Porto Alegre (RS) – MP instaura inquéritos e ações contra a extinção de patrimônio da Fundação Zoobotânica

Foto: Guilherme Santos/Sul21

O Ministério Público do Rio Grande do Sul já instaurou um conjunto de inquéritos e ações contestando a eliminação de patrimônio público material e imaterial decorrente da proposta do governo José Ivo Sartori (PMDB) de extinguir a Fundação Zoobotânica. Essas iniciativas contestam, entre outras coisas, a extinção do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais, além de apontar as ameaças que pairam sobre o Parque Zoológico e o Horto Florestal, localizados no município de Sapucaia. Um resumo das mesmas foi apresentado, na noite desta segunda-feira (24) pelas promotoras Ana Maria Moreira Marchesan e Annelise Monteiro Steigleder, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, na audiência pública realizada na Assembleia Legislativa sobre o futuro do do patrimônio material e imaterial proveniente da extinção da Fundação Zoobotânica, concessão do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul e o desmembramento do Horto Florestal.

A audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, presidida pelo deputado Altemir Tortelli (PT), foi proposta pela deputada Regina Becker Fortunati (Rede) e reuniu servidores das instituições ameaçadas de extinção, ambientalistas, representantes do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Pericias, Informações e Pesquisa e de Fundações Estaduais (Semapi-RS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entre outras entidades.

A promotora Ana Maria Moreira Marchesan lembrou que as principais ações que o Ministério Público ajuizou até hoje na área ambiental foram embasadas em estudos que a Fundação Zoobotânica realizou baseados em pesquisas científicas qualificadas. “Por isso, instauramos inquéritos para tratar desses assuntos. O Ministério Público ajuizou uma ação contra a extinção do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais, pois essas instituições contêm patrimônio material e imaterial inestimável que pertencem a toda a sociedade. Pedimos liminarmente que seja vedada a demissão de servidores dessas instituições bem como a alienação das áreas onde estão instaladas. Essa ação foi ajuizada em fevereiro, com pedido de urgência, mas ainda não tivemos um despacho por parte do Tribunal de Justiça”, relatou a promotora.

Annelise Steigleder advertiu, por sua vez, que todas as atividades que envolvem pesquisa e conhecimento no Estado do Rio Grande do Sul tendem a desaparecer, a partir da proposta do governo Sartori de extinguir as fundações dessas áreas. Hoje, acrescentou, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente não tem estrutura nem pessoal para assumir o trabalho realizado pela Fundação Zoobotância. Alem disso, há problemas legais que impedem a secretaria de captar recursos para pesquisa, como faz a fundação. A promotora revelou que foram instaurados dois outros inquéritos para investigar a situação do Horto Florestal e do Parque Zoológico.

No caso do Zoológico, assinalou, o governo do Estado assinou um contrato com a empresa de consultoria KPMG, especializada em modelagem de parcerias público-privadas, para formatar um projeto de privatização do Zôo de Sapucaia e de PPPs envolvendo duas rodovias. Além das iniciativas da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público examinará a lisura desse contrato, anunciou Steigleder. “Uma das preocupações que temos, no caso do Parque Zoológico ser privatizado, é com o bem estar dos animais”, observou. No caso do Horto Florestal, a promotora lembrou que essa área localizada entre os municípios de Sapucaia e São Leopoldo vem sendo palco de muitos conflitos fundiários. “Esse espaço precisa ser mantido como unidade de preservação ambiental. A ideia do MP é judicializar essa questão também para que não percamos o Horto Florestal”, acrescentou a promotora, lembrando que a proposta de modelagem cogitada pelo governo Sartori prevê que o Zoológico fique com apenas 156 hectares de área.

A deputada Regina Becker Fortunati também manifestou preocupação com a ausência de informações, por parte do governo estadual, a respeito do futuro da Fundação Zoobotânica e das instituições de pesquisa ligadas a ela. Para a parlamentar, a falta de transparência envolvendo o futuro da fundação e de seus órgãos de pesquisa também envolve a consultoria contratada pelo governo Sartori com dois objetos completamente diferentes: o futuro do Zoológico e projetos de ruas rodovias. Segundo o contrato firmado pelo governo com a KPMG, o resultado dessa consultoria deverá ser entregue em um prazo de 15 meses, mas não recebemos outras informações sobre os estudos que estão sendo feitos”, afirmou.

Glaysson Bencke, pesquisador do Museu de Ciências Naturais, da Fundação Zoobotânica, relatou que os funcionários da instituição seguem realizando seu trabalho, apesar de enfrentarem condições muito adversas, com situações de assedio moral, como a substituição de chefias e representações técnicas por CCs e a imposição de um horário único sem qualquer negociação com os servidores. . “A Fundação Zoobotânica passa pelo período mais difícil da sua história. Desde o dia 17 de janeiro, está autorizada a extinção da FzB e de outras fundações. A extinção e as demissões só não aconteceram ainda por conta das liminares que exigiram que o governo instaurasse um processo de negociação coletiva com os servidores. O risco que enfrentamos não é só o da extinção de empregos dos servidores, mas sim de trabalhos de pesquisa, de serviços prestados e do patrimônio material e imaterial insubstituível que pertence a toda a população do Estado”, afirmou.

Bencke manifestou preocupação também com o fato de a Secretaria Estadual do Meio Ambiente ter solicitado o desmembramento das matrículas do Horto Florestal e do Parque Zoológico, bem como com as ameaças que pairam sobre a área do Jardim Botânico. “Um pedaço do muro que cerca o terreno do Jardim Botânico caiu e não foi consertado até hoje, propiciando chance de novas invasões. O Jardim Botânico já perdeu várias áreas que foram cedidas para outras instituições”, lembrou. O pesquisador chamou atenção ainda para o fato de a lei que declara o Jardim Botânico patrimônio cultural não estar ligada a nenhuma matrícula de imóvel específica.

“O governo já recuou na questão das demissões, admitindo que o número de servidores que poderá ser demitido é menor do que o previsto inicialmente, o que reforça ainda mais o caráter falacioso do argumento da economia que poderia ser gerada com a extinção da fundação, cujo orçamento representa apenas 0,04% do orçamento estadual. Além disso, a fundação captou nos últimos 20 anos cerca de 150 milhões de dólares para o Estado. Esse valor seria suficiente para manter a fundação por 25 anos”, destacou Bencke.

Por Marco Weissheimer

Fonte original da notícia: Sul21




Porto Alegre (RS) – Museu Julio de Castilhos é interditado e prédio ganha um brechó

Tratado com desleixo por sucessivos governos, museu mais antigo do Estado padece com inundações a cada chuva.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Único museu público sobre a história do Rio Grande do Sul, o Julio de Castilhos se afirma como símbolo de decadência do patrimônio cultural gaúcho. Está fechado desde janeiro – e você talvez nem tenha notado, o que já é sintomático.

Sem manutenção preventiva, tratado com desleixo por sucessivos governos, o museu mais antigo do Estado acabou interditado porque qualquer chuva inundava tudo. Virou um elefante branco combalido por paredes descascadas, piso escangalhado, infiltrações e problemas elétricos.

A entrada exibe hoje um manequim de loja e uma faixa de plástico onde se lê “Brechó do Julio”. Quem teve a ideia da lojinha foi a Associação de Amigos do Museu, que conta com 11 sócios bem-intencionados atrás de recursos até para trocar lâmpada, coisa que o Estado não faz.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

– O brechó é uma forma de combater um descaso crônico e muito antigo – justifica o presidente da associação, Thiago Araújo.

Membro do Conselho Internacional de Museus, o professor de escultura José Francisco Alves, do Atelier Livre, diz que o anúncio do brechó na entrada “é patético, mas também profético”:

– O Julio de Castilhos sempre pareceu um brechó. Tinha roupa com traça, aquelas espadas caindo na vitrine, tudo malcuidado. No fim, é o que Porto Alegre tem para oferecer na área cultural: um brechó.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

José Francisco lembra que o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa também foi interditado. O Museu Antropológico, que mostraria as origens do gaúcho, segue com o acervo encaixotado. O Museu dos Direitos Humanos do Mercosul foi inaugurado em 2014 e depois sumiu. O Memorial do Rio Grande do Sul é outro que sofre com abandono.

Sobre o Museu Julio de Castilhos, a Secretaria de Estado da Cultura prevê sua reabertura até a metade de abril. Por enquanto, nos resta uma visita ao Brechó do Julio.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Proposta prevê o tombamento da sede do Jardim Botânico

Jardim_Botânico

Está em tramitação, na Câmara Municipal de Porto Alegre, o projeto do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) que propõe o tombamento do imóvel onde está a sede do Jardim Botânico, localizado na Rua Dr. Salvador França, 1.427, em Porto Alegre.  Com o tombamento, se aprovado o projeto, o imóvel passará a integrar o Patrimônio Cultural e Histórico do Município de Porto Alegre, ficando vedadas alterações que o modifiquem ou descaracterizem. Pela proposta, fica permitida a exploração comercial do imóvel tombado, sendo proibida a utilização de verbas públicas para o fim do tombamento, “exceto as já previstas em lei ou as que sejam objeto de convênio específico”.

Ao justificar a proposta, Sgarbossa destaca que o Jardim Botânico, aberto ao público desde o dia 10 de setembro de 1958, é considerado um dos cinco maiores jardins botânicos brasileiros, possuindo um acervo significativo da flora regional. Em 2003, tornou-se também patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul. “Com a missão de realizar a conservação integrada da flora nativa e dos ecossistemas regionais, tornando-se um centro de referência para a pesquisa, a educação, a cultura e o lazer, contribuindo para a qualidade de vida, o Jardim Botânico possui uma área de 39 hectares, com 8 mil exemplares de 650 espécies da flora nativa do Estado.”

Para o vereador, o Jardim Botânico é um “importante pulmão verde da Capital”, sendo um dos locais mais aprazíveis da cidade, notabilizando-se pela guarda de significativas coleções científicas. Além do manejo, da manutenção e da ampliação das coleções vivas de plantas, diz Sgarbossa, o Jardim Botânico realiza pesquisas com plantas ameaçadas de extinção e diversas atividades educativas e culturais, buscando conscientizar a sociedade sobre a relação entre a conservação da flora e a qualidade de vida.

Fundação Zoobotânica

A primeira casa de vegetação foi inaugurada em 1º de maio de 1962, pelo então governador Leonel Brizola, para abrigar parte da coleção de cactos. Dez anos depois, por meio da Lei nº 6.497, de 20 de dezembro de 1972, foi instituída a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB/RS), com o objetivo de administrar e manter áreas destinadas à proteção e à conservação da flora e da fauna regionais. Em 1974, o Jardim Botânico foi transferido para a FZB/RS, para que fosse administrado de maneira integrada com outras áreas de conservação do Estado. A partir desse ano, estabeleceu-se o foco do trabalho nas plantas nativas do Rio Grande do Sul.

Em 1988, com um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), foi inaugurado o Núcleo de Educação Irmão Teodoro Luís, em homenagem ao primeiro administrador do Jardim Botânico, com o objetivo de qualificar o atendimento aos visitantes e o desenvolvimento de atividades educativas. A partir de 1997, foram construídas instalações para o banco de sementes e para as casas de vegetação para abrigar coleções de cactos, orquídeas e bromélias. Além disso, foram construídos prédios para o setor de apoio e para a administração do Núcleo de Educação Irmão Teodoro Luís.

Texto: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400) – Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)

Fonte original da notícia: Câmara Municipal de Porto Alegre




Porto Alegre (RS) – Convênio garante 300 mil para o Museu da Comunicação Hipólito da Costa

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Com o objetivo recuperar equipamentos e acervo cinematográfico, a Associação dos Amigos do Museu Hipólito da Costa e representantes da Caixa Econômica Federal assinaram, na sexta-feira (31) um convênio de repasse de R$ 300 mil que servirão para qualificar o Museu da Comunicação.

Na ocasião, o secretário da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Estado, Victor Hugo, destacou a dedicação dos servidores do Hipólito, da Associação de Amigos e da Caixa Federal para a preservação da história. “Existe um ambiente de colaboração entre setores públicos e da sociedade civil que produz bons resultados para a cultura e para a memória”.

O ato da assinatura, na sede da Sedactel, é resultado do Programa de Apoio ao Patrimônio Cultural da Caixa, que selecionou para este ano 13 projetos de todo o país. Os recursos serão destinados ao projeto “Do Fotograma ao Cinema”, que contempla a recuperação e conservação dos equipamentos cinematográficos do Museu.

Participaram da cerimônia o secretário-adjunto André Kryszczun – que responde interinamente pela Direção do Museu da Comunicação –, a presidente da Associação de Amigos Silvia Galant François e, representando a Caixa Econômica Federal, os superintendentes Danilo Pickrodt (regional) e Pedro Lacerda (executivo).

Projeto valoriza a memória do cinema

A partir da recuperação de uma série de equipamentos antigos que se encontram no Museu, o objetivo do projeto é proporcionar à sociedade gaúcha a possibilidade de conhecer de perto os processos de produção cinematográfica.

O trabalho a ser desenvolvido nos próximos meses prevê exposição permanente destes equipamentos para visitação pública, apresentação de pesquisas históricas, realização de oficinas sobre cinema para crianças e adolescentes, além de sessões comentadas de filmes que fazem parte da coleção do Musecom e que serão, agora, restaurados e digitalizados com recursos do prêmio da Caixa Federal.

Neste processo, os estudantes e público interessado na sétima arte entrarão em contato com as técnicas utilizadas pelos profissionais do cinema, como corte e montagem, uso das moviolas, efeitos de luz e sombra, direção, enquadramento, entre outras etapas de uma produção.

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul




Porto Alegre (RS) – Termina prazo para recorrer de inventário do Petrópolis

Impasse sobre o casario no bairro da Capital se arrasta desde 2014. Marcelo G. Ribeiro/JC

Impasse sobre o casario no bairro da Capital se arrasta desde 2014. Marcelo G. Ribeiro/JC

Termina nesta sexta-feira o prazo concedido pela prefeitura de Porto Alegre para que os moradores do bairro Petrópolis apresentem recurso contrário à medida que define cerca de 400 imóveis como parte do Inventário do Patrimônio Cultural da cidade. Caso não o façam, esses proprietários estarão proibidos de realizar alterações que excedam a lei de estruturação e compatibilização nas residências.

Além de complexo, o caso é antigo. Em janeiro de 2014, a prefeitura, sob administração de José Fortunati, divulgou uma lista que incluiu centenas de imóveis do bairro no inventário, elaborado pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc). Na época, cerca de 200 foram considerados como imóveis de estruturação, que devem ser preservados, e outros 160 como de compatibilização, que têm relevância pela composição do entorno.

Mais tarde, essa primeira lista foi revogada e refeita por duas vezes. Em dezembro do ano passado, coincidentemente o último mês da gestão de Fortunati no governo, os moradores passaram a receber notificações a respeito da inclusão em uma nova lista. “Não nos causou surpresa, foi mais um episódio de uma prática que já vinha ocorrendo”, conta o presidente da Associação dos Moradores do Petrópolis, Fernando Pires.

O problema da decisão da prefeitura é que, no entendimento dos moradores, a inclusão em inventário causa prejuízo, uma vez que “ninguém vai comprar uma casa em que não pode mexer”, conforme afirma Pires. Além disso, a inclusão dos imóveis na listagem provocou uma desvalorização de 70% e, segundo definido por lei, a manutenção do imóvel fica sob responsabilidade do proprietário, sendo que a ele não cabe indenização, como ocorre no processo de tombamento.

Mesmo com o término do prazo de impugnação, Pires garante que os moradores continuarão a lutar por aquilo que consideram como direito deles. A estratégia, agora, é atacar a lei que define o processo de inventário.

Advogado de moradores, Daniel Nichele impetrou mandado de segurança pedindo a anulação do ato de inventário de alguns dos imóveis tendo como causa a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 601/2008 (Lei dos Inventários). Isso porque, durante o período em que corre o processo, duas leis – 743/2014, do vereador Idenir Cecchim (PMDB), e 20/2014, do vereador Mauro Pinheiro (Rede) – foram criadas com finalidade de alterá-la.

No entanto, ambas foram consideradas inconstitucionais por vício de origem, uma vez que esse tipo de alteração só pode ser requerido pelo Executivo. Nichele argumenta que a própria Lei nº 601/2008 foi elaborada por duas vereadoras, Sofia Cavedon (PT) e Margarete Moraes (na época, PT; hoje, afastada da política), fato que, por analogia, a tornaria inconstitucional. “Já obtivemos parecer favorável por parte do Ministério Público. Agora, aguardamos a sessão de julgamento do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul”, explica o advogado.

Para presidente da associação de moradores, ‘bairro está morrendo’

“Do belo que querem preservar, não resta muito.” É assim que Fernando Pires, presidente da Associação dos Moradores do Petrópolis, descreve a situação. Uma vez que o processo segue em andamento desde 2014, o bairro está congelado. Como relata o presidente, há muito o bairro deixou de viver seu fluxo natural de vida. “Vários imóveis estão à venda, outros, alugados. Muitos eram usados como escritórios e, com a crise, foram deixados para trás. Os novos locatários precisam alterar o espaço, como adequações à Lei Kiss, e não podem. Precisam de uma licença da prefeitura, que leva de dois a quatro anos para sair”, descreve.

Para ele, o bairro está morrendo. Para garantir a sobrevivência da região, Pires aposta na medida de Daniel Nichele, advogado de alguns dos moradores, que impetrou mandado de segurança pedindo a inconstitucionalidade da lei de inventários. “Temos a perspectiva de derrubar a lei e, aí, a prefeitura pode ficar livre para fazer novo inventário”, explica.

Além de tudo, o presidente também relata uma dificuldade técnica. “Para fazer a impugnação, o morador precisa saber o motivo pelo qual faz esse pedido. Precisa argumentar que o imóvel não é histórico, que a lei é irregular, entre outros. Mas, até agora, a prefeitura não apresentou os motivos completos, e os critérios que determinam o que foi inventariado são muitos. Se não se encaixa em um, pode se encaixar no outro”, observa.

Para Nichele, o pedido de impugnação é relevante e deve ser feito por todos os moradores que se sintam prejudicados. Com o término do prazo, os pedidos serão analisados para que o resultado seja homologado pelo prefeito. “A partir daí, não há mais recurso administrativo, os proprietários terão de aceitar as normas impostas pela lei”, argumenta. No entanto, o advogado explica que muitos dos clientes já entraram com ações indenizatórias contra a prefeitura. O formulário para o pedido de impugnação está disponível no site da Secretaria Municipal de Cultura (http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php).

Por Suzy Scarton

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Porto Alegre (RS) – Moradores do Centro Histórico querem revitalizar a escadaria da Rua João Manoel

Além de limpar, pintar, grafitar e iluminar a escadaria, a ideia é cultivar uma horta em um terreno adjacente, que hoje está abandonado.

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Um grupo de moradores se mobiliza para revitalizar o que já foi um dos pontos mais charmosos do Centro Histórico: a escadaria que liga a Fernando Machado à João Manoel. Construída no final dos anos 1920 e tombada pelo Patrimônio Histórico, a abandonada travessia hoje abriga usuários de crack em meio a sujeira e pichações.

No dia 8 de abril, será realizada uma reunião com os proprietários das casas ao lado da escada para discutir propostas de ocupação do espaço. Além de limpar, pintar, grafitar e iluminar a escadaria, a ideia é cultivar uma horta em um terreno adjacente, que hoje está abandonado.

— Já conversamos com os donos do terreno, e eles querem a parceria — diz a presidente da Associação das Hortas Coletivas do Centro Histórico, Carmen Fonseca, que sonha com feirinhas e oficinas na escadaria.

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Foto: Júlia Burg / Agência RBS

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Restauro da Praça da Matriz começa na próxima semana

Monumento será analisado por especialistas europeus. JC

Monumento será analisado por especialistas europeus. JC

Localizada no centro político de Porto Alegre, a Praça da Matriz, enfim, passará por um processo de restauração. A intervenção, que deve durar dois anos, tem financiamento garantido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do Ministério do Planejamento. A primeira etapa da requalificação envolve a restauração do monumento a Júlio de Castilhos e será iniciada na semana que vem.

Somente a restauração do monumento deve custar em torno de R$ 1,1 milhão, de acordo com o arquiteto da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), Luiz Merino. “A obra inclui também a plataforma em volta do monumento, as muretas, o piso e a escadaria”, explica. Para análise do dano à obra de arte e para a execução dos trabalhos, foram recrutados especialistas europeus, indicados pelo Iphan. Uma comissão de profissionais da SMC, do Iphan e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente também estará envolvida. O trabalho deve durar oito meses, com conclusão prevista para abril.

Já a requalificação da área da praça como um todo será mais demorada. “Vamos começar a partir do término da primeira etapa, ocorrida em meados de novembro, e deve levar um ano para ser concluída”, calcula Merino. Para essa etapa, será necessário um investimento de R$ 2,81 milhões. “Será realizada uma restauração paisagística. Nada será trocado, tudo vai ser restaurado”, detalha. Os gradis e os bancos, por exemplo, serão retirados para pintura e aperfeiçoamento, e depois, devolvidos à praça.

As pedras portuguesas do piso, que, de acordo com Merino, são de boa qualidade, podem ser reaproveitadas, e as luminárias antigas que estão instaladas no local serão recuperadas. Merino ainda acrescenta que o número de bancos aumentará de 30 para 60.

A verba do PAC Cidades Históricas destinada ao Rio Grande do Sul foi anunciada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013. Jaguarão, Pelotas, Porto Alegre e São Miguel das Missões receberam um total de R$ 151,22 milhões para a execução de 29 projetos de restauração de monumentos históricos.

Por Suzy Scarton

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Porto Alegre (RS) – Museu da Comunicação Hipólito José da Costa não terá mais visitação aberta para o público

A partir de agora, o prédio só poderá ser visitado mediante agendamento prévio.

Museu da Comunicação Hipólito José da Costa. Foto: Reprodução / Ver Descrição

Museu da Comunicação Hipólito José da Costa. Foto: Reprodução

Responsável por salvaguardar uma parte preciosa da memória cultural e histórica do Estado, o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa agora só pode ser visitado mediante agendamento prévio. Enfrentando há muitos anos problemas estruturais que comprometem a integridade física de seu rico acervo, o prédio no Centro Histórico de Porto Alegre abriga jornais, revistas, filmes, áudios, fotografias e peças publicitárias.

O Hipólito junta-se a outros equipamentos culturais da Capital colocados em ponto morto a fim de não colapsarem por completo – em alguns casos, para literalmente não desabarem sobre as cabeças dos visitantes. Acena-se com a restauração completa do belo edifício – um processo que por enquanto se arrasta morosamente e cujo prazo de conclusão é aquele que a cultura conhece bem por aqui: sine die.

Ô, psit, caiu com a estátua grega abaixo: até quando vamos aceitar com resignação que museus, teatros, centros culturais e bibliotecas definhem vergonhosamente até serem obrigados a fechar suas portas? Precisam (quase) morrer para despertar nossa atenção?

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Roger Lerina

Fonte original da notícia: Zero Hora




Guia de Arquitetura de Porto Alegre (RS) apresenta um mapeamento do patrimônio arquitetônico, paisagístico e urbanístico da cidade

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas, registra os exemplares mais representativos, entre edificações da Capital. (Foto: Leandro Selister/Divulgação)

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas, registra os exemplares mais representativos, entre edificações da Capital. (Foto: Leandro Selister/Divulgação)

Porto Alegre, desde sua origem, passou por uma evolução urbana e arquitetônica cujos remanescentes preservados, aliados às novas edificações, permitem vivenciar as marcas de sua trajetória muito além de registros fotográficos e documentais.

Para compor um panorama desse patrimônio, o Guia de Arquitetura de Porto Alegre reúne textos, fotografias e informações sobre 100 obras arquitetônicas, urbanísticas, paisagísticas, históricas e culturais da cidade.

A publicação, com 232 páginas, em três idiomas (português, inglês e espanhol), registra os exemplares mais representativos, entre edificações (como museus, igrejas, estádios de futebol, centros culturais), além de lugares e logradouros, que ilustram o desenvolvimento urbano de Porto Alegre desde sua origem aos dias atuais.

Dentre as obras clássicas e contemporâneas catalogadas no guia, destacam-se a Antiga Provedoria da Real Fazenda (1790, de autoria do Capitão Alexandre José Montanha), o Theatro São Pedro (1858, do arquiteto Philip von Normann), o Paço Municipal (1901, do engenheiro João Antônio Luiz Carrara Colfosco), o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (1912, do arquiteto Theodor Alexander Josef Wiederspahn), o Palácio da Justiça (1953, dos arquitetos Luis Fernando Corona e Carlos Maximiliano Fayet) e a Fundação Iberê Camargo (2003, projetado por Álvaro Siza).

O projeto é dos arquitetos Vlademir Roman e Rodrigo Poltosi  e conta com o patrocínio da Savar por meio do financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister.

Lançamento

O lançamento será realizado no IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) RS (Rua General Canabarro, 363 – Centro Histórico) no dia 29 de março, às 19h30min, com uma exposição fotográfica.

Antes da sessão de autógrafos os autores vão ministrar a palestra “Arquiteturas de Porto Alegre: Um guia”. O evento integra o projeto Quarta no IAB.

O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister. (Foto: Divulgação)

O guia, editado pela Escritos editora, tem design gráfico e fotos de Leandro Selister. (Foto: Divulgação)

Fonte original da notícia: O Sul




Fonte Talavera ‘toma banho’ antes do aniversário de Porto Alegre (RS)

FOTO Brayan Martins/ PMPA - Jornal do Comércio

FOTO Brayan Martins/ PMPA – Jornal do Comércio

Antes do aniversário de Porto Alegre, que será comemorado no domingo (26), alguns monumentos e prédios do patrimônio histórico passam por uma limpeza geral. A Fonte Talavera, que fica em frente ao Paço Municipal, no Centro da Capital, recebeu um banho geral na semana passada. O prédio do Paço também passou por uma faxina externa pelas equipes da Secretaria de Limpeza Urbana. A fonte foi presente da Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos, nos 100 anos da Revolução Farroupilha, em 1935. Em 2000, o monumento foi restaurado. Em 2005, a bacia acabou quebrada em manifestação de carroceiros.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio