Monumento do Cristo da Barra, em Salvador (BA), é tombado pela prefeitura


Ato ocorreu na tarde desta quarta-feira (29), na capital baiana. Prefeitura ainda anunciou requalificação do ponto turístico.

Cristo da Barra foi tombado nesta quarta-feira, em Salvador. (Foto: Reprodução / TV Bahia)

Cristo da Barra foi tombado nesta quarta-feira, em Salvador. (Foto: Reprodução / TV Bahia)

O Monumento ao Cristo Nosso Senhor, no bairro da Barra, em Salvador, foi oficialmente tombado pela Prefeitura em cerimônia realizada na tarde desta quarta-feira (29), em homenagem aos 468 anos da cidade. Na ocasião, a administração municipal também autorizou a requalificação do monumento, que é um dos principais pontos turísticos da cidade.

Segundo a prefeitura, o tombamento do Cristo traz como um dos motivos o fato de o monumento público, assim como outros na cidade, carregar em si a simbologia de pertencimento, valores e memória de determinado lugar ou grupo social.

A estátua foi indicada por traduzir-se numa obra de caráter religioso, resguardando valores da cultura local. Outro argumento, segundo a prefeitura, está na proximidade do centenário de existência da obra.

O tombamento é a segunda ação da Lei de Preservação ao Patrimônio Cultural do Município, organizada por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM). A primeira ação da Lei de Preservação ao Patrimônio Cultural foi o tombamento do conjunto monumental do terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, também conhecido como Vodun Zô, localizado no bairro da Liberdade.

Segundo a prefeitura, o próximo conjunto que deverá ser regido pela legislação municipal é a Pedra de Xangô, em Cajazeiras XI, previsto para o mês de abril.

A cerimônia de tombamento do Cristo, nesta quarta-feira, contou com a presença do prefeito ACM Neto, do secretário de Cultura e Turismo (Secult), Cláudio Tinoco, do presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, da presidente da Fundação Mario Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, entre outras autoridades.

Requalificação
O projeto de requalificação ambiental do Morro do Cristo, na Barra, segundo a prefeitura, engloba tratamento dos acessos e valorização do monumento, principalmente após ação de tombamento municipal da estátua e das ações de requalificação urbanística e ambiental dos trechos de orla de Salvador. A intervenção compreende uma área de aproximadamente 500 m² e o investimento previsto é de R$1,2 milhão.

As ações no monumento contemplam nova alvenaria de contenção, implantação de piso e de iluminação cênica. Além do restauro da estátua do Cristo Salvador, será feita substituição do pedestal, que passará de granito preto para vidro, sem alterar as características do patrimônio a ser tombado, conforme a prefeitura.

O projeto contempla também a instalação de uma Praça das Bandeiras que poderá ser utilizada para realização de missas campais. Além disso, segundo a prefeitura, serão feitas melhorias no acesso, com instalação das placas atuais de concreto por granito, formando degraus ao longo da encosta. Será mantida ainda toda a vegetação existente, mas será feito plantio de novos coqueiros na localidade.

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Centro Antigo vive transformação


Mudanças buscam resgatar os tempos áureos, preservando a história do local.

thumbnail.ashx

Considerado o berço de uma nação inteira, a região mais antiga de Salvador passou por várias transformações, principalmente no último século, até se tornar um dos símbolos de conservação da história. Divididos em bairros que acabaram adquirindo maior ou menor importância econômica, a região do Centro Antigo de Salvador (CAS) está passando agora por uma série de mudanças que buscam resgatar os tempos áureos daquele lugar.

De acordo com a professora Luciana Sobral, coordenadora do Núcleo de Estudos Históricos da Unijorge, a busca por atender à demanda global, o CAS foi mapeado, recenseado e inúmeras transformações foram empreendidas nas últimas décadas, como a revitalização do Pelourinho, a reforma de inúmeros monumentos históricos como igrejas, prédios, praças; a modernização do porto de Salvador, calçamentos, etc.

“Todo esse investimento econômico na região, se trouxe benefícios e adequações à realidade da nova ordem mundial, por outro lado impactou de forma decisiva a vida de milhares de pessoas que viviam ou trabalhavam na região”, explica a historiadora. Essa influência também é notada em diferentes pontos de todo o Centro Antigo, que pode se dividir por bairros mais turísticos (como o Pelourinho) e residenciais (como Nazaré, Saúde ou Barbalho, por exemplo).

“Influencia em inúmeros quesitos, como por exemplo, na especulação imobiliária, no índice de violência e até de abandono por parte das autoridades. Regiões com maior fluxo turístico atraem a atenção dos órgãos gestores que tendem a investir mais pesadamente na segurança e na manutenção do patrimônio que reverte em lucro para as instituições, enquanto regiões sem grande apelo turístico tendem a ser menos privilegiadas neste e em outros sentidos”, explica Luciana.

Até o final do século XIX, o CAS era local de intensa movimentação e abrigava a elite da cidade do Salvador. “Existem relatos históricos de que havia touradas e carneiradas na Av. Sete de Setembro em direção à Praça Castro Alves. Ainda nessa praça temos o que é considerado por alguns pesquisadores como o primeiro teatro de ópera do Brasil, o Teatro São João, fundado em 1812 e destruído por um incêndio em 1923”, detalha a professora.

O Terreiro de Jesus era local de disputas a cavalos entre os jovens filhos de fazendeiros, políticos e senhores de escravos que vinham a Salvador a fim de cortejarem as jovens damas da corte. Palco de inúmeras procissões religiosas e eventos diversos, o CAS abrigava os principais prédios administrativos, a cadeia, o Palácio do Governo e era ainda o local de encontro de irmandades religiosas como a Santa Casa da Misericórdia, a Ordem Terceira de São Francisco, dentre outras. Também era área de circulação de uma população escrava ativa que transitava e comercializava nas ruas barulhentas e amontoadas, os chamados escravos de ganho.

Com a crise da agroindústria açucareira, o prestígio econômico e político da região diminuiu e a cidade expandiu-se em outras direções. Novas formas de transporte serviram para otimizar esse processo de expansão, como o surgimento dos bondes, inicialmente puxados a tração animal, depois, elétricos. Durante o governo de J. J. Seabra (1912-1916), ocorreu intensa reforma urbana que destruiu ou danificou alguns prédios históricos importantes, como a Igreja da Ajuda (o grande orador jesuíta Antônio Vieira utilizou o púlpito desta igreja algumas vezes), de São Pedro, Rosário e Mercês.

O vácuo deixado pela mudança das famílias mais abastadas da região para outras mais distantes permitiu o ingresso de imigrantes espanhóis, árabes e portugueses que se dedicaram ao comércio local. Nos anos 60, o Comércio abrigava um grande contingente de comerciantes, trabalhadores manuais, artesãos em geral, além de pessoas de baixa renda, prostitutas e marginais, expurgados dos bairros mais nobres, confinados em cortiços espalhados pelos becos e ruas do CAS, vivendo em péssimas condições de vida e exercendo atividades econômicas informais.

Recentemente, autoridades do Estado e Município têm mostrado cada vez mais interesse no resgate do Comércio que atualmente possui muitos imóveis sem utilidade. Para a historiadora, o aspecto que mais deve ser levado em conta nessa retomada é o que leva em consideração as necessidades e o potencial humano de quem reside, trabalha ou estuda na região.

“O Poder Público deve definir medidas que equacionem com justiça social as estratégias de sustentabilidade, moradia e inclusão, relacionando cultura e desenvolvimento, que não são necessariamente, excludentes. Qualquer medida que vise revitalizar e atrair mais investimentos e pessoas para a região deve respeitar o patrimônio artístico, histórico e cultural da região, e especialmente, o patrimônio humano, que é o que mantém tudo pulsante e vivo.”, avaliou.

Pelourinho, o tesouro da capital

A região mais conhecida evidentemente é o Centro Histórico, que, compreendendo o trecho na Praça Castro Alves, e indo até o Pelourinho, é considerado o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina, valor que rendeu à região o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco, em 1985, e atraiu permanentemente a atividade turística ao local.

Com edificações que datam do século XVII até o início do século XX, o Pelourinho hoje é um dos maiores tesouros de Salvador – uma cidade cujo turismo tem grande importância em sua economia. A maior parte de suas casas se transformaram em lojas, restaurantes e estabelecimentos de hospedagem, atraindo todos os anos, milhares de visitantes.

No bairro, a beleza arquitetônica divide espaço com elementos de clara desigualdade social, a exemplo dos pedintes e moradores de rua, e o movimento de pessoas no ponto turístico, é sazonal, tendo grande presença dos seus frequentadores durante a alta estação. Assim, o atual Pelô divide opiniões entre comerciantes, turistas e dos próprios baianos que passam pelo local.

A turista fluminense Maria Julia Alvarez se diz encantada com a expressão cultural presente no local durante sua primeira visita à cidade. “Acho que nós brasileiros deveríamos valorizar mais isso, e fazer todo esforço para preservar esses lugares, pois eles estão cada vez mais difíceis de encontrar”, exaltou ela, enquanto assistia uma apresentação de capoeira no Terreiro de Jesus.

Não muito distante, já na Rua das Portas do Carmo, o comerciante Antônio Francisco tem uma opinião bem divergente sobre o atual bairro. De acordo com ele, que trabalha com a venda de produtos artesanais e souvenirs há 20 anos, a situação apenas piorou. “Quando comecei a trabalhar aqui o movimento era muito maior e as pessoas se sentiam mais seguras”, explica ele.

Antônio detalha que, por conta da queda no movimento, sua loja, que nos primeiros anos chegava a funcionar até 23h, agora fecha sempre às 20h. Para ele, é preciso que o bairro tenha mais eventos, e mais policiamento para que baianos e turistas voltem a frequentar o espaço o Centro Histórico.

Santo Antônio

Ao lado do Pelô, o Santo Antônio Além do Carmo ostenta um cenário muito parecido de beleza arquitetônica, mas com uma atmosfera mais reservada, com menos comércio, e mais residências, e que pode ser notado pelas ruas bem menos movimentadas do que o seu bairro vizinho. Ainda assim, a Rua Direita de Santo Antônio – principal via da vizinhança – também dispõe de vários estabelecimentos de hospedagem de médio porte, assim como um de grande porte instalado no Convento do Carmo.

Moradora desde que nasceu, há 19 anos, Laís Cruz, diz ter presenciado poucas mudanças no bairro, mas, destacou algumas que tem melhorado bastante a vida dos residentes. Segundo ela, a revitalização do Plano Inclinado Pilar – que liga o Santo Antônio ao Comércio, na Cidade Baixa – foi fundamental para a sua mobilidade e a dos vizinhos.

“Ficou melhor para sair do bairro para resolver problemas no banco, ou comprar algo que não posso encontrar por aqui”, destacou ela, assim como os equipamentos de ginástica instalados no Largo do Santo Antônio, que voltou a reunir as famílias da redondeza.

Ainda assim, ela faz ressalvas em relação à segurança. Laís explica que, mesmo com a instalação dos hotéis e pousadas, a região carece de policiamento. “Acredito que o Santo Antônio, assim como o Pelourinho, também tem potencial turístico, mas é preciso ter mais investimento em segurança aqui, pois infelizmente não é incomum a gente presenciar delitos”, avalia.

Revitalização

Enquanto isso, falta pouco para recuperar as vias do Centro Antigo da capital, e a revitalização já alcança os 70% de obras concluídas. Recentemente, 700 metros da Rua Djalma Dutra, que integra a região já foram repavimentados e as antigas calçadas foram substituídas por novas, equipadas com itens de acessibilidade como piso tátil e rampas de acesso. A previsão é que as obras de todo o projeto sejam finalizadas até o fim do ano.

Localizada entre os bairros de Brotas, Sete Portas e Nazaré, a Rua Djalma Dutra faz parte de uma iniciativa ainda maior, que é o projeto ‘Requalificação Urbana do Entorno da Arena Fonte Nova’, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur), com o investimento de R$ 10,5 milhões.

Além desta, o projeto envolve ainda a requalificação de pontos como a Avenida Vasco da Gama, passando pelo Dique do Tororó, até a Arena Fonte Nova, e trecho da Avenida Presidente Castelo Branco, no Vale de Nazaré, que está em fase de finalização. A ação também inclui melhorias na Avenida J.J.Seabra (Baixa dos Sapateiros), no trecho da Sete Portas até a Estação Aquidabã, e finalizando na junção das vias, em frente à Arena Fonte Nova.

Também estão sendo realizados os projetos ‘Pelas Ruas do Centro Antigo’, que investe R$ 124 milhões na recuperação de mais de 260 vias em 11 bairros da capital, e ‘Requalificação Urbana da Baixa dos Sapateiros’, que recupera vias, passeios e praças, envolvendo ainda a instalação de nova iluminação e a reforma do Quartel do Corpo de Bombeiros, da Praça dos Veteranos e da Ladeira do Pax.

Por Matheus Fortes

Fonte original da notícia: Tribuna da Bahia




Salvador (BA) – MPF recomenda que reforma no Mercado Modelo siga normas do Iphan


Em nota, a prefeitura informou que o projeto está em fase finalização.

Foto: Max Haack/Agecom

Foto: Max Haack/Agecom

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) recomendou à prefeitura de Salvador que sejam adotadas medidas necessárias para recuperar a rampa do Mercado Modelo e do cais ao redor do local, de forma a atender aos critérios estabelecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para aprovação da obra.

Segundo o procurador Pablo Coutinho Barreto, autor da recomendação, algumas condições estipuladas pelo Iphan não foram cumpridas na execução da obra, como o acesso de pessoas com dificuldades de locomoção.

De acordo com o MPF, era obrigatória, ainda, a integração da rampa com o cais e a sinalização tátil nos pisos, de acordo com a Norma Brasileira 9050, que trata sobre acessibilidade, medidas que garantem a acessibilidade sem afetar o patrimônio histórico.

O órgão destacou ainda que é competência comum dos entes federativos a proteção das obras e outros bens de valor histórico, conforme prevê o inciso III do artigo 23 da Constituição Federal.

Projeto em fase de finalização
De acordo com a prefeitura, os projetos de elaboração da Praça Cairu e do Mercado Modelo, ambos localizados na região do Comércio, estão em fase final de elaboração. O trabalho está a cargo da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e as obras serão realizadas com recursos federais.

No caso da Praça Cairu, o secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas, Almir Melo, afirma que estão sendo feitos os ajustes finais do projeto a ser encaminhado à Caixa Econômica Federal. As obras serão executadas com recursos do Programa Regional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).

Já o projeto de restauro do Mercado Modelo deve ser finalizado até março de 2017 pela FMLF, com recursos a serem captados do Ministério do Turismo. A ação consiste na recuperação total da estrutura da fachada e da parte interna do equipamento. Em nota divulgada, a prefeitura frisou que ambos projetos seguem orientações do Iphan contempladas no estudo.

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Nota Pública do Icomos-Brasil em apoio ao IPHAN


icomos-1

O ICOMOS-BRASIL, em sua tarefa de zelar pela preservação dos monumentos e sítios históricos brasileiros, vem manifestar o seu apoio ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e à sua Presidente, Kátia Bogéa, frente à recente polêmica relativa ao licenciamento do edifício residencial La Vue, localizado no entorno do Outeiro de Santo Antônio da Barra, sítio histórico urbano tombado pelo Iphan na cidade de Salvador, Bahia.

A decisão da Presidente do Iphan de anular a autorização para construção do empreendimento, anteriormente concedida pela Superintendência do Iphan na Bahia, teve como objetivo evitar o indiscutível impacto paisagístico negativo que a construção de uma torre com aproximadamente 100 metros de altura promoveria na ambiência do sítio tombado, caracterizada por edificações de até 40 metros. Seu criterioso posicionamento fundamenta-se no conceito de vizinhança do bem tombado, previsto no artigo 18 do Decreto-Lei 25/1937, cuja interpretação foi ampliada e consolidada pela jurisprudência dos Tribunais brasileiros.

Os desdobramentos do fato, como a imprensa divulgou, levaram o Ministro da Cultura, Marcelo Calero, a demitir-se do cargo e a declarar em entrevista à Folha de São Paulo ter sofrido pressões de um influente ministro do atual Governo para desconsiderar a posição do Iphan e aprovar o empreendimento, em clara sobreposição de interesses pessoais ao interesse público.

Tal situação é representativa das constantes tentativas de interferência praticadas contra a autonomia do Iphan nos últimos tempos, que vêm sendo denunciadas pelo ICOMOS-BRASIL a exemplo das substituições de especialistas experientes no campo da preservação do patrimônio cultural por indicações políticas sem formação ou qualquer experiência prévia ocorridas em algumas Superintendências do órgão.

Prestes a completar 80 anos de intensa e reconhecida atuação na preservação do patrimônio cultural brasileiro, o Iphan deve ter sua autonomia garantida e nas suas decisões devem prevalecer obrigatoriamente os critérios técnicos e os interesses coletivos.

Por tais razões, o ICOMOS-BRASIL corrobora integralmente o entendimento do Iphan quanto ao inaceitável prejuízo que a construção do empreendimento residencial La Vue causaria à paisagem do bem cultural tombado e apóia firmemente a decisão de anular a autorização do dirigente estadual. Ao mesmo tempo parabeniza e expressa solidariedade aos servidores do Instituto e, em especial, ao Diretor de Patrimônio Material, Andrey Schlee, e à Presidente Katia Bógea.

Belo Horizonte, 22 de novembro de 2016.

Dr. Leonardo Barci Castriota
Presidente – ICOMOS/BRAZIL

Fonte original da notícia: ICOMOS Brasil




Peças de prata e ouro do século XVIII são furtadas de igreja em Salvador (BA)


Crime ocorreu na madrugada do último domingo (6), no bairro de Nazaré. Segundo a polícia, invasores usaram uma árvore para entrar na igreja.

Igreja fica localizada no bairro de Nazaré, no centro de Salvador. (Foto: Reprodução/TV Bahia)

Igreja fica localizada no bairro de Nazaré, no centro de Salvador. (Foto: Reprodução/TV Bahia)

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, foi invadida e teve peças de ouro e prata do século XVIII roubadas do altar, na madrugada do domingo (6). As informações foram confirmadas ao G1 nesta segunda-feira (7), pela Polícia Civil.

De acordo com a Secretaria Paroquial, foram levados quatro castiçais e a porta do sacrário, que são de prata, além de um ostensório de ouro. As peças fazem parte de um acervo de arte sacra tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo informações da polícia, os invasores usaram uma árvore para ter acesso ao interior da igreja. Não havia ninguém no local momento do furto. A situação só foi percebida quando a igreja foi aberta para missas, no ínicio da manhã do domingo.

Ainda de acordo com a polícia, o altar foi isolado e uma perícia foi realizada no local. As missas e outras cerimônias realizadas na igreja foram suspensas temporariamente.

Conforme a polícia, a identidade dos invasores ainda é desconhecida, pois a igreja não possui câmeras de segurança. O caso está sob investigação da 1ª Delegacia Territorial (DT) dos Barris, que cobre a região.

Fonte original da notícia: G1 BA




Salvador (BA) – Obras na Rua Chile descobrem relíquias arqueológicas


Os materiais só estão sendo descobertos por conta da escavação que será feita para a instalação da chamada vala técnica.

Foto: Ascom/Dircas

Foto: Ascom/Dircas

Além da beleza arquitetônica e histórica, a Rua Chile, primeira do Brasil, esconde no seu subsolo muitas outras relíquias. Peças de metal, pinos em cobre, conchas e corais, além de restos de tijolos, telhas e fragmentos de louças dos séculos 17, 18 e 19 são alguns dos objetos que estão vindo à tona na pesquisa arqueológica prévia à revitalização do local, marcada para iniciar assim que as escavações históricas terminarem, daqui a um mês.

Os materiais só estão sendo descobertos por conta da escavação que será feita para a instalação da chamada vala técnica, por onde passarão a fiação elétrica, os cabos de fibra ótica, a rede de gás, a distribuição de água e a coleta de esgoto da rua, todos transferidos para o túnel subterrâneo.

Os 3 mil objetos foram encontrados apenas na primeira das 14 trincheiras que serão abertas. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), o material será encaminhado ao laboratório de uma empresa especializada na avaliação e proteção de bens culturais tombados, responsável pelo projeto da Rua Chile.

Tudo será higienizado, classificado, catalogado e seguirá para o Museu Arqueológico da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), no bairro da Caixa D’ Água, em Salvador. O trabalho é uma determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“É uma compensação diante da possibilidade de perda de material histórico. Por outro lado poderemos fazer um resgate estético dessa rua tão importante”, explicou Tânia Barros, superintendente de Planejamento do Centro Antigo. A iniciativa integra o projeto Pelas Ruas do Centro Antigo, com investimento de R$ 124 milhões para a melhoria da infraestrutura urbana em mais de 200 ruas da região.

Por Alexandre Lyrio

Fonte original da notícia: Correio – Bahia




Salvador (BA) – Obras de arte sacras descobertas em reforma viram tema de exposição


Imagens estavam embaixo de diversas camadas de tinta em igreja. Fotos que mostram descobertas podem ser vistas até 16 de setembro.

Divulgação/Internet.

Divulgação/Internet.

Uma exposição na Igreja da Vitória, em Salvador, mostra fotos de obras de arte sacras descobertas durante a restauração do templo, que é um dos mais antigos da Bahia e que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Debaixo de muitas camadas de tintas, foram encontradas raridades registradas pelo fotógrafo Alberto Lira. As fotos deram origem à mostra que leva o nome de “Preciosidades”.

Divulgação/Internet.

Divulgação/Internet.

A exposição foi aberta na noite de terça-feira (6) e as imagens podem ser vistas até o dia 16 de setembro na igreja, localizada no Largo da Vitória.

As obras encontradas, no entanto, podem ser apreciadas todos os dias na igreja. Entre as descobertas estão uma pintura que fica da pia batismal e a imagem de Senhora Santana, que tem um altar próprio.

A restauração na igreja foi concluída em um ano e meio e, após o trabalho, surgiu a ideia de mostrar aos fiéis e admiradores de artes sacras, como conta o curador da mostra, Justino Marinho. De acordo com ele, uma das últimas restaurações realizadas no local foi em 1934, quando as técnicas ainda eram muito precárias na Bahia.

“A gente precisa valorizar essas coisas que são nossas. E não só essa igreja, como todas as outras, têm coisas fabulosas que a gente não se dá conta”, afirmou o curador.

Divulgação/Internet.

Divulgação/Internet.

Outra surpresa descoberta durante a reforma foi a imagem de um anjo que estava escondida embaixo de sete camadas tinta, em cima do altar principal da igreja.

Divulgação/Internet.

Divulgação/Internet.

“Esse anjo foi uma grande alegria para todos nós e nos leva a perceber como as pessoas tinham cuidado em criar coisas bonitas para nossa fé”, destacou o padre Luís Simões.

Fonte original da notícia: G1 BA, com informações da TV Bahia




Com investimento de R$260 milhões, Salvador (BA) se reinventa e lidera turismo brasileiro


Centro histórico de Salvador. Foto: Divulgação

Centro histórico de Salvador. Foto: Divulgação

A primeira capital do Brasil decidiu se reinventar. O destino líder do Nordeste viu concorrentes como Recife e Fortaleza acirrarem a disputa nos últimos anos, mas reconheceu o peso de ser a porta de entrada oficial da região. Ao todo, Salvador recebeu mais de R$ 260 milhões entre os anos de 2013 e 2015, investidos em revitalização, reforma e construção de espaços culturais e históricos, praças turísticas, e todos os 44 quilômetros de orla. Este passo pode ser considerado vital para manter a maior movimentação operacional aérea da região e continuar entre os dez melhores destinos do Brasil em 2016, de acordo com o TripAdvisor.

Com mais de 39 mil leitos espalhados pela capital, a cidade é mais do que estruturada no quesito hospedagem, tanto para lazer, quanto para o mercado corporativo. Enquanto a beleza natural ajuda a movimentar a alta temporada para o mercado de lazer, a falta de um equipamento para receber grandes feiras e congressos vai ficar só na saudade. Já a partir de novembro, a área destinada a congressos do Centro de Eventos será novamente aberta, o que pode ser vital para movimentar a baixa temporada em destinos que começam a ver no bleisure uma saída para bater as metas turísticas de movimento de negócios e fluxo de visitantes.

Por falar em fluxo, o Aeroporto de Salvador é líder no Nordeste há mais de cinco anos. Em 2015, por exemplo, desembarcaram na cidade mais de 8,6 milhões de turistas nacionais, bem acima dos 6,5 milhões recebidos por Recife, que vem na segunda posição. Quando o assunto são os “turistas internacionais”, a capital baiana sobe mais uma vez ao topo no mínimo pelos últimos cinco anos. Mais de 346.000 viajantes desembarcaram em Salvador em 2015, enquanto Recife recebeu 271 mil e Fortaleza 237 mil, com destaque para a Argentina.

Os “hermanos” lideram o mercado emissivo para capital baiana, fator em que a Aerolíneas Argentinas e a Gol têm grande participação por conta de seus voos semanais. Alemanha, Estados Unidos, França, Chile, Itália, Inglaterra, Espanha, Portugal e Suíça fecham o ranking da Pesquisa de Turismo Receptivo de 2014/2015.

Com uma receita turística total de R$ 5,6 bilhões em 2015, Salvador sabe que muito ainda precisa ser feito para se manter como a cara do Nordeste para o mercado internacional. Com o objetivo de aumentar o tempo de permanência do visitante e, consequentemente, a receita turística anual, diversas ações por parte dos órgãos governamentais foram, estão e serão realizadas. Entre elas, está o aumento da diversidade de segmentos, o que faz a capital baiana passar a investir mais no turismo náutico, étnico, religioso, de eventos de negócios e gastronomia, sem deixar de lado, claro, todas as belezas encontradas por aqueles que veem o segmento Sol e Praia como prioridade.

Para receber os viajantes, uma melhor qualidade de infraestrutura urbana já é realidade em Salvador. Um belo exemplo são os Fortes de São Diogo e Santa Maria, ambos no Porto da Barra que está totalmente revitalizado há dois anos, que passaram a receber projeções de fotografias de Pierre Verger e Carybé ao cair da noite. Um espetáculo que faz o turista esperar o pôr-do-sol e depois seguir para as dezenas de bares e restaurantes que agora integram a região.

Ao longo dos últimos anos, novos atrativos culturais foram criados. O Memorial Casa do Rio Vermelho, por exemplo, agora ganhou projeções na parede que completam a experiência de visitar a casa e conhecer a vida do escritor Jorge Amado. A Casa do Benin é outra que abriu as portas para os turistas e visitantes como salas de exposições temporárias, além de realizar um convênio especial com o Senac para uma oficina de gastronomia africana, um dos pilares do desenvolvimento histórico de Salvador.

O Teatro Gregório de Matos e o Espaço Cultural da Barroquinha também fazem parte do grupo de novos atrativos cultura. E o que vem por aí? Está em andamento a criação do Museu da Música, o Forte de São Marcelo, com obras iniciadas pelo Iphan, o Museu da Cidade, que estará ao lado do Plano Inclinado Gonçalves, e a Praça Cairu, com previsão de ser entregue em outubro deste ano.

Quando o assunto é Sol e Praia, Salvador também caprichou. Toda a orla de São Tomé, Tubarão, Ribeira, Barra, Rio Vermelho, Jardim de Alah, Piatã e Itapuã foi requalificada e ganhou oportunidades turísticas interessantes, como novos points, restaurantes, bares, aluguel de bicicletas e uma maior segurança. Ao longo deste trecho, há monitoramento de câmeras de vídeo, sinalização turística e limpeza urbana em dia.

Érico Mendonça, secretário de Cultura e Turismo de Salvador, está orgulhoso da repaginada em toda a capital. “Ainda temos algumas intervenções a serem realizadas, como bairros que podem ser agregados, o fortalecimento da economia criativa ao aproveitar o turismo como forma de atuação, a criação de um centro multi eventos e finalizar toda a requalificação da orla, uma obra prevista para terminar até 2017”, disse.

Casa Jorge Amado – A primeira capital do país e atual capital da Bahia tem uma riqueza cultural de dar inveja em grande parte dos estados brasileiros. A cidade investiu mais de R$ 80 milhões em revitalização e construção de espaços culturais, uma história guardada desde a época colonial. Por falar em cultura, uma das joias preservadas de Salvador é a Casa Rio Vermelho Jorge Amado e Zélia Gattai, que também recebeu o carinho necessário dos órgãos governamentais.

Quarto de Jorge Amado e Zélia Gattai na Casa do Rio Vermelho. Foto: CRVIV

Quarto de Jorge Amado e Zélia Gattai na Casa do Rio Vermelho. Foto: CRVIV

Jorge Amado nasceu na cidade de Itabuna, na Bahia, em uma pequena fazenda, no dia 10 de agosto de 1912. Foi um dos escritores brasileiros mais famosos de todos os tempos. Com 60 anos de carreira, ele escreveu 32 livros que revelaram ao mundo a Bahia e toda sua fé e mistérios. Lutou a vida inteira contra a injustiça social, mergulhou de cabeça na política como deputado federal e morreu no dia 06 de agosto de 2001. Sua casa, no bairro de Rio Vermelho, Salvador, onde viveu por décadas ao lado de sua mulher Zélia Gattai e de seus filhos, acabou virando um patrimônio cultural para Salvador. É considerado um dos lugares que mais refletem a vida íntima do escritor.

Entre quartos, sala de jantar, sala de TV, cozinha, biblioteca, jardim, entre outros cômodos, a Casa Rio Vermelho Jorge Amado e Zélia Gattai revela muitos capítulos da história do escritor: as peças que colecionava, os móveis que utilizava e o jardim onde estão jogadas suas cinzas se integram agora às projeções que passaram a fazer parte de diversos cômodos após a revitalização, a fim de detalhar cada pedaço de sua carreira, todos os seus desafios e o brilho do seu sucesso.

Visita obrigatória – Considerando todas as novidades da capital baiana, o M&E listou três atrativos que não podem faltar em um roteiro pela cidade. Veja:

Elevador Lacerda – Ele tem 72 metros de altura e levou quatro anos para ficar pronto. Hoje é uma das caras de Salvador na divulgação turística nacional e internacional. Idealizado pelo baiano Antônio de Lacerda em 1869, o elevador liga a parte baixa e alta de Salvador e encontra-se entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa. Com quatro cabines eletrificadas que comportam 32 passageiros, o elevador virou uma atração cobiçada pelos visitantes que aguardam os 22 segundos de passeio entre o sobe e desce. Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2006, o atrativo transporta mais de 900.000 passageiros por mês.

Elevador Lacerda. Foto: Divulgação

Elevador Lacerda. Foto: Divulgação

Pelourinho – Também considerado Patrimônio Cultural da Humanidade e tombado pela Unesco em 1985, o Pelourinho, situado no Centro Histórico de Salvador, é formado por uma praça cercada por várias casas antigas, no estilo colonial. Durante a época da escravidão, era o lugar onde os escravos eram castigados, e hoje é um dos pontos altos do turismo de Salvador. Lá é possível conhecer diversos casarões e igrejas antigas, como a do Rosário dos Homens Pretos e a Catedral Basílica, além de feiras de artesanato, restaurantes com culinária baiana e centros culturais.

Pelourinho. Foto: Divulgação

Pelourinho. Foto: Divulgação

Igreja Basílica de Nosso Senhor do Bonfim – Fundada em 1772, a Igreja do Bonfim está lotada de segunda à segunda. Localizada na Cidade baixa, o espaço pode ser visitado todos os dias de 6h30 às 18h, embora no domingo a visitação tenha início às 9h. A Igreja do Bonfim tem como tradição a lavagem das escadarias, que atrai milhares de peregrinos, fiéis e turistas na segunda quinta-feira do mês de janeiro, após o Dia de Reis. Em sua arquitetura, a igreja tem a fachada parcialmente coberta por azulejos, enquanto seus portões são cobertos por fitinhas do Senhor do Bonfim, uma grande tradição do Nordeste que ganhou a crença em âmbito nacional. As fitas são consideradas símbolos da crença baiana, colocados por fiéis de todo o mundo que visitam o local para fazer pedidos ao santo.

As fitinhas do Senhor do Bonfim são consideradas símbolo das crenças baianas. Foto: Divulgação

As fitinhas do Senhor do Bonfim são consideradas símbolo das crenças baianas. Foto: Divulgação

Por Pedro Menezes

Fonte original da notícia: www.mercadoeeventos.com.br




Salvador (BA) – Curso sobre a história da arte barroca está com as inscrições abertas


arte-sacra

A construção da arquitetura ilusória na grande decoração barroca: perspectiva, luz e cromatismo

Tópicos a serem desenvolvidos durante o curso:

– Introdução e metodologias no estudo da história da arte
a – Conceitos, fontes e periodizações na história da arte
b – Os discursos interpretativos e metodologias de estudo da história da arte
c – O diálogo entre a obra e o historiador
d – Questões do saber óptico na Idade Média e o espaço físico no Renascimento com a perspectiva

– Espaço infinito e decoração barroca
a – A nova concepção do universo: do antropocentrismo ao infinito espacial
b – Barroco e propaganda
c – Quadraturismo e decoração barroca: Andrea Pozzo
d – Entre arte e ciência: os tratados de perspectiva entre o Renascimento e o século XVIII

– O ilusionismo constituído na síntese luso-brasileira
a – A simulação arquitetônica em Portugal no tempo de D. João V
b – A transmissão da pintura perspéctica para o Brasil Colonial
c – Caetano da Costa Coelho e Antônio Simões Ribeiro: entre o Rio de Janeiro e Salvador
d – O fenômeno do engano arquitetônico no Norte e Nordeste do Brasil Setecentista

– A pintura de tetos em Minas Colonial
a – Fragmentos arquitetônicos
b – Manuel da Costa Ataíde
c – Entre Barroco e Rococó
d – A fragilidade da terceira dimensão

6 – Visita in loco
16/09 – Fundação Garcia D’Ávila – Praia do Forte – Bahia
Almoço no Restaurante Terroir do Axé

Objetivos:
Explicar questões pertinentes às metodologias da história da arte; aclarar aspectos sobre a produção artística; interrogações sobre a relação entre arte e ciência; apurar pontos essenciais sobre conceito, fontes e definição sobre a arte barroca.

Proposta:
No percurso da arte Barroca e Rococó diverso fatores contribuíram para a produção destes estilos. Ao mesmo tempo o barroco não deve ser estudado apenas como mais um momento estilístico, individualizado numa época, mas, sobretudo, como uma «característica artística» como foi o Humanismo e o Renascimento. Assim, a passagem do século XVI para o XVII e na sua continuidade à fase setecentista, toda esta etapa irá constituir-se num dos episódios mais significativos da História da Arte.

O desenvolvimento da arte Barroca deve ser visto na continuidade do momento final do Renascimento; lembre-se que nesta fase a cultura renascentista enfrentava um período de antinomias, quer dizer, entre o triunfo e a censura da retórica, ou entre uma concepção hedonista e outra pedagógica. Outro setor que no Barroco foi amplamente acentuado diz respeito à imaginação. Com o surgir de uma espécie de mentalidade barroca, podem individualizar-se duas correntes que dividiram a interpretação da arte a partir do fim do Renascimento e que se reunirá no Barroco, compondo-se por um lado numa arte extremamente complacente e por outro numa linguagem moralizadora. Ainda no seguimento destes aspectos, é de salientar que o Barroco conhece um momento hedonista e outro pedagógico, levado desde a luxúria até a decência, fatores condicionados por certa ambivalência.

A representação perspéctica do espaço nas artes em geral é um dos temas mais fascinantes da história da arte. Estudar a construção perspéctica do espaço é investigar o modo como cada cultura concebeu a pintura, a escultura e a arquitetura. Neste contexto produziu-se uma mudança cultural no modo de ver e também no modo de representar a natureza. A expressão plástica adota uma visão de espaço natural, mensurável, construído cientificamente e representado segundo preceitos matemáticos.

Deste modo, as artes passaram de um conceito puramente mecânico ao conceito de artes liberais e os pintores passam de artesãos e técnicos a artistas e homens da ciência. A pintura passa a ser uma ocupação liberal, a qual é imprescindível os conhecimentos de matemática, de geometria, de música e de outras ciências. O uso da perspectiva é um dos momentos de maior interesse para a análise da linguagem pictórica. A esta nova técnica de representação perspéctiva ficou conhecida porperspectiva artificialis: rigorosa exatidão matemática – atua como conexão a uma nova concepção de espaço: um espaço equivalente em todas as suas partes (homogêneo e constante). Tendo em mente a perspectiva como forma simbólica, os caminhos culturais e científicos são os que fundamentam este novo formulário de representação espacial. Na sequencia do século XVII um artista só era internacionalmente reconhecido com o bom uso da perspectiva; no século XVIII ela invadia as culturas não europeias, chegando à China em 1725/1730, acentuando as duas edições da tradução do tratado do jesuíta Andrea Pozzo com o título de Técnicas Visuais e na América do Sul, especificamente no Brasil Colonial. Um exercício que amadureceria desde as primeiras intervenções e que se tornaria inseparável da cultura figurativa durante todo o século XVIII em Portugal e no Brasil.

A arte Barroca e Rococó ainda apresentam entre os seus múltiplos e fascinantes aspectos, arestas quase inexploráveis ou insuficientemente pesquisadas. Temas como a tratadística, as preparações cenográficas e o quadraturismo, podem ser considerados uma forma pictórica específica da perspectiva e que ainda hoje é um dos fenômenos da percepção visual mais fascinante da história da arte.

Com efeito, o desenvolvimento da arte está ligado ao da ciência. Assim, o que esse curso pretende é analisar a relação entre a arte desde o século XVI até o século XVIII, contemplando de modo especial o período Barroco e Rococó não somente sob o ponto de vista artístico, mas também sob o ponto de vista da história da ciência.

Docente:
Magno Moraes Mello, doutor em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa ; pós doutorado em História da Arte pela Università degli Studi di Firenze. Atualmente é professor de História da Arte da Universidade Federal de Minas Gerais.

Período: dias 12 a 16/09
Horário: 17h30 às 20h
Carga horária: 30horas
Valor: R$350 (Vagas limitadas)
Inscrições: saobentoarte@gmail.com
Local: Colégio São Bento

Endereço: Avenida Sete de Setembro, centro.
Estacionamento: Ladeira das Hortas, Barroquinha

Fonte original da notícia: CAU/BA




Icomos e Iphan reforçam parceria


Foto: IPHAN

Foto: IPHAN

A retomada das discussões sobre chancela da Paisagem Cultural foi um dos assuntos tratados na manhã desta quinta-feira, 28 de julho, entre o Presidente do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), Leonardo Castriota, e a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa.

Durante o encontro, Castriota ainda entregou à dirigente do Instituto dois dossiês sobre o estado de conservação dos Centros Históricos de Salvador e Olinda, como contribuição do Icomos para a gestão dos patrimônios culturais. O presidente do Icomos no Brasil também sugeriu a criação de um prêmio para melhores dissertações e teses relacionadas à temática do Patrimônio Cultural.

A Reunião realizada na sede do Iphan, em Brasília, contou com a presença dos diretores de Articulação e Fomento (DAF) Marcelo Brito e do Patrimônio Material (Depam), Andrey Schlee.

Fonte original da notícia: IPHAN