Moradores de prédio tombado em SP querem barrar edifício de 18 andares

Edifício da década de 1950 em Higienópolis é assinado pelo arquiteto João Artacho Jurado. Em outro prédio histórico, moradores tentam barrar reforma.

Edifício Bretagne, em Higienópolis, tombado pelo patrimônio histórico. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Moradores de prédio tombado em Higienópolis, na região central de São Paulo, tentam impedir a construção de um edifício de 18 andares ao lado. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) já autorizou o uso do terreno atrás do prédio tombado.

O edifício Bretagne foi inaugurado na década de 1950 e é assinado pelo arquiteto João Artacho Jurado. O prédio possui várias das características da arquitetura modernista da época, como as enormes colunas e os vãos livres. Ao lado dele há um casarão antigo e, atrás, um terreno enorme.

A polêmica do novo arranha-céu se deu porque o espaço do casarão foi doado pela antiga dona, Leonor de Barros de Camargo, em 1942, com a condição de que fosse usado para fins religiosos pela igreja católica. Mas a Cúria vendeu o terreno para uma construtora que quer erguer o novo prédio. O próprio Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) já autorizou o uso do terreno atrás do prédio tombado.

O casarão pertencente à Cúria Metropolitana, o Colégio Sion e o Edifício Bretagne estão todos próximos e são tombados individualmente pelo Conpresp. Há um projeto de tombamento do conjunto dos prédios no conselho estadual, o Condephaat. Com a construção do novo prédio, os moradores reclamam que essa ideia pode acabar de vez.

“Um bairro que já está tão loteado, mais um outro empreendimento imobiliário nesse teor, com esse volume todo, com essa… Com esse impacto visual, é algo que vai incomodar bastante”, afirma o publicitário Mário Moreira.

Reforma em prédio histórico

Na mesma rua, moradores de outro prédio construído por João Artacho, o Apracs, tentam impedir obras de renovação propostas pelo conselho do condomínio. As fotos do projeto mostram que eles querem construir um deck e cercar o prédio com placas de vidro. A guarita também vai ser reformada. O prédio recebeu o selo de valor cultural da cidade e está em processo de tombamento. A reforma já foi parar na justiça porque a assembleia que decidiu pela obra tinha pouca gente.

“Segundo as leis que regem os condomínios, [a assembleia] tem que ser aprovada no mínimo por três quartos das unidades, e não foi atingido esse quórum”, diz o advogado dos moradores, Marcelo Bezerra.

“A arquitetura original dele vai ser preservada, nós simplesmente vamos modernizar essa entrada, adequando ao que existe hoje no mercado. E com ceretza vamos ganhar muito em valorização no prédio. E todo mundo vai ter o seu patrimônio valorizado aqui”, afirma o síndico, Celso Neves Dacca.

Fonte original da notícia: G1 São Paulo




Fortaleza da Barra, em Guarujá (SP), torna-se candidata a Patrimônio Mundial pela Unesco

Candidatura foi formalizada durante o Seminário Internacional de Fortificações Brasileiras, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Fortaleza da Barra, em Guarujá, pode se tornar Patrimônio Mundial pela Unesco. (Foto: Ivair Vieira Jr/G1)

A Fortaleza da Barra Grande de Santo Amaro, localizada no bairro Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá, no litoral de São Paulo, tornou-se candidata a Patrimônio Mundial pela Unesco, juntamente com outras fortificações brasileiras.

A candidatura foi formalizada durante o Seminário Internacional de Fortificações Brasileiras – Patrimônio Mundial, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com os ministérios do Turismo, Cultura e Defesa.

Segundo a prefeitura de Guarujá, o conjunto de fortificações é formado por construções localizadas no Amapá, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

De acordo com o Iphan, todos os fortes são produtos da ocupação marítima portuguesa e holandesa. As estruturas são remanescentes dos séculos XIV a XIX e representam, com fidelidade, as construções defensivas implantadas à época nos pontos que serviram para definir as fronteiras brasileiras.

Segundo a prefeitura, para conquistar o título, a Fortaleza da Barra terá de seguir as exigências estabelecidas no seminário. Ao final do encontro, autoridades dos governos Federal, Estadual e Municipal assinaram a Carta de Recife. O documento elenca diretrizes que fomentam a participação social na gestão das fortalezas, a fim de mantê-las atuante tanto no papel ambiental, arqueológico, arquitetônico e paisagístico quanto no de salvaguarda da história e cultura nacional, com iniciativas de educação patrimonial.

Fonte original da notícia: G1 Santos




São Paulo (SP) – MP propõe a Doria oferecer terrenos da Prefeitura em troca do Parque Augusta

Segundo o promotor Silvio Marques, Doria quer a liberação dos cerca de R$ 80 milhões destinados para a aquisição do Parque Augusta para outros fins.

Ativistas desmontam acampamento no Parque Augusta durante reintegração de posse no Centro de São Paulo. (Foto: Victor Moriyama/G1)

Ativistas desmontam acampamento no Parque Augusta durante reintegração de posse no Centro de São Paulo. (Foto: Victor Moriyama/G1)

Ministério Público (MP) sugeriu que a Prefeitura de São Paulo busque um acordo com as construtoras proprietárias do terreno do Parque Augusta, no Centro da cidade, oferecendo outros espaços sem restrições ambientais.

Na tarde desta segunda-feira (17), o promotor Silvio Marques se reuniu com o secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini, e com o prefeito João Doria (PSDB). Durante o encontro, a gestão municipal manifestou o desejo de investir os cerca de R$ 80 milhões destinados para a aquisição do Parque em outros projetos.

O parque corresponde a 40% do terreno e existe há 40 anos, mas desde 2013 é alvo de uma sequência de liminares na Justiça.

Para a promotoria, a solução mais acertada seria a Prefeitura oferecer outras áreas públicas de posse do município em troca do Parque. “Em havendo essa permuta, evidentemente que a promotoria vai concordar com a liberação do dinheiro”, disse o promotor.

Ainda de acordo com Sílvio Marques, Doria gostou da ideia e pediu 30 dias para conversar com as construtoras Setin e Cyrela. A proposta já tinha sido aventada na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que chegou a pedir um levantamento das áreas municipais que poderiam entrar na negociação.

“Hoje, a construção na área do Parque Augusta é absolutamente inviável. Se houver uma troca de terreno, as construtoras também podem ter uma vantagem, tendo em vista que terão um espaço fora do patrimônio histórico e sem restrição ambiental”, afirmou Marques.

Segundo o promotor, a Prefeitura tem mil terrenos disponíveis para venda. “Não precisa ser apenas um, podem ser vários”, acrescentou Marques. Ele destacou que se as construtoras proprietárias do terreno não aceitarem a proposta, o impasse envolvendo o Parque Augusta seguirá. Na avaliação de Marques, a atual gestão municipal “não está confortável” para aprovar um empreendimento em “um lugar todo enrolando, cheio de restrições”.

Histórico

No dia 3 de agosto de 2016, duas instituições financeiras ressarciram aos cofres da prefeitura US$ 25 milhões (R$ 80 milhões) relativos a movimentação de contas que seriam do ex-prefeito Paulo Maluf por dinheiro de obras superfaturadas. Maluf nega que o dinheiro seja dele.

O MP fez um acordo com a Prefeitura de São Paulo para que esse dinheiro fosse investido na construção do Parque Augusta. Entretanto, as empresas proprietárias do terreno querem viabilizar um empreendimento imobiliário e prometeram fazer um parque aberto à população em apenas parte da área.

A Promotoria afirma que as árvores são tombadas e não podem ser removidas e que o projeto dos prédios não estaria em consonância com o previsto na matrícula, que prevê a obrigatoriedade de uma passagem.

Os promotores propuseram, então, uma ação para pedir a declaração de perda da área verde e o pagamento de dano moral coletivo pelo fechamento dos portões do Parque no valor de R$ 500 mil por dia.

A Prefeitura de São Paulo já publicou decretos no sentido de transformar a área em um parque. Um deles, na gestão Gilberto Kassab, determinou que o espaço seja considerado de interesse público. Já o prefeito Fernando Haddad criou um decreto autorizando a Prefeitura a criar o Parque Municipal Augusta. A antiga gestão chegou a oferecer R$ 70 milhões e outros benefícios para empresas, que recusaram a proposta.

Por Lívia Machado

Fonte original da notícia: G1 São Paulo




Moradores denunciam abandono de estação centenária em Pitangueiras, SP

Interditado devido ao risco de desabamento, prédio do início do século 20 sofre a ação de vândalos. Prefeitura diz que aguarda R$ 1 milhão do Ministério do Turismo para restaurar o local.

Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

Moradores de Pitangueiras (SP) denunciam o abandono da antiga estação de trem, interditada devido ao risco de desabamento. Construído no início do século 20, o prédio chegou a ser restaurado por voluntários. Depois, passou a abrigar a biblioteca municipal, mas acabou sendo desocupado e não mais reabriu.

A Prefeitura alega que enviou um projeto ao Ministério do Turismo, solicitando R$ 1 milhão para revitalizar o local, mas não obteve retorno. Ainda segundo a administração, a biblioteca foi transferida justamente devido às condições precárias do prédio.

“Está muito abandonado. Primeiro, era cuidado. Agora, o telhado está caindo. É triste, porque é um prédio histórico da cidade, o único que está em pé. No tempo dos outros prefeitos funcionava como um bar. Agora, não tem mais nada”, reclama o servidor Nilton César Pedro.

A estação funcionou entre 1903 e 1998, quando a ferrovia foi desativada. Na época, a Prefeitura concordou em ceder o prédio a três entidades sociais, que se uniram e revitalizaram o local com o apoio de comerciantes, arquitetos e engenheiros voluntários.

“A gente viu que estava se tornando um ponto de delinquência, de uso de drogas, de andarilhos. Então, tivemos a ideia de restaurar tudo. Nós abrimos um bar e o dinheiro arrecadado era revertido para as próprias entidades”, conta a assistente social Carmen Masson.

O aposentado Claudinei Simões Estimo participou do projeto e relembra que a estação voltou a ser um ponto de encontro dos moradores. Dois anos depois, no entanto, a administração municipal rompeu o acordo e as instituições foram obrigadas a deixar o local.

“Tudo que se diz de cultura, movimento de cultura, era na estação. Fizemos uma limpeza geral, refizemos a pintura, porque era um ambiente de prostituição, drogas. Nós conseguimos acabar com isso”, afirma o aposentado.

Com o fim do projeto social, o prédio centenário passou a abrigar a biblioteca municipal. Mas, sem a manutenção adequada, a estação começou a sofrer com a degradação do tempo. Os livros foram então levados a outro imóvel e a biblioteca transferida.

Atualmente, as paredes apresentam rachaduras, o forro caiu e parte da fiação elétrica está exposta. Portas e paredes foram pichadas por vândalos. A ferrovia se tornou depósito de entulho e lixo. Até a lataria de um carro foi abandonada ali.

“Eu sinto até um aperto no coração de pensar que tudo isso acabou e está se acabando em Pitangueiras. Não só a estação, mas tudo. O único patrimônio histórico que nós temos é a estação”, desabafa a professora de história Maria Terezinha Guimarães Beato.

Aposentada, Maria Terezinha diz que a antiga estação não tem importância apenas histórica e cultural, mas também econômica, porque sempre gerou muitos empregos. Ela conta que os trens transportavam a produção de laranja do interior para o porto de Santos.

“Se ninguém acordar para ver o que está acontecendo, que está acabando, vai acabar mesmo. Eu sinto que vai acabar. Meus netos nem vão mais ter essa lembrança que eu tive e que foi muito gratificante”, diz.

Fonte original da notícia: Jornal da EPTV 1ª Edição




Fazendas de São Carlos ajudam a contar a história de São Paulo

Propriedades guardam relíquias e preservam memórias de um passado baseado na economia cafeeira.

Basta falar do interior paulista para logo vir à mente a natureza e o sossego, mas a vida no campo também guarda muitas surpresas e conhecer fazendas tradicionais é fazer uma viagem pela história de São Paulo.

A fazenda Santa Maria, em São Carlos (SP), é um dos pontos dessa jornada. Criada em 1850, ela foi ampliada no fim do século 19 para receber Dom Pedro II. O dono imaginava que, ao receber o soberano, ganharia o título de barão, mas nada saiu como o planejado.

A fazenda Santa Maria, em São Carlos. (Foto: Reprodução/ EPTV)

A fazenda Santa Maria, em São Carlos. (Foto: Reprodução/ EPTV)

“Dom Pedro, na verdade, nunca esteve aqui, nunca visitou a fazenda, e o que aconteceu foi que a antiga família acumulou dívidas com a construção de tudo isso e foi obrigada a vender a fazenda”, contou o guia de turismo Fabio Álvares.

O fazendeiro Cândido Malta de Souza Campos comprou a propriedade, que permanece com a família. O neto dele, Décio Campos, mora no local há mais de 50 anos e mantém o espaço com obras de arte, livros e objetos antigos aberto ao público.

Fazenda mantém móveis do século 19 em São Carlos. (Foto: Reprodução/EPTV)

Fazenda mantém móveis do século 19 em São Carlos. (Foto: Reprodução/EPTV)

O terreiro onde os grãos eram secados não deixa esquecer esse período, e a senzala nos lembra do sistema por trás do crescimento econômico. Mais de 120 escravos trabalharam e sofreram na fazenda.

“[A senzala] Não tinha janelas. Eram duas portas somente para entrada e saída dos escravos, eles ficavam trancados, era uma vida muito sofrida, de muito trabalho. A construção da fazenda foi feita pelas mãos dos escravos”, contou Álvares.

Culinária

Durante a visita ao local, é possível apreciar pratos. (Foto: Reprodução/EPTV)

Durante a visita ao local, é possível apreciar pratos. (Foto: Reprodução/EPTV)

Durante a visita ao local, também é possível apreciar pratos como porco no rolete, torresmo e linguiça, e depois do almoço há o tradicional cafezinho, feito com grãos triturados por um moedor centenário. “Uma delícia. Um gostinho da fazenda, gostinho de comida natural”, elogiou a auxiliar de enfermagem Edna Aparecida Alves Longhin.

“É um tempero maravilhoso. É o alho, o óleo e acabou. Só tem na roça, na cidade não tem”, completou a cozinheira Odete Carneiro. Confira aqui como chegar ao local.

Fazenda do Pinhal

A viagem segue pela Fazenda do Pinhal, que tem 30 cômodos construídos há quase 200 anos com a técnica de taipas. “Ela é uma técnica que era tradicionalmente utilizada pelos paulistas e se apropriava dos materiais que estavam disponíveis na região. Então é possível ver a estrutura de madeira, ela é de palmito-juçara, era preenchida com barro e posteriormente recebia um revestimento e uma mão de cal”, explicou o historiador Alexandre Tourinho.

Fazenda do Pinhal, em São Carlos. (Foto: Reprodução/ EPTV)

Fazenda do Pinhal, em São Carlos. (Foto: Reprodução/ EPTV)

Na década de 1980, o imóvel foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Curiosidades

No começo da fazenda não havia banheiro dentro da casa e o espaço precisou ser adaptado. Nos quartos há banheira de metal, jarra e até penico.

Em alguns cômodos, as paredes também não têm janelas. “Esses quartos eram destinados a pessoas que não eram da família. Tropeiros e viajantes. Não ter janela dava mais privacidade e segurança à família”, disse o monitor da fazenda, Pedro Henrique Vicente.

Condessa do Pinhal trouxe da Europa a hidroterapia. (Foto: Reprodução/EPTV)

Condessa do Pinhal trouxe da Europa a hidroterapia. (Foto: Reprodução/EPTV)

A fazenda foi residência de uma importante família do interior: a do conde do Pinhal. A esposa dele foi a responsável por uma obra considerada novidade na época. Em uma viagem à Europa, a condessa do Pinhal conheceu um tratamento de saúde chamado de hidroterapia e resolveu construir uma escada d’água na propriedade.

Ela costumava subir descalça os quase 100 degraus. O exercício físico e o contato da água com os pés eram uma forma de ativar a circulação. Atualmente, quem visita a fazenda faz questão de passar pelo local.

As visitas à propriedade devem ser agendadas pelo telefone (16) 3377-9191 ou pelos e-mails agendamento@casadopinhal.com.br e educador@casadopinhal.com.br. Clique aqui para mais informações.

Fonte original da notícia: G1 São Carlos e Araraquara




São Paulo (SP) – Castelinho da Rua Apa será reaberto após abandono e fama de ‘mal assombrado’

Imóvel no Centro de São Paulo foi palco de crime misterioso em 1937 envolvendo mulher e filhos de proprietário. Local será sede de ONG que atende moradores de rua.

Castelinho da Rua Apa foi restaurado e será reaberto nesta quinta-feira .(Foto: Rogério de Santis/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Castelinho da Rua Apa foi restaurado e será reaberto nesta quinta-feira .(Foto: Rogério de Santis/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Com fama de mal-assombrado, o Castelinho da Rua Apa, um imóvel construído no início do século XX no Centro de São Paulo, será reaberto nesta quinta-feira (6) depois de quase 50 anos abandonado. A reforma feita pelo governo do estado custou R$ 2,8 milhões.

O Castelinho, que fica nas esquinas da Rua Apa com a Avenida São João, vai funcionar como sede da ONG Clube de Mães do Brasil, que ocupava imóvel anexo desde 1997.

A ONG promove atividades de cunho social, educacional e cultural, atendendo a crianças, cidadãos em situação de rua, dependentes químicos e catadores de papel da região e é comandada pela maranhense Maria Eulina Reis Hilsenbeck, uma ex-moradora de rua.

O imóvel foi construído como réplica de um castelo medieval foi projetado e construído por arquiteros franceses e inaugurado em 1912. O Castelinho pertencia à família Guimarães Reis. No dia 12 de maio de 1937, um crime marcou a história do Castelinho: os advogados Álvaro e Armando Cézar dos Reis e a mãe deles, Maria Cândida Guimarães dos Reis, foram encontrados mortos a tiros por uma empregada que morava numa casa anexa. “O Crime do Castelinho da Rua Apa”, permanece misterioso.

O imóvel ficou abandonado em 1982, foi invadido por moradores de rua até ser concedido à ONG Clube de Mães do Brasil. O Castelinho foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo em 2004 e declarado Patrimônio Histórico e Cultural. A obra de restauração começou em 2015.

Fonte original da notícia: G1 São Paulo




Decisão do Estado de privatizar horto florestal gera protesto em Batatais, SP

Área de 1,4 mil hectares é uma das 25 que entraram em lista sancionada por Geraldo Alckmin no final do ano passado. Prefeitura tombou local como patrimônio, mas Secretaria de Estado do Meio Ambiente vai recorrer.

Moradores protestam contra privatização de floresta em Batatais, SP. (Foto: Reprodução/EPTV)

Moradores protestam contra privatização de floresta em Batatais, SP. (Foto: Reprodução/EPTV)

Um grupo de manifestantes promoveu um ato neste sábado (1º) às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334) contra a privatização do horto florestal de Batatais (SP), anunciada pelo governo do Estado no ano passado.

A área de 1,4 mil hectares, com fragmentos originais de floresta estacional semidecidual e reflorestamento, faz parte de uma lista de 25 parques, que, segundo lei sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), devem passar para a iniciativa privada como pontos de ecoturismo, mas também de exploração madeireira. A decisão foi questionada pela Prefeitura de Batatais, que tombou a área como patrimônio municipal este ano.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que considerou o tombamento um ato irresponsável da Prefeitura, comunicou que entrará na Justiça para anular o processo e defende que parte da área, que não dispõe somente de vegetação nativa, deve ser explorada.

Denominada “O Horto é nosso”, a manifestação começou por volta das 14h e reuniu escoteiros, ciclistas e moradores de Batatais no quilômetro 347 da rodovia, em frente à entrada do horto. A intenção do grupo era fechar o trânsito nas duas faixas da pista e convidar motoristas a assinar um abaixo-assinado, mas uma decisão judicial proibiu qualquer interdição após pedido feito pela concessionária responsável pelo trecho.

O protesto foi encerrado ainda durante a tarde com uma carreata que deixou o trânsito lento na Rodovia Cândido Portinari. Os moradores temem os riscos à biodiversidade da floresta, bem como outros transtornos ao meio ambiente e à população.

Segundo os manifestantes, o tombamento no âmbito municipal não é suficiente para solucionar a questão e, por isso, pedem a exclusão definitiva do horto florestal de Batatais da lista sancionada por Alckmin.

A privatização do horto

A Floresta Estadual de Batatais é uma das 25 áreas incluídas em na lei 249/2013 de Geraldo Alckmin que permite ao governo do Estado abrir licitação para que empresas explorem comercialmente os parques, tanto para o ecoturismo quanto para a atividade madeireira.

O texto, que também inclui unidades de preservação como os parques estaduais da Cantareira e do Jaraguá, na capital paulista, além da floresta estadual de Cajuru (SP), com 1,9 mil hectares, determina prazo de concessão por 30 anos.

O concessionário ficará obrigado ainda a executar projetos de restauração ou produção florestal sustentável, segundo o projeto.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente argumenta que a concessão de uso atende ao interesse público porque permite que o governo estadual obtenha recursos para recuperação da natureza e, ao mesmo tempo, mantenha a fiscalização sobre a área, com a possibilidade de retomar o controle a qualquer momento.

Tombamento

A medida não agradou as autoridades de Batatais, que consideram a lei um risco para a preservação do horto. Formada por ecossistemas como Mata Atlântica e cerrado, em seus 1,4 mil hectares tem, além de áreas plantadas com pinus e eucalipto, espécies em extinção como jequitibá-rosa e cedro, segundo informações do Instituto Florestal do Estado. Além disso, o local conta com pontos de captação de água superficial.

A administração municipal informou ter pedido um detalhamento do que poderá ser feito na área, sobretudo a nativa, mas que ainda não obteve resposta do Estado.

“Ao começar a discutir esse processo a gente foi tomando ciência da extensão disso. (…) Ao aprofundar isso foi diagnosticado que sim, teria que se tomar uma atitude, teria que se ter um maior esclarecimento do governo para que essa área não seja degradada, já que é de extrema importância ambiental e turística para Batatais”, afirma o diretor municipal de Cultura de Batatais, Luciano José Dami de Oliveira.

Ao mesmo tempo em que pediu esclarecimentos, Batatais aprovou em fevereiro o tombamento municipal da floresta, a fim de impedir a ocupação desordenada e a utilização sustentável do espaço. Com isso, qualquer alteração no local deve ser aprovado antes pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Cultural da cidade, o Comphac.

O município não é contra a atividade comercial na floresta, que em outras épocas já foi explorada para atividades como extração madeireira, mas exige que todas as decisões sejam aprovadas pelo conselho local.

“O tombamento é fundamental até na negociação com o Estado para que a área não seja degradada, para que a gente tenha uma preservação devido a importância dessa área enquanto patrimônio ambiental da cidade”, diz Oliveira.

Tombamento foi irresponsável, diz secretário

Em entrevista concedida pela internet ao Jornal da EPTV, o secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que foi uma irresponsabilidade do prefeito aprovar o tombamento do Horto Florestal. O departamento deve entrar com recurso contra a medida.

Salles argumenta que parte da madeira existente no local deveria ser explorada, inclusive como melhor solução ambiental.

“A floresta plantada, ao contrário da mata nativa, não é feita para ficar indefinidamente. A floresta plantada que não é manejada morre, pega fogo, então não é a solução correta manter a floresta plantada, que é para exploração madeireira”, diz.

Fonte original da notícia: G1 Ribeirão e Franca




Marquesa de Santos, de amante do imperador a santa casamenteira

Depois de escandalizar a corte, Domitila viveu 38 anos em São Paulo, onde se reinventou. Hoje devotos visitam seu túmulo.

Domitila de Castro Canto e Melo, que chamava D. Pedro I de “Demonão” – Foto: Reprodução.

Domitila de Castro Canto e Melo, que chamava D. Pedro I de “Demonão” – Foto: Reprodução.

Domitila de Castro Canto e Melo entrou para a história do Brasil como a amante de D. Pedro I que escandalizou a Corte e fez sofrer a imperatriz Leopoldina. Essa, no entanto, era apenas uma das facetas da Marquesa de Santos. Irreverente, manipuladora e nepotista, Domitila foi também uma bem-sucedida mulher de negócios. Como se não bastasse, depois de ser dispensada pelo imperador, ela se reinventou de tal forma em São Paulo que hoje chega a ser venerada como santa.

No túmulo da marquesa, no Cemitério da Consolação, em São Paulo, há placas agradecendo graças alcançadas e um aviso instigante: “Proibido acender velas e depositar objetos”. É que, devido à fama de santa casamenteira de Domitila, acontece de devotas mais afoitas deixarem calcinhas sobre a lápide. Outra crença é que, para alcançar dádivas no campo amoroso, as pessoas devem completar três voltas em torno do túmulo enquanto fazem o pedido.

Para alguns, os milagres da marquesa extrapolam o campo amoroso. Era o que acreditava o acordeonista italiano Mario Zan, autor do Hino do IV Centenário de São Paulo, um dos mais fervorosos devotos de Domitila. Durante décadas, o acordeonista cuidou do túmulo da marquesa, uma construção singela de mármore e alvenaria, tombada pelo patrimônio histórico. Na lápide, só não confere a informação de que ela doou as terras do cemitério. Na verdade, Domitila ajudou na construção da antiga capela.

Antes de morrer, em novembro de 2006, Mario Zan comprou o próprio túmulo, quase em frente ao da marquesa. Nascida em dezembro de 1797, Domitila foi uma mulher à frente de seu tempo. Demorou, mas conseguiu a separação oficial do primeiro marido, de quem levou duas facadas, por supostamente traí-lo. Três anos depois do episódio de violência doméstica, ela conheceu D. Pedro, que tinha viajado do Rio de Janeiro para São Paulo. O irmão caçula de Domitila estava na escolta do então príncipe regente.

No Rio, Domitila ganhou um palacete perto da Quinta da Boa Vista, a residência da família real. Ganhou também títulos. Antes de se tornar marquesa, ela foi Viscondessa de Santos. A escolha teria sido uma forma de D. Pedro I alfinetar os irmãos Andrada, seus desafetos, nascidos em Santos. O mais proeminente deles, José Bonifácio de Andrada e Silva, sentiu o golpe, como registrou em carta: “Quem diria que a michela (prostituta) Domitila seria viscondessa da pátria dos Andradas. Que insulto desmiolado!”.

Domitila, que em bilhetes ardentes chamava D. Pedro I de “Demonão”, nunca foi aceita pelos aristocratas do Rio. Com a prematura morte da imperatriz Leopoldina, as notícias em torno dos maus-tratos a que ela tinha sido submetida, e a dificuldade de encontrarem uma nova esposa para D. Pedro I na Europa, em 1829 ele decidiu despachar Domitila de volta para São Paulo.

Na cidade, a marquesa viveu mais 38 anos, durante os quais conquistou reputação de caridosa, por ajudar escravos e prostitutas. Ela também quebrou o provincianismo da capital paulista, ao levar o estilo da corte para o solar onde morava. Nas festas e saraus que promovia, muitas moças encontraram marido. E assim começou a fama de casamenteira.

O túmulo da marquesa, que foi preservado por décadas pelo acordeonista Mario Zan – Fotos: Luiza Villaméa.

O túmulo da marquesa, que foi preservado por décadas pelo acordeonista Mario Zan – Fotos: Luiza Villaméa.

Por Luiza Villaméa

Fonte original da notícia: Brasileiros




SP – Coleção do MASP é disponibilizada online no Google Arts & Culture

A plataforma, que reúne obras e histórias do mundo inteiro, contará com mais de mil itens disponibilizados pelo MASP.

(Divulgação/MASP)

(Divulgação/MASP)

Obras como As meninas Cahen d’ Anvers (1881), de Pierre-Auguste Renoir, O lavrador de café (1934), de Candido Portinari, e até mesmo peças da coleção de arte pré-colombiana que ainda não foram expostas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) já podem ser conferidas no Google Arts & Culture.

(Divulgação/MASP)

(Divulgação/MASP)

A parceria, inaugurada ontem, inclui mais de mil itens do museu paulistano, acessáveis por linha do tempo, por cor ou por popularidade. Dentre as obras, seis coleções já estão na plataforma, que conta com 40 milhões de usuários únicos por ano e reúne obras e histórias do mundo inteiro.

(Divulgação/MASP)

(Divulgação/MASP)

Além disso, 12 peças selecionadas pelos curadores do MASP estão disponíveis em realidade virtual (via o app Cardboard) e 20 itens foram digitalizados com tecnologia Art Camera, que capta detalhes dificilmente perceptíveis a olho nu. O objetivo do museu, que possui a coleção de arte europeia mais significativa do hemisfério sul, é que pessoas do país inteiro possam aproveitar o acervo. Escolas também poderão integrar o conteúdo em disciplinas.

(Divulgação/MASP)

(Divulgação/MASP)

A coleção do MASP está disponível no site do Google Arts & Culture e também nos dispositivos móveis de tablet, Android e iOS. Outros museus parceiros do Google Arts & Culture são o Museé d’Orsay, em Paris, o Smithsonian National Museum of Natural History, em Washington (EUA), e o British Museum, em Londres.

Por Mariana Bruno

Fonte original da notícia: Casa Claudia




Sorocaba (SP) – Prédio do antigo Matadouro está abandonado

Há mato dentro e fora do matadouro, no teto e nas paredes, e faltam vidros e telhas - Emídio Marques

Há mato dentro e fora do matadouro, no teto e nas paredes, e faltam vidros e telhas – Emídio Marques

O prédio do antigo Matadouro Municipal está abandonado. Datada de 1928, a construção, localizada na rua Paes de Linhares, na zona norte, está tomada pelo matagal. Tem mato do lado de fora, de dentro, no teto e nas paredes. Pelo tamanho das árvores que se formaram junto à construção, é fácil perceber que a ausência de manutenção é antiga. O telhado já sofre com a falta de telhas em alguns pontos. Nas janelas e portas, com estrutura de ferro, não sobrou nenhum vidro — que também devem ter sido retirados há muito tempo. Os tijolos, que eram pintados de branco no passado e hoje estão à vista, sofrem o desgaste da ação do tempo e de anos sem reparos. A falta de cuidados da administração municipal com o prédio histórico pertencente à cidade chama a atenção por si só. Porém, soma-se a isso o fato de que a construção foi tombada pelo próprio município em 1996, pelo decreto 10.033, assinado em 28 de novembro daquele ano.

O texto do decreto, assinado pelo então prefeito Paulo Mendes, reforça que “a preservação de locais de valor histórico é dever do Poder Público”, com base no que diz o artigo 216 da Constituição Federal, visando, principalmente, a “preservação da identidade e da memória cultural da população”, isso de acordo com os artigos 150 e 151 da Lei Orgânica do Município. Na ocasião, a assinatura do decreto foi antecedida por uma resolução do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Turístico e Paisagístico de Sorocaba (CMDP), que num processo administrativo apontou estudos que comprovaram o valor histórico-cultural do antigo Matadouro Municipal. O prédio foi tombado com grau de preservação 2, o que significa a preservação parcial, apenas do exterior do edifício compreendendo a volumetria, fachadas, cobertura, áreas livres, ajardinamento e respectivos elementos ornamentais ou utilitários.

Montanhas de terra

A construção está instalada num terreno que hoje também abriga outros prédios, mais modernos, onde funcionam a base da Patrulha Escolar e a Escola de Formação da Guarda Civil Municipal. O acesso, para quem vem da rua, é aberto. O prédio histórico, entretanto, fica na parte mais baixa do terreno, próximo ao rio. No local também funciona uma espécie de base do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), com máquinas fazendo a retirada de terra e empilhando esse material em montes bem próximos ao prédio, que acaba de completar 89 anos. A Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom) confirma que o espaço é usado pela autarquia como depósito temporário de terra e entulho de manutenções e obras.

Só no papel

Desde a criação da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em 2004, algumas vezes a recuperação e utilização do prédio do Matadouro para atividades culturais foi cogitada. Num relatório elaborado no início de 2016, intitulado Histórico da Secretaria da Cultura de Sorocaba, referências ao local aparecem algumas vezes. Em abril de 2008, o documento aponta que naquele ano a pasta teria um orçamento de R$ 11,3 milhões — bem maior que os R$ 8,2 milhões do ano anterior. Diante disso, uma das prioridades seria revitalizar o antigo Matadouro Municipal de Sorocaba, transformando-o num espaço de cultura do município. O projeto não aconteceu. Porém, curiosamente, em dezembro de 2011 o então prefeito Vitor Lippi sancionou uma lei, proposta pelo então vereador José Crespo, para dar o nome de Monsenhor Ricardo Dias Neto ao Centro Cultural do prédio histórico do Matadouro Municipal. Já em fevereiro de 2012, o documento aponta o furto de muitas peças do acervo museológico da cidade — que eram mantidas num outro prédio no mesmo terreno. A Secult relata que, naquele momento, “o local não possuía segurança ou qualquer tipo de patrulhamento”.

Não há recursos

Em nota da Secom, a Prefeitura afirma que o prédio foi abandonado pela administração anterior, o que determinou a aceleração da sua degradação. Disse também que o prefeito José Crespo reconhece a importância histórica do prédio para Sorocaba e que teria determinado providências para a sua recuperação. No entanto, a mesma nota admite que no momento não há dotação orçamentária para recuperar o patrimônio histórico da cidade e que a Prefeitura estaria buscando soluções para a recuperação do prédio dentro das suas possibilidades financeiras e por meio de parcerias, até que a situação econômica melhore. O texto diz também que não é possível estimar os custos da restauração do matadouro, porque o processo é extremamente complexo. O prédio hoje, segundo a Secom, tem sua segurança feita pela Guarda Civil Municipal (GCM).

A Secom, em outra nota à imprensa, afirmou ontem à noite que uma reunião foi realizada na Câmara Municipal para tratar a intenção de doar a área do antigo matadouro, hoje de propriedade da Câmara Municipal, para a municipalidade, através de cessão específica à Guarda Civil Municipal, que já a utiliza para algumas de suas atividades. Disse ainda que a Secretaria de Segurança e Defesa Civil já possui um projeto para a instalação no local da Escola de Formação, Aperfeiçoamento e Especialização da Guarda Civil Municipal (Efae) da Região Metropolitana.

Fonte original da notícia: Jornal Cruzeiro do Sul