SP – Bertioga e Guarujá unem forças para restaurar pontos turísticos

Grupo de trabalho vai definir próximas estratégias para reformar as ruínas da Ermida de Santo Antônio do Guaibê e o Forte São Felipe.

Ermida de Santo Antônio do Guaibê. Foto: Dirceu Mathias/Prefeitura de Bertioga

As ruínas da Ermida de Santo Antônio do Guaibê e o Forte São Felipe devem ser restaurados em breve. Essa é a intenção dos prefeitos de Bertioga, Caio Matheus, e de Guarujá, Válter Suman. Os dois se reuniram na segunda-feira (14) para discutir como serão restaurados alguns pontos turísticos de interesse para ambos os municípios do litoral paulista.

As ruínas da Ermida de Santo Antônio do Guaibê foram visitadas pelos dois prefeitos no mês passado. As duas cidades querem realizar uma força-tarefa para a restauração do local, e nesta primeira reunião técnica foi apontado o que pode ser feito.

Um grupo de trabalho com representantes de várias secretarias definirá as próximas ações. Bertioga será representada pelos técnicos de Meio Ambiente, Obras, Serviços Urbanos, Turismo e Assuntos Jurídicos. Já Guarujá será representada pelas pastas de Cultura, Meio Ambiente, Operações Urbanas e Turismo.

Além de prefeitos e secretários de ambas as cidades, o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Victor Hugo Mori, também participou da reunião. Uma das primeiras propostas é fazer uma limpeza emergencial e, para isso, Mori sugeriu que técnicos do instituto auxiliem nesse trabalho.

Além das ruínas, a ideia é, também, restaurar o Forte São Felipe. Agora, o grupo de trabalho vai definir as próximas estratégias e uma reunião já foi marcada para o fim do mês.

Fonte original da notícia: G1 Santos




Minas Gerais lança maior rota de turismo religioso do Brasil

Circuito liga Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, passando por 32 municípios mineiros.

Santuário da Serra da Piedade é um dos principais pontos do novo caminho turístico. Foto: Manoel Marques/Imprensa MG

Minas Gerais traz em sua bagagem uma cultura religiosa muito forte. As peregrinações e as festas religiosas fazem parte do calendário de várias cidades mineiras e são as principais responsáveis por movimentar o turismo religioso no estado.

Agora, essa história tricentenária de fé e religiosidade será celebrada entre os dias 1º a 3 de setembro, durante a abertura do II Salão Nacional do Turismo Religioso, com o lançamento oficial do Caminho Religioso da Estrada Real (CRER), em Caeté.

Durante o evento, será realizada a Romaria 550, que liga o Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, localizado em Caeté, ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, passando por 32 municípios mineiros e seis paulistas, num percurso de mais de mil quilômetros. O nome Romaria 550 é uma referência aos 250 anos de peregrinação a Piedade e aos 300 anos de peregrinação a Aparecidacrer, .

Com o lançamento do CRER, a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (Setur-MG) aposta na diversificação da oferta turística das regiões que abraçam a rota. Além disso, o caminho também contribui para a manutenção da tradição histórico-cultural das comunidades locais.

“Vale ressaltar que, desde o período colonial, Minas Gerais sempre deu grande valor ao turismo religioso e, em nossa gestão, estamos trabalhando para que o setor continue crescendo e atraindo cada vez mais turistas, na expectativa de que o estado se desenvolva economicamente e continue sendo referência para os fiéis”, diz o secretário de Estado de Turismo de Minas Gerais, Ricardo Faria.

Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apontam que 8,1 milhões das viagens domésticas no Brasil são motivadas pela fé. “Por meio do Caminho Religioso da Estrada Real, os peregrinos poderão conhecer nosso estado não apenas pelas experiências de fé, mas também em suas mais variadas formas, como gastronomia, história e cultura”, completa Faria.

CRER

Divulgação/Internet

Inspirado no consagrado Caminho de Santiago de Compostela, da França à Espanha, o CRER tem como objetivo desenvolver e estruturar o segmento de turismo religioso em Minas Gerais a partir da formatação de produtos turísticos que associem experiências turísticas à religiosidade, que é marcante no estado.

A ideia surgiu em 2001, quando dois caminhantes, com apoio do Instituto Estrada Real (IER) e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), percorreram, em 36 dias, toda a Estrada Real, identificando as principais necessidades para sua consolidação. Entre 2002 e 2004, depois de rigoroso levantamento e demarcação, foram fixados os marcos sinalizadores.

Atualmente, o trajeto pode ser percorrido a pé, de bicicleta, a cavalo ou em veículos 4 x 4 Off Road, configurando-se, assim, como uma opção de turismo e peregrinação com prestação de serviços qualificados para atender os visitantes e peregrinos em uma única viagem ou por etapas, conforme a sua disponibilidade.

“O turista pode iniciar a rota de qualquer ponto e percorrer os trechos que desejar, não sendo obrigatório realizar todo o caminho de uma só vez”, explica Eberhard Hans Aichinger, representante da Sacrum Brasilidades, empresa gestora do CRER.

A rota cruza os municípios mineiros de Caeté, Sabará, Raposos, Barão de Cocais, Nova Lima, Santa Bárbara, Rio Acima, Catas Altas, Itabirito, Mariana, Ouro Preto, Ouro Branco, Congonhas, Conselheiro Lafaiete, São Brás do Suaçuí, Entre Rios de Minas, Casa Grande, Lagoa Dourada, Prados, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del Rei, Carrancas, Cruzília, Baependi, Caxambu, São Lourenço, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde, Itamonte, Itanhandu e Passa Quatro – e os paulistas Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Canas, Lorena, Guaratinguetá e Aparecida.

Em Minas Gerais, o trajeto está todo sinalizado para que o peregrino possa se orientar com segurança. Totens instalados em locais estratégicos indicam as direções e placas indicativas apresentam o mapa geral do caminho, mostrando os municípios do percurso.

Nos últimos anos, a Setur ampliou a implantação das estruturas físicas, totalizando 22 quiosques, 38 paraciclos, uma escada de acesso, três passarelas, 64 placas informativas, 1.771 totens indicativos, 119 placas de advertência para os motoristas e reparação de uma cabeceira de ponte e uma pinguela.

Para marcar o caminho percorrido, o turista poderá adquirir um passaporte, onde registrará as cidades onde esteve. Estes carimbos estarão disponíveis nos pontos de apoio do CRER, geralmente localizados nas secretarias paroquiais de cada município ou nos pontos de informações turísticas da cidade.

Ao final do percurso, seja no Santuário Nossa Senhora Aparecida ou no Santuário Nossa Senhora da Piedade, o peregrino que apresentar o seu passaporte carimbado em sua totalidade, receberá um certificado de conclusão de todo o Caminho Religioso da Estrada Real.

Romaria 550

Em comemoração aos 250 anos de peregrinação ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, e os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, protetora do Brasil, foi organizada a Romaria 550, que instalará oficialmente o CRER.

No dia 3 de setembro, os participantes, que vão percorrer o caminho a pé, sairão do Santuário da Piedade, chegando com os demais participantes, no dia 9 de outubro, ao Santuário Nacional de Aparecida, quando será celebrada a missa solene, recepção aos romeiros e ao reconhecimento do CRER como uma romaria oficial de peregrinação.

Para o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “a singularidade do Caminho Religioso da Estrada Real reside na riqueza e na beleza do seu conjunto paisagístico e arquitetônico, particularmente sacro. Esse é um dos projetos com maior potencial turístico de Minas Gerais e, por isso, merece atenção de todos os mineiros. O CRER precisa estar no coração de cada mineiro, nos projetos empresariais e nos investimentos governamentais”.

Na ocasião, as quatro modalidades para percorrer todo o percurso estarão disponíveis e serão conduzidas por operadores com expertise em suas áreas. Para mais informações de como participar da Romaria 550 basta acessar o site www.sacrumbrasilidades.com

Fonte original da notícia: Agência Minas Gerais




São Paulo (SP) – Patrimônio também é conteúdo

Patrimônio também é conteúdo? O mundo digital, com sites, blogs e redes sociais criou infinitas possibilidades de comunicação entre as pessoas, tanto local quanto globalmente. Assim, cada vez mais estamos fazendo uso dessa comunicação, que é direta, quase pessoal, ou seja, geramos conteúdo permanentemente. Criamos grupos, opinamos, relatamos, denunciamos, elogiamos…

E, o patrimônio cultural é, cada vez mais, fonte de informação, seja sobre o restauro de um prédio, a denúncia de uma destruição, o registro de uma festa popular. Mas, para que essa comunicação seja eficiente temos à nossa disposição algumas técnicas básicas de escrita. Vamos aprender como escrever sobre patrimônio?

Oficineiro

Jornalista formado pela PUC do Rio Grande do Sul, João Menoni é editor do site “O Passado no Presente”, sobre patrimônio histórico e membro da ONG Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico.

Data – 19 de agosto (sábado)
Horário – 10h
Duração – 1 hora e 30 minutos

Inscrições pelo email contato@opassadonopresente.com.br
Capacidade – 80 pessoas

Localização – Arquivo Histórico de São Paulo – Praça Coronel Fernando Prestes, 152 – Bom Retiro – São Paulo

Fonte original da notícia: Jornada do Patrimônio




São Paulo (SP) – Exposição Fábrica de Cimento Perus

Patrimônio que te quero, Viva! é a celebração do patrimônio local é também um convite ao (re)conhecimento do passado e uma provocação para o futuro.

A mostra conta a história da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus – CBCPP, primeira indústria de cimento do Brasil a produzir em larga escala, tem como propósito, fazer (re)conhecido o patrimônio para a população que o detém, a comunidade local.

A Fábrica de Cimento foi fundada em 1924 e tombada como patrimônio histórico em 1992, entretanto, encontra-se desde 1987 sem qualquer utilização e em processo constante de deterioração.

Até 31 de agosto na Biblioteca de Padre José de Anchieta em Perus – Rua Antônio Maia 651 – São Paulo (SP)

Mais informações: https://www.facebook.com/expoperus/

Fonte original da notícia: Patricia Barbosa, por mensagem




Museu do Café, em Santos (SP), planeja novo restauro após duas décadas

Diretoria espera conseguir a colaboração de empresas e pessoas físicas para a reforma.

Inaugurado em 1998, o Museu do Café é um dos principais pontos turísticos de Santos. Foto:Alberto Marques

Após quase 20 anos do último restauro, o Museu do Café de Santos busca parcerias para promover uma nova reforma completa do imóvel, na Rua XV de Novembro, 95, no Centro. Além de intervenções simples, para conservar a arquitetura, o objetivo é construir um auditório e reformar o restaurante, no terceiro andar, para abertura pública. Em 7 de setembro, o imóvel fará 95 anos.

O local recebe mais de 300 mil visitantes por ano, inclusive estrangeiros, que desembarcam de navios de cruzeiros no Porto. Está sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura e desde 2008 é administrado pelo Instituto de Preservação e Difusão da História do Café e da Imigração (Inci), uma organização social (OS) e, portanto, sem fins lucrativos.

Há repasse de R$ 5 milhões por ano do Governo Estadual para sua manutenção, mas as demandas pretendidas exigem mais dinheiro.

Diretora-executiva do instituto desde o mês passado, Alessandra Rodrigues de Almeida explica que dois projetos foram formatados para atrair mais recursos: um direcionado a empresas e outro, para pessoas físicas. A intenção é que ambos se tornem associados do museu e recebam contrapartidas.

As mensalidades para empresários vão de R$ 200,00 (categoria bronze) a R$ 1 mil (categoria platina). Os benefícios em troca dependem do valor da contribuição.

“No caso das empresas, podemos oferecer, até, a cessão de espaço para eventos, inclusive o salão do pregão, que é nobre. Também colocar os nomes das empresas numa placa na frente do prédio e divulgar em nosso material. É uma vitrine para elas participarem de um projeto cultural, ajudando a preservar a história do café, tão importante para o Estado e para o Brasil”, diz a diretora.

Amigos do museu

Pessoas físicas também podem se associar. São duas categorias: robusta (R$ 100,00 anuais) e arábica (R$ 500,00 por ano). As contrapartidas preveem descontos na loja e na cafeteria do museu, no bonde do café e em cursos oferecidos.

Alessandra lembra da importância de colaborar. “Olhando assim, parece que está tudo bonito, mas precisamos, sim, realizar um restauro total do prédio. Já faz duas décadas do último”.

Pessoas e empresas interessadas em se associar podem entrar em contato pelo telefone 3213-1750 e, também, pelo e-mail museudocafe@museudocafe.org.br

O espaço

Inaugurado em 1998, o Museu do Café é um dos principais pontos turísticos de Santos e tem como objetivo a preservação e a divulgação da história do café no Brasil e no mundo.

Com objetos, documentos e recursos audiovisuais, a instituição mostra ao público como a evolução da cafeicultura e o desenvolvimento político, econômico e cultural do País estão ligados, desde meados do século 18 até os dias de hoje.

Instalado no palácio da antiga Bolsa Oficial de Café, inaugurado em 1922, o Museu do Café tem como destaque do acervo o salão do pregão – composto por uma mesa principal e 70 cadeiras –, onde eram realizadas as negociações que determinavam as cotações diárias das sacas de café.

Fonte original da notícia: A Tribuna




Casa histórica fica destruída após incêndio em Ubatuba (SP)

Foram necessários 25 mil litros de água para apagar completamente as chamas da casa, que fica no bairro Rio da Prata.

Casa histórica fica destruída após incêndio em Ubatuba. Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

Uma casa tombada pelo Patrimônio Histórico da Prefeitura de Ubatuba ficou destruída após ser atingida por um incêndio de grandes proporções na tarde de quarta-feira (2). Não houve feridos.

As chamas começaram às 13h40 na casa que fica no bairro Rio da Prata, entre Tabatinga e Maranduba. Na operação foram necessárias equipes de Ubatuba e Caraguá, que usaram aproximadamente 25 mil litros de água para conter completamente as chamas, por volta das 18h.

Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

A casa era de pau a pique e segundo os moradores da região, era um local de alfabetização e de orações das pessoas que moravam por ali. No momento do incêndio, não havia ninguém dentro da casa.

Fonte original da notícia: G1 Vale do Paraíba e Região 




Mogi das Cruzes (SP) – Casarão antigo da Cardoso Siqueira é demolido

A autorização foi do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico – Comphap. Foto: Eisner Soares

O casarão antigo localizado no início da Rua Coronel Cardoso de Siqueira, 321, no Centro, foi demolido, com autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico (Comphap) aprovada na reunião de 9 de agosto do ano passado. Há alguns anos, o proprietário do imóvel iniciou uma reforma suspensa graças à atuação do órgão, que tentou preservar pelo menos as características iniciais na fachada do casario.

Em uma sequência de atas do Comphap (16 de fevereiro e 12 de julho do ano passado) é possível acompanhar as recomendações sobre a manutenção da platibanda e cimalha, recursos construtivos existentes na fachada da casa que não deixam o telhado à vista, porém, há mais de um ano, os argumentos dos responsáveis pela obra acabaram por derrubar as recomendações iniciais dos conselheiros. E, nessa semana, o imóvel foi derrubado.

Com o fim dos antigos casarões, o entorno da região central perde mais um dos poucos registros arquitetônicos considerados importantes para a preservação da memória sobre o processo de ocupação da região central, numa escalada que tem se acelerados nos últimos tempos. Há outros pedidos de demolição de fachadas de imóveis “nus” por dentro, por já terem sofrido intervenções em reformas e adaptações, principalmente os usados como casa, num primeiro momento, e depois adaptados para o mercado de aluguel comercial e receberem comércios e outros tipos de atividades, em análise do Comphap.

Na história desse casario, em específico, chama atenção o fato de a obra de reforma ter sido suspensa pelo Comphap, num final de semana prolongado, quando Ana Maria Sandim, presidente do Comphap, passou em frente ao imóvel e constatou a irregularidade. Os serviços foram interditados e cobranças começaram a ser feitas para prevenir o fim de mais um registro. Essa tentativa, no entanto, não teve sucesso. E o imóvel foi ao chão, no mesmo sentido de centenas de outros nas proximidades das Igrejas das Ordens Primeira e Terceira do Carmo, um conjunto tombado como patrimônio histórico nacional.

Aos poucos, a Cidade segue com menos exemplares bem mais antigos e um número relativamente maior dos construídos no século passado e já considerados como de interesse de preservação nas mãos de particulares, além dos públicos, um pouco melhor protegidos (Casarão do Carmo, Teatro Vasques, Pinacoteca, sede da Polícia Militar), e os pertencentes a instituições, casos de templos e igrejas.

O Diário tentou falar com a Ana Sandim, ontem, mas não obteve sucesso. Já na Prefeitura, a informação é de que o assunto deve ser tratado com o Comphap.

Por Eliane José

Fonte original da notícia: O Diário




Coleção de arte sacra é destaque em leilão em São Paulo

Foto: Dino

Com grande coleção de móveis, imagens sacras, pratarias, louças Cia das Índias, pinturas acadêmicas e contemporâneas, litografias e livros raros, todos dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX, totalizando 467 lotes realiza-se em São Paulo, nos dias 1 e 2 de agosto, o leilão da Dutra Leilões do acervo de Maria Antonia Marinho.

De acordo com o leiloeiro Luiz Fernando Dutra, merece especial destaque o grande Lampadário Sabará de prata do período de transição D. João V para D. José I do século XVIII, bem como a cômoda papeleira D. José I de jacarandá com compartimento secreto para guarda de valores, da Bahia, século XVIII. Assim como uma sala de jantar composta por uma mesa de 440 cm de comprimento e 16 cadeiras de jacarandá, todas do século XVIII.

Santo do Pau Oco

Dutra destaca ainda uma refinada coleção de arte sacra, onde se destaca a imagem de Nossa Senhora do Rosário, conhecida como “santo do pau oco” e que servia para guardar valores no seu interior e foi feita em São Paulo, no século XVIII.

Outros lotes

Bancada completa de seis tocheiros barrocos de madeira lavrada de Minas Gerais do século XVIII.

Pietá, Santa parentela, Santana Mestra e conjunto de cinco Cristos crucificados de madeira do século XVIII.

Porcelanas chinesas de exportação conhecidas como Cia-das-Índias alguma brasonadas.

Coleção de pratos e travessa de porcelana azul e branca Macau com recipiente para água quente (rechaud), pequenas terrinas e sopeiras cujo nome deriva do porto de origem Macau, chegando ao Brasil no final do século XVIII e início do século XIX.

Fonte original da notícia: Terra




Campinas (SP) – Erro deixa prédio fora da lista de tombados

Imóvel na Rua Barão de Jaguara, esquina com a Rua Conceição, estava fora da lista de estudo para tombamento por falha técnica: agora incluído. Carlos Sousa Ramos/AAN

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) abriu estudo de tombamento de 16 imóveis preservados na área central de Campinas. O último deles (o 16º), na Rua Barão de Jaguara, 1.070, esquina com a Rua Conceição, 97, — onde funciona uma loja de bolsas — foi incluído nesta relação na última quinta-feira (27), após decisão em sessão ordinária do órgão de dezembro. Cada imóvel será avaliado individualmente. Não há prazo para a conclusão dos trabalhos.

O 16º imóvel foi publicado neste sábado (29) depois de um erro de impressão deixá-lo de fora do pacote dos 15 que entraram em estudo no final do ano passado. Segundo os historiadores, essa categoria de imóveis forma uma espécie de “limbo” na legislação pois eles não são tombados, mas os proprietários têm as mesmas obrigações de preservação, sem direito, por exemplo, a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Com a liberação, esses imóveis podem ser reformados ou demolidos sem autorização prévia do conselho.

Os imóveis foram indicados para preservação em 1988, quando ocorreu o tombamento da Catedral Metropolitana de Campinas, o Solar do Barão de Indaiatuba (7º Tabelião de Notas), o Solar do Barão de Itapura (PUC-Campinas central) e o Solar do Barão de Itatiba (Palácio dos Azulejos). Eles estão dentro de uma área de 300 metros desses bens históricos da cidade.

Desde 1997 o Conselho vem buscando tratar de forma mais simples as chamadas áreas envoltórias de bens tombados. Uma das formas é avaliando previamente se entre os imóveis “indicados para preservação” há algum que mereça ser tombado. Se existir, o conselho inicia o estudo, se não, libera o imóvel.

O historiador do Condepacc Henrique Anunziata explica que tem alguns imóveis que se replicam e, por isso, não precisam ser tombados. “Vamos analisar se os 16 imóveis já não estão tombados em outras áreas do centro histórico (replicados), com o mesmo desenho, mesma categoria, mesma situação”, diz.

Ele ressalta que um bem só é tombado quando faz parte de um conjunto ou tem características únicas. “É preciso toda uma historicidade, uma justificativa, para ir para o processo de tombamento. Esses 16 entraram em estudo de tombamento. E a partir de agora vamos analisar um por um e ver o contexto de cada, as características”, ressaltou.

Ao longo dos anos o Condepacc vem revendo, mas de forma pontual, os indicados para preservação. Em 1997 houve um início de revisão e 74 imóveis foram desincorporados da categoria de indicados para preservação. Nos novos tombamentos, os critérios já estão sendo adotados, ao mesmo tempo em que as resoluções de tombamentos estão passando por uma revisão geral.

Fonte original da notícia: Correio Popular




Médico nazista conhecido como ‘Anjo da Morte’ viveu escondido em Serra Negra (SP) na década de 60

Casa onde o médico nazista Josef Mengele morou em Serra Negra. Foto: Marcelo Felipe Sampaio

O passado que envolve uma casa do sítio Santa Luzia, no bairro das Três Barras, aguça a curiosidade de quem explora os arredores de Serra Negra (SP). Os 23 alqueires de terra foram administrados, entre1961 a 1969, por Pedro Húngarez, um homem naturalizado paraguaio com sotaque alemão, que arriscava frases em italiano. Era Josef Mengele, sádico médico nazista caçado no mundo inteiro e responsabilizado por ao menos 400 mil mortes no complexo de campos de concentração de Auschwitz, no sul da Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial.

Mengele pertencia à SS, exército de elite de Adolf Hitler, e havia fugido para a cidade. Era chamado pelos funcionários do sítio de Pedrão. O G1 conversou com um deles, que lembrou dos momentos junto ao “Anjo da Morte”.

“Pai, olha o Pedrão na janela”, avisava José Osmar Silotto, na época na pré-adolescência em meio ao cafezal do sítio. “Vamos, menino. Ele está vendo se estamos trabalhando”, Silotto ouvia do pai, Eugênio. Os dois trabalharam para Mengele na cidade.

‘Pagava em dinheiro e no dia certo’

Com 65 anos, aposentado e com o pai falecido, Silotto se lembra bem do período. Sabe do significado sombrio que representa o nome de Josef Mengele à história da humanidade, mas não o critica em nenhum momento.

Josef Mengele. Foto: Reprodução

“O que eu posso te falar. Sei de todo o mal que ele fez ao mundo, mas, durante nosso convívio, não tenho nada para falar. Nos pagava em dinheiro e no dia certo. Ainda curou minha anemia com uma bebida à base de beterraba. Eu estava muito doente, na época diziam que eu tinha amarelão. Pediu ao meu pai que trouxesse beterraba e voltou com uma bebida. Se fosse veneno, eu teria morrido. Em dez meses eu estava forte”, recorda José Silotto.

Outro detalhe lembrado pelo antigo funcionário de Mengele foi o fato de sua habilidade em empalhar passarinhos. “Parecia que o bichinho iria sair voando”, recorda.

Uma história de mistério

Mengele se dizia administrador do sítio na cidade. Hóspede ou dono? A pergunta é maquiada por certa dose de mistério. Um casal de húngaros se dizia proprietário das terras.

Geza Stammer passava a maior parte do tempo em São Paulo, com aparições frequentes. Gitta, a esposa, ficava na casa, enquanto Mengele passava as ordens aos funcionários no campo. Todos discretos, segundo o funcionário da época.

“Víamos o Pedro de um lado para o outro. Trabalhava também. Andou tudo por aqui”, recorda José Osmar Silotto.

O casal húngaro tinha dois filhos pequenos, que também moravam no Santa Luzia.

Saga virou livro

A saga da família Stammer e a presença de Josef Mengele foi contada pelo pesquisador e historiador Noedir Pedro Carvalho Burini no livro “O Anjo da Morte em Serra Negra”, lançado em 2013. Burini é formado em História pela Faculdade de Bragança Paulista (Fesb).

“A presença de Mengele na região me chamou a atenção. Não tinha muitas publicações sobre o assunto e resolvi me aprofundar. Descobri fatos novos depois de muita investigação”, diz Burini.

O historiador visitou Paraguai e Uruguai, países que também receberam o “Anjo da Morte”. Descobriu, por exemplo, que o nazista se naturalizou paraguaio, casou com a cunhada no Uruguai para se manter como herdeiro perante à família, na Alemanha, e chegou ao Brasil.

‘Sem antecedentes’

Durante a fuga da Alemanha e antes de vir para o Brasil, Josef Mengele se naturalizou no Paraguai, em novembro de 1959. No documento oficial, consta que o médico nazista teria provado, inclusive, não ter antecedentes judiciais e nem policiais. Veja a imagem, abaixo.

Documento de naturalização de Josef Mengele, que passou a ter cidadania paraguaia. Foto: Reprodução

Rota de fuga de Mengele

A rota de fuga de Josef Mengele começou em 1945, quando simplesmente desapareceu de Auschwitz. Permaneceu escondido por quatro anos na Alemanha. Cruzou a fronteira com a Áustria e depois veio para a América do Sul. Primeiro a Argentina, depois o Paraguai, Uruguai e, finalmente, chegou ao Brasil, onde morreu afogado numa praia de Bertioga, litoral de São Paulo, em 1979.

“Aqui no estado de São Paulo, morou em Nova Europa, Serra Negra, Caieiras, Diadema e Embu. Sempre de forma discreta e ‘protegido’. […] Está claro que sempre recebeu ajuda durante sua vida no Brasil. Gente que o conhecia muito bem”, diz o historiador.

O que chamou a atenção de Burini durante a “caçada à história nazista” foi a torre de aproximadamente dez metros de altura construída no telhado da casa do sítio, em Serra Negra.

“Pode perceber que é semelhante as de Auschwitz. É um local alto, que oferece visão ampla de toda a região. Ele mesmo ajudou a construí-la”, revela. Talvez isso explique a declaração de José Osmar Silotto, que diz ter visto muitas vezes Mengele aparecer no que chamou de janela.

‘Amigo’ nazista na cidade

Burini trabalha em um documentário ao lado do cineasta Marcelo Felipe Sampaio. Juntos, tentam montar o quebra-cabeça da passagem de Mengele por Serra Negra.

Estudam uma ligação do médico nazista a um outro e misterioso morador da cidade: Gunther Schouppe, um austríaco que teria lutado pelo exército nazista na Segunda Guerra Mundial. Schouppe chegou a Serra Negra, onde era chamado de Alemão, pouco depois de Mengele.

Comprou terras no Bairro Barrocão e construiu uma casa muito semelhante à do médico. Inclusive a torre. Cerca de 10 quilômetros de distância separavam a construção da residência de Mengele. Burini conta que relatos de antigos moradores da região os descreve como amigos.

“Passavam tempos juntos. Subiam nas torres, olhavam as pessoas”, relata.

“Schouppe seria cabo da SS e, ferido em campo de batalha, conheceu Mengele em Auschwitz. Isso eu conto no meu trabalho”, observa Burini, que dá ênfase ao fato de Schouppe não ter contra ele qualquer crime de guerra.

“Nada consta em documentos. Apenas relatos de parentes”, diz o historiador. Schouppe morreu aos 68 anos, em 7 de agosto de 1990, após sofrer um acidente vascular cerebral e parada cardíaca, de acordo com documento da Funerária Central de Amparo, na época. Ele foi sepultado em Serra Negra.

O historiador tem planos de lançar o documentário em 2019 e, no futuro, promover visitas assistidas às fazendas de Serra Negra, que entraram para a história.

Atualmente as duas residências são propriedades particulares. A de Josef Mengele pertence a um ex-prefeito da cidade e o outro sítio, onde viveu Gunther Schouppe, seria de um empresário de Campinas.

Por Ivan Lopes

Fonte original da notícia: G1 Campinas e Região