Fernando de Noronha (PE) – Palácio de Noronha é requalificado e reabre as portas

Prestes a completar 70 anos de existência, patrimônio histórico do arquipélago será reinaugurado.

Palácio de São Miguel, sede administrativa de Noronha. Foto: Eloíde Araújo / cortesia

Um dos patrimônios históricos do arquipélago de Fernando de Noronha completará, nos próximos dias, 70 anos de existência. Para comemorar, o Palácio de São Miguel, sede administrativa da ilha, será reinaugurado com um novo conceito. Localizado no centro da praça de armas da Vila dos Remédios, o prédio de 550 metros quadrados, além de reformado, foi requalificado para que suas dependências se adequassem à demanda de visitação.

“Estamos fazendo essa requalificação, principalmente com pintura interna e externa. Ela foi motivada principalmente em função das fortes chuvas que caíram no ano passado em Fernando de Noronha”, contou o administrador da ilha, Luís Eduardo Antunes. Ainda segundo ele, o forro do edifício, de lambri (um tipo de revestimento composto por painéis de madeira), estava bastante deteriorado e não resistiu às precipitações de 2016. “Chovia dentro do palácio”, lembrou.

As obras, iniciadas há cerca de seis meses, contemplaram a troca do forro e do telhado, além da pintura e da restauração dos tacos originais do piso; da escadaria; do vitral frontal representando o arcanjo São Miguel – assinado pela vitralista pernambucana Aurora de Lima, discípula do alemão Heinrich Moser; e do monumento que homenageia os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral (doado pelo governo português), dos canhões (do século 17, retirados do Forte do Bom Jesus do Leão) e das duas baterias antiaéreas (da época da Segunda Guerra Mundial) localizados na área externa.

A antiga cor vermelha da fachada deu lugar a um amarelo ocre, mais condizente com o ambiente, de acordo com Antunes. “Originalmente o prédio era caiado. Depois, ganhou uma cor mais próxima dessa atual”, comentou. Quando finalizada, toda a requalificação, que foi autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), deve custar entre R$ 850 mil e R$ 950 mil. “É um trabalho que tem que ter muito cuidado”, disse o administrador. “Estamos devolvendo aos noronhenses e aos turistas esse patrimônio.”

Aberto ao público
Afora as melhorias físicas, o palácio teve seus móveis antigos – vários datados de meados do século 20 – restaurados e reorganizados, além do acréscimo de um novo mobiliário, com mudanças no leiaute e novas ornamentações. Com as mudanças, além da demanda dos serviços administrativos, o palácio estará apto para atender à visitação. A reinauguração está marcada para o próximo dia 11. “Os noronhenses e os turistas vão poder visitar o palácio e ter o que ver. Vai ter um roteiro”, explicou Luís Eduardo Antunes. “Vamos fazer toda uma cerimônia, com toda a comunidade presente.”

O Palácio de São Miguel foi construído sobre as ruínas da extinta Diretoria do Presídio – com mão de obra da própria ilha, sob a coordenação do ex-preso político comunista Mariano Lucena – e inaugurado no dia 1º de dezembro de 1947 como sede da administração do então território federal de Fernando de Noronha. Foi quando o antigo casarão colonial de um só pavimento ganhou mais um andar. Constam ainda em seu acervo duas telas de grande porte, de autoria do pintor paulista José Wasth Rodrigues (1891-1957), uma delas registrando a possível entrega pacífica da ilha pelos holandeses aos portugueses, em 1629.

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




Palácio de Iemanjá recebe ação de zeladoria promovida pela Prefeitura de Olinda (PE)

O espaço é tombado como Patrimônio Cultural Imaterial de Olinda, desde 2016.

O Palácio de Iemanjá – Terreiro de Pai Edu, localizado no Alto da Sé, em Olinda, está recebendo uma ação de zeladoria promovida pela Secretaria de Patrimônio e Cultura do município. A manutenção acontece em meio às comemorações pelo Dia da Consciência Negra, celebrado nesta segunda-feira, 20 de novembro. O espaço cultural é tombado como Patrimônio Cultural Imaterial de Olinda, desde 2016, por meio do Conselho de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda.

Além de pintura da fachada com as cores de Iemanjá, o local também contou com uma limpeza externa, como retirada de entulhos e capinação. Responsável pela administração do Palácio, a filha de Pai Edu e mãe pequena da casa, Juliana Barbosa, disse que esta é a primeira ação de zeladoria que o prédio já recebeu numa administração da Prefeitura de Olinda. “Essa ação é muito mais do que estrutural, é uma sinalização de que a atual gestão está disposta a realizar atividades em conjunto com a nossa comunidade”, comentou Juliana Barbosa.

Além de tombado pelo município, o Terreiro de Pai Edu também é reconhecido como Referência Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, em paralelo às atividades religiosas, também são realizadas ações culturais e educativas. Ao todo, o espaço recebe uma média de 150 visitantes por mês.

Aberto ao Público – A cada 15 dias, nas segundas-feiras, o Palácio de Iemanjá – Terreiro de Pai Edu realiza a reunião de Jurema, às 18h. E uma vez por mês é organizado o toque de Orixá, aos sábados, às 17h. A cada mês é homenageado um Orixá diferente, de acordo com o sincretismo com a Igreja Católica. Em novembro será a vez de Iansã, que está ligado à Santa Bárbara. A festa será neste sábado, dia 25. As duas celebrações são abertas ao público.

Pai Edu – O Babalorixá Pai Edu, fundador do Palácio de Iemanjá, destacou-se pela sua história religiosa/social e atuação política na resistência do povo de Santo no Brasil. Eduim Barbosa da Silva, olindense de Rio Doce, nascido em maio de 1934 numa família de 15 irmãos postulava primeiro a ser padre, mas sua verdadeira vocação o levou, em 1951, para a casa que depois ele reconstrói, transformando-a em Palácio de Iemanjá no Alto da Sé. Iniciado no Candomblé por José Romão Felipe da Costa e Mãe Bernardina do Sítio de Pai Adão, o também Juremeiro, Pai Edu, nos anos 60 consegue fazer o Palácio de Iemanjá um dos centros mais conhecidos no Brasil no que se refere à cultura de matriz afro/indígena/católica brasileira. A Casa, como templo religioso, fica marcada por envolver-se em projetos e ações sociais promovidas pelo seu fundador, sendo frequentada por figuras representativas da sociedade brasileira nas artes, na cultura, na política e no esporte assim como pelo povo em geral.

Fonte original da notícia: Portal da Prefeitura Municipal de Olinda




Recife (PE) – Após apelação, leilão do Pátio das Cinco Pontas é considerado legal pelo TRF

Na venda, o espaço foi arrematado pelo Consórcio Novo Recife Empreendimentos.

Pátio Ferroviário das Cinco Pontas. Foto: Annaclarice Almeida/DP/Arquivo

A Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) decidiu por unanimidade, em sessão no fim da tarde desta terça-feira, pela legalidade do leilão do Pátio Ferroviário das Cinco Pontas, no bairro de São José, centro do Recife, arrematado pelo Consórcio Novo Recife Empreendimentos. Com a decisão, o TRF5 altera a sentença da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco (SJPE), dada em novembro de 2015 e reafirmada em junho de 2016, em que declarava a nulidade do leilão. O recurso ao TRF5 foi uma apelação do Consórcio Novo Recife, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da União Federal contra a decisão do SJPE.

O relator da apelação, o juiz federal auxiliar da Quarta Turma do TRF5, Ivan Lira, entendeu que o judiciário “não pode ingressar no mérito de atos administrativos, como o ato de tombamento, pois no processo em questão o Iphan se posicionou pelo não tombamento da área, uma vez que não vislumbra a sua relevância histórica, salvo na parte do imóvel que contém a fachada do ‘armazém casario’, remanescente da primeira estação de trens daquela e que ficará preservado no Projeto Novo Recife”. Foram três votos a zero.

Com a decisão, o consórcio poderá prosseguir com o licenciamento da obra pela Prefeitura do Recife. “O município está livre para analisar, sob os princípios da administração pública, a legalidade acerca dos atos de licenciamento que competem a si. Em relação ao leilão, nenhum dos elementos apontados nos autos pôde comprovar a sua nulidade”, informou o TRF5.

Ainda de acordo com a assessoria de comunicação do TRF5, o Ministério Público Federal (MPF), que havia solicitado a nulidade do leilão, não se posicionou na sessão de ontem. No último mês de junho, o MPF chegou a dar parecer recomendando que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região mantivesse como nulo o ato de venda do terreno do Cais José Estelita. “Vamos procurar o MPF para saber quais são os próximos passos e que medidas poderão ser tomadas. Ainda é possível recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, disse a advogada do Movimento Direitos Urbanos (MDU), Luana Varejão.

Movimentos sociais abraçaram a causa e lutam pelo tombamento do espaço. Foto: Domingos Savio/Esp. DP/Arquivo

Além do parecer, o MPF entrou com duas solicitações que tratavam sobre a incumbência do Iphan em estabelecer medidas protetivas ao patrimônio da rede ferroviária federal, em nome da memória ferroviária nacional, e a determinação para que a Prefeitura do Recife não emitisse licenças de edificação no empreendimento Novo Recife. Na decisão da Quarta Turma, o Iphan foi desobrigado a proceder com o tombamento do perímetro em litígio, já que se recusou a fazê-lo por não ter interesse na área.

Em nota, o Consórcio Novo Recife disse que “reconhece a decisão unânime do Tribunal Regional Federal da 5ª Região favorável ao Projeto Novo Recife com a segurança de que sempre agiu dentro da legalidade em todas as etapas que circunscrevem o projeto”.

O Projeto Novo Recife prevê a construção de edifícios no antigo Pátio Ferroviário das Cinco Pontas e outras intervenções urbanísticas na área.

Projeto Novo Recife prevê construção de torres residências e comerciais no Cais José Estelita. Arte: Consórcio Novo Recife/Divulgação

Fonte original da notícia: Diário de Pernambuco




Recife (PE) – Para sempre lembrar de Clarice Lispector: imóvel onde escritora viveu deve ser tombado

Na véspera de 40 anos de morte da escritora, imóvel em que ela morou no Recife tem oficializado o pedido de tombamento.

Sobrado fica na praça Maciel Pinheiro com a travessa do Veras. Foto: Rafael Furtado

 

Um patrimônio físico preservado muito mais por seu valor impalpável. Esse foi o principal critério que levou o Governo de Pernambuco a deferir a proposta de abertura do processo de tombamento do imóvel nº 387 da praça Maciel Pinheiro, na esquina com a travessa do Veras, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife, agora publicada no Diário Oficial do Estado. Mais conhecida como a Casa de Clarice Lispector, foi nesse sobrado de três pavimentos que a famosa escritora – nascida na Ucrânia, em 1920, e falecida no Rio de Janeiro, em 1977 -, viveu de 1925 a 1937, quando se mudou com a família para o Rio, onde se projetou nacionalmente na literatura, como autora de romances, contos e ensaios, a partir dos anos 1960.

Foto: Rafael Furtado

A preservação na esfera estadual da Casa de Clarice Lispector partiu da iniciativa do presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Luiz Otávio de Melo Cavalcanti. “O tombamento tem um significado importante principalmente do ponto de vista do patrimônio imaterial, pela importância de Clarice para o Brasil e para Pernambuco”, salientou a presidente da Fundação do Patrimônio Historico e Artistico de Pernambuco (Fundarpe), Márcia Souto. “E também do ponto de vista material, por ter sido a casa em que ela viveu no Estado.”

Já com sua preservação física garantida pela legislação municipal, por estar inserida no Setor de Preservação (SPR1) da Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (ZEPHC 08 – Boa Vista), a edificação, protegida em razão de seu valor histórico e cultural, passa a ter asseguradas as mesmas prerrogativas de preservação de bem tombado.

Foto: Mandy Oliver

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




Olinda (PE) – Projeto cria obras com histórias de olindenses

Trabalho foi documentado em forma de livro, audiovisual e programa de rádio.

O acervo sobre Olinda ganha um reforço com informações históricas levantadas a partir de informações repassadas pelos próprios olindenses. O projeto “Olinda Patrimônio Cotidiano – Memória Coletiva dos seus Moradores” resultou num documentário audiovisual, um programa de rádio e um livro. A produção foi lançada neste sábado (28), na Biblioteca Pública da cidade. Na ocasião, artista e moradores locais, além de visitantes, tiveram a oportunidade de conhecer detalhes sobre o material e assistir apresentações de passistas de frevo.

A Marim dos Caetés é conhecida mundialmente por suas construções que chamam a atenção pelo seu tamanho e história. Porém, o patrimônio vivo, as pessoas que residem aqui desde que nasceram, agora têm suas histórias imortalizadas. “Ficamos muito felizes porque as pessoas de outros locais podem nos conhecer, porque juntos fazemos a Olinda viva”, disse o secretário de Patrimônio e Cultura, Gilberto Sobral.

O acervo, que foi distribuído gratuitamente, teve seu levantamento de informações realizado pelo Instituto de Cooperação Econômica Internacional (ICEI Brasil), com incentivo do FUNCULTURA. A coleta de dados, baseada numa pesquisa oral com 180 moradores da cidade, ocorreu entre 2015 e 2016. O coordenador geral do Icei Brasil, Diego Di Niglio, contou um pouco como foi o levantamento. “As pessoas abriram suas portas e seus corações para gente, elas nos contaram histórias das suas vidas e famílias”, conta.

O ICEI Brasil atua, em Olinda desde 2011, resgatando a memória sobre a relação dos moradores com a sua terra natal, além de transmitir e resgatar saberes e conhecimentos para as gerações futuras. Pessoas de vários bairros foram ouvidas como, por exemplo, Varadouro, Amaro Branco, Alto da Mina, Guadalupe, Bonsucesso, Monte, Amparo, Carmo e Bultrins.

Fonte original da notícia: Portal da Prefeitura Municipal de Olinda




Museu do Sertão comemora 44 anos em Petrolina (PE)

O acervo do local conta com 3 mil peças. O espaço é aberto à visitação de terça a domingo.

Museu do Sertão é aberto à visitação. Foto: Jonas Santos.

O Museu do Sertão completou nesta sexta-feira (27), 44 anos, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Depois de ser reformado, o local foi reaberto este mês para visitação.

O espaço retrata a história do Sertão através de 3 mil peças presentes no acervo. Entre elas, materiais arqueológicos, móveis decorativos de casas tipicamente sertanejas, artesanato, além de itens de Luiz Gonzaga, na ala Cultura e Economia. O local conta ainda com um jardim repleto de plantas nativas e uma ala Religiosa.

O local é aberto à população e a entrada é gratuita. A visitação pode ser feita de terça a sábado entre 9h e 17h e aos domingos, das 9h às 14h. Outras informações pelo telefone (87) 3862-1943.

Fonte original da notícia: G1 Petrolina




Olinda (PE) – Oficina de Afresco, Marmorino e Escaiola

Sacristia da Igreja de São Domingos (Salvaro-BA), afresco restaurado por Gianmario (2015). Fonte: Viagem de Estudos do Curso Gestão de Restauro

O CECI, através do Curso de Gestão de Restauro, está trazendo nos dias 9 e 10 de novembro próximo, o artista e restaurador italiano de bens culturais Gianmario Finadri para aplicação de uma Oficina afrescos, marmorino, escaiola.

Ele é formado pela Accademia Leonetto Cappiello de Florença, Itália (1983). Foi docente de restauro junto ao curso profissionalizante Scuola Enaip, na cidade de Trento Itália. Além de inúmeros trabalhos na Itália e alguns nos EUA, participou de missões e cooperações culturais com a Universidade de Xi’an e a Universidade de Xianyang, em Shaanxi na China. Desde 2009 é o diretor técnico da Jeanart Ltda, sediada na cidade de Salvador (BA).

Restauro do afresco da sacristia da Igreja de São Domingos (Salvaro-BA), afresco restaurado por Gianmario e sua equipe da Jeanart (2015). Fonte: Viagem de Estudos do Curso Gestão de Restauro

Um mestre na arte da produção e do restauro de afrescos, marmorino, escaiola, revestimentos artísticos tradicionais que floresceu no Renascimento italiano e que foi muito comum nas edificações históricas de todas as regiões do Brasil.

Não deixe passar essa oportunidade.

O valor do investimento é de R$ 400,00, por dois dias de atividades – 9 e 10 de novembro. Onde será? Na sede do CECI, à Rua Sete de Setembro, 80, bairro do Carmo, em Olinda (PE). Em qual horário? ocorrerá das 14h às18h.

Mesmo você que reside nas cidades vizinhas de João Pessoa, Natal e Maceió ou mesmo no interior, informamos que existem muitas pousadas boas e baratas perto do CECI.

E como faço para me inscrever? É simples, envie-nos seu pedido de inscrição pelo e-mail: secretaria@ceci-br.org e você receberá as instruções para pagamento da inscrição.

Como o espaço onde será aplicada a oficina não é grande, pois estará acontecendo em paralelo com a as aulas presenciais do Curso de Gestão de Restauro, inscreva-se já! Mande-nos seu e-mail.

Fonte original da notícia: CECI




Recife (PE) – Hotel Central tem fachada recuperada. Área interna será revitalizada

Edifício eclético classicista, era o mais moderno do Recife nos anos 1920.

Hotel Central tem fachada recuperada. Foto:Thalyta Tavares/Esp.Dp

Construído no terreno de uma antiga caixa d’água que alimentava os chafarizes do Recife, no número 209 da Avenida Manoel Borba, Boa Vista, o Hotel Central ostenta a fachada que foi toda restaurada. O primeiro arranha-céu da cidade passava por projeto de conservação desde novembro de 2016. Após a renovação da pintura, o prédio deve receber revitalização interna. Pesquisas históricas e de prospecção arquitetônica estão sendo finalizadas para serem enviadas à Fundarpe para conseguir a captação de recursos.

O projeto de restauro pictórico recebeu incentivo do Funcultura de R$ 250 mil. Na época das pesquisas foram encontradas oito camadas de cores. Por ter passado mais tempo em tons de rosa, essa foi a cor escolhida para contrastar com o verde escuro das janelas. Nesse primeiro momento, além do resgate da fachada, foram feitas obras de revitalização em toda parte de tubulação para não interferir na fachada.

Dessa vez, a equipe técnica analisa características internas do prédio que se prepara para receber modernização. Foi necessário refazer a planta do hotel com base em relatos em livros, jornais e fotografias da época. A planta original ainda não foi encontrada. “Estamos resgatando a importâncias histórica do prédio, assim como os traços da arquitetura atual. Fizemos um estudo em cada andar para chegar o mais próximo do original, além de um resgate da evolução do imóvel ao longo desses anos. Medimos e desenhamos todos os quartos para ter um registro de como o hotel está e a leitura espacial que temos dele é bem preservada”, revelou a arquiteta Marina Russell.

Durante as pesquisas foram identificadas modificações feitas na estrutura original. Algumas das informações que ajudaram a refazer a planta do hotel foram divulgadas pelo Diario em 1928, ano da inauguração do imóvel. O texto do jornal detalha características que hoje não existem mais, como o restaurante panorâmico, que funcionava no sétimo andar e um salão, onde hoje é a cobertura do prédio e que na época recebia eventos, como o chá dançante.

Atualmente, nos dois últimos andares do prédio foram instaladas duas suítes que dão acesso a um terraço aberto com vista para o Centro do Recife. Originalmente, no térreo havia dois salões, barbearia, cabeleireiro para senhoras e central telefônica. Erguido em concreto armado, uma novidade para a época, em estilo eclético classicista, o Central oferecia serviços considerados de luxo e que o tornaram pioneiro. Pela primeira vez no Recife, um hotel tinha telefone em todos os quartos e oferecia aos hóspedes banho quente e frio.

Alguns traços peculiares, como os dois primeiros elevadores instalados em um arranha-céu na cidade, e que ainda funcionam à manivela, serão mantidos após os restauros. Também ajudam a contar um pouco mais da história do lugar os azulejos de origem alemã da década de 1920, as pias antigas, os painéis e os espelhos dos banheiros. A proposta é preservar esses achados originais.

Prédio passou por modificações ao longo dos anos

Idealizado pelo empresário grego Constantin Aristide Sfezzo, o hotel foi projetado pelo arquiteto italiano Giácomo Palumbo, também responsável pela construção do Palácio da Justiça, da Faculdade de Medicina e do sobrado Costa Azevedo, na Avenida Rosa e Silva. O atual proprietário do hotel é neto do primeiro gerente, que na década de 1940 passou a administração do prédio para arrendatários. A mudança de donos foi um dos principais motivos para o local não manter os traços originários.

“Ao longo dos anos foram feitas alterações que descaracterizaram um pouco arrancando azulejos, tirando peças histórias, vendendo mobiliário e cristais. Em 2005, a família resolveu tomar de volta o bem passando a preservar melhor e fazendo as manutenções. Como sempre funcionou como hotel, ele hoje não está degradado, mas chegamos a encontrar 30 tipos de cerâmicas diferentes e a proposta é uniformizar”, explica Marina Russell.

Atualmente, o prédio é considerado um Imóvel Especial de Preservação (IEP) e está em processo de tombamento iniciado através da Fundarpe. O próximo passo é conseguir recursos para as reformas internas. “O resgate da fachada trouxe esse bem de volta ao cotidiano das pessoas como uma forma de mudar a dinâmica fazendo com que ele fosse visto e valorizado novamente. Desta forma se torna até mais fácil se conseguir outras fontes de investimento, porque as pessoas percebem que já está acontecendo um projeto de revitalização, despertando o desejo de preservar”, destacou a arquiteta.

Por Mariana Fabrício

Fonte original da notícia: Diário de Pernambuco




Área arqueológica no Brejo da Madre de Deus (PE) pode ser tombada

Conselho Estadual de Preservação quer que proteção aos sítios de Pedra do Letreiro e Furna do Estrago se estenda a seus entornos.

Vista da Serra da Boa Vista (Serra do Estrago) – encosta norte onde encontram-se os sítios arqueológicos da Furna do Estrago e Pedra do Letreiro. Foto: Fonte: Acervo Fundarpe, 2013

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) se reúne nesta quinta-feira (26), para discutir o pedido de tombamento do perímetro dos sítios arqueológicos Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, localizados no município Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano, a 199 quilômetros do Recife. Interligados, os dois sítios constituem uma necrópole pré-histórica onde foram achados, na década de 1980, 86 sepultamentos, alguns em bom estado de conservação, com datações que variam de 11.000 a 1.000 anos antes do presente.

A abertura do processo de tombamento é antiga. Foi solicitada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) em 29 de julho de 1985 e teve seu edital publicado no Diário Oficial do Estado em 9 de agosto daquele mesmo ano. Porém, só agora tem seu pedido analisado. Do litoral ao Sertão, há mais de 500 sítios no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com o atual relator do processo, o arqueólogo e conselheiro Plínio Victor de Araújo, só na região do Planalto da Borborema existem centenas de sítios arqueológicos semelhantes, 51 deles no Brejo da Madre de Deus. A importância de se tombar a região em seu entorno deve-se à necessidade de manter suas características originais. “Você vai tombar uma área que vai preservar uma ambiência em que aquele povo viveu”, explicou. “A ideia é que futuramente ali se construa um museu.”

Os sítios arqueológicos, por princípio, já são tombados. Nos casos de Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, tratam-se de locais ritualísticos, utilizados pelos grupos pré-históricos para realizar cerimônias fúnebres. “É um abrigo sobre rocha – menos profundo do que uma caverna – com grafismos geométricos (pinturas rupestres)”, disse Araújo.

Enterramento identificado na Furna do Estrago – Crédito: Revista Pesquisa – P.I. Schmitz

As características dos restos mortais dos indivíduos pré-históricos recolhidos na região – que vão de recém-nascidos a adultos – são consideradas de bom estado de conservação por conter esqueletos completos, alguns com restos de cabelo e de pele, com massa fecal dentro da bacia e até enrolados em esteira de palha. Apesar das peculiaridades, não são achados surpreendentes no contexto da arqueologia no País. “O trágico nessa história é que se trata de uma coisa tão presente na arqueologia e a sociedade que vive ali não sabe disso”, lamentou Araújo.

Pela quantidade de descobertas, e até mesmo pela iniciativa de tombamento de áreas de entorno dos sítios arqueológicos, o ideal seria que os achados ganhassem museus em suas regiões de origem. Quanto a isso, porém, o arqueólogo se mostra pessimista. “Muito mal a gente consegue recursos para pesquisa. Quanto mais para divulgação”, afirmou. Enquanto isso, os achados permanecem acumulados nos laboratórios das universidades, a exemplo dos itens coletados em Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, que se encontram na Unicap.

Vista da cidade de Brejo da Madre de Deus, com implantação entre as Serras da Prata, do Estrago e do Amaro – Crédito: Acervo Fundarpe, 2013

Por Marcos Toledo

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




Olinda (PE) renova fachada do prédio da prefeitura

Trabalho conta com o suporte de reeducandos.

A pintura da fachada do prédio da Prefeitura de Olinda está sendo renovada. O trabalho, que faz parte do projeto Zeladoria, é coordenado pela Secretaria de Patrimônio e Cultura (Sepac) da cidade e conta com a mão-de-obra de reeducandos do sistema prisional de Pernambuco. O grupo é formado por nove apenas que estão na fase de reinserção social, através da manutenção de prédios do Sítio Histórico da Marim dos Caetés.

O pessoal também já executou serviços no Sítio de Seu Reis, no Carmo; na Praça Fernandes Vieira, em Jardim Atlântico; e na Praça do Inocoop. Esses equipamentos receberam trabalhos de requalificação, capinação, limpeza do lago e pontes, pinturas dentre outros serviços.

A ideia da gestão é preservar toda a cidade sempre que um equipamento turístico precisar de manutenção. “É importante preservar a beleza da nossa cidade. Os turistas e moradores agradecem”, destaca o secretário da Sepac, Gilberto Sobral.

Fonte original da notícia: Portal da Prefeitura Municipal de Olinda