“Esse patrimônio é todo nosso”, destaca vídeo institucional de 81 anos do Iphan

Reprodução/Internet

Em 2018, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) completa 81 anos. Desde sua criação, em 13 de janeiro de 1937, o Iphan atua com o propósito de identificar, reconhecer e valorizar o conjunto dos bens culturais do país, cuja conservação e salvaguarda seja de interesse público – quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico, paisagístico, artístico ou cultural. É uma longa trajetória em prol da preservação da singularidade da cultura brasileira.

A fim de homenagear a jornada pela proteção dos bens culturais brasileiros, o Iphan lançou um vídeo institucional que exalta os aspectos da brasilidade do nosso Patrimônio Cultural. Assista:

Em celebração a esse momento, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, destaca os desafios que estão por vir.

Em janeiro de 2018, encerramos oficialmente as comemorações dos 80 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. 

O debate realizado ao longo de 2017 garantiu uma profunda reflexão sobre o presente, o passado e o futuro da Instituição. Agora, é chegado o momento de avançar, de consolidar as políticas de preservação e salvaguarda do nosso patrimônio e enfrentar novos desafios. 

Com tantas singularidades, em um país com dimensões continentais, o Iphan irá buscar ampliar o debate de conceitos e a troca de experiências sobre a região com a sociedade civil, gestores, detentores das práticas culturais e a comunidade científica. Queremos envolver a todos e promover a compreensão do Patrimônio Cultural como vetor de desenvolvimento social e de promoção do turismo sustentável. 

O desafio da preservação da memória nacional deve estar aliado ao desenvolvimento local e em políticas públicas capazes de gerar melhorias para a qualidade de vida nas cidades, incremento às economias regionais, estímulo aos investimentos e à geração de emprego e renda. Vamos abraçar esse momento e unir o Brasil na proteção das riquezas até os limites das nossas fronteiras”.

Fonte original da notícia: IPHAN




Com acervo histórico, Instituto completa 110 anos em Belo Horizonte (MG)

Apesar dos 110 anos de história, a associação tem projetos para atrair as novas gerações. A digitalização de documentos, mapas e fotos tem projeto e está em andamento.

Que tal visualizar um mapa de Minas Gerais de 1824? Ou vídeos culturais e políticos registrados em meados do século passado? E ter acesso a livros e documentos que contam a história de Belo Horizonte e Minas Gerais? Tudo isso é possível no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que completou 110 anos de existência em agosto deste ano.

Localizado na região central de Belo Horizonte, na rua Guajajaras, o instituto conta com biblioteca, videoteca, hemeroteca e mapoteca, que preservam a história de Minas Gerais e também do Brasil, por meio de livros, revistas, mapas e vídeos dos séculos XVIII, XIX e XX.

“A biblioteca é o local com mais referência histórica, obras e documentos raros, originais. Inclusive, coleções e doações ligadas ao instituto de alguma forma”, diz o atual presidente da instituição, Aluízio Quintão.

Em todo estado mineiro, o IHGMG é a instituição privada mais antiga em funcionamento. Para ter uma ideia, há livro com título “A Capitania das Minas Gerais”, de Augusto de Lima Junior. Outro exemplo, sobre a história nacional, o instituto conta com livro “Memória a respeito da Sepultura Rasa do Descobridor do Brasil Pedro Alvares Cabral”, publicado em 1902.

O instituto foi criado em 15 de agosto de 1907, após movimento político. Em 1896, Nelson de Sena começou o movimento pela criação do instituto, que era inspirado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que fora fundado ainda no regime monárquico, em 1838.

Em 1897, foi a vez de Antônio Augusto de Lima realizar reuniões com políticos e intelectuais da época em favor da criação do instituto. Apenas 10 anos depois, o grupo conseguiu fundar o instituto, que fora presidido pelo então presidente (governador) de Minas Gerais João Pinheiro da Silva. “O Instituto surgiu pelo idealismo de jovens políticos que queriam registrar a história de Minas Gerais”, afirma Aluízio.

Futuro

Apesar dos 110 anos de história, a associação tem projetos para atrair as novas gerações. A digitalização de documentos, mapas e fotos tem projeto e está em andamento. “A digitalização ajuda a pesquisa, sem alterar documentos. Temos site que está sendo restruturado e vamos tentar colocar os arquivos de maneira ampla”, diz Aluízio.

A missão do instituto parece simples, mas exige esforços para que a história mineira seja mantida, como diz o diretor de comunicação Paulo Lasmar. “Numa época em que a educação e a cultura ficam relevados a segundo plano, essa lamentável situação só aumenta a responsabilidade e importância do instituto, que possui acervo inestimável”, afirma.

Serviço

Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
Funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 13h às 17h30
Telefone: (31) 3212-4656
Rua Guajajaras, 1268. Centro. Belo Horizonte.

Fonte original da notícia: O Tempo




Vestígios arqueológicos dão pistas sobre a pré-história de Belo Horizonte (MG)

Artefatos de pedra e cerâmica resgatados em sítios arqueológicos mostram vestígios de ocupação humana que fazem a história da cidade recuar no tempo entre 500 e mil anos. Estudiosos batalham para resgatar peças do acervo, hoje no Museu Nacional do Rio, e escavações continuam no Horto.

Antônio Gilberto Costa mostra área do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG onde foram feitas as escavações da década de 1940. Foto: Beto Novaes/EM

Qual a idade de Belo Horizonte? Qualquer criança responderá, em um piscar de olhos: 120 anos. Mas se a pergunta incluir a expressão “verdadeira idade”, com certeza muita gente ficará com cara de interrogação. É que a história da que hoje é conhecida como capital dos mineiros vem de muito antes da transferência, em 1897, da sede do poder de Ouro Preto para o primitivo Arraial do Curral del-Rei, sobre a qual foi erguida a cidade; antes até mesmo das sesmarias recebidas, em 1701, pelo bandeirante João Leite da Silva Ortiz. “BH tem um passado desconhecido. Muito antes dos pioneiros, já havia ocupação humana, conforme vestígios arqueológicos encontrados na forma de artefatos de pedra e cerâmica. O grande problema é que esse material foi levado para o Rio de Janeiro e nunca mais voltou”, lamenta o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, também integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), com base em estudos da década de 1940.

Na publicação Arqueologia de Belo Horizonte, de dezembro de 1947, quando a capital comemorava 50 anos, o então presidente da Academia Mineira de Ciências e do IHGMG, professor Aníbal Mattos, escreveu sobre a ancestralidade da capital e registrou em fotografias os vestígios cerâmicos (pedaços de potes de variados tamanhos e rodas de fuso) e líticos (machados, soquetes e bigornas de pedra) provenientes de antigas aldeias indígenas existentes principalmente nas regiões do Horto Florestal, no Bairro Santa Inês, e do Córrego do Cardoso, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste. “Trata-se de um livro precioso”, diz Souza Miranda, explicando que o trabalho foi apresentado em 1938, em BH, e dois anos depois no 3º Congresso Rio-grandense de História e Geografia, em Porto Alegre. Para o especialista, são necessárias políticas para proteger o patrimônio arqueológico da capital.

Na sede do IHGMG, na Praça Raul Soares, Região Centro-Sul da capital, com os olhos atentos sobre o opúsculo (texto impresso de poucas páginas) de Aníbal Mattos, entende-se melhor a “pré-história” de Belo Horizonte, metrópole hoje com cerca de 2,4 milhões habitantes que completa 120 anos de fundação na próxima terça-feira. Mattos escreveu: “São páginas inéditas de uma história que o belo-horizontino ainda não conhecia, e de cuja existência talvez nem suspeitasse”. Entre os achados estavam machados indígenas, conhecidos popularmente como “pedras de raio”.

Em seu texto, o escritor e pesquisador revelou ainda que as melhores peças encontradas pelo doutor Soares de Gouvêa, que trabalhou em escavações na região do antigo Horto Florestal, hoje parte do Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (MHNJB/UFMG), “tinham sido enviadas a Roquette Pinto, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro”. E ressaltou: “Das jazidas arqueológicas que devem ter existido aqui, a mais importante até agora é a do Horto Florestal”.

Luz do Conhecimento. Na avaliação do arqueólogo André Prous, professor aposentado do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG, o material pode ter de 500 a 1 mil anos. Ele também destaca que o passado da capital e a ocupação primitiva são pouco conhecidos dos mineiros. Na sede do Museu de História Natural, onde Prous é pesquisador voluntário, há mais luz sobre a pré-história de BH. O diretor da instituição, o geólogo e professor Antônio Gilberto Costa, conta que uma equipe faz constantes escavações na área da instituição, concentrando as atividades no entorno do Palacinho, construção do início do século 20.

Fotos de peças arqueológicas encontradas entre 1938 e 1947 na região do Horto, em BH, hoje Museu de Historia Natural e Jardim Botânico da UFMG. Foto: Arqueologia de Belo Horizonte, de Anibal Mattos/Reprodução/Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

O professor Gilberto explica que em 2014 esteve no Museu Nacional, no Rio, e conversou com a diretoria sobre o acervo enviado na década de 1940. Com surpresa, foi informado de que ninguém sabia localizá-lo. Dois anos depois, voltou à carga, com objetivo de tentar um comodato para a exposição dos bens, mas até hoje não houve solução. “Continuamos aguardando uma posição do Museu Nacional”, diz o diretor, que está à frente de uma empreitada valiosa: uma exposição, em 2018, sobre a arqueologia em Minas, contando 12 mil anos de ocupações no estado, sendo grande parte do acervo pertencente ao Museu de História Natural da UFMG. “Será muito importante termos na mostra o acervo referente a Belo Horizonte”, afirma o geólogo.

Caminhando pela área verde do museu, o professor Gilberto conta que ao serem encontrados os primeiros artefatos, em 1938, foi nomeada uma comissão para acompanhar os trabalhos e recolher o material. “Houve uma grande sensibilidade dessas pessoas. A questão, no entanto, era onde guardar, já que não havia um museu especializado nessa área na cidade. Assim, as peças foram encaminhadas ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro.”

Hoje, em uma pequena exposição na Sala de Arqueologia Pré-Histórica, podem ser vistos quatro artefatos – lâminas de machado picoteadas e polidas –, da Coleção Anibal Machado, embora sem registro de procedência. Em uma vitrine ao lado, há peças que poderiam ser também vestígios da primitiva ocupação de Belo Horizonte. Mas o diretor da instituição não perde a esperança de mostrar o acervo maior em Minas, mesmo que não tenha sido encontrado um documento formal transferindo as peças para o Rio de Janeiro.

Palavra de especialista

Marcos Paulo de Souza Miranda, promotor de Justiça e integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

Estudos preventivos

“Talvez o melhor presente que os administradores públicos possam ofertar a Belo Horizonte seja a incorporação, na política de licenciamento ambiental e urbanístico da capital, da realização de estudos preventivos de arqueologia urbana para obras que demandem escavações e revolvimento do solo, o que já é praticado em outras capitais do país, gerando informações preciosas. Tal medida teria um enorme alcance preventivo e, seguramente, contribuiria significativamente para a melhor compreensão da extensão do patrimônio cultural da capital mineira, que não se resume a prédios neoclássicos ou ecléticos. É preciso pensar que, mesmo antes do surgimento do Arraial de Curral del-Rei, havia, comprovadamente, presença humana no território de BH, em torno do qual há vestígios arqueológicos que superam 10 mil anos de idade – a exemplo dos esqueletos encontrados na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, e Lapa do Santo, em Matozinhos, além de marcas deixadas por tatus e preguiças- gigantes em paleotocas cavadas em afloramentos ferruginosos como na Serra do Gandarela, nos limites de Caeté e Santa Bárbara, ainda no período Pleistocênico. Como os antigos seres humanos e animais da megafauna extinta não conheciam fronteiras e transitavam por toda a região, certamente percorreram o solo belo-horizontino e aqui deixaram marcas de suas passagens.”

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Projeto inédito fará inventário do patrimônio histórico do PR começando por Antonina

Projeto-piloto do MP-PR quer catalogar o patrimônio histórico de Antonina e fortalecer o vínculo do município com sua comunidade.

Foto: Antônio More/Arquivo/Gazeta do Povo

Reconhecer e preservar a história de Antonina ao mesmo tempo em que se fortalece o vínculo do município com sua comunidade. Este é o objetivo do projeto-piloto encabeçado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) em parceria com a FAE Centro Universitário e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Batizado inicialmente de Projeto de Proteção do Patrimônio Histórico de Antonina, ele prevê o levantamento do patrimônio histórico da cidade do litoral paranaense e a realização de ações educativas com o intuito de munir e facilitar o acesso da população às informações sobre as características e a história dos prédios que compõem a cidade onde vivem.

“É uma atribuição nossa a preservação do patrimônio histórico e cultural, que também está prevista na Constituição Federal. Antonina é uma cidade com muitas questões desta ordem, então propus à Doutora Nicole [Mader Gonçalves, ex-promotora de Antonina] que fizesse um projeto-piloto para que nós o adotássemos como ponto de partida de uma atuação mais prática e menos teórica. Ou seja, de não ficarmos apenas naquele fazer pontual, de quando ocorre alguma denúncia”, conta o procurador Alberto Vellozo Machado, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça, de Proteção ao Meio Ambiente e de Habitação e Urbanismo do MP-PR.

Assim, a proposta do projeto é criar uma espécie de arquivo público que liste quais são os prédios/paisagens tombados na cidade e catalogue as informações sobre eles.

“Queremos reconhecer junto com a comunidade quais são as unidades de interesse cultural da cidade para que ela possa saber qual é o seu patrimônio e acompanhar o estado de conservação dele – se os prédios foram ou não restaurados ou se precisam de restauro”, explica a arquiteta e urbanista do Centro de Apoio do MP-PR, Laura Esmanhoto Bertol. “Também vamos investir na educação patrimonial por meio de ações com os alunos e professores das escolas do município”, acrescenta.
Levantamento

O trabalho de campo, que se refere ao levantamento de quais são e do estado de conservação das edificações de interesse patrimonial em Antonina, será realizado em parceria com as universidades. Tendo como base o inventário do patrimônio histórico de Antonina organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Paraná (Iphan-PR), os alunos irão atualizar as informações referentes aos imóveis em disciplinas e projetos de extensão.

“Um dos maiores desafios que temos para formar bons profissionais é trazer o ensino da Arquitetura e do Urbanismo para a prática. Possibilitar aos alunos participarem de um projeto de extensão como este representa um salto muito significativo no seu desenvolvimento [como profissionais]”, avalia a Adriane Cordoni Savi, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAE.

O início dos trabalhos de campo está previsto para março de 2018, após o início do ano letivo. A previsão é a de que até setembro esta primeira etapa do projeto-piloto esteja finalizada para que, então, os dados sejam organizados e disponibilizados à população por meio do site do Ministério Público.

“A intenção também é criar um aplicativo para que as pessoas possam conhecer a história e denunciar casos de abandono do patrimônio histórico”, acrescenta Adriane. “Este banco poderá servir de base de dados do próprio município, do Ministério Público e de órgãos de controle, como a Secretaria da Cultura e o Iphan, para que tenhamos [as informações] e possamos corrigir os problemas”, completa Machado.

Ainda segundo o procurador, e a partir da conclusão das etapas do projeto-piloto de Antonina, a ideia é a de que ele possa ser replicado em outros municípios do estado. “Prever exatamente quais são todos os resultados deste trabalho é um pouco difícil. Mas o desdobramento de um projeto deste só pode ser positivo. Nossa utopia é que ele se torne atividade normal de qualquer Promotoria de Justiça que esteja em face, principalmente, de áreas com patrimônio histórico-cultural mais evidente. É uma meta bem ambiciosa”, afirma o procurador.

Por Sharon Abdalla

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Belo Horizonte (MG) – Após seis anos, Museu Mineiro reabre completamente restaurado

Reinauguração da Sala das Sessões marca a conclusão das intervenções no prédio do Museu Mineiro.

Quem entrar na construção em estilo eclético terá outras boas surpresas, além da Sala de Sessões, agora com o forro e as pinturas parietais reluzentes sob a iluminação própria para destacar o acervo pictórico. Foto: Beto Novaes/EM

De volta à cena para encantar, preservar a história e disseminar cultura. Quase seis anos longe dos olhos dos moradores e visitantes, um espaço emblemático do Museu Mineiro, no Circuito Cultural Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, reabre as portas completamente restaurado e com nova adequação das obras de arte, valorizando, assim, o acervo com seis telas de autoria de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), mestre do Barroco, e de outros expoentes da pintura. Na celebração dos 120 anos da capital, a reinauguração da Sala das Sessões marca a conclusão das intervenções no prédio da Avenida João Pinheiro, antiga sede do Senado Mineiro, e os 35 anos da unidade, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura.

Entre as novidades para o aniversário de BH, informa Andréa de Magalhães Matos, superintendente de Museus e Artes Visuais (Sumav) da Secretaria de Estado da Cultura, está a mostra Primeiros registros – a data de abertura será divulgada durante a semana –, com mais de 100 obras do Museu Mineiro, Arquivo Público Mineiro e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). Na Galeria de Exposição Temporária, estará um panorama da trajetória da cidade por meio de quadros, fotografias, documentos, plantas cadastrais e objetos, com destaque para uma tela retratando o engenheiro construtor Aarão Reis (1853-1936) com o projeto original de BH nas mãos, e uma bonequinha de biscuit que pertenceu à menina Alice, uma das que participaram do primeiro sorteio de lotes da nova capital.

“Este é um museu mineiro, com obras de artistas mineiros ou daqueles que retrataram Minas Gerais”, ressalta Andréa, orgulhosa por dirigir uma instituição que guarda a memória do estado e muito da capital. No total, são 3,5 mil peças, das quais 700 em exposição e de várias épocas e estilos. “Nosso objetivo é manter o dinamismo do museu, formar novos públicos e valorizar movimentos artísticos e culturais”, afirma.

Surpresas. Como dizia um poeta, trata-se, nesse momento, de um “museu de grandes novidades”. Quem entrar na construção em estilo eclético terá outras boas surpresas além da Sala das Sessões, agora com o forro e as pinturas parietais (feitas diretamente no reboco) reluzentes sob a iluminação expositiva e própria para destacar o acervo pictórico. No hall, pode ser admirado outro conjunto de pinturas parietais, que, conforme pesquisas, tem autoria do mesmo artista que trabalhou no Palácio da Liberdade, o alemão Frederico Steckel (1834-1921). A superintendente conta que foram removidas seis camadas de tinta até se chegar ao original.

Bem na entrada, estão em exposição obras de autoria do pintor natural de Ouro Preto Honório Esteves (1869-1933). Todos os quadros retratam personagens masculinos, destaca a superintendente, e, de cara, causa grande impacto a figura de um egípcio. Caminhando um pouco mais, fica-se frente a frente com a Sala dos Monarcas e vale o convite para contemplar as figuras, em óleo sobre tela, de dom João VI, Pedro II, dona Maria I e o brasão da família real.

No primeiro pavimento, mais perto da avenida, fica a Sala Jeanne Milde, homenagem à escultora belga (1900-1997) que chegou a BH em 1929, numa missão pedagógica europeia, para trabalhar no ensino de arte e educação. Os olhos não se cansam de admirar a escultura As adolescentes, verdadeira poesia feita com o cinzel. Sem pressa, tem-se a chance de conhecer o acervo moderno, com pinturas de Guignard (1896-1962) e trabalhos de Amílcar de Castro, Márcio Sampaio, Mário Silésio e Érico de Paula. “Este acervo é permanente, com obras datadas de 1929 em diante”, explica Andréa.

A conclusão das obras de restauro emociona a equipe do Museu Mineiro. “Estamos extasiados”, revela Andréa, revelando que foram empregados R$ 250 mil, via lei estadual de incentivo à cultura, com patrocínio da Cemig. “Não gastamos nada além disso, a curadoria foi daqui mesmo, enfim, fizemos milagre.”

Tesouros. O casarão da Avenida João Pinheiro, antes de abrigar o Museu Mineiro, teve múltiplas serventias – residência de secretários de governo no início de BH, Senado e na década de 1960 a 1981, Pagadoria do Estado. Hoje, leva os visitantes a fazer uma viagem sensorial ao caminhar por ambientes distintos e admirar imagens, oratórios e prataria, a maioria originária da Coleção Geraldo Parreiras, adquirida pelo estado em 1978. Na Sala das Colunas, causa impacto o pórtico de madeira trabalhada, com anjos, que pertenceu a uma igreja, já demolida, do interior. Nas vitrines, é de encher os olhos as imagens de Santana Mestra, São José de Botas, Nossa Senhora da Conceição e outros santos.

O olhar curioso do visitante vai encontrar muitas preciosidades: a colher de pedreiro que assentou a primeira pedra da construção da Cidade de Minas, nome anterior a Belo Horizonte – a ferramenta, com inscrição datada de 7 de setembro de 1895, tem lâmina de ouro e prata e cabo de madeira e estará na mostra Primeiros registros; o livro contando a festa do Triunfo Eucarístico, realizada em Ouro Preto em 21 de maio de 1733, e considerada pelos estudiosos uma das mais ricas e belas do Brasil colonial; um relógio pertencente a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), e outros objetos que contam parte da história de Minas. Na Sala das Sessões, vale a pena ficar longos minutos observando a o quadro A má notícia, datado de 1897 e de autoria do mineiro Belmiro de Almeida (1858-1935).

Camadas do tempo

Em maio, conforme mostrou o Estado de Minas, foi descoberta no Museu Mineiro, sob seis camadas de tinta, a última delas na cor preta, um conjunto de pinturais parietais – feitas diretamente nas paredes, sobre o reboco. São figuras aladas, folhas de acanto e outras ornamentações. Um mês antes, especialistas do Grupo Oficina de Restauro, de BH, iniciaram os serviços de recuperação nessa área do museu. Tudo começou com a prospecção na parede pintada de preto, e, após a intervenção, a equipe descobriu várias camadas de marrom, de massa e outros materiais e cores diferentes. No ambiente ao lado, que era preto e agora exibe um tom pêssego, dando mais leveza ao ambiente, não houve registro desses trabalhos, tão em moda na BH do início do século 20

1895 – O acervo do Museu Mineiro começa a ser constituído com a criação, em Ouro Preto, do Arquivo Público Mineiro

1910 – Lei 528, de 20 de setembro, autoriza a formação de coleções de objetos para composição do futuro museu

1977 – Decreto 18.606 determina a implantação do Museu Mineiro e o desvincula do Arquivo Público

1978 – Museu recebe 187 peças de arte sacra (séculos 18 e 19) da coleção Geraldo Parreiras, adquirida nesse ano pelo governo do estado

1982 – Museu é inaugurado em 10 de maio e funciona no prédio do antigo Senado Mineiro

1984 – Em abril, museu passa a ser vinculado à recém-criada Secretaria de Estado da Cultura

2002 – Término do processo de revitalização do Museu Mineiro, iniciado em 1999, que culminou na abertura da exposição Colecionismo mineiro

2012 – Em 18 de janeiro, Museu Mineiro é reaberto, com espaço multiuso e novos sistema elétrico, projeto luminotécnico, pintura e museografia

2017 – Em dezembro, são concluídas as obras de restauração do museu, com a reabertura da Sala das Sessões

Serviço

Museu Mineiro: Avenida João Pinheiro, 342 – Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte
Aberto às terças, quartas e sextas, das 10h às 19h; às quintas, das 12h às 21h; e sábados e domingos, das 12h às 19h
Telefones: (31) 3269-1103 e 1106 (visitas de grupos devem ser marcadas com antecedência)
Entrada franca

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Possível tombamento histórico de casas em São Roque (SP) revolta moradores

Moradores afirmam que tombamento tiraria suas liberdades como proprietários dos imóveis.

Foto: Rafael Barbosa

O tombamento de algumas casas antigas e pertencentes a história da Brasital tem gerado conflito entre o Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (órgão responsável pela manutenção história do país) e os proprietários das residências.

Ao todo, 41 residências localizadas na Avenida Santa Rita, Jamil Chad, Pedro Conti e Pedro Dante Pierone, todas no bairro Vila Aguiar, passam por um processo de tombamento, quando um ou mais imóveis são decretados como patrimônios históricos a serem preservados. As casas são remanescentes de uma vila formada pelos primeiros funcionários da Brasital, na época da tecelagem em São Roque.

As primeiras residências entraram em processo de tombamento em 2009 e em 2015 todas estavam em processo de avaliação do Condephaat, que realizou dois encontros com os moradores das residências estudadas, uma em meados deste ano e a última nesta terça-feira. Segundo a historiadora Debora Regina Leal Neves, que estava presente à reunião pelo órgão, o processo de tombamento é importante não apenas para a preservação histórica do município, mas também para que possamos entender a sua evolução.

Durante o processo foi explicado como se dará a análise do processo de tombamento, que será decidido pela votação de uma uma comissão composta de 30 pessoas pertencentes a diferentes áreas de atuação e pertencentes a diversas instituições estaduais, além de detalhes sobre as possibilidades de ação caso o tombamento seja aprovado. Segundo o órgão existem benefícios aos moradores caso as casas sejam tombadas, como incentivos fiscais que podem ser conseguidos em esfera judicial, estadual e municipal.

Entretanto a possibilidade não tem agradado aos moradores das residências, principalmente devido as restrições que são impostas caso os imóveis sejam classificados como patrimônios históricos. Um casa tombada não pode, por exemplo, ter sua fachada frontal alterada, ação que só pode ser feita caso o projeto seja previamente aprovado pelo Condephaat ou caso a obra siga um projeto de autoria do próprio órgão, processo que vale mesmo quando o processo de tombamento ainda está sendo analisado.

Foto: Rafael Barbosa

A falta de liberdade em lidar com suas próprias residências gerou grande desagrado por parte dos moradores, que também temem a desvalorização do imóvel e dificuldade da venda dos mesmos, já que muitas pessoas podem não querer comprar uma casa com estas restrições. Embora o Condephaat afirme que caso os bens sejam tombados eles ainda pertencerão aos moradores, estes afirmam que o processo irá tirar a liberdade de usufruir do próprio bem. “Nós queremos apenas a liberdade de podermos usufruir das nossas casas e realizarmos melhorias de acordo com nossas próprias necessidades”, afirmou uma das moradoras.

Além de serem contrários ao processo, uma moradora passa por uma situação ainda mais complexa, pois adquiriu sua casa há 10 anos e agora corre o risco de ser multada caso o patrimônio seja realmente tombado. A proprietária contou a nossa redação que em 2009 iniciou uma reforma em sua casa e foi notificada pelo órgão sobre o processo de tombamento. Sem ter conhecimento prévio de que o seu imóvel estava passando pelo processo ela diz que a prefeitura também não tinha conhecimento sobre o caso na época e assim, foi instruída a continuar com a reforma. O problema é que em 2015 ela foi notificada novamente para prestar esclarecimentos sobre o caso e corre o risco de ser multada por realizar reformas em sua própria residência.

O Condephaat já informou que irá avisar os moradores sobre a votação do processo de tombamento, entretanto a população já informou que irá lutar para que o mesmo não ocorra.

Por Rafael Barbosa

Fonte original da notícia: JEOnline




Bauru (SP) – Hotel abandonado vira caso de polícia

O que era para ser um símbolo da história de Bauru, imóvel tombado no Centro é alvo constante de invasões e furtos; inquérito apura a situação.

Segundo herdeira do hotel, localizado na quadra 2 da Rodrigues Alves, os vândalos teriam arrancado até mesmo as grades. Foto: Malavolta Jr.

Erguido há mais de 100 anos e tombado pelo patrimônio histórico, o prédio que abrigava o Hotel Milanez no Centro de Bauru é alvo de um inquérito policial instaurado para apurar quem deve ser responsabilizado pelas frequentes invasões, atos de vandalismo e furtos. O crime, contudo, estaria sendo praticado também contra um brechó que funciona no mesmo terreno. Em busca de soluções, a vítima acionou até mesmo o Ministério Público (MP), na terça-feira da semana.

Abandonado, o imóvel localizado na quadra 2 da avenida Rodrigues Alves chegou a receber pessoas desabrigadas enviadas pela prefeitura, sendo lacrado em 2013 durante força-tarefa desencadeada para vistoriar casas noturnas irregulares na cidade. Menos de 30 dias após a desocupação, um incêndio consumiu parte das instalações, conforme o JC divulgou, à época.

De lá para cá, o prédio segue servindo de abrigo para moradores de rua, afirma o empresário Valdir Gomes Teixeira, cuja esposa mantém um brechó ao lado do hotel há 18 anos. “O local encontra-se totalmente invadido por homens, mulheres e animais. Ali, eles fazem uso de drogas, guardam artigos furtados, queimam fios de alta tensão para a venda de cobre. As janelas estão abertas, o que facilita a entrada de pessoas”, critica.

Teixeira conta que seu estabelecimento também sofre com furtos e vandalismo. “Esses dias, queimaram roupas na frente do brechó só porque nós não compramos os itens, pois sabíamos que eram furtados”, menciona ele, relatando que entregou um comunicado ao Ministério Público na semana passada, solicitando providências.

‘É inadmissível’

Com base nos boletins de ocorrência de furto registrados pelo empresário, o delegado titular de crimes ambientais da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, Dinair José da Silva, instaurou um inquérito para tentar solucionar o impasse. “É inadmissível um prédio histórico chegar nessa situação”, critica.

Dinair disse que, desde o início das apurações, já ouviu, além da vítima, dois proprietários do hotel, a imobiliária responsável pela locação do imóvel onde funciona o brechó e também a prefeitura. “Percebemos um jogo de empurra-empurra entre os envolvidos. Estamos aguardando o laudo pericial e um documento da Defesa Civil para enviar o processo ao Poder Judiciário”.

Vendas perdidas

Por se tratar de um patrimônio histórico, para realizar uma reforma no prédio, por exemplo, é preciso que sejam mantidos os padrões da construção original, fator que tem inviabilizado a comercialização do imóvel, relata Amedéia Milanezi Griso, uma das nove herdeiras do Hotel Milanez. “Já perdemos umas quatro vendas”, lamenta.

Ela afirma que já solicitou o destombamento por parte do município, sem sucesso. “Deixando de ser um patrimônio, fica mais viável para que possamos vender a propriedade, que inclui ainda parte do terreno sem área construída”.

Em nota, a prefeitura disse que o edifício Hotel Milanez não está interditado, segundo a Defesa Civil, e que já notificou os proprietários a realizarem melhorias para evitar que o local seja invadido. Amedéia rebate dizendo que até as grades instaladas nas janelas teriam sido arrancadas por vândalos. “Vamos mandar fechar novamente”, garante.

Destombamento

O município informa ainda que recebeu a solicitação de destombamento, entretanto, “quem autoriza ou não é o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Arquitetônico e Cultural (Codepac), cujos membros da nova gestão estão sendo definidos”.

Dono da imobiliária responsável pela locação do imóvel para o brechó – o qual também pertence aos herdeiros do hotel -, Eduardo Candia afirma que está levantando o endereço de todos os donos. “Vamos notificá-los para que tomem as devidas providências”, diz.

Por Marcus Liborio

Fonte original da notícia: JCNET.com.br




Abaixo-assinado – Salvar o IPHAN é salvar a História do Brasil

Notícia da Câmara Federal: Radioagência – 09/11/2017 19h49

Falta de investimento põe em risco existência do Iphan, alerta presidente do instituto

Divulgação

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, ressaltou que, em 80 anos, só foram realizados dois concursos públicos e o Iphan tem hoje 516 cargos vagos, comprometendo o trabalho em todo o País

A Comissão de Cultura da Câmara realizou audiência pública (nesta quinta-feira, 9) para discutir a manutenção e preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Sob os cuidados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, há oito décadas, o patrimônio nacional está ameaçado por falta de condições de o órgão realizar suas incumbências.

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, alertou os parlamentares para o risco do fechamento do instituto. Ela ressaltou que, em 80 anos, só foram realizados dois concursos públicos e o Iphan tem hoje 516 cargos vagos, comprometendo o trabalho em todo o País.

“Hoje nós temos para cuidar de todo o patrimônio brasileiro com 27 superintendências, 28 escritórios técnicos apenas 678 servidores, dos quais 480 se aposentam em dois anos. Portanto, se nada for feito, a instituição simplesmente fecha as portas.”

Katia Bogéa informou que o Programa de Aceleração do Crescimento dedicado às cidades históricas previa para este ano um orçamento de 250 milhões de reais, mas sofreu contingenciamento de 61%.

O deputado Cabuçu Borges, do PMDB do Amapá, afirmou que não cabe à Câmara definir o orçamento para o Iphan, mas o governo federal precisa estar atento para que o instituto não feche as portas por falta de recursos.

“O governo federal tem que se mobilizar para apresentar um concurso público, para recompor a mão de obra e também colocar no orçamento e garantir que esse orçamento seja devidamente executado porque assim o órgão pode ter sua plenitude na execução do trabalho.”

O Iphan é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura, e é responsável pelo reconhecimento de bens culturais de natureza material e imaterial, além de estabelecer as formas de preservação desse patrimônio: o registro, o inventário e o tombamento. Reportagem – Karla Alessandra

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Fonte original da notícia: Change.org




Florianópolis (SC) – Comunidade pode ajudar no reconhecimento nacional da Procissão do Senhor dos Passos

Procissão acontece desde 1766 e reúne milhares de pessoas todos os anos em Florianópolis. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Devotos e participantes da Procissão do Senhor dos Passos de Florianópolis podem ajudar no reconhecimento da manifestação religiosa mais antiga do Estado em Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Fotos, depoimentos e documentos que contam a história do evento estão sendo reunidos por pesquisadores da Udesc. O material vai ajudar a comprovar a relevância histórica e cultural da procissão para o patrimônio nacional.

A coordenadora da pesquisa e professora da Pós-Graduação em História da Udesc, Janice Gonçalves, comenta que o material disponível em museus e acervos públicos não foi o suficiente para o reconhecimento feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Por isso, a ajuda da comunidade neste processo é muito importante.

— Imaginamos que exista muito material com particulares, pessoas que participam ou que participaram da procissão. Fotos mais antigas, de décadas anteriores, podem ajudar na comparação do que mudou ao longo dos anos, o que foi desaparecendo, o que foi acrescentado, a forma como as pessoas participam, que tipo de promessas é feita. A memória das pessoas é importante para entender a relevância que ela (procissão) tem pra população.

Quem tiver fotos antigas, documentos ou que possa contar fatos sobre o evento pode entrar em contato pelo e-mail projetopassosdosenhor@gmail.com. Nenhum material particular será recolhido, apenas fotografado para o registro.

Processo começou há três anos

A Procissão Senhor dos Passos de Florianópolis é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial pela Fundação Catarinense de Cultura desde 2006 e, há três anos, a Irmandade responsável pelo evento tenta o reconhecimento nacional.

Em março deste ano, o Hora de Santa Catarina divulgou que o Iphan solicitou mais material como fotos, vídeos, documentos e depoimentos para comprovar a importância cultural da procissão.

Para fazer o levantamento destes dados, o Iphan firmou um convênio com a Udesc no final de setembro para a realização de uma pesquisa, que também deve ampliar e esclarecer alguns pontos.

— Precisamos comparar a devoção do Senhor dos Passos com outras procissões para entender qual a singularidade e importância desse evento em Florianópolis. Por que ela é importante, quem participa, são pessoas de Floripa ou de outras cidades? — comenta a professora Janice.

A pesquisa deve ser concluída e entregue ao Iphan até abril de 2018. O material será novamente encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural para dar o parecer. Se for aprovada, a Procissão Senhor dos Passos será o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro de Santa Catarina.

Tradição

A Procissão do Senhor dos Passos acontece desde 1766, dois anos depois de a escultura do Senhor dos Passos chegar a Florianópolis. Realizada anualmente, sempre 15 dias antes da Páscoa, a procissão mobiliza milhares de fiéis no cortejo pelas ruas do Centro de Florianópolis.

Segundo a história, a estátua do Senhor dos Passos, esculpida em madeira, deveria ter sido entregue a uma igreja em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, mas o barco parou aqui para abastecer e não conseguiu seguir viagem em decorrência de fortes tempestades. A tripulação acreditou que se tratava de um sinal divino e que a imagem deveria permanecer em Florianópolis.

A estátua representa a primeira queda de Jesus a caminho do Calvário. Em tamanho natural, mostra Cristo ajoelhado no chão segurando a cruz no ombro esquerdo. A imagem preza pelo realismo, mostrando o sofrimento de Jesus.

Por Dayane Bazzo

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Dezenas de edifícios históricos são preservados no Rio

Ações de resgate da tradição cultural da cidade ajudam a estimular a economia local.

Igreja de Nossa Senhora da Candelária: restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. Fernandoandando/Getty Images

A cidade maravilhosa está resgatando seu passado. Há dezenas de projetos de recuperação e manutenção de pontos importantes para a história e a cultura do Rio de Janeiro. Eles incluem desde o Museu Nacional de Belas Artes até o Paço Imperial, passando pela Igreja de Nossa Senhora da Candelária, pela Sala Cecília Meireles e pelo Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).

Merece destaque a criação da Casa do Choro. Tombado e restaurado, o casarão conta com salas de aula, estúdio de gravação, centro de pesquisas e auditório com capacidade para 120 pessoas, onde são desenvolvidos trabalhos de pesquisa, educação e produção musical. Desde 2015, a Casa do Choro é um centro de referência para amantes do gênero musical. Funciona também como base do Instituto Casa do Choro, criado em 1999 e que atende 1 000 alunos por ano em seu núcleo fixo, além de já ter formado 13 000 estudantes, no Brasil e no exterior, incluindo comunidades do Rio de Janeiro.

Importância estratégica

Investir na restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. O impacto positivo, portanto, começa na preservação, passa pela educação e alcança a economia. Afinal, o setor de turismo cultural e histórico representa 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gera cerca de 800 000 empregos formais.

Dos projetos em andamento no Rio, 21 recebem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição atua, na verdade, em todo o Brasil. Desde 1997, 72 municípios, de norte a sul, receberam apoio para restaurar ou preservar mais de 200 monumentos históricos, como centros culturais, universidades, fortes, teatros, igrejas e museus.

O investimento total nesse período foi de 565 milhões de reais. “Cada restauro torna-se uma oportunidade para estimular ações de capacitação e qualificação profissional”, diz Luciane Gorgulho, chefe do departamento de economia da cultura do BNDES.

O Rio, em especial, recebe um maior volume de investimentos desde 2005, quando da preparação da cidade para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Manteve a restauração de equipamentos culturais e históricos durante o esforço para a Copa do Mundo de 2014 e, em especial, para a Olimpíada de 2016. Nesse período, o Theatro Municipal, por exemplo, passou por restauração arquitetônica e artística, enquanto o Museu do Índio foi modernizado e a Biblioteca Nacional recebeu um projeto cultural em comemoração aos seus 200 anos de construção.

Revitalização em Minas

As ações do BNDES também chegam, por exemplo, à cidade mineira de Tiradentes, que recentemente recebeu dois novos museus, construídos do zero. Também estão sendo restaurados cinco templos, incluindo um investimento de 4,75 milhões de reais para a paróquia de Santo Antônio, que vai recuperar o Santuário da Santíssima Trindade e as Capelas dos Cinco Passos da Paixão de Cristo, tombados desde 1938.

O banco também investe em ações de educação patrimonial e na execução do Plano Diretor do Município. Desde 2009, já foram destinados 23 milhões de reais para Tiradentes. Investimento que é revertido em qualidade de vida para os moradores.

BNDES

Fonte original da notícia: Veja Rio