Restauro de casarão marca volta dos cinemas de rua e revitalização do centro histórico de Curitiba (PR)

Dez anos depois, Cine Passeio, que terá cinema a céu aberto, está prestes a ser entregue com a ideia de revitalizar o centro histórico.

Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Quase dez anos e três trocas no comando da gestão municipal depois, a entrega da obra do complexo de cinemas de rua Cine Passeio é passo importante (ainda que tardio) na proposta de revitalização do centro histórico de Curitiba.

O novo centro cultural da cidade será inaugurado no mês de maio e irá abrigar além de duas salas de cinema (Cine Luz e Cine Ritz), um café temático, salas para cursos e exposições. No terceiro piso, há um espaço para exibição de filmes ao ar livre e eventos com vista para a Rua Riachuelo e para o Passeio Público.

Segundo a arquiteta Dóris Teixeira, do Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) — que assina o projeto com o colega Mauro Magnabosco — a entrega da obra e o funcionamento do centro cultural terá um efeito urbanístico triplo para a região do centro histórico.

Resgata o patrimônio urbano ao reformar um prédio histórico importante, datado da década de 1930 e que já foi quartel do Exército, atende a uma demanda antiga do setor cultural ao devolver os cinemas de rua à região, e principalmente, cria um cenário de mais segurança e saúde urbana para a região.

“Além de preservar a memória da cidade, vai servir para direcionar um público que talvez não frequentasse esta região”, explica Doris. “Inaugurado o Cine Passeio, que vai funcionar dentro da ideia de “olhos para a rua” com movimento todos os dias e até pela noite, isso vai melhorar a qualidade de vida de toda a região central”, disse.

Quanto a demanda cultural reprimida pelo fechamento dos cinemas de rua entre os anos 2005 e 2009, a arquiteta conta que a ideia inicial do projeto do Cine Passeio partiu da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

Atual diretor de Ação Cultural da FCC, Beto Lanza fez parte da equipe que o desenvolveu. Lanza afirma que a contribuição das novas salas não tem teor “nostálgico” e faz sentido como parte do processo espontâneo de ocupação do centro histórico. “Eu sou de uma geração que entendia o cinema ligado à urbe e não presa dentro de espaços como grandes shoppings, por exemplo. Mas, esta obra não é para minha geração”, observa Lanza.

“Há gente muito jovem ocupando a rua, fazendo arte na e para a rua, principalmente nesta região do centro histórico e o Cine Passeio cria um ambiente de fruição cultural de qualidade que atende exatamente a demanda dessa nova geração que já está nas ruas”.

Vista inédita do Passeio Público

Os órfãos dos cinemas de rua de Curitiba esperaram quase uma década, mas verão a partir do próximo mês de maio o ressurgimento dos Cine Luz e Ritz.

Cada qual ocupará uma sala com capacidade para 90 espectadores em cada um dos pisos do Cine Passeio, o centro cultural municipal que abrigará ambos.

O Cine Luz terá cadeiras verde-escuras e ficará no térreo, no mesmo andar da bilheteria e do café com capacidade para 50 pessoas cuja cozinha ocupa a esquina arredondada das ruas Riachuelo e Carlos Cavalcanti.

Já o Ritz, com cadeiras vermelhas, usa o mesmo espaço da planta na sobreloja que conta com uma sala de cursos e exposições com terraço descoberto e vista para a rua Riachuelo e as salas da direção do centro cultural.

O projeto dos arquitetos Mauro Magnabosco e Dóris Teixeira faz entrar a luz natural por uma ampla claraboia que ilumina a faixa central do prédio que tem um vão livre com pé direito e 15 metros, do teto ao subsolo.

Neste espaço “underground”, o projeto homenageia o cineasta e escritor Valêncio Xavier —  criador da Cinemateca de Curitiba com uma exposição permanente de desenhos e objetos que pertenceram ao artista.

O “xodó” do projeto é o terraço onde estão um espaço para eventos com cozinha e sacada para a Rua Riachuelo e uma área para projeções ao ar livre com capacidade para 60 pessoas com uma inédita vista do Passeio Público.

PAC das Cidades Históricas atrasou o “Novo Centro”

O centro Cultural Cine Passeio foi planejado em 2010, como parte do projeto de revitalização do centro de Curitiba “Novo Centro”, apresentado em 2009, ainda na gestão do hoje governador Beto Richa (PSDB) na prefeitura.

A obra só será aberta ao público, se tudo correr dentro do previsto, oito anos depois, durante a gestão de Rafael Greca.

Em 2009, a ideia do Ippuc, apoiada pela Associação Comercial do Paraná e entidades da sociedade civil era revitalizar a Rua Riachuelo, desde a Generoso Marques até a Praça Dezenove de Dezembro e o Passeio Público.

Segundo o projeto, a revitalização iria transformar “uma área degradada em um grande boulevard gastronômico, com bistrô, cafés e restaurantes, que dividirão com pontos de cultura os atrativos locais”.

Uma das principais ações era a transformação do antigo quartel do Exército, localizado na Rua Riachuelo, em Cine Passeio, que abrigaria as salas de “cinema de rua” Luz e Ritz, que tinham fechado em 2009 e 2005, respectivamente.

Todo o plano seria financiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas que previa investimentos de R$ 56 milhões — R$ 15,8 milhões de contrapartida do município — em obras de renovação de espaços históricos e culturais do centro.

Porém, depois que a verba do PAC atrasou, a prefeitura já na gestão Luciano Ducci apostou na venda de títulos de potencial construtivo — papéis emitidos pelo município que permitem que os compradores ampliem as dimensões de obras com limitações impostas pela lei municipal de zoneamento e uso do solo urbano — para financiar a obra.

Para tanto o imóvel foi transformado em Unidade de Interesse Especial de Preservação (Uiep). Segundo o diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), foi esta a principal razão do atraso da obra. “Como é uma obra cara e o PAC não prosperou, precisamos apostar em uma fonte segura, mas um pouco mais demorada que é o potencial construtivo”, diz Lanza.

Ele destaca que “independentemente da mudança de gestores, a forma de captação foi mantida. O uso de potencial construtivo, porém, depende de variáveis que não estão sob o controle da gestão pública, mas sim da economia e do aquecimento do mercado do setor imobiliário”.

Por Sandro Moser

Fonte original da notícia: Haus – Gazeta do Povo




Rio de Janeiro (RJ) – Candidato a patrimônio da Unesco, Sítio Burle Marx passará por revitalização

Sítio Burle Marx abriga coleção botânica e acervo do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, que em 1985 doou o local ao Iphan. Divulgação/Sítio Burle Marx

Candidato ao título de patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx, na Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, passará por uma revitalização.

Com 400 mil metros quadrados, o sítio abriga 3,5 mil plantas tropicais e semitropicais de espécies nativas e exóticas, coleção que atrai visitantes e pesquisadores.

O sítio foi comprado pelo paisagista Roberto Burle Marx na década de 1940 com o objetivo de ali instalar sua coleção botânica. Nos anos 1970, quando Burle Marx passou a morar no local, a área abrigou também objetos pessoais, sua produção artística e suas coleções de arte e design.

Em 1985, o paisagista doou o sítio e todo o acervo à Fundação Nacional Pró-Memória, do Ministério da Cultura. O órgão foi sucedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde aquele ano, o local passou a ser considerado instituição pública e foi tombado em nível federal pelo próprio Iphan.

A candidatura a patrimônio cultural mundial da Unesco foi apresentada em 2015 e o registro foi aceito pela entidade. Agora, o centro cultural fará um dossiê da candidatura e receberá a visita de especialistas estrangeiros que vão orientar esse trabalho. As informações serão conferidas in loco pela Unesco eu uma missão oficial. O resultado da avaliação será divulgado em meados de 2019.

Apoio do BNDES

Para fortalecer a candidatura, o centro cultural passará por uma revitalização. O projeto tem recursos do Iphan e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que repassará R$ 4,45 milhões à instituição.

Atualmente, o local passa por uma obra de infraestrutura elétrica, telefonia, entre outros serviços essenciais, e já licitou a reforma de um lago.

Segundo a diretora do centro cultural, Cláudia Storino, o apoio do banco, que corresponde a mais de 60% dos recursos do projeto de revitalização, vai contribuir para a candidatura na Unesco.” Além disso, é um aporte bem importante para o funcionamento do sítio, para o atendimento aos visitantes.”

Os recursos também vão possibilitar a catalogação e disponibilização online de informações do centro cultural para o público. “Só isso já vai ser uma grande diferença para quem tem pesquisa sobre Burle Marx”, acrescentou a diretora.

O Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx recebe, em média, entre 600 e 700 pessoas por mês.

Por Alana Gandra/Edição Luana Lourenço

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




Porto Alegre (RS) – Revitalização do Cais Mauá deve começar em três meses, diz diretor do consórcio responsável pelas obras

Prazo total para realização de toda reforma deve ser de seis anos.

Jefferson Botega / Agencia RBS

O Cais Mauá, hoje às moscas, pode começar a ter movimento de máquinas e operários em breve. Com a entrega da licença de instalação da prefeitura, marcada para esta terça-feira (5), as obras devem começar dentro de três meses, afirmou o  diretor de Operações do Consórcio Cais Mauá, Sérgio Lima, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, desta segunda-feira (4).

De acordo com o executivo, com a documentação em mãos, o consórcio deve se reunir com o governo do Estado para definir o cronograma de trabalho e contratação das empresas.

— Nossa expectativa é começar em três meses. Na primeira fase do projeto, será feito o restauro dos armazéns. Na segunda, vamos revitalizar as docas e, por fim, a parte próxima ao Gasômetro — disse, acrescentando que o prazo de execução de cada etapa é de dois anos, sem pausas entre uma e outra, totalizando seis anos.

Com investimento estimado em R$ 500 milhões, o projeto prevê espaços culturais, lojas, bares, restaurantes e local para eventos. Também serão erguidos três prédios, dois para escritórios e um que abrigará um hotel.

— Eles ficarão na área das docas, em frente à rodoviária, e serão inferiores a cem metros de altura. Ressalto que não teremos apartamentos — afirmou o diretor.

A licença de instalação será entregue pelo prefeito Nelson Marchezan na terça-feira pela manhã em cerimônia para 300 convidados. Há duas semanas, GaúchaZH mostrou que os armazéns, que serão alvo da primeira fase de obras, estão se deteriorando. A Cais Mauá alegou que aguardava a licença do município para fazer intervenções mais pesadas no patrimônio.

Fonte original da notícia: GaúchaZH




Condephaat notifica a Prefeitura de São Paulo por obra no Viaduto Santa Ifigênia

Prefeitura realizou obras de revitalização no local tombado pelo patrimônio histórico.

Viaduto Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo. Foto: TV Globo/Reprodução

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) notificou nesta terça-feira (28) a Prefeitura de São Paulo e a Inova, empresa responsável pela revitalização do Viaduto Santa Ifigênia, por causa de obras realizadas no local.

Elas foram informadas que poderão ser multadas e que a Procuradoria Geral do Estado, o Ministério Público e a Polícia Civil serão acionadas. Na última terça-feira (21), o prefeito João Doria inaugurou a reforma do viaduto e foi abordado por uma cadeirante que reclamou da falta de acessibilidade no local.

Documento de fiscalização a que a TV Globo teve acesso com exclusividade é assinado por dois arquitetos da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico do Condephaat.

A ação foi iniciada após a divulgação de reportagens das obras de revitalização do Viaduto Santa Ifigênia.

Tombado pelo município, o viaduto já está em processo de tombamento pelo Estado.

Pela legislação estadual (decreto 13.426/1979), a simples abertura de processo de tombamento já garante a preservação até a decisão final pelo Condephaat.

Qualquer bem em tombamento já está protegido e sob a mesma fiscalização que qualquer bem tombado.

No relatório de fiscalização a primeira irregularidade apontada e a falta de um pedido oficial ao Condephaat de autorização para a obra.

Prefeitura realiza obras no Viaduto Santa Ifigênia. Foto: TV Globo/Reprodução

No item descrição da conduta, os arquitetos dizem que “a intervenção restringe-se a conferir uma aparência mais agradável para os passantes (pedestres e veículos) com uma nova pintura nas partes mais visíveis, ao invés de tratar o Viaduto Santa Ifigênia como um todo, sendo que sua estrutura carece de maior intervenção”.

O conselho pede a paralisação imediata das obras em andamento e a apresentação do projeto de intervenção e memorial descritivo.

Segundo a Prefeitura, a reforma do Viaduto Santa Ifigênia custou R$ 1,1 milhão e teve acompanhamento do departamento de patrimônio histórico municipal. A escadaria teve 56 degraus e seis patamares reformados, além da troca do piso de borracha. Foram utilizadas duas toneladas de chapa de aço nas intervenções. As pichações em pilares e muretas foram removidas e a parte elétrica da iluminação teve os cabos reinstalados e não houve mudanças estruturais.

Por Walace Lara

Fonte original da notícia: G1 SP




Casarão tradicional de Cuiabá (MT) está abandonado e em ruínas

Casa de “Dona Bem Bem” era um referência na cuiabania; projeto de reforma não foi adiante.

Foto: Alair Ribeiro/MidiaNews

A chamada “Casa de Bem Bem”, na Rua Barão de Melgaço, era conhecida pelos cuiabanos como um lugar alegre e receptivo em meados dos anos 60 e 70. Porém, o tradicional casarão que chegou a sediar as festas de São Benedito, no centro da Capital, hoje está em ruínas e serve de refúgio para assaltantes e usuários de drogas.

“Dona Bem Bem” era o apelido de Constança Figueiredo Palma, uma típica cuiabana de pé rachado e muito carismática que nasceu em 1919 e morreu em 1990, aos 71 anos.

Mais nova de 13 irmãos, ela é mãe do ex-prefeito de Cuiabá Rodrigues Palma.

Nesta semana, a reportagem esteve no local e constatou que o imóvel está totalmente destelhado, com as paredes caindo. As portas estão emperradas e podres, e o quintal, uma das atrações do lugar em seus áureos tempos, está tomado por entulhos e mato.

Vizinhos do casarão relataram que, por causa do descaso, o lugar está sendo ocupado por usuários de drogas.

Um morador de rua, que é conhecido da Praça da Mandioca, estava pegando mangas no quintal quando a reportagem entrou na casa, na terça-feira (14). Também foram encontrados alguns objetos pessoais, como roupas e até mesmo uma garrafa de cerveja.

Para Constança Palma, xará e filha de “Dona Bem Bem”, o abandono do imóvel é um desrespeito com todos os cuiabanos devido à sua história. “Aquela casa já recebeu muitas pessoas importantes. Minha mãe nasceu, foi criada e morreu lá. Isso não se faz. Temos muito carinho por aquela casa”, disse muito emocionada.

A filha mais nova de “Dona Bem Bem” cresceu na casa e conta que o local era repleto de alegria. “A casa estava sempre cheia, desde pessoas importantes até aquela mais simples, porque a minha mãe era querida por todos”, relembrou.

O casarão ficou muito conhecido exatamente pela figura de “Dona Bem Bem”. “Ela foi uma mulher incrível. Tinha uma simplicidade linda e era sempre muito feliz. A minha mãe sempre foi muito solidária, atendia a todos que precisavam. Sempre dava um jeito de ajudar o outro”, relatou Constança.

A antiga proprietária relembra as grandiosas festas de São Benedito que passaram a acontecer no casarão da família. “No final dos anos 60, os festeiros pediram para minha mãe para que pudessem começar a fazerem as comemorações lá. Foram feitas umas sete festas”.

Ela conta que as festas duravam dias e traziam gente de todos os cantos da cidade. “A preparação começava um mês antes e as festividades aconteciam por três dias. Aí vinha gente da periferia, da elite, gente de todo jeito”.

“Esse lugar faz parte da memória de Cuiabá. É uma vergonha isso que está acontecendo”, protestou Constança.

O projeto de revitalização

Em 2012, a família Palma assinou um termo de comodato destinando o imóvel à Secretaria de Estado de Cultura para que fosse criado ali o Centro Cultural Nho Nho de Manduca – Casa de Bem Bem.

De acordo com o documento a que a reportagem teve acesso, a administração, manutenção e segurança da casa ficaram sob responsabilidade da Secretaria.

Constança Palma informou que o imóvel foi destinado à Secretaria porque a família não estava tendo mais condições de cuidar do espaço. “Nós doamos a casa sem receber um tostão, exatamente para conservar a casa porque a gente não estava mais conseguindo”, disse.

Contudo, Constança denunciou que o Governo não cumpriu com a sua parte no combinado. “Entregamos uma casa para o Governo e hoje está um tapera”, relatou com lágrimas nos olhos.

Ela se diz arrependida de ter feito o acordo. “Se a gente soubesse que chegaria nesse estado, jamais teria entregue a casa”, revelou.

Em 2016, a revitalização do casarão passou a fazer parte do PAC Cidades Históricas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) junto com a Prefeitura de Cuiabá.

Segundo o Iphan, o projeto foi orçado em R$ 2.150.648,25 e deveria ser executado pela empresa X Nova Fronteira Construções, que ganhou a licitação da Prefeitura.

Constança acusa os órgãos públicos de negligência. “O Governo, o Município e Iphan são incompetentes e irresponsáveis porque deixaram nesse estado. E a gente fica com cara de besta”, lamentou.

O outro lado

A assessoria da Secretaria de Estado de Cultura negou ter qualquer responsabilidade na manutenção da Casa de Bem Bem.

A Secretaria informou que, em 2012, após o termo de comodato, assinou um termo de permissão de uso de bem imóvel com o Instituto Ciranda. Segundo a assessoria, esse contrato dava permissão de uso para a realização de ações culturais por cinco anos.

Conforme a Secretaria, caberia ao Instituto Ciranda todos os custos inerentes à manutenção do imóvel e reparação de danos.

A Secretaria disse que o termo não foi renovado por conta da obra de restauração do projeto do Iphan com a Prefeitura.

Já a assessoria do Iphan passou todo o encargo das obras para a Prefeitura.

Já a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SMCET) alegou que as obras de revitalização seriam de responsabilidade da empresa X Nova Fronteira.

A reportagem não conseguiu contato com a empreiteira.

Por Bianca Fujimori

Fonte original da notícia: Mídia News




Rio participa de desafio internacional para recuperar imóveis degradados

Automóvel Club do Brasil, na Lapa, está na lista de imóveis que farão parte do projeto – Domingos Peixoto / O Globo

A partir de hoje, um desafio internacional vai mobilizar Rio de Janeiro, Salvador e outras 13 metrópoles ao redor do mundo. O objetivo é desenvolver projetos em parceria com a iniciativa privada para recuperar e ocupar imóveis degradados ou terrenos subaproveitados que possam ajudar também no processo de revitalização do entorno. Chamado de Reinventing Cities, o evento é organizado pelo C-40, entidade que reúne algumas das maiores cidades do mundo na discussão de iniciativas para conter as mudanças climáticas. Na versão carioca, o Reinventar Rio elegeu nove áreas para participar do projeto. Entre os locais escolhidos, está o antigo prédio do Automóvel Club do Brasil, na Lapa, de propriedade da prefeitura. Construído em estilo neoclássico no século 18, o imóvel está vazio, sem utilização desde 2004.

A iniciativa do projeto é da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que preside o C-40. A proposta de Anne é que as cidades participantes desenvolvam suas versões locais para um programa que ela lançou em 2014 de revitalização de áreas subutilizadas na capital francesa. Ao todo, o programa Reinventer Paris está sendo desenvolvido em cerca de 50 áreas da cidade. Inicialmente, boa parte das intervenções ocorreram em mansões centenárias, degradadas. Uma segunda etapa, em desenvolvimento, prevê que, entre outras construções, sejam sejam reaproveitadas antigas estações desativadas do metrô de Paris:

— A proposta é que todas as metrópoles participantes realizem concursos internacionais para que arquitetos e urbanistas apresentem seus projetos. Os participantes partirão do princípio de que os projetos terão que ser ambientalmente sustentáveis ao máximo. As equipes que participarem dos concursos terão que valorizar detalhes como a implantação de telhados verdes e alternativas para que as edificações tenham baixo consumo de energia — explicou a subsecretária de Planejamento e Gestão Governamental da prefeitura, Aspásia Camargo, que coordena o projeto no Rio.

O modelo de Parceria Público-Privada para o desenvolvimento dos projetos no caso do Rio ainda está sendo definido. Os terrenos podem ser vendidos ou cedidos à iniciativa privada por um prazo. O concurso internacional será lançado em 2018. Assim como o antigo prédio do Automóvel Clube, a maioria das áreas escolhidas pela prefeitura fica no Centro. A lista inclui também terrenos: um deles, na Praça Onze, chegou a ser cedido pelo município para ser a futura sede do Tribunal Regional Eleitoral, mas o projeto não foi a frente.

Além do Rio e de Salvador, vão participar: Auckland (Nova Zelândia), Cidade do Cabo (África do Sul), Chicago, São Francisco e Houston (EUA), Lima (Peru), Madri (Espanha), Milão (Itália), Cidade do México, Oslo (Noruega), Quito (Equador) e Reykjavík (Islândia). Além da própria Paris, que participará com novas áreas.

As áreas escolhidas pela prefeitura para desafio de revitalização

Por Luiz Ernesto Magalhães

Fonte original da notícia: O Globo




Os centros têm de ganhar vida

Sem adensamento humano e econômico, os projetos de revitalização urbana têm pouca chance de sucesso.

Porto Maravilha, no Rio de Janeiro: uma recuperação de sucesso é a que atrai moradores. Rogério Reis/Pulsar Imagens/Revista Exame

Um fenômeno curioso ocorre em São Luís, a capital do Maranhão. A população cresceu mais de 20% desde o início do século, mas o coração da cidade encolheu. No centro — que abrange áreas declaradas como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco —, o número de habitantes diminuiu 10% entre os dois últimos censos.

O movimento começou nos anos 70, quando obras viárias permitiram a expansão do município para além dos limites dos rios Anil e Bacanga, que cercam a região. A transferência de secretarias e órgãos públicos para outros bairros reforçou a tendência de descentralização.

Durante o dia, a região central se mantém agitada por causa do comércio, mas à noite o movimento cai bastante por causa do baixo número de moradores. “Há investimentos na preservação do patrimônio, mas a verdadeira revitalização acontece quando há adensamento humano e econômico”, diz Gustavo Marques, secretário de Projetos Especiais da prefeitura de São Luís. Nos casarões históricos tombados e desocupados, a moda mais recente é a instalação de estacionamentos — irregulares, é claro.

Situações parecidas se observam do norte ao sul do país. Em Porto Alegre, uma área conhecida como Quarto Distrito, vizinha ao centro, já foi a mais pujante. Lá se concentrava a indústria da cidade até a metade do século passado, um tempo em que a proximidade com o Guaíba, o rio que banha a capital gaúcha, era uma vantagem — parte do transporte de mercadorias era fluvial. “A área era uma espécie de bairro-cidade, porque se achava de tudo por perto”, diz Leila Mattar, professora de arquitetura e urbanismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Com o aterramento da orla do rio na região, a desativação de uma ferrovia e a expansão de outros bairros, o Quarto Distrito perdeu importância. Hoje, o que se encontra por ali em abundância são fábricas abandonadas e obras inacabadas — a duplicação da Rua Voluntários da Pátria, um ponto de referência, prevista para a Copa do Mundo de 2014, não chegou à metade. “Uma intervenção como essa reduziria o problema viário, mas não traz moradores de volta para a região”, afirma Leila.

As áreas centrais das cidades, em geral, não deixaram de ter vida — mas muitas perderam a função habitacional. Um exemplo é o que ocorre em Salvador. Há 25 anos, a região do Pelourinho era um problema. Habitada por moradores de baixa renda, não tinha nenhum tipo de manutenção do casario antigo. Nos anos 90, o governo baiano iniciou uma restauração para atrair turistas. Estima-se que 2 000 famílias tenham sido deslocadas da região para que a reforma ocorresse. “O Pelourinho deixou de ser um bairro e virou um parque temático. Isso não tem sustentabilidade no longo prazo”, diz Armando Freire Branco, membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia.

Os programas de revitalização costumam ser caros — a transformação da área central e da zona portuária do Rio de Janeiro no chamado Porto Maravilha exigiu uma parceria público-privada de 8 bilhões de reais. A região ganhou mais espaço aberto, mais área verde e um museu com vista para o mar. Agora, espera-se que novos moradores a povoem. A previsão da prefeitura carioca é que até 2025 a área passe dos atuais 30 000 para 100 000 moradores.

Outros municípios, mesmo na penúria, se mantêm empenhados em planejar intervenções urbanas. A prefeitura de São Luís obteve um financiamento de 13,5 milhões de dólares para restaurar edifícios do centro histórico — do total, 250 000 dólares deverão ser gastos com estudos para promover a moradia na região. Em Salvador, um plano de investimento de 200 milhões de reais na zona central foi lançado em agosto. A promessa da prefeitura é direcionar o dinheiro para programas de mobilidade e de habitação, além da reforma de monumentos e edifícios.

Mas a dificuldade para colocar de pé projetos de revitalização de áreas urbanas no Brasil não ocorre somente por falta de dinheiro. Há programas de investimento em vários níveis do governo — só o PAC Cidades Históricas, um desdobramento do Programa de Aceleração do Crescimento iniciado em 2013, está destinando 1,6 bilhão de reais a obras de recuperação de edifícios e espaços públicos em 44 cidades. “Fazemos intervenções organizadas, mas elas não são acompanhadas por planos de mobilidade urbana ou programas de estímulo à residência nas regiões centrais”, diz Andrey Rosenthal Schlee, diretor de patrimônio material e fiscalização do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. “Para funcionar, um projeto de revitalização precisa estar associado a outras ações.” Infelizmente, é o que tem faltado na maioria dos casos.

Por Mariana Segala

Fonte original da notícia: Revista Exame




Restauro da Estação Férrea de Farroupilha (RS) depende de captação por leis de incentivo

CDL venceu nova licitação para obras, mas utilizará recursos próprios apenas para construção de sede própria.

Projeto envolve construção de dois prédios na área e restauro da antiga Estação Férrea. Foto: Chroma Studio /Divulgação, CDL

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Farroupilha venceu novamente a licitação para a revitalização da área da antiga Estação Férrea. O contrato será assinado pela entidade nesta quinta-feira (14). Até o final do ano, a previsão é que a sede da CDL seja transferida para um prédio que está em construção nesta região e, inicialmente, serviria provisoriamente para receber os serviços da entidade. Como o contrato da primeira licitação foi rompido, o projeto foi revisto.

A mudança na licitação, com a inclusão da possibilidade de captar recursos por meio de leis de incentivo à cultura dos governos federal e estadual, fez com que a CDL se interessasse no processo e apresentasse a proposta vencedora. Além da sede que terá investimento de R$ 200 mil com recursos próprios da entidade, está previsto outro prédio com dois andares destinado a atividades culturais e o restauro da antiga Estação Férrea. O custo avaliado é de R$ 3 milhões.

Conforme o presidente da CDL, Jones Paviani, a União já autorizou a captação de R$ 2 milhões. Com o novo contrato em mãos, a ideia é buscar o Estado para garantir o restante e, então, iniciar o contato com as empresas que podem destinar parte dos impostos. Com a revitalização, a antiga Estação receberá um bistrô, uma biblioteca, um centro de informações e um centro de memórias. Esta primeira etapa contempla também o paisagismo do entorno, com cercamento e instalação de bancos e lixeiras, por exemplo.

A segunda fase, orçada em R$ 2 milhões, envolve a reforma de um pavilhão que fica atrás da Estação Férrea, onde ocorrem feiras do agricultor. A ideia é transformar o ponto em um centro de eventos.

Localizada na região central de Farroupilha, a área é ponto de drogadição e prostituição, especialmente à noite. Paviani avalia que com o início da ocupação do espaço pela CDL, essa característica mudará:

– Mesmo que a reforma completa não ocorra agora, nós vamos tentar melhorar lá.

O primeiro contrato entre a prefeitura e a CDL para revitalização da área foi assinado em 2015 com previsão de início de obras ainda naquele ano, mas o trabalho não avançou por causa de mudanças na diretoria da entidade e revisão do projeto.

Por Flávia Noal

Fonte original da notícia: Rádio Gaúcha




Salvador (BA) – Donos de imóveis terão descontos para fazer reforma no Centro Histórico

Mais de R$ 28 milhões serão investidos em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do quarto eixo do programa Salvador 360.

Evento de lançamento do programa Salvador 360 Centro Histórico, no Fera Palace Hotel. Foto: Betto Jr./Correio

Proprietários de imóveis que estão em situação precária, no Centro Histórico de Salvador, terão um incentivo a mais para fazer a reforma dos prédios e casarões. Nesta segunda-feira (21), a prefeitura anunciou que dará isenção e descontos de impostos para quem fizer a recuperação das estruturas e dar uma funcionalidade aos espaços. A ação faz parte do quarto eixo do programa Salvador 360, lançado pelo prefeito ACM Neto, que anunciou mais R$ 28 milhões em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do programa na área da cidade.

“É o projeto mais completo já realizado pelo poder público municipal para o Centro Histórico. O objetivo principal é garantir uma revitalização consistente, com a presença não só de um comércio pulsante e uma vida econômica ativa, mas também de órgãos públicos e novas habitações, e toda uma condição de mobilidade e urbanização que vão projetar o futuro da região”, afirmou Neto, durante o lançamento no Fera Palace Hotel, na Rua Chile.

Segundo o secretário municipal de Turismo (Secult), Claudio Tinoco, atualmente existem cerca de 500 imóveis nessa situação no Centro Histórico e arredores. As ações de incentivo fiscal serão dividas em duas fases, com isenção de impostos como ISS (serviço), IPTU (propriedade de imóvel) e ITIV (transferência de imóvel).

Segundo ele, isso já representa “um impacto muito significativo porque é a isenção total”. “Depois que a obra for concluída, eles terão descontos nesses impostos”, completa o secretário.

Repercussão
Quem frequenta o local ficou feliz com a notícia. A fisioterapeuta Aline Camargo, 31 anos, acredita que as reformas são uma necessidade urgente. “São muitos casarões lindos e importantes historicamente, mas que estão abandonados, se perdendo no tempo e oferecendo risco de desabar. É preciso que alguém olhe mesmo para essas questões”, opina.

Para o comerciante da Praça da Sé Akin Olabode, 32, que deixou a Nigéria há dois anos para morar na Bahia, as ações também são necessárias. “Muita coisa já foi feita, mas ainda precisa melhorar. Salvador é uma cidade linda e quanto mais linda ficar, mais clientes teremos”, prevê.

Confira um vídeo divulgado pela prefeitura que explica outros detalhes e projetos do eixo Centro Histórico:

Outros eixos
Três eixos do Salvador 360 já foram lançados este ano. Em maio, foi lançado o Salvador Simplifica, que tem como objetivo reestruturar o modelo atual de licenciamento e abertura de empresas, obras e publicidade, promovendo facilidades no atendimento aos cidadãos. Em junho, a prefeitura lançou o Salvador Negócios, que é destinado ao estímulo para atração de empresas, através de incentivos fiscais e treinamento de mão de obra qualificada, entre outros pontos.

Em julho, foi a vez do Salvador Investe, destinado aos investimentos públicos, que alcança o montante de R$ 3 milhões. Parte do valor a ser investido será captada por meio de concessões e parcerias público-privada (PPPs).

Por Gil Santos

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Antiga Metalúrgica Abramo Eberle é revitalizada em Caxias do Sul (RS)

Foto: Júlio Soares/Divulgação/JC

O conjunto de edificações da antiga Metalúrgica Abramo Eberle, localizado no Centro de Caxias do Sul, foi completamente reformado. Agora, o complexo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e adquirido em 2012 pela GCI Investimentos, será entregue à comunidade de Caxias do Sul.

Parte da área já está ocupada por diversas lojas, cursos e faculdades. A previsão de conclusão é até dezembro deste ano.

Para finalizar a revitalização, é preciso concluir as obras das calçadas das ruas Borges e Sinimbu e os pátios internos e restaurar a casa onde funcionava a mecânica da metalúrgica, além de iluminação de fachadas. Até o momento, foram investidos R$ 40 milhões na aquisição e reconstrução da área de 20 mil metros quadrados.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio