Criciúma (SC) – O risco de ninguém assumir a obra no Centro Cultural

A prefeitura está preocupada com a possibilidade de nenhum interessado se manifestar para a contratação dos serviços de restauração da cobertura do Centro Cultural Jorge Zanatta. Isso foi admitido pela secretária municipal de Infraestrutura, Kátia Smielevski, durante vistoria ao local na tarde desta quinta-feira.

“Até o momento nenhum interessado se manifestou, e o processo é bastante complexo e minucioso. Não temos empresas aqui da região capacitadas, já que é uma obra monitorada pelo patrimônio histórico”, lembra o vereador Miri Dagostim (PP). “Se tiver a empresa vencedora nas condições legais começaremos a obra com prazo de sete meses”, comentou o engenheiro civil José Bauer, superintendente substituto do Serviço de Patrimônio da União (SPU) em Santa Catarina. A abertura dos envelopes com as propostas na licitação está programada para a próxima quarta-feira, 20.

Um dos pavilhões do Centro Cultural foi abatido por um incêndio no último domingo. “Começamos a remoção do forro, pois esse item não está no processo licitatório em andamento”, comenta a secretária Kátia Smielevski. Estão destinados R$ 502 mil para esta etapa da obra. O incêndio destruiu cerca de 30% da estrutura, e o investimento global nas reformas alcançará R$ 1,4 milhão.

Um requerimento será protocolado segunda-feira na Câmara solicitando audiência pública sobre preservação e conservação de patrimônios históricos em Criciúma. Fizeram parte da vistoria ainda os vereadores Daniel Freitas (PP), Ademir Honorato (PMDB) e Dailto Feuser (PSDB).

Por Denis Luciano com colaboração de Daniela Savi/Comunicação Câmara

Fonte original da notícia: Portal Engeplus




Sebrae aposta em baleias e cultura para levar turistas ao Sul de SC

Márcia Godinho, coordenadora do Sebrae-SC: o roteiro ainda está em fase experimental, mas deve começar a ser comercializado em breve.

Sol de verão. Praias cheias. Coco gelado. Roupas de banho. Se depender do Sebrae-SC, o estado catarinense logo será lembrado por mais do que um destino de férias de janeiro. O órgão tem preparado um roteiro, chamado “Rota da Baleia Franca”, que promete levar os visitantes dos municípios do litoral sul de Santa Catarina em uma jornada histórica, cultural, ecológica e com direito, como o nome sugere, a observação dos maiores mamíferos do mundo, as baleias.

Tudo faz parte de um planejamento de quase três anos do Sebrae-SC para fomentar o turismo na região, principalmente, nos três municípios de Laguna, Imbituba e Garopaba, especialmente na baixa temporada de inverno, que traz o clima frio que afugenta muitos visitantes. Com isso, a “Rota da Baleia Franca” visa incrementar o fluxo de visitantes, oferecendo a opção de julho a novembro, quando os gigantes dos mares migram para o litoral sul do país, e podem ser avistados ao longo da costa.

A ação não visa apenas focar nos municípios que compõem a espinha dorsal do roteiro, a intenção, é que diversas cidades próximas da região Sul catarinense sejam beneficiadas com o aumento dos visitantes, que poderão conhecer mais a fundo o estado, como o caso de Gravatal, que conta com águas termais, naturalmente aquecidas, e se tornam uma opção para “driblar” do inverno.

De acordo com a coordenadora do Sebrae-SC, Márcia Godinho, o nome da rota apenas homenageia as baleias francas e ressalta a possibilidade de elas serem avistadas, porém, o passeio tem pretensões maiores, aquecendo toda a região. “Avistar as baleias seria apenas a cereja do bolo. Queremos expor todas as qualidades e a diversidade oferecida por todas as cidades da região do litoral Sul catarinense, que vai muito além de praias e calor”, afirmou.

Ainda de acordo com Márcia, o roteiro deve atrair ainda mais turistas argentinos, que lideram o número de visitantes internacionais ao estado, e turistas gaúchos. “Os argentinos podem vir até de carro, a partir do Rio Grande do Sul. O trajeto até a argentina não é muito longo, além deles, os gaúchos, que também sempre aparecem em bom número, se beneficiam dessa proximidade, podendo aproveitar bastante o litoral Sul de SC, mesmo fora da época do verão”, comentou a executiva.

O roteiro, porém, ainda não pode ser realizado de maneira embarcada, conforme determinação do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio), que já perdura por alguns anos e tem gerado frustração por parte de alguns hoteleiros, Recentemente, o presidente do Instituto da Baleia Franca, , fez um apelo ao Ministério do Turismo para que haja uma reunião com representantes do instituto para que o processo seja agilizado, já que a medida beneficiaria diferentes passeios comercializados pelos hotéis costeiros.

Por Leonardo Neves

Fonte original da notícia: Mercado & Eventos




Fogo destrói parte do Centro Cultural Jorge Zanatta, em Criciúma (SC)

Prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico, está fechado desde 2015.

Incêndio começou antes das 8h em Criciúma. Foto: Janine Limas/NSC TV

Corpo de Bombeiros foi acionado na manhã deste domingo (10) para atender um incêndio no Centro Cultural Jorge Zanatta, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico do município, está fechado desde 2015, quando as obras de restauração foram suspensas, conforme a NSC TV.

O fogo destruiu pelo menos quatro salas onde funcionavam as oficinas de arte e o telhado. Não há relato de feridos.

Dez bombeiros e três caminhões foram deslocados para atender a ocorrência no Centro do cidade, às 7h45. Até as 11h, ainda era feito o trabalho de rescaldo.

O Instituto Geral de Perícias (IGP) também foi acionado para identificar as causas do incêndio. A Polícia Civil já abriu inquérito para investigar o caso.

De acordo com o Vitor Bianco Júnior, há suspeita de incêndio criminoso, mas nenhuma hipótese é descartada. Como a energia elétrica está desligada, é difícil acontecer curto-circuito. Em junho, houve um princípio de incêndio no prédio.

Conforme a NSC TV, às vezes moradores de rua tentam invadir o local, que tem vigilante até as 6h.

Prédio histórico

Conforme a prefeitura, o prédio foi construído na década de 1940 para o funcionamento do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e serviu para a instalação do primeiro serviço de água tratada da região.

“Em 1962, passou a ser administrado pela Comissão Executiva do Plano do Carvão Nacional e, em 1964, foi utilizado como cárcere do primeiro ano da ditadura militar. Anos depois, o Conselho Nacional do Petróleo tomou conta do casarão, que passou a ser conhecido como “Prédio do CNP”. Em 1993 o Município tomou posse do imóvel, ali instalando a Fundação Cultural de Criciúma que criou o Centro Cultural Jorge Zanatta, recebendo restauração em 1996″.

Anos de abandono danificaram a estrutura que está fechada desde 2015. Por decisão judicial, a prefeitura, o governo federal e o DNPM devem reestruturar o prédio. A obra está orçada em R$ 1,4 milhão.

Fonte original da notícia: G1 SC




Tubarão (SC) – Casa da Cidade terá reforma interna

Foi assinada a ordem de serviço para a reforma interna da Casa da Cidade, em Tubarão. A obra vai custar R$ 278.566,30 e será executada pela empresa Kamilla Construções, de Criciúma.

Erguida em 1897 para uso residencial da família do coronel João Cabral de Mello, intendente de Tubarão (prefeito) entre 1890 e 1910, o imóvel já abrigou a prefeitura e outros órgãos públicos nas décadas seguintes.

Em 1984, foi restaurado e tombado como patrimônio histórico e cultural do município, recebendo o nome de Casa Huberto Rohden.

Nos últimos anos, a conhecida Casa da Cidade recebeu exposições de artesanato e serviu como Casa do Papai Noel, mas em 2013 acabou fechada devido a más condições de conservação, e chegou a receber uma pequena reforma logo em seguida.

A revitalização interna completa, viabilizada por meio de emenda parlamentar do deputado federal Pedro Uczai (PT), deve durar até seis meses contados a partir da assinatura da ordem de serviço.

Fonte original da notícia: NotiSul




Florianópolis (SC) – Antiga casa do vigário do Santuário da Imaculada Conceição resiste para não desabar

Edificação é exemplar raro da arquitetura luso-brasileira em Santa Catarina.

Foto: Divulgação

Causa tristeza a situação de penúria da antiga casa do vigário do Santuário da Imaculada Conceição, na Lagoa da Conceição. Uma das mais raras e exemplares edificações luso-brasileiras do Estado, é mais antiga que a própria igreja. Com projetos de restauro assinados pela equipe da Ornato Arquitetura – prontos, pagos e aprovados graças ao esforço da (Caisc) Casa dos Açores da Ilha de Santa Catarina em captar os recursos -, resiste escorada para não desabar. A comunidade questiona por que não é dada ao prédio histórico a mesma atenção dispensada ao salão paroquial que está sendo ampliado.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Marcos Cardoso

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Florianópolis (SC), cidade que preserva sutilezas urbanas

Um exemplo é o pacato bairro do José Mendes, uma extensão do Centro que já teve até fábrica de refrigerantes.

Uma das praias do José Mendes: sem banho de mar, por causa da poluição, mas a pesca continua – Carlos Damião

Apesar do ritmo de crescimento desenfreado, registrado em especial nos últimos 20 anos, Florianópolis é uma cidade que ainda preserva sutilezas urbanas muito interessantes. O Centro Histórico é um exemplo disso, com suas edificações centenárias, a Praça 15, as igrejas de São Francisco da Penitência, Nossa Senhora do Parto e Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, a Catedral Metropolitana, o Mercado Público, a Alfândega, o Palácio Cruz e Sousa, entre outras referências importantes. Os poetas e artistas costumam dizer que nesses cenários resiste um pouco da aldeia que já fomos.

Avançando um pouco, em direção ao Sul da Ilha – pela estrada velha, como dizem os antigos – ainda é possível se surpreender com detalhes de uma cidade tranquila, que aparentemente parou no tempo, por causa de seu perfil urbano menos conturbado e mais tradicional. A menos de dois quilômetros da Praça 15 encontramos um bairro histórico – embora sem patrimônio significativo – cujo nome representa um mistério para os novos moradores e para o público mais jovem. José Mendes é a denominação do lugar, desde o século 18, lembrando a figura de José Mendes dos Reis, um português que era simplesmente o dono de tudo, inclusive da ilha das Vinhas, que fica de frente para a praia. Diz a história que a ilha, de 10 mil metros quadrados, recebeu esse nome porque o dono mantinha ali seus parreirais.

Lugar histórico

A célebre Curva do Madalona, com destaque para o antigo Clube Penhasco (construção arredondada) – Acervo Carlos Damião

Caminho para o Sul da Ilha até a implantação do túnel Antonieta de Barros e da Via Expressa Sul, o bairro José Mendes é pequeno: espalha-se por ruas perpendiculares à principal, José Maria da Luz, entre os bairros da Prainha e do Saco dos Limões. Com cerca de 5 mil habitantes, sua ocupação começou no século 18, quando chegaram à Ilha de Santa Catarina e arredores os imigrantes açorianos que deram início à colonização. Ao longo do século 19 tornou-se uma opção de moradia para famílias de renda mais baixa, em geral ligadas ao comércio e à pesca, atividade que persiste, de forma artesanal.

Mas o José Mendes já teve importância econômica mais destacada, com a instalação, na década de 1960, da fábrica da Coca-Cola, que era administrada por uma empresa chamada Catarinense de Refrigerantes. Desativada há mais de 30 anos, a fábrica passou ao controle de uma empresa do Rio Grande do Sul, que produz a linha de bebidas da Coca no município de Antônio Carlos.

Destaca-se no bairro, ainda, uma edificação que lembra os áureos tempos dos clubes florianopolitanos. Chamado de Penhasco, o prédio tem formato arredondado e oferece aos visitantes uma das vistas mais fascinantes da cidade, talvez a contemplação panorâmica mais bela do pôr do sol. Fica no alto de um ponto da cidade que os mais antigos conhecem como a Curva (ou Volta) do Madalona, logo após o Veleiros da Ilha.

Pequenas praias

Ainda no bairro há um castelinho histórico, das estações elevatórias de esgoto construídas no início do século 20, localizado na Curva do Amadeu, onde começa o bairro seguinte, do Saco dos Limões.

Curiosamente, no passado as pequenas praias do bairro, como a do Curtume (ou Praia do José Mendes) eram frequentadas por banhistas. A poluição da baía Sul, no entanto, tornou o banho de mar proibitivo. O que persiste é a presença de barcos de pesca, abrigados em ranchos ao longo das praias.

Por Carlos Damião

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Florianópolis (SC) – Arte da renda de bilro e tramoias são ensinadas para crianças da Lagoa da Conceição

Fotos: Marco Favero / Agencia RBS

Yasmin e Ana Clara eram só atenção. Miravam, compenetradas, as mãos de rendeiras como Norma, cujos dedos laçavam e entrelaçavam a renda de bilro e tramoias, heranças da colonização açoriana e patrimônio cultural de Florianópolis. Ali, separadas por meio século de vida, a rendeira e as aprendizes davam continuidade à cultura mané, exemplo de uma Ilha que não existe mais, mas que busca através de gerações manter viva nos pequenos a riqueza e tradição do mais puro artesanato ilhéu. Assim foi a estreia do projeto Mãos que Ensinam Mãos, ocorrido no sábado, na Escola Básica Municipal Henrique Veras, na Lagoa da Conceição.

Além disso, a iniciativa visa dar oportunidade para que rendeiras e rendeiros, geralmente adultos e idosos, estejam mais próximos dos pequenos, fortalecendo o sentimento de utilidade e valorizando a contribuição desses artistas para a sociedade. Uma pesquisa feita pela orientadora educacional Diléia Pereira Bez Fontana observou que as rendeiras de Florianópolis não têm menos de 70 anos. A atividade, que para os antigos passava de geração em geração, hoje sobrevive nas mãos de gente como Norma Nunes D¿Ávila, 64 anos, que mora na Joaquina.

— Se as rendeiras não passarem os conhecimentos para as novas gerações, daqui a 20 anos não vamos mais ter rendeiras em Florianópolis. Então foi onde eu, trabalhando com crianças e idosos, percebi que precisava fazer algo para perpetuar a cultura açoriana — destaca Diléia, entusiasmada com a primeiro evento de um calendário que já prevê outras edições do Mãos que Ensinam Mãos que, daqui a três meses, estará em comunidades historicamente ligadas à renda de bilro, como Armação, no sul da Ilha, e Santo Antônio de Lisboa.

Vontade de criança

E parece que a ideia de Diléia deu certo. Pelo menos foi o que mostrou Yasmin Borchartt da Silva Vianna, 10, que há tempos dizia para a mãe que desejava aprender a arte da renda de bilro. Começou a gostar ao ver a matriarca fazer tricô, mas a pequena queria era a renda. No sábado realizou o desejo.

Além da renda de bilro, também pôde conhecer fuxico e bordados, outras duas oficinas de cultura popular. Aluna da escola Henrique Veras, Yasmin pode seguir aprendendo a renda todas as sextas-feiras, no contraturno escolar.

— Ela já até me falou que quer fazer a renda no contraturno. Amou – resumiu a mãe de Yasmin, Patrícia Borchartt da Silva.

Vizinhas na Joaquina e companheiras na renda

Quem também vai seguir aprendendo o ofício tão em desuso é Ana Clara Lima da Silva, 10. A garota conseguiu como professora de renda de bilro sua vizinha na Joaquina, a rendeira Norma. Atenta, mal desviou o olhar da atividade para falar com a reportagem, queria captar todos os detalhes do que as mãos da sexagenária faziam. A rendeira, que trabalha com a tradição desde os oito anos, se diz feliz de poder ensinar aos pequenos um pouco do que os anos lhe ensinaram.

— As crianças não vão trabalhar com a renda, como a gente, mas também não vão deixar a tradição acabar. Por isso que é muito bom ensiná-las – disse Norma, prontamente acompanhada pela vizinha Ana Clara.

– Estou gostando muito – definiu a pequena.

Por Leonardo Thomé

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Falta de recursos compromete futuro do maior acervo botânico de Santa Catarina

Foto: Lucas Correia / Agência RBS

A maior instituição de pesquisa em botânica no Estado e uma das mais reconhecidas do país, o Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí, está envolvido em um imbróglio que chegou à Justiça e ameaça a manutenção do acervo. Há três anos a instituição aguarda o resultado de uma ação civil pública que decidirá se os arquivos e o prédio que os abriga devem ser tombados como patrimônio histórico.

Enquanto a decisão não chega, o local enfrenta falta de recursos e de espaço para arquivos que incluem 70 mil espécies. No fim de julho a Vara da Fazenda Pública de Itajaí recebeu o resultado de uma perícia, que deve balizar a decisão.

A ação que pede o tombamento foi movida pelo Ministério Público de Santa Catarina em 2014. Três anos antes, o Conselho Municipal de Patrimônio de Itajaí decidiu que o prédio e o acervo deveriam ser tombados, mas a medida não foi acatada pelo então prefeito Jandir Bellini (PP).

A própria instituição teria feito um apelo para que o decreto de tombamento não vingasse, temendo que isso dificultasse a manutenção do herbário. O centro de pesquisa ocupa um grande terreno na Avenida Marcos Konder, no Centro de Itajaí – uma área valorizada e cobiçada. As dificuldades financeiras, que se arrastam há anos, levaram ao inevitável assédio da construção civil.

Na época em que a ação civil pública foi proposta falava-se que uma construtora de Balneário Camboriú, cujo nome foi mantido em sigilo, se propunha a construir no local um edifício de 20 andares, com espaço subterrâneo para estacionamento. A fachada do atual prédio do herbário seria mantida e serviria como entrada para o edifício. Em troca, a instituição teria uma nova sede, no mesmo local, e 30 a 40 salas para alugar.

O problema é que o terreno onde fica a instituição é público e foi doado pela prefeitura ao fundados, padre Raulino Reitz. Ainda que o termo de doação não proíba que a área seja repassada a terceiros, pesquisadores entendem que o prédio, além de uma arquitetura singular, tem a importância histórica por ter sido o local onde o padre Raulino organizou o acervo.

– Aquelas paredes contam histórias que tornaram Santa Catarina o primeiro Estado brasileiro a melhor conhecer sua flora, sua vegetação. Foi ali que a dupla Raulino Reitz e Roberto Klein, auxiliados pelo botânico norte-americano Lyman Smith, executou um trabalho hercúleo de levantamento da flora e vegetação catarinense ao longo de 30 anos. O prédio representou uma época, é um ícone da pesquisa científica – diz o pesquisador Lauro Bacca, mestre em Ecologia e professor da Fundação Universidade Regional de Blumenau (Furb).

Espaço preservado sem recursos para manutenção

Foto: Lucas Correia / Agência RBS

Com a ação civil pública de tombamento em vias de uma decisão, a presidência do Herbário Barbosa Rodrigues determinou que as pessoas ligadas à instituição não falem a respeito, e proibiu que o prédio fosse fotografado por dentro.

Oficialmente, sabe-se que o Herbário segue sem recursos fixos. A única ajuda vem da Univali, que cede uma bióloga e dois estagiários para trabalharem na instituição. O vice-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura da universidade, Valdir Cechinel Filho, é hoje o diretor técnico do acervo.

Só recentemente houve uma reaproximação com a prefeitura de Itajaí, que cortou em 2015 os R$ 20 mil que eram enviados anualmente à instituição _ e representavam o único subsídio em dinheiro.

Em junho, no aniversário de 75 anos do Herbário, o casal que o administra _ Jurandir Bernardes e Zilda Deschamps _ foi homenageado pela prefeitura. O nome de Zilda, sobrinha do padre Raulino, foi dado por pesquisadores do Rio de Janeiro a uma bromélia recém-descoberta, em reconhecimento à importância que a instituição tem para a pesquisa brasileira.

– É preciso ressaltar a importância do Herbário para o Estado, para o país, e entender que ele tem que ser assumido como tal. Todo esse conhecimento tem importância acadêmica, ecológica, mas também econômica. Pode gerar produtos de interesse farmacêutico e industrial – diz o professor João de Deus Medeiros, do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Extraoficialmente, fala-se na possibilidade de transferir todo o acervo para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro caso o Herbário não tenha mais condições de mantê-lo em Santa Catarina.

Referência para pesquisadores de todo o Estado

A história do Herbário Barbosa Rodrigues se confunde com a do padre Raulino Reitz. Estudante de teologia e apaixonado por botânica, ele mantinha uma pequena coletânea de amostras de espécies vegetais no Rio Grande do Sul. De passagem por Itajaí, seu trabalho chamou atenção da prefeitura, que cedeu o espaço e o convidou para dar sequência ao trabalho na cidade. Junto com Roberto Klein e o pesquisador norte-americano Lyman Smith, traçou um plano ousado: mapear toda a flora catarinense.

Os registros oficiais dizem que os três fizeram mais de mil excursões, recolhendo exemplares e catalogando cada um deles. Daí surgiu a Flora Ilustrada Catarinense, usada como referência pelos pesquisadores da área. Novos exemplares eram publicados periodicamente, com novas catalogações _ mas a falta de recursos do Herbário fez com que as publicações fossem interrompidas a partir de 2011.

Estima-se que 95% da flora de Santa Catarina integre o acervo da instituição. Todos os espécimes são mantidos em latas e descritos em livros que ocupam todo o espaço. A biblioteca é apertada, o que dificulta o trabalho dos pesquisadores, e a falta de manutenção adequada do prédio faz com que, hoje, ele esteja fechado à visitação.

Normélio Weber, presidente da Fundação Cultural e da Fundação Genésio Miranda Lins, que é responsável pelo patrimônio histórico de Itajaí, admite que o prédio está precisando de reparos e diz que o tombamento do edifício ainda é uma incógnita.

– Ninguém tem dúvida da relevância histórica e imaterial do Herbário. Mas sobre o prédio existem muitas questões. Se for concluído que tem que ser preservado, teremos que ver como viabilizar isso, a manutenção. O dinheiro é um problema muito grande. A prefeitura não tem, o Estado também não. Como se faz? – questiona.

Por Dagmara Spautz

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Pouco caso oficial ameaça o Arquivo Histórico de Florianópolis (SC)

Instituição criada por Sérgio Grando em 1994 precisa de socorro urgente: documentos de mais de 300 anos podem se perder.

Documentos públicos preservados por mais de 300 anos podem se perder em breve, caso a prefeitura de Florianópolis não socorra imediatamente o Arquivo Histórico Municipal Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, localizado na Praça 15 de Novembro. A situação vem se agravando nos últimos 10 anos, em razão do pouco caso oficial. Na administração do prefeito Cesar Souza Júnior o sistema de climatização apresentou problemas, foi desligado e nunca consertado. Continua sem funcionar, ameaçando os documentos arquivados e também a saúde dos funcionários, já que as variações de temperatura e umidade do ar favorecem a proliferação de bactérias.

Historiador Haylor Dias coordena o Arquivo e procura manter o acervo em condições de uso – Flávio Tin

Para piorar ainda mais, o Banco do Brasil, proprietário do prédio onde está instalado o Arquivo, pediu o imóvel de volta. A edificação foi cedida durante a gestão da prefeita Angela Amin, época em que também surgiu uma grande confusão: ao invés do fortalecimento do Arquivo, a prefeitura criou outra instituição com objetivo semelhante, a Casa da Memória, situada na Rua Padre Miguelinho.

O Arquivo, criado pelo prefeito Sérgio Grando em 1994, conserva documentos relativos ao poder público municipal (Câmara e Prefeitura), desde os tempos do Brasil Colônia (século 18) até a atualidade. Decretos, ordens de serviço, livros, mapas, fotos, fitas de vídeo e fitas k-7, tudo precisa de cuidados especiais, entre os quais a climatização permanente, com a temperatura média de 21ºC e a umidade do ar média em 55%.

Buscando parceria

Decreto assinado por D. Pedro 1º elevou a vila de Nossa Senhora do Desterro à condição de cidade (1823) – Flávio Tin

O Arquivo foi subordinado inicialmente e até pouco tempo à Secretaria da Administração. Na gestão de Cesar Souza Júnior passou para a Secretaria da Cultura. A confusão com a Casa da Memória ficou ainda pior depois da mudança.

A superintendente da Fundação Franklin Cascaes, professora Roseli Maria da Silva Pereira, esclareceu na quinta-feira, dia 27/7, que a prefeitura está buscando uma parceria técnica com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), para recuperação e preservação do Arquivo, com a cessão de servidores especializados. Na atualidade, são apenas quatro funcionários, orientados pelo historiador Haylor Dias, sendo que um está se aposentando e dois são contratados recentes, ou seja, não têm experiência para lidar com esse tesouro.

A perspectiva de transferência de parte do acervo para o futuro Museu da Cidade é algo ainda em discussão. Existem problemas legais, por causa das características dos documentos, que precisam ser devidamente estudados e resolvidos por especialistas.

Saiba mais

Alguns tesouros guardados no Arquivo Histórico Municipal:

— Registro das Provisões – Providências e Resoluções, Ordens do Rei de Portugal e Algarve aos Governadores da Província, do período 1715–1807

–– Decreto Imperial assinado por D. Pedro 1º em 20 de março de 1823, elevando a vila de Nossa Senhora do Desterro à condição de cidade (Desterro)

–– Decreto Imperial assinado por D. Pedro 2º em 1846, concedendo naturalização a um cidadão português

–– Lei 111, de 1º de outubro de 1894, em original tipográfico, mudando o nome da Capital de Desterro para Florianópolis

–– Livros de óbitos dos cemitérios de 1841 até a década de 1930

–– Livros de atas, de recolhimentos de impostos, de termos de juramentos

–– Livro de receita das sisas dos escravos

–– Atas de eleições

–– Correspondências das autoridades do Império

–– Decretos e leis imperiais

–– Atas das sessões da Câmara Municipal

–– Registros de nascimentos e óbitos

Por Carlos Damião

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Equipamentos e mobiliário da Usina do Salto farão parte do patrimônio cultural de Blumenau (SC)

Antigo painel de controle da usina. Fotos: Pancho

Foi entregue na semana passada ao Ministério Público o primeiro relatório elaborado pela comissão designada pela prefeitura para encaminhar o tombamento dos equipamentos, máquinas e mobiliário que estão no interior do prédio da histórica e centenária Usina do Salto, em Blumenau. O documento contém fotos que foram feitas pelos integrantes da comissão em maio.

Uma segunda visita está marcada para agosto e outras ainda serão agendadas. O objetivo é preservar os bens considerados patrimônio cultural do município.

O presidente da Fundação Cultural, Rodrigo Ramos, é um dos três integrantes da comissão. Segundo ele todos ficaram positivamente impressionados com o estado de conservação dos bens, mantidos pelos servidores da Celesc. Além das máquinas que ainda geram energia para a cidade há, por exemplo, uma escrivaninha da época da inauguração, em 1914.

Máquinas que geram energia desde o século passado. Foto: Pancho

É mais um passo para, quem sabe, transformar o espaço em uma grande atração aos moradores e visitantes da cidade. Projetos não faltam. É preciso agora executar um deles.

Por Blog do Pancho

Fonte original da notícia: Jornal de Santa Catarina