Santo Ângelo (RS) – 3º Encontro Missioneiro de Cultura debaterá Patrimônio Cultural

O 3º Encontro Missioneiro de Estudos Interdisciplinares em Cultura (EMiCult) vai ocorrer entre os dias 23 e 24 de agosto, em Santo Ângelo, nas dependências da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).

Com o objetivo de promover a pesquisa e o intercâmbio entre os pesquisadores, professores, alunos e agentes culturais e fomentar a reflexão sobre as atividades culturais no contexto regional, a programação do 3º EMiCult incluirá painéis e debates sobre o tema principal: “Onde está o nosso Patrimônio Cultural?”. Além disso, estão previstas apresentações de trabalhos em seis grupos (GTs): GT 01 – Gestão, economia e políticas culturais; GT 02 – História, patrimônio e arquitetura; GT 03 – Comunicação e indústria criativa; GT 04 – Educação e arte; GT 05 – Gastronomia, turismo e sustentabilidade; e GT 06 – Direito, cidadania e cultura.

Neste ano o EMiCult receberá apenas trabalhos completos em duas modalidades: artigos científicos e relatos de experiência. O período de submissão dos trabalhos está aberto até o dia 12 de junho no site www.omicult.org/emicult. Os trabalhos apresentados durante o evento serão compilados em forma de Anais, que ficarão disponíveis gratuitamente no site do evento.

Paralelo ao 3º EMiCult ocorre a 1ª Mostra Audiovisual EMiCult. De caráter educativo e competitivo, a mostra nasce com o interesse de ser um espaço cultural para a troca de experiências entre produtores audiovisuais, cineastas, acadêmicos, professores e demais artistas que buscam registrar a realidade cultural a partir da temática ?Patrimônio cultural?. As inscrições também podem ser realizadas no site do 3º EMiCult. Serão selecionados e premiados dois conteúdos de cada uma das seguintes categorias: Documentário; Curta-metragem ficcional; e Reportagem jornalística, os quais serão exibidos na Mesa do Audiovisual, que acontece concomitante as atividades dos grupos de trabalho.

Ainda durante o 3º EMiCult será realizada a 2ª Mostra Científica, promovida pelo Observatório Missioneiro de Atividades Criativas e Culturais (OMiCult),  que busca valorizar e premiar os melhores trabalhos científicos apresentados em cada um dos seis Grupos de Trabalho (GT) do evento. Participam automaticamente todos os trabalhos da categoria Artigo Científico, organizada de acordo as temáticas dos GTs, mais a categoria “Destaque Missões”, na qual participarão todos os trabalhos (artigos científicos e relatos de experiência), em que o estudo tenha como temática central a região das Missões.

Em 2016 o evento realizado na URI – São Luiz Gonzaga recebeu mais de duzentos trabalhos, e contou com a coordenação geral da professora Sônia Bressan Vieira, que nesta terceira edição estará coordenando o GT de Educação e Arte.

O EMiCult é resultado da atuação OMiCult e se consolida como um evento interinstitucional ao integrar os seguintes centros de pesquisa: Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Indústria Criativa – Unipampa -São Borja; Programa de Pós-Graduação em Direito, Programa de Pós-Graduação em Gestão Estratégica das Organizações e Centro da Cultura Missioneira – URI – Santo Ângelo; URI São Luiz Gonzaga; Universidade Federal da Fronteira Sul – Cerro Largo; Instituto Federal Farroupilha – São Borja e Santo Ângelo.

Para saber mais acesse o site www.omicult.org/emicult, a página no Facebook facebook.com/emicultrs ou entre em contato pelo e-mail: encontroemicult@gmail.com

Acompanhe o cronograma do 3º EMiCult:

Período para submissão trabalhos: 06/04 a 12/06

Divulgação dos trabalhos aprovados: 12/07

Período de inscrição: 06/04 a 08/08

Prazo para pagamento da inscrição: 11/08

Pagamento da inscrição para ouvintes: até 17/08

3º EMiCult: 23 e 24/08

Valores das inscrições:

Apresentador de trabalho da rede de instituições parceiras (URI, IFFAR, UNIPAMPA, UFFS) -R$25,00

Apresentador de trabalho de outras IES ou demais apresentadores – R$30,00

Participante ouvinte – R$25,00

Fonte original da notícia: Rádio Missioneira




Porto Alegre (RS) – MP instaura inquéritos e ações contra a extinção de patrimônio da Fundação Zoobotânica

Foto: Guilherme Santos/Sul21

O Ministério Público do Rio Grande do Sul já instaurou um conjunto de inquéritos e ações contestando a eliminação de patrimônio público material e imaterial decorrente da proposta do governo José Ivo Sartori (PMDB) de extinguir a Fundação Zoobotânica. Essas iniciativas contestam, entre outras coisas, a extinção do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais, além de apontar as ameaças que pairam sobre o Parque Zoológico e o Horto Florestal, localizados no município de Sapucaia. Um resumo das mesmas foi apresentado, na noite desta segunda-feira (24) pelas promotoras Ana Maria Moreira Marchesan e Annelise Monteiro Steigleder, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, na audiência pública realizada na Assembleia Legislativa sobre o futuro do do patrimônio material e imaterial proveniente da extinção da Fundação Zoobotânica, concessão do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul e o desmembramento do Horto Florestal.

A audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, presidida pelo deputado Altemir Tortelli (PT), foi proposta pela deputada Regina Becker Fortunati (Rede) e reuniu servidores das instituições ameaçadas de extinção, ambientalistas, representantes do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Pericias, Informações e Pesquisa e de Fundações Estaduais (Semapi-RS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entre outras entidades.

A promotora Ana Maria Moreira Marchesan lembrou que as principais ações que o Ministério Público ajuizou até hoje na área ambiental foram embasadas em estudos que a Fundação Zoobotânica realizou baseados em pesquisas científicas qualificadas. “Por isso, instauramos inquéritos para tratar desses assuntos. O Ministério Público ajuizou uma ação contra a extinção do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais, pois essas instituições contêm patrimônio material e imaterial inestimável que pertencem a toda a sociedade. Pedimos liminarmente que seja vedada a demissão de servidores dessas instituições bem como a alienação das áreas onde estão instaladas. Essa ação foi ajuizada em fevereiro, com pedido de urgência, mas ainda não tivemos um despacho por parte do Tribunal de Justiça”, relatou a promotora.

Annelise Steigleder advertiu, por sua vez, que todas as atividades que envolvem pesquisa e conhecimento no Estado do Rio Grande do Sul tendem a desaparecer, a partir da proposta do governo Sartori de extinguir as fundações dessas áreas. Hoje, acrescentou, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente não tem estrutura nem pessoal para assumir o trabalho realizado pela Fundação Zoobotância. Alem disso, há problemas legais que impedem a secretaria de captar recursos para pesquisa, como faz a fundação. A promotora revelou que foram instaurados dois outros inquéritos para investigar a situação do Horto Florestal e do Parque Zoológico.

No caso do Zoológico, assinalou, o governo do Estado assinou um contrato com a empresa de consultoria KPMG, especializada em modelagem de parcerias público-privadas, para formatar um projeto de privatização do Zôo de Sapucaia e de PPPs envolvendo duas rodovias. Além das iniciativas da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público examinará a lisura desse contrato, anunciou Steigleder. “Uma das preocupações que temos, no caso do Parque Zoológico ser privatizado, é com o bem estar dos animais”, observou. No caso do Horto Florestal, a promotora lembrou que essa área localizada entre os municípios de Sapucaia e São Leopoldo vem sendo palco de muitos conflitos fundiários. “Esse espaço precisa ser mantido como unidade de preservação ambiental. A ideia do MP é judicializar essa questão também para que não percamos o Horto Florestal”, acrescentou a promotora, lembrando que a proposta de modelagem cogitada pelo governo Sartori prevê que o Zoológico fique com apenas 156 hectares de área.

A deputada Regina Becker Fortunati também manifestou preocupação com a ausência de informações, por parte do governo estadual, a respeito do futuro da Fundação Zoobotânica e das instituições de pesquisa ligadas a ela. Para a parlamentar, a falta de transparência envolvendo o futuro da fundação e de seus órgãos de pesquisa também envolve a consultoria contratada pelo governo Sartori com dois objetos completamente diferentes: o futuro do Zoológico e projetos de ruas rodovias. Segundo o contrato firmado pelo governo com a KPMG, o resultado dessa consultoria deverá ser entregue em um prazo de 15 meses, mas não recebemos outras informações sobre os estudos que estão sendo feitos”, afirmou.

Glaysson Bencke, pesquisador do Museu de Ciências Naturais, da Fundação Zoobotânica, relatou que os funcionários da instituição seguem realizando seu trabalho, apesar de enfrentarem condições muito adversas, com situações de assedio moral, como a substituição de chefias e representações técnicas por CCs e a imposição de um horário único sem qualquer negociação com os servidores. . “A Fundação Zoobotânica passa pelo período mais difícil da sua história. Desde o dia 17 de janeiro, está autorizada a extinção da FzB e de outras fundações. A extinção e as demissões só não aconteceram ainda por conta das liminares que exigiram que o governo instaurasse um processo de negociação coletiva com os servidores. O risco que enfrentamos não é só o da extinção de empregos dos servidores, mas sim de trabalhos de pesquisa, de serviços prestados e do patrimônio material e imaterial insubstituível que pertence a toda a população do Estado”, afirmou.

Bencke manifestou preocupação também com o fato de a Secretaria Estadual do Meio Ambiente ter solicitado o desmembramento das matrículas do Horto Florestal e do Parque Zoológico, bem como com as ameaças que pairam sobre a área do Jardim Botânico. “Um pedaço do muro que cerca o terreno do Jardim Botânico caiu e não foi consertado até hoje, propiciando chance de novas invasões. O Jardim Botânico já perdeu várias áreas que foram cedidas para outras instituições”, lembrou. O pesquisador chamou atenção ainda para o fato de a lei que declara o Jardim Botânico patrimônio cultural não estar ligada a nenhuma matrícula de imóvel específica.

“O governo já recuou na questão das demissões, admitindo que o número de servidores que poderá ser demitido é menor do que o previsto inicialmente, o que reforça ainda mais o caráter falacioso do argumento da economia que poderia ser gerada com a extinção da fundação, cujo orçamento representa apenas 0,04% do orçamento estadual. Além disso, a fundação captou nos últimos 20 anos cerca de 150 milhões de dólares para o Estado. Esse valor seria suficiente para manter a fundação por 25 anos”, destacou Bencke.

Por Marco Weissheimer

Fonte original da notícia: Sul21




Porto Alegre (RS) – Museu Julio de Castilhos é interditado e prédio ganha um brechó

Tratado com desleixo por sucessivos governos, museu mais antigo do Estado padece com inundações a cada chuva.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Único museu público sobre a história do Rio Grande do Sul, o Julio de Castilhos se afirma como símbolo de decadência do patrimônio cultural gaúcho. Está fechado desde janeiro – e você talvez nem tenha notado, o que já é sintomático.

Sem manutenção preventiva, tratado com desleixo por sucessivos governos, o museu mais antigo do Estado acabou interditado porque qualquer chuva inundava tudo. Virou um elefante branco combalido por paredes descascadas, piso escangalhado, infiltrações e problemas elétricos.

A entrada exibe hoje um manequim de loja e uma faixa de plástico onde se lê “Brechó do Julio”. Quem teve a ideia da lojinha foi a Associação de Amigos do Museu, que conta com 11 sócios bem-intencionados atrás de recursos até para trocar lâmpada, coisa que o Estado não faz.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

– O brechó é uma forma de combater um descaso crônico e muito antigo – justifica o presidente da associação, Thiago Araújo.

Membro do Conselho Internacional de Museus, o professor de escultura José Francisco Alves, do Atelier Livre, diz que o anúncio do brechó na entrada “é patético, mas também profético”:

– O Julio de Castilhos sempre pareceu um brechó. Tinha roupa com traça, aquelas espadas caindo na vitrine, tudo malcuidado. No fim, é o que Porto Alegre tem para oferecer na área cultural: um brechó.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

José Francisco lembra que o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa também foi interditado. O Museu Antropológico, que mostraria as origens do gaúcho, segue com o acervo encaixotado. O Museu dos Direitos Humanos do Mercosul foi inaugurado em 2014 e depois sumiu. O Memorial do Rio Grande do Sul é outro que sofre com abandono.

Sobre o Museu Julio de Castilhos, a Secretaria de Estado da Cultura prevê sua reabertura até a metade de abril. Por enquanto, nos resta uma visita ao Brechó do Julio.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Por Paulo Germano

Fonte original da notícia: Zero Hora




Cemitério Israelita de Quatro Irmãos (RS) comemora 20 anos como Patrimônio Histórico

Fotos: Divulgação FIRS/Salus Loch

Fotos: Divulgação FIRS/Salus Loch

No fim do século 19 e começo do século 20, a maior parte do ishuv (comunidade judaica mundial) vivia nos limites do império tzarista, em áreas próprias para este fim. A opressão e o isolamento sob o jugo russo, porém, eram cruéis. A liberdade fora substituída por sofrimento, violência e medo. Como lembra Moacyr Scliar no prefácio do livro ‘Numa Manhã Clara de Abril’, de Marcos Iolovitch, inúmeros eram os obstáculos para que os judeus, confinados em aldeias, trabalhassem a terra, frequentassem as universidades e exercessem a cidadania.

O sonho de uma vida melhor, no entanto, jamais desaparecera. Para muitos, ele se concretizou de duas formas: pela aliá (imigração judaica) à terra de Israel, e pela emigração para o Novo Mundo. Os que optaram pelo Novo Mundo, patrocinados pela Jewish Colonization Association (ICA), começaram a aportar na América do Sul via Argentina no fim do século 19. Mais tarde, duas novas levas foram dirigidas ao Brasil, nas Colônias de Philippson, região de Santa Maria, em 1904; e Quatro Irmãos, região de Erechim, nos anos de 1911, 12 e 13.

A memória dos desbravadores desta última colônia, a de Quatro Irmãos, resta, mais de 100 anos depois da chegada dos primeiros emigrantes, representada por dois importantes símbolos: o antigo hospital, transformado em casa de cultura e memorial da imigração judaica (revitalizado em 2012, graças à participação da Federação Israelita do RS); e o cemitério israelita, que comemora em maio de 2017 os 20 anos de seu tombamento como patrimônio histórico, numa iniciativa liderada pelo então vereador erechinense, Valdemar Artur Loch. À época (1997), Quatro Irmãos – hoje município – era um Distrito de Erechim. É deste cemitério que vamos falar um pouco mais, a partir de agora.

Serenidade em meio aos eucaliptos

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Os Eucaliptos que ornamentam o entorno do Cemitério Israelita de Quatro Irmãos emprestam um ar sereno e de beleza cênica ao espaço fundado em 1913, conforme aponta Samuel Chwartzmann, em seu livro ‘Memórias de Quatro Irmãos’.

A conservação da área, sob os cuidados da Sociedade Israelita de Erechim, é mantida com a participação das famílias que lá têm seus entes queridos e também graças a duas áreas de terra doadas pela ICA para este finalidade, ainda na década de 1960; uma em frente ao cemitério, onde foi construída uma moradia de zelador; e a outra, num total de dois alqueires (cerca de 5 hectares), localizada na comunidade de Rio Padre, que rende dividendos a partir do seu arrendamento, ajudando no custeio do cemitério.

Já o poder público de Quatro Irmãos, de acordo com o prefeito Adílson De Valle, presta assistência sempre que necessário, especialmente, na manutenção da estrada que leva ao cemitério, localizado no alto de uma coxilha, e na reparação de túmulos eventualmente marcados pelo tempo ou por ações de vândalos.

No Cemitério de Quatro Irmãos estariam enterrados 84 homens, 71 mulheres e 17 crianças e outros (172 pessoas, no total), conforme levantamento realizado por Samuel Chwartzmann. O número, no entanto, diverge ligeiramente do trabalho realizado por Marcos Feldman, autor que também escreveu a respeito da colonização. De acordo com Feldman, em seu livro ‘Memórias da Colônia de Quatro Irmãos’, o total de homens seria de 82, já as mulheres seriam 72, e as crianças e outros 17 (171 pessoas, no total). Tanto Chwartzmann quanto Feldman moraram em Quatro Irmãos com suas famílias. Feldman tem parentes lá enterrados.

A diferença de dados parece ser explicada pelo fato de que, conforme a própria obra de Samuel Chwartzmann, ao longo dos anos alguns túmulos deixaram de existir, sendo que outros tantos estão com as inscrições, feitas em idisch, apagadas. Algumas lápides, aliás, não possuem sobrenomes – dificultando a identificação.

De Quatro Irmãos para o mundo

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Para Maurício Agranionik, presidente da Sociedade Israelita de Erechim – e que responde pelos cuidados do cemitério há quase duas décadas – a preservação do espaço é vital para manter vivo o legado daqueles pioneiros que foram os responsáveis pela expansão e distribuição dos judeus por todo o Rio Grande do Sul e, também, pelo País. Muitos, ainda, ganharam o mundo – inclusive migrando para Israel.

Produtor rural bem sucedido, Agranionik, que tem os avós enterrados no cemitério, é um dos poucos descendentes de imigrantes que segue com atividades na região. Aos 86 anos, porém, ele não pensa em se afastar das lides do campo – para as quais conta com a presença constante do filho, Hércio. Agranionik, de igual sorte, não foge à responsabilidade para com a comunidade judaica de Erechim, nem tampouco com o cemitério. O sentimento é dividido com a esposa, Helena, e o próprio Hércio, que ajudam Maurício no processo constante de mobilização dos patrícios.

O grupo abnegado, ou Chevra Kadisha

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Conforme Samuel Chwartzmann, em sua obra ‘Memórias de Quatro Irmãos’, havia uma associação ligada diretamente ao cemitério de Quatro Irmãos. Era a Chevra Kadisha, composta por cerca de 20 a 30 homens e mulheres que, de forma voluntária, tinha o trabalho de preparar o morto e levá-lo à sua última morada. A sociedade era dirigida por duas pessoas: um gabe Rishon (1º presidente) e um gabe sheini (2º presidente), a quem todos os demais deviam obediência.

Quando morria alguém, conta Chwartzmann, o gabe destacava as tarefas: tantas pessoas para fazer o caixão, pois não havia prontos; tantas para costurar a mortalha e outras para lavar e vestir o morto. Geralmente, quatro pessoas abriram a cova. Tal trabalho era feito, obrigatoriamente, por judeus e não havia qualquer remuneração.

A existência da Chevra Kadisha, todavia, não tinha como única finalidade ajudar aos mortos. Quando uma pessoa adoecia por longo tempo, e a família estava exaurida de passar noites em claro, o gabe reunia os membros da sociedade e destacava dois membros para substituir a família na tarefa. E lá passavam em sistema de revezamento o tempo suficiente, esperando a cura ou a morte do adoentado. Essas são as razões para que esse grupo, que havia em todas as vilas, povoados e cidades, fosse chamado de grupo ‘santo’ ou ‘abnegado’. A única contribuição que esperavam era receber o mesmo tratamento quando chegasse a sua vez de morrer ou quando ficassem doentes.

Relação das famílias enterradas

O cemitério de Quatro Irmãos tem delimitações de espaço próprias para homens, mulheres (cada um com quatro quadras) e crianças. A seguir, segue a relação das famílias que têm um ou mais entes lá enterrados: Abramovitch; Agranionik; Arenzon; Antevi; Bacaltchuk; Barenchtein; Baron; Baruch; Bereziniak; Berger; Berlin; Betem; Blechierene; Blovchtein; Boianovski; Brochman; Bujanski; Cachanovitch; Chaper; Charchadt; Davidson; Dikler; Exman; Faerman; Faiguenboim; Faingluz; Feder; Feldman; Feler; Fialcoff; Fippson; Fischman; Flaks; Frenkel; Gazul; Gitz; Guendz; Golkin; Grimblat; Grobopatil; Gudis; Guilherme; Heker; Huberman; Iochelovitch; Ioschpe; Kanfeld; Kantor; Kautz; Kives; Kogan; Kohan; Kohen; Kosminski; Kotlarenko; Kreitchman; Kreitzman; Krigel; Krost; Lavinski; Lechtman; Leibovitch; Leitchik; Lerner; Liberman; Lichtenstein; Litvin; Maguilnik; Matone; Matune; Melnick; Moscovitch; Muller; Nagelstein; Naiberg; Perelman; Peretchinski; Pinski; Prikladnitzki; Precladnitzki; Press; Rabecov; Rabin; Raskin; Roizman; Rosenberg; Rudnitzki; Scarsinski; Scherir; Schmidt; Schpilkis; Schpitzkovski; Schrir; Schukster; Schwartz; Schwartzman; Schwer; Sirotski; Starosta; Tabatchinik; Tavejnianski; Tcherniacovski; Utchitil; Wainer; Wainstein; Wiuniski; Zatz; Zelter.

Fontes: ‘Memórias da Colônia de Quatro Irmãos’, de Marcos Feldman; e ‘Memórias de Quatro Irmãos’, de Samuel Chwartzmann.

Curiosidades

# Recentemente, a Sociedade Israelita de Erechim fez uso da tecnologia para revigorar o cemitério de Quatro Irmãos. Um site foi utilizado pela entidade a fim de receber recursos para garantir as melhorias necessárias. A iniciativa deu certo, e ajudou a manter limpo e organizado o espaço.

# O registro dos últimos enterros realizados no cemitério israelita data de 1979, anos após o fim das cerimônias no local. Os dois últimos corpos lá enterrados são de: Gregório Maguilnik e Nechame Iovchelovitch.

# A iluminação na vila de Quatro Irmãos, até a década de 30, era feita com o uso de lampiões. Nesta época, no entanto, seria instalado o primeiro gerador de eletricidade no moinho de Jayme Melnick, aproveitando-se de uma queda da água. A história é contada por Marcos Feldman, em sua obra ‘Memórias da Colônia de Quatro Irmãos’.

# A Revolução de 1923 causou estragos profundos à colônia de Quatro Irmãos. Mortes e abandonos de terra foram registrados no período do conflito entre ‘Chimangos x Maragatos’ e, também, nos anos seguintes. Muitas famílias deixaram tudo para trás, e jamais retornaram à colônia, buscando vida nova em cidades como Erechim, Passo Fundo e Porto Alegre.

Fonte original da notícia: JBV Online




Ivoti (RS) – Casa do Núcleo Enxaimel pode desabar a qualquer hora

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O que parece uma história do imaginário popular, quando afirmam que se tirar os cupins a casa cai, torna-se realidade na casa das janelas amarelas do Núcleo de Casas Enxaimel. A estrutura pode desabar se tiver muito movimento no seu interior.

Ela é uma das sete casas tombadas pelo município pela lei 069/2004, e que faz parte do entorno da Ponte do Imperador, tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1986.

Apesar de ser tombada e atrair turistas, a estrutura não foi valorizada. Nos últimos anos, ela virou depósito de materiais de limpeza, restos de tábuas, placas de trânsito e até carrinhos de mão, entre outros objetos.

Segundo o morador de Ivoti, doutorando em História, Cristiano de Brum, que realizou em 2016 um levantamento das edificações em estilo enxaimel na área urbana, a casa é importante não só para Ivoti, mas para todo o Brasil. “Ela está inclusa na proteção que o IPHAN concedeu. A casa é de meados do século 19 e acho bacana essa preocupação do município em realizar o seu restauro. Infelizmente ficou nesse estado pelo seu mau uso e pelas constantes enchentes que enfrentou”.

O que será feito

Preocupadas com a situação, a administração de Ivoti foi em busca de recursos para restaurar a casa. O projeto terá um custo superior a R$ 100 mil.

A prefeita Maria de Lourdes Bauermann, a diretora de Turismo Madalena Petry e a engenheira Kelly Lemes da Silva estiveram com o cônsul alemão Stefan Traumann para pedir auxílio financeiro.

A ideia é conseguir parcerias e captar recursos para a casa e para a cabeceira da Ponte do Imperador, que também precisa de um reboco novo, já que o atual está caindo.

“Temos esse vínculo por sermos berço da colonização alemã e ainda temos como coirmã a cidade de Rottenbuch, e fizemos um pedido de recursos via consulado devido a esse vínculo”, explica Madalena.

Por Candido Nascimento

Fonte original da notícia: O Diário da Encosta da Serra




Porto Alegre (RS) – Proposta prevê o tombamento da sede do Jardim Botânico

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Está em tramitação, na Câmara Municipal de Porto Alegre, o projeto do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) que propõe o tombamento do imóvel onde está a sede do Jardim Botânico, localizado na Rua Dr. Salvador França, 1.427, em Porto Alegre.  Com o tombamento, se aprovado o projeto, o imóvel passará a integrar o Patrimônio Cultural e Histórico do Município de Porto Alegre, ficando vedadas alterações que o modifiquem ou descaracterizem. Pela proposta, fica permitida a exploração comercial do imóvel tombado, sendo proibida a utilização de verbas públicas para o fim do tombamento, “exceto as já previstas em lei ou as que sejam objeto de convênio específico”.

Ao justificar a proposta, Sgarbossa destaca que o Jardim Botânico, aberto ao público desde o dia 10 de setembro de 1958, é considerado um dos cinco maiores jardins botânicos brasileiros, possuindo um acervo significativo da flora regional. Em 2003, tornou-se também patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul. “Com a missão de realizar a conservação integrada da flora nativa e dos ecossistemas regionais, tornando-se um centro de referência para a pesquisa, a educação, a cultura e o lazer, contribuindo para a qualidade de vida, o Jardim Botânico possui uma área de 39 hectares, com 8 mil exemplares de 650 espécies da flora nativa do Estado.”

Para o vereador, o Jardim Botânico é um “importante pulmão verde da Capital”, sendo um dos locais mais aprazíveis da cidade, notabilizando-se pela guarda de significativas coleções científicas. Além do manejo, da manutenção e da ampliação das coleções vivas de plantas, diz Sgarbossa, o Jardim Botânico realiza pesquisas com plantas ameaçadas de extinção e diversas atividades educativas e culturais, buscando conscientizar a sociedade sobre a relação entre a conservação da flora e a qualidade de vida.

Fundação Zoobotânica

A primeira casa de vegetação foi inaugurada em 1º de maio de 1962, pelo então governador Leonel Brizola, para abrigar parte da coleção de cactos. Dez anos depois, por meio da Lei nº 6.497, de 20 de dezembro de 1972, foi instituída a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB/RS), com o objetivo de administrar e manter áreas destinadas à proteção e à conservação da flora e da fauna regionais. Em 1974, o Jardim Botânico foi transferido para a FZB/RS, para que fosse administrado de maneira integrada com outras áreas de conservação do Estado. A partir desse ano, estabeleceu-se o foco do trabalho nas plantas nativas do Rio Grande do Sul.

Em 1988, com um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), foi inaugurado o Núcleo de Educação Irmão Teodoro Luís, em homenagem ao primeiro administrador do Jardim Botânico, com o objetivo de qualificar o atendimento aos visitantes e o desenvolvimento de atividades educativas. A partir de 1997, foram construídas instalações para o banco de sementes e para as casas de vegetação para abrigar coleções de cactos, orquídeas e bromélias. Além disso, foram construídos prédios para o setor de apoio e para a administração do Núcleo de Educação Irmão Teodoro Luís.

Texto: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400) – Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)

Fonte original da notícia: Câmara Municipal de Porto Alegre




Ivoti (RS) – Muro da cabeceira da Ponte do Imperador deverá ser restaurado

Técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) visitaram o local.

Ponte de Imperador é local de visitação turística em Ivoti. Prefeitura de Ivoti/Divulgação

Ponte de Imperador é local de visitação turística em Ivoti. Prefeitura de Ivoti/Divulgação

A prefeita Maria de Lourdes Bauermann recebeu o arquiteto responsável pela preservação da Ponte do Imperador, Iran Fernando da Rosa, da Divisão Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A prefeita foi informada de que a Prefeitura foi notificada desde 2014 para a necessidade de restauro do muro da cabeceira.

O primeiro passo será a contratação de um diagnóstico do local, e, em seguida, do projeto de restauro, para então realizar a execução. “Temos um compromisso com a história local, mas também com o contexto nacional da imigração. Vamos aguardar as próximas etapas e buscar, inclusive, a parceria de entidades para viabilizar a completa restauração”, falou Maria.

A vistoria foi acompanhada pelo secretário de Obras Alcido Ratzinger, a arquiteta Carolina Barlem Gemelli, a engenheira Kelly Lemes da Silva, o funcionário João Carlos Thewes, a diretora de Turismo, Madalena Petry e a diretora de Cultura, Raiama Trenkel.

Casa interditada

Mesmo que somente a ponte seja tombada, o entorno também requer cuidados. Durante a visita, a prefeita manifestou o desejo de fazer a reconstrução do muro, bem como, de corrigir todo o reboco existente, já com partes em deterioração. Maria também mostrou uma das casas em estilo enxaimel onde vinha sendo usada como depósito. Ao longo dos últimos anos, a estrutura ficou abalada e, para garantir mais segurança e proteção ao patrimônio, deverá ser interditada nos próximos dias.

Por Assessoria de Imprensa/Prefeitura de Ivoti

Fonte original da notícia: Portal Martin Behrend




Será reinaugurada a Igreja São Domingos de Torres (RS), a segunda mais antiga do Litoral do Estado

Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade neste sábado. (Foto: Divulgação)

Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade neste sábado. (Foto: Divulgação)

A Igreja São Domingos de Torres, bem tombado pelo patrimônio histórico e precioso elemento da memória histórica e religiosa do Rio Grande do Sul, passou por um importante processo de restauro. Após sete anos de obras, a Igreja será entregue à comunidade do município do Litoral Norte gaúcho.

A reinauguração está agendada pra o dia 8 de abril de 2017, às 10h30min, na rua Padre Lamonaco, nº 2, Morro do Farol. E às 15h30min serão realizadas as palestras “Igreja São Domingos de Torres – a viabilização do projeto de restauração através das leis de incentivo à Cultura”, ministrada pelos gestores culturais Lucia Silber e Manuel Dias, da Lahtu Sensu Administração Cultural e “Primórdios da Capela e Matriz de São Domingos das Torres – 1815 – 1856” com o jornalista Nelson Adams Filho, Coordenador do Centro de Estudos da História de Torres e Região, e demais membros da entidade.

Marco

A edificação da Capela de São Domingos, iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824, constitui-se na primeira igreja construída no trecho litorâneo entre Laguna (SC) e Osório (RS), sendo a segunda mais antiga no litoral do Estado. Localizada no Morro do Farol, é o marco inicial do núcleo urbano de Torres, pois foi a partir da igreja que a cidade se desenvolveu.

A edificação da Capela de São Domingos foi iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824. (Foto: Divulgação)

A edificação da Capela de São Domingos foi iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824. (Foto: Divulgação)

Erguida por prisioneiros de guerra, guarani-cristãos castelhanos, a edificação é representativa da arquitetura luso-brasileira com trato barroco. O prédio e sua decoração interna têm um estilo eclético, com alguns traços neoclássicos e mesmo neogóticos. Sua única torre foi erguida em 1898 pelo Padre José Lamônaco.

Encontram-se, em sua lateral direita, as fundações da segunda torre, que não foi concluída. Junto à igreja, está localizada a Casa n°1, que recebeu o Imperador D.Pedro I em sua passagem pelo local.

Em 1983, a Igreja Matriz de São Domingos, passou a integrar o patrimônio cultural do Estado, através da Portaria de Tombamento n°5/83.

Restauro

Em 2004, foi elaborado o projeto arquitetônico de restauro, assinado pelo arquiteto Edegar Bittencourt da Luz. Em dezembro de 2010, o projeto foi aprovado junto ao Pronac e, em abril de 2011, junto à LIC-RS. Desde então, uma equipe multidisciplinar liderada pelo Bispo Dom Jaime Kohl, da Mitra de Osório, que investiu os recursos necessários para a elaboração dos projetos, tem se empenhado incansavelmente na captação dos valores que vêm viabilizando as obras.

Estas iniciaram em 2010, com recursos do Fundo Nacional de Cultura R$ 300.000,00 e contrapartida da Prefeitura Municipal de Torres (R$75.613,50) e Mitra Diocesana de Osório (R$ 59.559,98).

Seguindo, em 2013, com o financiamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio da lei de incentivo à cultura estadual, R$ 1.015.909,72, e do Governo Federal por meio da lei de incentivo à cultura nacional, R$ 819.450,55, patrocinados pelas empresas Tramontina (patrocinadora máster), Gerdau, CEEE, Banrisul, Randon, Casa Perini, Malharia Anselmi, entre outras.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O projeto tem execução da Arquium Construções e Restauro e gestão administrativa da Lahtu Sensu Administração Cultural. O custo total do projeto foi R$ 2.270.533,75.

Em 2008, a igreja foi interditada para o uso e visitação. Quando foi iniciada a restauração em 2010, o estado físico estava comprometido por infiltrações nas paredes e a torre e a fachada estavam num avançado grau de erosão pluvial e eólica.

Foram mantidos sua estrutura e estilo original. A equipe procedeu a colocação de reboco transpirável em cal e areia, além da requalificação dos elementos de vedação em esquadrias de madeira, restauradas ou novas. Além disso, a estrutura de forros e pisos foram substituídos por madeira de alta densidade.

Também foram restaurados os bens integrados (imagens de santos em madeira e mobiliário) além da pavimentação do adro e dos blocos de arenito em cantaria, com a pintura a base de cal. A etapa final da obra consistiu na dotação de infraestrutura de instalações hidráulicas, elétricas e proteção a incêndio e segurança, bem como na implantação do sistema de drenagem e escoamento das águas pluviais e de acessibilidade.

Dom Jaime comenta sobre a importância da preservação deste importante monumento histórico. “A revitalização da Igreja São Domingos vai restituir à comunidade do município e do Estado este valioso imóvel, referência da arquitetura neo-colonial brasileira. A comunidade torrense poderá voltar a frequentá-la para suas celebrações, e a visitação dos turistas será retomada.”

Fonte original da notícia: O Sul




Porto Alegre (RS) – Convênio garante 300 mil para o Museu da Comunicação Hipólito da Costa

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Com o objetivo recuperar equipamentos e acervo cinematográfico, a Associação dos Amigos do Museu Hipólito da Costa e representantes da Caixa Econômica Federal assinaram, na sexta-feira (31) um convênio de repasse de R$ 300 mil que servirão para qualificar o Museu da Comunicação.

Na ocasião, o secretário da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Estado, Victor Hugo, destacou a dedicação dos servidores do Hipólito, da Associação de Amigos e da Caixa Federal para a preservação da história. “Existe um ambiente de colaboração entre setores públicos e da sociedade civil que produz bons resultados para a cultura e para a memória”.

O ato da assinatura, na sede da Sedactel, é resultado do Programa de Apoio ao Patrimônio Cultural da Caixa, que selecionou para este ano 13 projetos de todo o país. Os recursos serão destinados ao projeto “Do Fotograma ao Cinema”, que contempla a recuperação e conservação dos equipamentos cinematográficos do Museu.

Participaram da cerimônia o secretário-adjunto André Kryszczun – que responde interinamente pela Direção do Museu da Comunicação –, a presidente da Associação de Amigos Silvia Galant François e, representando a Caixa Econômica Federal, os superintendentes Danilo Pickrodt (regional) e Pedro Lacerda (executivo).

Projeto valoriza a memória do cinema

A partir da recuperação de uma série de equipamentos antigos que se encontram no Museu, o objetivo do projeto é proporcionar à sociedade gaúcha a possibilidade de conhecer de perto os processos de produção cinematográfica.

O trabalho a ser desenvolvido nos próximos meses prevê exposição permanente destes equipamentos para visitação pública, apresentação de pesquisas históricas, realização de oficinas sobre cinema para crianças e adolescentes, além de sessões comentadas de filmes que fazem parte da coleção do Musecom e que serão, agora, restaurados e digitalizados com recursos do prêmio da Caixa Federal.

Neste processo, os estudantes e público interessado na sétima arte entrarão em contato com as técnicas utilizadas pelos profissionais do cinema, como corte e montagem, uso das moviolas, efeitos de luz e sombra, direção, enquadramento, entre outras etapas de uma produção.

Fonte original da notícia: Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul




Porto Alegre (RS) – Termina prazo para recorrer de inventário do Petrópolis

Impasse sobre o casario no bairro da Capital se arrasta desde 2014. Marcelo G. Ribeiro/JC

Impasse sobre o casario no bairro da Capital se arrasta desde 2014. Marcelo G. Ribeiro/JC

Termina nesta sexta-feira o prazo concedido pela prefeitura de Porto Alegre para que os moradores do bairro Petrópolis apresentem recurso contrário à medida que define cerca de 400 imóveis como parte do Inventário do Patrimônio Cultural da cidade. Caso não o façam, esses proprietários estarão proibidos de realizar alterações que excedam a lei de estruturação e compatibilização nas residências.

Além de complexo, o caso é antigo. Em janeiro de 2014, a prefeitura, sob administração de José Fortunati, divulgou uma lista que incluiu centenas de imóveis do bairro no inventário, elaborado pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc). Na época, cerca de 200 foram considerados como imóveis de estruturação, que devem ser preservados, e outros 160 como de compatibilização, que têm relevância pela composição do entorno.

Mais tarde, essa primeira lista foi revogada e refeita por duas vezes. Em dezembro do ano passado, coincidentemente o último mês da gestão de Fortunati no governo, os moradores passaram a receber notificações a respeito da inclusão em uma nova lista. “Não nos causou surpresa, foi mais um episódio de uma prática que já vinha ocorrendo”, conta o presidente da Associação dos Moradores do Petrópolis, Fernando Pires.

O problema da decisão da prefeitura é que, no entendimento dos moradores, a inclusão em inventário causa prejuízo, uma vez que “ninguém vai comprar uma casa em que não pode mexer”, conforme afirma Pires. Além disso, a inclusão dos imóveis na listagem provocou uma desvalorização de 70% e, segundo definido por lei, a manutenção do imóvel fica sob responsabilidade do proprietário, sendo que a ele não cabe indenização, como ocorre no processo de tombamento.

Mesmo com o término do prazo de impugnação, Pires garante que os moradores continuarão a lutar por aquilo que consideram como direito deles. A estratégia, agora, é atacar a lei que define o processo de inventário.

Advogado de moradores, Daniel Nichele impetrou mandado de segurança pedindo a anulação do ato de inventário de alguns dos imóveis tendo como causa a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 601/2008 (Lei dos Inventários). Isso porque, durante o período em que corre o processo, duas leis – 743/2014, do vereador Idenir Cecchim (PMDB), e 20/2014, do vereador Mauro Pinheiro (Rede) – foram criadas com finalidade de alterá-la.

No entanto, ambas foram consideradas inconstitucionais por vício de origem, uma vez que esse tipo de alteração só pode ser requerido pelo Executivo. Nichele argumenta que a própria Lei nº 601/2008 foi elaborada por duas vereadoras, Sofia Cavedon (PT) e Margarete Moraes (na época, PT; hoje, afastada da política), fato que, por analogia, a tornaria inconstitucional. “Já obtivemos parecer favorável por parte do Ministério Público. Agora, aguardamos a sessão de julgamento do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul”, explica o advogado.

Para presidente da associação de moradores, ‘bairro está morrendo’

“Do belo que querem preservar, não resta muito.” É assim que Fernando Pires, presidente da Associação dos Moradores do Petrópolis, descreve a situação. Uma vez que o processo segue em andamento desde 2014, o bairro está congelado. Como relata o presidente, há muito o bairro deixou de viver seu fluxo natural de vida. “Vários imóveis estão à venda, outros, alugados. Muitos eram usados como escritórios e, com a crise, foram deixados para trás. Os novos locatários precisam alterar o espaço, como adequações à Lei Kiss, e não podem. Precisam de uma licença da prefeitura, que leva de dois a quatro anos para sair”, descreve.

Para ele, o bairro está morrendo. Para garantir a sobrevivência da região, Pires aposta na medida de Daniel Nichele, advogado de alguns dos moradores, que impetrou mandado de segurança pedindo a inconstitucionalidade da lei de inventários. “Temos a perspectiva de derrubar a lei e, aí, a prefeitura pode ficar livre para fazer novo inventário”, explica.

Além de tudo, o presidente também relata uma dificuldade técnica. “Para fazer a impugnação, o morador precisa saber o motivo pelo qual faz esse pedido. Precisa argumentar que o imóvel não é histórico, que a lei é irregular, entre outros. Mas, até agora, a prefeitura não apresentou os motivos completos, e os critérios que determinam o que foi inventariado são muitos. Se não se encaixa em um, pode se encaixar no outro”, observa.

Para Nichele, o pedido de impugnação é relevante e deve ser feito por todos os moradores que se sintam prejudicados. Com o término do prazo, os pedidos serão analisados para que o resultado seja homologado pelo prefeito. “A partir daí, não há mais recurso administrativo, os proprietários terão de aceitar as normas impostas pela lei”, argumenta. No entanto, o advogado explica que muitos dos clientes já entraram com ações indenizatórias contra a prefeitura. O formulário para o pedido de impugnação está disponível no site da Secretaria Municipal de Cultura (http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php).

Por Suzy Scarton

Fonte original da notícia: Jornal do Comércio