Curitiba (PR) – Justiça pede perícia e depoimentos sobre demolição de casa centenária pela Prefeitura

Foto: Lucilia Guimarães/FCC

O despacho é assinado pelo juiz Guilherme de Paula Rezende e atende a uma ação civil pública apresentada pelo Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná.

Segundo o advogado do sindicato, Rámon Bentivenha, o entendimento é que a casa foi demolida de modo precipitado, desconsiderando quaisquer chances de restauro do imóvel.

A casa-museu ficava no parque São Lourenço e foi batizada com o nome do morador mais ilustre, o escultor Erbo Stenzel. A casa foi atingida pelo fogo na madrugada do dia 14 de junho de 2017 e o que restou dela foi demolido no mesmo dia, apesar de as chamas não terem se alastrado para a parte da frente da edificação.

Construído em 1928, o imóvel é considerado por especialistas como uma das construções em madeira mais representativas e emblemáticas da cidade, de teor histórico inegável.

Em resposta, o município alegou à justiça que – oficialmente – a Casa Erbo Stenzel não fazia parte do patrimônio Cultural da cidade e por isso não caberia a apresentação da ação civil pública. Entretanto, o juiz desconsiderou a argumentação, entendendo que o reconhecimento de hipotético valor histórico, artístico, estético, turístico e paisagístico não se configura como atribuição exclusiva da administração.

Ainda na decisão tomada pela 4ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, ficou definida a produção de provas, exibição de documentos, realização de depoimentos dos réus apontados e ainda uma perícia no que sobrou da casa.

De acordo com o juiz, o objetivo é definir se houve de fato ato lesivo ao patrimônio com a decisão do município pela demolição da casa. A ação pede ainda responsabilização dos agentes públicos envolvidos na decisão, entre ele o prefeito, Rafael Greca.

Sobre o caso, a prefeitura se manifestou por meio de nota, em que afirma que a Procuradoria Geral do Município tem prestado todos os esclarecimentos no processo, que segue seu curso normal, com a realização de perícia e demais provas requeridas pelas partes. Ainda segundo a prefeitura, A casa Erbo Stenzel foi atingida por um incêndio que a destruiu no ano passado. Diz a nota que “por apresentar risco efetivo de desabamento, com a possibilidade de danos pessoais aos usuários do parque São Lourenço, foi demolida, baseado em laudos dos Bombeiros e da polícia Civil”.

Por Cristina Seciuk

Fonte original da notícia: CBN




Curitiba (PR) – II Seminário Nacional de Patrimônios, Arquivos, Museus e Bibliotecas

O Seminário Nacional de Patrimônios, Arquivos, Museus e Bibliotecas teve sua primeira edição em 2016. Neste evento, são tratados temas como a preservação de acervos até educação patrimonial. Além disso, em torno de vinte e cinco representantes de entidades que atuam na área vem à PUCPR contar como aconteciam as atividades, gestões, teorias e métodos utilizados e o eco desses trabalhos na sociedade na qual estavam inseridos.

Em 2018, segunda edição do evento, a programação contará com palestras sobre temas teórico-práticos. O evento acontecerá em dois dias, 29 e 30 de maio, manhã e tarde. Os temas desse ano serão: o potencial do terceiro setor na gestão do patrimônio, o destino de acervos privados, modos de ocupação de patrimônios ou prédios históricos, o Programa Memória do Mundo da UNESCO e a relação patrimônio-memória.

Programação

29 de maio
9h – Recepção e Cadastramento.
9h30 – Abertura.
10h – Palestra com Telmo Padilha Cesar (Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico).
11h30 – Almoço.
14h – Mesa Redonda “Programa Memória do Mundo”:
Mediador: Renato Carneiro Júnior (Museu Paranaense);
Convidada: Jussara Derenji (Universidade Federal do Pará/Comitê Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO).
15h30 – Intervalo.
16h – Palestra com Irã Taborda Dudeque (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).
17h30 – Encerramento.

30 de maio
9h – Recepção e Cadastramento.
9h30 – Abertura e Palestra com Maria Amália Silva Alves de Oliveira (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).
11h – Palestra com Adauto Cândido Soares (Setor de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil).
12h – Almoço.
14h – Mesa Redonda “Destino de Acervos Privados”:
Mediador: Luciano Chinda Doarte (Círculo de Estudos Bandeirantes/Pontifícia Universidade Católica do Paraná);
Convidados: Cláudia Inês Parellada (Museu Paranaense);
Paulo José da Costa (Sebo Fígaro);
Fernanda Emanoela Nogueira (Biblioteca do Setor de Ciências Humanas e Educação da UFPR);
Mario Ferreira Neto (Biblioteca Central da Universidade Positivo);
Ehrenfried Othmar Wittig (Museu da Associação Médica do Paraná);
Heloísa Helena Anzolin (Biblioteca Central da PUCPR);
16h30 – Encerramento.

Fonte original da notícia: PUC PR




Projeto vai colocar QR code em imóveis históricos de Curitiba (PR) com detalhes das construções

Projeto da UTFPR está catalogando o patrimônio histórico de Curitiba e disponibilizando todas as informações em portal.

Foto: Arquivo/Gazeta do Povo/Antonio More

Projeto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) está catalogando o patrimônio histórico de Curitiba e disponibilizando todas as informações neste site. O portal está sendo alimentado aos poucos com todas as pesquisas realizadas desde 2011 por mais de 560 alunos, liderados pelas arquitetas Giceli Portela e Iaskara Florenzano. No futuro próximo, a intenção é instalar QR code em frente a todas as construções, em um azulejo, para as pessoas terem acesso à história completa da edificação em tempo real de interesse.

As pesquisas históricas, de fotografia, desenho e maquete já se debruçaram sobre o São Francisco, com especial atenção para as ruas Trajano Reis, Paula Gomes e Saldanha Marinho, casas de madeira, casas modernistas e praças centrais, como a Tiradentes e a Eufrásio Correia.

A intenção é que o material disponibilizado, que ultrapassa 400 obras, esteja em uma linguagem acessível para todos, e não apenas em jargão técnico para arquitetos e profissionais de restauro. Agora os estudantes e os professores se dedicam a esmiuçar o patrimônio industrial do Rebouças.

O primeiro QR code já foi instalado no imóvel sede da UTFPR, que é uma Unidade de Interesse de Preservação de Curitiba (UIP).

Por Luan Galani

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Salve a Ilha do Mel

A Ilha do Mel pede SOCORRO!

Uma nova canção, criada e interpretada por “artivistas” voluntários do movimento apartidário “#ParePresteAtenção!” denuncia a construção de um agressivo complexo industrial e um porto privado em frente à Ilha do Mel. Pra piorar o drama, o Governo do Paraná pretende colocar abaixo mais de quatro milhões de metros quadrados de Mata Atlântica em extinção para construir uma estrada que atenderia ao intenso fluxo de caminhões do futuro porto. Diversas ilegalidades vêm sendo praticadas para beneficiar poucos, condenar a sobrevivência de culturas e comunidades tradicionais que vivem há séculos no local e a prejudicar irreversivelmente a vocação turística de uma região com biodiversidade e características únicas no mundo. Até quando vamos permitir o “progresso” a qualquer custo? Aumente o som, assista quantas vezes quiser e compartilhe! Para saber mais e questionar o poder público, acesse www.salveailhadomel.com.br!

Fonte original da notícia: Observatório de Justiça & Conservação




Paraná comemora 100 anos da escola que moldou o agronegócio do estado

Fundada em 1918, Escola Agronômica do Paraná comemorou nesta quinta-feira cem anos com a presença de familiares dos fundadores.

Diferentes gerações em uma foto, da esquerda para a direita: Fukuo Morimoto, formado há 50 anos; o vice-coordenador João Carlos Bespalhok Filho; o presidente do Centro Acadêmico Leonardo Glinkski ; o coordenador Luiz Antonio Lucchesi; o ex-advogado e aluno Michael Jangada.

No início do século 20, madeira e erva mate eram os motores da agricultura paranaense. Mas ainda faltava algo para explorar esse potencial: profissionais especializados. Já era tempo de criar um curso de Agronomia na Universidade do Paraná.

Em fevereiro de 1915, isso finalmente ocorreu, ainda com o curso vinculado às engenharias. Mas não por muito tempo. Três anos depois, o curso foi extinto devido à legislação de escolas politécnicas: elas não poderiam possuir o vínculo para o ensino agronômico.

A resposta foi imediata. Um projeto de lei estadual proposto pelo deputado Romário Martins passou a vigorar no dia 5 de abril de 1918, criando a Escola Agronômica do Paraná, fundada por Martins e outros depois mentores: Lysimaco Ferreira da Costa, o primeiro diretor, e Adolar de Hefreville Hintz, primeiro agrônomo a lecionar na escola. Ela inicialmente ficou no Ginásio Paranaense, na Rua Emerlino de Leão. Nove anos depois, foi transferida novamente para a Universidade do Paraná, no Palácio das Luzes.

Contribuição ao agronegócio

Hoje, cem anos depois, os fundadores podem não estar presentes, mas serão homenageados. O centenário da escola será comemorado às 19h pela coordenação do Curso de Agronomia do Paraná, no Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná, onde a Escola Agronômica está hospedada atualmente.

Luiz Antonio Lucchesi, atual coordenador do curso de graduação em Agronomia, destaca que as famílias dos fundadores estarão presentes no evento da escola, que está diretamente ligada à evolução do agronegócio no Paraná.

“A contribuição é fundamental. Somos talvez a 3ª ou 4ª escola [de agronomia] do Brasil. Apoiamos o aumento da produtividade, o desenvolvimento do cooperativismo. Questões polêmicas como o uso de transgênicos, agroquímicos fazem parte do nosso trabalho e lidamos com problemas graves da agronomia, partindo para a solução, como o uso de água adequado, erosão, herbicidas”, exemplifica o coordenador.

A escola foi reconhecida como de utilidade pública já em 1919 pelo presidente Epitácio Pessoa e registrada no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio naquele ano, sendo oferecida a outros estados, inclusive com uma carta divulgada pela escola “Aos Mato-grossenses”, republicada no livro História da Escola Agronômica do Paraná, do autor Luiz Doni Filho.

“Desde o começo, tínhamos pessoas do interior do Paraná, de outros estados e até mesmo de fora do país que vinham e voltavam levando o nome da escola. Ela começou a crescer em fama através das pessoas que levavam esses ensinamentos”, emenda o vice-coordenador do curso, João Carlos Bespalhok Filho.

Do Brasil para o mundo

Ao longo dos anos, a escola se tornou referência nacional e internacional, garante Lucchesi. Bespalhok conta que atualmente a universidade recebe estudantes de todo o mundo, além de promover programas reconhecidos internacionalmente.

“Pelo projeto Solo na Escola, por exemplo, nossos professores explicam a produção de alimentos a estudantes [do ensino fundamental] . A ação recebeu o reconhecimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura é uma agência das Nações Unidas)”, afirma Bespalhok.

Os coordenadores reforçam ainda o intercâmbio realizado entre a UFPR e outras universidades do mundo. “Temos mais de 80 convênios internacionais, fora os programas de mobilidade nacional”, destaca Luchessi. Há, por exemplo, programas de estágio em parceria com a Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, um país que, assim como o Brasil, é forte produtor agrícola.

Formados há meio século

Durante esses cem anos, a escola mais famosa do agronegócio paranaense formou diversas personalidades. Um delas é o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Outro é o ex-diretor de Itaipu, Jorge Samek. Há exatos 50 anos também saia das portas da universidade outra ‘lenda do agronegócio’: José Aroldo Galassini, fundador e presidente da maior cooperativa da América Latina, Coamo.

“Há 50 anos era mais teoria. Tínhamos as disciplinas de matemática, química e íamos nos aperfeiçoando. Aprendíamos muito com os com os produtores porque não tínhamos aquela bagagem prática”, recorda Galassini, que brinca ter sido um aluno ‘nota 7’. “Nunca fui o melhor nem o pior da turma”, diz.

Da mesma turma do presidente da Coamo saiu também um coordenador do curso da agronomia UFPR: Fukuo Morimoto. Ele começou a lecionar fruticultura em 1970, trabalhando na antiga Carpa, atual Emater. Nos anos 2000, ele se aposentou da empresa e foi coordenador por duas gestões. Ele conta que, quando aluno, muito da parte prática era feito na própria fazenda do curso. “Mas quando eu era professor sempre buscava levar os alunos em viagens para conhecer. A maior satisfação profissional da minha vida foi formar alunos”, diz Morimoto.

Nesse panorama, os alunos de hoje se dividem entre aqueles que querem ir para as fazendas e outros que buscam atuar em outras áreas agronômicas. “Eu particularmente penso em concursos ou alguma empresa. Muita gente que se forma aqui tem boas chances pela qualidade do curso”, afirma Leonardo Glinkski, presidente do Centro Acadêmico de Agronomia da UFPR.

Caminho oposto do colega Michael Jangada. Ex-advogado, com 32 anos, Jangada percebeu no curso uma oportunidade para resgatar a produção das terras da família, no interior do Paraná. “Fui criado no Rio de Janeiro e passei em várias universidades, como a de Viçosa, que é muito famosa. Mas escolhi a Federal pela qualidade dos professores, o reconhecimento e também pela proximidade com as terras da família, em Embaú”, completa.

Hoje o curso de graduação em Agronomia recebe 132 calouros por ano, além de alunos de outros cursos e instituições via mobilidade acadêmica. Atualmente são 669 alunos matriculados. Desde sua fundação, o curso formou 4.610 engenheiros agrônomos.

Por Giorgio Dal Molin

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo




Curitiba (PR) – Croquis Urbanos completa cinco anos retratando a cidade em traços e cores

Croquis Urbanos celebra aniversário de cinco anos do grupo com encontro na Praça do Japão.

Correr no Parque Barigüi, passear pela Feirinha do Largo da Ordem, parar por algumas horas para contemplar e desenhar a cidade. Há cinco anos, esta última atividade integra a lista dos programas dominicais dos curitibanos que gostam de vivenciar a cidade e retratá-la em traços e cores a partir do projeto Croquis Urbanos Curitiba.

Criado em 2013, ele nasceu despretensioso da observação de Lia Mônica e do desejo de seu marido, o designer José Marconi, de se enturmar na cidade. “Tudo começou quando, da janela do nosso apartamento, em frente ao Paço da Liberdade, a Lia avistou o arquiteto Reinoldo Klein desenhando sozinho. Eu tinha chegado a Curitiba e estava precisando de algo para me enturmar, então pensei: vou falar com o Reinaldo para começarmos a desenhar juntos. No dia 11 de março de 2013 fizemos o primeiro encontro – eu, o Reinoldo e o Wagner Polak -, no Museu de Arte Contemporânea”, lembra Marconi. Desde então, mais de 250 eventos do Croquis Urbanos já foram realizados e reuniram cerca de 1 mil pessoas, em um cálculo aproximado.

Para participantes do grupo, desenhar a cidade é uma forma de exercitar a cidadania. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

Para marcar o quinto aniversário do projeto, o grupo Croquis Urbanos se reuniu na manhã deste domingo (11) na Praça do Japão, ícone de Curitiba e centro da discussão envolvendo a nova linha do ligeirão Norte-Sul. Para dar sequência à implantação do projeto, a prefeitura está abrindo um trecho da praça. A comunidade, por sua vez, pede a integridade do endereço.

Esta não é a primeira vez que o grupo desenha a Praça do Japão – outros dois encontros já ocorreram ali – ou outro local que desperta a atenção da cidade. Os “croquiseiros” já se reuniram para retratar o Palácio Belvedere, após o incêndio que danificou parte da estrutura do prédio, e a área do Antigo Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, que receberá o novo mercado Angeloni e para a qual a comunidade pede a criação de um parque.

“Quando desenhamos desenvolvemos uma intimidade com o tema e, com isso, acabamos nos apropriando dele. É uma espécie de exercício de cidadania, pois, por meio do desenho, você entende e conhece melhor a cidade e, assim, cuida melhor dela”, destaca Marconi.

A estudante de Design Gabriela Amaral, que participou pela primeira vez do Croquis Urbanos neste domingo (11), concorda e acrescenta que, além do cuidado, o exercício permite aos participantes refletirem sobre a utilização do espaço público da cidade pelas pessoas.

Pertencimento

Participantes utilizam diferentes técnicas para “dar vida” aos trabalhos. Na foto, Luiza de Sá Moreira. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

A paixão pelo desenho e o desejo de conhecer pessoas e criar uma rede de contatos são características comuns entre os integrantes do grupo. Este fato foi um dos pontos que atraiu a professora de arte Geceoni Jochelavicius para o projeto, há cerca de quatro anos. “Nós estamos na rua, fazendo desenhos, mas não estamos vulneráveis. Estamos amparados e nos fortalecemos e crescemos mutuamente, pois estamos sempre aprendendo uns com os outros”, avalia.

O aprendizado, aliás, é outra marca importante do projeto. Isso porque o Croquis Urbanos não recebe somente arquitetos, ilustradores, designers ou pessoas que já têm alguma habilidade com as diferentes técnicas de desenho (aquarela, grafite, giz de cera, lápis de cor, canetas hidrográficas, entre outros). Ao contrário, é aberto a todos que queiram aprender ou se aprimorar na arte do desenho.

Há cinco ano, grupo se reúne todos os domingos com o objetivo de retratar a cidade. Na foto, José Marconi e Rui Tavares. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

“Infelizmente no Brasil se vende a ideia de que desenhar é um dom, o que faz com que as pessoas se inibam. Desenhar é um aprendizado como outro qualquer e nós somos uma comunidade de aprendizagem com lugar para todos”, destaca Marconi.

Outro ponto que atrai a atenção de quem circula pelos lugares onde os “croquiseiros” estão reunidos é o tom de exclusividade dos trabalhos, que se dá não apenas devido à técnica utilizada por cada desenhista, mas especialmente pelo olhar que cada um deles tem em relação ao espaço a ser retratado. “É um momento de meditação, de educar o olhar”, resume a arquiteta Cel Paim, que há quase cinco anos participa do projeto.

Como participar

Lívia Albuquerque pinta em aquarela. Foto: Ana Gabriella Amorim/Gazeta do Povo

Os encontros do Croquis Urbanos acontecem todos os domingos, às 9h30. Para participar, não é necessário fazer inscrição prévia. Basta comparecer ao local agendado com papel, caneta, lápis ou outros materiais de desenho e pintura. Na página do grupo do Facebook é possível acompanhar a agenda completa.

Por Sharon Abdalla

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Depois de 20 anos, Lapa (PR) quer que trem de turismo volte a circular na cidade

O Projeto “Museu Dinâmico da Ferrovia” quer resgatar a memória histórica e cultural ligada ao Trem da Lapa. Objetivo é fomentar o turismo.

Público acompanha a chegada de uma maria-fumaça à Lapa, nos anos 1980. Foto: Arquivo Prefeitura da Lapa

Já faz 20 anos que a cidade da Lapa ouviu pela última vez o apito de um trem de passageiros. Cortando a cidade, os velhos trilhos da ferrovia inaugurada no final do século XIX passaram a conduzir apenas as cargas que chegam e saem pelo Porto de Paranaguá. Mas a vontade de trazer de volta aquele velho assovio permaneceu pulsando na memória de muitos moradores e no coração de um grupo de apaixonados pela linha férrea.

Agora, a Prefeitura da Lapa tem um plano sólido para devolver à Lapa o encanto das composições que carregam passageiros. Nesta terça-feira (27), a administração municipal vai apresentar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o projeto do Museu Dinâmico da Ferrovia. Trata-se de uma iniciativa para incentivar a preservação da memória ferroviária local.

De acordo com Márcio Assad, diretor de turismo, comunicação e eventos da cidade, o projeto vai utilizar a primeira locomotiva a vapor a ter circulado no Paraná. Trata-se da maria-fumaça nº 11. Produzida em 1883, durante anos ela ficou exposta no Shopping Estação, em Curitiba. Restaurada pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, a Maria Fumaça está pronta para voltar a rodar. Além dela, a composição terá, a princípio, dois carros de passageiros. Um terceiro carro também está nos planos.

O projeto

Segundo Assad, 5 mil alunos de várias regiões do Paraná visitaram o Centro de Memória Ferroviária da Lapa. Funcionando na estação central da cidade, o centro lembra a importância histórica e cultural da ferrovia. Por isso, o foco inicial do museu dinâmico será no turismo didático-pedagógico. “Às quartas-feiras, a composição vai levar os estudantes que visitam a Lapa. Antes de embarcar, eles receberão toda a informação cultural sobre a ferrovia. Então embarcam no trem, fazem um trecho até outra estação e voltam.”

Para o diretor, essa é uma maneira de fortalecer um nicho do turismo local que já está consolidado. Como a Lapa é uma das cidades históricas mais bem preservadas do Estado, ela naturalmente atrai o interesse de grupos escolares. Mas os adultos também terão a chance de aproveitar o trem. Aos sábados e domingos, o passeio se repete, dessa vez aberto ao público em geral.

Preservação da cultura

Maria-fumaça parada ao lado da estação da Lapa. Foto: Arquivo Prefeitura da Lapa

Todo o projeto está alinhado à resolução 359, da ANTT, publicada em 2003. O documento prevê “a prestação de serviços de transporte ferroviário de passageiros de finalidade turística, histórico-cultural e comemorativa”, por entidades públicas ou privadas. Mas é preciso que a própria ANTT autorize o serviço. Por isso representantes da Lapa estão indo a Brasília.

Na bagagem, a direção de turismo do município está levando moções de apoio de diversas instituições. Entre elas estão o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (IHGPR) e a Paraná Turismo (PRTur) – autarquia da Secretaria de Estado do Transporte e Turismo.

Para Assad, a comoção se deve à ligação emocional entre as pessoas e a ferrovia. “Estamos em uma região que abrange  mais de 3,5 milhões de pessoas. Esse projeto tem todo um apelo cultural, a locomotiva exerce um fascínio nas pessoas. Há muitas crianças e até adultos que nunca andaram de trem e que, agora, poderão experimentar.”

Investimentos

Tanto a maria-fumaça quanto os carros de passageiros da composição que deverá circular na Lapa são doações para o município. Também foi por meio de doação que o município conseguiu uma locomotiva a diesel para ser instalada na outra ponta da composição. “Sempre que você coloca um trem histórico na linha, é preciso ter um trem moderno para rebocá-lo em caso de pane. Então a própria composição do trem já é um museu. Em uma ponta vai estar o começo da história e na outra o trem moderno. Só isso já é curioso”, diz Assad.

Ele afirma que o Museu Dinâmico da Ferrovia é financeiramente autossustentável. O município não está, portanto, pleiteando recursos financeiros. A ideia é que o museu seja subsidiado pelos bilhetes comprados pelo público. Segundo estimativa da direção de turismo, eles custarão no máximo R$ 15 por pessoa nos passeios feitos para os estudantes e no máximo R$ 30 aos finais de semana. “No tempo da maria-fumaça a demanda era tão grande que as pessoas pegavam uma senha na quarta para comprar a passagem na sexta”, conta Assad.

Ele opina que, se a procura for igualmente grande com o novo projeto, o museu tem tudo para ser um sucesso. “O foco é excelente para a Lapa, extraordinário para o Paraná e cria uma condição muito especial de turismo. Também é uma forma de entendermos como o Brasil poderia ter sido se a ferrovia fosse uma prioridade.”

Por Carolina Werneck

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo (Viver Bem – Turismo)




Museu da Justiça do Paraná tem documentos de compra e venda de escravos no estado

Espaço está em novo local, mas continua gratuito e aberto ao público que quiser saber mais da história do Tribunal de Justiça do Paraná.

Museu da Justiça tem novo local e exposição fixa. Foto: Divulgação

Em tempos em que o judiciário está sendo tão debatido nas manchetes e na boca do povo, os mais curiosos sobre o tema podem gostar de conhecer o Museu da Justiça. A exposição permanente, que antes ficava em um prédio anexo ao Palácio da Justiça, agora está localizada no mezanino dentro do prédio principal.

Alguns dos pontos altos da exposição são as fotografias da Guerra do Contestado, o mobiliário do primeiro Tribunal do Júri e do gabinete dos presidentes do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) do século passado e até mesmo a primeira máquina de escrever usada na secretaria do tribunal, datada de 1915.

No entanto, o grande atrativo do espaço são os documentos históricos e processos antigos catalogados. São cerca de 9 mil processos históricos, datados do final do século XVIII ao início do século XX. O extenso acervo documental possui desde recibos de compra e venda de escravos até documentos oficiais originais assinados por Ruy Barbosa.

Para facilitar o acesso da população e proteger todas essas peças históricas, foi criado em 2010 o Museu Virtual da Justiça, que disponibiliza o catálogo de processos históricos dos séculos XVIII, XIX e início do XX digitalmente. Além dos documentos, estão lá os quadros de artistas paranaenses consagrados, esculturas, mobiliário, objetos, fotografias, documentos e processos históricos relacionados à história do Poder Judiciário do Paraná e de seus juízes e desembargadores.

Décadas de história

O Museu da Justiça foi criado em 1974 por iniciativa do Desembargador Edmundo Mercer Junior, na época Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Foi o primeiro museu judiciário do Brasil, e a criação envolveu conhecidos historiadores paranaenses, como David Carneiro. Atualmente a Divisão do Museu da Justiça faz parte do Centro de Documentação (CEDOC) e agrega um acervo variado de bens com valor histórico e cultural, como documentos, fotografias, quadros, esculturas, mobiliário e outros objetos que contribuem para preservar a memória do Poder Judiciário paranaense.

Por Giovanna Tortato

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo




Restauro de casarão marca volta dos cinemas de rua e revitalização do centro histórico de Curitiba (PR)

Dez anos depois, Cine Passeio, que terá cinema a céu aberto, está prestes a ser entregue com a ideia de revitalizar o centro histórico.

Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Quase dez anos e três trocas no comando da gestão municipal depois, a entrega da obra do complexo de cinemas de rua Cine Passeio é passo importante (ainda que tardio) na proposta de revitalização do centro histórico de Curitiba.

O novo centro cultural da cidade será inaugurado no mês de maio e irá abrigar além de duas salas de cinema (Cine Luz e Cine Ritz), um café temático, salas para cursos e exposições. No terceiro piso, há um espaço para exibição de filmes ao ar livre e eventos com vista para a Rua Riachuelo e para o Passeio Público.

Segundo a arquiteta Dóris Teixeira, do Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) — que assina o projeto com o colega Mauro Magnabosco — a entrega da obra e o funcionamento do centro cultural terá um efeito urbanístico triplo para a região do centro histórico.

Resgata o patrimônio urbano ao reformar um prédio histórico importante, datado da década de 1930 e que já foi quartel do Exército, atende a uma demanda antiga do setor cultural ao devolver os cinemas de rua à região, e principalmente, cria um cenário de mais segurança e saúde urbana para a região.

“Além de preservar a memória da cidade, vai servir para direcionar um público que talvez não frequentasse esta região”, explica Doris. “Inaugurado o Cine Passeio, que vai funcionar dentro da ideia de “olhos para a rua” com movimento todos os dias e até pela noite, isso vai melhorar a qualidade de vida de toda a região central”, disse.

Quanto a demanda cultural reprimida pelo fechamento dos cinemas de rua entre os anos 2005 e 2009, a arquiteta conta que a ideia inicial do projeto do Cine Passeio partiu da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

Atual diretor de Ação Cultural da FCC, Beto Lanza fez parte da equipe que o desenvolveu. Lanza afirma que a contribuição das novas salas não tem teor “nostálgico” e faz sentido como parte do processo espontâneo de ocupação do centro histórico. “Eu sou de uma geração que entendia o cinema ligado à urbe e não presa dentro de espaços como grandes shoppings, por exemplo. Mas, esta obra não é para minha geração”, observa Lanza.

“Há gente muito jovem ocupando a rua, fazendo arte na e para a rua, principalmente nesta região do centro histórico e o Cine Passeio cria um ambiente de fruição cultural de qualidade que atende exatamente a demanda dessa nova geração que já está nas ruas”.

Vista inédita do Passeio Público

Os órfãos dos cinemas de rua de Curitiba esperaram quase uma década, mas verão a partir do próximo mês de maio o ressurgimento dos Cine Luz e Ritz.

Cada qual ocupará uma sala com capacidade para 90 espectadores em cada um dos pisos do Cine Passeio, o centro cultural municipal que abrigará ambos.

O Cine Luz terá cadeiras verde-escuras e ficará no térreo, no mesmo andar da bilheteria e do café com capacidade para 50 pessoas cuja cozinha ocupa a esquina arredondada das ruas Riachuelo e Carlos Cavalcanti.

Já o Ritz, com cadeiras vermelhas, usa o mesmo espaço da planta na sobreloja que conta com uma sala de cursos e exposições com terraço descoberto e vista para a rua Riachuelo e as salas da direção do centro cultural.

O projeto dos arquitetos Mauro Magnabosco e Dóris Teixeira faz entrar a luz natural por uma ampla claraboia que ilumina a faixa central do prédio que tem um vão livre com pé direito e 15 metros, do teto ao subsolo.

Neste espaço “underground”, o projeto homenageia o cineasta e escritor Valêncio Xavier —  criador da Cinemateca de Curitiba com uma exposição permanente de desenhos e objetos que pertenceram ao artista.

O “xodó” do projeto é o terraço onde estão um espaço para eventos com cozinha e sacada para a Rua Riachuelo e uma área para projeções ao ar livre com capacidade para 60 pessoas com uma inédita vista do Passeio Público.

PAC das Cidades Históricas atrasou o “Novo Centro”

O centro Cultural Cine Passeio foi planejado em 2010, como parte do projeto de revitalização do centro de Curitiba “Novo Centro”, apresentado em 2009, ainda na gestão do hoje governador Beto Richa (PSDB) na prefeitura.

A obra só será aberta ao público, se tudo correr dentro do previsto, oito anos depois, durante a gestão de Rafael Greca.

Em 2009, a ideia do Ippuc, apoiada pela Associação Comercial do Paraná e entidades da sociedade civil era revitalizar a Rua Riachuelo, desde a Generoso Marques até a Praça Dezenove de Dezembro e o Passeio Público.

Segundo o projeto, a revitalização iria transformar “uma área degradada em um grande boulevard gastronômico, com bistrô, cafés e restaurantes, que dividirão com pontos de cultura os atrativos locais”.

Uma das principais ações era a transformação do antigo quartel do Exército, localizado na Rua Riachuelo, em Cine Passeio, que abrigaria as salas de “cinema de rua” Luz e Ritz, que tinham fechado em 2009 e 2005, respectivamente.

Todo o plano seria financiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas que previa investimentos de R$ 56 milhões — R$ 15,8 milhões de contrapartida do município — em obras de renovação de espaços históricos e culturais do centro.

Porém, depois que a verba do PAC atrasou, a prefeitura já na gestão Luciano Ducci apostou na venda de títulos de potencial construtivo — papéis emitidos pelo município que permitem que os compradores ampliem as dimensões de obras com limitações impostas pela lei municipal de zoneamento e uso do solo urbano — para financiar a obra.

Para tanto o imóvel foi transformado em Unidade de Interesse Especial de Preservação (Uiep). Segundo o diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), foi esta a principal razão do atraso da obra. “Como é uma obra cara e o PAC não prosperou, precisamos apostar em uma fonte segura, mas um pouco mais demorada que é o potencial construtivo”, diz Lanza.

Ele destaca que “independentemente da mudança de gestores, a forma de captação foi mantida. O uso de potencial construtivo, porém, depende de variáveis que não estão sob o controle da gestão pública, mas sim da economia e do aquecimento do mercado do setor imobiliário”.

Por Sandro Moser

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Morretes (PR) – TAC visa proteção da Mata Atlântica e a preservação do patrimônio histórico

Foto: Ilustração/Sobretrilhos

Um Termo de Ajustamento de Conduta foi firmado entre o Ministério Público de Morretes, no Litoral do Paraná, e a empresa concessionária responsável pela exploração e desenvolvimento do serviço de transporte ferroviário de cargas na estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, para assegurar a proteção da Mata Atlântica e a preservação do patrimônio histórico tombado pelo Estado do Paraná na Serra do Mar.

De acordo com a Promotoria, que ajuizou uma ação cautelar para a paralisação das obras realizadas pela empresa, e que foram iniciadas sem a autorização da Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. Conforme a Promotoria de Justiça, o laudo técnico elaborado após a suspensão das obras demonstrou, porém, que a paralisação poderia acarretar riscos às condições de segurança da estrada, e por esse motivo, foi determinada a retomada dos serviços para que sejam realizadas as melhorias emergenciais no local.

O acordo firmado prevê que a empresa deverá apresentar à Coordenadoria do Patrimônio Cultural os projetos relacionados às obras executadas, bem como as informações referentes ao cumprimento das medidas compensatórias, que deverão ser aprovadas pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico e pela Procuradoria-Geral do Estado do Paraná.

Colaboração MPPR

Fonte original da notícia: Massa News