Autorização para reforma de escola centenária em Sabará (MG) é assinada pelo governador

Reforma e ampliação do espaço escolar são uma demanda antiga da população, segundo a Secretaria de Governo.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

O governador Fernando Pimentel assinou nesta quarta-feira um despacho que determina à Secretaria de Estado de Educação e ao Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER/MG) dar início às obras de ampliação e restauração do prédio tombado da Escola Estadual Paula Rocha. As obras estão previstas para começar este mês e terminar no fim de 2019. Nelas deverão ser investidos cerca de R$ 3,3 milhões.

A reforma e ampliação do espaço escolar são uma demanda antiga da população de Sabará, segundo a Secretaria de Governo. As demandas para a recuperação do patrimônio foram apresentadas pelos moradores e lideranças de Sabará durante o Fórum Regional Metropolitano deste ano. O prédio da Escola Estadual Paula Rocha, fundada em 1907, tem arquitetura neoclássica e faz parte do Centro Histórico de Sabará, tendo sido tombado em 1938 pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Entre as intervenções previstas, estão serviços de restauração do prédio principal, pintura e instalação de ladrilhos hidráulicos. Além da recuperação de pisos, forros, portas e janelas. As partes hidráulica e elétrica serão trocadas. Também está prevista a construção de um anexo com 362 metros quadrados de área construída, implantação de rampas cobertas e descobertas, instalação de plataforma de deslocamento vertical para acessibilidade, sistemas de combate e prevenção de incêndio e de proteção contra descargas atmosféricas.

Durante a solenidade de assinatura, Pimentel disse que se sentia “incomodado” pela demora do início das obras. “Inicialmente, o projeto não foi aprovado pelo Iepha (Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), por isso teve de voltar e ser refeito. Nesse meio-tempo, perdeu-se o contrato original, e tivemos que fazer outra licitação. Tudo no setor público é muito demorado. Mas conseguimos chegar ao final desse processo e a ordem de serviço já foi dada”, afirmou.

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Prefeitura de Araxá (MG) planeja revitalização do Museu Dona Beja e da Fundação Cultural Calmon Barreto

Empresa de Belo Horizonte foi contratada para fazer trabalho nos principais patrimônios da cidade. Investimento é de R$ 258 mil e prazos para conclusão não foram divulgados.

Os projetos seguem normas do IEPHA e do IPHAN. Foto: Prefeitura de Araxá/Divulgação

A Prefeitura de Araxá contratou uma empresa de Belo Horizonte para planejar a revitalização e restauração do prédio da Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB) e do Museu Histórico de Araxá, Dona Beja.

O orçamento previsto para a elaboração dos projetos é de R$ 120 mil para as melhorias, restaurações e reformas que serão efetuadas na FCCB e R$ 138 mil relacionados à restauração e revitalização do Museu Dona Beja.

Os projetos seguem normas do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Os projetos serão assinados pela arquiteta Zenóbia Vanda Gryzbowaki (Zica), de uma empresa especializada em prestação de serviços de restauração de bens culturais e naturais nas áreas de arqueologia, arquitetura, bens móveis e artes aplicadas, engenharia, espeleologia, história, museologia, museologia, paisagismo e urbanismo.

Após visita técnica à fundação, a arquiteta assinou um parecer técnico, onde afirma que “é necessária uma revitalização da edificação e também a criação de infraestrutura para realização de eventos na sua área externa”, conforme documento.

Alguns componentes que precisam fazer parte do projeto foram apontados, como acessibilidade, pisos de madeira, ladrilhos e cimentado revisados, revisão na cobertura para conter vestígios de águas pluviais, revisão e recuperação dos forros de madeira e das esquadrias, pintura das alvenarias e dos elementos em madeira e reparos também em equipamentos elétricos e instalações hidráulicas.

Já para o Museu Dona Beja, Zica também se manifestou sobre os itens que seriam necessários para constar no projeto de restauração e revitalização do local, como revisão nos forros de madeira, esquadrias e escadas, infiltrações, equipamentos elétricos, reparação das instalações hidráulicas e também acessibilidade.

“Podemos concluir que se faz necessária uma revitalização do Museu Dona Beja como um todo, na forma de mostrar a sua importância para a cidade e região, e consequentemente, atiçar a curiosidade da população e do turismo em geral,” afirmou.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




MG – Concurso fotográfico quer valorizar patrimônio cultural dos mineiros

Fotos serão expostas na Fachada do Espaço do Conhecimento UFMG. (Reprodução/Street View)

Está aberto o concurso de fotos no Instagram que está sendo realizado pelo Circuito Liberdade entre os dias 7 e 24 de julho. O tema deste ano é “Meu olhar sobre o patrimônio” e tem como objetivo estimular os cidadãos mineiros a revelar suas memórias apresentando objetos de sua própria história e da cidade onde vive.

Para participar, a pessoa deve postar a foto no Instagram utilizando a hashtag #fotografiaepatrimônio além de seguir a conta @circuitoliberdade na mesma rede social.

O concurso integra as comemorações do Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado oficialmente em 17 de agosto, e também o Dia Internacional da Fotografia, em 19 do mesmo mês. Para essas celebrações, o Instituto Estadual do Patrimônio e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), em parceria com o coletivo Nitro Imagens, promove o Circuito da Fotografia e do Patrimônio Cultural.

Todo o material será apresentado em uma mostra fotográfica visando valorizar a identidade do povo mineiro e seu patrimônio cultural.

Uma comissão julgadora será formada por fotógrafos profissionais com atuação comprovado no setor, além de membros do Iepha e dos equipamentos culturais Circuito Liberdade. Os trabalhos do concurso serão avaliados dentro dos seguintes critérios: criatividade, qualidade estética, relevância e adequação ao tema proposto pelo concurso.

As três melhores serão eleitas e receberão prêmios que ainda serão divulgados pelos organizadores do concurso.

Cerca de 20 fotos também serão selecionadas para compor a exposição na Fachada Digital do Espaço do Conhecimento UFMG, na Praça da Liberdade, região Centro-Sul da capital. As fotografias serão expostas na primeira edição do evento Circuito da Fotografia e Patrimônio Cultural, de 16 a 20 de agosto, que contará com uma vasta programação no Circuito Liberdade, e também durante a programação de fim de ano.

O edital do concurso fotográfico está disponível para consulta.

Por Vitor Fórneas

Fonte original da notícia: BHAZ




Conselheiro Lafaite (MG) – Provedor alerta sobre deterioração e Irmandade vai em busca de recursos para restauração da Igreja de Santo Antônio

Uma das preciosidades do patrimônio histórico e da memória de Lafaiete passa por um processo de deterioração que vem avançando nos últimos anos. Quem visita o local percebe trincas, rachaduras e infiltrações que prometem a integridade do exemplar do século XVIII, tombado pelo município. “A igreja requer reformas urgentes e cuidados necessários para a sua preservação. A situação do bem é preocupante”, antecipou o provedor e presidente da Irmandade de Santo Antônio de Queluz, Marcos José Gonçalves. Segundo ele, o telhado e janelas já exigem uma reforma. Conta com isso também a descaracterização da igreja, como inúmeras pinturas sobre a original.

Mais recentemente a Irmandade conseguiu uma parceria com o Ministério Público, curadoria do patrimônio histórico, e contratou profissionais

técnicos para a elaboração dos projetos arquitetônico e de conservação dos elementos artísticos, inclusive, eles já foram aprovados pelo Instituto Estadual do Histórico e Artístico (IEPHA). “A gente de agradecer por demais a participação e parceria do promotor Glauco Peregrino que muito no ajudou nestes 2 projetos”, frisou Marcos.

Os projetos elaborados e aprovados facilitam a busca de financiamento seja público ou privado. Este é agora o caminho que a Irmandade trilha para executar os projetos cujos valores chegam a R$ 6 milhões. “Queremos ver esta igreja com seu brilho original”, revelou Marcos, confiante em arrumar uma fonte de recursos.

Pelos projetos imagens sacras de valor inestimável, datadas da fundação da capela, serão restauradas como a de Santo Antônio, Nossa Senhora da Piedade, São João Evangelista, São Joaquim, Nossa Senhora do Rosário e crucifixo primitivo. As peças compõem a riqueza da capela.  Marcos, que lançou o livro “Relicário, juntamente com a historiadora Avelina, que retrata a capela, conta que o piso de madeira será trocado por pedra e a pintura original será reconstituída. Ele revela que ainda não se sabe a cor que o bem levará. Mesmo a fachada da Igreja, no seu aspecto original, não possuía o sino. Para ele a volta a originalidade neste quesito será polêmica.

Marcos e integrantes da Irmandade já se reuniram recentemente com o Secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, bem busca de recursos, mas

receberam apenas a sugestão para apresentarem os projetos no Fundo Estadual de Cultura.

Para estar em pleno funcionamento a capela conta com o Auto Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) em dia. O bem tem câmeras, alarme e equipamentos de combate a incêndio. Marcos reclama da falta fiscalização no excesso de carros principalmente caminhões que passam em frente a capela. Segundo ele, um acordo proíbe o trânsito intenso no local que compromete a estrutura do bem que completou 266 anos.

Fonte original da notícia: Correio de Minas




MG – Reforma e restauração da igreja matriz de Santana de Patos devem custar R$ 1 milhão

Local, que está interditado por problemas na estrutura, foi vistoriado por técnicos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico.

A única igreja católica do distrito foi interditada novamente este ano. Foto: Prefeitura de Patos de Minas/Divulgação

A igreja matriz de Santana de Patos, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, passou por uma análise técnica de consultores do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) na última semana para levantamentos do grau de precariedade do local. A igreja está interditada por problemas na estrutura.

O imóvel foi construído no século 19 e já havia sido interditado em 2013. No ano passado, a igreja passou por algumas reformas e foi reaberta. Este ano, houve nova interdição por conta de problemas na estrutura. O técnico do Iepha, Fernando Roberto de Castro Veado, disse que é possível recuperar a igreja, mas que não se pode demorar muito para salvar o imóvel.

Segundo o diretor de Patrimônio Histórico (Dimep) de Patos de Minas, Geenes Alves da Silva , será necessário aproximadamente R$ 1 milhão para reforma e restauração do imóvel. Dependendo dos procedimentos a serem feitos, deverá ser pelas Leis de Incentivo à Cultura.

No local existem vários problemas em relação a estrutura. Foto: Prefeitura de Patos de Minas/Divulgação.

O laudo dos técnicos do Iepha deverá ser entregue à Prefeitura em 60 dias para as próximas providências de ação para intervenção no imóvel.

“Essa avaliação será remetida para nós como uma orientação para dar segmento aos trabalhos que são emergenciais e prioridades. O que tem que ser feito, na verdade, é uma reunião com os agentes diretamente envolvidos para poder definir um programa de trabalho, de ações, para juntos, conseguirmos viabilizar recursos para fazer a restauração completa do imóvel,” explicou o diretor da Dimep.

Interdições

Na última reportagem feita pelo MGTV e G1, a única igreja católica de Santana de Patos tinha voltado a ser interditada pelo Corpo de Bombeiros, por problemas na estrutura. Em 2013 o prédio, que foi construído no século 19, foi interditado devido a problemas no telhado. Após reformas realizadas, o imóvel foi reaberto em outubro de 2016.

A vistoria realizada na época foi feita a pedido do Ministério Público (MP) após laudo de um arquiteto relatando as condições inseguras do local. Na época, o coordenador de Defesa Civil do município, tenente João Fernandes, do Corpo de Bombeiros, disse à equipe do MGTV que tanto a parte da estrutura de madeira quanto de alvenaria estão bastante comprometidas. “Há pedaços do forro que estão caindo aos pedaços e se soltando, o que poderá oferecer risco iminente às pessoas que frequentam o local”, contou.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




Iepha-MG reconhece o Túnel da Mantiqueira e a Serra de São Domingos como bens tombados

Os dois novos patrimônios mineiros estão localizados no sul do estado.

O Túnel da Mantiqueira ficou famoso por ter sido palco de batalhas entre militares de Minas e de São Paulo nas revoluções de 1930 e 1932. Foto: Associação Brasileira de Preservação Ferroviária/Reprodução

O governo de Minas Gerais, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), acaba de reconhecer mais dois importantes bens como patrimônio material do estado. O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep) aprovou, por unanimidade, na terça-feira, dia 30 de maio, em reunião realizada na sede do Iepha-MG, o tombamento de dois pontos turísticos: o Túnel da Mantiqueira, localizado no município de Passa Quatro; e a Serra de São Domingos, na cidade de Poços de Caldas. Ambos estão localizados no sul de Minas.

“Em relação ao tombamento da Serra de São Domingos, em Poços de Caldas, o Iepha-MG desenvolveu um trabalho importante de levantamento, pesquisa e análise. O Túnel da Mantiqueira constitui um sítio histórico da maior relevância para a história do Brasil, onde ocorreram embates dramáticos das revoluções de 1930 e 1932″, comenta Angelo Oswaldo, secretário de estado de Cultura de Minas Gerais.

Túnel da Mantiqueira

O túnel, localizado no município de Passa Quatro possui um importante valor histórico e cultural.  Construído no fim do período monárquico, foi a primeira linha férrea a chegar ao sul do estado, sendo um dos principais palcos de batalhas nas revoluções de 1930 e de 1932, por interligar São Paulo e Minas Gerais. Trata-se do primeiro bem tombado que pertence a dois estados distintos.

O edifício da antiga estação, embora singelo, possui elementos típicos da época em que foi construído, remetendo a uma arquitetura inglesa, que influenciava o mundo no século XIX. O estado atual de conservação demanda algumas intervenções, indicadas nas diretrizes do dossiê. Os arrimos e as canaletas da edificação foram muito bem executados, demonstrando o domínio das técnicas construtivas.

Os equipamentos existentes no pátio ferroviário representam os avanços técnicos do final do se%u0301culo XVIII, incluindo o sistema de drenagem de água, o túnel e o raro girador.

Hoje, o local é referência no turismo regional, sendo utilizado como atração pelos hotéis da região, originando, assim, benefícios para o desenvolvimento socioeconômico de Passa Quatro e redondezas.

Beleza natural

A Serra de São Domingos, a partir do seu tombamento constitucional no ano de 1989, passou a ser reconhecida como patrimônio cultural do estado de Minas Gerais. Faltava, no entanto, definir o perímetro da área tombada e as diretrizes de proteção que passam a incidir sobre o  bem cultural, a fim de garantir sua efetiva preservação. Sendo assim, a deliberação do Conep de terça (30) regulamentou o tombamento da serra.

Localizada também no sul do estado, no município de Poços de Caldas, é o maior patrimônio ecológico da cidade. Com grande importância para o lazer e turismo, já foi local de disputas entre as capitanias de Minas Gerais e São Paulo, devido à existência de nascentes com propriedades medicinais.

A região representa a importância do manancial hídrico que abastece o complexo hidrotermal de Poços de Caldas. É também um importante marco geográfico, já que emoldura a cidade, garantindo maior qualidade urbana e ambiental.

Com assessoria de imprensa do Iepha-MG

Fonte original da notícia: Revista Encontro




Congonhas (MG) – Restaurada, igreja barroca de Alto Maranhão deve ser reaberta em agosto

Templo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) foi interditado em 2009 por questão de segurança.

Francisco Trindade agradece a restauração da Igreja de Nossa Senhora de Ajuda, apoiada por escoras há oito anos e agora quase pronta para exibir belezas como o altar dedicado à padroeira e pinturas do teto. (Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

Os braços se abrem de satisfação, os olhos brilham e, num momento de contemplação, poucas palavras resumem tanta alegria. Depois, de joelhos, o aposentado Francisco Pereira Trindade, de 68 anos, reverencia a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, marco religioso e cultural do distrito de Alto Maranhão, em Congonhas, na Região Central. Há pouco mais de oito anos, diante do templo barroco então escorado com madeira, conforme registrou o Estado de Minas, o sentimento do ex-coordenador do Conselho Comunitário de Pastoral era bem diferente: preocupação com a segurança dos fiéis, medo de desabamento da construção e tristeza com uma possível perda do monumento do século 18. Agora, com a restauração em fase final, Francisco é só elogios. “Melhorou muito, né? Está mais perto do original. A obra redescobriu as maravilhas de nossa igreja.”

Interditado em 2009 por questão de segurança, o templo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) há 39 anos e distante sete quilômetros do Centro da cidade deverá reabrir as portas em agosto, antes do dia 15, quando milhares de pessoas participam da festa da padroeira. Desde aquele ano, ouviu-se um grande clamor dos moradores de Alto Maranhão para o início dos serviços, que foi executado numa parceria entre prefeitura local e Iepha ao custo de R$ 2 milhões. Segundo o presidente do Conselho de Patrimônio de Congonhas, Maurício Geraldo Vieira, havia realmente risco de desabamento devido à movimentação das paredes. Para resolver os sérios problemas, a prefeitura, inicialmente, trocou toda a madeira do telhado, refazendo a cobertura, enquanto o Iepha se encarregou do trabalho da drenagem no entorno.

“A situação era de muita fragilidade. Mesmo com a execução dos serviços, o movimento das paredes continuou, exigindo estudos e diagnóstico feitos por especialistas. O laudo mostrou a falta de massa nas paredes e na base da igreja, o que demandou o preenchimento desses vazios com microcimento injetado em alta pressão”, afirma Maurício. Na sequência, foram conduzidos os projetos de recuperação do piso, da parte elétrica, de luminotécnica e outro contra descargas elétricas. “Só está faltando o de pânico-incêndio, em fase de conclusão para ser encaminhado à aprovação dos bombeiros”, acrescenta.

Entusiasmado com o resultado, embora de olho em todos os detalhes, Francisco chama a atenção para dois pontos de infiltração que não foram resolvidos e também para a quantidade de morcegos que insistem em visitar a nave. Maurício explica que, antes da entrega do prédio à comunidade, será passado um pente-fino no interior da igreja, de forma a deixar tudo perfeito. Francisco faz questão de destacar o trabalho do Ministério Público, por meio dos promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, Vinícius Alcântara Galvão e Karina Arca, na investigação das causas de abalo e trincas na igreja, creditados, em 2009, a explosões numa mineradora, o que foi descartado.

Forro.
Enquanto o trabalho de engenharia era realizado, a equipe de uma empresa de conservação e restauro contratada pelo Iepha se ocupou da recuperação do forro, transformando o consistório (sala de reuniões) da igreja em ateliê. Também conforme documentou o EM, estavam ali 21 peças ou caixotões, medindo 103cm x 84cm, com pinturas representando a Ladainha de Nossa Senhora; depois, mais três foram recuperados na sede do Iepha em BH incluídos no conjunto de 25 caixotões. Apenas um não foi recolocado, devido à perda avançada na policromia e, por isso, os restauradores optaram por deixar o espaço com a madeira nua.

Olhando o forro, Francisco se recorda do dia em que um ornamento de madeira se desprendeu e só não foi ao chão porque ficou seguro pela mão de um anjo de trombeta e da primeira reunião comunitária, em 2008, pedindo socorro. “Estava tudo comido de cupim.” Ao lado, a pesquisadora e estudante da história da arte, Maria da Paz Pinto, também natural do distrito de Alto Maranhão e mergulhada em levantamentos históricos sobre o templo, ressalta a importância dele para a comunidade. “Aqui há uma grande devoção a Nossa Senhora da Ajuda, e não uma simples tradição. Esta igreja é muito preciosa no conjunto da arquitetura colonial religiosa mineira”, observa a pesquisadora, envolvida num documentário sobre o distrito e seu monumento principal. “Este lugar é muito antigo, um dos primeiros arraiais de Minas. Um mapa de 1717 já mostrava o local, que tinha o nome de Redondo.”

Memorial. Maria da Paz adianta que um dos objetivos da comunidade é criar um memorial no espaço do consistório, com exposição de oratórios, casulas (vestimenta sacerdotal), alfaias (paramentos e adornos de igreja), ex-votos (objeto para reconhecimento de graça alcançada), como quadros – “já temos dois, datados de 1746 e 1757” – e outras peças que pertenceram às irmandades religiosas. Num canto, a pesquisadora mostra um arcaz (móvel com gavetões), que será restaurado. “O patrimônio mineiro é precioso. “Minas consagrou o Brasil na história da arte sacra”, resume, destacando o empenho na empreitada do titular da paróquia de São José Operário, padre Eduardo Bastos.

Filha da organista Maria Lina de Rezende, que tocava na igreja na década de 1930, e irmã de Maria da Paz, a ministra da eucaristia Maria da Ajuda Pinto Gomes, de 69, conta que recebeu este nome em homenagem à padroeira de Alto Maranhão. “Alcancei muitas graças”, destaca a devota, que não esconde a vontade de ver, o mais rápido possível, a igreja cheia de gente, principalmente nos domingos. Enquanto esse grande dia não chega, os católicos assistem às missas e participam das demais celebrações em um salão do lado da igreja, que é vinculada à Paróquia de São José Operário. Na mesa do altar da igreja, as irmãs mostram a imagem do Cristo Crucificado, que tem articulação nos braços e pode ser visto após a retirada de duas portinholas.

O prefeito de Congonhas, José de Freitas Cordeiro (Zelinho), se declara emocionado “por estarmos perto do dia da reabertura da igreja, que compõe nosso rico patrimônio artístico, histórico e arquitetônico e que tem grande importância devocional”. E mais: “A localidade merece atenção por ser cortada pelo Caminho Velho da Estrada Real”. Já a diretora de Proteção e Memória do Iepha, Françoise Jean de Oliveira Souza, explica que o templo erguido em meados do século 18 é um importante exemplar remanescente da arquitetura religiosa do período colonial. “A edificação apresenta, interna e externamente, os elementos típicos dos templos mineiros setecentistas. Além disto, a capela corresponde a um importante registro histórico do período da exploração do ouro em Minas. Implantada em posição privilegiada, situa-se em um platô de onde se tem uma bela visão da paisagem local, integrando-se harmoniosamente a seu entorno, que guarda características arquitetônicas dos arraiais de mineração”.

O sexo dos anjos

Um detalhe curioso chama a atenção nos altares laterais e colaterais da Igreja Nossa Senhora da Ajuda, no distrito de Alto Maranhão, em Congonhas. Os famosos anjinhos barrocos têm genitália, contrariando o ditado de que eles não têm sexo. Algumas esculturas são femininas, outras, masculinas (foto), embora a parte íntima de um deles (de madeira) tenha sido quebrada. “São chamados de anjos atlantes ou simplesmente atlantes, pois sustentam as colunas. Não é muito comum ver dessa forma nas igrejas mineiras”, observa o diretor de Patrimônio de Congonhas, Luciomar Sebastião de Jesus. Triste é que as imagens dos altares foram roubadas há muitos anos e não recuperadas: Santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário, Santana Mestra, São Benedito, Santa Efigênia e São Domingos. No altar-mor, fica a réplica da padroeira e a original, muito bem guardada.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Belo Horizonte (MG) – Edifício Niemeyer passa por reformas depois de 20 anos

Um dos ícones do conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade e de Belo Horizonte, edifício das inconfundíveis curvas volta a passar por reforma.

Depois de anos esperando por patrocínio, moradores decidiram bancar reforma emergencial, mas não perdem a esperança de encontrar ajuda. (Foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

Um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, desenhado pelo grande artista da arquitetura brasileira Oscar Niemeyer, finalmente começou a ter a fachada restaurada. A obra modernista com marquises em ondas que remetem a montanhas mineiras – um dos ícones do conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital mineira –, pedia socorro para corrigir os estragos feitos pelo tempo há pelo menos cinco anos. Após uma longa espera por patrocínio, os moradores se cansaram e decidiram desembolsar a verba do próprio condomínio para começar a limpeza da fachada e voltar a exibi-la como o modelo original.

Tombado como patrimônio histórico nos níveis municipal, estadual e federal, o edifício foi construído no início dos anos 1950, depois da entrega à cidade do complexo da Pampulha, também de autoria de Niemeyer. Formado por 22 apartamentos, o edifício teve os primeiros dos problemas atuais detectados em 2011. Na época, a obra resultou em um orçamento caro, inacessível aos condôminos, em torno de R$ 1 milhão. A maratona teve início depois que um projeto foi elaborado e enviado ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de BH, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 2012, o projeto de restauração das fachadas e áreas comuns do Edifício Niemeyer foi aprovado pelo Iepha e também pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, no qual o instituto tem assento. Após a aprovação, o documento foi encaminhado ao Ministério da Cultura, para que o condomínio pudesse se candidatar a benefício da Lei Rouanet e procurar um patrocinador na iniciativa privada.

Reinaldo da Matta Machado, síndico do edifício, conta que o pedido foi deferido em Brasília, mas não apareceu investidor interessado. Os moradores se cansaram de esperar e decidiram arcar com os custos com o caixa do próprio condomínio, aprovando o orçamento de R$ 450 mil e iniciando a restauração neste mês. “A maior dificuldade foi eu mostrar aos condôminos que o sonho do patrocínio via Lei Rouanet não iria se concretizar, assim consegui convencer todos que nós mesmos teríamos de resolver o problema da fachada”, afirma. Para o síncido, nenhum interessado apareceu por causa da crise econômica do país. “O projeto inicial incluía uma reforma mais completa, por exemplo, com a troca das janelas. Mas, no orçamento levantado na época seríamos incapazes de arcar sem patrocínio. Quando percebemos que a situação só piorava e nenhuma verba seria incluída, decidimos fazer uma restauração com as questões mais urgentes”, afirmou Reinaldo.

O síndico explica que se trata de uma manutenção geral da fachada, mantendo a originalidade do prédio. “O projeto engloba lavar o prédio, recolocar pastilhas e ladrilhos hidráulicos e acabar com os pedaços de fachada que caem do edifício. Havia o risco, até mesmo, de queda de pequenos fragmentos em cima de um pedestre”, contou o administrador. As obras começaram neste mês e tiveram como ponto de partida a retirada de partes soltas. O síndico contou que última recuperação havia ocorrido pelo menos 20 anos atrás. A obra atual deve levar de 10 a 12 meses para ser finalizada.

O morador Marcos Neves, de 66 anos, que vive no prédio desde a década de 1960, conta que a restauração era um desejo de todos os condôminos e comemorou o início da obra. “Essa reforma é muito importante. Concordo com a condição de manter detalhes originais, pois o prédio é de BH. Vemos o Edifício Niemeyer em cartões-postais, catálogos, cartões de ônibus… Mas não tivemos nenhuma ajuda. É tudo do nosso bolso, e não vai sair barato não”, disse o morador. Com orgulho, o integrante da terceira família a se mudar para o prédio diz: “É uma obra tão bonita, que temos que preservá-la para a cidade”.

Um tributo às linhas curvas

Oscar Niemeyer (1907-2012) nasceu no Rio de Janeiro, mas foi em Belo Horizonte, especialmente na Pampulha, que fez seus primeiros projetos de repercussão internacional. Entre 1942 e 1944, o então prefeito Juscelino Kubitschek o convidou para projetar o conjunto da Pampulha. Dez anos depois, o arquiteto projetou o famoso Edifício Niemeyer, localizado na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul de BH. As montanhas mineiras foram a inspiração para as curvas do edifício, uma arquitetura considerada avançada para a época. Entrou para a história uma das frases de Niemeyer que resumem os traços de sua obra: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”. O Edifício Niemeyer faz parte do conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade, protegido por tombamento pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) desde 1977, e integra o Conjunto da Obra de Oscar Niemeyer, que se encontra com processo aberto para proteção na esfera estadual.

Por Larissa Ricci

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Iepha-MG conclui obras de preservação do patrimônio cultural em Brumal, distrito de Santa Bárbara

Termo de Ajustamento de Conduta garantiu a recuperação de fachadas do núcleo histórico e de importante igreja tombada.

gap-brumalstbarbara-nucleohistorico-10

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) finalizou as obras de restauração e reforma da Capela do Senhor dos Passos, em Brumal, distrito de Santa Bárbara, incluindo o adro, o cruzeiro, a imagem do Senhor dos Passos e o sacrário. Foram também recuperadas as fachadas de treze edificações situadas na Rua Principal e na Praça Santo Amaro. O município faz parte do território Metropolitano do estado.

Totalizando o valor de R$637.243,67, o recurso investido veio de um Termo de Compromisso firmado com o Ministério Público de Minas Gerais. A recuperação dos bens culturais teve o acompanhamento técnico do Iepha-MG durante todo o processo, que contou com a colaboração e apoio da comunidade local. A restauração da imagem do Senhor dos Passos, datada do século 19, teve sua conclusão no final de 2016.

Para a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, a conclusão das obras em Brumal reforça ainda mais o compromisso do Governo de Estado de Minas Gerais de preservar o patrimônio cultural dos mineiros. “Minas Gerais possui um acervo cultural muito rico, presente na memória das pessoas, por isso precisamos concentrar os nossos esforços na preservação desses bens históricos”, ressalta a presidente.

Núcleo histórico de Brumal

A origem do município de Santa Bárbara está relacionada à exploração de ouro, no início do século 18, com o descobrimento de minas pelo bandeirante Antônio da Silva Bueno, o que impulsionou o povoamento da região. Embora as minas de ouro do arraial tenham inicialmente se apresentado pobres, o povoado de Brumal consolidou-se na primeira metade do século XVIII, tendo a Capela do Senhor dos Passos sido erguida no século 19.

Em fevereiro de 1831, Brumal recebeu a visita ilustre de Dom Pedro I e da Imperatriz D. Amélia, que, a caminho do Santuário do Caraça, pernoitaram no arraial. No ano de 1881, foi a vez de Dom Pedro II visitar Brumal. A proteção do Centro Histórico de Brumal ocorreu em abril de 1989, por meio do seu tombamento estadual.

Fonte original da notícia: IEPHA




Centro histórico de Perdões poderá se tornar patrimônio de Minas Gerais

Cidade possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. Moradores querem preservação, mas se preocupam com futuro delas.

Casarões históricos de Perdões podem se tornar patrimônio do Estado. (Foto: Reprodução EPTV)

Casarões históricos de Perdões podem se tornar patrimônio do Estado. (Foto: Reprodução EPTV)

O Centro de Perdões (MG) pode se tornar, em breve, patrimônio protegido do Estado de Minas Gerais. O Conselho Estadual de Proteção abriu um processo de estudo para o tombamento do centro histórico do município, que possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência.

O que não falta é história nas construções que fazem parte do centro. O prédio onde hoje funciona o museu municipal e também uma rádio, já foi usado como fórum e até como a cadeia da cidade.

“É bem estranho, a gente chega aqui de manhã, o trabalho começa 5h, por saber que aqui já foi cadeia, a gente fica assim.. mas já acostumou também, já há 17 anos que a gente está trabalhando da emissora e pra gente é um privilégio estar trabalhando na memória da cidade, é um prédio que tem uma estrutura neoclássica, é um prédio muito bonito”, disse o radialista Rodrigo Fidélis.

Construções que, assim como na maioria das cidades, foram surgindo ao redor de igrejas. Uma delas fica no entorno da matriz do Senhor Bom Jesus de Perdões. Um prédio de 1790, que já passou por alterações, mas foi restaurado para recuperar as características originais.

Pelo menos duas décadas antes, os moradores viram surgir a igrejinha do Rosário. Na época, a então matriz de Perdões já chamava a atenção pelo estilo jesuítico.

“Nós tínhamos uma torre aqui na lateral da igreja, uma torre que determinava que essa igreja foi construída no estilo jesuítico, na última reforma descobrimos isso e todo mundo admira a igreja, todo mundo quer estar presente nela porque ela é pequenininha, aconchegante e isso nos faz querer participar dela, estar com ela”, disse o produtor cultural Bruno Costa.

Perdões possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. (Foto: Reprodução EPTV)

Perdões possui casarões e até igrejas com mais de 200 anos de existência. (Foto: Reprodução EPTV)

Para proteger essas igrejas, os casarões e até imagens sacras, o município já fez um tombamento, em 2003, de 12 bens públicos e particulares. Mas agora o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) também está fazendo um estudo para avaliar a necessidade do tombamento pelo estado não só desses bens, mas de todo o centro histórico da cidade.

“O histórico percebeu que Perdões tem um acervo cultural muito grande e importante, e eles decidiram fazer esse estudo de um possível tombamento do centro histórico, o que para nós é muito importante, a gente fica muito feliz com essa notificação. O estado está reconhecendo que a cidade tem um valor histórico interessante”, disse o chefe de sessão do patrimônio histórico da cidade, Amauri Donizetti Leite.

A abertura desse estudo já foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais. Desde então, qualquer alteração nos bens tem que ser informada ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, o Iepha. Entre os moradores, o tombamento divide opiniões. “O Estado que tombou passa a ter direito na casa e os que são herdeiros como ficam?”, perguntou a aposentada Iracema Barbosa Pinheiro.

Quem já mora em uma dessas casas há pelo menos quatro gerações, quer manter a estrutura do mesmo jeito em que ela se encontra.

“Essa casa foi construída pelo meu bisavô, Coronel Joaquim Francisco, que era da Guarda Nacional de Dom Pedro II. Dele passou para minha avó, da minha avó passou para minhas tias e das minhas tias passou para mim, eu já sou a quarta geração que estou com a casa. A preservação é importante porque é a memória da cidade, um povo sem memória não existe”, define a aposentada Olinda Teixeira Macêdo.

Fonte original da notícia: G1 Sul de Minas