Obra em igreja histórica de Cuiabá (MT) está parada por impasse com o Iphan


Iphan afirma que a reforma não está adequada ao projeto original. Telhado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito pode ceder.

Igreja Nossa Senhora do Rosário passa por uma pequena reforma no telhado. (Foto: Carlos Palmeira/ G1)

Igreja Nossa Senhora do Rosário passa por uma pequena reforma no telhado. (Foto: Carlos Palmeira/ G1)

Uma reforma no telhado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no Centro de Cuiabá, foi embargada em dezembro de 2016 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por não estar adequada ao previsto no projeto que havia sido autorizado pelo órgão. Um novo projeto foi feito e a igreja espera autorização para dar continuidade à obra.

A ideia da reforma no salão de festas, onde funciona a cozinha da igreja, surgiu diante da ameaça de o telhado ceder a qualquer momento. Por causa disso, o uso do local foi proibido, como afirma o pároco da igreja, Marco Antônio de Oliveira.

“Nós solicitamos a vistoria por parte de engenheiros e disseram que o telhado estava condenado e então interditaram o local por segurança”, contou.

O pároco informou que, no lugar das telhas tradicionais e do madeiramento, a paróquia escolheu uma estrutura metálica por ter maior durabilidade. No entanto, outro detalhe apontado pelo Iphan durante a fiscalização da obra foi a falta de um beiral no telhado.

“Houve uma visita do Iphan e [os técnicos] se assustaram quando viram a altura das vigas de metal. Também olharam o projeto original e viram que faltava o beiral externo”, disse o pároco.

Com a cozinha sem telhado, quando chove o local fica exposto à umidade. A preocupação é que as paredes antigas possam ser danificadas e a reforma fique mais cara. “Não estamos recebendo nenhum centavo de ajuda para a realização da obra. Só não entendemos porque esse projeto está demorando tanto”, avaliou o padre.

A obra foi iniciada em outubro de 2016, no entanto, no mês de dezembro do mesmo ano o Iphan mandou parar, pois a reforma estava “fugindo” do que estava previsto no projeto original, segundo a superintendente do Iphan, Amélia Hirata.

“Foi apresentado um projeto de reforma simplificada e quando foi feita a verificação notamos que algo estava sendo diferente do aquilo que foi aprovado pela unidade”, disse.

A possibilidade de manter a estrutura metálica está sendo avaliada. “Ele já foi analisado. Tem um parecer favorável por parte do Iphan. Agora precisamos do restante dos encaminhamentos que ainda estão tramitando na unidade”, disse a superintendente.

A superintendente informou que o órgão está aguardando o fim dos trâmites internos do processo. A expectativa é que tudo fique pronto antes da tradicional festa de São Benedito, realizada todos os anos no mês de junho.

Fonte original da notícia: G1 MT




Antiga sede da Assembleia Legislativa do TO está cercada por lixo e mato


Prédio foi usado por cinco anos até construção da sede definitiva em 1995. Estrutura, que é tombada como patrimônio histórico, está abandonada.

Antigo prédio da Assembleia Legislativa do Tocantins. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Antigo prédio da Assembleia Legislativa do Tocantins. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Um prédio que serviu como sede provisória da Assembleia Legislativa do Tocantins está abandonado e cercado por mato e lixo em Palmas. A estrutura foi uma das primeiras a ser construída na capital. Ela serviu como centro do poder legislativo durante cinco anos, até a inauguração da sede definitiva, na praça dos Girassóis, em 1995. Mesmo após o tombamento como patrimônio histórico, o local segue sem manutenção.

Ao redor, além do matagal sem roçagem e o lixo espalhado, é possível ver entulho e até ossadas de animais mortos. O imóvel é de madeira e passou por um princípio de reforma em 2010, quando foram investidos cerca de R$ 500 mil na troca do madeiramento. A reforma parou e o prédio voltou a ficar esquecido.

O prédio é a única estrutura na quadra 510 Norte. Foi a segunda sede provisória da AL, a primeira ficava em Miracema do Tocantins, que serviu de capital estadual enquanto Palmas não ficava pronta. A estrada que leva ao local não é pavimentada e o mato ao redor pode servir de esconderijo para criminosos.

O Governo do Estado, responsável pela conservação do local, disse que está fazendo um levantamento dos custos de uma revitalização. Os projetos para o uso e ocupação do local ainda estão em fase de discussão. O novo superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artística Nacional (Iphan), Marcos Aurélio Câmara, disse que será feita uma averiguação no local. “Nós vamos fazer uma visita técnica e aí nós vamos entrar em contato com o governo do estado para ver as possibilidades”.

Fonte original da notícia: G1 TO




Manaus (AM) – Prédio de biblioteca acumula lixo e vira ‘casa’ de moradores de rua no AM


Antigos frequentadores lamentam abandono e depredação do local. Prédio foi fechado para reforma em 2011 e obra ainda não realizada.

Biblioteca Pública Municipal está fechada desde 2011 e aguarda obras de recuperação. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Biblioteca Pública Municipal está fechada desde 2011 e aguarda obras de recuperação. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Quem passa pela Praça do Congresso, no Centro de Manaus, tem se deparado com uma cena triste: o abandono da Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista. Construído em 1908, o edifício histórico permanece fechado desde 2011 para uma reforma que ainda não saiu do papel. Antigos frequentadores lamentam a atual situação do local.

Sentado em um banco na Praça do Congresso, o técnico de contabilidade Isaac Castro, de 51 anos, recordou o período que frequentava a Biblioteca Municipal quando ainda estudava no Instituto Benjamin Constant. Anos depois, Isaac lamenta o abandono e a depredação do prédio histórico.

“O patrimônio histórico está deteriorando e, quanto mais tempo passa, piora. O máximo que a população possa ter de acesso à biblioteca é melhor”, comentou Castro.

O técnico de contabilidade lembrou que a Biblioteca Municipal foi ferramenta de acesso à informação para várias gerações de famílias manauaras. O acervo auxiliou na formação educacional das filhas dele, as gêmeas Isolda e Ingrid Castro, de 22 anos. Ainda na infância, as jovens estudantes da rede pública saíam do bairro Japiim e iam até biblioteca para consultar o acervo.

Hoje graduada em Letras e mestranda em Estudos Literários na Universidade Federal do Amazonas, Isolda lamenta a o abandono do prédio. “Parte da sociedade tem acesso à internet, mas nada substitui o livro. É uma grande perda que a população não tenha a Biblioteca Municipal. Uma sociedade sem leitura é uma sociedade sem história e sem identidade. Privar a população da leitura é um retrocesso e um retorno à monarquia, onde só os poderosos e ricos tinham acesso à cultura. A biblioteca não deixa a história ser perdida”, disse Isolda Castro.

Neuropsicopedagoga, Ingrid frequentou a biblioteca na infância. Ao G1, ela afirmou que o local pode ser integrado às tecnologias virtuais para acesso à informação. “Os leitores atuais são leitores funcionais e a tecnologia contribui mais para isso do que os livros. Não invalidando a importância dos livro, mas as bibliotecas precisam estar integradas ao espaço virtual”, opinou a neuropsicopedagoga.

A universitária Stefani Gonçalves, 19 anos, ressaltou que a biblioteca tem importante função social de possibilitar populações mais carentes o acesso a literatura e informação.

“A biblioteca ajuda bastante na vida dos estudantes, pois nem todos têm recursos para fazer pesquisas. Também é importante para saber sobre a história da Amazônia, que está em títulos que não achamos com facilidade quando precisamos. É história que está trancada e esquecida”, afirmou a universitária.

História
Devido à falta de documentos oficiais, estima-se que o prédio tenha sido construído por uma família portuguesa durante o período áureo da borracha. O local recebeu ainda um laboratório médico de pesquisas sobre febre amarela, e, da década de 1960 até meados dos anos 1980, abrigou uma sorveteria. Após o estabelecimento ser fechado, o local voltou a ser abandonado.

Foto do prédio em 1922, quando abrigava laboratório. (Foto: Acervo Histórico/Roger Peres)

Foto do prédio em 1922, quando abrigava laboratório. (Foto: Acervo Histórico/Roger Peres)

Em 1995, o prédio foi desapropriado pela prefeitura e passou a abrigar a Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, que teve a primeira sede na Avenida Joaquim Nabuco. O acervo da biblioteca, segundo a prefeitura de Manaus, é formado por mil títulos de temática amazônica, jornais e revistas, fitas VHS, documentários e enciclopédias em CDs, e DVDs.

Em 8 de agosto de 2011, o prédio foi fechado para reforma e teve seu acervo material transferido temporariamente para a Avenida Costa Azevedo, no Centro – em frente ao Largo São Sebastião. A visitação é aberta ao público no horário de 09h às 17h, de segunda a sexta-feira.

Depredação
Os tapumes escondem um cenário de depredação. A estrutura que deveria isolar o prédio histórico de possíveis invasores foi violada por moradores de rua. Diariamente, pessoas entram na Biblioteca Municipal e depredam a estrutura. Equipamentos, madeira e até o letreiro em bronze foram arrancados e furtados.

Prédio histórico da biblioteca é alvo de invasores. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Prédio histórico da biblioteca é alvo de invasores. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

“Todos os dias é possível [ver gente] entrar pelo buraco no tapume. Usam drogas no local, retiram madeira do telhado, ainda jogam lixo e defecam lá dentro. Isso é durante o dia, e, à noite, a situação é pior”, revelou um taxista, que prefere não se identificar.

A obra de recuperação da Biblioteca Municipal de Manaus foi um dos dez projetos selecionados para receber recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas 2.

Ao G1, a Prefeitura informou que a etapa arquitetônica do projeto já foi aprovada pela Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Manaus. No entanto, a parte financeiro-orçamentária, cuja aprovação é de competência da sede do Iphan em Brasília, encontra-se em trâmite. O valor da obra é de R$ 3.995.502,37.

Prédio foi isolado e invasores entram no local por buraco em estrutura. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Prédio foi isolado e invasores entram no local por buraco em estrutura. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Letreiro com nome da Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista foi arrancado. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Letreiro com nome da Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista foi arrancado. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Equipamentos da biblioteca estão sendo furtados. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Equipamentos da biblioteca estão sendo furtados. (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)

Por Adneison Severiano

Fonte original da notícia: G1 AM




PE – Seis praças do Recife são candidatas a se tornar patrimônio mundial


Praças foram projetadas pelo paisagista Roberto Burle Marx.

A praça da República (incluindo os jardins do Palácio do Campo das Princesas), em Santo Antônio, está entre as obras-primas de Burle Marx. Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A praça da República (incluindo os jardins do Palácio do Campo das Princesas), em Santo Antônio, está entre as obras-primas de Burle Marx. Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

No ruge-ruge da metrópole, se há algo dissonante é a paisagem (e seus detalhes), elemento que exige o apuro do mais distrativo dos sentidos: o olhar. Desafio para gênios da arte da urbanização, que em momentos únicos da história desconstroem essa tendência perversa para a própria a evolução – e preservação – da humanidade e criam obras de arte que sobrepujam o tempo e o espaço.

No dia a dia pode até lhe passar em branco, mas o Recife possui um patrimônio de intervenção natural, no caminho da escola para casa, ou de casa para o trabalho, que reflete essa genialidade: os jardins idealizados ou reformados pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994). E esse legado pode estar prestes a se tornar oficialmente patrimônio mundial reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Praça projetada por Burle Marx. Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Praça projetada por Burle Marx. Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A possibilidade está sendo apresentada esta semana durante o 2º Seminário Internacional Paisagem e Jardim como Patrimônio Cultural México/Brasil, realizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco e a Universidade Federal de Pernambuco, que acontece até quinta-feira (23), com palestras e workshop. O evento também marca o lançamento do segundo volume do projeto Cadernos, do CAU/PE, que, não por acaso, tem o título “Cidade-Paisagem”.

Para apresentar a candidatura de seis das praças de Burle Marx no Recife como patrimônio mundial está na Capital o arquiteto mexicano Saúl Alcántara, membro votante do Comitê Internacional de Paisagens Culturais da Unesco.

Praça projetada por Burle Marx. Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Praça projetada por Burle Marx. Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Na terça (21), o especialista visitou duas das obras mais marcantes idealizadas pelo saudoso paisagista: a praça de Casa Forte, primeiro de todos os projetos de jardins públicos de Burle Marx, de 1934, localizada na Zona Norte do Recife, cidade natal de sua mãe; e a praça Euclides da Cunha (defronte ao Clube Internacional), no bairro da Madalena (área central da Cidade), de 1935, projeto em que o também artista plástico buscou livrar os jardins de impressão europeia introduzindo o espírito brasileiro em um espaço ornamentado com plantas do Agreste e do Sertão nordestinos.

“Seus jardins são declarados patrimônio cultural do Brasil e deveriam passar a ser patrimônio mundial, porque têm valores universais”, explicou Alcántara. “Burle Marx é um gênio da paisagem universal do século 20, que deu início a sua carreira profissional, acadêmica e científica no Recife. Aqui ele concebeu o jardim tropical e moderno”, lembrou.

Além das praças de Casa Forte e Euclides da Cunha, integram o pleito à categoria de patrimônio mundial a da praça da República (incluindo os jardins do Palácio do Campo das Princesas), no bairro de Santo Antônio, e a do Derby, na área central; a Faria Neves (em frente ao Parque Estadual Dois Irmãos), na Zona Oeste; e a Ministro Salgado Filho (no acesso ao aeroporto), no Ibura (Zona Sul), todas já tombadas, há cerca de dois anos, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 2016 ocorreu nova etapa no processo de valorização de áreas públicas projetadas por Burle Marx: além das praças já citadas, outras nove receberam da Prefeitura do Recife a classificação de jardim histórico, o que impede que qualquer um desses espaços sofra intervenção sem autorização prévia.

Paulista de nascimento, de ascendência alemã-recifense, Burle Marx deixou sua marca na Capital em mais de uma dezena de jardins – sem contar as obras particulares. Chegou inclusive a exercer o cargo de diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco. Sua relação com a Cidade agora está prestes a ser eternizada não apenas aqui, mas em todo o mundo.

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia:




PE – Construções centenárias: por mais cuidado e planejamento


No município de Igarassu, a manutenção da Igreja e Convento. Foto: Arthur de Souza

No município de Igarassu, a manutenção da Igreja e Convento. Foto: Arthur de Souza

A memória mais antiga de Pernambuco tem piso, paredes e telhados. Nem sempre bem conservados. Mas o que está em pauta atualmente não é apenas como se encontram as construções centenárias e sim a política administrativa voltada para elas. Essa é a preocupação do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, que este mês deu início a uma série de apresentações com os resultados das Auditorias de Preservação Cultural realizadas em sete municípios e concluídas em dezembro passado.

As duas primeiras escalas foram em Olinda, no último dia 8, e em Igarassu, na quarta-feira passada. Hoje é a vez de Paudalho e na terça-feira da próxima semana a equipe do TCE-PE chega a Brejo da Madre de Deus. Goiana, Rio Formoso e Triunfo completam o roteiro.

Mais do que apontar problemas e falta de zelo, o Tribunal objetiva com as ações contribuir para o disciplinamento e a preservação do patrimônio histórico, auxiliando os municípios a criar ou aperfeiçoar o planejamento na área, inclusive no quis respeito à captação de recursos junto às esferas estadual e federal e à sensibilização dos proprietários de imóveis particulares tombados.

Quem tiver curiosidade e acessar o site do TCE-PE verá que não se trata de nenhuma novidade. Em gestões anteriores, o órgão já realizou ações semelhantes, inclusive em municípios que tornaram a ser auditados, como Paudalho.

No caso de Igarassu – único dos sete municípios a repetir a gestão anterior – o relatório foi apresentado pelo segundo ano seguido, de acordo com Odilo Brandão, que integra a Gerência de Auditorias Temáticas, Estudos e Desenvolvimento do TCE-PE. “São recomendações que visam elaborar uma prática de estado, não de governo”, ressalta o servidor.

Ainda segundo Brandão, no que se refere ao cuidado com o patrimônio histórico há uma carência generalizada comum a todas as cidades, sobretudo de estrutura técnica. A importância dada ao acervo, observa ele, começa pelo fato de o termo cultura nem aparecer na pasta responsável pelo setor.

“Quando aparece é a reboque – turismo, cultura e esportes”, exemplifica. “Em Igarassu foi criada uma secretaria executiva dentro de Turismo, Cultura e Esportes. Mesmo assim não tem equipe”, conta. “O Sítio Histórico parece mais preservado porque o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tem uma atração por ele.”

Tombado pelo Iphan em 1972, o conjunto arquitetônico e paisagístico de Igarassu possui cerca de 250 edificações, as mais antigas datadas do século 16. Na cidade está a igreja mais antiga do País, a Matriz de São Cosme e São Damião, erguida a partir de 1535.

Nos últimos meses, a Folha de Pernambuco mostrou a situação do patrimônio histórico em Olinda, como no caso das igrejas do Bom Jesus do Bonfim, de São Pedro Mártir de Verona e de Nossa Senhora da Graça (Seminário), que sofrem com o processo lento de restauração devido aos entraves burocráticos.

Ontem a reportagem esteve em Igarassu e constatou que, a exemplo de Olinda, à vista grossa o patrimônio até parece bem conservado. Porém, se observado minuciosamente, vê-se que há muitos problemas. A Igreja e Convento do Sagrado Coração de Jesus, por exemplo, está sendo pintada com recursos próprios das 11 freiras que compõem a Ordem para não deixar passar em branco seus 275 anos (completados no último dia 1º, mas com comemoração adiada para 23 de junho). “A gente não conta com a ajuda de ninguém”, lamenta irmã Ivone.

O prédio, contudo, mostra que necessita de uma reforma mais completa. No caso da Capela da Nossa Senhora da Boa Viagem (única edificação restante do antigo povoado do Pasmado), a situação é mais crítica: só sobraram as paredes e o telhado muito avariados.

Após a visita, o TCE-PE estipula um prazo de 60 dias para o município apresentar um plano de trabalho – no caso de Igarassu serão 30 dias, por se tratar de uma gestão continuada.

O patrimônio histórico pernambucano está carente de mais atenção. E não apenas no que diz respeito a sua preservação naquilo que é visível aos olhos da população e dos turistas. Nos bastidores, a carência passa também por uma política mais objetiva voltada para o setor.

Esse é o cenário traçado por meio de relatórios do Tribunal de Contas do Estado, frutos de auditorias realizadas pela instituição nos municípios de Brejo da Madre de Deus, Goiana, Igarassu, Olinda, Paudalho, Rio Formoso e Triunfo. Os dossiês, finalizados em dezembro, começaram a ser apresentados este mês aos gestores das sete cidades.

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha PE




Nova proposta de tombamento é aprovada em Fernando de Noronha


Na proposta inicial a paisagem também seria tombada. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

Na proposta inicial a paisagem também seria tombada. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

Desde o ano passado o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tombou Fernando de Noronha em caráter provisório por completo, incluindo casas, prédios públicos e até a paisagem da ilha, como o Morro do Pico, as praias e o Morro Dois Irmãos. Os moradores não aprovaram a decisão do órgão e nesta terça-feira (21), o instituto apresentou uma nova proposta, com uma redução significativa de área, que foi aprovada pela comunidade.

tombamento_noronha

O novo projeto foi detalhado em uma oficina realizada no auditório da Escola Arquipélago. O Iphan quer fazer o tombamento dos seguintes imóveis: Palácio de São Miguel , Forte de Santana (o Forte dos Remédios e a Igreja já são tombados), Capela de São Pedro, Forte de Santo Antônio, Air France, Forte Nossa Senhora da Conceição, um Iglu do Bolbró, Forte do Boldró e Capela da Quixaba. Além dos monumentos a serem tombados, as áreas do entorno desses imóveis devem ser preservadas, conforme foto acima.

O Palácio São Miguel deve ser tombado. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

O Palácio São Miguel deve ser tombado. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

Aos poucos, os moradores foram avaliando a proposta, a maioria aprovou o novo projeto. Mas a historiadora e moradora da ilha, Grazielle Rodrigues, fez algumas ressalvas. “Eu gostei da proposta, mas eu senti falta de áreas como Itaucable, Estrada Velha do Sueste e Basinha (da época dos americanos). Eu concordo que não se deve tombar Noronha por inteiro, mas senti falta de outros elementos”, falou a Grazielle.

Grazielle fez questionamentos da proposta. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

Grazielle fez questionamentos da proposta. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

Grazielle Rodrigues realiza um trabalho de resgate da história da ilha desde 1998. Ela criticou o fato da  discussão ser realizada sem a presença da historiadora Marieta Borges, que pesquisa o passado de Fernando de Noronha a mais de 40 anos. “Marieta tem um legado, eu sinto muita falta, é uma questão de respeito, eu queria que ela estivesse aqui “, disparou Grazielle.

Apesar dos questionamentos, o novo projeto de tombamento foi analisado e aprovado pelo Conselho Distrital. “É uma proposta viável que não engessa a vida da comunidade. Os integrantes do Conselho entenderam que o essencial foi tombado, esta proposta foi aprovada pela Casa”, falou o presidente do Conselho, Ailton Júnior.

Os moradores querem garantir os direitos. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

Os moradores querem garantir os direitos. (Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo)

“A proposta é excelente, eu acho que todo mundo ganha. No projeto anterior a ilha inteira seria tombada, dificultando a gestão. Aprovando desta forma  teremos os bens que têm valor cultural garantido. Quanto aos imóveis históricos que não foram incluídos, isso não significa que se pode derrubar ou fazer o que quiser, é outra legislação. A Administração do Distrito vai analisar, e se for o caso,  nós contaremos com o apoio da Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco)”, afirmou a coordenadora de Ecoturismo da Administração da Ilha, Ângela Tribuzi.

Moradores, empresários e técnicos do Governo estiveram na reunião. (Foto: Ana Clara Marinho)

Moradores, empresários e técnicos do Governo estiveram na reunião. (Foto: Ana Clara Marinho)

A nova proposta foi elaborada atendendo a demanda da comunidade, foi bem discutida e debatida e agora vamos partir para o próximo passo. Vamos formatar de maneira mais técnica e passar para o relator do Conselho Consultivo do Iphan para encaminhamento. Se Deus quiser vamos apresentar na próxima reunião do Conselho, no mês de abril, para aprovação definitiva, desta forma sai o tombamento amplo e passa a vigorar a proposta que foi aprovada pela comunidade de Fernando de Noronha”, previu a superintendente regional do Iphan, Renata Borba (foto abaixo).

renata_borba_iphan_

Por

Fonte original da notícia: G1 – Viver Noronha




Florianópolis (SC) – Procissão Senhor dos Passos espera há três anos o título de patrimônio cultural brasileiro


Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Mais antiga manifestação religiosa de Santa Catarina, a Procissão Senhor dos Passos, cuja 251ª edição acontece em abril em Florianópolis, espera há três anos ser reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De acordo com Rogério Laureano, coordenador do evento, a última notícia foi que o processo estava parado, mas, segundo o Iphan, vai demorar pelo menos mais um ano para ser concluído. Este ano, a procissão acontece nos dias 1º e 2 de abril.

Laureano conta que formará uma comissão para visitar segunda-feira a superintendência do órgão em Florianópolis e saber o que mais precisa para a análise. A procissão já é considerada Patrimônio Cultural Imaterial de Santa Catarina, segundo decreto n° 2.504 de 2006. O coordenador afirma que o reconhecimento nacional ampliaria a visibilidade do evento e do turismo de Florianópolis, como também contribuiria para ajudar o Hospital de Caridade — onde fica a Capela do Menino Deus que abrigou a imagem do Senhor Jesus dos Passos em 1764, ano que a escultura chegou a Florianópolis.

— A Procissão Senhor dos Passos é um dos maiores eventos de fé do Brasil. Estamos seguindo o exemplo do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que hoje já é patrimônio cultural. Hoje a procissão de Florianópolis só perde em público para o Círio e para as homenagens ao Padre Cicero, em Juazeiro do Norte — afirma Laureano.

Procurado pela reportagem da Hora, o Iphan afirma que falta ainda a complementação do material que serve para comprovar o caráter cultural da procissão. De acordo com a assessoria de imprensa do instituto, os técnicos acompanharam todas as edições do ato desde 2012 reunindo depoimentos, fotografias, vídeos e bibliografia. Esse material foi analisado na 31ª reunião da Câmara Técnica do Patrimônio Imaterial em novembro do ano passado, mas foi considerado insuficiente para ser avaliado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que é responsável pelo parecer.

“Desse modo, foi feito novo encaminhamento para complementação da pesquisa, que deve ser conduzida ao longo de 2017, conforme previsto no planejamento de ações e recursos do Iphan/SC para o ano”, explicou a assessoria em nota.

Tradição e história

A Procissão Senhor dos Passos acontece desde 1766 sempre 15 dias antes da Páscoa. Em 2016, mais de 60 mil pessoas acompanharam os dois dias de cortejo à imagem do Senhor Jesus dos Passos. A tradição começou dois anos depois de a escultura chegar a Florianópolis. Esculpida em madeira, a estátua deveria ter sido entregue a uma igreja em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, no Rio Grande Sul.

O barco que a levava parou por aqui para abastecer, mas não conseguiu seguir viagem em decorrência de fortes tempestades. Foram três tentativas sem sucesso. Com isso, a tripulação acreditou que se tratava de um sinal divino e que a imagem deveria permanecer em Florianópolis.

A estátua representa a primeira queda de Jesus a caminho do Calvário. Em tamanho natural, mostra Cristo ajoelhado no chão segurando a cruz no ombro esquerdo. Ele usa uma túnica roxa com bordados dourados. A imagem preza pelo realismo, mostrando o sofrimento de Jesus. Os cabelos até hoje são cuidados por um cabeleireiro, além disso, uma estilista confecciona as roupas usadas pela imagem.

Réplicas são expostas nas paróquias
Para democratizar a devoção pelo Senhor Jesus dos Passos, a Arquidiocese de Florianópolis distribuiu algumas réplicas pelas paróquias da cidade. Veja quais são elas:

— Catedral Metropolitana – Centro;
— N. S. do Desterro e Alexandria – Centro;
— Igreja São Francisco – Centro;
— Igreja Nossa Senhora de Lourdes e São Luís – Agronômica;
— Igreja da Santíssima Trindade – Trindade;
— Capela Militar Cristo Rei – Trindade;
— Templo Ecumênico do Campus da UFSC – Trindade;
— Igreja de São Francisco Xavier – Monte Verde;
— Igreja Santo Antônio – Santo Antônio de Lisboa;
— Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe – Canasvieiras;
— Santuário do Sagrado Coração de Jesus – Ingleses;
— Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição – Lagoa da Conceição;
— Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus – Prainha;
— Igreja da Boa Viagem – Saco dos Limões;
— Igreja João Maria Vianney – Rio Tavares;
— Capela Santa Catarina de Alexandria do Colégio Catarinense – Centro;
— Santuário de Nossa Senhora de Fátima – Estreito;
— Igreja Nossa Senhora do Carmo – Coqueiros;
— Igreja Santo Antônio – Campinas – São José;
— Igreja São João Batista e Santa Luzia – Capoeiras

Programação – 251ª Procissão do Senhor dos Passos
Dia 26 de março – Domingo
8h – Missa de Investidura de Novos Irmãos e Irmãs
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

Dia 29 de março – Quarta-feira
19h – Missa e Bênção do Santíssimo Sacramento
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

Dia 30 de março – Quinta-feira
9h – Missa e Administração do Sacramento da Unção dos Enfermos
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

19h – Missa e Bênção do Santíssimo Sacramento
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

Dia 31 de março – Sexta-feira
19h – Missa e Benção do Santíssimo Sacramento
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

Dia 1º de abril – Sábado
7h30 – Missa e Procissão do Carregador
18h – Missa em honra do Senhor Jesus dos Passos
20h – Transladação das imagens do Senhor Jesus dos Passos e de Nossa Senhora das Dores da Capela Menino Deus para a Catedral Metropolitana
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

Dia 2 de abril – Domingo
9h30 – Missa na Catedral Metropolitana com a participação do Senhor Jesus dos Passos
Local: Catedral Metropolitana de Florianópolis
16h – Procissão do Encontro das imagens do Senhor Jesus dos Passos e de Nossa Senhora das Dores e Sermão do Encontro
Local: Capela Menino Deus da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade

Por Carol Passos

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Cansado de exigências do Iphan, morador do Centro Histórico de Icó (CE) coloca sobrado à venda


20170314_143419

Morador e comerciante do Centro Histórico de Icó, Damon Magalhães, decidiu vender o imóvel, o Sobrado do Mirante, sob o argumento de não suportar mais as exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com informações de amigos, Damon Magalhães teria feito uma reforma interna no imóvel e colocado uma viga de concreto, mas o Iphan exigiria de um certo tipo de madeira, que teria custo elevado. O proprietário agora deve desfazer a obra de reforma orçada em cerca de R$ 50 mil.

“Ele está revoltado, é um morador antigo, mas diz que resolveu ir embora da cidade”, contou um amigo comum.

O blog tentou contato com o proprietário, mas o telefone não atendeu.

O Centro Histórico de Icó foi tombado pelo Iphan na segunda metade da década de 1990. O sítio histórico recebeu recursos do Projeto Monumenta do Ministério da Cultura. Qualquer intervenção nos imóveis públicos e privados precisa de autorização e projeto aprovado pelo Iphan. Diário Centro Sul

Por Juan Carlos

Fonte original da notícia: Mais FM Iguatu




Porto Alegre (RS) – Primeira parte do restauro da Igreja das Dores será entregue no dia 26 de março


Restauração ainda contempla outras fases e deve ser finalizada até o fim deste ano.

Primeira etapa concluída é do trabalho desenvolvido no retábulo | Foto: Guilherme Testa

Primeira etapa concluída é do trabalho desenvolvido no retábulo | Foto: Guilherme Testa

No dia do seu aniversário de 245 anos – 26 de março -, Porto Alegre ganhará de presente a entrega da primeira parte do restauro da Igreja Nossa Senhora das Dores. Trata-se da conclusão do trabalho desenvolvido no retábulo, ou seja, o altar da capela suplementar que por décadas esteve armazenado de forma inadequada. A restauração do templo ainda contempla outras fases e deve ser finalizada até o fim deste ano.

Inaugurada em 1904, após 93 anos de construção, a Igreja Nossa Senhora das Dores passou por uma mudança de ordem dos Claretianos para a dos Sacramentinos no ano de 1951. Provavelmente por isso, em 1969, o retábulo tenha sido removido pelos membros da nova congregação. Ele foi guardado no desvão, que é o forro da nave, e só foi encontrado no ano 2000, durante um primeiro restauro feito na edificação.

Á época da retirada, o altar de Santo Antônio de Maria Claret foi substituído por um sacrário de adoração ao Santíssimo Sacramento. Agora, além do resgate e da revitalização, tanto o retábulo quando o sacrário ficarão dispostos juntos. “O altar vai ficar uma mescla”, explica um dos arquitetos responsáveis pelo projeto, Lucas Volpatto.

As outras fases do restauro contam com a revitalização da capela-mor, com a reforma do seu telhado – onde será inserido um subtelhado para melhor proteção -, e a aprovação do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI), que permitirá com que os visitantes possam subir para conhecer as torres do templo. O trabalho também conta com a criação de um museu de arte sacra em uma das alas laterais, manutenção e restauro de imagens em madeira e pesquisa iconográfica.

A Igreja Nossa Senhora das Dores, localizada na rua dos Andradas, é célebre pela sua escadaria externa composta por 62 degraus. Curiosamente, a edificação foi construída de traz para frente, já que, à época, as águas do Guaíba chegavam até as proximidades da escada. A fachada é considerada eclética, com características do período pós-migração alemã e também com um viés gótico. Ainda na frente, há três imagens e um ornamento em forma de coração com sete espadas cravejadas. Internamente, o ecletismo também chama atenção, com um dos lados do templo sendo marcado por estilo arquitetônico Mariano e outro Jesuíta.

O prédio é o primeiro patrimônio a ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Porto Alegre. A restauração está sendo realizada através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado e conta com patrocínio da Braskem.

Fonte original da notícia: Correio do Povo




Polícia Civil investiga pichação no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG)


Vandalismo em monumento que é destaque do complexo reconhecido como patrimônio mundial pela Unesco revolta autoridades e cidadãos.

Sujeira ocupa uma área de 20 metros do museu. (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)

Sujeira ocupa uma área de 20 metros do museu. (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)

Crime contra o patrimônio mundial, agressão à história do Brasil e desrespeito ao povo de Minas e de Ouro Preto, antiga Vila Rica, na Região Central do estado. O Museu da Inconfidência, uma das instituições culturais mais importantes do país, foi alvo de pichação na madrugada de ontem: na lateral direita da construção do século 18, ícone da Praça Tiradentes, no Centro Histórico, uma pessoa ainda não identificada escreveu com spray, sobre as pedras que dão testemunhos de séculos de história, as palavras “patrimônio da humanidade elitista”.

Câmeras de segurança do museu registraram o momento do vandalismo, mas, segundo a Polícia Civil, a a análise da gravação sozinha ainda não permite identificar o autor do crime. Conforme a assessoria da corporação, foi feita perícia e mais investigações estão em andamento para verificar se foi apenas um o autor da ação, classificada como “uma cretinice” pelo diretor do museu, Rui Mourão.

De manhã, equipe da Polícia Militar de Ouro Preto esteve no local e fez o boletim de ocorrência, que foi encaminhado à delegacia local. As informações foram prestadas por um segurança de plantão e as primeiras análises da câmera de vigilância, segundo técnicos do Museu da Inconfidência, vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), mostraram que a pichação ocorreu antes das 6h. As palavras escritas ocupam cerca de 20 metros e podem ser vistas por quem passa pela Rua Antônio Pereira, que desemboca no espaço público tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Chamar este museu de elitista é um absurdo. Está aberto à coletividade e, aos domingos, a entrada é gratuita para os ouro-pretanos”, disse Mourão, referindo-se a um dos termos da pichação e explicando que vai mandar fazer a limpeza assim que possível. “Vamos esperar o resultado da perícia. Estou procurando o produto indicado para retirar a tinta sem causar danos às pedras”, informou. Ele lembrou que se trata da segunda pichação ao museu – a primeira ocorreu em 2010, quando foi escrita uma frase contra um político local.

Mourão disse que é preciso prender o responsável pela sujeira deixada no prédio do Inconfidência, o segundo museu federal mais visitado do país, com 150 mil pessoas/ano, atrás apenas do Museu Imperial, de Petrópolis (RJ). Na avaliação do diretor, trata-se de caso semelhante ao da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, igualmente alvo de pichação há quase 11 meses. Assim como a Pampulha, que detém o conjunto arquitetônico moderno, o Centro Histórico de Ouro Preto é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido em 1980 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Indignação. Moradores locais, turistas estrangeiros e brasileiros e defensores do patrimônio cultural se disseram horrorizados e revoltados com a pichação. Ao verificar bem de perto a sujeira deixada pelo vândalo, a turista francesa Miky Guichot-Perere observou: “É o mesmo que pichar o Louvre”, numa referência ao célebre museu de Paris. “Esta cidade é magnífica, maravilhosa. Já vim a Ouro Preto três vezes e acho tudo muito bonito. Isso que ocorreu não é bom”, afirmou.

A francesa, que trabalha no setor de comunicação, estava acompanhada do casal Vitor Revidiego Lopes, administrador, e Maria Helena, residentes em Artur Moreira, na Região Metropolitana de Campinas (SP). “Esses atos de vandalismo mostram o quanto somos tolerantes com esse tipo de agressão ao patrimônio, alheio e público. A gente fica triste, é uma situação absurda”, afirmou Vitor. Maria Helena acrescentou que fatos dessa natureza devem ser denunciados e os responsáveis, punidos.

Monumento é o segundo museu federal mais visitado do Brasil. (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)

Monumento é o segundo museu federal mais visitado do Brasil. (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)

Funcionária de uma loja na Rua Antônio Pereira, a poucos metros da pichação, Lucimar das Graças Fernandes contou ter ficado revoltada ao chegar para trabalhar. “É absurdo, pois também ‘queima o filme’ de Ouro Preto, prejudica a nossa cidade.” Os estudantes Guilherme Resende, de 21, aluno de química industrial, natural de Barbacena e há dois anos em Ouro Preto, e Larissa Carvalho, de 20, de engenharia geológica, também criticaram a pichação. “É um protesto inválido. A pessoa que fez isso deveria escrever tais palavras num cartaz e afixá-lo na parede da casa dela. Aqui, jamais”, disse Larissa, fã incondicional do patrimônio de sua cidade. “Tenho um apego gigantesco por Ouro Preto”, resumiu. “Tem que pegar esse vagabundo, fazer ele limpar, pois agrediu o patrimônio brasileiro”, afirmou o aposentado Rubens Tavares dos Santos.

História. Em texto sobre o Museu da Inconfidência, Rui Mourão, que está na direção da instituição há 42 anos, escreveu: “Rompendo tradição que vinha dos tempos do reinado brasileiro de dom João VI, o Museu da Inconfidência foi o primeiro a se instalar fora da faixa litorânea do país. A criação decorreu de uma ação política. Em 1936, o presidente Getúlio Vargas, que planejava a implantação da ditadura do Estado Novo, resolveu se fortalecer junto à população, apresentando-se como defensor de uma das nossas tradições mais sensíveis. Promoveu o repatriamento dos restos mortais dos inconfidentes condenados a degredo na África, onde se encontravam sepultados. As urnas funerárias, na sua chegada, ficaram longamente expostas à visitação pública no Rio de Janeiro. Assinado o Decreto 965, de 20/12/1938, de criação do museu, a transferência das ossadas para Ouro Preto contou com o acompanhamento de Vargas. (…) O governo de Getúlio Vargas mandou vir os originais do 7º volume dos Autos da Devassa, que continha a sentença condenatória de Tiradentes, e duas traves da forca em que pendeu o mártir da Inconfidência, na Praça da Lampadosa”.

Memória
História maculada

Em 21 de março do ano passado, os olhos dos brasileiros se voltaram para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, joia da arquitetura moderna projetada na década de 1940 por Oscar Niemeyer (1907-2012). O painel de azulejos de Cândido Portinari (1903-1962) e a lateral de mosaicos foram pichados com tinta spray azul e roxa, numa agressão ao bem tombado nas esferas municipal, estadual e federal do patrimônio. Três pessoas foram denunciadas, e duas delas, presas. O Ministério Público de Minas Gerias conseguiu provas indicando que a depredação fora planejada. Depois de estudos e muita discussão, a superfície ficou livre da sujeira e à disposição dos milhares de visitantes que chegam ao local diariamente.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas