Salvador (BA) – Centro Antigo tem 500 casarões com situação estrutural de risco

As fachadas dos dois imóveis acidentados, no fim da noite da última segunda. Foto: Xando Pereira /| Ag. A Tarde

O caso do desabamento do casarão de nº 146 na ladeira da Soledade, que resultou na morte de três moradores que estavam em uma residência ao lado, traz à tona a situação de muitos imóveis da região do Centro Antigo que apresentam riscos de desmoronamento.

O diretor geral da Defesa Civil do município (Codesal), Gustavo Ferraz, disse ao A TARDE que, desde o início do ano, cerca de 250 casarões localizados naquela região de Salvador já foram georreferenciados pelo município e apresentam diferentes graus de risco: de baixo a muito alto.

Do total, 120 considerados de alto risco já foram notificados, segundo Ferraz. Os 130 restantes são de baixo e médio riscos, e ainda não tiveram os proprietários alertados. A previsão é que, após o período da Operação Chuva, o mapeamento destes imóveis seja finalizado.

A estimativa é que há cerca de 500 casarões na região com riscos.

O imóvel do acidente desta segunda-feira, 24, era tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) e, segundo Ferraz, o órgão estadual havia sido notificado desde 2011.

Seis anos depois, não houve nenhuma resposta do Ipac e nem do proprietário, identificado como José Ivo da Costa Santos.

“Vamos entrar com um processo contra o assassino. Ele é conhecido como Ivo Gato. Tenho várias queixas na Defesa Civil por vários anos. A Codesal é outro órgão que deixou morrer gente para vir fazer algo. O Ipac até agora nem apareceu. Todo mundo sabia que era uma tragédia anunciada”, afirmou a promotora de vendas Simone Carrero, 42.

Ela e o filho de 12 anos conseguiram sobreviver ao acidente. Foram levados para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas liberados no mesmo dia. Simone perdeu o pai, José Prostero Deminco, 73, e os irmãos Paulo Carreiro Deminco, 43, e Ana Carreiro Deminco, 37. O enterro deles foi realizado nesta terça, 25, no cemitério do Campo Santo.

Providências

No documento encaminhado há seis anos pelo município para o órgão estadual, é feito um alerta sobre os riscos apresentados pelo imóvel que desabou e pede-se que providências sejam tomadas. No entanto, a Codesal não mandou novas notificações.

“Não precisa ficar notificando sempre. Vai fazer todo ano a mesma coisa? A notificação é simplesmente o alerta da Defesa Civil, pede que o proprietário realize obras para que o imóvel saia do risco”, disse o gestor.

Gustavo Ferraz afirmou, ainda, que “não cabe à Defesa Civil realizar a intervenção. É tombado. Não tinha como obrigar o Ipac e nem o proprietário, porque a legislação não permite. Do ponto de vista da hierarquia, o Ipac está acima da prefeitura”.

Ele contou que parte do telhado e o muro desabaram sobre a casa ao lado, onde havia cinco pessoas. A operação para retirada dos corpos terminou às 4h30 desta terça. “O proprietário mora na mesma rua e fugiu. O casarão estava vazio. Não funcionava nada nele. Ele fez madeiramento no telhado, colocou telha de eternit por cima e escorou as paredes laterais. Pode ter havido sobrecarga”, afirmou Ferraz.

Ipac

Por meio de nota, o Ipac, órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado, informou que encaminhou nesta terça uma notificação extrajudicial para a prefeitura, pedindo “todas as informações e documentos relativos ao imóvel de nº 146”.

O Ipac destacou, também, que não recebeu ofício do município requerendo anuência do órgão estadual para a concessão de alvarás para a realização de obra no casarão, e apontou a intervenção feita como “ilegal e causadora do acidente”.

“Os imóveis da ladeira da Soledade são propriedade privada, não sendo um prédio público nem tombado pelo Estado individualmente, mas se encontra em área de proteção do Estado como conjunto arquitetônico. Contudo, o tombamento não significa a desapropriação ou responsabilização integral do imóvel ou da área tombada, mas, sim, uma tutela”, ressaltou na nota o instituto.

O Ipac informou, ainda, que “se solidariza com as famílias das vítimas”, mas que só pode agir legalmente caso ocorra a solicitação formal do proprietário do imóvel, “que deve comprovar não ter condições financeiras para arcar com as despesas de conservação do imóvel para que o governo estadual possa agir, ou por solicitação expressa, oficial e comprovada da prefeitura”.

Proprietário

Parede do sobrado caiu sobre o imóvel ao lado (Foto: Xando Pereira | Ag. A Tarde)

A TARDE procurou o proprietário na casa onde vizinhos afirmaram que ele mora, mas não havia ninguém no local.

Segundo avaliação da Codesal, o imóvel ainda tem risco de desabamento e, para ser demolido, ainda depende de aprovação do governo do estado.

Em 2011, na mesma rua, outro casarão havia desabado, matando uma pessoa. “Quem vai responder é o proprietário e, como subsidiário, o Ipac. O maior peso é de quem tem a propriedade”, acrescentou o diretor geral da Codesal.

De acordo com moradores do local, outros imóveis próximos também estão deteriorados. “Tem uma casa que os pedaços estão caindo na travessa da Soledade. Está assim há mais de um ano”, reclamou o estudante Hércules de Marchi, 27.

Promotor diz que órgãos podem ser responsabilizados

O coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac) do Ministério Público do Estado (MP-BA), o promotor de justiça Edvaldo Vivas, afirmou que os governos federal e estadual costumam “jogar a responsabilidade” para os proprietários.

“De acordo com o decreto do tombamento, a responsabilidade é do proprietário. Mas há uma exceção quando ele não tem comprovadamente condições para fazer o restauro. Aí a responsabilidade é subsidiária que é do órgão que tombou”, explicou o promotor.

Para Vivas, é necessário apurar se houve de fato notificação da Codesal e se o Ipac fez alguma obra de escoramento. “O restauro é muito caro. O que a gente pode conseguir na justiça é que seja feito o escoramento. Mas é interessante que a população sempre denuncie para que o Ministério Público possa abrir uma investigação”, acrescentou.

O promotor contou que o Nudephac planeja, para o 2º semestre deste ano, realizar uma fiscalização preventiva, integrado a outros órgãos, da situação atual dos casarões do Centro Antigo. No entanto, ainda não saiu do papel o projeto. Ele está fechando parcerias com outros entes para que a ação possa ser realizada.

O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia Territorial (Lapinha). O titular da unidade, o delegado Luís Henrique Ferreira, disse que vai oficiar órgãos públicos e ouvir envolvidos para apurar as três mortes ocorridas.

Ele confirmou que o proprietário do casarão não foi localizado. Apesar da prefeitura ter divulgado que ele estaria foragido, o delegado afirmou que ainda não há mandado de prisão contra o proprietário. Portanto, ele não pode ser considerado foragido.

“Cedo” 

“Está muito cedo para afirmar se houve responsabilidade. Vamos apurar se houve negligência, se houve imperícia ou dolo de alguém. Vamos verificar se há culpados”, destacou. O delegado disse, também, que aguardará o resultado dos laudos do Departamento de Polícia Técnica.

Por Anderson Sotero

Fonte original da notícia: A Tarde




Salvador (BA) – Cinco anos depois de incêndio, Instituto do Cacau ainda não foi reformado

Licitação foi suspensa pela Justiça após ação popular que questiona falta de autorização pelo Iphan.

Andaimes sustentam a estrutura do terceiro andar que pegou fogo em 2012; governo diz que projeto para reforma tem autorização do IPAC, mas uma ação popular impediu a licitação (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Andaimes sustentam a estrutura do terceiro andar que pegou fogo em 2012; governo diz que projeto para reforma tem autorização do IPAC, mas uma ação popular impediu a licitação (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Quem nota as paredes pichadas e sujas ou as grades enferrujadas do Instituto do Cacau, localizado no Comércio, nem imagina que aquela estrutura foi uma das primeiras obras de arquitetura moderna na Bahia. Do lado de fora, o teto queimado relembra a manhã de 16 de julho de 2012, quando o terceiro andar foi destruído por um incêndio.

No alto do edifício, ainda é possível ver vários andaimes estruturados que sustentam os destroços do terceiro andar – que continua interditado desde o fogo – e impedem um possível desabamento. Nos andares inferiores do prédio funcionam o SAC Educação, o SAC Cidadão e o Núcleo Regional da Educação.

O equipamento pertence à empresa Alpe Locação de Estruturas, que afirmou ser responsável apenas pelo aluguel dos andaimes e não tem nenhuma relação com a reforma do patrimônio.

Licitação
Em 17 de janeiro deste ano, a Secretaria Estadual da Administração (Saeb) divulgou que mais R$ 2 milhões seriam investidos na primeira etapa da obra. O edital foi publicado no mesmo dia, e a licitação, marcada para 20 de fevereiro, no Auditório da Superintendência de Patrimônio do Estado, no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

No entanto, uma ação popular, liderada pelo advogado Bruno Almeida, conseguiu suspender a licitação, alegando que o projeto não possuía aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Num caso como este, onde o Instituto do Cacau é um bem tombado, e se pretende realizar obras sem a prévia obtenção de licença, tal fato é grave, pois, se não há projeto aprovado no IPHAN, não há projeto definitivo. Então, como licitar uma obra se não há projeto definitivo ainda? Qualquer alteração no projeto poderá ter diversas consequências, desde a impossibilidade de conclusão da obra até o dano aos cofres públicos”, afirma o advogado.

Imbróglio
O Iphan confirmou que é necessária a análise e autorização deles para que ocorram reformas no imóvel, pois o Instituto do Cacau fica em uma região do Comércio tombada pelo órgão, estando também sob a proteção dele. No esclarecimento, o Iphan citou ainda que não recebeu nenhum projeto de reforma.

Em nota, a Saeb, porém, afirma que a autorização não é necessária na fase de licitação. Ressaltou ainda que o Instituto do Cacau é tombado também a nível estadual, pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), que já tem conhecimento da obra.

O Ipac confirmou ser o responsável pelo tombamento do edifício e que não apresentou nenhum impedimento para o prosseguimento da licitação. O órgão ainda ressaltou que oferecerá todo o suporte técnico necessário quando a obra estiver sendo feita, para que o patrimônio não perca suas características originais.

O Instituto do Cacau foi criado em Junho de 1931. Para a época, o design do prédio foi uma importante evolução arquitetônica para a Bahia. O projeto foi assinado por um arquiteto alemão chamado Alexander Buddeus e reúne linhas sofisticadas, com elementos de estilos clássicos como o art déco e a Escola de Bauhaus.

A liminar que suspendeu a licitação está sendo julgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A Procuradoria Geral do Estado assumiu o caso e diz que busca resolver a situação o mais rápido possível, para dar continuidade ao processo de reforma do patrimônio com a mesma licitação. Não há previsão para o encerramento do caso na Justiça.

Por Jordan Dafné

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Tombamento permite acesso a verbas para restauração

Inaugurado em 1946, o Edifício Sulacap tem formas que remetem a um navio transatlântico. Mila Cordeiro | Ag. A Tarde

Inaugurado em 1946, o Edifício Sulacap tem formas que remetem a um navio transatlântico. Mila Cordeiro | Ag. A Tarde

Inaugurado em 1946 como sucursal da Companhia Sulamérica de Capitalização, e depois eternizado como o ponto em que os trios elétricos fazem a  curva, o Edifício Sulacap está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). E o melhor efeito prático é que isso facilita a captação de recursos oficiais para a reforma do prédio. Algo que já está sendo feito pelo condomínio de outro edifício icônico de Salvador, o Oceania, na Barra.

Pela lei, um imóvel tombado em função de sua importância histórica, cultural ou arquitetônica  não pode ser demolido nem sofrer alterações na fachada. Mas podem se habilitar a financiamento público e até privado para a realização de reformas. Como está acontecendo com o Edifício A TARDE, na Praça Castro Alves, que vai se tornar um hotel de luxo.

Depois de décadas em que a  preocupação com a conservação de imóveis em Salvador limitou-se ao casario colonial, prédios modernos, art déco e neoclássicos começam a despertar mais interesse.

Formas aerodinâmicas

“O Sulacap detém formas aerodinâmicas que remetem ao design industrial, aos transatlânticos, trens e automóveis, sugerindo velocidade, mais um item da modernidade urbana na arquitetura Déco”,  afirma a arquiteta do Ipac Lígia Larcher.  Especialista em art déco, Lígia foi  autora do parecer para tombamento do prédio, que na década de 60 abrigou em uma de suas 121 salas um estúdio onde Gilberto Gil gravou.

Tombado pelo Iphan, o Solar Amado Bahia foi construído entre o final do século XIX e o começo do século XX, por Francisco Amado Bahia, um próspero comerciante de carnes que mandou vir da Europa materiais como o ferro fundido, utilizado na varanda.  “Alguns prédios, como o solar,  são exemplos de edificações únicas, em que se utilizou o melhor material disponível na época”, ressalta o vice-presidente do Conselho de Arquitetos e Urbanistas da Bahia (CAU), Raul Nobre.

O arquiteto salienta que, além do valor arquitetônico,  algumas dessas edificações foram valorizadas pela localização estratégica. Enquanto o Edifício Sulacap ocupava a esquina da Avenida Sete com a Rua Carlos Gomes, à época um reduto elitista, o Oceania foi construído justamente no encontro entre o Oceano Atlântico e a Baía de Todos-os-Santos.

Vai virar museu

Tombada pelo Ipac, a Casa de Azulejo,  no Comércio, deve tornar-se a sede do Museu da Música, a ser construído com recursos do Prodetur. O secretário  de Cultura e Turismo de Salvador, Cláudio Tinoco, declarou  que o processo de implantação do museu tem três dimensões: projeto, modelo de operação e disponibilidade da área.  “O imóvel ainda está sob a posse e responsabilidade dos proprietários privados”, afirmou Tinoco, ao comentar a degradação contínua do imóvel.

Desde o ano passado, a prefeitura de Salvador também está autorizada a fazer tombamentos e já tombou o terreiro Vodun Zô, na Liberdade,  e o Monumento ao Cristo Redentor, na Barra.

Solar Amado Bahia: varandas de ferro fundido,  vindo da Inglaterra. (Foto: Mila Cordeiro | Ag. A Tarde)

Solar Amado Bahia: varandas de ferro fundido, vindo da Inglaterra. Foto: Mila Cordeiro | Ag. A Tarde

Por Gilson Jorge

Fonte original da notícia: A Tarde




Monumento do Cristo da Barra, em Salvador (BA), é tombado pela prefeitura

Ato ocorreu na tarde desta quarta-feira (29), na capital baiana. Prefeitura ainda anunciou requalificação do ponto turístico.

Cristo da Barra foi tombado nesta quarta-feira, em Salvador. (Foto: Reprodução / TV Bahia)

Cristo da Barra foi tombado nesta quarta-feira, em Salvador. (Foto: Reprodução / TV Bahia)

O Monumento ao Cristo Nosso Senhor, no bairro da Barra, em Salvador, foi oficialmente tombado pela Prefeitura em cerimônia realizada na tarde desta quarta-feira (29), em homenagem aos 468 anos da cidade. Na ocasião, a administração municipal também autorizou a requalificação do monumento, que é um dos principais pontos turísticos da cidade.

Segundo a prefeitura, o tombamento do Cristo traz como um dos motivos o fato de o monumento público, assim como outros na cidade, carregar em si a simbologia de pertencimento, valores e memória de determinado lugar ou grupo social.

A estátua foi indicada por traduzir-se numa obra de caráter religioso, resguardando valores da cultura local. Outro argumento, segundo a prefeitura, está na proximidade do centenário de existência da obra.

O tombamento é a segunda ação da Lei de Preservação ao Patrimônio Cultural do Município, organizada por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM). A primeira ação da Lei de Preservação ao Patrimônio Cultural foi o tombamento do conjunto monumental do terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, também conhecido como Vodun Zô, localizado no bairro da Liberdade.

Segundo a prefeitura, o próximo conjunto que deverá ser regido pela legislação municipal é a Pedra de Xangô, em Cajazeiras XI, previsto para o mês de abril.

A cerimônia de tombamento do Cristo, nesta quarta-feira, contou com a presença do prefeito ACM Neto, do secretário de Cultura e Turismo (Secult), Cláudio Tinoco, do presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, da presidente da Fundação Mario Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, entre outras autoridades.

Requalificação
O projeto de requalificação ambiental do Morro do Cristo, na Barra, segundo a prefeitura, engloba tratamento dos acessos e valorização do monumento, principalmente após ação de tombamento municipal da estátua e das ações de requalificação urbanística e ambiental dos trechos de orla de Salvador. A intervenção compreende uma área de aproximadamente 500 m² e o investimento previsto é de R$1,2 milhão.

As ações no monumento contemplam nova alvenaria de contenção, implantação de piso e de iluminação cênica. Além do restauro da estátua do Cristo Salvador, será feita substituição do pedestal, que passará de granito preto para vidro, sem alterar as características do patrimônio a ser tombado, conforme a prefeitura.

O projeto contempla também a instalação de uma Praça das Bandeiras que poderá ser utilizada para realização de missas campais. Além disso, segundo a prefeitura, serão feitas melhorias no acesso, com instalação das placas atuais de concreto por granito, formando degraus ao longo da encosta. Será mantida ainda toda a vegetação existente, mas será feito plantio de novos coqueiros na localidade.

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Centro Antigo vive transformação

Mudanças buscam resgatar os tempos áureos, preservando a história do local.

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Considerado o berço de uma nação inteira, a região mais antiga de Salvador passou por várias transformações, principalmente no último século, até se tornar um dos símbolos de conservação da história. Divididos em bairros que acabaram adquirindo maior ou menor importância econômica, a região do Centro Antigo de Salvador (CAS) está passando agora por uma série de mudanças que buscam resgatar os tempos áureos daquele lugar.

De acordo com a professora Luciana Sobral, coordenadora do Núcleo de Estudos Históricos da Unijorge, a busca por atender à demanda global, o CAS foi mapeado, recenseado e inúmeras transformações foram empreendidas nas últimas décadas, como a revitalização do Pelourinho, a reforma de inúmeros monumentos históricos como igrejas, prédios, praças; a modernização do porto de Salvador, calçamentos, etc.

“Todo esse investimento econômico na região, se trouxe benefícios e adequações à realidade da nova ordem mundial, por outro lado impactou de forma decisiva a vida de milhares de pessoas que viviam ou trabalhavam na região”, explica a historiadora. Essa influência também é notada em diferentes pontos de todo o Centro Antigo, que pode se dividir por bairros mais turísticos (como o Pelourinho) e residenciais (como Nazaré, Saúde ou Barbalho, por exemplo).

“Influencia em inúmeros quesitos, como por exemplo, na especulação imobiliária, no índice de violência e até de abandono por parte das autoridades. Regiões com maior fluxo turístico atraem a atenção dos órgãos gestores que tendem a investir mais pesadamente na segurança e na manutenção do patrimônio que reverte em lucro para as instituições, enquanto regiões sem grande apelo turístico tendem a ser menos privilegiadas neste e em outros sentidos”, explica Luciana.

Até o final do século XIX, o CAS era local de intensa movimentação e abrigava a elite da cidade do Salvador. “Existem relatos históricos de que havia touradas e carneiradas na Av. Sete de Setembro em direção à Praça Castro Alves. Ainda nessa praça temos o que é considerado por alguns pesquisadores como o primeiro teatro de ópera do Brasil, o Teatro São João, fundado em 1812 e destruído por um incêndio em 1923”, detalha a professora.

O Terreiro de Jesus era local de disputas a cavalos entre os jovens filhos de fazendeiros, políticos e senhores de escravos que vinham a Salvador a fim de cortejarem as jovens damas da corte. Palco de inúmeras procissões religiosas e eventos diversos, o CAS abrigava os principais prédios administrativos, a cadeia, o Palácio do Governo e era ainda o local de encontro de irmandades religiosas como a Santa Casa da Misericórdia, a Ordem Terceira de São Francisco, dentre outras. Também era área de circulação de uma população escrava ativa que transitava e comercializava nas ruas barulhentas e amontoadas, os chamados escravos de ganho.

Com a crise da agroindústria açucareira, o prestígio econômico e político da região diminuiu e a cidade expandiu-se em outras direções. Novas formas de transporte serviram para otimizar esse processo de expansão, como o surgimento dos bondes, inicialmente puxados a tração animal, depois, elétricos. Durante o governo de J. J. Seabra (1912-1916), ocorreu intensa reforma urbana que destruiu ou danificou alguns prédios históricos importantes, como a Igreja da Ajuda (o grande orador jesuíta Antônio Vieira utilizou o púlpito desta igreja algumas vezes), de São Pedro, Rosário e Mercês.

O vácuo deixado pela mudança das famílias mais abastadas da região para outras mais distantes permitiu o ingresso de imigrantes espanhóis, árabes e portugueses que se dedicaram ao comércio local. Nos anos 60, o Comércio abrigava um grande contingente de comerciantes, trabalhadores manuais, artesãos em geral, além de pessoas de baixa renda, prostitutas e marginais, expurgados dos bairros mais nobres, confinados em cortiços espalhados pelos becos e ruas do CAS, vivendo em péssimas condições de vida e exercendo atividades econômicas informais.

Recentemente, autoridades do Estado e Município têm mostrado cada vez mais interesse no resgate do Comércio que atualmente possui muitos imóveis sem utilidade. Para a historiadora, o aspecto que mais deve ser levado em conta nessa retomada é o que leva em consideração as necessidades e o potencial humano de quem reside, trabalha ou estuda na região.

“O Poder Público deve definir medidas que equacionem com justiça social as estratégias de sustentabilidade, moradia e inclusão, relacionando cultura e desenvolvimento, que não são necessariamente, excludentes. Qualquer medida que vise revitalizar e atrair mais investimentos e pessoas para a região deve respeitar o patrimônio artístico, histórico e cultural da região, e especialmente, o patrimônio humano, que é o que mantém tudo pulsante e vivo.”, avaliou.

Pelourinho, o tesouro da capital

A região mais conhecida evidentemente é o Centro Histórico, que, compreendendo o trecho na Praça Castro Alves, e indo até o Pelourinho, é considerado o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina, valor que rendeu à região o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco, em 1985, e atraiu permanentemente a atividade turística ao local.

Com edificações que datam do século XVII até o início do século XX, o Pelourinho hoje é um dos maiores tesouros de Salvador – uma cidade cujo turismo tem grande importância em sua economia. A maior parte de suas casas se transformaram em lojas, restaurantes e estabelecimentos de hospedagem, atraindo todos os anos, milhares de visitantes.

No bairro, a beleza arquitetônica divide espaço com elementos de clara desigualdade social, a exemplo dos pedintes e moradores de rua, e o movimento de pessoas no ponto turístico, é sazonal, tendo grande presença dos seus frequentadores durante a alta estação. Assim, o atual Pelô divide opiniões entre comerciantes, turistas e dos próprios baianos que passam pelo local.

A turista fluminense Maria Julia Alvarez se diz encantada com a expressão cultural presente no local durante sua primeira visita à cidade. “Acho que nós brasileiros deveríamos valorizar mais isso, e fazer todo esforço para preservar esses lugares, pois eles estão cada vez mais difíceis de encontrar”, exaltou ela, enquanto assistia uma apresentação de capoeira no Terreiro de Jesus.

Não muito distante, já na Rua das Portas do Carmo, o comerciante Antônio Francisco tem uma opinião bem divergente sobre o atual bairro. De acordo com ele, que trabalha com a venda de produtos artesanais e souvenirs há 20 anos, a situação apenas piorou. “Quando comecei a trabalhar aqui o movimento era muito maior e as pessoas se sentiam mais seguras”, explica ele.

Antônio detalha que, por conta da queda no movimento, sua loja, que nos primeiros anos chegava a funcionar até 23h, agora fecha sempre às 20h. Para ele, é preciso que o bairro tenha mais eventos, e mais policiamento para que baianos e turistas voltem a frequentar o espaço o Centro Histórico.

Santo Antônio

Ao lado do Pelô, o Santo Antônio Além do Carmo ostenta um cenário muito parecido de beleza arquitetônica, mas com uma atmosfera mais reservada, com menos comércio, e mais residências, e que pode ser notado pelas ruas bem menos movimentadas do que o seu bairro vizinho. Ainda assim, a Rua Direita de Santo Antônio – principal via da vizinhança – também dispõe de vários estabelecimentos de hospedagem de médio porte, assim como um de grande porte instalado no Convento do Carmo.

Moradora desde que nasceu, há 19 anos, Laís Cruz, diz ter presenciado poucas mudanças no bairro, mas, destacou algumas que tem melhorado bastante a vida dos residentes. Segundo ela, a revitalização do Plano Inclinado Pilar – que liga o Santo Antônio ao Comércio, na Cidade Baixa – foi fundamental para a sua mobilidade e a dos vizinhos.

“Ficou melhor para sair do bairro para resolver problemas no banco, ou comprar algo que não posso encontrar por aqui”, destacou ela, assim como os equipamentos de ginástica instalados no Largo do Santo Antônio, que voltou a reunir as famílias da redondeza.

Ainda assim, ela faz ressalvas em relação à segurança. Laís explica que, mesmo com a instalação dos hotéis e pousadas, a região carece de policiamento. “Acredito que o Santo Antônio, assim como o Pelourinho, também tem potencial turístico, mas é preciso ter mais investimento em segurança aqui, pois infelizmente não é incomum a gente presenciar delitos”, avalia.

Revitalização

Enquanto isso, falta pouco para recuperar as vias do Centro Antigo da capital, e a revitalização já alcança os 70% de obras concluídas. Recentemente, 700 metros da Rua Djalma Dutra, que integra a região já foram repavimentados e as antigas calçadas foram substituídas por novas, equipadas com itens de acessibilidade como piso tátil e rampas de acesso. A previsão é que as obras de todo o projeto sejam finalizadas até o fim do ano.

Localizada entre os bairros de Brotas, Sete Portas e Nazaré, a Rua Djalma Dutra faz parte de uma iniciativa ainda maior, que é o projeto ‘Requalificação Urbana do Entorno da Arena Fonte Nova’, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur), com o investimento de R$ 10,5 milhões.

Além desta, o projeto envolve ainda a requalificação de pontos como a Avenida Vasco da Gama, passando pelo Dique do Tororó, até a Arena Fonte Nova, e trecho da Avenida Presidente Castelo Branco, no Vale de Nazaré, que está em fase de finalização. A ação também inclui melhorias na Avenida J.J.Seabra (Baixa dos Sapateiros), no trecho da Sete Portas até a Estação Aquidabã, e finalizando na junção das vias, em frente à Arena Fonte Nova.

Também estão sendo realizados os projetos ‘Pelas Ruas do Centro Antigo’, que investe R$ 124 milhões na recuperação de mais de 260 vias em 11 bairros da capital, e ‘Requalificação Urbana da Baixa dos Sapateiros’, que recupera vias, passeios e praças, envolvendo ainda a instalação de nova iluminação e a reforma do Quartel do Corpo de Bombeiros, da Praça dos Veteranos e da Ladeira do Pax.

Por Matheus Fortes

Fonte original da notícia: Tribuna da Bahia




Salvador (BA) – MPF recomenda que reforma no Mercado Modelo siga normas do Iphan

Em nota, a prefeitura informou que o projeto está em fase finalização.

Foto: Max Haack/Agecom

Foto: Max Haack/Agecom

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) recomendou à prefeitura de Salvador que sejam adotadas medidas necessárias para recuperar a rampa do Mercado Modelo e do cais ao redor do local, de forma a atender aos critérios estabelecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para aprovação da obra.

Segundo o procurador Pablo Coutinho Barreto, autor da recomendação, algumas condições estipuladas pelo Iphan não foram cumpridas na execução da obra, como o acesso de pessoas com dificuldades de locomoção.

De acordo com o MPF, era obrigatória, ainda, a integração da rampa com o cais e a sinalização tátil nos pisos, de acordo com a Norma Brasileira 9050, que trata sobre acessibilidade, medidas que garantem a acessibilidade sem afetar o patrimônio histórico.

O órgão destacou ainda que é competência comum dos entes federativos a proteção das obras e outros bens de valor histórico, conforme prevê o inciso III do artigo 23 da Constituição Federal.

Projeto em fase de finalização
De acordo com a prefeitura, os projetos de elaboração da Praça Cairu e do Mercado Modelo, ambos localizados na região do Comércio, estão em fase final de elaboração. O trabalho está a cargo da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e as obras serão realizadas com recursos federais.

No caso da Praça Cairu, o secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas, Almir Melo, afirma que estão sendo feitos os ajustes finais do projeto a ser encaminhado à Caixa Econômica Federal. As obras serão executadas com recursos do Programa Regional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).

Já o projeto de restauro do Mercado Modelo deve ser finalizado até março de 2017 pela FMLF, com recursos a serem captados do Ministério do Turismo. A ação consiste na recuperação total da estrutura da fachada e da parte interna do equipamento. Em nota divulgada, a prefeitura frisou que ambos projetos seguem orientações do Iphan contempladas no estudo.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Nota Pública do Icomos-Brasil em apoio ao IPHAN

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O ICOMOS-BRASIL, em sua tarefa de zelar pela preservação dos monumentos e sítios históricos brasileiros, vem manifestar o seu apoio ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e à sua Presidente, Kátia Bogéa, frente à recente polêmica relativa ao licenciamento do edifício residencial La Vue, localizado no entorno do Outeiro de Santo Antônio da Barra, sítio histórico urbano tombado pelo Iphan na cidade de Salvador, Bahia.

A decisão da Presidente do Iphan de anular a autorização para construção do empreendimento, anteriormente concedida pela Superintendência do Iphan na Bahia, teve como objetivo evitar o indiscutível impacto paisagístico negativo que a construção de uma torre com aproximadamente 100 metros de altura promoveria na ambiência do sítio tombado, caracterizada por edificações de até 40 metros. Seu criterioso posicionamento fundamenta-se no conceito de vizinhança do bem tombado, previsto no artigo 18 do Decreto-Lei 25/1937, cuja interpretação foi ampliada e consolidada pela jurisprudência dos Tribunais brasileiros.

Os desdobramentos do fato, como a imprensa divulgou, levaram o Ministro da Cultura, Marcelo Calero, a demitir-se do cargo e a declarar em entrevista à Folha de São Paulo ter sofrido pressões de um influente ministro do atual Governo para desconsiderar a posição do Iphan e aprovar o empreendimento, em clara sobreposição de interesses pessoais ao interesse público.

Tal situação é representativa das constantes tentativas de interferência praticadas contra a autonomia do Iphan nos últimos tempos, que vêm sendo denunciadas pelo ICOMOS-BRASIL a exemplo das substituições de especialistas experientes no campo da preservação do patrimônio cultural por indicações políticas sem formação ou qualquer experiência prévia ocorridas em algumas Superintendências do órgão.

Prestes a completar 80 anos de intensa e reconhecida atuação na preservação do patrimônio cultural brasileiro, o Iphan deve ter sua autonomia garantida e nas suas decisões devem prevalecer obrigatoriamente os critérios técnicos e os interesses coletivos.

Por tais razões, o ICOMOS-BRASIL corrobora integralmente o entendimento do Iphan quanto ao inaceitável prejuízo que a construção do empreendimento residencial La Vue causaria à paisagem do bem cultural tombado e apóia firmemente a decisão de anular a autorização do dirigente estadual. Ao mesmo tempo parabeniza e expressa solidariedade aos servidores do Instituto e, em especial, ao Diretor de Patrimônio Material, Andrey Schlee, e à Presidente Katia Bógea.

Belo Horizonte, 22 de novembro de 2016.

Dr. Leonardo Barci Castriota
Presidente – ICOMOS/BRAZIL

Fonte original da notícia: ICOMOS Brasil




Peças de prata e ouro do século XVIII são furtadas de igreja em Salvador (BA)

Crime ocorreu na madrugada do último domingo (6), no bairro de Nazaré. Segundo a polícia, invasores usaram uma árvore para entrar na igreja.

Igreja fica localizada no bairro de Nazaré, no centro de Salvador. (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Igreja fica localizada no bairro de Nazaré, no centro de Salvador. (Foto: Reprodução/TV Bahia)

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, foi invadida e teve peças de ouro e prata do século XVIII roubadas do altar, na madrugada do domingo (6). As informações foram confirmadas ao G1 nesta segunda-feira (7), pela Polícia Civil.

De acordo com a Secretaria Paroquial, foram levados quatro castiçais e a porta do sacrário, que são de prata, além de um ostensório de ouro. As peças fazem parte de um acervo de arte sacra tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo informações da polícia, os invasores usaram uma árvore para ter acesso ao interior da igreja. Não havia ninguém no local momento do furto. A situação só foi percebida quando a igreja foi aberta para missas, no ínicio da manhã do domingo.

Ainda de acordo com a polícia, o altar foi isolado e uma perícia foi realizada no local. As missas e outras cerimônias realizadas na igreja foram suspensas temporariamente.

Conforme a polícia, a identidade dos invasores ainda é desconhecida, pois a igreja não possui câmeras de segurança. O caso está sob investigação da 1ª Delegacia Territorial (DT) dos Barris, que cobre a região.

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Obras na Rua Chile descobrem relíquias arqueológicas

Os materiais só estão sendo descobertos por conta da escavação que será feita para a instalação da chamada vala técnica.

Foto: Ascom/Dircas

Foto: Ascom/Dircas

Além da beleza arquitetônica e histórica, a Rua Chile, primeira do Brasil, esconde no seu subsolo muitas outras relíquias. Peças de metal, pinos em cobre, conchas e corais, além de restos de tijolos, telhas e fragmentos de louças dos séculos 17, 18 e 19 são alguns dos objetos que estão vindo à tona na pesquisa arqueológica prévia à revitalização do local, marcada para iniciar assim que as escavações históricas terminarem, daqui a um mês.

Os materiais só estão sendo descobertos por conta da escavação que será feita para a instalação da chamada vala técnica, por onde passarão a fiação elétrica, os cabos de fibra ótica, a rede de gás, a distribuição de água e a coleta de esgoto da rua, todos transferidos para o túnel subterrâneo.

Os 3 mil objetos foram encontrados apenas na primeira das 14 trincheiras que serão abertas. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), o material será encaminhado ao laboratório de uma empresa especializada na avaliação e proteção de bens culturais tombados, responsável pelo projeto da Rua Chile.

Tudo será higienizado, classificado, catalogado e seguirá para o Museu Arqueológico da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), no bairro da Caixa D’ Água, em Salvador. O trabalho é uma determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“É uma compensação diante da possibilidade de perda de material histórico. Por outro lado poderemos fazer um resgate estético dessa rua tão importante”, explicou Tânia Barros, superintendente de Planejamento do Centro Antigo. A iniciativa integra o projeto Pelas Ruas do Centro Antigo, com investimento de R$ 124 milhões para a melhoria da infraestrutura urbana em mais de 200 ruas da região.

Por Alexandre Lyrio

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Obras de arte sacras descobertas em reforma viram tema de exposição

Imagens estavam embaixo de diversas camadas de tinta em igreja. Fotos que mostram descobertas podem ser vistas até 16 de setembro.

Divulgação/Internet.

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Uma exposição na Igreja da Vitória, em Salvador, mostra fotos de obras de arte sacras descobertas durante a restauração do templo, que é um dos mais antigos da Bahia e que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Debaixo de muitas camadas de tintas, foram encontradas raridades registradas pelo fotógrafo Alberto Lira. As fotos deram origem à mostra que leva o nome de “Preciosidades”.

Divulgação/Internet.

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A exposição foi aberta na noite de terça-feira (6) e as imagens podem ser vistas até o dia 16 de setembro na igreja, localizada no Largo da Vitória.

As obras encontradas, no entanto, podem ser apreciadas todos os dias na igreja. Entre as descobertas estão uma pintura que fica da pia batismal e a imagem de Senhora Santana, que tem um altar próprio.

A restauração na igreja foi concluída em um ano e meio e, após o trabalho, surgiu a ideia de mostrar aos fiéis e admiradores de artes sacras, como conta o curador da mostra, Justino Marinho. De acordo com ele, uma das últimas restaurações realizadas no local foi em 1934, quando as técnicas ainda eram muito precárias na Bahia.

“A gente precisa valorizar essas coisas que são nossas. E não só essa igreja, como todas as outras, têm coisas fabulosas que a gente não se dá conta”, afirmou o curador.

Divulgação/Internet.

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Outra surpresa descoberta durante a reforma foi a imagem de um anjo que estava escondida embaixo de sete camadas tinta, em cima do altar principal da igreja.

Divulgação/Internet.

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“Esse anjo foi uma grande alegria para todos nós e nos leva a perceber como as pessoas tinham cuidado em criar coisas bonitas para nossa fé”, destacou o padre Luís Simões.

Fonte original da notícia: G1 BA, com informações da TV Bahia