Fortalezas da Ilha de SC atraem turistas, mas precisam de apoio para garantir conservação

Fortaleza de Araçatuba não tem visitação permitida. Foto: NSC TV/Reprodução

Em 2017, 183 mil pessoas visitaram as três fortalezas que foram restauradas, sendo que uma delas ainda está em ruínas.

As fortalezas da Ilha de Santa Catarina se tornaram um dos principais atrativos turísticos do Estado. Em 2017, 183 mil pessoas visitaram as três fortalezas construídas para proteger o Norte da Ilha. Apesar do potencial para receber mais visitantes, as fortificações precisaram sobreviver ao abandono, ao tempo e atualmente enfrentam a falta de investimentos para garantir a conservação.

Quando século 20 chegou, três das quatro fortalezas estavam a própria sorte. Anhatomirim foi a última a cair no esquecimento, logo depois da Segunda Guerra Mundial.

“Com o avanço da tecnologia militar de combate, as fortalezas perderam as suas funções. Elas não serviam mais para combate. Então, foram abandonadas. Mesmo sendo tombadas pelo patrimônio histórico”, detalha Cletison.

Restauração

Há 80 anos as fortalezas da Ilha são patrimônio histórico do Brasil. Mesmo assim, o reconhecimento não evitou o avanço das ruínas. No entanto, a partir da década de 1980, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) adotou as fortalezas e começou o trabalho de restauração em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Santa Cruz de Anhatomirim foi a primeira. Foram restauradas estruturas como a Casa do Comandante e o paiol da pólvora. Depois, foi a vez da Fortaleza de Santo Antônio, na Ilha de Ratones Grande.

Segundo o biólogo José Olímpio, um mutirão foi realizado para limpar o local. Na época, ele tinha 14 anos e foi uma motivação para unir esforços para a retirada do mato.

A última fortaleza também estava destruída. São José da Ponta Grossa teve os prédios refeitos. As muralhas foram reparadas. Nas fortificações é possível observar ainda as pedras nas paredes. Mas, quando foram construídas, as pedras eram cobertas por reboco que foi de desfazendo com o vento, chuva e o sol ao longo dos anos.

“Essas pedras estão expostas há tanto tempo que entraram no imaginário das pessoas , essa situação é mais didática, demonstra a ação do tempo sobre as fortalezas”, explica Roberto Tonera, arquiteto do projeto Fortalezas da UFSC.

O projeto de recuperação das fortalezas foi financiado pela Fundação Banco do Brasil que, na época, doou o equivalente a US$ 1 milhão de dólares.

Fortaleza em ruína

Uma das fortalezas não teve a mesma sorte das demais e continua a espera de adoção. A fortaleza de Araçatuba fica no Sul da Ilha, entre a praia de Naufragados e a praia do Sonho. Para chegar no local depende do vento. Se for nordeste, por exemplo, a embarcação pode ser jogada sobre as pedras. A equipe da NSC TV conseguiu chegar ao local, pois era vento leste.

A área é do Exército e a visitação é proibida. O local está mesmo em ruínas e há o risco dos prédios desabarem. A construção, com uma bateria circular no alto de tudo, lembra uma acrópole grega.

“Nós precisamos urgentemente de uma instituição que adote esta fortaleza, que promova sua restauração junto com o Exército brasileiro e abra esta fortaleza à visitação pública”, afirma o arquiteto Tonera.

Fortaleza de São José da Ponta Grossa é uma das mais visitadas. Foto: NSC TV/Reprodução

As três que foram recuperadas viraram uma das principais atrações turísticas do Estado. “A gente recebe cerca de 150 mil pessoas ano. Uma visitação muito importante para o comércio local, para o turismo, para geração de emprego”, afirma Salvador Noberto Gomes, coordenador do projeto Fortalezas, da UFSC.

“Está vindo mais gente, muitos grupos de estudantes, pessoa das terceira idade e tem uma expectativa que vai melhorar bastante”, diz o comerciante Vandeir Santos.

Com as visitas, não falta gente para os ataques do “pirata Wesley”. “Isso não é emprego. Isso para nós é um empreendimento. Claro, a gente vende sonhos, as pessoas acreditam e vem nos visitar”, afirma o artista Welsey Alves de Souza

As visitas mexem com moradores e turistas. Ir a Anhatomirim fez a administradora Sandra Regina Almendro voltar no tempo. “Eu senti que vivi aqui um tempo de vidas passadas, tenho certeza e eu voltei no tempo”, disse.

Busca de apoio

Depois de tirar as fortalezas das ruínas e do esquecimento, a UFSC busca apoio.

Patrimônios da humanidade

Anhatorimirm e Ratones estão entre as 19 fortalezas brasileiras que podem ser reconhecidas pela Unesco.

“A candidatura dessas fortalezas a patrimônio mundial é a chance que nós temos de unir esforços de toda a sociedade pra garantir a conservação, a revitalização e o futuro dessas fortalezas”, finaliza o arquiteto do projeto fortaleza.

Fonte original da notícia: G1 SC




Florianópolis (SC) – Edificação histórica no Centro precisa de cuidados

Marco da implantação do sistema de esgotos, castelinho que abrigou o Museu do Saneamento está abandonado. Recuperação depende de autorizações da FCC e do Ipuf.

O castelinho, em registro de 29 de abril de 2005: estado de conservação era excelente – Carlos Damião

“Florianópolis é a terra do já teve”. O bordão é antigo, de mais de 40 anos, mas é fato que a cidade já teve porto, Base Aérea (a que existe hoje é só um destacamento), foi a sede do 5º Distrito Naval, teve o Miramar, o mar chegando à região central, praias sem poluição, entre tantas outras lembranças. Já teve também um Museu do Saneamento, inaugurado em 1985, pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), contendo ferramentas, equipamentos, plantas, mapas, fotos e outras relíquias. Sua sede era o castelinho da antiga Estação de Elevação Mecânica, na esquina da Rua Antônio Luz com a Praça Fernando Machado.

Durante muito tempo o pequeno prédio “fez par” com o Miramar, demolido pelo governo do Estado durante a implantação do Aterro da Baía Sul (1972-1975). O castelinho, junto com o Forte Santa Bárbara, o prédio da Alfândega e o Mercado Público, é um dos remanescentes importantes da antiga área marinha do Centro.

O nome ainda está lá, em uma vistosa placa com os dizeres:

“Museu do Saneamento – Estação elevatória de esgotos (estação de elevação mecânica e antigo mictório público) construída em 1916, como parte do sistema de esgotos sanitários de Florianópolis, pela firma Brando & Cia. Obra dos governos Vidal José de Oliveira Ramos e Felipe Schmidt. Foi restaurada e instalado o Museu em 1985, pela Casan, no governo Esperidião Amin-Victor Fontana”.

O mais impressionante é que o museu consta dos guias turísticos de Florianópolis como atração a ser visitada, além de estar devidamente localizado no Google Maps, mapa digital de fácil acesso para qualquer usuário da internet.

Remendos para proteção

Há dúvidas sobre quanto tempo o Museu do Saneamento chegou a funcionar de fato, é provável que apenas nos primeiros dez anos. Passados 32 anos da reforma total do castelinho, o que resta são portas remendadas com pedaços de tábuas, para evitar a invasão por parte de moradores de rua e camelôs. Há alguns anos os ambulantes arrombavam as portas para utilizar o espaço interno como depósito de mercadorias, em especial cigarros, DVDs, CDs e óculos contrabandeados do Paraguai.

Antes do aterro, o castelinho “fazia” par com o Miramar, à direita – Acervo Carlos Damião

A decadência da edificação acompanhou a depreciação geral do setor Leste da Praça 15 de Novembro, depois que o Terminal Cidade de Florianópolis perdeu as principais linhas urbanas para o Ticen (Terminal Integrado Central), localizado a 500 metros. Toda a movimentação humana migrou para a região do Ticen, desvalorizando o comércio situado nas ruas Antônio Luz, João Pinto, Tiradentes e Victor Meirelles.

Sistema integrado

Bica original preservada, mas atualmente sem qualquer utilidade – Carlos Damião

O castelinho onde foi instalado o Museu do Saneamento integrou um sistema pioneiro de tratamento de esgotos em Florianópolis, implantado nos governos de Vidal Ramos (1910-1914) e Felipe Schmidt (1914-1918). Outros dois castelinhos da época foram restaurados e ficam na Praça dos Namorados, em frente ao Largo São Sebastião, e na Praça Celso Ramos. Estão em ótimo estado de conservação.

Casan esclarece

Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Casan informou que a empresa depende de autorizações oficiais para recuperar a estrutura degradada do castelinho central. A nota, na íntegra:

“No ano passado a Casan realizou um levantamento de campo que demonstrou que, em função de vazamentos e infiltrações, o castelinho depende de uma reforma estrutural.

A placa de 1985 perdeu sua finalidade, mas o museu está nos guias turísticos – Carlos Damião

Como se trata de construção histórica, a Casan realizou uma consulta ao Ipuf e à Fundação Catarinense de Cultura, para desenvolvimento de um projeto de recuperação pela Gerência de Projetos da Companhia.

Porém, até mesmo em limpezas emergenciais e colocação de tapumes para segurança, que a Casan tem providenciado periodicamente, há necessidade de que todo cuidado seja tomado, para que não ocorram descaracterizações da fachada.

No Centro de Florianópolis são constantes as ações de vandalismo, o uso de espaços públicos como dormitório e mictório, e uma nova limpeza será providenciada no local, assim como a troca de tapumes.

A Casan reconhece a importância dos castelinhos para Florianópolis e está tomando providências para que o projeto de recuperação siga todas as exigências decorrentes da recuperação de construções históricas”.

Por Carlos Damião

Fonte original da notícia: Notícias do Dia




Mais 57 imóveis de SC são tombados como patrimônios culturais do estado

Eles ficam em cidades do Norte e Vale do Itajaí. Número de construções tombadas chega a 350.

Casa em Pomerode é um dos 57 imóveis tombados. Foto: FCC/Divulgação

Mais 57 imóveis de Santa Catarina foram tombados como patrimônios culturais do estado, divulgou a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) nesta sexta-feira (19). Eles estão localizados em cidades do Norte e Vale do Itajaí. No estado, o número de imóveis tombados chega a 350.

Os 57 imóveis fazem parte do Roteiro Nacional da Imigração em Santa Catarina. O tombamento foi assinado pelo governador Raimundo Colombo (PSD) e publicado no Diário Oficial do estado. O site da FCC tem a lista completa de imóveis tombados do estado.

Veja abaixo as cidades dos tombamentos:

Joinville, no Norte: 17 imóveis

Indaial, no Vale do Itajaí: 10 imóveis

São Bento do Sul, no Norte: oito imóveis

Jaraguá do Sul, no Norte: seis imóveis

Timbó, no Vale do Itajaí: seis imóveis

Blumenau, no Vale do Itajaí: cinco imóveis

Pomerode, no Vale do Itajaí: cinco imóveis

Os 57 imóveis estavam em processo de tombamento desde 2007, segundo a FCC. A fundação tem a função de promover o acompanhamento e a fiscalização para que seja preservada a integridade original das construções.

Fonte original da notícia: G1 SC




Santa Catarina oferece roteiros históricos e culturais que remetem ao velho continente

Em quase todos os 49 municípios da região do Vale Europeu há festas que celebram as tradições dos imigrantes alemães e italianos.

Dança Folclórica alemã em frente ao teatro Carlos Gomes. Conhecido como palco principal de eventos e espetáculos culturais de Blumenau, o Teatro Carlos Gomes é uma entidade cultural, sem fins lucrativos, que atua em Blumenau desde o ano de 1860, quando foi fundada. Blumenau (SC). Foto: David Rego Jr. Divulgação/Embratur

O Vale Europeu, em Santa Catarina, possui muitas outras atrações além da famosa Oktoberfest de Blumenau. Os atrativos vão da arquitetura típica à culinária, passando pelos roteiros de compras, celebrações religiosas, ecoturismo e turismo rural. São roteiros que podem ser percorridos a pé, de trem ou de bicicleta, além de carro.

No local, a arquitetura, os costumes, a gastronomia e até os dialetos que se ouve remetem aos colonizadores europeus. Em Blumenau, Pomerode, Brusque e Gaspar, a herança cultural alemã é predominante. Já em São João Batista, Rodeio e Nova Trento destaca-se a colonização italiana. Em quase todos os 49 municípios da região há festas que celebram as tradições dos imigrantes.

O turismo de compras é outra atividade marcante do Vale do Itajaí. Blumenau é o maior exemplo de destino que alia grandes eventos e atividades comerciais ao turismo cultural, religioso, de natureza e aventura. Os morros, vales, rios, cascatas e cachoeiras do Vale Europeu são um convite permanente para a prática de trekking, rapel, cascading, canionismo, mountain biking, voo livre e parapente.

Para os que gostam de caminhadas, as estradas do Vale do Itajaí são compostas por 200 quilômetros de natureza e cenários que lembram as cidades da Europa. Um roteiro composto por nove municípios da região também pode ser explorado de bicicleta: são 300 quilômetros de ciclovias e sete dias de pedaladas pernoitando cada dia em um local diferente. Em vários pontos, a paisagem é entrecortada por rios e cascatas.

As propriedades rurais de 12 municípios do Vale Europeu abrem as portas para receber os visitantes e oferecem hospedagem, atividades de lazer, pescarias, cavalgadas e trilhas, além de uma mesa farta de café colonial, produtos orgânicos e caseiros. As paisagens incluem casas de estilo enxaimel, moinhos, rodas-d’água, capelas e engenhos.

Divulgação/Embratur

O Vale Europeu também oferece um roteiro religioso que passa pelos santuários, igrejas, capelas, oratórios e grutas da região. Em Nova Trento são mais de 30 instituições ligadas à fé católica. O Santuário Santa Paulina é dedicado à primeira santa brasileira. O Vale Europeu conta, ainda, com templos luteranos em Blumenau, Aurora, Presidente Nereu e Ibirama, além de uma igreja ucraniana, no município de Santa Terezinha.

Trem turístico

O passeio turístico, histórico e cultural de trem pelo Vale Europeu começa na estação Subida, distrito de Apiúna. No trajeto, os visitantes são contemplados com um túnel de 68 metros, um viaduto de pedra com dois arcos em estilo romano e 12 metros de altura e uma passagem superior também em estilo romano. Em seguida, a Maria Fumaça atravessa um profundo corte de 170 metros de extensão. A ferrovia passa por um trecho preservado de Mata Atlântica até a Usina Hidrelétrica Salto Pilão. Durante o passeio histórico, os passageiros veem a paisagem do Rio Itajaí-Açú e corredeiras.

Fonte original da notícia: Portal do Governo do Brasil




Justiça extingue ação do MPF contra prédio mais alto do país, em Santa Catarina

Juiz federal não aceitou acordo entre o Ministério Público Federal (MPF) e as empresas responsáveis pela obra. Com isso, não há entraves para continuidade do projeto.

Reprodução

O juiz federal André Luis Charan não aceitou o acordo firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) e as empresas Pasqualotto & GT, responsáveis pela obra do Yachthouse, em Balneário Camboriú (SC) — o prédio residencial mais alto em construção no país — e decidiu extinguir a ação. O acordo foi apresentado em outubro e previa uma série de compensações ambientais ao município. O MPF pode recorrer da decisão ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), ou apresentar uma nova ação civil pública à Justiça.

O processo corria desde o ano passado. O procurador do MPF, Andrei Matiuzzi Balvedi, apontou que o edifício foi autorizado em área de preservação permanente à margem do Rio Camboriú, junto a um manguezal, e questionou a licença emitida pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma). Alertou, ainda, que a verticalização da margem do rio interfere na zona histórica da Igreja de Santo Amaro, tombada como patrimônio histórico municipal e estadual. A ação pedia, inicialmente, a suspensão das licenças ambientais do prédio, e paralisação das obras.

O MPF decidiu então discutir o acordo. O documento, que demandou cerca de seis meses de debates, determinava que a empresa ficasse responsável, como compensação ambiental, pelos custos do Projeto de Estratégia Paisagística, Ambiental e de Lazer do Rio Camboriú (Masterplan). A construtora também se comprometia a pagar por uma sede para a gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa Brava, na região das praias agrestes. As ações somariam R$ 540 mil.

O magistrado considerou que o valor acordado estava muito abaixo do valor que era atribuído à causa, de R$ 756 milhões. E considerou que houve “falta superveniente de interesse de agir” por parte do MPF.

Na decisão, o juiz afirma que “o turismo tem impulsionado a expansão e desenvolvimento da região, especialmente a indústria da construção civil”, que a legislação ambiental para áreas urbanas com o tipo de ocupação de Balneário Camboriú “é marcada por discussões jurídicas” e questiona a equiparação entre áreas urbanas e rurais em relação às margens de rios:

“A ausência de parâmetros objetivos para definição da APP em área urbana consolidada e a dificuldade na definição do órgão licenciador competente levam ao tratamento individualizado e casuístico da situação, sendo que alguns empreendimentos são questionados e outros não, em tratamento não isonômico”.

O juiz federal defende ainda que se adotem negociações prévias. “Tenho que a questão seria enfrentada de forma mais adequada (…) com participação do município, órgãos ambientais (municipal, estadual e federal), MPF, organização de classe da indústria da construção civil, os quais poderiam firmar um compromisso de ajuste de conduta”.

Com a decisão, a tramitação do processo é suspensa e não há entraves para a continuidade da obra. O Ministério Público Federal ainda não informou se irá recorrer.

O advogado Lucas Zenatti, do escritório Cavalcanti & Zenatti, que representa a empresa, informou que a construtora vai aguardar a posição do MPF.

Por Dagmara Spautz

Fonte original da notícia: Gaúcha ZH




Autorizada demolição de prédio de hotel histórico incendiado em Jaraguá do Sul (SC)

Como condição, os proprietários terão que reconstruir a fachada da frente e lateral do prédio quando o terreno for utilizado.

Prédio está comprometido e rachaduras apareceram na lateral | Foto Eduardo Montecino/OCP

O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural (Comphaan) autorizou nesta quarta-feira (22) a demolição do Hotel Dassi, que teve estrutura comprometida depois de um incêndio em março desse ano. O nível de tombamento foi rebaixado pelos conselheiros, possibilitando o desmonte da estrutura localizada na esquina da avenida Marechal Deodoro da Fonseca com a rua Expedicionário Cabo Harry Hadlich, no Centro de Jaraguá do Sul. Como condição, os proprietários terão que reconstruir a fachada da frente e lateral do prédio quando o terreno for utilizado.

De acordo com o advogado da família proprietária do hotel, Tiago Markiewicz, não foi definido um prazo para reconstrução ou critérios para a utilização da parte interna. “Vai ser muito semelhante ao que aconteceu ao prédio da Max Whilhelm, que foi mantida a fachada e o resto do local foi aproveitado”, comenta. Por dentro da “casca” poderão ser construídas salas comerciais ou até mesmo um prédio, pontua o advogado.

Markiewicz afirma que a demolição será feita assim que a Prefeitura liberar o alvará, por questão de segurança dos pedestres, já que o prédio está comprometido e rachaduras apareceram na lateral. O advogado diz que a decisão de manter as fachadas irá preservar a memória do local, reconhecido como o primeiro hotel instalado na cidade. Inaugurado como Hotel Cruzeiro, na década de 1940 o local recebia quem passava pela cidade, movimentando turismo e novos negócios.

Segundo o arquiteto e fiscal do setor de Patrimônio Histórico, Carlos Baratto, a decisão do conselho é lamentável e foi contrária ao parecer apresentado pelos profissionais – que pedia a manutenção das paredes externas e permitia uma reconstrução interna. “Do ponto de vista da preservação, acabou com a originalidade do bem. A técnica construtiva ali empregada. O conselho não está entendendo a dinâmica do que preservar”, comenta o fiscal, ressaltando que a estrutura será um “falso histórico”.

O fiscal também aponta a falta de regras para a reconstrução, sem a exigência de um inventário que levantasse as dimensões de cada elemento que compõe a estrutura. “A gente sempre tenta esclarecer que não queremos transformar a cidade em um parque. O nosso benchmarking é fazer com que aquilo que é original nosso, construído por nossos antepassados, se perpetue. A sociedade é composta de vários grupos e essa decisão parte da democracia. Mas a gente vai perdendo esses marcos referenciais da cidade e toda essa trajetória”, pontua o arquiteto.

Fonte original da notícia: OCP Online




Prédio histórico de Joinville (SC) vai a leilão com lance inicial de R$ 12 milhões

Moinho Joinville foi construído em 1913 e tem 52 mil metros quadrados.

Moinho Joinville vai a leilão com lance inicial de R$ 12 milhões. Foto: Reprodução/NSC TV

O prédio histórico que abrigava o Moinho Joinville, com área total de 52 mil metros quadrados, vai a leilão com lance inicial de R$ 12 milhões. O imóvel, construído em 1913, foi o primeiro porto de Joinville e está atualmente em processo de tombamento pela prefeitura da cidade.

No auge de sua operação, o Moinho Joinville foi responsável por 40% da moagem de trigo de Santa Catarina. E, no passado, a construção chegou a ser ocupada por quatro empresas.

Uma das possibilidades é que a empresa vencedora construa um centro comercial na área aproveitável de 35 mil metros quadrados e preserve a área construída de 17 mil metros quadrados para visitação.

O futuro comprador não poderá alterar a essência do que já foi erguido no local e terá que respeitar recuo de 50 metros da margem do rio Cachoeira.

As ofertas podem ser feitas pela internet ou presencialmente até o dia 12 de dezembro.

Fonte original da notícia: G1 SC




Imóvel histórico vai para o chão no Centro de Jaraguá do Sul (SC)

Foto Eduardo Montecino/OCP

Foto Eduardo Montecino/OCP

Reconhecida como bem histórico cultural de Jaraguá do Sul em 2014, a construção de 1968 popularmente conhecida como Bar e Lanchonete Boaventura foi demolida. A notificação de proteção dada pelo Setor de Patrimônio Histórico foi revertida por decisão do Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural), ainda em abril desse ano, e nos últimos dias a estrutura deixou de fazer parte da paisagem já comum aos jaraguaenses que paravam ou passavam pela esquina da Procópio Gomes de Oliveira com a Barão do Rio Branco.

O pedido para demolição partiu da família, segundo informação do setor, e a exclusão Cadastro do Inventário de Bens Culturais foi concedida pela maioria dos membros do conselho. O imóvel estava com nível de preservação 3, o que na prática significava que seria possível construir nos fundos e até mesmo serem feitas intervenções externas e internas, é o grau mais leve da legislação.

O imóvel foi construído pelo comerciante José Boaventura, que desde 1954 atuava no segmento na cidade. A ligação do local com a memória da cidade foi reconhecida, inclusive, em 2006, na ocasião da comemoração dos 130 anos da fundação de Jaraguá do Sul. Entre os agricultores, industriais e comerciantes mais antigos da cidade que receberam homenagem devido à contribuição com o desenvolvimento do município, estava José Boaventura, por oferecer há mais de meio século serviços como comerciante na área de alimentação.

Prédio da Antiga Sebus também teve proteção revertida

Pelo menos três imóveis reconhecidos pelo Patrimônio Histórico municipal tiveram proteção revertida por decisão do Comphaan neste ano. Além do Bar e Lanchonete Boaventura, a casa Moretti, localizada no bairro Nereu Ramos, foi destombada a pedido da Prefeitura de Jaraguá do Sul que apontou risco de desabamento do imóvel – atualmente abandonado e com parte da estrutura cedida. A casa deve ser demolida para construção de uma rotatória no local.

O terceiro patrimônio que o conselho revogou a notificação de tombamento foi do imóvel que abrigou a antiga Sebus, na rua Domingos Rodrigues da Nova. E outros procedimentos pedindo reversão estão entrando no setor de Patrimônio Histórico.

O Comphaan, responsável por analisar os pedidos, é um conselho composto por 18 membros, metade representantes da administração pública e o restante são representantes de setores da comunidade.

Fonte original da notícia: OCP Online




Florianópolis (SC) – Comunidade pode ajudar no reconhecimento nacional da Procissão do Senhor dos Passos

Procissão acontece desde 1766 e reúne milhares de pessoas todos os anos em Florianópolis. Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Devotos e participantes da Procissão do Senhor dos Passos de Florianópolis podem ajudar no reconhecimento da manifestação religiosa mais antiga do Estado em Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Fotos, depoimentos e documentos que contam a história do evento estão sendo reunidos por pesquisadores da Udesc. O material vai ajudar a comprovar a relevância histórica e cultural da procissão para o patrimônio nacional.

A coordenadora da pesquisa e professora da Pós-Graduação em História da Udesc, Janice Gonçalves, comenta que o material disponível em museus e acervos públicos não foi o suficiente para o reconhecimento feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Por isso, a ajuda da comunidade neste processo é muito importante.

— Imaginamos que exista muito material com particulares, pessoas que participam ou que participaram da procissão. Fotos mais antigas, de décadas anteriores, podem ajudar na comparação do que mudou ao longo dos anos, o que foi desaparecendo, o que foi acrescentado, a forma como as pessoas participam, que tipo de promessas é feita. A memória das pessoas é importante para entender a relevância que ela (procissão) tem pra população.

Quem tiver fotos antigas, documentos ou que possa contar fatos sobre o evento pode entrar em contato pelo e-mail projetopassosdosenhor@gmail.com. Nenhum material particular será recolhido, apenas fotografado para o registro.

Processo começou há três anos

A Procissão Senhor dos Passos de Florianópolis é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial pela Fundação Catarinense de Cultura desde 2006 e, há três anos, a Irmandade responsável pelo evento tenta o reconhecimento nacional.

Em março deste ano, o Hora de Santa Catarina divulgou que o Iphan solicitou mais material como fotos, vídeos, documentos e depoimentos para comprovar a importância cultural da procissão.

Para fazer o levantamento destes dados, o Iphan firmou um convênio com a Udesc no final de setembro para a realização de uma pesquisa, que também deve ampliar e esclarecer alguns pontos.

— Precisamos comparar a devoção do Senhor dos Passos com outras procissões para entender qual a singularidade e importância desse evento em Florianópolis. Por que ela é importante, quem participa, são pessoas de Floripa ou de outras cidades? — comenta a professora Janice.

A pesquisa deve ser concluída e entregue ao Iphan até abril de 2018. O material será novamente encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural para dar o parecer. Se for aprovada, a Procissão Senhor dos Passos será o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro de Santa Catarina.

Tradição

A Procissão do Senhor dos Passos acontece desde 1766, dois anos depois de a escultura do Senhor dos Passos chegar a Florianópolis. Realizada anualmente, sempre 15 dias antes da Páscoa, a procissão mobiliza milhares de fiéis no cortejo pelas ruas do Centro de Florianópolis.

Segundo a história, a estátua do Senhor dos Passos, esculpida em madeira, deveria ter sido entregue a uma igreja em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, mas o barco parou aqui para abastecer e não conseguiu seguir viagem em decorrência de fortes tempestades. A tripulação acreditou que se tratava de um sinal divino e que a imagem deveria permanecer em Florianópolis.

A estátua representa a primeira queda de Jesus a caminho do Calvário. Em tamanho natural, mostra Cristo ajoelhado no chão segurando a cruz no ombro esquerdo. A imagem preza pelo realismo, mostrando o sofrimento de Jesus.

Por Dayane Bazzo

Fonte original da notícia: Diário Catarinense




Área de proteção aos botos de Laguna (SC) é reivindicada

Instituto Ambiental Boto Flipper pede a exclusão da pesca de emalhe na Lagoa de Santo Antônio. Flama analisa proposta e elabora estratégias para ampliar a fiscalização.

Laguna é considerada a Capital Nacional do Boto Pescador – Foto: Matheus Henckmaier/Divulgação/notisul

Os botos pescadores são patrimônio natural de Laguna desde 1997. A espécie é famosa na região por cercar os cardumes e empurrar os peixes para o lado dos pescadores no Canal da Barra, os quais utilizam tarrafas após receber um sinal dos animais. A parceria entre animal e pescador atrai os curiosos, turistas e moradores da cidade, que conquistou o título de Capital Nacional do Boto Pescador.

No entanto, nos últimos dois anos várias ocorrências de mortes de botos no Complexo Lagunar chamam a atenção de especialistas, como o Instituto Ambiental Boto Flipper. Para garantir a permanência dessa espécie na região, a entidade reivindica um instrumento jurídico municipal que estabeleça uma área de exclusão da pesca de emalhe, na Lagoa de Santo Antônio e no canal do Rio Tubarão. “O objetivo é que consigamos fortalecer e buscar junto aos gestores públicos estratégias de aumentar e intensificar a fiscalização dessa área, inclusive por conta de iniciativas municipais. Atualmente o único órgão que faz as fiscalizações efetivas nessas áreas é a Polícia Militar Ambiental – que tem seu efetivo muito reduzido”, afirma o presidente do instituto, o biólogo Arnaldo D’Amaral Pereira Granja Russo.

Ele explica que os botos podem ser vistos como espécies ‘guarda-chuva’. A conservação desses animais garante toda a consequência de manutenção do ecossistema e das relações antrópicas, que vão desde o turismo da cidade às relações socioeconômicas dos pescadores e ao Patrimônio Cultural Imaterial da Pesca Cooperativa. Dessa forma, segundo ele, é necessário conservar a qualidade ambiental – águas, efluentes, ocupação das margens, ruídos de embarcações, lixo, entre outros elementos – para que as relações possam ser mantidas.

Proposta será debatida entre os órgãos competentes
De acordo com o presidente da Fundação Lagunense de Meio Ambiente (Flama), o engenheiro de pesca Patrick Paulino de Souza, a proposta de criação de uma área de proteção e exclusão da pesca de emalhe será analisada entre os especialistas no Conselho Municipal. Ele considera favorável o debate e a criação de uma área protetiva, porém, adverte que, antes de criar uma nova lei de exclusão da pesca, é necessário elaborar estratégias para ampliar a fiscalização da lei vigente. “É importante lembrar que muitos pescadores dependem da pesca de emalhe para sobreviver e exercem a atividade corretamente, colocando 30% da rede. O problema são os que não respeitam a lei e colocam 100%. Vamos debater soluções para a princípio reforçar a fiscalização”, afirma. O presidente da Flama relata que não são só as redes que ameaçam os botos. Há uma série de fatores, como a poluição das águas por todos os municípios que desembocam seus esgotos no canal do Rio Tubarão, circulação indevida de embarcações, assoreamento da lagoa (resultado da ocupação irregular das margens das lagoas, que acabam levando o sedimento para o corpo d’água) e poluição sonora ao corpo aquático, interferindo na comunicação de ecolocação dos botos, entre outros. “O Plano Gestor da APA da Baleia-franca vem discutindo a possibilidade de implementar essa restrição da rede de emalhe no canal do Rio Tubarão. Entretanto o município não pode ficar esperando esses instrumentos. Ele deve agir de forma local, no sentido de conservação da espécie”, defende o presidente do Instituto Boto Flipper.

Fonte original da notícia: Notisul