Projeto vai colocar QR code em imóveis históricos de Curitiba (PR) com detalhes das construções

Projeto da UTFPR está catalogando o patrimônio histórico de Curitiba e disponibilizando todas as informações em portal.

Foto: Arquivo/Gazeta do Povo/Antonio More

Projeto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) está catalogando o patrimônio histórico de Curitiba e disponibilizando todas as informações neste site. O portal está sendo alimentado aos poucos com todas as pesquisas realizadas desde 2011 por mais de 560 alunos, liderados pelas arquitetas Giceli Portela e Iaskara Florenzano. No futuro próximo, a intenção é instalar QR code em frente a todas as construções, em um azulejo, para as pessoas terem acesso à história completa da edificação em tempo real de interesse.

As pesquisas históricas, de fotografia, desenho e maquete já se debruçaram sobre o São Francisco, com especial atenção para as ruas Trajano Reis, Paula Gomes e Saldanha Marinho, casas de madeira, casas modernistas e praças centrais, como a Tiradentes e a Eufrásio Correia.

A intenção é que o material disponibilizado, que ultrapassa 400 obras, esteja em uma linguagem acessível para todos, e não apenas em jargão técnico para arquitetos e profissionais de restauro. Agora os estudantes e os professores se dedicam a esmiuçar o patrimônio industrial do Rebouças.

O primeiro QR code já foi instalado no imóvel sede da UTFPR, que é uma Unidade de Interesse de Preservação de Curitiba (UIP).

Por Luan Galani

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Porto Alegre (RS) – Climatização conserva patrimônio histórico de 97 anos do Palácio Piratini

“Com poucos recursos para todas as áreas, buscamos parceiros e conseguimos viabilizar esta obra”, afirmou Sartori – Foto: Karine Viana/Palácio Piratini

No dia em que o Palácio Piratini comemora 97 anos, o governo do Estado também celebra uma conquista importante para conservar o acervo histórico do prédio: a entrega das obras de climatização do segundo pavimento da Ala Governamental. O projeto vinha sendo discutido e elaborado há anos e nesta quinta-feira (17) foi inaugurado, após cinco meses de trabalho.

Com a climatização, o mobiliário, a decoração de época, e, principalmente, os 23 murais do artista italiano Aldo Locatelli, a maioria localizada nos salões Negrinho do Pastoreio e Alberto Pasqualini, serão preservados. Como o Palácio Piratini é um prédio tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico  do Estado (Iphae) e pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o projeto precisou ser aprovado por ambos.

A obra foi totalmente financiada pela Lei Rouanet, também conhecida como Lei de Incentivo à Cultura, não gerando qualquer custo para o cofre do Estado. O proponente do projeto, junto ao Ministério da Cultura, foi o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, que ficou responsável pela captação dos recursos necessários. O valor é de aproximadamente R$ 2,2 milhões.

“Lá atrás, em 1896 e em 1909, quando foram lançadas as duas pedras fundamentais para a construção do Palácio Piratini, a orientação era para que este prédio fosse o edifício público mais belo e majestoso de todo o Brasil. A sede do governo gaúcho é, com certeza, um dos mais belos e majestosos prédios públicos do país. Aqui, temos as obras de Aldo Locatelli, agora preservadas com a nova climatização”, assegurou o governador José Ivo Sartori durante a solenidade.

Sartori destacou que, ao completar 97 anos, o Palácio Piratini, patrimônio dos gaúchos, ganha uma grande e muito esperada obra: a climatização dos salões principais da sede do governo, que, segundo o governador, é uma obra extremamente necessária nos tempos atuais e planejada há mais de 10 anos.

“Somos um governo de atitude, que busca um Estado eficiente e moderno. Somos também um governo de parcerias. Com poucos recursos para todas as áreas, buscamos parceiros e conseguimos viabilizar esta obra”, afirmou Sartori.

O projeto, do arquiteto Edegar Bitencourt da Luz, foi elaborado de maneira a causar a menor intervenção possível. O sistema foi implantado sobre os forros de estuque existentes nos ambientes e as casas de máquinas ficam sobre a cobertura da Ala Governamental. A execução da obra foi da empresa Arquium Construções e Restauro.

Para o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do RS, Miguel do Espírito Santo, esse investimento foi extremamente necessário. “A obra entregue hoje ao Rio Grande do Sul é de superlativa significação. É pertinente a preservação do mais importante símbolo do estado, o Palácio do governo, sede de nossas mais caras tradições e das mais importantes decisões em atenção à causa pública”, explicou.

Segundo o presidente, o Instituto também é parceiro do governo do Estado em outros dois projetos culturais, já contemplados pela Lei Rouanet e em fase de captação de recursos. Entre eles, está o restauro de peças do mobiliário histórico da sede do governo e a montagem da estrutura da Oficina de Restauro do Palácio Piratini.

O secretário da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Victor Hugo, disse que a entrega do governo para a sociedade é resultado de parcerias que dão certo. “Uma demonstração clara à sociedade rio-grandense de que governos podem fazer mais do que políticas de governo. Que governos podem fazer política de Estado. E é isso que estamos vivendo”, admitiu.

O presidente do Instituto de Previdência do Estado do RS, José Guilherme Klimann, foi um dos coordenadores do projeto, enquanto esteve como secretário adjunto da Casa Civil, e destacou o trabalho em equipe e a superação de entraves ao longo do tempo. “Fazer intervenções em um prédio como o Palácio Piratini não é tarefa simples. Exige o máximo de cuidado e uma fiscalização muito grande. Topamos o desafio e aqui está o resultado plenamente exitoso”, destacou.

Durante a cerimônia de comemoração dos 97 anos do Palácio Piratini, o Coral do Banrisul fez uma apresentação aos convidados. Eles interpretaram Negrinho do Pastoreio, Boi Barroso e Os Homens de Preto, com a regência do maestro Gil de Roca Sales.

Décadas de história

O Palácio Piratini foi construído por determinação do presidente Júlio de Castilhos para substituir o antigo Palácio de Barro. O primeiro projeto para o novo palácio era de autoria do arquiteto Affonso Hebert, da Secretaria de Obras Públicas, e a pedra fundamental foi lançada em 27 de outubro de 1896. Ainda nos alicerces, as obras foram suspensas. E em 20 de setembro de 1909 uma segunda pedra fundamental foi lançada para o projeto do arquiteto francês Maurice Gras.

Em 17 de maio de 1921, o prédio foi ocupado, mas sem inauguração oficial e em caráter parcial, pois a Ala Residencial e os jardins não estavam prontos. Somente na década de 1970 o Palácio foi dado como concluído.

Em 1955, um decreto do governador Ildo Meneghetti oficializou o nome Palácio Piratini, uma homenagem à primeira capital da República Rio-grandense (1836-1845) durante o episódio da Revolução Farroupilha (1835-1845). A sugestão da denominação ‘Palácio Piratini’ foi feita pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

Os lustres de cristal dos salões são réplicas dos usados no Palácio de Versalhes e as esculturas da fachada principal e posterior da Ala Governamental são de autoria do francês Paul Landowski, criador do Cristo Redentor do Rio de Janeiro.

Em 1951, o pintor italiano Aldo Locatelli foi contratado para pintar os murais nas paredes e no forro dos salões.

Em 1986, o Palácio Piratini foi tombado pelo Iphae. E, em 2000, integrando o sítio histórico da Praça da Matriz, passou a ter a proteção do Iphan.

Fonte original da notícia: Portal do Governo do Estado do Rio Grande do Sul




Prédios preservam história de Santa Cruz do Sul (RS)

Atualmente, duas construções históricas da área central da cidade passam por reformas para receber novos negócios.

A vida volta a pulsar nesses espaços, que contam a história do desenvolvimento de Santa Cruz do Sul. Foto: Bruno Pedry

O investimento em prédios históricos conquistou a simpatia de empresários em Santa Cruz do Sul. Cada vez mais eles estão optando pela preservação da arquitetura do século passado ao invés das modernas estruturas de vidro, ferro e concreto contemporâneo para seus empreendimentos. Atualmente, duas construções históricas da área central da cidade passam por reformas para receber novos negócios, juntando-se a outras já restauradas. Santa Cruz tem 61 instalações urbanas protegidas por leis municipais que zelam pela preservação do patrimônio histórico.

A vida volta a pulsar nesses espaços, que contam a história do desenvolvimento de Santa Cruz do Sul, recriando uma época quase esquecida. A paisagem urbana mergulha em um novo tempo, no qual a distância entre o presente e o passado pode ser apenas uma divisa entre os dois terrenos.

Das carroças aos robôs que fotografam de cima

A esquina das ruas Tenente Coronel Brito e Ramiro Barcelos, no Centro, passa por um processo de rejuvenescimento. Equipes de construtores dedicam-se à renovação do prédio do Hotel Santa Cruz. Até junho, a edificação será entregue como um novo cartão-postal da cidade, com traços da época em que passear pelo Centro era tarefa para se fazer de carroça. Hoje, a tecnologia permite que a imagem seja vista do alto, ainda mais imponente.

“Esse prédio sempre me chamou muito a atenção. Era um dos que eu achava mais bonitos quando era criança”, conta o empresário Eduardo Simon. A família dele é a atual proprietária do Hotel Santa Cruz e projeta na edificação um moderno empreendimento para receber hóspedes na terra da Oktoberfest.

Foto: Banco de Imagens Gazeta do Sul

O prédio foi construído em 1927, a fachada da esquina exibe a data de nascimento dele. “Ele é do tempo das carroças”, frisa o empresário. “O desafio para mantê-lo próximo do projeto original foi grande. Ele já havia passado por mudanças estruturais no passado”, diz Simon, informando que a construção não faz parte do inventário de prédios protegidas por lei municipal. Foi preservado pelo carinho que os novos donos têm com a história.

O Hotel Santa Cruz será totalmente modernizado | Foto: Bruno Pedry

Por questões de mercado, ele não revela o valor do investimento, mas confirma que o custo de empreender em um imóvel em restauração não é baixo. A reforma deverá ser concluída em junho. O novo hotel terá elevador, quartos modernos, nova recepção e espaço para até dois outros empreendimentos comerciais no térreo.

Quando duas histórias se misturam em uma só

De acordo com o presidente da Sicredi Vale do Rio Pardo, Heitor Petry, a trajetória de Santa Cruz e da cooperativa se fundem em uma só. Pintado com as cores da Sicredi, o prédio da Rua Ramiro Barcelos, vizinho ao Hotel Santa Cruz, é o berço do cooperativismo de crédito no País. “Ele é o elo entre a nossa história, a história de Santa Cruz e representa um marco do desenvolvimento do município”, acredita Petry.

Atualmente, o prédio histórico, protegido parcialmente pela Lei do Patrimônio Histórico, é o único próprio da Sicredi. As unidades de atendimento da região e a central administrativa funcionam em imóveis alugados. O valor do prédio torna-se maior do que patrimonial. Faz parte de uma memória afetiva e, por isso, custa caro. “Acima da importância legal de preservar, está o nosso desejo de preservar”, complementa.

Construção data de 1925 | Foto: Banco de Imagens Gazeta do Sul

Conforme o arquiteto Cristiano Vilanova Horn, responsável pela restauração do prédio da Sicredi, a edificação é um misto de estilos. Concentra elementos da arquitetura neoclássica, trazida da Europa para o Brasil no início do século passado. A construção desse prédio foi concluída em 1925.

Prédio da Sicredi é o único próprio da cooperativa | Foto: Bruno Pedry

Segundo ele, qualquer tipo de intervenção em uma construção com traços desta época precisa ser muito bem executada. “A pintura segue o manual de comunicação da Sicredi. Nela, precisamos manter as características originais da edificação, ajustando ao novo padrão de cores da cooperativa”, explica o arquiteto.

Uma construção com “padrão catedral” de qualidade

A sede da esquecida Padaria Müller, dos anos de 1930, localizada na Rua Marechal Floriano, tem motivos de sobra para estar na lista de bens protegidos. Em reforma para receber a loja da rede Americanas, o prédio quase foi demolido, pois na classificação de preservação dele não há impedimento legal para que seja colocado abaixo.

Foto: Banco de Imagens Gazeta do Sul

A diretora do Centro de Pesquisa e Qualidade Urbana e Rural (Cipur), departamento vinculado à Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Patrícia Assmann, conta que havia um pedido para demolição que foi negado pelo município. “Este prédio foi projetado pelo mesmo arquiteto responsável pelo projeto da Catedral São João Batista, o alemão Simão Gramlich. O imóvel faz parte do legado dele em Santa Cruz”, justifica. O atual proprietário não dá entrevistas, assim como também não revela o valor do investimento na recuperação do prédio.

Tradição preservada até por quem vem de fora

A antiga sede do Esporte Clube União Corinthians, na Rua Marechal Floriano, sobreviveu ao tempo e renasceu restaurada a partir do investimento privado. Sem meios financeiros para ajustar o prédio às necessidades de segurança, a direção do clube tomou uma decisão: alugar o espaço para um investidor que pudesse conservar a história e manter viva a edificação, protegida de maneira parcial pela lei do Patrimônio Histórico.

Prédio do Clube União é um dos mais tradicionais do município | Foto: Banco de Imagens Gazeta do Sul

Segundo o presidente do clube, Marco Jardim, foram investidos cerca de R$ 5 milhões para a recuperação da antiga sede, ocupada agora pela unidade a rede Lojas Renner. “Isso é quase o preço da construção de um prédio novo. Toda a história do clube está lá dentro.”

Hoje, prédio abriga loja de roupas | Foto: Bruno Pedry

Jardim conta que a construção do prédio começou em 1923, com o lançamento da pedra fundamental. Uma década depois, o quarto clube mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul ocupou o espaço, transformado em loja de departamentos em 2017. O investimento deu uma sobrevida ao imóvel, agregando ainda mais valor ao local. “O contrato de aluguel foi firmado por dez anos inicialmente. Esse prédio é um dos símbolos de Santa Cruz, por isso necessita estar em atividade.”

Capital intangível para a economia santa-cruzense

No dicionário, as definições de intangível atribuem a essa palavra as características de algo que não pode ser tocado, compreendido e também impossível de ser materializado.

O valor de prédios históricos pode ser considerado como um capital intangível na economia de um município. Para o arquiteto santa-cruzense Ronaldo Wink, especialista no assunto, a integração desses espaços históricos à modernidade do urbanismo é o charme da maioria dos países da Europa. “Prédios com 500, 600 anos fazem parte dos centros das grandes cidades e não impedem o progresso”, reforça.

Segundo a arquiteta Patrícia Assmann, da Prefeitura, o investimento na recuperação de espaços históricos está muito acima do valor imobiliário. Agrega preço, sentimento e indenidade à atividade-fim para a qual o prédio será utilizado.

“É preciso que se quebre este preconceito que existe com relação aos prédios históricos. Eles fazem parte do acervo cultural do município”, explica Patrícia. Segundo ela, para incentivar o investimento em edifícios históricos, o município conta com duas leis que regulamentam a preservação do patrimônio. A primeira – lei 7.382, editada em 2015 –, cria uma espécie de inventário no qual está classificado, em três tipos de preservação, o patrimônio histórico de Santa Cruz. São 61 imóveis, entre prédios comerciais e residências.

A segunda – lei 7.497, de 2016 – institui a redução do custo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a prédios históricos que são restaurados e colocados em uso por seus proprietários ou investidores. O cálculo da redução no IPTU leva em consideração o valor e o tamanho da intervenção na restauração.

Veja outras fachadas preservadas:

Fotos: Bruno Pedry

Patrimônio cultural

O processo para recuperação de um dos 61 prédios listados no inventário do patrimônio obedece a processos instituídos pelas leis de preservação do patrimônio histórico.

Há três classes de patrimônio – A, B e C – e estas imprimem critérios diferentes. A categoria “A” é a mais rígida. São 16 prédios listados nessa classe e, para realizar intervenções, os investidores precisam modificar o mínimo possível. O status de preservação é integral. A classe “B” é intermediária, tem 18 edificações listadas e nelas a preservação é parcial.

A classificação “C” está mais relacionada com casas familiares ou prédios muito modificados ao longo dos anos. A restauração é a mais flexível; a classe deles é “imóveis protegidos”. Todos os projetos de intervenção nos imóveis do inventário são submetidos a duas análises. A primeira é feita no Cipur. Depois passa pelo crivo dos conselheiros do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Compur), também vinculado à pasta do Planejamento, Orçamento e Gestão.

O patrimônio histórico santa-cruzense

Imóveis de Preservação Integral (Classe A)

Prédio do Bispado, na Rua Marechal Deodoro, 572 e 582;
Capela do Hospital Santa Cruz, na Rua Fernando Abott, 174;
Igreja Evangélica, na Rua Venâncio Aires esquina Rua Sete Setembro;
Catedral São João Batista, na Rua Ramiro Barcelos;
Prédio da Prefeitura Municipal, na Praça da Bandeira;
Loja Lessing, na Rua Tente Cel. Brito, 277;
Colégio Distrital, na Rua Tenente Cel Brito, 333;
Estação Ferroviária, na Rua Ernesto Alves, s/n;
Banco Pelotense, na Rua Marechal Floriano, 651;
Caixa Cooperativa Mercantil Santacruzense, na Rua Borges de Medeiros, 622;
Residência Textor, na Rua Rio Branco, 864;
Comércio Residência Frantz 1886, na Rua Marechal Floriano, 987;
Comércio Residência Frantz 1914, na Rua Marechal Floriano, 829, 835, 843;
Monumento a Independência, na Praça da Bandeira;
Monumento ao Imigrante, na Rua Marechal Floriano esquina Rua Galvão Costa;
Igreja Evangélica de Rio Pardinho (Igreja dos Imigrantes).

Imóveis de Preservação Parcial (Classe B)

Banco da Província, na Rua Tenente Coronel Brito, 631;
Sociedade Aliança Santa Cruz, na Rua Marechal Floriano, 898;
Antigo Presidio, na Rua Tiradentes, 15;
Sociedade Ginástica Santa Cruz, na Rua Vinte e Oito de Setembro, 227;
Colégio Mauá, na Rua Borges de Medeiros, 399;
Caixa Rural União Popular (atual Sicredi), na Rua Ramiro Barcelos, 1086;
Clube União, na Rua Marechal Floriano, 445;
Colégio São Luís, na Rua Marechal Floriano, 705, 713, 719, 729 e 733;
Hotel do Comércio, na Rua Marechal Floriano, 312;
Praça da Bandeira, no quarteirão formado pelas Ruas Marechal Floriano, Borges de Medeiros, Tenente-coronel Brito e Sete de Setembro;
Praça Getúlio Vargas, no quarteirão formado pelas Ruas Marechal Floriano, Ramiro Barcelos, Marechal Deodoro e Júlio de Castilhos;
Pórtico de entrada e pavilhão de exposições (pavilhão central) do parque da antiga FENAF (Oktoberfest), na Rua Galvão Costa;
Expresso Gaúcho, na Rua Gaspar Silveira Martins, 1589;
Colégio Sagrado Coração de Jesus, na Rua Ramiro Barcelos, 892; e
Companhia Riograndense de Saneamento, na Rua Tenente Coronel Brito, 221;
Escola de Rio Pardinho;
Cemitério Evangélico de Rio Pardinho;
Cooperativa Agrícola Linha Santa Cruz, na Avenida Orlando Oscar Baumhardt nº 1432, em Linha Santa Cruz.

Imóveis Protegidos (Classe C)

Agência de Correios e Telégrafos, na Rua Venâncio Aires, 683;
Torres & Cia., na Rua Ramiro Barcelos, 1399, 1401, 1403 e 1421;
Quiosque da Praça, na Praça Getúlio Vargas;
Residência Jost, na Rua Júlio de Castilhos, 534
Residência Konrad, na Rua Tenente Coronel Brito, 141;
Residência Meurer, na Rua Ernesto Alves, 714;
Residência Jacobs, na Rua Venâncio Aires, 621 e 623;
Residência Schimidt, na Rua Marechal Deodoro, 280;
Residência Becker, na Rua Tenente Coronel Brito, 425;
Residência Frantz, na Rua Ramiro Barcelos, 1188 e 1198;
Residência Henning, na Rua Tenente Coronel Brito, 764, 768 e 772 e Ramiro Barcelos, 1133;
Residência Fröehlich, na Rua Fernando Abott, 322;
Residência Schütz, na Rua Galvão Costa, 85;
Residência Kessler, na Rua Galvão Costa, 347;
Residência Kämpf, na Rua Borges de Medeiros, 299;
Residência Heinz, na Rua Júlio de Castilhos, 520;
Residência Melchior, na Rua Sete de Setembro, 385;
Máquinas Schreiner, na Rua Borges de Medeiros, 721 e 733;
Máquinas Binz, na Rua Tenente Coronel Brito, 479;
Padaria e Residência Müller, na Rua Marechal Floriano, 895;
Farmácia Muller, Rua Marechal Floriano, 567 e 571;
Comércio e Residência Eifler, na Rua Marechal Floriano, 590, 592, 594 e 600.
Comércio Residência Dlilem, na Rua Galvão Costa, 323.

Por Rodrigo Nascimento

Fonte original da notícia: GAZ




Projeto valoriza patrimônio histórico de Santa Rosa (RS)

Comissão de Terras, no centro de Santa Rosa, recebeu a identificação | Foto: Felipe Dorneles / Especial / CP

Cinco prédios considerados patrimônio histórico e cultural de Santa Rosa receberam identificação digital. Essa é a última etapa do projeto Pontos de História, que desenvolveu documentários sobre cada um dos locais e disponibilizou na Internet. A Estação Férrea de Cruzeiro, Colégio Santa Rosa de Lima, Prefeitura Antiga – Centro Cultural, Estação Férrea de Santa Rosa e Comissão de Terras foram eleitos pela comunidade em votação on-line.

Além da identificação, um Código QR permite que o visitante acesse por celular um documentário. O vídeo da Comissão de Terras, por exemplo, revela que este foi um dos primeiros prédios da cidade e onde os imigrantes buscavam oportunidades. Hoje, abriga escritórios da Secretaria Estadual da Agricultura.

A equipe também está à disposição de escolas para falar sobre patrimônio histórico e o documentário. Várias palestras já foram realizadas. “Esse será o grande ganho do projeto, fazer com que a população se aproprie dessas histórias e sinta-se pertencente ao legado construído ao longo dos anos”, destaca o jornalista Anderson Farias, proponente e coordenador-geral do Pontos de História. Ele diz que a população tem recebido bem a ideia. O projeto é custeado pelo Fundo Municipal de Cultura.

Por Felipe Dorneles

Fonte original da notícia: Correio do Povo




Porto Alegre (RS) – Por que o restauro do Instituto de Educação vai custar R$ 28,6 milhões

Prédio tombado pelo patrimônio histórico terá sua riqueza arquitetônica preservada.

Fachada do prédio que abriga uma das escolas mais tradicionais de Porto Alegre. Félix Zucco / Agencia RBS

Fechado desde 2016 para passar por uma restauração, o Instituto de Educação Flores da Cunha, uma das escolas estaduais mais tradicionais de Porto Alegre, está com a licitação para obras em processo de abertura. O que chamou atenção foi o custo do serviço: R$ 28,6 milhões.

Isso significa que vão ser gastos mais de R$ 3,3 mil para recuperar cada metro quadrado de área construída (no total, o complexo tem 8.594 metros quadrados). Para termos de comparação, o Custo Unitário Básico (CUB) para construir do zero um metro quadro, conforme a tabela de março do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RS), chega no máximo a R$ 2,2 mil, para a categoria mais cara incluída (referente a espaços comerciais).

O próprio diretor-administrativo da Secretaria Estadual da Educação, Carlos Alexandre Ávila, observa que sairia mais barato demolir o Instituo de Educação e construir um prédio novo de que fazer a recuperação. É justamente por ser um restauro que o investimento é elevado. Não se trata de uma simples reforma, mas de tentar devolver o edifício ao seu estado original.

— O fato de ser um patrimônio histórico impacta violentamente no custo. A restauração requer uma delicadeza, uma série de cuidados, de melindres na execução, para manter padrão idêntico, fiel. Tem uma série de coisas que são mais onerosas e mais morosas — afirma.

Inaugurado em 1936, com projeto do arquiteto Fernando Corona, o prédio tem inspiração neoclássica, com colunas jônicas, saguão com imponentes pinturas a óleo e uma riqueza de texturas e detalhes por todo o lado. Está tombado pelo município e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, que colaborou com o projeto de recuperação.

Volta às aulas é prevista apenas para 2020

Um dos desafios que fazem o custo se multiplicar é o de encontrar materiais fiéis aos que foram usados originalmente. Com frequência, eles são raros e caros. Além disso, os profissionais envolvidos precisam ser diferenciados. O edital de licitação exige que a empresa executora tenha pessoal certificado para esse tipo de trabalho.

— A equipe tem de ser altamente qualificada, com engenheiros e arquitetos acompanhando diariamente o trabalho. O que pesa mais no custo é a questão artística. É um prédio de arquitetura linda, com saliências, relevos, azulejos, ladrilhos e escaiolas que encarecem a obra. O custo se justifica porque é um patrimônio diferenciado, que faz parte da nossa História. É um marco — afirma Ávila.

A previsão é que as obras se estendam por 18 meses e que o instituto possa receber de novo os alunos, hoje espalhados por outras escolas, no ano letivo de 2020.

Por Itamar Melo

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Edifícios da USP são tombados como patrimônio histórico

Lista inclui prédios de História e Geografia e da Escola Politécnica e áreas do Centro de Práticas Esportivas.

Prédio dos Departamentos de História e Geografia, projetado por Eduardo Corona, arquiteto também responsável pelo Planetário do Parque Ibirapuera – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Em reunião de 19 de março, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou o tombamento de prédios da USP localizados na Cidade Universitária. Integram o conjunto o edifício de História e Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), os prédios de Engenharia Mecânica e Naval, Engenharia de Minas e de Petróleo e Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica, as piscinas e o estádio de futebol do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp).

Os prédios da USP fazem parte de uma lista definida pela Câmara Municipal em 2016, a partir do Plano Diretor Estratégico de 2002. Foram escolhidos por serem representativos da arquitetura moderna em São Paulo, tendo integrado o plano de ação do governo Carvalho Pinto (1959-1963). Seus projetos foram assinados por Eduardo Corona, Ícaro de Castro Mello e Oswaldo Bratke.

Com a resolução, qualquer obra realizada nos edifícios precisa ser analisada previamente pela Divisão de Preservação e aprovada pelo Conpresp. A ação busca preservar bens culturais de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental, impedindo sua destruição ou mutilação. Isso não impede que as edificações passem por adaptações, mas toda alteração deve ser orientada no sentido do restauro, considerando o que já existe construído. Qualquer cidadão ou entidade jurídica, assim como o próprio Departamento do Patrimônio Histórico (DHP), pode solicitar o tombamento, que é avaliado pelo conselho.

O Centro de Práticas Esportivas da USP teve projeto de Ícaro de Castro Mello, que assina também o Ginásio do Ibirapuera – Foto: Jorge Maruta / USP Imagens

“O tombamento tem a relevância de expor esse conjunto de edifícios ao público, na medida em que seu destino passa a ser de toda a sociedade paulistana”, comenta o especialista em laboratório do Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP Gabriel Fernandes. “Eles passam a ser objeto de discussão pública e a Universidade, na medida em que é guardiã desse conjunto de bens culturais, se coloca na responsabilidade de apresentar o que vai ser feito com eles e zelar pela sua preservação.”

Segundo a ex-diretora do CPC e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP Mônica Junqueira, as edificações tombadas revelam o significado da arquitetura no início dos anos 1960 e as preocupações dos arquitetos. “Essas obras apresentam soluções construtivas inovadoras para a época, tendo a solução estrutural como definidora do partido arquitetônico e determinante da composição plástica.”

Edifício de Engenharia Mecânica e Naval, construído em 1963, com projeto de Ariaki Kato e Ernest Mange – Foto: Guilherme Andrade

De acordo com a ata da reunião do Conpresp, o prédio de História e Geografia, projetado pelo arquiteto Eduardo Corona e premiado em 1967 pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), traz “concepções distintas das comumente encontradas em universidades”. O texto ressalta a “fluidez de seus espaços e sua permeabilidade capaz de conectar suas duas extremidades tratadas igualmente como acesso ao seu interior”.

Mônica destaca essa inovação não só no prédio de humanidades, mas também nas edificações de engenharia. “Há valorização dos espaços coletivos como integradores das áreas do conhecimento e a disposição do programa de modo a promover melhor interação das disciplinas, introduzindo um novo conceito espacial de escola.”

O conselho reconheceu intervenções e modernizações no Cepeusp, mas ressaltou que sua estrutura original não foi descaracterizada. “Foi possível identificar a coesão entre as construções de autoria de Ícaro de Castro Mello, mesmo com tipologias e tempos distintos”, afirma o texto. Para a professora da FAU, o centro esportivo representa “um programa importante no âmbito da constituição de uma vida universitária, cujo conjunto é exemplar da arquitetura esportiva.”

Construídos na década de 1960, os prédios de Engenharia de Minas e de Petróleo e Engenharia Metalúrgica e de Materiais foram projetados por Oswald Arthur Bratke – Foto: Guilherme Andrade

Os prédios escolhidos para preservação expandem para 20 o número de edificações tombadas da USP. Estão nessa lista as construções da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Cidade Universitária e da Rua Maranhão, o edifício principal, o Instituto Oscar Freire e a Associação Atlética da Faculdade de Medicina (FM), o Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma), o Museu Paulista, o Museu Republicano de Itu, o Museu de Zoologia, a Faculdade de Direito (FD), o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), a Casa de Dona Yayá, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) em Piracicaba, o campus de Ribeirão Preto e as ruínas do Engenho de São Jorge dos Erasmos, em Santos (SP).

Também estavam na seleção da câmara municipal mas não tiveram tombamento aprovado pelo Conpresp a raia olímpica e a Escola de Educação Física e Esporte (EEFE). A lista original também previa a preservação total do Cepeusp, o que não foi deferido.

Juntamente com as construções da USP, cerca de 70 imóveis foram tombados pelo Conpresp na reunião do dia 19 de março. Dentre eles está o complexo do Carandiru, com parte da antiga penitenciária masculina que foi demolida em 2002 e hoje é o Parque da Juventude.

Por Luiz Prado

Fonte original da notícia: Jornal da USP




Novo projeto de restauração do Teatro Grande Otelo é apresentado em Uberlândia (MG)

Audiência para apresentação ocorreu na noite de terça-feira (13). Secretaria de Cultura reforçou que proposta acata decisão judicial e recomendações do Ministério Público.

Teatro Grande Otelo em Uberlândia deve ser restaurado em breve conforme prazo judicial. Foto: Caroline Aleixo/G1

O projeto arquitetônico para restauração e adaptação do Teatro Grande Otelo, no Bairro Nossa Senhora Aparecida, foi apresentado durante a noite de terça-feira (13) pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) de Uberlândia. A proposta acata recomendações do Ministério Público Estadual (MPE) e a decisão judicial que determinou o início das obras até agosto deste ano.

Além da secretária de Cultura, Mônica Debs, estiveram presentes no encontro membros do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Cultural de Uberlândia (Comphac) e representantes da classe artística da cidade.

Entre as propostas apresentadas pelos arquitetos responsáveis pelo projeto estão a mudança na angulação da plateia para melhor visualização, redução da altura do palco em 88 centímetros e inserção de pontos com acessibilidade como rampa de acesso na entrada lateral do prédio.

Em consonância às recomendações da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico E Cultural; Patrimônio Cultural, a fachada e características da entrada principal, via Avenida João Pinheiro, serão mantidas. A sala de teatro deverá receber reforços de alvenaria e, no caso das paredes que não aceitam o reforço, será feita a demolição para serem reconstruídas.

O projeto também sugere um painel do ator Grande Otelo anexado na lateral do teatro. Durante a reunião, Debs informou que o projeto será submetido para análise do Ministério Público e, depois de aprovado, será feita a licitação da obra que será custeada parcialmente com recursos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Entenda

O teatro foi interditado pela em 2011 depois que o MPE ajuizou ação solicitando o tombamento do prédio como patrimônio histórico e a interdição do local.

O Ministério Público constatou que o teatro estava abandonado e com risco de demolição, sendo necessário que a arquitetura fosse preservada. A decisão judicial em primeira instância foi proferida em 2015.

Na ocasião, o juiz João Ecyr determinou que a administração municipal começasse a promover a restauração do prédio no prazo de 180 dias, contados a partir da publicação da sentença. Na época, o Município pediu prorrogação do prazo e chegou a apresentar o projeto à Promotoria de Justiça, que não foi acatado.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) estabeleceu 18 meses para a Prefeitura começar a fazer as obras e esse prazo está valendo desde a publicação da decisão final, que foi em fevereiro de 2017.

O Município foi procurado para conceder entrevista sobre o assunto, porém não houve retorno até a publicação desta reportagem. O G1 também entrou em contato com o promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural, mas ele estava em audiência na manhã desta quarta-feira (14).

Valor histórico e arquitetônico

A construção do Cine Vera Cruz, que posteriormente passou a abrigar o Teatro Grande Otelo, faz parte do processo de urbanização da Vila Operária ocorrido na década de 60 e onde atualmente é o Bairro Aparecida.

Construído em 1966, o prédio foi projetado pelo engenheiro Nelson Gonçalves Prado e não obedeceu a nenhum estilo arquitetônico específico. Em 1993, passou a ser chamado de Teatro Grande Otelo em homenagem à personalidade das artes cênicas brasileiras, nascida em Uberlândia e conhecida nacionalmente por atuações em filmes humorísticos.

A edificação constitui-se de dois pavimentos, com volumetria em um bloco retangular único, implantado em um terreno na esquina da Avenida João Pinheiro com a Rua Monte Alegre. O prédio, que ocupa quase toda a área de 800 m², não apresenta recuos frontais ou laterais e tem capacidade para 300 lugares.

Por Caroline Aleixo

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro com informações do MGTV 




Piracicaba (SP) – Proteção ao Patrimônio Histórico

O imponente e belo bairro Monte Alegre. Crédito: Christiano Diehl Neto

Piracicaba começa a discutir a elaboração de um Plano Diretor de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural. A medida pode ser executada por conta da quantidade de 700 Patrimônios, Tombados ou em processo de Tombamento, conforme profissionais que atuam com projetos de preservação de locais históricos.

Eles sugeriram que o Plano Diretor de Piracicaba – em revisão – contemple a possibilidade da cidade contar com um planejamento específico para os imóveis e locais considerados importantes pela sociedade e sua memória. O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba (Ipplap), Arthur Ribeiro, afirmou que a proposta foi apresentada no momento certo: da revisão do Plano Diretor da cidade.

“São sugestões como essa que vão se incorporando às propostas para a revisão. Vamos realizar reuniões com os profissionais que sugeriram a ideia, porque ela é boa. No entanto, não é possível começar um plano para o Patrimônio nesse momento, mas nada impede que a proposta comece a ser analisada para que a elaboração seja feita no futuro”, afirmou.

O Ipplap trabalha, atualmente, com a proposta de Zeladorias, também uma forma de planejamento, mas de forma pontual em algumas regiões. A ideia é que o zelo pelo patrimônio seja compartilhado e realizado pela Prefeitura, comunidade e proprietários dos imóveis. As áreas que estão recebendo essas ações são a Rua do Porto, e os bairros Monte Alegre, Santana e Santa Olímpia.

Essa iniciativa define as peculiaridades de cada área e as responsabilidades dos atores envolvidos. “É algo que começou a ser iniciado. Não é como um Plano Diretor, que é uma ideia interessante quando ele vem com a preocupação de definir critérios mais bem estabelecidos, conforme as legislações vigentes que definem a proteção do Patrimônio e que norteiam as decisões do Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba)”, afirmou Marcelo Cachioni, arquiteto, diretor do Departamento de Patrimônio Histórico do Ipplap.

O Estatuto da Cidade prevê que o Plano Diretor deve apresentar diretrizes para a proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído, dos Patrimônios Cultural, Histórico, Artístico, Paisagístico e Arqueológico.
Para a administradora, Denise Ponce, que sugeriu a elaboração de um plano específico para o Patrimônio, o Plano Diretor norteia as intenções, as ações e as estratégias dos dirigentes para a cidade e a sociedade pode participar desse processo.

“Atuo com Patrimônio Histórico há cinco anos e percebo que, em Piracicaba, como no Brasil, exceto raras exceções, há uma visão equivocada com relação ao Tombamento de um imóvel. Na verdade, o processo promove a reinserção urbanística onde ele está localizado, se for recuperado com um bom projeto que pode reverter em benefício econômico para a cidade”, afirmou.

Isso ocorre porque o imóvel abandonado é reintegrado ao urbanismo da cidade e há ainda o potencial turístico. “Infelizmente, grande parte das pessoas ainda não despertaram para esses potenciais”, disse Denise, que destacou, ainda, os empresários que fazem a gestão do bairro Monte Alegre, como exemplo de visão de oportunidades de desenvolvimentos econômico, social e cultural daquele patrimônio.

O arquiteto Moacir Corsi, que trabalha com Patrimônio há 15 anos, ressaltou que três cidades já contam com Plano Diretor específico: Londrina (PR), Salvador (BA) e Recife (PE). “É claro que essas duas Capitais têm importância nacional, mas Piracicaba também tem diversos Patrimônios de relevância para o País e ainda não são valorizados como deveriam. Um deles é o Passo do Senhor do Horto, localizado à rua Prudente de Moraes. É o único”, afirmou.

Para Corsi, se Piracicaba conseguir incluir o Plano Diretor de Patrimônio, daqui há 10 anos, na próxima revisão do Plano Diretor, será um grande passo, porque esse planejamento envolve também os Patrimônios Natural, Ambiental, Cultural, Histórico e Imaterial. “É algo bem amplo que vai valorizar a cidade. Demonstrará mais respeito pela nossa história, pelo que a gente é”, disse.

Por Adriana Ferezim

Fonte original da notícia: Gazeta de Piracicaba




Imóveis tombados em Belo Horizonte (MG) estão dando dor de cabeça aos proprietários

Representantes do setor imobiliário cobram mais contrapartidas para os donos de imóveis tombados da capital mineira, muitos há anos desocupados. Restauração de casarões da década de 1930, na avenida Amazonas, deve começar ainda neste ano.

Villa Rizza, fechada há mais de 10 anos: imóvel da década de 1930 pertence à Petrobras, que ainda não encontrou um comprador. Foto: Alexandre Rezende/Encontro

Cerca de 700 imóveis em Belo Horizonte são tombados pelo patrimônio histórico. A relevância cultural desses endereços, contudo, não basta para deixa-los vistosos e ocupados. Ao caminhar por alguns bairros, sobretudo os mais tradicionais, não é difícil avistar edificações caindo aos pedaços ou há anos à espera de uma destinação. Um dos casos mais emblemáticos da cidade é o simpático casarão Villa Rizza, na avenida do Contorno, esquina com rua do Ouro, no bairro Serra. A despeito da região nobre, a casa, dos anos 1930, está desabitada há mais de uma década. E não foi por falta de tentativa. Placas de “Vende-se” ou “Aluga-se” já foram pregadas na fachada. Além disso, no ano passado, o lugar foi a leilão, mas não houve interessados. Por outro lado, a Petrobras, dona do terreno, informou que “continua interessada na alienação do imóvel”. Um dos empecilhos, admitem representantes do setor, é o próprio tombamento.

“Não sou contra o tombamento, mas acho que os proprietários mereciam mais contrapartidas, já que a manutenção dessas edificações é muito cara”, diz Breno Donato, vice-presidente das Corretoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG). Atualmente, o proprietário de imóvel tombado é isento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e pode comercializar o seu potencial construtivo. Os benefícios, entretanto, não são suficientes para compensar os prejuízos, segundo alguns representantes do segmento.

Casarões na avenida Amazonas, que pertencem ao Colégio Santo Agostinho: depois de 15 anos, devem começar a ser recuperados. Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

Quando um imóvel é tombado, melhorias devem ser executadas apenas se órgãos do patrimônio do município ou do estado permitirem. A restauração ou reforma deve seguir as exigências dos setores de patrimônio. Diante disso, Breno Donato, que também é vice-presidente do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário, avalia que o proprietário, em muitos casos, fica impossibilitado de adaptar o imóvel para cumprir outras funções como escritórios comerciais, de advocacia ou clínicas médicas. “Quando a edificação é 100% tombada (fachada, jardins e parte interna), o poder público é quem deveria dar uma destinação a ele, transformá-lo em museu, escola pública ou espaço cultural”, afirma Breno.

Quem compartilha da mesma crítica é José Francisco Cançado, vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). “Essas edificações pertencem a pessoas comuns que cuidaram do imóvel a vida toda e que não são recompensadas por isso”, diz ele. De acordo com José Francisco, a lei que rege os bens tombados deveria ser revista.

Palácio Cristo Rei, na Praça da Liberdade: imóvel foi restaurado pela Decisão Engenharia e gerou Unidade de Transferência de Potencial Construtivo para outras obras da cidade. Foto: Eugênio Gurgel/Encontro/Arquivo

Na avenida Amazonas, cinco casarões da década de 1930, entre as ruas Mato Grosso e Aimorés, no Santo Agostinho, estão à espera de uma definição há pelo menos 15 anos. Os imóveis foram adquiridos em 2003 pela Sociedade Inteligência e Coração (SIC), dos freis agostinianos, mantenedora das unidades do Colégio Santo Agostinho. Neste ano, segundo Mauro Macedo, gestor administrativo da SIC, as obras de restauro devem, enfim, começar. “Uma casa será demolida, pois não tem valor histórico, mas as outras quatro, tombadas, devem ser transformadas em espaços para a cultura”, diz. De acordo com ele, a demora em implementar os projetos e solicitar autorizações veio com o tombamento. Os imóveis foram preservados dois anos após a compra.

Enquanto isso, casarões no Santo Antônio, entre as ruas Congonhas, Santo Antônio do Monte e Leopoldina, estão à espera de uma definição. Desde 2014, o quarteirão está coberto por tapumes de metal para evitar invasões. A construtora Canopus tem um projeto de erguer torres no lugar. Entre as casas, está a que abrigou o escritor e médico João Guimarães Rosa.

Casinhas no quarteirão das ruas Congonhas, Santo Antônio do Monte e Leopoldina, no Santo Antônio, cercadas por um tapume de metal: projeto imobiliário está parado. Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

Yuri Melo Mesquita, diretor de patrimônio cultural e arquivo público da Fundação Municipal de Cultura (FMC), rebate as críticas contra os mecanismos de tombamento e diz que um imóvel tombado não significa que está impedido de receber adaptações para uso contemporâneo. “Além da isenção do IPTU, o proprietário pode inscrever o imóvel em projetos culturais e comercializar as Unidades de Transferência do Direito de Construir (UTDC)”, afirma.

Esse é o negócio da Decisão Engenharia, especializada em restauração de imóveis tombados. Foi ela também que criou o primeiro banco de UTDCs de BH. O diretor executivo Maurílio Duarte Câmara explica que esse instrumento foi criado para “recompensar a desvalorização que o imóvel sofre com o tombamento”. Funciona da seguinte maneira: como o imóvel tombado não pode ser demolido, o potencial construtivo que seria usado no terreno pode ser comercializado para empreendedores do setor da construção. As construtoras podem, a partir das UTDCs, aumentar em até 20% o tamanho das suas obras. Mais de 900 UTDCs já foram comercializadas pela Decisão Engenharia. Para que o imóvel gere a unidade de potencial construtivo, ele deve ser restaurado. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Palácio Cristo Rei, que pertence à Arquidiocese de BH.

Ernane Borba, presidente da Decisão Engenharia, está à frente também da Associação Brasileira de Propriedade de Bens Móveis e Imóveis Tombados ou de Interesse Cultural e Ambiental (Abrapit). Ele conta que o papel da entidade é criar uma voz coletiva nos órgãos públicos “para que possam existir mais políticas urbanas para a preservação desses bens”. Em outras palavras, a batalha é para que possuir um bem tombado signifique, também, um bom negócio.

Por Rafael Campos

Fonte original da notícia: Revista Encontro – Portal UAI




MPF cobra solução para abandono de patrimônio histórico em São João da Boa Vista (SP)

Foto: Jornal O Município

O Ministério Público Federal (MPF) quer que o poder público de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, providencie uma solução para a situação de abandono em que se encontra o imóvel conhecido como “Pensão São José”, que faz parte do patrimônio histórico, artístico e cultural do município.

O prédio, que foi tombado em 2009 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Município de São João da Boa Vista (Condephic), encontra-se em situação crítica, correndo risco de desmoronamento.

Após um carro colidir com o imóvel em 2012, um laudo do Setor Técnico de Apoio ao Condephic declarou ser crítico o estado da casa, sendo recomendada a sua desapropriação, devido ao abandono de seus proprietários. Em 2016, a Defesa Civil interditou o imóvel, recomendado a sua demolição, para evitar possíveis acidentes em seu entorno.

Questionada pelo MPF, a prefeitura do município informou não ter sido possível repassar verbas públicas para a preservação do imóvel durante todo o período decorrido desde o seu tombamento. E alega que a proprietária solicitou licença para reforma, que foi autorizada pelo Condephic, demonstrando interesse e recursos financeiros para efetivar a obra.

Com o objetivo de proteger o bem de valor histórico para o município, o MPF instaurou procedimento número 1.34.025.000169/2017-02 e solicitou à Câmara Municipal de São João da Boa Vista, bem como ao Condephic, que sejam informadas as soluções que serão aplicadas para a revitalização e restauração da “Pensão São José”.

Fonte original da notícia: Ministério Público Federal