Tubarão (SC) – Casa da Cidade terá reforma interna

Foi assinada a ordem de serviço para a reforma interna da Casa da Cidade, em Tubarão. A obra vai custar R$ 278.566,30 e será executada pela empresa Kamilla Construções, de Criciúma.

Erguida em 1897 para uso residencial da família do coronel João Cabral de Mello, intendente de Tubarão (prefeito) entre 1890 e 1910, o imóvel já abrigou a prefeitura e outros órgãos públicos nas décadas seguintes.

Em 1984, foi restaurado e tombado como patrimônio histórico e cultural do município, recebendo o nome de Casa Huberto Rohden.

Nos últimos anos, a conhecida Casa da Cidade recebeu exposições de artesanato e serviu como Casa do Papai Noel, mas em 2013 acabou fechada devido a más condições de conservação, e chegou a receber uma pequena reforma logo em seguida.

A revitalização interna completa, viabilizada por meio de emenda parlamentar do deputado federal Pedro Uczai (PT), deve durar até seis meses contados a partir da assinatura da ordem de serviço.

Fonte original da notícia: NotiSul




Pichação de monumento tombado poderá ter pena de até três anos de prisão

Pedro França/Agência Senado

Quem pichar ou depredar monumentos tombados poderá pegar de um a três anos de prisão. A pena consta do Projeto de Lei do Senado (PLS) 128/2016, do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), aprovado nesta quarta-feira (9) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O projeto recebeu voto favorável do relator, senador Lasier Martins (PSD-RS).

Atualmente, a Lei de Crimes Ambientais fixa como pena para o crime de pichação e conspurcação de monumentos tombados em virtude de seu valor histórico, artístico ou arqueológico detenção de seis meses a um ano, mais multa.

O PLS 128/2016 pune a violação do patrimônio histórico e cultural com a pena já estabelecida pela Lei de Crimes Ambientais para o ato de destruir, inutilizar ou deteriorar bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial. Na opinião do relator, o ajuste de punição sugerido “não se demonstra rigoroso demais”.

— De fato, a prática desse crime ofende a memória histórica e cultural expressa nesses monumentos — concordou Lasier, que lembrou em seu relatório três monumentos históricos do Rio Grande do Sul pichados recentemente: a Ponte de Pedra, o Mercado Público e a antiga Faculdade de Medicina da UFRGS.

Pampulha

A violação do patrimônio da Igreja de São Francisco, mais conhecida como Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), serviu de inspiração para o projeto de Anastasia. Segundo ele, até painéis de Cândido Portinari foram alvo de pichação.

“As baixas penas previstas na atual legislação não intimidam aqueles que se dispõem a depredar impunemente o patrimônio histórico e cultural”, observou Anastasia na justificação do projeto.

O PLS foi votado de forma terminativa. Portanto, só irá ao Plenário do Senado se houver recurso de um décimo dos senadores nesse sentido.

Fonte original da notícia: Agência Senado




Pelotas (RS) – Patrimônio: Charqueadas são inventariadas

A prefeita Paula Mascarenhas assinou na terça-feira (27) o decreto que inclui doze charqueadas no inventário do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Pelotas. Os imóveis inventariados são os reconhecidos pela lei municipal 4.568/2000, que protege a fachada e a volumetria.

A medida beneficia as charqueadas Barão do Arroio Grande (Boa Vista), Boaventura Rodrigues Barcelos (Costa do Abolengo), Santa Rita, Antonio José de Oliveira Castro, Visconde de Jaguary, Visconde da Graça, Barão de Butuy, Barão de Jarau, Barão de Santa Tecla, José Inácio Xavier, José Gonçalves da Silveira Calheca (Escola Municipal Ferreira Vianna) e São João – que também teve inventariadas sua chaminé e caixa d\’água.

Uma edificação inventariada é reconhecida pelo seu valor histórico e cultural – por isso a necessidade de formalização da proteção legal das charqueadas. De acordo com estudo realizado pela Secretaria de Cultura (Secult), as sedes são Focos Especiais de Interesse Cultural (FEIC) dentro da Área Especial de Interesse do Ambiente Cultural (AEIAC), cuja exigência é a preservação em área delimitada por um raio de 200 metros a partir do centro do sítio.

Pelotas é um dos municípios com maior acervo no país de bens reconhecidos como patrimônio através do inventário, com cerca de 1,7 mil prédios e casas.

Fonte original da notícia: Diário da Manhã




Curitiba (PR) – Arquitetos entram na justiça contra Greca pela demolição de casa centenária

Segundo os proponentes, o prefeito de Curitiba optou por destruir patrimônio histórico que poderia ter sido restaurado.

A ação afirma que Greca cometeu crimes contra o patrimônio histórico e cultural da cidade / Lucilia Guimarães/FCC

Uma ação civil pública protocolada nesta quarta-feira (28) pelo Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná (Sindarq-PR) pretende responsabilizar o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), por crimes contra o patrimônio histórico e cultural da cidade. No último dia 14 de junho, a prefeitura optou pela demolição da Casa Erbo Stenzel, no parque São Lourenço, um dia após o incêndio que danificou uma parte da estrutura, em que também funcionava um museu.

De acordo com o presidente do Sindicato, Milton Gonçalves, qualquer construção que se enquadre na categoria de Unidade de Interesse de Preservação (UIP) é protegida pela lei municipal n° 14.794/2016. “Até mesmo um pedido de pintura dessas propriedades deve passar por um trâmite burocrático e ser avaliada pelo Conselho do Patrimônio”, explica Gonçalves. A casa, porém, “foi completamente demolida, aparentemente, SEM qualquer estudo prévio, um projeto que buscasse viabilizar medidas menos gravosas ao patrimônio artístico e histórico da cidade […]. A decisão foi tomada diretamente pelo prefeito em conjunto com sua equipe SEM as autorizações necessárias”, informam trechos da ação.

O processo judicial é representado pelo escritório Bentivenha Advocacia Social – mesmo escritório que recentemente conseguiu a condenação do governador Beto Richa por despesas indevidas em sua viagem à França quando se hospedou em um hotel cinco estrelas sem agenda oficial no país.

“Nosso objetivo é que o prefeito explique o porquê da demolição e responsabilizá-lo pela atitude, que fere uma lei municipal. Enquanto obriga todos a cumprirem com as normas, a prefeitura deveria ser exemplo no cumprimento da legislação”, assinala Gonçalves.

Danos ao patrimônio

Segundo o presidente do Sindarq, a demolição é “um grave problema” porque, com relação a patrimônio, não existe uma segunda chance. “Estruturas como essa nos ajudam a compreender e preservar a memória de onde viemos. A prefeitura rasgou um pedaço da nossa história”, explica o arquiteto. Ele o compara ao caso do consulado de Paris, cuja fachada é preservada há 1500 anos – três vezes a idade do Brasil. “Uma atuação política séria resguarda a importância dessas estruturas. Aqui, é inadmissível que passemos o trator no primeiro incidente”, diz.

O incêndio destruiu uma parte da casa, mas para o sindicato, a melhor alternativa seria reconstruir os espaços danificados para manter sua originalidade. Agora, uma reconstrução só é capaz de dar conta de uma réplica – e ainda deve seguir recomendações legais.

Gonçalves afirma que, guardadas as proporções, é como se um copo d’água fosse despejado na Mona Lisa, de Da Vinci, e em seguida destruído. “Não se pode jogar fora o que sobrou e imprimir uma cópia para substituí-la. A peça original tem um papel histórico”, destaca.

Casa histórica

A construção demolida, de 1928, foi a morada do escultor paranaense Erbo Stenzel, grande artista paranaense. Ele também é autor de obras como o Homem Nu, a deusa da justiça (ou Mulher Nua), no bairro Centro Cívico.

Era um ponto de referência para artistas locais e serviu de ateliê para o pintor Guido Viaro, Theodoro de Bona e outros.

“Não tivemos acesso aos escombros e não sabemos se é possível fazer um restauro parcial ou uma réplica da casa. A primeira etapa é ter acesso a todas essas informações pra que, em posse disso, possamos sugerir qual a melhor solução para recuperar esse patrimônio perdido”, conclui Gonçalves.

Resposta da prefeitura

A redação consultou a prefeitura para saber seu posicionamento sobre a ação e os motivos que conduziram à decisão de demolir a casa. Até o fechamento desta matéria não houve resposta, mas Greca afirmou em seu perfil pessoal no Facebook que pretende reconstruir a estrutura. “Vamos recuperá-la com uso adequado no ano que vem”, garantiu.

Por Carolina Goetten

Fonte original da notícia: Brasil de Fato




Novo Hamburgo (RS) conta com 25 agentes comunitários para preservação do patrimônio

Foto: Divulgação – Projeto Preservar

Preservar o patrimônio histórico e cultural é um dever de todo o cidadão. Afinal, é conhecendo o passado que se entende o presente e se vislumbra o futuro. No último final de semana, nos dias 23 e 24 de junho, Novo Hamburgo deu mais um importante passo na preservação da sua memória. Foram formados 25 agentes comunitários para preservação do patrimônio histórico. As oficinas foram realizadas através do Projeto Preservar, vencedor do edital de fomento cultural realizado pelo Conselho Municipal de Cultura e Secretaria de Cultura (SECULT), e aconteceram no Centro Histórico de Hamburgo Velho.

O Museu Comunitário Casa Schmitt-Presser, primeiro prédio da cidade a ser tombado como patrimônio histórico nacional, foi o ponto de partida das oficinas, que reuniram um grupo multidisciplinar no debate sobre as questões de preservação. No primeiro encontro foi abordada a formação histórica de Hamburgo Velho, por meio da colonização alemã, e a atual relação do bairro com as demais áreas da cidade. Outros tópicos como os atuais instrumentos urbanísticos e jurídicos e mecanismos de financiamento que podem auxiliar os proprietários a se articularem para preservar e conservar os imóveis também foram pautas do primeiro encontro, do dia 23 de junho.

Já na segunda etapa da capacitação, realizada no sábado, dia 24, foram abordados os aspectos das técnicas construtivas tradicionais empregadas nos imóveis, os conceitos de identificação e preservação dos bens históricos, além de boas práticas e uma apresentação sobre os danos mais recorrentes nas construções históricas. Os 25 oficineiros debateram os conteúdos apresentados e visitaram um imóvel histórico do bairro, a Casa Pitanti, para identificar as técnicas empregadas e possíveis patologias das edificações.

Para o arquiteto Jorge Stocker Jr., um dos oficineiros, a experiência foi enriquecedora “A oficina teve um público bastante diversificado, foram muitas trocas de informações e debates que aconteceram. Além de moradores e comerciantes, teve participação de psicóloga, arquitetos, historiadores, museóloga, escritora, etc., então foram muitos olhares e abordagens diferentes reunidas. Acredito que a importância é termos conseguido instrumentalizar um grupo de participantes para atuar, sensibilizando com um olhar de conservação preventiva e preparando para a atuação no debate de políticas de preservação”, destacou.

Com a realização da oficina, este grupo está instrumentalizado para atuação como agentes ativos na preservação do centro histórico e para contribuir com a mobilização da comunidade.

Fonte original da notícia: Prefeitura de Novo Hamburgo




Vereadores aprovam aumento de multa para pichadores em Porto Alegre (RS)

Até então, as multas correspondiam aos valores entre R$ 585,78 e R$ 2.928,90. Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA/Divulgação/Jornal do Comércio

A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, nesta quarta-feira (14), com 21 votos favoráveis e cinco contrários, o projeto de lei da vereadora Mônica Leal (PP). O PL prevê aumento no valor da multa para quem pichar ou depredar prédios e monumentos, públicos ou privados. Em caso de reincidência, o pichador pagará em dobro o valor da multa estipulada.

O valor da multa poderá ser de até R$ 10.153,32, ficando a cargo do órgão fiscalizador decidir a gravidade do delito e definir o valor da multa a ser paga pelo infrator. Segundo a autora do projeto, as pichações resultam em um aspecto de desleixo e sujeira, “causando uma verdadeira poluição visual, sendo considerada um crime e, como tal, exige punição”.

Para a vereadora, apesar de já haver lei para o crime desde 2015, as sanções de valores são baixas, o que encoraja os pichadores a continuarem agindo. Para ela, o aumento considerável das penalizações pecuniárias irá contribuir positivamente.

“Tornam-se irrisórios em comparação aos prejuízos causados à paisagem urbana. Nossa proposta é elevar para até 2.600 UFMs, correspondendo a R$ 10.153,32 o valor das multas para os atos de pichação. Dessa forma, pretendemos conter drasticamente essa prática maldosa, que só traz prejuízo ao patrimônio histórico e cultural de nossa cidade”, alerta Mônica Leal.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Rio de Janeiro (RJ) – Quartel da Polícia Militar é tombado como patrimônio cultural

Lei aprovada na Câmara determina que prédio do QG central, construído em 1740, não poderá ter a sua fachada modificada, nem ser vendido, como já quis Cabral.

Prédio já abrigou convento de frades e funcionou como hospício. (Ernesto Carriço / Agência O Dia)

O Quartel General da Polícia Militar, que ocupa um quarteirão inteiro na Rua Evaristo da Veiga, no Centro, acaba de ser tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural. Pela Lei Municipal 6.170/17, fica proibido modificar a fachada do imóvel, que não poderá ser vendido, como chegou a tentar o então governador Sergio Cabral em 2012.

A lei também resguarda o valor cultural do local, construído em 1740, como casa de padres capuchinhos italianos e que sediou, em 1831, o Corpo de Guardas Permanentes comandado por Duque de Caxias.

Autor, junto a outros 13 nomes, o vereador Carlo Caiado (DEM), que apresentou o projeto inicialmente em 2008, diz que a promulgação da lei assegura dois propósitos: “Garantimos que a memória histórica não se perca em troca de dinheiro e um local apropriado para o funcionamento de um quartel general”.

Em maio de 2012, o governo havia anunciado a implosão do QG, que seria vendido à Petrobras por R$ 336 milhões. Na lista de prédios à venda estavam também os quartéis de Botafogo (2º BPM), Tijuca (6º) e Leblon (23º). Na época, a empresa desistiu da aquisição após pressão política da Câmara e do povo nas ruas.

De acordo com o governo do estado, desde 2013, quando o atual governador Luiz Fernando Pezão assumiu a gestão, não há mais interesse na venda do imóvel. A PM comemora a decisão. “No local fica a nossa diretoria e seu tombamento preserva nossa história, como primeiro órgãos de segurança pública do estado”, afirma a diretora do Centro Cultural da PM, Analiny Caroprese.

Para o professor de História da Estácio, Rodrigo Rainha, o prédio é ícone de um descaso com a história do Rio: “Já deveria ter sido tombado. O prédio marca as reformas do início do Século 20 e é o único que sobrou de pé naquela área”.

Curiosidades sobre o QG

A tenente coronel Analiny Caroprese conta que o prédio se tornou o Hospício Nossa Senhora da Oliveira, pertencente aos frades capuchinhos. Em 1852, foi palco de outro acontecimento histórico: a primeira vez em que o telégrafo com fio foi utilizado, um marco na história das telecomunicações no país. Em 10 de julho de 1865, partiu dali o 31º Corpo de Voluntários da Pátria para combater na Guerra do Paraguai.

Em 1919, o quartel foi transferido para a Avenida Salvador de Sá, onde funcionou até 1934. Neste período, o prédio abrigou um hospital para atendimento de vítimas de tuberculose, que assolava a população do Rio.

Outro fato curioso é que, em 1780, quando o prédio ainda era um convento, saíram de lá as primeiras mudas de café rumo ao interior do Rio e São Paulo. Anos depois essas mudas alavancaram a economia brasileira, que se encontrava em crise desde o primeiro reinado.

Por Paola Lucas

Fonte original da notícia: O Dia




São Paulo (SP) – Castelinho da Rua Apa será reaberto após abandono e fama de ‘mal assombrado’

Imóvel no Centro de São Paulo foi palco de crime misterioso em 1937 envolvendo mulher e filhos de proprietário. Local será sede de ONG que atende moradores de rua.

Castelinho da Rua Apa foi restaurado e será reaberto nesta quinta-feira .(Foto: Rogério de Santis/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Castelinho da Rua Apa foi restaurado e será reaberto nesta quinta-feira .(Foto: Rogério de Santis/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Com fama de mal-assombrado, o Castelinho da Rua Apa, um imóvel construído no início do século XX no Centro de São Paulo, será reaberto nesta quinta-feira (6) depois de quase 50 anos abandonado. A reforma feita pelo governo do estado custou R$ 2,8 milhões.

O Castelinho, que fica nas esquinas da Rua Apa com a Avenida São João, vai funcionar como sede da ONG Clube de Mães do Brasil, que ocupava imóvel anexo desde 1997.

A ONG promove atividades de cunho social, educacional e cultural, atendendo a crianças, cidadãos em situação de rua, dependentes químicos e catadores de papel da região e é comandada pela maranhense Maria Eulina Reis Hilsenbeck, uma ex-moradora de rua.

O imóvel foi construído como réplica de um castelo medieval foi projetado e construído por arquiteros franceses e inaugurado em 1912. O Castelinho pertencia à família Guimarães Reis. No dia 12 de maio de 1937, um crime marcou a história do Castelinho: os advogados Álvaro e Armando Cézar dos Reis e a mãe deles, Maria Cândida Guimarães dos Reis, foram encontrados mortos a tiros por uma empregada que morava numa casa anexa. “O Crime do Castelinho da Rua Apa”, permanece misterioso.

O imóvel ficou abandonado em 1982, foi invadido por moradores de rua até ser concedido à ONG Clube de Mães do Brasil. O Castelinho foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo em 2004 e declarado Patrimônio Histórico e Cultural. A obra de restauração começou em 2015.

Fonte original da notícia: G1 São Paulo




TJAM nega recurso contra sentença que determina reforma no prédio da Santa Casa

Decisão obriga o município a adotar as medidas já ordenadas pela primeira instância: colocação de tapumes, segurança patrimonial e restauração do bem histórico.

2ª Vara da Fazenda Pública Municipal determinou a restauração do prédio histórico pertencente à Santa Casa de Misericórdia de Manaus. Foto: Divulgação

2ª Vara da Fazenda Pública Municipal determinou a restauração do prédio histórico pertencente à Santa Casa de Misericórdia de Manaus. Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) rejeitou, por unanimidade, o recurso movido pela Prefeitura contra a sentença do juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal que determinou a restauração do prédio histórico pertencente à Santa Casa de Misericórdia de Manaus. Decisão, da 3ª Câmara Cível do Estado, obriga o município a adotar as medidas já ordenadas pela primeira instância: colocação de tapumes, segurança patrimonial e restauração do bem histórico.

Em seu voto, a Desembargadora Nélia Jorge Caminha afirmou que: “Na forma do art. 19, DL n.° 25/37, o ente tombador tem responsabilidade subsidiária na conservação e reparação do patrimônio tombado, cabendo-lhe a execução das obras caso o proprietário demonstre insuficiência de recursos e comunique o órgão público responsável pela defesa do patrimônio histórico e cultural ou, ainda, nas situações em que demonstrada a urgência, caso em que fica dispensada a comunicação”.

Embora não tenha sido ainda intimado, o Município de Manaus poderá recorrer da decisão tomada pelo Tribunal Estadual. A decisão do Tribunal pode ser conferida por meio do endereço abaixo:

http://santacasamanaus.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Acordao-TJAM.pdf

Fonte original da notícia: D24am




Climatizadores instalados em igreja geram polêmica em Divinópolis (MG)

Equipamentos funcionam no Santuário para diminuir calor, aponta paróquia. Conselho vê ameaça à pintura histórica; MP foi informado e pediu detalhes.

Operários instalam climatizadores no Santuário de Santo Antônio. (Foto: Flávio Flora/Agora)

Operários instalam climatizadores no Santuário de Santo Antônio. (Foto: Flávio Flora/Agora)

Um sistema de climatização instalado no Santuário de Santo Antônio, em Divinópolis, tem causado preocupação para o Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico (Conphap). Apesar de o equipamento diminuir o calor durante as missas celebradas no templo, o uso dele pode oferecer riscos à pintura interna, que é formada por afrescos tombados.

O conjunto de equipamentos começou a funcionar no dia 10 de março e para evitar problemas, uma alerta foi feita à Promotoria de Justiça de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, que pediu explicações à paróquia.

De acordo com Anisio Fonseca de Azevedo, que integra o Conselho Paroquial Administrativo e que coordenou as obras de instalação dos climatizadores, muitos fieis reclamavam do calor que sentiam durante missas.

“Após diversos estudos, optamos por instalar o climatizador evaporativo, que não lança gotas de água junto com o ar, uma vez que a água é utilizada para umedecer colmeias de celulose que se localizam atrás da hélice”, explicou, acrescentando que os aparelhos serão usados apenas durante eventos.

Mas, o Conphap questiona essa afirmação. Quando começou a funcionar, integrantes do órgão estiveram no Santuário para verificar o funcionamento dos climatizadores, que começou a ocorrer em fase de testes.

João Batista Rodrigues, arquiteto e consultor do órgão, explicou que um técnico emitido pela empresa que fabrica os climatizadores indica que ele funciona criando umidade dentro do imóvel. “Isso não vai gerar um efeito colateral na pintura interna de um dia para o outro. Mas, a médio prazo, de mais ou menos um ano, vão surgir umidade e mofo na pintura. Isso vai ser um dano ao patrimônio”, afirmou.

Karine Mileibe, historiadora e secretária do Conphap, afirma que o órgão não foi consultado sobre a instalação antes de as obras começarem. De acordo com ela, o órgão precisa ser consultado sempre que alguém pensa em executar uma mudança ou alteração em bens tombados pelo patrimônio histórico e cultural.

“A pintura interna, feita em 1988, é tombada pelo Município. Isso a torna protegida por lei, sendo proibida toda e qualquer descaracterização. Algo que pode danificar a pintura interna a longo prazo precisa ser avaliado”, acrescentou.

Vista externa do Santuário de Santo Antônio após instalação de climatizadores. (Foto: Flávio Flora/Agora)

Vista externa do Santuário de Santo Antônio após instalação de climatizadores. (Foto: Flávio Flora/Agora)

A presidente do Conphap, Sonia Terra, disse que os motivos alegados pelo arquiteto e pela historiadora apontam incertezas técnicas da obra e possíveis consequências ruins dela. Por isso, um pedido de ajuda foi enviado ao Ministério Público. “Consideramos a instalação desses climatizadores como um crime contra a cultura. Por isso, enviamos um ofício à Promotoria de Justiça de Patrimônio Cultural. Ainda não manifestaram nada”, comentou.

Especialista em restauro
O G1 ouviu também a restauradora Thaís Gontijo Venuco. Formada em Conservação e Restauro pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestranda em Ambientes Construídos pela Escola de Arquitetura da mesma instituição, ela atua como gerente de Memória e Patrimônio da Secretaria de Cultura de Divinópolis e conhece as características da pintura interna do Santuário.

“Conforme foi dito pelo responsável pela instalação dos climatizadores, os equipamentos não vão expelir água como ocorre em um ar-condicionado. Mas, o resfriamento do ar é feito por uma colmeia por onde a água passa. Através disso, entra umidade não em forma líquida, mas em vapor. Quando o ar quente entrar em contato com a superfície fria, pode ocorrer condensação de água. O dano que isso pode causar não é visível de hoje para amanhã. É algo que ocorre a longo prazo”, justificou.

A especialista critica também a afirmação de que os climatizadores só serão ligados durante as missas. “Isso gera um problema ainda maior, porque a pintura vai sofrer constantes variações de temperatura. A pintura interna do Santuário é feita com caseína, que é uma proteína do leite. É uma técnica muito sensível”, acrescentou.

Anisio Fonseca de Azevedo, do Conselho Patrimonial Administrativo, rebateu as críticas à instalação dos climatizadores. “Para que ocorra danos a qualquer estrutura decorativa, mobília ou equipamentos, o ar precisaria estar saturado para assim molhar o ambiente. Como o processo resfria o ar através da evaporação da água, com certeza o mesmo fica carregado com um percentual de umidade levemente acima do ambiente externo, podendo a umidade do ar no interior varia na média entre 40% a 70%. Para este sistema manter o ambiente climatizado com eficiência e não deixar o ar úmido saturar no ambiente, deverão ser mantidas as portas e janelas abertas para ocorrer a renovação de ar. Sem a saturação do ar com umidade, como já dito anteriormente, não haverá dano algum à estrutura, pintura, afrescos e equipamentos dentro do Santuário”, acrescentou.

Plásticos protegem paredes durante obras para instalação de climatizadores no Santuário de Santo Antônio em Divinópolis. (Foto: Flávio Flora/Agora)

Plásticos protegem paredes durante obras para instalação de climatizadores no Santuário de Santo Antônio em Divinópolis. (Foto: Flávio Flora/Agora)

O G1 tentou contato com a 12ª Promotoria de Justiça, que integra a Promotoria de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, mas não obteve retorno. Na tarde desta segunda-feira (20), Anisio Azevedo disse à reportagem que recebeu do Ministério Público um pedido de explicações sobre a instalação dos climatizadores. “Todas as informações que temos estão sendo repassadas. Nós somos os maiores interessados na preservação do Santuário”, finalizou.

Por Ricardo Welbert

Fonte original da notícia: G1 Centro-Oeste de Minas