional. “Enquanto o Brasil discute a questão carcerária, pensamos na ressocialização e na dignidade humana. Ouro Preto, assim, dá o exemplo com uma ação positiva do reeducando na cidade onde vive. Esses homens foram capacitados, ganharam experiência e poderão ter uma carta de apresentação”, conta o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira.

O secretário explica que, ao assumir o governo, a nova administração encontrou os cofres públicos vazios e uma dívida alta: “E, aqui, os jardins degradados, tomados pelo mato. Foi então que procuramos o Poder Judiciário e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para, em caráter excepcional, fazer uma parceria e absorver os detentos do Prolae, programa vinculado à direção do presídio de Ouro Preto. Tudo isso só foi possível, acrescenta, graças ao empenho do Executivo municipal e do irrestrito apoio da direção do presídio e do Prolae, da Vara Criminal e da Promotoria de Justiça. “As autoridades envolvidas foram sensíveis às dificuldades enfrentadas pelo município e apoiaram a proposta”, diz Zaqueu.

Sem recursos para faxina geral em monumentos que fazem a beleza da cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, os presos começaram a trabalhar no início do mês passado e seguem nessa lida até maio, cuidando ainda do prédio histórico da Secretaria Municipal de Assistência Social, doado pelo Barão de Camargos, no Bairro Passa-Dez, e outros de relevância. “O serviço inclui limpeza e jardinagem e os custodiados estão fazendo tudo muito direito. Nenhum deles veio obrigado e sim de forma voluntária”, explica Zaqueu.

Orgulho. O grupo de presos, sob a supervisão de um funcionário da prefeitura local, cumpre jornada diária de oito horas, durante cinco dias da semana, recebe alimentação e transporte fornecidos pela prefeitura e, para cada três dias trabalhados tem remição de um dia na pena. “Todos os internos foram selecionados pela direção do Presídio de Ouro Preto”, observa o secretário. O prefeito Júlio Pimenta (PMDB) se mostra satisfeito com o resultado, exibe com orgulho, na tela do celular, a repercussão nas redes sociais e planeja o próximo passo, dentro do Prolae: o emprego dessa mão de obra no restauro de bens tombados. A intenção é firmar um convênio para tornar o programa prática contínua.

Com uniformes diferenciados dos da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi)/Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), comprados pela prefeitura a pedido do MPMG e da Justiça, os presos se deslocam pelo gramado e jardins do casarão, que se alonga por uma encosta, com muros de pedra seculares dando sustentação. “Estamos planejando uma iluminação especial para que moradores e visitantes conheçam esse patrimônio de Ouro Preto. A vista daqui é muito bonita, podemos ver igrejas, casarões, o Museu da Inconfidência e outras construções dos tempos coloniais”, adianta Zaqueu. Ele lembra que, no Prolae, os reeducandos têm uma série de atividades e cuidam de um viveiro de plantas.

No fim da manhã, o preso S. continua sua tarefa e daqui a pouco vai parar e seguir para o almoço. “Já trabalhei antes de ser preso. Acho que este programa é um exemplo para o Brasil”, afirma com a voz baixa. Interno há quatro anos dentro de uma sentença de 10, por tráfico de drogas, W., de 28, cuja mãe mora em Belo Horizonte, está certo de que o trabalho “distrai a mente, o que para nós é muito melhor”. E afirma que “ninguém fica no crime para sempre”. Seguindo para a refeição, ele acrescenta. “Este aqui é um bom jeito de recomeçar, pois há muito para fazer”.

Histórico. O Casarão Rocha Lagoa fica na Rua Teixeira Amaral, ladeira de acesso às igrejas São José e São Francisco de Paula e rodoviária de Ouro Preto. De provável construção datada do fim do século 18, o sobrado recebeu esse nome por ter sido residência, já na segunda metade do século 19, da tradicional família Amaral e Rocha Lagoa, representada principalmente pelo senador Francisco Rocha Lagoa e sua esposa Amélia Amaral Rocha Lagoa, filha do coronel Francisco Teixeira Amaral.

Conforme o Inventário de Proteção do Acervo Cultural (Ipac), a mais antiga referência ao imóvel data de 1806. Nesse ano, consta do Livro de Tombos de Terrenos Foreiros a informação de que “Vicência Moreira de Oliveira possuía uma casa na rua da ladeira que segue para a capela de São José”. O documento destaca ainda que a primeira referência direta ao coronel Francisco Teixeira Amaral se deu em 1872.

O que diz a lei  – Benefício por trabalhar

A Lei de Execução Penal (7.210/84) dispõe sobre a remição de parte do tempo de cumprimento da pena por estudo ou trabalho. O inciso um do artigo 126 assegura ao condenado no regime fechado ou semiaberto que um dia da pena será descontado para cada 12 horas de frequência escolar (ensinos fundamental, médio, profissionalizante, superior ou de requalificação profissional) divididas, no mínimo, em três dias. Já o inciso dois garante o desconto de um dia a cada três trabalhados. Por sua vez, o artigo 127 determina que, “em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até um terço do tempo remido (…), recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar.”

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Ouro Preto (MG) – Inscrições abertas para o processo seletivo do Curso Técnico em Conservação e Restauro da FAOP

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Estão abertas as inscrições para o processo seletivo do Curso Técnico em Conservação e Restauro da FAOP. São 36 vagas gratuitas para ingresso no primeiro semestre de 2017.

Reconhecido pelo MEC, o curso está entre os mais tradicionais do país, sendo referência internacional no campo da restauração de bens culturais móveis em papel, escultura policromada e pintura de cavalete.

Acesse o edital, a ficha de inscrição e mais informações no site: www.faop.mg.gov.br

Fonte original da notícia: ouropreto.com.br




De protetora a protegida: Grande Muralha chinesa corre perigo

Monumento é ameaçado por erosão, vandalismo ou venda de seus tijolos. Ele é vítima do próprio tamanho, que dificulta monitoramento e conservação.

China investiga 'restauração' com cimento da Grande Muralha. (Foto: Chinatopix/AP)

China investiga ‘restauração’ com cimento da Grande Muralha. (Foto: Chinatopix/AP)

A recente descoberta de uma “restauração” com cimento em um trecho da Grande Muralha da China voltou a pôr em evidência o perigo que o maior monumento do mundo corre, já que é ameaçado pela erosão, o vandalismo ou a venda de seus tijolos.

O gigantesco muro defensivo que os chineses começaram a construir há mais de dois mil anos é tão grande que é até difícil de ser medido (há estudos que apontam que tem de seis mil a 21 mil quilômetros). Ele é vítima de seu próprio tamanho, que dificulta seu monitoramento e conservação.

Isso explica, por exemplo, que a polêmica restauração com concreto em um trecho de Suizhong não tenha sido divulgada pela imprensa local ou gerado ira da população até dois anos após o término da obra, quando imagens do trabalho de péssima qualidade foram publicadas na internet.

“A Grande Muralha tem uma grande história, e claro, agora é como um velhinho”, disse à Agência Efe o maior especialista neste monumento, Dong Yaohui, que em meados dos anos 80 foi o primeiro a percorrê-la inteira – levou 500 dias – para realizar o primeiro estudo pormenorizado dela.

Dong decidiu mostrar o risco que a Grande Muralha corre e levou jornalistas de vários veículos de comunicação ao trecho de Jiankou, um dos mais perigosos e que fica a cerca de 70 quilômetros de Pequim, no qual a cada ano morrem ou se ferem alguns excursionistas.

Com mais de 60 anos, Dong não se intimida e percorre com grande perícia um trecho muito diferente dos mais turísticos, já que foi construído com pedra caliça em vez do tradicional tijolo cinza que edifica os concorridos trechos de Badaling ou Mutianyu.

Em Jiankou, árvores e arbustos invadiram o piso da muralha, inclinando-o às vezes, e na parte mais escarpada praticamente é preciso escalar, uma missão que Dong, figura fácil na televisão chinesa e autor de vários livros sobre a Grande Muralha, cumpre sem transtornos.

“Precisamos da ajuda de outros países, a Grande Muralha é grande demais, longa demais, e sua proteção é muito difícil”, admitiu.

Dong é o subdiretor da Sociedade da Grande Muralha, ONG que pretende conscientizar a população e os turistas sobre a proteção do monumento e que nos anos 80 foi presidida pelo herói militar Xi Zhongxun, pai do atual presidente do país, Xi Jinping.

Ele ficou em evidência na imprensa ultimamente ao apoiar o primeiro ‘crowdfunding’ para reunir recursos com o objetivo de restaurar a muralha, justamente no trecho de Jiankou.

A iniciativa rendeu polêmica no país, já que muitos alegam que é o governo que deve financiar um monumento que é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1987, mas Dong ressalta que pode ser um bom complemento para um sistema de proteção que às vezes não é eficiente.

“O governo exige que a verba seja gasta dentro do mesmo ano, mas a aprova em março, o projeto é leiloado em setembro, e só restam os meses de outubro a dezembro para a reparação” – a pior época para isso devido ao frio -, afirmou.

O dinheiro arrecadado com o ‘crowdfunding’ não terá esse limite anual, por isso poderá ser melhor usado, alegou Dong, que conseguiu em um mês atrair 60 mil doadores e arrecadar US$ 300 mil, quase um quinto do valor total necessário.

Entre esses doadores está o fotógrafo Gao Heping, que passou 25 anos imortalizando o monumento com suas lentes e decidiu contribuir com um pouco de suas economias para seu lugar favorito.

“Cresci perto dela, meus pais sempre me contavam histórias da muralha, e desse amor começaram a sair minhas fotos”, contou Gao.

O fotógrafo reconheceu que na China há gente que “não é consciente da necessidade de proteger o patrimônio histórico” e lembrou os danos causados ao monumento, por exemplo, na Revolução Cultural, quando muitas pessoas que viviam nas proximidades pegavam tijolos da muralha para usá-los em suas casas.

Ainda hoje há vendedores que roubam tijolos históricos – como os que têm gravuras – ou governos locais que pensam que a melhor forma de restaurar a muralha é cobri-la com cimento.

“Consertos como esse destroem a mensagem da história, a mensagem que a cultura chinesa representa”, ressaltou Dong, que lembrou que somente 8% da muralha está em bom estado de conservação.

O monumento nasceu ao mesmo tempo que o império chinês, no século III a.C., quando o soberano que unificou os diferentes reinos da época, Qin Shihuang, também uniu suas muralhas para protegê-los de invasores do norte da Ásia.

A edificação foi ampliada e reforçada em dinastias posteriores, e os trechos melhor conservados na atualidade são os que foram construídos na dinastia Ming (1368-1644).

Da Agencia EFE

Fonte original da notícia: G1