Cachoeira do Sul (RS) – Alunos do Marista Roque chamam atenção ao retratar o patrimônio

Fotos: Cacau Moraes

Estudantes da Educação Infantil do Colégio Marista Roque de Cachoeira do Sul foram a grande atração durante a realização do Mercado de Pulgas, na tarde deste domingo (8), na Praça Balthazar de Bem.

As crianças, acompanhadas por pais e professores deram um show de criatividade ao retratar em desenho o Château D’Eau (Chatodô), o Paço Municipal e a Catedral Nossa Senhora da Conceição.

A ação integra o projeto Valorizando Nossa Cidade, da Educação Infantil. Com materiais disponíveis como folhas e tintas, os estudantes mostraram a importância de se valorizar o patrimônio histórico.

A ideia do projeto é oportunizar através a arte através de diferentes linguagens, com a pintura. Telmo Padilha, da Defesa Civil do Patrimônio (Defender) disse que o exemplo do Colégio Marista deve ser seguido por outras instituições da cidade. “Trata-se desde a valorização da história de Cachoeira do Sul. Seguramente, as crianças manterão em suas mentes esta importância o que é muito gratificante”, afirmou.

Por Cacau Moraes

Fonte original da notícia: O Correio




Porto Alegre (RS) – Curador da “Queermuseu” não comparece à CPI dos Maus-Tratos e é reconvocado

Defesa de Gaudêncio Fidélis pretendia que a convocação fosse suspensa alegando que ela estaria “eivada de vícios” e que teria sido apresentada de maneira precária, por e-mail.

Reunião desta quarta da CPI dos Maus-Tratos. Marcos Oliveira / Agência Senado

A CPI dos Maus-Tratos aprovou a reconvocação para oitiva de Gaudêncio Fidélis, que foi curador da mostra Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira.  Ele deveria ser ouvido nesta quarta-feira (4), mas não compareceu. Liminar em habeas corpus concedida pelo ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu ao curador o direito de ser assistido por advogado e de se manter em silêncio durante o depoimento à CPI.

A defesa do curador pretendia que a convocação fosse suspensa alegando que ela estaria “eivada de vícios” e que teria sido apresentada de maneira precária, por e-mail. Alegou ainda que o requerimento da convocação “sugere claramente” que Gaudêncio será ouvido na condição de investigado por incitação à pedofilia.

Entretanto, o ministro Alexandre de Moraes explicou que o Supremo “já assentou a obrigatoriedade de comparecimento de particular, devidamente intimado, para prestar esclarecimento perante CPI” e ressaltou que “a intimação eletrônica cumpriu a sua finalidade”.

Antes de ser convocado, Gaudêncio foi inicialmente convidado a depor, mas também se recusou. Deverá ser ouvido ainda o ex-presidente do Santander Cultural, Sérgio Rial. A nova data da oitiva não foi definida.

Para o presidente da CPI dos Maus-tratos, Magno Malta (PR-ES), a exposição de arte foi uma violação à legislação de proteção ao menor.

— Ninguém está acima da lei. Leia o Estatuto da Criança e do Adolescente, leia a lei que tornou crime hediondo violência, de qualquer ordem, praticada contra criança. Nós aqui não vamos arrefecer — disse.

Quase um mês depois de sua inauguração no Santander Cultural, prédio localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, a Queermuseu foi cancelada no dia 10 de setembro. Prevista para ficar em cartaz até o 8 de outubro, a mostra foi encerrada após protestos de entidades e pessoas que avaliaram a exposição como ofensiva, por razões que vão de “blasfêmia” no uso de símbolos católicos à difusão de “pedofilia” e “zoofilia” em alguns dos trabalhos expostos.

Nudez no MAM

Na mesma reunião, foi aprovado requerimento da senadora Ana Amélia (PP-RS) convocando os responsáveis por uma performance da 35ª edição do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), na qual uma criança foi filmada interagindo com um homem nu. Deverão prestar depoimento à CPI o bailarino e coreógrafo Wagner Schwartz; o curador da mostra, Luiz Camilo Osório; e o diretor do MAM, Felipe Chaimovich.

Em nota lida pela senadora, os representantes do museu explicam que a performance La Bête, inspirada  na obra da artista carioca Lygia Clark, o coreógrafo se colocava no lugar de um “objeto articulável” ou um “bicho” para ser manipulado pelo público.

— Nós não estamos aqui para criminalizar ninguém, estamos tão somente querendo informações: por que isso foi feito? Qual é o objetivo disso? Não me parece que um corpo humano vivo seja um objeto. Nós queremos o fato e não a versão dele. Queremos o contraditório. Temos um ponto de vista que poderá ser modificado ou não com a presença dessas pessoas, para explicarem aqui aquilo que dizem numa nota — observou.

Já o senador Magno Malta defendeu a punição da mãe que permitiu a participação da filha na performance. E na opinião de José Medeiros (Pode-MT) não se trata de criminalização da nudez, da arte ou da cultura, mas da exposição da criança.

— Eles não dizem nada sobre a criança, estão tentando reverter o debate, tentam passar uma ideia de retrocesso no Brasil, uma onda conservadora. O que a gente nota é que tem muita gente querendo ser moderninha, mas na verdade estão é com licenciosidade, querem fazer isso nas exposições públicas, levar as crianças das escolas. A lei não aceita, e a população brasileira também não — afirmou.

Com informações da Agência Senado

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Museu de Rio Pardo (RS) reabrirá no Centro de Cultura em outubro

Acervo está sendo retirado do Solar Almirante Alexandrino para limpeza e restauro e posterior exposição. Cada mostra vai durar dois meses.

Foto: Divulgação/Internet

A partir do dia 6 de outubro, Rio Pardo vai ter sua história recontada em um novo espaço. Durante esta semana, uma equipe da Secretaria de Turismo e Cultura está envolvida na realocação do acervo do Museu de Rio Pardo, transportando-o do Solar Almirante Alexandrino para o Centro Regional de Cultura. Com a mudança, as peças estão sendo limpas, restauradas e tombadas como patrimônio do município.

De acordo com o secretário municipal de Turismo e Cultura, Alexandre Bitencourt, a partir da reinauguração do museu, no Centro de Cultura, serão realizadas exposições temáticas. Para evitar danos causados pela ação da luz, do vento, da umidade e de outros fatores externos, nem todas as peças serão expostas ao mesmo tempo. Cada mostra deve durar em torno de dois meses. “Para começar, vamos seguir uma linha do tempo. Depois vamos trocando”, diz.

A primeira exposição deve contar, dentre outros, com móveis da Câmara de Vereadores, objetos relacionados à passagem de Dom Pedro II pela cidade, espadas, documentos e quadros. O que não estiver ao alcance dos olhos dos visitantes vai ser guardado em condições apropriadas de conservação. “Precisamos gerir o que temos, para depois tentar ampliar o acervo”, observa. Para Bitencourt, o museu é uma maneira de valorizar a história e a produção cultural e artística dos antepassados.

No Solar, problemas continuam

O destino do Solar Almirante Alexadrino é incerto. Reinaugurado no ano passado, o prédio já voltou a apresentar problemas na estrutura. Entre outras coisas, há goteiras e infiltrações no casarão. De acordo com o secretário Alexandre Bitencourt, estão sendo encaminhados projetos para captação de recursos que possibilitem o restauro do Solar.

No entanto, não há previsão de retorno do acervo do museu ao antigo local. “Se conseguirmos restaurar, podemos utilizar o Solar para outras atividades culturais”, informa. Uma possibilidade é a construção de um memorial lá.

Por Heloísa Corrêa

Fonte original da notícia: GAZ




Porto Alegre (RS) – Com mais de 200 mil obras, oficina de arte do Hospital Psiquiátrico São Pedro ganha prêmio

Projeto foi reconhecido pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).

Lauro Alves / Agência RBS

Por volta do meio-dia de terça-feira (19), uma mulher de baixa estatura, cabelos curtos e postura encurvada chegava a passos curtos para tomar assento em uma das duas salas da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre. Não era a primeira vez no dia que Delfina Santos, 67 anos, passava por ali — estava em sua terceira sessão de pintura nas folhas em tamanho ofício acomodadas à sua frente. Cada lenta pincelada era intercalada pela análise atenta de um pacote de biscoitos ou de uma embalagem de ducha elétrica e um sorriso silencioso a quem a observava à distância. O que a artista expressava no papel, porém, tinha pouco a ver com o que via dentro da sala. Em traçado que remetia a um desenho infantil, figuras humanas soltas ao lado de janelas predominavam nas imagens.

— Às vezes, ela vem duas, três vezes ao dia. Vai e volta, olhando os prédios, os pavilhões. De certa forma, parece que retrata o dia a dia — relata a psicóloga Gisele Sanches, que acompanha uma das turmas da oficina de pintura e desenho.

Isadora Neumann / Agência RBS

De cenas comezinhas como as retratadas por Delfina — uma das 120 moradoras do São Pedro — até a abstração de complexos universos interiores, todo o material produzido pelos pacientes do hospital psiquiátrico é comemorado pelos idealizadores da iniciativa. De segunda a sexta, a oficina promove atividades de pintura, desenho, bordado, escrita e escultura nas dependências do antigo hospício. É o triunfo da criatividade sobre o sofrimento de pessoas para quem, muitas vezes, expressar-se é um processo angustiante.

O acervo recebeu, neste ano, reconhecimento nacional. O projeto Arquivo e Testemunho: Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro reúne mais de 200 mil trabalhos produzidos por Delfina e outras centenas de pacientes que vivem ou passaram pelo hospital nos últimos 27 anos. Em outubro, seus idealizadores vão Rio de Janeiro receber do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade — além de R$ 30 mil —, que contempla iniciativas de preservação do patrimônio cultural, por, segundo o órgão, “ser uma iniciativa inovadora, que congrega as ciências humanas e políticas de saúde”.

Isadora Neumann / Agência RBS

É o resultado de quase três décadas do trabalho dedicado de uma equipe composta por psicólogos, assistentes sociais e estagiários de Artes que se dedicam às oficinas. Sem incentivo financeiro do governo do Estado, que administra o hospital, as atividades são mantidas por meio de parcerias, doações, ações entre amigos, ou mesmo pela boa vontade dos funcionários, que por vezes levam os materiais utilizados nas atividades.

Duas salas de um dos pavilhões do São Pedro, destinadas às oficinas, barram a indiferença já na chegada. Dentro delas, além de mesas compridas, bancos e materiais de desenho e pintura, mensagens reflexivas ou bem-humoradas sobre a condição psicológica dos pacientes estão espalhadas pelas paredes, provocando desavisados: “não é sinal de saúde ser adaptado numa sociedade doente”, diz uma delas.

— As pessoas que sofrem de problemas psiquiátricos, às vezes, têm dificuldade de se expressar pela linguagem que costumamos usar, mas se expressam por outras. Também tem uma questão social, porque nas oficinais elas começam a ter relações com outras pessoas, com compromissos. Aqui, preparamos a passagem: para que a pessoa possa se apaziguar com o mundo ou se aceitar do jeito que é — avalia e psicóloga Barbara Neubarth, coordenadora dos trabalhos.

Isadora Neumann / Agência RBS

Apesar das dificuldades, o projeto de organizar e catalogar as obras produzidas pelos pacientes veio antes da inscrição na premiação nacional, cuja verba será investida em um espaço novo, atualmente em obras. Com R$ 4 mil obtidos em uma ação entre amigos, Barbara e outros profissionais envolvidos com as atividades reformaram, neste ano, a área que acomodará o acervo e as oficinas. Desde fevereiro, quando problemas de infiltração ocasionaram a queda de um pedaço do teto da sala que abrigava as obras dos pacientes, os milhares de trabalhos começaram a ser distribuídos entre estantes e arquivos, separados por ano de produção — estudantes da UFRGS realizaram a catalogação das obras, que serão digitalizadas para a criação de um museu virtual. Diferentemente do resultado das oficinas, que por vezes surpreende — dezenas das obras já foram expostas em museus, e produções literárias de pacientes foram publicadas —, o dinheiro vindo do governo federal, considerado bem-vindo para a melhoria do espaço, atendeu a expectativas:

— A gente ficou muito feliz, mas eu tinha muita fé. Sempre achei que éramos fortes candidatos. São 27 anos de trabalho sério — comemora Barbara.

A artista mais antiga do São Pedro

Premiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, de Porto Alegre, tem uma veterana. Aos 74 anos, Natália Leite, paciente e moradora do local, é a mais antiga frequentadora das atividades, das quais participa diariamente há 27 anos.

O resultado do que produziu em pintura e bordado ao longo tempo impressiona: mais de 12 mil trabalhos, dos quais dezenas já foram expostos em universidades e museus _ a mais recente participação foi em uma mostra no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR), que se encerrou em setembro deste ano. Natália é uma das quatro artistas que deve ter toda a sua obra catalogada no acervo da oficina do São Pedro, que está em construção.

Conheça um pouco mais da artista mais antiga da oficina do São Pedro:

Fonte original da notícia: Zero Hora




Museu das Missões (RS) reabre após obra de recuperação


O Museu das Missões reabre suas portas ao público no próximo dia 29 de setembro, depois de passar por uma obra emergencial de recuperação, executada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O edifício da década de 1940, projetado por Lucio Costa com objetivo de reunir o rico e marcante acervo sacro da região dos Sete Povos das Missões, foi gravemente danificado em abril de 2016, quando um tornado atingiu a cidade de São Miguel das Missões (RS).

O investimento no Museu das Missões, que é administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), foi de mais de R$1,68 milhão para contratação de obra emergencial de recuperação, que incluiu também a Casa do Zelador, Pavilhão Lucio Costa e Sacristia Velha do Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo. Com a força dos ventos, a cobertura do edifício foi fortemente comprometida, com destelhamento, deslocamento e desalinhamento de peças de madeira. Esquadrias de ferro e vidro também foram destruídas, danificando também esculturas do acervo, seu mobiliário de sustentação, instalações elétricas, de iluminação e de segurança, além dos aparelhos de desumidificação das salas expositivas. A Sacristia Velha da Igreja de São Miguel Arcanjo também teve seu telhado desestruturado e calhas retorcidas, ocasionando a entrada da água da chuva e risco de desabamento da cobertura.

Por causa disso, durante o período das intervenções o Museu e a Sacristia ficaram fechados para visitação e serão agora reabertos. A solenidade de entrega, que será realizada no Dia de São Miguel Arcanjo, terá a participação da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, do presidente do Ibram, Marcelo Araújo, do prefeito de São Miguel, Hilário Casarin, da superintendente do Iphan-RS, Juliana Erpen, entre outras autoridades. Na véspera da entrega, no dia 28, os representantes das instituições envolvidas farão uma reunião técnica no local, a fim de avaliar a gestão do Sítio e questões referentes à recuperação e manutenção de seu acervo.

Missões Jesuíticas no Brasil

São Miguel das Missões foi o local de uma das missões jesuíticas que compreendiam os 30 povos indígenas entre Brasil, Argentina e Paraguai durante a colonização portuguesa e espanhola. Em 1937, o arquiteto Lucio Costa foi enviado ao Rio Grande do Sul para analisar os remanescentes dos Sete Povos das Missões e a visita resultou no tombamento, pelo Iphan, em 1938, dos remanescentes das Missões. Em 1983, o sítio arqueológico de São Miguel foi declarado Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco e em 2009 foi criado o Parque Histórico Nacional das Missões, que reúne os sítios arqueológicos de São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São Nicolau e o de São João Batista.

O Iphan também inscreveu, em 2014, o bem imaterial Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani no Livro de Registro de Lugares. A Tava Miri São Miguel Arcanjo é entendida como lugar de importância e referência cultural, pois converge significados e sentidos atribuídos pelo povo indígena Guarani-Mbyá ao sítio histórico que abriga os remanescentes da antiga Redução Jesuítico-Guarani de São Miguel Arcanjo.

As Missões Jesuíticas Guaranis – um sistema de bens culturais transfronteiriços em território do Brasil e da Argentina – compõem-se de um conjunto de remanescentes dos povoados implantados em área originalmente ocupada por indígenas, durante o processo de evangelização promovido pela Companhia de Jesus nas colônias da Coroa Espanhola na América, durante os séculos XVII e XVIII. Representam importante testemunho da ocupação do território e das relações culturais que se estabeleceram entre os povos nativos, na maioria da etnia Guarani, e missionários jesuítas europeus.

Serviço:
Entrega das obras de recuperação do Museu das Missões

Data: 29 de setembro de 2017
Horário: 11h
Local: Museu das Missões – São Miguel das Missões/RS

Fonte original da notícia: IPHAN




Arroio dos Ratos (RS) – Moção de apoio ao Museu Estadual do Carvão

Foto: Fernando Silveira

Foi entregue no dia 30 de agosto ao Secretário Victor Hugo da Secretaria da Cultura., Turismo, Esporte e Lazer – SEDACTEL uma Moção de apoio ao Museu Estadual do Carvão emitida pelo Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio do RS.

“O Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio do Estado do Rio Grande do Sul, no uso de suas atribuições e competências que lhe são conferidas pela Portaria SEDAC N° 32, de 03 de junho de 2011, vem à presença do Secretário Estadual da Secretaria Estadual da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (SEDACTEL) apresentar a presente moção de apoio à manutenção e preservação do acervo do Museu Estadual do Carvão, localizado no município de Arroio dos Ratos.

O citado museu é um dos poucos que se localiza fora da capital e é uma referência no que tange à história da mineração carbonífera no estado. Apesar de sua importância, vem enfrentando contingenciamento de recursos para sua manutenção e conservação.

Para resguardar esse patrimônio cultural e histórico, está em andamento um projeto cultural de restauração e requalificação das estruturas arquitetônicas e dos acervos, principalmente do acervo documental histórico, que foi dividido em etapas. O trabalho iniciou-se em maio de 2011, com a doação do acervo documental pela Copelmi Mineração; desde então, o material tem sido coletado, higienizado e organizado. A previsão é de que, em 2017, o projeto seja concluído, disponibilizando uma versão comercial do acervo na internet.

Recentemente, houve a abertura da exposição “Cartas do Fundo do Poço – As correspondências das minas de carvão do Baixo Jacuí (1891 – 1964)”, que está em visitação no segundo piso do Memorial do Rio Grande do Sul, chamando atenção para o rico acervo e memória da atividade carbonífera, importante não apenas em nosso estado, mas também de relevância nacional.

Entretanto, o Museu do Carvão não dispõe de recursos humanos para realizar a manutenção qualificada desta reserva de documentos, colocando em risco, inclusive, a viabilização da continuidade deste espaço tão importante para nossa história.

A função principal de um arquivo é servir. Hoje há acadêmicos e membros da comunidade que realizam pesquisas no Arquivo Histórico do Museu Estadual do Carvão. A descontinuidade desse serviço público seria um retrocesso, ainda mais após o considerável investimento de dinheiro público na preservação e conservação neste importante e reconhecido patrimônio documental.

Considerando a escassez de recursos financeiros que atinge toda a administração pública, entendemos que a parceria com instituições privadas pode ser uma proposta viável para a preservação de nosso patrimônio. Nesse sentido, podemos citar o bem-sucedido exemplo do Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul (MARSUL).

Através do Edital da SEDAC 05/2015, foi selecionado um parceiro privado que faz a curadoria do acervo museológico e, hoje, já tem estruturadas as obras iniciais e equipe de trabalho na construção do inventário local. Desta forma, fica visível que os pequenos projetos podem ser instrumentos valiosos na preservação de nosso patrimônio cultural, sempre em parceria com a gestão pública.

Assim, o Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio emite a presente moção de apoio ao Museu Estadual do Carvão, para que se busque brevemente alternativas à sua manutenção e conservação, preservando esse tão fundamental legado histórico.”

Porto Alegre, 15 de agosto de 2017.

Fonte original da notícia: Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio/RS




Fundação em Novo Hamburgo (RS) celebra os 90 anos do nascimento de Ernesto Scheffel

Artista faria aniversário no dia 8 de outubro, quando será realizado um recital com repertório do barroco ao contemporâneo.

Programação especial começa no dia 21 de setembro | Foto: Stephany Sander / Especial / CP

Ernesto Frederico Scheffel, que faleceu em 2015, sempre estará presente entre as paredes do museu que leva seu nome. Localizada no bairro Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo, a Fundação Ernesto Frederico Scheffel se prepara para comemorar o aniversário de seu artista, que faria 90 anos em outubro de 2017, com uma vasta programação cultural que ocorrerá a partir do próximo dia 21, se estendendo até dezembro. “O grande desafio da Fundação é preservar a imagem do Scheffel viva e por isso iremos comemorar o aniversário dele. A abertura desta temporada cultural será com um grupo de Quarteto de Contrabaixos”, explica Angelo Reinheiner, curador do museu.

No dia em que o pintor faria aniversário, 8 de outubro, ocorre o Recital de Piano com Olinda Alessandrini, com um repertório que vai do barroco ao contemporâneo. “Ela era uma grande amiga dele e irá resgatar peças musicais que ele gostava”, diz Angelo. Ainda integrando a semana comemorativa, no dia 10 de outubro, a casa recebe Fabio Luz e uma apresentação de piano a seis mãos. Será Luz com outros dois pianistas de São Paulo, tendo o Bolero de Ravel como peça principal. No mês de novembro acontecem as apresentações do Quinteto Porto Alegre e do Quinteto “Le Donne Nobile” e, em dezembro, a apresentação dos Meninos Cantores da Catedral São Luiz de Novo Hamburgo encerra a programação.

Funcionando em um casarão histórico, erguido em 1890 – que chegou a abrigar o primeiro hospital da cidade de Novo Hamburgo, um salão de baile e uma sociedade -, a Fundação Scheffel possui um acervo de mais de 380 obras. As peças contam a história de seu artista, desde os primeiros trabalhos de formação, estudos, pinturas que foram expostas em salões de arte no país e fora dele, e obras criadas no período em que viveu na Itália. Há desenhos e esculturas, mas a maior parte do acervo é composto por pinturas de diferentes técnicas, com destaque para as de grandes proporções. “Algumas telas estão inclusive inacabadas. Scheffel tinha obras permanentes que ele aproveitava para pintar quando estava no Brasil”, destaca Angelo, que trabalhou ao lado do pintor por 25 anos e preservou cada detalhe de importância para o artista, como seu pequeno jardim, hoje exposto entre as obras.

Há quatro anos o museu deixou de funcionar aos finais de semana, mas a expectativa é que em breve o local volte a abrir aos sábados e domingos. “Estamos tendo o apoio da Secretaria Municipal de Cultura para tornar isso possível. Antes iremos reabrir o andar térreo do prédio, que sofreu danos estruturais e de infiltrações devido o tráfego que caminhões que era permitido até pouco tempo aqui no bairro histórico”, explica Angelo.

O valor sugerido para ingressar no museu é de R$ 5,00. “Mas caso a pessoa venha desprevenida é possível entrar sem pagar. Também recebemos grupos maiores e de alunos das redes de ensino municipais, que não pagam”, afirma ele, destacando que outra novidade que está sendo preparada é o funcionamento de um prédio anexo ao museu, na casa Nicolau Schmitt, para que sejam expostas as obras de Scheffel que nunca estiveram à mostra. Mais informações podem ser obtidas pelo (51) 3593-6233.

Por Stephany Sander

Fonte original da notícia: Correio do Povo




Porto Alegre (RS) – Da resistência à ditadura ao palco da arte de rua: veja a Esquina Democrática através de cinco olhares

Há exatos 20 anos, cruzamento da Rua dos Andradas com a Avenida Borges de Medeiros era tombado.

Foto: Montagem sobre fotos Félix Zucco, Daniel de Andrade e Mauro / Agência RBS / Agência RBS

A democracia e a cidadania têm endereço fixo na Capital, na ponta da língua de qualquer porto-alegrense: Rua dos Andradas com Avenida Borges de Medeiros. Forjada durante as lutas contra a ditadura militar, a Esquina Democrática é patrimônio cultural de Porto Alegre há exatos 20 anos, além do ganha-pão de vendedores, autônomos e artistas de rua que aproveitam o movimento frenético de pedestres no Centro Histórico.

Tombada em 17 de setembro de 1997 — medida que condiciona à avaliação do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico Cultural (Compahc) e da Equipe do Patrimônio Histórico Cultural (Epahc) modificações na área —, a Esquina Democrática foi eleita pelo povo para seus encontros e manifestações públicas há pelo menos 40 anos. O deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) lembra que o ponto foi utilizado por Glênio Peres e Marcos Klassmann, vereadores cassados em razão do Ato Institucional 5 (AI-5) em 1977.

— Eles não tinham mais mandato e transferiram suas tribunas para lá. A minha tese é de que criaram a Esquina Democrática — conta.

Ainda estudante de Direito, Ruas ia vê-los discursar duas ou três vezes por semana, nos cantos do cruzamento ou no meio da via mesmo — que na época ainda era aberta para trânsito de veículos:

— Era tenso, era um período brabo da ditadura ainda. Mas uma pessoa protegia a outra.

A importância da Esquina Democrática aumentou no movimento Diretas Já. Deputado federal que apresentou, em 1983, a emenda constitucional que tentava restabelecer as eleições diretas para a Presidência da República, Dante de Oliveira também discursou no cruzamento, dias antes da votação da proposta.

Se hoje os protestos são organizados pelo Facebook, na época, eram os panfletos que convocavam os manifestantes. Grupos iam com cartazes, bandeiras do Brasil, camisetas verde-amarelas. Justamente nesse período, a esquina teria recebido o nome pelo qual é conhecida. Jussara Cony (PC do B), que era vereadora na época, reivindica a autoria.

— Pedi um caixote para as floristas, peguei o megafone e me veio: “Essa é a esquina democrática de Porto Alegre”. E é mesmo, é uma esquina onde as lutas acontecem — relembra ela, acrescentando que a imprensa adotou a expressão.

A redemocratização não tardou a acontecer, e a esquina consagrou-se como epicentro na busca por votos. Nas campanhas, a Justiça Eleitoral precisa realizar sorteios para organizar a utilização do espaço.

A esquina foi também adotada por sindicalistas, feministas, protetores de animais, defensores de pautas LGBT, jovens contrários ao aumento da passagem e quem mais tem uma causa pela qual vale lutar.

— É um espaço fundamental do exercício da cidadania, é onde as pessoas se reúnem para dar sua opinião — diz Jair Krische, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH). — Acho que tem de ser utilizado nos 365 dias do ano, em todo e qualquer tipo de manifestação.

Clique e veja os cinco olhares:

Abraham, o anjo da arte de rua 

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Ana Paula, a observadora do alto

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Francisco, o engraxate do cruzamento

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Jaci, o dono da banca de revistas

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Jair Krischke, o militante por democracia

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Por Jéssica Rebeca Weber

Fonte original da notícia: Zero Hora




Restauro da Estação Férrea de Farroupilha (RS) depende de captação por leis de incentivo

CDL venceu nova licitação para obras, mas utilizará recursos próprios apenas para construção de sede própria.

Projeto envolve construção de dois prédios na área e restauro da antiga Estação Férrea. Foto: Chroma Studio /Divulgação, CDL

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Farroupilha venceu novamente a licitação para a revitalização da área da antiga Estação Férrea. O contrato será assinado pela entidade nesta quinta-feira (14). Até o final do ano, a previsão é que a sede da CDL seja transferida para um prédio que está em construção nesta região e, inicialmente, serviria provisoriamente para receber os serviços da entidade. Como o contrato da primeira licitação foi rompido, o projeto foi revisto.

A mudança na licitação, com a inclusão da possibilidade de captar recursos por meio de leis de incentivo à cultura dos governos federal e estadual, fez com que a CDL se interessasse no processo e apresentasse a proposta vencedora. Além da sede que terá investimento de R$ 200 mil com recursos próprios da entidade, está previsto outro prédio com dois andares destinado a atividades culturais e o restauro da antiga Estação Férrea. O custo avaliado é de R$ 3 milhões.

Conforme o presidente da CDL, Jones Paviani, a União já autorizou a captação de R$ 2 milhões. Com o novo contrato em mãos, a ideia é buscar o Estado para garantir o restante e, então, iniciar o contato com as empresas que podem destinar parte dos impostos. Com a revitalização, a antiga Estação receberá um bistrô, uma biblioteca, um centro de informações e um centro de memórias. Esta primeira etapa contempla também o paisagismo do entorno, com cercamento e instalação de bancos e lixeiras, por exemplo.

A segunda fase, orçada em R$ 2 milhões, envolve a reforma de um pavilhão que fica atrás da Estação Férrea, onde ocorrem feiras do agricultor. A ideia é transformar o ponto em um centro de eventos.

Localizada na região central de Farroupilha, a área é ponto de drogadição e prostituição, especialmente à noite. Paviani avalia que com o início da ocupação do espaço pela CDL, essa característica mudará:

– Mesmo que a reforma completa não ocorra agora, nós vamos tentar melhorar lá.

O primeiro contrato entre a prefeitura e a CDL para revitalização da área foi assinado em 2015 com previsão de início de obras ainda naquele ano, mas o trabalho não avançou por causa de mudanças na diretoria da entidade e revisão do projeto.

Por Flávia Noal

Fonte original da notícia: Rádio Gaúcha




Porto Alegre (RS) – Justiça nega por liminar reabertura da exposição Queermuseu no Santander Cultural

Ação popular, movida por advogado de Pelotas, solicitou a reabertura alegando gasto público. A exposição foi financiada por recursos de renúncia fiscal, através da Lei Rouanet.

Exposição Queermuseu contava com 90 obras, de 270 artistas nacionais, abriu em 15 de agosto e iria até 8 de outubro. Foto: Marcelo Liotti Junio/Divulgação

A Justiça Federal negou ação popular que pedia a reabertura da exposição Queermuseu, encerrada por decisão do Santander Cultural, em Porto Alegre, após pressão e críticas incitadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O despacho saiu na última quarta-feira (13), assinado pela juíza Thaís Helena Della Giustina, foi expedido pela 8ª Vara Federal de Porto Alegre, em caráter liminar.

O autor da ação foi o advogado e professor pelotense Gustavo Kratz Gazalle. Uma de suas alegações é o gasto de dinheiro público ocasionado pelo cancelamento. “Me senti tolhido ao não poder ver uma exposição que foi financiada pela Lei Rouanet”, afirma Gazalle. A exposição Queermuseu foi financiada através de renúncia fiscal, via Lei Rouanet.

Segundo dados disponibilizados na internet pelo Ministério da Cultura, o projeto captou R$ 850.560 mil. Foram três empresas incentivadoras, sendo duas delas ligadas ao banco Santander, e a terceira, uma outra instituição financeira.

O autor da ação vai recorrer da decisão na próxima sexta-feira (15). Gazalle formulou o pedido por conta própria e alega motivações pessoais. Como não reside em Porto Alegre, o advogado havia programado uma visita ao museu na próxima semana.

No entendimento da juíza, porém, possíveis prejuízos ainda deverão ser calculados. “Eventual prejuízo ao erário causado pelo ato impugnado somente poderá ser constatado após a referida avaliação dos resultados, que certamente haverá pelo órgão competente, na qual se definirá a possibilidade de dedução, parcial ou não, ou mesmo impossibilidade de dedução do Imposto de Renda devido pelas pessoas jurídicas incentivadoras das quantias doadas para a mostra cancelada a destempo”, informa a decisão.

Uma prestação de contas parcial, para avaliar a extensão dos impactos gerados pelo cancelamento da exposição, foi solicitada pelo Ministério da Cultura, complementa o texto.

E, além disso, a liminar ainda pontua que não há elementos que indiquem algum tipo de dano, ou ameaça, ao patrimônio cultural, pois as obras permanecem íntegras.

Gustavo discorda. “O patrimônio não é constituído só de obras individuais. O conjunto delas também é um patrimônio, imaterial”, analisa. A exposição, no todo e constituída como foi, é um patrimônio que foi prejudicado pelo cancelamento, no entendimento do autor da ação.

Ele ainda viu, no cancelamento, uma ameaça à Constituição, especificamente o quarto incisivo do terceiro artigo da constituição brasileira: “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Isso porque Gustavo entende que a ação foi motivada por ideias preconceituosas por parte de quem condenou algumas das 270 obras que integravam a mostra.

Censura

“Eu não vi a exposição. A decisão do banco, principalmente pela motivação de ceder pressão de um discurso obscurantista, não é condizente com o estado de direito”, afirma Gustavo. “A temática sexual é uma temática humana, da arte, não pode haver censura. As pessoas podem gostar ou não gostar, mas não censurar”.

A juíza, por outro lado, não vê ameaça à liberdade de expressão no cancelamento. “[a liberdade de expressão] Enquanto direito fundamental, tem caráter de pretensão a que o Estado não exerça a censura, compreendida como ação governamental, de ordem prévia, centrada sob o conteúdo de uma mensagem”, conforme texto da decisão. “Não cabe a este juízo avaliar os fatores que levaram ao fechamento prematuro da exposição, pois constituiria em ingerência indevida em ato de gestão da instituição financeira”, pontua a liminar.

O cancelamento

A exposição Queermuseu, sediada no Santander Cultural, no Centro de Porto Alegre, entrou em cartaz no dia 15 de agosto e ficaria até o dia 8 de outubro, mas foi encerrada no último domingo (10). A mostra foi acusada por integrantes do MBL de pedofilia, zoofilia e ainda promover a sexualização de crianças. Em comunicado no Facebook, a instituição afirmou que “o objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes (…) e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia”.

Fonte original da notícia: G1 RS