Rio de Janeiro (RJ) – Vendido para uma rede hoteleira, Largo do Boticário será, enfim, restaurado

Ministério Público Estadual, Inepac e novos proprietários assinaram Termo de Ajustamento de Conduta, que prevê conclusão de obras emergenciais em quatro meses.

Largo do Boticário, no Cosme Velho, deve virar um hotel da rede Accor – Domingos Peixoto/Agência O Globo

Após um longo período de abandono, o conjunto arquitetônico do Largo do Boticário, no Cosme Velho, Zona Sul, teve seu destino selado na semana passada. A rede Accorhotels comprou cinco das seis das casas que compõem o largo e pretender instalar ali um hostel, como antecipou a coluna de Marina Caruso.

Segundo Marcus Monteiro, presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), a empresa comprometeu-se em realizar a restauração completa do casario, tombado pelo estado em 1987, respeitando as características do projeto original. No dia 16 de maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Capital e o Governo do Estado, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), celebraram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Largo do Boticário Ltda, empresa que representa os novos proprietários do “Conjunto Arquitetônico do Beco e Largo do Boticário”, garantindo que o local seja recuperado

— Será um hostel. E o projeto prevê que se respeite a volumetria do conjunto. Achamos o projeto bem positivo, porque temos que começar a flexibilizar o uso destes imóveis, do contrário vamos começar a perdê-los. O ideal seria que o local se transformasse num centro cultural ou museu, mas esta não é a realidade possível. Temos que pensar na sustentabilidade. Temos perdido muita coisa em razão destas limitações. — comentou Marcus Monteiro.

Ele argumenta que, nestes tempos de crise, em que diversos centros culturais e museus estão com dificuldades de se manter, restringir o uso de um conjunto como aquele, tombado, a instalação de equipamentos de cultura, seria um equívoco.

—É um imóvel tombado, que necessita de uma restauração. Não será uma obra barata. É um uso bem bacana, o hostel. E o importante é que eles terão que manter a parte externa e praticamente 90% da parte interna sem modificações. O projeto vai ter que se adequar ao bem tombado — diz Marcus Monteiro.

Abandono e Degradação

No documento, a empresa compromete-se a executar, em caráter emergencial, as obras de restauração e contenção nos imóveis números 20, 26, 28, 28 fundos e 30, situados à Rua Cosme Velho, na Zona Sul da cidade. As unidades são consideradas Bem Estadual Tombado (BET). O TAC, diz o MP, também contempla a fiscalização de implantação posterior de empreendimento imobiliário no local. Como os prédios estão em péssimo estado de conservação, a obra terá que refazer telhados, reforçar estruturas e recuperar as fachadas.

O abandono e a degradação do local foram constatados em várias vistorias feitas pelo MPRJ e pelo Inepac. Diante dos riscos de desabamento e da “extrema gravidade da situação”, o MPRJ ajuizou, em janeiro, Ação Civil Pública para a realização de reparos necessários e urgentes, conseguindo uma medida liminar, que não foi cumprida pela antiga proprietária, que alegou não ter condições financeiras. Com a venda, explica o MPRJ, os novos donos do Largo que passaram a ser os réus da ação, assinaram o acordo, comprometendo-se a realizar todas as obras emergenciais no prazo de 120 dias. De acordo com o MPRJ, o prazo já está contando desde o dia 17 de maio. E a rede hoteleira poderá ser multada em R$ 10 mil por dia, caso não finalize os trabalhos no tempo combinado.

Tudo será supervisionado pelo Inepac e pelo MPRJ. O TAC prevê ainda que o projeto e as obras de implantação do futuro hostel, a ser construído e gerido pela Rede Francesa Accor, deverão obedecer a um cronograma para todas as etapas, mantendo-se as características arquitetônicas originais do bem tombado, “que deverão estar em consonância com as normas de proteção ao patrimônio cultural.”

Valorização Histórica

O acordo prevê que os novos donos publiquem um livro sobre a história do Largo do Boticário, contando a história do conjunto desde a construção até os dias de hoje. Na avaliação do promotor Felipe Cuesta, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural da Capital, a cidade vai sair ganhando com o novo desfecho do caso.

— Quando entramos com a ação civil pública, em janeiro, a antiga proprietária informou que não tinha condições de fazer as reformas emergenciais. Vimos que os sobrados estavam com risco de desabamento, até com perigos de morte, já que ela ainda vivia lá e havia outras pessoas morando em alguns dos sobrados. Foi um mês e meio de intensa negociação. Este TAC tem o objetivo inicial, emergencial, de impedir que o bem tombado se perca. E, num segundo momento, após a recuperação, de devolver aquele espaço para a cidade — conta o promotor, acrescentando que os novos proprietários terão que recuperar tudo o que for possível — As escadas caracóis, o piso, pias batismais, azulejos antigos, e outros elementos que restaram terão que ser restaurados — completa.

De acordo com o promotor, o MPRJ está negociando junto aos novos proprietários a construção de um centro cultural, numa área anexa, que irá contar a historia do Largo do Boticário e o do Rio Antigo. Além disso, diz o promotor, o projeto dos hostels prevê a abertura de um pequeno restaurante, aberto ao público.

— A rede hoteleira se comprometeu a editar um livro, com 1.500 exemplares, contando toda a história do Largo do Boticário, desde a construção, passando pela degradação e restauração do local. A metade dos exemplares deverá ser doada para divulgação à população, para a Biblioteca Nacional, Inepac e outros órgão públicos — contou o promotor.

Estima-se que a rede invista R$ 10 milhões para a compra do casario, mais R$ 50 milhões para o seu restauro. Procurada, a rede Accor ainda não se pronunciou a respeito.

A venda foi efetuada pela herdeira das residências de números 20, 26, 28 e 30, Sybil Bittencourt, herdeira da família fundadora do extinto jornal “Correio da Manhã”, representada pela corretora Sergio Castro Imóveis. A casa número 32, que pertence a outro proprietário, e não tem risco de desabamento, também estaria na mira da construtora. Um detalhe torna o recanto ainda mais importante: do beco que dá acesso ao largo ainda se vê trecho de um afluente do rio Carioca.

Construídas no final do século XIX, as casas do Largo e do Beco do Boticário, inicialmente térreas, foram reformadas na segunda metade do século XX, ganhando elementos neocoloniais. Nas modificações do conjunto, foi usado material retirado da demolição de parte do Centro do Rio, na época da abertura da Avenida Presidente Vargas. Ao todo, há seis casas no Largo e seis no beco, que também é protegido por ter área de ambiência de um bem tombado.

— O Paulo Bittencourt fez uma grande obra, refazendo os sobrados com peças e material que ele comprou na época das demolições para fazer a Presidente Vargas. Tudo ali, na verdade, é um grande cenário. A exceção é o sobrado 32, que não pertenceu a ele e se manteve original — diz o presidente do Inepac.

Por Simone Candida

Fonte original da notícia: O Globo



Niterói (RJ) – Fechado, Museu Antonio Parreiras, no Ingá, ganha site

Desde 2012 o espaço não recebe visitação do público, e as obras de reestruturação continuam paradas.

Retrato de Antonio Parreiras foi feito em 1902 – Divulgação

Será lançado hoje — Dia Internacional dos Museus — o site museuantonioparreiras.rj.gov.br do Museu Antonio Parreiras (MAP), que vive um impasse em sua sede física no Ingá. Na web, o público terá acesso a informações sobre a instituição e seu acervo, composto por centenas de obras, fotos e documentos do pintor que dá nome ao local. O endereço virtual, conquistado com patrocínio da Associação de Amigos do Museu Antônio Parreiras, foi a alternativa encontrada pela administração para manter o contato com os visitantes, que não têm acesso às dependências do espaço cultural desde 2012, quando foi fechado devido a infiltrações que ameaçavam sua estrutura. Desde então, uma série de entraves atrasa o término das obras de intervenção e de modernização do local.

— Este site é uma maneira de voltarmos a falar com o nosso público. Muita gente acha que paramos, mas mantemos um trabalho constante para preservação das obras, de monitoramento e pesquisa. Também emprestamos peças para que sejam expostas em mostras pelo país — afirma a diretora do museu, Kátia de Marco.

No site, o visitante poderá acompanhar registros da vida e da obra de Antonio Parreiras, antigo residente da casa transformada em museu em 1942. Animações apresentam peças mais emblemáticas do acervo e histórias de coleções de Parreiras; e revelaram curiosidades do Jardim Histórico, do ateliê e da Vila Olga, que também integram parte da área do museu.

‘Árvore Morta’ foi pintada por Parreiras em 1936 – Divulgação

Segundo Kátia, os padrões de acessibilidade universal implementados na construção do site permitem ainda experiências aos visitantes com deficiências visual, auditiva e de mobilidade.

— Estamos abrindo espaço para sermos visitados por novos públicos, que talvez não tivessem suas necessidades atendidas na visita presencial — comemora.

Sem previsão para visita presencial

As obras do Museu Antonio Parreiras começaram em 2014 e foram interrompidas em 2016. Em 2012, o Ministério da Cultura (MinC) e a Secretaria Estadual de Cultura firmaram convênio de R$ 6.250.000 para recuperação e restauro do museu. Deste valor, R$ 5 milhões seriam financiados pelo órgão federal em cinco parcelas; e o restante, pelo órgão estadual.

A tela ‘Flor do Mal’ foi feita em 1918 por Parreiras – Divulgação

De acordo com o MinC, o primeiro repasse à Secretaria de Cultura foi feito em novembro de 2012, e as parcelas seguintes seriam entregues após a prestação de contas da secretaria estadual. Em nota, o MinC afirma que essa prestação não foi feita, e por isso os demais repasses foram suspensos. O ministério esclarece, ainda, que um outro fator foi a interpretação de que houve terceirização da obra, que está sob comando da Empresa de Obras Públicas do Rio (Emop).

A Secretaria Estadual de Cultura já solicitou que o Minc reconsidere a interpretação sobre a terceirização da obra, uma vez que a Emop é uma empresa estadual. O pedido está em análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A secretaria informa também que a prestação de contas sobre o repasse da primeira parcela já foi realizada, mas acrescenta que, por questões técnicas de execução da obra, foi solicitado um ajuste nos planos de trabalho, que também está em análise.

Por Daniela Kalicheski

Fonte original da notícia: O Globo




Com chafariz que virou casa, Rio tem 192 bens históricos em risco

Levantamento identificou estátuas, fazendas e outros locais abandonados, destruídos ou com perigo de desabamento.

Estátua Equestre de Dom Pedro I (1862): Um dos índios da escultura de Louis Rochet, na Praça Tiradentes, está sem a lança há mais de quatro anos. A peça foi vista à venda em um antiquário no Centro. Felipe Fittipaldi/Veja Rio

Josefa Rosa de Jesus mora em uma casa com sala e dois quartos no Catumbi. O imóvel tem relógio da Light na porta e contas pagas em dia, além de espaço suficiente para a aposentada e seus dois cachorros. Seriam detalhes à toa, exceto por uma particularidade. O endereço é, na verdade, parte de uma relíquia. A antiga construção, erguida no século XVIII, é assinada por Mestre Valentim, pioneiro nome das artes no Brasil colonial, e, desde 1938, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Batizado de Chafariz do Lagarto, por causa do réptil de ferro na fachada que outrora cuspia água, o local já estava abandonado quando a nova moradora chegou, em 2010. “Uma vez encontrei um cara com um martelo na mão, prestes a roubá-lo”, conta a senhora sergipana, há mais de cinquenta anos no Rio. A transformação de um tesouro arquitetônico no humilde lar de dona Jô, como é mais conhecida a ex-moradora de rua, é algo, no mínimo, descabido. É, também, a ponta de um problema bem maior. Um levantamento do grupo SOS Patrimônio, realizado no estado entre janeiro e março de 2018, identificou 192 bens históricos abandonados, destruídos ou sob o risco de desabar. Nessa lista estão o próprio Chafariz do Lagarto e seu vizinho, o Chafariz Paulo Fernandes. A 120 metros da residência de dona Jô, a torre, com mais de 200 anos de existência, também foi invadida e redecorada — sua área interna abriga cômodos alugados a 300 reais por mês.

Fazenda Colubandê (1618): Em janeiro de 2017, um painel de 4 metros de largura que enfeitava a Capela de Santana na propriedade, em São Gonçalo, foi furtado. Selmy Yassuda/Veja Rio

A pesquisa do SOS Patrimônio reuniu 600 especialistas. Junto das fotos dos bens, eles compartilharam a localização indicada pelo GPS do celular no momento do clique, o que garante a autenticidade dos registros. Estátuas, igrejas e casarões estão ameaçados pelas mais diversas razões. Muitas vezes, mendigos arrancam peças dos monumentos para revendê-las. Foi assim com os fios de cobre da Fazenda Capão do Bispo, em Del Castilho, levados em fevereiro. Entre os locais que sofrem com o descaso das autoridades está a Fazenda Machadinha, em Quissamã. Lá, uma parede caiu há um ano e não foi refeita. “Até a casa do barão de Vassouras, uma das sedes do Iphan no estado, encontra-se aos pedaços”, afirma o historiador Claudio Mello, integrante do grupo de estudiosos. Na Zona Sul, o Relógio da Glória marca 13h50 há um ano, mas, como se sabe, o tempo não para. A murada em seu entorno, erguida pelo prefeito Pereira Passos em 1906, exibe 207 marcas de pichação. Na Praça Tiradentes, a vítima é a primeira escultura pública do Brasil: uma das lanças dos índios que protegem a estátua equestre de dom Pedro I foi roubada há mais de quatro anos. “Cheguei a vê-la em um antiquário da Rua do Senado”, conta o restaurador Marconi Andrade, fundador do SOS Patrimônio. Ao tentar resgatá-la, ele soube que a peça havia sido vendida a um colecionador de São Paulo. Para complicar, o orçamento estadual encolheu. A previsão de gastos públicos com patrimônio cultural diminuiu de 20,3 milhões de reais, entre 2012 e 2015, para 14,8 milhões, de 2016 a 2019.

Passeio Público (1783): O primeiro parque público das Américas, no Centro, foi reaberto em junho do ano passado, mas já apresenta sinais de degradação. Selmy Yassuda/Veja Rio

Ao redor do mundo, monumentos são testemunho da história. Muitas vezes, servem, inclusive, para revisá-la. Foi o que aconteceu em Barcelona, onde, em março, a prefeitura removeu uma estátua dedicada ao traficante de escravos Antonio López. No Rio, o grande desafio é apostar no oposto: despertar a simpatia da população por peças importantes e, assim, estimular a sua preservação. Quanto mais os moradores entenderem o significado dos nossos monumentos, mais chances teremos de mantê-los inteiros. “O Rio é a cidade com maior número de monumentos da América Latina. Não há condições de ter um guarda em cada estátua”, diz Washington Fajardo, urbanista e e­­x-presidente do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural. Uma política de longo prazo e uma administração livre da influência do mercado imobiliário, entre outros atores interessados nos rumos do nosso patrimônio, são objetivos a atingir. “Sem isso, vamos sempre depender do ministro para frear o Geddel”, resume o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, em referência ao caso do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que pediu demissão após sofrer pressões para liberar a construção de um prédio em uma área tombada de Salvador.

Chafariz da Glória (1772): Relíquia do Brasil colônia, vira balcão para camelôs durante a semana. Aos sábados e domingos, o cenário é apenas de abandono. Felipe Fittipaldi/Veja Rio

Chafariz do Lagarto (1786): No Catumbi, a obra de Mestre Valentim, um dos mais importantes escultores brasileiros do século XVIII, foi ocupada há oito anos por uma moradora de rua. Selmy Yassuda/Veja Rio

Por Saulo Pereira Guimarães

Fonte original da notícia: Veja Rio




Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro lança campanha para restauro de suas fachadas

Divulgação

O templo, localizado no Centro da cidade, aposta em doações dedutíveis do Imposto de Renda para iniciar projeto de restauração.

A Catedral Presbiteriana, o belo templo protestante localizado na Praça Tiradentes, espera transformar a obrigatória ‘mordida do Leão’ em doações para salvar as suas fachadas, que estão sofrendo um processo de deterioração. A restauração se justifica, pois há elementos arquitetônicos em processo de desprendimento, como arestas, quinas e ornatos aplicados.

Muitas formas de ajudar

O valor total do restauro é de R$ 2.185.651,60. A ideia é mobilizar doadores ‘pessoa física’ que podem dispor de até 6% do Imposto de Renda devido até 28 de dezembro de 2018. Para quem tem imposto a restituir, o valor doado será adicionado à restituição do próximo ano; já quem tem a pagar, o valor será subtraído da quantia a ser paga no ano seguinte. O passo a passo completo sobre como fazer a doação está disponível no site da campanha: www.abrace.catedralrio.org.br

Empresas podem ainda patrocinar o projeto com 100% de isenção fiscal por meio da Lei Rouanet e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e doações diretas na conta da Catedral Presbiteriana também serão muito bem-vindas.

A Catedral

Exemplar de arquitetura religiosa, em estilo neogótico, a Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro foi inaugurada em 1943. Como um inquestionável reconhecimento da sua importância, o Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro (Inepac) tombou a igreja em 2008. Sua ficha de tombamento assim descreve o prédio e sua relevância: O valor do templo para a sua comunidade religiosa pode ser atestado pela persistência em concluí-la de acordo com o projeto original. A implantação da Catedral em local de grande visibilidade e o estilo neogótico de sua edificação, fazem-na um marco da área da Praça Tiradentes.

“Estamos esperançosos que muitas pessoas, religiosas ou não, possam contribuir um pouco para que realizemos essa obra. A restauração das fachadas é importante não apenas para os membros da Igreja, mas também para todos os cidadãos do Rio de Janeiro, pois o templo é um patrimônio arquitetônico e histórico da nossa cidade”, diz o Reverendo Jorge Patrocínio, Pastor Efetivo da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro.

Fonte original da notícia: Christina Lima 




Rio de Janeiro (RJ) – Lei que permite revitalizar construções no Largo do Boticário entra em vigor

Projeto libera atividades econômicas desde que sejam mantidas as características arquitetônicas.

Revitalização. Processo de mudança no local está sendo acompanhando de perto pelo Ministério Público – Agência O Globo / Domingos Peixoto

Já está em vigor a lei complementar 183, que autoriza a mudança de uso e a transformação dos imóveis do Beco e do Largo do Boticário, no Cosme Velho, em unidades independentes, desde que mantidas as características arquitetônicas dos locais. De acordo com o texto, “entende-se por reconversão dos imóveis tombados a que se refere esta Lei Complementar o conjunto de intervenções arquitetônicas que vise a assegurar a manutenção de suas estruturas e elementos construtivos, assim como sua permanência na paisagem urbana e no ambiente cultural, por meio de uma nova função ou uso apropriado, de forma a promover sua reintegração à realidade social, cultural e econômica. A lei foi aprovada pela Câmara Municipal do Rio e entrou em vigor no dia 14 de março.

Segundo Crivella, os proprietários dos imóveis poderão, a partir de agora, obter meios de explorá-los economicamente, aplicando parte desses recursos na restauração e manutenção dos casarios. Até então, sua destinação era exclusivamente residencial.

— A lei prevê que a estrutura e os elementos construtivos deverão ser mantidos e que todas as intervenções sejam autorizadas pelos órgãos competentes. Assim, estão criadas as condições para que esta parte importante da memória carioca seja preservada — declara Crivella.

Para o vereador Fernando William (PDT), autor do projeto junto com o vereador Cesar Maia (DEM), a revitalização vai fomentar a economia e o turismo, uma vez que o Largo do Boticário fica perto da entrada para o Cristo Redentor, um dos cartões-postais da cidade.

— O Rio tem vários locais históricos com papel extremamente relevante para a cidade. Mas à medida que foram tombados, os proprietários perderam a chance de fazer qualquer negócio com eles — diz William. — A proposta é revitalizar sem alterar as características das construções.

O conjunto arquitetônico já está sendo negociado pela rede de hotéis Accor. Herdeira das residências de números 20, 26, 28 e 30, Sybil Bittencourt é representada pela corretora Sergio Castro Imóveis. Segundo o diretor Cláudio Castro, as negociações para a venda estão adiantadas, mas seguem em sigilo (corre uma ação contra a proprietária, determinando a reforma das construções, mas ela alega não ter recursos).

— O que posso garantir é que será um negócio lindo para a cidade — afirma Castro.

Estima-se que a rede invista R$ 10 milhões para a compra do casario, mais R$ 50 milhões para o seu restauro. Procurada, a rede Accor informou que ainda não divulgaria informações a respeito. O processo está sendo acompanhado pelo Ministério Público estadual e também pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), uma vez que o local é tombado pelo órgão desde 1990.

— Acredito que qualquer projeto de revitalização é melhor do que o abandono. Vivemos um momento difícil para o país. Se não flexibilizarmos as leis, perderemos nosso patrimônio cultural — diz Marcus Monteiro, diretor do Inepac.

O arquiteto Ernani Freire, que assina o projeto e participou da revitalização da Casa Daros e do Parque das Ruínas, adianta apenas que talvez seja a última chance de requalificação do local:

— A compra do conjunto de casas resolve a requalificação do largo inteiro. Pois, mesmo com a lei nova, dificilmente um empresário comprará uma casa sem saber o que vai ter ao lado.

Por Patricia de Paula

Fonte original da notícia: O Globo



Rio de Janeiro (RJ) – Nos 110 anos de morte de Machado de Assis, tombamento de casa onde morou ainda é provisório

O casal Joaquim Maria e Carolina Augusta Machado de Assis devia passear por ali de mãos dadas, aos 35 e 39 anos, respectivamente, como apaixonados que foram, nos tempos em que a Rua da Lapa, no Centro, já era um recanto apreciado pela boemia carioca. Entretanto, o único imóvel habitado por Machado de Assis, embora por um curto período de tempo de 11 meses, de 1874 a 1875, o sobrado número 242 da Rua da Lapa, recebeu apenas um tombamento provisório, em 2008, apesar de a prefeitura já ter levado dez anos procurando mapear, em vão, outros bairros da Zona Sul por onde Machado pudesse ter deixado outros rastros. Uma discreta placa comemorativa indica o marco histórico, ignorada pela maioria dos turistas que caminham por ali após conhecer a Escadaria Selarón, decorada pelo pintor e ceramista chileno Jorge Selarón, radicado no Rio por longa data, morto em 2013.

Foi neste endereço que o autor escreveu seu segundo romance, “A mão e a Luva”, publicado em 1874. É uma história de amor entre a protagonista, Guiomar, jovem de personalidade forte, sobrinha de uma baronesa, e seus três pretendentes. “Criaturinha falante e delicada, assaz, inteligente e viva, um pouco travessa, que deseja ascender socialmente”, descreveu o autor. Trata-se de um texto contido, minimalista, de análise psicológica, com a elegância estilística que caracteriza o escritor. A história se passa em Botafogo, na época bairro considerado subúrbio da cidade, repleto de chácaras aprazíveis, e foi muito bem recebido pela crítica da época.

Visitação a Shakespeare 

Já a casa onde o casal viveu, por 24 anos, no Cosme Velho, na Zona Sul, veio abaixo em 1910, dois anos após a morte de Machado e não deixou vestígios, a não ser em referência ao apelido de “bruxo do Cosme Velho”, uma das alcunhas do autor de “Dom Casmurro”.  Primeiro, foi erguido ali um palacete e, depois, um prédio,  que recebeu o nome de Flamboyant. No ano em que se comemoram os 110 anos da morte de Machado, em setembro,  a memória daquele que foi o maior escritor brasileiro do século XIX corre o risco de permanecer envolta nas brumas do esquecimento. A não ser pelo tombamento de sua obra como bem imaterial, também ocorrido em 2008. Só para termos de comparação, Stratford-upon-Avon,  cidade onde nasceu William Shakspeare, na Inglaterra, recebe mais de 800 mil visitantes por ano.

Atuais vizinhos 

O esquecimento é atestado pelos atuais vizinhos do sobrado branco de estilo eclético, do ano de 1909 — embora o casal tenha passado por lá antes da data assinalada na fachada —, com esquadrias verde claras, portas e janelas cinza e algumas pichações que endossam o ar de abandono do imóvel. Antonio Souza, 91 anos, dono do misto de brechó com antiquário em frente ao sobrado, conviveu com personagens como Madame Satã e Nelson Gonçalves, e sabia que Machado havia passado por ali, mas na época nunca tinha ouvido falar nele.  “Fui boxeador e desde os 8 anos comecei a trabalhar com comércio. Fabriquei lustres e Getulio Vargas era meu cliente no Palácio Laranjeiras. Eu morava na Luís de Camões, mas vivia por aqui, por causa das gafieiras”, lembra Souza, que recorda os tempos em que os bondes circulavam por ali e diz manter no brechó exemplares do grande escritor, os quais não conseguiu encontrar.

É difícil algum passante prestar atenção à placa circular entre os dois sobrados gêmeos — o de Machado está mais mal tratado, o vizinho, de fachada idêntica, é caiado de beje e tem a porta trancada por fora a cadeado.

Como a placa fica bem no meio das duas casas, quase ninguém se detém para ler: “Patrimônio Cultural Carioca, Casa de Machado de Assis, bem tombado municipal, Circuito de Literatura, neste local, de 1874 a 1875, morou Joaquim Maria Machado de Assis, um dos escritores mais importantes da literatura nacional”. Embora pareça pinçada de um romance de Machado, a Hospedaria Sul Americana, que oferece “quartos para cavalheiros”, também em frente ao sobrado, emprega há pouco tempo o funcionário Reginaldo Silva, 45 anos, que nunca ouviu falar em Machado de Assis: “Não sei nada sobre ele”, desconversa.

Teatro de animação 

A sorte é que, desde 2011, o sobrado está ocupado pelo inovador grupo de teatro de animação Pequod. Se o lado externo parece o mais puro abandono, o mesmo não se pode dizer do interior, que foi todo reformado, já que o tombamento se restringe à fachada. O pé direito alto está muito bem aproveitado pela instalação de um mezanino sobre o salão de ensaio. É lá que fica a oficina de confecção dos bonecos usados pelo grupo nos espetáculos. “Antes de chegar aqui, montamos a peça ‘Contando Machado de Assis’, a partir de três contos do autor, com direção de Antônio Gilberto”, lembra a produtora Lilian Maria Bertin, que acompanha o grupo desde o início, há 20 anos.

Projeto Capitu 

Lilian começou a ler Machado ainda criança, naquela época, porém, achava o autor um tanto o quanto enfadonho. “Criança não entende. A pegada dele é mais para adolescentes e adultos. Já li ‘Dom Casmurro’ três vezes”, vibra ela, que continua a correr atrás de patrocínio para montar o Projeto Capitu e apresentá-lo na única casa ainda de pé onde viveu Machado de Assis. O casal de ex-moradores certamente iria apreciar este tipo de locatários.

Por Celina Côrtes

Fonte original da notícia: Jornal do Brasil




Suásticas cariocas, a herança nazista no Rio

Piso do Iserj com a suástica nazista.

Quem desconfiaria que o Brasil ainda guarda marcas do nazismo. O que poucos conhecem é que durante a época em que a Alemanha era governada pelo partido nazista, o Brasil recebeu alguns presentes, alguns deles existentes até hoje, ainda que ocultados na nossa história.

Voltemos ao final dos anos 20, quando o Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), situado na Tijuca, ainda era a Escola Normal. Sem ter uma sede própria, em 1927 o então prefeito Antônio Prado Júnior fez a aquisição de um terreno na Tijuca para o Instituto de Educação. Ele realizou na época um concurso que elegesse o projeto de arquitetura que figuraria o prédio da instituição. Os selecionados foram os arquitetos Ângelo Bruhns e José Cortes. A construção, em estilo neocolonial, ficou pronta em 1930.

Mas o que o Iserj teria a ver com o nazismo? O instituto possui salas que até hoje são um mistério até mesmo para quem lá estuda. Durante a Ditadura Militar, era proibido entrar em alguns aposentos do prédio, com risco de punição severa. Há quem diga que os locais serviram para tortura.

Suásticas no porão do Teatro Fernando Azevedo, Teatro do ISERJ, são um mistério até hoje.

No entanto, ainda se pergunta: E o nazismo?

O mistério por trás desses aposentos secretos é que guarda a resposta. Várias salas, assim como o piso de alguns recintos do teatro do Iserj e o porão estão repletos de ladrilhos com a insígnia nazista, a suástica.

O historiador Milton Teixeira acredita que a conotação ideológica não pode ser totalmente descartada.

— Temos que pensar na conjuntura da época. Havia uma polarização entre os intelectuais de direita e de esquerda que lutavam para conquistar a mente dos educadores. Não acho que tenha sido colocada logo na inauguração, pois Hitler ainda não havia chegado ao poder na Alemanha. É capaz de que tenha sido posta após a Intentona Comunista, em 1935. A partir daí, nas instituições de ensino da época houve uma penetração forte da extrema-direita — pondera.

Teixeira acha que o piso no porão do teatro do Instituto de Educação pode, sim, ser um símbolo para pregar a disciplina, a centralização, o nacionalismo e o anticomunismo aos educadores:

— Todos sabem que o Brasil de Getúlio flertava com Hitler. Pode ser que a suástica estivesse em outros lugares da escola, não só no porão. Mas, a partir de 1941, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha, o símbolo tomou proporções negativas e teve que ser banido.

Suásticas no porão do Teatro Fernando Azevedo, Teatro do ISERJ, são um mistério até hoje.

Para ele, o piso deve ser preservado, ainda que o nazismo evoque as piores lembranças.

— Impressionou-me bastante esse achado e ainda mais que não tenha sido retirado à época da Segunda Guerra. No entanto, independentemente das lembranças ruins do nazismo, o piso deve ser preservado pela memória das duas ideologias, a da esquerda e da direita, que disputavam as mentes dos educadores do Brasil. Até porque ela está no porão e não na porta principal.

A Faetec informou que, desde 1965, o prédio do Iserj está inscrito no livro de tombo das Belas Artes da Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico e que qualquer proposta de reestruturação precisa ser deliberada a partir de um plano diretor aprovado pelos órgãos de tombamento.

Para Breno Melaragno, advogado criminalista e presidente da comissão de segurança pública da OAB, o que torna a cruz suástica um crime é o seu uso para incitar o preconceito e o nazismo.

— Primeiramente, esse prédio é da década de 1930, e os símbolos foram feitos na sua construção em um contexto totalmente diferente do de hoje. E elas estarem ali, pura e simplesmente, não tipifica um crime. Mas, hoje em dia, queira ou não, recordam diretamente as atrocidades nazistas; então, caso alguém divulgue-as incitando o ódio, estará cometendo um delito — analisa.

Fonte original da notícia: Rio Secreto




Paraty (RJ) tem candidatura ao título de Patrimônio da Humanidade aceita pela Unesco

Cidade da Costa Verde concorre como sítio misto de paisagem cultural e natural. Votação será em 2019.

Paraty tem candidatura ao título de Patrimônio da Humanidade aceito pela Unesco. Foto: Gustavo Juber/Fotógrafo

Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, foi aceita na quinta-feira (1º) pela Unesco para concorrer ao título de Patrimônio da Humanidade. Com um importante acervo arquitetônico e ricas paisagens com belezas naturais, a cidade concorre pela terceira vez.

De acordo com o Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, essa é a primeira vez que Paraty compete como sítio misto, com paisagem natural e cultural.

O documento da candidatura foi elaborado em uma parceria do órgão com o Ministério do Meio Ambiente. Caso seja aprovado, será a primeira vez que o Brasil terá um sítio misto a ser inscrito na Lista do Patrimônio Mundial.

Ainda este ano, o órgão consultivo da Unesco irá realizar uma visita técnica à cidade. A votação será em 2019.

Em 2017, Paraty recebeu da Unesco o título internacional de Cidade Criativa para a Gastronomia. Outras duas cidades brasileiras entraram na lista: Brasília, na categoria design, e João Pessoa, nas artes e cultura.

Fonte original da notícia: G1 Sul do Rio e Costa Verde




MP investiga omissão do prefeito Marcelo Crivella durante o carnaval do Rio

Assim como Crivella, presidente da RioTur também será investigado por improbidade administrativa por falhas no planejamento do carnaval.

Reprodução/Internet. G1.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) abriu um novo inquérito, nesta segunda-feira (19), para investigar as viagens do prefeito Marcelo Crivella ao exterior durante o carnaval. Assim como Crivella, o presidente da RioTur, Marcelo Alves, também será investigado por improbidade administrativa por falhas no planejamento do carnaval.

Para o MP, não foram tomadas todas as medidas necessárias para que o maior evento do Rio acontecesse da melhor forma possível e, por conta disso, moradores e turistas enfrentaram o caos e a desordem da cidade. O prefeito tem 30 dias para se manifestar, assim como o presidente da RioTur.

“A conduta do prefeito e a viagem se inserem num contexto mais abrangente até do que esse. Um contexto no qual a gente tem o chefe máximo do Executivo municipal assumindo uma postura que se distancia da sua responsabilidade de valorização do patrimônio imaterial da cidade, considerado o carnaval como sendo parte desse patrimônio imaterial”, explicou a promotora Liana Barros Cardoso

Na última sexta-feira (16), o MP já havia instaurado um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades nas recentes viagens internacionais realizadas pelo prefeito do Rio. De acordo com o promotor Salvador Bemerguy, da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania da Capital, será averiguado se as viagens foram custeadas pelo erário municipal e dissociadas do interesse público.

“A gente teve a mídia noticiando, quase que diariamente, problemas relacionado à limpeza urbana, noticiando equipamentos urbanos deteriorados, equipamentos urbanos insuficientes, equipamentos urbanos que naõ conseguiram atender por uma evidente falha de planejamento e/ou execução a totalidade da população”, completou a promotora.

Em 1 ano, Crivella passa 36 dias em viagens oficiais no exterior

Desde que assumiu, no início de 2017, Crivella passou 36 dias em viagens oficiais fora do país. A última delas foi durante o carnaval: ele foi para a Europa no domingo (11), dizendo que voltaria na quinta-feira (15). Até a manhã deste sábado, no entanto, a chegada dele não havia sido confirmada. Nem o temporal que deixou 2 mil pessoas desalojadas mudou os planos do prefeito.

O MP determinou que seja esclarecido o custo de cada viagem internacional, com encaminhamento de planilha das passagens aéreas e diárias.

Crivella foi a 9 países em viagens oficiais em pouco mais de 1 ano de mandato. Foto: Reprodução/ TV Globo

Fonte original da notícia: G1 – RJTV 1ª edição




Artistas fazem movimento contra fechamento da Casa do Jongo, no Rio

A sede do Jongo da Serrinha fechou na semana passada por falta de condições financeiras. ONG de produção cultural dedicada à preservação da arte atendia 400 crianças.

G1. Divulgação/Internet

Um grupo de artistas fez uma manifestação na terça-feira (9), no Centro, em protesto contra o fechamento da sede do Jongo da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio. Por falta de condições financeiras, a instituição encerrou as atividades na semana passada.

Foi ao som dos tambores numa roda de dança alegre e pacífica que os manifestantes protestaram em defesa da Casa do Jongo. A coreógrafa Yza Diordi destaca os aspectos do jongo.

“No jongo não há violência. As regras são de alegria, de respeito. Não trabalhamos com a violência”, disse a coreógrafa.

Por falta de condições financeiras, a Casa do Jongo fechou as portas na semana passada. O grupo Jongo da Serrinha existe há mais de 50 anos e tem uma produção cultural dedicada à preservação das artes, do conhecimento e das raízes africanas do ritmo.

Projeto social

A casa atendia 400 crianças da comunidade da Serrinha com atividades educativas e culturais. Apesar do investimento de empresas privadas, a ONG contava com recursos do programa de fomento à cultura que foram reduzidos pela prefeitura.

“A gente chegou na Secretaria de Cultura e avisou que isso ia acontecer: olha, a gente precisa de um aporte, de um fôlego para conseguir novos parceiros porque nesse período a gente não vai conseguir, o que vai acontecer é que no final do ano a gente vai fechar. E foi exatamente isso que aconteceu. A gente ficou quase um ano esperando uma resposta da Secretaria de Cultura e em outubro – a primeira reunião foi em março – chegou uma resposta dizendo que não teria recursos, sendo que a gente viu que ela apoiou outros grupos, com perfis diferentes, inclusive mais comercial, do que o jongo. Então, para a gente, é insustentável manter uma turma de 400 alunos e uma visitação de duas mil pessoas por mês”, disse a coordenadora executiva do Jongo da Serrinha, Dyonne Boy.

O jongo, considerado o pai do samba, foi tombado em 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). E virou patrimônio imaterial do país. Hoje, 13 anos depois, corre risco de perder um de seus principais centros.

A Secretaria Municipal de Cultura afirmou que nunca suspendeu o financiamento à Casa do Jongo, e que os repasses sempre foram feitos via edital de fomento ou lei de incentivo. Ela disse ainda que a Casa do Jongo vai contar este ano recursos de fomento indireto e que o projeto aprovado para 2018 – uma captação de R$120 mil – não pode mais receber recursos por conta de um decreto. Segundo a secretaria, cabe à Casa do Jongo captar mais recursos junto a possíveis apoiadores.

Fonte original da notícia: G1 – Bom Dia Rio