Rio de Janeiro (RJ) – Candidato a patrimônio da Unesco, Sítio Burle Marx passará por revitalização

Sítio Burle Marx abriga coleção botânica e acervo do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, que em 1985 doou o local ao Iphan. Divulgação/Sítio Burle Marx

Candidato ao título de patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx, na Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, passará por uma revitalização.

Com 400 mil metros quadrados, o sítio abriga 3,5 mil plantas tropicais e semitropicais de espécies nativas e exóticas, coleção que atrai visitantes e pesquisadores.

O sítio foi comprado pelo paisagista Roberto Burle Marx na década de 1940 com o objetivo de ali instalar sua coleção botânica. Nos anos 1970, quando Burle Marx passou a morar no local, a área abrigou também objetos pessoais, sua produção artística e suas coleções de arte e design.

Em 1985, o paisagista doou o sítio e todo o acervo à Fundação Nacional Pró-Memória, do Ministério da Cultura. O órgão foi sucedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde aquele ano, o local passou a ser considerado instituição pública e foi tombado em nível federal pelo próprio Iphan.

A candidatura a patrimônio cultural mundial da Unesco foi apresentada em 2015 e o registro foi aceito pela entidade. Agora, o centro cultural fará um dossiê da candidatura e receberá a visita de especialistas estrangeiros que vão orientar esse trabalho. As informações serão conferidas in loco pela Unesco eu uma missão oficial. O resultado da avaliação será divulgado em meados de 2019.

Apoio do BNDES

Para fortalecer a candidatura, o centro cultural passará por uma revitalização. O projeto tem recursos do Iphan e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que repassará R$ 4,45 milhões à instituição.

Atualmente, o local passa por uma obra de infraestrutura elétrica, telefonia, entre outros serviços essenciais, e já licitou a reforma de um lago.

Segundo a diretora do centro cultural, Cláudia Storino, o apoio do banco, que corresponde a mais de 60% dos recursos do projeto de revitalização, vai contribuir para a candidatura na Unesco.” Além disso, é um aporte bem importante para o funcionamento do sítio, para o atendimento aos visitantes.”

Os recursos também vão possibilitar a catalogação e disponibilização online de informações do centro cultural para o público. “Só isso já vai ser uma grande diferença para quem tem pesquisa sobre Burle Marx”, acrescentou a diretora.

O Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx recebe, em média, entre 600 e 700 pessoas por mês.

Por Alana Gandra/Edição Luana Lourenço

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




Rio de Janeiro (RJ) – Casa do Jongo pode fechar as portas em janeiro

Casa do Jongo, que foi inaugurada em 2015 – Custódio Coimbra / O Globo

Patrimônio imaterial do Rio, o Jongo da Serrinha perdeu patrocínios importantes, como o da prefeitura e da Petrobras.

A prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) interromperam, em outubro, uma longeva e contínua política de patrocínio de um dos mais importantes patrimônios imateriais da cidade, o Jongo da Serrinha — tombado em 2005 pelo Iphan por seu trabalho de 50 anos dedicados à preservação do jongo como Patrimônio Imaterial do Sudeste.

Desde a sua consolidação como ONG, em 2000, a Associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha teve diferentes vínculos com a prefeitura, mas neste ano os repasses foram cancelados após 17 anos. Agora, a Casa do Jongo, como é conhecida, pode fechar as portas em janeiro caso a situação não se reverta.

As tentativas da ONG de estabelecer um novo acordo, com valor de R$ 400 mil, foram iniciadas em março. Após diferentes contatos e solicitações de documentos, o projeto recebeu a negativa final em outubro, através de um e-mail enviado pela SMC.

— Tentamos diferentes reuniões com a secretária (Nilcemar Nogueira), mas nunca fomos recebidos por ela. Tivemos uma reunião com uma assessora, em março, enviamos documentos e, oito meses depois, recebemos um e-mail, em que nos disseram que não tinham verba — conta Dyonne Boy, uma das diretoras da casa.

— Esse é o último núcleo de jongo da cidade. Essa Casa é uma referência da cultura negra, um patrimônio imaterial vivo. A prefeitura fala em investir no MEL (Museu da Escravidão e Liberdade), e, quando entramos no site da SMC, há destaque para o patrimônio imaterial, mas essa importância não se dá na prática. Falta política para o patrimônio imaterial da cidade. Realizamos um projeto de continuidade que agora está sob risco.

Segundo Dyonne, a Casa tem custos mensais que chegam a R$ 50 mil, conta com 23 funcionários fixos, entre professores e diretores, que realizam uma série de ações sociais e atendem a 400 alunos, com aulas de disciplinas esportivas, culturais e artísticas. Em 2017, o Jongo contou com um único patrocínio, de R$ 140 mil, vindo da TV Globo, através da Lei do ISS (mecanismo municipal de patrocínio via renúncia fiscal).

— Está encaminhado um trâmite para renovar o patrocínio da Globo para 2018, através do ISS, mas a prefeitura só deverá liberar essa verba a partir de abril. Até lá não temos condição de continuar — diz ela.

‘Rolo compressor nas iniciativas culturais’

Além de perder o apoio da prefeitura, a ONG também perdeu, em 2017, outro patrocínio continuado, o da Petrobras, que apoiou o projeto entre 2012 e 2016.

— Nosso trabalho é muito amplo e atende desde crianças até a terceira idade. Fazemos desde campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis até aquilo que é nosso fim, que é a preservação da memória e do patrimônio do jongo — diz Dyonne. — Todas as nossas ações justificam um investimento público, mas o que há hoje, com essa prefeitura do Crivella, é uma perseguição a projetos de cultura popular e de matriz africana. Estão passando um rolo compressor nessas expressões culturais.

O Jongo da Serrinha funciona desde 2015 na Casa do Jongo, localizada no Morro da Serrinha, em Madureira. O espaço é um imóvel que foi adquirido pela prefeitura, em 2013, e que foi cedido para a instituição por 12 anos.

Dois anos após a compra, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) investiu cerca de R$ 2,5 milhões para reformar e abrir a Casa, que foi inaugurada em novembro de 2015.

No ano seguinte, a Casa funcionou com cerca de R$ 600 mil, com verbas obtidas junto na prefeitura, no governo do estado e na Petrobras. Também em 2016, a ONG foi contemplada no Programa de Fomento à Cultura Carioca com um projeto de circulação da peça “Jongo mamulengo”, mas, como até hoje o edital não foi pago aos contemplados, o Jongo ficou sem receber os R$ 80 mil referentes ao projeto, que seria realizado pago neste ano.

Agora, com apenas R$ 140 mil, os professores só receberam quatro salários ao longo do ano e recentemente lançaram uma campanha de arrecadação de recursos para pagar as contas do espaço.

— Cada pessoa do projeto está pessoalmente endividada por essa situação. Bancos não emprestam dinheiro para ONG, então a solução, no começo, foi pedir empréstimos individuais, mas, como os juros são altos, fomos nos endividando. Decidimos, então, lançar uma campanha de crowdfunding e é com ela que estamos pagando contas de luz, telefone, contador — diz Dyonne. — Mesmo com tudo isso, mantivemos a Casa aberta ao longo do ano todo, enviamos nossos relatórios mensais para a SMC, já que o prédio é da secretaria, mas agora não temos como seguir.

Outro lado

Procurada pelo GLOBO, a Secretaria Municipal de Cultura informou que o decreto municipal nº 42737, de 1º de janeiro de 2017, em seu artigo 27, afirma que “os projetos culturais executados” pela SMC que recebam incentivo fiscal via Lei do ISS “não poderão ser contemplados com recursos do orçamento de outras fontes” e que, “uma vez que a Casa do Jongo já está incentivada pela Lei do ISS, a SMC não pode aportar recursos diretos de patrocínio na referida instituição”.

A Casa do Jongo informou que conhece o decreto, porém afirma que o caso não se aplica:

— Esse decreto afirma que um mesmo projeto não poderia ser incentivado pelo ISS e por fomento direto, mas o mesmo CNPJ pode ser patrocinado por essas duas vias, contanto que sejam projetos diferentes, como é o nosso caso. Nós temos diversos projetos. Isso é apenas uma desculpa.

Também procurada pelo GLOBO, a Petrobras informou por nota que ações de “Patrimônio Imaterial” deixaram de fazer parte de suas prioridades neste ano, o que deve se manter em 2018. Leia a nota na íntegra:

“Em 2017 a Petrobras readequou sua carteira de projetos e adotou novas linhas de atuação. As ações de patrocínio cultural passaram a ser focadas em audiovisual, música e artes cênicas. O projeto em questão estava enquadrado na categoria ‘Patrimônio Imaterial’, que deixou de fazer parte das diretrizes do programa de patrocínio cultural da Petrobras. A Petrobras não pretende revisar suas linhas de atuação para 2018.”

Por Luiz Felipe Reis

Fonte original da notícia: O Globo



Rio de Janeiro (RJ) – Museu do Açude recupera estrutura do painel de azulejos

Direção busca financiamento para segunda fase do restauro.

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A direção do Museu do Açude acaba de contratar profissionais especializados em restauração para recuperar alguns dos painéis de azulejos da instituição que vêm sofrendo envelhecimento precoce. No começo do ano, funcionários do museu estavam higienizando os painéis externos com sabão neutro quando alguns pedaços do vidrado começaram a se soltar. Sete estruturas apresentam problemas e estão mais comprometidas.

— Há uma infestação biológica proporcionada pela alta umidade que se instala atrás do vidrado, provocando esse descolamento — explica a restauradora Stefani da Silva, que foi contratada pela Associação de Amigos dos Museus Castro Maya, responsável pelo financiamento do trabalho de restauro.

Em 2015, Stefani participou, pela empresa RestQua História e Cultura Preservadas, da restauração de bancos e fontes ornadas por azulejos portugueses no Museu do Açude. Na ocasião, o serviço foi financiado pela União, já que o espaço pertence ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Sem o apoio público desta vez, o Museu do Açude só terá verba disponível para a primeira fase dos serviços de restauro. Neste primeiro momento, o foco é na parte estrutural dos painéis, apenas para impedir que o processo de degradação continue. A instituição busca patrocínio para financiar a segunda fase do trabalho, que compreende a parte estética dos painéis.

Amante fervoroso de todas as formas de arte, o empresário, mecenas e colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) juntou, durante toda a sua vida, obras que hoje estão disponíveis para a apreciação do público no Museu do Açude, sua antiga residência de veraneio. Entre as relíquias há estátuas, esculturas, porcelanas asiáticas e itens pessoais de Maya, além de vários painéis de azulejos portugueses, encomendados por ele em 1940, e enviados diretamente de Lisboa em um lote contendo mais de três mil peças.

Devido à sua localização ímpar, encravado no meio da Floresta da Tijuca, o museu conta com algumas peculiaridades. Entre elas, a de estar sujeito a intempéries da natureza, tais como forte neblina, ventos, chuvas e umidade. E são exatamente esses fatores, principalmente a umidade, que causam danos aos painéis da parte externa, naturalmente deteriorados ao longo do tempo.

Fonte original da notícia: O Globo




Exposição com cartas de D. Pedro II no Museu Imperial deve alavancar turismo em Petrópolis (RJ)

Ministro Sérgio Sá Leitão participou da abertura da exposição Missivas Imperiais: cartas de Dom Pedro II, que traz cinco cartas escritas pelo ex-imperador. Fotos: Janine Moraes/Ascom MinC

O acervo de cerca de 300 mil itens do Museu Imperial, em Petrópolis (RJ), ganhou ainda mais relevância com a inauguração, nesta segunda-feira (4), da exposição Missivas Imperiais: cartas de Dom Pedro II. São cinco correspondências originais do último imperador brasileiro, que agora integram o museu, que é referência nacional sobre informações do período monárquico.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, participou da cerimônia de abertura da exposição e anunciou programação cultural para a cidade fluminense a partir de 2018, em comemoração aos 200 da Independência nacional, a serem completados em 2022. As atividades serão anunciadas em breve e terão como epicentro o Museu Imperial e, consequentemente, a cidade de Petrópolis.

O Museu Imperial é responsável por trazer, todos os anos, milhares de visitantes à cidade serrana, incrementando o turismo e economia locais. Em 2016, a instituição registrou mais de 367 mil visitantes, recorde entre os 30 museus administrados diretamente pelo Instituto Brasileiro de Museu (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

“Este será mais um atrativo para o museu e para aqueles interessados em visitar ou revisitar o espaço”, declarou o ministro, ao citar o Museu Imperial como a instituição federal mais visitada do País. “As cartas são muito significativas da personalidade, preocupações e até do gosto cultural e artístico de Dom Pedro II e constituem um reforço importante ao acervo”, destacou.

O diretor do Museu Imperial, Maurício Ferreira, explicou que uma das cartas completa um ciclo de correspondências entre o imperador Dom Pedro II e o escritor Sully Prudhomme, primeiro ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Em 1890, Dom Pedro leu em um jornal literário o poema Ato de Felicidade e enviou ao poeta francês uma carta solicitando o poema. A carta de resposta ao imperador já estava no Museu Imperial desde 1948. Agora, a correspondência de solicitação de Dom Pedro II também integra o acervo.

As correspondências doadas ao Museu foram um presente do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao presidente da República, Michel Temer, durante visita oficial ao país europeu em junho deste ano.

Durante a visita ao Museu, o ministro e demais convidados assistiram à apresentação da artista Rosana Lanzellote, que tocou a Sonata K 141, de Domenico Scarlatti, na espineta – instrumento produzido em 1785 e pertencente ao acervo do museu. O museu tem como sede o antigo Palácio Imperial de Petrópolis, residência de verão do imperador de 1849 a 1889. Ao redor do museu se desenvolveu a cidade fluminense.

Também participaram da cerimônia o presidente do Ibram, Marcelo Araújo, o membro da família imperial Dom Manuel de Orleans e Bragança, o prefeito de Petrópolis, Bernardo Rossi, e a deputada Federal Cristiane Brasil.

Fonte original da notícia: Ministério da Cultura




Casarão histórico que apresentava risco de desabamento é demolido em Valença (RJ)

Havia risco de o imóvel desabar. Janelas e vidraças estavam quebradas e parte do telhado estada caindo. Demolição foi autorizada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural.

Reprodução G1. Divulgação/Internet

O Casarão 444, um dos imóveis mais antigos de Valença, RJ, construído no século XIX e referência histórica e cultural, já não existe mais. A prefeitura conseguiu autorização para demolir o prédio que oferecia risco aos moradores.

Com a mudança, a calçada ganhou espaço e os pedestres conseguem caminhar com facilidade e segurança.

Em julho deste ano, quando a equipe de reportagem do RJTV esteve no local, o cenário era bem diferente. Havia risco de o imóvel desabar. Janelas e vidraças estavam quebradas e parte do telhado estada caindo.

A prefeitura entrou na Justiça pedindo autorização para demolir o que sobrou da construção. Isso porque o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual desde 2004. O pedido foi concedido porque a Justiça entendeu que o a construção oferecia risco aos pedestres.

“Primeiro o original era uma residência, ligada ao lado da loja. Depois ele construiu uma segunda residência para dar um pouco mais de conforto, comodidade e privacidade”, explicou o professor de história Pedro Vivas.

“A prefeitura fez [a demolição] em etapas, estava perigoso. Rapidamente liberou a calçada. Agora a questão do patrimônio histórico continua. O Inepac [Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural] autorizou a demolição, viu que aquela era a melhor forma”, explicou o vice-prefeito Helio Suzano.

Fonte original da notícia: G1 – RJTV




Rio participa de desafio internacional para recuperar imóveis degradados

Automóvel Club do Brasil, na Lapa, está na lista de imóveis que farão parte do projeto – Domingos Peixoto / O Globo

A partir de hoje, um desafio internacional vai mobilizar Rio de Janeiro, Salvador e outras 13 metrópoles ao redor do mundo. O objetivo é desenvolver projetos em parceria com a iniciativa privada para recuperar e ocupar imóveis degradados ou terrenos subaproveitados que possam ajudar também no processo de revitalização do entorno. Chamado de Reinventing Cities, o evento é organizado pelo C-40, entidade que reúne algumas das maiores cidades do mundo na discussão de iniciativas para conter as mudanças climáticas. Na versão carioca, o Reinventar Rio elegeu nove áreas para participar do projeto. Entre os locais escolhidos, está o antigo prédio do Automóvel Club do Brasil, na Lapa, de propriedade da prefeitura. Construído em estilo neoclássico no século 18, o imóvel está vazio, sem utilização desde 2004.

A iniciativa do projeto é da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que preside o C-40. A proposta de Anne é que as cidades participantes desenvolvam suas versões locais para um programa que ela lançou em 2014 de revitalização de áreas subutilizadas na capital francesa. Ao todo, o programa Reinventer Paris está sendo desenvolvido em cerca de 50 áreas da cidade. Inicialmente, boa parte das intervenções ocorreram em mansões centenárias, degradadas. Uma segunda etapa, em desenvolvimento, prevê que, entre outras construções, sejam sejam reaproveitadas antigas estações desativadas do metrô de Paris:

— A proposta é que todas as metrópoles participantes realizem concursos internacionais para que arquitetos e urbanistas apresentem seus projetos. Os participantes partirão do princípio de que os projetos terão que ser ambientalmente sustentáveis ao máximo. As equipes que participarem dos concursos terão que valorizar detalhes como a implantação de telhados verdes e alternativas para que as edificações tenham baixo consumo de energia — explicou a subsecretária de Planejamento e Gestão Governamental da prefeitura, Aspásia Camargo, que coordena o projeto no Rio.

O modelo de Parceria Público-Privada para o desenvolvimento dos projetos no caso do Rio ainda está sendo definido. Os terrenos podem ser vendidos ou cedidos à iniciativa privada por um prazo. O concurso internacional será lançado em 2018. Assim como o antigo prédio do Automóvel Clube, a maioria das áreas escolhidas pela prefeitura fica no Centro. A lista inclui também terrenos: um deles, na Praça Onze, chegou a ser cedido pelo município para ser a futura sede do Tribunal Regional Eleitoral, mas o projeto não foi a frente.

Além do Rio e de Salvador, vão participar: Auckland (Nova Zelândia), Cidade do Cabo (África do Sul), Chicago, São Francisco e Houston (EUA), Lima (Peru), Madri (Espanha), Milão (Itália), Cidade do México, Oslo (Noruega), Quito (Equador) e Reykjavík (Islândia). Além da própria Paris, que participará com novas áreas.

As áreas escolhidas pela prefeitura para desafio de revitalização

Por Luiz Ernesto Magalhães

Fonte original da notícia: O Globo




Descubra as belas catedrais que são o berço do catolicismo no Brasil

Os brasileiros são a maior população católica do mundo, conheça os belíssimos templos religiosos que existem por aqui.

País com o maior número de católicos em todo o mundo, segundo o Anuário Estatístico da Igreja de 2015 — o último publicado pelo vaticano, o Brasil tem 172,2 milhões fieis batizados, o que representa 26,4% do total de católicos do continente americano. O México está em segundo lugar, seguido dos Estados Unidos. Os brasileiros têm centenas de igrejas, dezenas de templos gigantescos e belíssimas catedrais. Conheça algumas.

Catedral de Brasília — Distrito Federal

Visita obrigatória de todos os turistas que vêm a Brasília, a catedral é um marco arquitetônico da cidade e do país. Com projeto de Oscar Niemeyer e execução do engenheiro Joaquim Cardoso, o moderno templo foi construído no governo de Juscelino Kubitschek entre 1959 e 1970. A proposta inicial era que a catedral fosse um templo ecumênico mantido pelo Estado, mas os subsídios do governo pararam anos mais tarde e o edifício foi totalmente entregue à igreja católica. Os dezesseis pilares de concreto, em formato de bumerangue, são o diferencial da sua arquitetura externa e por dentro os seus maravilhosos vitrais são o ponto-chave da construção de Niemeyer. Acredita-se que os desenhos no teto da catedral significam duas mãos voltadas para o céu, mas é algo que varia da interpretação e da fé de cada um.

Catedral de Maringá — Paraná

Diferentemente das célebres igrejas europeias, a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória é símbolo máximo de Maringá por sua arquitetura ousada e moderna. O formato cônico da catedral faz dela a mais alta da América Latina e o 25º monumento religioso mais alto do mundo. Sua construção é recente, de 1972, na era dos “Sputniks” que significa se afastar do mundo e se aproximar de Deus. Essa é a mensagem que sua grandiosa estrutura física, com mais de 114 metros de altura, pretende transmitir aos fiéis e turistas.

Catedral Metropolitana de São Paulo — São Paulo

Mundialmente conhecida como Catedral da Sé, essa é a maior catedral do Brasil e o quarto maior templo neogótico do mundo. Foram precisos quatro décadas para erguer esse maravilhoso monumento paulista, entre 1913 e 1967. Apesar de ser um grande impulso da religião católica no Brasil, infelizmente aqui não havia as obras de arte necessárias para decorar o templo. Então, foi preciso que todos os mosaicos, esculturas e mobiliário fossem trazidos da Itália. Com o passar do tempo, a igreja sofreu danos em sua estrutura e nos anos 2000 foi restaurada. Na catedral estão sepultados bispos e arcebispos de São Paulo, além de grandes nomes da história brasileira, como, por exemplo, Regente Feijó, Bartolomeu Lourenço de Gusmão e Dom Paulo.

Catedral de São Sebastião — Rio de Janeiro

Localizada no coração carioca, a catedral é um dos principais edifícios no centro do Rio de Janeiro. Moderno e conceitual, seu formato cônico homenageia as pirâmides maias da antiguidade. Com capacidade para vinte mil pessoas, a beleza da edificação se dá por seu tom sóbrio, linhas retas e diversos vitrais no seu interior. O templo é palco de importantes celebrações da cidade.

Catedral Basílica Primacial São Salvador — Bahia

Além de toda festividade que envolve a cidade, Salvador também é conhecida por suas inúmeras igrejas. A catedral, por sua vez, é a mãe de todas as da cidade e é onde o arcebispo metropolitano e primaz do Brasil está. Seu nome Primacial significa que a catedral foi a primeira arquidiocese do Brasil. Apesar de ter sido construída no período barroco, a arquitetura da igreja é maneirista, uma das poucas obras do movimento no Brasil. Sua construção foi conturbada, longa e aconteceu entre os anos de 1657 e 1746. Ela fica no pelourinho e é uma das principais atrações do centro histórico de Salvador.

Por Lucianna Rodrigues

Fonte original da notícia: Correio Braziliense




Dezenas de edifícios históricos são preservados no Rio

Ações de resgate da tradição cultural da cidade ajudam a estimular a economia local.

Igreja de Nossa Senhora da Candelária: restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. Fernandoandando/Getty Images

A cidade maravilhosa está resgatando seu passado. Há dezenas de projetos de recuperação e manutenção de pontos importantes para a história e a cultura do Rio de Janeiro. Eles incluem desde o Museu Nacional de Belas Artes até o Paço Imperial, passando pela Igreja de Nossa Senhora da Candelária, pela Sala Cecília Meireles e pelo Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).

Merece destaque a criação da Casa do Choro. Tombado e restaurado, o casarão conta com salas de aula, estúdio de gravação, centro de pesquisas e auditório com capacidade para 120 pessoas, onde são desenvolvidos trabalhos de pesquisa, educação e produção musical. Desde 2015, a Casa do Choro é um centro de referência para amantes do gênero musical. Funciona também como base do Instituto Casa do Choro, criado em 1999 e que atende 1 000 alunos por ano em seu núcleo fixo, além de já ter formado 13 000 estudantes, no Brasil e no exterior, incluindo comunidades do Rio de Janeiro.

Importância estratégica

Investir na restauração do patrimônio histórico dinamiza a economia local, gera emprego e renda e estimula o turismo cultural. O impacto positivo, portanto, começa na preservação, passa pela educação e alcança a economia. Afinal, o setor de turismo cultural e histórico representa 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gera cerca de 800 000 empregos formais.

Dos projetos em andamento no Rio, 21 recebem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição atua, na verdade, em todo o Brasil. Desde 1997, 72 municípios, de norte a sul, receberam apoio para restaurar ou preservar mais de 200 monumentos históricos, como centros culturais, universidades, fortes, teatros, igrejas e museus.

O investimento total nesse período foi de 565 milhões de reais. “Cada restauro torna-se uma oportunidade para estimular ações de capacitação e qualificação profissional”, diz Luciane Gorgulho, chefe do departamento de economia da cultura do BNDES.

O Rio, em especial, recebe um maior volume de investimentos desde 2005, quando da preparação da cidade para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Manteve a restauração de equipamentos culturais e históricos durante o esforço para a Copa do Mundo de 2014 e, em especial, para a Olimpíada de 2016. Nesse período, o Theatro Municipal, por exemplo, passou por restauração arquitetônica e artística, enquanto o Museu do Índio foi modernizado e a Biblioteca Nacional recebeu um projeto cultural em comemoração aos seus 200 anos de construção.

Revitalização em Minas

As ações do BNDES também chegam, por exemplo, à cidade mineira de Tiradentes, que recentemente recebeu dois novos museus, construídos do zero. Também estão sendo restaurados cinco templos, incluindo um investimento de 4,75 milhões de reais para a paróquia de Santo Antônio, que vai recuperar o Santuário da Santíssima Trindade e as Capelas dos Cinco Passos da Paixão de Cristo, tombados desde 1938.

O banco também investe em ações de educação patrimonial e na execução do Plano Diretor do Município. Desde 2009, já foram destinados 23 milhões de reais para Tiradentes. Investimento que é revertido em qualidade de vida para os moradores.

BNDES

Fonte original da notícia: Veja Rio




‘Tour Fantasma’ revive Império em cemitério do Rio

Comuns em Buenos Aires, Paris e Londres, ‘visitas do além’ revelam segredos do Penitência.

Visita guiada inclui detalhes da capela e peça teatral de época, facilitando o entendimento da história. Divulgação

Os cemitérios do Rio são verdadeiros museus à céu aberto, com mistérios de arrepiar e algumas histórias surpreendentes. As últimas serão reveladas na próxima visita guiada o chamado Tour Fantasma , no Cemitério da Penitência, no Caju, marcada para quarta-feira, véspera do Dia de Finados, às 14h. Neste cemitério estão enterradas personalidades nobres do Império, entre elas condes, viscondes e políticos.

O professor de História Milton Teixeira, idealizador do projeto, vai apresentar, em duas horas, a cariocas e turistas, a saga do Rio Imperial, por meio da arquitetura dos jazigos da necrópole.

“O Cemitério da Penitência é um dos mais antigos da cidade (1875), e abriga os restos mortais de grande parte da colônia portuguesa que veio para o Brasil na época do Império”, ressalta Milton. Entre os túmulos, encontram-se construções que são obras de arte, de personalidades portuguesas que chegaram ao Brasil no século 19, com quase nada, mas que se enriqueceram às custas do próprio trabalho.

De acordo com o historiador, com o fim da escravidão em 1.888, os fazendeiros produtores de café tiveram que importar mão de obra portuguesa para as lavouras. Muitos deles, vindos de além mar, acabaram se enriquecendo e conquistaram títulos de nobreza, coincidindo com o marco da presença da Família Real Portuguesa na cidade.

No roteiro orientado e gratuito, e que conta até com peça teatral de época, os visitantes vão conhecer detalhes dos jazigos e da vida do Barão de Vista Alegre (Manuel Pereira de Souza Barros), rico produtor de café; do Conde de Vilela (José Luís Fernandes Vilela); Cândido Borges Monteiro, o Visconde de Itaúna, do Conselho do Imperador D. Pedro II e médico da Família Imperial.

O médico participou nos partos dos filhos do Imperador, especialmente o da Princesa Isabel.Além destes, o Comendador Francisco Ferreira das Neves, que construiu a igreja em estilo neogótico de Nossa Senhora das Neves (1858), em Santa Teresa, no Largo das Neves. Nesses locais, como se vê, a História está muito viva.

Almas penadas

Imponente túmulo do Conde de Vilela. Outrosnomes nobres da época do Brasil Imperial terão a história contada no Cemitério da Penitência. Divulgação

Comuns em Buenos Aires, Paris e Londres, visitas guiadas em cemitérios fazem parte dos roteiros turísticos do Rio. Durante as Olimpíadas, 400 mil turistas encararam o Tour Fantasma no São Francisco Xavier e da Penitência, no Caju, e São João Batista, em Botafogo. Além de 20 prédios históricos que, como reza a lenda, são habitados por ‘almas penadas’.

Sepulturas em diversos tipos de artes

Artisticamente, o Cemitério da Penitência possui uma alameda arborizada com capelas dispostas lado a lado, que abrigam os mais ricos jazigos e mausoléus em estilo de Art Déco, Idade Média e Grego Clássico. Azulejos portugueses, obras do vitralista Gastão Formenti e esculturas de mármore de José Vicente de Souza também decoram os espaços. A única obra arquitetônica em Art Nouveau do município abriga o ossário, datado de 1907.

No ossário, de sete metros quadrados por aproximadamente sete metros de profundidade, de 110 anos, foram encontradas centenas de crânios e esqueletos. O local era usado para o enterro de pobres e indigentes. “Sem dúvida, todos aqueles ossos anônimos são de verdadeiros benfeitores do Rio de Janeiro e de própria humanidade. A eles, nossa eterna reverência”, afirmou Milton Teixeira.

O Grupo Cortel, que administra o Cemitério da Penitência, onde há 11 mil sepultados, faz levantamento histórico de todos os túmulos. A expectativa é de que, em breve, novos jazigos de personalidades sejam descobertos e integrados ao roteiro de visitas. “É um resgate do passado incrível”, observa o historiador.

Recentemente, uma ala ganhou o nome do eterno prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, vivido por Paulo Gracindo, já morto, na novela ‘O Bem Amado’, de 1973.Visitas podem ser agendas pelo site www.cortel.com.br

Por Francisco Edson Alves

Fonte original da notícia: O Dia – IG




Assista ao documentário “Crônica Da Demolição” no dia 15/10, às 18h, no Canal Brasil

O Palácio Monroe foi uma das mais imponentes construções do centro do Rio de Janeiro no início do século 20. O casarão de suntuosa arquitetura localizado próximo à Cinelândia, onde também foram edificados o Theatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Câmara dos Vereadores do município, entre outros prédios de crucial importância histórica, era a casa do senado federal enquanto a cidade maravilhosa foi capital do país, mas perdeu importância após a transferência da sede do governo federal para Brasília e foi alvo de uma grande campanha vexatória de interesses especulativos de construtoras. Coproduzido pelo Canal Brasil, o documentário de Eduardo Ades investiga os reais motivos da demolição do palacete em 1976.

O filme faz um passeio pela história do Rio de Janeiro e remonta o contexto histórico desde a construção do palácio. Desenhado pelo arquiteto Francisco Marcelino de Souza Aguiar, o palacete foi projeto para ser o pavilhão do Brasil em uma exposição universal realizada nos Estados Unidos em 1904. Laureado no evento, o projeto foi tirado do papel depois de dois anos e ganhou nome de batismo em homenagem ao quinto presidente norte-americano, James Monroe. A grandiosa construção localizada ao fim da Avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro da cidade e com uma das mais belas vistas da região – a capital passava por grandes transformações urbanas à época – funcionou como o plenário da Câmara dos Deputados durante oito anos e como sede do Senado Federal de 1922 até a construção de Brasília, em 1960.

Toda a pompa do palácio não foi suficiente para mantê-lo de pé após perder os representantes do legislativo brasileiro. Arquitetos modernistas como Lucio Costa e veículos de imprensa deram início a uma grande campanha para a demolição do prédio alegando que seu estilo estético não se adequava mais ao desenho da cidade. Aspectos políticos e financeiros se escondiam nas sombras dos argumentos técnicos. O prédio ficava no caminho dos trilhos do metrô, impedindo o traçado original de ser mantido pela empreiteira. A localização privilegiada atraiu os olhares das principais construtoras, interessadas em produzir novas edificações no local. A partir do depoimento de especialistas em arquitetura e urbanismo, o filme discorre sobre as motivações escusas de quem apoiou a destruição de um importante patrimônio histórico do Rio de Janeiro.

Fonte original da notícia: Canal Brasil