Imóvel histórico vai para o chão no Centro de Jaraguá do Sul (SC)

Foto Eduardo Montecino/OCP

Foto Eduardo Montecino/OCP

Reconhecida como bem histórico cultural de Jaraguá do Sul em 2014, a construção de 1968 popularmente conhecida como Bar e Lanchonete Boaventura foi demolida. A notificação de proteção dada pelo Setor de Patrimônio Histórico foi revertida por decisão do Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural), ainda em abril desse ano, e nos últimos dias a estrutura deixou de fazer parte da paisagem já comum aos jaraguaenses que paravam ou passavam pela esquina da Procópio Gomes de Oliveira com a Barão do Rio Branco.

O pedido para demolição partiu da família, segundo informação do setor, e a exclusão Cadastro do Inventário de Bens Culturais foi concedida pela maioria dos membros do conselho. O imóvel estava com nível de preservação 3, o que na prática significava que seria possível construir nos fundos e até mesmo serem feitas intervenções externas e internas, é o grau mais leve da legislação.

O imóvel foi construído pelo comerciante José Boaventura, que desde 1954 atuava no segmento na cidade. A ligação do local com a memória da cidade foi reconhecida, inclusive, em 2006, na ocasião da comemoração dos 130 anos da fundação de Jaraguá do Sul. Entre os agricultores, industriais e comerciantes mais antigos da cidade que receberam homenagem devido à contribuição com o desenvolvimento do município, estava José Boaventura, por oferecer há mais de meio século serviços como comerciante na área de alimentação.

Prédio da Antiga Sebus também teve proteção revertida

Pelo menos três imóveis reconhecidos pelo Patrimônio Histórico municipal tiveram proteção revertida por decisão do Comphaan neste ano. Além do Bar e Lanchonete Boaventura, a casa Moretti, localizada no bairro Nereu Ramos, foi destombada a pedido da Prefeitura de Jaraguá do Sul que apontou risco de desabamento do imóvel – atualmente abandonado e com parte da estrutura cedida. A casa deve ser demolida para construção de uma rotatória no local.

O terceiro patrimônio que o conselho revogou a notificação de tombamento foi do imóvel que abrigou a antiga Sebus, na rua Domingos Rodrigues da Nova. E outros procedimentos pedindo reversão estão entrando no setor de Patrimônio Histórico.

O Comphaan, responsável por analisar os pedidos, é um conselho composto por 18 membros, metade representantes da administração pública e o restante são representantes de setores da comunidade.

Fonte original da notícia: OCP Online




Porto Alegre (RS) – Proposta tomba a Estado Maior da Restinga como patrimônio da Capital

Foto: Divulgação/Internet

Está em tramitação, na Câmara Municipal de Porto Alegre, projeto de lei que tomba como patrimônio cultural imaterial e material do Município a Sociedade Recreativa e Beneficente Estado Maior da Restinga e sua sede. O proponente da ação é o vereador Cassio Trogildo (PTB). “Esta proposição busca salvaguardar esse patrimônio cultural de Porto Alegre, que, por sua história, deve ser caracterizado como espaço destinado às manifestações artístico-culturais dos munícipes”, lembra o vereador.

A Estado Maior da Restinga, atualmente localizada na Estrada João Antônio da Silveira, n°2355, foi fundada em 20 de março de 1977 por um grupo de moradores. A entidade tem o objetivo de “promover o desenvolvimento, preservação da memória do carnaval através de atividades, projetos e ações sociais, culturais e educativas junto à comunidade, de forma a fortalecer os laços familiares e grupais”.

Vereador Cassio Trogildo (PTB) é o autor do projeto. Foto: Ederson Nunes/CMPA

Esta escola de samba é conhecida na Capital e no estado do Rio Grande do Sul, recebendo premiações por sua atuação e revelando talentos na área de composição de sambas carnavalescos. Ela já representou o estado em outras regiões do país e no exterior. Deste modo, contribui para a permanência da cultura carnavalesca em Porto Alegre e no RS.

Texto: Adriana Figueiredo (estagiária de jornalismo)/Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

Fonte original da notícia: Câmara Municipal de Porto Alegre

Nota da Defender – Primeiro: não se “tomba” nada como Patrimônio Cultural Imaterial, o correto é “Registrar”; Segundo: o Legislativo não tem poder para tombar ou registrar nada, isso cabe ao Executivo.




Entenda o registro de expressões culturais relacionadas a religiões

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem como missão identificar e reconhecer práticas culturais diversas para fortalecer identidades, garantindo o direito à memória e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do País. As religiões em si não são passíveis de tombamento ou registro. Entretanto, o Iphan reconhece expressões culturais relacionadas a diversas religiões e instituições de cultura que atuam na preservação de lugares e práticas culturais relacionadas às religiões.

Respaldado pelo institutos do tombamento (Decreto-Lei 25/37), inventários e registros (Decreto 3.551/2000), a atuação do Iphan está pautada no reconhecimento de bens de natureza material e imaterial.

Em relação aos bens materiais, considera “coisas móveis ou imóveis” de excepcional valor histórico, arquitetônico, entre outros, por meio do tombamento, cujos efeitos legais de proteção recaem sobre o aspecto da materialidade do bem. Há vários exemplos deste tipo de tombamento relacionado ao universo da religião, tais como terreiros de Candomblé e diversas igrejas católicas.

Já no campo do patrimônio imaterial, o registro é um instrumento legal de preservação, reconhecimento e valorização do patrimônio imaterial do Brasil, composto por bens que contribuíram para a formação da sociedade brasileira. Esse instrumento se refere a celebrações, lugares, formas de expressão e saberes, conhecimentos e técnicas que os grupos sociais reconhecem como parte integrante do seu patrimônio cultural. O Brasil já registrou práticas culturais de matriz africana, indígena e católica, a exemplo do Tambor de Crioula no Maranhão, Círio de Nazaré, Ritual Yaokwa dos Índios Enawene Nawe no Mato Grosso, Festas do Divino de Pirenópolis (GO) e Paraty (RJ), Lavagem do Bonfim, dentre outras, e ainda de práticas de matriz africana, como a Capoeira, o Ofício de Baiana, o Jongo no Sudeste, o Samba de Roda do Recôncavo e tantos outros.

Por Assessoria de Comunicação

Fonte original da notícia: Ministério da Cultura




Governo vai criar cinemateca para preservar memória e dar visibilidade ao cinema pernambucano

Acervo poderá ser acessado por estudantes, professores e pesquisadores.

Espaço vai auxiliar na preservação da história do cinema pernambucano, que tem entre clássicos Aitaré da Praia (1925). Foto: Cinemateca Brasileira/Divulgação

O projeto da Cinemateca pública Pernambucana vai sair do papel. Com investimentos do Ministério da Educação e parceria entre a TV Escola, a Fundação Joaquim Nabuco e a Universidade Federal de Pernambuco, o equipamento cultural tem o objetivo de criar um acervo com o máximo de informações sobre a produção audiovisual pernambucana.

Será criada uma unidade da Coordenadoria do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, que funcionará em Casa Forte. A previsão é abrir ao público no início de 2018. A cinemateca será coordenada pela gestora do Cinema da Fundaj, a jornalista e fotógrafa Ana Farache, e pelo professor Paulo Cunha, da UFPE. “Estamos em fase de implantação e criação da equipe. Teremos um sistema de preservação ativa. Não é só catalogar, mas também promover exibições periódicas, debates e difundir o audiovisual do estado”, explica a coordenadora.

Segundo Ana, a ideia é criar uma plataforma online de acesso aos filmes, de acordo com o contrato estabelecido com cada realizador que depositar sua obra no acervo. “Vamos trabalhar primeiro com a matriz digital, catalogando as produções de acordo com tema, filme, diretores e criar uma busca ampla com vários caminhos”, aponta. O investimento inicial do projeto é de R$ 1 milhão.

“Pernambuco é referência na produção cinematográfica desde o século passado, sendo protagonista de diversos movimentos como o Ciclo do Recife e o Super-8. Temos que preservar essa memória, aliada ao compromisso de fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual em Pernambuco e ser um centro avançado de estudos e pesquisas no Nordeste, contribuindo para a formação cultural de estudantes e professores”, afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho, através de assessoria de imprensa.

A cinemateca também estará aberta para receber conteúdos extras das produções, como roteiros e cartazes. O acervo poderá ser acessado por estudantes, professores e pesquisadores. Os interessados em enviar material podem encaminhar propostas e sugestões através do e-mail cinematecapernambucana@gmail.com. Haverá ainda a criação de um cronograma para recuperação de trabalhos raros e peças esquecidas, além de um espaço depositário para filmes em lata, adequado para a conservação dos rolos. A Cinemateca Brasileira está dando suporte técnico ao projeto.

Fonte original da notícia: Diário de Pernambuco




Mais de 150 casos de abandono de patrimônio histórico são acompanhados pelo MPF no Pará

Último levantamento feito pela Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém aponta que somente no centro histórico da capital existem pelo menos seis mil imóveis e boa parte está em situações precárias.

G1. Reprodução/Internet

Mais de 150 casos de abandono de patrimônio histórico são acompanhados pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará. Segundo o órgão, se esses locais não forem preservados, pode ser apagado um pedaço da memória paraense. Muitos prédios em Belém já foram imponentes, clássicos e charmosos. Hoje, parte da arte esculpida por mãos talentosas, ricas em história e cultura, se perdem em meio ao descaso e a falta de manutenção.

O abandono toma conta de diversos espaços históricos de Belém. O antigo prédio do Instituto Estadual de Educação do Pará (IEEP) está fechado há quatro anos. De fora, dá para ver que o prédio não passa por manutenção há um bom tempo. As paredes estão cheias de infiltrações e raízes e as janelas estão quebradas. Dentro dele a situação é ainda mais complicada.

O último levantamento feito pela Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém aponta que somente no centro histórico da capital existem pelo menos seis mil imóveis e boa parte está em situações precárias.

“O grande problema é falta de gestão desse patrimônio. Precisamos de uma gestão integrada por todas as esferas, federal, estadual e municipal”, diz a presidente da Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém Nádia Brasil.

O Ministério Público Federal (MPF) acompanha 168 casos relacionados ao abandono do patrimônio histórico no estado. “Há casos em que o IPHAN tem a responsabilidade de fazer a conservação do bem e não consegue porque não tem recursos orçamentários para tanto. O problema de distribuição de verba é um problema de opção politica. Falta nesse país uma maior preocupação com cultura e educação”, avalia o procurador da República José Potiguar.

O Palacete Faciola, com seu estilo arquitetônico neoclássico, está totalmente abandonado. Já o Palacete Pinho, que um dia foi revitalizado, hoje está fechado, sem nenhuma finalidade. E a falta de manutenção é visível. “O não uso fez com que ele entrasse em uma deterioração que força uma nova aplicação de verba pública lá para torná-lo útil e em condições de utilização”, diz o procurador. Outro exemplo de abandono é o centenário prédio do Mercado de São Bras. Muita história já se perdeu por lá.

Preservação

O Museu de Artes da UFPA já esteve abandonado, mas hoje está totalmente recuperado. As pinturas e toda a arquitetura foram mantidas. Os móveis são originais. O local guarda acervos antigos e também funciona como salão de exposições. “Um prédio como esse é importante não só para a Universidade, mas para a memória coletiva da população paraense. Prédios como esse guardam memória que pertence a todos”, diz a diretora do museu Jussara Derenji.

“O prejuízo é irrecuperável para a nossa memória, para a nossa identidade. Não se pode colocar outra coisa no lugar”, diz Nádia Brasil.

A prefeitura informou que existe um projeto de recuperação do complexo de São Brás e que busca parcerias com a iniciativa privada. Enquanto isso, reparos emergenciais estão sendo realizados no mercado.

Sobre o Palacete Pinho, a prefeitura disse que já realizou todos os levantamentos necessários para revitalizar o prédio e agora vai iniciar a fase de licitação.

Já sobre o prédio do IEEP, a Secretaria de Educação do Pará informou que em 2014 executou uma reforma geral em algumas áreas, mas que não teve permissão do IPHAN para fazer a reforma na parte tombada do prédio.

Quanto ao Palacete Faciola, a Secretaria Estadual de Cultura informou que a primeira parte da obra de consolidação estrutural foi concluída e agora a secretaria tenta conseguir recursos para continuidade da obra de restauração do prédio.

Fonte original da notícia: G1 PA




Visitantes de museu em Belo Horizonte (MG) podem se divertir montando maquetes

Reprodução Facebook/Divulgação

O Museu de Artes e Ofícios (MAO), localizado na Praça da Estação, no Centro da capital, está promovendo o projeto “Conhecer para Cuidar”. A ação busca despertar o interesse da população pela memória e o cuidado com o patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Os visitantes quem forem ao museu durante o projeto, além da visita, vão poder levar para casa uma maquete em paper-toy do MAO.  As maquetes são em miniaturas de papel e têm três dimensões. A miniatura é montada por grupos de visitantes durante as oficinas do projeto.

Para participar, os visitantes precisam se inscrever no site do museu. O projeto vai até o dia 12 de agosto, com exceção aos dias 06 e 07, quando o museu não abre. A visita e montagem da miniatura duram em torno de 2 horas, podendo se estender.

As oficinas são abertas ao público geral, a partir dos 08 anos de idade. Os participantes visitam o Museu e em seguida realizam uma oficina lúdica para montagem das maquetes do prédio do MAO. No local, as maquetes são montadas por grupos de 10 visitantes. Entretanto, cada um dos participantes leva pra casa um kit para fazer a própria miniatura.

Serviço

Quando? de 1 a 12 de agosto, exceto 6 e 7 (domingo e segunda-feira).

Quanto? Gratuito

Horários? De terça a Sexta: de 08h30 às 11h30 ou 13h30 às 16h30 / Sábados: de 09h30 às 12h00 ou de 14h00 às 16h30

Classificação? A partir de 8 anos

Onde? Museu de Artes e Ofícios – Praça Rui Barbosa, 600, Centro

Faça a inscrição clicando aqui. Mais informações pelos telefones: 32488621 / 32488614, ou pelo evento no Facebook.

Fonte original da notícia: BHAZ




Arquivo Histórico de Porto Alegre (RS) digitaliza mais de 100 documentos

Balancetes. Livro-caixa. Atas de vereança. Peças que retratam um cotidiano quase esquecido, mas que também fazem parte da história da capital. Em breve, esses documentos estarão todos digitalizados. Desde junho, o Arquivo Histórico Moysés Vellinho vem digitalizando documentos que remontam a Porto Alegre dos séculos 18 e 19. O que antes estava restrito às paredes de um casarão centenário, que abriga a instituição na avenida Bento Gonçalves, 1.129, estará disponível na internet.

São cerca de 170 livros de um período que vai de 1764 a 1889, abrangendo desde os primórdios da capital até a proclamação da República. Até o momento, metade desse montante foi digitalizado. O projeto, iniciado em 2012, virou realidade graças à captação de 8 mil euros por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Arquivos Ibero-Americanos, do governo espanhol.

Dispostos numa sala em múltiplas prateleiras sob temperatura e ambiente controlados, os documentos têm conservação variada. Podem estar quase originais – como um livro de naturalizações datado de 1854 –, mas também em mau estado, explica a diretora Vera Lúcia Santos dos Santos. É um misto de sorte e das condições em que o material foi armazenado anteriormente.

As mãos de Dionathan Rezes, 30 anos, são responsáveis por digitalizar página a página desses documentos. Com luva, é claro, para se proteger da sujeira – ainda que Vera garanta que não exista um fungo sequer no acervo. A velocidade do trabalho varia. Às vezes, Rezes consegue escanear 12 livros por dia. Em outras ocasiões, não passa de dois a três materiais em oito horas de trabalho. “Quanto mais antigo, mais difícil”, conta.

Engenhoca

O maquinário utilizado para a digitalização é simples, mas peculiar. Rezes conta com um scanner de mesa e uma engenhoca que se mostra efetiva na captura de imagens dos materiais. Criada por um engenheiro da empresa contratada pelo arquivo para realizar os trabalhos, são dois triângulos gigantes que sustentam os livros: uma no lado esquerdo; outra, no direito. Além da estrutura, que é móvel, mais quatro luminárias adornam a engenhoca, duas em cada lado, posicionadas ao lado das duas câmeras que capturam a imagem de cima.

Rezes explica que os scanners utilizados para materiais como os do acervo, além de serem caros, podem acabar danificando as publicações. “Quanto mais grosso o livro, pior”, afirma. Depois que as imagens são captadas, Rezes realiza o tratamento delas no computador e as armazena em HDs. Tudo isso estará disponibilizado ao público por meio do software Ica-Atom em breve.

As informações antigas por vezes chamam atenção de Rezes. É que ele terminou um curso para ser corretor de imóveis há pouco, e pesca informações que poderão ser relevantes quando trabalhar no mercado imobiliário. Histórias que estavam quase esquecidas, mas que agora ganharão uma dimensão maior quando se tornarem disponíveis para o público. A memória agradece.

Situação do arquivo é exceção, comparado a outras instituições

Quando comparado a outros arquivos espalhados pelo Estado, a situação dos materiais armazenados no Moysés Vellinho pode ser considerada uma exceção na área, e não a regra. O setor da prefeitura mantém o acervo sob refrigeração 24 horas. Isso não se repete em outra instituição que também mantenha uma hemeroteca (coleções de jornais, revistas, periódicos e publicações em série).

Assim como a instituição municipal, o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, do governo estadual, abriga coleções de jornais e revistas, mas funciona de forma reduzida desde março por problemas estruturais do prédio, localizado no Centro Histórico. Além de não possuir sistema de ar-condicionado, o museu enfrenta infiltrações em sua estrutura. A situação se repete numa das instituições mais respeitadas do meio. No Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional corre o risco de fechar por falta de verba para a manutenção do acervo.

“Quando o gestor escolhe o recurso, o arquivo acaba ficando por último por trazer menos visibilidade”, avalia a arquivista Flávia Conrado Rossato, da Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul. Flávia lembra que a desatenção por parte do poder público com a memória respinga na Lei de Acesso à Informação. “Esse descaso impacta no acesso à informação do cidadão”, pontua.

O historiador André Koeche, mestre pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), concorda com Flávia. “Infelizmente, no Brasil não existe uma cultura de preservação da memória”, avalia. Koeche sustenta que o país não formou uma cultura que preserve sua história. “Ainda não temos uma cultura de preservação da memória de bens materiais e de representações simbólicas”, conclui.

Queima de arquivo

Em junho, o Senado aprovou o Projeto de Lei 46, que é conhecido como “PL da Queima de Arquivo”, já que autoriza a destruição de documentos originais após serem digitalizados. Essa medida fere a política nacional de arquivos públicos, criada em 1991 pelo então presidente Fernando Collor de Mello, segundo Flávia. “Os documentos devem continuar existindo”, afirma. “A função do arquivo histórico é justamente salvaguardar o documento”, completa.

No Arquivo Histórico de Porto Alegre, os documentos permanecerão guardados, tanto em sua forma original quanto na digital.

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Arquivo Nacional do Rio de Janeiro poderá fechar em agosto se corte de 36% da verba for mantido

Reprodução/Band

A crise que assola o Estado ameaça agora o Arquivo Nacional, instituição que preserva a memória do país. Por causa do corte de verbas de 36% no orçamento, o local, que é ligado ao Ministério da Justiça (MJ), pode fechar as portas no mês que vem. Por isso, a Associação dos Servidores do Arquivo Nacional (Assan) enviou um documento ao MJ solicitando a revisão da medida.

“No primeiro semestre deste ano, foram gastos cerca de R$ 12 milhões, sobrando só R$ 2 milhões, de julho até dezembro. Ou seja, a nossa perspectiva real é a de fechar o Arquivo Nacional, possivelmente, até o fim de agosto”, lamenta Rodrigo Mourelle, presidente da Assan.

Todo dinheiro que resta será usado na manutenção básica, para pagar as contas de água e energia. Exposições futuras foram suspensas, assim como reformas estruturais. Uma delas seria no prédio da Praça da República, no Centro, que reúne quase todo o acervo. Uma inspeção do Corpo de Bombeiros no edifício identificou falhas no sistema de combate a incêndio.

Segundo a Assan, a redução da verba dificulta a manutenção do prédio e compromete a segurança das mais de 20 mil ilustrações, 8 mil livros raros e cerca de 1,7 milhão de fotos e negativos. “Um país que não valoriza a sua história e a sua memória, não valoriza a si mesmo”, observa o historiador Thiago Mourelle.

História preservada
A construção centenária que abriga o Arquivo Nacional armazena documentos que contam a história do Brasil desde os tempos coloniais. Como os originais da Lei Áurea, de todas as constituições nacionais, imagens da construção de Brasília e da ditadura militar. O acervo guarda ainda o passaporte do inventor e aeronauta Santos Dumont. O acesso ao acervo também pode ser feito pela internet (arquivonacional.gov.br).

A principal demanda é de pessoas que buscam documentos que registraram, no passado, a chegada de estrangeiros ao Brasil e que são importantes para quem quer dar entrada em pedido de nacionalidade de outro país. O receio, agora, é que esses e todos os outros milhares de documentos armazenados fiquem inacessíveis à população.

“Pensar que tivemos Olimpíada e que não conseguimos manter nossas instituições essenciais de guarda de acervo e pesquisa é uma vergonha, é um tiro no pé”, critica a historiadora Nataraj Trinta.

No ano passado, a verba destinada ao Arquivo foi de R$ 22 milhões, usada para despesas como pagamento de energia elétrica, água e funcionários terceirizados. Para organização de acervos maiores, o órgão busca financiamentos através de parcerias, com editais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O Ministério da Justiça ainda não se pronunciou sobre os cortes feitos na instituição.

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Prédio centenário no Centro de Maceió (AL) é invadido e depredado

Segundo arquiteta, dano ameaça história presente na antiga sede de Intendência Municipal.

Edificação data de 1909 e, segundo especialista, é de autoria do arquiteto italiano Luigi Guiseppe Lucarini; local tem sido depredado progressivamente por vândalos há um mês. (Foto: Sandro Lima)

O Palacete da Intendência Municipal no Centro de Maceió, construído em 1909, tem sido progressivamente depredado por vândalos há cerca de um mês. As paredes e o chão foram quebrados para retirada dos fios que compõem a rede elétrica do local, o que põe em xeque a história da edificação.

Como se não bastasse, janelas, portas, lâmpadas e estruturas foram levadas ou quebradas. De acordo com a professora de arquitetura do Cesmac, Adriana Guimarães, o projeto do prédio é de autoria do arquiteto italiano Luigi Guiseppe Lucarini.

“É uma arquitetura eclética, temos poucos edifícios desse período, com essa arquitetura tão monumental, que se destaca na cidade. Por si só, a depredação de um prédio com tanto elementos artísticos já é um problema para a memória da cidade. É lamentável”.

Ainda segundo a arquiteta, o prédio reúne elementos importantes da época, sendo um dos poucos no estado com tais características. Conforme Guimarães, a responsabilidade de manutenção e administração do prédio é do proprietário. A preocupação é que o vandalismo avance e comprometa ainda mais a estrutura.

“As perdas do ponto de vista tanto da arquitetura, de uma edificação que tem uma significação por conta dos elementos, dos adornos, dos elementos artísticos todos, é muita significativa. Até mesmo porque a gente não tem muitas edificações com essa característica aqui.”

No interior do prédio é possível ver muita destruição e lixo espalhado. Alguns vidros foram quebrados e outros simplesmente retirados. Não pouparam nem o hidrômetro, muito menos os fios do poste que conduzem a energia às instalações.

O representante do Pró-Memória da Secretaria de Estado da Cultura, arquiteto Pablo Maia, afirma que o prédio fica numa área de tombamento histórico, mas não há processo de tombamento individual.

“Ele está em área de entorno de praça tombado. Com a depredação, a gente perde um exemplar arquitetônico de Maceió, com uma arquitetura singular no estado. Qualquer prédio suscetível a vandalismo pode-se perder as características do imóvel”, destaca Maia.

O representante do Pró-Memória explica ainda que, a depender do nível de comprometimento, a restauração pode ser inviável.  “Se houver perda total dos elementos, existe o risco de não poder restaurar. Mas no caso em que se mantiverem os elementos, pode ser feita sim a restauração”, expõe.

A responsabilidade sobre a administração e manutenção do prédio, mesmo sendo histórico, segundo Pablo Maia é do proprietário. “Desconheço a propriedade do imóvel, mas a responsabilidade cai sobre o proprietário, mesmo com relevância histórica”, aponta.

“Eles entram e quando saem é com bolsa cheia”, diz ambulante

Nos 108 anos de existência, o prédio já foi ocupado por outros órgãos como a Prefeitura de Maceió, Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), por exemplo. Até abril deste ano, abrigava a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). Desde então permanece desocupado.

De acordo com senhor Galvão, vendedor ambulante do entorno, há três semanas começaram as invasões.

“Eu não sei quem foi o primeiro, mas entraram e tiraram as coisas, toda hora vem um diferente. O entra e sai é direto. Têm umas três semanas que começou. Eles entram e, quando saem, é com a bolsa cheia”, diz o vendedor que ocupa o mesmo espaço há dois anos na esquina da Rua do Comércio.

Ele afirma não saber identificar os autores, que acredita serem moradores de rua. Ainda segundo Galvão, a Guarda Municipal já esteve no local. “Eles pegam uma porta dessas que deve valer R$ 500 e vendem por R$ 30 para comprar drogas. É direto gente entrando e saindo. Mas eu cheguei a ver a Guarda aqui. Até ouvi dizer que iam ficar direto, mas até agora não ficaram”, diz.

A responsável por uma banca de revistas em frente ao prédio, que preferiu não ser identificada, conta que os furtos não têm hora para ocorrer.

“Eles entram de dia e de noite. Já vi muitos saindo com coisas do prédio. É horrível. Um prédio desses não era para ser assim. Eu já vi carro de polícia aqui dando carão neles, mas eles continuam vindo”, detalha a comerciante.

Informações apuradas pela reportagem dão conta que o prédio foi desocupado sem aviso prévio do órgão. Procurada, a Semas informou que emitiria nota a respeito, aguardada até o fechamento da edição, porém sem êxito.

A reportagem acionou também a Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social (SEMSCS), responsável pela Guarda Municipal, mas não obteve retorno.

Por Evellyn Pimentel

Fonte original da notícia: Tribuna Hoje




El Patrimonio de Chile lo defenderemos las comunidades

Comunicado Público

El Patrimonio de Chile lo defenderemos las comunidades.

Grave acción del mundo privado y sus cómplices, contra la defensa del patrimonio.

Museo histórico y Militar de Chile. Fuente: Patrimonio de la Defensa. Divulgação/Internet

En diversos medios de prensa ha aparecido un inserto de la Cámara Chilena de la Construcción cuestionando las declaratorias patrimoniales de Villa San Luis y Casa Italia. Frente a la prepotencia y el poder del dinero, las comunidades que luchamos por la defensa del patrimonio de Arica a Punta Arenas, declaramos nuestro total apoyo a la protección patrimonial de lugares que representan la historia y memoria de nuestro país.

Consideramos de la mayor gravedad la presión del mundo inmobiliario, representado por la Cámara Chilena de la Construcción y sus cómplices, que no escatiman recursos, ni vulnerar la legalidad, antes ni ahora, cuando sus intereses económicos y políticos se ven amenazados por la ley que desde 1925 protege nuestro patrimonio.

En los casos de Villa San Luis y Casa Italia se demuestran, con presiones, demoliciones ilegales y maniobras arteras, la peor expresión de la corrupción, tráfico de influencias y uso de relaciones de poder para conseguir el único objetivo que el capital inmobiliario tiene: maximizar las utilidades de los controladores de las principales empresas del rubro, a costa de las legítimas demandas de las comunidades por preservar su memoria, dignidad y patrimonio. Especial atención hacemos del caso de Villa San Luis, cuando en plena dictadura militar, las comunidades fueron discriminadas y violentadas en sus derechos fundamentales, frente a lo cual el Estado de Chile tiene una gran deuda.

Lo que no han entendido los señores de la Cámara Chilena de la Construcción y sus cómplices, es que Chile, poco a poco ingresa a la discusión de las nuevas concepciones de protección patrimonial que impulsan organismos internacionales como Unesco.

Lo que no han entendido los señores de la Cámara Chilena de la Construcción y sus cómplices, es que Chile, poco a poco avanza en leyes que hoy harían imposibles casos de discriminación arbitraria, como la que sufrieron los vecinos de Villa San Luis. La actual ley Zamudio establece una definición de discriminación arbitraria, en su artículo 2º: “toda distinción, exclusión o restricción que carezca de justificación razonable, efectuada por agentes del Estado o particulares, y que cause privación, perturbación o amenaza en el ejercicio legítimo de los derechos fundamentales establecidos en la Constitución Política de la República o en los tratados internacionales sobre derechos humanos ratificados por Chile y que se encuentren vigentes”.

La firma de la Ministra de Educación de los decretos de protección patrimonial, luego del voto favorable de los consejeros del Consejo de Monumentos Nacionales (CMN), es una muy buena señal para Chile y su patrimonio. Apoyamos plenamente que se haya cumplido la labor que el Estado mandata a la Ministra, que es ratificar la votación del CMN.

La historia de ministros y ministras de educación que no han querido firmar declaratorias votadas por el CMN es larga y las comunidades tenemos buena memoria.

La maniobra comunicacional millonaria de la Cámara Chilena de la Construcción, a través de los insertos en diversos diarios de circulación nacional, es muy clara y tiene por objetivo ejercer una presión sobre la Contraloría General de la República, para la toma de razón de los decretos que entregan la protección patrimonial a Villa San Luis y Casa Italia.

El mercado inmobiliario y su destrucción de la ciudad la hemos sufrido en las últimas décadas, a costa del buen vivir de nuestras comunidades. Los intereses económicos de señores como Sergio Torreti Costa, Presidente de la Cámara Chilena de la Construcción y Oscar Acuña Poblete, abogado defensor de inmobiliarias, son parte de un país que ya la ciudadanía no quiere.

Particular indignación nos causa la labor en contra del patrimonio del señor Oscar Acuña, ex secretario del Consejo de Monumentos Nacionales. Como representante de la Inmobiliaria Casa Italia S.A. ha realizado todas las acciones posibles para que esta propiedad no se declare. En el caso de Villa San Luis ha dado diversas declaraciones contrarias a la protección patrimonial. Pero su historia es larga en las políticas a favor de la destrucción del patrimonio: apoyo al Rally Dakar y sus irreparables daños, asesor de Mall Plaza para proyecto Puerto Barón, apoyo a la demolición de la Clínica London, junto a decenas de recursos y asesorías hechas a empresas inmobiliarias o mineras, para validar la destrucción del patrimonio. Actualmente es parte del Consejo Nacional de la Cultura y las Artes y en su calidad de militante de la Democracia Cristiana, pertenece al equipo programático de la candidata presidencial Carolina Goic. Exigimos que este tipo de personas no sean nunca más parte de estructuras del Estado y castigaremos con nuestra movilización a los candidatos o candidatas presidenciales, parlamentarias o de gobierno regional, de cualquier sector político, que no tengan una política clara de protección del patrimonio.

Así como lo acordamos con los más de 400 delegados participantes en el 6o Congreso Nacional de Barrios y Zonas Patrimoniales, en abril de 2017 en Cartagena, hacemos un llamado a las comunidades que en diversos territorios luchamos por el patrimonio, a movilizarnos contra todos aquellos que no respeten las luchas, demandas y propuestas de protección del patrimonio cultural y natural de Chile.

La prepotencia del mercado inmobiliario y sus cómplices, sólo fortalecerá nuestras luchas y organizaciones.

No más barbarie inmobiliaria, las comunidades seguiremos la lucha por el buen vivir.

Asociación Chilena de Barrios y Zonas Patrimoniales.

Primeras organizaciones que adhieren:

-Agrupación Patrimonio de Los Vilos
-Agrupación por la Memoria Histórica Providencia Antofagasta
-AntofaPatrimonial
-Asociación de Barrios Patrimoniales y Zonas Típicas de la Región de Coquimbo
-Centro Cultural Keluwe
-Centro Cultural Patrimonio de Matta Sur
-Club Deportivo El Gran Yungay
-Colectivo Vecinos por el Patrimonio
-Comité de Vivienda Barrio Matta Sur
-Comité Matta Sur, Barrio Valioso
-Comité Victoria
-Consejo Vecinal de Desarrollo La Palmilla, Conchalí
-Corporación Cultam, Cultura y Medio Ambiente Sustentable
-Corporación Cultural de Los Vilos
-Corporación de Artesanos Productores Región de Antofagasta
-Cultura en Movimiento IV
-El Sitio de Yungay
-Equipo Técnico Declaratoria Zona Típica Villa Olímpica
-Escuela Taller Antofagasta
-Escuela Taller Coya
-Escuela Taller de Artes y Oficios de Cartagena
-Escuela Taller de Artes y Oficios de Chiloé
-Escuela Taller de Artes y Oficios Fermín Vivaceta
-Escuela Taller de Artes y Oficios Osvaldo Ramírez, La Serena
-Junta de Vecinos Barrio Yungay, Santiago
-Junta de Vecinos Cardenal Raúl Silva Henríquez, Santiago
-Junta de Vecinos de Frutillar
-Junta de Vecinos Villa Olímpica, Ñuñoa
-Londre 38, espacio de memorias
-Mesa Ciudadana de Patrimonio, Cultura y Turismo de Lota
-Museo Comunitario de Coya
-Ong Kimkelen
-Ong Vecinos Barrio San Eugenio, Santiago
-Patrimonio del Barrio, Copiapó
-Patrimonio del Olvido
-Potrerillos Amigos Siempre
-Sociedad de Amantes de Cartagena
-Vecinos por la Defensa del Barrio Yungay
-Vida de Barrios, Ñuñoa
-Vigías del Patrimonio de Llanquihue

Para adherir con tu organización a la declaratoria escribe a: patrimoniodechile@gmail.com

Fonte original da notícia: Asociación Chilena de Barrios y Zonas Patrimoniales (por e-mail)