UFMG e ICOMOS – Brasil promovem o 5º Seminário Ibero-Americano Arquitetura e Documentação

A pesquisa na área da História da Arquitetura e do Urbanismo tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, refazendo-se versões tradicionais da historiografia dominante. A intensa revisão a que tem se submetido o passado da Arquitetura e a significativa ampliação vivida pelo campo da preservação do patrimônio a partir dos anos 1980 fez com que a disciplina da História da Arquitetura voltasse a ser colocada na ordem do dia.

De fato, os últimos trinta anos assistiram a uma tremenda efervescência no campo da História da Arquitetura no mundo ibero-americano, com grande vitalidade editorial e com a multiplicação de programas de mestrado e doutorado e de eventos na área.  Ao mesmo tempo, percebe-se uma crescente colaboração entre áreas distintas, com a necessidade de um olhar integrado com os campos da ciência da informação e ciência da computação, considerando a explosão informacional e a repercussão da internet.

Neste contexto, em outubro de 2017, vai se realizar, em Belo Horizonte,  o 5Seminário Ibero-americano Arquitetura e Documentação, que pretende reunir profissionais e pesquisadores de toda região ibero-americana. Dando sequência aos trabalhos realizados em 2008, 2011, 2013 e 2015, a quinta edição deste Seminário, promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)  e do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS-BRASIL), vai ser composta por conferências e mesas-redondas, além de ter lugar para comunicações, que serão selecionadas através de chamada de trabalho  dirigida a todo o mundo ibero-americano. O envio de propostas de comunicações pode ser feito no site do evento (www.forumpatrimonio.com.br/arqdoc2017) até o próximo dia 25 de agosto.

Evento:  5Seminário Ibero-americano Arquitetura e Documentação
Promoção: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS-BRASIL)
Local: Belo Horizonte / MG / Brasil
Data: 24 a 26 de outubro
Mais informações: www.forumpatrimonio.com.br/arqdoc2017 ou +55.31.3409.8820

Fonte original da notícia: ICOMOS – Brasil




RS – Governo gaúcho não entrega projetos para restaurar museus e corre risco de perder R$ 21 milhões

Ministério Público investiga por que, depois de quatro anos, o Estado ainda não apresentou projetos para garantir repasse do governo federal.

Deterioração do Museu Julio de Castilhos atinge o piso de madeira, as paredes e o sistema elétrico. Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Atento à hipótese de perdermos R$ 21,5 milhões do governo federal, o Ministério Público investiga por que, depois de quatro anos, o governo do Estado ainda não apresentou os projetos para a restauração de quatro museus de Porto Alegre: o Margs, o Memorial do Rio Grande do Sul, o Júlio de Castilhos e o Hipólito José da Costa — não seria exagero dizer que os dois últimos estão caindo aos pedaços.

Os recursos foram garantidos em agosto de 2013, por meio do PAC Cidades Históricas. Conforme o secretário estadual da Cultura, Victor Hugo, “não existe atraso, existe demora”:

— Temos um conjunto de servidores de carreira e, quando um dos nossos arquitetos avalia que o projeto, que é elaborado por uma empresa licitada, não atende ao que foi contratado, não posso contestá-lo.

O Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândaga, estão entre os museus que aguardam recursos federais. Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

O diretor nacional do PAC Cidades Históricas, Robson de Almeida, afirma que há atraso, sim. Segundo ele, 75 obras também anunciadas em 2013 já estão em execução, outras 50 passam por licitação e 34 já foram concluídas. Quer dizer: os projetos foram entregues faz tempo.

— Dois anos seria um prazo razoável, com folga, para esses projetos. Quanto mais o tempo passa, menor são as chances de o Rio Grande do Sul receber as obras. A sociedade está vendo os contingenciamentos de recursos. Na semana passada, o PAC teve um corte de R$ 7 bilhões — alerta Robson.

O PAC Cidades Históricas é o maior programa de investimento em patrimônio cultural da história do país. Sem gastar um centavo, o Rio Grande do Sul teria, com ele, uma chance única de ver seus combalidos museus retornarem a um patamar digno. Não vai ser fácil.

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Piranga (MG) – Jubileu do Bom Jesus do Bacalhau: fieis e devotos iniciam uma das maiores peregrinações religiosas de Minas em direção templo histórico e sagrado de mais de 300 anos

Desde o dia 1º de julho e vai até dia 15, a comunidade histórica de Bacalhau celebra o 231º Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos, no antigo Distrito de Santo Antônio do Pirapetinga, em Piranga. A festa popular arrasta milhares de romeiros e fieis ao conhecido Jubileu do Bom Jesus de Bacalhau. No dia 30 de junho aconteceu a Romaria dos Cavaleiros saindo do Poliesportivo em direção ao Santuário do Bom Jesus abrindo o evento religioso, um dos maiores de Minas.  Até dia 15 de agosto, todos os dias ocorre o Terço da Aurora sempre às 6:00 horas. De 12 a 14, adoração do Santíssimo após a Missa das 15:00 horas. No domingo, dia 6, às 5:30 horas,acontece a caminhada dos romeiros de Piranga até Bacalhau.Durante todos os dias há as celebrações das Santas Missas sempre ás 15:00 horas e 19:00 horas com as participações de diversas comunidade. Aos sábados e domingos há Missas de hora em hora. A homenagem este é favor do Arcebispo do Geraldo Lyrio Rocha pelos 50ª nos de sua ordenação. Romarias de diversas partes da região e de Minas lotam o lugarejo.

A história

Bacalhau é um local místico e mágico, situado em uma colina em meio a exuberante Mata Atlântica. No local ocorreu a última batalha campal da Guerra dos Emboabas, em 29 de novembro de 1708, na antiga estrada que ligava Piranga e os sertões do leste. A construção do Santuário de Bom Jesus, tombado pelo Instituto Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), em 1996, que levou vários anos para ser erguido, contou com a participação de mestres do barroco brasileiro com a presença dos mestres da oficina de Mestre Aleijadinho, entre eles, o seu meio-irmão Padre Félix, a família do Mestre Ataíde que ali morava, onde seu pai, Luis da Costa Ataíde, era o delegado da confraria, o mestre pintor Francisco Xavier Carneiro, os irmãos Meireles Pinto, Vicente Fernandes, Francisco Vieira Servas, Manuel Dias. Através do Decreto Papal deu inicio oficial ao jubileu em 29/11/1786 e a partir de 1939 passou a ser comemorado entre 1º a 15 de agosto. O antigo distrito de Santo Antônio do Pirapetinga se originou a partir de 1700 quando a família dos sertanistas Cunha e Gagos começaram o avanço para chegar em Mariana e Ouro Preto, Sumidouro. A Capela Matriz de Santo Antônio do Bacalhau foi uma das primeiras de Minas. Nela foram batizados importantes pessoas da história mineira entre elas, a Matriarca Joaquina de Pompeu. Seus pais (George de Abreu Castelo Branco e Jacinta Tereza) casaram-se na Igreja.Assim como   Dona Beja e Chica da Silva, Joaquina tornou-se uma personalidade da cultura popular, pois fatos reais de sua vida misturam-se a lendas, recriando uma imagem controversa. Mas sem duvidas ela foi uma das mulheres mais influentes do século XVIII e XIX.  Ela casou-se com 12 anos e deixou entre seus descendentes os ex governadores de Minas Benedito Valadares e Magalhães Pinto e o embaixador e Ministro e embaixador Afonso Arinos de Mello Franco. O pesquisador do Arquivo do Conhecimento Cláudio Manoel da Costa (ACCMC), Marcos Gomes, com sede em Piranga, faz um leitura das pinturas da igreja, carregadas de amplos significados. Segundo ele, no simbolismo oculto dos mestres do barroco mineiro e ali está gravada a crônica ao vivo e a cores dos últimos momentos da Inconfidência Mineira. Bacalhau serviu de exílio ao Mestre Aleijadinho e seus oficiais, até quando ele partiu para a cidade de Rio Espera. Ali também observa-se a presença secreta de D. Pedro II e onde possuem as únicas madonas grávidas de Santa Maria Madalena.Atualmente, a estrutura do Santuário está comprometida, telhado danificado e o exemplar barroco está em estado avançado de deterioração comprometendo a sua estrutura. As pinturas estão descaracterizando devido a infiltrações. A situação geral é comprometedora e intervenções urgentes são necessárias ao imóvel do século XVIII. Uma reforma está sendo feita pela comunidade na parte frontal.A riqueza do Santuário, citado pelo atual Secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, como um dos 30 tempos barrocos mais importantes do Brasil corre risco e a Igreja precisa urgente de preservação, reforma e restauro para se manter viva a cultura popular e riqueza deste patrimônio histórico que guarda grande parte da história de Minas e do Brasil.

Curiosidade

Segundo uma lenda local, a capela foi construída após a descoberta da imagem do Senhor Morto, no sítio onde hoje se localiza a igreja. Por diversas vezes a população tentou guardá-la em outras igrejas da região, mas a imagem sempre voltava ao lugar em que apareceu pela primeira vez. Independente da lenda, o passeio a Bacalhau é imperdível pelo misticismo, cultura e história de Minas Gerais.

Fonte original da notícia: Correio de Minas




Salvador (BA) – Ruínas de maternidade no Rio Vermelho recontam parte da história e de figuras ilustres do bairro mais boêmio de Salvador

Terreno situado no Morro do Menino Jesus, que fica em frente à praia do Buracão, está sem destino definido há mais de 30 anos.

Foto da antiga maternidade Nita Costa e Hospital da Criança. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Abrigo dos boêmios, o bairro do Rio Vermelho tem em cada rua parte da história de Salvador. Com relíquias escondidas em muros, prédios e casas, as ruínas em um terreno que já sediou hospital e maternidade revelam parte dessa riqueza histórica. Mais de 30 anos após a desativação do local na década de 80, a área de mais de 19 mil metros quadrados já foi alvo de polêmica com moradores da região e continua sem destino definido.

Vigiada por apenas um segurança, o espaço foi, segundo o historiador e escritor Ubaldo Marques, a maternidade pública mais importante do estado da Bahia, assim como o Hospital da Criança, que era referência. “A maternidade era uma construção monumental, com fachada principal e escadarias de acesso voltadas para a Rua Marquês de Monte Santo e entrada para ambulância e outros veículos por uma passagem lateral, vizinha à Rua do Barro Vermelho”, diz o trecho do livro “Rio Vermelho”, de Ubaldo Marques, publicado em 1991.

Ruínas da escadaria da antiga maternidade Nita Costa. Foto: Danutta Rodrigues/G1

Hoje, o que restou do complexo de saúde, inaugurado em 25 de dezembro de 1936, foi apenas a escadaria da conhecida Maternidade Nita Costa, construída apenas em 1952. “Ali era uma propriedade particular, de Adolfo Moreira, que era morador do bairro e foi o maior benemérito que o Rio Vermelho teve. Ele desmembrou uma parte da antiga fazenda dele para a construção do Hospital da Criança”, conta Ubaldo Marques.

De acordo com o historiador, o terreno foi doado com a garantia de que o espaço servisse para a finalidade de instituição pública de saúde. Ele diz que no documento de doação tinha uma cláusula garantindo que, no dia que o local deixasse de cumprir com as finalidades beneficentes, o bem doado, assim como todos os benefícios, voltaria para o poder do doador e os respectivos herdeiros.

Palacete Alfredo Magalhães, onde atualmente fica o restaurante Fogo de Chão, no Rio Vermelho. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

O responsável pela construção do Hospital da Criança, que foi referência em pediatria no estado, foi o médico Alfredo Magalhães, também morador do Rio Vermelho, que conseguiu viabilizar o espaço por meio de campanhas. Ele era presidente do Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Bahia (IPAI-BA), instituição filantrópica fundada em 11 de junho de 1903, por ele e também pelo médico Joaquim Augusto Tanajura. O IPAI-BA tinha como objetivo a proteção materno-infantil.

“Era um hospital tradicional e era referência na área da pediatria. Alfredo era conhecido a nível nacional. Ele tinha uma casa belíssima, que é onde fica atualmente o restaurante Fogo de Chão, próximo ao Largo da Mariquita”, conta o pesquisador e arquiteto italiano Federico Calabrese, autor da tese de mestrado “Estudos de Requalificação e de Valorização Urbana e Paisagística do Rio Vermelho em Salvador”.

Em 1930, a convite de Alfredo Magalhães, Leonina Nita Barbosa Sousa Costa, conhecida como Nita Costa, torna-se vice-presidente do IPAI-BA. Em 1943, após a morte de Magalhães, ela ocupa a presidência, quando o Hospital da Criança passou a levar o nome do médico. Já em 1952 é construída a ala da Maternidade Nita Costa, no período do governo de Luís Régis Pacheco (entre 1951 e 1955), que viria a se tornar a melhor do estado.

À esquerda, a fachada da Maternidade Nita Costa; à direita, Hospital das Crianças já em ruínas no final da década de 1950. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Natural de Feira de Santana, Nita Costa prosseguiu com o trabalho de Alfredo Magalhães e pelo importante papel na questão assistencialista e política, a maternidade levou o nome dela. Nita Costa foi uma das fundadoras do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na Bahia e a primeira deputada federal do nordeste do país, em 1955, quando a bancada feminina possuía apenas duas cadeiras, segundo registros do centro de pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Seguindo pelo terreno que fica no Morro do Menino Jesus, um pouco da história do bairro descoberto antes mesmo de Salvador, em 1509, por Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, vai se revelando. Ao fundo, tem a praia do Buracão, uma das mais badaladas de Salvador, e à frente um posto de gasolina, que já foi uma fábrica de papel.

As ruínas da maternidade Nita Costa ainda abriga muitas histórias dos personagens que por lá passaram. Segundo o historiador Ubaldo Marques, foi lá na instituição pública onde nasceu uma moradora ilustre do bairro, Lindinalva de Assis, mais conhecida como ‘Dinha do Acarajé’.

Muito frequentado por músicos, boêmios, turistas e baianos, o Largo de Santana, que fica no Rio Vermelho, até hoje é conhecido popularmente como Largo de ‘Dinha’, tamanha a fama da baiana de acarajé que morreu aos 56 anos, em 2008.

À esquerda, a Praia do Buracão; à direita, a chaminé da antiga fábrica de papel do Rio Vermelho. Foto: Danutta Rodrigues/G1

O historiador Ubaldo Marques conta que o hospital e maternidade foram fechados por questões políticas, a partir do surgimento de outra maternidade, já no governo que sucedeu o de Régis Pacheco. “Foi construída a Tysila Balbino, no governo de Antônio Balbino. O governador queria que a ‘dele’ fosse a melhor da Bahia e mandou trancar todos os recursos da maternidade Nita Costa. E aí ela fechou. Foi um ato criminoso. Depois veio o governador Juracy Magalhães e não reativou. A construção monumental entrou em processo de ruínas”, conta o historiador.

O fechamento ocorreu em junho de 1959. Apesar disso, uma pequena ala do complexo de saúde continuou a funcionar como casa de órfãos até 1983, o que manteve o terreno a serviço da comunidade. Porém, com o fechamento total dos espaços do terreno, ele deveria ter voltado ao poder da família dos donos, mas segundo Ubaldo Marques, a área passou a ser do governo do estado.

“Não se sabe em qual governador, mas o terreno passou a ser do IAPSEB (Instituto de Assistência e Previdência dos Servidores do Estado da Bahia), de forma ilegal. Na época de funcionamento dessa instituição de órfãos, já eram ruínas as unidades do terreno. Depois, o governador Valdir Pires quis fazer um centro integrado do menor lá no espaço. O projeto foi até feito por Oscar Niemeyer. Aí, quando passaram o trator e quebraram a obrigação prevista na doação [de ser um espaço filantrópico], um empresário comprou o terreno da família de Adolfo Moreira e entrou na Justiça contra o Estado”, conta Ubaldo Marques.

De acordo com o historiador, o empresário, que ele não divulgou de quem seria, não tinha interesse em fazer um empreendimento e vendeu para exploração imobiliária. “Dizem que ali se tornaria um condomínio de luxo”, conta Marques.

Lauro Matta, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (AMARV), conta que há mais de dois anos foi chamado para uma reunião com a construtora Odebrecht e a Associação dos Moradores da rua Barro Vermelho, onde fica o terreno, para falar sobre os planos da empreiteira à época.

“A princípio, seria uma torre com 20 andares, uma por andar, e no mesmo terreno, um hotel seis estrelas, e seria o mais luxuoso e melhor do nordeste. Mas os moradores da rua Barro Vermelho chegaram até a sugerir que eles construíssem uma praça”, lembra o presidente.

O historiador Ubaldo Marques desaprova a possibilidade de que o local se transformasse dessa forma. “Chega de grandes prédios no Rio Vermelho. É um bairro histórico, não tem um centro cultural aberto para o público, em uma localização privilegiada. Aquela escadaria poderia ser preservada, é lindíssima”, diz Marques.

O G1 tentou contato com a Associação dos Moradores da rua Barro Vermelho, que também seria contrária à construção de um empreendimento imobiliário no local, mas até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. A reportagem também não conseguiu acesso ao espaço interno do terreno.

De acordo com a empresa de segurança que atualmente toma conta da área, que é cercada por muro e tem a lateral fechada com placas de alumínio, a Odebrecht vendeu o terreno para a BV Financeira, que é do grupo Votorantim, mas a reportagem não conseguiu contato com os atuais donos do espaço. A Odebrecht confirmou, na manhã de terça-feira (1º), que a venda do terreno ocorreu em 2016.

Área onde funcionava a antiga maternidade e Hospital da Criança no Rio Vermelho. Foto: Danutta Rodrigues/G1

O pesquisador e arquiteto Federico Calabrese aposta em uma restauração do espaço e preservação da memória do bairro.

“O Rio Vermelho é uma área de proteção paisagística natural pelo município, pela Lous [Lei de Ordenamento e Uso do Solo]. Depois, tem alguns prédios tombados, pelo Ipac e Iphan, como a igreja de Santana, a Casa de Jorge Amado, a casa onde tem a academia Vila Forma, algumas edificações tombadas, mas o resto não tem nenhum tipo de proteção. Tem o resto de uma fábrica de papel, que [os atuais donos] preservaram aquela chaminé. O Rio Vermelho tem vários elementos que são patrimônios antigos. Um bairro a ser estudado. Um bairro que tem vida na cidade”, declara Calabrese.

Rampa de acesso às ambulâncias do antigo hospital e maternidade continua conservada. Foto: Danutta Rodrigues/G1

Segundo ele, não há nenhum tipo de proteção para o espaço onde foi o Hospital da Criança e Maternidade Nita Costa. “A escadaria é muito monumental, porque o hospital estava lá em cima. Era escadaria de acesso ao hospital. Eu trabalho na UFBA, sou professor, sou envolvido com patrimônio. Aqui [em Salvador] é muito difícil. Lá [no terreno] não tem quase nada. Nem sei por que eles não demoliram essa escadaria”, ironiza.

“O Estado tinha que aproveitar para fins de utilidade pública. Deveria desapropriar e construir um centro cultural ali. O Rio Vermelho não tem. É um bairro artístico e histórico. Chega de trazer prédios para o bairro. Ninguém aguenta mais. Jogar mais um equipamento imobiliário ali é crime”, sugere Ubaldo Marques, que também é morador da região desde os 13 anos, quando o local era apenas de veraneio. Enquanto o sonho do historiador não se concretiza, as ruínas seguem sem futuro definido no lugar mais charmoso da cidade, onde a noite nunca termina.

Imagem da praia do Rio Vermelho na primeira metade do século XX. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Por Danutta Rodrigues

Fonte original da notícia: G1 BA




Ensino de História em Portugal perpetua mito do ‘bom colonizador’ e banaliza escravidão, diz pesquisadora

Pintura do francês Jean-Baptiste Debret de 1826 retrata escravos no Brasil.

“De igual modo, em virtude dos descobrimentos, movimentaram-se povos para outros continentes (sobretudo europeus e escravos africanos).”

É dessa forma – “como se os negros tivessem optado por emigrar em vez de terem sido levados à força” – que o colonialismo ainda é ensinado em Portugal.

Quem critica é a portuguesa Marta Araújo, investigadora principal do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

De setembro de 2008 a fevereiro de 2012, ela coordenou uma minuciosa pesquisa ao fim da qual concluiu que os livros didáticos do país “escondem o racismo no colonialismo português e naturalizam a escravatura”.

Além disso, segundo Araújo, “persiste até hoje a visão romântica de que cumprimos uma missão civilizatória, ou seja, de que fomos bons colonizadores, mais benevolentes do que outros povos europeus”.

“A escravatura não ocupa mais de duas ou três páginas nesses livros, sendo tratada de forma vaga e superficial. Também propagam ideias tortuosas. Por exemplo, quando falam sobre as consequências da escravatura, o único país a ganhar maior destaque é o Brasil e mesmo assim para falar sobre a miscigenação”, explica.

“Por trás disso, está o propósito de destacar a suposta multirracialidade da nossa maior colônia que, neste sentido, seria um exemplo do sucesso das políticas de miscigenação. Na prática, porém, sabemos que isso não ocorreu da forma como é tratada”, questiona.

Araújo diz que “nada mudou” desde 2012 e argumenta que a falta de compreensão sobre o assunto traz prejuízos.

“Essa narrativa gera uma série de consequências, desde a menor coleta de dados sobre a discriminação étnico-racial até a própria não admissão de que temos um problema de racismo”, afirma.

Vítimas passivas?

Jean-Baptiste Debret. Segundo Araújo, livros didáticos portugueses continuam a apregoar visão “romântica” sobre colonialismo português.

Para realizar a pesquisa, Araújo contou com a ajuda de outros pesquisadores. O foco principal foi a análise dos cinco livros didáticos de História mais vendidos no país para alunos do chamado 3º Ciclo do Ensino Básico (12 a 14 anos), que compreende do 7º ao 9º ano.

Além disso, a equipe também examinou políticas públicas, entrevistou historiadores e educadores, assistiu a aulas e conduziu workshops com estudantes.

Em um deles, as pesquisadoras presenciaram uma cena que chamou a atenção, lembra Araújo.

Na ocasião, os alunos ficaram surpresos ao saber de revoltas das próprias populações escravizadas. E também sobre o verdadeiro significado dos quilombos ─ destino dos escravos que fugiam, normalmente locais escondidos e fortificados no meio das matas.

“Em outros países, há uma abertura muito maior para discutir como essas populações lutavam contra a opressão. Mas, no caso português, os alunos nem sequer poderiam imaginar que eles se libertavam sozinhos e continuavam a acreditar que todos eram vítimas passivas da situação. É uma ideia muito resignada”, diz.

Araújo destaca que nos livros analisados “não há nenhuma alusão à Revolução do Haiti (conflito sangrento que culminou na abolição da escravidão e na independência do país, que passou a ser a primeira república governada por pessoas de ascendência africana)”.

Já os quilombos são representados, acrescenta a pesquisadora, como “locais onde os negros dançavam em um dia de festa”.

“Como resultado, essas versões acabam sendo consensualizadas e não levantam as polêmicas necessárias para problematizarmos o ensino da História da África.”

Visão romântica

Araújo diz que, diferentemente de outros países, os livros didáticos portugueses continuam a apregoar uma visão “romântica” sobre o colonialismo português.

“Perdura a narrativa de que nosso colonialismo foi um colonialismo amigável, do qual resultaram sociedades multiculturais e multirraciais – e o Brasil seria um exemplo”, diz.

Ironicamente, contudo, outras potências colonizadoras daquele tempo não são retratadas de igual forma, observa ela.

“Quando falamos da descoberta das Américas, os espanhóis são descritos como extremamente violentos sempre em contraste com a suposta benevolência do colonialismo português. Já os impérios francês, britânico e belga são tachados de racistas”, assinala.

“Por outro lado, nunca se fala da questão racial em relação ao colonialismo português. Há despolitização crescente. Os livros didáticos holandeses, por exemplo, atribuem a escravatura aos portugueses”, acrescenta.

Segundo ela, essa ideia da “benevolência do colonizador português” acabou encontrando eco no luso-tropicalismo, tese desenvolvida pelo cientista social brasileiro Gilberto Freire sobre a relação de Portugal com os trópicos.

Em linhas gerais, Freire defendia que a capacidade do português de se relacionar com os trópicos ─ não por interesse político ou econômico, mas por suposta empatia inata ─ resultaria de sua própria origem ética híbrida, da sua bicontinentalidade e do longo contato com mouros e judeus na Península Ibérica.

Apesar de rejeitado pelo Estado Novo de Getúlio Vargas (1930-1945), por causa da importância que conferia à miscigenação e à interpenetração de culturas, o luso-tropicalismo ganhou força como peça de propaganda durante a ditadura do português António de Oliveira Salazar (1932-1968). Uma versão simplificada e nacionalista da tese acabou guiando a política externa do regime.

“Ocorre que a questão racial nunca foi debatida em Portugal”, ressalta Araújo.

Sem resposta

Livro didático português diz que escravos africanos “movimentaram-se para outros continentes”. Marta Araújo

A pesquisadora alega que enviou os resultados da pesquisa ao Ministério da Educação português, mas nunca obteve resposta.

“Nossa percepção é que os responsáveis acreditam que tudo está bem assim e que medidas paliativas, como festivais culturais sazonais, podem substituir a problematização de um assunto tão importante”, critica.

Nesse sentido, Araújo elogia a iniciativa brasileira de 2003 que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.

“Precisamos combater o racismo, mas isso não será possível se não mudarmos a forma como ensinamos nossa História”, conclui.

Procurado pela BBC Brasil, o Ministério da Educação português não havia respondido até a publicação desta reportagem.

Por

Fonte original da notícia: BBC Brasil




Conselheiro Lafaiete (MG) – Fazenda Paraopeba restaurada: reunião da Amalpa abre casarão onde se reuniam os inconfidentes para tramar a movimento libertário

Um monumento dos tempos da Inconfidência Mineira reabre as portas, totalmente restaurado, para valorizar ainda mais a cultura do estado, destacar a história das Gerais e encantar os visitantes. Em solenidade marcada para hoje, dia 28, será incorporada ao patrimônio de Conselheiro Lafaiete, a Fazenda Paraopeba, casarão que pertenceu ao advogado e poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744-1792) e serviu de local de encontro para os demais conjurados liderados por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792).

A primeira atividade do casarão será a assembleia da Associação dos Municípios do Alto Paraopeba (Amalpa), presidida pelo prefeito do município anfitrião, Mario Marcus Leão Dutra. Na oportunidade, estarão presentes os chefes do Executivo dos municípios que compõem a entidade. A reunião está marcada para começar às 9:00 horas.

O restauro foi graça a assinatura de termo de ajustamento de conduta, assinado em 2012, quando o município desapropriou a fazenda, em ruínas à época, e ao mineradora Ferrous investiu cerca de R$2,5 milhões no restauro do bem do século XVIII, envolvido em uma área remanescente de mata atlântica. A propriedade, a princípio, deve abrigar um centro de referência turística da Estrada Real e da Inconfidência Mineira. A construção é tombada pelo patrimônio municipal.

Preservação

Quem passa na MG-383, perto do limite entre Conselheiro Lafaiete e São Braz do Suaçuí, pode ver a beleza do casario de dois andares, chamada por alguns viajantes de Casarão dos Inconfidentes. Em outros tempos, pela situação de ruína, era difícil imaginar que aquelas paredes e demais estruturas fossem testemunhas de tantas histórias de liberdade, de levante dos inconfidentes e indignação contra a coroa portuguesa. Hoje são novos ares nesse prédio que Alvarenga Peixoto recebia, no século 18, amigos, a exemplo dos também poetas Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) e Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), que planejavam o fim do domínio português.

Com a restauração, foi afastado o risco de que essa história se perdesse sob os escombros da propriedade, batizada nos Autos de Devassa – inquéritos que incriminaram os conjurados – de Covão, devido à cova formada pela topografia no entorno.

Fonte original da notícia: Correio de Minas




Porto Alegre (RS) – Por trás dos tapumes: veja como estão as obras no Largo dos Açorianos e na Praça da Matriz

Há meses, dois dos pontos mais emblemáticos do Centro estão interditados para receber reparos.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Porto-alegrenses terão de esperar um pouco mais para rever uma parte da história da cidade, atualmente encoberta por tapumes, revitalizada. Em obras há meses, o monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz e o Largo dos Açorianos e ainda dependem de intervenções para serem devolvidos à comunidade. Saiba como andam os trabalhos nos dois locais:

O aspecto ainda é de abandono: o que costumava ser um espelho d’água sob a famosa Ponte de Pedra mais parece uma poça enlameada, e o gramado que o cercava se resume a alguns tufos de vegetação. Mas, pelo menos no calendário da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smams), a obra de revitalização do Largo dos Açorianos já tem data para o fim: fevereiro de 2018.

Iniciados no ano passado, os trabalhos no sítio histórico foram divididos em três blocos: a primeira consistiu em melhorias no Monumento aos Açorianos, e o segundo, no restauro da Ponte de Pedra — ambas já concluídas. A última inclui a revitalização do entorno da ponte, que receberá passeios, esplanadas, piso tátil, bancos de concreto, escadarias e arquibancadas, além do preenchimento do espelho d’água, esvaziado há quase dois anos.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Aparentemente mais simples do que as outras duas fases — o restauro da ponte, por exemplo, exigiu minúcia para preservar as características antigas do monumento —, a terceira etapa tem sido a mais difícil de sair do papel. Um primeiro projeto, feito em 2015, foi descartado pela prefeitura por ser complexo demais. A ordem de início para a obra viável foi dada em outubro do ano passado, com previsão de execução em nove meses. Neste ano, porém, a nova gestão decidiu revisar os contratos, o que atrasou os trabalhos, empurrando a devolução do cartão postal para o ano que vem.

Segundo a Smams, “a necessidade de rebaixar o nível o lago no lado da ponte para resgatar a sua originalidade (deixando aparente os pilares de pedra), bem como preservar suas alvenarias, e a necessidade de manter o nível no lado do viaduto para preservar as redes de infraestrutura existentes, que passam abaixo do lago, definiu parte do projeto”. Atualmente, segundo a pasta, estão sendo realizadas a decapagem e a limpeza do fundo dos espelhos d’água, com retirada do material orgânico, além do envelopamento das redes do Dmae e CEEE, com capas de concreto. A próxima etapa será o reforço do solo.

Quando começou: janeiro de 2016
Valor: R$ 4.680.914,86 (terceira etapa)
Final previsto: fevereiro de 2018

Praça da Matriz

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Uma das obras mais emblemáticas da cidade, o monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz, recebe, desde maio, cuidados que causariam inveja ao mais abastado dos centenários. A estátua, em bronze e granito, passou por um diagnóstico para determinar que tipo de tratamento será feito para recuperar a forma de outros tempos.

Primeira etapa da revitalização da Praça da Matriz, a análise já foi concluída, segundo o PAC Cidades Históricas. O diagnóstico identificou a existência de fissuras e partes corroídas pela ferrugem. Com exceção da figura da República, que terá de ser removida do topo do monumento, os outros problemas serão sanados no local. As intervenções devem ocorrer entre setembro e outubro, quando a equipe do francês Antoine Amarger, responsável pelo estudo, retornará a Porto Alegre para executar o restauro.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Enquanto as obras na estátua não começam, estão sendo realizados reparos no entorno do monumento: o piso de basalto foi substituído, e as escadarias e os guarda-corpos estão recebendo melhorias. Detalhes mais sensíveis, como a recolocação da faixa em mármore (que poderá ser substituído por granito), e a instalação de um material para prevenir rachaduras nos degraus da escadaria só serão feitos após a conclusão das intervenções na parte em bronze, que exigirão o auxílio de andaimes.

A intervenção integra a primeira etapa de obras na Praça da Matriz, que inclui também o restauro das luminárias. Os trabalhos estão sendo realizados com recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do PAC Cidades Históricas. A requalificação do restante da praça deverá ocorrer em 2018, na segunda etapa de obras.

Quando começou: maio de 2017
Valor: R$ 1,1 milhão
Final previsto: novembro de 2017

Por Bruna Vargas

Fonte original da notícia: Zero Hora




El Patrimonio de Chile lo defenderemos las comunidades

Comunicado Público

El Patrimonio de Chile lo defenderemos las comunidades.

Grave acción del mundo privado y sus cómplices, contra la defensa del patrimonio.

Museo histórico y Militar de Chile. Fuente: Patrimonio de la Defensa. Divulgação/Internet

En diversos medios de prensa ha aparecido un inserto de la Cámara Chilena de la Construcción cuestionando las declaratorias patrimoniales de Villa San Luis y Casa Italia. Frente a la prepotencia y el poder del dinero, las comunidades que luchamos por la defensa del patrimonio de Arica a Punta Arenas, declaramos nuestro total apoyo a la protección patrimonial de lugares que representan la historia y memoria de nuestro país.

Consideramos de la mayor gravedad la presión del mundo inmobiliario, representado por la Cámara Chilena de la Construcción y sus cómplices, que no escatiman recursos, ni vulnerar la legalidad, antes ni ahora, cuando sus intereses económicos y políticos se ven amenazados por la ley que desde 1925 protege nuestro patrimonio.

En los casos de Villa San Luis y Casa Italia se demuestran, con presiones, demoliciones ilegales y maniobras arteras, la peor expresión de la corrupción, tráfico de influencias y uso de relaciones de poder para conseguir el único objetivo que el capital inmobiliario tiene: maximizar las utilidades de los controladores de las principales empresas del rubro, a costa de las legítimas demandas de las comunidades por preservar su memoria, dignidad y patrimonio. Especial atención hacemos del caso de Villa San Luis, cuando en plena dictadura militar, las comunidades fueron discriminadas y violentadas en sus derechos fundamentales, frente a lo cual el Estado de Chile tiene una gran deuda.

Lo que no han entendido los señores de la Cámara Chilena de la Construcción y sus cómplices, es que Chile, poco a poco ingresa a la discusión de las nuevas concepciones de protección patrimonial que impulsan organismos internacionales como Unesco.

Lo que no han entendido los señores de la Cámara Chilena de la Construcción y sus cómplices, es que Chile, poco a poco avanza en leyes que hoy harían imposibles casos de discriminación arbitraria, como la que sufrieron los vecinos de Villa San Luis. La actual ley Zamudio establece una definición de discriminación arbitraria, en su artículo 2º: “toda distinción, exclusión o restricción que carezca de justificación razonable, efectuada por agentes del Estado o particulares, y que cause privación, perturbación o amenaza en el ejercicio legítimo de los derechos fundamentales establecidos en la Constitución Política de la República o en los tratados internacionales sobre derechos humanos ratificados por Chile y que se encuentren vigentes”.

La firma de la Ministra de Educación de los decretos de protección patrimonial, luego del voto favorable de los consejeros del Consejo de Monumentos Nacionales (CMN), es una muy buena señal para Chile y su patrimonio. Apoyamos plenamente que se haya cumplido la labor que el Estado mandata a la Ministra, que es ratificar la votación del CMN.

La historia de ministros y ministras de educación que no han querido firmar declaratorias votadas por el CMN es larga y las comunidades tenemos buena memoria.

La maniobra comunicacional millonaria de la Cámara Chilena de la Construcción, a través de los insertos en diversos diarios de circulación nacional, es muy clara y tiene por objetivo ejercer una presión sobre la Contraloría General de la República, para la toma de razón de los decretos que entregan la protección patrimonial a Villa San Luis y Casa Italia.

El mercado inmobiliario y su destrucción de la ciudad la hemos sufrido en las últimas décadas, a costa del buen vivir de nuestras comunidades. Los intereses económicos de señores como Sergio Torreti Costa, Presidente de la Cámara Chilena de la Construcción y Oscar Acuña Poblete, abogado defensor de inmobiliarias, son parte de un país que ya la ciudadanía no quiere.

Particular indignación nos causa la labor en contra del patrimonio del señor Oscar Acuña, ex secretario del Consejo de Monumentos Nacionales. Como representante de la Inmobiliaria Casa Italia S.A. ha realizado todas las acciones posibles para que esta propiedad no se declare. En el caso de Villa San Luis ha dado diversas declaraciones contrarias a la protección patrimonial. Pero su historia es larga en las políticas a favor de la destrucción del patrimonio: apoyo al Rally Dakar y sus irreparables daños, asesor de Mall Plaza para proyecto Puerto Barón, apoyo a la demolición de la Clínica London, junto a decenas de recursos y asesorías hechas a empresas inmobiliarias o mineras, para validar la destrucción del patrimonio. Actualmente es parte del Consejo Nacional de la Cultura y las Artes y en su calidad de militante de la Democracia Cristiana, pertenece al equipo programático de la candidata presidencial Carolina Goic. Exigimos que este tipo de personas no sean nunca más parte de estructuras del Estado y castigaremos con nuestra movilización a los candidatos o candidatas presidenciales, parlamentarias o de gobierno regional, de cualquier sector político, que no tengan una política clara de protección del patrimonio.

Así como lo acordamos con los más de 400 delegados participantes en el 6o Congreso Nacional de Barrios y Zonas Patrimoniales, en abril de 2017 en Cartagena, hacemos un llamado a las comunidades que en diversos territorios luchamos por el patrimonio, a movilizarnos contra todos aquellos que no respeten las luchas, demandas y propuestas de protección del patrimonio cultural y natural de Chile.

La prepotencia del mercado inmobiliario y sus cómplices, sólo fortalecerá nuestras luchas y organizaciones.

No más barbarie inmobiliaria, las comunidades seguiremos la lucha por el buen vivir.

Asociación Chilena de Barrios y Zonas Patrimoniales.

Primeras organizaciones que adhieren:

-Agrupación Patrimonio de Los Vilos
-Agrupación por la Memoria Histórica Providencia Antofagasta
-AntofaPatrimonial
-Asociación de Barrios Patrimoniales y Zonas Típicas de la Región de Coquimbo
-Centro Cultural Keluwe
-Centro Cultural Patrimonio de Matta Sur
-Club Deportivo El Gran Yungay
-Colectivo Vecinos por el Patrimonio
-Comité de Vivienda Barrio Matta Sur
-Comité Matta Sur, Barrio Valioso
-Comité Victoria
-Consejo Vecinal de Desarrollo La Palmilla, Conchalí
-Corporación Cultam, Cultura y Medio Ambiente Sustentable
-Corporación Cultural de Los Vilos
-Corporación de Artesanos Productores Región de Antofagasta
-Cultura en Movimiento IV
-El Sitio de Yungay
-Equipo Técnico Declaratoria Zona Típica Villa Olímpica
-Escuela Taller Antofagasta
-Escuela Taller Coya
-Escuela Taller de Artes y Oficios de Cartagena
-Escuela Taller de Artes y Oficios de Chiloé
-Escuela Taller de Artes y Oficios Fermín Vivaceta
-Escuela Taller de Artes y Oficios Osvaldo Ramírez, La Serena
-Junta de Vecinos Barrio Yungay, Santiago
-Junta de Vecinos Cardenal Raúl Silva Henríquez, Santiago
-Junta de Vecinos de Frutillar
-Junta de Vecinos Villa Olímpica, Ñuñoa
-Londre 38, espacio de memorias
-Mesa Ciudadana de Patrimonio, Cultura y Turismo de Lota
-Museo Comunitario de Coya
-Ong Kimkelen
-Ong Vecinos Barrio San Eugenio, Santiago
-Patrimonio del Barrio, Copiapó
-Patrimonio del Olvido
-Potrerillos Amigos Siempre
-Sociedad de Amantes de Cartagena
-Vecinos por la Defensa del Barrio Yungay
-Vida de Barrios, Ñuñoa
-Vigías del Patrimonio de Llanquihue

Para adherir con tu organización a la declaratoria escribe a: patrimoniodechile@gmail.com

Fonte original da notícia: Asociación Chilena de Barrios y Zonas Patrimoniales (por e-mail)




MG – Concurso fotográfico quer valorizar patrimônio cultural dos mineiros

Fotos serão expostas na Fachada do Espaço do Conhecimento UFMG. (Reprodução/Street View)

Está aberto o concurso de fotos no Instagram que está sendo realizado pelo Circuito Liberdade entre os dias 7 e 24 de julho. O tema deste ano é “Meu olhar sobre o patrimônio” e tem como objetivo estimular os cidadãos mineiros a revelar suas memórias apresentando objetos de sua própria história e da cidade onde vive.

Para participar, a pessoa deve postar a foto no Instagram utilizando a hashtag #fotografiaepatrimônio além de seguir a conta @circuitoliberdade na mesma rede social.

O concurso integra as comemorações do Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado oficialmente em 17 de agosto, e também o Dia Internacional da Fotografia, em 19 do mesmo mês. Para essas celebrações, o Instituto Estadual do Patrimônio e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), em parceria com o coletivo Nitro Imagens, promove o Circuito da Fotografia e do Patrimônio Cultural.

Todo o material será apresentado em uma mostra fotográfica visando valorizar a identidade do povo mineiro e seu patrimônio cultural.

Uma comissão julgadora será formada por fotógrafos profissionais com atuação comprovado no setor, além de membros do Iepha e dos equipamentos culturais Circuito Liberdade. Os trabalhos do concurso serão avaliados dentro dos seguintes critérios: criatividade, qualidade estética, relevância e adequação ao tema proposto pelo concurso.

As três melhores serão eleitas e receberão prêmios que ainda serão divulgados pelos organizadores do concurso.

Cerca de 20 fotos também serão selecionadas para compor a exposição na Fachada Digital do Espaço do Conhecimento UFMG, na Praça da Liberdade, região Centro-Sul da capital. As fotografias serão expostas na primeira edição do evento Circuito da Fotografia e Patrimônio Cultural, de 16 a 20 de agosto, que contará com uma vasta programação no Circuito Liberdade, e também durante a programação de fim de ano.

O edital do concurso fotográfico está disponível para consulta.

Por Vitor Fórneas

Fonte original da notícia: BHAZ




MG – Projeto percorre as ruas de BH para fotografar e identificar residências antigas

Escondido entre prédios e muros, um portão marrom passa quase despercebido por quem transita pela rua Hermínio Alves, no bairro Santa Tereza, região Leste de Belo Horizonte. Do lado de dentro, 12 casas surpreendem pelas suas cores vivas e a história que guardam. Com a construção iniciada na década de 1910, a Vila Ivone é o retrato da riqueza arquitetônica que faz parte da capital. A menos de quatro quilômetros do Centro da cidade, a área teve como seus primeiros moradores Avelino de Souza Vieira e Florinda Pereira de Souza, que vieram de Portugal. Em 2003, foi tombada pelo patrimônio histórico e até hoje abriga os familiares do casal.

Já no bairro Serra, região Centro-Sul, as curvas e o estilo neoclássico marcam uma residência de dois andares na rua Estevão Pinto. Com projeto do arquiteto italiano Octaviano Lapertosa, um dos fundadores da Escola de Arquitetura da UFMG, o espaço já abrigou o professor Antônio Aleixo, foi colégio e até convento. Esses são apenas alguns detalhes da riqueza histórica que passam despercebidos pelos olhares dos apressados belo-horizontinos. Para mudar esse panorama, o projeto Casas de BH percorre as ruas da cidade para identificar e registrar residências antigas. De acordo com o fundador, o arquiteto Ivan Araújo, mais de 115 casas já foram catalogadas.

“A proposta surgiu em 2015 e tive uma grande aceitação, principalmente nas redes sociais. Tem pessoas que participam e contam que já moraram nesses locais ou tiveram algum familiar residindo ali”, contou. O projeto já promoveu duas caminhadas explicativas com estudantes e interessados pela área nos bairros de Lourdes e Funcionários, que concentram o acervo histórico de BH. “Na primeira, foram pouco mais de 50 pessoas participantes. Já na segunda edição, que aconteceu neste mês, recebemos mais de 100”, disse.

Preservação histórica

Conforme o especialista, muitos moradores relatam dificuldades para manter as propriedades em bom estado de conservação, principalmente pelos altos custos das reformas. “Como muitas são tombadas, eles relataram falta de incentivo e apoio, principalmente com o custo. E manter uma casa em bom estado envolve muita manutenção”, finalizou.

O arquiteto e professor da UFMG, Flávio Carsalade, explicou que grande parte da história da cidade já foi perdida. “Porém, a partir de 1990, com a criação da diretoria de patrimônio histórico de BH, essa situação vem se revertendo. Além da proteção municipal, o órgão oferece assistência técnica gratuita para os moradores”, argumentou.

Por Lucas Morais

Fonte original da notícia: Metro BH