PE – Museu do Recife recebe exposição “Imóveis Especiais de Preservação”

Fotografias vão contar avanço arquitetônico da cidade.

Praça de Casa Forte e o edifício da Celpe estarão entre as fotografias expostas no Museu. Foto: Divulgação

O Museu do Recife recebe a partir do dia 20 de setembro, a exposição “Imóveis Especiais de Preservação 20 anos”. A mostra aborda a arquitetura dos prédios da capital. A fotógrafa Aurelina Moura será a grande homenageada. A iniciativa é da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural. Os interessados poderão conhecer gratuitamente, de terça a domingo, das 9h às 17h, até o dia 29 de outubro.

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




Prédio em Goiana (PE) é alvo de polêmica

Edifício do século 19, sede municipal por 30 anos, seria destinado a centro cultural, mas a prefeitura alega que o quer de volta.

Paço Municipal Heroínas de Tejucupapo teve recursos do BID. Foto: Divulgação

Palco de lutas históricas desde a colonização, o município de Goiana (Zona da Mata Norte, a 60 km do Recife) promete protagonizar nesta segunda-feira (4) mais uma batalha, desta vez no campo político-administrativo. Com o fim da restauração do Paço Municipal Heroínas de Tejucupapo, o prefeito Osvaldo Rabelo Filho (PMDB) promete ocupar o edifício com a estrutura da atual gestão, a partir das 10h.

O ato é polêmico, porque vai de encontro a um convênio firmado entre o ex-prefeito Fred Gadelha (PTB) e a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, por meio do qual foram obtidos recursos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) visando transformar o prédio na âncora do chamado Plano de Turismo do Centro Histórico de Goiana.

Localizado na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca (Rua Direita), o Paço Municipal Heroínas de Tejucupapo é considerado um dos exemplares arquitetônicos marcantes na cidade. De características ecléticas, a edificação foi erguida em meados do século 19 e teve como uso inicial a Casa de Câmara e Cadeia. Atualmente se encontra na Zona Especial de Preservação Cultural, estabelecida no Plano Diretor do município. Em 1984, recebeu a denominação Paço Municipal das Heroínas de Tejucupapo – em referência à luta travada entre as mulheres locais e os invasores holandeses, em 24 de abril de 1646 – tornando-se sede do Executivo municipal até 2014, quando o prédio se encontrava bastante deteriorado.

Em nome do município, o procurador-geral de Goiana, Alcides França, afirma que o Programa Regional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), do Ministério do Turismo, e o Governo do Estado querem se apropriar do edifício.

O secretário estadual de Turismo, Esportes e Lazer, Felipe Carreras, disse que o Governo não vai entrar em confronto, mas que, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE) tomará as medidas cabíveis.

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha PE




Palácio Diocesano de Petrolina (PE) vai entrar em processo de tombamento como patrimônio histórico

O projeto de construção de um shopping popular no local gerou polêmica entre os líderes da igreja católica na cidade.

Palácio Diocesano de Petrolina vai ser tombado. Foto: Reprodução / TV Grande Rio

Envolvido em uma polêmica que dividiu os líderes da igreja católica em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, o palácio diocesano, de acordo com a Secretaria de Cultura do Estado, vai entrar em processo de tombamento como patrimônio histórico da cidade. O órgão atendeu ao pedido do bispo emérito da diocese, Dom Paulo Cardoso.

Enquanto o processo de tombamento estiver tramitando, o palácio diocesano ficará protegido. Um projeto prevê a construção de um shopping popular no terreno do palácio. O assunto dividiu opiniões dentro e fora da igreja. A obra gerou um desentendimento entre a Administração da Diocese, que é favorável, e Dom Paulo Cardoso, que é contra.

Em uma carta aberta publicada na internet, na última semana, Dom Paulo criticou o projeto e destacou que não havia sido informado sobre as obras. Também, através da internet, o administrador da diocese, padre Antonio Malan, defendeu a construção do shopping popular e reclamou da postura do bispo emérito.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), em Petrolina, informou que registrou a denúncia feita pela Câmara de Vereadores da cidade sobre a transformação do palácio diocesano em um shopping popular. A promotora de justiça, Ana Rúbia Torres de Carvalho, instaurou procedimento para apurar o caso.

Fonte original da notícia: G1 Petrolina




Olinda (PE) – MAC e Capela de São Pedro Advíncula passam por manutenção

Para preservação do nosso legado a Prefeitura de Olinda está semanalmente realizando mutirões de manutenção nos locais que ajudam na nossa identificação.

Charmosa, acolhedora, conhecida no mundo todo pelas ladeiras, cultura e sobretudo pela História que carrega em cada casa, monumento ou mesmo nas pedras que calçam o Sítio Histórico. Para preservação desse legado a Prefeitura de Olinda está semanalmente realizando mutirões de manutenção nos locais que ajudam na nossa identificação como olindenses e fazem da nossa cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Nesta quinta-feira(24.08) foi a vez do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), da Praça da Rua 13 de Maio e da Capela de São Pedro Advíncula.

O secretário executivo de Patrimônio, Fred Nóbrega, pontua que esses mutirões têm sido realizados como uma das marcas que estão caracterizando a Gestão desde o começo do ano: a integração entre as secretarias. Para esta, além da pasta de Patrimônio e Cultura, estiveram juntas a de Obras, com a Defesa Civil, e a Guarda Municipal.

“Estamos trabalhando para que os olindenses e os visitantes sintam orgulho de estar aqui. Hoje estamos realizando  ações como capinação, limpeza, pintura”, explicou Fred, destacando que tudo está sendo feito seguindo orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério da Cultura.

Tanto a construção dos prédios do MAC como da Capela de São Pedro Advíncula remontam do século 18. O primeiro é de 1768 e teve o prédio tombado em  1966, com a doação de parte da Coleção do Embaixador Assis Chateaubriand. Hoje possui um acervo com mais de quatro mil obras. Já a edificação religiosa é de 1764.

Por Marcos Oliveira

Fonte original da notícia: Portal da Prefeitura de Olinda




PAC das Cidades Históricas não trouxe mudanças para Olinda (PE)

Casarão Hermann Lundgren. Foto: Divulgação/Internet

Mesmo após dez anos de sua instalação, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas ainda não mudou muito a cara de Olinda. O Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, direcionou R$ 62 milhões para requalificar os 14 espaços e edifícios públicos escolhidos da cidade. Porém, até então, nenhuma igreja, largo, praça ou monumento tombado foi restaurado. Muito menos, realizada a implementação do Centro de Memória, como se pretendia. O Assunto foi abordado na manhã dessa sexta-feira em audiência pública na Câmara de Vereadores de Olinda.

Ao todo, 44 cidades de 20 estados foram contemplados pelo PAC. Foram cerca de R$ 1,6 bilhões destinados e R$ 300 mil em crédito para financiamentos de imóveis privados em cidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para ter a liberação do recurso, as prefeituras tiveram que enviar seus projetos de melhoramentos das suas estruturas históricas. Em Olinda, segundo o secretário de Patrimônio e Cultura, Gilberto Sobral, somente dois projetos ainda precisam de aprovação.

Entre os 14 locais, está o Mosteiro de São Bento, o Fortim de São Francisco, a Igreja de São Pedro, o Cine Teatro Duarte Coelho, a Igreja do Bonfim, o Casarão Hermann Lundgren, o Largo do Amparo e São João. Do total, o projeto do Casarão e da Igreja de São Pedro faltam aceitação e os únicos que estão próximos de serem entregues é a Igreja do Bonfim e o Adro do Convento Franciscano. Esses últimos, de acordo com o secretário Sobral, devem ser entregues ainda neste ano.

Para que o processo ande, o secretário Sobral explicou que só depende da estabilidade na conjuntura política do País e da burocracia dos documentos. “Aguardamos que as contenções econômicas cessem e dêem condições de trabalho para os governos locais”, pontuou. Na audiência pública que discutiu esta temática, ontem, na Câmara Municipal, o vereador Vlademir Labanca reclamou da demora e falta de resultados.

“Para se ter noção, desde 2002, já foram gastos mais de R$ 5 milhões no Cine Olinda. Além de um descaso, é irresponsabilidade com o dinheiro público. Espero que as obras terminem de fato e os espaços sejam auto sustentáveis”, declarou Labanca no plenário da Câmara.

Por Tatiana Ferreira

Fonte original da notícia: Diário de Pernambuco




Igreja do Sertão de Pernambuco será tombada

Processo foi pedido pela Prefeitura de Orocó e aberto pela Secretaria de Cultura do Estado.

O templo tem um estilo eclético, com nave única, quatro nichos em dois níveis e dois altares. Foto: Lusinete brandão/cortesia

Mais um patrimônio histórico de Pernambuco terá sua preservação garantida. A Secretaria de Cultura do Estado abriu o processo de tombamento da Igreja de São Félix, localizada no distrito de Ilha de São Félix, no município de Orocó (Sertão do São Francisco, a 565 quilômetros do Recife). Datado de meados do século 17, o templo vinha sendo alvo, nos últimos anos, de campanhas populares que visavam arrecadar fundos para preservar sua estrutura. O procedimento de proteção inclui ainda o cemitério anexo e o cruzeiro com cruz em madeira.

De acordo com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a iniciativa decorre em razão do valor histórico e arquitetônico de tipologia religiosa da igreja e de seus chamados haveres integrados.

Construída em alvenaria de pedra por frades capuchinhos missionários franceses e índios da tribo Cariri Trucá, na então denominada ilha dos Cavalos ou ilha da Missão, a Igreja de São Félix tem um estilo considerado eclético. Possui uma nave única e em suas paredes laterais há quatro nichos em dois níveis e dois altares. O acesso à capela-mor se dá por meio de arco pleno com cercadura e adornos em massa. Traz ainda fachada simples em linhas retas, frontão com laterais em volutas e única porta de acesso em arco pleno, ladeado por dois pequenos nichos em forma de secteiras, um óculo cego e uma torre lateral, ao fundo, em alvenaria de tijolo, que lembra o plano funcional da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sorobabel, município de Itacuruba, também no Sertão do São Francisco.

Em sua tese “Arqueologia no Médio São Francisco: Indígenas, Vaqueiros e Missionários”, a doutora em história Jacionira Coêlho Silva coloca a Igreja de São Félix como exemplo de “edificações-testemunho”, que são templos localizados em sedes missioneiras, construídos para durar todo o sempre, e em torno dos quais se assentaram currais e fazendas que absorveram a população nativa sobrevivente das guerras dando origem a núcleos populacionais que resistiriam ao tempo.

Dado seu estado de detererioração, em 2013, a União Cultural Orocoense e a Paróquia de São Sebastião desenvolveram uma campanha para arrecadação de fundos visando à recuperação do teto do templo, que havia desabado no ano anterior. A medida surtiu efeito e, no fim de 2014, a igreja já contava com uma nova cobertura.

De acordo com a presidente da Fundarpe, Márcia Souto, com o deferimento pelo secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja, do pedido de tombamento solicitado pela Prefeitura de Orocó, tem início a análise do processo. “Vamos fazer um levantamento do caso e depois enviar o resultado para o Conselho Estadual de Cultura para ser distribuído para o relator”, explicou a gestora.

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




X Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco

Em 2017, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco realiza sua décima edição. O evento, promovido pela Fundarpe e Secult/PE, tem como objetivo comemorar o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, 17 de agosto, e abrir espaço para reflexão das questões voltadas às políticas de preservação.

Com o tema políticas públicas e gestão do patrimônio cultural, a proposta visa dialogar com os atores ligados à gestão do patrimônio e de sua preservação, discutindo alternativas, caminhos, possibilidades e novos modelos de gestão compartilhados entre o poder público, os conselhos de preservação e a comunidade. Um exemplo deste
tipo de iniciativa é o minicurso: Zeladoria de Bens Culturais, ministrado pelo restaurador Antônio Sarasá e direcionado às equipes que gerenciam os equipamentos culturais do Estado.

A programação do evento, nesses últimos anos, extrapolou a duração de uma semana e as ações passaram a acontecer durante quase todo o mês de agosto, estabelecendo assim, um canal de debates, interdisciplinar e interinstitucional sobre as mais diversas temáticas julgadas essenciais para a compreensão das formas de constituição, valorização, reconhecimento e preservação dos patrimônios culturais.

Com base em quatro eixos – brincar, experimentar, interpretar e pensar o patrimônio, a programação contempla, dentre outras ações, a atividade de teatro, sugerida pela prefeitura de Belém do São Francisco, no Sertão de Itaparica, onde será encenada, no centro histórico da cidade a peça, “A alma do Patrimônio”; a exposição “O Imaginário de
Mestre Galdino” por alunos de escola municipal de Caruaru; a apresentação e o debate “Reflexões acadêmicas sobre o patrimônio cultural: produção dos cursos de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco” e o II Seminário de Educação Patrimonial de Pernambuco para professores da rede pública de ensino.

Ainda dentro da programação da Semana, a celebração do Dia Nacional do Patrimônio Histórico, comemorado desde 1998, quando o primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Rodrigo Melo Franco de Andrade completaria 100 anos, contará com uma solenidade especial! O Teatro de Santa Isabel será palco da diplomação dos seis novos Patrimônios Vivos do Estado de Pernambuco, do anuncio dos vencedores do Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho de Preservação do Patrimônio Cultural 2016 e de uma referência mais do que especial: os 80 anos do Iphan, criado em 1937.

No ano em que a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco completa uma década, o evento continua ampliando horizontes e ganhando novos parceiros! Além do Recife, participam desta edição os municípios de Belém do São Francisco, Brejo da Madre de Deus, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Caruaru, Floresta, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Surubim e Tamandaré. Confira a programação!

Fonte original da notícia: Fundarpe




Recife (PE) – Palácio Joaquim Nabuco se despede das atividades parlamentares para se tornar museu

Prédio sedia a Assembleia Legislativa do Estado há 142 anos. Ele fica fechado a partir da terça (1º), mas ainda não há data para início da reforma, que pode custar até R$ 18 milhões.

Reprodução/Internet

Há 142 anos funcionando como a casa da Assembleia Legislativa do Estado (Alepe), o Palácio Joaquim Nabuco fecha, definitivamente, as suas portas para as atividades parlamentares a partir da terça-feira (1º). Com a inauguração de um novo prédio para sediar os debates dos deputados, o palácio passará por uma reforma para se transformar no Museu Legislativo do Estado.

De acordo com o presidente da Alepe, o deputado Guilherme Uchoa, o orçamento para recuperação do prédio está submetido à primeira secretaria da casa parlamentar, um valor que pode chegar a R$ 18 milhões. Ainda segundo o presidente, o recurso pode ser captado pela Lei Rouanet, que permite o financiamento de empresas para atividades culturais, mas ainda não há data para início da reforma.

Localizado na Rua da Aurora, área central do Recife, a construção neoclássica do século 19 se destaca pela beleza. De coloração azulada, ele ostenta esculturas e uma abóbada dourada. Com duas pequenas galerias, ele é tombado pelo Patrimônio Histórico e pelo Instituto Brasileiro de Museus.

“Todos os elementos como arquitetura, entalhes do mobiliário e documentos históricos passam a ser incorporados ao museu e tombados também. Eu acho que é mais um símbolo turístico que se incorpora à cidade do Recife”, pontua a superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico do Legislativo, Cíntia Barreto.

Auditório com 142 lugares é um dos destaques do novo prédio da Alepe, no Recife. Foto: Reprodução/TV Globo

O novo local, que recebe as atividades legislativas a partir da terça-feira (1º), fica localizado na Rua da União. Além de contar com uma arquitetura moderna, tem auditório para 142 lugares, três pequenos plenários para comissões parlamentares e o plenário principal Eduardo Henrique Aciolly Campos para reuniões, solenidades, audiências públicas especiais e votações. O painel também passa a ser eletrônico, possibilitando a votação digital.

“Tudo foi feito com recurso próprio. Aqui não tem, sequer, uma suplementação orçamentária do Executivo. Tudo foi feito com as economias da Casa. Ele tem capacidade para essa Assembleia do futuro chegar a 90 deputados. Então, essa é uma obra de perspectiva de crescimento. Nós estamos pensando no Pernambuco de amanhã”, finaliza Uchoa.

Fonte original da notícia: G1 PE




Recife (PE) – Com 170 anos, Matriz de São José é tombada pelo governo estadual

O responsável por dar entrada na petição, em 2010, foi o padre José Augusto Esteves, pároco da igreja há 48 anos.

Foto: Alcione Ferreira/Arquivo DP

O Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado de Pernambuco aprovou, na manhã de quinta-feira (27), o tombamento da Igreja Matriz de São José, localizada no bairro central do Recife. O responsável por dar entrada na petição, em 2010, foi o padre José Augusto Esteves, pároco da igreja há 48 anos.

Esta não foi a primeira tentativa do padre para conseguir recursos que permitissem obras emergenciais na paróquia – que apresenta problemas estruturais, como o desabamento de seu telhado, em 2013, suspendendo a celebração de missas na matriz desde então.

Diante do atual estado da igreja, a notícia vem a calhar. Para o frei Luís de França Fernandes, parecerista do relatório, “o tombamento, depois que for publicado no Diário Oficial, abre a possibilidade legal para que o proprietário possa requerer, através do órgão patrimonial, a preservação e restauração do edifício”. Ainda segundo o frei, a matriz merece o título pois é a padroeira do bairro de São José. “Uma igreja antiga que se diferencia das demais edificações do bairro por sua arquitetura classicista imperial”.

Fonte original da notícia: Diário de Pernambuco




PE – A renovação do Bairro do Recife

Localidade transformou-se em um canteiro de obras, com vários prédios antigos em reforma, dando nova esperança de revitalização do espaço.

Foto: Henrique Genecy

Um ar de renovação parece emanar do Bairro do Recife. Pelo menos é o que demonstra a quantidade de prédios antigos atualmente em reforma no local. Após cerca de três décadas de discussões e projetos que almejavam uma total revitalização, o bairro, aos poucos, começa a ganhar uma nova cara, abraçando novas finalidades em que o velho e o novo se encontram.

Basta um passeio rápido pela avenida Marquês de Olinda e pelas ruas Mariz e Barros, Vigário Tenório e Madre de Deus para constatar um verdadeiro canteiro de obras. Do edifício rosa da Excelsior, já reformado e reativado, na esquina sudoeste da Mariz com a Marquês, passando pelo prédio branco em obras no mesmo cruzamento, no vértice noroeste, o edifício amarelo claro, também em obras, na Vigário com Mariz, e o amarelo escuro na Marquês com Madre até o interminável Chantecler, que compreende o quarteirão da Madre com a Marquês e o o Cais da Alfândega. Processos de restauração que dão uma nova esperança de revitalização do espaço.

Por lei, toda a área do Bairro do Recife é protegida desde 1980, quando o município legislou pela primeira vez sobre o assunto, tomando como base o Plano de Proteção dos Sítios Históricos, instituído um ano antes. A partir de então, outras regras, como a Lei de Uso e Ocupação do Solo (1996) e o Plano Específico de Revitalização (1997), garantiram a preservação do patrimônio histórico – tornando a região uma Zona Especial de Proteção do Patrimônio Histórico-Cultural (ZEPH) – e incentivaram sua revitalização, estimulando seu uso.

Reflexo de mudanças de pensamento sobre o valor histórico ocorrido a partir justamente dos anos 1980, esse novo conceito rompeu com a tendência que imperou até a década anterior, que via o antigo patrimônio como uma velharia descartável de um país em desenvolvimento, herança de iniciativas que não deram certo.

Para o arquiteto, urbanista e mestre em desenvolvimento urbano Milton Botler, a atual fase do processo de revitalização tem um agente estimulador protagonista: o Porto Digital. Fundado em 2000, o parque tecnológico, um dos principais do País, vem contribuindo significativamente para a requalificação urbanística, imobiliária e de recuperação do patrimônio local incentivando, inclusive, outros ramos de negócios.

“O Porto Digital trouxe essas empresas de perfil tecnológico. Hoje falta espaço. A Microsoft saiu de lá porque não tinha prédios para absorvê-la”, exemplifica Botler. “É um bom momento, olhando essa crise toda”, observa.

Tentativas
Nessas três últimas décadas, várias estratégias tentaram erguer o Bairro do Recife, como se fossem projetos-piloto, mas sem continuidade, como a criação de polos de entretenimento nas ruas do Bom Jesus e da Moeda. O primeiro nem existe mais. Para o Milton Botler, a ideia das áreas de animação acabou entrando em conflito com os demais fins imobiliários do local. “O Porto Digital de fato conseguiu dar uma ocupação ao bairro”, enfatiza.

Para o arquiteto, a revitalização pode ser ainda melhor implementada com a mudança do padrão de mobilidade, a destinação de imóveis para habitação e a inclusão social, no caso específico da comunidade do Pilar, localizada na parte norte da ilha, que até o momento não participa efetivamente da nova economia do bairro.

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco