MPF entra com ação para preservar patrimônio ferroviário em Minas

Governo federal e concessionária vão responder ação civil pública caso justiça aceite processo; procurador cobra reforma de estações que estão abandonadas.

Divulgação/Internet

O Ministério Público Federal em Divinópolis, Oeste de Minas, entrou com ação civil pública contra órgãos do governo federal e concessionária para que adotem medidas de proteção de estações ferroviárias na região Centro-Oeste do Estado.

Na ação, o MPF exige que Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Iphan  (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a concessionária Centro Atlântica façam levantamento de todos os imóveis ferroviários que possuam relevância histórica e cultural. O pedido do MPF também pede que a justiça obrigue os órgãos a realizar manutenções das estações ferroviárias e imóveis.

Segundo a ação assinada pelo procurador Lauro Coelho Junior, diversas estações das linhas ferroviárias Garças de Minas/Belo Horizonte, Angra dos Reis/Goiandira e da antiga estrada de ferro de Paracatu estão em estado de abandono.

Nos trechos estão as estações ferroviárias Formiga e Timboré (em Formiga), Santanense (em Itaúna), Carmo do Cajuru e Angicos (em Carmo do Cajuru), Garças de Minas (em Iguatama) e Tigre e Tapiraí (em Tapiraí). Além de imóveis localizados em Pará de Minas.

Na ação, o procurador anexou fotos que mostram a situação das estações. Em Formiga, por exemplo, na estação Timboré, parte do telhado caiu e o mato alto toma conta do local. Em Santanense, em Itaúna,  o mato invadiu o espaço que anteriormente funcionava como estação ferroviária.

Não cuidar desses bens é relegar as próprias origens dos municípios e desprezar a história do desenvolvimento do Brasil, considerando que o ciclo ferroviário se constituiu de uma malha com permeabilidade por todo o território nacional, sendo um importante vetor do desenvolvimento econômico e social nacional”, explica o procurador.

‘Jogo do empurra’

A investigação do MPF começou em 2009. Para o procurador, há um verdadeiro “jogo do empurra” entre os órgãos e a concessionária. “Quase sempre, um imputou a outros a responsabilidade pela conservação dos bens culturais, tendo como pano de fundo a indefinição da condição de operacional ou não operacional de parcelas significativas do patrimônio da extinta Rede Ferroviária Federal”, diz em trecho da ação.

A reportagem enviou e-mail para o Dnit  na tarde desta terça-feira (24), mas não obteve retorno até o momento.

Por Heitor Mazzoco

Fonte original da notícia: O Tempo




Ouro Preto (MG) – Iphan vai repassar R$ 1 mi para obras emergenciais na Matriz de Santo Antônio

Matriz de 1764 em Glaura, distrito de Ouro Preto, receberá recursos após um ano e quatro meses de interdição.

Foto: Leandro Couri

Uma injeção de ânimo nos moradores e de esperança para o distrito colonial de Glaura, em Ouro Preto, na Região Central. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai destinar cerca de R$ 1 milhão para obras emergenciais na Matriz de Santo Antônio, datada de 1764 e tombada pela União. Segundo a superintendente da autarquia federal em Minas, Célia Corsino, o recurso provém da iniciativa privada – por enquanto, o nome da empresa não será divulgado. O anúncio oficial à comunidade será amanhã, às 10h, durante audiência pública com participação de parlamentares e outras autoridades no templo e na sede da associação comunitária do distrito, localizado a 28 quilômetros do Centro Histórico de Ouro Preto.

Interditado há um ano e quatro meses, o imponente templo barroco recebeu reparos na cobertura, nesse caso, fruto de apoio financeiro recolhido de casa em casa por voluntários, mas sofre com as trincas, motivo de grande temor para as famílias, comerciantes e admiradores do patrimônio barroco. “Fico muito feliz com a ótima notícia, pois estamos mobilizados há muito tempo em prol da restauração da igreja. O dinheiro ainda não é suficiente para todo o serviço, mas ajuda muito”, festeja o designer gráfico e dono de restaurante no distrito Alexandre Andrade. Ele demonstrou preocupação com a temporada de chuvas: “O telhado foi reformado, porém, há rachaduras nas paredes”.

Há mais de um ano, o Estado de Minas esteve em Glaura e mostrou a situação da igreja com suas cicatrizes profundas, entre elas uma fenda na portada em pedra, trabalhada em cantaria, num quadro que apavora também quem chega ao distrito. “Tudo isso nos deixa tristes. Felizmente, não perdemos a esperança e continuamos lutando”, afirma o comerciante Márcio Silva, integrante da comissão de mobilização pró-restauro. Ele lembra que a interdição ocorreu em 16 de junho do ano passado. Desde então, as celebrações religiosas deixaram o território sagrado, o tradicional espaço de encontros comunitários saiu de cena e os moradores já não podem ver, sem apreensão, as portas fechadas.

A audiência pública no distrito terá a participação dos deputados integrantes da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (ALMG) – João Bosco (presidente), Elismar Prado, Carlos Pimenta, Glaycon Franco e Rosângela Reis. Conforme a assessoria do Legislativo, foram também convidados representantes da Secretaria de Estado de Cultura, da Prefeitura de Ouro Preto, do Ministério Público de Minas Gerais, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), da Arquidiocese de Mariana e de outros órgãos, A superintendência do Iphan será representada pela chefe de gabinete, Rosângela Guimarães.

Segurança. Atentos às ameaças ao templo, os defensores do patrimônio tomaram no ano passado uma providência para dar sustentação à fachada: três barrotes de madeira foram colocados para servir de escora. No entanto, explica Alexandre, um deles caiu, “sinalizando alguma movimentação da construção”, e uma nova peça foi posta no lugar. Em 23 de agosto, o chefe do escritório do Iphan em Ouro Preto, André Macieira, e a coordenadora do PAC Cidades Históricas pela Prefeitura de Ouro Preto, Débora Queiroz, ambos arquitetos, estiveram em Glaura reunidos com a comunidade. “A igreja não está em arruinamento. De seis meses para cá, estamos fazendo o monitoramento, e não houve qualquer movimentação”, tranquiliza Macieira. Ele explicou que as trincas são “uma reação da estrutura à umidade do solo”.

Macieira afirmou que a Matriz de Santo Antônio, em Glaura, e a Capela do Bom Jesus de Matosinhos/São Miguel e Almas, no Centro Histórico de Ouro Preto, são prioridades da superintendência do Iphan em Minas. “Fazemos o acompanhamento com muita proximidade. Os projetos estão em fase de conclusão e o estrutural já foi até aprovado pelo Iphan”, disse o arquiteto.

Por medida de segurança, todas as imagens, especialmente a do padroeiro Santo Antônio, foram retiradas dos altares. Percorrendo o interior do templo ou admirando o entorno, há sempre surpresas: na porta principal, chamam a atenção, em alto-relevo, em madeira, as imagens de Santo Antônio e Maria Concebida, padroeiros de Glaura. A última restauração de relevância ocorreu há 60 anos.

História. De acordo o Iphan, a Matriz de Santo Antônio é uma construção em pedra, com duas torres quadrangulares (na da esquerda está o sino; na da direita, o relógio) e janelas sineiras. Acima da porta principal há uma imagem de Santo Antônio protegida por nicho fechado com vidro. Os estudos mostram que os altares laterais são em talha barroca. Casamentos, batizados e missas eram celebrados no templo, que, em 2003, conforme laudo do Iphan, necessitava “de pintura nas fachadas e de restauração dos elementos artísticos”.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Minas Gerais é celeiro de arte rupestre na região Sudeste

Há cerca de 200 sítios arqueológicos somente na região metropolitana de Belo Horizonte.

Pinturas representam cenas pré-históricas como esta de um homem matando o outro.

Muitas pessoas vão a exposições de quadros pintados há 200, 300 anos, em museus e galerias internacionais onde tudo é muito bonito, sofisticado, com segurança. Mas bem pertinho de Belo Horizonte há pinturas milenares, com até 13 mil anos, feitas por homens pré-históricos em cavernas ou paredões de pedras. Elas estão expostas ao sol, à chuva ou a até algum desavisado que pode jogar uma tinta por cima – e grande parte dos próprios moradores da capital nem sabe ou não dá valor.

Minas Gerais é o celeiro da arte rupestre, e há milhares de sítios arqueológicos espalhados pelo Estado. Somente na região metropolitana, são cerca de 200 com esses vestígios pré-históricos. “Rio de Janeiro e Espírito Santo não têm nada, em São Paulo são apenas 16. A pintura rupestre é a nossa praia, aqui estão os melhores arqueólogos especialistas nisso”, defendeu a historiadora Alenice Baeta, que tem pós-doutorado em arqueologia e é especialista em transmitir a relevância desse patrimônio mineiro.

“É o início de tudo, é o início da comunicação gráfica, um legado visual que foi deixado em tantos lugares do mundo, e o território mineiro foi escolhido também para isso”, disse a arqueóloga, que enfatiza a luta que é a preservação desse legado deixado por nossos ancestrais.

Na serra do Cipó, na lapa da Sucupira, é possível ver muitas pinturas e desenhos mais nítidos de homens e animais.

Diante de um paredão com essas pinturas no Parque Estadual Cerca Grande, em Matozinhos, Alenice pediu aos visitantes que fechassem os olhos, como quem está de frente a um templo sagrado, e começou a guiá-los para imaginar os homens pré-históricos fazendo as tintas com pigmentos de minério, montando andaimes com bambus para subir, pintar e deixar mensagens, símbolos e marcas para as próximas gerações, mais de 6.000 antes. “Pense na sua origem pessoal, na origem da humanidade, nos primeiros homens que estiveram aqui na terra, que não são de longe, são os povos indígenas do Brasil”, falou, fazendo com que todos sentissem a dimensão daqueles vestígios.

Com a falta de investimento nesse patrimônio produzido pelos pré-históricos, poucos sítios estão protegidos e possuem estrutura de visitação. “Cultura no Brasil não tem valor, pré-história então. Trabalhar com memória é muito complicado, não tem incentivo”, destacou Alenice.

Foi em Minas, na lapa Vermelha, na região de lagoa Santa, que foi encontrado o crânio da Luzia, fóssil humano mais antigo achado na América, com cerca de 13 mil anos. O Parque Estadual do Sumidouro, situado entre Lagoa Santa e Pedro Leopoldo, é de tamanha importância para a arqueologia que nutriu de dados o naturalista britânico Charles Darwin, autor de “A Origem das Espécies”, de 1859. “E as escolas brasileiras continuam dando exemplos de fora para falar do período pré-histórico”, alfinetou a arqueóloga, que já participou de mapeamentos de sítios mineiros que duraram em torno de dez anos.

Depredações põem patrimônio em risco

No Parque Estadual do Sumidouro, é possível chegar aos paredões com pinturas rupestres por meio de uma trilha que sai da Casa Fernão Dias, em Pedro Leopoldo. Lá, além de um mirante lindo para as montanhas de Minas, há uma estrutura (deque) para visualizar as gravuras e incisões milenares. Quem tiver um binóculo, pode ver com mais detalhes, já que muitas estão apagando por ser um lugar que o sol bate diariamente. Por meio de um incentivo da montadora japonesa Nissan, foram colocadas placas com as fotos das pinturas e um desenho por cima do que seriam as figuras para o visitante ter uma noção dos símbolos que estão se apagando naquele patrimônio.

Mas não são só o tempo e o ambiente que prejudicam a preservação desses vestígios; o principal, talvez, seja a ação do homem. Várias pinturas são depredadas por vândalos que escrevem o seu nome ou algum dizer por cima e por tribos urbanas que fazem pichações, já que há centenas de sítios bem próximo a capital. A arqueóloga Alenice Baeta conta ainda que existe um mercado negro em torno dos patrimônios arqueológicos: “Tem pessoas que encomendam uma pintura rupestre verdadeira (quebram o pedaço da pedra) para colocar em casa”.

Onde visitar

Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas. Éum monumento natural em unidade de conservação estadual, com visitação diária das 9h às 16h.
Parque do Sumidouro, na Quinta do Sumidouro, em Lagoa Santa. A trilha guiada de 2,5 km é oferecida de terça a domingo, 8h30, 10h30 e 15h (R$ 10 por pessoa), saindo da Casa Fernão Dias. Casando a visita com a gruta da Lapinha, que fica no mesmo parque, conhece-se o Museu de Peter Lund (considerado o pai da paleontologia).
Lapa do Ballet, em Matozinhos. Tem que agendar, pois fica dentro de uma unidade de conservação da empresa Lafarge.
Gruta de Maquiné, em Codisburgo, funciona todos os dias, das 9h às 17h.
Lapa da Sucupira, na serra do Cipó, fica no sítio Rancho Fundo, onde a família cobra R$ 10 para quem quer a visita guiada.
Pedra Pintada, em Cocais, distrito de Barão de Cocais. Uma família cuida do local, com várias pinturas.

Por Joana Suarez (Repórter viajou a convite da Nissan para a Expedição à Procura do Início do Brasil)

Fonte original da notícia: O Tempo




Lavras (MG) – Quadro do século 18 é apresentado após cinco meses de restauração

Tela Verônica é apresentada após restauração e será entregue à Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Lavras. Trabalho de recuperação foi feito em parceria pelo Ateliê Marca D’Água.

Antes e depois da delicada melhoria do óleo sobre tela de 1,20 metro de altura, atribuída a Joaquim José da Natividade. Foto: Túlio Santos/EM/DA Press/Reprodução Paulo Filgueiras/EM/DA Press

Uma longa história envolvendo o sumiço de um quadro do século 18, sua devolução espontânea e uma descoberta surpreendente está perto de chegar ao fim. Na manhã de ontem, em Belo Horizonte, a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Minas, Célia Corsino, apresentou a tela intitulada Verônica, que foi totalmente restaurada e voltará para a Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Lavras, no Sul de Minas. “Este momento é importante, pois inauguramos boa parceria. Não se consegue preservar o patrimônio cultural sozinho. A obra está pronta para retornar ao seu lugar”, disse a superintendente, durante cerimônia na Casa do Conde, sede do Iphan, integrante do conjunto arquitetônico da Praça Rui Barbosa (Estação).

O epílogo da história não chegou ainda, devido a um aspecto fundamental. Para ficar definitivamente na igreja de Lavras, o templo deverá ter os elementos artísticos restaurados, incluindo os altares, bem como estar dotado de sistema de segurança. Para tanto, serão empregados cerca de R$ 500 mil nos serviços, da estatal Furnas Centrais Elétricas, explicou Célia, ressaltando que os recursos se referem a uma medida compensatória (condicionante ambiental).

Ao longo de cinco meses, na capital, equipe de especialistas do Ateliê Marca D’Água trabalhou com técnica e delicadeza para recuperar o óleo sobre tela, com 1,20 metro de altura por 60 centímetros de largura, que, segundo a restauradora Thaís Carvalho, estava bem deteriorado, com 40% de perda na pintura, sendo necessária a remoção camadas de intervenções anteriores. “Encontramos um tecido, no verso, com aplicação de tinta. Além disso, em algumas partes da obra quase não se via o rosto, por isso tudo foi tão minucioso para preencher as lacunas”, disse Thaís, que trabalhou com Blanche Matos (dona do ateliê), Roseli Cota, Carolina Moura e Adriano Bueno.

Descoberta. Durante o serviço, os restauradores fizeram uma descoberta. Thaís, que atuou no restauro do Presépio do Pipiripau, em BH, contou que o quadro não retrata Verônica, a mulher piedosa de Jerusalém que, diante do sofrimento de Jesus ao carregar a cruz, enxugou o rosto dele, ficando impressa no pano a figura do Nazareno. Olhando para o quadro, esclareceu, baseada em pesquisas iconográficas: “Temos aqui um anjo segurando o véu da Verônica. Pode ser que este quadro fizesse parte de um conjunto maior”. Datada do século 18, a obra é atribuída a Joaquim José da Natividade, autor de pinturas no altar colateral da igreja e obras em São João del-Rei, no Campo das Vertentes, e em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Uma comissão veio de Lavras para ver a obra, embora sabendo que ela continuará sob guarda do Iphan até a igreja ter os bens móveis restaurados. “É uma grande conquista. Esperamos muito por esse dia e mais ainda pelo retorno, pois lutamos muito”, afirmou a voluntária da paróquia Clarice Maria Pacheco, que mostrava os olhos úmidos pela emoção e estava ao lado do titular da Paróquia de Santana, padre Cristiano Francisco de Assis, e do gerente municipal de Cultura, Marcus Paulus Passos. O padre Cristiano já imagina a localização do quadro, embora prefira esperar o término das intervenções na construção para materializar suas ideias.

“Estamos caminhando para os 300 anos do primeiro povoamento da cidade, que se completará em 2020. O retorno do quadro será um dos pontos altos das comemorações. Será reincorporado ao patrimônio da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, e, além de importante para a religiosidade, ele eleva a autoestima do nosso povo e terá grandes impactos no turismo”, disse Marcus Paulus. O restauro, no valor de R$ 38 mil, foi pago com recursos do Fundo Municipal do Patrimônio Cultural de Lavras. Presente à cerimônia, o secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, ressaltou a “consolidação” no entendimento para a volta da tela histórica.

Trajetória. De acordo com a superintendência do Iphan, a autarquia federal foi notificada em 2009, pelo Conselho do Patrimônio Histórico de Lavras, sobre o desaparecimento de um quadro intitulado Verônica pertencente à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário e posteriormente doado ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), uma das maiores instituições culturais do país, com sede na capital paulista e onde ficou por 12 anos.

Por meio de pesquisas, os técnicos ficaram sabendo que o autor da doação foi o músico Willian Daghion (ex-aluno do Instituto Gammon, tradicional escola de Lavras), que retirou o quadro da igreja, por volta de 1958, quando a igreja passava por uma reforma. Para o sucesso da devolução, foi também decisiva, além do Iphan e da prefeitura local, a ação do Ministério Público de Minas Gerais, por meio do ex-coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), Marcos Paulo de Souza Miranda, hoje promotor de Justiça de Santa Luzia, na Grande BH, e do promotor de Justiça de Lavras, Carlos Alberto Ribeiro Moreira – os dois inciaram as negociações com o museu. O quadro foi devolvido pelo Masp em abril do ano passado, conforme documentou o Estado de Minas. O transporte foi custeado pelo Iphan.

Na época, Souza Miranda disse ao EM que “a volta do quadro é um marco na recuperação dos bens culturais de Minas, principalmente por não ter sido necessário uma ação judicial para trazê-lo. O retorno da tela está dentro de um contexto internacional referente à procedência ilícita de bens culturais. Os museus têm um código de ética e o Masp agiu corretamente”. Ele destacou que o caso abriria precedentes e nortearia iniciativas semelhantes. Conforme o Conselho Internacional de Museus (Icom), a peça de origem ilícita que for encontrada no acervo de um museu deverá ser devolvida.

Do Masp para BH

Há três anos e meio, o Estado de Minas contou, com exclusividade, a trajetória da tela Verônica e os entendimentos entre a superintendência do Iphan em Minas e os advogados da instituição paulista. Na época, um dos maiores problemas era a segurança da igreja de Lavras, tombada pelo Iphan em 2 de setembro de 1948. De São Paulo a BH, em abril de 2016, a peça recebeu toda a segurança quanto ao transporte, uma das exigências do promotor de Justiça de Lavras, Carlos Alberto Ribeiro Moreira. Desde então, foi mantida dentro das condições adequadas de climatização. O nome Verônica vem da junção das palavras “vero” e “ícone”, significando “verdadeira imagem”. Na semana santa, é tradição ver nas procissões uma mulher de rosto coberto por um véu, entoando um cântico em latim e desenrolando um tecido com a face de Cristo. No entanto, para surpresa dos restauradores e autoridades do patrimônio, trata-se, na verdade, de um anjo.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Obras de restauração da Igrejinha da Pampulha, em BH (MG), são adiadas

Projeto que havia sido feito em 2015 está defasado, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte. Intervenções são exigidas pela Unesco que concedeu título de Patrimônio da Humanidade ao local.

Igreja da Pampulha é um dos principais pontos turísticos de BH. Foto: Miguel Aun/Belotur

As obras de restauração da Igreja de São Francisco de Assis, a Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte, que iriam começar em novembro deste ano, foram adiadas. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o projeto deve ser revisado, já que o plano original, feito em 2015, estaria defasado.

Em 2015, o orçamento das obras e o cronograma haviam sido aprovados junto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o termo de compromisso foi devolvido à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em junho de 2015. Naquela época, a previsão era que as intervenções começassem no primeiro semestre de 2016.

Porém, a paróquia já havia agendado vários casamentos no local, impossibilitando a realização das obras. Segundo a PBH, a obra já estava licitada e o contrato publicado. Porém, após revisão, constatou-se que custos e serviços previstos inicialmente estavam desatualizados.

Por causa disso, foi necessário fazer o distrato do contrato com a empresa que ganhou a licitação e submeter o projeto mais uma vez à aprovação dos órgãos financiadores e do Iphan para realizar novo processo licitatório.

Estão previstos os serviços de recuperação das juntas de dilatação, recuperação das pastilhas externas, impermeabilização, substituição dos painéis de madeira, pintura, polimento do piso de mármore e limpeza das fachadas. O orçamento previsto é de R$ 1,8 milhões. Os recursos são do PAC Cidades Históricas.

De acordo com a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Célia Corsino, as obras dependem do tempo que o processo licitatório vai levar, já que ainda há a necessidade de aprovação por parte do órgão e também pela diretoria do PAC.

“Tive reunião com a prefeitura e foi surpreendida com a notícias que a licitação não está em andamento”, disse a superintendente. As obras de restauração fazem parte das exigências da Unesco para que o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido ao Conjunto Arquitetônico da Pampulha, seja mantido. Um relatório sobre o andamento das intervenções determinadas pela entidade terá de ser apresentado em dezembro.

Fonte original da notícia: G1 MG




Igreja histórica degradada preocupa moradores de distrito em Ouro Preto (MG)

Templo de 250 anos, que é tombado, precisa passar por reformas.

G1 – Divulgação/Internet

Uma igreja de 250 anos é motivo de preocupação para moradores de Glaura, distrito de Ouro Preto, na Região Central do Estado. Problemas na fundação e rachaduras estão ameaçando o templo que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), desde 1962.

A Igreja de Santo Antônio, única do lugarejo, está interditada há mais de um ano. Segundo os moradores, a fundação da torre direita cedeu, aí a pedra afundou, a parede rachou e a Defesa Civil de Ouro Preto fechou a igreja para missa.

Em 2013 ela estava no pacote do PAC Cidades Históricas, do governo Dilma Rousseff (PT), e ia passar por uma restauração que já deveria ter ficado pronta, mas até hoje o projeto continua no papel.

As 143 peças sacras foram levadas para o museu da arquidiocese de Mariana, também na Região Central. A missa foi transferida para um salão e ela está ficando vazia. O telhado estava quebrado, e as fendas nas paredes estão aumentando.

Segundo os moradores, as últimas reformas autorizadas pelo Iphan foram feitas por eles. A do telhado custou R$ 2,2 mil e há pouco tempo a comunidade gastou mais R$ 600 reais para colocar escoras de madeiras no pórtico de entrada, que está com uma rachadura enorme.

O Iphan também colocou um vidro que serve de aviso. Se deslocar ou quebrar significa que a rachadura aumentou. Quem monitora o vidro é a própria comunidade.

A chegada do período chuvoso é mais um problema para a igreja, segundo os moradores.

O Instituto afirmou que a expectativa é que a obra na igreja comece no início do ano que vem.

Fonte original da notícia: MGTV – Belo Horizonte




Belo Horizonte (MG) – Telas de Candido Portinari da Igrejinha da Pampulha serão restauradas

Telas de Portinari abordam a via-sacra. Wesley Rodrigues/Hoje em Dia

As 14 telas de Candido Portinari que estão na Igreja São Francisco de Assis e retratam as estações da via-sacra serão restauradas pelo Centro de Conservação e Restauro de Bens Culturais da UFMG (Cecor), a partir de um convênio com a Arquidiocese de Belo Horizonte. Na tarde desta terça (17), as obras serão tiradas da Igrejinha da Pampulha e encaminhadas à universidade.

O trabalho de restauro não se limita às telas. A visitação à Igreja de São Francisco na Pampulha, assim como as missas e celebrações, prosseguem normalmente até o dia 18 de novembro, mas, a partir daí, o espaço deve ficar fechado por um ano para restauração.

O trabalho de restauração terá supervisão do Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte e das instituições do poder público que cuidam da proteção de bens culturais – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) e Fundação Municipal de Cultura.

Para o transporte das obras, foi preparado um planejamento especial que contempla a cuidadosa embalagem de cada quadro, o controle da temperatura interna do veículo que levará as telas até o local indicado pelo Cecor e as medidas de segurança, com escolta policial.

Segundo a Fundação Municipal de Cultura, as obras de Portinari que compõem a Via Crucis, feitas com técnica de têmpera sobre madeira, foram restauradas uma única vez no início da década de 1990, por volta de 1992.

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Igre­ja no distrito de Ouro Preto (MG) é en­tre­gue à co­mu­ni­da­de após reforma

Ce­le­bra­ção eu­ca­rís­ti­ca mar­ca a en­tre­ga do tem­plo de Nos­sa Se­nho­ra das Do­res, de 1761, que foi com­ple­ta­men­te restaurado. Obra des­ven­dou pin­tu­ras es­con­di­das du­ran­te dé­ca­das.

Um trabalho minucioso dos restauradores na madeira do teto e nas paredes revelou verdadeiros tesouros. Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press

Do­min­go de fes­ta, ora­çõ­es e mui­ta ale­gria no dis­tri­to de Ca­cho­ei­ra do Cam­po, em Ou­ro Pre­to, na Re­gi­ão Central. Com pro­cis­são às 8h30 e mis­sa so­le­ne às 9h, se­rá en­tre­gue à co­mu­ni­da­de a Igre­ja de Nos­sa Se­nho­ra das Do­res, no dis­tri­to de Ca­cho­ei­ra do Cam­po, em Ou­ro Pre­to, na Re­gi­ão Central. O tem­plo da­ta de 1761 e é con­si­de­ra­do “o mais an­ti­go do país de­di­ca­do a Nos­sa Se­nho­ra das Do­res”, de acor­do com pes­qui­sas em do­cu­men­to do Ar­qui­vo Ul­tra­ma­ri­no de Lis­boa, Portugal. A ce­le­bra­ção eu­ca­rís­ti­ca se­rá pre­si­di­da pe­lo ar­ce­bis­po de Ma­ri­a­na, dom Ge­ral­do Lyrio Ro­cha, e con­ce­le­bra­da pe­los pa­dres Lu­is Ro­ber­to de Sou­za e Glau­ber Ro­dri­gues Lacerda.

O res­tau­ro da Igre­ja de Nos­sa Se­nho­ra das Do­res trou­xe de vol­ta pin­tu­ras es­con­di­das por dé­ca­das sob vá­ri­as ca­ma­das de tin­ta no for­ro e nas pa­re­des – em al­guns pon­tos, até 10, con­for­me mos­trou o Es­ta­do de Mi­nas em ma­té­ria pu­bli­ca­da em 30 de maio. A mai­or des­co­ber­ta es­tá lo­go na en­tra­da, no for­ro do átrio, on­de a equi­pe en­car­re­ga­da do ser­vi­ço en­con­trou guir­lan­das em po­li­cro­mia tam­pa­das pe­lo bran­co, que dei­xa­va à mos­tra ape­nas a ce­na do cal­vá­rio, cor­res­pon­den­te a 10% do tra­ba­lho original. A obra foi rei­vin­di­ca­da du­ran­te anos pe­la co­mu­ni­da­de e cus­te­a­da in­te­gral­men­te com re­cur­sos do Fun­do Mu­ni­ci­pal do Pa­tri­mô­nio (Funpa­tri), se­gun­do o se­cre­tá­rio mu­ni­ci­pal de Cul­tu­ra e Pa­tri­mô­nio, Za­queu As­to­ni Moreira. “Nes­ta rei­nau­gu­ra­ção, a igre­ja ga­nhou um gran­de pre­sen­te es­pe­ci­al, que se­rá in­cor­po­ra­do ao seu pa­tri­mô­nio e se­rá a logomarca. O pin­tor Car­los Bra­cher, que já te­ve uma re­si­dên­cia em fren­te do tem­plo, fez uma be­la aqua­re­la da fa­cha­da”, dis­se Zaqueu.

A reforma era uma reivindicação antiga dos moradores e foi custeada integralmente com recursos do fundo municipal do patrimônio. Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press

En­tre as vo­zes que se le­van­ta­ram pe­din­do o res­tau­ro, es­tá Ro­dri­go da Con­cei­ção Go­mes, pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção dos Ami­gos de Ca­cho­ei­ra do Cam­po (Amic) e co­or­de­na­dor da co­mu­ni­da­de de Nos­sa Se­nho­ra das Do­res, o tec­nó­lo­go em con­ser­va­ção e res­tau­ra­ção, que sem­pre aler­tou pa­ra o ris­co de per­da do templo. Pa­ra ele, a in­ter­ven­ção sig­ni­fi­ca “uma gran­de vi­tó­ria dos mo­ra­do­res, que pe­di­ram pro­vi­dên­cia às au­to­ri­da­des e fi­ze­ram no­ve­na”.

Em dois tempos. Tom­ba­da pe­lo mu­ni­cí­pio em no­vem­bro de 2010 e al­vo de re­pa­ros no te­lha­do no ano se­guin­te, o tem­plo ga­nhou um pro­je­to ar­qui­te­tô­ni­co pa­ra re­cu­pe­ra­ção e um pe­di­do, dos mo­ra­do­res, ao Con­se­lho Mu­ni­ci­pal do Pa­tri­mô­nio Cul­tu­ral (Com­pa­tri) pa­ra co­lo­cá-lo em prática. Co­or­de­na­do­ra do Pro­gra­ma de Ace­le­ra­ção do Cres­ci­men­to (PAC) Ci­da­des His­tó­ri­as pe­la Pre­fei­tu­ra de Ou­ro Pre­to, a ar­qui­te­ta Dé­bo­ra Quei­roz ex­pli­cou que a in­ter­ven­ção do tem­plo foi de­fi­ni­da co­mo pri­o­ri­tá­ria e di­vi­di­da em dois tempos. Na pri­mei­ra fa­se, fo­ram exe­cu­ta­dos os ser­vi­ços de re­cu­pe­ra­ção do pi­so, pa­re­des e es­qua­dri­as, im­plan­ta­ção de man­ta de pro­te­ção sob a co­ber­tu­ra, tro­ca de te­lhas, pre­en­chi­men­to de trin­cas e dre­na­gem no entorno. Além des­se pa­co­te de obras ci­vis, a equi­pe cui­dou da par­te elé­tri­ca, so­no­ri­za­ção e Sis­te­ma de Pro­te­ção con­tra Des­car­gas At­mos­fé­ri­cas (SP­DA).

A se­gun­da fa­se com­pre­en­deu os ele­men­tos ar­tís­ti­cos e tam­bém com re­cur­sos do Funpatri. Ou­tras sur­pre­sas en­can­ta­ram os res­tau­ra­do­res, co­mo o ver­de for­te pre­sen­te no al­tar da ca­pe­la-mor e acha­do sob oi­to ca­ma­das de tin­ta de cin­co co­res diferentes. Já nas pa­re­des, mais des­co­ber­tas: de­bai­xo de tin­ta, foi lo­ca­li­za­do um bar­ra­do com pin­tu­ras mar­mo­ri­za­das, no tom sal­mão, e da­ta­das de 1870-1880, cre­di­ta­das a ita­li­a­nos que mo­ra­ram na re­gi­ão no sé­cu­lo 19. Tam­bém fiéis às co­res que as pros­pec­çõ­es mos­tra­ram, os es­pe­ci­a­lis­tas de­ci­di­ram por um tom be­ge pa­ra a pa­re­de so­bre o barrado. A obra tão an­si­o­sa­men­te aguar­da­da pe­la co­mu­ni­da­de de Ca­cho­ei­ra do Cam­po não pa­rou de surpreender. Per­to do for­ro da na­ve, a qua­tro me­tros de al­tu­ra, fo­ram re­cu­pe­ra­dos o for­ro com nar­ra­ti­va bíblica.

História. Cons­truí­da em 1761 pa­ra as ce­ri­mô­ni­as da se­ma­na san­ta, a Igre­ja de Nos­sa Se­nho­ra das Do­res tem no for­ro o mai­or destaque. O que cha­ma lo­go a aten­ção de quem en­tra é a or­na­men­ta­ção com os 15 pa­i­néis da na­ve, de ins­pi­ra­ção me­di­e­val, re­pre­sen­tan­do a Pai­xão de Cris­to, do hor­to das oli­vei­ras à ressurreição.

Mui­tas his­tó­ri­as e len­das ron­dam a his­tó­ria da igreja. A ima­gem da san­ta de ro­ca, con­for­me a tra­di­ção oral, che­gou a Ca­cho­ei­ra do Cam­po em me­a­dos do sé­cu­lo 18 por­tan­do vá­ri­as joi­as, que desapareceram. “Con­tam que, sob os aus­pí­ci­os de uma mu­lher cha­ma­da Ma­ria Do­lo­ro­sa, a ima­gem per­cor­ria as ca­sas do dis­tri­to an­ga­ri­an­do fun­dos pa­ra a cons­tru­ção da igreja. Ou­tra an­ti­ga len­da afir­ma que os in­con­fi­den­tes se reu­ni­am no in­te­ri­or do tem­plo pa­ra, do al­to de sua tor­re es­quer­da, es­pi­o­nar o Vis­con­de de Bar­ba­ce­na em seu palácio.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Reforma e manutenção do Cine Teatro Municipal Vera Cruz são finalizadas em Uberaba (MG)

Melhorias foram realizadas pela Fundação Cultural, por meio do Setor Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural.

Cine Teatro Vera Cruz foi tombado em 2006 e é um dos marcos culturais de Uberaba. Foto: Fundação Cultural de Uberaba/Divulgação

A Fundação Cultural de Uberaba, por meio do Setor Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Sempac), finalizou, na última semana, uma reforma e manutenção no Cine Teatro Municipal Vera Cruz. As melhorias no bem tombado, aprovadas pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Conphau), foram feitas por meio de verba do Fundo Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba (Fumphau), que provém de arrecadações do ICMS Cultural.

Segundo a equipe técnica do Sempac, foram feitas a troca de telhas francesas semelhantes às já existentes, mantendo as características originais do bem, além da recomposição de placas laminadas do forro com proteção antichama, no segundo pavimento da plateia. Também foi realizada a limpeza e reforma de tubulação, calhas e rufos, para eliminar infiltrações.

Em agosto de 2016, a Fundação Cultural também executou reparo e manutenção de toda a pintura externa do Teatro, além do restauro dos letreiros do bem tombado. As melhorias, feitas através de recursos do ICMS Cultural, também representam novos pontos para o relatório de Patrimônio Histórico, fazendo com que o investimento retorne ao município por meio de repasse futuro pela pontuação relativa à preservação do bem tombado.

O Cine Teatro

O Cine Teatro Vera Cruz foi inaugurado em junho de 1948, devido ao empreendimento da Companhia Cinematográfica São Luiz, proprietária dos cines São Luiz, Metrópole e Royal. Com a construção, Uberaba recebeu um dos mais significativos monumentos arquitetônicos. A arquitetura moderna e arrojada é do arquiteto Taddeu Guizio. Localizado na Rua São Benedito, nº 290, Bairro São Benedito, o espaço é um dos marcos culturais da cidade e foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba em 2006. A capacidade é para mais de 900 pessoas.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro 




Pampulha tem importante conjunto arquitetônico histórico para Belo Horizonte (MG)

Conjunto arquitetônico, projetado por Oscar Niemeyer, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. A Lagoa da Pampulha é lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo.

Conjunto da Pampulha – Viva BH 120 anos. Foto: Reprodução/TV Globo

Pampulha é uma das regiões turísticas mais relevantes de Belo Horizonte. Nela está o conjunto arquitetônico, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

A Lagoa da Pampulha, espelho d’água criado entre as décadas de 1930 e 1940, é atualmente lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo. A lagoa, idealizada pelo ex-prefeito Otacílio Negrão de Lima, em 1936, já foi usada também por esportistas náuticos, mas a poluição e o assoreamento por conta do lixo acumulado impedem algumas práticas, como a pesca e a natação.

Apesar disso, a lagoa é importante ponto de encontro do belorizontino. A orla, com 18 quilômetros, é frequentada por praticantes de corrida e caminhada diariamente e, aos domingos, recebe mais visitantes.

No entorno da lagoa estão os prédios do conjunto que formam o Patrimônio Cultural da Humanidade – Casa do Baile, Museu de Arte da Pampulha, Igreja de São Francisco de Assis [conhecida como Igrejinha da Pampulha] e o Iate Tênis Clube. Além destes, pertencem ao conjunto arquitetônico o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade [conhecido como aeroporto da Pampulha], o Estádio Governador Magalhães Pinto [Mineirão], o Estádio Jornalista Felipe Drummond [Mineirinho], a Fundação Zoo-Botânica e o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Inaugurado em 1943, o Iate Tênis Clube foi criado para ser um espaço de esportes e lazer. Sua sede, com formato de barco, “avança” sobre o espelho da Lagoa da Pampulha. O local ganhou painéis de Cândido Portinari e do paisagista Burle Marx.

A Casa do Baile, localizada em uma ilha artificial e ligada à orla por uma ponte de concreto, foi inaugurada em 1943. Na época, o local era ponto de encontro da alta sociedade já que os preços cobrados no local estavam longe de serem populares. Um dos mais famosos frequentadores era o próprio Juscelino Kubitscheck, então prefeito da cidade, conhecido por sua afeição à vida boêmia.

O Museu de Arte da Pampulha nasceu como Cassino da Pampulha e foi o primeiro projeto do Conjunto Arquitetônico idealizado por Oscar Niemeyer a ficar pronto, em 1943. Os jardins que circundam o prédio foram feitos pelo paisagista Roberto Burle Marx. Estátuas de Alfredo Ceschiatti, August Zamoiski e José Pedrosa também foram incorporadas ao local.

O espaço funcionou como cassino até 1946 quando o jogo foi proibido no Brasil. Ele entrou em um período de decadência até 1957, ano em que foi transformado no Museu de Arte da Pampulha (MAP). Hoje ele abriga um acervo com cerca de 1,4 mil obras.

As curvas da Igrejinha, emoldurada com azulejos de Cândido Portinari e enfeitada pelos jardins de Burle Marx, não agradaram a Igreja Católica por ser considerada “moderna demais” pela Cúria Metropolitana. O local foi o último do Conjunto Arquitetônico a ser concluído.

O prédio permaneceu proibido ao culto por 14 anos, sofrendo com a má conservação. Ela só saiu do ostracismo quando o então papa João XXIII manifestou interesse em expor no Vaticano a via sacra de Portinari, registrada na Igrejinha. Mas a primeira missa só foi ser celebrada no dia 11 de abril de 1959.

A Pampulha como um todo pode ser traduzida pela fala de Oscar Niemeyer. “Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia o arquiteto.

Fonte original da notícia: G1 MG