Iepha-MG conclui obras de preservação do patrimônio cultural em Brumal, distrito de Santa Bárbara


Termo de Ajustamento de Conduta garantiu a recuperação de fachadas do núcleo histórico e de importante igreja tombada.

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O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) finalizou as obras de restauração e reforma da Capela do Senhor dos Passos, em Brumal, distrito de Santa Bárbara, incluindo o adro, o cruzeiro, a imagem do Senhor dos Passos e o sacrário. Foram também recuperadas as fachadas de treze edificações situadas na Rua Principal e na Praça Santo Amaro. O município faz parte do território Metropolitano do estado.

Totalizando o valor de R$637.243,67, o recurso investido veio de um Termo de Compromisso firmado com o Ministério Público de Minas Gerais. A recuperação dos bens culturais teve o acompanhamento técnico do Iepha-MG durante todo o processo, que contou com a colaboração e apoio da comunidade local. A restauração da imagem do Senhor dos Passos, datada do século 19, teve sua conclusão no final de 2016.

Para a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, a conclusão das obras em Brumal reforça ainda mais o compromisso do Governo de Estado de Minas Gerais de preservar o patrimônio cultural dos mineiros. “Minas Gerais possui um acervo cultural muito rico, presente na memória das pessoas, por isso precisamos concentrar os nossos esforços na preservação desses bens históricos”, ressalta a presidente.

Núcleo histórico de Brumal

A origem do município de Santa Bárbara está relacionada à exploração de ouro, no início do século 18, com o descobrimento de minas pelo bandeirante Antônio da Silva Bueno, o que impulsionou o povoamento da região. Embora as minas de ouro do arraial tenham inicialmente se apresentado pobres, o povoado de Brumal consolidou-se na primeira metade do século XVIII, tendo a Capela do Senhor dos Passos sido erguida no século 19.

Em fevereiro de 1831, Brumal recebeu a visita ilustre de Dom Pedro I e da Imperatriz D. Amélia, que, a caminho do Santuário do Caraça, pernoitaram no arraial. No ano de 1881, foi a vez de Dom Pedro II visitar Brumal. A proteção do Centro Histórico de Brumal ocorreu em abril de 1989, por meio do seu tombamento estadual.

Fonte original da notícia: IEPHA




Centro histórico de Perdões poderá se tornar patrimônio de Minas Gerais


Cidade possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. Moradores querem preservação, mas se preocupam com futuro delas.

Casarões históricos de Perdões podem se tornar patrimônio do Estado. (Foto: Reprodução EPTV)

Casarões históricos de Perdões podem se tornar patrimônio do Estado. (Foto: Reprodução EPTV)

O Centro de Perdões (MG) pode se tornar, em breve, patrimônio protegido do Estado de Minas Gerais. O Conselho Estadual de Proteção abriu um processo de estudo para o tombamento do centro histórico do município, que possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência.

O que não falta é história nas construções que fazem parte do centro. O prédio onde hoje funciona o museu municipal e também uma rádio, já foi usado como fórum e até como a cadeia da cidade.

“É bem estranho, a gente chega aqui de manhã, o trabalho começa 5h, por saber que aqui já foi cadeia, a gente fica assim.. mas já acostumou também, já há 17 anos que a gente está trabalhando da emissora e pra gente é um privilégio estar trabalhando na memória da cidade, é um prédio que tem uma estrutura neoclássica, é um prédio muito bonito”, disse o radialista Rodrigo Fidélis.

Construções que, assim como na maioria das cidades, foram surgindo ao redor de igrejas. Uma delas fica no entorno da matriz do Senhor Bom Jesus de Perdões. Um prédio de 1790, que já passou por alterações, mas foi restaurado para recuperar as características originais.

Pelo menos duas décadas antes, os moradores viram surgir a igrejinha do Rosário. Na época, a então matriz de Perdões já chamava a atenção pelo estilo jesuítico.

“Nós tínhamos uma torre aqui na lateral da igreja, uma torre que determinava que essa igreja foi construída no estilo jesuítico, na última reforma descobrimos isso e todo mundo admira a igreja, todo mundo quer estar presente nela porque ela é pequenininha, aconchegante e isso nos faz querer participar dela, estar com ela”, disse o produtor cultural Bruno Costa.

Perdões possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. (Foto: Reprodução EPTV)

Perdões possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. (Foto: Reprodução EPTV)

Para proteger essas igrejas, os casarões e até imagens sacras, o município já fez um tombamento, em 2003, de 12 bens públicos e particulares. Mas agora o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) também está fazendo um estudo para avaliar a necessidade do tombamento pelo estado não só desses bens, mas de todo o centro histórico da cidade.

“O histórico percebeu que Perdões tem um acervo cultural muito grande e importante, e eles decidiram fazer esse estudo de um possível tombamento do centro histórico, o que para nós é muito importante, a gente fica muito feliz com essa notificação. O estado está reconhecendo que a cidade tem um valor histórico interessante”, disse o chefe de sessão do patrimônio histórico da cidade, Amauri Donizetti Leite.

A abertura desse estudo já foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais. Desde então, qualquer alteração nos bens tem que ser informada ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, o Iepha. Entre os moradores, o tombamento divide opiniões. “O Estado que tombou passa a ter direito na casa e os que são herdeiros como ficam?”, perguntou a aposentada Iracema Barbosa Pinheiro.

Quem já mora em uma dessas casas há pelo menos quatro gerações, quer manter a estrutura do mesmo jeito em que ela se encontra.

“Essa casa foi construída pelo meu bisavô, Coronel Joaquim Francisco, que era da Guarda Nacional de Dom Pedro II. Dele passou para minha avó, da minha avó passou para minhas tias e das minhas tias passou para mim, eu já sou a quarta geração que estou com a casa. A preservação é importante porque é a memória da cidade, um povo sem memória não existe”, define a aposentada Olinda Teixeira Macêdo.

Fonte original da notícia: G1 Sul de Minas




Centro Histórico de Grão Mogol (MG) é tombado pelo patrimônio estadual


Título encerra uma década de espera e torcida dos habitantes de um dos municípios mais antigos da Região Norte de Minas.

Iepha/MG - Divulgação

Iepha/MG – Divulgação

Depois de uma espera de 10 anos, os moradores de Grão Mogol, uma das cidades mais antigas do Norte do estado, veem o núcleo histórico local ser tombado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep). Em reunião na terça-feira, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), os conselheiros aprovaram o título por unanimidade, garantindo proteção para os bens do município, cuja primeira povoação surgiu no fim do século 18. Agora, já são 11 localidades mineiras com o tombamento estadual.

Durante a reunião, o secretário de estado da Cultura e presidente do Conep, Angelo Oswaldo, destacou a importância do tombamento do núcleo histórico para os mineiros. “Grão Mogol é uma significativa cidade histórica, com valores patrimoniais e culturais muito característicos da região mineradora, tornando-se um dos pontos importantes de exploração do diamante. O município desenvolveu um processo sociocultural de grande significado, que é reconhecido agora como patrimônio de todos os mineiros”, disse. Ele acrescentou que o reconhecimento do Centro Histórico de Grão Mogol como bem cultural de Minas “deve ser recebido com muita alegria por toda comunidade”.

Já a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, ressaltou que a atuação do instituto no Norte de Minas contribuiu para o tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol. “Nos últimos anos, o Iepha realizou um trabalho intenso em parceria com as comunidades locais e universidades, com o objetivo de pesquisar e compreender a região do Rio São Francisco como patrimônio cultural de Minas Gerais. O tombamento de Grão Mogol reafirma um momento do Iepha de olhar para a diversidade dos centros históricos que o estado tem”, disse. Ela observou que este contexto permite fortalecer o diálogo com o poder público em relação à preservação do patrimônio cultural da cidade.

Preservação
O tombamento de Grão Mogol entusiasmou o secretário municipal de Cultura de Grão Mogol, Rogério Augusto Reis Figueiredo. “A cidade foi tombada pelo município, há dois anos, e agora ganha mais esta proteção. É muito importante para preservar os monumentos que contam nossa história e impedir a descaracterização. Há muitos prédios em ruínas e acreditamos que o tombamento, além de dar mais visibilidade a nossa cidade, poderá trazer recursos para a restauração”, disse.

Com 17 mil habitantes e 167 anos como cidade, embora seja dos tempos coloniais, Grão Mogol tem com um dos principais monumentos a Matriz de Santo Antônio, toda construída em pedra. Rogério chama a atenção, e faz o convite, para que todos visitem o presépio da cidade, “o maior existente ao ar livre”, localizado no sopé de uma serra e com as imagens também de pedra. Além do interesse do Iepha, ele destaca a participação decisiva do promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, ex-coordenador da Promotoria Estadual de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC) e hoje atuando na comarca de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Membro do Conep, o professor da Universidade de Montes Claros, Denilson Meireles, ressalta a relevância dos trabalhos realizados pelo Iepha na Região Norte. Para ele, a região recebe merecido reconhecimento do estado. “O inventário cultural do Rio São Francisco, produzido pela equipe do Iepha, somado ao tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol, demonstra o quanto o Norte de Minas contribui com a sua diversidade para o fortalecimento da cultura mineira”, disse o professor.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: em.com.br




Belo Horizonte (MG) – Infiltrações pioram situação da Igrejinha da Pampulha e Iphan busca alternativas


Marcelo Prates/Hoje em Dia / Marcelo Prates/Hoje em Dia

Marcelo Prates/Hoje em Dia/Marcelo Prates/Hoje em Dia

Depois de ter a reformada adiada para novembro de 2017, a situação da Igrejinha da Pampulha está piorando cada vez mais. Devido às fortes chuvas que atingem Belo Horizonte desde o último mês, as infiltrações aumentaram e começaram a apodrecer as placas curvas de madeira do forro original. Para tentar amenizar o problema, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou uma vistoria nessa segunda-feira (19) com o objetivo de avaliar a situação do imóvel e sugerir medidas provisórias.

Segundo a chefe de gabinete do Iphan,  Rosângela Guimarães, a maior preocupação do órgão é saber o tamanho do estrago que existe no bem para depois analisar quais medidas podem ser tomadas até que as obras de restauro sejam feitas. No entanto, ela lembra que a Igreja de São Francisco de Assis é “uma propriedade privada e o instituto não tem poder para interferir no que vai ser feito ou não, mas cabe a gente a ajudar na guarda do patrimônio brasileiro”, afirma.

Por enquanto, o Iphan trabalha na elaboração do relatório, que ainda não tem previsão de ser entregue. Rosângela explica que após concluir a redação do documento, o órgão solicitará também uma vistoria do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e do Departamento de Memória e Patrimônio. “Queremos fazer uma análise em conjunto, porque eles também são responsáveis pelo tombamento do bem”.

Audiência

A decisão de realizar essa avaliação foi tomada na última sexta-feira (16), após uma uma audiência no Ministério Público de Minas Gerais que reuniu representantes do Iphan, da Arquidiocese de Belo Horizonte e Fundação Municipal de Cultura (FMC).

Durante a sessão, a Arquidiocese, verdadeira guardiã do imóvel, se comprometeu por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que também irá monitorar o estado da capela, especialmente do forro que reveste o teto e das obras de arte que se encontram no interior.

Os casamentos ficarão mantidos como estavam e a Arquidiocese disponibilizará a igreja, sem falta, para a Sudecap a partir do dia 20 de novembro de 2017.

Por Ana Cláudia Ulhôa

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Folia de Reis será declarada patrimônio imaterial de Minas Gerais


Após um ano de pesquisas, o Iepha vai apresentar ao Conep um estudo que identificou, no estado, cerca de 1,5 mil grupos de folias de reis, pastorinhas, terno, charola e outros.

Pelo costume da família, Antônio de Carvalho se considera um descendente dos foliões. (Foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

Pelo costume da família, Antônio de Carvalho se considera um descendente dos foliões. (Foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

Ainda bem criança, o menino se encantava com as danças, roupas, músicas e, principalmente, com a tradição que avós, tios e primos mais velhos levavam para a frente do presépio. Hoje, mais de seis décadas depois – e sempre com muita participação e fé – Antônio Pinto de Carvalho, de 69 anos, morador de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, se emociona, e ao mesmo tempo se alegra, ao segurar a bandeira dos Três Reis Magos e louvar José, Maria e o Menino Jesus. Integrante do grupo de folia de reis “Os capela nova” (assim mesmo, com apenas o artigo no plural), o aposentado, casado, pai de cinco filhos e avô seis vezes, acredita que é fundamental manter o costume católico e aplaude a decisão do Conselho Estadual de Patrimônio (Conep) que, em 6 de janeiro, Dia de Reis, vai declarar as folias de reis como patrimônio cultural imaterial de Minas.

“A Folia de Reis é um respeito ao nascimento de Jesus. Até o dia 6, nosso grupo visita os presépios de Betim, cantando e tocando viola, violão, acordeão, caixa e chocalho”, conta Antônio com entusiasmo, enquanto vai vestindo a roupa vermelha e colocando, sobre o rosto, a máscara feita de couro e chita, para representar os reis Belchior, Baltazar e Gaspar, que visitaram o menino Jesus na gruta de Belém. Fazendo a quarta voz no grupo e tocando violão, o aposentado diz que se considera um “verdadeiro descendente” dos foliões, tal a tradição na família.

Já incorporando o personagem, Antônio canta um versinho “São José e Nossa Senhora, no bolsinho que trazia, partiu um lenço em quatro pedaços, e o Menino já cobria” e diz que participa da folia há 60 anos. “Precisamos manter essa manifestação cultural tão importante. Na atualidade, há jovens que gostam e outros que preferem, infelizmente, as drogas”, afirma o aposentado, que é voluntário num grupo de recuperação e prevenção de dependentes químicos.

Pesquisa. Depois de um ano de pesquisas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) vai apresentar ao Conep, no dia 6, um estudo que identificou, no estado, cerca de 1,5 mil grupos de folias de reis, pastorinhas, terno, charola e outros, informa a presidente da instituição, Michele Arroyo. Conforme o levantamento, os grupos de 285 municípios foram cadastrados, abrangendo todos os 17 territórios estaduais demarcados pela atual gestão. Com 106 grupos, Uberaba, na Região do Triângulo, é o município com maior número de grupos cadastrados. Em seguida, João Pinheiro, na Região Noroeste do estado, aparece com 34.

As folias existem em Minas desde os tempos coloniais, encontrando terreno fértil primeiro nas fazendas, depois no meio urbano, sempre no período natalino. “É fundamental a presença de um presépio para essa manifestação cultural”, afirma Michele, destacando que a condição de patrimônio imaterial vai criar um diálogo maior com as comunidades, de forma a verificar as necessidades de cada uma, que podem ser falta de recursos, de roupas, instrumentos ou transporte. “Trata-se de uma forma de zelar pela manifestação, com políticas de salvaguarda. Por isso mesmo, estamos com a exposição de presépios no Circuito Liberdade, na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital.”

Visitação. Em iniciativa inédita e parceria com os municípios, o Iepha está proporcionando a visitação a diversos presépios de Minas. Por meio do Circuito de Presépios e Lapinhas de Minas, 250 deles (residenciais e comunitários), montados em 150 cidades estarão abertos ao público até 6 de janeiro. Um guia online com endereços e horários para visitação está disponível no site www.iepha.mg.gov.br.

Na capital, os espaços que compõem o Circuito Liberdade, o Palácio Cristo Rei e o Servas, na Praça da Liberdade, também recebem presépios que podem ser visitados. O Centro de Arte Popular Cemig e o MM Gerdau Museu das Minas e do Metal organizaram exposições de presépios, reunindo peças de diversos autores em seus espaços. No Dia de Reis, encerrando o ciclo natalino, diversos grupos farão um cortejo na Praça da Liberdade, convidando o público a participar da festa.

Segundo o Iepha, Várzea da Palma, na Região Norte, tem nove presépios cadastrados no guia online e se destaca por apresentar o maior número de espaços abertos aos visitantes. Em seguida, estão Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste, com oito, Jaboticatubas, na Região Metropolitana de BH e Medina, no Vale do Jequitinhonha, com sete, Oliveira, no Centro-Oeste com seis e outros três municípios com cinco: Barão de Cocais (metropolitana), Piranguçu (sul) e Jequitinhonha.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: em.com.br




IEPHA-MG publica edital para restauração do Vapor Benjamim Guimarães


Bem cultural é um dos últimos exemplares de embarcação a vapor ainda em funcionamento no Brasil.

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A Secretaria de Estado de Cultura, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico de Minas Gerais (Iepha-MG), irá recuperar o Vapor Benjamim Guimarães, embarcação centenária situada na cidade de Pirapora, território norte do Estado. A iniciativa é uma determinação do governador Fernando Pimentel e atende a uma demanda da comunidade da região.

No dia 31 de agosto foi publicado edital de licitação para a contratação do projeto executivo de reforma e restauração da embarcação, protegida por tombamento pelo Iepha-MG desde agosto de 1985. Serão investidos pelo Governo do Estado cerca de R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais).  A partir do projeto executivo, na segunda etapa, será licitada a contratação de serviços técnicos especializados de engenharia naval. Entre os reparos necessários, está a recuperação do casco, do sistema de esgoto dos porões, revisão do gerador, pintura geral, entre outros. A estimativa dos custos da intervenção é de R$3 milhões.

Vapor Benjamim Guimarães

A embarcação foi construída nos Estados Unidos, no Vale do Mississipi, e trazida ao Brasil em 1913, para a bacia do Rio Amazonas. Na década de 20 passou a navegar no Rio São Francisco onde recebeu o nome de Benjamim Guimarães em homenagem ao patriarca da firma que adquiriu o vapor.

Reconhecido oficialmente como patrimônio cultural municipal e estadual, o vapor foi tombado pelo Iepha-MG em 1985 e incorporado ao patrimônio histórico do município de Pirapora em 1997. Responsável pela atração de um grande número de turistas para a região, a embarcação movimenta a economia local e é um referencial na navegação comercial do Rio São Francisco.

Benjamim Guimarães possui capacidade para 140 pessoas e é um dos últimos exemplares de embarcação a vapor ainda em funcionamento no Brasil, com sistema movido a lenha e caldeira, impulsionado a vapor e roda-popa. Por sua importância histórica e cultural para o vale do Rio São Francisco, o vapor já foi palco de gravações de novelas de televisão, em rede nacional, e ultimamente tem sido usado como palco para apresentações artísticas e culturais como a orquestra sinfônica, entre outros.

Fonte original da notícia: IEPHA MG




Produtores culturais reclamam de interdição de teatro de Varginha (MG)


Durante reforma, Teatro Capitólio ficará fechado por dois meses. Espetáculos que já estavam agendados devem ser remarcados.

Teatro Capitólio irá passar por reformas em Varginha. (Foto: Reprodução EPTV)

Teatro Capitólio irá passar por reformas em Varginha. (Foto: Reprodução EPTV)

O Teatro Capitólio em Varginha (MG) passará por uma reforma e ficará com as portas fechadas nos meses de agosto e setembro. Os espetáculos que já estavam agendados deverão ser remarcados. Medida que não agradou os produtores culturais que alegam que não foram informados da interdição do local.

O custo total do restauro está previsto em R$ 38.202,36, provenientes do ICMS cultural,  recurso gerado pelos projetos culturais qualificados executados pela fundação. A primeira etapa da obra consiste nos serviços preliminares de demolições dos pisos e revestimentos e retiradas de louças, vidros e portas danificadas. A última reforma dos camarins foi em 2002, quando o espaço recebeu novo piso e todas as portas foram trocadas.

“O IEPHA [Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico], o IPHAN [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], o CODEPAC [Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural] e o Ministério Público do Meio Ambiente exigem e impõem a preservação e a conservação do patrimônio cultural. Então, o que nós estamos fazendo não é opcional ou não depende de querer ou não querer”, explica o diretor da Fundação Cultural da cidade, Francisco Graça de Moura.

Ainda de acordo com o diretor da fundação, todas as apresentações marcadas para o período de reforma poderão ser remarcadas a partir do mês de outubro. “Nós temos que ter instalações dignas e corretas que, inclusive, é uma demonstração do respeito que a cidade tem pelos artistas”, disse ele.

A interdição temporária do teatro pegou alguns produtores de surpresa. É o caso de Ivanei Salgado ,que desde o ano passado tinha feito uma reserva do espaço. Agora ele terá que mudar os planos. “Os produtores culturais envolvidos com datas marcadas no teatro deveriam ter sido consultados para que juntos chegássemos a uma solução. Ser comunicado por e-mail ou com carta-padrão não é a forma adequada de se dialogar com os produtores”, alegou.

Fonte original da notícia: G1 Sul de Minas




Rituais de fé preservados


Tradição – Parte da identidade brasileira, ritos como simpatias e benzeções se perpetuam.

a Pesquisa - Thais Mol e Luciana Tanure desenvolvem o projeto “Simpatias da Dalva”, em BH.

Pesquisa – Thais Mol e Luciana Tanure desenvolvem o projeto “Simpatias da Dalva”, em BH.

Até por volta dos 7 anos de idade, o projetista Filipe Rodrigues Figueiredo, 25, era gago. Para solucionar o problema, seu pai recorrer a uma simpatia: deu dois dentes de alho para o menino comer e, em seguida, despejou duas garrafas d’água gelada em sua cabeça. Foi tiro e queda. “Eu brinco que ele podia ter usado só metade da receita porque hoje eu falo rápido demais”, diz Figueiredo.

Quando tinha a mesma idade, a dona de casa Serafina Terezinha Pereira, 78, mais conhecida como Dona Fininha, conta que trouxe o pai de volta do mundo dos mortos, ainda em sua cidade natal, São João Evangelista, no Vale do Rio Doce. “Ele morreu às 15h. Passamos o resto do dia preparando seu enterro e, à meia-noite, chegou um homem em nossa casa que conversou comigo e pediu pra entrar. Ele me ensinou um remédio com folha de maracujá e disse para eu dar pro meu pai por nove dias. Às 3h, ele ressuscitou e nós nunca mais vimos o tal homem, nem conseguimos saber nada sobre ele. Meu pai, por sua vez, viveu por muitos e muitos anos”, conta Dona Fininha, que ali descobriu seu dom para a cura e se tornou benzedeira.

Livro de simpatias por Dalva.

Livro de simpatias por Dalva.

Traço marcante da cultura brasileira, sobretudo da mineira, a crença nos saberes e fazeres populares de cura por meio de rituais é uma herança de nossa formação miscigenada. “Alguns estudos apontam que, no período colonial, a fusão de elementos da tradição indígena, negra e europeia deu origem a esse aspecto de nossa identidade, que também tem a ver com o fato de que o serviço de assistência à saúde era precário e não alcançava toda a população”, explica Luis Molinari Mundim, gerente de patrimônio imaterial do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). “Por isso, as simpatias, benzeções, uso de plantas e chás têm a ver, acima de tudo, com a questão do cuidado. Tudo se mistura numa tentativa de oferecer bem-estar, alívio para as pessoas”, afirma Mundim.

Por mais que a sociedade tenha se transformado muito, essas tradições vão se modificando, mas não se perdem com o passar do tempo, como esclarece Mundim. “Seus elementos fundadores permanecem nos dias atuais, como no caso das benzeções, que ainda são muito fortes no nosso país, especialmente em Minas Gerais. Mas elas vão sendo ressignificadas, não são estanques”, afirma.

Missão de vida - Dona Fininha, mãe do músico Ségio Pererê, benze há mais de 70 anos.

Missão de vida – Dona Fininha, mãe do músico Ségio Pererê, benze há mais de 70 anos.

Foi com o intuito de promover uma renovação dessas práticas, combinando a tradição oral com a cultura, a arte e a tecnologia atuais que foi criado o projeto Simpatias da Dalva. Conduzida pelas pesquisadoras belo-horizontinas Thais Mol, 39, e Luciana Tanure, 38, a iniciativa parte do material deixado por Dalva Moreira Borges (1928-1988), dona de casa mineira radicada no Rio de Janeiro que realizava práticas populares de cura e as registrava em bilhetes endereçados a seu marido e numa caderneta intitulada “Simpatias de A a Z”, que continha rituais para encontrar saúde, casamento, filhos, dinheiro, trabalho.

“Dalva era uma mulher de classe média, urbana, cosmopolita – tanto é que foi de Divinópolis para o Rio, numa época em que essa era uma cidade de ouro – vivia uma vida normal no seu apartamento, mas intimamente se valia desses processos. Suas simpatias têm mais ênfase no desejo de amor, a paixão era algo muito central em sua vida”, afirma Thais. “Nós queremos explorar essa história de que a simpatia existe nos ambientes mais diversos e trazer isso pra hoje. Numa época em que falamos tanto de empoderamento, nesses ritos em que nos apropriamos da situação e agimos com mais consciência do gesto, da palavra, do ato, do olhar, o corpo se empodera”.

No último dia 14, foi realizada uma “Ciranda de conversas sobre ritualizações no cotidiano” como parte do processo que resultará num livro, a ser lançado até o fim deste ano, como fruto da pesquisa que engloba o Simpatias da Dalva. “Queremos valorizar esse saber, que é brasileiro. E também queremos que as pessoas criem seus próprios rituais. Pode ser que muita gente não faça uma receita de simpatia inteira, mas todo mundo faz alguma coisa, seja colocar uma espada-de-são-jorge na frente de casa ou pendurar um terço no carro. Esse é o paradoxo de hoje, por mais tecnológicos que estejamos nos tornando, crenças como o budismo e a ioga se espalharam pelo mundo no século XX. Saberes ancestrais como esses se difundem em conjunto com o desenvolvimento da ciência, uma coisa não elimina a outra. Steve Jobs (1955-2011), que criou um dos produtos mais ‘avant garde’ da contemporaneidade (ele foi o fundador da Apple), era budista. Nada exclui nada”, analisa Thais.

Ainda que se transformem e se adaptem, perdurando à medida que o tempo passa, rituais como simpatias, benzeções e manipulação de ervas tendem a se tornar menos visíveis, explica Luis Molinari Mundim, gerente de patrimônio imaterial do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). “

Ainda que se transformem e se adaptem, perdurando à medida que o tempo passa, rituais como simpatias, benzeções e manipulação de ervas tendem a se tornar menos visíveis, explica Luis Molinari Mundim, gerente de patrimônio imaterial do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). “

Professor de psicologia cognitiva na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, o belo-horizontino André Souza confirma a hipótese da proponente do projeto Simpatias da Dalva. Coautor de uma pesquisa que investiga como a cognição humana funciona com relação a rituais e religiosidades, ele realizou experimentos relacionados às simpatias tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, inclusive em Belo Horizonte.

“Uma frente teórica diz que nosso sistema cognitivo está sempre buscando controle da situação e, para isso, buscamos explicações para tudo à nossa volta. Nas situações de descontrole, a probabilidade de acreditarmos na simpatia é maior porque assim as controlaríamos”, explica. “O que acontece é que a tecnologia pode justamente dar essa sensação de descontrole. Com um acesso muito grande à informação, muitas vezes ela chega até nós pouco estruturada, o que pode nos provocar insegurança e fazer com que nos agarremos a outros meios de compreensão e a superstição seria um deles”.

A pesquisa ainda demonstra que a crença em superstições e religiosidade são altamente cognitivas e todo ser humano vai apresentá-las em alguma medida. “Acreditar ou não nos rituais não é coisa de gente com pouca escolaridade ou baixo nível de conhecimento, faz parte do nosso sistema cognitivo. E se eles funcionam de fato ou não, pouco importa. O que importa é a forma como as pessoas os percebem”, acrescenta o professor.

Herança

Filho de Dona Fininha, o músico Sérgio Pererê acredita que, de alguma forma, herdou o dom da mãe. “Segui o caminho da arte, que também é um tipo de cura. O cantar, o tocar e o compor são formas de vencer, de curar”, diz. Ele acredita que enquanto a natureza resistir, os rituais de cura vão perdurar. “O que vai nos garantir a vida está na natureza, assim como a benzeção, a cura, a arte, a fé, e tudo isso é mais antigo que nós. Enquanto existir uma plantinha verde, vai existir a fé, a benzeção, os rituais, porque isso passa de geração pra geração, de modo silencioso”.

No universo de cada um 

Desde muito criança, Serafina Terezinha Pereira, 78, a Dona Fininha, percebeu que tinha uma ligação misteriosa com a natureza. “Eu falava com minha mãe que uma árvore me chamava, mas ela não acreditava. Um dia eu saí atrás dessa voz. Andei um dia inteiro e acabei chegando nessa árvore. Embaixo dela tinha uma gata bonita, da cara pintada, deitada. Quando voltei para casa soube que todos estavam atrás de mim. Me falaram que aquela gata era a onça que os lavradores estavam procurando. A partir desse dia, comecei a ser chamada para benzer”, conta.

Desde então, já são mais de sete décadas dedicadas à benzeção, tendo ajudado um homem que se arrastava a voltar a andar, uma mulher com um machucado grave na perna, e até benzido o set de filmagens da série global “Subúrbia” (2012) – do qual ela participou – e seu diretor, Luiz Fernando Carvalho, que dirige atualmente a novela “Velho Chico”. “Eu sinto e a fala vem. É uma fala completamente diferente de qualquer uma, muito suave, macia, é um tipo de segredo espiritual que você só sabe na hora de fazer a oração”, explica a benzedeira, cujo marido também tinha o dom da cura e com ele benzeu por mais de 30 anos, sem nunca aceitar pagamentos.

Dona Fininha acredita que foi Nossa Senhora do Rosário, de quem é devota fervorosa, quem lhe concedeu o dom, para ajudá-la a enfrentar as adversidades. “Ela me ajudou a salvar muitas vidas na minha terra (São João Evangelista, no Vale do Rio Doce). Eu sou muito feliz e grata por isso”, diz.

Um de seus cinco filhos, o músico Sérgio Pererê afirma que a fé transmitida pelos pais é um referencial muito grande para ele e seus irmãos. “A crença deixou de ser uma coisa relacionada à ida a uma missa ou culto e passou a ser algo presente no nosso dia a dia. Crescemos vendo a cura constantemente. O que as pessoas chamam de milagre nós víamos o tempo todo. Inclusive demorei muito tempo para saber o que era um hospital”, conta.

De uma maneira análoga, o projetista Filipe Rodrigues Figueiredo, 25, que diz ter tido sua gagueira curada por uma simpatia, também é uma pessoa aberta à fé. “Simpatia mesmo eu só lembro de ter feito mais uma, que aprendi no espiritismo. Para resolver uma desavença no trabalho, peguei um papel, escrevi o nome do colega que não gostava de mim de trás pra frente, pus dentro de uma banana caturra e levei ao congelador. Na mesma semana começamos a nos entender”, lembra. “Mas eu tenho uma espiritualidade forte, fui médium até os 17 anos, sou muito aberto à fé. Se pudesse, faria um curso para conhecer um pouco de cada religião”.

Entender o mundo

Assim como eles, as proponentes do projeto Simpatias da Dalva, Thais Mol, 39, e Luciana Tanure, 38, também têm afinidade pessoal com o universo dos rituais. “Tem a ver com meu interesse em entender como o mundo funciona. Se existe uma Lua que mexe com as marés, ela também mexe com meus fluidos, também sou tocada. Meu olhar é voltado à compreensão desses fenômenos para aí poder lidar, manipular os elementos a meu favor, saber que algo acontece e eu posso atuar ali”, afirma Thais.

Já, para Luciana, a admiração vem da tentativa de promover uma cura, um encontro, um acontecimento desejado dentro de uma realidade. “De certa forma, é lidar com o real de cada um, o íntimo, o particular, o universo mágico de cada percurso de vida. Eu gosto de ritualizar e acho que os rituais nos ensinam”, diz.

Mesmo André Souza, professor de psicologia cognitiva na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, tem esse traço forte em sua formação. “Minha mãe sempre gostou muito de simpatias. Quando eu era criança, fazia muitas. Por exemplo: dormir com um livro aberto sob o travesseiro e de camisa azul para ir bem numa prova. Mesmo depois de mais velho, quando ia ao Mineirão, eu procurava sentar sempre no mesmo lugar porque onde eu ficava determinava se meu time ia ganhar”, conta.

Por Jéssica Almeida

Fonte original da notícia: O Tempo




Belo Vale (MG) – Fazenda Boa Esperança recebe investimentos na ordem de cinco milhões


Propriedade do Iepha-MG, protegida por tombamento estadual e federal, considerada um dos mais representativos exemplares da arquitetura rural mineira receberá restauração integral da sua edificação. Edital de licitação foi publicado no dia 30 de junho.

Foto: Izabel Chumbinho/ Iepha-MG

Foto: Izabel Chumbinho/ Iepha-MG

O Governo de Minas Gerais, por meio do Iepha-MG, está requalificando a Fazenda Boa Esperança, situada no município de Belo Vale e que faz parte do patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico de Minas Gerais, Iepha-MG. O custo total dos investimentos é da ordem de R$5 milhões.

Na última quinta-feira, dia 30, foi publicado edital de licitação para a recuperação integral da Fazenda Boa Esperança, com custo estimado de R$ 2.339.909,55 (dois milhões, trezentos e trinta e nove mil, novecentos e nove reais e cinquenta e cinco centavos). Serão executadas obras de restauração arquitetônica e de instalações complementares da sede da Fazenda com o objetivo de garantir a preservação e integridade física do bem cultural, de inquestionável valor histórico, artístico, arquitetônico e paisagístico, além de criar infraestrutura para ampliar as possibilidades de uso.

A restauração terá como premissa básica a consideração aos valores estéticos e históricos da edificação, assegurando adequação e compatibilidade aos seus elementos construtivos originais, de acordo com os critérios de intervenção em bens culturais.

Desde a nova gestão do Governo do Estado, o Iepha-MG está investindo na requalificação da Fazenda Boa Esperança. Uma primeira ação foi realizada em 2015 com a restauração da capela e obras emergências da edificação. Foram gastos nas duas intervenções R$1,6 milhões.

Outra importante iniciativa já em andamento é o “Refazenda – projeto de revitalização da Fazenda Boa Esperança”, ação conjunta do Iepha com o Instituto Inhotim, que contempla ações integradas para a ocupação da Fazenda, por meio de plano de gestão, residência artística, educação patrimonial e relacionamento com as comunidades tradicionais de Belo Vale, potencializando seus desdobramentos em geração de renda para a região.

A expectativa é de que, após esses investimentos e conclusão das obras, a Fazenda Boa Esperança esteja com infraestrutura adequada para receber visitantes do estado e do país, sendo referência de turismo em Minas Gerais. Além disso, o espaço também contará, pela primeira vez na sua história, com programa educativo para receber escolas da região.

Patrimônio Cultural

A edificação da casa sede da Fazenda Boa Esperança possui proteção por tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan – em 1959, e proteção pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – Iepha-MG – em 1975.

Situada em ponto estratégico da antiga província, a Fazenda Boa Esperança é um dos mais conhecidos exemplares da arquitetura rural mineira. No seu auge também era bastante conhecida, não só por sua riqueza econômica, mas também pela hospitalidade, servindo de pousada para Dom Pedro I quando em viagem pelo interior das Minas ou como doadora da madeira para a construção das igrejas de São Francisco de Assis em Ouro Preto e de Bom Jesus em Congonhas. A propriedade teve grande importância econômica na região, chegando a abrigar mais de 800 escravos.

A Fazenda, que se localiza a 6km da sede do município de Belo Vale e a 87km de Belo Horizonte, data-se a construção da sua sede do último quartel do século XVIII. A sua sede foi edificada pela família Mendonça, a mando do Barão de Paraopeba. Em 1970, o governo estadual adquiriu a fazenda, que passou a integrar o patrimônio do IEPHA-MG.

A casa da fazenda foi construída em estrutura autônoma de madeira sobre fundações de pedra, com vedações em pau-a- pique e forros em esteiras de taquara. Sua varanda abriga uma capela, cujo padroeiro é o Senhor dos Passos, com retábulo que preserva trabalhos ornamentais apurados em talha e pinturas com características do estilo rococó. Teto e paredes da capela são revestidos por painéis cuja pintura é atribuída a João Nepomuceno, discípulo de mestre Ataíde, e que representam cenas do Evangelho, como a Anunciação de Nossa Senhora, a Adoração dos Pastores, o Sacrifício de Isaac e a Santa Ceia.

Histórico das obras e ocupações da Fazenda

A Fazenda foi restaurada do período de 1976 a 1979, porém sem uma definição de ocupação e uso. Houve após essa época a instalação elétrica, captando energia do arraial de Boa Morte.

Na década de 1980 foi feita parceria entre Governo e a Escola de veterinária da UFMG com o objetivo de implantar e desenvolver um centro de pesquisas de projetos do universo agrário mineiro, bem como promover a preservação do monumento. O projeto foi cancelado depois de um ano por estar degradando o entorno da sede, com instalação inadequada de pocilga junto ao córrego, apreensão ilegal de aves silvestres, entre outros.

Ainda na mesma década tentou-se dar novo uso à propriedade, com arrendamento de pequenas áreas mas que novamente deteriorava o terreno, deixando espaços de possíveis vestígios arqueológicos destruídos.

Em 1997 firmou-se um convênio entre IEPHA/MG e Instituto Metodista Izabela Hendrix, para realização do Curso de Arqueologia Histórica, objetivando realizar prospecções arqueológicas, no entorno da sede. Durante o período de 1995 a 1997, aconteceram três cursos.

Em 1998 foi feita intervenção na Fazenda, com recomposição dos muros de pedra, recuperação dos beirais da cobertura da capela, imunização preventiva, com realização de barreira química do entorno da sede, reconstituição da cobertura da sede, substituição do forro em esteira e sua pintura, substituição de parte do piso em madeira e instalação de piso de concreto em parte de cômodos que eram em terra batida.

Desde então, vêm sendo realizadas ações pontuais de recuperação de partes deterioradas, sem intervenções mais abrangentes, sem uso específico do espaço.

Por Leandro Henrique Cardoso

Fonte original da notícia: IEPHA




Minas Gerais – Exposição do MP com fotos de peças sacras desviadas vence prêmio nacional


Mostra reúne imagens de objetos retirados de igrejas e capelas para tentar disseminar a informação e recuperar o patrimônio.

Exposição venceu prêmio de comunicação nacional (foto: MPMG/Divulgação)

Exposição venceu prêmio de comunicação nacional. (Foto: MPMG/Divulgação)

Uma exposição de fotos de peças sacras desviadas de comunidades em Minas Gerais, organizada pelo Ministério Público do estado (MPMG), foi a vencedora do Prêmio Nacional Comunicação e Justiça 2016, na categoria inovação. Batizada de “Em busca do patrimônio perdido”, a mostra recebeu o prêmio na última sexta-feira, durante o XII Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação da Justiça (Conbrascom), que aconteceu em Belém (PA).

A mostra pode ser vista até julho na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, na Região Central do estado, e antes passou pelo Museu Casa dos Contos, na mesma cidade, e também pelo Museu Mineiro, em Belo Horizonte. Mais de 12 mil pessoas já visualizaram as fotos, segundo o MPMG.

Foto da Santana Mestra, roubada duas vezes de Inhaí, distrito de Diamantina, é uma das imagens que integra a exposição (foto: MPMG/Divulgação)

Foto da Santana Mestra, roubada duas vezes de Inhaí, distrito de Diamantina, é uma das imagens que integra a exposição. (Foto: MPMG/Divulgação)

A principal intenção da exposição é mostrar as peças subtraídas do patrimônio de igrejas com a intenção de disseminar a informação e conseguir dados que possam ajudar o MPMG a encontrar os objetos retirados sem autorização. Fazem parte do acervo 22 painéis e totens informativos com fotos de bens sacros desviados de suas comunidades de origem. As fotos foram enviadas para o MPMG por diversas cidades de Minas.

Em 2014, outra mostra foi organizada pelo MPMG, desta vez expondo as peças do patrimônio sacro recuperadas por operações do próprio Ministério Público ou da Polícia Federal. Na ocasião, a exposição “Patrimônio recuperado” levou ao público 150 peças apreendidas nos últimos 10 anos. Todos os objetos estão sob a tutela do Museus Mineiro e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG).

Conbrascom. A responsabilidade pelo congresso e também pelo prêmio nacional é do Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), instituição que não pertence ao governo e foi criada em 1999 para unir assessores de comunicação da Justiça, Ministério Público, defensorias, tribunais de contas, OABs, e instituições afins. Em 2016, o tema do Conbrascom foi a comunicação como instrumento para transformação social.

Por Guilherme Paranaiba

Fonte original da notícia: em.com.br