Conheça o Serro, região de Minas Gerais que produz os queijos mais premiados do Brasil

Cidade, na região da Serra do Espinhaço, é rica em igrejas, casas coloniais e ruas de pedra.

Jorge Brandão, produtor e criador do museu dos queijos – Ana Branco / Agência O Globo

Chegar ao Serro é uma espécie de viagem no tempo. A cidade, que faz parte da Estrada Real e do Caminho dos Diamantes, é uma joia do patrimônio histórico de Minas Gerais. Localizada na região da Serra do Espinhaço, é rica em igrejas, casas coloniais e ruas de pedra. No seu entorno, são muitas as fazendas e os cenários naturais. O clima, temperado de altitude, garante dias quentes e noites frias, além de uma agradável temperatura média de 17 graus.

É nessa cidade que é produzido o queijo do Serro, um patrimônio alimentar brasileiro, feito de maneira artesanal por pequenos produtores. Uma sabedoria que conquistou chefs como Roberta Sudbrack, que durante o Rock in Rio, viu-se em meio a uma polêmica com a Vigilância Sanitária. Depois de ter confiscados e destruídos os ingredientes artesanais que usaria em seu quiosque no festival, ela cancelou sua participação no evento, mas não sem antes chamar a atenção para um problema que atinge os pequenos agricultores e produtores brasileiros: a dificuldade de produzir e vender em meio a uma legislação intensamente burocrática. Na época do festival, a Vigilância Sanitária argumentou que os queijos que a chef trouxera de Minas Gerais não possuíam o SIF, um selo de inspeção federal.

— A voz da gastronomia é o pequeno produtor. É por meio desse saber, desse fazer, da manutenção desse modus operandi, que a história da nossa cultura gastronômica se expressa e se sustenta, aliada ao trabalho dos cozinheiros, que ajudam a ecoar essa voz do terroir brasileiro — afirma Roberta.

Diferentes queijos produzidos na região do Serro – Ana Branco / Agência O Globo

Além de Roberta Sudbrack, outros chefs renomados têm declarado seu apoio ao produto artesanal brasileiro. São nomes como Laurent Suaudeau, Felipe Bronze, Thomas Troisgros, Rodrigo Oliveira e Jefferson Rueda, além do presidente do Slow Food International, o italiano Carlo Petrini, e de seu vice, o brasileiro Georges Schnyder. De fato, nossos ingredientes têm feito bonito até em premiações internacionais. Em uma competição na França, concorrendo com 37 países, a Fazenda Pedra do Queijo, de Minas Gerais, ganhou as medalhas de bronze e de prata com os queijos do Serro, Gir e Kankrej.

No comando da fazenda está Túlio Madureira, quinta geração de sua família a produzir queijo regional e o presidente da Associação de Produtores de Queijo Artesanal do Serro. Ele aprendeu o preparo do queijo com o pai e contou com a ajuda de pesquisadores para trabalhar a maturação:

— Tomamos cuidado desde o pasto, porque a alimentação dos animais e o clima interferem no sabor. Os fungos do nosso terroir são os mesmos dos queijos franceses. Nossa microbiota (ecossistema) é riquíssima — diz Túlio.

O chef Rafa Costa e Silva, do premiado Lasai, usa os queijos produzidos por Túlio Madureira em seu restaurante.

— O Kankrej é curado por 45 dias em ambiente natural. Talvez seja o melhor queijo brasileiro que eu já tenha provado. Ele é forte de sabor, cremoso e úmido por dentro, com casca maturada, ligeiramente amarelada, resistente e levemente picante.

Teresa Corção, d’O Navegador, é só elogios:

— Surpreende por seu sabor intenso e sutil, diferente de outros queijos.

O produtor Jorge Brandão Simões, também da região do Serro, costuma dizer que trabalha com queijos desde antes de nascer.

Túlio Madureira e Bento José, da Fazenda Pedra do Queijo, cujos queijos foram premiados na França – Ana Branco / Agência O Globo

— Já batia massa quando estava no ventre de minha mãe — brinca ele, que construiu um minimuseu para resguardar as tradições da produção de queijo. — Fazemos tudo na madeira. Quando ela é substituída pelo inox, o queijo fica ácido e perde as suas características. Conseguimos o registro da imaterialidade do queijo como patrimônio nacional, os burocratas precisam tratá-lo com respeito e carinho.

A chef Roberta Sudbrack faz coro com Jorge:

— Os queijos brasileiros, assim como os embutidos e todo esse trabalho artesanal, precisam ser valorizados, mas acima de tudo respeitados. As leis arcaicas precisam de revisão para que esse patrimônio cultural imaterial não morra sufocado. A produção artesanal precisa conquistar o direito de circular, mostrar sua cara e o seu valor para todos.

Quem sabe assim, no futuro, além da Estrada Real e do Caminho dos Diamantes, Minas Gerais terá também sua Rota dos Queijos.

Por Andrea D’Egmont. A equipe viajou a convite do Sebrae Minas Gerais

Fonte original da notícia: O Globo




É oficial: o Rio Doce está completamente morto

Peixes mortos no leito do Rio Doce: moradores e pescadores relatam cenário de horror ao longo do seu curso. Foto: Associação dos Pescadores e Amigos do rio Doce

O rompimento das barragens em Mariana-MG é um desastre social – nove mortos e 18 desaparecidos já foram contabilizados até o momento. Aos poucos, porém, uma outra face da tragédia vem se revelando: o desastre ambiental provocado pelo rompimento. Por enquanto o Rio Doce – o mais importante de Minas Gerais – é a principal vítima. Especialistas já declaram que ele está oficialmente morto.

Uma análise laboratorial encomendada após o desastre encontrou na água do rio partículas de metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio. Segundo Luciano Magalhães, diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guando, órgão responsável pela análise, “parece que jogaram a tabela periódica inteira” dentro do rio. Segundo ele, a água não tem mais utilidade nenhuma, sendo imprópria para irrigação e consumo animal e humano.

Além desses metais pesados, a própria força da lama prejudicou a biodiversidade do rio para sempre – ambientalistas não descartam a possibilidade de que espécies endêmicas inteiras tenham sido soterradas pela lama. A quantidade de lama é tamanha (cerca de 20 mil piscinas olímpicas) que o rio teve o seu curso natural bloqueado, fazendo com que perdesse força e formasse lagoas que também não devem ter vida longa, já que, além dos minérios de ferro, esgoto, pesticidas e agrotóxicos também estão sendo carregados pelas águas.

Pescadores da região criaram uma força-tarefa para combater o problema. A Operação Arca de Noé quer atuar em regiões da bacia hidrográfica do Rio Doce que ainda não foram atingidos pela enxurrada, transferindo os peixes para lagoas de água limpa utilizando caixas, caçambas e lonas plásticas.

Ao visitar os locais atingidos pelo rompimento, a presidente Dilma Roussef declarou que a multa preliminar que a Samarco (mineradora responsável pela barragem) deverá pagar por causa dos danos ambientais gira em torno de R$ 250 milhões.

Fonte original da notícia: Revista Galileu




Ouro Preto (MG) – Exposição exibe recibos raros em comemoração aos 280 anos do nascimento de Aleijadinho

Na comemoração do maior artista do barroco brasileiro, exposição exibe recibos raros assinados por ele relativos à produção dos profetas, mas mistérios ainda exigem estudos.

Vitor Gomes examina uma fatura, original, de 1801, referente ao pagamento de parte do conjunto dos profetas. Foto: Beto Novaes/EM

Difícil conter a emoção diante da letra firme sobre o papel feito de trapos. Vale mais o silêncio e, minutos depois, a vontade de mostrar ao mundo a assinatura ou “caligrafia escultórica” de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, mineiro de Ouro Preto e patrono das artes no Brasil. Na semana do início das comemorações dos 280 anos de nascimento do escultor, entalhador, arquiteto e louvado (perito), com programação até novembro de 2018, brasileiros e estrangeiros poderão participar em Ouro Preto, na Região Central, de uma série de eventos culturais, entre eles uma exposição, Sobre riscos e pautas, juntando documentos firmados pelo mestre do barroco e a música do seu tempo.

O jubileu, que coincide com os 50 anos do Museu Aleijadinho de Ouro Preto, será também ótima oportunidade para especialistas se unirem e estudarem, a fundo, a vida e a obra de Aleijadinho, pois, nos últimos anos, muitas descobertas ganharam corpo sem a necessária oficialização pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “A história de Aleijadinho continua uma obra aberta. Nem tudo foi revelado, há muito por ser desvendado”, afirma o escultor, pesquisador de arte colonial e diretor de Patrimônio da Prefeitura de Congonhas, na Região Central, Luciomar Sebastião Jesus. Ano correto de nascimento (1737 ou 1738?), doença que o acometeu (foi lepra mesmo?), retrato oficial (verdadeiro?) e atribuição de obras sacras são enigmas que intrigam especialistas e confundem a cabeça do cidadão comum.

Apaixonado pela obra de Aleijadinho, e a vida inteira convivendo com obras-primas do mestre, a exemplo dos 12 profetas do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos e as 64 figuras esculpidas em cedro, nas capelas dos Passos da Paixão de Cristo, em Congonhas, Luciomar resume na palavra “genial” o legado do artista. “Muita gente põe em dúvida a existência dele e o volume do seu trabalho. Bem, se não acreditam em tudo, pelo menos devem saber, conforme os seis recibos do acervo de Mariana, que houve um gênio chamado Antonio Francisco Lisboa, que fez esse patrimônio e herdou a oficina de seu pai, o português Manuel Francisco Lisboa. Esse ateliê era itinerante, tinha funcionários e serviços em vários lugares. Em muitas imagens e retábulos, Aleijadinho dava uma lapidada, garantindo a sua identidade.”

Em 2014, durante as homenagens pelo bicentenário de morte de Aleijadinho – a data 18 de novembro de 1814 consta do atestado de óbito – a direção do Iphan anunciou a formação de uma comissão para fazer estudos detalhados sobre ele. “Nada evoluiu”, critica o secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, lembrando que 1738 se mantém como o ano aceito pelo Iphan, pois, na certidão de óbito há a informação de que o homem sepultado teria 76 anos. Integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e autor do livro Aleijadinho revelado – Estudo histórico sobre Antonio Francisco Lisboa, o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda indica 1737 como o ano de nascimento. Em homenagem ao mestre, 18 de novembro foi instituído como Dia do Barroco Mineiro.

Registro. Em Ouro Preto, Souza Miranda localizou o registro de batismo de Antonio Francisco Lisboa, filho da negra forra Isabel. “Os estudiosos certamente procuravam o registro apenas pelo nome do pai. A questão é que, naquela época, pelo direito canônico, era proibido que constassem do registro os nomes dos pais quando o casal não fosse formalmente casado. Daí só haver o nome da mãe no documento. Além disso, o costume era levar a criança à pia batismal logo após o nascimento.” A única data que se conhecia era a da morte, 18 de novembro, conforme consta do atestado de óbito. É curioso notar, no túmulo, que uma placa traz o sinal de interrogação ao lado do ano de 1738, que seria o do nascimento.

Souza Miranda acha fundamental o trabalho de um comitê, com equipe técnica e pesquisadores de universidades e uso de equipamentos modernos para solucionar incógnitas que cercam a vida do artista. “Não sabemos, por exemplo, se o quadro oficial, hoje no Museu de Congonhas, retrata a face do artista”, observa. Na avaliação dele, “há obras atribuídas de forma equivocada, deliberadamente ou não, a Aleijadinho, assim como outras que demandam investigação apurada. E mais: “A maioria das peças que ele fez, na verdade, 95%, foi para igrejas. E só trabalhou em Minas. Então, nada justifica que haja peças sacras atribuídas a Aleijadinho, no Palácio Bandeirantes, em São Paulo (SP)”.

Pelo visto, a história de Aleijadinho vai continuar como obra aberta. Segundo nota do Iphan, “a criação do grupo de trabalho se deu em função da necessidade de sanar possíveis dúvidas sobre a autenticidade de obras atribuídas ao mestre Aleijadinho. A comissão se reúne apenas sob demanda da presidência do Iphan. No momento não há nenhuma solicitação nesse sentido”.

Penacho barroco. Os documentos assinados por Aleijadinho, datados do fim do século 18 e início do 19, têm uma característica peculiar, a que os especialistas chamam a atenção. No final do sobrenome “Lisboa”, há o chamado penacho barroco, arremate que dá um rebuscamento à letra “a”. Na sala do Museu da Música, vinculado à Fundação Cultural da Arquidiocese de Mariana, o musicólogo Vitor Sérgio Gomes examina uma fatura, original, de 1801, referente ao pagamento de parte do conjunto dos profetas. “Ter nas mãos um recibo assinado por Aleijadinho é outro tipo de relação com a memória, é lidar com um personagem do qual ouvimos falar. Muito importante”, diz Vitor que, na sexta-feira, participou da abertura da mostra Sobre Riscos e Pautas, unindo o trabalho de Aleijadinho com o mestre de capela, organista e compositor João de Deus de Castro Lobo (1797-1832). A exposição vai até o dia 20, no prédio da Fiemg, na Praça Tiradentes, no Centro Histórico de Ouro Preto.

Os documentos expostos fazem parte de um acervo de 154 mil itens, dos séculos 18, 19 e 20, que estão no Palácio Getsêmani, da Arquidiocese de Mariana, informa José Eduardo de Castro Liboreiro, responsável pela parte de projetos da Fundação Cultural da Arquidiocese de Mariana. Nesse pequeno tesouro, estão processos, contratos, certidões, escrituras e outros de alto interesse para pesquisadores.

Obra Aberta
Polêmicas, descobertas, perguntas sem respostas e enigmas na vida e obra de Aleijadinho

Ano de nascimento

A data oficial é 1738, mas, no livro Aleijadinho revelado – Estudo histórico sobre Antonio Francisco Lisboa, o promotor de Justiça e integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais Marcos Paulo de Souza Miranda defende que é 1737. Em Ouro Preto, ele localizou o registro de batismo de Antonio Francisco Lisboa, filho da negra forra Isabel. E esclareceu que “os estudiosos certamente procuravam o registro apenas pelo nome do pai. A questão é que, naquela época, pelo direito canônico, era proibido que constassem do registro os nomes dos pais quando o casal não fosse formalmente casado. Daí só haver o nome da mãe no documento”.

Retrato oficial
Consagrado pelas imagens que brotaram de suas mãos, o gênio do barroco tem na própria fisionomia um mistério. O chamado retrato oficial está no Museu de Congonhas. Trata-se de óleo sobre pergaminho feito no século 19, por Euclásio Penna Ventura. Foi vendido em 1916 a um comerciante de Congonhas, identificado como Senhor Baerlein, proprietário da Relojoaria da Bolsa do Rio de Janeiro. A alegação de que se tratava do rosto do mestre do barroco se baseou na imagem representada ao fundo da pintura, em segundo plano, que parecia idêntica a uma obra de autoria do artista.

Rosto misterioso
Um fato curioso foi identificado pelo artista plástico, restaurador e pesquisador José Efigênio Pinto Coelho, residente em Ouro Preto. A repeito do quadro Jesus cai carregando a cruz, dos Passos da Paixão de Cristo, em exposição no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, ele sustenta que o pintor Manuel da Costa Ataíde (1762-1830) teria homenageado Aleijadinho retratando um soldado romano com seu rosto. Ele se baseou numa descrição do livro, de 1858, Traços biográficos relativos ao finado Antônio Francisco Lisboa, distinto escultor mineiro mais conhecido pelo apelido de Aleijadinho, de autoria de Rodrigo José Ferreira Bretas.

Altar da padroeira
Professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em arte sacra, Ivo Porto de Menezes, concluiu que o altar de Nossa Senhora da Piedade, na Serra da Piedade, em Caeté, na Grande BH, é de autoria de Aleijadinho. Segundo ele, o artista mudou a “organização” na peça esculpida em cedro por volta de 1770. “Antes, os riscos dos retábulos não contemplavam a parte inferior. Era da mesa do altar para cima. O artista modificou isso e prolongou as colunas laterais até o último degrau da escada que leva ao altar, denominada supedâneo”, explica um dos pioneiros do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG).

Três imagens
Depois de estudos iniciados em 2011, o restaurador e professor Antônio Fernando Santos atribuiu três peças, em Ouro Preto, ao artista: a imagem de Nossa Senhora da Guia, do acervo da Paróquia de Santa Efigênia, e duas também em madeira da Capela de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, mais conhecida como Mercês de Cima: São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato. Segundo Antônio Fernando, as esculturas da primeira fase de Aleijadinho, que vai de 1760 a 1774, representam a época em que a obra dele ainda exibia forte influência europeia. Ao contrário das demais imagens conhecidas na atualidade, os três objetos são na categoria “de vestir” e de “roca”, o que significa cabeça e corpo sobre estrutura de madeira que recebe roupas de tecido.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




MG – Estudantes da UFJF auxiliam na construção de capela e restauração de fazenda na Zona da Mata

Demandas em Juiz de Fora e Ubá contribuem para a melhoria nos espaços. Projetos são orientados por professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da instituição.

Fazenda Pedra Redonda, em Ubá, protegida por um decreto de tombamento. Foto: UFJF/Divulgação

Os alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) participam de projetos de extensão que atendem às demandas populares de diversas cidades da Zona da Mata. Os estudantes prestam apoio técnico à comunidade externa e a órgãos públicos.

O trabalho é orientado pelo professor Fábio Lima, do Grupo de Pesquisa e Extensão Urbanismo em Minas Gerais. Atualmente, dois projetos extensionistas são desenvolvidos pelo grupo: a construção da Capela de Santa Rita, em Juiz de Fora e o amparo técnico à Fazenda Pedra Redonda, em Ubá.

O primeiro é intermediado pelo padre Luciano Bonatto, que disse que o trabalho está trazendo bons resultados. “Os estudantes trouxeram uma proposta de construirmos a capela em formato de anfiteatro, pois assim não ficaria tão caro nivelar o terreno, que apresenta um declive”, afirmou.

No caso da Fazenda Pedra Redonda, que é protegida por um decreto de tombamento, o grupo fez visitas técnicas ao patrimônio, levantamentos fotográficos e análises documentais. O projeto extensionista é fruto de uma parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na qual os acadêmicos prestam apoio técnico ao órgão.

De acordo com a estudante Lara Scanapieco, o homem foi responsável, em parte, pela degradação do imóvel. “Constatou-se que, além da degradação provocada pelo tempo, que é um processo natural, houve ação humana. Retiraram intencionalmente esquadrias e telhas para acelerar o processo de deterioração da fazenda”, disse.

Para o professor Fábio Lima, as experiências práticas dos alunos nos projetos de pesquisa e extensão enriquecem as discussões do grupo de estudos, mas também contribuem com a população.

“Temos a oportunidade de atendermos às demandas da comunidade, que é a principal afetada pelos transtornos dos espaços urbanos e criarmos novas alternativas”, concluiu.

Fonte original da notícia: G1 Zona da Mata




MG – PBH é condenada a pagar indenização de R$ 3,5 mi por loteamento no entorno da Serra do Curral

O local é área legalmente tombada e considerada patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As obras, que já tinham sido embargadas em agosto de 2016, aconteciam no Bairro Comiteco.

Denúncias de invasão acontecem desde de 2011. Foto: Gladyston Rodrigues/EM

A Justiça condenou o Município de Belo Horizonte e um loteador a pagar indenização de R$ 3,5 milhões, por danos morais coletivos, devido a um loteamento e construções irregulares no entorno da Serra do Curral, na Região Centro-Sul da cidade. O local é área legalmente tombada e considerada patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As obras, que já tinham sido embargadas em agosto de 2016, aconteciam no Bairro Comiteco. A PBH informou que vai recorrer da decisão.

Na sentença, o juiz também determina que a área seja reabilitada pela prefeitura e pelo loteador. Além disso, a administração municipal deverá retirar as pessoas do loteamento irregular entre as Ruas Aldebaran e Monte Azul. Também deve inserir as famílias em programa habitacional do Município, caso preencham os requisitos, no prazo de 180 dias. Segundo o Juiz, caso a administração conclua pela possibilidade de regularização de parte do loteamento, que seja feito em um prazo de 180 dias.

O imbróglio em relação as construções no bairro são antigas. As denúncias de invasão e construção irregular de imóveis na região começaram em 2011. Com base em um inquérito civil daquele ano, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação. As investigações dão conta que a área invadira fica entre as Ruas Aldebaran e Monte Azul, e compreende as quadras 182 e 183. Elas são classificadas como áreas de proteção e diretrizes especiais e de interesse ambiental. Além disso, estão inseridas no tombamento no entorno da Serra do Curral.

Segundo o MPMG, as obras são clandestinas e de responsabilidade de um empreendedor que alega ser proprietário de 60 lotes no local, onde teria intenção de construir um condomínio fechado. Por isso, questionou a atuação da Prefeitura de Belo Horizonte, pois, segundo a promotoria, o loteamento deveria ser autorizado e submetido às diretrizes do Conselho de Patrimônio e da legislação vigente.

Foram apresentados boletins de ocorrência da Polícia Militar do meio ambiente e florestal que apontaram parcelamento clandestino e a supressão de vegetação e uma área de aproximadamente 23 mil metros quadrados. Nos documentos da PM constou que o terreno estava cercado com uma tela e um portão e tinha apenas uma entrada. Outras irregularidades apontadas foram edificações, já dotadas de energia elétrica e esgoto disperso por meio de duas fossas. Segundo o MP, elas podem contaminar o meio ambiente.

Decisão

Na decisão, o juiz Rinaldo Kennedy, da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal, reconheceu a caducidade da aprovação do parcelamento proposto em 1949 e, como consequência, tornou sem efeito a aprovação do loteamento ratificado em 1951. “A Serra do Curral se afigura como sendo um patrimônio histórico e cultural, e, nessa condição, devem ser a ela dirigidas políticas públicas visando preservar sua história, eis que de grande valia para a comunidade belo-horizontina”, afirmou o juiz.

O magistrado, segundo o Fórum Lafayette, avaliou que a área no entorno da Serra do Curral é protegida pela legislação. Além disso, considerou que as ocupações vão atrapalhar a vista do local. Diante disso, responsabilizou o município e o empreendedor a pagar indenização pelos dados causados no meio-ambiente. Ele afirmou que ficou comprovado que os acusados causaram dano moral coletivo, porque efetuaram ou permitiram o parcelamento do solo sem a autorização prévia do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

Além da indenização, o magistrado determinou que a Prefeitura de Belo Horizonte retire as pessoas do loteamento irregular entre as Ruas Aldebaran e Monte Azul e insira as famílias em programa habitacional do Município, caso preencham os requisitos, no prazo de 180 dias. Segundo o Juiz, caso a administração conclua pela possibilidade de regularização de parte do loteamento, que seja feito em um prazo de 180 dias.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que, por meio da procuradoria-geral da Justiça, irá recorrer da decisão.

Por João Henrique do Vale

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Comunidade e especialistas se unem para recuperar acervo de igrejas de Mariana (MG)

Laboratório restaura peças religiosas dos municípios atingidos pela lama da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, que rompeu há dois anos – José Cruz/Agência Brasil

Parte da história de três comunidades destruídas pelo rejeito da Mineradora Samarco parecia perdida depois da tragédia, há dois anos. Além dos pertences de centenas de famílias, três igrejas históricas dos distritos de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira foram invadidas pela lama. Mas nem tudo foi perdido. Comunidade e especialistas de diversas formações se uniram para resgatar os objetos sacros e partes das igrejas, para que fossem restaurados.

Para mostrar como a vida desses moradores foi alterada pelo acidente com a barragem da Mineradora Samarco, a Agência Brasil e a Rádio Nacional veiculam uma série de reportagens sobre a situação nas áreas atingidas pela lama. A tragédia completou dois anos no domingo (5).

O trabalho de recuperação desses objetos começou depois de um acordo entre o Ministério Público de Minas Gerais e a Samarco. A Fundação Renova, financiada pela mineradora para executar as ações de reparação pela tragédia, criou a Reserva Técnica, que hoje já tem mais de 2 mil peças, entre partes de altar, colunas, imagens de santos, pedaços minúsculos como cabeças ou mãos das estátuas.

Tudo estava espalhado entre uma área de mais de 100 quilômetros de lama e muita coisa ainda não foi encontrada. Da Capela de São Bento, cujo primeiro registro é de 1817, não sobrou mais que a fundação e os escombros. Para entrar na Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Gesteira, foi um ano de trabalho para retirar todo o rejeito que cobriu boa parte do prédio e do entorno. Foram usadas técnicas de arqueologia para recuperar parte dos objetos.

As peças foram resgatadas em estado de conservação variado. Algumas imagens ainda contavam com as apuradas técnicas de pintura e até mesmo os olhos de vidro dos santos. Já a estátua de Jesus na Via Crucis, da capela de Gesteira, perdeu quase todo o pigmento. A restauradora Mara Fantini diz que o minério de ferro contribui para esse desgaste.

Uma estátua de Jesus crucificado, considerada obra erudita por Mara, era analisada pela equipe de restauro no momento em que a reportagem esteve no local. Um microscópio digital ampliava um trecho da imagem em que se via três tonalidades predominantes. Um era a “carnificação”, como é chamada a pintura da pele. A outra, a chaga de sangue no peito. Uma terceira faz parte da história recente: a chaga de lama.

De acordo com a restauradora, nem tudo poderá ser recuperado. Tudo é analisado caso a caso. Mas a questão levantada pelo grupo – que deve ser decidida pela comunidade e pela Arquidiocese – é se elas deveriam ser restauradas. “Se são passíveis de ser restauradas, será que eles vão querer que restaure? Ou será que vão preferir que essas peças fiquem com as marcas dessa tragédia?”.

Novos valores

Peças de igrejas dos municípios atingidos pela lama da Barragem de Fundão passam por restauração – José Cruz/Agência Brasil

Nem tudo na reserva técnica é objeto sacro. Estão armazenados papel de bala e salgadinho, caderno antigo, microfone, colar, garrafa quebrada, flores de plástico, muita coisa que iria para o lixo em qualquer outra ocasião. Mas não ali. Depois da lama, cada detalhe conta uma história para a população atingida,afirma Mara Fantini.

“Porque a partir do momento em que aqueles objetos estavam dentro das capelas, e as comunidades reconhecem ao ver esses objetos… ah, é uma flor de plástico. Só que a essa flor de plástico foi agregado um valor que ela não tinha antes. É uma flor de plástico que estava no interior da igreja no momento da tragédia. Tudo é história”

Outros objetos têm importância para os costumes católicos, mas, fora de contexto, poderiam passar despercebidos. Uma garrafa pet com água que foi encontrada durante as escavações não parecia ser importante. Graças à tentativa de guardar absolutamente tudo que existia no interior das igrejas, ela foi levada. Ao ser limpa, foi encontrada uma etiqueta. Era água benta, que o padre havia levado para a comunidade dois dias antes da tragédia. “As pessoas se comoveram muito”, conta Mara. “Podem até usar para abençoar a nova comunidade”.

Tradição contra a depressão

Dois anos depois da tragédia, outro tipo de memória, que estava enterrada no cotidiano da comunidade de Gesteira, permite agora um recomeço para mulheres da parte alta do distrito, que não foi soterrada pela lama, mas sofreu com a perda da igreja, da escola, dos vizinhos da parte baixa, e que vão ser reassentados. É a culinária típica da região.

Feijão tropeiro com fubá, pipoca de polvilho, torresmo, couve rasgada. E os doces! Canutilhos feitos em forma artesanal, um a um, com recheio de doce de leite mole. Arroz doce com rapadura. Angu tolo. Tudo vai virar produto para a Cooperativa Rural de Gesteira, criada recentemente com o apoio da Renova. Uma das cozinheiras, Maria Claudiana da Costa, diz que os danos psicológicos na comunidade foram numerosos. As pessoas pensavam que Gesteira seria esquecida. O projeto, segundo ela, ajuda a transformar essa realidade.

“Antes dessas coisas acontecerem, nos primeiros meses a gente ficou muito abatido. Meu pai precisou passar no psicólogo. A gente ficou muito para baixo, principalmente os idosos. A gente falou: acabou…. agora, a nossa autoestima está voltando. Claro que a gente sabe que tem a parte negativa, mas também tem a parte positiva, que é essa daí, do doce… A gente realmente tinha um tijolo na mão e não valorizava. Isso era feito no fim do ano, para receber a família. Às vezes até perdia, ficava lá. Não tínhamos a consciência da riqueza – agora temos – e o valor da nossa comunidade”, conta Maria.

Por enquanto, a cooperativa recebe funcionários da Renova, expedições de jornalistas e demais pessoas que passam pela região. A venda de doces e artesanato, como bordados, também vai ser feita por encomenda. Já existe um pedido de Belo Horizonte, segundo as cozinheiras. Uma página no facebook foi criada para divulgar o trabalho.

Para não esquecer

Reunião da Comissão de Atingidos com moradores de Paracatu, dois anos após a tragédia do rompimento da Barragem do Fundão – José Cruz/Agência Brasil

Mesmo com os avanços, a memória que está viva entre os moradores e nas ruínas dos distritos não é esquecida. Na avaliação das vítimas, nem deveria. Para a Comissão de Atingidos, o Brasil tinha que preservar o que ficou, para ensinar às futuras gerações.

“A gente pretende que os nossos territórios se tornem espaços de reflexão, para que nunca mais se repita o que aconteceu aqui”, defende uma das integrantes da comissão, Luzia Nazaré Mota Queiroz.

O Termo de Transação de Ajustamento de Conduta, firmado entre a Samarco, a União e órgãos do Espírito Santo e de Minas Gerais, prevê a criação de “centros de memória”, mas, segundo a Fundação Renova, ainda não está definido como e onde esses centros serão criados. Uma coisa é certa: se depender das vítimas, o maior desastre socioambiental do país não será esquecido.

Sumaia Villela – Enviada especial* – Edição Graça Adjuto

*A repórter viajou a convite da Fundação Renova

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




Capela barroca do século 18 é reinaugurada em Conceição do Mato Dentro (MG)

Reinauguração de capela marca nova etapa da restauração de matriz do século 18 em Conceição do Mato Dentro, iniciada há dois anos e que deverá ficar pronta em 2018.

As obras ressaltaram a beleza das pinturas feitas sobre o reboco no templo barroco. Foto: Beto Novaes/EM

Alegria, música e emoção para celebrar um patrimônio barroco de Minas ainda desconhecido de muitos brasileiros e dos estrangeiros em visita ao país. Na tarde de ontem, depois de 12 anos de muita expectativa, moradores de Conceição do Mato Dentro, na Região Central, conheceram parte do restauro da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Agora livre dos andaimes, a Capela do Bonfim, no interior do templo, foi reinaugurada depois de obras que deram mais beleza às pinturas parietais originais (feitas diretamente sobre o reboco) recriando a Paixão de Cristo. No forro, podem ser contempladas a figura de Verônica e as representações das três virtudes (fé, esperança e caridade) e dos cinco sentidos emoldurando a Sagrada Família.

Na capela, que funciona como sacristia do templo, e só estará aberta à visitação pública no fim de toda a obra, os olhos se dirigem naturalmente para um arcaz de madeira escura com fechaduras e puxadores das gavetas dourados. Típico de igrejas coloniais, o móvel restaurado se destina a guardar vestes litúrgicas e alfaias. Ao ver o resultado de toda a intervenção, a moradora Maria Costa Lima Guimarães, a dona Maroca, de 95 anos, disse que não fazia ideia da beleza da restauração da sacristia. “Lindíssima! Maravilhosa! Quero viver o bastante para ver esta igreja toda pronta. Foi aqui que me casei em 1946 e onde batizei os meus 11 filhos. Esta igreja representa muito para minha família e significa também renovação da fé”, disse dona Maroca.

Os serviços de restauração dos elementos artísticos da matriz – anteriormente foram executadas as etapas civil e arquitetônica – tiveram início efetivamente há dois anos, mas há muito trabalho para a equipe técnica, pois a conclusão de todo o projeto está prevista para o fim do ano que vem. Os fiéis torcem para tudo terminar até 8 de dezembro, data consagrada à padroeira Nossa Senhora da Conceição. Entre as novidades apresentadas está o conserto do relógio inglês de 200 anos, que aciona o sino e marca a vida da população.

Detalhes da Capela do Bonfim, que funciona como sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Foto: Beto Novaes/EM

Presente à cerimônia, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, disse que a Matriz de Nossa Senhora da Conceição abre as portas para o turismo cultural e ecológico na região, destacando belezas e tesouros de Minas, que vão da Serra do Cipó até Diamantina, passando pelo distrito de Itapanhoacanga, em Alvorada de Minas, e a cidade do Serro. Já o secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, afirmou que há muitas obras de igrejas sendo conduzidas em Minas e espera que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas não seja uma frustração em Minas. Admirado com o resultado da restauração, o bispo de Guanhães, dom Jeremias Antônio de Jesus, ressaltou que a obra ficou, simplesmente, maravilhosa e valoriza o patrimônio de Conceição do Mato Dentro, de Minas e do Brasil. “Foi recuperada uma joia que estava perdida. Ver esta sacristia é como ir ao céu e voltar.” A cerimônia teve a participação de autoridades e houve uma apresentação da Orquestra Jovem da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes de Belo Horizonte.

Descobertas. Quem esteve na festa de reinauguração da sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição pôde admirar outras joias descobertas durante o restauro e mostradas pelo Estado de Minas no dia 25. A que causa maior encantamento, sem dúvida, está na capela-mor, onde especialistas encontraram 10 pinturas contando a vida de Nossa Senhora e de Jesus. As cenas bíblicas estavam escondidas sob camadas de tinta e agora resplandecem nos tons avermelhados originais.

Foto: Beto Novaes/EM

À frente da equipe de 38 pessoas, entre restauradores e auxiliares, alguns da cidade, e técnicos, Dulce Senra, da Cantaria Conservação e Restauro, com supervisão do Iphan, se entusiasma com cada detalhe da empreitada, em especial da capela-mor, com ações adiantadas no altar-mor e no retábulo colateral direito. As ações, no momento, se voltam para as tábuas do arco-cruzeiro e, na sequência, para o retábulo do lado esquerdo. Dulce diz que o maior desafio da obra foi retirar as camadas de tinta sem perda das pinturas originais, que têm ouro e prata. “Foi um trabalho de técnica e delicadeza”, afirmou.

Na capela-mor, causa um grande impacto ver as cenas da vida de Nossa Senhora e Cristo: As pinturas do início do século 18 trazem à luz A anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria, Visita a Santa Isabel, Adoração dos pastores, Visita dos reis magos, Apresentação de Jesus ao templo, A fuga para o Egito, O batismo de Cristo. O falso pastor, O verdadeiro pastor e A tentação de Cristo. No alto, no forro, está a Assunção de Nossa Senhora, original que foi repintado com a imagem de Nossa Senhora da Conceição e depois com a do Divino Espírito Santo.

Conforme estudos, o artista que fez as pinturas retratadas nos azulejos copiou as gravuras do livro de Bartolomeo Ricci, de 1607. Muito usadas como modelo pelos artistas coloniais, “as gravuras de Ricci estão nas parietais da matriz e reproduzidas com muita fidelidade ao original, com algumas modificações em que o autor coloca sua interpretação pessoal”. Os especialistas ficaram surpresos, pois não havia registros sobre os elementos artísticos da igreja.

O coordenador da obra, o engenheiro civil Alexandre Leal, destaca a umidade como um fator de risco para as pinturas do século 18 e adianta que foi feita a revisão na cobertura e tomadas as providências de segurança, a exemplo de parte elétrica, sistema contra raios e incêndios – projeto luminotécnico está previsto.

Tombada em 1948 pelo Iphan e interditada desde 2005, a matriz apresentava uma série de problemas estruturais e nos elementos artísticos. Entre as questões mais graves estavam a torre, a cobertura e o madeirame, que cedia lentamente, com risco de ruir. Os recursos para salvar a construção provêm da mineradora Anglo American, por meio de medida compensatória firmada, via termo de ajustamento de conduta (TAC), com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio dos promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, ex-coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), hoje na comarca de Santa Luzia, na Grande BH, e Marcelo da Matta Machado, de Conceição do Mato Dentro.

Os serviços em andamento estão a cargo da Cantaria Conservação e Restauro, com supervisão do Iphan. O projeto total está orçado em R$ 8,5 milhões, mas, segundo o administrador paroquial e reitor do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinho, padre João Evangelista dos Santos, deverão ser gastos cerca de R$ 10 milhões. A intervenção, a maior parte bancada pela Anglo American, já teve também recursos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, vinculada à diocese de Guanhães, e um aporte de R$ 350 mil da prefeitura.

Bandeirante iniciou obra

Segundo pesquisas, a edificação da Matriz de Nossa Senhora da Conceição começou por iniciativa do bandeirante paraguaio Gabriel Ponce de Leon, que chegou à região em 1702. “No ano seguinte, a mulher dele mandou vir de Itu (SP) a imagem da padroeira”, conta Rosângela Domingues, integrante da Cantaria, destacando que, em sinal de agradecimento por ter encontrado ouro, o desbravador pediu para ser enterrado na frente do altar-mor da igreja. Em 1722, o templo já realizava cultos, mas as obras se estenderam por todo o século 18, devido à falta de recursos para terminá-la. Só em 1722 o auxílio real permitiu que fosse dado prosseguimento às intervenções, concluídas há 210 anos. O valor histórico e cultural é ressaltado pela comunidade, e as pinturas internas, representando cenas da Paixão de Cristo, foram consideradas “das mais encantadoras e delicadas do patrimônio de arte religiosa do país” pelo primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898-1969).

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Mariana (MG) – Rompimento da Barragem do Fundão segue gerando transtornos até o oceano

Cruzes dão o tom do ambiente no povoado abandonado. Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press

Uma tragédia que não cessa segue avançando silenciosa sobre a memória da população de Bento Rodrigues, distrito do município de Mariana que há quase dois anos se viu no caminho da maior onda de lama de que se tem notícia na história do país.

O lago que se formou a 20 metros dos alicerces da capela de São Bento foi a saída que engenheiros da mineradora Samarco – responsável pela barragem que se rompeu em 5 de novembro de 2015 – encontraram para impedir que rejeitos continuassem a chegar ao Rio Doce.

Denominada dique S4, a estrutura é o último de quatro represamentos que detêm os córregos que vêm da área do desastre. Contudo, o reservatório capaz de reter 1,05 milhão de metros cúbicos de rejeito de minério frustra as esperanças que muitos fiéis ainda tinham de encontrar algumas das peças mais expressivas da fé e da cultura daquele povoado. Além de seguir corroendo outras partes do patrimônio da comunidade.

A uma semana de se completarem dois anos do desastre, percorrendo o caminho dessa tragédia, a equipe de reportagem do Estado de Minas mostra até o próximo domingo que a represa que vai solapando mais um pedaço da história de Bento Rodrigues está longe de ser o único reflexo de uma tragédia que não para de provocar danos.

Em 667 quilômetros de devastação, o rastro da lama segue assoreando rios, comprometendo a pesca e sujando até mesmo a praia na barra do Rio Doce, já no fim do trajeto da lama, na costa do Espírito Santo. Sem contar a tragédia humana das famílias que ainda lutam por indenização e para retomar seu estilo de vida, as multas não pagas e as ações judiciais de fim incerto.

Em Bento Rodrigues, comunidade mais afetada em toda essa extensão, a Fundação Renova, criada para gerenciar e executar ações de reparação, promove a guarda e a restauração de 2.300 relíquias históricas e religiosas encontradas sob os cerca de 20 milhões de metros cúbicos de rejeitos despejados entre a comunidade e a Represa de Candonga, já no município de Rio Doce.

Contudo, a própria equipe de restauro admite que isso não chega a 50% do que está perdido sob a lama. Peças de extremo valor para os fiéis e para a memória do estado continuam desaparecidas, entre elas a estátua de São Bento, o padroeiro da comunidade, de 60 centímetros, esculpida em madeira e folheada a ouro.

Conta-se que a imagem era tão querida pela comunidade que teria sido pintada para esconder as propriedades reflexivas do ouro – a fim de impedir sua transferência para um museu e também para deixar de atrair a cobiça de ladrões. “Desapareceu também o sino da igrejinha. Muitas peças ainda estão sumidas e mesmo assim resolveram fazer aquele lago. Aquela é a nossa memória, a nossa história. Eu morava bem em frente à capela e foi ali que batizamos e fizemos a primeira comunhão das nossas crianças. As coisas que sumiram tinham de ser encontradas e protegidas, não enterradas debaixo de mais minério e água”, reclama a comerciante Sandra Dometirdes Quintão, de 45 anos, uma das moradoras de Bento Rodrigues que o rompimento da barragem desalojou.

Outra estrutura que preocupa não apenas os atingidos, mas autoridades do Ministério Público e ligadas ao patrimônio histórico é uma peça de arqueologia que resistiu a três séculos de história, mas ameaça sucumbir sob o reflexo do desastre. Um muro erguido a cerca de 300 anos, no auge do Ciclo do Ouro, está submerso em mais da metade de sua extensão de 200 metros pela água represada no dique S4.

Uma incógnita debaixo d’água

Um “envelopamento” da estrutura, com sacos de areia e cimento, chegou a ser feito, sob a orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), algo que os próprios engenheiros não sabem ao certo se vai garantir a integridade da construção histórica. Tanto que a Samarco admite que em breve será necessário esgotar o dique para avaliar os efeitos das intempéries e da submersão sobre a estrutura tricentenária. E não sabem exatamente o que vão encontrar.

“Fizemos todo o recomendado pelo Iphan para proteger o muro, mas é algo que não se sabe, ainda, como vai ficar. É uma técnica praticamente experimental. Por isso, vai ser necessário esvaziar o reservatório para ver como está a situação”, admite o engenheiro Eduardo Moreira, da mineradora.

Uma das garantias que a empresa deu à população foi a de que a água não encobriria as ruínas de Bento Rodrigues. “Deixamos a marca máxima de altura que o nível do reservatório atingiria, justamente para que todos vissem até onde a linha d’água chegaria. Agora, vai depender do que a comunidade e a Fundação Renova vão decidir para o antigo Bento, para que o dique S4 possa ser desativado após a construção da barragem de Eixo 1, que deterá definitivamente os rejeitos de Barragem do Fundão”, disse Moreira.

Depoimento
Leandro Couri
repórter fotográfico

“A cada vez que retorno aos locais por onde a lama tóxica passou, destruindo tudo o que encontrou pelo caminho, começando pelos lugarejos próximos a Mariana, às margens do Gualaxo do Norte, passando pelo Rio Doce até chegar ao mar de Regência, no Espírito Santo, a melancolia bate à minha porta. Seja pelas ruínas espalhadas no distrito de Bento Rodrigues, completamente devastado e abandonado, seja pelos objetos que encontramos meio pavimentados pela grossa camada de rejeitos, mais visíveis nos arredores de Paracatu de Baixo, Gesteira ou da sede de Barra Longa. Ao mesmo tempo, há uma mistura de torpor e surpresa causada pela força natural que persiste em regenerar o que pensávamos estar morto. E, a cada fase que retorno e tenho a oportunidade de fotografar os locais, vejo a mutação, o desejo de se consertar em pouco tempo o que a natureza levou eras para transformar em meio ambiente. Trabalho de formiguinhas, é verdade. Mas ainda  muito preguiçosas e em pequeno número para reconstruir o que foi perdido.”

Enquanto isso…
História recontada

Se o desaparecimento de símbolos da comunidade é uma agonia, o resgate de peças muitas vezes tidas como de menor destaque faz ressurgir de forma espontânea o fervor religioso entre a população de Bento Rodrigues. Segundo Mara Fantini, que coordena a reserva técnica onde ocorre restauro e guarda do material recuperado, todos os objetos, por menos importantes que possam parecer, são catalogados e apreciados por técnicos e pela comunidade. Foi assim que uma garrafa PET deixada pelo padre com água benta foi encontrada na lama da igreja de Paracatu de Baixo e retornou como que por milagre à comunidade. “Pode parecer uma simples garrafa de água, mas sua sobrevivência ao ocorrido se traduziu em símbolo para a comunidade. E isso ocorreu com muitos objetos que numa primeira análise não teriam tanto valor”, conta. Segundo ela, já estão prontos os projetos executivos para a restauração e reconstrução dos quatro templos atingidos: as capelas de São Bento e Nossa Senhora das Mercês (Bento Rodrigues), de Santo Antônio (Paracatu de Baixo) e Nossa Senhora da Conceição (Gesteira).

Por Mateus Parreiras

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Ouro Preto (MG) – FAOP abre processo seletivo para Curso Técnico em Conservação e Restauro

Inscrições podem ser feitas até 21 de novembro, até às 12h, no site da Fundação.

Foto: Thiago Bonna

Quem vê as obras históricas expostas nas ruas, museus e galerias de Ouro Preto e região, muitas vezes não imagina o trabalho que existe a fim de preservar as esculturas, documentos, pinturas e imóveis. Os restauradores buscam reparar e promover ações que evitam a deterioração de peças importantes, seja móveis ou imóveis. Neste cenário, a Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP abre mais um processo seletivo do Curso Técnico em Conservação e Restauro para o primeiro semestre de 2018.

A Fundação forma profissionais técnicos de qualidade, capacitados para analisar, diagnosticar e intervir em papéis, pinturas de cavalete e esculturas policromadas. As áreas de atuação vão de ateliês a órgãos de preservação, incluindo museus, fundações, bibliotecas e toda e qualquer atividade relacionada à preservação e recuperação de patrimônio cultural.

O exame de seleção é realizado por meio de questões objetivas de língua portuguesa, química, elaboração de uma redação dissertativa e avaliação de aptidão visual e motora. São esses conhecimentos necessários para ingresso no curso. Para inscrever-se, os interessados devem ter concluído ou estar cursando a partir do 2° ano do ensino médio.

O exame de seleção é realizado por meio de questões objetivas de língua portuguesa, química e pela elaboração de uma redação dissertativa, conhecimentos necessários para ingressar no curso. Para inscrever-se, os interessados devem ter concluído ou estar cursando a partir do 2° ano do ensino médio.

As inscrições para o processo seletivo, no valor de R$60,00, acontecem pelo site www.faop.mg.gov.br de 23 de outubro a 21 de novembro, até às 12h.As provas serão realizadas no dia 3 de dezembro, das 9h às 12h e das 14h às 17h, em local a serem divulgados.

O resultado dos aprovados será publicado no dia 7 de dezembro no site da FAOP e na Casa Bernardo Guimarães, no Cabeças, em Ouro Preto/MG. Os ingressantes no curso são contemplados com a bolsa integral e devem cumprir, durante o curso, com os requisitos especificados no edital.

Serviço: Abertura do Edital do Curso Técnico em Conservação e Restauro

Data: 23 de outubro até 21 de novembro de 2017, às 12h

Público: Todos os interessados na área de conservação e restauro

Local: Casa Bernardo Guimarães

Informações: 3551-5052

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura de Minas Gerais




Época dourada: descubra os belos conjuntos arquitetônicos de Congonhas (MG)

Famosa por fazer parte do Ciclo de Ouro, a cidade desperta a curiosidade de visitantes, além de ser casa das obras de Aleijadinho.

Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, com as imagens dos profetas, é um dos mais visitados. Foto: Wellerson Athaydes/Divulgação.

O nome Congonhas vem do tipo de vegetação encontrada nos campos, uma planta que os índios chamavam Congõi, que, em tupi, significa “o que sustenta”, “o que alimenta”. Situada em um vale e rodeada de montanhas, a cidade alimenta a alma dos que desejam reviver uma época dourada. Pepitas de ouro do tamanho de batatas fizeram a fama do lugar, na era do Ciclo de Ouro.

Congonhas é também bastante procurada por suas festas religiosas, que reúnem mais fiéis a cada ano durante as romarias. Quem visita a cidade, além de se encantar com a beleza histórica, pode saciar o apetite com a deliciosa comida típica mineira. Essa cidade é considerada perfeita para o turismo e lazer, porque reúne arte, história, culinária e beleza num só lugar.

Foi nessa cidade que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, esculpiu, em pedra sabão, as famosas imagens dos 12 profetas em tamanho real, visitadas anualmente por milhares de turistas de toda parte do mundo. Pela proximidade de Brasília, é um destino que dá para ir num fim de semana.

As imagens erguidas no espaço frente à basílica representam a Vila Sacra . Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press.

As belas imagens ficam no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Seis capelas que compõem o Jardim dos Passos, em frente à basílica, representam a via Sacra, com belíssimas imagens esculpidas em cedro também por esse grande artista barroco. Em 1985, todo esse conjunto foi tombado pela Unesco e transformado em patrimônio cultural da humanidade.

Peregrinação e arte

Antes de ser a “Cidade dos Profetas”, Congonhas foi e ainda é um grande centro de peregrinação. Todo ano, o município reúne milhares de fiéis em busca de cura das suas aflições. São aproximadamente 5 milhões de peregrinos que visitam Congonhas entre 7 e 14 de setembro, período em que é comemorado no município o jubileu do Senhor Bom Jesus do Matosinhos.

O município tem como maior fonte de renda a extração mineral e a indústria metalúrgica, com destaque para a mina de Casa de Pedra — Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Mina da Fábrica, antiga Ferteco Mineração S/A — hoje incorporada à Vale — e  a Mina Viga, que atualmente pertence à Ferrous, e à Gerdau Açominas.

Os principais atrativos do município são a Basílica Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Romaria, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Rosário, museu da Imagem e Memória e o Parque da Cachoeira.

O museu, inaugurado em 2015, tem obras sacras e barrocas . Foto: Leo Lara/Iphan

Construído para potencializar a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, sítio histórico que, desde 1985, detém o título de patrimônio mundial, o Museu de Congonhas abriga importantes acervos que tratam das manifestações da fé no passado e no presente, como a coleção Márcia de Moura Castro, formada por ex-votos e santos de devoção; a coleção de livros do Fábio França, que é referência no Brasil sobre o barroco, a arte e a fé; além das réplicas e cópias de segurança dos profetas de Aleijadinho.

A instituição também promove um programa intenso de exposições temporárias. Ano passado, por exemplo, a mostra Agridoce, do artista Haroon Gunn Salie – que estabelecia uma relação da tragédia de Bento Rodrigues, em Mariana, com a realidade mineradora de Congonhas, foi escolhida pela crítica especializada como uma das melhores apresentadas no Brasil.

O espaço, inaugurado em 2015, fruto da parceria entre a Prefeitura de Congonhas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco no Brasil) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tem, ainda, forte atuação cultural. Em sua programação constam apresentações artísticas, como espetáculos musicais, de dança, teatrais.

Também se tornou um espaço para a produção de conhecimento, com a realização de conferências, seminários, oficinas e cursos diversos. Estudantes da região de Congonhas e de instituições de todo o país têm visitado o espaço diariamente para desenvolver projetos de extensão da sala de aula. Também se qualificou como um roteiro imperdível para os turistas que visitam Minas Gerais.

Cachoeiras

Nem tanto cultural, nem tanto religioso. O roteiro de Congonhas oferece paradas incríveis para admirar e apreciar a natureza. O Parque Ecológico das Cachoeiras é um complexo de lazer e turismo composto por uma cachoeira natural e diversas piscinas para adultos e crianças. Está localizado a cinco quilômetros do centro da cidade, com infraestrutura completa!

A beleza natural da Cachoeira de Santo Antônio, que tem área represada para banho, é somada ao complexo de lazer que o parque tem. Antes mesmo de ter a infraestrutura do parque, a queda já era atração entre os moradores da região.

Ao redor da Cachoeira de Santo Antônio há uma área de preservação ecológica com mais de 70 mil metros quadrados. Na mata preservada é possível encontrar diversas espécies da fauna (maritacas, bem-te-vis, pintassilgos, lontras, pacas e o tatu-bandeira) e flora (cedro, jacarandá, quaresmeira e amescla).

Caminhando pelo parque, é possível também encontrar diversas nascentes de água potável. O acesso até a cachoeira se dá por meio de uma estrada não asfaltada, porém em boas condições.

Visite

Parque Ecológico das Cachoeiras
Av. Tenente Horácio Coelho, s/nº, Bairro Campinho – Congonhas
Telefone: (31) 3731-1911
Cidade dos profetas

Fonte original da notícia: Correio Braziliense