Iphan aprova projeto de reconstrução de viaduto no Eixão Sul, em Brasília (DF)

Governo teve de apresentar segundo desenho; instituto disse que o primeiro feria o tombamento. Local está isolado desde fevereiro.

Parte do viaduto Galeria dos Estados, no Eixão Sul, desabou na região central de Brasília, sem deixar nenhum ferido. Duas das três vias que seguem no sentido sul despencaram. O Eixão Sul teve o trânsito interrompido nos dois sentidos. Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Distrito Federal (Iphan) aprovou nesta quinta-feira (24) o novo projeto para reconstruir o viaduto do Eixão Sul, em Brasília. Este foi o segundo desenho apresentado pelo governo.

Com isso, o governo fica autorizado a fazer a licitação para reconstruir a obra. O local da queda do viaduto está isolado desde o dia do desabamento, em 6 de fevereiro.

O primeiro desenho apresentado pelo GDF tinha sido barrado porque o Iphan entendeu que ele feria o tombamento da cidade, uma vez que o tamanho dos pilares do viaduto era diferente do original.

De acordo com o governo, o desenho novo é um “meio termo” entre o desenho original do viaduto, defendido pelo Iphan, e a versão inovadora apresentada inicialmente.

Acesso negado

Desde a última segunda (21), o G1 tenta acesso ao desenho da nova proposta. O governo do Distrito Federal, sem respaldo da legislação, negou o compartilhamento da informação.

Além do pedido às assessorias de imprensa, o G1 protocolou requerimento formal via Lei de Acesso à Informação. A lei distrital que regulamenta o assunto, de 2012, prevê que o poder público deve “autorizar ou conceder o acesso imediato à informação disponível”.

Apesar disso, o governo diz estar “avaliando” a demanda feita pela reportagem. Até as 15h desta quinta, nenhum detalhe do novo desenho do viaduto da Galeria dos Estados tinha sido divulgado.

Por Gabriel Luiz

Fonte original da notícia: G1 DF




Projeto vai colocar QR code em imóveis históricos de Curitiba (PR) com detalhes das construções

Projeto da UTFPR está catalogando o patrimônio histórico de Curitiba e disponibilizando todas as informações em portal.

Foto: Arquivo/Gazeta do Povo/Antonio More

Projeto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) está catalogando o patrimônio histórico de Curitiba e disponibilizando todas as informações neste site. O portal está sendo alimentado aos poucos com todas as pesquisas realizadas desde 2011 por mais de 560 alunos, liderados pelas arquitetas Giceli Portela e Iaskara Florenzano. No futuro próximo, a intenção é instalar QR code em frente a todas as construções, em um azulejo, para as pessoas terem acesso à história completa da edificação em tempo real de interesse.

As pesquisas históricas, de fotografia, desenho e maquete já se debruçaram sobre o São Francisco, com especial atenção para as ruas Trajano Reis, Paula Gomes e Saldanha Marinho, casas de madeira, casas modernistas e praças centrais, como a Tiradentes e a Eufrásio Correia.

A intenção é que o material disponibilizado, que ultrapassa 400 obras, esteja em uma linguagem acessível para todos, e não apenas em jargão técnico para arquitetos e profissionais de restauro. Agora os estudantes e os professores se dedicam a esmiuçar o patrimônio industrial do Rebouças.

O primeiro QR code já foi instalado no imóvel sede da UTFPR, que é uma Unidade de Interesse de Preservação de Curitiba (UIP).

Por Luan Galani

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Sítio Histórico de Olinda (PE) ganha novas cores com o projeto Pinte seu Patrimônio

Trabalho é fruto de uma parceria entre Prefeitura e moradores.

Foto: Anderson Olinda

O Sítio Histórico de Olinda vem ganhando novas cores, reforçando ainda mais a importância de sua preservação. O projeto “Pinte seu Patrimônio”, desenvolvido pela Prefeitura da cidade, já proporcionou a revitalização em diversos imóveis, enchendo as ruas de beleza e incentivando os moradores. Desta vez, foi a casa de número 165 da tradicional Rua do Amparo que teve a fachada requalificada, incluindo também revestimentos, portas e janelas. Os interessados podem realizar o cadastro gratuitamente e receber a equipe em seu endereço para promover essa transformação.

A aposentada Alberlita Maria, de 78 anos, foi a contemplada do mês de maio no projeto e se mostrou satisfeita. “Achei a iniciativa fantástica. Não precisei contratar pintores e assim economizei. A minha casa ficou linda e cheia de vida, trouxe um novo visual e mais alegria para toda a minha família”, avaliou. O trabalho conta também com o auxílio de engenheiros, arquitetos e especialistas em patrimônio, sempre focados em manter as características originais. Com a medida, o poder público entra com a mão de obra e o morador com os materiais, estabelecendo uma parceria. Os técnicos acompanham a execução do início ao fim, fornecendo também orientações sobre a devida manutenção.

De acordo com o coordenador do projeto, Antônio Eduardo, a ação consegue ir além da pintura. “Quando somos acionados, uma equipe vai até o imóvel para realizar um diagnóstico estético. Além das tintas, podemos executar toda a recomposição da fachada, como reboco, pisos e revitalização da pedraria existente. O objetivo é de fazer o melhor” explicou. Conforme o técnico, o processo inclui também uma projeção computadorizada, com a aplicação de diversas tonalidades, dentro de seu contexto histórico. “O morador também pode acompanhar a esse processo e escolher de acordo com suas necessidades. A ideia é de promover um verdadeiro resgate”, disse.

Inscrição

Os interessados no projeto “Pinte o seu Patrimônio” podem realizar a inscrição presencialmente na sede da Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda, localizada na Rua de São Bento, 160, no bairro do Varadouro. Informações também podem ser obtidas por meio do telefone (81) 3439.1988.

Por Marcílio Albuquerque

Fonte original da notícia: Portal da Prefeitura Municipal de Olinda




MP questiona falta de projeto para reforma de edifício histórico de Ribeirão Preto (SP)

Promotor entrou com ação civil para que Santa Casa inicie reforma somente após autorização do Condephaat. Hospital garante que vai tomar as medidas necessárias.

Edifício Diederichsen, no Centro de Prédio histórico de Ribeirão Preto. Foto: Reprodução / EPTV

O Ministério Público ajuizou uma ação civil contra a desapropriação do Edifício Diederichsen, primeiro grande prédio de Ribeirão Preto (SP), que pertence à Santa Casa e será restaurado para se transformar em um centro cultural.

O promotor de Justiça Ramon Lopes Neto argumenta que o hospital ainda não apresentou nenhum projeto de reforma, o que deixa dúvidas sobre a garantia de que o prédio construído há 82 anos no Centro terá suas características originais preservadas.

Lopes Neto defende que, antes de ser feita, a reforma seja aprovada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado, que tombou o edifício na Rua General Osório, em 2009.

Em nota, a Santa Casa comunicou ainda não ter sido notificada sobre a ação, mas diz que tomará as medidas cabíveis. O hospital também garantiu que nenhuma reforma será feita sem autorização do órgão de defesa do patrimônio estadual.

Quarteirão Paulista com edifício Diederichsen ao fundo nos dias atuais. Foto: Clayton Castelani/G1

“Até mesmo para tranquilizar a todos, [A Santa Casa] reafirma seu compromisso, já público, de que não iniciará nenhuma reforma ou restauração de áreas tombadas do Edifício Diederichsen sem prévia e expressa aprovação do Condephaat, ressalvando as obras de manutenção ordinária que se fizerem necessárias”, informou.

Moradores e comerciantes que ocupavam o Edifício Diederichsen foram notificados a deixar o imóvel até o final de julho do ano passado.

A Santa Casa, que recebeu o imóvel por doação, alega que é preciso reformar o Edifício Diederichsen por se tratar de uma obra histórica e tombada como patrimônio público.

No ano passado, a direção informou que já existiam planos de iniciar as reformas e que alguns projetos estavam em andamento, dentre os quais um com a possibilidade de transformar o espaço em um centro cultural.

Fonte original da notícia: Jornal da EPTV 2ª Edição




Projeto valoriza patrimônio histórico de Santa Rosa (RS)

Comissão de Terras, no centro de Santa Rosa, recebeu a identificação | Foto: Felipe Dorneles / Especial / CP

Cinco prédios considerados patrimônio histórico e cultural de Santa Rosa receberam identificação digital. Essa é a última etapa do projeto Pontos de História, que desenvolveu documentários sobre cada um dos locais e disponibilizou na Internet. A Estação Férrea de Cruzeiro, Colégio Santa Rosa de Lima, Prefeitura Antiga – Centro Cultural, Estação Férrea de Santa Rosa e Comissão de Terras foram eleitos pela comunidade em votação on-line.

Além da identificação, um Código QR permite que o visitante acesse por celular um documentário. O vídeo da Comissão de Terras, por exemplo, revela que este foi um dos primeiros prédios da cidade e onde os imigrantes buscavam oportunidades. Hoje, abriga escritórios da Secretaria Estadual da Agricultura.

A equipe também está à disposição de escolas para falar sobre patrimônio histórico e o documentário. Várias palestras já foram realizadas. “Esse será o grande ganho do projeto, fazer com que a população se aproprie dessas histórias e sinta-se pertencente ao legado construído ao longo dos anos”, destaca o jornalista Anderson Farias, proponente e coordenador-geral do Pontos de História. Ele diz que a população tem recebido bem a ideia. O projeto é custeado pelo Fundo Municipal de Cultura.

Por Felipe Dorneles

Fonte original da notícia: Correio do Povo




Novo projeto de restauração do Teatro Grande Otelo é apresentado em Uberlândia (MG)

Audiência para apresentação ocorreu na noite de terça-feira (13). Secretaria de Cultura reforçou que proposta acata decisão judicial e recomendações do Ministério Público.

Teatro Grande Otelo em Uberlândia deve ser restaurado em breve conforme prazo judicial. Foto: Caroline Aleixo/G1

O projeto arquitetônico para restauração e adaptação do Teatro Grande Otelo, no Bairro Nossa Senhora Aparecida, foi apresentado durante a noite de terça-feira (13) pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) de Uberlândia. A proposta acata recomendações do Ministério Público Estadual (MPE) e a decisão judicial que determinou o início das obras até agosto deste ano.

Além da secretária de Cultura, Mônica Debs, estiveram presentes no encontro membros do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Cultural de Uberlândia (Comphac) e representantes da classe artística da cidade.

Entre as propostas apresentadas pelos arquitetos responsáveis pelo projeto estão a mudança na angulação da plateia para melhor visualização, redução da altura do palco em 88 centímetros e inserção de pontos com acessibilidade como rampa de acesso na entrada lateral do prédio.

Em consonância às recomendações da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico E Cultural; Patrimônio Cultural, a fachada e características da entrada principal, via Avenida João Pinheiro, serão mantidas. A sala de teatro deverá receber reforços de alvenaria e, no caso das paredes que não aceitam o reforço, será feita a demolição para serem reconstruídas.

O projeto também sugere um painel do ator Grande Otelo anexado na lateral do teatro. Durante a reunião, Debs informou que o projeto será submetido para análise do Ministério Público e, depois de aprovado, será feita a licitação da obra que será custeada parcialmente com recursos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Entenda

O teatro foi interditado pela em 2011 depois que o MPE ajuizou ação solicitando o tombamento do prédio como patrimônio histórico e a interdição do local.

O Ministério Público constatou que o teatro estava abandonado e com risco de demolição, sendo necessário que a arquitetura fosse preservada. A decisão judicial em primeira instância foi proferida em 2015.

Na ocasião, o juiz João Ecyr determinou que a administração municipal começasse a promover a restauração do prédio no prazo de 180 dias, contados a partir da publicação da sentença. Na época, o Município pediu prorrogação do prazo e chegou a apresentar o projeto à Promotoria de Justiça, que não foi acatado.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) estabeleceu 18 meses para a Prefeitura começar a fazer as obras e esse prazo está valendo desde a publicação da decisão final, que foi em fevereiro de 2017.

O Município foi procurado para conceder entrevista sobre o assunto, porém não houve retorno até a publicação desta reportagem. O G1 também entrou em contato com o promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural, mas ele estava em audiência na manhã desta quarta-feira (14).

Valor histórico e arquitetônico

A construção do Cine Vera Cruz, que posteriormente passou a abrigar o Teatro Grande Otelo, faz parte do processo de urbanização da Vila Operária ocorrido na década de 60 e onde atualmente é o Bairro Aparecida.

Construído em 1966, o prédio foi projetado pelo engenheiro Nelson Gonçalves Prado e não obedeceu a nenhum estilo arquitetônico específico. Em 1993, passou a ser chamado de Teatro Grande Otelo em homenagem à personalidade das artes cênicas brasileiras, nascida em Uberlândia e conhecida nacionalmente por atuações em filmes humorísticos.

A edificação constitui-se de dois pavimentos, com volumetria em um bloco retangular único, implantado em um terreno na esquina da Avenida João Pinheiro com a Rua Monte Alegre. O prédio, que ocupa quase toda a área de 800 m², não apresenta recuos frontais ou laterais e tem capacidade para 300 lugares.

Por Caroline Aleixo

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro com informações do MGTV 




Rio Grande (RS) – Enquanto projeto é discutido, comunidade toma iniciativa de revitalizar Molhes da Barra no Cassino

Grafiteiro pintou por conta própria a estrutura de concreto que marca o fim do passeio de vagoneta. Dois arquitetos querem construir um complexo turístico no local, com mirantes, restaurante e um museu.

Reprodução/Internet. G1

Um grafiteiro resolveu dar mais cor aos Molhes da Barra, na praia do Cassino, em Rio Grande, onde são feitos os passeios de carrinhos à vela, as vagonetas. Ele recebeu ajuda com as tintas e, por conta própria, pintou estruturas de concreto no local. É a segunda vez que ele faz os grafites.

A iniciativa de Guilherme Gerundo ocorre enquanto uma comissão formada por representantes do governo estadual, do município, sindicatos e empresários discute a ideia de dois arquitetos que querem revitalizar a área. Eles projetam a construção de um complexo turístico, com mirantes, restaurante e um museu que vai contar a história da região, além de um centro para turistas.

O projeto ainda precisa de estudo de viabilidade, licenciamento ambiental e recursos.

“A ideia é sempre manter mais colorido, porque a tinta vai trazer mais visibilidade, traz mais vida para o ambiente”, diz Guilherme. Os grafites que ele fez no local em 2015 já estavam apagados.

Artista tomou iniciativa de fazer grafites no fim do passeio nos Molhes da Barra. Foto: Reprodução/RBS TV

A pintura do artista está no fim do passeio, onde existe uma escultura de leão-marinho e um mirante, que foram feitos pelos próprios vagoneteiros.

“O Porto colocou isso aí e a gente resolveu dar uma melhorada para o pessoal subir, olhar, porque não tinha nada. Então a gente resolveu dar esse toque aí para dar uma melhorada”, conta Antônio Sidnei Loureiro de Sá.

O passeio de vagoneta percorre quatro quilômetros pelos molhes da barra, formado por pedras que, antigamente, eram transportadas de trem pelos trilhos onde hoje passam os carrinhos à vela. É uma das maiores obras de engenharia oceânica, costruída para facilitar a entrada e a saída de navios do porto.

Passeio de vagonetas é principal atração turística da região. Foto: Reprodução/RBS TV

O resultado tem agradado visitantes. “Eu nunca tinha vindo aqui, achei muito legal ver os golfinhos lá que passaram. E eu gostei do leão-marinho, amei”, diz Ana Carolina Paz Viegas, de 8 anos. “É bonito demais, né?”, comenta o caminhoneiro Tarcísio Ferraza.

O problema é que falta estrutura na região, como banheiros e lugar para fazer refeições.

“Ele já é um atrativo hoje, ocorre é que nós não temos nenhuma estrutura. Os vagoneteiros, com alguma dificuldade, fazem o seu trabalho, têm uma associação, mas eu acho que nós podemos potencializar isso, esse passeio que hoje existe lá, e nós podemos organizar os molhes da barra”, diz o presidente da Comissão de Emprego e Renda, Renato Silveira.

Os passeios de vagoneta existem há 50 anos. Desde 2016, os carrinhos e os vagoneteiros da barrar do Porto de Rio Grande se tornaram patrimônio histórico cultural do estado. Os preços do passeio variam entre R$ 10 e R$ 50.

Leão-marinho é atração para crianças nos Molhes da Barra. Foto: Reprodução/RBS TV

Fonte original da notícia: G1 – RBS TV




Projeto inédito fará inventário do patrimônio histórico do PR começando por Antonina

Projeto-piloto do MP-PR quer catalogar o patrimônio histórico de Antonina e fortalecer o vínculo do município com sua comunidade.

Foto: Antônio More/Arquivo/Gazeta do Povo

Reconhecer e preservar a história de Antonina ao mesmo tempo em que se fortalece o vínculo do município com sua comunidade. Este é o objetivo do projeto-piloto encabeçado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) em parceria com a FAE Centro Universitário e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Batizado inicialmente de Projeto de Proteção do Patrimônio Histórico de Antonina, ele prevê o levantamento do patrimônio histórico da cidade do litoral paranaense e a realização de ações educativas com o intuito de munir e facilitar o acesso da população às informações sobre as características e a história dos prédios que compõem a cidade onde vivem.

“É uma atribuição nossa a preservação do patrimônio histórico e cultural, que também está prevista na Constituição Federal. Antonina é uma cidade com muitas questões desta ordem, então propus à Doutora Nicole [Mader Gonçalves, ex-promotora de Antonina] que fizesse um projeto-piloto para que nós o adotássemos como ponto de partida de uma atuação mais prática e menos teórica. Ou seja, de não ficarmos apenas naquele fazer pontual, de quando ocorre alguma denúncia”, conta o procurador Alberto Vellozo Machado, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça, de Proteção ao Meio Ambiente e de Habitação e Urbanismo do MP-PR.

Assim, a proposta do projeto é criar uma espécie de arquivo público que liste quais são os prédios/paisagens tombados na cidade e catalogue as informações sobre eles.

“Queremos reconhecer junto com a comunidade quais são as unidades de interesse cultural da cidade para que ela possa saber qual é o seu patrimônio e acompanhar o estado de conservação dele – se os prédios foram ou não restaurados ou se precisam de restauro”, explica a arquiteta e urbanista do Centro de Apoio do MP-PR, Laura Esmanhoto Bertol. “Também vamos investir na educação patrimonial por meio de ações com os alunos e professores das escolas do município”, acrescenta.
Levantamento

O trabalho de campo, que se refere ao levantamento de quais são e do estado de conservação das edificações de interesse patrimonial em Antonina, será realizado em parceria com as universidades. Tendo como base o inventário do patrimônio histórico de Antonina organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Paraná (Iphan-PR), os alunos irão atualizar as informações referentes aos imóveis em disciplinas e projetos de extensão.

“Um dos maiores desafios que temos para formar bons profissionais é trazer o ensino da Arquitetura e do Urbanismo para a prática. Possibilitar aos alunos participarem de um projeto de extensão como este representa um salto muito significativo no seu desenvolvimento [como profissionais]”, avalia a Adriane Cordoni Savi, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAE.

O início dos trabalhos de campo está previsto para março de 2018, após o início do ano letivo. A previsão é a de que até setembro esta primeira etapa do projeto-piloto esteja finalizada para que, então, os dados sejam organizados e disponibilizados à população por meio do site do Ministério Público.

“A intenção também é criar um aplicativo para que as pessoas possam conhecer a história e denunciar casos de abandono do patrimônio histórico”, acrescenta Adriane. “Este banco poderá servir de base de dados do próprio município, do Ministério Público e de órgãos de controle, como a Secretaria da Cultura e o Iphan, para que tenhamos [as informações] e possamos corrigir os problemas”, completa Machado.

Ainda segundo o procurador, e a partir da conclusão das etapas do projeto-piloto de Antonina, a ideia é a de que ele possa ser replicado em outros municípios do estado. “Prever exatamente quais são todos os resultados deste trabalho é um pouco difícil. Mas o desdobramento de um projeto deste só pode ser positivo. Nossa utopia é que ele se torne atividade normal de qualquer Promotoria de Justiça que esteja em face, principalmente, de áreas com patrimônio histórico-cultural mais evidente. É uma meta bem ambiciosa”, afirma o procurador.

Por Sharon Abdalla

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Brasília (DF) – Câmara do DF aprova projeto que torna Cine Drive-in patrimônio cultural

Pauta foi para mesa do governador, que decide se sanciona ou veta. Na prática, seria considerado crime ‘destruir ou inutilizar’ cinema ao ar livre, explica consultora legislativa.

Letreiro do Drive-in. Foto: TV Globo/Reprodução

Único na América Latina, o Cine Drive-in de Brasília está prestes a se tornar patrimônio cultural. Um projeto de lei que dá este status ao cinema foi aprovado na Câmara Legislativa no fim de novembro. Agora, ele vai para a mesa do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que vai decidir se sanciona ou veta o projeto.

Na prática, isso significa que foi criada uma proteção para o cine na Asa Norte, com área de 15 mil metros quadrados. É o que explica a consultora legislativa Romina Capparelli.

“Apesar de não ter o nome ‘tombamento’ na lei, ele foi inscrito como patrimônio cultural, mas por conta da lei de crimes ambientais, a partir da sanção da lei, se torna crime destruir ou inutilizar, fazer qualquer alteração que altere a integridade do Cine Drive-in”, declarou.

Nos 44 de história, no entanto, o risco de ter de encerrar as atividades chegou a ser iminente. “Eu já tinha ouvido falar. Sabia que ele tinha chance de fechar há um tempo atrás”, disse o estudante Pedro Souza. A iniciativa para proteger o Drive-in veio de um abaixo-assinado entregue à Câmara.

“Esse cinema faz parte de várias gerações. Muita gente achou que esse cinema tinha acabado, então descobriu que não”, conta o cineasta Cláudio Moraes, que fez um documentário sobre o cine e sua tela de 312 metros quadrados – a maior do país.

Responsável pelo cinema, Marta Fagundes comemorou. Mas já prevê novidades no local. “A gente precisa revitalizar. Eu acho que o Cine Drive-in há dois anos passou por uma grande revitalização no sistema de projeção porque senão ele teria fechado mesmo, que foi da projeção analógica para digital. E agora a gente precisa revitalizar mesmo o espaço físico: banheiros, bilheteria, modernizar mais.”

Fonte original da notícia: G1 DF




Casarão tradicional de Cuiabá (MT) está abandonado e em ruínas

Casa de “Dona Bem Bem” era um referência na cuiabania; projeto de reforma não foi adiante.

Foto: Alair Ribeiro/MidiaNews

A chamada “Casa de Bem Bem”, na Rua Barão de Melgaço, era conhecida pelos cuiabanos como um lugar alegre e receptivo em meados dos anos 60 e 70. Porém, o tradicional casarão que chegou a sediar as festas de São Benedito, no centro da Capital, hoje está em ruínas e serve de refúgio para assaltantes e usuários de drogas.

“Dona Bem Bem” era o apelido de Constança Figueiredo Palma, uma típica cuiabana de pé rachado e muito carismática que nasceu em 1919 e morreu em 1990, aos 71 anos.

Mais nova de 13 irmãos, ela é mãe do ex-prefeito de Cuiabá Rodrigues Palma.

Nesta semana, a reportagem esteve no local e constatou que o imóvel está totalmente destelhado, com as paredes caindo. As portas estão emperradas e podres, e o quintal, uma das atrações do lugar em seus áureos tempos, está tomado por entulhos e mato.

Vizinhos do casarão relataram que, por causa do descaso, o lugar está sendo ocupado por usuários de drogas.

Um morador de rua, que é conhecido da Praça da Mandioca, estava pegando mangas no quintal quando a reportagem entrou na casa, na terça-feira (14). Também foram encontrados alguns objetos pessoais, como roupas e até mesmo uma garrafa de cerveja.

Para Constança Palma, xará e filha de “Dona Bem Bem”, o abandono do imóvel é um desrespeito com todos os cuiabanos devido à sua história. “Aquela casa já recebeu muitas pessoas importantes. Minha mãe nasceu, foi criada e morreu lá. Isso não se faz. Temos muito carinho por aquela casa”, disse muito emocionada.

A filha mais nova de “Dona Bem Bem” cresceu na casa e conta que o local era repleto de alegria. “A casa estava sempre cheia, desde pessoas importantes até aquela mais simples, porque a minha mãe era querida por todos”, relembrou.

O casarão ficou muito conhecido exatamente pela figura de “Dona Bem Bem”. “Ela foi uma mulher incrível. Tinha uma simplicidade linda e era sempre muito feliz. A minha mãe sempre foi muito solidária, atendia a todos que precisavam. Sempre dava um jeito de ajudar o outro”, relatou Constança.

A antiga proprietária relembra as grandiosas festas de São Benedito que passaram a acontecer no casarão da família. “No final dos anos 60, os festeiros pediram para minha mãe para que pudessem começar a fazerem as comemorações lá. Foram feitas umas sete festas”.

Ela conta que as festas duravam dias e traziam gente de todos os cantos da cidade. “A preparação começava um mês antes e as festividades aconteciam por três dias. Aí vinha gente da periferia, da elite, gente de todo jeito”.

“Esse lugar faz parte da memória de Cuiabá. É uma vergonha isso que está acontecendo”, protestou Constança.

O projeto de revitalização

Em 2012, a família Palma assinou um termo de comodato destinando o imóvel à Secretaria de Estado de Cultura para que fosse criado ali o Centro Cultural Nho Nho de Manduca – Casa de Bem Bem.

De acordo com o documento a que a reportagem teve acesso, a administração, manutenção e segurança da casa ficaram sob responsabilidade da Secretaria.

Constança Palma informou que o imóvel foi destinado à Secretaria porque a família não estava tendo mais condições de cuidar do espaço. “Nós doamos a casa sem receber um tostão, exatamente para conservar a casa porque a gente não estava mais conseguindo”, disse.

Contudo, Constança denunciou que o Governo não cumpriu com a sua parte no combinado. “Entregamos uma casa para o Governo e hoje está um tapera”, relatou com lágrimas nos olhos.

Ela se diz arrependida de ter feito o acordo. “Se a gente soubesse que chegaria nesse estado, jamais teria entregue a casa”, revelou.

Em 2016, a revitalização do casarão passou a fazer parte do PAC Cidades Históricas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) junto com a Prefeitura de Cuiabá.

Segundo o Iphan, o projeto foi orçado em R$ 2.150.648,25 e deveria ser executado pela empresa X Nova Fronteira Construções, que ganhou a licitação da Prefeitura.

Constança acusa os órgãos públicos de negligência. “O Governo, o Município e Iphan são incompetentes e irresponsáveis porque deixaram nesse estado. E a gente fica com cara de besta”, lamentou.

O outro lado

A assessoria da Secretaria de Estado de Cultura negou ter qualquer responsabilidade na manutenção da Casa de Bem Bem.

A Secretaria informou que, em 2012, após o termo de comodato, assinou um termo de permissão de uso de bem imóvel com o Instituto Ciranda. Segundo a assessoria, esse contrato dava permissão de uso para a realização de ações culturais por cinco anos.

Conforme a Secretaria, caberia ao Instituto Ciranda todos os custos inerentes à manutenção do imóvel e reparação de danos.

A Secretaria disse que o termo não foi renovado por conta da obra de restauração do projeto do Iphan com a Prefeitura.

Já a assessoria do Iphan passou todo o encargo das obras para a Prefeitura.

Já a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SMCET) alegou que as obras de revitalização seriam de responsabilidade da empresa X Nova Fronteira.

A reportagem não conseguiu contato com a empreiteira.

Por Bianca Fujimori

Fonte original da notícia: Mídia News