Niterói (RJ) – Sem repasse federal, Museu Antônio Parreiras continua fechado

Um boato que o Museu Antônio Parreiras, no Ingá, seria reaberto nos próximos meses foi desmentido pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC). A pasta confirmou a conclusão do reparo de algumas partes do prédio histórico, mas informou que ainda aguarda aproximadamente R$ 4,6 milhões de verbas federais, previstas no convênio com o Ministério da Cultura para terminar a reforma do museu. Enquanto isso, vizinhos do museu e historiadores clamam por intervenção pública o quanto antes, já que o espaço está sendo depredado pelo tempo.

A reabertura é notícia desde 2012, quando o espaço foi fechado para restauração. E após cinco anos a incógnita continua. A Secretaria informou que a reabertura se dará assim que a reforma for concluída. Ainda não há um prazo exato em função de se aguardar a liberação de recursos federais. Procurado, o Ministério da Cultura não se manifestou sobre o assunto até o fechamento dessa edição. A historiadora Marieta de Moraes, especialista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressaltou o dano cultural que esse espaço fechado representa. “Realmente é uma perda ter um museu com obras tão importantes fechado há tanto tempo. Os materiais são muito bons e é uma pena que isso esteja acontecendo. A população perde muito em ficar sem acesso a esses conteúdos”, sintetizou.

Ainda segundo a Secretaria estadual, foram concluídas as restaurações da fachada, do telhado e do piso do prédio principal, além do telhado do ateliê do artista e do escoramento da encosta do terreno do museu, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1967. Mas o que dá para ver pelos muros e portões é um espaço abandonado. As plantas e mato tomaram conta da área externa. Um cadeado fecha o portão principal com uma corrente. Em outro acesso, onde há uma campainha, a equipe de reportagem de A TRIBUNA não foi recebida por ninguém, apesar do bilhete pedindo o aguardo da recepção.

A antiga guarita está abandonada no meio das plantas, as rampas de acesso estão tomadas por musgo. Porém, a luz em um dos acessos permanecia acessa.

O aposentado Jorge Teixeira, de 85 anos, era morador da Rua Tiradentes e lamentou o cenário que viu após meses sem passar pela via. “Vejo um abandono e fico triste. Não era para esse espaço estar assim”, lamentou o atual morador da Região Oceânica.

A jornalista Tânia Ribeiro Roxo, de 45 anos, foi mais profunda na opinião. “O Ingá é um bairro de diversos pontos culturais e esse é muito importante para a cidade. Lembro dele lindo, com uma área verde muito grande. Tem tanto tempo que essa obra se arrasta, que acho que as pessoas pensam que é uma casa abandonada”, pontuou.

A administração estadual informou ainda que os recursos para a obra do Museu são de um convênio do Governo do Estado, através da SEC, com o Ministério da Cultura. “O Estado já pagou sua contrapartida e aguarda a verba federal”.

História
O artista Antônio Parreiras nasceu em Niterói em 1860 e faleceu em 1937. O museu em sua homenagem foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e inaugurado em 1942. Em Niterói é o primeiro espaço brasileiro dedicado a um artista. Abriga a coleção Antonio Parreiras, coleção de arte brasileira dos séculos XIX e XX e coleção de arte estrangeira dos séculos XVI, XVII, XIX e XX.

Por Raquel Morais

Fonte original da notícia: A Tribuna




Rio de Janeiro (RJ) – Edifício com painel de Burle Marx é tema de livro sobre preservação da arquitetura moderna

A Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) desenvolveu estudos para subsidiar o plano de conservação preventiva do Pavilhão Arthur Neiva, projetado na década de 1940 pelo arquiteto Jorge Ferreira com elementos característicos do modernismo brasileiro. Fruto desse minucioso trabalho, o livro bilíngue (português e inglês) Arquitetura moderna e sua preservação: estudos para o Plano de Conservação Preventiva do Pavilhão Arthur Neiva será lançado em 1º de agosto, às 11h15, no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio de Janeiro.

O estudo que resultou na obra contou com recursos do programa Keeping It Modern, da Fundação Getty, sediada nos Estados Unidos, e apoio institucional do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). A publicação também estará disponível na internet para consulta.

O Pavilhão Arthur Neiva foi uma das 14 edificações selecionadas, em 2015, em todo o mundo pela instituição norte-americana, que, por intermédio do programa, incentiva projetos de pesquisa e planejamento de intervenções em construções significativas do século 20. A iniciativa beneficiou projetos arquitetônicos na Itália, Holanda e Índia. No Brasil, foi contemplado também o prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, de autoria de João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, construído na década de 1960.

Com cinco capítulos, a obra apresenta desde uma visão geral da atuação da COC na preservação dos acervos, por meio de sua Política de Preservação e Gestão de Acervos Culturais das Ciências e da Saúde, até a especificidade do resultado alcançado com a pesquisa.

O primeiro capítulo aborda as atividades de preservação do patrimônio moderno no Campus Fiocruz Manguinhos, destaca as atividades do Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz realizadas com este propósito e descreve como foi estruturada a proposta de trabalho junto à Fundação Getty. No segundo capítulo, o leitor é apresentado à política de preservação dos acervos da COC e à estruturação dos planos de conservação preventiva da instituição. Aproximando-se do objeto de estudo, o terceiro capítulo aborda a história e os aspectos formais do Pavilhão Arthur Neiva, contextualizando o momento institucional em que se insere essa edificação.

A caracterização e análise do projeto paisagístico do jardim integrado ao Pavilhão Arthur Neiva – de autoria de Roberto Burle Marx -, são temas do quarto capítulo, que discute ainda os jardins análogos desenvolvidos pelo mesmo paisagista. No último capítulo, para encerrar, são feitos um relato e avaliação das atividades desenvolvidas no âmbito da pesquisa, nos aspectos técnicos e nas ações de educação patrimonial. No entanto, as soluções a serem adotadas para os problemas identificados durante a pesquisa farão parte do Plano de Conservação Preventiva para o Pavilhão Arthur Neiva.

O livro conta com apresentações de Marcos José de Araújo Pinheiro (Vice-diretor de Informação e Patrimônio Cultural da COC/Fiocruz), Wilson Savino (Diretor do IOC/Fiocruz na gestão 2013/2017) e Antoine M. Wilmering (Diretor Sênior de Programa, Getty Foundation).

Os capítulos foram escritos por Ana Maria Barbedo Marques, Barbara Cortizo de Aguiar, Carla Maria Teixeira Coelho, Daniel Lopes Moreira, Elisabete Edelvita Chaves da Silva, Inês El-Jaick Andrade, Maria Luisa Gambôa Carcereri, Renato Gama-Rosa Costa e Rosana Soares Zouain.

Saiba mais

O Pavilhão Arthur Neiva foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1998 e atualmente mantém seu uso original, abrigando atividades de ensino do Instituto Oswaldo Cruz. Além deste edifício, integram o conjunto de edificações modernistas do campus da Fiocruz em Manguinhos os pavilhões Henrique Aragão e Carlos Augusto da Silva e a portaria da avenida Brasil.

Serviço
Livro: Arquitetura moderna e sua preservação: estudos para o Plano de Conservação Preventiva do Pavilhão Arthur Neiva
Lançamento: 1º de agosto de 2017
Horário: 11h15
Local: Foyer do Auditório do Museu da Vida
Endereço: Avenida Brasil, 4365, Manguinhos – Rio de Janeiro

Fonte original da notícia: COC – FIOCRUZ




Paraty (RJ) – Na Flip, presidente do Iphan destaca relação entre patrimônio e turismo

Kátia Bogéa. Foto: Divulgação/Internet

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, abriu ontem (27) a participação da instituição na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), defendendo a criação de um modelo sustentável de gestão do patrimônio nacional. Este ano o Iphan completa 80 anos e promoverá uma série de eventos para debater sua atuação.

Kátia discutiu a questão da sustentabilidade do patrimônio com a população da cidade, gestores e representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela chamou atenção para o fato de que atualmente, com a crise econômica que o país atravessa, é necessária a elaboração de um novo modelo financeiro de gestão.

“Nós temos que ter um modelo diferenciado, porque o dinheiro não está tão fácil. A restauração do patrimônio, principalmente o edificado, consome uma soma muito vultosa de recursos. Então, não adianta a gente ficar gastando dinheiro para recuperar aquele patrimônio, se não existe um estudo de viabilidade econômica para que aquele monumento, aquela cidade histórica possam atrair investimentos, possam mostrar um modelo de governança”, disse Kátia à Agência Brasil.

Kátia citou o caso do centro histórico de Paraty, cuja renda vem basicamente da indústria do turismo. Para ela isso é positivo, uma vez que o turismo cultural é o segmento que está mais em alta no mundo. Ela comparou por exemplo o caso da cidade de Cracóvia, na Polônia, onde esteve recentemente para reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que atrai cerca de 11 milhões de turistas por ano, enquanto o Brasil inteiro recebe apenas 6 milhões de visitantes estrangeiros/ano.

Na opinião de Kátia, o turismo cultural vai estar à frente do turismo regular, uma vez que os viajantes querem conhecer e consumir a cultura local. Neste cenário, o Iphan, a quem cabe proteger e preservar o patrimônio, deve trabalhar de forma conjunta com o Ministério do Turismo. “Paraty é um exemplo disso, porque não só tem o patrimônio cultural, mas também o patrimônio natural, que é muito explorado pelo turismo”.

Para a presidente do Iphan, o trabalho de preservação do patrimônio e do turismo deve ser feito de forma harmoniosa, mas destacou que “essa convivência pode, sim, ser bastante benéfica para ambos os lados, sem que um consuma o outro”.

Kátia Bogéa disse que os projetos para restauração e preservação têm que ser sustentáveis, com governança, “essa responsabilidade com o retorno do dinheiro e, principalmente, com a manutenção da atividade porque, sem planejamento, não tem jeito”. Segundo a presidente do Iphan, é preciso, cada vez mais, “a gente não ficar dependendo de recursos esporádicos, mas ter um planejamento muito concreto, firme e bem feito, uma governança, ou seja, que todos os atores sentem à mesa e discutam esse modelo, porque senão, não vai funcionar”, assegurou.

80 anos

Dentro da Flip, foi aberta também exposição organizada pelo Iphan em parceria com os cidadãos de Paraty, incluindo fotografias do técnico do instituto, Oscar Liberal, que abordam a relação do patrimônio edificado com o dia a dia da população, além da exibição do vídeo Memórias Afetivas de Paraty. “Essa comunidade falando do patrimônio tanto de natureza material, como imaterial, seus festejos, todo o complexo cultural que é Paraty”, explicou Kátia.

A presidente do Iphan observou que uma sequência de obras de restauração será entregue à população brasileira até o final do ano, como parte das comemorações pelos 80 anos da instituição.  Ao longo do segundo semestre o Iphan vai realizar uma série de eventos em comemoração à data, entre elas exposições e um  seminário internacional no Museu do Amanhã, em outubro, quando autoridades nacionais e estrangeiras do setor discutirão a política de preservação no mundo e o planejamentos do órgão para os próximos anos.

Por Alana Gandra – Edição Amanda Cieglinski

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




Rio de Janeiro (RJ) – Cais do Valongo aparece alagado menos de um mês após ser declarado patrimônio histórico da humanidade

Equipe da Rio Águas fez uma drenagem de emergência no local com o auxílio de uma mangueira.

Reprodução/Internet

O Cais do Valongo, que foi declarado patrimônio histórico da humanidade pela Unesco esse mês, está alagado.

Na noite desta terça-feira (25), uma equipe da Rio Águas fez uma drenagem de emergência no local e o volume de água baixou. O trabalho começou justamente depois que a equipe de reportagem pediu esclarecimentos à Prefeitura. Há 2 semanas, uma equipe da GloboNews esteve no local e constatou um vazamento.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano afirma que os alagamentos são causados por um problema em uma das três bombas que fazem a drenagem do cais. Nesta terça, a água não chegou a invadir a rua.

Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio, foi declarado pela Unesco neste domingo (9) o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. Encontrado em escavações feitas durante as obras de revitalização da região, o local guarda parte da história da escravidão.

De acordo com o antropólogo Milton Guran, as ruínas do Cais do Valongo são os únicos vestígios materiais de desembarque de africanos escravizados nas américas.

O Valongo possui cerca de 350 metros de comprimento e vai da Rua Coelho e Castro até a Sacadura. Ele começou a ser construído no no fim do século XVIII e ficou pronto em 1811. A região era desabitada na época e o acesso era difícil. Por isso, foi escolhida para sediar o porto de desembarque de escravos.

A área deixa de funcionar como ponto de entrada de escravos por volta de 1831, quando leis contra a escravidão começaram a ser assinadas. Nessa época, o tráfego passou a ser clandestino e acontecia no período noturno.

Os alagamentos acontecem no momento em que, com atrasos em seu pagamento, a Cdurp deixou de realizar alguns serviços na Zona Portuária, o que resultou em crateras abertas na rua, bueiros com tampa quebrada, piso solto, entre outros problemas.

A prefeitura e a Caixa Econômica ainda discutem de quem é a dívida. Hoje, o prefeito Marcelo Crivella disse que a região não está abandonada.

“Há uma divida a ser paga. Nós achamos que é a Caixa Econômica, a Caixa Econômica acha que é a Prefeitura. O que nos estamos fazendo agora? Nos colocamos o Parques e Jardins, colocamos a Comlurb, colocamos a Guarda Municipal pra tomar conta disso tudo. Aqui não tem nada abandonado enquanto se resolve com a Caixa Economica e a Prefeitura quem é que vai pagar os 13 milhões por mes pra manutenção do Porto”, disse nesta terça o prefeito.

Por Rafael Coimbra

Fonte original da notícia: RJTV e GloboNews 




Arquivo Nacional do Rio de Janeiro poderá fechar em agosto se corte de 36% da verba for mantido

Reprodução/Band

A crise que assola o Estado ameaça agora o Arquivo Nacional, instituição que preserva a memória do país. Por causa do corte de verbas de 36% no orçamento, o local, que é ligado ao Ministério da Justiça (MJ), pode fechar as portas no mês que vem. Por isso, a Associação dos Servidores do Arquivo Nacional (Assan) enviou um documento ao MJ solicitando a revisão da medida.

“No primeiro semestre deste ano, foram gastos cerca de R$ 12 milhões, sobrando só R$ 2 milhões, de julho até dezembro. Ou seja, a nossa perspectiva real é a de fechar o Arquivo Nacional, possivelmente, até o fim de agosto”, lamenta Rodrigo Mourelle, presidente da Assan.

Todo dinheiro que resta será usado na manutenção básica, para pagar as contas de água e energia. Exposições futuras foram suspensas, assim como reformas estruturais. Uma delas seria no prédio da Praça da República, no Centro, que reúne quase todo o acervo. Uma inspeção do Corpo de Bombeiros no edifício identificou falhas no sistema de combate a incêndio.

Segundo a Assan, a redução da verba dificulta a manutenção do prédio e compromete a segurança das mais de 20 mil ilustrações, 8 mil livros raros e cerca de 1,7 milhão de fotos e negativos. “Um país que não valoriza a sua história e a sua memória, não valoriza a si mesmo”, observa o historiador Thiago Mourelle.

História preservada
A construção centenária que abriga o Arquivo Nacional armazena documentos que contam a história do Brasil desde os tempos coloniais. Como os originais da Lei Áurea, de todas as constituições nacionais, imagens da construção de Brasília e da ditadura militar. O acervo guarda ainda o passaporte do inventor e aeronauta Santos Dumont. O acesso ao acervo também pode ser feito pela internet (arquivonacional.gov.br).

A principal demanda é de pessoas que buscam documentos que registraram, no passado, a chegada de estrangeiros ao Brasil e que são importantes para quem quer dar entrada em pedido de nacionalidade de outro país. O receio, agora, é que esses e todos os outros milhares de documentos armazenados fiquem inacessíveis à população.

“Pensar que tivemos Olimpíada e que não conseguimos manter nossas instituições essenciais de guarda de acervo e pesquisa é uma vergonha, é um tiro no pé”, critica a historiadora Nataraj Trinta.

No ano passado, a verba destinada ao Arquivo foi de R$ 22 milhões, usada para despesas como pagamento de energia elétrica, água e funcionários terceirizados. Para organização de acervos maiores, o órgão busca financiamentos através de parcerias, com editais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O Ministério da Justiça ainda não se pronunciou sobre os cortes feitos na instituição.

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Rio de Janeiro (RJ) – Mais de 30 mil obras da biblioteca da Gama Filho estarão disponíveis ao público

Acervo foi entregue ao Real Gabinete Português de Leitura, no Centro.

Desembargador Luiz Felipe Francisco comemora a preservação dos livros no Real Gabinete Português. Márcio Mercante / Agência O Dia

Sem valor econômico para os credores da massa falida da Universidade Gama Filho, mas um tesouro da cultura portuguesa, a ‘Biblioteca de Marcello Caetano’, foi entregue ao Real Gabinete Português de Leitura, no Centro. O acervo conta com mais de 30 mil volumes que eram expostos em lugar especial no campus da Piedade nos áureos tempos da universidade. Mas, com o fechamento da Gama Filho em 2014, o patrimônio estava relegado às traças. Os livros foram trazidos como única bagagem por Caetano — o último chefe de governo da ditadura salazarista, derrubada em 1974 pela Revolução dos Cravos — que buscou o exílio no Rio.

No grupo das publicações mais antigas e valiosas, destaque para uma edição de 1731 das ‘Memórias de D. João I’ e para cinco volumes das ‘Ordenações e Leys do Reyno de Portugal confirmadas e estabelecidas por D. João V’. O resgate dos títulos é resultado de uma ‘costura’ judicial alinhavada pelo Tribunal de Justiça que envolveu o presidente de Portugal, Marcelo Sousa — cujo primeiro nome é uma homenagem a Caetano — os administradores da massa falida, o Ministério Público e o Real Gabinete Português de Leitura.

“No processo há laudo que atesta valor econômico irrelevante, mas é uma riqueza cultural que ficará à disposição da sociedade”, afirmou o juiz da 7ª Vara Empresarial, Fernando Viana, responsável pela decisão de cessão do material. Na vara tramita a massa falida da Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), do Grupo Galileo. “No campus de Madureira da UniverCidade, os livros foram saqueados e trocados por drogas. Então, a preservação do acervo de Marcello Caetano é uma vitória porque poderia ser perdido por não ter valor pecuniário”, enfatizou Cleverson de Lima Neves, um dos três administradores da massa falida.

Segundo Neves, todos os outros livros que integram a biblioteca da Gama Filho estão sendo catalogados e deverão ir a leilão.

Sonho realizado

Um dos mais empenhados na preservação dos livros de Caetano foi o desembargador Luiz Felipe Francisco, da 9ª Câmara Cível. Durante a realização da Olimpíada 2016, o magistrado ouviu do presidente de Portugal, Marcelo Sousa, o desejo de reaver o acervo. Francisco, então, decidiu arregaçar as mangas. Contou com o apoio do então presidente do Tribunal de Justiça, Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, para alinhar os procedimentos judiciais com os representantes portugueses e manter vivo o patrimônio histórico e cultural.

Encadernadoras higienizam os livros antes de irem para prateleiras. Márcio Mercante / Agência O Dia

O martelo foi batido só depois que os descendentes de Caetano foram ouvidos. “A família quis que a biblioteca ficasse aqui. Caetano trouxe o acervo para ter oportunidade de lecionar. Conseguiu o emprego na Gama Filho e, em troca, cedeu os livros”, revelou Luiz Felipe Francisco.

Disponível em até 90 dias

O público poderá ter acesso aos títulos em até 90 dias. Esta é a estimativa do presidente do Real Gabinete Português de Leitura, Francisco Gomes da Costa. “São volumes de grande importância que serão disponibilizados entre 60 e 90 dias ao público. Uma empresa vai fazer a higienização e digitalização dos catálogos”, anunciou Costa.

O Real Gabinete reúne a mais completa biblioteca de autores portugueses fora de Portugal com mais de 400 mil obras. A instituição sem fins lucrativos foi fundada em maio de 1837 e é mantida com as contribuições dos sócios. Hoje são 2.400, mas pouco mais de 240, contribuem. Para ser associado, basta fazer a inscrição e pagar mensalidade de R$ 60 que ajuda na sustentação de um dos ícones importantes da cidade.

Manoel Marcondes, ex-professor da Gama Filho, aprova iniciativa. Márcio Mercante / Agência O Dia

Antes de ir para as prateleiras que ocupam 300 metros de um novo anexo do Real Gabinete, os livros passarão pelas mãos zelosas de Célia Verônica de Oliveira, 50 anos, Maria de Oliveira, 49, e Maria Fátima de Abreu, 55, que trabalham no setor de encadernação. “Realizamos trabalho manual de manutenção e conservação do acervo”, disse orgulhosa Célia Verônica, funcionária há 25 anos.

Marcello Caetano

Os 300 metros de um anexo do gabinete já estão preparados para receber as obras. Márcio Mercante / Agência O Dia

Foi diretor do Instituto de Direito Comparado na Gama Filho de 1974 a 1980, quando morreu em 26 de outubro. Político português, autor de livros como ‘As minhas memórias de Salazar’, professor reconhecido como um dos expoente no mundo jurídico, principalmente, na Europa e no Brasil. Caetano nasceu em Lisboa em 17 de agosto de 1906. Fez doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 1931. Dois anos depois de ter conhecido Antonio de Oliveira Salazar, entrou na política. Chegou ao Rio em 1974 depois da queda do regime.

Professores

Ex-professores da Gama Filho e UniverCidade comemoraram destino do acervo. Mas muitos não receberam indenizações das instituições do Grupo Galileo, afundado em escândalos de corrupção. “O mau patrão ganha desconto e paga parcelado”, criticou Manoel Marcondes, que trabalhou na Gama Filho entre 2001 e 2004. Rose Figueiredo, que lecionou nas duas instituições, lembrou as agruras. “A cessão dos livros de Caetano é fundamental. Mas os professores e alunos que ficaram à deriva não podem ser esquecidos. Não recebi R$ 180 mil a que tenho direito”.

Por Adriana Cruz

Fonte original da notícia: O Dia




Rio de Janeiro (RJ) – Seleção de assistente de pesquisa para a coordenação de Documentação

Foto: Divulgação

A coordenação de Documentação da Escola de Ciências Sociais está selecionando assistentes de pesquisa para o projeto “Difusão e Educação Patrimonial do acervo histórico do CPDOC”.

Qualificações e competências desejadas:

– graduados nas áreas de História, Ciências Sociais, Arquivologia e Museologia.
– experiência em pesquisa de fontes primárias;
– experiência em pesquisa para exposições;
– experiência em produção de conteúdo para exposições virtuais;
– experiência em produção de atividades para programas educativos de museus, centros culturais ou centros de documentação;
– experiência em produção de material didático para o ensino de história, de preferência com utilização de fontes primárias.

Inscrições: Enviar currículo com carta de motivação (1 página) para o email: daniele.amado@fgv.br até 31/07.
As datas das entrevistas serão informadas no Portal CPDOC e é de responsabilidade dos candidatos verificar essas informações.
Local de trabalho: Rio de Janeiro.

Fonte original da notícia: FGV CPDOC




RJ – Projeto apresentado à Unesco prevê que Cais do Valongo seja mais acessível para população

Consolidação das pedras e referência ao mar estão entre os projetos. Um milhão de escravos teriam chegado pelo local.

Área do Cais do Valongo que hoje é ocupado por grama terá água. Foto: Cristina Boeckel/ G1

Após a declaração do Cais do Valongo como patrimônio da humanidade pela Unesco, no último domingo (9), o local deve receber melhorias que tornem o sítio arqueológico mais explicativo para os visitantes. Entre os projetos está uma ligação que faça alusão ao mar, para que os frequentadores tenham a noção do local exato de que maneira os escravos vindos da África desembarcavam no Rio de Janeiro. Desde a construção do cais, em 1811, o mar foi aterrado em 344 metros. Além disso, as pedras do local serão consolidadas.

“A ideia é fazer a conexão com o mar, de ter uma água ali. Não sabemos bem como será isso”, destacou Mônica da Costa, superintendente do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro.

Para a arqueóloga Rosana Najjar, também do Iphan, que participou da produção do dossiê apresentado à Unesco, fazer com que o local seja mais acessível é importante para a construção da memória.

“É o testemunho material de um evento histórico extremamente triste, sofrido e que não pode ser esquecido. A partir do momento que a pesquisa arqueológica resgata isso é importante não apenas para a arqueologia brasileira e mundial mas também para a questão da população africana escravizada que veio para o Brasil.

Melhorias previstas no dossiê

Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio. Foto: Cristina Boeckel/ G1

O dossiê da candidatura a patrimônio da humanidade já prevê melhorias para a estrutura do local se torne de leitura mais fácil para os visitantes.

“O dossiê, na verdade, além de justificar o valor universal e excepcional do bem, também vai ter que mostrar que o Brasil vai ter competência para manter esse bem íntegro e legível para a população. Porque o sítio arqueológico não fala por si só, você tem que ter um processo de ‘tradução’. Então os passos agora serão de efetivamente fazer projetos para que isso seja melhor exposto, melhor contextualizado”, destacou Najjar.

Parte do Cais do Valongo ainda está soterrada. Uma ampliação da área do monumento, de grande movimento no Rio, não está descartada.

“As próximas etapas do dossiê que foi apresentado para a Unesco são várias etapas de trabalho até 2019. Temos um cronograma junto com a prefeitura e de a gente ter um projeto de consolidação das pedras e, nesse projeto, a gente vai fazer uma revisão de ampliar essa mostra do sítio”, explicou a superintendente do Iphan.

O local é considerado único em todo o continente, pois é considerado o sítio de memória da escravidão mais completo que se conhece na América. O Brasil foi destino de pelo menos 40% de todos os africanos que chegaram como cativos ao continente americano entre os séculos XVI e XIX. Destes, 60% entraram pelo Rio de Janeiro, ou seja, quase um quarto de todos os escravizados. Estima-se em um milhão o número de negros que desembarcaram na cidade para trabalhar de maneira forçada, segundo números apresentados pelo documento apresentado à Unesco.

O local é um antigo cais localizado entre as ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral. Construído em 1811, era parte de um enorme mercado de comercialização de seres humanos que se estendia por toda a praia. Em 1843, o Valongo foi aterrado e se tornou o Cais da Imperatriz, para o desembarque da então princesa Teresa Cristina, que veio ao país se casar com o imperador D. Pedro II.

O dossiê que embasou a candidatura, com 443 páginas e disponível na internet no site do Iphan, explica detalhes sobre o projeto de conservação e como o local pode ser comparado a portos correspondentes no outro extremo da jornada dos escravos, na África.

“Era a partir do desembarque que começava para os africanos a vida como escravizados nas Américas, vida essa que tomava a forma de uma dolorosa experiência no entorno do Cais do Valongo, onde se localizavam as casas de comércio da mercadoria humana trazida da África, naquela que era a mais afro-atlântica das cidades das Américas no século XIX: o Rio de Janeiro”, detalha o documento.

A reivindicação do reconhecimento do Cais do Valongo como local de importância histórica para a humanidade como local de memória e sofrimento, como o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, a cidade de Hiroshima, no Japão; e Robben Island, na África do Sul, que recebeu presos políticos da luta contra o apartheid, como Nelson Mandela.

O documento destaca ainda que o cais do Valongo servia como conexão para o transporte de escravos para dentro do continente e para outros portos, como Montevidéu e Buenos Aires.

De acordo com o dossiê, declarar o Cais do Valongo como patrimônio da humanidade também é uma forma de preservar o local da expansão imobiliária.

“O Sítio Arqueológico Cais do Valongo encontra-se na zona de ocupação tradicional, porém ele está junto ao limite da zona de expansão imobiliária. A nova ocupação irá gerar impacto seja do ponto de vista da ambiência paisagística do Sitio Arqueológico, seja do ponto de vista das mudanças sociais e funcionais por que pode passar a região onde o sítio está inserido”, destaca o dossiê.

Por Cristina Boeckel

Fonte original da notícia: G1 Rio




Prédio centenário que abrigou a primeira escola pública de Nilópolis (RJ) é destombado e destruído

Prédio foi destombado pelo prefeito Farid Abrão David na última sexta-feira. Foto: Cléber Júnior / Extra

Um patrimônio destombado tombado. Parece estranho, mas é o que está acontecendo em Nilópolis. Na última edição do Diário Oficial do município, o prefeito Farid Abrão David revogou um decreto de novembro do ano passado que tombava o prédio da primeira escola pública da cidade como um bem cultural. Com isso, na última segunda-feira, segundo relatos de vizinhos da construção, uma máquina iniciou a demolição do edifício, colocando abaixo parte de sua estrutura.

— Tem até as marcas da máquina aí no chão — disse um morador, que preferiu não se identificar.

Moradores dizem que local cederá espaço para um condomínio. Foto: Cléber Júnior / Extra

Na fachada do prédio histórico, um cartaz de um empreendimento imobiliário com nome da família Abraão David chama atenção. Especula-se que por ali será erguido um edifício. Bem ao lado já está um condomínio Abraão David, sobrenome da família do atual prefeito e do bicheiro Anísio Abraão David, patrono da Beija-Flor de Nilópolis.

— Eu não sei o que será feito aí — afirma o porteiro do condomínio.

A primeira escola pública de Nilópolis foi construída entre os anos de 1914 e 1915 pelo prefeito João Alves Mirandela. A unidade de ensino funcionou no local até meados da década de 30. Depois, ganhou diversas outras funções. A última ocupação do prédio foi abrigar uma funerária.

Prédio foi a primeira escola pública de Nilópolis, construído entre 1914 e 1915. Foto: Cléber Júnior / Extra

O terreno fica localizado na Praça Miguel Abraão, número 42, antiga Praça Paulo de Frontin, no Centro de Nilópolis.

Além desta contrução, a ex-gestão do município tombou, em julho do ano passado, o prédio da antiga fábrica de brinquedos WIDA. A indústria foi uma das antigas a funcionar no Brasil e a primeira no Rio de Janeiro. Seu terreno está localizado na Rua Professora Laíde de Souza Belém, no Centro.

A Prefeitura de Nilópolis não respondeu sobre o episódio do destombamento da primeira escola pública até o fechamento desta reportagem.

Presidente do Inepac lamenta: ‘Nunca vi isso’

Ao lado de escola, fica condomínio com nome da família Abraão David. Foto: Cléber Júnior / Extra

Um dos responsáveis pelo processo de tombamento do prédio centenário, o historiador Marcus Monteiro lamentou o episódio de destombamento. Atualmente na presidência do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), ele contou que nunca viu um processo parecido.

— É o prédio mais antigo de uma escola pública da Baixada. Um dos poucos prédios com mais de cem anos que ainda estavam de pé na região. Nunca vi isso destombar um patrimônio — diz Marcus.

O historiador afirmou ainda que tinha um projeto para tombar o espaço na esfera estadual, mas que não deve conseguir por causa de sua destruição. Marcus pretendia transformar o local em um ponto de cultura no município.

— Não deu nem tempo de fazer o tombamento pelo Estado. Nilópolis tem hoje só dois pontos tombados pelo Estado.Os outros poucos que têm estão sendo destruídos — critica.

Fonte original da notícia: Extra – Globo




Violência provoca queda de R$ 320 milhões no turismo do Rio de Janeiro

Estimativa da CNC indica que, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas recua, em média, 1,8%.

Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a criminalidade nos últimos meses contribuiu decisivamente para uma queda de R$ 320 milhões nas receitas do turismo fluminense. O montante equivale a 42% do total da perda do faturamento do setor (R$ 768,5 milhões) entre janeiro e abril deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016.

A análise também leva em consideração outros fatores que acarretaram na queda de 7,9% no faturamento bruto do setor, como o desemprego, o aumento dos gastos dos brasileiros com viagens ao exterior, a escassez de crédito e a alta base comparativa com a geração de receitas provocadas pelos Jogos Olímpicos de 2016.

“Embora outros fatores diretamente relacionados à conjuntura econômica também ajudem a explicar a queda de atividade no turismo fluminense, inegavelmente, o aumento da criminalidade no Rio de Janeiro contribuiu sobremaneira para agravar a perda de dinamismo desse setor no Estado”, afirma o economista da CNC Fabio Bentes.

Segundo estimativa da CNC, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas que compõem a atividade turística do Estado recua, em média, 1,8%.

O estudo identifica que a sensibilidade ao aumento da violência no Estado é maior nos segmentos mais dependentes do turismo, tais como hospedagem (1,9%) e transporte (2,0%). Já nos segmentos de alimentação e serviços culturais e de lazer, mais ligados à prestação de serviços a residentes, o aumento de 10% na criminalidade no Estado reduz suas receitas em 1,7% e 1,5%, respectivamente.

Impacto da criminalidade

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), entre abril de 2016 e o mesmo mês deste ano, o total de ocorrências criminais registradas no Estado aumentou +6,4%. Dentre as principais modalidades de crime, os roubos a bancos, a caixas eletrônicos, os roubos com condução de saque e de bicicletas mais do que dobraram (+107,7%). Ainda de forma expressiva, destacaram-se os registros de roubos em coletivos (+77,6%) e roubos de aparelhos celulares (+73,0%).

A CNC avalia que, embora o turista não seja frequentemente vítima direta da maior parte dos crimes registrados, o avanço da criminalidade nos últimos meses e a consequente queda na percepção de segurança contribuíram decisivamente para a queda no nível de atividade do setor no Estado do Rio de Janeiro.

A perda de R$ 320 milhões, atribuída à violência em 2017, que equivale ao faturamento de 4,5 dias do turismo local, impactou de forma significativa o segmento de bares e restaurantes (R$ 167,2 milhões), seguido pelas atividades de transportes, agências de viagens e locadoras de veículos (R$ 105,5 milhões), hotéis, pousadas e similares (R$ 47,8 milhões) e por atividades culturais e de lazer (R$ 7,2 milhões).

Para o presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da CNC, que é empresário da hotelaria, Alexandre Sampaio, os dados vão ao encontro da realidade vivenciada pelos hoteleiros do Estado. “A violência afeta o turismo porque dilapida a imagem do Rio de Janeiro, o próprio brasileiro não quer mais visitar o Rio. Essa é uma realidade perversa, ampliada pela crise econômica do País e do Estado. E o impacto no turismo e em segmentos como hotelaria e alimentação reflete em mais de 50 segmentos da economia”, afirma o hoteleiro carioca.

Desemprego afeta o consumo

Dentre os demais fatores que também impactaram as atividades turísticas no Estado, a evolução desfavorável do mercado de trabalho limitou a capacidade de consumo desse tipo de serviço nos últimos meses. Embora o salário habitual do trabalho tenha crescido 2,6% no trimestre compreendido entre fevereiro e abril de 2017 e o mesmo período de 2016, a taxa de desocupação avançou de 11,2% para 13,6%, provocando um incremento de 2,6 milhões no contingente de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD contínua).

Mais viagens ao exterior

Outro aspecto negativo para o turismo interno, a queda de aproximadamente 10% na taxa de câmbio, voltou a estimular gastos de brasileiros no exterior, em detrimento do consumo de serviços turísticos no Brasil. De acordo com o Banco Central, nos cinco primeiros meses deste ano, quando comparadas ao mesmo período de 2016, houve uma retração de 2,6% nos gastos com o turismo doméstico e um crescimento de 41,4% nas despesas com viagens para fora do País.

Perda de receita retrai mercado de trabalho

Do ponto de vista do emprego, a queda no nível de ocupação no turismo fluminense se mostrou compatível com as perdas de receita nos últimos meses. De janeiro a maio de 2017, o saldo entre admissões e desligamentos nas atividades que compõem o setor resultou numa perda acumulada de 8.833 postos de trabalho com carteira assinada – um aumento de 75% em relação aos 5.025 postos fechados no mesmo período de 2016 –, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Os serviços de alimentação fora do domicílio, tais como bares, restaurantes e lanchonetes, que respondem pela maior parte do emprego celetista no turismo do Estado, lideraram os cortes, com -6.008 vagas, seguidos por hotéis, pousadas e similares (-1.409), serviços de transportes (-1.018) e atividades culturais e de lazer (-398).

O estudo da CNC se baseou no cruzamento de dados do Índice de Atividades Turísticas, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD contínua), do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), todos do IBGE, assim como dados do Banco Central, do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Fonte original da notícia: Jornal do Brasil