Imóvel histórico deve ser demolido em Jaraguá do Sul (SC)

Proprietários da construção da década de 1950 pediram autorização do Comphaan para derrubar a estrutura. Moradores temiam desabamento.

Prédio localizado na rua Rio de Janeiro abrigava a antiga selaria Reichel | Foto Eduardo Montecino/OCP

Quem passa pela rua Rio de Janeiro volta, inevitavelmente, o olhar para um prédio que já faz parte da história do bairro Czerniewicz e de Jaraguá do Sul. Construído na década de 1950, o prédio da famosa selaria Reichel – uma das últimas sobreviventes da região – está com os dias contados. Isso porque o próprio proprietário solicitou junto à Fundação Cultural o alvará de demolição.

De acordo com o arquiteto e responsável pelo setor de fiscalização da pasta, Carlos Baratto, o Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural), decidiu pela expedição do alvará, autorizando a demolição do prédio no dia 21 de fevereiro. Ou seja, desde o final daquele mês, o proprietário está autorizado a demolir o prédio que, segundo Baratto, preocupava moradores da região que temiam pelo desabamento.

No entanto, o arquiteto alega que o imóvel não corria risco iminente de desabamento. “O Conselho acatou o pedido do proprietário, mas o setor de patrimônio era favorável a sua permanência. Dificilmente ele iria entrar em colapso a não ser por ação de uma força lateral”, diz. Baratto afirma que recentemente um caminhão colidiu contra o prédio, causando danos no telhado e queda de algumas telhas, mas sem comprometer a estrutura de madeira, predominante na construção – três paredes são de madeira e uma de alvenaria.

O arquiteto e fiscal explica que existem áreas internas cedidas e com dano, como o piso, mas que são características naturais de um imóvel com mais de 60 anos exposto a ação do tempo. Ele ressalta ainda que o setor de fiscalização esteve no local e recomendou ações intervencionistas de manutenção, mas enfatiza que o prédio não corria o risco de desabamento voluntário.

Baratto explica ainda que havia queixas de moradores que tinham receio de acidentes, pois a construção está localizada próxima à calçada, sem muros ou barreiras. Além disso, o processo de demolição foi solicitado pelo próprio proprietário que não demonstrou interesse em manter o imóvel. A construção possui uma área total de 81 metros quadrados, incluindo o sótão.

Por Adrieli Evarini 

Fonte original da notícia: OCP News




Ladrão diz que obras hoje no Itaú Cultural são da Biblioteca Nacional

Laéssio de Oliveira afirmou em carta à Folha que gravuras que furtou há 14 anos estão em SP.

Catálogo da coleção Brasiliana mostra as gravuras do Itaú Cultural – Reprodução

Laéssio Rodrigues de Oliveira, ladrão confesso de obras raras, afirma que oito gravuras da coleção Brasiliana do Itaú Cultural são as mesmas que ele furtou há 14 anos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Há cerca de 15 dias, a Folha recebeu de Laéssio, atualmente preso em Japeri, no estado do Rio, uma carta manuscrita, de 16 páginas, na qual detalha esse e outros furtos de centenas e centenas de obras, fotos e gravuras de diversas instituições brasileiras.

Das oito obras que Laéssio menciona, seis estão em exposição permanente no espaço Olavo Setubal, no quinto andar do prédio da instituição na av. Paulista, 149. A Brasiliana é uma coleção de documentos e obras de arte sobre a história do Brasil.

As obras roubadas pertencem ao álbum “Souvenirs de Pernambuco”, composto de 12 gravuras de autoria do alemão Emil Bauch, impressas na Europa em 1852.

Apesar de gravuras não serem obras únicas —e sim cópias de uma tiragem, como livros—, até 2004 havia apenas duas coleções completas dos “Souvenirs de Pernambuco” no Brasil: uma na Biblioteca Nacional e outra no Instituto Ricardo Brennand, em Recife.

Logo após o furto na Biblioteca Nacional, em 2004, Laéssio foi preso (por outro roubo, do Museu Nacional do Rio) e apareceu nos jornais estampado como o maior ladrão de obras raras do país. Funcionárias da biblioteca o reconheceram, foram checar o que ele pesquisou e notaram a falta de quatro obras de Bauch no álbum “Souvenirs”.

O álbum foi colocado em um cofre por 13 anos. Foi aberto no ano passado, quando uma nova vista detectou que outras quatro gravuras eram cópias, elevando assim o furto para oito.

A reportagem soube disso pela carta de Laéssio (personagem do documentário “Cartas para um Ladrão de Livros”, em cartaz na cidade) e confirmou a informação com a Biblioteca Nacional. As oito gravuras que faltam são idênticas às oito que o Itaú possui.

“Sei que o Itaú Cultural tem obras de Bauch”, diz a presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo. “Mas não nos compete fazer a afirmação de que são nossas. Isso compete à Polícia Federal, a quem passamos todas as informações. Uma perícia, que analisaria papel, desgaste, dobramento, marcas etc, poderia dar a certeza. Está entregue à Delemaph [órgão federal que investiga crimes contra o Patrimônio Histórico].”

Em sua nota de esclarecimento, o Itaú Cultural afirma não ter sido contatado “por qualquer instituição pública ou privada para questionar a origem de suas obras”. Isso apesar de a Polícia Federal ter essas informações desde o ano passado.

O delegado Márcio Manoel da Cunha, encarregado do caso, afirmou à reportagem que preferia não dar informações para não atrapalhar as investigações. A PF, em seguida, informou que “não comenta e não concede entrevistas sobre investigações em andamento”.

O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, disse que entrou em contato com a presidente da Biblioteca Nacional assim que terminou sua entrevista com a Folha, na semana passada. “Estamos absolutamente à disposição para levar as obras a eles para análise técnica. Sabemos que são múltiplos [obras impressas], mas não queremos oferecer nenhuma dificuldade de acesso à Biblioteca.”

O mediador

Na carta que enviou ao jornal, Laéssio Rodrigues de Oliveira afirma que vendeu as oito gravuras da Biblioteca Nacional a Ruy Souza e Silva, colecionador e ex-marido de Neca Setubal, filha de Olavo Setubal. Efetivamente, Souza e Silva arregimentou diversas obras para a coleção Brasiliana, inclusive na Europa, e as revendeu ao Itaú, que montava sua coleção.

Mas nega categoricamente ter comprado as obras roubadas. “Isso não ocorreu. Não comprei essas gravuras de Laéssio. As gravuras foram adquiridas em Londres na centenária loja Maggs Bros”, respondeu ele à Folha (leia aqui entrevista completa).

O Itaú Cultural forneceu dois documentos de procedência. O primeiro deles é um recibo da compra de Ruy Souza e Silva na loja Maggs Bros em 9 de novembro de 2004.

Nele, lê-se a transação de um “album of engravings of Brazil” (álbum de gravuras do Brasil), sem especificar o autor ou o número dessas gravuras. O único detalhe que traz é que certifica que os bens têm mais do que cem anos.

O segundo documento é a venda de Souza e Silva para o Itaú em 17 de janeiro de 2005, ali, sim, especificando serem oito gravuras de Bauch feitas em Pernambuco.

Em 2007, devido a um inquérito ao qual Laéssio respondia na Justiça do Rio, Ruy Souza e Silva espontaneamente devolveu uma série de obras que havia adquirido.

“Pela boa-fé, ele não foi denunciado no inquérito”, disse o procurador Carlos Aguiar, do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Cronologia do Caso

2004 – Laéssio de Oliveira subtrai oito gravuras de Emil Bauch da Biblioteca Nacional, mas só o furto de quatro é notado

nov.2004 – Ruy Souza e Silva compra um álbum de gravuras brasileiras na Maggs Bros., em Londres

jan.2005 – Souza e Silva vende oito gravuras de Emil Bauch para o Itaú Cultural

2014 – O Itaú Cultural inaugura sua mostra permanente, exibindo seis das oito gravuras

2017 – A Biblioteca Nacional nota que outras quatro obras de Bauch haviam sido furtadas em 2004

2018 – Laéssio escreve à Folha

Trecho da carta do ladrão

“Desta feita, uma das obras que eu consegui subtrair foi parte do conjunto das lâminas do raríssimo álbum litografado ‘Souvenirs de Pernambuco’, de autoria do alemão Emil Bauch, que foi editado na Alemanha em 1852. Das 12 lâminas iconográficas do referido livro, eu apenas tive tempo de trocar 8 delas, através de uma cópia mui grosseira.”

Por Ivan Finotti

Fonte original da notícia: Folha de S. Paulo




Curso sobre patrimônio de Porto Alegre (RS) tem inscrições até 20 de março

Estátuas como esta do prédio do Margs, de 1914, ajudam a contar a história da Capital /José Francisco Alves/Divulgação/JC

Até 20 de março, estão abertas as inscrições para o curso Porto Alegre: Arte, monumentos e História, ministrado por José Francisco Alves, em promoção do Atelier Livre Xico Stockinger, da Secretaria Municipal da Cultura. As aulas são voltadas principalmente para guias de turismo, professores e interessados na história da Capital por meio de acervos e obras de arte ao ar livre.

Até 28 de junho, as aulas sobre arte urbana e arquitetura ao ar livre, com caminhadas e visitas dirigidas, ocorrerão em semanas intercaladas, iniciando em 22 de março, com encontros às quintas-feiras (às 19h), no Auditório do Atelier Livre (Érico Veríssimo, 307), numa semana; e na seguinte, aos sábados de manhã (das 10h às 12h). As ocasiões nos fins de semana, durante o dia, são para a realização de roteiros pela cidade, como o Centro Histórico, cemitérios e parques

Entre os temas dos encontros, um breve histórico da cidade, resgate da arquitetura historicista e da estatuária fachadista, e considerações sobre monumentos públicos e obras de arte moderna e contemporânea ao ar livre. Tendo valor total de R$ 250,00, o cronograma e o conteúdo completo do curso podem ser solicitados ao e-mail da instituição: alivre@smc.prefpoa.com.br- pelo qual também pode ser feita a inscrição. Contatos ainda pelos telefones (51) 3289-8057 e 3289-8058.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Museu da Justiça do Paraná tem documentos de compra e venda de escravos no estado

Espaço está em novo local, mas continua gratuito e aberto ao público que quiser saber mais da história do Tribunal de Justiça do Paraná.

Museu da Justiça tem novo local e exposição fixa. Foto: Divulgação

Em tempos em que o judiciário está sendo tão debatido nas manchetes e na boca do povo, os mais curiosos sobre o tema podem gostar de conhecer o Museu da Justiça. A exposição permanente, que antes ficava em um prédio anexo ao Palácio da Justiça, agora está localizada no mezanino dentro do prédio principal.

Alguns dos pontos altos da exposição são as fotografias da Guerra do Contestado, o mobiliário do primeiro Tribunal do Júri e do gabinete dos presidentes do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) do século passado e até mesmo a primeira máquina de escrever usada na secretaria do tribunal, datada de 1915.

No entanto, o grande atrativo do espaço são os documentos históricos e processos antigos catalogados. São cerca de 9 mil processos históricos, datados do final do século XVIII ao início do século XX. O extenso acervo documental possui desde recibos de compra e venda de escravos até documentos oficiais originais assinados por Ruy Barbosa.

Para facilitar o acesso da população e proteger todas essas peças históricas, foi criado em 2010 o Museu Virtual da Justiça, que disponibiliza o catálogo de processos históricos dos séculos XVIII, XIX e início do XX digitalmente. Além dos documentos, estão lá os quadros de artistas paranaenses consagrados, esculturas, mobiliário, objetos, fotografias, documentos e processos históricos relacionados à história do Poder Judiciário do Paraná e de seus juízes e desembargadores.

Décadas de história

O Museu da Justiça foi criado em 1974 por iniciativa do Desembargador Edmundo Mercer Junior, na época Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Foi o primeiro museu judiciário do Brasil, e a criação envolveu conhecidos historiadores paranaenses, como David Carneiro. Atualmente a Divisão do Museu da Justiça faz parte do Centro de Documentação (CEDOC) e agrega um acervo variado de bens com valor histórico e cultural, como documentos, fotografias, quadros, esculturas, mobiliário e outros objetos que contribuem para preservar a memória do Poder Judiciário paranaense.

Por Giovanna Tortato

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo




São Paulo (SP) – Bebedouros de 1929 do Parque da Água Branca são substituídos e frequentadores reclamam

Quem passa pelo local reclama de perder parte da história de 90 anos do local.

Divulgação/Internet. G1

Os bebedouros de 1929 do Parque da Água Branca, na Zona Oeste, estão sendo substituídos por novos. Os frequentadores perceberam as alterações e muitos não gostaram. A reclamação é tirar um pedaço da história de 90 anos do parque.

Para quem frequenta o local, o ideal seria que os bebedouros fossem preservados, recuperados e mantidos. Mas não é o que tem acontecido. Um dos bebedouros está interditado devido ao mau estado de conservação. Um dos bebedouros com escultura de leão já foi arrancado, segundo os frequentadores, e deu lugar a um bloco de concreto com um cano no meio.

O Parque da Água Branca tem muitos prédios e construções antigas. No fim da década de 20, o parque era um Centro de Exposição de animais frequentado pela alta sociedade. O parque mantém todas as suas características originais, com hípica, inclusive vários animais andam pelo local.

A Secretaria do Estado do Meio Ambiente disse que o parque passa por obras de acessibilidade para que todos possam visitá-lo e que os bebedouros com problemas irreversíveis estão sendo trocados. Também foi informado que os bebedouros não são tombados pelo patrimônio histórico.

O conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado (Condephaat) confirma que o projeto de acessibilidade foi aprovado em reunião em novembro de 2017, mas que vai apurar se houve alguma irregularidade na execução da obra.

Fonte original da notícia: G1 SP




Cidades históricas preservam estilo colonial e mostram como era o Brasil do passado

País tem diversos lugares e construções que preservam sua história.

Divulgação/Internet. G1

Viajar pelo Brasil é conhecer a história do país e entender como era o Brasil do passado. O país tem diversas construções históricas e lugares que foram importantes para a nossa história. Veja abaixo alguns dos mais famosos:

Ouro Preto, Minas Gerais
A cidade é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Sua história se deu após a descoberta de ouro na região levar uma corrida à região. Atualmente, a cidade preserva as ruas e os casarões da época. Além disso, também tem um carnaval famoso.

Olinda, Pernambuco
A cidade é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Foi invadidade pela Holanda em 1630 e ficou 24 anos sob dominação dos holandeses. Com o passar dos anos, foi retomando sua importância histórica na região e hoje é um dos destinos mais procurados no país. Pelas praias, importância cultural e pelo carnaval.

Salvador, Bahia
Primeira capital do Brasil, foi o centro político e financeiro do país até 1763. Hoje, conserva prédios históricos e ruas cheias de história. Além das praias e prédios históricos, o carnaval de Salvador é um dos mais famosos do mundo.

São Luís, Maranhão
A cidade foi colonizada por franceses e recebeu o nome em homenagem ao Rei Luís XIII. Seu centro histórico foi preservado e remete à época em que a cidade era grande produtora de cana de açúcar, cacau e tabaco.

São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul
Povoado jesuíta preserva até hoje o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo. O sitio conta também com o Museu das Missões, que abriga estátuas de imagens sacras feitas pelos índios Guarani

Cidade de Goiás, Goiás
As ruas do centro histórico preservam os paralelepípedos da época da colonização e outros prédios que conservam o estilo do período. Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, na Semana Santa uma das festas mais tradicionais do Brasil acontece pelas ruas históricas: a Procissão do Fogáreu.

Fonte original da notícia: G1 Turismo e Viagem




RS – Com 78 anos de história, último leprosário do Brasil vira destino de pacientes do Hospital São Pedro

Entrada do Hospital Colônia de Itapuã, local que abriga 72 moradores, a quase 60 km de Porto Alegre | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Na véspera do dia do casamento, uma jovem de Uruguaiana descobriu que teria que deixar tudo para trás, fazer as malas em duas horas e se despedir da família para sempre. Um violinista estava no meio de um concerto, em Porto Alegre, quando foi algemado e arrastado do palco pela polícia. Era um dia de semana comum quando uma menina, de cerca de dez anos, foi colocada dentro de um furgão preto e viajou por duas horas em uma estrada de chão empoeirada sem saber para onde ia. “Eu perguntava: onde é que vocês vão me levar? E eles diziam: nós já vamos chegar num lugar bem bonito”, lembrava ela, anos depois, no documentário ‘A Cidade’ (2013). Todos eles, assim como outras 2.474 pessoas, terminaram no mesmo destino: o Hospital Colônia de Itapuã.

Em maio de 1940, ele se tornava o último leprosário a ser inaugurado pela política de isolamento dos portadores de hanseníase, adotada no Estado Novo de Getúlio Vargas. Assim como os outros 39 criados pelo país, o HCI era uma mini-cidade com igrejas, praças, escola, salão de festas, prefeitura e delegacia, para onde todas as pessoas que eram diagnosticadas com a doença no Rio Grande do Sul eram levadas. Uma internação compulsória que duraria até o fim da vida do paciente. O primeiro carro, com 180 pessoas, chegou ao local dois meses depois da abertura oficial.

“Por que trazer esse doente para cá? Porque a hanseníase era uma doença contagiosa. Deixar esse paciente lá fora, estaria transmitindo e acometendo a sociedade saudável”, explica a atual enfermeira de Itapuã, Rita Camelo.

A 53,5 km do Centro de Porto Alegre, hoje, os 1.253 hectares de área verde são um museu a céu aberto e em ruínas. Uma memória desbotada de outros tempos. Parte das 172 edificações da cidade, porém, segue ocupada por pessoas que se curaram da hanseníase (mas decidiram permanecer vivendo na Colônia) e por pacientes psiquiátricos. Em 2012, quando a diretora Liliana Sulzbach gravou o documentário que citamos no início da reportagem, 34 pessoas viviam no local. Hoje, são 72. Além dos 20 sobreviventes dos tempos do leprosário e alguns antigos pacientes psiquiátricos, desde maio do ano passado, mais pessoas do Hospital Psiquiátrico São Pedro têm sido transferidas para o local, pelo governo do Estado.

O pórtico com a frase “Nós não andamos sós” segue na entrada da antiga vila, em letras pintadas com o mesmo verde escuro de antigamente. A diferença é que agora já não existe o vidro para separar o mundo de cá do outro lado. Numa manhã de janeiro de 2018, três ou quatro moradores-usuários sentam sob o sol e caminham entre as duas áreas do hospital. A reportagem, porém, não está autorizada a fazer foto ou entrevistá-los. Segundo a administração do local, desde que matérias foram publicadas chamando Itapuã de “cidade dos mortos-vivos”, ninguém mais foi autorizado a conversar com quem vive ali.

O dia de ontem

Os primeiros relatos de pessoas afetadas pela hanseníase têm 3 mil anos. Naquela época, a doença era conhecida como lepra ou “doença dos lázaros”, em referência à história da Bíblia. A cura só surgiu em 1943. Três anos depois da criação do Hospital de Itapuã. Levariam ainda outros seis anos para que a medicação contra a doença – a dapsona – começasse a ser comercializada mundialmente. No Brasil, as regras de isolamento instituídas por Getúlio seguiram valendo até 1961, quando o então ministro da Saúde, Tancredo Neves, publicou uma nova portaria sobre tratamento no país.

Em um parágrafo único, ela diz: “No combate à endemia leprótica será, sempre que possível, evitada a aplicação de medidas que impliquem na quebra da unidade familiar, no desajustamento ocupacional e na criação de outros problemas sociais”. Ou seja, ninguém mais teria de deixar tudo após receber um diagnóstico positivo. A política reconhecia que leprosários só aumentavam o preconceito. Para muitos que foram levados a Itapuã, no entanto, a decisão chegou tarde.

Com a lei federal criada por Getúlio, assim que a pessoa fosse diagnosticada com uma lesão na pele, era obrigada a ir viver num espaço isolado. Não importava o estágio da doença ou idade. O furgão preto da profilaxia viajava por todo o Estado para buscar os novos moradores. Para quem era casado, receber o diagnóstico dava ao cônjuge o direito de se divorciar, numa época que o divórcio não era lei no Brasil. Ouvir de um médico que você tinha “lepra” era como receber a notícia que havia morrido para a sociedade.

Pacientes eram colocados para viver em pavilhões, dividindo quartos entre 3 e 4 pessoas | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Muitos, depois de atravessar a entrada que separava a zona limpa da zona suja, mudavam até o nome para evitar que a família sofresse constrangimento do lado de fora. Se acostumavam com a vida em um pavilhão, onde teriam de dividir quartos com outras três ou quatro pessoas, pelo menos até casar e ter direito à uma casa separada.

“É a dor do pavilhão… Tu deixaste um namorado, tu deixaste a família, tu deixaste todos lá fora, aqui, quando tu chega, tu nada conhece, nada sabe. E tu tem que te acostumar porque aqui é tua vida. Por outro lado, tu não tem nenhum medicamento, nenhuma esperança de um dia melhorar. Onde ficam os teus afetos? Os filhos que tu deixaste? Aqui tu cria uma irmandade, porque é tudo o que te sobra. Aqui tu cria resignação e aceitação”, conta a enfermeira Rita. “Todos os hospitais colônia têm uma porta de entrada. A porta de saída é o cemitério”.

Alguns se adaptavam à nova vida. Casavam, entravam para o time de futebol, encontravam uma nova profissão. Conforme a cidade foi ganhando mais moradores, eles mesmos criaram uma olaria para construir novos prédios, como o “Pavilhão de Diversões”. Lugar que abrigou grandes bailes, sessões de cinema, a televisão por onde quem vivia ali viu o homem chegar à lua em 1969. O salão que acomodava um público maior do que o Theatro São Pedro, com mil cadeiras arrumadas lado a lado e cobrava 400 réis de entrada, hoje, tem o teto destruído e o palco coberto por restos e sujeira.

Outros pacientes, porém, demoravam para aceitar. Fugas – especialmente de homens, que sentiam falta de bebida – eram comuns no Hospital Colônia. Assim que o paciente era capturado, o delegado do local (também um doente) o enviava para a prisão. Uma casa com salas separadas para os “detentos” e duas solitárias, do tamanho de um armário de vassouras, onde muitas vezes eles eram jogados por dias, se fossem reincidentes.

“Pavilhão de Diversões” construído pelos próprios moradores de Itapuã, com tijolos fabricados dentro do Hospital Colônia | Foto: Guilherme Santos/Sul21

As crianças que chegavam sozinhas cresciam nos pavilhões. As meninas eram colocadas aos cuidados de uma freira, também doente, e os meninos, com um senhor de idade que ensinava carpintaria. “Eu vim para cá quando tinha 7 anos. Eu achava que não ia conseguir ficar aqui dentro. Pensava: será que eu vou ter que ficar a vida toda aqui?”, lembra uma mulher no filme ‘A Cidade’. Quando era um ano mais jovem que ela, outra menina de Itapuã bordou um travesseiro com flores cor-de-rosa e a palavra “felicidade” a pedido de uma freira. Anos depois, quando soube pela enfermeira o que estava escrito, ficou triste. “Se eu soubesse ler, eu nunca teria escrito essa palavra”, disse.

Já as crianças nascidas em Itapuã nunca ficavam. Depois do parto, a mãe tinha poucos segundos para ver o rosto do bebê pelo buraco de uma tábua e se despedir para sempre. Elas eram, então, encaminhadas a abrigos de freiras e para adoção, sem nunca saberem sua história. Uma reportagem da BBC de 2016 afirma que, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 40 mil bebês foram separados dos pais em leprosários do Brasil.

Rita conta que, mesmo que muitas mulheres tentassem evitar a gravidez, não restavam muitas opções. “As mães aqui dentro rezavam muito para nunca engravidar. Na confissão, se ela dissesse que estava evitando fazer sexo, para não engravidar, ela não recebia a comunhão na frente de todos. Para que todos soubessem, que aquela não era uma boa esposa”.

Zona suja

Pórtico separava as zonas “limpa” e “suja”: pessoas doentes só poderiam falar com a família pelo vidro do parlatório | Foto: Guilherme Santos/Sul21

O território de Itapuã era dividido em duas zonas: a limpa e a suja. Uma para os doentes, outra onde circulavam os funcionários que davam apoio à cidade, comprando alimentos, abastecendo de medicamentos, tecidos para roupas, etc. Além dos doentes, só dois médicos e um grupo de 19 freiras, todas vindas da Alemanha e especialistas no tratamento de pessoas com hanseníase, poderiam circular na área com risco de contágio.

A transmissão da doença se dá pela saliva de pessoas não tratadas, através de um bacilo. O primeiro identificado na História. Descoberto pelo dermatologista e bacteriologista Gerhard Hansen, em 1873, ele pode levar de dois a sete anos para apresentar os primeiros sintomas e não escolhe idade ou gênero de quem infecta. O doente perde a sensação em certas regiões da pele, tem dificuldade de diferenciar frio e calor ou de sentir dor. A doença pode então evoluir para estágios tuberculóide ou lepromatosa, causando atrofiamento de membros e lesões respiratórias, de pele e nos olhos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país com o maior número de casos no mundo.

Em Itapuã, quando familiares faziam visitas, tinham de ficar de outro lado de um vidro, com dois canos que marcavam a distância de um metro entre doente e alguém saudável. Nenhuma comida, carta ou qualquer outro objeto cruzava o pórtico sem ser esterilizado. Por um tempo, a “cidade” chegou a ter inclusive moeda própria, uma chapinha de latão, fabricada pela empresa de lamparinas Eberle, de Caxias do Sul. Se as freiras pegavam qualquer relato falando mal do local, a correspondência era confiscada. Com o tempo, muitas famílias iam deixando de visitar os doentes e tocando suas vidas lá fora, enquanto quem recebeu a “sentença” recomeçava outra vida.

“Esses pacientes estiveram atrás do muro para proteger a sociedade saudável. Mas não tínhamos o que dar. Aqui dentro somos uma cidade. O doente mais saudável é ensinado a cuidar do mais grave. Nós não temos enfermeiros civis, o médico entra, faz a prescrição, uma das irmãs vai ensinar o grupo de funcionários, que é um grupo de doentes. A cidade é administrada pelo prefeito eleito pelos doentes”, conta Rita.

Com a publicação do decreto de Tancredo Neves, a porta foi aberta para quem quisesse voltar ao mundo comum. Alguns pacientes foram viver em terras distantes, onde ninguém soubesse que viveram em um leprosário, outros saíram, mas voltaram pouco tempo depois. “A sociedade civil acabou fazendo com que eles tivessem que voltar para dentro do Hospital, não mais por questão de saúde, mas por uma questão social. Eles não tinham mais onde ficar”, diz Rita.

Pórtico separava as zonas “limpa” e “suja”: pessoas doentes só poderiam falar com a família pelo vidro do parlatório | Foto: Guilherme Santos/Sul21

A enfermeira, que vem estudando o tema há 20 anos e está há 10 em Itapuã, acredita que, ao mesmo tempo que a política getulista contribuiu para um pânico e para reforçar preconceito contra quem tinha a infame lepra, caso a medida não tivesse sido adotada, os efeitos poderiam ter sido muito piores. “Teriam sido famílias inteiras dizimadas”.

Em 2007, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei indenizando todas as pessoas internadas contra a vontade em leprosários no Brasil. Hoje, a média de vida dos pacientes gira em torno de 80 anos. “Hanseníase não mata. Ela te deforma, mas não te mata. Quem morria, morria por pneumonia, hipertensão, AVC. Ela não interfere em absolutamente nada”. Rita conta ainda que os “ex-hanseníanos” têm a liberdade de ir e vir. Eles saem, almoçam fora, tem suas casas lá fora, avisam que vão passar 15 dias longe visitando alguém. Outros, com idade já muito avançada, vivem entre a enfermaria do HCI e suas próprias casas na cidade inventada.

Novos moradores

Hospital fica próximo ao Parque Estadual de Itapuã | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os mais recentes moradores do Hospital Colônia têm uma vida diferente. Segundo Rita, para que o local não ficasse ocioso, foi tomada a decisão de levar para ali “os pacientes mais críticos do São Pedro”. O perfil deles seriam pessoas cadeirantes, “pacientes dependentes”, que eram um “ônus”.

“Nós temos espaço, nós temos equipe, aquele paciente que necessita de um cuidado mais intensivo, ser cuidado 24 horas, está vindo aqui para nós. A triagem é feita com a equipe médica daqui e a equipe médica de lá. É de lá que eles decidem quais os pacientes que virão para cá. São pacientes que, desde o seu início, nunca tiveram famílias”, afirma ela.

Na visita da reportagem, também não tivemos autorização para entrar na enfermaria ou espaços onde esses pacientes vivem. Uma decisão da nova direção, que assumiu na metade do ano passado. No site do governo do Estado há apenas duas linhas sobre quem vive hoje no Itapuã: “conta com moradores-usuários, que têm assistência não só de moradia, mas também de uma política que visa o resgate da cidadania e a reintegração social destas pessoas”.

Mas, a relação entre o São Pedro e o Hospital Colônia de Itapuã não é nova. Enquanto Itapuã foi deixando de receber pacientes com hanseníase, no final dos anos 1960, o São Pedro começou a apresentar superlotação. O Estado criou então um projeto chamado CAR – Centro Agrícola de Reabilitação – seguindo as diretrizes de uma política nacional de assistência ao doente mental. Pacientes homens, com idade entre 18 e 45 anos, que vinham de áreas rurais e tivessem diagnóstico de esquizofrenia crônica (sem cura), eram levados para viver no HCI. A proposta era ressocializar essas pessoas através da laborterapia. Em um banner exposto hoje, em Itapuã, diz-se que a criação de uma unidade psiquiátrica “reforçou o caráter asilar da instituição”. 

O projeto durou apenas dez anos.

Outros pacientes psiquiátricos seguiram sendo transferidos do São Pedro para Itapuã, mas por outros meios, não mais o CAR. Em 2014, quando José Ivo Sartori (PMDB) ainda estava em campanha para governador, o Sindicato Médico do RS (Simers) sugeriu a ele que o Colônia Itapuã poderia ser melhor aproveitado “para o tratamento de saúde mental”. Já no Piratini, em 2015, Sartori disse que pretendia reativar as internações de pacientes psiquiátricos no local.

As transferências estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual. Em setembro do ano passado, a promotora Liliane Pastoriz, responsável pela fiscalização do Hospital Psiquiátrico São Pedro, realizou uma vistoria no local pela “possibilidade de ampliação do trabalho conjunto” entre os dois hospitais. Junto à promotoria de Viamão, encarregada de fiscalizar o trabalho no HCI, ela pediu avaliação técnica de biomédicos, enfermeiros e assistentes sociais sobre o trabalho no local.

“Estamos aguardando estas avaliações dos nossos técnicos. Tivemos parecer dos serviços médicos e biomédicos do local, agora, estamos aguardando avaliação da área de serviço social”, explicou ao Sul21. A promotora não quis dar mais detalhes sobre o caso, declarando apenas que deve ter um relatório ainda este ano. “O que a gente quer saber é se esse modelo assistencial [oferecido aos pacientes] seria adequado”.

Antes do MP, em 2016, a Defensoria Pública Estadual também já havia feito uma visita à Itapuã, enquanto investigava denúncias sobre as condições de tratamento dos pacientes psiquiátricos atendidos pelo SUS Porto Alegre e ausência de vagas em Residenciais Terapêuticos. “Quando a Defensoria Pública foi a Itapuã, não identificou violações visíveis. Estamos aguardando respostas do Estado sobre os critérios que estão sendo adotados para a transferência dos pacientes”, diz a defensora Patrícia Ketterman.

As transferências também vêm sendo questionadas pelo Fórum Gaúcho de Saúde Mental. O grupo encaminhou, no ano passado, um documento formal, por meio da Comissão de Saúde Mental, para mesa diretora do Conselho Estadual de Saúde solicitando quem são os usuários transferidos para Itapuã, quantos têm acesso a residenciais, onde seriam instalados. “Esse documento já foi e já voltou 500 vezes. Eles respondem só a parte que querem responder, fazem projeções para o futuro e não dão os nomes”, diz a psicóloga Karol Veiga.

Segundo outra integrante do Fórum, a psicóloga Fátima Bueno, o tema foi questionado em diversas plenárias do Conselho. “Nós pedimos, queríamos saber exatamente qual seria a política para [essas pessoas]. Eles usam essa coisa de transformar o hospital em referência e excelência e que os usuários vão morar melhor em Itapuã. Nós começamos a rebater esse argumento, que vez ou outra volta ao Conselho. Eles têm essa meta de 300 e poucos usuários lá”, afirma ela. Atualmente, o Hospital São Pedro possui 313 pacientes.

O Sul21 solicitou uma entrevista com o responsável pelas políticas de saúde mental na Secretaria Estadual de Saúde, Luiz Coronel, mas ele estaria em licença. Ao pedido de outra pessoa que pudesse responder questões sobre os pacientes psiquiátricos de Itapuã, fomos informados de que não havia outras fontes disponíveis.

A lei que definiu indenizações a todas as pessoas internadas compulsoriamente em leprosários estendeu o benefício para internações realizadas até 1986, para incluir os dois últimos pacientes que chegaram a Itapuã. Um casal de irmãos, eles foram levados ali por uma decisão judicial e de maneira compulsória. Segundo conta a enfermeira Rita, os dois viviam em situação de vulnerabilidade social e sem condições de cuidado. Assim que se curou, o irmão deixou o hospital. A irmã, porém, que tinha 27 anos na época da internação e marcas físicas visíveis da doença, ficou.

Hoje, ela é uma das moradoras remanescentes e só consegue lembrar de sua própria história em alguns momentos de lucidez. A última vez que isso aconteceu disse à enfermeira que trocava seus curativos que se se sentia como um pássaro de asas quebradas. Já sem forças para voar longe dali.

Veja galeria de fotos:

Por Fernanda Canofre

Fonte original da notícia: Sul21




Chalé mudou de lugar para ficar na história de Torres (RS)

Depois de ser reformado e levado da Prainha para a Praia dos Molhe, Chalé Gerdau Johannpeter foi entregue à prefeitura da cidade.

Construído em 1920 por Walter Gerdau, imóvel de madeira deve abrigar em breve um memorial do surfe. Tadeu Vilani / Agencia RBS

No começo do século passado, eram poucos os veranistas que aportavam em Torres. A praia ficava longe da Capital e sua beleza virava cenário de férias somente dos mais aventureiros ou privilegiados. Os anos avançaram e, aos poucos, a praia lindeira a Santa Catarina começou a ganhar suas primeiras casas de veraneio. Um delas mudou de endereço para se tornar ponto turístico e histórico. Nesta sexta-feira (19), o Chalé Gerdau Johannpeter – onde por anos as famílias que o nomeiam passaram veraneios – foi entregue à prefeitura de Torres, depois de ser reformado e levado da Prainha para a Praia dos Molhes.

O imóvel de madeira foi construído em 1920 por Walter Gerdau e deve abrigar em breve um memorial do surfe e outras atividades a serem definidas pela administração do município. Toda a estrutura foi remontada no novo endereço, junto à Praça Zeca Scheffer, em frente à Associação dos Amigos da Praia de Torres (Sapt). O trabalho foi viabilizado pela Construtora Ivo Rizzo e um grupo de empresários, entre eles Jorge Gerdau Johannpeter, Eduardo Bier, Renato Rizzo e o belga Christian Hunt.

— Tenho minha infância ligada a esse chalé. Estou contente e realizado com esse projeto — disse Dado Bier, pouco antes da solenidade de entrega.

Para os surfistas da praia que resguarda a história do esporte no Rio Grande do Sul, contar com o espaço do chalé pode ser um incentivo a ações que ampliam a prática na cidade e no Estado. A Associação dos Surfistas de Torres (AST) pretende pleitear um espaço no local e promete ajudar a fiscalizar a manutenção do chalé pelo poder público, além de colaborar para a organização do acervo, que será reunido a partir de peças da comunidade.

— O chalé em si já tem uma história bonita (a família Gerdau/Johannpeter é pioneira no surf no Estado). A gente pode ajudar a enriquecê-la — diz o presidente da entidade, Giuliano Homem.

O terreno que abrigava o chalé, na Prainha, receberá um novo empreendimento. Será um prédio único, integrado ao morro, projetado pelo arquiteto Dino Damiani e executado pela Construtora Ivo Rizzo. O empreendimento conta com 10 casas suspensas em um terreno de frente para o mar.

Por Bruna Porciúncula

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




“Esse patrimônio é todo nosso”, destaca vídeo institucional de 81 anos do Iphan

Reprodução/Internet

Em 2018, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) completa 81 anos. Desde sua criação, em 13 de janeiro de 1937, o Iphan atua com o propósito de identificar, reconhecer e valorizar o conjunto dos bens culturais do país, cuja conservação e salvaguarda seja de interesse público – quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico, paisagístico, artístico ou cultural. É uma longa trajetória em prol da preservação da singularidade da cultura brasileira.

A fim de homenagear a jornada pela proteção dos bens culturais brasileiros, o Iphan lançou um vídeo institucional que exalta os aspectos da brasilidade do nosso Patrimônio Cultural. Assista:

Em celebração a esse momento, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, destaca os desafios que estão por vir.

Em janeiro de 2018, encerramos oficialmente as comemorações dos 80 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. 

O debate realizado ao longo de 2017 garantiu uma profunda reflexão sobre o presente, o passado e o futuro da Instituição. Agora, é chegado o momento de avançar, de consolidar as políticas de preservação e salvaguarda do nosso patrimônio e enfrentar novos desafios. 

Com tantas singularidades, em um país com dimensões continentais, o Iphan irá buscar ampliar o debate de conceitos e a troca de experiências sobre a região com a sociedade civil, gestores, detentores das práticas culturais e a comunidade científica. Queremos envolver a todos e promover a compreensão do Patrimônio Cultural como vetor de desenvolvimento social e de promoção do turismo sustentável. 

O desafio da preservação da memória nacional deve estar aliado ao desenvolvimento local e em políticas públicas capazes de gerar melhorias para a qualidade de vida nas cidades, incremento às economias regionais, estímulo aos investimentos e à geração de emprego e renda. Vamos abraçar esse momento e unir o Brasil na proteção das riquezas até os limites das nossas fronteiras”.

Fonte original da notícia: IPHAN




Com acervo histórico, Instituto completa 110 anos em Belo Horizonte (MG)

Apesar dos 110 anos de história, a associação tem projetos para atrair as novas gerações. A digitalização de documentos, mapas e fotos tem projeto e está em andamento.

Que tal visualizar um mapa de Minas Gerais de 1824? Ou vídeos culturais e políticos registrados em meados do século passado? E ter acesso a livros e documentos que contam a história de Belo Horizonte e Minas Gerais? Tudo isso é possível no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que completou 110 anos de existência em agosto deste ano.

Localizado na região central de Belo Horizonte, na rua Guajajaras, o instituto conta com biblioteca, videoteca, hemeroteca e mapoteca, que preservam a história de Minas Gerais e também do Brasil, por meio de livros, revistas, mapas e vídeos dos séculos XVIII, XIX e XX.

“A biblioteca é o local com mais referência histórica, obras e documentos raros, originais. Inclusive, coleções e doações ligadas ao instituto de alguma forma”, diz o atual presidente da instituição, Aluízio Quintão.

Em todo estado mineiro, o IHGMG é a instituição privada mais antiga em funcionamento. Para ter uma ideia, há livro com título “A Capitania das Minas Gerais”, de Augusto de Lima Junior. Outro exemplo, sobre a história nacional, o instituto conta com livro “Memória a respeito da Sepultura Rasa do Descobridor do Brasil Pedro Alvares Cabral”, publicado em 1902.

O instituto foi criado em 15 de agosto de 1907, após movimento político. Em 1896, Nelson de Sena começou o movimento pela criação do instituto, que era inspirado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que fora fundado ainda no regime monárquico, em 1838.

Em 1897, foi a vez de Antônio Augusto de Lima realizar reuniões com políticos e intelectuais da época em favor da criação do instituto. Apenas 10 anos depois, o grupo conseguiu fundar o instituto, que fora presidido pelo então presidente (governador) de Minas Gerais João Pinheiro da Silva. “O Instituto surgiu pelo idealismo de jovens políticos que queriam registrar a história de Minas Gerais”, afirma Aluízio.

Futuro

Apesar dos 110 anos de história, a associação tem projetos para atrair as novas gerações. A digitalização de documentos, mapas e fotos tem projeto e está em andamento. “A digitalização ajuda a pesquisa, sem alterar documentos. Temos site que está sendo restruturado e vamos tentar colocar os arquivos de maneira ampla”, diz Aluízio.

A missão do instituto parece simples, mas exige esforços para que a história mineira seja mantida, como diz o diretor de comunicação Paulo Lasmar. “Numa época em que a educação e a cultura ficam relevados a segundo plano, essa lamentável situação só aumenta a responsabilidade e importância do instituto, que possui acervo inestimável”, afirma.

Serviço

Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
Funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 13h às 17h30
Telefone: (31) 3212-4656
Rua Guajajaras, 1268. Centro. Belo Horizonte.

Fonte original da notícia: O Tempo