Porto Alegre (RS) – “Novo PAC” prevê mais R$ 9,9 milhões para o Mercado Público

Recursos do Iphan seriam investidos em reformas de infraestrutura na parte não atingida pelo incêndio.

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Quatro anos depois do incêndio que ainda mantém o Mercado Público parcialmente interditado, o governo federal anunciou o repasse do restante dos recursos prometidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a restauração de um dos pontos mais conhecidos de Porto Alegre. Para receber os R$ 9,9 milhões, por meio do Programa Avançar, porém, há um longo caminho burocrático. Além disso, a verba não será suficiente para a completa recuperação do prédio histórico — que precisa de manutenção mesmo na parte não atingida pelo fogo.

Mesmo que o Mercado não seja um prédio tombado pelo Iphan — apenas pelo município —, o instituto havia prometido R$ 19,5 milhões para ajudar na restauração — para ficar como novo, o prédio precisaria de R$ 33 milhões, estima a coordenadora do PAC Cidades Históricas em Porto Alegre, Briane Bicca. As verbas anunciadas permitem levar a restauração a sua terceira etapa. A parte atingida pelo fogo já foi restaurada, e a cobertura metálica danificada já foi trocada.

— Os R$ 9,9 milhões não dão nem para a metade, mas são uma boa notícia. Teremos de escolher prioridades. Há uma série de questões elétricas, o esgoto é uma tragédia, tem que fazer o PPCI — enumera Briane.

Agora, será a vez de itens estruturais, que serão detalhados na revisão do projeto. No momento, a prefeitura elabora mudanças orçamentárias para adequá-lo às regras do PAC Cidades Históricas. Depois de o novo orçamento ser aprovado pela superintendência do Iphan no Rio Grande do Sul, será encaminhado a Brasília. Só então será preparada uma licitação — ou até mais de uma —, que passará pelo crivo da Procuradoria-Geral do Município (PGM).

— Acredito que o dinheiro possa ser liberado em até seis meses. Fim de ano é época de encerramento do planejamento financeiro do poder público. As liberações só devem voltar a ocorrer em janeiro — explica a superintendente do Iphan no Estado, Juliana Inês Erpen, que destaca a sintonia do órgão com a prefeitura.

Para liberar segundo andar, permissionários bancarão PPCI

Com a demora para acabar com a interdição parcial, a Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc) firmou, em setembro, um acordo com a PGM em que se comprometia a custear as intervenções necessárias para a obtenção do plano anti-incêndio e conseguir a liberação do segundo piso pelos bombeiros. De acordo com as duas entidades, o acordo será mantido, reservando os novos recursos para outras obras estruturais.

Para a obtenção do Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI), seria necessário construir um reservatório de 36 mil litros de água no subsolo do Mercado Público e conectá-lo aos hidrantes do entorno, instalar duas escadas metálicas novas e reformar outras duas e realocar as escadas rolantes, além de outras intervenções menores. O valor gira em torno de R$ 1,5 milhão. Na PGM, o entendimento é de que nada muda em relação ao acordo, que também serve para quitar uma dívida da Ascomepc com a prefeitura, decorrente de ações trabalhistas da época em que a associação geriu o Mercado Público.

— Conseguimos linhas de crédito com o Banrisul para cada permissionário, proporcional à área de uso. Ainda estamos buscando outras alternativas por meio da Lei de Incentivo à Cultura e da Lei Rouanet. É um processo que já está em andamento. Dentro de 90 dias, devemos começar a execução — revela o vice-presidente da Ascomepc, Sérgio Lourenço.

O coordenador da Memória Cultural da prefeitura, Eduardo Hahn, reforça que a verba a ser liberada não tem relação com o plano anti-incêndio e será destinada a outras necessidades também urgentes:

— São 14 projetos no total para melhorias hidrossanitárias, recuperação das coberturas metálica e de cerâmica que não pegaram fogo, além de calhas — relata.

Até agora, já foram investidos na recuperação do Mercado Público, que não é tombado pelo patrimônio histórico, R$ 9,6 milhões oriundos do Iphan e cerca de R$ 4 milhões pagos pelo seguro contra incêndio. A verba custeou o restauro completo da parte queimada, a recuperação da estrutura metálica da cobertura sinistrada e a elaboração dos projetos complementares para todo o mercado, que contemplam instalações elétricas de média e baixa tensão, telecomunicações, para-raios, instalações hidrossanitárias, reservatório de hidrantes, prevenção e combate a incêndios, climatização e exaustão.

Por Bruno Moraes

Fonte original da notícia: Zero Hora




MG – Estudantes da UFJF auxiliam na construção de capela e restauração de fazenda na Zona da Mata

Demandas em Juiz de Fora e Ubá contribuem para a melhoria nos espaços. Projetos são orientados por professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da instituição.

Fazenda Pedra Redonda, em Ubá, protegida por um decreto de tombamento. Foto: UFJF/Divulgação

Os alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) participam de projetos de extensão que atendem às demandas populares de diversas cidades da Zona da Mata. Os estudantes prestam apoio técnico à comunidade externa e a órgãos públicos.

O trabalho é orientado pelo professor Fábio Lima, do Grupo de Pesquisa e Extensão Urbanismo em Minas Gerais. Atualmente, dois projetos extensionistas são desenvolvidos pelo grupo: a construção da Capela de Santa Rita, em Juiz de Fora e o amparo técnico à Fazenda Pedra Redonda, em Ubá.

O primeiro é intermediado pelo padre Luciano Bonatto, que disse que o trabalho está trazendo bons resultados. “Os estudantes trouxeram uma proposta de construirmos a capela em formato de anfiteatro, pois assim não ficaria tão caro nivelar o terreno, que apresenta um declive”, afirmou.

No caso da Fazenda Pedra Redonda, que é protegida por um decreto de tombamento, o grupo fez visitas técnicas ao patrimônio, levantamentos fotográficos e análises documentais. O projeto extensionista é fruto de uma parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na qual os acadêmicos prestam apoio técnico ao órgão.

De acordo com a estudante Lara Scanapieco, o homem foi responsável, em parte, pela degradação do imóvel. “Constatou-se que, além da degradação provocada pelo tempo, que é um processo natural, houve ação humana. Retiraram intencionalmente esquadrias e telhas para acelerar o processo de deterioração da fazenda”, disse.

Para o professor Fábio Lima, as experiências práticas dos alunos nos projetos de pesquisa e extensão enriquecem as discussões do grupo de estudos, mas também contribuem com a população.

“Temos a oportunidade de atendermos às demandas da comunidade, que é a principal afetada pelos transtornos dos espaços urbanos e criarmos novas alternativas”, concluiu.

Fonte original da notícia: G1 Zona da Mata




Aracati (CE) – Audiência Pública discute restauração da Igreja Nosso Senhor do Bonfim

A Prefeitura do Aracati, por meio das Secretaria de Infraestrutura e de Turismo e Cultura, juntamente com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), realiza nesta sexta-feira (17), uma audiência pública com o objetivo de debater a restauração da Igreja Nosso Senhor do Bonfim. A reunião acontece a partir das  10h, no Salão Nobre do Paço da Liberdade (Sede da Prefeitura).

De acordo com Secretário de Infraestrutura, Cláudio Nelson, a intenção dessa restauração é a conservação da infraestrutura física da igreja, mantendo todas as suas características originais, obviamente conservando o patrimônio público, já que a mesma tem uma representatividade muito grande para o município: “Através dessa ação vamos poder conservá-la e garantir para os frequentadores um ambiente muito mais zelado, fazendo com que as pessoas se sintam apropriadas do patrimônio público também”, explica.

A audiência, será realizada na forma de apresentação e manifestações verbais e conduzida pelo arquiteto e urbanista Carlos A. C. Cunha, com participação de técnicos da Prefeitura, do IPHAN, representantes da Igreja Católica, historiadores e a comunidade em geral: “Nós esperamos contar com um grande número de pessoas, para que possamos explicar toda a concepção do projeto, com o propósito de debater esse assunto com a opinião pública e levá-lo ao conhecimento de todos”, esclarece ainda o Secretário.

Para o prefeito Bismarck Maia, essa restauração é necessária pela própria condição atual do equipamento: “É uma necessidade garantir à população a conservação arquitetura e das características históricas dos prédios existentes em nossa cidade, para que as pessoas possam se sentir mais confortáveis e mais seguras dentro da Igreja ao mesmo tempo que preservamos todo o legado cultural e afetivo que essas obra tem e, a parceria com o Governo Federal, através do IPHAN, está nos permitindo isso”, explica o gestor.

Segundo Padre Antônio Ronaldo Vieira, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Aracati, a cidade está marcada na sua arquitetura, história e cultura por cinco Igrejas que são simplesmente patrimônio religioso, porém, marcas da tradição de um povo: “Não se pode contar a história de Aracati sem mencionar longamente a tradição e presença dessas igrejas. Por isso, nos alegramos com o restauro da Igreja do Bonfim. Tal restauro não é apenas uma retomada de elementos de pintura e estrutura, mas significa redescobrir e recontar a história de Aracati, resgatando a memória de seu povo, gente simples, com seus esforços e dedicação, suor e lágrimas”, afirma.

Sobre a Igreja

A Igreja Nosso Senhor do Bonfim, foi edificada em 1772, por Pedro Ferreira de Almeida e inaugurada em 1774, por Manuel da Fonseca, vigário de Russas. Sua primeira restauração foi em 1854 sendo construída duas torres, onde em 1906 houve o último grande reparo. Construída em arquitetura barroco, possui bancos de madeira nobre, com espaços reservados para se benzer e realizar batizados.

Por traz da Igreja se encontra o já esquecido cemitério da Irmandade do Bonfim, onde, no passado, segundo historiadores, eram enterradas somente pessoas de influência e ricas da cidade, que pagavam um alto preço por esse privilégio. Tradicionalmente, é comemorado todo o ano a festa de Nosso Senhor do Bonfim no dia 1º de janeiro.

Matéria de Marcelle Nunes. Fotos de arquivo

Fonte original da notícia: Portal Prefeitura do Aracati




Seja um doador e ajude a salvar um Patrimônio Cultural. A História agradece.

A Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico convida você a apoiar o Projeto Cultural Capela Bom Pastor – Restauração e Oficinas de Artesãos (Etapa 1), aprovado pelo Ministério da Cultura – Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet).

O Projeto Cultural Capela Bom Pastor – Restauração e Oficinas de Artesãos (Etapa 1) é um projeto sociocultural que tem por objetivo restaurar as pinturas murais de Emilio Sessa e elaborar o projeto arquitetônico de restauração da Capela Bom Pastor, localizada dentro do Presídio Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre (RS).

A Capela Bom Pastor é um bem tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul que sofreu na década de 1990 um incêndio. Desde lá nada foi feito. A pedido da direção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e da SUSEPE, a Defender desenvolveu o projeto cultural para sua restauração.

No Brasil, a maioria das presas não possuem nenhum tipo de qualificação profissional ou até mesmo nunca trabalharam, o que torna a situação financeira um dos principais motivos que as levam a cometer algum tipo de delinquência. Além disso, a falta de estrutura familiar, suporte psicológico, apoio social e emocional, oportuniza o desespero que pode levar a prática de atos criminosos. Nesse sentido para a execução do projeto será utilizada a mão de obra das detentas, treinadas e supervisionadas pela equipe técnica.

Apoie esta causa! Saiba como:

Pessoas físicas DE TODO O TERRITÓRIO BRASILEIRO podem contribuir e ajudar a Cultura do país, na condição de doadores de projetos culturais, abatendo o valor incentivado de seu imposto de renda devido, através da utilização da Lei Rouanet.

Exemplo: se uma pessoa paga R$ 1.000,00 reais de imposto de renda por mês, poderá destinar R$ 60,00 para incentivar projetos culturais. Esse valor servirá como dedução ou abatimento do imposto de renda, na declaração do IR, que será preparada no ano seguinte. Ou seja, o que se pagou em um ano como dedução ou patrocínio, entra na declaração do próprio ano, que sempre é produzida e entregue até abril do ano subsequente.

Do mesmo modo, se uma pessoa tem ciência de que pagará de imposto de renda anual a quantia de R$ 12.000,00, que será paga em cota única ou em várias cotas, a partir da apresentação da declaração no ano subsequente, essa pessoa poderá se antecipar e destinar R$ 720,00 reais como incentivo à cultura.

Desses valores doados – nos exemplos acima – o percentual de abatimento e aproveitamento do incentivo é de 100%, ou seja, integral, porque o projeto está aprovado pelo art. 18 da Lei Rouanet, tudo dentro do limite legal de 6% do imposto devido.

Só é possível aproveitar esse benefício fiscal a pessoa física que optar pelo preenchimento da Declaração de Rendimentos, no modelo COMPLETO. Portanto, fazer a declaração simplificada impede essa dedução (já que a declaração simplificada possui um desconto padrão).

Como é o procedimento de doação ao Projeto Cultural Capela Bom Pastor – Restauração e Oficinas de Artesãos (Etapa 1)?

O doador deverá entrar em contato com a Defender e informar seu interesse em contribuir com o Projeto Cultural Capela Bom Pastor – Restauração e Oficinas de Artesãos (Etapa 1), até o dia 27 de dezembro de 2017.

Contatos com a Defender:

Telefones: (51) 3723.1637 – (51) 98597.1637

E-mail: defender@defender.org.br

Facebook: https://www.facebook.com/defenderorgbr/

A Defender irá fornecer todas as informações necessárias para o procedimento de doação, tipo: dados da conta corrente exclusiva do projeto aberta em agência bancária do Banco do Brasil pelo Ministério da Cultura e solicitará as informações necessárias para a emissão do Recibo de Mecenato que comprovará o aporte de dinheiro realizado ao projeto. É esse recibo que servirá como comprovante, para fins da declaração de imposto de renda.

Os referidos depósitos podem ser realizados diretamente no Banco do Brasil, por DOC ou por TED, procurando sempre fazer esses depósitos indicando o doador, o seu CPF e identificação de que se trata de doação.

O depósito, após identificado pela Defender, será objeto de informação ao Ministério da Cultura, que informará a Receita Federal acerca do incentivo fiscal.

Muito Obrigado!




Capela barroca do século 18 é reinaugurada em Conceição do Mato Dentro (MG)

Reinauguração de capela marca nova etapa da restauração de matriz do século 18 em Conceição do Mato Dentro, iniciada há dois anos e que deverá ficar pronta em 2018.

As obras ressaltaram a beleza das pinturas feitas sobre o reboco no templo barroco. Foto: Beto Novaes/EM

Alegria, música e emoção para celebrar um patrimônio barroco de Minas ainda desconhecido de muitos brasileiros e dos estrangeiros em visita ao país. Na tarde de ontem, depois de 12 anos de muita expectativa, moradores de Conceição do Mato Dentro, na Região Central, conheceram parte do restauro da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Agora livre dos andaimes, a Capela do Bonfim, no interior do templo, foi reinaugurada depois de obras que deram mais beleza às pinturas parietais originais (feitas diretamente sobre o reboco) recriando a Paixão de Cristo. No forro, podem ser contempladas a figura de Verônica e as representações das três virtudes (fé, esperança e caridade) e dos cinco sentidos emoldurando a Sagrada Família.

Na capela, que funciona como sacristia do templo, e só estará aberta à visitação pública no fim de toda a obra, os olhos se dirigem naturalmente para um arcaz de madeira escura com fechaduras e puxadores das gavetas dourados. Típico de igrejas coloniais, o móvel restaurado se destina a guardar vestes litúrgicas e alfaias. Ao ver o resultado de toda a intervenção, a moradora Maria Costa Lima Guimarães, a dona Maroca, de 95 anos, disse que não fazia ideia da beleza da restauração da sacristia. “Lindíssima! Maravilhosa! Quero viver o bastante para ver esta igreja toda pronta. Foi aqui que me casei em 1946 e onde batizei os meus 11 filhos. Esta igreja representa muito para minha família e significa também renovação da fé”, disse dona Maroca.

Os serviços de restauração dos elementos artísticos da matriz – anteriormente foram executadas as etapas civil e arquitetônica – tiveram início efetivamente há dois anos, mas há muito trabalho para a equipe técnica, pois a conclusão de todo o projeto está prevista para o fim do ano que vem. Os fiéis torcem para tudo terminar até 8 de dezembro, data consagrada à padroeira Nossa Senhora da Conceição. Entre as novidades apresentadas está o conserto do relógio inglês de 200 anos, que aciona o sino e marca a vida da população.

Detalhes da Capela do Bonfim, que funciona como sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Foto: Beto Novaes/EM

Presente à cerimônia, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, disse que a Matriz de Nossa Senhora da Conceição abre as portas para o turismo cultural e ecológico na região, destacando belezas e tesouros de Minas, que vão da Serra do Cipó até Diamantina, passando pelo distrito de Itapanhoacanga, em Alvorada de Minas, e a cidade do Serro. Já o secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, afirmou que há muitas obras de igrejas sendo conduzidas em Minas e espera que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas não seja uma frustração em Minas. Admirado com o resultado da restauração, o bispo de Guanhães, dom Jeremias Antônio de Jesus, ressaltou que a obra ficou, simplesmente, maravilhosa e valoriza o patrimônio de Conceição do Mato Dentro, de Minas e do Brasil. “Foi recuperada uma joia que estava perdida. Ver esta sacristia é como ir ao céu e voltar.” A cerimônia teve a participação de autoridades e houve uma apresentação da Orquestra Jovem da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes de Belo Horizonte.

Descobertas. Quem esteve na festa de reinauguração da sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição pôde admirar outras joias descobertas durante o restauro e mostradas pelo Estado de Minas no dia 25. A que causa maior encantamento, sem dúvida, está na capela-mor, onde especialistas encontraram 10 pinturas contando a vida de Nossa Senhora e de Jesus. As cenas bíblicas estavam escondidas sob camadas de tinta e agora resplandecem nos tons avermelhados originais.

Foto: Beto Novaes/EM

À frente da equipe de 38 pessoas, entre restauradores e auxiliares, alguns da cidade, e técnicos, Dulce Senra, da Cantaria Conservação e Restauro, com supervisão do Iphan, se entusiasma com cada detalhe da empreitada, em especial da capela-mor, com ações adiantadas no altar-mor e no retábulo colateral direito. As ações, no momento, se voltam para as tábuas do arco-cruzeiro e, na sequência, para o retábulo do lado esquerdo. Dulce diz que o maior desafio da obra foi retirar as camadas de tinta sem perda das pinturas originais, que têm ouro e prata. “Foi um trabalho de técnica e delicadeza”, afirmou.

Na capela-mor, causa um grande impacto ver as cenas da vida de Nossa Senhora e Cristo: As pinturas do início do século 18 trazem à luz A anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria, Visita a Santa Isabel, Adoração dos pastores, Visita dos reis magos, Apresentação de Jesus ao templo, A fuga para o Egito, O batismo de Cristo. O falso pastor, O verdadeiro pastor e A tentação de Cristo. No alto, no forro, está a Assunção de Nossa Senhora, original que foi repintado com a imagem de Nossa Senhora da Conceição e depois com a do Divino Espírito Santo.

Conforme estudos, o artista que fez as pinturas retratadas nos azulejos copiou as gravuras do livro de Bartolomeo Ricci, de 1607. Muito usadas como modelo pelos artistas coloniais, “as gravuras de Ricci estão nas parietais da matriz e reproduzidas com muita fidelidade ao original, com algumas modificações em que o autor coloca sua interpretação pessoal”. Os especialistas ficaram surpresos, pois não havia registros sobre os elementos artísticos da igreja.

O coordenador da obra, o engenheiro civil Alexandre Leal, destaca a umidade como um fator de risco para as pinturas do século 18 e adianta que foi feita a revisão na cobertura e tomadas as providências de segurança, a exemplo de parte elétrica, sistema contra raios e incêndios – projeto luminotécnico está previsto.

Tombada em 1948 pelo Iphan e interditada desde 2005, a matriz apresentava uma série de problemas estruturais e nos elementos artísticos. Entre as questões mais graves estavam a torre, a cobertura e o madeirame, que cedia lentamente, com risco de ruir. Os recursos para salvar a construção provêm da mineradora Anglo American, por meio de medida compensatória firmada, via termo de ajustamento de conduta (TAC), com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio dos promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, ex-coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), hoje na comarca de Santa Luzia, na Grande BH, e Marcelo da Matta Machado, de Conceição do Mato Dentro.

Os serviços em andamento estão a cargo da Cantaria Conservação e Restauro, com supervisão do Iphan. O projeto total está orçado em R$ 8,5 milhões, mas, segundo o administrador paroquial e reitor do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinho, padre João Evangelista dos Santos, deverão ser gastos cerca de R$ 10 milhões. A intervenção, a maior parte bancada pela Anglo American, já teve também recursos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, vinculada à diocese de Guanhães, e um aporte de R$ 350 mil da prefeitura.

Bandeirante iniciou obra

Segundo pesquisas, a edificação da Matriz de Nossa Senhora da Conceição começou por iniciativa do bandeirante paraguaio Gabriel Ponce de Leon, que chegou à região em 1702. “No ano seguinte, a mulher dele mandou vir de Itu (SP) a imagem da padroeira”, conta Rosângela Domingues, integrante da Cantaria, destacando que, em sinal de agradecimento por ter encontrado ouro, o desbravador pediu para ser enterrado na frente do altar-mor da igreja. Em 1722, o templo já realizava cultos, mas as obras se estenderam por todo o século 18, devido à falta de recursos para terminá-la. Só em 1722 o auxílio real permitiu que fosse dado prosseguimento às intervenções, concluídas há 210 anos. O valor histórico e cultural é ressaltado pela comunidade, e as pinturas internas, representando cenas da Paixão de Cristo, foram consideradas “das mais encantadoras e delicadas do patrimônio de arte religiosa do país” pelo primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898-1969).

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




São Paulo (SP) – Curso de Restauração de Artefatos Tridimensionais em Madeira

Módulo 1 – Introdução à Restauração em Madeira

O objetivo do curso é a restauração de artefatos tridimensionais como móveis e objetos em madeira com a utilização de técnicas tradicionais de conservação e restauração. Neste sentido, os procedimentos que serão utilizados visam manter as características originais do artefato e prolongar a sua vida útil. O curso também tem como objetivo chamar a atenção sobre a necessidade de conservar e restaurar objetos de caráter histórico e cultural.

Conteúdo Programático: Módulo 1

Preservação, Conservação e Restauração – Conceitos Básicos
Critérios para a Restauração de artefatos em madeira
Procedimentos para a documentação e catalogação
Tipos de Ferramentas, Utilização e Manutenção
Madeiras: Características, Problemas e Uso Sustentável
Descupinização
Remoção de Tintas
Reparos e Tratamento de Superfícies em madeiras maciças
Acabamentos e Polimento de Superfícies

Visita Técnica: MCB – Museu da Casa Brasileira em 02/12/2017 horário da manhã

Exposição: O Móvel da Casa Brasileira

Carga Horária: 26 horas/aula
Vagas Limitadas
Ministrante: Marjane de Andrade
Período: 27 de novembro a 02 de dezembro de 2017
Turma Manhã e sábado pela Manhã – De Segunda-feira a Sábado
Horário: Das 8h30 às 12h30 e Sábados das 8h30 às 12h30
Turma Tarde e sábado pela Tarde – De Segunda-feira a Sábado
Horário: Das 13h30 às 17h30 e Sábados das 13h às 17h30
Valor da inscrição – R$ 630,00
Inscrição de R$ 200,00 mais 2 x R$ 215,00 ou
Inscrição de R$ 300,00 e mais 01x R$ 300,00 (considerando o valor à vista)
*Valor à vista de R$ 600,00.

Inscrições abertas e vagas limitadas
Público-Alvo: Estudantes de museologia, arquitetura, artes visuais, história. Profissionais da área que queira se especializar no assunto.

Local: Oficina de Restauro Regina Célia Sabó
Rua Prof. Ernest Marcus 63 – Bairro Pacaembu – São Paulo/SP

Informações e inscrições
(51)41011072/whats +55 51 982070762 ou marjanedeandrade@gmail.com

Fotos: Armário Art Nouveau e cadeiras Neoclássicas / Restauração: Marjane de Andrade/GDA Atelier – Imagens/Acervo GDA Group

Fonte original da notícia: Marjane de Andrade, por e-mail




Porto Alegre (RS) – Simpósio Nanorestart – Nanotecnologia para a conservação e restauração do Patrimônio Cultural

Atualmente existe uma falta de metodologias eficientes para a conservação de obras de arte moderna e contemporânea, devido a isso, várias obras sofrem processos de degradação extremamente rápidos, e futuramente muitas destas obras não estarão mais acessíveis a sociedade em um tempo muito curto, deixando-nos com uma lacuna na história contemporânea e moderna.

O Simpósio NANORESTART que está vinculado ao Projeto NANORESTART, busca solucionar a questão da conservação de obras de arte, através do desenvolvimento de novos produtos químicos e meios para melhorar o estado da arte da ciência da conservação.

O Projeto NANORESTART (Nanomateriais para a Restauração de Obras de Arte) é fomentado pela União Europeia através do Programa Horizon 2020, contando com uma equipe de professores e pesquisadores de 29 Instituições da Europa, EUA, México e Brasil. É dedicado ao desenvolvimento de nanomateriais que possam garantir a proteção ao longo prazo e a segurança do patrimônio cultural moderno/contemporâneo, levando em conta os riscos ambientais e humanos, viabilidade e custos de materiais.

O Simpósio NANORESTART promoverá a disseminação dos conhecimentos de produtos e técnicas do “Estado da Arte” para a conservação e restauração de obras de arte, tendo um foco especial na nanotecnologia. Esse processo será promovido através da realização de palestras e workshops, em conjunto com uma sessão de pôsteres. Contará com a participação do Coordenador do Projeto NANORESTART Piero Baglione (Itália) e de palestrantes membros do Projeto NANORESTART oriundos da Itália e França, bem como palestrantes nacionais.

Período: 09 – 10 de novembro de 2017

Local: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Brasil

  • 09 de novembro – Sala II do Salão de Atos – Campus Centro
  • 10 de novembro – Sala Fahrion da Reitoria – Campus Centro
  • 10 de novembro – Sala II do Salão de Atos – Campus Centro (Workshop)

Mais informações acesse AQUI

Fonte original da notícia: UFRGS




Ouro Preto (MG) – FAOP abre processo seletivo para Curso Técnico em Conservação e Restauro

Inscrições podem ser feitas até 21 de novembro, até às 12h, no site da Fundação.

Foto: Thiago Bonna

Quem vê as obras históricas expostas nas ruas, museus e galerias de Ouro Preto e região, muitas vezes não imagina o trabalho que existe a fim de preservar as esculturas, documentos, pinturas e imóveis. Os restauradores buscam reparar e promover ações que evitam a deterioração de peças importantes, seja móveis ou imóveis. Neste cenário, a Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP abre mais um processo seletivo do Curso Técnico em Conservação e Restauro para o primeiro semestre de 2018.

A Fundação forma profissionais técnicos de qualidade, capacitados para analisar, diagnosticar e intervir em papéis, pinturas de cavalete e esculturas policromadas. As áreas de atuação vão de ateliês a órgãos de preservação, incluindo museus, fundações, bibliotecas e toda e qualquer atividade relacionada à preservação e recuperação de patrimônio cultural.

O exame de seleção é realizado por meio de questões objetivas de língua portuguesa, química, elaboração de uma redação dissertativa e avaliação de aptidão visual e motora. São esses conhecimentos necessários para ingresso no curso. Para inscrever-se, os interessados devem ter concluído ou estar cursando a partir do 2° ano do ensino médio.

O exame de seleção é realizado por meio de questões objetivas de língua portuguesa, química e pela elaboração de uma redação dissertativa, conhecimentos necessários para ingressar no curso. Para inscrever-se, os interessados devem ter concluído ou estar cursando a partir do 2° ano do ensino médio.

As inscrições para o processo seletivo, no valor de R$60,00, acontecem pelo site www.faop.mg.gov.br de 23 de outubro a 21 de novembro, até às 12h.As provas serão realizadas no dia 3 de dezembro, das 9h às 12h e das 14h às 17h, em local a serem divulgados.

O resultado dos aprovados será publicado no dia 7 de dezembro no site da FAOP e na Casa Bernardo Guimarães, no Cabeças, em Ouro Preto/MG. Os ingressantes no curso são contemplados com a bolsa integral e devem cumprir, durante o curso, com os requisitos especificados no edital.

Serviço: Abertura do Edital do Curso Técnico em Conservação e Restauro

Data: 23 de outubro até 21 de novembro de 2017, às 12h

Público: Todos os interessados na área de conservação e restauro

Local: Casa Bernardo Guimarães

Informações: 3551-5052

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura de Minas Gerais




São Paulo (SP) – Restauração do Museu do Ipiranga custará 111 milhões de reais

Valor é cinco vezes mais caro que o previsto inicialmente; governo estadual recorre à iniciativa privada para tentar resolver o problema.

A entrada principal: local fechado há quatro anos. Alexandre Battibugli/Veja SP

Um dos mais importantes patrimônios culturais do país, o Museu do Ipiranga foi fechado em agosto de 2013 porque estava caindo aos pedaços. Quatro anos depois, ele continua na mesma situação. Como se não bastasse, o trabalho de recuperação será ainda mais caro do que se imaginava. O Museu Paulista, da USP, responsável pela administração do local, finalmente chegou ao valor total do restauro: 111 milhões de reais.

A quantia é cinco vezes a estimada inicialmente, de 21 milhões de reais. “O orçamento demandou estudos bem específicos, a exemplo de um levantamento feito pela Superintendência do Espaço Físico da USP com base em processos de restauração em outros edifícios históricos”, justifica Solange Ferraz de Lima, diretora do Museu Paulista. “Daí a demora para finalizar a conta.”

Como a instituição não tem verba suficiente para bancar sozinha o trabalho, a solução foi pedir ajuda à iniciativa privada. No mês passado, o governo paulista lançou o programa Aliança Solidária, que tem o objetivo de angariar fundos junto a empresários.

A ação é encabeçada por Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza.  “O Ipiranga é um patrimônio de todo o povo, especialmente das crianças, que precisam conhecer nossa história”, afirma ela. “Já realizamos um café da manhã com possíveis doadores, mas o processo de captação de recursos é longo.” A ideia é amealhar os 111 milhões de reais nos próximos cinco anos.

Também foi lançado em setembro um concurso para definir a empresa que vai elaborar o projeto de engenharia do local. As propostas serão apresentadas em novembro e o resultado deverá ser publicado no Diário Oficial até janeiro. Apesar de a restauração não ter começado e de não haver dinheiro em caixa, a data de reinauguração permanece a mesma divulgada quatro anos atrás: 2022, ano do bicentenário da Independência. “Se tivermos os recursos financeiros, conseguiremos cumprir o prazo”, garante Solange.

A biblioteca: montada em novo imóvel. Alexandre Battibugli/Veja SP

Nos últimos meses ocorreram vários trabalhos preparativos para tirar o que há de mais valioso no local antes do início das obras mais pesadas. De abril a junho, cerca de 300 000 livros e documentos foram transferidos a dois imóveis vizinhos, alugados pelo Museu Paulista. “Eles não retornarão ao local”, conta Solange. “Quando reabrir, a instituição estará exclusivamente voltada à exposição.”

Mais três casas devem receber as 100 000 peças do acervo — coroas, roupas e objetos, entre outras coisas — a partir de 2018. “Foram anos até encontrar um lugar para levar esse material precioso e estudar a melhor maneira de transportá-lo sem danificar nada”, explica Solange.

Esses objetos retornarão ao Ipiranga. Cinco deles, no entanto, não puderam ser retirados. É o caso do quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, que está chumbado na parede, e da maquete de São Paulo em 1841, sob o risco de quebrar.

Na última semana, a empresa de engenharia Falcão Bauer concluiu o primeiro laudo estrutural realizado no edifício. O documento ainda passará por duas revisões e vai ser divulgado até o início de novembro. Nele, serão apontados os ambientes comprometidos devido ao excesso de peso, como o espaço que sediava a biblioteca, no térreo.

“É um absurdo o estado de deterioração ter chegado a esse ponto”, critica Valdir Abdallah, presidente da Comissão Cívica e Cultural do Parque da Independência. A entidade reúne moradores e comerciantes da região. “Agora, resta torcermos para que o local seja realmente recuperado”, completa.

Matemática de restauro

Quanto será preciso gastar para recuperar o patrimônio (valor em milhões de reais):

8 Projeto de engenharia e arquitetura + 80 Montante necessário para a execução das obras + 23 Custo para transporte e recolocação das peças do acervo = 111

Por Rosana Zakabi

Fonte original da notícia: Veja São Paulo




Leilão com obras de 47 artistas tem renda revertida para restaurar Igreja Madre de Deus, no Recife (PE)

Telas e esculturas assinadas por figuras como Ariano Suassuna, Tereza Costa Rego e Cicero Dias estão à venda. Leilão presencial acontece na quinta (26).

Igreja da Madre de Deus fica localizada no Bairro do Recife, região central da capital pernambucana. Foto: Daniel Tavares/Prefeitura do Recife

Um leilão de arte beneficente para levantar dinheiro para as obras de restauração da Igreja Madre de Deus, localizada no Bairro do Recife, acontece na quinta-feira (26). São cerca de 60 telas e esculturas assinadas por 47 artistas, como Vicente do Rego Monteiro, Ariano Suassuna, Tereza Costa Rego e Cicero Dias.

Pároco da igreja, o padre Rinaldo Santos explica que a verba arrecadada vai ser destinada para reparos no telhado, na rede elétrica e serviços emergenciais nas torres sineiras do templo religioso. “A gente começou a obra do telhado, mas paramos por causa da falta de recursos. Um dos sinos está escorado, com toda uma estrutura de madeira para segurá-lo e evitar que caia”, detalha.

A igreja, erguida no século 18, foi tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. Localizada no coração do Recife, faz parte da história da cidade. “A Madre de Deus é uma das pérolas do país, é um monumento da riqueza religiosa, artística e cultural”, aponta o pároco.

Segundo o religioso, o orçamento previsto das obras é de R$ 140 mil. As obras foram doadas por artistas e colecionadores. O leilão acontece na Galeria Ranulpho, localizada na Rua do Bom Jesus, número 125, no Bairro do Recife, a partir das 20h da quinta-feira (26).

Os interessados em participar preencher um cadastro no próprio dia do evento. Os pagamentos poderão ser feitos em cheque e em dinheiro. As obras estão à mostra na galeria até o dia do leilão, das 10h às 12h e das 14h às 18h.

Obras de artistas como Cicero Dias (foto) compõem leilão cuja verba vai ser revertida para obras da Igreja Madre de Deus, no Recife. Foto: Reprodução

Fonte original da notícia: G1 PE