Porto Alegre (RS) – Terceirizados do restauro no Instituto de Educação têm salários atrasados desde o início do ano, afirma sindicato

Atraso nos salários também prejudica o andamento da obra, que também está atrasada.

Instituto de Educação General Flores da Cunha. Foto: Eduardo Paganella / Rádio Guaíba

Após denúncias à Rádio Guaíba de que os salários dos trabalhadores terceirizados da empresa Porto Novo Empreendimentos, responsável pelo restauro no Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, estavam atrasados desde o início do ano, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Rio Grande do Sul confirmou o problema. Segundo o presidente da entidade, Gelson Santana, a empresa vem atrasando os salários dos terceirizados sistematicamente, desrespeitando os trabalhadores.

“Infelizmente, essa empresa vem, ao longo do tempo, fazendo isso com os trabalhadores. É uma das empresas que não respeita o seu trabalhador. Se você for olhar o histórico dessa empresa junto aos seus trabalhadores você vai ver que é uma coisa recorrente deles. A empresa tem sistematicamente atrasado os salários, tem inclusive feito demissões por justa causa para poder pagar os seus trabalhadores. É lamentável que mais uma vez o trabalhador é que saia perdendo nessa situação”, expõe Santana.

A Secretaria Estadual da Educação também foi questionada acerca dos atrasos no restauro da obra com a paralisação dos funcionários que não recebem os salários. Por nota, a pasta respondeu que a Porto Novo “descumpriu o cronograma de trabalho” – embora não tenha explicado o que seria essa violação – e, por isso, o pagamento à empresa foi suspenso. Após uma negociação, a Secretaria Estadual de Obras vai estabelecer, conforme a nota, novos prazos para a concretização da reforma. Um novo repasse dos recursos à empresa também deve ser feito nesta semana.

A Porto Novo Empreendimentos foi procurada pela reportagem ontem e hoje e informou que daria retorno com explicações do diretor Cláudio Ryff. Mas, até o momento, a empresa não se manifestou. A secretária do diretor explicou que Ryff disse a ela, ontem, que “a empresa ainda não pode se pronunciar” sobre isso, mas pediu para ser lembrado hoje para dar explicações à imprensa. Porém, procurados novamente nesta manhã, ainda não havia um posicionamento.

Veja a nota na íntegra:

“A empresa responsável pelas obras no Instituto de Educação General Flores da Cunha descumpriu o cronograma de trabalho e, por isso, o Governo do Estado suspendeu os pagamentos. Após negociação com a empresa, a Secretaria Estadual de Obras estabelecerá a prorrogação do contrato, prevendo, inclusive, novos prazos para a concretização da reforma. Nesta semana, o Governo do Estado fará um novo repasse e espera que as obras sejam retomadas nos próximos dias.” 

Instituto de Educação tem restauro atrasado

O governo do estado assinou o contrato de restauro do Instituto de Educação General Flores da Cunha em novembro de 2015 em um valor de R$ 22,5 milhões. Porém, as obras iniciaram somente na última semana de janeiro de 2016. A previsão inicial da Secretaria Estadual da Educação era que a obra durasse 18 meses, sendo concluída em agosto de 2017, permitindo o retorno das aulas no local. No entanto, ainda não há uma nova previsão de quando a obra deve ser finalizada.

Por Vitória Famer

Fonte original da notícia: Rádio Guaíba




Festa de Santo Antônio em Itatiaia, Ouro Branco (MG), terá imaginárias restauradas

Comunidade vai festejar o padroeiro com as imagens de Santo Antônio e Nossa Senhora da Mercês.

A Associação Sócio Cultura Os Bem-Te-Vis está empenhada em realizar uma festa de Santo Antônio inesquecível em 2017. A Igreja Matriz de Santo Antônio está em processo de finalização de restauro dos elementos integrados e, também, das imaginárias. Duas imagens se destacam e estarão prontas para a festa do padroeiro, no dia 13 de junho: a de Santo Antônio e a de Nossa Senhora das Mercês. As solenidades para a Festa de Santo Antônio, tradicional e realizada desde a fundação da localidade, tem início no dia 31 de maio, com a trezena em honra ao padroeiro, com a presença de toda a comunidade e, ainda, a reza do terço, cantos, missas e procissões. No 12º dia da trezena, 11 de junho, às 15h, haverá missa solene seguida de procissão das imaginárias de Santo Antônio e Nossa Senhora das Mercês pelas ruas de Itatiaia, com a participação da comunidade.

A Associação é a instituição responsável pelo processo de restauro e, ao representar a comunidade de Itatiaia, entrega aos moradores da localidade um presente cheio de significado. A festa do padroeiro com a igreja restaurada e as imagens recuperadas e preparadas são mostra de que a comunidade, unida, consegue grandes avanços. Assim, a Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis promove a integração dos moradores da localidade e a preservação de seu bem mais precioso.

O restauro das imaginárias da Matriz de Itatiaia começou com um levantamento dos objetos pertencentes à igreja: das vestes e paramentos às peças utilizadas nas celebrações e pratarias, passando pelas imagens que compunha os altares laterais, colaterais e mor. “Acredito que muita coisa se perdeu, talvez por falta de conhecimento e, principalmente, devido ao roubo que causou grande perda e tristeza para a comunidade”, enfatiza o restaurador, em referência ao roubo de peças sacras que abalou a comunidade de Itatiaia na década de 1990. A perda das peça deixou sérias marcas no coração dos moradores de Itatiaia, que hoje aguardam com ansiedade pelo término das obras de restauro e pela volta o esplendor original da Matriz de Santo Antônio.

Para Wilton Fernandes, presidente da Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis, o preparo e o restauro das imagens de Santo Antônio e de Nossa Senhora das Mercês para a festa do padroeiro é mais uma vitória da comunidade. “Acompanhar o restauro da Matriz e das imaginárias tem mexido muito com a emoção de todos em Itatiaia. Agora, com as duas imagens prontas, para a festa do padroeiro, o sentimento se intensifica, enquanto nós, da Associação, reforçamos as ações de educação patrimonial, para que nosso patrimônio se mantenha preservado”, reforça.

A Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis comemora o restauro da Matriz de Santo Antônio, em Itatiaia (Ouro Branco/MG) como fruto do esforço da comunidade local, que se uniu e que está trabalhando, há vários anos, para que seu bem mais precioso se mantenha preservado. A Associação enfrentou diversos obstáculos para que os projetos de restauro fossem aprovados nos órgãos competentes e obtivessem patrocínio integral, e não descansou até conseguir realizar o sonho de ter a Matriz em todo seu esplendor, restaurada e segura, para a comunidade.

Matriz de Santo Antônio – Itatiaia
A Matriz de Itatiaia foi construída na primeira metade do século XVIII por iniciativa das irmandades do Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São Benedito. Apresenta duas etapas distintas de construção. A parte dos fundos do templo (capela-mor e corredores laterais) foi executada em estrutura de madeira com vedação de pau-a-pique e aparenta ser a primitiva capela original. A ela foram acrescidas, posteriormente, a atual nave, as torres e o frontão, em pedra. (Fonte: Iphan)

Durante os anos de 1982 a 1984, a matriz ficou exposta às intempéries climáticas, que acabaram por danificar os altares laterais e colaterais da nave e o forro, que foi perdido. O trabalho de restauro dos bens integrados da Matriz de Santo Antônio é realizado pela Associação Sócio Cultural Os Bem-Te-Vis, em parceria com o Banco  Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com o apoio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo Federal. O projeto prevê a recuperação do interior da construção, contemplando elementos artísticos como retábulos, púlpito, arco-cruzeiro, balaustrada da nave e pia batismal. Também estão contempladas a reforma do assoalho, a instalação de câmeras de segurança, a laminação do telhado e a restauração e conservação  do acervo de imaginárias.

Por João Paulo Silva

Fonte original da notícia: Jornal Voz Ativa




Atrasos põem em risco calendário de restauro do Teatro Municipal de Sabará (MG)

Em processo de restauração, Teatro Municipal de Sabará corre o risco de não abrir as cortinas em janeiro, como previsto inicialmente. Atrasos nos recursos do PAC reduzem ritmo das obras.

Inaugurado em 1819 e chamado originalmente Casa da Ópera, o teatro começou a ser restaurado em outubro, mas, com a lentidão nos repasses financeiros, o número de operários foi reduzido de 10 para três. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Devagar, quase parando. Uma das mais antigas salas de espetáculos do país, o Teatro Municipal de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é palco de obras de restauro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, mas corre o risco de não reabrir as cortinas na época prevista – janeiro do ano que vem. De acordo com a prefeitura local, o governo federal não vem repassando os recursos em tempo hábil, o que obriga a empresa contratada a reduzir o número de operários – eram 10, hoje são três – e também o ritmo do projeto de recuperação do prédio inaugurado em 1819 e chamado originalmente Casa da Ópera. “Sem chance de reinaugurar daqui a oito meses, pois só 20% dos trabalhos foram executados”, alerta o prefeito Wander Borges (PSB).

Com obras iniciadas em outubro de 2016 e valor total da restauração estimado em R$ 2,6 milhões, o teatro, localizado na Rua Dom Pedro II, no Centro Histórico, tem atraso em duas parcelas, cujo montante é repassado à prefeitura pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Borges conta que a medição (serviço concluído) feita em março e totalizada em R$ 75 mil ainda não foi paga, mesmo com a vistoria feita pelo Iphan. O mesmo ocorre com outra de R$ 106 mil, cuja medição foi feita em 19 de maio e ainda não recebeu vistoria. Portanto, conforme a prefeitura, o valor pago até este mês é de R$ 299,6 mil.

“Vamos tocando o serviço como podemos. Esse teatro é fundamental para a população de Sabará”, diz o chefe do Executivo, destacando que o espaço em estilo elisabetano sempre foi vital para fomentar a cultura, pois apresentava peças infantis com entrada franca, espetáculos de dança e teatro de grupos locais e de outros estados que, ao vir à capital, estendiam a viagem ao município vizinho. “Agora, não temos um lugar para oferecer esses eventos ao público”, lamenta.

Preocupado com a situação, Borges conta que outros prédios históricos estão fechados, alguns correndo risco de degradação acentuada, como o da prefeitura, o Solar Padre Corrêa, também na Pedro II. Nesse caso, a intervenção também é do PAC, que tem, no município, nove ações selecionadas para receber os investimentos. De tão lamentável o estado do sobrado, a administração municipal teve que se mudar para um prédio próximo, o Solar Dona Sofia, antiga Secretaria Municipal de Cultura. O prefeito chama atenção ainda para a centenária Escola Estadual Paula Rocha, na Praça Melo Viana, fechada há quatro anos, e o Cine Bandeirantes (Centro Cultural José Costa Sepúlveda), na Rua Luís Cassiano, fechado há cinco.

Com recursos municipais e para evitar deterioração, a atual gestão vai empreender obras emergenciais na Capela do Senhor Bom Jesus, onde, na Semana Santa, ocorre uma grande peregrinação de madrugada; na Capela de Nossa Senhora do Ó, que terá madeira vinda de uma oficina do Iphan em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, com transporte, mão de obra e outros materiais custeados pela municipalidade; no Passo de Simão Cirineu; e nas igrejas de São Francisco e de Santo Antônio do Pompéu, incluídas no PAC Cidades Históricas e necessitando de cuidados urgentes.

A direção do Iphan reconhece que há realmente duas medições sem pagar e a explicação é que foram apresentadas ao Iphan apenas no fim da semana passada. A autarquia federal informa que o valor total do restauro do teatro já foi empenhado, mas o pagamento depende do andamento da obra. “Dessa forma, se não foi tudo pago até agora, é de responsabilidade da prefeitura local, que não deu o devido encaminhamento aos serviços”, avisa. De todo jeito, amanhã, o diretor do PAC Cidades Históricas, Robson de Almeida, estará em Sabará para uma visita técnica à obra.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Obra de arte

Quem já assistiu a um espetáculo no Teatro Municipal de Sabará, com 400 lugares, sabe que o espaço é obra de arte genuína, tanto que recebeu a visita dos imperadores dom Pedro I (1798-1834), em 1831, e dom Pedro II (1825-1891), em 1881. Embora sem as cadeiras e ornamentos, dá gosto ver a sala em estilo italiano, em forma de ferradura, com vasto palco elevado e ótima visibilidade. Conforme as pesquisas, há três andares de camarotes, com detalhes que enriquecem a história: “As portas de entrada pertenceram à antiga cadeia. A cortina do pano de boca foi pintada pelo conhecido pintor alemão George Grimm, que veio ao Brasil em 1874 e foi professor por algum tempo na Academia de Belas-Artes, no Rio de Janeiro”.

Nesse ambiente, os operários se revezem em serviços na plateia e no foyer do prédio, que está cercado por tapumes. E os moradores têm orgulho em dizer que, nesse palco, com “uma das melhores acústicas da América”, se apresentaram artistas renomados, a exemplo de Paulo Gracindo, Ítala Nandi, Arthur Moreira Lima, Belchior, Roberto de Regina, Nelson Freire, Clementina de Jesus, Jackson Antunes, Felipe Silvestre, Marco Antônio Araújo e Maria Lúcia Godoy. Placas na entrada indicam reformas em 1970, 1983 e 1996 e informam que, há 30 anos, a propriedade do prédio passou do estado para a prefeitura.

A obra de restauro preveem a manutenção das características originais do teatro, como as técnicas construtivas tradicionais e os elementos decorativos em madeira e a adaptação da casa às exigências atuais de conforto, segurança e acessibilidade. Pelo projeto, o anexo lateral receberá novos banheiros e terá “linguagem contemporânea” para diferenciar o prédio atual do antigo. Todos os elementos, como cobertura, pisos, forros, portas, janelas vão merecer reparos, havendo pintura de alvenarias, da estrutura de madeira aparente e das partes metálicas.

O projeto contempla também as instalações elétricas, luminotécnicas, de sonorização, de segurança e de prevenção e combate a incêndio, que serão adequadas a fim de garantir o bom funcionamento do local. Foi ainda idealizada uma rota acessível a pessoas portadoras de necessidades especiais e com mobilidade reduzida, em todos os níveis do teatro, e outra específica para os artistas.

História

De acordo com as pesquisas, a antiga Casa da Ópera de Sabará é um dos mais interessantes edifícios de Minas, principalmente por ser o teatro um programa pouco comum na época de abertura. Em 1831, viveu grandes momentos com a visita do imperador dom Pedro II. Sabe-se que o teatro foi erguido em terreno pertencente ao alferes Francisco da Costa Soares, com a constituição de uma sociedade anônima da qual o povo participou e reuniu recursos para a obra. Diz um documento que “aos poucos, os cotistas proprietários do teatro foram doando suas ações à Santa Casa de Sabará, que mantinha a maioria das cotas na ocasião de seu tombamento em 1963. No século 20, transformou-se em Cine -Teatro Borba Gato, entrando em total decadência.

Sem visitação

Em Sabará, três prédios estão fechados à visitação pública e sem uso permanente. Confira:

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Solar Padre Corrêa, sede da prefeitura local
Localizado na Rua Dom Pedro II, no Centro Histórico, o sobrado está ameaçado, com o forro deteriorado, e interditado desde julho de 2016. Com isso, o Executivo e outros setores da atual gestão tiveram que mudar integralmente de endereço. Obras estão incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Escola Estadual Paula Rocha
Fica na Praça Melo Viana, no Centro Histórico, e está fechada há quatro anos. Já foi feita a licitação pelo governo estadual, faltando assinar a ordem de serviço para começo da reforma. Em 22 de junho, completará 110 anos de fundação.

Foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press

Cine Bandeirantes, atual Centro Cultural José Costa Sepúlveda
Está fechado há cinco anos. Obra foi restaurada pela prefeitura em parceria com a Vale, em 2012, mas não houve inauguração do equipamento, que sofreu alterações em 2015 e teve o uso inviabilizado para atender o público. Os recursos são municipais.

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




São Paulo (SP) – Grafites dos Arcos do Jânio são apagados e estrutura passa por restauro

Obra começou na gestão Haddad e Doria anunciou painel de grafites como os da cidade de Miami.

Arcos do Jânio sem os grafites. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Os grafites dos arcos da Rua Jandaia, conhecido como os “Arcos do Jânio”, vistos por quem passa pela 23 de Maio, no Centro de São Paulo, foram apagados.

Em janeiro, a Prefeitura já havia anunciado que apagaria os grafites e colocaria um novo projeto para grafiteiros e muralistas que terá como referência a cidade norte-americana de Miami.

A obra de restauro ainda não foi finalizada. Há tapumes na estrutura e equipe trabalhando.

Iniciadas em novembro de 2016, ainda na gestão Fernando Haddad, as obras para o restauro tem um custo total de R$ 658.253,11. Os recursos são do Funcap (Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano).

Polêmica

Grafites nos Arcos do Jânio. (Foto: Cíntia Acayaba/G1)

Em fevereiro de 2015, o grafite com o suposto rosto do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, foi pichado. Os pichadores escreveram “Hugo Chá. É o Chávez sim e desenharam um pênis.

O autor do desenho, Rafael Hayashi, disse, no entanto, que a intenção era retratar um “homem negro, mas a imagem ficou distorcida”.

Depois da pichação, o grafite ganhou uma intervenção de artistas que desenharam uma venda vermelha nos olhos do desenho e uma mão tampando a boca. A intenção, segundo o artista, era dar resposta aos ataques e à censura ao seu trabalho.

Grafite nos Arcos do Jânio de suposto rosto de Hugo Chávez pichado. (Foto: Cíntia Acayaba/G1)

Fonte original da notícia: G1 SP




Justiça determina restauração do Teatro Grande Otelo em Uberlândia (MG)

O prazo para início efetivo das obras é de 18 meses. Secretaria Municipal de Cultura de posicionou sobre o assunto.

Foto tirada em 2015 mostra situação do Teatro Grande Otelo em Uberlândia. (Foto: Caroline Aleixo/G1)

A Justiça determinou que o Município faça a restauração do Teatro Grande Otelo, em Uberlândia. O prazo para início efetivo das obras concedido na decisão, da qual não cabe recurso, é de 18 meses. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (5) em nota no site do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).

Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura informou que um projeto de restauro destinado ao Teatro Grande Otelo está em fase de elaboração. Após a conclusão dessa etapa, o Município analisará alternativas financeiras para a execução da obra.

A Ação Civil Pública foi proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Uberlândia, e acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que o município proceda à completa restauração do teatro, de reconhecido valor histórico-cultural para a população do município.

Segundo a ação, o imóvel onde funcionava o teatro encontra-se em situação de completo abandono e interditado.

O promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural de Uberlândia, Marcus Vinícius Ribeiro Cunha, disse que trata-se de importante decisão judicial que resguarda o direito do povo de Uberlândia à preservação de seu patrimônio histórico e cultural, como forma de manutenção do sentimento vivo quanto ao seu passado.

“Iremos acompanhar de perto essa restauração do imóvel e esperamos, sinceramente, que o município entregue de volta ao povo uberlandense o Teatro Grande Otelo, de inegável importância para a preservação da memória e identidade da cidade”, declarou o promotor.

Valor histórico e arquitetônico

A construção do Cine Vera Cruz, que posteriormente passou a abrigar o Teatro Grande Otelo, fez parte do processo de urbanização da Vila Operária ocorrido na década de 60 e onde atualmente é o Bairro Aparecida.

Construído em 1966, o prédio foi projetado pelo engenheiro Nelson Gonçalves Prado e não obedeceu a nenhum estilo arquitetônico específico. Em 1993, passou a ser chamado de Teatro Grande Otelo em homenagem à personalidade das artes cênicas brasileiras, nascida em Uberlândia e conhecida nacionalmente por atuações em filmes humorísticos.

A edificação constitui-se de dois pavimentos, com volumetria em um bloco retangular único, implantado em um terreno na esquina da Avenida João Pinheiro com a Rua Monte Alegre. O prédio, que ocupa quase toda a área de 800 m², não apresenta recuos frontais ou laterais e tem capacidade para 300 lugares.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




Obra sacra de Garopaba recebe restauro em Florianópolis (SC)

Os restauradores trabalham em uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Foto: Karina Ferreira/Agência AL/Divulgação/Portal Notisul

Uma imagem sacra da igreja São Joaquim, de Garopaba, está sendo restaurada pelo Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Móveis do Estado (Atecor), que funciona no Centro Integrado de Cultura (CIC), na capital. O órgão também trabalha na restauração de obras sacras das igrejas de São Miguel Arcanjo, de São Miguel, em Biguaçu, e de Nossa Senhora das Necessidades, de Santo Antonio de Lisboa, em Florianópolis. Elas estão em fase adiantada de restauração.

Da bicentenária igreja de Garopaba, os restauradores trabalham em uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Segundo Marcelino Correia, restaurador e conservador do Atecor, trata-se de uma imagem de cerca de um metro de altura, de cedro vermelho, produzida entre os anos de 1875 e 1880. “Foi feita por um mestre baiano e pintada no Rio de Janeiro. Atrás da imagem tem uma etiqueta da Loja “A Minerva”, que entre outros objetos vendia peças sacras”, explicou Marcelino.

Metodologia italiana

As restaurações feitas no ateliê seguem a metodologia do italiano Cesare Brandi. De acordo com Brandi, o leigo precisa perceber os locais que foram restaurados. É a regra da distinguibilidade, ou seja, a ação do restaurador deve ser diferente do trabalho do artista. Em seguida vem a regra da reversibilidade, isto é, a possibilidade de reverter a intervenção do restaurador.

Brandi também defende a compatibilidade dos materiais usados no restauro com aqueles que compõem a obra. E por último, a ideia de intervir o mínimo possível na obra em restauração.

Situação preocupante

Sobre a situação do patrimônio histórico abrigado nas igrejas centenárias do estado, o quadro é preocupante. No caso de uma Igreja de Porto Belo, por exemplo, todas as imagens de madeira foram vandalizadas e queimadas sobre o altar.

“As igrejas restauradas recentemente, como a de São José, têm sistema de segurança”, afirmou Marcelino Correia, reconhecendo que dezenas de outras não dispõem de dispositivos antifurto.

Fonte original da notícia: NotiSul




Catedral da Sé de Mariana (MG) será repintada com tons do século 18

Cores usadas na pintura do templo serão o bege-claro e o vinho, descobertos sob camadas de tinta após prospecções no monumento.

Fachada da catedral, que passa por restauração desde janeiro de 2016, com obras de arquitetura, estrutura, drenagem e instalação hidrossanitária. (Foto: Samuel Consentino/Prefeitura de Mariana/Divulgação)

Fachada da catedral, que passa por restauração desde janeiro de 2016, com obras de arquitetura, estrutura, drenagem e instalação hidrossanitária. (Foto: Samuel Consentino/Prefeitura de Mariana/Divulgação)

Camadas de história, tons do patrimônio e registro de outros tempos. A catedral pioneira de Minas, e uma das cinco primeiras do Brasil, atualmente em restauro, terá de volta nas paredes, esquadrias, portas e janelas as cores antigas, que vão substituir o cinza da fachada e o verde da entrada principal. Depois de 160 prospecções pictóricas (pequenas janelas feitas nas pinturas) da Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida como Catedral da Sé de Mariana, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se surpreenderam ao encontrar bege-claro nas paredes e vinho nas demais partes da construção do século 18. Diante da descoberta, foi convocada uma audiência pública para a comunidade decidir, por meio de voto, que rumo seguir. “E a maioria decidiu pelas cores achadas sob camadas de tinta”, disse, ontem, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino.

“Não sabemos de quando datam essas cores, portanto, não podemos dizer que são as originais. O bege claro e o vinho estavam sob quatro camadas de tinta e, ao longo do tempo, houve repinturas e remoções. Dessa forma, elas mantêm uma unidade nas paredes de dentro e de fora da igreja”, conta a arquiteta do escritório técnico do Iphan em Mariana, arquiteta Flora Passos, que coordenou a audiência pública realizada no dia 27 na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. “Uma semana antes da audiência, fizemos uma reunião técnica, com análise das prospecções, com especialistas do campo do restauro, incluindo representantes da prefeitura local, Arquidiocese de Mariana, Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana e sociedade civil”, explica Flora.

Na audiência pública, 51 pessoas votaram a favor das cores bege claro e vinho e 10, contra. “A audiência foi proposta porque entendemos que a decisão sobre a pintura de um monumento como a Catedral da Sé, igreja matriz do município, requer um processo participativo e horizontalizado. As cores fazem parte do imaginário social e interferem no modo como as pessoas se apropriam do patrimônio cultural na cidade”, observa Flora.

Conclusão.
A previsão é de que a restauração iniciada em janeiro de 2016, e compreendendo arquitetura, estrutura, drenagem e instalação hidrossanitária, termine em junho, estando até lá pronta a pintura da fachada e do interior do templo, considerado também a primeira catedral do interior do país. Uma das 15 ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas em Mariana, a intervenção demandou, até hoje, recursos de R$ 1,5 milhão do governo federal. Paralelamente, são conduzidos trabalhos arqueológicos, tendo em vista a grande quantidade de ossos encontrada sob o piso da catedral e da praça em frente. A parte posterior do projeto, a ser ainda contratada, vai contemplar elementos artísticos e serviços complementares (parte elétrica, luminotécnica, segurança contra descargas elétricas e outros).

Satisfeito, o pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, cônego Nedson Pereira de Assis, diz que a descoberta valoriza ainda mais o patrimônio de Mariana, que é a primeira vila, cidade e diocese de Minas. “Realmente, não se pode dizer que seja a cor primitiva, pois estamos falando de uma igreja de mais de 300 anos. De todo jeito, é a mais antiga encontrada nas prospecções. Fizemos o convite, nas missas e outras celebrações, para a participação da comunidade na escolha da cor da catedral que é ‘primaz de Minas’”, disse o cônego.

Construção. A história da catedral começa em 1704, quando o bispo do Rio de Janeiro dom Frei Francisco de São Gerônimo, com jurisdição sobre Minas, cria a paróquia – nessa época, havia no arraial apenas as capelas de Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Conceição. Três anos depois, ocorreu a instalação da matriz, transferida da Igreja do Rosário Velho (atual Capela de Santo Antônio) para a Capela de Nossa Senhora da Conceição, por oferecer mais espaço e estar no centro urbano que não parava de crescer.

Após a criação da Vila do Ribeirão do Carmo (nome primitivo de Mariana), em 8 de abril de 1711, a coroa portuguesa determinou que a câmara se empenhasse na construção da matriz. Em 14 de maio de 1714, os “notáveis” da Vila do Carmo se reuniram para garantir os recursos. A obra é confiada ao mestre Jacinto Barbosa Lopes, então vereador da câmara. Padre Nedson conta que, em arquivo do Legislativo, está um documento datado de 1716, convidando o mestre “a vir concluir as obras da matriz” comandadas pela Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Entre 1716 e 1718, foram concluídas as obras da matriz, no sistema construtivo de madeira e taipa. Em 1734, a igreja foi alvo de uma intervenção radical: a reedificação arrematada pelo pedreiro Antônio Coelho da Fonseca, sendo, nesse período, incluída no projeto a divisão em três naves e concluídas a fachada e as torres. Doze anos depois (1745), o rei de Portugal, dom João V, elevou a vila do Ribeirão do Carmo à categoria de cidade, dando-lhe o nome de Mariana. Em 6 de dezembro daquele ano, pela bula Candor Lucis Aeternae (Resplendor da luz eterna) do papa Bento XIV, é criada a diocese de Mariana, a primeira do interior do país e primaz de Minas. Os retratos antigos ajudam a contar a história, com o registro, do início do século passado, quando ainda havia a Capela do Senhor dos Passos.

A mudança na pintura do templo foi aprovada em audiência pública. (Foto: Iphan/Divulgação)

A mudança na pintura do templo foi aprovada em audiência pública. (Foto: Iphan/Divulgação)

Cronologia – Catedral Primaz de Minas

1704
Criação da paróquia por dom Frei Francisco de São Gerônimo, bispo do Rio de Janeiro com jurisdição sobre Minas.
Na época, havia as capelas de Nossa Senhora do Carmo e da Conceição

1707
Instalação da matriz, transferida da Igreja do Rosário Velho (hoje Capela de Santo Antônio) para a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que era mais ampla e no meio urbano

1711
Criação da Vila do Carmo e determinação, pela Coroa portuguesa, que a câmara se empenhasse para a construção da nova matriz

1713
Início da construção da matriz, hoje Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida como Catedral da Sé de Mariana

1745
Em 6 de dezembro, pela bula Candor Lucis Aeternae, do papa Bento XIV, é criada a diocese de Mariana, a primeira do interior do país e primaz de Minas

1753
Chega a Mariana o órgão Arp Schnitger, presente da Coroa portuguesa ao primeiro bispo de Mariana, dom Frei Manoel da Cruz

1906
Em 1º de maio, a diocese é elevada à categoria de arquidiocese e Sé metropolitana pelo papa São Pio X, por meio da bula Sempiternam Humani Generis

1961
Elevação da Catedral de Nossa Senhora da Assunção, pelo Vaticano, à categoria de Basílica Menor

2016
Em janeiro, início da obra de restauração (arquitetura, estrutura, drenagem e instalação hidrossanitária)

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas




Porto Alegre (RS) – Restauro da Praça da Matriz começa na próxima semana

Monumento será analisado por especialistas europeus. JC

Monumento será analisado por especialistas europeus. JC

Localizada no centro político de Porto Alegre, a Praça da Matriz, enfim, passará por um processo de restauração. A intervenção, que deve durar dois anos, tem financiamento garantido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do Ministério do Planejamento. A primeira etapa da requalificação envolve a restauração do monumento a Júlio de Castilhos e será iniciada na semana que vem.

Somente a restauração do monumento deve custar em torno de R$ 1,1 milhão, de acordo com o arquiteto da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), Luiz Merino. “A obra inclui também a plataforma em volta do monumento, as muretas, o piso e a escadaria”, explica. Para análise do dano à obra de arte e para a execução dos trabalhos, foram recrutados especialistas europeus, indicados pelo Iphan. Uma comissão de profissionais da SMC, do Iphan e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente também estará envolvida. O trabalho deve durar oito meses, com conclusão prevista para abril.

Já a requalificação da área da praça como um todo será mais demorada. “Vamos começar a partir do término da primeira etapa, ocorrida em meados de novembro, e deve levar um ano para ser concluída”, calcula Merino. Para essa etapa, será necessário um investimento de R$ 2,81 milhões. “Será realizada uma restauração paisagística. Nada será trocado, tudo vai ser restaurado”, detalha. Os gradis e os bancos, por exemplo, serão retirados para pintura e aperfeiçoamento, e depois, devolvidos à praça.

As pedras portuguesas do piso, que, de acordo com Merino, são de boa qualidade, podem ser reaproveitadas, e as luminárias antigas que estão instaladas no local serão recuperadas. Merino ainda acrescenta que o número de bancos aumentará de 30 para 60.

A verba do PAC Cidades Históricas destinada ao Rio Grande do Sul foi anunciada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013. Jaguarão, Pelotas, Porto Alegre e São Miguel das Missões receberam um total de R$ 151,22 milhões para a execução de 29 projetos de restauração de monumentos históricos.

Por Suzy Scarton

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Cachoeira do Sul (RS) – HCB histórico na reta final

Proposta precisa ser apresentada para avaliação e aprovação.

Primeira bica pública e caixa d’água na Praça Itororó, próximo ao HCB.

Primeira bica pública e caixa d’água na Praça Itororó, próximo ao HCB.

O projeto arquitetônico para o restauro do sítio histórico do Hospital de Caridade e Beneficência está praticamente concluído pela organização da sociedade civil Defender – Defesa do Patrimônio Histórico. Conforme o presidente da Defender, Telmo Padilha, será agendado ainda um encontro do responsável técnico com a administração do HCB para avaliação das propostas.

Uma das hipóteses levantadas recentemente, revela Padilha, é a transformação do atual prédio da Escola de Saúde em um museu do HCB. Este prédio, tombado como patrimônio histórico do Município, foi inaugurado em 1908, sendo a primeira sede do hospital em Cachoeira. “Será feito um estudo de viabilidade. Caso isso seja possível, seria construído um prédio anexo para a escola”, comenta Padilha.

Etapas

A revitalização do sítio histórico envolve ainda outros imóveis – como a primeira bica de Cachoeira do Sul e a primeira caixa d’água – estruturas que ficam no estacionamento do hospital, onde ficava a Praça Itororó. Segundo informa a assessora da Defender, Silvana Losekann, uma das ideias que será apresentada ao HCB é que os projetos de revitalização sejam apresentados por etapas, para que o custo do projeto não fique tão alto para um futuro patrocinador.

Importante

A proposta técnica de revitalização do HCB custou R$ 244 mil e foi custeada pela Corsan porque o sítio histórico envolve as primeiras caixas d’água e hidráulica da Corsan no município, as duas situadas na Praça Itororó. A Defender foi contratada pela Corsan para elaborar o projeto de revitalização do sítio histórico e entregou, sem custos para a estatal, o projeto executivo de restauração do Chatodô.

Atenção
Para custear a obra, a Defender deve apresentar um projeto ao Ministério da Cultura para obter aprovação através da Lei Rouanet. Se aprovado, a próxima fase é a busca de recursos junto a empresas, que podem descontar do Imposto de Renda a pagar os valores para custeio da restauração.

Uma pergunta

Por que restaurar o sítio histórico do HCB?

Não há nenhuma entidade com maior apelo comunitário em Cachoeira do Sul desde sua concepção do que o Hospital de Caridade e Beneficência. O imóvel que fica em frente à casa de saúde foi sua primeira sede e é tombado pelo Município como patrimônio histórico. Toda a construção do HCB, segundo registros históricos, teve a participação e envolvimento da comunidade cachoeirense, seja na doação de recursos para a obra ou até mesmo de material ou serviços. O sítio histórico compreende ainda a primeira bica pública de Cachoeira do Sul, onde os cidadãos iam buscar água, além da primeira caixa d’água, que abastecia toda a zona baixa do município antigamente.

Por Vinícius Severo

Fonte original da notícia: Jornal do Povo




RS – Cachoeira inaugura em definitivo o Château D’Eau repaginado

Prefeito Ghignatti junto às ninfas: entrega oficial do Château D'Eau à cidade aconteceu neste sábado / Foto: O Correio

Prefeito Ghignatti junto às ninfas: entrega oficial do Château D’Eau à cidade aconteceu neste sábado / Foto: O Correio

O restauro do Château D’Eau, principal monumento de Cachoeira do Sul, foi inaugurado em definitivo no final da tarde deste sábado (25) em cerimônia realizada junto ao complexo arquitetônico da Praça Balthazar de Bem, onde ficam também o Paço Municipal e a Catedral Nossa Senhora Conceição. Autoridades e a comunidade de Cachoeira do Sul presenciaram o momento histórico da entrega das obras executadas pelo Estúdio Sarasá, financiadas pela Corsan e com a supervisão da Prefeitura.

A solenidade foi aberta pelo restaurador Antônio Sarasá, proprietário do Instituto Sarasá, que tem em seu portfólio restauro de prédios históricos, como o Teatro Municipal de São Paulo, os vitrais da Catedral de Brasília e o Museu do Ipiranga. Ele falou sobre o desafio que foi o restauro do Chatodô, cuja estrutura estava bastante desgastada pela ação do tempo e depredada pelo vandalismo. “Fomos aprendizes com esta obra, que nos exigiu muito. Trabalhar com o patrimônio é manter a memória viva”, discursou.

Representante do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cachoeira do Sul (Compahc), a professora e pesquisadora Miriam Ritzel também destacou a importância da preservação de monumentos históricos e culturais para a preservação da identidade de um povo. “O povo que guarda seu passado jamais perderá a sua identidade”, frisou.

Na mesma linha, o presidente da Corsan, Flávio Ferreira Presser, destacou que “assim como devemos conservar os nossos recursos hídricos, temos de conservar o nosso patrimônio”. “Parabéns, Cachoeira do Sul, pela demonstração de civismo e compromisso com a cultura”, complementou o secretário estadual da Cultura, Esporte e Lazer, Victor Hugo.

As obras do Château D’Eau tiveram início na administração municipal anterior, do ex-prefeito Neiron Viegas. O projeto é da Organização da Sociedade Civil Defender, entidade presidida pelo produtor cultural Telmo Padilha.

Ghignatti: “Quando criança, muito tomei banho junto às ninfas”

O prefeito Sergio Ghignatti subiu ao palanque e relembrou que o projeto de restauro do Château D’Eau foi um dos itens decisivos para que o município renovasse o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto com a Corsan, no seu primeiro mandato, em 2011.

Ele afirma ter um carinho todo especial pelo monumento, e até contou que se banhava nas águas junto às ninfas na época em que seu pai, Henrique Ghignatti, foi prefeito de Cachoeira do Sul. “Quando criança, muito banho eu tomei junto aos chuveirinhos das ninfas quando trazia lanche para o meu pai aqui na Prefeitura”, recordou o prefeito Ghignatti, arrancando gargalhadas do público.

Com o restauro, as ninfas deixam de jorrar filetes de água. O restaurador Antônio Sarasá explica que a decisão foi tomada porque a água que passava internamente pelas oito ninfas acabavam degradando ainda mais as estruturas.

Tombado pelo Estado

Tombado como patrimônio histórico e cultural do município de Cachoeira do Sul em agosto de 2012, o Château D’Eau foi também reconhecido neste sábado como patrimônio do Rio Grande do Sul. O processo de tombamento foi finalizado com a assinatura do secretário de Cultura, Victor Hugo, e do prefeito Sergio Ghignatti, no final da solenidade.

O secretário Victor Hugo salienta que o Estado – através da Secretaria da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) – passa a ter responsabilidade solidária com a manutenção do Château D’Eau. “Temos uma política de não banalizar os tombamentos, mas nesse caso houve o restauro e um processo muito bem instruído”, explica.

O ato de tombamento vai ser publicado nos próximos dias no Diário Oficial do Estado. Após a cerimônia, o público acompanhou a apresentação da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), na Catedral Nossa Senhora Conceição.

Château d’Eau

– O Château D’Eau foi construído em 1925 para levar a água, por gravidade, ao reservatório de distribuição, localizado na Rua Júlio de Castilhos e, ao mesmo tempo, regular a pressão da água nas zonas mais elevadas. Com o passar do tempo e o crescimento da cidade, no início da década de 1970, o equipamento deixou de ser usado para o abastecimento de água, tornando-se apenas um chafariz. Desde então, o local sofreu com a ação do tempo e foi preciso um trabalho técnico de recuperação, de acordo com a importância do monumento.

– O Château D’Eau é um torreão vazado, em estilo neoclássico, com colunas dóricas no térreo, jônicas no primeiro andar e coríntias no último lance. No topo está a representação de Netuno e, ao redor do torreão, oito figuras de ninfas semi-inclinadas carregando cântaros, de onde jorram filetes de água para dentro de um espelho d’água recortado em compartimentos pelas alamedas que conduzem às escadarias.

– Orçadas em cerca de R$ 1 milhão, as obras de restauro também incluíram nova iluminação, restauro do espelho d’água e paisagismo.

Fonte original da notícia: O Correio