Belo Horizonte (MG) – Documentos inéditos da Inconfidência Mineira são revelados

Documentos do processo investigativo sobre a exumação dos restos mortais dos inconfidentes estão expostos na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas.

Adalberto Mateus, Márcia Santos e Maria Cândida Seabra, integrantes do IHGMG, mostram manuscritos inéditos sobre a Inconfidência Mineira. Foto: Gladyston Rodrigues/EM

Documentos inéditos sobre a Inconfidência Mineira (1788-1789) poderão ser vistos até 27 de abril na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), em Belo Horizonte, no mês em que os brasileiros lembram o movimento liderado por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792). Datados de 1936, com fita preta, lacre e o tom amarelado do tempo, os papéis, no formato de “cartas de encaminhamento”, tratam do processo investigativo sobre a exumação dos restos mortais dos inconfidentes Tomás Antônio Gonzaga, João da Costa Rodrigues e Vitoriano Gonçalves Veloso, que cumpriram o degredo na África ordenado pela Coroa portuguesa.

A coordenadora da Comissão Cultural Permanente de Geografia e Ciências Afins do instituto, Márcia Maria Duarte dos Santos, informa que as cartas têm uma longa trajetória desde que foram encaminhadas ao Brasil, no governo Getúlio Vargas, pela então colônia portuguesa de Moçambique. “Estão, portanto, longe dos olhos do grande público há mais de 80 anos”, revela a professora e especialista em cartografia histórica, ressaltando que os documentos foram doados, passaram por um processo de higienização e de catalogação, sendo um dos tesouros manuscritos da instituição, fundada há 110 anos.

Da mostra, que foi aberta no sábado com palestra e mesa-redonda sobre a Inconfidência Mineira, faz parte também um recibo assinado por Tiradentes a respeito do soldo quando era alferes e patrulhava a Estrada Real, que ligava Ouro Preto (MG) a Paraty (RJ). “Esses documentos jogam mais luz sobre a nossa história, para que ela não se repita”, lembra a também integrante da comissão, professora Maria Cândida Trindade Costa Seabra, responsável, há 10 anos, pela organização dos documentos na sede do instituto. Para facilitar, na atualidade, o trabalho da equipe de pesquisadores, que se completa com o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda e o jornalista Adalberto Mateus, os documentos continham uma placa com o nome do doador e datas.

O presidente do IHGMG, Aluízio Alberto da Cruz Quintão, conta que o acervo tem 43 documentos referentes à Inconfidência Mineira, que foram fotocopiados para garantir a preservação dos originais. Num livro de capa vermelha estão cartas do governador de Angola e Moçambique, decisões judiciais (acórdãos), procurações, recibos, editais do governo e outros de interesse de pesquisadores, professores, estudantes e do cidadão que quer conhecer mais sobre o passado. “São de interesse histórico e cultural”, resume. O instituto, acrescenta Aluízio Alberto, tem biblioteca, hemeroteca (jornais e revistas), videoteca, setor de honrarias e medalhas e mapoteca.

Respeito à Memória. O promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, integrante do IHGMG, destaca que a instituição, desde a fundação, tem um compromisso muito forte com a pesquisa e a preservação dos fatos envolvendo a Inconfidência. E lembra que o respeito à memória dos inconfidentes vem se perdendo ao longo das gerações. “Por força legal, todas as repartições públicas estaduais deveriam ter um quadro com a efígie de Tiradentes, norma que caiu no esquecimento. Da mesma forma, muitos imóveis ligados a episódios da Inconfidência estão em ruínas ou foram demolidos, representando perda irreparável para Minas.”

Documento original emitido por Tiradentes, no caso tratando do acerto de contas na patrulha do Caminho Novo, em 1781, que faz parte do acervo. Foto: Gladyston Rodrigues/EM

Para entender melhor a história dos documentos agora expostos, é preciso voltar no tempo, desta vez guiados por Adalberto Mateus, também membro da instituição. Tudo começou, conta, com o livro Amor infeliz de Marília e Dirceu, escrito pelo advogado, magistrado e historiador mineiro Augusto de Lima Júnior (1889-1970). “No prefácio, ele pedia o traslado dos restos mortais de 13 inconfidentes. Na época da publicação, o presidente Getúlio Vargas estava em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e atendeu de pronto à solicitação”, explica. Augusto de Lima Júnior foi então designado para os entendimentos com o governo português e seguiu para a Europa.

Em julho de 1938, os restos mortais chegaram a Ouro Preto, na Região Central, e foram levados, em cortejo, para a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro de Antônio Dias, no Centro Histórico – mesmo antes da inauguração do Museu da Inconfidência, passaram a repousar no Panteão dos Inconfidentes, no andar térreo do prédio da Praça Tiradentes. Adalberto informa que o visitante poderá ver ainda, na exposição, quadros sobre Tiradentes, uma linha do tempo sobre o traslado e outros dados sobre o movimento.

Decreto da derrama

Para entender a história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é preciso conhecer o momento social e político do fim do século 18. A rainha de Portugal, dona Maria I (1734-1816), conduzia uma política reformista e moralizadora em relação às colônias portuguesas, principalmente a partir de 1783. O objetivo era tirar das elites locais os cargos que ocupavam no governo, reforçar a dependência econômica em relação a Lisboa, barrar os desmandos dos padres e cobrar os débitos dos contratadores de impostos (pessoas que compravam da Coroa o direito de cobrar tributos dos súditos). Na época, Portugal tinha o direito de cobrar o “quinto do ouro”, taxa de até 20% sobre a produção do metal. Mas se os mineradores não pagassem ao governo 100 arrobas de ouro anuais, a Coroa portuguesa poderia decretar a derrama, obrigando as câmaras municipais a fazer o povo pagar o valor necessário para chegar àquele total.

Em 1788, Luís Antônio Furtado de Castro do Rio Mendonça, visconde de Barbacena (1754-1830), chegou em Minas com ordem para decretar a derrama. A situação gerou descontentamento na capitania, em especial nas pessoas ligadas a grupos privilegiados – contratadores, clérigos, militares, contrabandistas etc. Um grupo começou, então, a articular uma conspiração contra o governo, chamada de Inconfidência ou Conjuração Mineira. No século 18, novos ventos sopravam sobre o Ocidente, trazendo a filosofia de pensadores franceses que criticavam o poder absoluto dos reis, administração colonial, monopólio comercial, intolerância religiosa e sistema de trabalho. A Inconfidência floresceu no ambiente de efervescência intelectual e política, como ocorria na Europa e Américas, em especial, com a independência (1776) das 13 colônias que deram origem aos Estados Unidos.

As novidades chegaram a Minas pelos livros, jornais, manuscritos e relatos orais de viajantes. Imbuído desse espírito, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, denunciou que altos tributos e monopólio comercial transformaram Minas, uma capitania rica, em lugar de pobreza. Mas havia um delator, Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819). O movimento foi abortado em 1789 e Tiradentes enforcado três anos depois.

Serviço

Exposição: A Inconfidência Mineira na memória do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

Local: Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, na Rua dos Guajajaras, 1.268, no Bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Aberta para visitação de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 17h30.

Entrada franca

Mais informações: www.ihgmg.org.br 

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Viver o Arquivo Público de Olinda (PE) é viajar nos encantos do tempo

Acervo conta, entre outras obras, com 70 mil fotografias e um documento de 1537.

Quando a reportagem chegou ao Arquivo Público Municipal de Olinda Antonino Guimarães estavam reunidos homens e uma mulher conversando em volta de uma mesa no térreo do prédio, que funciona na Rua de São Bento, no Sítio Histórico. O repórter foi se aproximando, ouvindo a conversa e a emoção se fez presente em um lugar tão rico de passado. Se a pauta era sobre o grande acervo material guardado ali, como 70 mil fotografias ou um documento de 1537, a preciosa memória dessas pessoas também mostrou ser um registro importante. Sabem como ninguém o quão fundamental é conhecer o ontem para a preservação do hoje, e o planejamento do futuro.

A Lei para o funcionamento da instituição é de 1975. Tratando-se de uma cidade histórica, caminhar pelas salas e andares do prédio é (re)descobrir um legado que vem de longe. O Foral, de 1537, é uma espécie de certidão de nascimento de Olinda e do surgimento do Brasil. Assim explicaram com toda atenção os funcionários do local: Aneide Santana e Alexandre Dias. Os dois, juntos com Flávio Santana, são servidores efetivos e cuidam de toda essa riqueza.

Naquela mesa do início da matéria, estavam com eles pessoas que se orgulham em se identificar como “Amigos do Arquivo”, amantes de Olinda. Como um dos maiores, se não o maior, conhecedor da história do nosso Carnaval, José Ataíde; o arquiteto Plínio Vítor; e o contador Joacir Lins. A dica, quando for lá, é parar e conversar com eles sobre a cidade. Escutar o que viveram e ouviram falar.

É comum encontrá-los reunidos, ou pelo menos um dos amigos, durante o horário de funcionamento, das 7h30 às 13h30, de segunda a sexta. O telefone é o (81) 3305-1150. A instituição recebe estudantes, pesquisadores ou outros interessados que buscam conhecer a cidade que é Patrimônio da Humanidade, concedido pela Unesco em 1982. Este título inclusive, explica Aneide, está intimamente ligado ao surgimento e estruturação do Arquivo. “Foi preciso realizar um trabalho difícil de levantar uma série de documentos para que a cidade fosse reconhecida”, afirmou.

Ele começou a funcionar com a atual estrutura, na casa da antiga residência da família Coelho Leal, na Rua de São Bento, em 1996. No que é considerada uma segunda fase importante. Até então, o Palácio dos Governadores era a sede do Arquivo. Já partindo das novas instalações, foram realizadas incursões em várias cidades do Brasil, sobretudo Rio de Janeiro, e do mundo em busca do material que hoje pode ser conferido em Olinda. Só em Portugal, o trabalho durou de 1996 até 2002.

Entrar no Antonino Guimarães, nome dado em homenagem ao líder comunista, é viajar no tempo com Duarte Coelho e as Capitanias Hereditárias, de 1537; conhecer o surgimento da Vila que nos deu origem; a invasão dos holandeses, pesquisar roupas, costumes de diferentes épocas. Assim como casarios históricos, ruas com traçados antigos. A vida que se tornou patrimônio e fez a Marim dos Caetés conhecida no mundo todo.

Além das fotografias; linha de impressos; hemeroteca; plantas, registrando construções centenárias; o espaço conta com biblioteca e área para estudos. Fora um jardim florido na entrada, que entrega a cada visitante um sopro de ar fresco como passaporte de uma instigante viagem no tempo.

Fonte original da notícia: Portal da Prefeitura Municipal de Olinda




Casarios do Ceará: memória e patrimônio material

Os casarios do Interior do Ceará têm um colorido encantador. A maioria dos imóveis é privada, porém a manutenção depende de políticas públicas.

Foto: Marcelino Júnior

Dentre os sítios históricos cearenses visitados pela reportagem, quatro – Aracati, Icó, Viçosa do Ceará e Sobral – foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em Icó, a primeira cidade reconhecida, em 1998, cerca de 320 imóveis antigos formam o conjunto arquitetônico e urbanístico tombado. Os demais reúnem outras centenas de casarões, sobrados, igrejas, mercados e teatros cujas memórias abrangem do século XVIII até o século XX.

Aracati tem um importante casario, de 270 imóveis, tombado pelo Iphan em 2000. A maioria deles está localizada na Rua Coronel Alexanzito, a antiga Rua Grande, construída nos séculos XVIII e XIX, no auge da economia do charque.

O patrimônio arquitetônico colonial de Viçosa do Ceará, construído a partir de 1695, ainda segue de pé, em boa parte, como o testemunho vivo de três séculos de história, uma das mais importantes vilas de índios do Brasil do século XVIII, tombado pelo Iphan em 2003.

Segunda cidade do Ceará que teve seu Sítio Histórico tombado, em 1999, pelo Iphan, ficando atrás apenas de Icó, Sobral, passou a ter todos os bens imóveis sujeitos à vigilância e a outros meios de preservação.

A história do Cariri começa pelos índios que dão nome à região. Passa pelos colonizadores, os escravos, as missões, a cana-de-açúcar, as casas de farinha, os cangaceiros e personagens. Mas esta pode ser a região do Ceará que menos preserva seu patrimônio material ou sua memória. Leiam mais sobre os casarios do Interior do Ceará ao longo deste DOC.

Fonte original da notícia: Diário do Nordeste




Após reforma, aumenta o número de visitantes no Arquivo Público do Pará

O prédio histórico de estilo neoclássico, inaugurado em 1884, guarda a memória não só do povo paraense, mas de toda a região amazônica e de estados como Tocantins e Maranhão.

O prédio histórico de estilo neoclássico, inaugurado em 1884, guarda a memória não só do povo paraense, mas de toda região amazônica. Foto: Agência Pará

Após três anos de obras que garantiram uma reforma minuciosa, o Arquivo Público do Estado do Pará (Apep) foi entregue à população paraense no dia 24 de outubro de 2017 e, em quase três meses de funcionamento, o prédio passou de quatro visitantes diários para uma média de 20.

“Essa foi, sem dúvida, a melhor resposta do público. No mês de dezembro, por exemplo, o Apep trouxe 126 pesquisadores atrás de informações históricas, em um espaço novo e confortável. Essa volta do pesquisador ao nosso espaço revela o quanto o Arquivo Público é importante para a população”, disse o diretor Leonardo Tori.

O acervo

O prédio histórico de estilo neoclássico, inaugurado em 1884, guarda a memória não só do povo paraense, mas de toda a região amazônica e de estados como Tocantins e Maranhão. Instituição ligada à Secretaria de Estado de Cultura (Secult), o espaço possui mais de quatro milhões de documentos, entre escrituras, inquéritos e iconografias, produzidos a partir do século XVII.

O documento mais antigo do arquivo data de 1649 e mostra as demandas administrativas do capitão-geral de Belém para o rei de Portugal, com pedidos de fardamento, pólvora e alimentação. Já o último documento protocolado é um boletim de ocorrência da Polícia Militar do Estado, de 1986, ano inclusive, da última reforma do prédio.

A reforma

Durante os três anos de obras, todos os documentos foram retirados do local para que a integridade pudesse ser mantida e o trabalho realizado de forma completa. Toda a fiação elétrica e hidráulica foi refeita, a refrigeração modernizada e levada para todas as áreas do prédio, além da instalação de móveis novos, reforma de espaços e a aquisição de aparelhos modernos que ajudam no trabalho do Arquivo, desde a identificação até a restauração e manutenção de documentos.

Digitalização

Outra conquista do Apep nos últimos anos foi a possibilidade de digitalizar parte de seus arquivos. Em três anos de reforma, foram digitalizadas 120 mil imagens, para preservar o acervo e facilitar a pesquisa. Em 2018, a meta é digitalizar mais 50 mil documentos.

No arquivo público, qualquer cidadão pode ter acesso a diversos tipos de serviço, como, instrumentos de gestão e transparência pública, serviço de informações aos cidadãos, pesquisa em Diário Oficial, serviços de pesquisa histórica, serviço de memória local, serviços de ação cultural, visita guiada, emissão de certidões probatórias e reprodução de documentos.

Formada em História, Milena Moraes trabalha com o projeto do Centro de Memória do Instituto Carlos Gomes, e vem frequentando o Arquivo Público desde o início do ano em uma pesquisa minuciosa. “Só aqui consegui encontrar o documento original de fundação do Conservatório, que não existe nem mesmo no site da Biblioteca Nacional. Encontramos um vasto material para a pesquisa, contando ainda com o conforto e bom atendimento dos servidores do local”, disse a historiadora.

Diego Leal, 29 anos, universitário de História, foi atrás de documentos sobre o processo de desapropriação do Parque Zoobotânico Museu Emílio Goeldi. “Aqui encontrei relatórios e falas dos governantes na época da criação do Museu. Estou vindo há um mês direto e acho o espaço fundamental para a gente ter acesso a documentos importantes, de diversas fontes, para essa minha pesquisa acadêmica”, disse o universitário.

Serviço: O Arquivo Público está disponível para consultas, pesquisas e visitações espontâneas e programadas no espaço localizado na Travessa Campos Sales nº 273, entre 13 de Maio e Manoel Barata. O horário de funcionamento é de 8h às 15h, de segunda a sexta-feira. Os agendamentos de visitas em grupos pode ser feito por meio do e-mail apep.secult@yahoo.com.br. Mais informações pelo telefone (91) 4009-4350.

Fonte original da notícia: G1 PA




Imóvel histórico vai para o chão no Centro de Jaraguá do Sul (SC)

Foto Eduardo Montecino/OCP

Foto Eduardo Montecino/OCP

Reconhecida como bem histórico cultural de Jaraguá do Sul em 2014, a construção de 1968 popularmente conhecida como Bar e Lanchonete Boaventura foi demolida. A notificação de proteção dada pelo Setor de Patrimônio Histórico foi revertida por decisão do Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural), ainda em abril desse ano, e nos últimos dias a estrutura deixou de fazer parte da paisagem já comum aos jaraguaenses que paravam ou passavam pela esquina da Procópio Gomes de Oliveira com a Barão do Rio Branco.

O pedido para demolição partiu da família, segundo informação do setor, e a exclusão Cadastro do Inventário de Bens Culturais foi concedida pela maioria dos membros do conselho. O imóvel estava com nível de preservação 3, o que na prática significava que seria possível construir nos fundos e até mesmo serem feitas intervenções externas e internas, é o grau mais leve da legislação.

O imóvel foi construído pelo comerciante José Boaventura, que desde 1954 atuava no segmento na cidade. A ligação do local com a memória da cidade foi reconhecida, inclusive, em 2006, na ocasião da comemoração dos 130 anos da fundação de Jaraguá do Sul. Entre os agricultores, industriais e comerciantes mais antigos da cidade que receberam homenagem devido à contribuição com o desenvolvimento do município, estava José Boaventura, por oferecer há mais de meio século serviços como comerciante na área de alimentação.

Prédio da Antiga Sebus também teve proteção revertida

Pelo menos três imóveis reconhecidos pelo Patrimônio Histórico municipal tiveram proteção revertida por decisão do Comphaan neste ano. Além do Bar e Lanchonete Boaventura, a casa Moretti, localizada no bairro Nereu Ramos, foi destombada a pedido da Prefeitura de Jaraguá do Sul que apontou risco de desabamento do imóvel – atualmente abandonado e com parte da estrutura cedida. A casa deve ser demolida para construção de uma rotatória no local.

O terceiro patrimônio que o conselho revogou a notificação de tombamento foi do imóvel que abrigou a antiga Sebus, na rua Domingos Rodrigues da Nova. E outros procedimentos pedindo reversão estão entrando no setor de Patrimônio Histórico.

O Comphaan, responsável por analisar os pedidos, é um conselho composto por 18 membros, metade representantes da administração pública e o restante são representantes de setores da comunidade.

Fonte original da notícia: OCP Online




Porto Alegre (RS) – Proposta tomba a Estado Maior da Restinga como patrimônio da Capital

Foto: Divulgação/Internet

Está em tramitação, na Câmara Municipal de Porto Alegre, projeto de lei que tomba como patrimônio cultural imaterial e material do Município a Sociedade Recreativa e Beneficente Estado Maior da Restinga e sua sede. O proponente da ação é o vereador Cassio Trogildo (PTB). “Esta proposição busca salvaguardar esse patrimônio cultural de Porto Alegre, que, por sua história, deve ser caracterizado como espaço destinado às manifestações artístico-culturais dos munícipes”, lembra o vereador.

A Estado Maior da Restinga, atualmente localizada na Estrada João Antônio da Silveira, n°2355, foi fundada em 20 de março de 1977 por um grupo de moradores. A entidade tem o objetivo de “promover o desenvolvimento, preservação da memória do carnaval através de atividades, projetos e ações sociais, culturais e educativas junto à comunidade, de forma a fortalecer os laços familiares e grupais”.

Vereador Cassio Trogildo (PTB) é o autor do projeto. Foto: Ederson Nunes/CMPA

Esta escola de samba é conhecida na Capital e no estado do Rio Grande do Sul, recebendo premiações por sua atuação e revelando talentos na área de composição de sambas carnavalescos. Ela já representou o estado em outras regiões do país e no exterior. Deste modo, contribui para a permanência da cultura carnavalesca em Porto Alegre e no RS.

Texto: Adriana Figueiredo (estagiária de jornalismo)/Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

Fonte original da notícia: Câmara Municipal de Porto Alegre

Nota da Defender – Primeiro: não se “tomba” nada como Patrimônio Cultural Imaterial, o correto é “Registrar”; Segundo: o Legislativo não tem poder para tombar ou registrar nada, isso cabe ao Executivo.




Entenda o registro de expressões culturais relacionadas a religiões

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem como missão identificar e reconhecer práticas culturais diversas para fortalecer identidades, garantindo o direito à memória e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do País. As religiões em si não são passíveis de tombamento ou registro. Entretanto, o Iphan reconhece expressões culturais relacionadas a diversas religiões e instituições de cultura que atuam na preservação de lugares e práticas culturais relacionadas às religiões.

Respaldado pelo institutos do tombamento (Decreto-Lei 25/37), inventários e registros (Decreto 3.551/2000), a atuação do Iphan está pautada no reconhecimento de bens de natureza material e imaterial.

Em relação aos bens materiais, considera “coisas móveis ou imóveis” de excepcional valor histórico, arquitetônico, entre outros, por meio do tombamento, cujos efeitos legais de proteção recaem sobre o aspecto da materialidade do bem. Há vários exemplos deste tipo de tombamento relacionado ao universo da religião, tais como terreiros de Candomblé e diversas igrejas católicas.

Já no campo do patrimônio imaterial, o registro é um instrumento legal de preservação, reconhecimento e valorização do patrimônio imaterial do Brasil, composto por bens que contribuíram para a formação da sociedade brasileira. Esse instrumento se refere a celebrações, lugares, formas de expressão e saberes, conhecimentos e técnicas que os grupos sociais reconhecem como parte integrante do seu patrimônio cultural. O Brasil já registrou práticas culturais de matriz africana, indígena e católica, a exemplo do Tambor de Crioula no Maranhão, Círio de Nazaré, Ritual Yaokwa dos Índios Enawene Nawe no Mato Grosso, Festas do Divino de Pirenópolis (GO) e Paraty (RJ), Lavagem do Bonfim, dentre outras, e ainda de práticas de matriz africana, como a Capoeira, o Ofício de Baiana, o Jongo no Sudeste, o Samba de Roda do Recôncavo e tantos outros.

Por Assessoria de Comunicação

Fonte original da notícia: Ministério da Cultura




Governo vai criar cinemateca para preservar memória e dar visibilidade ao cinema pernambucano

Acervo poderá ser acessado por estudantes, professores e pesquisadores.

Espaço vai auxiliar na preservação da história do cinema pernambucano, que tem entre clássicos Aitaré da Praia (1925). Foto: Cinemateca Brasileira/Divulgação

O projeto da Cinemateca pública Pernambucana vai sair do papel. Com investimentos do Ministério da Educação e parceria entre a TV Escola, a Fundação Joaquim Nabuco e a Universidade Federal de Pernambuco, o equipamento cultural tem o objetivo de criar um acervo com o máximo de informações sobre a produção audiovisual pernambucana.

Será criada uma unidade da Coordenadoria do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, que funcionará em Casa Forte. A previsão é abrir ao público no início de 2018. A cinemateca será coordenada pela gestora do Cinema da Fundaj, a jornalista e fotógrafa Ana Farache, e pelo professor Paulo Cunha, da UFPE. “Estamos em fase de implantação e criação da equipe. Teremos um sistema de preservação ativa. Não é só catalogar, mas também promover exibições periódicas, debates e difundir o audiovisual do estado”, explica a coordenadora.

Segundo Ana, a ideia é criar uma plataforma online de acesso aos filmes, de acordo com o contrato estabelecido com cada realizador que depositar sua obra no acervo. “Vamos trabalhar primeiro com a matriz digital, catalogando as produções de acordo com tema, filme, diretores e criar uma busca ampla com vários caminhos”, aponta. O investimento inicial do projeto é de R$ 1 milhão.

“Pernambuco é referência na produção cinematográfica desde o século passado, sendo protagonista de diversos movimentos como o Ciclo do Recife e o Super-8. Temos que preservar essa memória, aliada ao compromisso de fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual em Pernambuco e ser um centro avançado de estudos e pesquisas no Nordeste, contribuindo para a formação cultural de estudantes e professores”, afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho, através de assessoria de imprensa.

A cinemateca também estará aberta para receber conteúdos extras das produções, como roteiros e cartazes. O acervo poderá ser acessado por estudantes, professores e pesquisadores. Os interessados em enviar material podem encaminhar propostas e sugestões através do e-mail cinematecapernambucana@gmail.com. Haverá ainda a criação de um cronograma para recuperação de trabalhos raros e peças esquecidas, além de um espaço depositário para filmes em lata, adequado para a conservação dos rolos. A Cinemateca Brasileira está dando suporte técnico ao projeto.

Fonte original da notícia: Diário de Pernambuco




Mais de 150 casos de abandono de patrimônio histórico são acompanhados pelo MPF no Pará

Último levantamento feito pela Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém aponta que somente no centro histórico da capital existem pelo menos seis mil imóveis e boa parte está em situações precárias.

G1. Reprodução/Internet

Mais de 150 casos de abandono de patrimônio histórico são acompanhados pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará. Segundo o órgão, se esses locais não forem preservados, pode ser apagado um pedaço da memória paraense. Muitos prédios em Belém já foram imponentes, clássicos e charmosos. Hoje, parte da arte esculpida por mãos talentosas, ricas em história e cultura, se perdem em meio ao descaso e a falta de manutenção.

O abandono toma conta de diversos espaços históricos de Belém. O antigo prédio do Instituto Estadual de Educação do Pará (IEEP) está fechado há quatro anos. De fora, dá para ver que o prédio não passa por manutenção há um bom tempo. As paredes estão cheias de infiltrações e raízes e as janelas estão quebradas. Dentro dele a situação é ainda mais complicada.

O último levantamento feito pela Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém aponta que somente no centro histórico da capital existem pelo menos seis mil imóveis e boa parte está em situações precárias.

“O grande problema é falta de gestão desse patrimônio. Precisamos de uma gestão integrada por todas as esferas, federal, estadual e municipal”, diz a presidente da Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém Nádia Brasil.

O Ministério Público Federal (MPF) acompanha 168 casos relacionados ao abandono do patrimônio histórico no estado. “Há casos em que o IPHAN tem a responsabilidade de fazer a conservação do bem e não consegue porque não tem recursos orçamentários para tanto. O problema de distribuição de verba é um problema de opção politica. Falta nesse país uma maior preocupação com cultura e educação”, avalia o procurador da República José Potiguar.

O Palacete Faciola, com seu estilo arquitetônico neoclássico, está totalmente abandonado. Já o Palacete Pinho, que um dia foi revitalizado, hoje está fechado, sem nenhuma finalidade. E a falta de manutenção é visível. “O não uso fez com que ele entrasse em uma deterioração que força uma nova aplicação de verba pública lá para torná-lo útil e em condições de utilização”, diz o procurador. Outro exemplo de abandono é o centenário prédio do Mercado de São Bras. Muita história já se perdeu por lá.

Preservação

O Museu de Artes da UFPA já esteve abandonado, mas hoje está totalmente recuperado. As pinturas e toda a arquitetura foram mantidas. Os móveis são originais. O local guarda acervos antigos e também funciona como salão de exposições. “Um prédio como esse é importante não só para a Universidade, mas para a memória coletiva da população paraense. Prédios como esse guardam memória que pertence a todos”, diz a diretora do museu Jussara Derenji.

“O prejuízo é irrecuperável para a nossa memória, para a nossa identidade. Não se pode colocar outra coisa no lugar”, diz Nádia Brasil.

A prefeitura informou que existe um projeto de recuperação do complexo de São Brás e que busca parcerias com a iniciativa privada. Enquanto isso, reparos emergenciais estão sendo realizados no mercado.

Sobre o Palacete Pinho, a prefeitura disse que já realizou todos os levantamentos necessários para revitalizar o prédio e agora vai iniciar a fase de licitação.

Já sobre o prédio do IEEP, a Secretaria de Educação do Pará informou que em 2014 executou uma reforma geral em algumas áreas, mas que não teve permissão do IPHAN para fazer a reforma na parte tombada do prédio.

Quanto ao Palacete Faciola, a Secretaria Estadual de Cultura informou que a primeira parte da obra de consolidação estrutural foi concluída e agora a secretaria tenta conseguir recursos para continuidade da obra de restauração do prédio.

Fonte original da notícia: G1 PA




Visitantes de museu em Belo Horizonte (MG) podem se divertir montando maquetes

Reprodução Facebook/Divulgação

O Museu de Artes e Ofícios (MAO), localizado na Praça da Estação, no Centro da capital, está promovendo o projeto “Conhecer para Cuidar”. A ação busca despertar o interesse da população pela memória e o cuidado com o patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Os visitantes quem forem ao museu durante o projeto, além da visita, vão poder levar para casa uma maquete em paper-toy do MAO.  As maquetes são em miniaturas de papel e têm três dimensões. A miniatura é montada por grupos de visitantes durante as oficinas do projeto.

Para participar, os visitantes precisam se inscrever no site do museu. O projeto vai até o dia 12 de agosto, com exceção aos dias 06 e 07, quando o museu não abre. A visita e montagem da miniatura duram em torno de 2 horas, podendo se estender.

As oficinas são abertas ao público geral, a partir dos 08 anos de idade. Os participantes visitam o Museu e em seguida realizam uma oficina lúdica para montagem das maquetes do prédio do MAO. No local, as maquetes são montadas por grupos de 10 visitantes. Entretanto, cada um dos participantes leva pra casa um kit para fazer a própria miniatura.

Serviço

Quando? de 1 a 12 de agosto, exceto 6 e 7 (domingo e segunda-feira).

Quanto? Gratuito

Horários? De terça a Sexta: de 08h30 às 11h30 ou 13h30 às 16h30 / Sábados: de 09h30 às 12h00 ou de 14h00 às 16h30

Classificação? A partir de 8 anos

Onde? Museu de Artes e Ofícios – Praça Rui Barbosa, 600, Centro

Faça a inscrição clicando aqui. Mais informações pelos telefones: 32488621 / 32488614, ou pelo evento no Facebook.

Fonte original da notícia: BHAZ