Alagoas inaugura um dos mais modernos laboratórios de restauração de documentos

Foto: André Palmeira

A inauguração do primeiro laboratório de Alagoas e um dos primeiros do Nordeste a contar com equipamentos modernos que permitem a restauração de documentos, monitoramento de ambiente e desinfestação dos acervos reuniu mais de 150 pessoas, na terça-feira (25), entre professores, pesquisadores, estudantes, empresários e outros profissionais.

Os recursos investidos são da ordem de R$ 70 mil, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal) e até o final de 2017, aproximadamente R$ 100 mil devem ser liberados para a modernização deste aparelho histórico.

Na ocasião, houve ainda a oitava edição do Projeto Chá de Memória, com palestra do historiador e doutor Douglas Apratto.

O secretário-chefe do Gabinete Civil, Fábio Farias, ressaltou a importância de se preservar a história do povo alagoano, por meio da conservação e restauração dos documentos.

“O momento é muito propício para o Governo do Estado investir na história de Alagoas, já que estamos comemorando os 200 anos de emancipação. Por meio do Arquivo Público, e desse único laboratório, que tanto nos orgulha, por ser um dos primeiros do Nordeste em equipamentos de última geração, é possível restaurar e conservar importantes documentos, a exemplo do primeiro Diário Oficial do nosso Estado ou documentos que remetem ao centenário de emancipação de Alagoas, em 1917. Parabéns a superintendente do Arquivo Público, Wilma Nóbrega, e toda sua equipe pelo fantástico trabalho neste acervo,” observou Farias.

O historiador, doutor e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Douglas Apratto abordou a temática do Enforcamento de Calabar e sua presença em Alagoas, durante sua palestra no projeto Chá de Memória. Este que é mais um evento em comemoração ao bicentenário de Alagoas.

Por Agência Alagoas

Fonte original da notícia: Aqui Acontece




Curitiba (PR) – Capela no Alto da Glória terá R$ 1 milhão para restauração

Foto: Divulgação

Um convênio assinado na manhã desta terça-feira (25/7) vai garantir a transferência de potencial construtivo no valor de R$ 1 milhão para as obras de restauração da Capela Nossa Senhora da Glória, na Avenida João Gualberto, no Alto da Glória. O documento foi assinado pelo prefeito Rafael Greca e pelo arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo.

“Agradeço que a Igreja tenha a disposição de manter esse local importante para a história e para a fé”, disse o prefeito. Greca lembrou que a capela foi construída no século 19, a pedido da viúva do Comendador Fontana, Maria Dolores de Leão Fontana. Ainda foi lá, destacou o prefeito, que começou a devoção de Curitiba à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Dom Peruzzo reforçou a necessidade de se conservar o patrimônio da capela. “Quero lhe assegurar que vamos manter, cuidar e proteger essa edificação, porque é retrato de cansaços, esforços e esperanças”, afirmou. “Quem sabe interpretar o trabalho de quem construiu Curitiba pode olhar o futuro com mais otimismo e ajudar a fazer essa cidade cada vez melhor.”

Participaram o secretário municipal do Urbanismo, Marcelo Ferraz César; o presidente do Ippuc, Reginaldo Reinert; a superintendente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Castro; o diretor de Patrimônio da Fundação, Marcelo Sutil; o coordenador geral das Administrações Regionais, Dirceu de Matos; o padre José Aparecido Pinto; a assessora jurídica da Mitra da Arquidiocese de Curitiba, Cinthya Ferreira; a assessora técnica da Mitra da Arquidiocese de Curitiba, Maria Helena Eyng; o vereador Geovane Fernandes; além de Jucimara Campelo, da Secretaria do Urbanismo, e Fatima Mercure, da Fundação Cultural.

Fonte original da notícia: Bem Paraná




Belo Horizonte (MG) – O antigo volta a aparecer em casarão

Cômodos com pinturas originais já foram descobertos em prédio erguido no início do século XX.

Sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), local será, no futuro, sede do Museu Ferroviário.

O casarão onde funcionou a extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que receberá a 23ª edição da CasaCor Minas, de 12 de agosto a 17 de setembro, vem passando por um processo de restauração. Sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o objetivo das intervenções é preparar o imóvel, construído nas primeiras duas décadas do século XX, para receber a mostra e para abrigar, futuramente, as instalações do Museu Ferroviário, entre outras atividades.

Nos últimos dias, a restauradora Maria Caldeira, uma das responsáveis pela execução de um estudo que conduzirá o processo de restauro após o evento, identificou que existem pinturas originais, em cinco cômodos do local, que estão sendo descobertas após a retirada de algumas camadas de tinta. No entanto, pode ser que tenha mais em outros espaços. As pinturas encontradas misturam tons claros e escuros, criando efeitos marmorizados e imitação de madeira.

“Ainda é muito cedo para precisarmos o estilo, a época e garantir que estas pinturas ocupam cômodos inteiros do casarão. Porém, até o final deste mês pretendo apresentar um estudo técnico sobre o que está sendo encontrado e suas características. Elas ficarão à mostra em alguns ambientes durante a CasaCor Minas”, revela Maria Caldeira.

O imóvel, que acomodará 40 ambientes da mostra, integra o conjunto arquitetônico da praça da Estação. Localizado na rua Sapucaí, 383, no bairro floresta, ele possui cerca de 4.000 metros quadrados. Depois de 13 edições ocupando imóveis tombados, o evento deste ano volta a acontecer em uma edificação que é patrimônio cultural.

Para a diretora da CasaCor Minas, Juliana Grillo, “um bem tombado possui regras de prevenção que devem ser respeitadas para que as intervenções realizadas nos ambientes não afetem a integridade das construções originais, a fim de não desconfigurar ou fazer perder a autenticidade da casa”, frisa.

Sustentabilidade. Outra preocupação dos organizadores do evento é com o descarte dos materiais que foram retirados durante o processo de restauração. De acordo com Juliana, somente na primeira fase da reforma foram retirados 128 metros cúbicos de resíduos, que tiveram uma destinação adequada.

“Desse total, retiramos 39 metros cúbicos de madeira, que foram doados para a J&E Reciclagem; nove metros cúbicos de lã de vidro, provenientes de forros, que foram doados para o projeto social Seu Vizinho, localizado no aglomerado da Serra, que também serviram para a utilização da montagem de um sistema de isolamento acústico dentro da própria CasaCor; 24 metros cúbicos de alumínio e ferro, provenientes dos forros, divisórias, eletrocalhas e luminárias, que foram destinados para reciclagem na empresa Koprum; e 48 metros cúbicos de entulho, que foram enviados para o aterro sanitário”, conta Juliana.

Por Leonardo Cunha

Fonte original da notícia: O Tempo




São Paulo (SP) – Museu da Língua Portuguesa passa por restauração depois de incêndio

A previsão é que em 2019, os brasileiros possam visitar novamente esta obra que é uma homenagem à nossa língua.

Reprodução/Internet

O Museu da Língua Portuguesa, que foi destruído por um incêndio, está sendo restaurado. A previsão é que, em 2019, os brasileiros possam visitar novamente esta obra que é uma homenagem à nossa língua.

Um dos prédios mais imponentes do centro de São Paulo, a Estação da Luz está toda coberta por um véu. O que quase foi destruído está em reforma, de novo.

Entrar, hoje, no prédio é deixar pra trás as tristes imagens do dia 21 de dezembro de 2015. Um incêndio, que começou no primeiro andar, transformou em cinzas o Museu da Língua Portuguesa, o primeiro do mundo dedicado exclusivamente a um idioma.

Ainda há resquício do incêndio. Tem marcas ainda do que aconteceu naquele incêndio lamentável. Em um dos andares, o repórter mostra exatamente onde o bombeiro civil acabou falecendo. Ele entrou por uma porta que estava fechada, o fogo estava pegando lá dentro, quando ele abriu a porta, deu aquele efeito que eles chamam de ‘flash over’. Entra oxigênio onde já não tinha muito oxigênio por causa do fogo, e explodiu e ele acabou infelizmente falecendo.

No andar em que o fogo começou, o repórter mostra onde exatamente iniciou o incêndio. Foi em cima. Tinha um spot de iluminação preso, com lâmpada de filamento, que é uma lâmpada que esquenta muito. E embaixo havia vários tecidos, inclusive rede, rede de dormir. A lâmpada esquentou, acabou pegando fogo nos tecidos todos, e o fogo se alastrou muito rapidamente por todo o prédio.

A reforma, que começou em dezembro do ano passado, avança em ritmo acelerado. A fachada já está quase toda restaurada com reaproveitamento do que o fogo não destruiu por inteiro.

“Essa peça toda é construída de peroba rosa, é uma madeira de 1901, e ela foi parcialmente carbonizada pelo fogo. Então, nós pegamos essa parte da madeira, tiramos a parte comprometida e essa madeira que tem mais de cem anos, a gente reutiliza na construção de novas esquadrias”, conta Wallace Caldas, restaurador.

A 17 metros da calçada, Wallace Caldas mostrar um detalhe: peças chamadas de balaústres. “Os balaustres são todos executados em argamassa, mas recebe uma pintura que imita o material cerâmico. É como se fossem peças de cerâmica queimadas em forno, então é o tal de engana vista, da pintura ilusionista, que é para imitar um determinado revestimento”, explica.

A tinta da fachada também é especial. O desafio foi chegar à tonalidade original.

“A gente está acompanhando os resultados que a gente obteve em 2002, onde foram feitas mais de 50 análises espalhadas pelo prédio, para identificar por baixo das camadas de tinta, qual é a tonalidade original”, aponta o restaurador.

Os arquitetos estão aproveitando para reformar a fachada até de áreas que não foram atingidas pelo fogo, como a torre do relógio e as paredes do saguão da estação.

A parte interna, onde ficava o museu, será restaurada por último.

“A gente está restaurando a fachada, que termina agora em outubro desse ano. Iniciamos agora em agosto, a próxima etapa que é a cobertura com previsão de conclusão em maio do ano que vem, e a terceira etapa da obra, que é a reconstrução do museu, toda a obra interna, em 2019”, afirma Larissa Graça, arquiteta da Fundação Roberto Marinho.

Repórter: Você diria que ele vai ficar melhor do que estava antes do incêndio?
Restaurador: Sem sombra de dúvida. Muito melhor.
Repórter: Mais bonito?
Restaurador: Muito mais bonito, e com novas tecnologias aparelhadas aos novos usos do museu. Então, acho que vai ser bem mais legal, teremos um museu novo.

Em 2019, os brasileiros vão poder ver de perto o que quatro milhões de pessoas viram em quase dez anos de vida. A exaltação do nosso maior patrimônio, a Língua Portuguesa.

O Museu da Língua Portuguesa é uma realização do Governo do Estado de São Paulo e da Fundação Roberto Marinho, em parceria com Grupo Itaú, Grupo Globo, EDP e Governo Federal.

Fonte original da notícia: Jornal Nacional – G1




Porto Alegre (RS) – Restauração de Mercado Público da capital segue inacabada

Quatro anos após incêndio, segundo andar do prédio ainda não está concluído.

O Mercado Público funciona sem o segundo andar desde 2013 / Ricardo Giusti/PMPA

Há quatro anos, um incêndio destruiu parte de um dos principais cartões-postais de Porto Alegre. Desde então, o Mercado Público da capital passa por obras de restauração, que até agora não foram concluídas. Apesar da aparência nova e cobertura reforçada, o segundo andar do prédio segue interditado.

Segundo o Secretário Municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, as explicações para a demora são burocracia e falta de recursos. Entretanto, novas licitações foram encaminhadas e dentre todas as obras necessárias de Porto Alegre, o Mercado Público é uma das prioridades da prefeitura.

“Recentemente a associação dos permissionários e a prefeitura chegaram a um consenso sobre a questão do Plano de Prevenção Contra Incêndios e nós temos algumas obras que já vão se iniciar. Nesse meio tempo a Secretaria da Cultura vem trabalhando junto ao Ministério da Cultura para a obtenção de recursos para complementar as reformas do Mercado Público e, uma terceira frente que nós estamos abrindo agora é provavelmente termos nas próximas semanas um edital público no qual a sociedade civil vai poder apresentar à prefeitura propostas e soluções para a administração do Mercado”, explica.

Além disso, a prefeitura da capital aponta como alternativa a possibilidade de uma parceria público-privada no intuito de mudar o modelo de administração do prédio. Ainda conforme o secretário Bruno Vanuzzi, a mudança do perfil do Mercado Público não está em discussão. Ele ressalta que o local é um patrimônio público de Porto Alegre e da população e que a privatização do prédio não é uma opção para o seu governo.

“O Mercado está em funcionamento, acho que isso é uma coisa que é importante nós termos sempre em mente. Ele, depois do incêndio, passou por um período realmente muito difícil. Nossa expectativa é que possamos liberar o segundo andar e também tirar de cima dele essa espada por conta da prevenção de incêndio”

Outra prioridade, segundo Vanuzzi, é a licitação dos relógios de rua de Porto Alegre. Desligados desde junho de 2015, os 50 relógios que existem pela cidade estão sem utilidade. “Aconteceram, na última gestão, duas licitações englobando todo o imobiliário, que significa: relógios, paradas de ônibus, toponímicos – que são aquelas placas com os nomes das ruas – e bancas de jornal. Esses quatro principais itens são solicitados todos em conjunto e essa licitação acabou sendo deserta. Isso é uma sinalização muito importante do mercado para a administração pública de que há um erro fundamental”, afirma o secretário, trazendo a questão de mobiliário urbano ser muito caro para a gestão atual.

A determinação prévia de pontos fixos para a instalação dos equipamentos é outra mudança que deve ocorrer. A localização de cada relógio está sendo definida em uma discussão conjunta entre integrantes dos setores de segurança, tecnologia, trânsito e licenciamento ambiental da prefeitura.

Por Nathália Pase

Fonte original da notícia: Band




Nos 280 anos de Aleijadinho, Ouro Preto (MG) ganha igreja onde mestre foi sepultado

Matriz de Nossa Senhora da Conceição será reaberta aos moradores e visitantes depois de dois anos fechada para restauração.

Fechada por dois anos, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição será reaberta em 18 de agosto, mas ainda passará pela segunda fase de restauração, que incluirá os elementos artísticos da construção. Foto: Marcelo Tholedo/Divulgação

Dentro de um mês, em 18 de agosto, uma das mais importantes igrejas de Ouro Preto, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, conhecida como Matriz de Antônio Dias, será reaberta aos moradores e visitantes, depois de dois anos de restauração comandada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

Se na primeira etapa foi contemplada a parte arquitetônica, na segunda, com licitação assegurada pela autarquia federal para este semestre, será a vez dos elementos artísticos da construção do século 18. Sem dúvida, a obra figura como destaque de 2017 na cidade, berço de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que está sepultado nesse templo sob o altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Conforme estudo recente, o mestre do Barroco nasceu em 1737, portanto há 280 anos, embora a polêmica exista, pois outros historiadores falam em 1730 e 1738.

Para os visitantes, a nova etapa na igreja será oportuna tanto para se conhecer o trabalho dos restauradores como também para ver a intervenção em todos os retábulos da nave e da capela-mor, além de forros e pinturas. Segundo o chefe do escritório do Iphan em Ouro Preto, André Macieira, as portas ficarão abertas durante os serviços, pois a matriz oferece completa segurança. O secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira, aplaude a iniciativa e adianta que toda a programação da Semana Aleijadinho, em novembro, será alusiva aos 280 anos do patrono das artes no país e natural de Ouro Preto, cidade cujo Centro Histórico é reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo estudos, a história da matriz começa por volta de 1699, quando foi elevada, a mando do bandeirante Antônio Dias, uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Em 1705, instituiu-se a primitiva matriz, sofrendo provavelmente modificações e acréscimos para se adaptar à nova função. O rápido crescimento da população do antigo Arraial de Antônio Dias fez com que os moradores, em 1711, exigissem a construção de um novo templo, o que ocorreu em 1724.

Em 1727, foi iniciada a construção da atual matriz, cujo projeto é atribuído a Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. Os trabalhos iniciados antes da Matriz do Pilar seguiram em ritmo mais lento até 1756, quando se inicia a talha da capela-mor e posteriormente as obras de pintura e douramento. Os altares da nave são bem mais antigos, podendo incluir, como no caso da Matriz do Pilar, peças remanescentes da primitiva. A decoração interna da nave é atribuída também ao pai de Aleijadinho. Já a talha da capela-mor, a Jerônimo Félix Teixeira e Felipe Vieira, discípulos de Noronha e Xavier de Brito, daí sua afinidade com a Matriz do Pilar.

Pesquisa. O ano de nascimento de Aleijadinho sempre despertou polêmica, alguns dizendo que foi em 1730 e outros em 1738. De certeza mesmo, só o da morte, 1814, tanto que em 2014 houve muitas homenagens pelo transcurso do bicentenário. Mergulhado em pesquisa no Brasil e Portugal, o promotor de Justiça e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais Marcos Paulo de Souza Miranda jogou luz sobre o assunto no seu livro Aleijadinho revelado – Estudo histórico sobre Antonio Francisco Lisboa, ao descobrir que foi mesmo em 1737.

Cores da fachada chamam a atenção em meio às ladeiras históricas de Ouro Preto. Foto: Marcelo Tholedo/Divulgação

Na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, Marcos Paulo localizou o registro de nascimento de Antonio Francisco Lisboa, filho da negra forra Isabel. Em entrevista ao Estado de Minas, ele explicou que “os estudiosos certamente procuravam o registro apenas pelo nome do pai, o artífice português Manuel Antonio Lisboa. A questão é que, naquela época, pelo direito canônico, era proibido que constassem do registro os nomes dos pais quando o casal não fosse formalmente casado. Daí só haver o nome da mãe no documento. Além disso, o costume era levar a criança à pia batismal logo após o nascimento.” A única data que se conhecia era a da morte, 18 de novembro, conforme consta do atestado de óbito. É curioso notar, no túmulo, que uma placa traz o sinal de interrogação ao lado do ano de 1738, que seria o do nascimento.

O autor do livro lembrou que a primeira biografia foi escrita em 1858, por Rodrigo José Ferreira Bretas, ex-promotor de Justiça de Ouro Preto. “O trabalho foi publicado no jornal Correio de Minas, 44 anos depois da morte de Aleijadinho. Bretas conversou com dona Joana Lopes, parteira, que foi casada com o filho do artista, Manoel Francisco Lisboa, batizado com o mesmo nome do avô.”

O pai de Aleijadinho, Manoel Francisco Lisboa, nasceu em São José de Odivelas, antes pertencente a Lisboa, Portugal, hoje município autônomo, conforme os levantamentos de Souza Miranda: “O nome de família não é propriamente ‘de Lisboa’, apenas indica a procedência. O pioneiro João Francisco e seus três filhos vieram da capital portuguesa atraídos, no auge da mineração do ouro nas Gerais, pela alta efervescência de construção de igrejas. Era uma família de artífices. Os tios de Aleijadinho, Antonio Francisco Pombal e Francisco Antonio Lisboa, foram exímios entalhadores e atuaram, respectivamente, nas matrizes do Pilar e de Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias”.

Aleijadinho foi aprendiz, oficial e tornou-se mestre, aprendendo a trabalhar com a própria família, pois todos eram do ramo. Em 1760, aos 23 anos, ele começou com sua oficina, embora não fosse um espaço físico, mas um serviço itinerante. De acordo com Souza Miranda, “ele se deslocava para o lugar onde houvesse serviço, tanto que morou em Rio Espera, na Zona da Mata, e Sabará. A equipe dormia geralmente nas casas paroquiais. Outra atividade importante, a exemplo da desempenhada pelo pai, foi a de perito ou ‘louvado’.

Um dos irmãos de Aleijadinho, o padre Félix, seguiu a mesma trilha e se tornou talentoso escultor de peças sacras”. Autor do prefácio do livro, o secretário de estado de Cultura, Angelo Oswaldo, afirma que 1738 continua o ano dado como aceito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas acredita que pode ser dada a largada para os festejos. “Aleijadinho é para se festejar todo dia”, afirma. O ano de 1738 decorre de uma certidão de óbito datada de 18 de novembro de 1814, na qual há a informação de que o homem sepultado teria 76 anos, portanto, nascido em 1738. “Na época do bicentenário, foi formada uma comissão pelo Iphan para estudar a fundo o legado de Aleijadinho, identificar as obras, tirar as dúvidas, mas acho que não evoluiu”, diz o secretário. Ele lamenta que o Museu Aleijadinho, composto pelo acervo das igrejas de Nossa Senhora da Conceição, São Francisco e Mercês de Baixo, em Ouro Preto, não esteja aberto à visitação.

Reconhecimento. O nome Aleijadinho tem reconhecimento de norte a sul. “Dos artistas brasileiros que atuaram no período colonial, Aleijadinho foi o que mais se destacou, tanto do ponto de vista qualitativo, quanto quantitativo. Ele viveu em Minas e sua trajetória coincide com o período áureo da exploração de metais preciosos, quando a região presenciou um grande momento de vida social urbana”, ressalta o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Rosenthal Schlee. Ele explica que “a riqueza do ouro e dos diamantes, associada à profusão de irmandades religiosas, garantiu trabalho e reconhecimento ao artista, que deixou obras significativas em Ouro Preto, São João del-Rei, Congonhas e Sabará.

Foto: Marcelo Tholedo/Divulgação

“Para demonstrar a importância de Aleijadinho e de sua oficina, basta citar a delicadeza da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto ou a monumentalidade do conjunto arquitetônico dos Passos e Adro dos Profetas do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas”, conta Andrey, também professor da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP).

Retrato Oficial

Foto: Cristina Horta/EM

Louvado pelas imagens que brotaram de suas mãos, o gênio do Barroco paradoxalmente tem na própria fisionomia um mistério. Nos séculos 18 e 19, muitos desenhistas e pintores fizeram o “retrato falado” de Aleijadinho, um assunto ainda bastante polêmico. O chamado retrato oficial, que faz parte das homenagens no bicentenário de morte, está exposto no Museu Mineiro, na Avenida João Pinheiro, em Belo Horizonte. Trata-se de óleo sobre pergaminho (foto) feito no século 19, por Euclásio Penna Ventura. O quadro, na verdade um ex-voto, medindo 20cm por 30cm, pertenceu à Casa dos Milagres, de Congonhas, e mostra um homem mulato bem-vestido. Foi vendido em 1916 a um comerciante de Congonhas, identificado como Senhor Baerlein, proprietário da Relojoaria da Bolsa do Rio de Janeiro. A alegação de que se tratava do rosto do mestre do Barroco se baseou na imagem representada ao fundo da pintura, em segundo plano, que parecia idêntica a uma obra de autoria do artista.

Linha do Tempo

» 1720
Chegam a Ouro Preto, vindos de Portugal, João Francisco e três filhos, sendo um deles Manuel Francisco Lisboa.

» 1737
Em 26 de junho, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é batizado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Ouro Preto. Ele é filho de Manuel Francisco Lisboa com a negra forra Isabel. Alguns estudiosos apontam 1730 ou 1738 como o ano do nascimento.

» 1750
O menino Antonio frequenta o internato do Seminário dos Franciscanos Donatos do Hospício da Terra Santa, em Ouro Preto, onde aprende gramática, latim, matemática e religião.

» 1755
Nasce Félix Antonio Lisboa, irmão de Aleijadinho. Foi padre e escultor talentoso.

» 1763
O artista faz sua primeira intervenção com características arquitetônicas: frontispício e torres sineiras da Matriz de São João Batista, em Barão de Cocais, e ainda a imagem São João Batista.

» 1766
Em Ouro Preto, o artista executa o projeto da Igreja de São Francisco de Assis, as imagens do frontispício e a fonte-lavabo da sacristia.

» 1768
Antonio se alista no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto e, durante três anos, presta o serviço militar, o qual conjuga com uma atividade profissional intensa.

» 1774
Recebe a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, de São João del- Rei, e executa o projeto da Igreja de São José, de Ouro Preto. Em Sabará, faz trabalhos para a Igreja do Carmo.

» 1777
Nasce o filho de Aleijadinho, que recebe o mesmo nome do avô – Manuel Francisco Lisboa. O menino é batizado em 23 de janeiro na catedral do Rio de Janeiro. É detectada uma grave doença degenerativa, que deforma corpo e membros do artista.

» 1780
Aleijadinho conclui o conjunto de talha, retábulos, púlpitos e coro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Jaguara, encomendada pela Irmandade da Ordem Terceira do Carmo de Sabará.

» De 1784 a 1786
Aleijadinho esculpe o conjunto em madeira da Fazenda da Jaguara, em Matozinhos. No início do século 20, o acervo é transferido para a Matriz do Pilar, em Nova Lima, na Grande BH.

» 1790
Recebe o apelido de Aleijadinho. Tem obra elogiada no levantamento de fatos notáveis, ordenado pela Coroa em 1782 e feito pelo vereador da Câmara de Mariana capitão Joaquim José da Silva.

» 1790-1794
Aleijadinho se ocupa do retábulo do altar-mor da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto, com grande equipe de oficiais de talha. Obra é a coroação da atividade de escultor e entalhador.

» De 1796 a 1799
Nas capelas que recriam a via-crúcis, em Congonhas, Aleijadinho esculpe o conjunto de 64 figuras em madeira. Nas paredes, há as pinturas bíblicas de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830).

» De 1800 a 1805
No Santuário Basílica do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, Aleijadinho esculpe os 12 profetas que receberam reconhecimento da Unesco como patrimônio mundial.

» 1812-1813
O estado de saúde de Aleijadinho se agrava. Passa a viver em uma casa perto da Igreja do Carmo, em Ouro Preto, para supervisionar as obras que lá estavam em andamento.

» 1814
Aleijadinho morre em 18 de novembro, segundo certidão de óbito arquivada na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Está sepultado sob o altar de Nossa Senhora da Boa Morte.

» 1858
Publicada a primeira biografia do mestre do barroco, escrita pelo promotor de Justiça Rodrigo José Ferreira Bretas.

» 1930
Feita a primeira exumação dos restos mortais de Aleijadinho, para lembrar o bicentenário do nascimento do artista, que, segundo nova pesquisa, nasceu em 1737 e não em 1730 ou 1738, como se considerava anteriormente.

» 1947
Feita a segunda exumação, de forma clandestina. Pedaços de ossos são levados para exames na Inglaterra. Outras duas ocorreram em 1970 e 2003.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Acaiaca, prédio mais alto de Belo Horizonte (MG), completa 70 anos em 2017

O edifício de mais de 120 metros de altura, famoso pelas esculturas de índios em sua fachada, guarda elevadores que funcionam a 20 km/h e um abrigo antiaéreo em seu subsolo.

Reprodução/G1.

Mais de 120 metros de altura, 29 pavimentos, cerca de 460 salas e um abrigo antiaéreo. Estas são algumas das características do Acaiaca, um dos edifícios mais tradicionais de Belo Horizonte, que completa 70 anos em 2017. Mas as marcas registradas são as duas esculturas de rostos indígenas criadas pelo próprio arquiteto que projetou o prédio, Luiz Pinto Coelho, genro do idealizador do arranha-céu, Redelvim Andrade.

“Quando ele fez os índios, ele chegou ali da escadaria da (igreja) São José (em frente ao Acaiaca) olhou e achou que pareciam gângsteres americanos. Sabe o que ele fez? Desceu as efígies e as recompôs. Aí sim ele ficou satisfeito”, disse o autor do livro “Edifício Acaiaca – O colosso humano e concreto”, Antonio Rocha Miranda, que aos 79 anos mantém uma relação estreita com o prédio que conheceu ainda criança.

“Eu tinha sete anos quando meu pai me trouxe aqui no centro e eu vi o edifício pela primeira vez. Eu tinha que envergar o pescoço para enxergar lá em cima. E então eu insisti com ele para que ele me trouxesse aqui no edifício. Na viagem do elevador parecia que eu estava em um foguete”, contou o escritor.

Segundo a administração do Acaiaca, os elevadores vão do 1º ao 25º andar em 20 segundos, a uma velocidade de 20 km/h. Não é possível confirmar que eles são os mais rápidos da cidade, segundo o Corpo de Bombeiros, mas seu Antonio não tem dúvidas disso. “São os mais velozes de Belo Horizonte”, afirmou. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, o prédio é o mais alto da capital mineira.

As obras do Acaiaca, cujo nome homenageia uma tribo de índios do Vale do Jequitinhonha, cidade do empreendedor e comerciante de pedras preciosas, Redelvim Andrade, começaram em 1943. O terreno de 26 mil m² foi comprado da Igreja Metodista que estava no local há 38 anos.

“O Redelvim fez uma proposta de ‘futebol chinês’ para a igreja. Esse terreno custou 2,5 mil contos de réis. É uma soma fabulosa se você comparar com o valor do terreno da área de dentro da Avenida do Contorno, antigo Curral Del Rey e hoje Belo Horizonte, que foi de 36 mil contos de réis”, disse Antonio.

Abrigo antiaéreo

Cerca de 250 pessoas trabalharam na obra do Acaiaca, ainda hoje o prédio mais alto de Belo Horizonte, segundo a prefeitura . Além das salas e lojas, os operários também construíram um abrigo antiaéreo no subsolo atendendo ao decreto 4.098 de 1942, assinado por Getúlio Vargas.

Naquele ano, a 2ª Guerra Mundial estava no auge e a medida buscava garantir a segurança dos brasileiros em caso de eventuais ataques de aviões dos países do Eixo.

“O espaço ainda existe, mas hoje funciona um depósito, uma cantina e banheiros dos funcionários”, contou o escritor que chegou a trabalhar no Cine Acaiaca, cujo primeiro filme exibido foi “Sempre te amei”, de Franz Borzade, em 1948. O cinema funcionou até 1998. Hoje há uma igreja evangélica no local.

O prédio também já abrigou uma boate, um teatro e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que funcionou no local de 1953 a 1961.

A primeira sede da TV Itacolomi, fundada pelo então dono do Diários Associados, Assis Chateaubriand, foi no Edifício Acaiaca. A estreia, no dia 8 de fevereiro de 1955, foi acompanhada por Antonio Miranda.

“Ela funcionava no 23º e no 24º andares. Eu assisti ao primeiro programa aqui e assisti o último dela aqui também”, contou ele. A empresa saiu do Acaiaca nos anos 70 e funcionou até os anos 80.

“O nosso pensamento é de resgatar este edifício para a população de Belo Horizonte. Nós queremos fazer do Acaiaca um ponto turístico. Olha só esta vista”, disse Antonio, apontando para as varandas do salão do 25º andar de onde é possível ver outros símbolos da capital mineira como a Serra do Curral, o Parque Municipal, o Viaduto de Santa Tereza e a Praça da Estação.

Patrimônio

O condomínio do Edifício Acaiaca está elaborando um projeto de restauração com o objetivo de transformar o imóvel em ponto turístico. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, ele ainda não foi protocolado para análise do Conselho de Patrimônio.

“Nós queremos devolver o prédio para as pessoas. O local é um ícone da cidade”, disse Antonio.

O Acaiaca é tombado pelo patrimônio municipal desde 1999.

Por Thais Pimentel

Fonte original da notícia: G1 MG




Caratinga (MG) – TJMG decide pela restauração do Cine Brasil

Foi publicado ontem o acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), reformando sentença proferida sobre a situação do Cine Brasil. O espaço deverá ser reconstruído em 90 dias, já que comprovou-se que se trata de um prédio tombado e entendeu-se pela condenação solidária dos réus Distribuidora de Tecidos São Thiago Ltda e a Prefeitura de Caratinga.  Votaram em acordo com o relator Peixoto Henriques, os desembargadores Oliveira Firmo e Wilson Benevides.

O relator ressaltou que a decisão pelo tombamento é de competência do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Caratinga, sendo vinculado o ato do prefeito de homologação do tombamento, ou de arquivamento, conforme decidido pelo Conselho. “Logo, uma vez existente a decisão sobre o tombamento, pela entidade legalmente competente, não cabe ao Poder Judiciário declarar a existência, ou não, de valor histórico e cultural do bem, sob pena de invasão de competência”.

Portanto, na decisão do desembargador Peixoto Henriques “conclui-se pela procedência do pedido de condenação da primeira ré, a Distribuidora de Tecidos São Thiago Ltda., em obrigação de fazer consistente na elaboração de projeto de restauração da edificação do imóvel denominado ‘Cine Brasil’ à situação em que se encontrava por ocasião da notificação de tombamento, no prazo de 90 dias, por profissionais habilitados, observadas as exigências técnicas e mediante prévia aprovação pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Caratinga, bem como na execução da restauração integral, conforme o projeto aprovado, no prazo de 12 meses a contar da aprovação”.

A empresa ainda deverá conservar e preservar o imóvel, após a sua restauração, dando-lhe “destinação compatível com suas características culturais e, ainda, ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, no valor de R$ 100.000, em prol do Fundo Municipal do Patrimônio Cultural de Caratinga”. Também foi fixada multa diária no valor de R$ 1.000, limitada a R$ 100.000, para o caso de descumprimento de alguma das obrigações a que é condenada.

O município de Caratinga também foi condenado ao solidário cumprimento das obrigações impostas à empresa ré (elaboração de projeto de restauração da edificação do imóvel, à situação em que se encontrava por ocasião da notificação de tombamento) e execução da restauração integral, bem como na obrigação de “não fazer”, consistente em “não autorizar a alteração do aspecto ou da estrutura da edificação, sem prévia aprovação dos órgãos competentes”.

O Caso

No dia 6 de julho de 2012, teve início a demolição da fachada do imóvel. Os proprietários desejavam construir um novo e moderno prédio para abrigar um centro comercial. Um grupo de pessoas se manifestou pedindo que não houvesse o prosseguimento dos trabalhos, mas a preservação do prédio.

Em 2009, o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Caratinga iniciou o processo de tombamento do prédio do Cine Brasil, pertencente à Distribuidora de Tecidos São Thiago LTDA – ME, uma das empresas do grupo comandado por Wantuil Teixeira de Paula. O juiz José Antônio de Oliveira Cordeiro compareceu ao local e determinou a suspensão do serviço.

Na ocasião, os proprietários do prédio apresentaram cópia do Decreto Executivo 1336, emitido pelo então prefeito João Bosco, em 18 de junho e publicado no dia 24, estabelecendo o arquivamento do processo de tombamento do Cine Brasil, assim como o alvará da Prefeitura, assinado pelo prefeito, autorizando a realização da obra de construção de um prédio no terreno onde está o antigo cinema, com 833 metros quadrados de área construída.

Mas o juiz Alexandre Ferreira, em resposta a uma ação civil pública cautelar preparatória impetrada pelo Ministério Público contra a Distribuidora de Tecidos São Thiago Ltda., empresa pertencente à Wantuil Teixeira, decidiu pela suspensão do decreto que determinou o arquivamento do processo de tombamento do Cine Brasil e do alvará para execução da obra, impedindo o proprietário do imóvel de demolir ou descaracterizar o prédio, sob o risco de multa de R$ 5 milhões, em caso de desobediência.

Já em julho de 2015, o juiz Alexandre Ferreira proferiu sentença considerando que o imóvel não tinha valor histórico ou cultural que justificasse sua conservação e preservação. Em sua decisão, o magistrado disse, “insisto, o valor histórico-cultural do Cine Brasil deveria ter sido comprovado nos autos, o que não ocorreu. Conforme já fundamentado, o Compac não pode sair escolhendo imóveis de forma aleatória para “decretar” sem justificativa plausível que os mesmos possuem valor histórico e cultural. Exige-se para tanto respaldo técnico, legal e, principalmente, bom-senso para que se possa atribuir a um bem valor histórico e cultural para ser tombado”.

Em outro trecho, o juiz ressaltou, “E como o imóvel não possui atributos que justifiquem a sua salvaguarda como patrimônio cultural municipal, impende a improcedência do pedido declaratório. Consequentemente, não há o que se falar em condenação da parte da ré em qualquer obrigação referente à preservação do prédio ou na obrigação de reparação por supostos danos coletivos”. Ao tomar conhecimento da decisão, o proprietário do imóvel mandou um caminhão munck e homens para o local e retomou o processo de demolição do prédio.

No entanto, dias depois, liminar foi expedida pelo desembargador Alberto Vilas Boas, da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em medida cautelar ajuizada pelo Ministério Público. A decisão determinou que a Distribuidora de Tecidos São Thiago LTDA – ME, uma das empresas do grupo comandado por Wantuil Teixeira de Paula, paralisasse imediatamente as obras de demolição e não promovesse qualquer intervenção no imóvel.

Nota enviada pela Prefeitura de Caratinga

Conforme se verifica no acórdão proferido pelo TJMG na data de 11/07/2017, acerca da discussão judicial sobre o tombamento do bem imóvel conhecido por “Cine Brasil”, localizado na Praça Getúlio Vargas, nesta cidade, ficou determinado que o CINE Brasil deverá ser preservado, tendo em vista os graves danos que poderiam ser, em tese, causados ao patrimônio histórico e cultural da cidade com sua deterioração. E todas as medidas protetivas ao bem cultural devem ser tomadas, posto que, por tratar-se de bem não renovável por assim dizer, uma vez configurado o dano, muitas vezes impossível será sua reparação material. Cabe ressaltar que a decisão foi publicada para as partes no dia 18/07/2017, portanto, ainda não transitou em  julgado, ou seja, cabe recurso.




Prefeitura de Araxá (MG) planeja revitalização do Museu Dona Beja e da Fundação Cultural Calmon Barreto

Empresa de Belo Horizonte foi contratada para fazer trabalho nos principais patrimônios da cidade. Investimento é de R$ 258 mil e prazos para conclusão não foram divulgados.

Os projetos seguem normas do IEPHA e do IPHAN. Foto: Prefeitura de Araxá/Divulgação

A Prefeitura de Araxá contratou uma empresa de Belo Horizonte para planejar a revitalização e restauração do prédio da Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB) e do Museu Histórico de Araxá, Dona Beja.

O orçamento previsto para a elaboração dos projetos é de R$ 120 mil para as melhorias, restaurações e reformas que serão efetuadas na FCCB e R$ 138 mil relacionados à restauração e revitalização do Museu Dona Beja.

Os projetos seguem normas do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Os projetos serão assinados pela arquiteta Zenóbia Vanda Gryzbowaki (Zica), de uma empresa especializada em prestação de serviços de restauração de bens culturais e naturais nas áreas de arqueologia, arquitetura, bens móveis e artes aplicadas, engenharia, espeleologia, história, museologia, museologia, paisagismo e urbanismo.

Após visita técnica à fundação, a arquiteta assinou um parecer técnico, onde afirma que “é necessária uma revitalização da edificação e também a criação de infraestrutura para realização de eventos na sua área externa”, conforme documento.

Alguns componentes que precisam fazer parte do projeto foram apontados, como acessibilidade, pisos de madeira, ladrilhos e cimentado revisados, revisão na cobertura para conter vestígios de águas pluviais, revisão e recuperação dos forros de madeira e das esquadrias, pintura das alvenarias e dos elementos em madeira e reparos também em equipamentos elétricos e instalações hidráulicas.

Já para o Museu Dona Beja, Zica também se manifestou sobre os itens que seriam necessários para constar no projeto de restauração e revitalização do local, como revisão nos forros de madeira, esquadrias e escadas, infiltrações, equipamentos elétricos, reparação das instalações hidráulicas e também acessibilidade.

“Podemos concluir que se faz necessária uma revitalização do Museu Dona Beja como um todo, na forma de mostrar a sua importância para a cidade e região, e consequentemente, atiçar a curiosidade da população e do turismo em geral,” afirmou.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




São Leopoldo (RS) – Antiga sede da Unisinos recebe obras de restauração

Prédio histórico que hoje abriga o CCIAS é patrimônio arquitetônico da cidade.

O prédio histórico onde está localizado o Centro de Cidadania e Ação Social (CCIAS), em São Leopoldo (RS), espaço que abriga os projetos sociais vinculados à uma das mantenedoras da Companhia de Jesus, a ASAV (Associação Antônio Vieira), e à Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), iniciou as obras de reforma de sua fachada.

Para dar início à reforma, que terá duração de seis meses e que teve início em abril, foi solicitado, junto ao Instituto de Patrimônio Histórico do Estado (IPHAE), uma autorização específica para a reforma, apresentando uma descrição das ações para que nenhuma característica arquitetônica fosse alterada. O complexo de prédios, que é tombado como patrimônio histórico, foi construído entre os anos de 1876 e 1890, abrigou a antiga sede da Unisinos e foi o campus principal da universidade até 1974.

O coordenador do CCIAS, padre Idinei Zen, salientou parte da história do prédio. “O complexo todo foi construído ao longo de vários anos. Primeiro, os jesuítas construíram a Igreja Nossa Senhora da Conceição, depois foi construído o prédio que se tornou o Colégio Conceição e o prédio do Colégio São José, que funcionou de 1872 a 1922”, relembra.

Segundo o jesuíta, atualmente, o prédio acolhe diversos projetos sociais, que desenvolvem suas atividades no espaço e assessoram outras iniciativas de ação social do município. “A entrega para a comunidade dos projetos sociais desenvolvidos na antiga sede é muito significativa, pois, semanalmente, inúmeras pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica recebem atendimento”, destaca.

De acordo com o gerente de serviços da Gerência de Serviço de Manutenção e Infraestrutura da Unisinos, André Luiz Cavalheiro, serão reformadas todas as fachadas externas do prédio, incluindo as que ficam no pátio interno. “Haverá a reforma do telhado, onde é necessário a revitalização de calhas e condutores pluviais”, complementa. As atividades no CCIAS seguem normalmente durante o período de reforma. “Como se trata de reforma de fachada, internamente não haverá interrupção das atividades. A atenção estará na área externa, com cuidados com o trânsito de pessoas em torno dos andaimes”, enfatiza André.

O diretor de Administração de Infraestrutura e Serviços da Unisinos, Marcos Baum, destaca a importância desse investimento feito para a cidade. “Além da preservação do patrimônio cultural, a valorização do passado e memória da cidade, o patrimônio arquitetônico representa o núcleo inicial do município, datado de 1877, resgatando as origens de São Leopoldo”, afirma.

Por Associação Antônio Vieira (ASAV)

Fonte original da notícia: jesuitasbrasil.com