Casarão tombado pelo patrimônio pede socorro em distrito de Ouro Preto (MG)

Último imóvel colonial de Cachoeira do Campo está escorado e tomado por mato. Prefeitura negocia com Ministério da Cultura repasse de verba para recuperar imóvel.

Plano da prefeitura é buscar R$ 1,3 milhão em recursos e transformar sobrado em Centro Administrativo de Cachoeira do Campo. Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

Um pedaço valioso da história de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto, na Região Central, está escorado por dentro e por fora, tomado pelo mato denso e à espera de medidas urgentes para garantir a preservação. Vizinho da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, construída no início do século 18 e palco de episódios épicos, o sobrado é o retrato do abandono e deixa apreensivos moradores, que se mobilizaram pela preservação, e visitantes desse que é o maior e um dos mais antigos distritos do município. Também preocupado com a situação, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira, afirma que recuperar o chamado Casarão da Praça se tornou prioridade. “Temos um projeto, planilhas atualizadas e estamos em entendimentos com o Ministério da Cultura para conseguir os recursos de R$ 1,3 milhão e executar a obra”, diz o secretário.

O objetivo da atual administração é transformar o solar erguido no fim do século 18 e início do 19 de propriedade do município no Centro Administrativo de Cachoeira do Campo, em cuja região vivem 10 mil habitantes. O prédio, único remanescente do distrito que já teve cerca de 200 casarões coloniais, deverá abrigar também agência bancária – “no distrito, só há caixas eletrônicos”, observa o secretário – correio e outros serviços, agregando, desta forma, conservação do patrimônio e melhor atendimento à população. No quintal com 2,5 mil metros quadrados e muitas jabuticabeiras, o plano é promover a revitalização da área, criando pontos de convívio sob as árvores.

Na manhã de quinta-feira, a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas pela Prefeitura de Ouro Preto, a arquiteta Débora Queiroz, acompanhou o Estado de Minas numa visita ao imóvel com frente para a Praça Felipe dos Santos. Cercado de tapumes, a edificação foi inventariada pela prefeitura em 2007 e desapropriada três anos depois para ser centro administrativo.

Uso Público.
Débora conta que o tempo passou e a ideia foi arquivada na gestão anterior até que, em 2015, o Ministério Público Minas Gerais (MPMG), por meio dos promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, ex-coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, e o promotor da comarca, Domingos Ventura de Miranda Júnior, interveio e pediu o escoramento, feito com peças de madeira e metal. “Por isso, não há perigo de desabamento”, assegura o secretário de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, esclarecendo que, “ao assumir a pasta e por conhecer a importância da edificação, coloquei toda a equipe para fazer os projetos, de modo a termos condições de buscar as parcerias institucionais para o restauro”.

Ao entrar por uma porta feita no tapume, e conhecer parte do imóvel que o matagal e as condições precárias impuseram limites, os repórteres do EM se lembraram da década passada, quando funcionava no primeiro andar um restaurante com comida caseira e muito saborosa. Muitos antes disso, segundo o secretário Zaqueu, o prédio foi residencial, sendo um dos proprietários a família Pedrosa.

Caminhando numa parte do quintal, Débora aponta um grande número de jabuticabeiras, fruta tradicional em Cachoeira do Campo, que fica a 22 quilômetros da sede municipal. “O restauro é realmente uma prioridade e terá grande importância para a região”, afirma a arquiteta. Desbotado pelo sol e pela chuva, o casarão tem um tom encardido, que não esconde a imponência de outras épocas e mostra um tipo arquitetura muito característico: na parte de baixo, portas para o funcionamento das antigas vendas e, na parte superior, moradia.

Comunidade espera por restauração

Moradores se mobilizaram para a compra do prédio, pela prefeitura, e sempre tiveram esperança de que ele voltasse a abrir as portas revitalizado.

Morador de Cachoeira do Campo e autor de livros sobre Ouro Preto, Alex Bohrer,  professor de história da arte e iconografia do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), destaca que o Casarão da Praça, como é conhecido pelos moradores, é o único que restou no distrito. “A comunidade se mobilizou muito para a compra do prédio pela prefeitura, e sempre existe muita esperança de que ele seja restaurado”, afirma o autor de Ouro Preto: Um novo olhar (2011) e da obra lançada recentemente sobre as igrejas e capelas dos 12 distritos do município.

Para Bohrer, as autoridades poderiam reservar um espaço, no prédio, para atividades culturais e preservação da memória. Ele destaca a relevância da história de Cachoeira do Campo no cenário nacional. Afinal, foi dentro da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, ainda em construção em 1708, que o português Manuel Nunes Viana (1670-1738) se sagrou, por aclamação popular, primeiro governador das Gerais. Eram tempos da Guerra dos Emboabas e Cachoeira do Campo foi campo da batalha mais sangrenta na disputa pelo ouro. Já em 1720, foi a vez da Sedição de Vila Rica, que teve como expoente Felipe dos Santos (1680-1720), que hoje dá nome à praça principal.

Conforme pesquisas, Cachoeira do Campo começou em 1700 e 1701, quando uma grande fome se abateu sobre os moradores da região das minas, os quais debandaram à procura de alimentos. Pela fertilidade do solo e amenidade do clima, o povoado se tornou, então, um dos centros de produção agrícola das minas de ouro recém-descobertas. O lugarejo atraiu agricultores, fazendeiros, senhores de terra e comerciantes. Começaram, a partir de então, construções pioneiras, entre elas, a ermida no local onde hoje se encontra a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Sacos de pão distribuídos nas padarias estampam a bacia hidrográfica de Poços de Caldas (MG)

Projeto é realização do grupo ‘A Cidade que Engole Rios’ e pretende conscientizar a população sobre os rios que percorrem a cidade.

Sacos de pão já estão disponíveis em padarias e supermercados da cidade. Foto: divulgação

Desde o início deste mês os sacos de pão de algumas padarias da cidade estão com um desenho diferente. O grupo ‘A Cidade que Engole Rios’ estampou o mapa de toda a bacia hidrográfica de Poços nas embalagens. A atitude acompanha as várias ações que o movimento promove para que a população tenha conhecimento dos rios e córregos que a cidade ‘engole’.

A ideia surgiu em um dos encontros do grupo. “O pão está na casa das pessoas todos os dias. Queremos disseminar o mapa hídrico da cidade, para que elas possam conhecê-lo, só assim teremos consciência da importância de preservá-los”, explica o participante do grupo, Dayron Teixeira Magalhães.

Adriana Rocha Araújo, da empresa Sanvel, foi uma das empresárias que apoiou o projeto. “Todos temos nosso papel na sociedade, o grupo teve uma ideia ótima e eu pude ajudar. Ao mesmo tempo, também passei a conhecer mais sobre Poços e suas águas”, confessa.

O objetivo do mapa no papel de pão é educar e conscientizar. Levar as pessoas a começar a olhar a cidade através das águas. “O mapa poderá ser utilizado nas escolas e universidades de toda a cidade. Assim ele não será simplesmente um papel de carregar os pães, e sim um mapa que, após carregar os pães, possa ser explorado de várias formas como um material didático”, explica Maria Carolina Nassif, outra integrante do grupo.

O mapa será disponibilizado gratuitamente para impressão a qualquer interessado. Para Dalmoni Lydijusse, o trabalho de educação patrimonial precisa fazer parte da vida dos cidadãos. “A arte pode provocar, alterar. Um simples objeto, esse saco de papel de pão, esse tipo de ação, nos permite imaginar que é possível atuar como cidadão. É possível erguer as mangas e discutir: que cidade queremos? Que paisagem vamos deixar como cidade às próximas gerações?”, indaga.

Os sacos de pão foram patrocinados por mais de 40 empresários de Poços, sem essa ajuda, o grupo não conseguiria levar a ideia a diante. Foram produzidos 30 mil sacos de pão com o mapa da bacia hidrográfica e o nome dos patrocinadores. Os sacos podem ser encontrados em várias padarias da cidade.

O grupo

O Grupo A Cidade Que Engole Rios é formado por arquitetos, urbanistas, ambientalistas, educadores, artistas e outros profissionais que se uniram com o objetivo de discutir os rumos urbanísticos da cidade após a enchente de janeiro de 2016 e causou danos consideráveis a imóveis, veículos e mercadorias de lojas.

A tempestade, que durou aproximadamente uma hora e inundou as principais ruas do Centro, evidenciou um problema não apenas de Poços de Caldas, mas de várias cidades brasileiras, as construções por cima dos rios. Para o grupo, essas construções acabam por não acomodar a vazão da água, visto que as margens e a superfície estão ocupadas por essas construções.

Onde você encontra os mapas:

Art Pão – Rua Peru (Jd. Quisisana)
Café Pão de Queijo – Rua Paraíba (Centro)
Fiorela – Avenida Francisco Salles (Centro)
Ki Sabor – Avenida Espanha (Parque das Nações)
Maeda’s – Avenida Antônio Carlos (Cascatinha)
Mais Sabor – Avenida Professora Magda Pinto Amarante (Jardim Hortência)
Morumbi – Rua Brasílio de Oliveira Valim (Morumbi)
Nosso Pão – Rua Junqueiras e Assis Figueiredo (Centro)
Nova Primavera – Rua Teodoro Stein Sobrinho (Jardim Primavera)
Saborella – (Cascatinha)
Supermercado Arco íris – Rua Paissandú (Dom Bosco)

Fonte original da notícia: Poços Já




Festa de Santo Antônio em Itatiaia, Ouro Branco (MG), terá imaginárias restauradas

Comunidade vai festejar o padroeiro com as imagens de Santo Antônio e Nossa Senhora da Mercês.

A Associação Sócio Cultura Os Bem-Te-Vis está empenhada em realizar uma festa de Santo Antônio inesquecível em 2017. A Igreja Matriz de Santo Antônio está em processo de finalização de restauro dos elementos integrados e, também, das imaginárias. Duas imagens se destacam e estarão prontas para a festa do padroeiro, no dia 13 de junho: a de Santo Antônio e a de Nossa Senhora das Mercês. As solenidades para a Festa de Santo Antônio, tradicional e realizada desde a fundação da localidade, tem início no dia 31 de maio, com a trezena em honra ao padroeiro, com a presença de toda a comunidade e, ainda, a reza do terço, cantos, missas e procissões. No 12º dia da trezena, 11 de junho, às 15h, haverá missa solene seguida de procissão das imaginárias de Santo Antônio e Nossa Senhora das Mercês pelas ruas de Itatiaia, com a participação da comunidade.

A Associação é a instituição responsável pelo processo de restauro e, ao representar a comunidade de Itatiaia, entrega aos moradores da localidade um presente cheio de significado. A festa do padroeiro com a igreja restaurada e as imagens recuperadas e preparadas são mostra de que a comunidade, unida, consegue grandes avanços. Assim, a Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis promove a integração dos moradores da localidade e a preservação de seu bem mais precioso.

O restauro das imaginárias da Matriz de Itatiaia começou com um levantamento dos objetos pertencentes à igreja: das vestes e paramentos às peças utilizadas nas celebrações e pratarias, passando pelas imagens que compunha os altares laterais, colaterais e mor. “Acredito que muita coisa se perdeu, talvez por falta de conhecimento e, principalmente, devido ao roubo que causou grande perda e tristeza para a comunidade”, enfatiza o restaurador, em referência ao roubo de peças sacras que abalou a comunidade de Itatiaia na década de 1990. A perda das peça deixou sérias marcas no coração dos moradores de Itatiaia, que hoje aguardam com ansiedade pelo término das obras de restauro e pela volta o esplendor original da Matriz de Santo Antônio.

Para Wilton Fernandes, presidente da Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis, o preparo e o restauro das imagens de Santo Antônio e de Nossa Senhora das Mercês para a festa do padroeiro é mais uma vitória da comunidade. “Acompanhar o restauro da Matriz e das imaginárias tem mexido muito com a emoção de todos em Itatiaia. Agora, com as duas imagens prontas, para a festa do padroeiro, o sentimento se intensifica, enquanto nós, da Associação, reforçamos as ações de educação patrimonial, para que nosso patrimônio se mantenha preservado”, reforça.

A Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis comemora o restauro da Matriz de Santo Antônio, em Itatiaia (Ouro Branco/MG) como fruto do esforço da comunidade local, que se uniu e que está trabalhando, há vários anos, para que seu bem mais precioso se mantenha preservado. A Associação enfrentou diversos obstáculos para que os projetos de restauro fossem aprovados nos órgãos competentes e obtivessem patrocínio integral, e não descansou até conseguir realizar o sonho de ter a Matriz em todo seu esplendor, restaurada e segura, para a comunidade.

Matriz de Santo Antônio – Itatiaia
A Matriz de Itatiaia foi construída na primeira metade do século XVIII por iniciativa das irmandades do Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São Benedito. Apresenta duas etapas distintas de construção. A parte dos fundos do templo (capela-mor e corredores laterais) foi executada em estrutura de madeira com vedação de pau-a-pique e aparenta ser a primitiva capela original. A ela foram acrescidas, posteriormente, a atual nave, as torres e o frontão, em pedra. (Fonte: Iphan)

Durante os anos de 1982 a 1984, a matriz ficou exposta às intempéries climáticas, que acabaram por danificar os altares laterais e colaterais da nave e o forro, que foi perdido. O trabalho de restauro dos bens integrados da Matriz de Santo Antônio é realizado pela Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis, em parceria com o Banco  Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com o apoio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo Federal. O projeto prevê a recuperação do interior da construção, contemplando elementos artísticos como retábulos, púlpito, arco-cruzeiro, balaustrada da nave e pia batismal. Também estão contempladas a reforma do assoalho, a instalação de câmeras de segurança, a laminação do telhado e a restauração e conservação  do acervo de imaginárias.

Por João Paulo Silva

Fonte original da notícia: Jornal Voz Ativa




Atrasos põem em risco calendário de restauro do Teatro Municipal de Sabará (MG)

Em processo de restauração, Teatro Municipal de Sabará corre o risco de não abrir as cortinas em janeiro, como previsto inicialmente. Atrasos nos recursos do PAC reduzem ritmo das obras.

Inaugurado em 1819 e chamado originalmente Casa da Ópera, o teatro começou a ser restaurado em outubro, mas, com a lentidão nos repasses financeiros, o número de operários foi reduzido de 10 para três. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Devagar, quase parando. Uma das mais antigas salas de espetáculos do país, o Teatro Municipal de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é palco de obras de restauro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, mas corre o risco de não reabrir as cortinas na época prevista – janeiro do ano que vem. De acordo com a prefeitura local, o governo federal não vem repassando os recursos em tempo hábil, o que obriga a empresa contratada a reduzir o número de operários – eram 10, hoje são três – e também o ritmo do projeto de recuperação do prédio inaugurado em 1819 e chamado originalmente Casa da Ópera. “Sem chance de reinaugurar daqui a oito meses, pois só 20% dos trabalhos foram executados”, alerta o prefeito Wander Borges (PSB).

Com obras iniciadas em outubro de 2016 e valor total da restauração estimado em R$ 2,6 milhões, o teatro, localizado na Rua Dom Pedro II, no Centro Histórico, tem atraso em duas parcelas, cujo montante é repassado à prefeitura pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Borges conta que a medição (serviço concluído) feita em março e totalizada em R$ 75 mil ainda não foi paga, mesmo com a vistoria feita pelo Iphan. O mesmo ocorre com outra de R$ 106 mil, cuja medição foi feita em 19 de maio e ainda não recebeu vistoria. Portanto, conforme a prefeitura, o valor pago até este mês é de R$ 299,6 mil.

“Vamos tocando o serviço como podemos. Esse teatro é fundamental para a população de Sabará”, diz o chefe do Executivo, destacando que o espaço em estilo elisabetano sempre foi vital para fomentar a cultura, pois apresentava peças infantis com entrada franca, espetáculos de dança e teatro de grupos locais e de outros estados que, ao vir à capital, estendiam a viagem ao município vizinho. “Agora, não temos um lugar para oferecer esses eventos ao público”, lamenta.

Preocupado com a situação, Borges conta que outros prédios históricos estão fechados, alguns correndo risco de degradação acentuada, como o da prefeitura, o Solar Padre Corrêa, também na Pedro II. Nesse caso, a intervenção também é do PAC, que tem, no município, nove ações selecionadas para receber os investimentos. De tão lamentável o estado do sobrado, a administração municipal teve que se mudar para um prédio próximo, o Solar Dona Sofia, antiga Secretaria Municipal de Cultura. O prefeito chama atenção ainda para a centenária Escola Estadual Paula Rocha, na Praça Melo Viana, fechada há quatro anos, e o Cine Bandeirantes (Centro Cultural José Costa Sepúlveda), na Rua Luís Cassiano, fechado há cinco.

Com recursos municipais e para evitar deterioração, a atual gestão vai empreender obras emergenciais na Capela do Senhor Bom Jesus, onde, na Semana Santa, ocorre uma grande peregrinação de madrugada; na Capela de Nossa Senhora do Ó, que terá madeira vinda de uma oficina do Iphan em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, com transporte, mão de obra e outros materiais custeados pela municipalidade; no Passo de Simão Cirineu; e nas igrejas de São Francisco e de Santo Antônio do Pompéu, incluídas no PAC Cidades Históricas e necessitando de cuidados urgentes.

A direção do Iphan reconhece que há realmente duas medições sem pagar e a explicação é que foram apresentadas ao Iphan apenas no fim da semana passada. A autarquia federal informa que o valor total do restauro do teatro já foi empenhado, mas o pagamento depende do andamento da obra. “Dessa forma, se não foi tudo pago até agora, é de responsabilidade da prefeitura local, que não deu o devido encaminhamento aos serviços”, avisa. De todo jeito, amanhã, o diretor do PAC Cidades Históricas, Robson de Almeida, estará em Sabará para uma visita técnica à obra.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Obra de arte

Quem já assistiu a um espetáculo no Teatro Municipal de Sabará, com 400 lugares, sabe que o espaço é obra de arte genuína, tanto que recebeu a visita dos imperadores dom Pedro I (1798-1834), em 1831, e dom Pedro II (1825-1891), em 1881. Embora sem as cadeiras e ornamentos, dá gosto ver a sala em estilo italiano, em forma de ferradura, com vasto palco elevado e ótima visibilidade. Conforme as pesquisas, há três andares de camarotes, com detalhes que enriquecem a história: “As portas de entrada pertenceram à antiga cadeia. A cortina do pano de boca foi pintada pelo conhecido pintor alemão George Grimm, que veio ao Brasil em 1874 e foi professor por algum tempo na Academia de Belas-Artes, no Rio de Janeiro”.

Nesse ambiente, os operários se revezem em serviços na plateia e no foyer do prédio, que está cercado por tapumes. E os moradores têm orgulho em dizer que, nesse palco, com “uma das melhores acústicas da América”, se apresentaram artistas renomados, a exemplo de Paulo Gracindo, Ítala Nandi, Arthur Moreira Lima, Belchior, Roberto de Regina, Nelson Freire, Clementina de Jesus, Jackson Antunes, Felipe Silvestre, Marco Antônio Araújo e Maria Lúcia Godoy. Placas na entrada indicam reformas em 1970, 1983 e 1996 e informam que, há 30 anos, a propriedade do prédio passou do estado para a prefeitura.

A obra de restauro preveem a manutenção das características originais do teatro, como as técnicas construtivas tradicionais e os elementos decorativos em madeira e a adaptação da casa às exigências atuais de conforto, segurança e acessibilidade. Pelo projeto, o anexo lateral receberá novos banheiros e terá “linguagem contemporânea” para diferenciar o prédio atual do antigo. Todos os elementos, como cobertura, pisos, forros, portas, janelas vão merecer reparos, havendo pintura de alvenarias, da estrutura de madeira aparente e das partes metálicas.

O projeto contempla também as instalações elétricas, luminotécnicas, de sonorização, de segurança e de prevenção e combate a incêndio, que serão adequadas a fim de garantir o bom funcionamento do local. Foi ainda idealizada uma rota acessível a pessoas portadoras de necessidades especiais e com mobilidade reduzida, em todos os níveis do teatro, e outra específica para os artistas.

História

De acordo com as pesquisas, a antiga Casa da Ópera de Sabará é um dos mais interessantes edifícios de Minas, principalmente por ser o teatro um programa pouco comum na época de abertura. Em 1831, viveu grandes momentos com a visita do imperador dom Pedro II. Sabe-se que o teatro foi erguido em terreno pertencente ao alferes Francisco da Costa Soares, com a constituição de uma sociedade anônima da qual o povo participou e reuniu recursos para a obra. Diz um documento que “aos poucos, os cotistas proprietários do teatro foram doando suas ações à Santa Casa de Sabará, que mantinha a maioria das cotas na ocasião de seu tombamento em 1963. No século 20, transformou-se em Cine -Teatro Borba Gato, entrando em total decadência.

Sem visitação

Em Sabará, três prédios estão fechados à visitação pública e sem uso permanente. Confira:

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Solar Padre Corrêa, sede da prefeitura local
Localizado na Rua Dom Pedro II, no Centro Histórico, o sobrado está ameaçado, com o forro deteriorado, e interditado desde julho de 2016. Com isso, o Executivo e outros setores da atual gestão tiveram que mudar integralmente de endereço. Obras estão incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Escola Estadual Paula Rocha
Fica na Praça Melo Viana, no Centro Histórico, e está fechada há quatro anos. Já foi feita a licitação pelo governo estadual, faltando assinar a ordem de serviço para começo da reforma. Em 22 de junho, completará 110 anos de fundação.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Cine Bandeirantes, atual Centro Cultural José Costa Sepúlveda
Está fechado há cinco anos. Obra foi restaurada pela prefeitura em parceria com a Vale, em 2012, mas não houve inauguração do equipamento, que sofreu alterações em 2015 e teve o uso inviabilizado para atender o público. Os recursos são municipais.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Em Mariana (MG), igreja do século 18 é revitalizada; restauração durou mais de um ano

Forros, altares e imagens sacras foram restaurados na igreja de Mariana. Fotos: Samuel Consentino/Divulgação

Imagens centenárias, altares e forros da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, restaurados nos últimos 16 meses, serão apresentados para a população no próximo dia 25. A estrutura, construída no século 18, em Mariana, região Central de Minas, abrigará também o Museu Vieira Servas, após as obras de revitalização arquitetônica que ainda serão licitadas.

A revitalização do templo foi garantida com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento Cidades Históricas. Foi investido R$ 1,6 milhão na primeira fase, terminada agora.

“No decorrer do tempo, ocorreram vários danos nas pinturas e era de extrema urgência uma intervenção. Havia, inclusive, o risco de perdermos artes que remontam os anos de 1770. Mas conseguimos reverter o processo com resgate das pinturas e retirada dos cupins dos forros e altares”, explica o coordenador técnico do trabalho de restauro, Adriano Ramos.

A etapa das obras civis, que custará cerca de R$ 2 milhões, terá o processo licitatório anunciado no dia da inauguração das obras de arte revitalizadas.

Segundo a coordenadora do PAC Cidades Históricas de Mariana, Anna Grammont, o recurso já está assegurado e será liberado à medida em que as obras forem acontecendo. Mas ainda não há uma data prevista para isso.

Quando finalizadas as obras, a igreja manterá a característica religiosa mas será também um museu. O que a credita para isso é o fato de abrigar obras de dois nomes renomados na arte colonial religiosa mineira: Mestre Ataíde e Vieira Servas. Ainda não está definido se haverá necessidade de fechamento da igreja durante as obras do museu.

Por Tatiana Lagôa

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Belo Horizonte (MG) – Casarão histórico guarda a memória da região de Venda Nova

Reconstruído pela PBH em 2013, o imóvel do século XIX recebeu 9 mil visitas em 2016.

Um casarão do século XIX guarda as memórias da região de Venda Nova, um dos mais antigos distritos de Belo Horizonte. (foto: Arquivo Gercom-VN/PBH/Divulgação)

Construído em 1894, um casarão azul e branco de estilo arquitetônico colonial é um autêntico cartão postal da região de Venda Nova, no vetor norte de Belo Horizonte. Tombado em 2003 pelo Conselho do Patrimônio Histórico do município, ele comporta o Centro de Referência da Memória de Venda Nova, ligado à Fundação Municipal de – Cultura (FMC).

Danificado pela ação do tempo e por um incêndio, o casarão foi reconstruído pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e entregue à comunidade em agosto de 2013, com objetivo de abrigar exposições e o acervo histórico sobre a região, reunido pelos moradores.

A edificação agradou a uma das figuras que mais atuou para que o projeto de reconstrução se consolidasse: dona Lúcia César, de 82 anos, integrante do extinto Culturarte, movimento local que lutou durante décadas pela valorização e preservação da memória de Venda Nova. “Está mais bonito do que era”, comenta a moradora.

Visitas orientadas

Desde a inauguração, o casarão histórico tem recebido vários grupos de estudantes, de pessoas da terceira idade e de instituições de saúde mental. O espaço está sob os cuidados do técnico do Patrimônio Cultural, Henrique Willer de Castro, que tem desenvolvido um trabalho de educação patrimonial, com visitas orientadas, utilizando diversos recursos lúdicos e didáticos, como caça-palavras, jogo da memória, todos especificamente criados e desenvolvidos com informações sobre a região.

Os visitantes são recebidos, na maioria das vezes, pela professora Silvana Cheib, que está cedida para a FMC. Ela conta que é muito bom ver a emoção das pessoas em relembrar e outras em conhecer a história de Venda Nova.

Em 2016, o espaço recebeu cerca de vinte grupos de visita orientada, totalizando quase 350 visitantes. Somados ao público espontâneo, foram quase nove mil visitas. A exposição Caminhos de Venda Nova: Memória, Sensibilidade e Identidade, que, atualmente, está instalada no local, têm propiciado experiências emocionantes.

“Numa delas, fomos procurados por um senhor, indagando sobre uma foto que está exposta na área externa do local, plotada num dos vidros. É a foto de alguns homens num armazém, que ficava à rua Padre Pedro Pinto. Emocionado, reconhecera ali seu pai, de quem não possuía nenhum registro fotográfico. Com lágrimas, agradeceu pela oportunidade de receber uma cópia digital da imagem do pai”, conta Henrique Willer.

O técnico do Patrimônio Cultural vê com bons olhos a iniciativa da PBH em manter um espaço de memória para uma região com uma história tão rica. “Venda Nova tem vivido um verdadeiro boom do crescimento habitacional e comercial, que traz diversos impactos. Num contraponto, a iniciativa do poder público municipal em criar e manter um espaço de natureza museológica e memorial se mostra importante, uma vez que a região possui uma história rica, que precisa ser transmitida e preservada. Um esforço de lidar com a tradição e a modernidade, com o desenvolvimento urbano e econômico”, diz Henrique Willer.

Com assessoria de comunicação da PBH.

Fonte original da notícia: Revista Encontro




Belo Horizonte (MG) – Prédios vazios e subutilizados podem virar “points culturais”

Ideia está em Plano Diretor para área entre Francisco Sales e Contorno com rua Rio de Janeiro.

Viaduto Santa Tereza está dentro da área da zona cultural de BH.

A Fundação Municipal de Cultura (FMC) finalizou as propostas para a elaboração do Plano Diretor da Zona Cultural da Praça da Estação, em Belo Horizonte. A ideia é transformar em corredor cultural a área que vai do viaduto da avenida Francisco Sales até a avenida do Contorno com a rua Rio de Janeiro. Entre as demandas apresentadas pelo Conselho Consultivo da Zona Cultural da Praça da Estação, criado em 2014 para discutir a proposta, estão o fechamento de vias para eventos culturais e políticas e a ocupação de imóveis vazios e subutilizados com atividades com vocação para o entretenimento ou de cunho social.

A partir de agora, essas diretrizes serão encaminhadas para a Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano, que vai buscar instrumentos jurídicos para viabilizar a implementação dessas políticas. As ações do Plano Diretor poderão ser implementadas por portarias, decretos ou projetos de lei nos casos que demandarem a aprovação da Câmara Municipal. Antes, porém, precisarão ser aprovadas no Conselho Municipal de Política Urbana (Compur).

Entre as diretrizes defendidas pelo conselho consultivo está um levantamento dos imóveis ociosos na região, públicos e privados. Uma pesquisa inicial apontou 25 prédios ou lotes nessa situação, incluindo os que são utilizados como estacionamentos.

“Evitamos fazer indicações pontuais de cada imóvel e no que cada local desses teria potencial de se transformar. Só apontamos que, levando em consideração a população que hoje ocupa essa região, seria necessário a construção de um Centro de Referência para atendimento à População de Rua e um Centro de Referência de Atendimento à Mulher”, afirmou Felipe Soares, um dos membros do Conselho Consultivo da Zona Cultural da Praça da Estação, que também é pesquisador do grupo interdisciplinar da Escola de Arquitetura da UFMG.

Soares destaca que é preciso uma preocupação além da cultura, para não haver uma gentrificação da área, expulsando os frequentadores da região após a mudança no perfil de ocupação. “A vocação cultural da região é muito importante e precisa ser incentivada, mas é preciso ir além e pensar também em incentivos sociais voltados para quem hoje utiliza o local”, acrescentou o advogado.

Outra diretriz apresentado pela Fundação Municipal de Cultura foi a criação de banheiros gratuitos. A ideia é abrir ao público as estruturas que já existem embaixo do viaduto Santa Tereza. Os banheiros teriam vestiários, inclusive com chuveiros, e ficariam abertos em tempo integral. Há ainda a previsão de implantar banheiros químicos em locais que não atrapalhem o uso do espaço público.

Saiba mais

Estrutura. Hoje, a região onde deve ser criada a Zona Cultural da Praça da Estação tem diversos pontos culturais e de entretenimento, como a Serraria Souza Pinto, o Museu de Artes e Ofícios e a sede da Fundação Nacional das Artes em Belo Horizonte, no imóvel conhecido como Casa do Conde.

Política. Apesar do Conselho Consultivo da Zona Cultural da Praça da Estação ter sido criado na gestão de Marcio Lacerda (PSB), as diretrizes apresentadas seguem a linha da política adotada por Alexandre Kalil (PHS), com a abertura dos espaços públicos. Uma das ações nessa linha é o fechamento de avenidas na Savassi aos domingos para atividades de lazer.

Por Bernardo Miranda

Fonte original da notícia: O Tempo




Belo Horizonte (MG)- MAP está em estado de alerta

Em carta, funcionários do Museu de Arte da Pampulha denunciam descaso do poder público em relação ao espaço

Patrimônio de BH, museu sofre, segundo funcionários, com o abandono e a falta de incentivos do poder público.

Funcionários do Museu de Arte da Pampulha (MAP) divulgaram na última sexta-feira (5) uma carta aberta pedindo apoio para o espaço, que atualmente se encontra em “grave situação de negligência” e tem sofrido com “baixo recurso e falta de investimento”. Dentre as reivindicações presentes na chamada “Carta de Apoio ao Museu de Arte da Pampulha”, estão a denúncia de falta de profissionais, deterioração do acervo e redução na verba destinadas a projetos. A divulgação da carta ocorre no ano em que o MAP completa 60 anos.

Nessa terça (9), vereadores da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo, Pedro Patrus (PT) e Arnaldo Godoy (PT) realizaram uma visita técnica ao local para verificar as condições do acervo após as denúncias. De acordo com Patrus, a situação das obras é “aterrorizante”. “O acervo está jogado às traças. Há obras do museu que estão em um galpão do bairro São Bernardo. Esculturas fundamentais estão completamente deterioradas”, diz.

Situação complicada. Em determinado trecho da carta, os funcionários dizem que o projeto Arte Contemporânea, que tem calendário anual, “teve redução de mais de 50% em seu orçamento”. De acordo com uma funcionária do museu que pediu anonimato, o MAP vive “uma situação complicada há quatro anos”. “O orçamento vem sendo reduzido todos os anos. Por isso, não conseguimos executar as atividades”, diz.

Outra questão levantada no documento é que o espaço não possui curador efetivo desde 2012, nem museólogo desde 2014. “Não ter um curador efetivo é um problema grande, mas não ter um museólogo é um problema maior, porque, por lei, todos os museus precisam de um museólogo”, afirma a mesma funcionária.

Além disso, ela destaca que a deterioração do acervo é constante. “Ele está em um local que já é pequeno. Estamos sem ar-condicionado há mais de um ano. O acervo já está sofrendo com a ação de micro-organismos, algo que não acontecia até um ano atrás”, relata.

A carta destaca ainda que o museu recebeu grande visibilidade com a implantação dos projetos Bolsa Pampulha e Arte Contemporânea, em 2002, mas que ela foi se perdendo com o passar dos anos. De acordo com a funcionária, o espaço tem perdido a função de instituição museológica para dar lugar a promoção de eventos turísticos, como Circuito Pampulha Noturno, que ocorre às terças-feiras. “Quando foi dado o título à Pampulha de Patrimônio Cultural da Humanidade, foi visado a paisagem e o conjunto arquitetônico, mas não o museu. Essa instituição tem sido colocada de lado. Está sendo chamada a atenção apenas do turismo e eventos que não estão ligados à instituição”, comenta.

Posicionamento. O diretor do Conjunto Moderno Pampulha – órgão sob responsabilidade de Fundação Municipal de Cultura –, Gustavo Mendicine, foi procurado para se posicionar perante os questionamentos da carta. Ele confirmou que o espaço não tem curador fixo nem museólogo. Segundo ele, “os curadores trabalham por projeto”. “Existem outros museus que trabalham assim”, afirmou.

Mendicine disse ainda que não contar com um museólogo “não é particularidade do MAP”. “Na cidade, só existem dois museólogos. Não é porque não existe esse profissional que o trabalho dele deixa de ser feito”, afirma.

Quanto à condição em que se encontra o acervo, que tem sofrido deterioração por conta da falta de ar condicionado, Mendicine destacou que esse é um “problema pontual, que deve ser resolvido em um prazo de 30 dias”.

Ao ser questionado sobre a declaração de que a instituição está sendo deixada de lado, o diretor afirmou que isso não condiz com a realidade. “O museu está vivendo em um período entre exposições. Em março, foi retirada a última, e em um período de duas, três semanas deve ser anunciada outra”, diz.

As questões levantadas pelos vereadores que visitaram o MAP, nessa terça, serão levadas a público em audiência, que ocorrerá na próxima segunda-feira (15). Na reunião, também será discutida a possibilidade de mudança do acervo do Museu da Imagem e do Som, situado na avenida Álvares Cabral, para o MIS Cine Santa Tereza.

Por Laura Maria

Fonte original da notícia: O Tempo




Prefeitura decreta tombamento da ‘Capela da Saudade’ em Uberlândia (MG)

Capela tem grande influência religiosa sobre comunidades locais de Uberlândia. (Foto: Reprodução/TV Integração)

A Capela da Saudade foi tombada como patrimônio histórico de Uberlândia a partir do decreto publicado nesta segunda-feira (8), no Diário Oficial do Município. A proposta de tombamento efetivada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Cultural de Uberlândia (Comphac) leva em consideração o valor histórico e cultural do imóvel, além da influência de religiosidade que o bem detém sobre as comunidades rurais da região.

O decreto assinado pelo prefeito Odelmo Leão e a secretária municipal de Cultura, Mônica Debs, veda qualquer intervenção estrutural no imóvel sem prévia concordância do Comphac. “Todos os elementos arquitetônicos da fachada frontal e lateral direita, tais como janelas, portas, balaustradas, vitrais, dentre outros, deverão ser preservados e só poderão ser alterados no sentido de reverter eventuais descaracterizações”, diz o decreto.

Os projetos de intervenção deverão ser elaborado por um arquiteto com experiência e formação comprovadas na área de conservação e restauração de bens culturais imóveis. Além disso, as cores da pintura de todas as fachadas da capela também deverão manter coerência com as características formais do prédio e do período construtivo.

História e arquitetura

A história da Capela da Saudade se molda às festividades religiosas da região rural conhecida como “Cruz Branca”. João Rezende, avó do atual proprietário da área, ergueu um cruzeiro e, depois, a construção foi realizada em caráter improvisado e só em 1899 é que foi erguida a capela pelo então genro de João, Francisco Pereira de Rezende.

O imóvel passou por uma reconstrução em 1954. Durante vários anos a capela foi espaço de celebração de missas, festas, cavalgadas e procissões.

O sistema construtivo emprega alvenaria estrutural, de tijolos maciços, assentados sobre alicerce de pedra que nivela a capela. As portas em madeira apresentam duas folhas. As janelas são metálicas com vidros coloridos. A cobertura se dá em duas águas, com telhas francesas, não originais.

O piso é de ladrilho hidráulico com desenhos geométricos e o acesso pela porta principal é feito por escada em cimento grosso, de forma circular. Possui dois óculos na fachada posterior, vedados por tela metálica.

Por Caroline Aleixo

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




Justiça determina restauração do Teatro Grande Otelo em Uberlândia (MG)

O prazo para início efetivo das obras é de 18 meses. Secretaria Municipal de Cultura de posicionou sobre o assunto.

Foto tirada em 2015 mostra situação do Teatro Grande Otelo em Uberlândia. (Foto: Caroline Aleixo/G1)

A Justiça determinou que o Município faça a restauração do Teatro Grande Otelo, em Uberlândia. O prazo para início efetivo das obras concedido na decisão, da qual não cabe recurso, é de 18 meses. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (5) em nota no site do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).

Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura informou que um projeto de restauro destinado ao Teatro Grande Otelo está em fase de elaboração. Após a conclusão dessa etapa, o Município analisará alternativas financeiras para a execução da obra.

A Ação Civil Pública foi proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Uberlândia, e acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que o município proceda à completa restauração do teatro, de reconhecido valor histórico-cultural para a população do município.

Segundo a ação, o imóvel onde funcionava o teatro encontra-se em situação de completo abandono e interditado.

O promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Uberlândia, Marcus Vinícius Ribeiro Cunha, disse que trata-se de importante decisão judicial que resguarda o direito do povo de Uberlândia à preservação de seu patrimônio histórico e cultural, como forma de manutenção do sentimento vivo quanto ao seu passado.

“Iremos acompanhar de perto essa restauração do imóvel e esperamos, sinceramente, que o município entregue de volta ao povo uberlandense o Teatro Grande Otelo, de inegável importância para a preservação da memória e identidade da cidade”, declarou o promotor.

Valor histórico e arquitetônico

A construção do Cine Vera Cruz, que posteriormente passou a abrigar o Teatro Grande Otelo, fez parte do processo de urbanização da Vila Operária ocorrido na década de 60 e onde atualmente é o Bairro Aparecida.

Construído em 1966, o prédio foi projetado pelo engenheiro Nelson Gonçalves Prado e não obedeceu a nenhum estilo arquitetônico específico. Em 1993, passou a ser chamado de Teatro Grande Otelo em homenagem à personalidade das artes cênicas brasileiras, nascida em Uberlândia e conhecida nacionalmente por atuações em filmes humorísticos.

A edificação constitui-se de dois pavimentos, com volumetria em um bloco retangular único, implantado em um terreno na esquina da Avenida João Pinheiro com a Rua Monte Alegre. O prédio, que ocupa quase toda a área de 800 m², não apresenta recuos frontais ou laterais e tem capacidade para 300 lugares.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro