McDonald’s pede que pessoas comprem lanches em vez de ir a museus

Anúncio no Canadá não agradou muito os amantes de museus.

McDonald’s: polêmica no Canadá após comercial. McDonald’s/Divulgação

O McDonald’s Canadá foi obrigado a se retratar por conta de um anúncio veiculado nas rádios de todo o país nos últimos dias.

A propaganda, considerada por parte do público como controversa, diz em tom jocoso que qualquer pessoa pode gastar US$ 5 em sanduíche, batatas e refrigerante em vez de ir até um museu ver dinossauros e coisas do tipo.

O CEO do Prince George’s Exploration Place, um museu de ciência com modelos de dinossauro e exposições interativas, na Columbia Britânica, expôs seu descontentamento com a rede de fast food em entrevista para a CBC. Outras entidades também fizeram reclamações encaminhadas para a Associação dos Museus da província canadense.

O buzz negativo forçou um posicionamento oficial da marca. “Agradecemos que os museus sejam lugares confiáveis, respeitados e informativos sobre a cultura canadense e pedimos desculpas por qualquer ofensa”, disse Adam Grachnik, um porta-voz local do McDonald’s.

A Associação dos Museus do Canadá disse em um comunicado que, além de solicitar que o empresa remova o anúncio em todo o território nacional, também pediu que a rede considere uma maneira de trabalhar positivamente em conjunto com os museus no futuro.

Com informações da Fox News. Conteúdo publicado originalmente no site AdNews.

Fonte original da notícia: Revista Exame




Uma saída para os museus

Instituições culturais se reinventam para diversificar fontes de recursos, correr menos riscos e democratizar suas programações. Tudo para compensar a queda de financiamento público.

O museu é pop: o Museu da Imagem e do Som (MIS), dirigido por Isa Castro e Jacques Kann, chegou a ter um público dez vezes maior com mega exposições e de apelo popular, como uma sobre o apresentador Silvio Santos. Crédito: Gabriel Reis

Em novembro do ano passado, uma notícia fez o mundo das artes, que já andava em crise existencial, deitar de vez no divã: a condenação, a nove anos de prisão, de Bernardo de Mello Paz, o fundador do Instituto Inhotim – museu de arte contemporânea que é um dos mais visitados do País –, por lavagem de dinheiro referente ao período em que fora proprietário do conglomerado Itaminas, de mineração e siderurgia. Paz tem ainda uma dívida com o governo do Estado de Minas, também consequência de sua atividade na mineração. O montante chegou a R$ 500 milhões, mas, com a adesão a uma lei estadual que dá desconto para devedores, esse valor caiu para aproximadamente R$ 150 milhões.

Em busca de autonomia: no Instituto Inhotim, para depender menos dos recursos das leis de incentivo e para se blindar de polêmicas envolvendo seu fundador, Bernardo Paz, existe a procura por patronato diversificado.

Para quitar a dívida, o fundador do Inhotim chegou a oferecer obras de arte em exposição no museu. Segundo o instituto, a negociação estabelece que as obras permanecerão no museu, em comodato, sem possibilidade de serem removidas. Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto Inhotim, diz que além de investimentos de Paz e da verba obtida com a visitação, o Inhotim é financiado pelo governo de Minas e pela Lei Rouanet. Mas, para ter mais autonomia e depender menos de recursos de seu fundador e das leis de incentivo fiscal, a instituição tem adotado uma série de estratégias. “Nosso trabalho de captação, de como podemos garantir a sustentabilidade de Inhotim, vem sendo feito bem antes dos fatos recentes. Queremos sensibilizar e criar vínculos permanentes com patrocinadores também pessoas físicas”, explica Grassi. “Bem mais brasileiros doam para o MoMA do que para instituições daqui”, compara, referindo-se ao Museu de Arte Moderna de Nova York. Um dos projetos para estimular patronato é o apadrinhamento de obras. Há dois anos, o Instituto começou a testar esse novo modelo de gestão com o patrocínio da construção da galeria da fotógrafa suíça naturalizada brasileira Claudia Andujar, para a qual 25 pessoas contribuíram, cada uma, com R$ 25 mil reais. Hoje, do orçamento anual de R$ 35 milhões, 90% dos recursos vêm de patrocínio direto, Lei Rouanet e bilheteria. Bem diferente do início de Inhotim, quando, há dez anos, Paz arcava com a maior parte desse valor.

Criatividade e equilíbrio: no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, as dificuldades financeiras estão sendo superadas aos poucos com novas fontes de receita, segundo a diretora da instituição, Juliana Vosnika.

As notícias envolvendo o Inhotim foram traumáticas por arranharem a imagem de um dos marcos culturais e turísticos do Brasil e por deixarem evidentes as vulnerabilidades da gestão cultural no País. Em tempos de crise econômica, quando a cultura é uma das primeiras áreas a sofrer com cortes, é bom saber que arte e planejamento andam de mãos dadas. O Fundo Nacional da Cultura (FNC), por exemplo, que é um dos pontos da Lei Rouanet e que representa o investimento direto do Estado no fomento à cultura, “só vem esvaziando”, alerta Eduardo Saron, diretor do Instituto Itaú Cultural. Ele diz que o FNC, que apoia principalmente os projetos com maior dificuldade de captação junto a empresas privadas – caso dos projetos fora do eixo Rio-São Paulo –, não vem recebendo o repasse originalmente previsto de 3% das loterias federais. “A Caixa Econômica acaba enviando para o Planejamento, que não manda para a Cultura”, reclama. “Cerca de R$ 1,5 bilhão deixou de ser repassado da loteria para a cultura.”

Capitalismo de propósito: o diretor do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, alerta para a deficiência nos repasses governamentais e defende um maior compromisso com a sociedade. Crédito:Claudio Gatti

Os modelos de gestão cultural no Brasil são variados, mas a maioria ainda depende de recursos estatais. Algumas instituições contam, majoritariamente, com recursos do governo; outras são ligadas a empresas privadas; e há as que têm modelos híbridos de recursos estatais e privados, fazendo um balanço de recursos governamentais, da Lei Rouanet e de fontes como bilheteria, patronato e cessão de espaços. Mas há ainda um caminho alternativo, dos endowments, que são fundos patrimoniais privados de longo prazo. “O mundo cultural precisa aprofundar o debate sobre os endowments. A Lei Rouanet é importante, mas não dá para ser a principal fonte de recursos”, afirma Saron. “Hoje as empresas trabalham com base em um capitalismo de metas, visando o curto prazo. Deveríamos abrir mais espaço para o capitalismo de propósitos, de compromisso com a sociedade.”

Ainda raro no Brasil, o financiamento de instituições culturais por meio de endowments é bastante comum no exterior. Nos Estados Unidos, esses fundos mantêm equipamentos diversos, de universidades a museus, como o Smithsonian Institution, em Washington, e a Boston Symphony Orchestra. Constituir um endowment, porém, não é tão fácil. É preciso arrumar a casa antes. Esses fundos são geridos como os do mercado financeiro, por isso é preciso ter uma política sólida de governança, gestão e boas práticas. Os rendimentos são usados na manutenção da instituição e no desenvolvimento de projetos, garantindo a previsibilidade e a continuidade dos recursos. Depois de um tempo, o dinheiro é devolvido aos doadores e novos recursos são captados.

Por aqui, o caso pioneiro e mais emblemático de constituição de endowment foi o do Museu de Arte de São Paulo (Masp). O museu, que estava à beira da falência em 2013, corria o risco de fechar as portas e ter seu acervo de mais de oito mil obras estatizado. A solução envolveu várias frentes. Uma delas foi a criação do fundo de endowment, cuja meta, segundo Heitor Martins, diretor-presidente do Masp, é chegar a R$ 40 milhões. Outra ação foi renegociar a dívida, de R$ 35 milhões, com os credores. Para aumentar a arrecadação também foi criado um novo estatuto para o museu, ancorado em governança e tomando como base os modelos do MoMA e do Metropolitan, em Nova York. O estatuto deslocou o poder de decisão da assembleia de associados para um conselho deliberativo, formado por 80 empresários e investidores. Cada um desses empresários, como Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa; Flávio Rocha, presidente da rede Riachuelo; e Roberto Sallouti, presidente do Grupo BTG Pactual, tomou para si o compromisso de uma doação inicial de R$ 150 mil, além de R$ 35 mil anuais. A área de captação de doações e patrocínios do Masp, para pessoas física e jurídica, arrecadou R$ 50 milhões de 2014 a 2017. Com todas essas ações, o faturamento do Masp quadruplicou e chegou a R$ 40 milhões, virando superavitário, já que as despesas do museu são de R$ 38 milhões. “Isso tudo tem a ver com a comunidade valorizar o que tem, se envolver com o museu dentro de um espírito coletivo”, conclui Martins. “A questão financeira é um meio. Nosso objetivo é contribuir para a cultura e ter exposições de qualidade.” Segundo ele, o Masp deve fechar o ano com 410 a 430 mil visitantes, a segunda maior da história da instituição.

Outro caso raro de endowment no Brasil é o do capitaneado pelo artista Marcos Amaro, herdeiro de Rolim Amaro, o lendário fundador da TAM. Amaro, que deixou o mundo empresarial para se dedicar às artes, já expôs em vários países e criou a Fundação Marcos Amaro, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interese Público) com um acervo de mais de 600 obras. Um dos projetos da fundação, chamado de Memorial da Escultura Contemporânea Latino-Americana (Mescla), envolve um parque de esculturas e um espaço chamado Fábrica São Pedro, ambos no interior paulista. Apesar de ainda não concluídos, já estão abertos para visitação. O fundo de endowment criado por ele soma R$ 10 milhões, com recursos próprios. “No momento esse montante é suficiente para viabilizar o projeto, mas a ideia é abrir para mais investidores”, diz ele. “No total, o investimento na Fundação será de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões em cinco anos.”

Criatividade. Um exemplo bem-sucedido de criatividade na gestão de museus, em tempos de escassez de dinheiro público, é o do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Sob comando da executiva Juliana Vellozo Almeida Vosnika, o terceiro maior museu do País, com acervo de 4 mil obras e faturamento de R$ 15 milhões em 2017, está conseguindo reequilibrar suas finanças. Isso porque a participação de recursos públicos no faturamento caiu de 90%, em 2015, para 70%, no ano passado.

Entre as estratégias adotadas estão a abertura de um café dentro do museu, a terceirização do estacionamento (uma área nobre no centro da capital paranaense) e locação de espaços do MON para eventos. “Tivemos de reinventar nosso modelo de negócio, diversificando as fontes de receita”, afirma Vosnika, que também lançou um programa de parcerias, chamado de Sou Patrono. As doações de grandes empresários paranaenses alcançaram, em 2017, R$ 220 mil. Um ano antes, na estreia do programa, foram doados R$ 200 mil. “Com o apoio de doadores, novas entradas de dinheiro em caixa e maior participação da sociedade em nosso dia a dia, estamos conseguindo superar as dificuldades.”

A gestão híbrida, na qual a arrecadação vem de outras fontes além do repasse estatal, é, de fato, o modelo que tem ganhado cada vez mais espaço entre as instituições. Na Pinacoteca do Estado de São Paulo, que virou organização social de cultura no final de 2005, o governo ainda provê a maioria dos recursos – 60% do total, voltados principalmente para os custos fixos, como água e luz, e as exposições de longo prazo ou permanentes. Os 40% restantes, que precisam vir de captação, são investidos nas exposições temporárias, que costumam atrair mais público e repercussão na mídia, segundo Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais da Pinacoteca. Quando Vicelli chegou na Pinacoteca, em 2012, o processo de atração de recursos ainda era tímido. “Não havia uma abordagem comercial, com prestação de contas”, lembra. Mas nos últimos cinco anos, com uma série de ações de governança e novas abordagens junto ao público, aumentou, em mais de 50%, o montante captado. “De pessoa jurídica, via Lei Rouanet e patrocínio direto, recebemos R$ 12 milhões, e de pessoa física, aproximadamente R$ 1 milhão”, conta Vicelli. O dinheiro desses patronos, explica, vai para um fundo de obra de arte contemporânea.

Para “fisgar” doadores, a Pinacoteca promove eventos como o Pinaball, um baile com a presença de celebridades que aconteceu em 2015 para comemorar os 110 anos da instituição. Na ocasião, foram lançados produtos com apelo de luxo, como uma linha de joias inspirada na arquitetura do prédio e uma edição limitada de uma caixa de gravuras com trabalhos inéditos doados por artistas que fizeram história na Pinacoteca, como Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Jac Leirner. Em 2016, foi a vez de promover um álbum de fotografia com trabalhos, criados especialmente para a Pinacoteca, de artistas como Sofia Borges e Vik Muniz. Cada exemplar custava R$ 30 mil. Uma parte dos recursos com a venda do álbum – que totalizaram R$ 1,5 milhão – foi usada para comprar uma obra histórica de Belmiro de Almeida (1858-1935), “Menino com Bandolim“. A meta para o próximo ano, segundo Vicelli, é arrecadar R$ 16 milhões.

Arte e luxo: na Pinacoteca de São Paulo, com Paulo Vicelli como diretor institucional, eventos badalados e linhas de produtos com trabalhos exclusivos de artistas ajudam a incrementar um fundo de obra de arte contemporânea,

Já no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, do orçamento de R$ 23 milhões, R$ 13 milhões vieram de repasse do governo e R$ 10 milhões de bilheteria e cessão de espaços, como o do restaurante, da loja e do estacionamento. Ao contrário da Pinacoteca e do MAM, a cultura do patronato pessoa física não tem peso na arrecadação. Mas as bilheterias, sim. Em 2010, o público geral da instituição era de 61 mil pessoas. Nos anos seguintes, o museu ganhou holofotes com mega exposições, como as do Castelo Rá-Tim-Bum, Tim Burton e Silvio Santos – essa última com público recorde de 603 mil pessoas. A exposição atualmente em cartaz, que conta a trajetória do cantor e compositor Renato Russo, morto em 1996, já arrecadou R$ 1 milhão em bilheteria. Foram mais de dois anos de pesquisa e produção, com cerca de três mil itens retirados do apartamento do artista, conta Isa Castro, diretora cultural do museu. Ao sair da exposição, o visitante encontra itens relacionados ao músico na loja e jantar no restaurante do espaço. “Queremos que o visitante tenha uma experiência completa”, diz Jacques Kann, diretor de gestão e finanças do MIS. “Antes, poucos conheciam o museu. Agora a história é outra – os cobradores de ônibus, quando passam aqui na frente, dizem ‘ponto MIS’. É isso o que queremos, desmistificar e democratizar o acesso à cultura.”

Por Rachel Rubin e Hugo Cilo 

Fonte original da notícia: Isto É Dinheiro




Belo Horizonte (MG) – Após seis anos, Museu Mineiro reabre completamente restaurado

Reinauguração da Sala das Sessões marca a conclusão das intervenções no prédio do Museu Mineiro.

Quem entrar na construção em estilo eclético terá outras boas surpresas, além da Sala de Sessões, agora com o forro e as pinturas parietais reluzentes sob a iluminação própria para destacar o acervo pictórico. Foto: Beto Novaes/EM

De volta à cena para encantar, preservar a história e disseminar cultura. Quase seis anos longe dos olhos dos moradores e visitantes, um espaço emblemático do Museu Mineiro, no Circuito Cultural Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, reabre as portas completamente restaurado e com nova adequação das obras de arte, valorizando, assim, o acervo com seis telas de autoria de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), mestre do Barroco, e de outros expoentes da pintura. Na celebração dos 120 anos da capital, a reinauguração da Sala das Sessões marca a conclusão das intervenções no prédio da Avenida João Pinheiro, antiga sede do Senado Mineiro, e os 35 anos da unidade, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura.

Entre as novidades para o aniversário de BH, informa Andréa de Magalhães Matos, superintendente de Museus e Artes Visuais (Sumav) da Secretaria de Estado da Cultura, está a mostra Primeiros registros – a data de abertura será divulgada durante a semana –, com mais de 100 obras do Museu Mineiro, Arquivo Público Mineiro e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). Na Galeria de Exposição Temporária, estará um panorama da trajetória da cidade por meio de quadros, fotografias, documentos, plantas cadastrais e objetos, com destaque para uma tela retratando o engenheiro construtor Aarão Reis (1853-1936) com o projeto original de BH nas mãos, e uma bonequinha de biscuit que pertenceu à menina Alice, uma das que participaram do primeiro sorteio de lotes da nova capital.

“Este é um museu mineiro, com obras de artistas mineiros ou daqueles que retrataram Minas Gerais”, ressalta Andréa, orgulhosa por dirigir uma instituição que guarda a memória do estado e muito da capital. No total, são 3,5 mil peças, das quais 700 em exposição e de várias épocas e estilos. “Nosso objetivo é manter o dinamismo do museu, formar novos públicos e valorizar movimentos artísticos e culturais”, afirma.

Surpresas. Como dizia um poeta, trata-se, nesse momento, de um “museu de grandes novidades”. Quem entrar na construção em estilo eclético terá outras boas surpresas além da Sala das Sessões, agora com o forro e as pinturas parietais (feitas diretamente no reboco) reluzentes sob a iluminação expositiva e própria para destacar o acervo pictórico. No hall, pode ser admirado outro conjunto de pinturas parietais, que, conforme pesquisas, tem autoria do mesmo artista que trabalhou no Palácio da Liberdade, o alemão Frederico Steckel (1834-1921). A superintendente conta que foram removidas seis camadas de tinta até se chegar ao original.

Bem na entrada, estão em exposição obras de autoria do pintor natural de Ouro Preto Honório Esteves (1869-1933). Todos os quadros retratam personagens masculinos, destaca a superintendente, e, de cara, causa grande impacto a figura de um egípcio. Caminhando um pouco mais, fica-se frente a frente com a Sala dos Monarcas e vale o convite para contemplar as figuras, em óleo sobre tela, de dom João VI, Pedro II, dona Maria I e o brasão da família real.

No primeiro pavimento, mais perto da avenida, fica a Sala Jeanne Milde, homenagem à escultora belga (1900-1997) que chegou a BH em 1929, numa missão pedagógica europeia, para trabalhar no ensino de arte e educação. Os olhos não se cansam de admirar a escultura As adolescentes, verdadeira poesia feita com o cinzel. Sem pressa, tem-se a chance de conhecer o acervo moderno, com pinturas de Guignard (1896-1962) e trabalhos de Amílcar de Castro, Márcio Sampaio, Mário Silésio e Érico de Paula. “Este acervo é permanente, com obras datadas de 1929 em diante”, explica Andréa.

A conclusão das obras de restauro emociona a equipe do Museu Mineiro. “Estamos extasiados”, revela Andréa, revelando que foram empregados R$ 250 mil, via lei estadual de incentivo à cultura, com patrocínio da Cemig. “Não gastamos nada além disso, a curadoria foi daqui mesmo, enfim, fizemos milagre.”

Tesouros. O casarão da Avenida João Pinheiro, antes de abrigar o Museu Mineiro, teve múltiplas serventias – residência de secretários de governo no início de BH, Senado e na década de 1960 a 1981, Pagadoria do Estado. Hoje, leva os visitantes a fazer uma viagem sensorial ao caminhar por ambientes distintos e admirar imagens, oratórios e prataria, a maioria originária da Coleção Geraldo Parreiras, adquirida pelo estado em 1978. Na Sala das Colunas, causa impacto o pórtico de madeira trabalhada, com anjos, que pertenceu a uma igreja, já demolida, do interior. Nas vitrines, é de encher os olhos as imagens de Santana Mestra, São José de Botas, Nossa Senhora da Conceição e outros santos.

O olhar curioso do visitante vai encontrar muitas preciosidades: a colher de pedreiro que assentou a primeira pedra da construção da Cidade de Minas, nome anterior a Belo Horizonte – a ferramenta, com inscrição datada de 7 de setembro de 1895, tem lâmina de ouro e prata e cabo de madeira e estará na mostra Primeiros registros; o livro contando a festa do Triunfo Eucarístico, realizada em Ouro Preto em 21 de maio de 1733, e considerada pelos estudiosos uma das mais ricas e belas do Brasil colonial; um relógio pertencente a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), e outros objetos que contam parte da história de Minas. Na Sala das Sessões, vale a pena ficar longos minutos observando a o quadro A má notícia, datado de 1897 e de autoria do mineiro Belmiro de Almeida (1858-1935).

Camadas do tempo

Em maio, conforme mostrou o Estado de Minas, foi descoberta no Museu Mineiro, sob seis camadas de tinta, a última delas na cor preta, um conjunto de pinturais parietais – feitas diretamente nas paredes, sobre o reboco. São figuras aladas, folhas de acanto e outras ornamentações. Um mês antes, especialistas do Grupo Oficina de Restauro, de BH, iniciaram os serviços de recuperação nessa área do museu. Tudo começou com a prospecção na parede pintada de preto, e, após a intervenção, a equipe descobriu várias camadas de marrom, de massa e outros materiais e cores diferentes. No ambiente ao lado, que era preto e agora exibe um tom pêssego, dando mais leveza ao ambiente, não houve registro desses trabalhos, tão em moda na BH do início do século 20

1895 – O acervo do Museu Mineiro começa a ser constituído com a criação, em Ouro Preto, do Arquivo Público Mineiro

1910 – Lei 528, de 20 de setembro, autoriza a formação de coleções de objetos para composição do futuro museu

1977 – Decreto 18.606 determina a implantação do Museu Mineiro e o desvincula do Arquivo Público

1978 – Museu recebe 187 peças de arte sacra (séculos 18 e 19) da coleção Geraldo Parreiras, adquirida nesse ano pelo governo do estado

1982 – Museu é inaugurado em 10 de maio e funciona no prédio do antigo Senado Mineiro

1984 – Em abril, museu passa a ser vinculado à recém-criada Secretaria de Estado da Cultura

2002 – Término do processo de revitalização do Museu Mineiro, iniciado em 1999, que culminou na abertura da exposição Colecionismo mineiro

2012 – Em 18 de janeiro, Museu Mineiro é reaberto, com espaço multiuso e novos sistema elétrico, projeto luminotécnico, pintura e museografia

2017 – Em dezembro, são concluídas as obras de restauração do museu, com a reabertura da Sala das Sessões

Serviço

Museu Mineiro: Avenida João Pinheiro, 342 – Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte
Aberto às terças, quartas e sextas, das 10h às 19h; às quintas, das 12h às 21h; e sábados e domingos, das 12h às 19h
Telefones: (31) 3269-1103 e 1106 (visitas de grupos devem ser marcadas com antecedência)
Entrada franca

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Os embates entre o discurso de desenvolvimento e a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional

Atualmente, há cerca de 30 mil sítios arqueológicos protegidos no Brasil e este número pode ser muito maior – mais de mil pesquisas autorizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estão em andamento por todo o país. Porém, a continuidade desse trabalho está posta em xeque por uma série de normas, leis e decretos propostos, ligados aos processos de licenciamento ambiental.

O patrimônio histórico e artístico nacional inclui bens materiais e imateriais. “Bens arqueológicos, paisagísticos e etnográficos e históricos são alguns dos patrimônios materiais. Já saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão e até lugares que são referência para práticas culturais coletivas são considerados patrimônios imateriais”, explica  Roberto Stanchi, coordenador nacional de licenciamento do Iphan. Dessa forma, o conjunto que faz parte do patrimônio, além de estar presente na cultura cotidiana, também tem elementos que datam de antes da chegada dos europeus por essas terras.

O licenciamento ambiental é um procedimento em que o poder público, por meio do órgão ambiental responsável, analisa a viabilidade de um empreendimento e depois libera a instalação, ampliação e operação em uma determinada localização levando em conta estudos de impacto ao meio ambiente. Esse licenciamento é regulamentado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e leva em consideração o meio físico, como os subsolos, água, ar, clima; o meio biológico, incluindo os ecossistemas naturais (fauna e flora); e o meio socioeconômico. Este último engloba a socioeconomia, os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, ou seja, o patrimônio histórico e cultural.

O Iphan, que este ano completa 80 anos, participa diretamente da proteção do patrimônio histórico e artístico por meio de processos de licenciamento e fiscalização, todos regulamentados pela Instrução Normativa 001/2015, ou IN01, em vigor, desde março de 2015. A IN01 prevê a avaliação de impacto ao patrimônio, aprofundamento de pesquisas, prestação de contas e esclarecimentos à sociedade, na forma de divulgação científica, por exemplo.

Ainda que alguns aspectos de procedimentos de licenciamento precisem ser aprimorados, é inegável que, nos últimos anos, houve maior proteção e preservação de bens culturais. Diversos sítios arqueológicos extremamente relevantes foram encontrados em diferentes tipos de empreendimentos, como o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. Ele pode ser considerado o lugar mais importante de memória da diáspora africana fora da África, e as estimativas apontam que entre 500 mil e um milhão de negros desembarcaram ali.

Os desafios à preservação do patrimônio histórico e artístico

Cais do Valongo, Rio de Janeiro. Foto: Gloria Tega

No final do século XIX surgiram as primeiras pesquisas arqueológicas no Brasil. Apesar da importância desse campo de estudo para a construção da história e identidade das populações, a profissão de arqueólogo encontra entraves para sua regulamentação – atualmente, são mais de três mil profissionais no país.

“Acreditamos que a profissão ainda não é regulamentada em virtude justamente de interesses contrários à proteção do patrimônio histórico e cultural. Desde o final dos anos 1980, a Sociedade de Arqueologia Brasileira acompanha procedimentos para a aprovação de uma lei que regulamente a profissão de arqueólogo”, explica Flávio Rizzi Calippo, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB).

A dificuldade na regulamentação da profissão de arqueólogo é apenas a ponta do iceberg dos desafios associados ao patrimônio histórico. A proteção ao patrimônio histórico e, consequentemente, à história e cultura brasileira, não foi mencionada em um projeto de resolução que tramita no Conama. Encaminhado pela Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), o projeto quer substituir a atual resolução que regulamenta o licenciamento ambiental (nº 001/1986 e nº 237/1997) com a justificativa de aumentar a autonomia das entidades estaduais, acelerar os procedimentos de licenciamento nos estados. No entanto, não fazem menção ao patrimônio histórico e artístico. “O meio ambiente lato sensu não é apenas fauna e flora, biota e socioeconomia. Dentro, há o meio ambiente cultural e, dentro deste, o patrimônio”, destaca Stanchi.

Apesar de ser considerada um marco na preservação do patrimônio, a instrução normativa atualmente vigente corre risco de desaparecer. Há um Projeto de Decreto Legislativo que propõe sustá-la, argumentando que “acarreta uma burocratização excessiva e traz grande morosidade ao processo de licenciamento ambiental”. Ainda que tenha obtido parecer contrário da comissão de cultura, a proposta continua tramitando.

Em relação à morosidade, o tempo para análise e emissão de parecer do processo de licenciamento varia de acordo com a complexidade do empreendimento – podendo ser de 15 dias, dependendo da categoria da obra, até oito meses, para as mais complexas, como uma usina hidroelétrica.

Além do decreto legislativo, há ainda a possibilidade de aprovação de um projeto de lei que tira o Iphan do processo de licenciamento ambiental. As comissões que avaliam o projeto de lei já apresentaram pareceres favoráveis.

Desafios para além do patrimônio histórico e artístico

Não é apenas o patrimônio histórico e artístico cultural que está em perigo. De acordo com Stanchi, o problema é o próprio licenciamento ambiental. “Há uma falsa premissa de que esses estudos [de licenciamento ambiental] seriam um obstáculo ao desenvolvimento. Os países mais desenvolvidos do mundo têm processos de licenciamento ambiental, em muitos casos, mais rígidos que no Brasil”.

De fato, em 2015, a Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional aprovou uma decisão (PLS 654) que, na prática, cria um tipo de licença sem necessidade de estudos de impacto ambiental. Este projeto aguarda a decisão da convocação de audiências públicas no Senado para ir à votação em plenário.

Em 2016, ressurgiu ainda uma Proposta de Emenda à Constituição, PEC 65, originalmente apresentada em 2012, que extingue o processo de licenciamento ambiental de obras públicas. Nesta proposta, apenas é necessária a apresentação de um estudo de impacto ambiental prévio para que a obra seja liberada. Uma vez aprovada, fica assegurada a continuidade da obra, ou seja, além de não levar em conta a necessidade de licenciamento ambiental, também exclui a fiscalização do processo. A proposta, que conta com manifestação negativa de 99% dos internautas no site do Senado, aguarda a realização de audiência pública desde dezembro de 2016.

A justificativa apresentada pelo então senador Acir Gurcacz para a PEC 65 é de que “Uma das maiores dificuldades da administração pública brasileira e, também, uma das razões principais para o seu desprestígio, que se revela à sociedade como manifestação pública de ineficiência, consiste nas obras inacabadas ou nas obras ou ações que se iniciam e são a seguir interrompidas mediante decisão judicial de natureza cautelar ou liminar, resultantes, muitas vezes, de ações judiciais protelatórias”.

Essas propostas podem significar um grave retrocesso à proteção do patrimônio arqueológico e aos direitos de populações tradicionais, como as indígenas e quilombolas.

Daniel Munduruku, renomado escritor e um dos vencedores do Prêmio Jabuti de 2017, denuncia que a memória brasileira está sendo destruída por “etnocidas de plantão” e defende a sacralidade do território indígena, que não se trata apenas da floresta, mas também os lugares por onde os antepassados passaram e viveram. Como representante de seu povo que leva a voz de sua aldeia para o mundo, ele compreende a importância de órgãos reguladores desse patrimônio, como o Iphan, e acredita no “resgate da memória brasileira para a construção da autoestima do povo, e na necessidade de oferecer ao brasileiro um retorno à sua memória ancestral para que perceba e tenha orgulho de seus antepassados”. Munduruku externa sua preocupação com as mudanças propostas nos projetos que estão em tramitação e a relação com a identidade dos povos indígenas: “No atual contexto político, os povos indígenas estão lutando para tentar manter o pouco que conseguimos nos anos anteriores. Nossa preocupação não é avançar, mas evitar retroceder nos direitos duramente conquistados”.

Uma política de preservação versus a de desenvolvimento?

O Ministério Público Federal está atento às questões legais relacionadas à proteção do patrimônio histórico e artístico, mas “não pode tentar se sobrepor ou mesmo substituir os entes que participam do licenciamento ou a sociedade civil”, enfatiza a procuradora Zani Cajueiro, em entrevista concedida ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG).

Contrariando a ideia de que há uma dicotomia entre desenvolvimento e preservação, presente em vários países, Cajueiro afirma, na entrevista ao IEPHA/MG, que “isso é uma falácia; caso administrado com seriedade, e não somente sob uma ótica de lucros, o desenvolvimento certamente auxiliará na preservação”. Stanchi vai na mesma direção e propõe um diálogo entre as propostas, ao afirmar que “o dilema não está entre preservação versus desenvolvimento, mas em dotar as instituições para que possam dar as respostas preventivas necessárias, como a sociedade entende, de forma que isso ocorra sem prejuízos à preservação do meio ambiente e do patrimônio”.

“O que está em xeque? Simples: que preço vamos pagar nosso desenvolvimento? Não se discute a necessidade de desenvolvimento, todos nós o queremos, mas a que preço? Com a supressão das questões patrimoniais e ambientais? Com licenciamentos feitos ‘a toque de caixa’, com resultados absolutamente questionáveis, haja vista Mariana? O exemplo de um desastre como o que ocorreu em Mariana demonstra bem isso. Ou seja, o que precisamos não é acabar com o licenciamento achando que vamos resolver os problemas inerentes ao desenvolvimento, mas, sim, dotar os órgãos responsáveis pelas análises de capacidade técnica para realizar as avaliações com precisão e eficiência, sem prejuízo às questões patrimoniais e ambientais, assegurando o desenvolvimento no tempo em que a sociedade necessita”, ressalta Stanchi.

Adilson Roberto Gonçalves é bacharel em química (Unicamp), doutor em ciências (Unicamp), pesquisador da Unesp e pós-graduando em jornalismo científico pelo Labjor/Unicamp

Graciele Almeida de Oliveira é bacharel em química (USP), doutora em ciências – bioquímica, graduanda em educomunicação (USP) e pós-graduanda em jornalismo científico pelo Labjor/Unicamp

Virginia Vilhena é bacharel licenciada em ciências biológicas (UFMG), mestre em parasitologia pela mesma instituição, professora de ensino superior e pós-graduanda em jornalismo científico pelo Labjor/Unicamp

Fonte original da notícia: ComCiência




Dezenas de edifícios históricos são preservados no Rio

Ações de resgate da tradição cultural da cidade ajudam a estimular a economia local.

Igreja de Nossa Senhora da Candelária: restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. Fernandoandando/Getty Images

A cidade maravilhosa está resgatando seu passado. Há dezenas de projetos de recuperação e manutenção de pontos importantes para a história e a cultura do Rio de Janeiro. Eles incluem desde o Museu Nacional de Belas Artes até o Paço Imperial, passando pela Igreja de Nossa Senhora da Candelária, pela Sala Cecília Meireles e pelo Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).

Merece destaque a criação da Casa do Choro. Tombado e restaurado, o casarão conta com salas de aula, estúdio de gravação, centro de pesquisas e auditório com capacidade para 120 pessoas, onde são desenvolvidos trabalhos de pesquisa, educação e produção musical. Desde 2015, a Casa do Choro é um centro de referência para amantes do gênero musical. Funciona também como base do Instituto Casa do Choro, criado em 1999 e que atende 1 000 alunos por ano em seu núcleo fixo, além de já ter formado 13 000 estudantes, no Brasil e no exterior, incluindo comunidades do Rio de Janeiro.

Importância estratégica

Investir na restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. O impacto positivo, portanto, começa na preservação, passa pela educação e alcança a economia. Afinal, o setor de turismo cultural e histórico representa 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gera cerca de 800 000 empregos formais.

Dos projetos em andamento no Rio, 21 recebem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição atua, na verdade, em todo o Brasil. Desde 1997, 72 municípios, de norte a sul, receberam apoio para restaurar ou preservar mais de 200 monumentos históricos, como centros culturais, universidades, fortes, teatros, igrejas e museus.

O investimento total nesse período foi de 565 milhões de reais. “Cada restauro torna-se uma oportunidade para estimular ações de capacitação e qualificação profissional”, diz Luciane Gorgulho, chefe do departamento de economia da cultura do BNDES.

O Rio, em especial, recebe um maior volume de investimentos desde 2005, quando da preparação da cidade para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Manteve a restauração de equipamentos culturais e históricos durante o esforço para a Copa do Mundo de 2014 e, em especial, para a Olimpíada de 2016. Nesse período, o Theatro Municipal, por exemplo, passou por restauração arquitetônica e artística, enquanto o Museu do Índio foi modernizado e a Biblioteca Nacional recebeu um projeto cultural em comemoração aos seus 200 anos de construção.

Revitalização em Minas

As ações do BNDES também chegam, por exemplo, à cidade mineira de Tiradentes, que recentemente recebeu dois novos museus, construídos do zero. Também estão sendo restaurados cinco templos, incluindo um investimento de 4,75 milhões de reais para a paróquia de Santo Antônio, que vai recuperar o Santuário da Santíssima Trindade e as Capelas dos Cinco Passos da Paixão de Cristo, tombados desde 1938.

O banco também investe em ações de educação patrimonial e na execução do Plano Diretor do Município. Desde 2009, já foram destinados 23 milhões de reais para Tiradentes. Investimento que é revertido em qualidade de vida para os moradores.

BNDES

Fonte original da notícia: Veja Rio




Avenida Paulista se consolida como grande polo cultural de SP

Instituto Moreira Salles e Japan House, inaugurados este ano, se juntam ao Masp como importantes centros culturais da avenida.

Foto: G1. Reprodução/Internet

Com as recentes inaugurações de dois novos centros culturais, como o Instituto Moreira Salles e a Japan House, e a celebração dos 70 anos do Museu de Arte de São Paulo (Masp) a Avenida Paulista se consolida como um dos mais importantes polos de cultura do país.

Em quase três quilômetros, a avenida oferece exposições de obras retratando a boemia francesa do começo do século XX, fotos de americanos separados no ônibus pela cor da pele nos anos 50, e instalações futuristas de um artista japonês.

A Avenida Paulista, que em 1891 se tornou endereço das casas luxuosas dos barões do café, foi crescendo para o alto para abrigar escritórios e o mundo das finanças. Mas uma outra transformação vem acontecendo e muita gente já se convenceu: a Paulista encontrou sua vocação.

“É uma riqueza que a gente tem aqui em São Paulo, o Brasil ter isso aqui. ter chegado, ter conseguido isso ao longo do tempo”, diz o professor Alfonso Benedetti.

O Masp foi a semente plantada em 1968 por Pierto e Lina Bo Bardi. O casal fundou e projetou o museu que quase flutua na avenida. Dentro do Masp, os quadros também parecem flutuar.

“É um espaço amplo, aberto, sem divisórias, sem salas, e você consegue andar de uma maneira livre aí através das obras, sem nenhum anteparo”, destaca Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp.

A arquitetura do lugar permite ao visitante se misturar com a Paulista.

“A Paulista é um grande ponto de encontro, uma grande vitrine. o lugar onde as pessoas se encontram. O arquiteto Vinicius de Andrade, que é um dos projetistas deste prédio disse a uma certa altura que a paisagem de São Paulo são as pessoas”, diz o curador Lorenzo Mammi. “As pessoas saem pra se ver, pra se ver passeando. Isso acontece no domingo na paulista. Então, as pessoas se veem nas fotos, as pessoas se veem nas construções, se veem nas histórias. É uma maneira pra se ver, digamos de uma maneira mais refletida, mais sofisticada, mais aprofundada.”

O prédio do Instituto Moreira Salles, recém inaugurado, oferece exposições, cursos, filmes e shows.

No outro extremo da avenida, a Japan House inaugurada há quatro meses na Paulista já recebeu mais de 360 mil pessoas.

Fachada da Japan House, na Avenida Paulista. Foto: Marcelo Brandt/G1

“Esperávamos que ia trazer 500 ou 600 pessoas por dia, mas diariamente a média é de 1,5 mil a 2 mil pessoas”, diz Angela Tamiko Hirata, presidente da Japan House. “No final de semana, são 6 mil pessoas.”

A Avenida Paulista abriga ainda a Casa das Rosas, importante centro de exposições e apresentações artísticas; o Itaú Cultural, o Centro Cultural Fiesp, além de livrarias, cinemas e teatros.

A resposta o público dá se deixando seduzir por tudo o que a arte e a cultura podem proporcionar.

Instituto Moreira Salles – IMS Paulista
Avenida Paulista, 2424, São Paulo – Tel.: (11) 2842-9120
imspaulista@ims.com.br
De terça a domingo, das 10h às 20h; quinta, das 10 às 22h; feriados (exceto segunda), das 10h às 20h
Entrada gratuita

Museu de Arte de São Paulo (Masp)
Avenida Paulista, 1578 – Tel.: (11) 3149 5959
De terça a domingo: 10h às 18h (bilheteria aberta até 17h30); quinta-feira: 10h às 20h (bilheteria até 19h30); fecha às segundas-feiras
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)

Japan House
Avenida Paulista, 52
Horários: terça a sábado, das 10h às 22h; aos domingos, 10h às 18h.
Entrada gratuita

Casa das Rosas
Avenida Paulista, 37
Horários: terça a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 18h.

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149 – Tel (11) 2168 1777
Horários: terça a sexta, ads 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Centro Cultural Fiesp
Avenida Paulista, 1313 – Tel (11) 3528 2000

Por Graziela Azevedo e Fabiana Boa Sorte, Antena Paulista

Fonte original da notícia: G1 SP




‘Vem Viver o Patrimônio’ celebra 30 anos de tombamento de Sítio Histórico em Mimoso do Sul (ES)

O projeto contempla seis edições: abril, maio, junho, agosto, setembro e outubro, sempre no último sábado do mês. Durante o evento, o visitante tem a oportunidade de presenciar a história do local como se tivesse voltado ao passado.

Na próxima sexta-feira (29) e sábado (30), o Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana, em Mimoso do Sul, receberá mais uma edição do projeto ‘Vem Viver o Patrimônio’. Desta vez, o projeto vai celebrar os 30 anos de tombamento do local, comemorado neste mês de setembro. A programação cultural será intensa, com contação de histórias, exibição de filmes, exposição de fotografias e shows com violeiros e sanfoneiros.

O projeto ‘Vem Viver o Patrimônio’ tem o intuito de proporcionar sustentabilidade econômica ao Sítio Histórico, criando novas possibilidades de geração de renda local. Durante os dois dias, a arquitetura, culinária, artesanato, história local e a música aliada às raízes, atrai turistas e amantes da cultura, contribuindo para que o Sítio Histórico se torne sustentavelmente preservado em sua originalidade histórica, fortalecendo o Patrimônio Cultural local.

O distrito de São Pedro do Itabapoana foi o segundo município mais populoso do Espírito Santo até o final da década de 20, perdendo apenas para Alegre. Foi um dos municípios mais importantes do Estado até Revolução Varguista de 1930 quando, segundo contam moradores locais, teve sua sede e comarca ‘roubadas’ por uma caravana getulista apoiada por políticos do então distrito de Mimoso. Daí em diante Mimoso do Sul passou a ser a sede do município e São Pedro do Itabapoana passou a ser seu distrito.

O Sítio Histórico está a aproximadamente a 460 metros de altitude e tem uma população urbana estimada em mil habitantes. O acesso é feito por rodovia pavimentada e tem como principais atrativos o clima de montanha, a natureza exuberante, um grande conjunto de fazendas que datam do século XIX, o prédio Câmara e Cadeia, e o museu de São Pedro de Alcântara.

Tombamento

São Pedro do Itabapoana tornou-se Sítio Histórico em 1986, quando o Conselho Estadual de Cultura realizou o tombamento de 41 imóveis residenciais, além do prédio Câmara e Cadeia, da igreja e o calçamento central em pedras pé-de-moleque, a maioria deles datados do século XIX, como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual.

A partir de 1998 mudanças importantes alavancaram uma transformação do Sítio Histórico. Foi iniciado um processo de restauração e revitalização das casas e imóveis do Sítio, juntamente com a comunidade e com a ajuda de restauradores vindos de Ouro Preto, Minas Gerais, entre eles, a implantação do Antiquário São Miguel e do Museu São Pedro de Alcântara do Itabapoana.

Ainda nesse período o Sítio Histórico passou a realizar um dos eventos mais representativos da cultura capixaba: o Festival de Inverno de Sanfona e Viola. A partir de uma tradição antiga da região de se tocar sanfona e viola, o festival foi criado como uma forma de chamar a atenção de turistas e, principalmente do capixaba, para conhecer melhor e desfrutar um pouco da região repleta de história, cultura, tradição e arte.

No ano de 2015, São Pedro do Itabapoana recebeu da Assembleia Legislativa do Espírito Santo o título de ‘Capital Estadual da Sanfona e da Viola’.

Fonte original da notícia: Folha Vitória




Aves de Paraty (RJ) são protagonistas de livro que reúne ciência e fotografia

O município de Paraty abriga cerca de 470 espécies de aves, o equivalente a metade das que ocorrem na Mata Atlântica.

Capa do livro “As Aves de Paraty”. (Foto: Luciano Lima)

No litoral sul do Rio de Janeiro, Paraty guarda no conjunto arquitetônico um patrimônio que preserva a história e a cultura nacional. Mas entre tantas preciosidades construídas ao longo dos séculos, as aves, em especial, contribuem para que o município seja uma das regiões com maior biodiversidade do Planeta.

Cerca de 470 espécies de aves já foram registradas na cidade colonial. O número equivale a mais da metade de todas as aves que vivem na Mata Atlântica.

Toda a abundância e riqueza da avifauna de Paraty são apresentadas no livro “As Aves de Paraty”.

As aves são as protagonistas nesta obra que reúne ciência, fotografia e arte. “Um dos objetivos do livro é despertar a consciência de moradores e turistas para o fato de que mais da metade das aves da Mata Atlântica são paratienses”, diz Luciano Lima, ornitólogo e autor do livro. “Descobrir essas aves ‘caiçaras’ e se deixar encantar por elas são os primeiros passos para garantir sua proteção.”

Com textos em português e inglês, o livro tem a proposta de atrair não apenas os birdwatchers, mas também quem nunca atentou pela observação de aves. Nos primeiros capítulos, há informações para quem deseja iniciar na prática de observar os pássaros.

O livro de 172 páginas reúne mais de 300 fotos de aves da região. Os registros foram feitos por Luciano Lima, Bruno Rennó, Rafael Bessa, Wagner Nogueira e outros fotógrafos convidados. Infográficos auxiliam na compreensão da distribuição das espécies na floresta e capítulos temáticos destacam o modo de vida e os ambientes em que as aves podem ser avistadas.

A obra é uma realização da Fazenda Bananal, situada na base da Serra da Bocaina. Em sua área preservada de Mata Atlântica já foram identificadas 263 espécies distintas. Projetos de restauração ambiental também são desenvolvidos no local, ao todo, 15 mil mudas de espécies nativas foram plantadas.

O livro será lançado sábado (16/09), às 18h, na Livraria das Marés. Rua Tenente Francisco Antonio, 52, Centro Histórico, em Paraty (RJ).

Fonte original da notícia: G1




Sebrae aposta em baleias e cultura para levar turistas ao Sul de SC

Márcia Godinho, coordenadora do Sebrae-SC: o roteiro ainda está em fase experimental, mas deve começar a ser comercializado em breve.

Sol de verão. Praias cheias. Coco gelado. Roupas de banho. Se depender do Sebrae-SC, o estado catarinense logo será lembrado por mais do que um destino de férias de janeiro. O órgão tem preparado um roteiro, chamado “Rota da Baleia Franca”, que promete levar os visitantes dos municípios do litoral sul de Santa Catarina em uma jornada histórica, cultural, ecológica e com direito, como o nome sugere, a observação dos maiores mamíferos do mundo, as baleias.

Tudo faz parte de um planejamento de quase três anos do Sebrae-SC para fomentar o turismo na região, principalmente, nos três municípios de Laguna, Imbituba e Garopaba, especialmente na baixa temporada de inverno, que traz o clima frio que afugenta muitos visitantes. Com isso, a “Rota da Baleia Franca” visa incrementar o fluxo de visitantes, oferecendo a opção de julho a novembro, quando os gigantes dos mares migram para o litoral sul do país, e podem ser avistados ao longo da costa.

A ação não visa apenas focar nos municípios que compõem a espinha dorsal do roteiro, a intenção, é que diversas cidades próximas da região Sul catarinense sejam beneficiadas com o aumento dos visitantes, que poderão conhecer mais a fundo o estado, como o caso de Gravatal, que conta com águas termais, naturalmente aquecidas, e se tornam uma opção para “driblar” do inverno.

De acordo com a coordenadora do Sebrae-SC, Márcia Godinho, o nome da rota apenas homenageia as baleias francas e ressalta a possibilidade de elas serem avistadas, porém, o passeio tem pretensões maiores, aquecendo toda a região. “Avistar as baleias seria apenas a cereja do bolo. Queremos expor todas as qualidades e a diversidade oferecida por todas as cidades da região do litoral Sul catarinense, que vai muito além de praias e calor”, afirmou.

Ainda de acordo com Márcia, o roteiro deve atrair ainda mais turistas argentinos, que lideram o número de visitantes internacionais ao estado, e turistas gaúchos. “Os argentinos podem vir até de carro, a partir do Rio Grande do Sul. O trajeto até a argentina não é muito longo, além deles, os gaúchos, que também sempre aparecem em bom número, se beneficiam dessa proximidade, podendo aproveitar bastante o litoral Sul de SC, mesmo fora da época do verão”, comentou a executiva.

O roteiro, porém, ainda não pode ser realizado de maneira embarcada, conforme determinação do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio), que já perdura por alguns anos e tem gerado frustração por parte de alguns hoteleiros, Recentemente, o presidente do Instituto da Baleia Franca, , fez um apelo ao Ministério do Turismo para que haja uma reunião com representantes do instituto para que o processo seja agilizado, já que a medida beneficiaria diferentes passeios comercializados pelos hotéis costeiros.

Por Leonardo Neves

Fonte original da notícia: Mercado & Eventos




Porto Alegre (RS) – Museu/UFRGS oferece o curso “Cultura e Acessibilidade: pesquisa, formação e produção”

Nos dias 11 e 12 de setembro (segunda e terça-feira), a partir das 14h30, no Museu da UFRGS (Av. Osvaldo Aranha, 277 – Campus Centro – Porto Alegre), acontece o curso “Cultura e Acessibilidade: pesquisa, formação e produção”. A atividade que é organizada pelo Museu/UFRGS e pelo Grupo Interdisciplinar Pró-Cultura Acessível (PROREXT/UFRGS), tem como objetivo refletir sobre a temática da acessibilidade em ambientes culturais para promoção da inclusão de pessoas com deficiência. Dentre os temas abordados, a programação do evento inclui debate sobre políticas públicas para acessibilidade cultural, formação em acessibilidade cultural, comunicação multissensorial em museus, publicações multissensoriais e teatro e audiodescrição.

O curso é gratuito, tem entrada franca e vagas limitadas. Para inscrições clique aqui.

Para servidores técnicos e docentes da UFRGS, o evento pode contar como progressão por capacitação e as inscrições devem ser realizadas pelo site da EDUFRGS.

Mais informações e programação completa: https://goo.gl/YTpV2Q

Fonte original da notícia: UFRGS