Porto Alegre (RS) – Climatização conserva patrimônio histórico de 97 anos do Palácio Piratini

“Com poucos recursos para todas as áreas, buscamos parceiros e conseguimos viabilizar esta obra”, afirmou Sartori – Foto: Karine Viana/Palácio Piratini

No dia em que o Palácio Piratini comemora 97 anos, o governo do Estado também celebra uma conquista importante para conservar o acervo histórico do prédio: a entrega das obras de climatização do segundo pavimento da Ala Governamental. O projeto vinha sendo discutido e elaborado há anos e nesta quinta-feira (17) foi inaugurado, após cinco meses de trabalho.

Com a climatização, o mobiliário, a decoração de época, e, principalmente, os 23 murais do artista italiano Aldo Locatelli, a maioria localizada nos salões Negrinho do Pastoreio e Alberto Pasqualini, serão preservados. Como o Palácio Piratini é um prédio tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico  do Estado (Iphae) e pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o projeto precisou ser aprovado por ambos.

A obra foi totalmente financiada pela Lei Rouanet, também conhecida como Lei de Incentivo à Cultura, não gerando qualquer custo para o cofre do Estado. O proponente do projeto, junto ao Ministério da Cultura, foi o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, que ficou responsável pela captação dos recursos necessários. O valor é de aproximadamente R$ 2,2 milhões.

“Lá atrás, em 1896 e em 1909, quando foram lançadas as duas pedras fundamentais para a construção do Palácio Piratini, a orientação era para que este prédio fosse o edifício público mais belo e majestoso de todo o Brasil. A sede do governo gaúcho é, com certeza, um dos mais belos e majestosos prédios públicos do país. Aqui, temos as obras de Aldo Locatelli, agora preservadas com a nova climatização”, assegurou o governador José Ivo Sartori durante a solenidade.

Sartori destacou que, ao completar 97 anos, o Palácio Piratini, patrimônio dos gaúchos, ganha uma grande e muito esperada obra: a climatização dos salões principais da sede do governo, que, segundo o governador, é uma obra extremamente necessária nos tempos atuais e planejada há mais de 10 anos.

“Somos um governo de atitude, que busca um Estado eficiente e moderno. Somos também um governo de parcerias. Com poucos recursos para todas as áreas, buscamos parceiros e conseguimos viabilizar esta obra”, afirmou Sartori.

O projeto, do arquiteto Edegar Bitencourt da Luz, foi elaborado de maneira a causar a menor intervenção possível. O sistema foi implantado sobre os forros de estuque existentes nos ambientes e as casas de máquinas ficam sobre a cobertura da Ala Governamental. A execução da obra foi da empresa Arquium Construções e Restauro.

Para o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do RS, Miguel do Espírito Santo, esse investimento foi extremamente necessário. “A obra entregue hoje ao Rio Grande do Sul é de superlativa significação. É pertinente a preservação do mais importante símbolo do estado, o Palácio do governo, sede de nossas mais caras tradições e das mais importantes decisões em atenção à causa pública”, explicou.

Segundo o presidente, o Instituto também é parceiro do governo do Estado em outros dois projetos culturais, já contemplados pela Lei Rouanet e em fase de captação de recursos. Entre eles, está o restauro de peças do mobiliário histórico da sede do governo e a montagem da estrutura da Oficina de Restauro do Palácio Piratini.

O secretário da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Victor Hugo, disse que a entrega do governo para a sociedade é resultado de parcerias que dão certo. “Uma demonstração clara à sociedade rio-grandense de que governos podem fazer mais do que políticas de governo. Que governos podem fazer política de Estado. E é isso que estamos vivendo”, admitiu.

O presidente do Instituto de Previdência do Estado do RS, José Guilherme Klimann, foi um dos coordenadores do projeto, enquanto esteve como secretário adjunto da Casa Civil, e destacou o trabalho em equipe e a superação de entraves ao longo do tempo. “Fazer intervenções em um prédio como o Palácio Piratini não é tarefa simples. Exige o máximo de cuidado e uma fiscalização muito grande. Topamos o desafio e aqui está o resultado plenamente exitoso”, destacou.

Durante a cerimônia de comemoração dos 97 anos do Palácio Piratini, o Coral do Banrisul fez uma apresentação aos convidados. Eles interpretaram Negrinho do Pastoreio, Boi Barroso e Os Homens de Preto, com a regência do maestro Gil de Roca Sales.

Décadas de história

O Palácio Piratini foi construído por determinação do presidente Júlio de Castilhos para substituir o antigo Palácio de Barro. O primeiro projeto para o novo palácio era de autoria do arquiteto Affonso Hebert, da Secretaria de Obras Públicas, e a pedra fundamental foi lançada em 27 de outubro de 1896. Ainda nos alicerces, as obras foram suspensas. E em 20 de setembro de 1909 uma segunda pedra fundamental foi lançada para o projeto do arquiteto francês Maurice Gras.

Em 17 de maio de 1921, o prédio foi ocupado, mas sem inauguração oficial e em caráter parcial, pois a Ala Residencial e os jardins não estavam prontos. Somente na década de 1970 o Palácio foi dado como concluído.

Em 1955, um decreto do governador Ildo Meneghetti oficializou o nome Palácio Piratini, uma homenagem à primeira capital da República Rio-grandense (1836-1845) durante o episódio da Revolução Farroupilha (1835-1845). A sugestão da denominação ‘Palácio Piratini’ foi feita pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

Os lustres de cristal dos salões são réplicas dos usados no Palácio de Versalhes e as esculturas da fachada principal e posterior da Ala Governamental são de autoria do francês Paul Landowski, criador do Cristo Redentor do Rio de Janeiro.

Em 1951, o pintor italiano Aldo Locatelli foi contratado para pintar os murais nas paredes e no forro dos salões.

Em 1986, o Palácio Piratini foi tombado pelo Iphae. E, em 2000, integrando o sítio histórico da Praça da Matriz, passou a ter a proteção do Iphan.

Fonte original da notícia: Portal do Governo do Estado do Rio Grande do Sul




Proposta de concessão do Mercado Público de Porto Alegre (RS) prevê estacionamento subterrâneo

A Proposta de Manifestação de Interesse também estabelece que a gestão privada deve preservar as características arquitetônicas.

Tadeu Vilani / Agencia RBS

A prefeitura de Porto Alegre apresentou nesta quinta-feira (17) os pré-requisitos para entidades privadas constituírem modelos de negócio e gestão para o Mercado Público. Nos dois cenários previstos no edital, o gestor poderá administrar o estacionamento em frente ao Mercado Público, aberto pela noite. Também há possibilidade de construção de um estacionamento subterrâneo, sob o edifício tombado ou sob o Largo Glênio Peres.

O edital do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), etapa inicial para futura concessão do espaço à iniciativa privada, lançado nesta quinta (17), também prevê que a futura gestão deverá preservar as características arquitetônicas e culturais e a manutenção dos atuais contratos com os permissionários — até que expirem.

Pelos estudos prévios da prefeitura, também há o entendimento de que o Mercado tem potencial para operar durante a noite, inclusive recebendo eventos culturais e festas.  O secretário de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, considerou inclusive a possibilidade do local sediar casamentos.

— Temos expectativa de que o Mercado tenha também atividade durante a noite. Hoje, fecha às 19h. Queremos que se prolongue mais — projetou Vanuzzi, destacando, com isso, a necessidade de estacionamentos seguros.

Conforme Vanuzzi, dentro de cem dias a prefeitura terá em mãos as propostas de modelo de gestão. Após escolher uma das propostas, a prefeitura lançará o edital para concessão do Mercado, em um período estimado de mais dois a três meses.

— Este é um prazo indicativo, não atende a uma métrica.  Até porque vai ser um processo com muito debate público. Esse é um tema que não acontece se não estiver todo mundo de acordo. Para um ente privado assumir, levará ao menos um ano — apontou Vanuzzi.

Vanuzzi ressaltou que todos os modelos de entidades privadas, físicas ou jurídicas, podem participar do processo de seleção. Quem vencer essa etapa de modelação do negócio, ou seja, tiver o seu projeto de PMI escolhido, será ressarcido futuramente por quem assumir a concessão do espaço. Para o cenário com um estacionamento, o ressarcimento do projeto será de até R$ 1,7 milhão. Para projetos que contemplem também o estacionamento subterrâneo, o pagamento máximo será de R$ 1,9 milhão.

Os projetos deverão conter estudos operacionais (rotina do Mercado), de arquitetura e engenharia, de gestão financeira e de operação jurídica.

Conforme o secretário, não é possível garantir que os produtos vendidos no Mercado Público, após o local ser concedido à iniciativa privada, seguirão nos atuais patamares. Isso porque, após expirarem os atuais contratos com os permissionários, o gestor privado do Mercado Público poderá optar por reajustar os valores de locação, gerando impactos nos preços dos produtos e nos tipos de comércio existentes.

Atualmente, segundo o secretário do Desenvolvimento Econômico, Leandro Lemos, a arrecadação e os gastos do Mercado se equilibram, mas sem possibilidade de realização de investimentos necessários:

— Os recursos não dão conta nem das necessidades básicas do Mercado hoje.

A proposta de gestão e a futura concessão do espaço não alteram os atuais trabalhos para liberar o segundo piso do Mercado, fechado desde o incêndio que atingiu o prédio histórico em 2013. A Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc), que representa os permissionários, assumiu a responsabilidade pelas obras necessárias para adequar o espaço ao Plano de Proteção contra Incêndio (PPCI) e projeta a reabertura em até um ano e meio. Pelo acordo com a prefeitura, os comerciantes bancarão o plano e as obras em troca de quitar dívidas trabalhistas da época em que eram os administradores do Mercado.

Por Gabriel Jacobsen

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




A pichação arruinou uma das maiores joias da arquitetura de Porto Alegre (RS)

Histórico prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS sucumbe a essa covarde praga urbana que alguns ainda enxergam como rebeldia.

José Francisco Alves/Arquivo Pessoal

Como diz meu amigo Caue Fonseca, jornalista aqui da Zero, a pichação é covarde. Ela ataca o imóvel exposto ao público, aquele sem grades, sem vigilante, sem qualquer condição de defesa, mas poupa qualquer mansão milionária com um mastodonte guardando a porta.

A pichação ataca a vendinha da esquina, mas poupa o hipermercado. Ela ataca o coitado que não consegue pagar R$ 400 para pintar a parede de branco, mas poupa quem teria R$ 400 mil para pintar o bairro inteiro.

E há quem considere a pichação rebelde. Transgressora. Uma forma de dar voz a quem vive à margem da sociedade. Que besteira, por favor. A pichação é uma praga urbana que produz barbarismos como este: a completa degradação do antigo prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Andréa Graiz/Agencia RBS

A histórica construção, na esquina da Sarmento Leite com a Luiz Englert, hoje abriga o Instituto de Ciências Básicas da Saúde, também da UFRGS, com a fachada quase que em estado de putrefação.

– Não é de hoje que o prédio sofre com vandalismo, mas nunca o vi tão podre. É uma das maiores joias da nossa arquitetura – diz o professor José Francisco Alves, doutor em História da Arte que enviou à coluna a foto no topo desta página. – Fico pensando nos médicos que se formaram ali e pariram esses pichadores.

Andréa Graiz/Agencia RBS

Inaugurada em 1923, a construção em estilo eclético foi projetada por Theo Wiederspahn (1878-1952), um dos mais aclamados arquitetos que já atuaram no Estado. São dele também os projetos do Margs, do Hotel Majestic, do prédio dos Correios e do Edifício Ely – todos símbolos do nosso patrimônio arquitetônico.

Há quem diga que pichação é “arte urbana”, e eu juro que tento entender, mas como pode uma arte destruir outra obra de arte? É o que ocorre na fachada do antigo prédio da Faculdade de Medicina. Uma beleza arruinada.

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Porto Alegre (RS) – Museu da Comunicação Hipólito José da Costa reabriu nesta quarta-feira

Exposição sobre cinema inaugura projeto de revitalização do espaço cultural.

Prédio do Centro Histórico de Porto Alegre abriga moviolas, acervo de imagens, projetores e outros equipamentos. Carlos Macedo / Agencia RBS

Localizado no centro de Porto Alegre, ao lado da Praça da Alfândega, o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa fica perto de importantes equipamentos culturais da cidade e possui um dos maiores acervos de periódicos do país. Com infiltrações, problemas na rede elétrica e sem elevador, o museu esteve subutilizado nos últimos anos, sem receber novas exposições. Seu precioso acervo, ameaçado pelas más condições do prédio, foi fechado para pesquisadores entre 2016 e 2017. Desde março do ano passado, as visitas voltaram a ser realizadas, mas com agendamento prévio.

Nesta quarta-feira, no entanto, um novo ciclo do prédio construído em 1922 foi aberto ao público, com a intenção de devolver o espaço aos roteiros culturais de Porto Alegre. Às 18h, foi inaugurada a mostra Do Fotograma ao Cinema.  Contemplada com patrocínio da Caixa, a exposição exibe projetores, moviolas, ilhas de trucagem e outros equipamentos usados na indústria do cinema entre os anos 1950 e 1980. A curadoria é assinada pelo diretor Ivo Czamanski.

– Todo o material passou por restauração. São peças que fizeram a história do cinema, mas até hoje material como esse é usado por quem trabalha com filmes em película – explica Carlinda Fischer Mattos, coordenadora do acervo de cinema.

A mostra fica aberta ao público, de terça a sábado, das 9h às 18h. A área de pesquisa segue funcionando apenas por agendamento, via e-mail museu.hipolito@gmail.com.

– O museu está sendo devolvido ao público em etapas – explica Elizabeth Corbetta, diretora do espaço cultural desde o segundo semestre do ano passado. – O acervo guarda equipamentos históricos impressionantes, que precisam permanecer acessíveis ao público. Estamos readequando os diferentes espaços para que tudo isso possa ser visitado – completa.

Entre os equipamentos citados por Elizabeth, está uma rotativa Vomag de grandes dimensões. Importada da Alemanha, a máquina imprimiu o Diário Oficial do Estado entre as décadas de 1950 e 1970. Em 1978, o periódico passou a ser impresso no parque gráfico da Corag, e a impressora foi incorporada ao museu. Em um corredor que leva os visitantes até a máquina, serão exibidas ampliações de fotos históricas e também haverá shows. Tanto o corredor quanto a sala com a impressora estarão abertos especialmente para a Noite dos Museus, no sábado, dia 19 – para visitar esses espaços fora do evento, ainda é necessário agendar por e-mail.

Com a reabertura, o museu voltará a funcionar com a entrada pela Caldas Junior, 261, onde antes funcionava o Armazém da Corag. O espaço dedicado à literatura também foi readequado com a reforma, feita com recursos da Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Estado do Rio Grande do Sul.

Por Alexandre Lucchese

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Porto Alegre (RS) – Por que o restauro do Instituto de Educação vai custar R$ 28,6 milhões

Prédio tombado pelo patrimônio histórico terá sua riqueza arquitetônica preservada.

Fachada do prédio que abriga uma das escolas mais tradicionais de Porto Alegre. Félix Zucco / Agencia RBS

Fechado desde 2016 para passar por uma restauração, o Instituto de Educação Flores da Cunha, uma das escolas estaduais mais tradicionais de Porto Alegre, está com a licitação para obras em processo de abertura. O que chamou atenção foi o custo do serviço: R$ 28,6 milhões.

Isso significa que vão ser gastos mais de R$ 3,3 mil para recuperar cada metro quadrado de área construída (no total, o complexo tem 8.594 metros quadrados). Para termos de comparação, o Custo Unitário Básico (CUB) para construir do zero um metro quadro, conforme a tabela de março do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RS), chega no máximo a R$ 2,2 mil, para a categoria mais cara incluída (referente a espaços comerciais).

O próprio diretor-administrativo da Secretaria Estadual da Educação, Carlos Alexandre Ávila, observa que sairia mais barato demolir o Instituo de Educação e construir um prédio novo de que fazer a recuperação. É justamente por ser um restauro que o investimento é elevado. Não se trata de uma simples reforma, mas de tentar devolver o edifício ao seu estado original.

— O fato de ser um patrimônio histórico impacta violentamente no custo. A restauração requer uma delicadeza, uma série de cuidados, de melindres na execução, para manter padrão idêntico, fiel. Tem uma série de coisas que são mais onerosas e mais morosas — afirma.

Inaugurado em 1936, com projeto do arquiteto Fernando Corona, o prédio tem inspiração neoclássica, com colunas jônicas, saguão com imponentes pinturas a óleo e uma riqueza de texturas e detalhes por todo o lado. Está tombado pelo município e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, que colaborou com o projeto de recuperação.

Volta às aulas é prevista apenas para 2020

Um dos desafios que fazem o custo se multiplicar é o de encontrar materiais fiéis aos que foram usados originalmente. Com frequência, eles são raros e caros. Além disso, os profissionais envolvidos precisam ser diferenciados. O edital de licitação exige que a empresa executora tenha pessoal certificado para esse tipo de trabalho.

— A equipe tem de ser altamente qualificada, com engenheiros e arquitetos acompanhando diariamente o trabalho. O que pesa mais no custo é a questão artística. É um prédio de arquitetura linda, com saliências, relevos, azulejos, ladrilhos e escaiolas que encarecem a obra. O custo se justifica porque é um patrimônio diferenciado, que faz parte da nossa História. É um marco — afirma Ávila.

A previsão é que as obras se estendam por 18 meses e que o instituto possa receber de novo os alunos, hoje espalhados por outras escolas, no ano letivo de 2020.

Por Itamar Melo

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Porto Alegre (RS) – Mobilização de PMs, moradores e empresários revitaliza prédio histórico da Brigada Militar

Construção fica na esquina da Wenceslau Escobar com a Dr. Armando Barbedo. Félix Zucco / Agencia RBS

Policiais militares e líderes comunitários do bairro Tristeza, zona sul de Porto Alegre, andavam às voltas com a má conservação do posto localizado em um prédio histórico na Avenida Wenceslau Escobar. Com problemas elétricos, assoalho danificado e infiltrações, a solução para os problemas do imóvel parecia distante, mas a saída para a falta de recursos estava do outro lado da rua.

Ao testemunhar a construção de um empreendimento privado no terreno oposto, brigadianos e moradores decidiram buscar auxílio dos construtores. Deram início, assim, a uma mobilização comunitária que reuniu mais de 30 fornecedores de materiais ou mão-de-obra e permitiu a recuperação do antigo posto da Brigada Militar. A primeira fase do trabalho de revitalização foi apresentada na quarta-feira (28) em um ambiente com pisos e paredes renovados, nova fiação elétrica e pintura refeita.

— A Brigada havia feito um contato conosco para saber como poderíamos ajudar, já que tínhamos nos mobilizado para reformar um outro posto na Rua Déa Coufal. Mas agora seria necessário uma reforma muito grande, e fazer uma campanha para arrecadar fundos e materiais demoraria muito — conta a presidente da Associação Ipanema: Eu Moro, Eu Cuido, Waneza Vieira, moradora do bairro vizinho que é atendido pela mesma companhia da Brigada Militar.

Waneza e o então comandante da 2ª Companhia do 1º BPM, major Fábio Kuhn, olharam para a calçada do outro lado do asfalto, viram o conjunto de prédios sendo erguido e decidiram buscar auxílio ali mesmo. A construtora responsável pela obra, a Maiojama, concordou em fazer parte da articulação em favor da reforma. A saída encontrada para recuperar o prédio público localizado na esquina com a Rua Dr. Armando Barbedo foi inovadora: a empresa mobilizou dezenas de fornecedores com os quais costuma trabalhar. Representantes apresentaram o projeto a eles e perguntaram quem poderia ajudar, e de que forma. Cada um contribuiu de um jeito — como e quando pôde.

— Alguns doaram recursos, outros doaram materiais, um contribuiu com a mão-de-obra para refazer toda a instalação elétrica, por exemplo — conta a engenheira de Planejamento e membro do Comitê de Responsabilidade Social da Maiojama, Édina Quissini Casagrande.

O diretor-executivo da construtora, Antonio Pedro Teixeira, sustenta que a iniciativa acabou criando um modelo de cooperação entre poder público, comunidade e empresariado que poderia ser replicado mais vezes em outros lugares:

— O esforço de todos viabilizou a mudança. Esse mesmo modelo pode ser aplicado ao apoio a outros serviços essenciais que enfrentam dificuldades.

Segunda etapa deverá estar pronta até setembro

Edifício foi construído em 1906, já como posto policial. Félix Zucco / Agencia RBS

Ao mesmo tempo em que será apresentada a conclusão da primeira etapa das obras de revitalização, para a comunidade e colaboradores do projeto, terá início o esforço para realizar a segunda fase da recuperação do prédio histórico de 140 metros quadrados – construído em 1906, já como posto policial, e para o qual está em andamento uma proposta de que seja tombado pelo Patrimônio Histórico.

A continuidade da renovação inclui melhorias em áreas anexas como alojamentos, vestiários e cozinha, com substituição do telhado e outras intervenções. A expectativa é de que todo o serviço seja concluído em setembro.

— Contar com um ambiente digno, limpo, organizado, ajuda a prestarmos o nosso serviço da forma como o cidadão merece — sustenta a atual comandante da 2ª Companhia do 1º BPM, major Noélia Raggio.

A substituição das instalações elétricas, por exemplo, além de evitar riscos de incêndio, permite a instalação de equipamentos de ar-condicionado mais potentes, melhorando o conforto de policiais e da população que necessita utilizar o posto policial.

A etapa complementar da reforma será realizada também em sistema de parceria entre a construtora, fornecedores, comunidade e Brigada Militar.

Por Marcelo Gonzatto

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Casarão abandonado passará por restauro para abrigar centro cultural em Porto Alegre (RS)

Casa dos Leões será cedida ao Instituto Zoravia Bettiol, que buscará recursos para obras.

Imóvel fica na Rua dos Andradas. Carlos Macedo / Agencia RBS

O gari Marcos de Souza varre há tempo a Rua da Praia e nunca reparou na Casa dos Leões, construção centenária de três andares que fica de frente para o QG da Brigada Militar. Abandonada há mais de 20 anos e escondida atrás de um tapume de cinco metros de altura, ela poderia ser um exemplo do ecletismo em Porto Alegre, movimento arquitetônico evidenciado nos balaústres e nos ornamentos em relevo da fachada. Mas o pouco que dá para ver do imóvel parece que vai cair, como indicam as escoras. Nem as estátuas de leão que deram nome ao casarão resistiram: apenas pombos e gatos ocupam o local.

A promessa é de que o imóvel volte a ganhar vida, tornando-se sede do Instituto Zoravia Bettiol. No dia 22, a prefeitura deve entregar as chaves do prédio inventariado pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (Epahc) à entidade, assinando o  documento de permissão de uso por tempo indeterminado. A partir de então, o instituto vai realizar um projeto de restauro e começar a buscar patrocinadores para as obras — ainda não há previsão de quando será reaberto.

A arquiteta Ester Meyer, responsável pelo projeto arquitetônico de adaptação do imóvel, relata que ainda será necessária uma avaliação estrutural das paredes. Pelo que já foi possível perceber, será preciso recuperar os ornamentos da fachada, refazer as lajes internas, consertar o telhado, limpar o grande pátio que há nos fundos, refazer rebocos, pintar todo o imóvel, entre outras ações. Ela ainda não pode estimar o valor necessário.

O espaço promete ser mais uma atração cultural em um corredor do Centro Histórico que reúne Usina do Gasômetro, Casa de Cultura Mario Quintana, Museu da Comunicação, Museu de Arte do Rio Grande do Sul  (Margs) e Centro Cultural CEEE – Erico Verissimo. De acordo com Zoravia Bettiol, artista plástica de 82 anos que preside e dá nome ao instituto, além de conservar sua própria obra, o casarão será um espaço multiúso, sediando cursos, oficinas, exposições e palestras.

— Hoje em dia, um centro cultural irradia cultura em muitas direções — observa Zoravia.

Imóvel já se transformou em “Casa Monstro”

O então prefeito José Fortunati assinou decreto permitindo o uso da construção alguns dias antes de deixar o Paço Municipal, em dezembro de 2016. Atual coordenador da Memória Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Eduardo Hahn explica que o documento que deve ser assinado neste mês determina as possibilidades e responsabilidades da instituição para o uso do imóvel.

Hahn relata que o município não deu conta de conservar o imóvel, por isso buscou uma parceria público-privada para sua recuperação. Ressalta que não haverá nenhum gasto aos cofres públicos.

Não é a primeira vez que o município tenta dar um destino ao casarão. No começo da década de 1990, ele chegou a ser cotado para abrigar as pinacotecas Aldo Locatelli e Ruben Berta. De acordo com reportagem publicada em ZH em 2002, a proposta ficou no papel em razão dos altos custos que demandaria. Falta de verba também foi o motivo para o fracasso do projeto de levar a Coordenação da Dança da SMC ao espaço, de acordo com Hahn.

A Casa dos Leões ganhou uma breve finalidade em 2009, quando transformada em uma das obras mais chamativas da Bienal. Foram utilizados canos de PVC, madeira, lâminas de compensado flexível e restos de construção civil para dar forma a uma estrutura semelhante a um tumor brotando da arquitetura pelas janelas e portas. Denominada Tapume, a arte foi apelidada de Casa Monstro. À época, o artista plástico paulista Henrique Oliveira disse que “queria chamar atenção para essa casa, tão bonita, e passando desapercebida pelas pessoas”.

Histórico

— De acordo com pesquisa feita pela arquiteta Ester Meyer, a Casa dos Leões começou a ser construída no final do século 19, sendo inicialmente uma casa térrea, com três janelas e portão de ferro.

— Nas décadas seguintes, ela seria ampliada, recebendo mais dois andares e características do movimento eclético.

— Nos anos 1950, o imóvel transformou-se em um prédio residencial com quatro apartamentos distintos: um no porão, que se torna habitável a partir de uma alteração no nível do entrepiso inferior, outros dois no andar intermediário, e mais um no andar superior. Nos anos 1980, ainda seria transformada em cortiço.

— A Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (EPAHC) não dispõe de detalhes sobre a história do imóvel. Informa que ela foi doada ao poder público municipal em 1990 pela empresa Ciasul.

Por Jéssica Rebeca Weber

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Curso sobre patrimônio de Porto Alegre (RS) tem inscrições até 20 de março

Estátuas como esta do prédio do Margs, de 1914, ajudam a contar a história da Capital /José Francisco Alves/Divulgação/JC

Até 20 de março, estão abertas as inscrições para o curso Porto Alegre: Arte, monumentos e História, ministrado por José Francisco Alves, em promoção do Atelier Livre Xico Stockinger, da Secretaria Municipal da Cultura. As aulas são voltadas principalmente para guias de turismo, professores e interessados na história da Capital por meio de acervos e obras de arte ao ar livre.

Até 28 de junho, as aulas sobre arte urbana e arquitetura ao ar livre, com caminhadas e visitas dirigidas, ocorrerão em semanas intercaladas, iniciando em 22 de março, com encontros às quintas-feiras (às 19h), no Auditório do Atelier Livre (Érico Veríssimo, 307), numa semana; e na seguinte, aos sábados de manhã (das 10h às 12h). As ocasiões nos fins de semana, durante o dia, são para a realização de roteiros pela cidade, como o Centro Histórico, cemitérios e parques

Entre os temas dos encontros, um breve histórico da cidade, resgate da arquitetura historicista e da estatuária fachadista, e considerações sobre monumentos públicos e obras de arte moderna e contemporânea ao ar livre. Tendo valor total de R$ 250,00, o cronograma e o conteúdo completo do curso podem ser solicitados ao e-mail da instituição: alivre@smc.prefpoa.com.br- pelo qual também pode ser feita a inscrição. Contatos ainda pelos telefones (51) 3289-8057 e 3289-8058.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Porto Alegre (RS) – Revitalizada por moradores, histórica escadaria da João Manoel retorna aos tempos de abandono

Prefeitura não manteve a iluminação do local, que novamente virou ponto de usuários de drogas e agora afasta a comunidade.

Moradores tinham, em resumo, resgatado a escadaria do abandono. Omar Freitas / Agencia RBS

Tombada como patrimônio do município, a charmosa escadaria da João Manoel, no Centro Histórico, voltou a sofrer com o descaso do poder público. Bastava a prefeitura manter a iluminação, só isso. Porque os moradores, de um ano para cá, vinham promovendo mutirões de limpeza e pintura na escada construída nos anos 1920. Eles tinham até plantado uma horta ao lado dos degraus. Tinham, em resumo, resgatado a escadaria do abandono.

— Mas já faz meses que a luz queimou. Avisamos a prefeitura e, até agora, nada. É impossível passar ali à noite, o pessoal voltou a se reunir para fumar crack — diz a presidente da Associação de Hortas Comunitárias do Centro Histórico, Carmen Fonseca.

Pichações voltaram a aparecer. Omar Freitas / Agencia RBS

A horta virou alvo de furtos. E as pichações voltaram à baila. Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, técnicos farão uma vistoria na iluminação da escadaria na próxima semana.

Escada foi construída nos anos 1920. Omar Freitas / Agencia RBS

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Obras de revitalização do Cais Mauá começam dia 5 em Porto Alegre (RS)

Expectativa é de que obras no local deverão estar concluídas até 2019. Fredy Vieira/JC

A largada das obras de revitalização do Cais Mauá, em Porto Alegre, será em 5 de março, informou o governo do Estado em seu site nesta segunda-feira (26). Antes disso, na próxima quinta-feira (1), o consórcio Cais Mauá do Brasil faz uma cerimônia para marcar a entrega da ordem de serviço pela prefeitura. Em dezembro de 2017, foi entregue a licença de instalação (LI), requisito para as obras.

Os trabalhos devem começar pelos armazéns tombados e contarão com intervenções na infraestrutura da área para poder implantar no futuro serviços e operações em áreas de lazer e alimentação. O consórcio Cais Mauá do Brasil fará um ato para marcar o começo das intervenções, com a presença de autoridades como o governador José Ivo Sartori, a partir das 10h. Neste dia, também será divulgado o cronograma das obras.

O investimento estimado é de R$ 500 milhões, valor que tem sido projetado desde o anúncio do empreendimentos em 2010, após a oficialização da concessão por 25 anos para o consórcio. O projeto prevê 3,2 mil metros de orla com ciclovia, dez praças de lazer e mais de 11 mil metros quadrados de área verde. Além de alavancar o turismo e o desenvolvimento do Centro Histórico da capital, vai gerar 28,8 mil novos empregos diretos e indiretos, assim como tributos municipais, estaduais e federais, na ordem de R$ 216 milhões. Serão ao todo 181 mil metros quadrados de área revitalizada.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio