Audiência pública cria grupo de trabalho para discutir ações de preservação do patrimônio histórico de João Pessoa (PB)

Durante audiência pública realizada na tarde dessa terça-feira (25), na Câmara Municipal de João Pessoa, foi criado um grupo de trabalho com vários segmentos da sociedade com o objetivo de formatar ações de preservação do patrimônio histórico da Capital. Devem compor essa comissão, representantes do Iphaep, Academia de Letras da Paraíba, Fundação Casa de José Américo, Funjope, Coordenadoria do Patrimônio Cultural (Copac), artistas e pessoas ligadas ao setor, além do vereador Eduardo Carneiro (PRTB), autor da propositura.

De acordo com Eduardo Carneiro, o grupo deverá se reunir nos próximos 20 dias e iniciar a discussão dos temas. Segundo ele, o Centro Histórico de João Pessoa possui um rico acervo cultural e precisa ter potencializada essa vocação, sobretudo para o turismo. “A criação desse grupo de trabalho é de fundamental importância para que o tema seja constantemente debatido e para que possamos discutir e encontrar as saídas necessárias de que tanto o setor precisa”, comentou.

Eduardo Carneiro se colocou à disposição para atuar como intransigente defensor do tema na Câmara Municipal e lembrou as ações desenvolvidas pelo seu mandato neste sentido. “Já conseguimos importantes avanços para que o nosso Centro Histórico possa absorver a grande demanda de turistas que nos visitam, pois entendemos que o turismo em João Pessoa não pode se resumir ao turismo no Litoral. Uma dessas ações é a solicitação junto à bancada federal para que se destinem recursos que garantam a construção de um museu em nossa cidade. Outra iniciativa nossa é o Centro de Atendimento ao Turista, que atuará diretamente na ponta, direcionando o turista para visitar as nossas potencialidades e movimentar o setor”, destacou.

Participaram da audiência, os vereadores Tibério Limeira e Léo Bezerra, ambos do PSB, Bispo José Luiz (PRB), Damásio Franca Neto (PP), Milanez Neto (PTB), a deputada Estela Bezerra (PSB), a diretora-executiva do Iphaep, Cassandra Dias, o coordenador do Patrimônio Cultural de João Pessoa, Rui Leitão, a coordenadora de Arquitetura e Ecologia do Iphaep, Gabriela Pontes, presidente da Fundação Casa de José Américo, Damião Ramos, e o vice-presidente da Funjope, Jonildo Cavalcanti.

Fonte original da notícia: paraiba.com.br




Olinda (PE) – Histórica Igreja do Bonfim passa por reformas

Nesta quinta-feira (27), às 16h, a Prefeitura de Olinda a assina a Ordem de Serviço para início das obras de restauração do templo religioso.

Igreja do Bonfim é uma das mais queridas da cidade. Foto: Divulgação

Fechada desde fevereiro de 2012, a Igreja do Bom Jesus do Bonfim está próxima de retomar suas atividades. Nesta quinta-feira (27), às 16h, a Prefeitura de Olinda assina a Ordem de Serviço para início das obras de restauração do templo religioso, que fica no Bairro do Carmo, no Sítio Histórico da cidade. Serão investidos R$ 2,9 milhões na recuperação de toda a igreja.

Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do Governo Federal, que tem o objetivo de executar grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética no país. A recuperação da igreja está prevista para durar 450 dias.

“Esta reforma é uma reivindicação antiga da população. A igreja é uma das mais queridas da cidade, fica em uma localização importante de Olinda, no coração da Rua do Bonfim. Essa reestruturação vem fazer justiça à importância do monumento histórico”, disse o secretário de Patrimônio e Cultura de Olinda, Gilberto Sobral.

Interditada em 2012 por conta das rachaduras na torre de sustentação do sino, do desabamento do forro da capela-mor e ossuários violados, a igreja é considerada um patrimônio histórico da cidade de Olinda. Para Sobral, é necessário uma “reforma geral” no local.

“Nós, da prefeitura, fizemos um esforço enorme para a liberação desta reforma. Estamos muitos satisfeitos com a medida. Há alguns anos ela esteve ameaçada de cair nas casas vizinhas”, acrescenta Sobral.

A Igreja do Bom Jesus do Bonfim é uma construção do século 18, e teve a benção do cônego Manuel Garcia de Amaral, em 1758.

Fonte original da notícia: Prefeitura Municipal de Olinda




Assembleia Legislativa vai recuperar prédio histórico no centro de Florianópolis (SC)

A antiga unidade de ensino vai abrigar a Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira. Foto: Eduardo G. de Oliveira/Agência AL

Fechado desde 2008, o prédio tombado pelo patrimônio histórico da antiga Escola Antonieta de Barros se transformou em alvo da ação de vândalos e em abrigo de moradores de rua. Agora a construção vai ser restaurada.

O espaço foi cedido pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa, que vai assumir a reforma do prédio. Como contrapartida, o Parlamento poderá usá-lo por 30 anos. A Antiga unidade de ensino vai abrigar a Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira.

Por Nara Cordeiro

Fonte original da notícia: Rádio AL




Obra sacra de Garopaba recebe restauro em Florianópolis (SC)

Os restauradores trabalham em uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Foto: Karina Ferreira/Agência AL/Divulgação/Portal Notisul

Uma imagem sacra da igreja São Joaquim, de Garopaba, está sendo restaurada pelo Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Móveis do Estado (Atecor), que funciona no Centro Integrado de Cultura (CIC), na capital. O órgão também trabalha na restauração de obras sacras das igrejas de São Miguel Arcanjo, de São Miguel, em Biguaçu, e de Nossa Senhora das Necessidades, de Santo Antonio de Lisboa, em Florianópolis. Elas estão em fase adiantada de restauração.

Da bicentenária igreja de Garopaba, os restauradores trabalham em uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Segundo Marcelino Correia, restaurador e conservador do Atecor, trata-se de uma imagem de cerca de um metro de altura, de cedro vermelho, produzida entre os anos de 1875 e 1880. “Foi feita por um mestre baiano e pintada no Rio de Janeiro. Atrás da imagem tem uma etiqueta da Loja “A Minerva”, que entre outros objetos vendia peças sacras”, explicou Marcelino.

Metodologia italiana

As restaurações feitas no ateliê seguem a metodologia do italiano Cesare Brandi. De acordo com Brandi, o leigo precisa perceber os locais que foram restaurados. É a regra da distinguibilidade, ou seja, a ação do restaurador deve ser diferente do trabalho do artista. Em seguida vem a regra da reversibilidade, isto é, a possibilidade de reverter a intervenção do restaurador.

Brandi também defende a compatibilidade dos materiais usados no restauro com aqueles que compõem a obra. E por último, a ideia de intervir o mínimo possível na obra em restauração.

Situação preocupante

Sobre a situação do patrimônio histórico abrigado nas igrejas centenárias do estado, o quadro é preocupante. No caso de uma Igreja de Porto Belo, por exemplo, todas as imagens de madeira foram vandalizadas e queimadas sobre o altar.

“As igrejas restauradas recentemente, como a de São José, têm sistema de segurança”, afirmou Marcelino Correia, reconhecendo que dezenas de outras não dispõem de dispositivos antifurto.

Fonte original da notícia: NotiSul




Moradores denunciam abandono de estação centenária em Pitangueiras, SP

Interditado devido ao risco de desabamento, prédio do início do século 20 sofre a ação de vândalos. Prefeitura diz que aguarda R$ 1 milhão do Ministério do Turismo para restaurar o local.

Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

Moradores de Pitangueiras (SP) denunciam o abandono da antiga estação de trem, interditada devido ao risco de desabamento. Construído no início do século 20, o prédio chegou a ser restaurado por voluntários. Depois, passou a abrigar a biblioteca municipal, mas acabou sendo desocupado e não mais reabriu.

A Prefeitura alega que enviou um projeto ao Ministério do Turismo, solicitando R$ 1 milhão para revitalizar o local, mas não obteve retorno. Ainda segundo a administração, a biblioteca foi transferida justamente devido às condições precárias do prédio.

“Está muito abandonado. Primeiro, era cuidado. Agora, o telhado está caindo. É triste, porque é um prédio histórico da cidade, o único que está em pé. No tempo dos outros prefeitos funcionava como um bar. Agora, não tem mais nada”, reclama o servidor Nilton César Pedro.

A estação funcionou entre 1903 e 1998, quando a ferrovia foi desativada. Na época, a Prefeitura concordou em ceder o prédio a três entidades sociais, que se uniram e revitalizaram o local com o apoio de comerciantes, arquitetos e engenheiros voluntários.

“A gente viu que estava se tornando um ponto de delinquência, de uso de drogas, de andarilhos. Então, tivemos a ideia de restaurar tudo. Nós abrimos um bar e o dinheiro arrecadado era revertido para as próprias entidades”, conta a assistente social Carmen Masson.

O aposentado Claudinei Simões Estimo participou do projeto e relembra que a estação voltou a ser um ponto de encontro dos moradores. Dois anos depois, no entanto, a administração municipal rompeu o acordo e as instituições foram obrigadas a deixar o local.

“Tudo que se diz de cultura, movimento de cultura, era na estação. Fizemos uma limpeza geral, refizemos a pintura, porque era um ambiente de prostituição, drogas. Nós conseguimos acabar com isso”, afirma o aposentado.

Com o fim do projeto social, o prédio centenário passou a abrigar a biblioteca municipal. Mas, sem a manutenção adequada, a estação começou a sofrer com a degradação do tempo. Os livros foram então levados a outro imóvel e a biblioteca transferida.

Atualmente, as paredes apresentam rachaduras, o forro caiu e parte da fiação elétrica está exposta. Portas e paredes foram pichadas por vândalos. A ferrovia se tornou depósito de entulho e lixo. Até a lataria de um carro foi abandonada ali.

“Eu sinto até um aperto no coração de pensar que tudo isso acabou e está se acabando em Pitangueiras. Não só a estação, mas tudo. O único patrimônio histórico que nós temos é a estação”, desabafa a professora de história Maria Terezinha Guimarães Beato.

Aposentada, Maria Terezinha diz que a antiga estação não tem importância apenas histórica e cultural, mas também econômica, porque sempre gerou muitos empregos. Ela conta que os trens transportavam a produção de laranja do interior para o porto de Santos.

“Se ninguém acordar para ver o que está acontecendo, que está acabando, vai acabar mesmo. Eu sinto que vai acabar. Meus netos nem vão mais ter essa lembrança que eu tive e que foi muito gratificante”, diz.

Fonte original da notícia: Jornal da EPTV 1ª Edição




Plano Nacional de Gestão do Patrimônio Histórico é debatido em Brasília (DF)

Encontro discute ações de desenvolvimento turístico em cidades que são Patrimônio Cultural do Brasil. Plano vai definir onde é ‘melhor e mais significativo’ aplicar recursos, diz Ministro da Cultura.

3º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas Turísticas e Patrimônio Mundial, realizado nesta terça-feira (10), reúne autoridades para debater plano nacional de gestão do patrimônio histórico. (Foto: Luiza Garonce/G1)

3º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas Turísticas e Patrimônio Mundial, realizado nesta terça-feira (10), reúne autoridades para debater plano nacional de gestão do patrimônio histórico. (Foto: Luiza Garonce/G1)

Patrimônio Cultural da Humanidade há 30 anos, Brasília é uma das cidades do país que será beneficiada pela Política Nacional de Proteção ao Patrimônio Cultural, que começou a ser elaborada nesta terça-feira (11) pelo governo federal em parceria com governos estaduais e prefeituras.

Para o Ministro da Cultura, Roberto Freire, o encontro é uma oportunidade para definir onde é “melhor e mais significativo” aplicar recursos, sem desperdício.

“O Iphan e a Unesco terão todo o apoio [do ministério] para que sofram os menores cortes possíveis.”

O ministro mencionou o sucateamento do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, como “um legado da pior espécie entregue a atual gestão do GDF”. Localizado na Esplanada dos Ministérios, centro político da capital, o teatro de maior expressividade local está fechado desde 2014.

A criação de um plano de gestão de recursos é o tema central do 3º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas Turísticas e Patrimônio Mundial, que ocorreu na sede da Confederação Nacional de Municípios (CNM), na Asa Norte, em Brasília. A elaboração do documento responde a uma demanda do Tribunal de Contas da União (TCU).

“Povo que não cultua história e tradição, é um povo que perde seu destino e seu horizonte”, disse o presidente do TCU, Augusto Nardes, na abertura do evento.

O encontro reuniu governadores, prefeitos e representantes de instituições ligadas ao tema – como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial.

Com o plano, ficarão delimitadas as regras para exploração turística e definidas as responsabilidades das instituições – públicas e privadas – envolvidas no setor de turismo. Temas como transporte, hospedagem, acessibilidade, atendimento ao turista e formação de mão de obra especializada também devem ser incluídos no documento.

De acordo com o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, o evento tem grande simbolismo para Brasília, que completa 57 anos da execução do plano urbanístico de Lúcio Costa no dia 21 de abril. Sobre o Plano Nacional, ele afirmou ser uma medida necessária para articular todas as cidades patrimônio em uma “grande política de Estado”.

“O Brasil tem uma riqueza cultural extraordinária que está expressa em seus diversos patrimônios. É preciso aproveitar essa diversidade para promover um desenvolvimento sustentável, com geração de emprego e renda.”

Sobre a recuperação do Teatro Nacional, citada pelo Ministro da Cultura, Rollemberg afirmou que o governo está “buscando recursos” e que, por enquanto, está dando preferência à revitalização de alguns espaços culturais da cidade, como o Centro de Dança, na Asa Norte, e o Espaço Cultural Renato Russo, na Asa Sul.

“Agora, a prioridade é melhorar as condições do setores hoteleiros norte e sul. Também vamos lançar, em breve, uma licitação para recuperar o Museu de Arte de Brasília e continuamos a desobstrução da orla do Lago Paranoá para garantir a escala bucólica prevista na concepção original da cidade.”

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, informou ao G1 que tem buscado atuar de forma integrada e colaborativa com o GDF. O instituto atua na fiscalização e autorização de obras e reformas em monumentos tombados e na sugestão de ações para fomentar o turismo e a cultura locais.

“Brasília é uma referência na história do urbanismo mundial. Temos que saber explorar essa característica, valorizando-a e potencializando-a em memória da qualidade de vida dos cidadãos.”

Plano Nacional

A elaboração de um plano nacional para gestão de recursos destinados a cidades e municípios que são patrimônio histórico e cultural do Brasil partiu do Tribunal de Contas da União, por meio do Acórdão 3.155 de 2016.

O documento foi elaborado após uma auditoria, realizada também no ano passado, para verificar como estavam sendo aplicados os recursos federais nas operações de infraestrutura turística dos patrimônios de todo o país.

O plano é de responsabilidade da Casa Civil da Presidência da República em conjunto com os ministérios do Turismo, do Meio Ambiente, da Cultura e de outros órgãos estaduais e municipais de competência sobre o tema.

Por Luiza Garonce

Fonte original da notícia: G1 DF




Cemitério Israelita de Quatro Irmãos (RS) comemora 20 anos como Patrimônio Histórico

Fotos: Divulgação FIRS/Salus Loch

Fotos: Divulgação FIRS/Salus Loch

No fim do século 19 e começo do século 20, a maior parte do ishuv (comunidade judaica mundial) vivia nos limites do império tzarista, em áreas próprias para este fim. A opressão e o isolamento sob o jugo russo, porém, eram cruéis. A liberdade fora substituída por sofrimento, violência e medo. Como lembra Moacyr Scliar no prefácio do livro ‘Numa Manhã Clara de Abril’, de Marcos Iolovitch, inúmeros eram os obstáculos para que os judeus, confinados em aldeias, trabalhassem a terra, frequentassem as universidades e exercessem a cidadania.

O sonho de uma vida melhor, no entanto, jamais desaparecera. Para muitos, ele se concretizou de duas formas: pela aliá (imigração judaica) à terra de Israel, e pela emigração para o Novo Mundo. Os que optaram pelo Novo Mundo, patrocinados pela Jewish Colonization Association (ICA), começaram a aportar na América do Sul via Argentina no fim do século 19. Mais tarde, duas novas levas foram dirigidas ao Brasil, nas Colônias de Philippson, região de Santa Maria, em 1904; e Quatro Irmãos, região de Erechim, nos anos de 1911, 12 e 13.

A memória dos desbravadores desta última colônia, a de Quatro Irmãos, resta, mais de 100 anos depois da chegada dos primeiros emigrantes, representada por dois importantes símbolos: o antigo hospital, transformado em casa de cultura e memorial da imigração judaica (revitalizado em 2012, graças à participação da Federação Israelita do RS); e o cemitério israelita, que comemora em maio de 2017 os 20 anos de seu tombamento como patrimônio histórico, numa iniciativa liderada pelo então vereador erechinense, Valdemar Artur Loch. À época (1997), Quatro Irmãos – hoje município – era um Distrito de Erechim. É deste cemitério que vamos falar um pouco mais, a partir de agora.

Serenidade em meio aos eucaliptos

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Os Eucaliptos que ornamentam o entorno do Cemitério Israelita de Quatro Irmãos emprestam um ar sereno e de beleza cênica ao espaço fundado em 1913, conforme aponta Samuel Chwartzmann, em seu livro ‘Memórias de Quatro Irmãos’.

A conservação da área, sob os cuidados da Sociedade Israelita de Erechim, é mantida com a participação das famílias que lá têm seus entes queridos e também graças a duas áreas de terra doadas pela ICA para este finalidade, ainda na década de 1960; uma em frente ao cemitério, onde foi construída uma moradia de zelador; e a outra, num total de dois alqueires (cerca de 5 hectares), localizada na comunidade de Rio Padre, que rende dividendos a partir do seu arrendamento, ajudando no custeio do cemitério.

Já o poder público de Quatro Irmãos, de acordo com o prefeito Adílson De Valle, presta assistência sempre que necessário, especialmente, na manutenção da estrada que leva ao cemitério, localizado no alto de uma coxilha, e na reparação de túmulos eventualmente marcados pelo tempo ou por ações de vândalos.

No Cemitério de Quatro Irmãos estariam enterrados 84 homens, 71 mulheres e 17 crianças e outros (172 pessoas, no total), conforme levantamento realizado por Samuel Chwartzmann. O número, no entanto, diverge ligeiramente do trabalho realizado por Marcos Feldman, autor que também escreveu a respeito da colonização. De acordo com Feldman, em seu livro ‘Memórias da Colônia de Quatro Irmãos’, o total de homens seria de 82, já as mulheres seriam 72, e as crianças e outros 17 (171 pessoas, no total). Tanto Chwartzmann quanto Feldman moraram em Quatro Irmãos com suas famílias. Feldman tem parentes lá enterrados.

A diferença de dados parece ser explicada pelo fato de que, conforme a própria obra de Samuel Chwartzmann, ao longo dos anos alguns túmulos deixaram de existir, sendo que outros tantos estão com as inscrições, feitas em idisch, apagadas. Algumas lápides, aliás, não possuem sobrenomes – dificultando a identificação.

De Quatro Irmãos para o mundo

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Para Maurício Agranionik, presidente da Sociedade Israelita de Erechim – e que responde pelos cuidados do cemitério há quase duas décadas – a preservação do espaço é vital para manter vivo o legado daqueles pioneiros que foram os responsáveis pela expansão e distribuição dos judeus por todo o Rio Grande do Sul e, também, pelo País. Muitos, ainda, ganharam o mundo – inclusive migrando para Israel.

Produtor rural bem sucedido, Agranionik, que tem os avós enterrados no cemitério, é um dos poucos descendentes de imigrantes que segue com atividades na região. Aos 86 anos, porém, ele não pensa em se afastar das lides do campo – para as quais conta com a presença constante do filho, Hércio. Agranionik, de igual sorte, não foge à responsabilidade para com a comunidade judaica de Erechim, nem tampouco com o cemitério. O sentimento é dividido com a esposa, Helena, e o próprio Hércio, que ajudam Maurício no processo constante de mobilização dos patrícios.

O grupo abnegado, ou Chevra Kadisha

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Conforme Samuel Chwartzmann, em sua obra ‘Memórias de Quatro Irmãos’, havia uma associação ligada diretamente ao cemitério de Quatro Irmãos. Era a Chevra Kadisha, composta por cerca de 20 a 30 homens e mulheres que, de forma voluntária, tinha o trabalho de preparar o morto e levá-lo à sua última morada. A sociedade era dirigida por duas pessoas: um gabe Rishon (1º presidente) e um gabe sheini (2º presidente), a quem todos os demais deviam obediência.

Quando morria alguém, conta Chwartzmann, o gabe destacava as tarefas: tantas pessoas para fazer o caixão, pois não havia prontos; tantas para costurar a mortalha e outras para lavar e vestir o morto. Geralmente, quatro pessoas abriram a cova. Tal trabalho era feito, obrigatoriamente, por judeus e não havia qualquer remuneração.

A existência da Chevra Kadisha, todavia, não tinha como única finalidade ajudar aos mortos. Quando uma pessoa adoecia por longo tempo, e a família estava exaurida de passar noites em claro, o gabe reunia os membros da sociedade e destacava dois membros para substituir a família na tarefa. E lá passavam em sistema de revezamento o tempo suficiente, esperando a cura ou a morte do adoentado. Essas são as razões para que esse grupo, que havia em todas as vilas, povoados e cidades, fosse chamado de grupo ‘santo’ ou ‘abnegado’. A única contribuição que esperavam era receber o mesmo tratamento quando chegasse a sua vez de morrer ou quando ficassem doentes.

Relação das famílias enterradas

O cemitério de Quatro Irmãos tem delimitações de espaço próprias para homens, mulheres (cada um com quatro quadras) e crianças. A seguir, segue a relação das famílias que têm um ou mais entes lá enterrados: Abramovitch; Agranionik; Arenzon; Antevi; Bacaltchuk; Barenchtein; Baron; Baruch; Bereziniak; Berger; Berlin; Betem; Blechierene; Blovchtein; Boianovski; Brochman; Bujanski; Cachanovitch; Chaper; Charchadt; Davidson; Dikler; Exman; Faerman; Faiguenboim; Faingluz; Feder; Feldman; Feler; Fialcoff; Fippson; Fischman; Flaks; Frenkel; Gazul; Gitz; Guendz; Golkin; Grimblat; Grobopatil; Gudis; Guilherme; Heker; Huberman; Iochelovitch; Ioschpe; Kanfeld; Kantor; Kautz; Kives; Kogan; Kohan; Kohen; Kosminski; Kotlarenko; Kreitchman; Kreitzman; Krigel; Krost; Lavinski; Lechtman; Leibovitch; Leitchik; Lerner; Liberman; Lichtenstein; Litvin; Maguilnik; Matone; Matune; Melnick; Moscovitch; Muller; Nagelstein; Naiberg; Perelman; Peretchinski; Pinski; Prikladnitzki; Precladnitzki; Press; Rabecov; Rabin; Raskin; Roizman; Rosenberg; Rudnitzki; Scarsinski; Scherir; Schmidt; Schpilkis; Schpitzkovski; Schrir; Schukster; Schwartz; Schwartzman; Schwer; Sirotski; Starosta; Tabatchinik; Tavejnianski; Tcherniacovski; Utchitil; Wainer; Wainstein; Wiuniski; Zatz; Zelter.

Fontes: ‘Memórias da Colônia de Quatro Irmãos’, de Marcos Feldman; e ‘Memórias de Quatro Irmãos’, de Samuel Chwartzmann.

Curiosidades

# Recentemente, a Sociedade Israelita de Erechim fez uso da tecnologia para revigorar o cemitério de Quatro Irmãos. Um site foi utilizado pela entidade a fim de receber recursos para garantir as melhorias necessárias. A iniciativa deu certo, e ajudou a manter limpo e organizado o espaço.

# O registro dos últimos enterros realizados no cemitério israelita data de 1979, anos após o fim das cerimônias no local. Os dois últimos corpos lá enterrados são de: Gregório Maguilnik e Nechame Iovchelovitch.

# A iluminação na vila de Quatro Irmãos, até a década de 30, era feita com o uso de lampiões. Nesta época, no entanto, seria instalado o primeiro gerador de eletricidade no moinho de Jayme Melnick, aproveitando-se de uma queda da água. A história é contada por Marcos Feldman, em sua obra ‘Memórias da Colônia de Quatro Irmãos’.

# A Revolução de 1923 causou estragos profundos à colônia de Quatro Irmãos. Mortes e abandonos de terra foram registrados no período do conflito entre ‘Chimangos x Maragatos’ e, também, nos anos seguintes. Muitas famílias deixaram tudo para trás, e jamais retornaram à colônia, buscando vida nova em cidades como Erechim, Passo Fundo e Porto Alegre.

Fonte original da notícia: JBV Online




Suspeitos invadem museu em Olinda (PE) e tentam levar obra de arte

De acordo com Polícia Militar de Pernambuco, ação ocorreu na manhã de sábado (8), no Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Sítio Histórico da cidade.

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Museu de Arte Contemporânea fica em Olinda. (Foto: Divulgação)

A Polícia Militar de Pernambuco informou, no sábado (8), que três homens invadiram o Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Sítio Histórico de Olinda, no Grande Recife, para tentar levar um quadro. Eles não encontraram a obra, que havia sido emprestada.

Como não conseguiram furtar o quadro, os suspeitos renderam os vigilantes e levaram as armas. A ação aconteceu por volta das 7h. Segundo a PM, os homens perguntaram aos funcionários onde estava o quadro. Diante da informação do empréstimo, fugiram em um veículo de cor prata.

Furto

Em julho de 2010, ocorreu um furto no museu. O quadro “Enterro”, de Cândido Portinari (1903-1962), foi levado do MAC. Pintada em 1959, a obra um óleo sobre madeira, tem 24,5 centímetros por 33,5 centímetros.

O quadro foi encontrado pela polícia e devolvido ao museu em agosto do mesmo ano. A pintura estava intacta. Os ladrões chegaram a fazer uma raspagem do registro do museu, que detém o quadro desde 1963.

As investigações foram realizadas pelos policiais de Pernambuco, em parceria com as Polícias Civil e Federal do Rio de Janeiro. Dois homens acabaram sendo presos na capital fluminense.

Avaliado entre R$ 800 mil e R$ 1,5 milhão, “Enterro” estava exposto no primeiro andar do MAC, um prédio do século 17, tombado pelo Patrimônio Histórico que tinha, na época, um acervo de cerca de quatro mil obras.

Fonte original da notícia: G1 PE




Será reinaugurada a Igreja São Domingos de Torres (RS), a segunda mais antiga do Litoral do Estado

Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade neste sábado. (Foto: Divulgação)

Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade neste sábado. (Foto: Divulgação)

A Igreja São Domingos de Torres, bem tombado pelo patrimônio histórico e precioso elemento da memória histórica e religiosa do Rio Grande do Sul, passou por um importante processo de restauro. Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade do município do Litoral Norte gaúcho.

A reinauguração está agendada pra o dia 8 de abril de 2017, às 10h30min, na rua Padre Lamonaco, nº 2, Morro do Farol. E às 15h30min serão realizadas as palestras “Igreja São Domingos de Torres – a viabilização do projeto de restauração através das leis de incentivo à Cultura”, ministrada pelos gestores culturais Lucia Silber e Manuel Dias, da Lahtu Sensu Administração Cultural e “Primórdios da Capela e Matriz de São Domingos das Torres – 1815 – 1856” com o jornalista Nelson Adams Filho, Coordenador do Centro de Estudos da História de Torres e Região, e demais membros da entidade.

Marco

A edificação da Capela de São Domingos, iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824, constitui-se na primeira igreja construída no trecho litorâneo entre Laguna (SC) e Osório (RS), sendo a segunda mais antiga no litoral do Estado. Localizada no Morro do Farol, é o marco inicial do núcleo urbano de Torres, pois foi a partir da igreja que a cidade se desenvolveu.

A edificação da Capela de São Domingos foi iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824. (Foto: Divulgação)

A edificação da Capela de São Domingos foi iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824. (Foto: Divulgação)

Erguida por prisioneiros de guerra, guarani-cristãos castelhanos, a edificação é representativa da arquitetura luso-brasileira com trato barroco. O prédio e sua decoração interna têm um estilo eclético, com alguns traços neoclássicos e mesmo neogóticos. Sua única torre foi erguida em 1898 pelo Padre José Lamônaco.

Encontram-se, em sua lateral direita, as fundações da segunda torre, que não foi concluída. Junto à igreja, está localizada a Casa n°1, que recebeu o Imperador D.Pedro I em sua passagem pelo local.

Em 1983, a Igreja Matriz de São Domingos, passou a integrar o patrimônio cultural do Estado, através da Portaria de Tombamento n°5/83.

Restauro

Em 2004, foi elaborado o projeto arquitetônico de restauro, assinado pelo arquiteto Edegar Bittencourt da Luz. Em dezembro de 2010, o projeto foi aprovado junto ao Pronac e, em abril de 2011, junto à LIC-RS. Desde então, uma equipe multidisciplinar liderada pelo Bispo Dom Jaime Kohl, da Mitra de Osório, que investiu os recursos necessários para a elaboração dos projetos, tem se empenhado incansavelmente na captação dos valores que vêm viabilizando as obras.

Estas iniciaram em 2010, com recursos do Fundo Nacional de Cultura R$ 300.000,00 e contrapartida da Prefeitura Municipal de Torres (R$75.613,50) e Mitra Diocesana de Osório (R$ 59.559,98).

Seguindo, em 2013, com o financiamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio da lei de incentivo à cultura estadual, R$ 1.015.909,72, e do Governo Federal por meio da lei de incentivo à cultura nacional, R$ 819.450,55, patrocinados pelas empresas Tramontina (patrocinadora máster), Gerdau, CEEE, Banrisul, Randon, Casa Perini, Malharia Anselmi, entre outras.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O projeto tem execução da Arquium Construções e Restauro e gestão administrativa da Lahtu Sensu Administração Cultural. O custo total do projeto foi R$ 2.270.533,75.

Em 2008, a igreja foi interditada para o uso e visitação. Quando foi iniciada a restauração em 2010, o estado físico estava comprometido por infiltrações nas paredes e a torre e a fachada estavam num avançado grau de erosão pluvial e eólica.

Foram mantidos sua estrutura e estilo original. A equipe procedeu a colocação de reboco transpirável em cal e areia, além da requalificação dos elementos de vedação em esquadrias de madeira, restauradas ou novas. Além disso, a estrutura de forros e pisos foram substituídos por madeira de alta densidade.

Também foram restaurados os bens integrados (imagens de santos em madeira e mobiliário) além da pavimentação do adro e dos blocos de arenito em cantaria, com a pintura a base de cal. A etapa final da obra consistiu na dotação de infraestrutura de instalações hidráulicas, elétricas e proteção a incêndio e segurança, bem como na implantação do sistema de drenagem e escoamento das águas pluviais e de acessibilidade.

Dom Jaime comenta sobre a importância da preservação deste importante monumento histórico. “A revitalização da Igreja São Domingos vai restituir à comunidade do município e do Estado este valioso imóvel, referência da arquitetura neo-colonial brasileira. A comunidade torrense poderá voltar a frequentá-la para suas celebrações, e a visitação dos turistas será retomada.”

Fonte original da notícia: O Sul




Aracaju (SE) – Patrimônio histórico: Igreja dos Jesuítas na Praia do Saco corre o risco de desabar

A Igreja foi construída no século XV pelos jesuítas e está prestes a desabar por conta do avanço da maré.

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A Igreja da Praia do Saco, localizada no município de Estância, corre o risco de desabar por conta do avanço da maré sobre sua estrutura. Ela foi construída no século XV, pelos jesuítas que aqui faziam presença, e faz parte do patrimônio histórico do município e de Sergipe.

Moradores da região já buscaram alternativas para evitar que a maré avance sobre a Igreja, como a colocação de pedras para conter a força da água, por exemplo, mas as autoridades responsáveis não concordaram. A Igreja dos Jesuítas é bastante visitada pelos turistas que frequentam a praia.

Caso alguma providência não seja tomada, a igreja cairá, e Sergipe perderá um importante patrimônio histórico e cultural, que além de ser bastante importante para a manutenção da história local, é também importante ponto turístico do litoral sul do estado.

Fonte original da notícia: Itnet