Antiga Metalúrgica Abramo Eberle é revitalizada em Caxias do Sul (RS)

Foto: Júlio Soares/Divulgação/JC

O conjunto de edificações da antiga Metalúrgica Abramo Eberle, localizado no Centro de Caxias do Sul, foi completamente reformado. Agora, o complexo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e adquirido em 2012 pela GCI Investimentos, será entregue à comunidade de Caxias do Sul.

Parte da área já está ocupada por diversas lojas, cursos e faculdades. A previsão de conclusão é até dezembro deste ano.

Para finalizar a revitalização, é preciso concluir as obras das calçadas das ruas Borges e Sinimbu e os pátios internos e restaurar a casa onde funcionava a mecânica da metalúrgica, além de iluminação de fachadas. Até o momento, foram investidos R$ 40 milhões na aquisição e reconstrução da área de 20 mil metros quadrados.

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Porto Alegre (RS) – Um destino para a Casa dos Leões

Palacete no Centro deve abrigar Instituto Zoravia Bettiol. Marco Quintana/JC

A Casa dos Leões, uma edificação histórica situada na Rua dos Andradas, 507, deverá se tornar um instituto cultural. Localizada na zona dos quartéis, no Centro Histórico de Porto Alegre, o casarão foi erguido há cerca de um século e se encontra abandonado há mais de 25 anos. O espaço já serviu de plataforma para a obra Tapume do paulista Henrique Oliveira, concebida para a 7ª Bienal do Mercosul.

O palacete pertence à prefeitura de Porto Alegre – no fim da gestão passada, o então prefeito José Fortunati publicou um decreto repassando o espaço para o Instituto Zoravia Bettiol. O município, através do Termo de Cessão de Uso, em fase de elaboração, possibilitará a utilização da Casa dos Leões como sede do Instituto Zoravia Bettiol, onde serão realizadas atividades artístico-culturais, educacionais e científicas. A edificação é um bem inventariado pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (Epahc).

O instituto é uma associação sem fins lucrativos que tem por missão a preservação, a pesquisa e a difusão do acervo artístico e documental da artista Zoravia Bettiol, bem como o apoio e o incentivo às manifestações da arte contemporânea. “Ele ficará em uma zona privilegiada, um corredor cultural da cidade, que, no entorno, contempla a Usina do Gasômetro, o Museu do Trabalho, a Casa de Cultura Mario Quintana etc. Um instituto deve se envolver com a comunidade e ser um elemento vivo que tem que conhecer o passado, mas sempre estar com a visão no futuro”, comenta Zoravia.

“A proposta de assumir a gestão da casa partiu do instituto. Neste momento, está em processo de análise o termo de cessão de uso, nele constará os elementos de responsabilidade que a instituição arcará a partir do momento que ela assume a edificação”, avisa o coordenador de Memória Cultural do município, Eduardo Hahn. Segundo ele, basicamente, deverá ser feita toda a atualização do projeto de restauração da casa, uma vez que já existia uma proposta anterior. “Também deverá o instituto buscar recursos para recuperação do espaço, que provavelmente seja via Lei de Incentivo à Cultura, e depois todo o processo de manutenção e de gestão do espaço”, conta Hahn.

Segundo a equipe de arquitetura responsável pelo projeto – composta por Ester Meyer, Iran Fernando da Rosa e Adriana Sabadi -, a pretensão é de que o Projeto de Restauração Arquitetônica contemple a recuperação de um bem de valor histórico e adapte os novos espaços a uma nova função, que terá como finalidades promover a arte, a cultura e a preservação do patrimônio cultural; restaurar e conservar o acervo artístico e a documentação sobre a vida e a obra da artista Zoravia Bettiol; constituir um centro de excelência para pesquisa, estudos, desenvolvimento e difusão da arte e da cultura, denominado Laboratório-Atelier Científico; entre outros objetivos de cunho cultural.

Nos anos 1990, cogitou-se transformar a edificação em sede do Museu de Arte de Porto Alegre, abrigando as pinacotecas Rubem Berta e Aldo Locatelli. A partir de 2010, um projeto foi elaborado pela Coordenação de Dança da Secretaria Municipal de Cultura, mas nada vingou.

Por Michele Rolim

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio




Porto Alegre (RS) – Cartas do Fundo do Poço exibe correspondências das minas de carvão no Memorial do RS

A exposição reconstrói história da mineração no Estado, ilustrada com obras inéditas de Danúbio Gonçalves, inspiradas na atividade mineradora. Foto: Solange Brum/Divulgação

Cartas do Fundo do Poço – As correspondências das minas de carvão do Baixo Jacuí (1891 – 1964) segue até 30 de agosto no 2º andar do Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. A exposição apresenta parte do acervo do Arquivo Histórico do Museu Estadual do Carvão, de Arroio dos Ratos (RS). As cartas reconstituem aspectos importantes da relação entre empresas, trabalhadores e o espaço da mineração daquela região. A mostra conta ainda com obras inéditas do renomado pintor gaúcho Danúbio Gonçalves, que retratam o cotidiano dos trabalhadores nas minas de carvão.

Cartas do Fundo do Poço traz painéis e uma seleção de correspondências originais, entre 1891 e1964, das companhias exploradoras do minério, revelando diversos temas como as relações de trabalho, as técnicas de mineração utilizadas em distintos momentos, a extração de carvão períodos de esforço de guerra, a imigração, as ações sociais das empresas carboníferas, além de escritas em códigos para não serem interceptadas. São correspondências marcantes do período ápice da mineração no Rio Grande do Sul, que trazem a tona parte de uma história pouco desbravada pelos gaúchos.

A exposição tem produção da ONG Arquivistas Sem Fronteiras do Brasil e de Surya Projetos, com apoio institucional do Memorial do RS e financiamento do Procultura e do Governo do Estado. A entrada é franca.

Histórico:

A extração de carvão na chamada Bacia do Rio Jacuí teve início nos últimos anos do século XIX, mas foram nas décadas de 1920-1940 que a região recebeu o maior número de trabalhadores e empreendimentos no setor. A árdua rotina da mineração alavancou a formação de vários povoamentos que, mais tarde, comporiam pelo menos cinco cidades ao longo do Jacuí. O carvão extraído nas minas da região alimentou as caldeiras de locomotivas e as usinas de energia elétrica ao sul do Brasil, chegando a ser item raro e de importância estratégica durante o período da Segunda Guerra – quando os países europeus em conflito suspenderam a exportação do produto.

Foto: Divulgação

A atividade mineradora desenvolvida por empresas e trabalhadores produziu um mundo peculiar, marcado pela expectativa de progresso, por estruturas urbanas inteiramente voltadas para a mineração e por relações de trabalho nem sempre pacíficas. Das minas de Arroio dos Ratos e Butiá surgiriam algumas das primeiras grandes greves da região e os primeiros movimentos de repressão e apaziguamento da mão de obra.

Serviço:

Exposição Cartas do Fundo do Poço – As correspondências das minas de carvão do Baixo Jacuí (1891-1964)
Onde: Memorial do Rio Grande do Sul – Sala Múltiplos Usos, segundo andar (Praça da Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre)
Quando: De 27 de julho a 30 de agosto de 2017, das 10h às 18h, de terça a sábado, e domingo, das 13h às 17h.
Entrada Franca

Fonte original da notícia: O Sul




Porto Alegre (RS) – Justiça mantém suspenso investimento imobiliário na Fazenda do Arado

Projeto para área de 426 hectares na Zona Sul gera embate judicial / Instituto Econsciência/Divulgação

A Justiça negou um recurso movido pela Arado Empreendimentos S.A que permitia a empresa dar continuidade a um projeto de condomínios fechados na antiga Fazenda Arado Velho, no Bairro Belém Novo, extremo-sul da Capital gaúcha.

A assessoria do TJ/RS informou, na quarta-feira, que a sentença ainda não havia sido publicada e, portanto, não poderia divulgar os argumentos para o indeferimento.

O processo corre na 10º Vara da Fazenda Pública do Foro Central, com o número 001/1.17.0011746-8.

O empreendimento está travado por uma liminar que suspendeu a Lei Complementar 780/2015, de iniciativa do ex-prefeito José Fortunati.

Essa lei 780 alterou o regime urbanístico e, consequentemente, o índice construtivo da área, permitindo a construção de três condomínios fechados, num total de 2.300 casas na área de 426 hectares, metade dos quais enquadrada como área de preservação ambiental.

O PLC foi aprovado em outubro de 2015 e a liminar que barrou as alterações foi concedida em abril de 2017, após uma Ação Civil Pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente, do Ministério Público Estadual.

Na época, o MP alegou que a lei foi aprovada sem a realização de audiência pública, conforme determina o artigo 177 da Constituição Federal. Também não houve, segundo a promotoria, a devida avaliação dos danos ambientais que podem ser causados pelo empreendimento.

A intenção da construtora era apresentar o EVU (Estudo de Viabilidade Urbanística) enquanto a decisão final não é dada.

A reportagem tentou contato com a Arado Empreendimentos S.A mas o engenheiro técnico responsável pelo negócio não estava disponível.

Movimentos questionam estudos ambientais do projeto imobiliário 

Área fica no bairro Belém Velho, extremo Sul da Capital/Foto Paulo Brack

Até 2015 as terras da Fazenda do Arado obedeciam ao regime urbanístico da Zona Rural e Área de Proteção do Ambiente Natural, suportando no máximo 276 economias (casas, edificações, etc).

A lei, aprovada pela Câmara de Vereadores em 5 de outubro de 2015 e sancionada pelo prefeito José Fortunati duas semanas depois, alterou o Plano Diretor, retirando a área do Arado da Zona Rural.

Ambientalistas e comunidade mobilizados em defesa da área / Tânia Meinerz/JÁ

Foi graças aos movimentos Preserva Belém Novo e Coletivo Ambiente Crítico que o Ministério Público ingressou com a ação civil pública. Foi apontada uma série de erros no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pelo investidor.

Especialistas da área ambiental realizaram um outro laudo, a pedido dos movimentos ambientais, onde questionam erros nas áreas geológicas, de fauna e flora. “Por exemplo, eles omitiram o solo novo, que seria mais sensível à construção e apresentaram somente o mais antigo”, argumenta Felipe Viana, integrante do Preserva Arado.

Ambientalistas realizaram mutirão de limpeza que recolheu mais de 150 sacos de lixo / Tânia Meinerz/JÁ

Segundo ele, quase todos os apontamentos subestimam o meio ambiente e favorecem a realização do empreendimento. “Quem faz esse tipo de estudo sofre pressão por parte dos empreendedores e isso compromete a qualidade do estudo e favorece o negócio”, entende o ambientalista.

Viana lembrou ainda que a mudança da Lei Complementar 780 teve parecer contrário da Comissão Municipal do Meio Ambiente (Comam), que aconselhou a aquisição do terreno pela prefeitura para transformar em área de conservação ou que a área permanecesse como zona rural.

Por Felipe Uhr

Fonte original da notícia: Jornal Já




Arquivo Histórico de Porto Alegre (RS) digitaliza mais de 100 documentos

Balancetes. Livro-caixa. Atas de vereança. Peças que retratam um cotidiano quase esquecido, mas que também fazem parte da história da capital. Em breve, esses documentos estarão todos digitalizados. Desde junho, o Arquivo Histórico Moysés Vellinho vem digitalizando documentos que remontam a Porto Alegre dos séculos 18 e 19. O que antes estava restrito às paredes de um casarão centenário, que abriga a instituição na avenida Bento Gonçalves, 1.129, estará disponível na internet.

São cerca de 170 livros de um período que vai de 1764 a 1889, abrangendo desde os primórdios da capital até a proclamação da República. Até o momento, metade desse montante foi digitalizado. O projeto, iniciado em 2012, virou realidade graças à captação de 8 mil euros por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Arquivos Ibero-Americanos, do governo espanhol.

Dispostos numa sala em múltiplas prateleiras sob temperatura e ambiente controlados, os documentos têm conservação variada. Podem estar quase originais – como um livro de naturalizações datado de 1854 –, mas também em mau estado, explica a diretora Vera Lúcia Santos dos Santos. É um misto de sorte e das condições em que o material foi armazenado anteriormente.

As mãos de Dionathan Rezes, 30 anos, são responsáveis por digitalizar página a página desses documentos. Com luva, é claro, para se proteger da sujeira – ainda que Vera garanta que não exista um fungo sequer no acervo. A velocidade do trabalho varia. Às vezes, Rezes consegue escanear 12 livros por dia. Em outras ocasiões, não passa de dois a três materiais em oito horas de trabalho. “Quanto mais antigo, mais difícil”, conta.

Engenhoca

O maquinário utilizado para a digitalização é simples, mas peculiar. Rezes conta com um scanner de mesa e uma engenhoca que se mostra efetiva na captura de imagens dos materiais. Criada por um engenheiro da empresa contratada pelo arquivo para realizar os trabalhos, são dois triângulos gigantes que sustentam os livros: uma no lado esquerdo; outra, no direito. Além da estrutura, que é móvel, mais quatro luminárias adornam a engenhoca, duas em cada lado, posicionadas ao lado das duas câmeras que capturam a imagem de cima.

Rezes explica que os scanners utilizados para materiais como os do acervo, além de serem caros, podem acabar danificando as publicações. “Quanto mais grosso o livro, pior”, afirma. Depois que as imagens são captadas, Rezes realiza o tratamento delas no computador e as armazena em HDs. Tudo isso estará disponibilizado ao público por meio do software Ica-Atom em breve.

As informações antigas por vezes chamam atenção de Rezes. É que ele terminou um curso para ser corretor de imóveis há pouco, e pesca informações que poderão ser relevantes quando trabalhar no mercado imobiliário. Histórias que estavam quase esquecidas, mas que agora ganharão uma dimensão maior quando se tornarem disponíveis para o público. A memória agradece.

Situação do arquivo é exceção, comparado a outras instituições

Quando comparado a outros arquivos espalhados pelo Estado, a situação dos materiais armazenados no Moysés Vellinho pode ser considerada uma exceção na área, e não a regra. O setor da prefeitura mantém o acervo sob refrigeração 24 horas. Isso não se repete em outra instituição que também mantenha uma hemeroteca (coleções de jornais, revistas, periódicos e publicações em série).

Assim como a instituição municipal, o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, do governo estadual, abriga coleções de jornais e revistas, mas funciona de forma reduzida desde março por problemas estruturais do prédio, localizado no Centro Histórico. Além de não possuir sistema de ar-condicionado, o museu enfrenta infiltrações em sua estrutura. A situação se repete numa das instituições mais respeitadas do meio. No Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional corre o risco de fechar por falta de verba para a manutenção do acervo.

“Quando o gestor escolhe o recurso, o arquivo acaba ficando por último por trazer menos visibilidade”, avalia a arquivista Flávia Conrado Rossato, da Associação dos Arquivistas do Rio Grande do Sul. Flávia lembra que a desatenção por parte do poder público com a memória respinga na Lei de Acesso à Informação. “Esse descaso impacta no acesso à informação do cidadão”, pontua.

O historiador André Koeche, mestre pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), concorda com Flávia. “Infelizmente, no Brasil não existe uma cultura de preservação da memória”, avalia. Koeche sustenta que o país não formou uma cultura que preserve sua história. “Ainda não temos uma cultura de preservação da memória de bens materiais e de representações simbólicas”, conclui.

Queima de arquivo

Em junho, o Senado aprovou o Projeto de Lei 46, que é conhecido como “PL da Queima de Arquivo”, já que autoriza a destruição de documentos originais após serem digitalizados. Essa medida fere a política nacional de arquivos públicos, criada em 1991 pelo então presidente Fernando Collor de Mello, segundo Flávia. “Os documentos devem continuar existindo”, afirma. “A função do arquivo histórico é justamente salvaguardar o documento”, completa.

No Arquivo Histórico de Porto Alegre, os documentos permanecerão guardados, tanto em sua forma original quanto na digital.

Fonte original da notícia: Metro Jornal




Exposição retrata o patrimônio arquitetônico de Passo Fundo (RS)

O curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade de Passo Fundo (Fear/UPF), por meio das professoras Mirian Carasek, Greice Baruffo Rampanelli e Débora Grando Schoffel, com apoio da Setorial de Patrimônio Material, Imaterial, Arquitetura e Urbanismo e da Confraria das Artes promoveram a exposição “Estação da memória – afirmação do patrimônio arquitetônico de Passo Fundo”. Realizada de 22 a 30 de julho na Galeria Estação da Arte, a exposição destacou a cidade Passo Fundo e sua arquitetura por meio de maquetes, aquarelas e fotos de alguns exemplares do patrimônio arquitetônico preservado no município.

De acordo com a professora Mirian, existem diversos meios pelos quais uma cultura pode se expressar. Quando se trata de arquitetura e urbanismo, a expressão cultural se dá por meio das construções e vias que configuram a cidade. “A percepção atual estabelece patrimônio histórico e cultural como o conjunto de bens imóveis e móveis de valor significativo, ambiências, parques urbanos e naturais, praças, sítios e paisagens, assim como manifestações culturais entendidas como tradições, práticas e referências, que configuram a identidade do município”, explica.

A preservação desses bens patrimoniais é importante para a transmissão das tradições de uma geração para outra, contribuindo para a consolidação da identidade cultural do lugar. “Passo Fundo possui alguns trabalhos voltados ao campo do patrimônio histórico e cultural, como o Inventário do Patrimônio Arquitetônico do Município de Passo Fundo. Contudo, muitos trabalhos ainda necessitam ser realizados para que se consiga consolidar e ampliar o cuidado com os bens patrimoniais municipais, o que inclui atividades de educação patrimonial, no sentido de conscientizar a população da importância da preservação”, observou a professora Mirian.

A proposta da exposição foi promover uma interação entre academia e comunidade, de modo que a primeira expõe à segunda informações sobre a identificação e a valorização do patrimônio arquitetônico por meio de maquetes, desenhos e fotos, divulgando também o curso de Arquitetura e Urbanismo da UPF.

Fonte original da notícia: Universidade Federal de Passo Fundo




RS – Governo gaúcho não entrega projetos para restaurar museus e corre risco de perder R$ 21 milhões

Ministério Público investiga por que, depois de quatro anos, o Estado ainda não apresentou projetos para garantir repasse do governo federal.

Deterioração do Museu Julio de Castilhos atinge o piso de madeira, as paredes e o sistema elétrico. Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Atento à hipótese de perdermos R$ 21,5 milhões do governo federal, o Ministério Público investiga por que, depois de quatro anos, o governo do Estado ainda não apresentou os projetos para a restauração de quatro museus de Porto Alegre: o Margs, o Memorial do Rio Grande do Sul, o Júlio de Castilhos e o Hipólito José da Costa — não seria exagero dizer que os dois últimos estão caindo aos pedaços.

Os recursos foram garantidos em agosto de 2013, por meio do PAC Cidades Históricas. Conforme o secretário estadual da Cultura, Victor Hugo, “não existe atraso, existe demora”:

— Temos um conjunto de servidores de carreira e, quando um dos nossos arquitetos avalia que o projeto, que é elaborado por uma empresa licitada, não atende ao que foi contratado, não posso contestá-lo.

O Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândaga, estão entre os museus que aguardam recursos federais. Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

O diretor nacional do PAC Cidades Históricas, Robson de Almeida, afirma que há atraso, sim. Segundo ele, 75 obras também anunciadas em 2013 já estão em execução, outras 50 passam por licitação e 34 já foram concluídas. Quer dizer: os projetos foram entregues faz tempo.

— Dois anos seria um prazo razoável, com folga, para esses projetos. Quanto mais o tempo passa, menor são as chances de o Rio Grande do Sul receber as obras. A sociedade está vendo os contingenciamentos de recursos. Na semana passada, o PAC teve um corte de R$ 7 bilhões — alerta Robson.

O PAC Cidades Históricas é o maior programa de investimento em patrimônio cultural da história do país. Sem gastar um centavo, o Rio Grande do Sul teria, com ele, uma chance única de ver seus combalidos museus retornarem a um patamar digno. Não vai ser fácil.

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Prorrogadas inscrições para curso sobre Patrimônio Cultural

Atividade inclui visitas a General Câmara e Triunfo.

Teatro União em Triunfo (RS). Foto: Rene Hass

Foram prorrogadas até 31 de julho as inscrições para o Curso de Extensão em Patrimônio Cultural que acontecerá em agosto. Em formato de workshop, o curso propõe um estudo sobre instrumentos de gestão e soluções específicas para a compatibilização da preservação do patrimônio com o desenvolvimento inclusivo e sustentável. A abordagem visa promover uma leitura interdisciplinar da realidade e da complexa inter-relação de quatro elementos indissolúveis na configuração de lugares e áreas urbanas de valor cultural: patrimônio, paisagem, arte e comunidade. Serão confrontadas as dimensões teóricas a dois casos específicos, para interpretar a problemática da preservação e fruição e enunciar possíveis instrumentos de salvaguarda e gestão.

Os casos de estudo terão atividade em campo a ser realizada no dia 5 de agosto das 8h às 17h na vila de Santo Amaro (município de General Câmara) e no centro urbano do município de Triunfo.

O workshop ocorrerá às sextas-feiras, das 18h30 às 21h50 e aos sábados pela manhã, das 8h30 às 11h50, totalizando oito encontros com certificação de 32 horas-aula. Os professores ministrantes são Luisa Duran Rocca, sobre Patrimônio; Daniele Caron, Paisagem; Daniela Cidade, sobre Arte; e Eber Pires Marzulo, que é coordenador do curso e irá abordar o tema Comunidade.

Os encontros serão na Faculdade de Arquitetura (Rua Sarmento Leite, 320 – Campus Centro UFRGS). São oferecidas 50 vagas destinadas, principalmente, a advogados, antropólogos, comunicadores, sociólogos, geógrafos, arqueólogos, historiadores, arquitetos e urbanistas, conservadores de bens culturais, museólogos, cientistas políticos, administradores e administradores públicos. O investimento é R$ 570, podendo ser parcelado em 2x (inclui o transporte para a saída de campo para a vila de Santo Amaro e Triunfo).

Inscrições somente até segunda-feira, dia 31, neste link. Mais informações podem ser obtidas através do e-mail patrimoniocultural@cegov.ufrgs.br

Fonte original da notícia: UFRGS




Porto Alegre (RS) – É de se perder a cabeça: todos os monumentos restaurados na Redenção já foram destruídos

Especialista afirma que nenhuma outra cidade do mundo perdeu mais obras para o vandalismo do que Porto Alegre.

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Esse monumento acima deveria exibir a cabeça de Francisco Brochado da Rocha — primeiro-ministro do Brasil durante o breve parlamentarismo que antecedeu o golpe de 1964 —, mas a escultura foi decapitada 10 dias depois de sua restauração.

Aliás, todas as obras restauradas em 2016, no Parque da Redenção, foram destruídas em menos de duas semanas. Brochado da Rocha, Imperatriz Leopoldina, Alberto Bins, João Wesley, Luiz Englert e Francisco de Assis Brasil, se não ficaram sem cabeça, acabaram irreconhecíveis. Em 2014, outros seis monumentos da Redenção já tinham sido recuperados pelo mesmo projeto do Sinduscon — e nenhum deles durou um mês.

— Não se tem notícia de outra cidade no mundo, em tempos de paz, que tenha perdido mais monumentos do que Porto Alegre. Nos últimos 17 anos, pelo menos um terço das nossas 300 obras sofreu perda total — calcula o professor do Atelier Livre José Francisco Alves, autor do livro A Escultura Pública de Porto Alegre.

José Francisco diz que essa devastação ganhou força na virada do milênio, quando, nas palavras dele, “houve uma quebra de qualidade no bem viver urbano do porto-alegrense”:

— A qualidade do espaço público tornou-se um horror: as ruas são uma buraqueira, as praças são malcuidadas, a Ponte de Pedra foi abandonada, o Mercado Público segue em obras. E o que é o Viaduto Otávio Rocha? A depredação dos monumentos é só a ponta mais visível da relação entre a cidade e seu espaço público.

Mas o historiador Gunter Axt aponta para a realidade distante da região central. Cita, por exemplo, os frequentes tiroteios na periferia e o toque de recolher imposto pelo tráfico:

— Uma pessoa que tem parte de sua cidadania sequestrada nunca se sentirá pertencendo ao espaço público. O resto da cidade não se preocupa com ela, a imprensa tampouco. Como é possível exigir que ela se preocupe com o resto?

É de ser perder a cabeça mesmo.

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Porto Alegre (RS) – Restauração de Mercado Público da capital segue inacabada

Quatro anos após incêndio, segundo andar do prédio ainda não está concluído.

O Mercado Público funciona sem o segundo andar desde 2013 / Ricardo Giusti/PMPA

Há quatro anos, um incêndio destruiu parte de um dos principais cartões-postais de Porto Alegre. Desde então, o Mercado Público da capital passa por obras de restauração, que até agora não foram concluídas. Apesar da aparência nova e cobertura reforçada, o segundo andar do prédio segue interditado.

Segundo o Secretário Municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, as explicações para a demora são burocracia e falta de recursos. Entretanto, novas licitações foram encaminhadas e dentre todas as obras necessárias de Porto Alegre, o Mercado Público é uma das prioridades da prefeitura.

“Recentemente a associação dos permissionários e a prefeitura chegaram a um consenso sobre a questão do Plano de Prevenção Contra Incêndios e nós temos algumas obras que já vão se iniciar. Nesse meio tempo a Secretaria da Cultura vem trabalhando junto ao Ministério da Cultura para a obtenção de recursos para complementar as reformas do Mercado Público e, uma terceira frente que nós estamos abrindo agora é provavelmente termos nas próximas semanas um edital público no qual a sociedade civil vai poder apresentar à prefeitura propostas e soluções para a administração do Mercado”, explica.

Além disso, a prefeitura da capital aponta como alternativa a possibilidade de uma parceria público-privada no intuito de mudar o modelo de administração do prédio. Ainda conforme o secretário Bruno Vanuzzi, a mudança do perfil do Mercado Público não está em discussão. Ele ressalta que o local é um patrimônio público de Porto Alegre e da população e que a privatização do prédio não é uma opção para o seu governo.

“O Mercado está em funcionamento, acho que isso é uma coisa que é importante nós termos sempre em mente. Ele, depois do incêndio, passou por um período realmente muito difícil. Nossa expectativa é que possamos liberar o segundo andar e também tirar de cima dele essa espada por conta da prevenção de incêndio”

Outra prioridade, segundo Vanuzzi, é a licitação dos relógios de rua de Porto Alegre. Desligados desde junho de 2015, os 50 relógios que existem pela cidade estão sem utilidade. “Aconteceram, na última gestão, duas licitações englobando todo o imobiliário, que significa: relógios, paradas de ônibus, toponímicos – que são aquelas placas com os nomes das ruas – e bancas de jornal. Esses quatro principais itens são solicitados todos em conjunto e essa licitação acabou sendo deserta. Isso é uma sinalização muito importante do mercado para a administração pública de que há um erro fundamental”, afirma o secretário, trazendo a questão de mobiliário urbano ser muito caro para a gestão atual.

A determinação prévia de pontos fixos para a instalação dos equipamentos é outra mudança que deve ocorrer. A localização de cada relógio está sendo definida em uma discussão conjunta entre integrantes dos setores de segurança, tecnologia, trânsito e licenciamento ambiental da prefeitura.

Por Nathália Pase

Fonte original da notícia: Band