ArquiMemória 5 reúne especialistas mundiais da arquitetura e patrimônio edificado em Salvador (BA)

Foto: Divulgação

O principal encontro sobre a preservação do patrimônio edificado realizado no Brasil, o ArquiMemória 5 acontece de 27 de novembro a 1º de dezembro, em Salvador. No encontro estarão reunidos especialistas de mais de 20 países e de todo o país, dentre pesquisadores, gestores públicos e outros profissionais atuantes na área de preservação do patrimônio edificado.

Com o tema “O global, o nacional e o local na preservação do patrimônio”, o ArquiMemória 5 é realizado pelo IAB-BA, Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento da Bahia, e pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA), com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Governo do Estado da Bahia, CAPES, CNPq, CAU-BR e CAU-BA. Informações sobre inscrições e programação completa estão disponíveis no site do evento: http://iab-ba.org.br/arquimemoria5/.

Sob coordenação de Nivaldo Andrade Junior, arquiteto baiano, recém-eleito presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o evento coincide com a celebração de importantes instituições do patrimônio cultural. Não por acaso, a abertura do ArquiMemória 5 será no Teatro Castro Alves (TCA), a mais importante casa de espetáculos do estado e marco da arquitetura moderna em Salvador, recentemente tombado pelo IPHAN, que completa 50 anos em 2017. Também serão festejados os 80 anos de institucionalização da política de preservação do patrimônio cultural no Brasil, a partir da criação do atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e os 50 anos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão estadual de preservação do patrimônio cultural baiano.

O ArquiMemória 5 faz parte da programação preparatória para o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, o maior evento mundial da arquitetura, a ser realizado no Rio de Janeiro em 2020 e deve reunir cerca de 15 mil profissionais. O congresso acontece a cada três anos, sendo a quarta vez na América Latina e a primeira vez no Brasil. A última edição na América Latina foi em 1978, no México. “O maior desafio, no entanto, não é preparar celebrações e organizar eventos, mas sim resgatar a dimensão social da arquitetura. Boa parte da população brasileira desconhece a importância do arquiteto e urbanista na melhoria e qualificação dos espaços que utilizamos todos os dias”, conta o organizador do ArquiMemória 5, Nivaldo Andrade.

Programação – O evento é dividido em três eixos temáticos: “A circulação de conceitos e teorias”, “Instituições e sociedade: global, nacional e local” e “Projeto e tecnologia: formação e prática”. A estrutura é composta por conferências, mesas redondas temáticas, sessões de comunicações, colóquios temáticos, exposição de projetos e feira do ArquiMémoria.

Toda a programação acontecerá em uma série de edifícios tombados localizados no Campo Grande e arredores. Em dois dias, a programação do evento acontecerá na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA): a abertura, no dia 27 de novembro, a partir das 9h e a jornada especial dedicada aos 80 anos do IPHAN e aos 50 anos do IPAC e do TCA, realizada no dia 30 de novembro.

O Salão Nobre da Reitoria da UFBA, a Reitoria do Instituto Federal da Bahia (IFBA), antiga sede do Colégio Maristas e o Teatro Martim Gonçalves da Escola de Teatro da UFBA também receberão uma série de atividades do ArquiMemória 5. Parte da programação do ArquiMemória 5 será realizada no Sheraton Hotel da Bahia, hotel oficial do evento.

Convidados nacionais e internacionais – Estão confirmados para o evento nomes referenciais da arquitetura e do restauro, como os italianos Andrea Bruno e Marco Dezzi Bardeschi, o alemão Alexander Schwarz, o argentino Ramon Gutiérrez, entre outros conferencistas convidados. Representado pelo arquiteto David Barragán, o premiado coletivo de arquitetos equatorianos Al Borde realiza uma conferência na abertura do evento, dia 27/11, no Teatro Castro Alves. Seguidores da arquitetura do “fazer muito com pouco”, os projetos do grupo buscam impulsionar o desenvolvimento local e a inovação social.

Barragán vem compartilhar as experiências vivenciadas em Quito, no Equador, especialmente o projeto “Casa em Construção” – uma estratégia inovadora de restauração e refuncionalização de uma casa do Centro Histórico, onde funciona a sede do Al Borde. A recuperação da casa é feita com baixo custo, uso consciente dos recursos locais e material reciclado.

Os desafios da preservação do patrimônio dos séculos XX e XXI será abordado nas palestras realizadas pela Diretora Regional de Cultura do Alentejo (Portugal), Ana Amendoeira, pelo Subdiretor de Patrimônio Mundial do INAH – Instituto Nacional de Antropologia e História do México, Francisco Vidargas, e pelo Professor Flávio Carsalade, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que foi o responsável pela recente inscrição do conjunto arquitetônico da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer em Belo Horizonte, na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. A professora catedrática de restauro arquitetônico da Universidade de Nápoles,Renata Picone, abordará o tema da acessibilidade universal no sitio arqueológico de Pompéia.

Lançamentos e Exposição – Durante o evento serão lançados mais de 20 livros, de autores do Brasil, Alemanha, México e Itália. No dia 30/11, será lançado o livro “A cidade-atração: a norma de preservação de áreas centrais no Brasil dos anos 1990”, de autoria da arquiteta e professora da UFBA Márcia Sant’Anna. Mais de 40 projetos selecionados serão expostos no salão do Sheraton da Bahia Hotel. No local, acontecerão sessões de apresentação dos trabalhos expostos e debates.
 
Serviço:

ArquiMemória 5: “O global, o nacional e o local na preservação do patrimônio”
Data: 27 de novembro a 1º de dezembro, em Salvador.
Informações e inscrições: http://iab-ba.org.br/arquimemoria5

Fonte original da notícia: Secretaria de Cultura da Bahia




Salvador (BA) – Com reboco ‘de ouro’ caindo, Igreja do Carmo espera restauro há 108 anos

Museu e sacristia de templo histórico estão fechados há 20 anos.

Frei Alberto de Santana mostra uma das gavetas onde estão sendo guardados rebocos folheados a ouro. (Foto: Marina Silva/Correio)

As paredes pintadas de folhas de ouro, o teto e azulejos coloridos e os altares detalhadamente esculpidos da Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo, no Centro Antigo, são parte importante da história da Bahia. Ali é possível reviver passagens que remontam o século XVI, quando a edificação começou a funcionar. No entanto, basta uma caminhada atenta na construção para perceber que o local não recebe cuidados há tempos.

Reconhecida como patrimônio material pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938, a igreja foi restaurada pela última vez em 1909. Hoje, o conjunto arquitetônico é composto por duas igrejas, um antigo convento, além de museu sacristia desativados – não são abertos ao público há 20 anos, por causa da ação de cupins que ameaçam as estruturas.

As rachaduras e trincas na igreja denunciam o abandono. Outro problema que a construção sofre é com a infiltração. Nos períodos mais chuvosos, os fiéis e responsáveis chegam a colocar baldes para conter a invasão da água. O industriário Adailton Ribeiro Silva Gama, 51 anos, foi um dos que já ajudou a enxugar o local. Ele frequenta a igreja diariamente e já chegou a ficar com medo dos rebocos, que costumam se desprender.

Segundo ele, houve uma promessa de reforma do local, mas, até agora, nada foi feito. “Essa reforma está se arrastando há muito tempo. Deixamos até de fazer casamentos”, completou ele, que nem lembra a última vez que isso ocorreu.

Ouro na gaveta
Os pedaços de reboco que caem são guardados na sacristia desativada, dentro de duas gavetas de um grande móvel feito com madeira de jacarandá. O espaço foi escolhido por um dos freis da igreja, Eduardo Rufino.

Funcionário da igreja há 16 anos, Reinaldo Cerqueira, 36, também costuma guardar os materiais que caem das paredes. “Tá bem precária a situação. Quando a gente olha de perto é que dá pra ver. Tem coisa que vai caindo, a gente cola, mas, quando não dá, a gente guarda para quando for restaurar”.

A manutenção e segurança de todo o conjunto é feita por dois funcionários e três freis. Segundo outro frei responsável pela igreja, Alberto de Santana, o dinheiro utilizado para pagar os gastos é da Província Carmelitana de Santa Elias.

Para ajudar a manter o templo, os freis ainda alugam a parte do convento ao Hotel Pestana. O contrato foi assinado no ano 2000. Esse dinheiro também é usado para pagar as despesas, como água, luz e salários.

Com medo de não pagar as dívidas do local, um dos freis teme que um dia o hotel saia do convento. “Se sair vai ser difícil pagar as contas, porque é muita coisa”, comenta o frei Raymundo Brito. De acordo com ele, uma conta de luz do local chega a custar R$ 1,5 mil. “Já foi R$ 3 mil, mas nós reclamamos, aí eles (Coelba) abaixaram”, completa o religioso.

Muita história
Foi no Convento do Carmo que os holandeses assinaram o termo de rendição para sair do Brasil, em 1626. Quem diz isso é o arquiteto e historiador Francisco Senna. De acordo com ele, o local foi utilizado como quartel general dos portugueses durante quase um ano. “Em 1624, quando os holandeses invadiram a Bahia e tomaram o Mosteiro de São Bento, os portugueses tomaram o Convento do Carmo”, conta.

Ainda de acordo com ele, o espaço do conjunto foi doado à Ordem Carmelita, que vinha fazer missões no Brasil. “É o maior convento carmelita, em área construída, do mundo”, destaca Senna. O local possui 80 celas e dois claustros.

Além da importância histórica, o local também guarda mais de 2 mil obras de arte sacra. Entre as peças estão: mobiliários, prataria, armaduras e porcelanatos. Uma das obras que o historiador destaca é o Cristo Atado à Coluna, uma peça esculpida em madeira e cravejada de rubis, os quais se assemelham às gotas de sangue e representam a dor vivida por Jesus Cristo. A obra é atribuída ao escravo Francisco Chagas, que é conhecido como Cabra ou Aleijadinho da Bahia.

Segundo o historiador, a igreja foi construída ao longo de séculos. Por conta disso, o estilo do local é variado. “Na fachada da igreja, você tem a presença do barroco. Já no interior, existe o neoclássico. Supostamente, essas mudanças aconteceram por causa da moda de cada época”, comenta.

O relicário de Santa Teresinha também é outra importante obra do local. Nele, segundo o historiador, é possível encontrar fragmentos de objetos e roupas da santa, morta no final do século XIX.

Beleza escondida
Ao lado da Igreja do Carmo, que fica anexa ao grandioso convento, há ainda a Igreja da Ordem Terceira do Carmo. O templo guarda a imagem do Cristo Morto com mil rubis, também feita pelo escravo Francisco Chagas.

O restaurador e professor José Dirson Argolo lamenta que a sacristia da igreja esteja fechada. “É uma das mais belas sacristias do Brasil”, garante. O local, segundo ele, é em estilo rococó. “As pinturas feitas em madeira, os quadros e altares dão todo o esplendor ao lugar”, completa.

Para o professor, o trabalho de restauração deve ser feito com urgência.

Comunidade se une para reabrir espaços após 20 anos
Engenheiros, arquitetos, produtores e museólogos e profissionais de diversas áreas de Salvador se reuniram com o objetivo recuperar o museu e a sacristia da Igreja do Carmo, fechada há 20 anos, através do movimento multicultural Viva o Carmo – Aqui, a Cultura é Sagrada.

O projeto promove um evento que reúne artistas de diferentes linguagens no Convento do Carmo. No local, são feitos oficinas de yoga para crianças, recreação infantil, contação de histórias, feira de artesanato, exposição de fotografias, recital de poesia, oficina de culinária, rodas de conversa e desfile de marcas de estilistas baianos. A ação já teve três edições e a última ocorreu no dia 28 de outubro. Na ocasião, duas mil pessoas participaram das atividades.

Madrinha do projeto, a cozinheira Tereza Paim, do Restaurante Casa de Tereza, diz que entrou em contato com as pessoas interessadas em participar do movimento. “Falei com os freis e com o pessoal interessado no projeto. O evento traz a sociedade para interagir com o patrimônio e arrecadar fundos para a igreja”, afirma.

Inicialmente, o dinheiro que já foi arrecadado na primeira edição do evento vai servir para o museu.

A segunda fase do projeto vai tentar captar recursos para a igreja. “Não temos a capacidade de fazer tudo de vez, porque é muito grande. Estamos fatiando para facilitar”, detalha o religioso.

A Arquidiocese de Salvador é formada por 15 municípios, 113 paróquias, e mais três quase paróquias. As paróquias e quase paróquias são divididas em pequenas comunidades que, somadas, dão em torno de 800 templos.

Segundo a assessoria da Arquidiocese, no bairro Santo Antônio Além do Carmo existe a Paróquia Santo Antônio Além do Carmo, que é formada pela matriz e mais oito comunidades. Ou seja, são nove templos no bairro, ao todo.

Iphan diz que pedirá verificação do espaço
Em relação aos problemas com a estrutura do Museu e Igreja do Carmo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que vai consultar um técnico, para analisar a situação da obra, antes de emitir um parecer.

Segundo a assessoria do órgão, que é responsável pela fiscalização e conservação dos bens tombados no país, o tombamento não garante a manutenção e a conservação no imóvel. “O Iphan realiza a fiscalização do estado de conservação dos bens tombados, cabendo ao proprietário a manutenção e a conservação do imóvel. Isso vale para qualquer bem tombado, seja de uso público ou privado”, afirmou o instituto, em nota enviada ao Correio.

“O tombamento é uma ação de reconhecimento de um bem como parte do Patrimônio Cultural Brasileiro, ou seja, é um reconhecimento do Estado de que este bem tem relevância nacional. A partir do tombamento, e como consequência dele, o Iphan passa a ter responsabilidade no acompanhamento da preservação do bem. Contudo, a responsabilidade pela conservação continua sendo dos proprietários”, reforça o comunicado.

Por Milena Teixeira

Fonte original da notícia: O Correio – Bahia




Casarão histórico na Ribeira, Solar Amado Bahia é leiloado por R$ 1,5 milhão em Salvador (BA)

Como objetivo do leilão do TRT5, valor será revertido para pagamentos de um processo trabalhista contra a Associação dos Empregados no Comércio da Bahia.

Solar Amado Bahia na orla da Ribeira, Cidade Baixa, em Salvador. Foto: Divulgação/TRT5

O histórico casarão Solar Amado Bahia, localizado na Avenida Porto dos Taineiros, na orla da Ribeira, na Cidade Baixa, em Salvador, foi arrematado por R$ 1,5 milhão em leilão realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região. De acordo com o órgão, o imóvel foi o bem arrematado pelo maior valor durante o leilão, feito por uma pessoa física.

O valor será revertido para pagamentos de um processo trabalhista contra a Associação dos Empregados no Comércio da Bahia. Segundo o TRT, quem arrematou o imóvel pode dar qualquer uso a ele, desde que conserve as características históricas e culturais do casarão que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com o Tribunal, o pregão, coordenado pelo juiz da Central de Execução Thiago Barbosa Ferraz de Andrade e conduzido pela Nordeste Leilões, foi encerrado com a arrematação de 44 lotes penhorados, que movimentaram um total de R$ 1.790.883,60, a fim de liquidar dívidas em processos trabalhistas.

Os interessados pelos lotes deste leilão também tiveram a oportunidade de dar lances online em veículos, maquinários, além de outros bens móveis e imóveis.

Confome dados do TRT5, o Solar Amado Bahia começou a ser construído em 1901, projetado pelo arquiteto português Francisco Mendonça, e inaugurado em 1904 para os casamentos das filhas do proprietário, o comerciante Francisco Amado Bahia, que deu o próprio sobrenome à edificação.

O Solar de dois pavimentos possui diversos elementos decorativos importados da Europa do século XIX, e é uma casa totalmente envolvida de varandas de ferro fundido, importado da Inglaterra. Tem uma escada na lateral direita também de ferro e piso de mármore de Carrara. Seu salão principal é todo revestido de espelhos franceses. Todo o material de acabamento é importado, como as pastilhas coloridas das varandas, o assoalho de pinho-de-riga, os vidros gravados da França e as peças de louça da Inglaterra.

Ainda conforme dados do Tribunal do Trabalho, o Solar Amado Bahia foi doado à Associação dos Empregados no Comércio da Bahia em 1949, após a morte do patriarca para que servisse à instalação de um hospital, o Sanatório Amado Bahia, o que não ocorreu. Em 1966, a beneficiária funda a Escola Amado Bahia, desativada após o tombamento pelo Iphan, a partir daí sofrendo depredação e até a ocupação por parte dos militantes do Movimento Sem-Teto.

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Donos de imóveis terão descontos para fazer reforma no Centro Histórico

Mais de R$ 28 milhões serão investidos em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do quarto eixo do programa Salvador 360.

Evento de lançamento do programa Salvador 360 Centro Histórico, no Fera Palace Hotel. Foto: Betto Jr./Correio

Proprietários de imóveis que estão em situação precária, no Centro Histórico de Salvador, terão um incentivo a mais para fazer a reforma dos prédios e casarões. Nesta segunda-feira (21), a prefeitura anunciou que dará isenção e descontos de impostos para quem fizer a recuperação das estruturas e dar uma funcionalidade aos espaços. A ação faz parte do quarto eixo do programa Salvador 360, lançado pelo prefeito ACM Neto, que anunciou mais R$ 28 milhões em incentivos, além dos R$ 200 milhões já previstos para a realização do programa na área da cidade.

“É o projeto mais completo já realizado pelo poder público municipal para o Centro Histórico. O objetivo principal é garantir uma revitalização consistente, com a presença não só de um comércio pulsante e uma vida econômica ativa, mas também de órgãos públicos e novas habitações, e toda uma condição de mobilidade e urbanização que vão projetar o futuro da região”, afirmou Neto, durante o lançamento no Fera Palace Hotel, na Rua Chile.

Segundo o secretário municipal de Turismo (Secult), Claudio Tinoco, atualmente existem cerca de 500 imóveis nessa situação no Centro Histórico e arredores. As ações de incentivo fiscal serão dividas em duas fases, com isenção de impostos como ISS (serviço), IPTU (propriedade de imóvel) e ITIV (transferência de imóvel).

Segundo ele, isso já representa “um impacto muito significativo porque é a isenção total”. “Depois que a obra for concluída, eles terão descontos nesses impostos”, completa o secretário.

Repercussão
Quem frequenta o local ficou feliz com a notícia. A fisioterapeuta Aline Camargo, 31 anos, acredita que as reformas são uma necessidade urgente. “São muitos casarões lindos e importantes historicamente, mas que estão abandonados, se perdendo no tempo e oferecendo risco de desabar. É preciso que alguém olhe mesmo para essas questões”, opina.

Para o comerciante da Praça da Sé Akin Olabode, 32, que deixou a Nigéria há dois anos para morar na Bahia, as ações também são necessárias. “Muita coisa já foi feita, mas ainda precisa melhorar. Salvador é uma cidade linda e quanto mais linda ficar, mais clientes teremos”, prevê.

Confira um vídeo divulgado pela prefeitura que explica outros detalhes e projetos do eixo Centro Histórico:

Outros eixos
Três eixos do Salvador 360 já foram lançados este ano. Em maio, foi lançado o Salvador Simplifica, que tem como objetivo reestruturar o modelo atual de licenciamento e abertura de empresas, obras e publicidade, promovendo facilidades no atendimento aos cidadãos. Em junho, a prefeitura lançou o Salvador Negócios, que é destinado ao estímulo para atração de empresas, através de incentivos fiscais e treinamento de mão de obra qualificada, entre outros pontos.

Em julho, foi a vez do Salvador Investe, destinado aos investimentos públicos, que alcança o montante de R$ 3 milhões. Parte do valor a ser investido será captada por meio de concessões e parcerias público-privada (PPPs).

Por Gil Santos

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Painéis portugueses irão passar por restauro na Igreja da Ordem Terceira

Joá Souza | Ag. A Tarde

Com sinais de deterioração pela ação do tempo, o conjunto de painéis de azulejos portugueses ao redor do claustro da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, localizada no Terreiro de Jesus, terá investimento de R$ 10 mil para a realização de ações emergenciais.

O recurso foi anunciado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA) para a obra que possui 207 anos e passou por restauro há 15 anos.

Por meio da assessoria de comunicação, o Ipac informou que deverá aguardar o parecer técnico para estabelecer que tipo de intervenção será mais apropriada para fazer a manutenção do painel, o que deverá ocorrer nos próximos dias.

Atribuída a autoria ao mestre português Valentim de Almeida, a obra encomendada durante o reinado de dom João V e distribuída por cerca de 85 metros quadrados no Centro Histórico de Salvador tem se desmanchado por causa da infiltração no templo religioso.

O conjunto arquitetônico erguido em 1587 narra o cortejo naval de partida da princesa Mariana Vitória de Bourbon e Farnésio para casar com o príncipe herdeiro dom José I; a chegada do casal real a Portugal pelo rio Tejo; a recepção popular pela capital do país; e uma Lisboa ainda com 12 arcos.

Vistoria

O tombamento do conjunto da igreja ocorreu em 1939 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que, em nota, informou que “fará uma vistoria conjunta com o Ipac no local na próxima semana para tratar das intervenções e para fazer um diagnóstico do que precisa ser realizado e priorizado”.

O instituto relatou ainda que “o bem não está contemplado no PAC Cidades Históricas”, além de esclarecer que “realiza a fiscalização do estado de conservação dos bens tombados, cabendo ao proprietário a manutenção e a conservação do imóvel”.

A última restauração foi capitaneada pela equipe da fundação portuguesa Ricardo do Espírito Santo, em um trabalho que durou três anos, de 1999 a 2002. Como a intervenção não incluiu a impermeabilização das paredes, a obra voltou a ficar ameaçada.

A Ordem se mantém com o aluguel de imóveis, doações, colaborações, venda de souvenirs e cobrança de uma taxa de visitação no valor de R$ 5. Segundo o diretor de patrimônio da irmandade, Cláudio Seixas, faltam recursos para a manutenção do templo religioso. “O trabalho de restauração não é um serviço barato. Essa igreja foi construída com a colaboração da irmandade”, informou Seixas.

Análise

Prestadora de serviço na Ordem, a arquiteta Karin Hartmann diz que, apesar de haver azulejos em toda a igreja, os que adornam o claustro são os mais afetados. “Além da infiltração, que não detectamos de onde vem, se de baixo ou de cima, eles ficam expostos no espaço aberto”, avalia.

A profissional indica algumas etapas a serem cumpridas para evitar a soltura das peças, a começar pela implantação de uma tela protetora. “Primeiro, para evitar que caiam e que se perca parte da história pouco conhecida de Lisboa, antes do terremoto que a devastou, em 1755”, explica.

Em seguida, continua, é preciso remover os azulejos, colocar placas de cimento na parede para evitar o contato das peças com a umidade, fazer o restauro e, por fim, reaplicá-los. “Há mão de obra qualificada em Salvador, mas é um processo caro. Estamos buscando obter recursos”, afirma.

Por Franco Adailton

Fonte original da notícia: A Tarde




Salvador (BA) – Sem arremate, Solar Amado Bahia voltará a ser leiloado em outubro

O próximo leilão está previsto para acontecer dia 4 de outubro.

Sem uma oferta que pudesse cumprir com o valor mínimo estabelecido para sua aquisição, o Solar Amado Bahia, não conseguiu ser arrematado no leilão que aconteceu na manhã de ontem, no fórum do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), no Comércio. Dessa forma, o imóvel continuará com destinação indefinida, pelo menos, até o próximo leilão do tribunal, previsto para 4 de outubro.

Situado na Avenida Porto dos Tainheiros, na Ribeira, o imóvel foi a leilão pelo lance mínimo de R$ 1.863.750,00 – equivalente à metade do seu valor –, porém, a única oferta recebida foi de R$ 1,3 milhão. Dessa forma, será preciso aguardar até a próxima hasta a fim de saber o desfecho do imbróglio no qual o prédio histórico é protagonista.

Por conta de questões trabalhistas, o imóvel foi penhorado no ano passado, pela Justiça do Trabalho. O débito tem como causa um equívoco administrativo entre a associação e um funcionário.

O processo trabalhista foi movido contra a Associação dos Empregados do Comércio de Salvador, que ocupava o imóvel, conforme informou o leiloeiro Rudival Almeida, por Haroldo Portela Ribeiro.

Por Matheus Fortes

Fonte original da notícia: Tribuna da Bahia




Salvador (BA) – Nova sede da Fundação Gregório de Mattos será no antigo Hotel Castro Alves

Prefeitura divulga detalhes do projeto que irá ocupar o espaço abandonado na Barroquinha nesta quarta-feira (2).

O prédio do antigo Hotel Castro Alves, na Ladeira da Barroquinha. Foto: Arquivo Correio

O projeto de recuperação do antigo imóvel no qual funcionava o Hotel Castro Alves, um símbolo da região da Barroquinha, em Salvador, além de três estruturas anexas, darão lugar à nova sede da Fundação Gregório de Mattos (FGM), órgão da prefeitura voltado para o fomento à cultura.

Nesta quarta-feira (2), o prefeito ACM Neto e o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, vão divulgar os detalhes do projeto, a partir das 15h, no Espaço Cultural da Barroquinha (em frente à Praça Castro Alves). Também estarão presentes representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), demais autoridades e representantes da classe cultural.

Realizado em parceria entre a Prefeitura e Iphan, o projeto de instalação da nova sede da FGM contará com investimento de R$ 9,5 milhões, sendo R$ 1,5 milhão já aplicados pela administração municipal no processo de desapropriação. Por conta do abandono, parte do prédio que irá abrigar a FGM chegou a desabar em abril de 2008. O Iphan já deu início ao trabalho de limpeza do local.

Instalações extras
Além da estrutura administrativa, o equipamento prevê a instalação de um café-teatro; espaço para cursos, oficinas e ensaios; reserva técnica e auditório. As salas vão abrigar ainda a sede dos conselhos Municipal de Políticas Culturais (CMPC) e Consultivo do Patrimônio Cultural (CCPC).

Com isso, segundo a prefeitura, a intenção é transformar o local em um complexo cultural, que envolve os já existentes Espaço de Cinema Glauber Rocha, o Espaço Cultural da Barroquinha e o Teatro Gregório de Mattos (TGM). A ação faz parte do programa Salvador 360, eixo Centro Histórico, que deverá ser lançado ainda neste mês de agosto.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Ruínas de maternidade no Rio Vermelho recontam parte da história e de figuras ilustres do bairro mais boêmio de Salvador

Terreno situado no Morro do Menino Jesus, que fica em frente à praia do Buracão, está sem destino definido há mais de 30 anos.

Foto da antiga maternidade Nita Costa e Hospital da Criança. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Abrigo dos boêmios, o bairro do Rio Vermelho tem em cada rua parte da história de Salvador. Com relíquias escondidas em muros, prédios e casas, as ruínas em um terreno que já sediou hospital e maternidade revelam parte dessa riqueza histórica. Mais de 30 anos após a desativação do local na década de 80, a área de mais de 19 mil metros quadrados já foi alvo de polêmica com moradores da região e continua sem destino definido.

Vigiada por apenas um segurança, o espaço foi, segundo o historiador e escritor Ubaldo Marques, a maternidade pública mais importante do estado da Bahia, assim como o Hospital da Criança, que era referência. “A maternidade era uma construção monumental, com fachada principal e escadarias de acesso voltadas para a Rua Marquês de Monte Santo e entrada para ambulância e outros veículos por uma passagem lateral, vizinha à Rua do Barro Vermelho”, diz o trecho do livro “Rio Vermelho”, de Ubaldo Marques, publicado em 1991.

Ruínas da escadaria da antiga maternidade Nita Costa. Foto: Danutta Rodrigues/G1

Hoje, o que restou do complexo de saúde, inaugurado em 25 de dezembro de 1936, foi apenas a escadaria da conhecida Maternidade Nita Costa, construída apenas em 1952. “Ali era uma propriedade particular, de Adolfo Moreira, que era morador do bairro e foi o maior benemérito que o Rio Vermelho teve. Ele desmembrou uma parte da antiga fazenda dele para a construção do Hospital da Criança”, conta Ubaldo Marques.

De acordo com o historiador, o terreno foi doado com a garantia de que o espaço servisse para a finalidade de instituição pública de saúde. Ele diz que no documento de doação tinha uma cláusula garantindo que, no dia que o local deixasse de cumprir com as finalidades beneficentes, o bem doado, assim como todos os benefícios, voltaria para o poder do doador e os respectivos herdeiros.

Palacete Alfredo Magalhães, onde atualmente fica o restaurante Fogo de Chão, no Rio Vermelho. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

O responsável pela construção do Hospital da Criança, que foi referência em pediatria no estado, foi o médico Alfredo Magalhães, também morador do Rio Vermelho, que conseguiu viabilizar o espaço por meio de campanhas. Ele era presidente do Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Bahia (IPAI-BA), instituição filantrópica fundada em 11 de junho de 1903, por ele e também pelo médico Joaquim Augusto Tanajura. O IPAI-BA tinha como objetivo a proteção materno-infantil.

“Era um hospital tradicional e era referência na área da pediatria. Alfredo era conhecido a nível nacional. Ele tinha uma casa belíssima, que é onde fica atualmente o restaurante Fogo de Chão, próximo ao Largo da Mariquita”, conta o pesquisador e arquiteto italiano Federico Calabrese, autor da tese de mestrado “Estudos de Requalificação e de Valorização Urbana e Paisagística do Rio Vermelho em Salvador”.

Em 1930, a convite de Alfredo Magalhães, Leonina Nita Barbosa Sousa Costa, conhecida como Nita Costa, torna-se vice-presidente do IPAI-BA. Em 1943, após a morte de Magalhães, ela ocupa a presidência, quando o Hospital da Criança passou a levar o nome do médico. Já em 1952 é construída a ala da Maternidade Nita Costa, no período do governo de Luís Régis Pacheco (entre 1951 e 1955), que viria a se tornar a melhor do estado.

À esquerda, a fachada da Maternidade Nita Costa; à direita, Hospital das Crianças já em ruínas no final da década de 1950. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Natural de Feira de Santana, Nita Costa prosseguiu com o trabalho de Alfredo Magalhães e pelo importante papel na questão assistencialista e política, a maternidade levou o nome dela. Nita Costa foi uma das fundadoras do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na Bahia e a primeira deputada federal do nordeste do país, em 1955, quando a bancada feminina possuía apenas duas cadeiras, segundo registros do centro de pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Seguindo pelo terreno que fica no Morro do Menino Jesus, um pouco da história do bairro descoberto antes mesmo de Salvador, em 1509, por Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, vai se revelando. Ao fundo, tem a praia do Buracão, uma das mais badaladas de Salvador, e à frente um posto de gasolina, que já foi uma fábrica de papel.

As ruínas da maternidade Nita Costa ainda abriga muitas histórias dos personagens que por lá passaram. Segundo o historiador Ubaldo Marques, foi lá na instituição pública onde nasceu uma moradora ilustre do bairro, Lindinalva de Assis, mais conhecida como ‘Dinha do Acarajé’.

Muito frequentado por músicos, boêmios, turistas e baianos, o Largo de Santana, que fica no Rio Vermelho, até hoje é conhecido popularmente como Largo de ‘Dinha’, tamanha a fama da baiana de acarajé que morreu aos 56 anos, em 2008.

À esquerda, a Praia do Buracão; à direita, a chaminé da antiga fábrica de papel do Rio Vermelho. Foto: Danutta Rodrigues/G1

O historiador Ubaldo Marques conta que o hospital e maternidade foram fechados por questões políticas, a partir do surgimento de outra maternidade, já no governo que sucedeu o de Régis Pacheco. “Foi construída a Tysila Balbino, no governo de Antônio Balbino. O governador queria que a ‘dele’ fosse a melhor da Bahia e mandou trancar todos os recursos da maternidade Nita Costa. E aí ela fechou. Foi um ato criminoso. Depois veio o governador Juracy Magalhães e não reativou. A construção monumental entrou em processo de ruínas”, conta o historiador.

O fechamento ocorreu em junho de 1959. Apesar disso, uma pequena ala do complexo de saúde continuou a funcionar como casa de órfãos até 1983, o que manteve o terreno a serviço da comunidade. Porém, com o fechamento total dos espaços do terreno, ele deveria ter voltado ao poder da família dos donos, mas segundo Ubaldo Marques, a área passou a ser do governo do estado.

“Não se sabe em qual governador, mas o terreno passou a ser do IAPSEB (Instituto de Assistência e Previdência dos Servidores do Estado da Bahia), de forma ilegal. Na época de funcionamento dessa instituição de órfãos, já eram ruínas as unidades do terreno. Depois, o governador Valdir Pires quis fazer um centro integrado do menor lá no espaço. O projeto foi até feito por Oscar Niemeyer. Aí, quando passaram o trator e quebraram a obrigação prevista na doação [de ser um espaço filantrópico], um empresário comprou o terreno da família de Adolfo Moreira e entrou na Justiça contra o Estado”, conta Ubaldo Marques.

De acordo com o historiador, o empresário, que ele não divulgou de quem seria, não tinha interesse em fazer um empreendimento e vendeu para exploração imobiliária. “Dizem que ali se tornaria um condomínio de luxo”, conta Marques.

Lauro Matta, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (AMARV), conta que há mais de dois anos foi chamado para uma reunião com a construtora Odebrecht e a Associação dos Moradores da rua Barro Vermelho, onde fica o terreno, para falar sobre os planos da empreiteira à época.

“A princípio, seria uma torre com 20 andares, uma por andar, e no mesmo terreno, um hotel seis estrelas, e seria o mais luxuoso e melhor do nordeste. Mas os moradores da rua Barro Vermelho chegaram até a sugerir que eles construíssem uma praça”, lembra o presidente.

O historiador Ubaldo Marques desaprova a possibilidade de que o local se transformasse dessa forma. “Chega de grandes prédios no Rio Vermelho. É um bairro histórico, não tem um centro cultural aberto para o público, em uma localização privilegiada. Aquela escadaria poderia ser preservada, é lindíssima”, diz Marques.

O G1 tentou contato com a Associação dos Moradores da rua Barro Vermelho, que também seria contrária à construção de um empreendimento imobiliário no local, mas até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. A reportagem também não conseguiu acesso ao espaço interno do terreno.

De acordo com a empresa de segurança que atualmente toma conta da área, que é cercada por muro e tem a lateral fechada com placas de alumínio, a Odebrecht vendeu o terreno para a BV Financeira, que é do grupo Votorantim, mas a reportagem não conseguiu contato com os atuais donos do espaço. A Odebrecht confirmou, na manhã de terça-feira (1º), que a venda do terreno ocorreu em 2016.

Área onde funcionava a antiga maternidade e Hospital da Criança no Rio Vermelho. Foto: Danutta Rodrigues/G1

O pesquisador e arquiteto Federico Calabrese aposta em uma restauração do espaço e preservação da memória do bairro.

“O Rio Vermelho é uma área de proteção paisagística natural pelo município, pela Lous [Lei de Ordenamento e Uso do Solo]. Depois, tem alguns prédios tombados, pelo Ipac e Iphan, como a igreja de Santana, a Casa de Jorge Amado, a casa onde tem a academia Vila Forma, algumas edificações tombadas, mas o resto não tem nenhum tipo de proteção. Tem o resto de uma fábrica de papel, que [os atuais donos] preservaram aquela chaminé. O Rio Vermelho tem vários elementos que são patrimônios antigos. Um bairro a ser estudado. Um bairro que tem vida na cidade”, declara Calabrese.

Rampa de acesso às ambulâncias do antigo hospital e maternidade continua conservada. Foto: Danutta Rodrigues/G1

Segundo ele, não há nenhum tipo de proteção para o espaço onde foi o Hospital da Criança e Maternidade Nita Costa. “A escadaria é muito monumental, porque o hospital estava lá em cima. Era escadaria de acesso ao hospital. Eu trabalho na UFBA, sou professor, sou envolvido com patrimônio. Aqui [em Salvador] é muito difícil. Lá [no terreno] não tem quase nada. Nem sei por que eles não demoliram essa escadaria”, ironiza.

“O Estado tinha que aproveitar para fins de utilidade pública. Deveria desapropriar e construir um centro cultural ali. O Rio Vermelho não tem. É um bairro artístico e histórico. Chega de trazer prédios para o bairro. Ninguém aguenta mais. Jogar mais um equipamento imobiliário ali é crime”, sugere Ubaldo Marques, que também é morador da região desde os 13 anos, quando o local era apenas de veraneio. Enquanto o sonho do historiador não se concretiza, as ruínas seguem sem futuro definido no lugar mais charmoso da cidade, onde a noite nunca termina.

Imagem da praia do Rio Vermelho na primeira metade do século XX. Foto: Arquivo da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior

Por Danutta Rodrigues

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Instituto do Cacau será reformado cinco anos após incêndio

Obra vai custar R$ 1,7 milhão e terá início no mês que vem; resultado da licitação foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Cinco anos após o incêndio, o terceiro andar ainda permanece interditado; obras começam em agosto. Foto: Evandro Veiga/Arquivo Correio

Cinco anos depois do incêndio que destruiu o terceiro andar do Instituto do Cacau, no bairro do Comércio, em Salvador, finalmente o prédio vai ser reformado. A Secretaria da Administração do Estado (Saeb) publicou no Diário Oficial do último final de semana o resultado da licitação para recuperação estrutural da laje da cobertura e casa de máquina do prédio, que contará com um investimento de R$ 1,7 milhão. As obras serão realizadas pela AMF Engenharia e Serviços Ltda e terão início ainda neste mês de agosto.

Em 17 de janeiro deste ano, a Saeb havia divulgado que mais R$ 2 milhões seriam investidos na primeira etapa da obra. O edital chegou a ser publicado e a licitação marcada para 20 de fevereiro. No entanto, uma ação popular, liderada pelo advogado Bruno Almeida, conseguiu suspender a licitação, alegando que o projeto não possuía aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Na ocasião, o Iphan havia confirmado que seria necessária a análise e autorização deles para que ocorressem reformas no imóvel, pois o Instituto do Cacau fica em uma região do Comércio tombada pelo órgão, estando também sob a proteção dele.

A liminar que suspendeu a licitação foi julgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e cassada no dia 30 de maio. Um dia depois, a Saeb lançou a nova licitação que escolheu a empresa que vai tocar a obra.

Arquitetura
Quem nota as paredes pichadas e sujas ou as grades enferrujadas do Instituto do Cacau nem imagina que aquela estrutura foi uma das primeiras obras de arquitetura moderna na Bahia. Do lado de fora, o teto queimado relembra a manhã de 16 de julho de 2012, quando o terceiro andar foi destruído por um incêndio.

Incêndio ocorreu no dia 12 de julho e destruiu o terceiro andar do prédio. Foto: Evandro Veiga

No alto do edifício, ainda é possível ver vários andaimes estruturados que sustentam os destroços do terceiro andar – o qual continua interditado desde o fogo – e impedem um possível desabamento. Nos andares inferiores do prédio funcionam o SAC Educação, o SAC Cidadão e o Núcleo Regional da Educação.

O Instituto do Cacau foi criado em junho de 1931. Para a época, o design do prédio foi uma importante evolução arquitetônica no estado. O projeto foi assinado pelo arquiteto alemão Alexander Buddeus e reúne linhas sofisticadas, com elementos de estilos clássicos como o art déco e a Escola de Bauhaus.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Casarão com risco de desabamento no Barbalho será demolido

Prefeitura informou que trabalho para derrubar o imóvel começa no sábado.

A rua ao lado do casarão precisou ser interditada. Foto: Arquivo Correio

O casarão da Rua Professor Viegas, no Barbalho, será demolido a partir deste sábado (29) pela manhã, informou a prefeitura nesta quinta-feira (27). O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) afirmou que o imóvel está fora do polígono de tombamento sob responsabilidade do órgão.

No último dia 19, foi realizada uma vistoria no casarão pela Codesal que indicou risco de desabamento do prédio – por precaução, o trânsito chegou a ser interditado na rua lateral. Desde então, iniciou-se um impasse entre Codesal e Ipac sobre quem caberia a demolição do bem.

“De acordo com as leis municipais, estaduais e federais, Soledade e Barbalho são responsabilidade constitucional da Prefeitura Municipal de Salvador, já que a mesma detém uso, ocupação e funcionamento sobre o solo urbano da cidade que administra”, sentenciou o Ipac, em nota divulgada também nesta quinta (27).

A demolição será conduzida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbano (Sedur), iniciando a partir das 8h.

Segundo a Codesal, provavelmente vias da região serão interditadas pela Transalvador durante o processo de demolição – os locais exatos ainda não foram divulgados.

Segundo os moradores, o local já apresenta problemas na estrutura há cerca de 30 anos. Os vizinhos disseram ainda que o imóvel serve de abrigo para moradores de rua e usurários de drogas. “É um perigo porque aqui passa muitos estudantes. A qualquer momento pode acontecer uma tragédia como o da Soledade. Os entulhos que ficam no interior atraem vários ratos”, diz o comerciante Fernando Jacó, 57 anos.

O dono das intervenções que adornam o casarão há cinco anos teme que o local de exposição das suas obras caia. “Se desmoronar tenho que procurar um outro local, mas o importante mesmo são as vidas das pessoas”, pondera o comerciante  Edmilson Conceição, 40.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia