Belém (PA) – Museu Emílio Goeldi recebe verba de R$ 400 mil para investir em aquário

Orçamento faz parte de projeto da Celpa, que garantirá um aporte de aproximadamente R$ 4,5 milhões para instituições paraenses.

Museu Paraense Emílio Goeldi vai receber um investimento na ordem de R$ 400 mil para a melhoria da estrutura do Aquário Jacques Huber. Foto: Divulgação/Museu Emílio Goeldi

O Museu Paraense Emílio Goeldi vai receber um investimento na ordem de R$ 400 mil para a melhoria da estrutura do Aquário Jacques Huber, que atualmente é uma das principais atrações do parque zoobotânico. O orçamento faz parte do Projeto Celpa Mais Desenvolvimento Social, que garantirá um aporte de aproximadamente R$ 4,5 milhões para instituições paraenses.

O aquário abriga diversas espécies aquáticas da região amazônica. “A verba viabilizará a construção de um espaço próprio para cuidar dos animais para o aquário. Ainda será possível propiciar o isolamento acústico do prédio, e a compra de equipamentos hidráulicos, elétricos e de segurança, e também mobiliário. São investimentos preciosos na melhoria da estrutura”, avalia o diretor do Museu, Nilson Gabas Junior.

Para o presidente da Celpa, Nonato Castro, é importante apoiar projetos sociais que suprem necessidades culturais e que atraem o turismo. “Fazer um trabalho social no Museu Emílio Goeldi é muito gratificante, pois este é um espaço com um potencial incrível para atrair turistas ao Estado. Além disso, ele abriga e dá tratamento adequado às espécies da nossa rica fauna amazônica”, avalia o presidente.

Outras doações

O projeto beneficiará outras instituições de Belém, como é o caso da Associação Paraense de Pessoas com Deficiência (APPD), que terá um investimento na ordem de R$ 490 mil para a reforma do prédio. Já no Lar Fabiano de Cristo, no bairro do Guamá, a iniciativa investirá R$ 390 mil. Em Castanhal, R$ 500 mil serão investidos na Associação Beneficente e Educativa Castelo dos Sonhos. Ainda na cidade modelo, a ONG Noolhar terá investimento de R$ 390 mil.

Marabá terá como instituição beneficiada a APAE, com um investimento na ordem de R$ 290 mil. Na Associação Caminhos do Emaús, em Conceição do Araguaia, serão investidos cerca de R$ 400 mil para a construção de uma casa de formação. Em Santarém, a Associação Artístico Cultural Maestro Wilson Fonseca, terá um investimento na ordem de R$ 700 mil para reformar o prédio.

“Foram meses de triagem e análise de cada projeto, por isso, eu quero agradecer a todos que participaram e acreditaram. Foi muito difícil escolher apenas oito, mas estamos empenhados a trabalhar cada vez mais”, afirma Michelle Miranda, analista de responsabilidade social da Celpa.

Fonte original da notícia: G1 PA




Rio Grande (RS) – Enquanto projeto é discutido, comunidade toma iniciativa de revitalizar Molhes da Barra no Cassino

Grafiteiro pintou por conta própria a estrutura de concreto que marca o fim do passeio de vagoneta. Dois arquitetos querem construir um complexo turístico no local, com mirantes, restaurante e um museu.

Reprodução/Internet. G1

Um grafiteiro resolveu dar mais cor aos Molhes da Barra, na praia do Cassino, em Rio Grande, onde são feitos os passeios de carrinhos à vela, as vagonetas. Ele recebeu ajuda com as tintas e, por conta própria, pintou estruturas de concreto no local. É a segunda vez que ele faz os grafites.

A iniciativa de Guilherme Gerundo ocorre enquanto uma comissão formada por representantes do governo estadual, do município, sindicatos e empresários discute a ideia de dois arquitetos que querem revitalizar a área. Eles projetam a construção de um complexo turístico, com mirantes, restaurante e um museu que vai contar a história da região, além de um centro para turistas.

O projeto ainda precisa de estudo de viabilidade, licenciamento ambiental e recursos.

“A ideia é sempre manter mais colorido, porque a tinta vai trazer mais visibilidade, traz mais vida para o ambiente”, diz Guilherme. Os grafites que ele fez no local em 2015 já estavam apagados.

Artista tomou iniciativa de fazer grafites no fim do passeio nos Molhes da Barra. Foto: Reprodução/RBS TV

A pintura do artista está no fim do passeio, onde existe uma escultura de leão-marinho e um mirante, que foram feitos pelos próprios vagoneteiros.

“O Porto colocou isso aí e a gente resolveu dar uma melhorada para o pessoal subir, olhar, porque não tinha nada. Então a gente resolveu dar esse toque aí para dar uma melhorada”, conta Antônio Sidnei Loureiro de Sá.

O passeio de vagoneta percorre quatro quilômetros pelos molhes da barra, formado por pedras que, antigamente, eram transportadas de trem pelos trilhos onde hoje passam os carrinhos à vela. É uma das maiores obras de engenharia oceânica, costruída para facilitar a entrada e a saída de navios do porto.

Passeio de vagonetas é principal atração turística da região. Foto: Reprodução/RBS TV

O resultado tem agradado visitantes. “Eu nunca tinha vindo aqui, achei muito legal ver os golfinhos lá que passaram. E eu gostei do leão-marinho, amei”, diz Ana Carolina Paz Viegas, de 8 anos. “É bonito demais, né?”, comenta o caminhoneiro Tarcísio Ferraza.

O problema é que falta estrutura na região, como banheiros e lugar para fazer refeições.

“Ele já é um atrativo hoje, ocorre é que nós não temos nenhuma estrutura. Os vagoneteiros, com alguma dificuldade, fazem o seu trabalho, têm uma associação, mas eu acho que nós podemos potencializar isso, esse passeio que hoje existe lá, e nós podemos organizar os molhes da barra”, diz o presidente da Comissão de Emprego e Renda, Renato Silveira.

Os passeios de vagoneta existem há 50 anos. Desde 2016, os carrinhos e os vagoneteiros da barrar do Porto de Rio Grande se tornaram patrimônio histórico cultural do estado. Os preços do passeio variam entre R$ 10 e R$ 50.

Leão-marinho é atração para crianças nos Molhes da Barra. Foto: Reprodução/RBS TV

Fonte original da notícia: G1 – RBS TV




Prédio da Prefeitura de Sabará (MG) será restaurado e pode virar museu

As outras opções para o Solar Padre Corrêa, que hoje abriga a prefeitura, são virar galeria de arte ou centro cultural.

Maria Rita, de 70 anos, destaca a importância histórica do prédio que ficam em frente a sua casa. Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press

Um dos prédios mais importantes de Minas – e ícone de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte – entra em nova fase da sua história na terça-feira, quando será iniciada a restauração, com recursos do governo federal. Construído em 1773, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e município e localizado na Rua Dom Pedro II, no Centro Histórico, o Solar Padre Corrêa, ao fim da obra, dentro de dois anos, deverá deixar de ser a sede da prefeitura local para se tornar um equipamento cultural, conforme adiantou nessa sexta-feira (23) o chefe do Executivo, Wander Borges (PSB). “Vamos discutir o assunto com a comunidade e o conselho do patrimônio. O mais indicado é que ele vire galeria de arte, museu ou centro cultural, atividades menos impactantes do que local administrativo”, informou o prefeito.

Na manhã de quinta-feira, Borges e a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, assinaram a ordem de serviço para início da reforma e restauração do sobrado, que terá investimento de R$ 4,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)/Avançar.

A superintendente destacou que “Sabará é uma pérola que temos pertinho da capital e o solar deve se tornar um polo de visitação. Este prédio é referência da arquitetura brasileira, patrimônio nacional com obras de elementos artísticos preciosos. Este ano, há em Minas muitas obras iniciadas, e a mais importante, com certeza, é a do sobrado”. Devido à falta de conservação, o prédio foi interditado em junho de 2016, por ordem do Ministério Público.

Célia informou que o serviço será completo e brincou “cabelo, barba e bigode”, o que significa toda a parte estrutural e os elementos artísticos. Ela garantiu que, desde dezembro, já estão depositados R$ 500 mil para início do projeto – os demais recursos serão liberados ao longo das obras, a partir das chamadas “medições”. Célia acrescentou que o projeto foi elaborado dentro de muito rigor e toda a fiscalização da obra, a cargo de uma empresa de Ouro Preto, vencedora da licitação, será acompanhada pelos técnicos do Iphan.

Orgulho.
Para moradores e especialistas na história de Sabará, uma das primeiras “vilas do ouro” de Minas, a recuperação do Solar do Padre Corrêa é motivo de orgulho. “Trata-se de uma obra que exige muito cuidado, pois é uma verdadeira obra de arte, com muitos detalhes nos forros e pinturas muito singulares. Em resumo, temos em Sabará um sobrado nobre na arquitetura e elementos artísticos”, diz José Bouzas, pesquisador, guardião da memória local e um dos grandes conhecedores da história de Sabará.

Bouzas explica que o casarão do século 18 pertenceu inicialmente ao padre que lhe deu o nome, depois ao Barão de Catas Altas e, já no século 19, ao coronel Jacinto Dias, um grande minerador. “Na capela dedicada a São José há uma talha atribuída a Francisco Vieira Servas (1720-1811), um dos grandes artistas do período colonial. E no interior do prédio há também painéis enormes, pinturas alusivas à vida religiosa do primeiro proprietário e forros de gamela em jacarandá”, informa Bouzas, observando que, no sobrado, funcionaram a prefeitura e a câmara até 1970 e depois apenas a prefeitura. Um dos destaques elegantes está no mobiliário de jacarandá que ficou de herança dos últimos donos, incluindo canapés, conversadeira e mesas.

Liberado. Para a obra deslanchar, todos os funcionários foram transferidos para outros prédios, da mesma forma que foram retirados todos os equipamentos, diz o prefeito: “Está fechado”. E acrescenta que “foram diversas articulações políticas para conquistarmos o recurso federal. Já temos disponibilizados no caixa da prefeitura R$ 500 mil para o pagamento da primeira medição. O Conselho de Patrimônio participará dessa fiscalização junto à Prefeitura e ao Iphan”.

Moradora há 60 anos de uma casa de frente para o Solar Padre Corrêa, Maria Rita Ferreira, de 70, está certa de que a restauração só valoriza a história de Sabará. Ressaltando o ano da construção, 1773, Maria Rita avalia que a construção representa um dos pilares da história da sua cidade, nascida nos primórdios da mineração de ouro.

Considerado um dos mais belos exemplos de arquitetura civil em minas, o prédio integrante do conjunto arquitetônico da antiga Rua Direita hospedou personagens ilustres da história do país. Pesquisas feitas pela prefeitura mostram que a casa reúne elementos da arquitetura urbana e rural portuguesa, com vedações em adobe e cunhais de madeira. No interior se destacam a escada com balaústres em jacarandá, forros decorados do segundo pavimento, e sobretudo a capela, com a belíssima talha rococó.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Nova obra de Van Gogh é descoberta por pesquisadores do Museu Van Gogh

Foto: Robin Van Lonkhuijsen/ANP/JC

Um grupo de pesquisadores do Museu Van Gogh confirmou nesta terça-feira (16) a autoria de um novo quadro do pintor Vincent Van Gogh. Esta nova obra – chamada de A Colina de Montmartre com a Pedreira – foi produzida pelo pintor enquanto estava na Academia de Antuérpia, em março de 1886, e estava exposta na fundação Van Vlissingen Art. O artista é reconhecido pela capacidade de expandir as cores em seus quadros, mas a única característica que aproxima todas as suas obras é a escuridão. A obra foi apresentada no Singer Museum em Laren, na Holanda.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




São Paulo (SP) – Masp anuncia calendário de exposições de 2018

Entre elas estão obras de Aleijadinho e pinturas da artista autodidata Maria Auxiliadora.

O Masp: nove mostras confirmadas em 2018. Milton Galvani/Veja SP

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) acaba de anunciar seu calendário de exposições para 2018. Nesse novo ciclo, as mostras serão norteadas pelas histórias e narrativas afro-atlânticas, que se baseiam no estudo do processo de escravização das populações africanas em territórios caribenhos, europeus e americanos, e as trocas culturais e artísticas entre esses povos.

O museu tem nove mostras confirmadas. Em março, duas delas serão abertas. A primeira se debruçará sobre a produção de Aleijadinho, escultor negro, considerado uma das referências do barroco brasileiro, e a segunda será dedicada às pinturas da artista autodidata Maria Auxiliadora. Em abril, será a vez do curador e artista Emanoel Araújo, nome fundamental da arte afro-brasileira.

O calendário do primeiro semestre será finalizado com as Histórias Afro-Atlânticas, uma grande coletiva nas quais serão tratados os fluxos entre África, as Américas, Caribe e Europa.

Um detalhe interessante da exposição é a composição da equipe curatorial. Junto ao diretor artístico e os curadores do museu – respectivamente, Adriano Pedrosa, Tomás Toledo e Lilia Schwarcz – estão o artista Ayrson Heráclito, cuja obra é dedicada à reflexão sobre questões da população negra, e o pesquisador Hélio Menezes, que nos últimos anos também tem estudado o assunto.

O segundo semestre segue com duas mostras com inauguração marcada para agosto:as individuais do americano Melvin Edwards e do brasileiro Rubem Valentim (1922- 1991). Em novembro, o artista uruguaio Pedro Figari e a brasileira Sônia Gomes ocuparão o museu. E, em dezembro, a priori, teremos a última mostra, uma individual da carioca Lucia Laguna.

Por Tatiane de Assis

Fonte original da notícia: Veja São Paulo




Florença/Itália – Museu tem direitos comerciais sobre imagem de estátua de David

A imagem de Michelangelo não pode ser explorada com fins comerciais sem a autorização da Galeria da Academia de Florença.

David, de Michelangelo: a escultura de mármore branco foi realizada por Michelangelo entre 1501 e 1504. Franco Origlia/Getty Images/Getty Images

Uma sentença judicial na Itália atribuiu os direitos comerciais sobre as imagens da famosa estátua de David, do artista Michelangelo, a um museu de Florença, informaram nesta quinta-feira fontes da imprensa local.

A imagem de Michelangelo não pode ser explorada com fins comerciais sem a autorização da Galeria da Academia de Florença e sem o pagamento dos direitos, segundo a sentença emitida pelo tribunal de Florença (centro da Itália).

Pela primeira vez um tribunal italiano se pronunciou sobre o uso por parte de uma empresa privada de um dos ícones da arte nos bilhetes de acesso ao museu florentino.

A escultura de mármore branco foi realizada por Michelangelo entre 1501 e 1504, e seu original se encontra na Galeria da Academia de Florença.

“É um precedente e um modelo para outros museus”, assegurou Cecilie Hollberg, diretora do museu e a pessoa que promoveu a denúncia legal.

“Esta é uma vitória para todos os bens culturais da Itália”, acrescentou.

Os juízes não especificaram se a decisão pode ser aplicada aos objetos, cartões postais e souvenires que trazem a imagem de uma das esculturas mais importantes do Renascimento.

Por AFP

Fonte original da notícia: Revista Exame




São Paulo (SP) – Como o Masp, que estava quase falindo, virou um museu capitalista

Um grupo de executivos do setor privado reestruturou o Masp, que estava à beira da falência. O desafio é evitar que ele precise de ajuda de novo.

Crédito: Germano Lüders

No ano em que completa sete décadas de existência, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) está imerso numa daquelas controvérsias de que é difícil sair sem ser criticado. Pela primeira vez desde que foi fundado, em 1947, o museu — que reúne a maior coleção de arte europeia fora da Europa e dos Estados Unidos — decidiu limitar o acesso a uma exposição. Apenas maiores de 18 anos poderão apreciar as obras da mostra Histórias da Sexualidade, em cartaz desde 20 de outubro. A direção diz que a censura foi recomendada por advogados depois da celeuma envolvendo a mostra Queermuseu, em Porto Alegre, que acabou cancelada em razão dos protestos de grupos conservadores.

Para os críticos, porém, a medida foi um exagero, e o museu se rendeu à patrulha ideológica. A polêmica acabou gerando publicidade para a exposição e houve filas nos dias iniciais. O curioso é que a crise ocorre num momento de renascimento do Masp: nos últimos anos, a nova gestão promoveu uma profunda transformação na instituição que é um símbolo da maior cidade do país.

Em 2013, o Masp estava à beira da falência. Tinha uma dívida impagável e uma receita que mal cobria suas despesas — algumas contas estavam atrasadas havia meses. Diante da penúria, corria o risco de fechar as portas e ter seu acervo, de mais de 8 000 obras, estatizado. Na época, Alberto Whitaker, então superintendente do Masp, procurou Alfredo Setubal, que era um dos principais executivos do banco Itaú, para pedir um empréstimo — que foi negado. Em vez de liberar o dinheiro, Setubal, atualmente presidente da Itaúsa, a holding que controla o Itaú, decidiu se envolver num projeto de reestruturação.

De lá para cá, o Masp passou por uma mudança semelhante às que acontecem em empresas em crise financeira. De 2013 a 2016, seu faturamento quadruplicou e chegou a quase 40 milhões de reais. Como as despesas estão em cerca de 38 milhões de reais por ano, o museu passou a ser superavitário. No mesmo período, o endividamento caiu de 75 milhões de reais para 40 milhões. Mas tão surpreendente quanto a melhora dos números foi a maneira como ela aconteceu.

Setubal procurou Heitor Martins, sócio da consultoria McKinsey que havia sido responsável pela guinada financeira da Fundação Bienal de São Paulo. Casado com Fernanda Feitosa, fundadora e diretora da SP-Arte, feira que acontece anualmente em São Paulo e reúne mais de uma centena de galerias nacionais e estrangeiras, Martins presidiu a Bienal de São Paulo de 2009 a 2012. Setubal sabia que o executivo tinha a ambição de dirigir o Masp, e os dois acertaram uma parceria. A dupla acreditava que qualquer mudança duradoura deveria começar com uma renovação do pessoal e da forma de administração do museu.

Desde sua fundação em 1947, passando pelo momento em que Elizabeth II, a rainha da Inglaterra, veio ao Brasil para inaugurar a sede na Avenida Paulista em 1968, até tempos recentes, a instituição passou por longos períodos de administrações personalistas. Pietro Maria Bardi, que fundou o Masp e era casado com Lina Bo Bardi, a arquiteta que idealizou o prédio flutuando a 8,5 metros do solo, ditou as linhas do museu durante 50 anos — embora, oficialmente, os diretores fossem trocados.

Nos anos 90, esse papel foi assumido pelo arquiteto Julio Neves. Esses líderes eram apoiados por um grupo de cerca de 30 associados, que comandaram o museu até 2013 e conheciam a fundo sua história e seu patrimônio cultural. A gestão das partes operacional e financeira, porém, era um problema: não havia processos para a tomada de decisões nem um acompanhamento financeiro periódico dos resultados gerais da instituição e das receitas geradas por bilheteria, loja e aluguel do auditório.

Antes de iniciar as mudanças na gestão, Martins e Setubal decidiram criar um novo estatuto para o Masp. Preparado pelo advogado Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório Pinheiro Neto, o texto tomou como base documentos similares adotados pelo Museu de Arte Moderna, o MoMA, e pelo Metropolitan, ambos em Nova York. O estatuto deslocou o poder de decisão da assembleia de associados para um conselho deliberativo, formado por 80 empresários, executivos e ex-executivos de empresas, advogados e investidores, entre outros. “O Heitor mostrava como seria a nova estrutura do museu, as bases da governança. Era tudo muito convincente”, diz Geyse Diniz, mulher do empresário Abilio Diniz, que é vice-presidente do conselho.

Hoje, o órgão é integrado também por Fersen Lambranho, sócio da gestora GP Investimentos, Flávio Rocha, dono da varejista Riachuelo, Luis Stuhlberger, sócio da gestora Verde, Roberto Sallouti, presidente do banco BTG Pactual e José Olympio Pereira, presidente do banco Credit Suisse, além do ministro Henrique Meirelles e de Alfredo Setubal, que preside o conselho.

Para fazer parte do grupo, era preciso doar 150.000 reais e assumir o compromisso de doar outros 35.000 reais por ano. “Nós precisávamos de dinheiro e queríamos atrair pessoas comprometidas com o museu”, diz Bertoldi. “Por isso, estabelecemos uma quantia razoavelmente alta, mas alguns conselheiros doaram valores bem maiores, que chegaram a 500.000 reais.” O resultado da iniciativa foi uma arrecadação de 15 milhões de -reais. Outros executivos tornaram-se diretores estatutários, caso de Jackson Schneider, presidente da divisão de defesa e segurança da fabricante de aeronaves Embraer, Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, e Alberto Fernandes, vice-presidente do Itaú BBA, além de Bertoldi. 

Com a estrutura de tomada de decisões definida, Martins iniciou seu plano de reorganização administrativa. Fez um estudo e concluiu que era possível aumentar o preço do ingresso, o que elevou a arrecadação da bilheteria — a previsão é chegar a 5,3 bilhões de reais neste ano, uma alta de quase 200% em relação a 2013. As vendas na loja passaram a ser acompanhadas diariamente e foi feita uma análise do que era mais vendido e do que encalhava, permitindo uma melhor administração de compras e estoques.

Com isso, o gasto médio por visitante do museu passou de 1,5 real, em 2013, para 4,5 reais. “Fizemos o óbvio. Tínhamos bons ativos, bastava melhorar a gestão deles”, afirma Lucas Pessôa, diretor de operações do Masp e ex-executivo da gestora Pátria. Além disso, a dívida foi renegociada. Um dos credores, a empresa de telecomunicações Vivo, aceitou converter uma dívida de 35 milhões de reais em cotas de patrocínio por cinco anos. A dívida restante foi alongada, com pagamentos parcelados em até 20 anos.

Um museu bem administrado não é, necessariamente, um bom museu, do ponto de vista artístico. Para ser reconhecido como tal, precisa ter um acervo de qualidade e a capacidade de realizar mostras relevantes e bem cuidadas. Mas ter dinheiro acaba ajudando nisso também. A melhora dos resultados do Masp permitiu reforçar a equipe de curadoria. Hoje, existem seis curadores adjuntos, entre eles o mexicano Pablo Léon de La Barra (ex-Guggenheim), a historiadora Lilia Schwarcz e Rodrigo Moura (ex-Inhotim). “Trazer curadores adjuntos é um sonho que sempre tivemos. Mas nunca tivemos recursos para realizá-lo”, diz Julio Neves, que, com a reorganização, tornou-se presidente de honra do Masp.

As mudanças, porém, geraram atritos. O antigo diretor artístico, José Teixeira -Coelho Netto, substituído em 2014 depois de sete anos no cargo, chegou a processar a instituição e fechou um acordo de indenização. Pessoas próximas a Netto dizem que ele se sentiu traído no processo de mudança. O novo diretor artístico é Adriano Pedrosa, que foi curador da Bienal de Arte de São Paulo e da de Istambul e já foi apontado como uma das personalidades mais influentes da cena artística mundial pela revista britânica ArtReview, uma das mais respeitadas do meio.

A reestruturação resolveu o momento mais agudo da crise recente do Masp. O desafio, agora, é manter sua situação financeira saudável ao longo dos anos. Não é a primeira vez que o museu é resgatado por ricaços — em 2006, a luz chegou a ser cortada e a conta só foi paga com doações. É verdade que as mudanças atuais são profundas. Ainda assim, 70% das receitas da instituição vêm de patrocínios de empresas e doações — que podem minguar a qualquer momento.  “Não queremos ficar aqui para gerir o museu”, diz Jackson Schneider. “Estamos para preparar nossa saída.”

Foi criada uma área de captação de doações e patrocínios, para recursos de empresas e indivíduos, aqui e no exterior. De 2014 a 2017, apenas com pessoas físicas no Brasil, foram captados 50 milhões de reais, sem isenções fiscais. “O que viabilizou nosso plano foi um projeto de governança, associado aos novos líderes”, diz Martins. “O dinheiro foi consequência.” O plano é abrir uma fundação nos Estados Unidos para receber contribuições com base nos benefícios fiscais previstos pela legislação americana, mais atrativos do que os brasileiros.

Em junho, o Masp também se tornou a primeira instituição cultural do país a criar um fundo de endowment, que é comum em universidades, museus e orquestras nos Estados Unidos. Esse tipo de fundo reúne doações e investe esses recursos — os rendimentos são usados para pagar parte das despesas da entidade. Depois de um tempo, o dinheiro é devolvido aos doadores, e novos recursos são captados. O fundo do Masp captou 15 milhões de reais em quatro meses, e a meta é chegar a 40 milhões de reais. O desenho da versão nacional tomou como base instituições americanas, como o J. Paul Getty, de Los Angeles, cujo fundo acumula 6,5 bilhões de dólares.

Na Europa, a maior parte dos grandes museus ainda recebe subsídios do Estado para se manter, mas o modelo começa a mudar. Os recursos públicos diminuíram depois da crise de 2008, e os museus vêm buscando fontes alternativas de receita. O Louvre, de Paris, está reforçando ações como a cobrança pelas obras que remete para exposições em outros museus.

O problema são os outros

Se o modelo do Masp vingar, poderá servir de inspiração para outros museus brasileiros em situação complicada. O país tem 3.500 dessas instituições. Estudos mostram que quase todas apresentam problemas em áreas como conservação do acervo, climatização, reservas técnicas, além de déficits de funcionários e público.

O Museu do Ipiranga, em São Paulo, está interditado desde 2013, quando um laudo técnico apontou o risco de desabamento. Recentemente, o governo de São Paulo lançou um programa para captar doações e, finalmente, restaurar  o museu. “A profissionalização dos administradores, as estratégias adotadas, como a criação de um fundo patrimonial, e o engajamento das pessoas são exemplos de ações que podem, sim, ser aproveitadas por todos”, diz Marcelo Araújo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao Ministério da Cultura.

Araújo, que é ex-diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e faz parte do conselho do Masp, observa, entretanto, que o museu paulistano tem peculiaridades que o tornam único. “É um símbolo de São Paulo e atrai a atenção de todos. Isso ajuda muito”, diz. Especialmente na hora de captar recursos. Seu patrimônio, estimado entre 2 bilhões e 3 bilhões de reais, é formado por obras de Renoir, Degas e Monet, entre outros. Para Setubal, deixar uma instituição com esse acervo sucumbir seria como “morrer afogado numa poça d’água”. Por ora, o risco está afastado. O país agradece. 

Por Carlos Rydlewski

Fonte original da notícia: Revista Exame




São Leopoldo (RS) – Evento quer arrecadar verbas para reabrir o museu Casa do Imigrante

Imóvel, construído em 1.788, conta com um acervo de diversas famílias.

Casa do Imigrante está fechada para visitação há quatro anos por conta de danos estruturais | Foto: Stephany Sander / Especial / CP

Com o objetivo de arrecadar verbas para reabrir o museu Casa do Imigrante, localizado no bairro Feitoria em São Leopoldo, ocorre neste final de semana a ação “Pode entrar, a casa é sua”. O evento tem ainda o objetivo de aproximar a comunidade da Casa, fechada para visitação há quatro anos por conta de danos estruturais.

O imóvel, construído em 1.788, acolheu os primeiros imigrantes alemães na cidade de São Leopoldo, conta com um acervo de diversas famílias, e é tombado como patrimônio histórico pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado – IPHAE, desde 1982. O evento deste domingo ocorrerá das 10h às 18h, no pátio do museu, com apresentações artísticas e musicais, além de mostras culturais, food trucks, comida típica alemã e brinquedos infláveis para as crianças. A entrada será gratuita.

Fonte original da notícia: Correio do Povo




Museu do Sertão comemora 44 anos em Petrolina (PE)

O acervo do local conta com 3 mil peças. O espaço é aberto à visitação de terça a domingo.

Museu do Sertão é aberto à visitação. Foto: Jonas Santos.

O Museu do Sertão completou nesta sexta-feira (27), 44 anos, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Depois de ser reformado, o local foi reaberto este mês para visitação.

O espaço retrata a história do Sertão através de 3 mil peças presentes no acervo. Entre elas, materiais arqueológicos, móveis decorativos de casas tipicamente sertanejas, artesanato, além de itens de Luiz Gonzaga, na ala Cultura e Economia. O local conta ainda com um jardim repleto de plantas nativas e uma ala Religiosa.

O local é aberto à população e a entrada é gratuita. A visitação pode ser feita de terça a sábado entre 9h e 17h e aos domingos, das 9h às 14h. Outras informações pelo telefone (87) 3862-1943.

Fonte original da notícia: G1 Petrolina




Brasileiro é multado após urinar em parede de museu na Itália

Jovem, de 20 anos, alegou que não sabia que seu comportamento era proibido por lei.

Casa de Dante, em Florença – Reprodução Internet.

Um brasileiro de 20 anos foi multado após ter sido flagrado urinando na parede externa da Casa de Dante, museu sobre a vida do poeta Dante Alighieri, em Florença, no Norte da Itália. O episódio ocorreu na noite de quarta-feira, a poucos passos da principal igreja da capital da Toscana.

O jovem, que mora há anos na província de Arezzo, pediu desculpas aos policiais e disse que não sabia que urinar na parede do museu fosse proibido por lei. O valor da multa não foi informado.

A Casa de Dante fica na parte mais antiga do centro histórico de Florença e conserva reproduções de documentos do importante escritor italiano. Dante Alighieri é autor de “Divina Comédia”, lançado no século XVI.

Fonte original da notícia: O Globo