Em crise, RJ só investe R$ 14,3 milhões de R$ 70,2 milhões previstos para a cultura até junho

Bibliotecas, museus, patrimônios históricos, teatros – todos os setores culturais foram atingidos pela situação financeira fluminense. Situação não melhorou desde a decretação do estado de calamidade.

O setor cultural não passou imune pelo terremoto que lançou o Rio de Janeiro em um abismo financeiro – situação que atingiu o ponto mais crítico com a decretação do estado de calamidade, há pouco mais de um ano.

Segundo dados da própria Secretaria de Estado de Cultura, entre 2016 e 2017, o orçamento da pasta caiu de R$ 82,1 milhões para R$ 70,2 milhões – destes, R$ 14,3 milhões haviam sido empenhados até o momento da publicação deste texto.

Bibliotecas, museus, patrimônios históricos, teatros – todos os setores culturais foram atingidos pela situação financeira fluminense. Sobrou até para um dos maiores símbolos na cultura do estado, o Theatro Municipal.

“Não pergunte. Está fechado”. Aviso escrito na porta traseira da Biblioteca Parque Estadual. Foto: Carlos Brito

“Não perguntem. Está fechado!!”. O aviso, curto e direto – que pode ser visto pelo pedestre mais atento ao passar pelo acesso traseiro da Biblioteca Parque Estadual, na Rua da Alfândega, Centro do Rio –, foi escrito com dois pontos de exclamação. A frase e o excesso na pontuação têm autor desconhecido, mas traduz de forma precisa não apenas o não funcionamento do espaço, mas também a sensação de urgência e preocupação de alguém que conhece de perto a situação de crise da cultura no Estado.

Bens culturais, que deveriam ser preservados, estão em avançado estado de deterioração. O projeto da Biblioteca Parque, anunciado com estardalhaço pelo governo, naufragou. O Theatro Municipal, um dos maiores orgulhos da cultura fluminense, está à míngua, com funcionários sem receber e espetáculos cancelados ou adaptados para formatos reduzidos.

E mesmo a Escola de Teatro Martins Penna – mais antigo centro de preparação teatral da América Latina – também teve problemas e chegou a ser ocupada pelos alunos como forma de protesto.

Imóvel fantasma

Os 15 mil metros quadrados de área do prédio da Biblioteca Parque, localizado na Presidente Vargas, se transformou em um imóvel fantasma desde o dia 30 de dezembro de 2016, quando o contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Cultura e o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), que cuidava do gerenciamento do espaço, foi encerrado.

Biblioteca Parque Estadual – fechada desde o fim de 2016. Foto: Carlos Brito

Desde então, o prédio de linhas minimalistas está vazio e seu entorno se transformou em dormitório e banheiro para moradores de rua. Ao se aproximar das portas de vidro, é possível ver os corredores escuros e o aviso do fim do convênio. Uma realidade bem diferente dos tempos nos quais seu acervo de 260 mil itens atraíam, em média, 2,2 mil pessoas por dia. O conjunto de obras contava com 2,8 mil títulos em braile ou audiolivros. Os R$ 20 milhões anuais necessários à manutenção do projeto se tornaram uma realidade inviável.

Aviso afixado em entrada lateral da biblioteca avisa sobre o fim do contrato entre o Estado e o IDG. Foto: Carlos Brito

Das quatro unidades da Biblioteca Parque – Centro, Manguinhos, Rocinha e Niterói – apenas esta última continua em operação, graças a um convênio firmado com a prefeitura.

Corredores vazios da Biblioteca Parque Estadual, no Centro. Foto: Carlos Brito

“Alguns equipamentos que funcionavam no modelo Organização Social foram fechado e têm dificuldades para serem reabertos. É o caso das Bibliotecas Parque Estadual, que são muito importantes para a cultura e hoje não têm a possibilidade de funcionamento”, explicou o presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Zaqueu Teixeira (PDT).

Por meio de sua assessoria, a Secretaria de Estado de Cultura informou que está em negociações com coletivos locais para reabrir a unidade Manguinhos até agosto.

Patrimônio em ruínas

Longe de ser um problema restrito a espaços fechados, como uma biblioteca, a crise na cultura do Rio de Janeiro pode ser percebida com facilidade por qualquer um que ande pelas ruas da cidade. Basta olhar para as más condições de preservação de alguns patrimônios imóveis cariocas.

Um exemplo claro pode ser visto na Praça Tiradentes. Depredada, a estátua de João Caetano, ator e encenador cujo nome batiza o teatro no mesmo local, já se encontra desgastada – a lâmina da espada que empunha foi quebrada e roubada.

Estátua de João Caetano em estado deteriorado na Praça Tiradentes. Foto: Carlos Brito

Localizado na esquina das ruas Riachuelo e Inválidos, na Lapa, o Solar do Visconde é outro exemplo evidente. Construído no século XVIII, o prédio em estilo colonial português foi residência de Francisco Targine, o Visconde de São Lourenço, conselheiro de Dom João VI. Mesmo tombado desde 1938 pelo Instuto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), o local entrou em decadência e hoje preserva apenas a fachada antiga, mesmo assim, em condições bastante precárias.

Havia planos para recuperar a construção e transformá-la no Centro de Referência da Arqueologia do Rio de Janeiro. Pretensão que parece muito distante diante da escassez de recursos destinados à cultura. Hoje, um estacionamento funciona no interior do imóvel.

Solar do Visconde em ruínas, na Lapa. Foto: Carlos Brito

“A preservação do patrimônio sofre muito mais. Verificamos que não há os aportes necessários para que os bens materiais sejam preservados. Testemunhamos todos eles se perderem”, admitiu Zaqueu. “Nos últimos dois anos, a Secretaria de Estado de Cultura teve uma redução muito grande em seu orçamento e não há perspectiva de melhoras”, concluiu o parlamentar.

Por um dos buracos na parede, é possível ver o estacionamento que funciona no Solar do Visconde. Foto: Carlos Brito

Em 2015, um grupo de trabalho, que reunia representantes dos setores público e privado, foi formado junto à Comissão de Cultura. O objetivo era elaborar políticas de preservação de pelo menos 40 bens culturais que estão em situação de abandono pelo poder público. Diante da árida paisagem financeira fluminense, as intenções de recuperação do patrimônio nunca ultrapassaram o papel.

Sonhos frustrados

Uma das principais referências para artistas na cidade, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro também enfrenta a pior crise em seus 108 anos de existência. Músicos, bailarinos e funcionários da Casa fazem o que podem para continuar as produções. O problema é que, com três folhas salariais em atraso, tem sido difícil até sair de casa para ir trabalhar.

Para quem dedicou a vida inteira em função da arte e sempre sonhou em trabalhar no Theatro Municipal, é difícil acreditar que a situação chegou a esse nível.

Integrante do corpo de baile há 21 anos, ela afirmou nunca ter visto situação semelhante ao que ela e seus colegas têm passado. Sem salário, muitos chegaram a deixar de lado o sonho que conquistaram de estar no palco do Municipal e optaram por profissões alternativas.

“É chocante. Alguns passaram a fazer até faxina, marmita, vender roupa em casa pela internet, fazer Uber. Eu trabalho com carnaval, mas uma hora o dinheiro acaba, então, eu comecei a fazer roupa de cena de ballet, que eu já fazia pra vender e é uma coisa que eu gosto muito, e que eu comecei ativamente a fazer porque eu estava precisando”, disse Claudia Mota.

Diante da situação atual, o vice-presidente do Municipal, Ciro Pereira da Silva, acredita que para que tudo volte ao normal, é preciso apenas que os salários estejam em dia.

“O que a gente pensa é que o Theatro volte à normalidade e ele só precisa dos funcionários receberem em dia pra isso voltar a funcionar, porque público tem, o público quer, os artistas querem, os técnicos querem, os administrativos querem”, disse Ciro, que está a 40 anos na Casa.

Público protestou

Bailarinos, coro e orquestra di Theatro Municipal do Rio apresentaram ‘Carmina Burana’ no último fim de semana. Foto: Andressa Gonçalves / G1

No último domingo (18), o público que foi ao Municipal e assistiu o espetáculo “Carmina Burana”, de Carl Orff, também se manifestou com gritos como “Fora Pezão”, logo após um anúncio feito antes da apresentação explicando sobre a situação do atraso do pagamento dos servidores do teatro. No fim do espetáculo, a plateia aplaudiu de pé e voltou a protestar contra os políticos.

Devido à situação financeira do Theatro, muitos espetáculos, como “O lago dos cisnes”, de Tchaikovsky, precisaram ser cancelados. A ópera ‘Norma’, de Vincenzo Bellini, teve de ser transformada apenas em concerto. Outras tiveram que ser adiadas para o segundo semestre.

O corpo de funcionários do Theatro Municipal é formado por 550 pessoas, entre artistas e técnicos. A exemplo do que aconteceu em todos os setores da cultura estadual, o orçamento dedicado à casa também acabou reduzido. Em 2016, o local recebeu R$ 69,8 milhões. Este ano, o valor caiu para R$ 62,9 milhões. No entanto, quase metade desse total foi contingenciado e R$ 31 milhões ainda não foram repassados.

“A Secretaria de Estado de Cultura está contando com a dedicação e abnegação de muitos artistas, como os valorosos corpos artísticos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, para manter os equipamentos em pleno funcionamento e levando programação de qualidade à população, como acabou de acontecer com a estreia de ‘Carmina Burana'”, afirmou o órgão por meio de nota.

Por Carlos Brito e Fernanda Rouvenat

Fonte original da notícia: G1 Rio




Rio de Janeiro (RJ) – Sem repasses desde janeiro, concessionária suspende obras na Zona Portuária

Na região, sobram buracos nas ruas, calçadas sem manutenção e obras inacabadas.

No Santo Cristo, imóveis mal conservados têm como vizinhos prédios novos que estão com baixa ocupação. Márcia Foletto / Agência O Globo

Buracos nas ruas, calçadas sem manutenção, obras inacabadas. Depois de protagonizar uma das mais importantes transformações urbanísticas da cidade, o Porto, que ganhou a alcunha de Maravilha e passou a disputar com a orla da Zona Sul a atenção dos turistas, vive dias de incertezas. Todas as mudanças que deram novo colorido a uma das regiões mais antigas do Rio estão ameaçadas pela crise econômica. Desde o início, em 2011, a “plástica” que devolveu a cariocas e turistas a visão da Baía de Guanabara em pleno Centro — além de gerar atividades de lazer e cultura — já consumiu R$ 5 bilhões. Parte do dinheiro brotou como mágica de uma ideia que parecia inovadora: empresas comprariam da Caixa Econômica certificados para construir na área, e o banco, por sua vez, reverteria parte dos recursos para revitalizar cinco milhões de metros quadrados nos bairros do Santo Cristo, da Gamboa e da Saúde. Mas, desde janeiro, a fonte secou.

Como os ventos econômicos mudaram de direção, caiu consideravelmente a venda desses papéis milagrosos, que têm nome pomposo: Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). O problema é que, para manter todas as “maravilhas”, a concessionária Porto Novo — que firmou com a prefeitura uma parceria público-privada (PPP) para fazer obras, a manutenção e a operação da Zona Portuária — vai precisar de mais R$ 5 bilhões nos próximos oito anos e meio. Quem acreditou no projeto já vê sinais de que as coisas não são mais como antes.

— Perguntei a um engenheiro da concessionária quando iriam concluir o Largo José Francisco Fraga, no Santo Cristo, e ele me disse que não sabia, porque o dinheiro acabou — conta Denísio Santos, que há 15 anos é dono de um bar na esquina da Rua Equador, bem perto da garagem do VLT.

Prédios modernos compõem a paisagem junto aos armazéns da Zona Portuária do Rio: revitalização da área está suspensa. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O largo está abandonado: a calçada e o pavimento não foram concluídos. Em vez de área de convivência, só lhe restou ser usado, precariamente, como estacionamento. Improvisos que vão comprometendo as belezas. Afinal, com os tais certificados, seriam pagas as despesas com obras e a manutenção de áreas verdes e praças, de iluminação, de sinalização de trânsito e até mesmo de limpeza. As calçadas também dependem desses recursos. Intervenções grandes, como a revitalização da Avenida Francisco Bicalho, estão adiadas até segunda ordem.

Desde o dia 10 de janeiro, a Porto Novo, formada pelas construtoras Odebrecht, OAS e Carioca, está sem receber e tem se limitado a realizar serviços de manutenção e operação. O fundo da Caixa Econômica que adquiriu, em leilão, todos os Cepacs emitidos pelo município para revendê-los a interessados em construir acima da metragem quadrada de seus terrenos, se declarou sem liquidez, devido à falta de compradores. Com isso, o fundo não leva adiante a obrigatoriedade de fazer os repasses mensais para as obras e a manutenção da infraestrutura.

Prefeitura não assumirá gastos

VLT passa por uma rua do Santo Cristo e, ao fundo, prédios do empreendimento Porto Atlântico: torres comerciais ainda estão desocupadas. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Diante do impasse, o atual presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (da prefeitura), Antonio Carlos Mendes Barbosa, deixa claro: o órgão não irá recomprar Cepacs para assegurar recursos para a concessionária. Ele alega que a medida não foi incluída no orçamento da prefeitura de 2017 e que, caso fizesse isso, poderia responder criminalmente. Barbosa diz que os preços dos certificados passaram de R$ 545 (no momento do leilão) para R$ 1.706. Se fosse aplicado o IPCA de 2011 a 2017 (51,55%), os Cepacs valeriam hoje R$ 825,96. Entretanto, tiveram uma valorização de 313%. O reajuste acima da inflação só contribuiu para aprofundar o desinteresse pelo produto.

Dos 6,4 milhões de certificados adquiridos pelo fundo da Caixa, apenas 8,79% foram vendidos até hoje. Ou seja, ainda há um estoque de 5,87 milhões (91,2%) para serem comprados.

Após um dia de chuva, água fica empoçada em via da Zona Portuária. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

— Já existe uma dívida de R$ 80 milhões este ano com a Porto Novo. Se a Caixa não pagar, a concessionária vai acabar parando. Pode suspender a varredura de ruas, a coleta de lixo, o controle do tráfego e dos túneis. Por enquanto, a Porto Novo está fazendo a manutenção e a operação. Eles têm interesse em fazer. É a maior PPP do Brasil. Mas até quando vão suportar? O Porto está ameaçado. Essa Praça Mauá, que está bonita e tem âncoras (o Museu do Amanhã e o Museu e Arte do Rio) pode se deteriorar. A Caixa quer que eu pague, mas não posso assumir — defende o presidente da Cdurp.

A recompra de Cepacs chegou a ser proposta pelo ex-prefeito Eduardo Paes, por meio de uma emenda modificativa ao projeto orçamentário, em 2 de dezembro de 2016, no valor de R$ 189 milhões apenas para 2017. No entanto, a operação não foi aprovada pela Câmara. Mesmo sem o aval do Legislativo, foi assinado em 28 de dezembro o 12º aditivo ao contrato da operação urbana, assegurando um aporte financeiro que totaliza R$ 219 milhões até julho de 2018.

Crise financeira tem reflexos no setor imobiliário da região do Porto. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

— Para viabilizar a liquidez do fundo da Caixa, a solução encontrada foi recomprar os Cepacs. Outro interesse nosso foi garantir um estoque para a construção de habitações populares. Mandamos a proposta para a Câmara. Se o Legislativo não aprovou, não podemos fazer nada — alega Alberto Silva, ex-presidente da Cdurp. — O fato é que o país está passando por uma crise. Não tem nada acontecendo neste momento econômico. Mas não tenho dúvida de que o mercado vai reaquecer, o Porto Maravilha tem um futuro promissor.

O ex-prefeito Eduardo Paes, procurado desde terça-feira da semana passada por meio de sua assessoria, optou pelo silêncio.

Os problemas vêm se arrastando. Em maio do ano passado, o fundo da Caixa decretou falta de liquidez até julho de 2018. Ao mesmo tempo, foi acertado que a Porto Novo suspenderia as obras, se limitando a fazer a manutenção e a operação da área. Naquele mês, a Cdurp assinou o 11º termo aditivo para a recompra de Cepacs, o que só acabou se concretizando em 10 de janeiro deste ano com um repasse de R$ 62,5 milhões para a concessionária. O aporte quitou débitos do segundo semestre de 2016. Foi a última parcela paga.

Buraco fica aberto na Avenida Rodrigues Alves após reparo feito por concessionária. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

— Hoje, a manutenção não é feita direito. Basta olhar os buracos nas ruas e as calçadas que não foram refeitas — reclama a moradora Maria de Jesus Soares.

Placas de “aluga-se” e “vende-se”

Dono há um ano do restaurante Sabor Brasil, na esquina das ruas Comendador Évora e Santo Cristo, José Roberto Rufino de Abreu engrossa a lista dos descontentes. Ele reclama que não concluíram a pavimentação da Comendador Évora nem colocaram um ralo no cruzamento com a Equador.

Sem perspectivas, placas de “aluga-se” e “vende-se” são cada vez mais comuns. Só no trecho entre o Largo José Francisco Fraga e a Rua Equador havia oito delas, na última quarta-feira.

— Estamos tentando alugar o galpão, com 2.500 metros quadrados, há um ano. Baixamos o preço, de R$ 20 mil para R$ 12 mil, mas não encontramos interessados. Fizemos uma reforma e nada — diz Washington Luiz Brito, administrador do imóvel.

Dono de um outro galpão, Paulo Roberto Mattos está tentando vender o imóvel há dois anos:

— Não aparece comprador. Agora, então, que suspenderam as obras…

Esqueletos de prédios são um exemplo do abandono na região: no local deveriam ser erguidas sete torres. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Em nota, a Porto Novo se limita a dizer que “cumpre rigorosamente todas suas obrigações contratuais e reconhece que “a situação, hoje, é bastante complicada; desta forma, não pode seguir sem solução”. O prefeito Marcelo Crivella e o presidente da Cdurp estiveram na semana retrasada na presidência da Caixa. Por e-mail, o banco informa somente que “mantém agendas constantes com os participantes do projeto Porto Maravilha, investimento de impacto relevante na cidade do Rio e, naturalmente, de desafios constantes”. Além disso, afirma ter uma estrutura dedicada integralmente ao projeto, no Rio, e que as obrigações assumidas em decorrência de leilão (de Cepacs) foram cumpridas e podem ser objeto de novos acordos.

Por Selma Schmidt

Fonte original da notícia: O Globo




Casarão tombado vira albergue de luxo no Rio

Imóvel de 1889 passou por minucioso processo de retrofit e ganhou prédio anexo moderno.

Foto: Guito Moreto/Agência O Globo

Antes de atingir o status de albergue de luxo, um casarão histórico em Laranjeiras abrigou duas escolas, o Educandário Rui Barbosa e o Colégio Wakigawa, e foi sede da Irmandade São Pedro. Construído em 1889 (“ano da proclamação da República”, faz questão de informar o gerente Irvin Molinaro), o imóvel tombado passou, durante dois anos, por um minucioso processo de retrofit, ganhou um edifício moderno em anexo e hoje é ocupado pelo Villa 25 Hostel & Suites — braço de hospedagem alternativa de uma rede hoteleira de Niterói. A inspiração para o projeto? Os hotéis butiques do Leste da Europa.

— A construção tem um estilo arquitetônico eclético. Ao mesmo tempo em que você vê os arcos romanos e os vitrais neogóticos da estrutura original, eles harmonizam com o prédio ao fundo e com o bar na entrada. O charme é justamente a combinação entre o clássico e o moderno — observa Irvin.

Inaugurado em janeiro, o albergue comporta 19 suítes e oito cabines estilo caixinha de fósforo, com seis ou 12 camas.

— A disposição faz lembrar as cabines de trem e navio. Para este tipo de acomodação, a proposta é que o hóspede use o quarto só para dormir e socialize na área de convivência do hostel — sugere o gerente.

Às 15h da tarde da primeira sexta-feira deste mês, o bar estava lotado. Sinal de que o almoço executivo servido pelo chef peruano Marco Espinoza faz jus ao sangue. Apesar de quase toda a sua equipe ter sotaque latino e usar camisas floridas, o foco é a culinária internacional. Hambúrgueres, risotos, tapas e ceviches, no menu. À beira da piscina, exclusiva para hóspedes, um trio de palmeiras repousa ao lado de quatro espreguiçadeiras vazias. Ali, toca música ambiente: “Bossa nova com influência eletrônica e jazz com pegada tropical”, define Irvin. Ainda em construção, o terraço não é para qualquer bico.

Foto: Guito Moreto/Agência O Globo

— Mês que vem, vamos inaugurar uma cozinha coletiva com fogão industrial. O mundo ideal é que um hóspede italiano se prontifique para fazer um jantar italiano. Imagina! — idealiza Irvin.

Por Carolina Ribeiro

Fonte original da notícia: O Globo




Táxi comum vira Patrimônio Imaterial do Rio! Por quê? É política cultural?

Prefeito do Rio, sabe-se lá com que misteriosa intenção, assinou decreto municipal no qual declara o táxi comum, amarelo e azul, como patrimônio imaterial da Cidade.

Os fundamentos expedidos no texto do decreto, infelizmente, são frágeis e inconsistentes.

É sem sentido, para fins de preservação, dizer que eles executam um serviço público de titularidade do Município, e também que fazem parte da paisagem cultural da Cidade! Como assim, se a paisagem cultural da Cidade, aquela chancelada pelo UNESCO,  sequer foi demarcada e ainda não tem critérios de proteção explicitados? E são os maltratados táxis amarelos que são memória da paisagem cultural? Hilário, se não fosse sério!

Outro argumento mencionado, indiretamente, seria a intenção de se preservar a cor dos táxis. É possível e efetivo? Ora, não será o decreto de patrimônio imaterial que garantirá a sua permanência da cor dos táxis. Tal como se faz com o símbolo da cidade, ou com as cores dos uniformes dos alunos das escolas públicas, cada novo prefeito pode fazer um novo decreto alterando tudo, como de costume. Afinal, tudo se resume a assinar um papel e pronto: está decretado!

Finalmente, há que se notar que o Decreto do Prefeito não menciona o processo administrativo no qual se identifique os estudos, e o procedimento através do qual se chegou a esta decisão na Administração Pública Municipal.

Tomara que a ausência da menção ao processo não signifique a inexistência do formal do processo. A ausência de um procedimento administrativo para qualquer decisão de preservação é causa de sua nulidade, já que a valoração do que é patrimônio cultural não é um ato político, mas técnico.

Vamos torcer para que este decreto do Prefeito não seja mais sinal da mesma negligência, do mesmo desprezo e da mesma falta de seriedade técnica com a qual o patrimônio cultural da cidade, e os seus órgãos vêm sendo tratados nos últimos anos.

DECRETO RIO Nº 43256 DE 29 DE MAIO DE 2017

Declara Patrimônio Cultural Carioca o táxi comum, amarelo e azul, na Cidade do Rio de Janeiro.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no desempenho de suas atribuições legais, e

CONSIDERANDO que o serviço de táxi constitui uma permissão de serviço público de titularidade do Município do Rio de Janeiro e, portanto, regulamentado por lei;

CONSIDERANDO a relevância desse serviço público para os cidadãos cariocas e todos aqueles que transitam pela Cidade do Rio de Janeiro;

CONSIDERANDO a necessidade de preservar a identidade dos taxis comuns cariocas como marcantes e tradicionais, com suas cores amarelo e azul, sendo elemento importante da paisagem cultural;

CONSIDERANDO a necessidade de se perpetuar a memória da cultura carioca, através do registro de seus bens de natureza imaterial;

DECRETA:

Art. 1º Fica declarado Patrimônio Cultural Carioca o táxi comum, identificado com as cores amarela e azul, da Cidade do Rio de Janeiro, nos termos da legislação em vigor.

Art. 2º O órgão executivo municipal de proteção do Patrimônio Cultural inscreverá o bem cultural de natureza imaterial no livro competente. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2017; 453º ano da fundação da Cidade.

MARCELO CRIVELLA

Fonte original da notícia: Sonia Rabello




Imóveis históricos do Rio estão em péssimo estado de conservação

Palacete São Cornélio, na Glória. Fotos: Bruna Prado/Metro Rio

Palacete São Cornélio, casarões na Lapa, Hotel Glória, casas de Chiquinha Gonzaga e de Monteiro Lobato são alguns dos imóveis históricos do Rio encontrados em péssimo estado de conservação. Mesmo sendo protegidos e tombados, estão abandonados sem perspectiva de melhorias.

Caminhando pelo Rio Antigo, vemos belas construções com arquitetura do século 20. Imóveis que já tiveram seus dias de popularidade, como  o Hotel Glória, o Palacete São Cornélio e os casarões da Lapa estão abandonados. Além deles, as casas dos ícones da cultura brasileira, Monteiro Lobato e Chiquinha Gonzaga, estão em péssimo estado de conservação.

1 – Palacete São Cornélio. Obra parada

Construído em 1862, o Palacete São Cornélio, na Glória, foi doado à Santa Casa de Misericórdia, que instalou ali um asilo. Atualmente, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas o imóvel está vazio. Segundo o Iphan,  está em péssimo estado de conservação e ainda pertence à Santa Casa.

2 – Casarões na Lapa. Abandonados

Casarões na Lapa.

Sem numeração, pichados, vazios e à venda. Esse é o estado dos casarões da Lapa. Algumas casas são protegidas pelo Corredor Cultural, projeto da prefeitura que avalia a necessidade de obras, com objetivo de manter a fachada. Apesar da proteção, seguem abandonadas.

3 –  Chiquinha Gonzaga. Modificada

Chiquinha Gonzaga.

A casa de dois andares, na rua do Riachuelo, já pertenceu  à compositora da famosa marchinha “Ó Abre Alas”, Chiquinha Gonzaga (1847-1935), ícone da cultura brasileira. O imóvel, ex sede do Arquivo Nacional de Teatro, chegou a ser invadido, mas atualmente está abandonado.

4 – Monteiro Lobato. Mudança

Monteiro Lobato.

Muitos moradores da Tijuca não sabem, mas esta casa azul já pertenceu ao escritor Monteiro Lobato (1882-1948), autor das obras que deram origem ao “Sítio do Pica-pau Amarelo” da TV. Apesar de mal conservado, o imóvel é tombado. Mesmo assim teve a sua fachada modificada.

5 –  Hotel Glória. Falência

Hotel Glória.

O hotel já foi ponto de encontro de celebridades, políticos e chefes de Estado por conta da proximidade com o centro financeiro do Rio. Hoje, o Glória é o retrato do abandono: há correntes, cadeados, tapumes e pichações por todo lado. Em 2008, o empresário Eike Batista comprou o hotel com o objetivo de transformá-lo em um dos melhores do mundo, mas fracassou e revendeu. As obras estão paradas. Para manter a fachada tombada, havia sido iniciada a construção de outro prédio por dentro do antigo.  

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Petrópolis (RJ) – Exposição ‘Histórias do Palácio Rio Negro’ e aposentos de Getúlio Vargas

Mostras inéditas celebram o encerramento de obra patrocinada pela Petrobras na infraestrutura elétrica no ‘Palácio dos Presidentes’, em Petrópolis.

Testemunha de verões presidenciais, o Palácio Rio Negro, em Petrópolis (RJ), tem muita história para contar. História que precisa ser protegida e que estava ameaçada pelo passar do tempo e pela degradação das instalações elétricas da edificação de 128 anos. Ciente da importância de garantir a segurança dos frequentadores e do patrimônio histórico, a Petrobras patrocinou a requalificação de toda a infraestrutura elétrica do Palácio. O museu, dedicado à memória da República em terras imperiais, comemora o fim da reforma com a inauguração da exposição ‘Histórias do Palácio Rio Negro’ e exibição do quarto de Getúlio Vargas, uma atração excepcional para os visitantes.

O quarto de Getúlio

Fotos: Divulgação

Pela primeira vez, os móveis originais dos aposentos de Getúlio Vargas – presidente que mais veraneou no Palácio – foram remontados e serão expostos. A mobília estava guardada na reserva técnica do Museu da República, no Rio de Janeiro, e a visita permite aos frequentadores um novo e interessante vislumbre da vida palaciana.

A exposição

A mostra, cuja abertura para o público será em 12 de maio, reúne painéis com fotos e textos sobre as diversas fases do Palácio, acontecimentos e personagens que transitaram pelas suas salas e corredores. Histórias vivenciadas antes da construção pertencer ao Governo Federal, e se tornar a residência de verão oficial dos presidentes do Brasil, até os dias de hoje. As informações da mostra estão organizadas em sete temas: Raízes no Império, A República em Petrópolis, O Veraneio Presidencial, O Palácio Depois da Década de 1960, Vida Privada, Os Hóspedes Presidentes e Curiosidades.

Você sabia?

Quem visitar a exposição vai descobrir, por exemplo, que o Palácio já foi sede do governo estadual; houve um trágico acidente em seus jardins; há uma bica de ‘água milagrosa’ na propriedade; abaixo do piso há um quarto de banho conhecido como ‘banheira do Getúlio’ e também um túnel que poderia ser usado pelo presidente diante da necessidade de escapar de alguma ameaça.

A obra

A obra de requalificação da infraestrutura elétrica foi realizada no interior e no exterior do Palácio e incluiu, entre outras melhorias, instalação de eletrocalhas, equipamentos modernos para a antiga casa de geradores, SPDA (para-raios) e iluminação da fachada, destacando os detalhes de sua bela arquitetura.

O Palácio Rio Negro

O Palácio Rio Negro foi construído em estilo eclético no ano de 1889 por encomenda do rico produtor de café Manoel Gomes de Carvalho, o Barão de Rio Negro, que ocupou a propriedade até 1894. Em 1896, por causa da Revolta da Armada, o governo fluminense é transferido para Petrópolis e ocupa o Palácio até 1903, ano em que passa a pertencer ao Governo Federal, transformando-se em residência oficial de veraneio dos presidentes da República.

O Rio Negro já recebeu os presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luiz, Getúlio Vargas (o mais assíduo), Café Filho, Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Arthur da Costa e Silva e, mais recentemente, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio Rio Negro é hoje uma instituição vinculada ao Museu da República/Ibram.

Realização ICCV

 O projeto de requalificação da infraestrutura elétrica foi realizado pelo Instituto Cultural Cidade Viva (ICCV) em parceria com o Palácio Rio Negro e Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) graças ao patrocínio da Petrobras. O ICCV é uma entidade sem fins lucrativos com atuação em todos os segmentos artísticos e nas áreas que fazem interface com a cultura, como turismo, gastronomia, terceiro setor, artesanato, educação, arquitetura e urbanismo, ciência, tecnologia, esporte, lazer e meio ambiente.

Serviço da exposição

‘Histórias do Palácio Rio Negro’ e aposentos de Getúlio Vargas

Horário de visitação: de terça-feira a domingo e feriados, das 10h às 17h
Endereço: Av. Koeller, 255 – Centro – Petrópolis (RJ)
Telefone: (24) 2246-2423

Entrada gratuita

Por Christina Lima

Fonte original da notícia: Instituto Cultural Cidade Viva (ICCV) (por e-mail)




São Gonçalo (RJ) – Licitação para obras é adiada, e Fazenda Colubandê segue sem previsão de restauração

Fazenda Colubandê segue sem previsão de restauração. Foto: Alex Ramos

Quem torcia por boas notícias sobre o processo de restauração da histórica Fazenda Colubandê, em São Gonçalo, vai precisar esperar mais, já que as quatro empresas interessadas em reformar o patrimônio não compareceram à tomada de preços, realizada pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop), na quarta-feira.

Ainda sem previsão para a restauração, o espaço que abriga o casarão e a Capela de Santanna seguem em estado de abandono. Por meio da assessoria de imprensa, a Emop informou que “a licitação foi deserta. Embora quatro empresas tenham comprado o edital, nenhuma delas compareceu para apresentar proposta. Portanto, será remarcada uma nova data para a licitação”.

Para os grupos de mobilização envolvidos na conservação e restauro da Fazenda Colubandê, a luta continua.

“Agora temos que aguardar um posicionamento do órgão responsável, mas enquanto isso a luta continua. Neste sábado, a partir das 10h, faremos uma reunião com todos envolvidos na ocupação cultural da Fazenda. Estamos cuidando, fazendo limpezas periodicamente. Parece que o governo do Estado tem se tornado mais sensível atualmente com toda essa movimentação da sociedade e esperamos que isso continue e surta mais efeitos”, contou o professor e historiador Claudio Prado de Mello, do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (Ipharj).

Abandonada desde 2012, quando o Comando de Policiamento Ambiental (CPAM) parou de funcionar no local, a Fazenda Colubandê, que já sofreu ações de criminosos e falta de manutenção, segue agora com atenção de grupos de mobilização, entre eles o SOS Fazenda Colubandê e o SOS Patrimônio. Atualmente, o espaço está sob responsabilidade do Governo do Estado.

Fonte original da notícia: O São Gonçalo




Rio de Janeiro (RJ) – Quartel da Polícia Militar é tombado como patrimônio cultural

Lei aprovada na Câmara determina que prédio do QG central, construído em 1740, não poderá ter a sua fachada modificada, nem ser vendido, como já quis Cabral.

Prédio já abrigou convento de frades e funcionou como hospício. (Ernesto Carriço / Agência O Dia)

O Quartel General da Polícia Militar, que ocupa um quarteirão inteiro na Rua Evaristo da Veiga, no Centro, acaba de ser tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural. Pela Lei Municipal 6.170/17, fica proibido modificar a fachada do imóvel, que não poderá ser vendido, como chegou a tentar o então governador Sergio Cabral em 2012.

A lei também resguarda o valor cultural do local, construído em 1740, como casa de padres capuchinhos italianos e que sediou, em 1831, o Corpo de Guardas Permanentes comandado por Duque de Caxias.

Autor, junto a outros 13 nomes, o vereador Carlo Caiado (DEM), que apresentou o projeto inicialmente em 2008, diz que a promulgação da lei assegura dois propósitos: “Garantimos que a memória histórica não se perca em troca de dinheiro e um local apropriado para o funcionamento de um quartel general”.

Em maio de 2012, o governo havia anunciado a implosão do QG, que seria vendido à Petrobras por R$ 336 milhões. Na lista de prédios à venda estavam também os quartéis de Botafogo (2º BPM), Tijuca (6º) e Leblon (23º). Na época, a empresa desistiu da aquisição após pressão política da Câmara e do povo nas ruas.

De acordo com o governo do estado, desde 2013, quando o atual governador Luiz Fernando Pezão assumiu a gestão, não há mais interesse na venda do imóvel. A PM comemora a decisão. “No local fica a nossa diretoria e seu tombamento preserva nossa história, como primeiro órgãos de segurança pública do estado”, afirma a diretora do Centro Cultural da PM, Analiny Caroprese.

Para o professor de História da Estácio, Rodrigo Rainha, o prédio é ícone de um descaso com a história do Rio: “Já deveria ter sido tombado. O prédio marca as reformas do início do Século 20 e é o único que sobrou de pé naquela área”.

Curiosidades sobre o QG

A tenente coronel Analiny Caroprese conta que o prédio se tornou o Hospício Nossa Senhora da Oliveira, pertencente aos frades capuchinhos. Em 1852, foi palco de outro acontecimento histórico: a primeira vez em que o telégrafo com fio foi utilizado, um marco na história das telecomunicações no país. Em 10 de julho de 1865, partiu dali o 31º Corpo de Voluntários da Pátria para combater na Guerra do Paraguai.

Em 1919, o quartel foi transferido para a Avenida Salvador de Sá, onde funcionou até 1934. Neste período, o prédio abrigou um hospital para atendimento de vítimas de tuberculose, que assolava a população do Rio.

Outro fato curioso é que, em 1780, quando o prédio ainda era um convento, saíram de lá as primeiras mudas de café rumo ao interior do Rio e São Paulo. Anos depois essas mudas alavancaram a economia brasileira, que se encontrava em crise desde o primeiro reinado.

Por Paola Lucas

Fonte original da notícia: O Dia




RJ – ONG fundada por Betinho deve ser despejada

Intenção fez com que o processo de cessão definitiva do imóvel, de propriedade da União, para a ONG fosse interrompido perto do fim.

Centro Cultural Ação da Cidadania. Foto: Divulgação

A ONG Ação da Cidadania, fundada há 24 anos pelo sociólogo e ativista de direitos humanos Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997), está sob ameaça de perder sua sede na zona portuária do Rio, onde funciona há 17 anos. A Prefeitura do Rio e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) têm planos para utilizar o galpão de 6.600 m², tombado no fim do ano passado, para criar o Museu da Escravidão e da Liberdade.

A intenção fez com que o processo de cessão definitiva do imóvel, de propriedade da União, para a ONG fosse interrompido perto do fim. A Ação da Cidadania ocupa o espaço desde 2000, após autorização dada por intermédio da então primeira-dama Ruth Cardoso. A utilização só ocorreu após uma extensa reforma no espaço, ao custo de cerca de R$ 5 milhões à época, com projeto do arquiteto Hélio Pellegrino.

Em fevereiro, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), solicitou ao governo federal, com apoio do Iphan, a cessão do imóvel. Os dois pedidos estão sob análise da Secretaria de Patrimônio da União. “Desde que soubemos do processo de tombamento, tentamos contato com o Iphan e nunca conseguimos. A prefeitura iniciou um diálogo, mas exclui a possibilidade de permanecermos no galpão e de criarmos o museu em conjunto, diretor-executivo da ONG, Rodrigo Afonso.

Fonte original da notícia: Folha de Pernambuco




Vassouras (RJ) – Fazenda e MP celebram acordo para pôr fim a encenação sobre escravidão

Na encenação pessoas negras eram vestidas como escravas para servir turistas.

Fazenda Santa Eufrásia tinha encenação sobre escravidão – Reprodução/Fazenda Santa Eufrásia.

A Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, assinou um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal (MPF), em Volta Redonda, para pôr fim a encenação sobre a escravidão para turistas e para adotar medidas para que o local receba o selo Fazenda sem Racismo. Na encenação, pessoas negras vestidas como escravas serviam os turistas que visitavam a fazenda e eram recebidos pela dona Elizabeth Dolson, que se vestia com roupas de época, representando uma sinhá.

Um inquérito policial apurou a violação de direitos fundamentais na programação turística da Fazenda Santa Eufrásia e a possível violação ao patrimônio histórico. No curso da investigação, foi confirmada a veracidade dos fatos.

A fazenda particular foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (Iphan-RJ), em 1970, por causa de sua importância histórica, cultural e paisagística.

Fonte original da notícia: O Globo