Porto Alegre (RS) – Um destino para a Casa dos Leões

Palacete no Centro deve abrigar Instituto Zoravia Bettiol. Marco Quintana/JC

A Casa dos Leões, uma edificação histórica situada na Rua dos Andradas, 507, deverá se tornar um instituto cultural. Localizada na zona dos quartéis, no Centro Histórico de Porto Alegre, o casarão foi erguido há cerca de um século e se encontra abandonado há mais de 25 anos. O espaço já serviu de plataforma para a obra Tapume do paulista Henrique Oliveira, concebida para a 7ª Bienal do Mercosul.

O palacete pertence à prefeitura de Porto Alegre – no fim da gestão passada, o então prefeito José Fortunati publicou um decreto repassando o espaço para o Instituto Zoravia Bettiol. O município, através do Termo de Cessão de Uso, em fase de elaboração, possibilitará a utilização da Casa dos Leões como sede do Instituto Zoravia Bettiol, onde serão realizadas atividades artístico-culturais, educacionais e científicas. A edificação é um bem inventariado pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (Epahc).

O instituto é uma associação sem fins lucrativos que tem por missão a preservação, a pesquisa e a difusão do acervo artístico e documental da artista Zoravia Bettiol, bem como o apoio e o incentivo às manifestações da arte contemporânea. “Ele ficará em uma zona privilegiada, um corredor cultural da cidade, que, no entorno, contempla a Usina do Gasômetro, o Museu do Trabalho, a Casa de Cultura Mario Quintana etc. Um instituto deve se envolver com a comunidade e ser um elemento vivo que tem que conhecer o passado, mas sempre estar com a visão no futuro”, comenta Zoravia.

“A proposta de assumir a gestão da casa partiu do instituto. Neste momento, está em processo de análise o termo de cessão de uso, nele constará os elementos de responsabilidade que a instituição arcará a partir do momento que ela assume a edificação”, avisa o coordenador de Memória Cultural do município, Eduardo Hahn. Segundo ele, basicamente, deverá ser feita toda a atualização do projeto de restauração da casa, uma vez que já existia uma proposta anterior. “Também deverá o instituto buscar recursos para recuperação do espaço, que provavelmente seja via Lei de Incentivo à Cultura, e depois todo o processo de manutenção e de gestão do espaço”, conta Hahn.

Segundo a equipe de arquitetura responsável pelo projeto – composta por Ester Meyer, Iran Fernando da Rosa e Adriana Sabadi -, a pretensão é de que o Projeto de Restauração Arquitetônica contemple a recuperação de um bem de valor histórico e adapte os novos espaços a uma nova função, que terá como finalidades promover a arte, a cultura e a preservação do patrimônio cultural; restaurar e conservar o acervo artístico e a documentação sobre a vida e a obra da artista Zoravia Bettiol; constituir um centro de excelência para pesquisa, estudos, desenvolvimento e difusão da arte e da cultura, denominado Laboratório-Atelier Científico; entre outros objetivos de cunho cultural.

Nos anos 1990, cogitou-se transformar a edificação em sede do Museu de Arte de Porto Alegre, abrigando as pinacotecas Rubem Berta e Aldo Locatelli. A partir de 2010, um projeto foi elaborado pela Coordenação de Dança da Secretaria Municipal de Cultura, mas nada vingou.

Por Michele Rolim

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Porto Alegre (RS) – Cartas do Fundo do Poço exibe correspondências das minas de carvão no Memorial do RS

A exposição reconstrói história da mineração no Estado, ilustrada com obras inéditas de Danúbio Gonçalves, inspiradas na atividade mineradora. Foto: Solange Brum/Divulgação

Cartas do Fundo do Poço – As correspondências das minas de carvão do Baixo Jacuí (1891 – 1964) segue até 30 de agosto no 2º andar do Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. A exposição apresenta parte do acervo do Arquivo Histórico do Museu Estadual do Carvão, de Arroio dos Ratos (RS). As cartas reconstituem aspectos importantes da relação entre empresas, trabalhadores e o espaço da mineração daquela região. A mostra conta ainda com obras inéditas do renomado pintor gaúcho Danúbio Gonçalves, que retratam o cotidiano dos trabalhadores nas minas de carvão.

Cartas do Fundo do Poço traz painéis e uma seleção de correspondências originais, entre 1891 e1964, das companhias exploradoras do minério, revelando diversos temas como as relações de trabalho, as técnicas de mineração utilizadas em distintos momentos, a extração de carvão períodos de esforço de guerra, a imigração, as ações sociais das empresas carboníferas, além de escritas em códigos para não serem interceptadas. São correspondências marcantes do período ápice da mineração no Rio Grande do Sul, que trazem a tona parte de uma história pouco desbravada pelos gaúchos.

A exposição tem produção da ONG Arquivistas Sem Fronteiras do Brasil e de Surya Projetos, com apoio institucional do Memorial do RS e financiamento do Procultura e do Governo do Estado. A entrada é franca.

Histórico:

A extração de carvão na chamada Bacia do Rio Jacuí teve início nos últimos anos do século XIX, mas foram nas décadas de 1920-1940 que a região recebeu o maior número de trabalhadores e empreendimentos no setor. A árdua rotina da mineração alavancou a formação de vários povoamentos que, mais tarde, comporiam pelo menos cinco cidades ao longo do Jacuí. O carvão extraído nas minas da região alimentou as caldeiras de locomotivas e as usinas de energia elétrica ao sul do Brasil, chegando a ser item raro e de importância estratégica durante o período da Segunda Guerra – quando os países europeus em conflito suspenderam a exportação do produto.

Foto: Divulgação

A atividade mineradora desenvolvida por empresas e trabalhadores produziu um mundo peculiar, marcado pela expectativa de progresso, por estruturas urbanas inteiramente voltadas para a mineração e por relações de trabalho nem sempre pacíficas. Das minas de Arroio dos Ratos e Butiá surgiriam algumas das primeiras grandes greves da região e os primeiros movimentos de repressão e apaziguamento da mão de obra.

Serviço:

Exposição Cartas do Fundo do Poço – As correspondências das minas de carvão do Baixo Jacuí (1891-1964)
Onde: Memorial do Rio Grande do Sul – Sala Múltiplos Usos, segundo andar (Praça da Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre)
Quando: De 27 de julho a 30 de agosto de 2017, das 10h às 18h, de terça a sábado, e domingo, das 13h às 17h.
Entrada Franca

Fonte original da notícia: O Sul




Porto Alegre (RS) – Justiça mantém suspenso investimento imobiliário na Fazenda do Arado

Projeto para área de 426 hectares na Zona Sul gera embate judicial / Instituto Econsciência/Divulgação

A Justiça negou um recurso movido pela Arado Empreendimentos S.A que permitia a empresa dar continuidade a um projeto de condomínios fechados na antiga Fazenda Arado Velho, no Bairro Belém Novo, extremo-sul da Capital gaúcha.

A assessoria do TJ/RS informou, na quarta-feira, que a sentença ainda não havia sido publicada e, portanto, não poderia divulgar os argumentos para o indeferimento.

O processo corre na 10º Vara da Fazenda Pública do Foro Central, com o número 001/1.17.0011746-8.

O empreendimento está travado por uma liminar que suspendeu a Lei Complementar 780/2015, de iniciativa do ex-prefeito José Fortunati.

Essa lei 780 alterou o regime urbanístico e, consequentemente, o índice construtivo da área, permitindo a construção de três condomínios fechados, num total de 2.300 casas na área de 426 hectares, metade dos quais enquadrada como área de preservação ambiental.

O PLC foi aprovado em outubro de 2015 e a liminar que barrou as alterações foi concedida em abril de 2017, após uma Ação Civil Pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente, do Ministério Público Estadual.

Na época, o MP alegou que a lei foi aprovada sem a realização de audiência pública, conforme determina o artigo 177 da Constituição Federal. Também não houve, segundo a promotoria, a devida avaliação dos danos ambientais que podem ser causados pelo empreendimento.

A intenção da construtora era apresentar o EVU (Estudo de Viabilidade Urbanística) enquanto a decisão final não é dada.

A reportagem tentou contato com a Arado Empreendimentos S.A mas o engenheiro técnico responsável pelo negócio não estava disponível.

Movimentos questionam estudos ambientais do projeto imobiliário 

Área fica no bairro Belém Velho, extremo Sul da Capital/Foto Paulo Brack

Até 2015 as terras da Fazenda do Arado obedeciam ao regime urbanístico da Zona Rural e Área de Proteção do Ambiente Natural, suportando no máximo 276 economias (casas, edificações, etc).

A lei, aprovada pela Câmara de Vereadores em 5 de outubro de 2015 e sancionada pelo prefeito José Fortunati duas semanas depois, alterou o Plano Diretor, retirando a área do Arado da Zona Rural.

Ambientalistas e comunidade mobilizados em defesa da área / Tânia Meinerz/JÁ

Foi graças aos movimentos Preserva Belém Novo e Coletivo Ambiente Crítico que o Ministério Público ingressou com a ação civil pública. Foi apontada uma série de erros no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pelo investidor.

Especialistas da área ambiental realizaram um outro laudo, a pedido dos movimentos ambientais, onde questionam erros nas áreas geológicas, de fauna e flora. “Por exemplo, eles omitiram o solo novo, que seria mais sensível à construção e apresentaram somente o mais antigo”, argumenta Felipe Viana, integrante do Preserva Arado.

Ambientalistas realizaram mutirão de limpeza que recolheu mais de 150 sacos de lixo / Tânia Meinerz/JÁ

Segundo ele, quase todos os apontamentos subestimam o meio ambiente e favorecem a realização do empreendimento. “Quem faz esse tipo de estudo sofre pressão por parte dos empreendedores e isso compromete a qualidade do estudo e favorece o negócio”, entende o ambientalista.

Viana lembrou ainda que a mudança da Lei Complementar 780 teve parecer contrário da Comissão Municipal do Meio Ambiente (Comam), que aconselhou a aquisição do terreno pela prefeitura para transformar em área de conservação ou que a área permanecesse como zona rural.

Por Felipe Uhr

Fonte original da notícia: Jornal Já




Arquivo Histórico de Porto Alegre (RS) digitaliza mais de 100 documentos

Balancetes. Livro-caixa. Atas de vereança. Peças que retratam um cotidiano quase esquecido, mas que também fazem parte da história da capital. Em breve, esses documentos estarão todos digitalizados. Desde junho, o Arquivo Histórico Moysés Vellinho vem digitalizando documentos que remontam a Porto Alegre dos séculos 18 e 19. O que antes estava restrito às paredes de um casarão centenário, que abriga a instituição na avenida Bento Gonçalves, 1.129, estará disponível na internet.

São cerca de 170 livros de um período que vai de 1764 a 1889, abrangendo desde os primórdios da capital até a proclamação da República. Até o momento, metade desse montante foi digitalizado. O projeto, iniciado em 2012, virou realidade graças à captação de 8 mil euros por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Arquivos Ibero-Americanos, do governo espanhol.

Dispostos numa sala em múltiplas prateleiras sob temperatura e ambiente controlados, os documentos têm conservação variada. Podem estar quase originais – como um livro de naturalizações datado de 1854 –, mas também em mau estado, explica a diretora Vera Lúcia Santos dos Santos. É um misto de sorte e das condições em que o material foi armazenado anteriormente.

As mãos de Dionathan Rezes, 30 anos, são responsáveis por digitalizar página a página desses documentos. Com luva, é claro, para se proteger da sujeira – ainda que Vera garanta que não exista um fungo sequer no acervo. A velocidade do trabalho varia. Às vezes, Rezes consegue escanear 12 livros por dia. Em outras ocasiões, não passa de dois a três materiais em oito horas de trabalho. “Quanto mais antigo, mais difícil”, conta.

Engenhoca

O maquinário utilizado para a digitalização é simples, mas peculiar. Rezes conta com um scanner de mesa e uma engenhoca que se mostra efetiva na captura de imagens dos materiais. Criada por um engenheiro da empresa contratada pelo arquivo para realizar os trabalhos, são dois triângulos gigantes que sustentam os livros: uma no lado esquerdo; outra, no direito. Além da estrutura, que é móvel, mais quatro luminárias adornam a engenhoca, duas em cada lado, posicionadas ao lado das duas câmeras que capturam a imagem de cima.

Rezes explica que os scanners utilizados para materiais como os do acervo, além de serem caros, podem acabar danificando as publicações. “Quanto mais grosso o livro, pior”, afirma. Depois que as imagens são captadas, Rezes realiza o tratamento delas no computador e as armazena em HDs. Tudo isso estará disponibilizado ao público por meio do software Ica-Atom em breve.

As informações antigas por vezes chamam atenção de Rezes. É que ele terminou um curso para ser corretor de imóveis há pouco, e pesca informações que poderão ser relevantes quando trabalhar no mercado imobiliário. Histórias que estavam quase esquecidas, mas que agora ganharão uma dimensão maior quando se tornarem disponíveis para o público. A memória agradece.

Situação do arquivo é exceção, comparado a outras instituições

Quando comparado a outros arquivos espalhados pelo Estado, a situação dos materiais armazenados no Moysés Vellinho pode ser considerada uma exceção na área, e não a regra. O setor da prefeitura mantém o acervo sob refrigeração 24 horas. Isso não se repete em outra instituição que também mantenha uma hemeroteca (coleções de jornais, revistas, periódicos e publicações em série).

Assim como a instituição municipal, o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, do governo estadual, abriga coleções de jornais e revistas, mas funciona de forma reduzida desde março por problemas estruturais do prédio, localizado no Centro Histórico. Além de não possuir sistema de ar-condicionado, o museu enfrenta infiltrações em sua estrutura. A situação se repete numa das instituições mais respeitadas do meio. No Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional corre o risco de fechar por falta de verba para a manutenção do acervo.

“Quando o gestor escolhe o recurso, o arquivo acaba ficando por último por trazer menos visibilidade”, avalia a arquivista Flávia Conrado Rossato, da Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul. Flávia lembra que a desatenção por parte do poder público com a memória respinga na Lei de Acesso à Informação. “Esse descaso impacta no acesso à informação do cidadão”, pontua.

O historiador André Koeche, mestre pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), concorda com Flávia. “Infelizmente, no Brasil não existe uma cultura de preservação da memória”, avalia. Koeche sustenta que o país não formou uma cultura que preserve sua história. “Ainda não temos uma cultura de preservação da memória de bens materiais e de representações simbólicas”, conclui.

Queima de arquivo

Em junho, o Senado aprovou o Projeto de Lei 46, que é conhecido como “PL da Queima de Arquivo”, já que autoriza a destruição de documentos originais após serem digitalizados. Essa medida fere a política nacional de arquivos públicos, criada em 1991 pelo então presidente Fernando Collor de Mello, segundo Flávia. “Os documentos devem continuar existindo”, afirma. “A função do arquivo histórico é justamente salvaguardar o documento”, completa.

No Arquivo Histórico de Porto Alegre, os documentos permanecerão guardados, tanto em sua forma original quanto na digital.

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Porto Alegre (RS) – É de se perder a cabeça: todos os monumentos restaurados na Redenção já foram destruídos

Especialista afirma que nenhuma outra cidade do mundo perdeu mais obras para o vandalismo do que Porto Alegre.

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Esse monumento acima deveria exibir a cabeça de Francisco Brochado da Rocha — primeiro-ministro do Brasil durante o breve parlamentarismo que antecedeu o golpe de 1964 —, mas a escultura foi decapitada 10 dias depois de sua restauração.

Aliás, todas as obras restauradas em 2016, no Parque da Redenção, foram destruídas em menos de duas semanas. Brochado da Rocha, Imperatriz Leopoldina, Alberto Bins, João Wesley, Luiz Englert e Francisco de Assis Brasil, se não ficaram sem cabeça, acabaram irreconhecíveis. Em 2014, outros seis monumentos da Redenção já tinham sido recuperados pelo mesmo projeto do Sinduscon — e nenhum deles durou um mês.

— Não se tem notícia de outra cidade no mundo, em tempos de paz, que tenha perdido mais monumentos do que Porto Alegre. Nos últimos 17 anos, pelo menos um terço das nossas 300 obras sofreu perda total — calcula o professor do Atelier Livre José Francisco Alves, autor do livro A Escultura Pública de Porto Alegre.

José Francisco diz que essa devastação ganhou força na virada do milênio, quando, nas palavras dele, “houve uma quebra de qualidade no bem viver urbano do porto-alegrense”:

— A qualidade do espaço público tornou-se um horror: as ruas são uma buraqueira, as praças são malcuidadas, a Ponte de Pedra foi abandonada, o Mercado Público segue em obras. E o que é o Viaduto Otávio Rocha? A depredação dos monumentos é só a ponta mais visível da relação entre a cidade e seu espaço público.

Mas o historiador Gunter Axt aponta para a realidade distante da região central. Cita, por exemplo, os frequentes tiroteios na periferia e o toque de recolher imposto pelo tráfico:

— Uma pessoa que tem parte de sua cidadania sequestrada nunca se sentirá pertencendo ao espaço público. O resto da cidade não se preocupa com ela, a imprensa tampouco. Como é possível exigir que ela se preocupe com o resto?

É de ser perder a cabeça mesmo.

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Restauração de Mercado Público da capital segue inacabada

Quatro anos após incêndio, segundo andar do prédio ainda não está concluído.

O Mercado Público funciona sem o segundo andar desde 2013 / Ricardo Giusti/PMPA

Há quatro anos, um incêndio destruiu parte de um dos principais cartões-postais de Porto Alegre. Desde então, o Mercado Público da capital passa por obras de restauração, que até agora não foram concluídas. Apesar da aparência nova e cobertura reforçada, o segundo andar do prédio segue interditado.

Segundo o Secretário Municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, as explicações para a demora são burocracia e falta de recursos. Entretanto, novas licitações foram encaminhadas e dentre todas as obras necessárias de Porto Alegre, o Mercado Público é uma das prioridades da prefeitura.

“Recentemente a associação dos permissionários e a prefeitura chegaram a um consenso sobre a questão do Plano de Prevenção Contra Incêndios e nós temos algumas obras que já vão se iniciar. Nesse meio tempo a Secretaria da Cultura vem trabalhando junto ao Ministério da Cultura para a obtenção de recursos para complementar as reformas do Mercado Público e, uma terceira frente que nós estamos abrindo agora é provavelmente termos nas próximas semanas um edital público no qual a sociedade civil vai poder apresentar à prefeitura propostas e soluções para a administração do Mercado”, explica.

Além disso, a prefeitura da capital aponta como alternativa a possibilidade de uma parceria público-privada no intuito de mudar o modelo de administração do prédio. Ainda conforme o secretário Bruno Vanuzzi, a mudança do perfil do Mercado Público não está em discussão. Ele ressalta que o local é um patrimônio público de Porto Alegre e da população e que a privatização do prédio não é uma opção para o seu governo.

“O Mercado está em funcionamento, acho que isso é uma coisa que é importante nós termos sempre em mente. Ele, depois do incêndio, passou por um período realmente muito difícil. Nossa expectativa é que possamos liberar o segundo andar e também tirar de cima dele essa espada por conta da prevenção de incêndio”

Outra prioridade, segundo Vanuzzi, é a licitação dos relógios de rua de Porto Alegre. Desligados desde junho de 2015, os 50 relógios que existem pela cidade estão sem utilidade. “Aconteceram, na última gestão, duas licitações englobando todo o imobiliário, que significa: relógios, paradas de ônibus, toponímicos – que são aquelas placas com os nomes das ruas – e bancas de jornal. Esses quatro principais itens são solicitados todos em conjunto e essa licitação acabou sendo deserta. Isso é uma sinalização muito importante do mercado para a administração pública de que há um erro fundamental”, afirma o secretário, trazendo a questão de mobiliário urbano ser muito caro para a gestão atual.

A determinação prévia de pontos fixos para a instalação dos equipamentos é outra mudança que deve ocorrer. A localização de cada relógio está sendo definida em uma discussão conjunta entre integrantes dos setores de segurança, tecnologia, trânsito e licenciamento ambiental da prefeitura.

Por Nathália Pase

Fonte original da notícia: Band




Porto Alegre (RS) – Por trás dos tapumes: veja como estão as obras no Largo dos Açorianos e na Praça da Matriz

Há meses, dois dos pontos mais emblemáticos do Centro estão interditados para receber reparos.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Porto-alegrenses terão de esperar um pouco mais para rever uma parte da história da cidade, atualmente encoberta por tapumes, revitalizada. Em obras há meses, o monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz e o Largo dos Açorianos e ainda dependem de intervenções para serem devolvidos à comunidade. Saiba como andam os trabalhos nos dois locais:

O aspecto ainda é de abandono: o que costumava ser um espelho d’água sob a famosa Ponte de Pedra mais parece uma poça enlameada, e o gramado que o cercava se resume a alguns tufos de vegetação. Mas, pelo menos no calendário da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smams), a obra de revitalização do Largo dos Açorianos já tem data para o fim: fevereiro de 2018.

Iniciados no ano passado, os trabalhos no sítio histórico foram divididos em três blocos: a primeira consistiu em melhorias no Monumento aos Açorianos, e o segundo, no restauro da Ponte de Pedra — ambas já concluídas. A última inclui a revitalização do entorno da ponte, que receberá passeios, esplanadas, piso tátil, bancos de concreto, escadarias e arquibancadas, além do preenchimento do espelho d’água, esvaziado há quase dois anos.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Aparentemente mais simples do que as outras duas fases — o restauro da ponte, por exemplo, exigiu minúcia para preservar as características antigas do monumento —, a terceira etapa tem sido a mais difícil de sair do papel. Um primeiro projeto, feito em 2015, foi descartado pela prefeitura por ser complexo demais. A ordem de início para a obra viável foi dada em outubro do ano passado, com previsão de execução em nove meses. Neste ano, porém, a nova gestão decidiu revisar os contratos, o que atrasou os trabalhos, empurrando a devolução do cartão postal para o ano que vem.

Segundo a Smams, “a necessidade de rebaixar o nível o lago no lado da ponte para resgatar a sua originalidade (deixando aparente os pilares de pedra), bem como preservar suas alvenarias, e a necessidade de manter o nível no lado do viaduto para preservar as redes de infraestrutura existentes, que passam abaixo do lago, definiu parte do projeto”. Atualmente, segundo a pasta, estão sendo realizadas a decapagem e a limpeza do fundo dos espelhos d’água, com retirada do material orgânico, além do envelopamento das redes do Dmae e CEEE, com capas de concreto. A próxima etapa será o reforço do solo.

Quando começou: janeiro de 2016
Valor: R$ 4.680.914,86 (terceira etapa)
Final previsto: fevereiro de 2018

Praça da Matriz

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Uma das obras mais emblemáticas da cidade, o monumento a Júlio de Castilhos, na Praça da Matriz, recebe, desde maio, cuidados que causariam inveja ao mais abastado dos centenários. A estátua, em bronze e granito, passou por um diagnóstico para determinar que tipo de tratamento será feito para recuperar a forma de outros tempos.

Primeira etapa da revitalização da Praça da Matriz, a análise já foi concluída, segundo o PAC Cidades Históricas. O diagnóstico identificou a existência de fissuras e partes corroídas pela ferrugem. Com exceção da figura da República, que terá de ser removida do topo do monumento, os outros problemas serão sanados no local. As intervenções devem ocorrer entre setembro e outubro, quando a equipe do francês Antoine Amarger, responsável pelo estudo, retornará a Porto Alegre para executar o restauro.

Foto: André Ávila / Agencia RBS

Enquanto as obras na estátua não começam, estão sendo realizados reparos no entorno do monumento: o piso de basalto foi substituído, e as escadarias e os guarda-corpos estão recebendo melhorias. Detalhes mais sensíveis, como a recolocação da faixa em mármore (que poderá ser substituído por granito), e a instalação de um material para prevenir rachaduras nos degraus da escadaria só serão feitos após a conclusão das intervenções na parte em bronze, que exigirão o auxílio de andaimes.

A intervenção integra a primeira etapa de obras na Praça da Matriz, que inclui também o restauro das luminárias. Os trabalhos estão sendo realizados com recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do PAC Cidades Históricas. A requalificação do restante da praça deverá ocorrer em 2018, na segunda etapa de obras.

Quando começou: maio de 2017
Valor: R$ 1,1 milhão
Final previsto: novembro de 2017

Por Bruna Vargas

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Arquivo Histórico exibe originais com temas históricos

O Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHRS) começa em julho o projeto “Mês a Mês na História”, que vai expor documentos originais do seu acervo. São materiais relacionados a contextos e assuntos que revelam marcos e movimentos da história. A primeira edição inicia dia 18 de junho, no primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul, com entrada franca e segue até dezembro.

A ideia é valorizar e incentivar a leitura de fontes primárias, que trazem um conhecimento histórico realista da época. Por outro lado, o desconhecimento desse material, mesmo entre o público erudito, torna essa documentação invisível e incapaz de cumprir sua utilidade como vestígios materiais da existência dos homens em diferentes tempos e lugares.

A seleção foi feita a partir conforme momentos da história gaúcha, cujos registros constem no acervo da instituição. A exposição traz legendas específicas, com o Fundo Documental a que pertencem as peças, a numeração e uma explicação em casos que se fazem necessários, como remetente, destinatário, período, pequena síntese do conteúdo, etc.

O acervo do AHRS é proveniente das funções exercidas pelo Governo do Estado em sua tarefa de planejamento e administração pública, distribuição de terras, aldeamento e catequese indígena, policiamento e repressão, assuntos jurídicos, militares e religiosos, bem como arquivos particulares. Os documentos são recebidos através de doação ou compra, relacionados a personagens e movimentos com desempenho significativo na história gaúcha, como Borges de Medeiros, Pinheiro Machado, João Neves da Fontoura, Francisco Brochado da Rocha, Alfredo Varela e Julio de Castilhos, entre outros.

Documentos expostos em julho

– Registro da Junta Comercial de Porto Alegre de marca usada por Antonio Klinger, cidadão alemão, nas garrafas de cerveja por ele fabricadas, em 05/07/1884.

– Promulgação da primeira Constituição Republicana do Rio Grande Sul, em 14/07/1891.

– Manifesto dos correligionários de Julio de Castilhos para que os Constituintes o escolhessem como nosso primeiro Governador, 20/07/1890.

– Colonos vindos de Hamburgo ao Rio de janeiro. Chegada a São Leopoldo em 25/07/1824.

– Registro dos colonos chegados em Rio Grande entre 1857 e 1863.

Serviço

Exposição “Mês a Mês na História” do Arquivo Histórico do RS
Local: Térreo do Memorial do RS – Rua 7 de Setembro, nº 1020, Centro Histórico / Porto Alegre/RS
Horário: de terça a sábado, das 10h às 18h; e domingos e feriados da 13h às 17h
Entrada Franca
Contato: (51) 3227.0883

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do RS




Porto Alegre (RS) – Obras, sonhos e curiosidades: quatro famílias que escolheram casas históricas como lar

Lançados entre 2006 e 2009, três editais selecionaram 15 projetos de restauro no Centro Histórico.

Foto: Montagem sobre fotos de Isadora Neumann

Basta uma caminhada atenta pelas vias do Centro para perceber: já somam algumas dezenas as edificações antigas que receberam cuidados nos últimos anos. Com frequência, prédios que compõem a história de Porto Alegre se tornam empresas ou comércios. Alguns, porém, viraram o lar de quem não se importa em investir em imóveis com a obrigação de se manterem fiéis às características originais.

Contamos as histórias de quatro famílias que, na hora de escolher a nova casa, optaram por se enquadrar nas regras do patrimônio histórico e, mais tarde, financiaram o restauro dos imóveis por um programa de estímulo à revitalização do Centro da década passada.

— Um recurso investido em patrimônio é como um tiro que atinge vários pontos: contribui com o meio ambiente, a cultura, a geração de empregos. E ele gera uma onda, há um estímulo para que outros façam — avalia Luisa Durán Rocca, doutora em arquitetura e especialista em conservação e restauração de patrimônio histórico.

O projeto Monumenta, que ajudou proprietários de edificações históricas em 26 cidades brasileiras a restaurarem seus imóveis, mostrou ser capaz de dar frutos. Segundo a coordenadora do PAC Cidades Históricas, Briane Bicca, depois dos primeiros editais na Capital, entre 2006 e 2009, pelo menos sete outros proprietários procuraram o poder público querendo restaurar prédios antigos.

Dinheiro não falta: graças a um fundo criado quando a cidade entrou no Monumenta, o município conta com quase R$ 10 milhões prontos para serem reinvestidos em restauro de construções históricas. Há quase cinco anos, porém, a continuidade dos trabalhos esbarra em questões burocráticas.

— A prefeitura precisa de um agente financeiro para estruturar o financiamento. Tentamos com a Caixa (Econômica Federal), mas ela nos enrolou durante todo esse tempo, e no fim não teve interesse — conta a coordenadora do PAC Cidades Históricas.

Depois da tentativa frustrada, os gestores do fundo — que recebe também R$ 200 mil anuais da prefeitura — devem buscar alternativas. A ideia é uma parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul (BRDE). Briane diz que as tratativas para uma reunião estão sendo feitas por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília.

Projeto teve de convencer proprietários

O pontapé inicial do movimento ainda tímido de preservação da história no centro da Capital foi dado mais de 10 anos atrás. Em 2004, dois anos depois de pactuar a entrada no Monumenta, representantes do programa em Porto Alegre fizeram uma série de reuniões com moradores de prédios e casas antigas para vender uma ideia nova: financiar, a juro zero, o restauro de seus imóveis.

— Quando começamos a conversar com os proprietários, eles estavam furiosos. Queriam demolir os imóveis para fazer garagens, porque achavam que dava mais dinheiro. Até mudarmos a visão, foi muita conversa. Mostramos exemplos de outras cidades, de (imóveis) privados que podiam ser restaurados — lembra Briane.

Conforme a coordenadora do PAC Cidades Históricas, foram feitas quase 10 reuniões até que os primeiros interessados se manifestassem. Uma das razões para a resistência dos proprietários é o tabu em torno de edificações protegidas. Imóveis tombados e alguns tipos de inventariados não podem ser demolidos e precisam respeitar certos critérios para receber intervenções — o assunto é tão delicado que, em 2014, o inventário do bairro Petrópolis foi alvo de acaloradas discussões na Câmara Municipal e chegou a ser revogado e refeito por duas vezes.

No Centro, onde fica a maior parte dos mais de cem bens tombados do município, o diálogo surtiu efeito. Lançados entre 2006 e 2009, três editais selecionaram 15 projetos de restauro no Centro Histórico, entre casas, condomínios residenciais, prédios comerciais, uma igreja e um clube.

Tombamento
– Protege integralmente o imóvel. Ele não pode ser demolido, e o proprietário tem de preservar volumetria, divisões internas, elementos artísticos (como vitrais e escadarias) e a fachada com as características originais.

Inventário de estruturação
– 
Imóveis desse tipo também não podem ser demolidos, e precisam ter fachada preservada. Outras alterações são permitidas, desde que autorizadas pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc)

Inventário de compatibilização
– São imóveis localizados perto de inventariados de estruturação (geralmente ao lado). Podem ser demolidos, mas a nova edificação tem de manter a mesma volumetria do imóvel antigo, respeitando o contexto original.

Conheça as quatro histórias

A casa de artistas da Demétrio Ribeiro

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

O tombado da Riachuelo 

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

Vida de interior na General Auto

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

A casa dos sonhos de Maria Helena

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

Por Bruna Vargas

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Liminar desbloqueia restrições em duas casas do bairro Petrópolis

Vista de Porto Alegre dos altos de Petrópolis. Foto: Wikipedia

Impedidos de realizar alterações nos imóveis desde 2014 pela inclusão no Inventário do Patrimônio Cultural de Porto Alegre, proprietários de cerca de 400 casas localizadas no bairro Petrópolis, zona nobre da Capital, seguem lutando por uma alteração na decisão da prefeitura. Na semana passada, deu-se a primeira vitória dos proprietários, quando foi concedida uma liminar que liberou dois dos imóveis das restrições da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc).

De acordo com Daniel Nichele, advogado de alguns dos moradores e proprietários dos imóveis, a liminar foi deferida quando foi comprovada a relevância dos fundamentos apresentados pelo autor do processo. Sendo assim, foi concedida liminar delimitando afastamento das restrições ao direito de construir. De acordo com Nichele, as duas casas foram demolidas durante o fim de semana. “Temos outros clientes que estão pleiteando a mesma coisa, por meio do mesmo pedido; e depois ainda ingressaremos com ações indenizatórias contra a prefeitura pelos quatro anos irregularmente bloqueados”, descreve.

Em 2014, cerca de 200 casas foram classificadas como imóveis de estruturação, que devem ser preservados; e outras 160, como de compatibilização, que têm relevância pela composição do entorno. A lista foi, depois, revogada e refeita outras duas vezes. Em dezembro de 2016, os moradores receberam notificações a respeito da inclusão em uma nova lista. Os moradores apontam que a inclusão no inventário causa prejuízo, uma vez que as casas não podem ser reformadas. Além disso, a inclusão na listagem teria provocado uma desvalorização de 70% e, segundo definido por lei, a manutenção do imóvel fica sob responsabilidade do proprietário, sendo que a ele não cabe indenização, como ocorre no processo de tombamento.

Por Suzy Scarton

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio