Fazenda que abrigou Coluna Prestes vira patrimônio histórico

O tombamento tem como objetivo de manter uma memória viva da comunidade do Século XX.

A “Fazenda Taquari”, localizada no município de Alto Taquari (479 km ao Sul  de Cuiabá) foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico pelo Governo do Estado, por fazer parte do movimento ocorrido em 1925 e 1927, conhecido como Coluna Prestes. A decisão foi tomada por meio de portaria baixada pelo secretário de Cultura, Paulo Pitaluga.

A partir de agora, a fazenda, constituída por cachoeira, trilhas, rio, pontes, casarão, rurais, armazéns, galpões, engenhos, candeia, monjolo, roda de tear e paisagens passa a ser considerada bem imaterial do Governo de Mato Grosso.

De acordo com a Secretaria de Cultura, o tombamento tem como objetivo manter uma memória viva da comunidade do Século XX.  A fazenda está localizada a 28 km da sede do município de Alto Taquari, próximo à Cachoeira do mesmo nome.

Além disso, buscará sujeitar ao prévio exame do órgão estadual os projetos que visem modificar ou alterar espaço, modificando sua beleza natural e seus elementos constituídos que formarem o lugar para preservação da memória e continuidade das práticas culturais.

Na portaria, a SEC lembra que, durante o tempo em que esteve na Fazenda Taquri, os “revoltosos”, nome dado pelos antigos moradores aos integrantes da Coluna Prestes, saquearam as casas e destruíram pontes e cercas.

Coluna Prestes

O movimento, aconteceu entre os anos de 1925 e 1927, encabeçado por líderes tenentistas – entre eles, Luis Carlos Prestes -, que empreenderam grandes jornadas para o interior do país, procurando fazer insurgir o povo contra o regime oligárquico vigente durante a presidência de Artur Bernardes, ainda no período da República Velha.

A Coluna Prestes ainda pregava ao povo a necessidade da destituição do presidente e a imediata reformulação econômica e social do país, pregando a nacionalização das empresas estrangeiras fixadas no Brasil e o aumento de salários de trabalhadores em todos os setores rurais e industriais.

Em suas jornadas, que se estenderam em uma distância de por volta de 25.000 quilômetros, a Coluna foi perseguida pelas forças orientadas pelos governos, formada tanto por militares e policiais estaduais quanto por jagunços contratados, estes últimos incentivados pelas promessas de anistia aos seus crimes cometidos.

Não tendo sofrido sequer uma derrota significativa nas guerrilhas contra o governo ao longo de suas incursões pelo interior do país, que se estenderam por cerca de 30 meses, a Coluna é contada pelos estrategistas militares do próprio Pentágono como uma das mais prodigiosas façanhas militares da história das batalhas de guerrilha.




PGR quer ampliar conceito de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

A procuradora-geral da República em exercício, Sandra Cureau, ajuizou no STF (Supremo Tribunal Federal) uma ação buscando a nova interpretação do artigo 1º do Decreto-Lei 25/1937, que organiza a proteção do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A PGR quer incluir na norma o conceito amplo de bem cultural, conforme os artigos 215 e 216 da Constituição Federal.

Apesar de reconhecer o Decreto-Lei 25/1937 como um “marco legal que instituiu o tombamento no contexto brasileiro, dando início aos trabalhos de preservação em âmbito nacional”, a autora entende que a interpretação que ainda se faz do artigo 1º da norma deve ser superada.

Segundo a PGR, não cabe mais o entendimento jurisprudencial de que somente merecem proteção patrimonial os sítios ou paisagens de feição notável e os bens vinculados a fatos memoráveis da história brasileira que tenham excepcional valor arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou artístico.

Conforme argumenta a autora, desde a década de 1980, e especialmente com o texto constitucional de 1988, houve significativa mudança de perspectivas no que se refere à proteção patrimonial no país, a qual se converteu em direito fundamental de dimensão coletiva e expressão de fraternidade.

Também cita, na ação, fundamentos internacionais que vêm agregar esse novo posicionamento, tais como a Convenção Europeia para a Proteção do Patrimônio Arqueológico, o Conselho da Convenção Europeia sobre o Valor do Patrimônio para a Sociedade e a Convenção de Nairóbi, realizada pela Unesco em 1976.

Além disso, na visão da PGR, a Constituição de 1988 ampliou a ideia de patrimônio cultural, que “começou a ser formulada como fator, produto ou imagem de constituição e identidade dos povos, vinculada ao sentido de pertença e multiplicidade de elementos formadores da sociedade humana e à preservação de sua memória”. A interpretação do conceito, previsto no artigo 1º do Decreto-Lei 25/1937 continua, no entanto, englobando apenas o tratamento excepcional do valor do bem cultural.

Para a procuradora-geral em exercício, “o que importa, agora, é a atenção especial que se dá à cultura material e imaterial dos grupos sociais formadores da sociedade”, valorizando não mais somente o fundamento estético, mas o conceito de patrimônio relacionado à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, isto é, levando em consideração os bens culturais e históricos, como um reflexo dos valores, das crenças, dos conhecimentos e das tradições. Assessoria de imprensa do Supremo.




Historiador: inundação de S. Luiz é chocante para patrimônio

O historiador e professor do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Marins, classificou de “chocante” para a preservação do patrimônio cultural brasileiro a inundação que destruiu parte do centro histórico da cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba paulista, no último dia 2.

A cidade era a única do Estado a ter preservado um conjunto arquitetônico de construções do século 19 em bom estado e em grande número. As edificações eram fundamentais para a economia da cidade, que girava em torno do turismo, e para a realização das manifestações culturais locais, como os festejos do Divino Espírito Santo, o carnaval, as festas da Semana Santa e o Corpus Christi.

“São Luiz do Paraitinga tem essa convergência muito clara entre o patrimônio material e o imaterial, que faz dessa cidade semelhante ao que é Olinda para Pernambuco, ou Pirenópolis para Goiás”, afirma o professor. “Não é só a perda das edificações que existem ali, mas o fato de que essas edificações mediam uma quantidade muito grande de festas, que ocorrem em meio a elas e dentro delas. Isso foi perdido”.

São Luiz do Paraitinga é lugar privilegiado para o estudo do neoclassicismo no Estado de São Paulo. Outros municípios, como Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Itu e Campinas, têm imóveis da fase neoclássica, mas isolados e mesclados no conjunto da cidade a outras edificações dos séculos 20 e 21. Em São Luiz, havia uma configuração em grupo de um grande conjunto de imóveis, a maior parte deles erguidos no período de 1840 a 1870.

“Eles tinham características peculiares, como é o caso dos forros de dentro das casas, que são muito marcantes em São Paulo. Eles têm um desenho como se fosse um sol dentro das salas. A arquitetura, sobretudo de sobrados, também era muito significativa para o Estado, e é justamente com esse tipo de imóvel que houve uma perda muito grave para a cidade. Em alguns que sobreviveram, houve perda de revestimento e abalo estrutural”.

As edificações de São Luiz eram um registro histórico da primeira área de expansão da cafeicultura brasileira no século 19, no Vale do Paraíba. O período não é, geralmente, foco de políticas públicas de preservação de patrimônio, como acontece com as cidades com construções do período colonial, vinculadas à mineração mineira ou à economia açucareira nordestina.

“Para a população local, foi um desastre. E para aqueles que se preocupam com a preservação do patrimônio cultural é uma perda assim, não radical, como se noticiou inicialmente, talvez aquelas cifras enormes sejam revistas, mas, de qualquer maneira, o cenário que existe na cidade é de devastação”, diz Marins.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a reconstrução dos prédios derrubados pela inundação deve ocorrer o mais rápido possível, com base nos registros de tombamento das construções da cidade.

“Nessas circunstâncias, pode-se ou fazer uma construção efetivamente contemporânea que dialogue com o passado da cidade, ou uma reconstrução, uma réplica da construção original, mas que a réplica seja evidentemente uma réplica, de maneira que não se confunda os tempos. Aquilo que era do século 19 e do início do século 20 está perdido, aquilo que se terá é uma reconstrução do século 21 e é importante que isso seja bastante explicado”, disse o professor.




Falta de registro deixa vulneráveis 90% do patrimônio histórico do país, denuncia entidade

Prédio da prefeitura de São Luiz do Paraitinga danificado impossibilita trabalhos. Fonte da foto: Juliana Cardilli/G1.

A recuperação de edificações com valor histórico depende da existência de registros documentais e fotográficos dos diversos aspectos da estrutura e estética do imóvel, o chamado levantamento cadastral. Em caso de acidentes, são essas informações que vão guiar os trabalhos de restauração ou até a reconstrução do patrimônio.

Entretanto, segundo coordenador geral de projetos da Defesa Civil do Patrimônio Histórico (Defender), Telmo Padilha, 90% do patrimônio histórico do país não dispõem desse levantamento. Caso essas edificações sejam destruídas incêndios ou enchentes, estarão completamente perdidas.

A Defender é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) gaúcha que atua desde 2002 na defesa do patrimônio histórico e artístico. A inundação que deixou o município paulista de São Luiz do Paraitinga submerso e danificou construções do século 19 deve servir de alerta para que sejam catalogados outros sítios históricos como forma de proteger o patrimônio, na avaliação de Padilha. “Existem países que passaram por guerras, que foram totalmente destruídos e reconstruíram”, ressaltou. Sobre São Luiz do Paraitinga, o Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que, como o processo de tombamento do conjunto arquitetônico da cidade estava em estado avançado, as construções foram registradas e catalogadas. Em pouco tempo o conjunto do município poderia integrar o grupos dos cerca de 100 sítios urbanos tombados pelo instituto.

Isso é diferente do que acontece na capital do estado, onde, de acordo com o presidente da Associação Preserva São Paulo, Jorge Eduardo Rubies, milhares de imóveis de valor histórico e arquitetônico não recebem qualquer tipo de proteção. “O patrimônio histórico aqui de São Paulo está ameaçado, é mal cuidado, pouco valorizado, a situação é realmente muito ruim”, afirmou em entrevista à Agência Brasil. Segundo Rubies, a valorização das áreas onde estão localizados imóveis de importância histórica acaba fazendo com que essas propriedades sejam adquiridas por grandes empresas que depois derrubam as edificações e usam os terrenos para outros fins.”A especulação imobiliária é a grande responsável pela destruição do patrimônio histórico, porque eles não tem o menor interesse em preservar, querem destruir tudo mesmo”, disse. Os tradicionais conjuntos habitacionais operários da Mooca, na zona leste, estão sendo demolidas, segundo Rubies, para a construção de megacondomínios.

“São uma coisa que a gente considera uma excrescência no tecido urbano da cidade, porque esses megacondomínios arrasam quarteirões inteiros para construir essas torres fortificadas totalmente separadas da cidade, não têm um diálogo com a cidade”, destacou. O setor imobiliário, acrescentou Rubies, usa o poder financeiro para influenciar a esfera política e realizar esse tipo de modificação na estrutura urbana.

Ele relembrou a cassação de 16 vereadores determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por receberem doações irregulares da Associação Imobiliária Brasileira (AIB). Telmo Padilha lembra que existe o conceito equivocado de que substituir construções antigas por obras mais modernas é uma forma de desenvolvimento. “A velocidade da destruição do patrimônio é diretamente proporcional ao que se chama de progresso”.

O metrô paulistano, aponta Jorge Rubies, arrasou dezenas de imóveis de valor histórico durante a sua construção e continua derrubando na sua atual expansão. O que, segundo o presidente da Preserva São Paulo, não seria necessário. “Somos defensores incondicionais do metrô. Mas por exemplo, em Paris foi construído um metrô enorme e se preservou tudo de importante na cidade”. Agência Brasil




Prefeitura tomba casa da família Wittrock

O prédio da antiga Escola de Música de Canoas foi tombado na última quarta-feira, 6. A casa, que pertence à família Wittrock, estava em estudos para tombamento, aguardando o acompanhamento de técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) que agora, vão apoiar o processo de restauração do local. O prédio deverá ser devolvido aos proprietários.

De acordo com o secretário de Cultura, Jéferson Assumção, os trâmites para ser realizado o tombamento demoraram aproximadamente dois meses, sendo finalizados no dia 30 dezembro. A oficialização do processo aconteceu na quarta-feira, quando foi assinado o livro tombo, no departamento de Patrimônio Histórico e Cultural da secretaria, e o decreto de tombamento.

O secretário salientou que os estudos vinham sendo feitos há mais tempo. Ele explicou que, desde quando foi entregue a casa para secretaria de Planejamento e Gestão, havia interesse no tombamento.




Porto das Barcas continua sendo roubado e depredado

Embora muito se fale em Tombamento e Patrimônio Histórico, as imagens retratam muito mais o abandono que a preservação.

O lado direito de quem chega ao porto das barcas pela Presidente Vargas, embora necessitando de reparos, é bem mais preservado que o outro. Basta conferir imagens dos casarões com tetos caídos, paredes derrubadas e o que é pior, portas roubadas.

Fala-se muito em recursos já assegurados para restauração do Complexo Porto das Barcas, entretanto, ainda caminha a passos lentos o processo licitatório para tal. Já não é a primeira vez que vândalos furtam peças históricas do local e, mesmo com boletins de ocorrências sendo registrados nada é recuperado nem os responsáveis são localizados. O jornalismo do proparnaiba manteve contato com a secretária municipal de cultura, Fátima Cármino, que informou ainda não haver um representante legal do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas “é de nosso interesse que Parnaíba tenha um representante do IPHAN”, ressaltou Cármino. A secretária informou ainda que somente na capital há um escritório do órgão, tendo como presidente no Piauí, a senhora Diva e, como arquiteta responsável pela composição do Plano de Ação das Cidades Históricas no estado, a senhora Luciene. O lamentável disso tudo é a depredação desse bem de alto legado cultural para o país.




PAC – Cidades Históricas: patrimônio, desenvolvimento e cidadania

por Luiz Fernando Almeida, presidente do Iphan

O Brasil foi um dos primeiros países a promover a preservação do seu patrimônio urbano. Já em 1938, o antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional realizou o tombamento de seis cidades no estado de Minas Gerais, inaugurando uma prática de defesa e conservação de sítios históricos inovadora para a época e deixou como legado mais de uma centena de conjuntos arquitetônicos e urbanísticos protegidos em todo o país.

Ao longo destes mais de 70 anos, o Iphan realizou, articulou e promoveu inúmeras ações para preservar valiosos documentos de nossa formação social, econômica e urbana. Entre elas, cabe destacar o Programa de Cidades Históricas e o Programa Monumenta.

Desenvolvido entre 1973 e 1983, o Programa de Cidades Históricas buscava integrar a riqueza patrimonial às políticas de desenvolvimento econômico e regional, com ênfase no turismo. A profunda crise financeira que se abateu sobre o país na década de 1980, impediu a continuidade do programa que só foi retomado em 1999 com a implantação do Programa Monumenta, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e apoiado tecnicamente pela Unesco.

Na última década, a despeito de um começo difícil, importantes ações de requalificação urbana foram realizadas em 26 conjuntos históricos pelo Programa Monumenta, além de outras voltadas para o fortalecimento institucional de parceiros governamentais, para a implantação de Fundos Municipais de Preservação, para o financiamento de imóveis privados e para a promoção de atividades econômicas nas áreas sob intervenção.

O PAC Cidades Históricas, recentemente lançado pelo Presidente Lula na cidade de Ouro Preto, se beneficia, de todas essas experiências, mas possui um traço essencial: avança e inova com relação às políticas anteriores. Em primeiro lugar, o novo programa caracteriza-se por ser uma política transversal que envolve, o Ministério da Cultura, os Ministérios das Cidades, da Educação e do Turismo, além de agências como BNDES e Caixa Econômica Federal. Os Planos de Ação pactuados com os municípios serão executados pelos vários agentes governamentais e públicos.

O programa está aberto a todas as cidades que possuam patrimônio protegido e que formulem planos de ação consistentes para enfrentar os problemas estruturais que afetam suas áreas históricas, para a promoção do desenvolvimento local a partir das potencialidades do seu patrimônio cultural, com a atuação integrada do setor público, privado e da sociedade, de forma a fortalecer a ação integrada de planejamento com os entes governamentais em prol da preservação.

O PAC Cidades Históricas traz outro dado novo: a participação da sociedade em todas as etapas de formulação e execução dos Planos de Ação, identificando-se os papéis que os diversos atores sociais devem desempenhar em cada uma. Por isso, um dos primeiros passos é a identificação dos agentes locais.

Para reverter o subaproveitamento do potencial econômico e simbólico do patrimônio urbano para a geração de renda, de novos empregos, de agregação social e de afirmação de identidades, e com o objetivo de contribuir para o ordenamento e o planejamento do crescimento urbano, o PAC Cidades Históricas, além de promover ações de reabilitação de imóveis e requalificação de espaços urbanos tombados, também viabilizará ações de saneamento ambiental, de melhoria do transporte público e implantação de habitações sociais, intervindo em processos que aceleram a deterioração do patrimônio cultural. E assim, intervir nos processos de esvaziamento populacional e funcional de centros históricos, contribuindo para a reversão de quadros de subutilização imobiliária e da infraestrutura urbana instalada.

O PAC Cidades Históricas é o primeiro programa de preservação que atuará de modo amplo no território urbano, abordando o patrimônio das cidades como algo intrínseco à dinâmica urbana, inclusive, de sua articulação ao fomento às cadeias produtivas locais, em especial, àquelas vinculadas a atividades econômicas tradicionais.

Nesta etapa, 173 cidades históricas brasileiras atenderam à primeira chamada pública e estão, com o apoio do Iphan, discutindo as linhas básicas dos seus Planos de Ação. Como um dos princípios deste programa é integrar as ações de preservação às demais políticas públicas no campo do turismo, da educação e do desenvolvimento socioeconômico, cerca de 30% dessas cidades constituem Territórios da Cidadania, 18 estão incluídas nos projetos de Revitalização e de Integração da Bacia do Rio São Francisco e 40 são destinos indutores do desenvolvimento turístico e regional.

A qualificação das cidades históricas brasileiras é estratégica para recuperar o papel simbólico e referencial de nossa cultura e para promover e acelerar o atual processo de desenvolvimento do país. O PAC – Cidades Históricas, ao considerar as experiências exitosas do passado e ao propor uma abordagem inovadora, reúne os requisitos para que as cidades brasileiras atinjam essa meta.




Iphan vai rever processo de tombamento nacional em São Luiz do Paraitinga

Estudo estava praticamente concluído e seria encaminhado para avaliação. Segundo superintendente, avaliação deverá ser demorada.

A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de são Paulo, Ana Beatriz Ayrosa Galvão, disse nesta terça-feira (5) que o processo de tombamento nacional da cidade de São Luiz do Paraitinga “terá que ser revisto” depois da enchente que arrasou o centro histórico e a parte baixa do município.

Segundo ela, o processo de tombamento histórico e paisagístico do município pelo órgão já está praticamente concluído. Após esta etapa, o estudo que já vem sendo feito há quatro anos, seria encaminhado a um conselho superior do Iphan que analisaria o pedido de tombamento nacional.

Apenas a casa onde funciona o Museu Oswaldo Cruz, localizada na parte alta da cidade, é tombada pelo Iphan. Apesar da revisão, o tombamento ainda pode ocorrer. “Vai depender de uma avaliação e da recuperação dos prédios históricos”, disse Ana Beatriz.

De acordo com a superintendente do Iphan, a avaliação, no entanto, deverá ser demorada. Em sua primeira visita depois da destruição do centro histórico, ela ficou impressionada com o que viu. “Jamais tinha visto isso. Parece que houve um bombardeio”, afirmou.

Na visão dela, recuperar São Luiz do Paraitinga é mais do que um ato em beneficio da história do país, mas uma ação de solidariedade em relação aos moradores da cidade.

Rovena Negreiros, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), por sua vez, afirmou que um diagnóstico completo deve levar ao menos 90 dias. Ao iniciar a visita na cidade, ela disse que o órgão tem as plantas da maioria dos imóveis históricos, mas que a restauração ou reconstrução total de alguns prédios como a igreja matriz dependerá de uma decisão coletiva.

Segundo a prefeitura, 90 prédios são tombados pelo Condephaat na cidade.




Hotel Lanfredi é tombado

Alto Feliz – Tendo em vista implantar em Alto Feliz um projeto de manutenção da história local, foi feito há algumas semanas o tombamento do Hotel Lanfredi para o patrimônio municipal.

O prédio construído às margens da VRS 326 foi ponto de referência durante várias décadas para os viajantes que cruzavam por Alto Feliz, tendo uma ótima localização e uma vista bucólica dos vales e montanhas. Segundo o professor Luiz Ernesto Brambatti, que está a frente do projeto turístico de Alto Feliz, o prédio foi e voltará a ser referencial no município. O local poderá abrigar uma espécie de centro de lazer, com espaço para exibições culturais assim como um café onde os visitantes poderão ter um ponto de parada. A casa, muito bem localizada, deverá ser melhorada (sem perder a identidade arquitetônica) sendo feito todo o entorno com o foco voltado para o trabalho realizado em Alto Feliz nos anos de 1930. Naquela época, sobre a Cascata, morava o casal Roman e Ely Konrad, sendo ele um cineasta muito conhecido no Brasil, e assim, Alto Feliz ganhava projeção dentro e fora do Rio Grande do Sul. Em homenagem ao trabalho de Konrad, é que o projeto visa resgatar a história do Cine Sonoro assim como promover o município. Trata-se de um apelo turístico e tanto, mas é necessário investimento de recursos de alta monta. “Temos um projeto em Brasília e esperamos pela liberação dos recursos para ele”, destacou Brambatti, lembrando das dificuldades de conseguir dinheiro na capital federal nos dias atuais. A expectativa, ainda assim, é que o dinheiro seja liberado e que gradualmente seja executado o projeto que envolve a história de Konrad e a estrutura do Hotel Lanfredi.

No hotel, há tempos desativado, também funcionaram outros empreendimentos como uma escola, onde boa parte dos moradores de Alto Feliz estudaram na década de 1950 e anos posteriores.

Ainda que este projeto turístico esteja engatinhando, é necessário avaliar o potencial local em várias óticas, pois há além do turismo histórico a possibilidade de se beneficiar do turismo gastronômico e natural, já que Alto Feliz é muito belo e tem boas empresas no quesito alimentação.

“Muito precisa ser investido para poder ser dito que o turismo é fonte de renda em Alto Feliz, contudo, tudo inicia com o primeiro passo”, destacou o prefeito Maurício Kunrath, elogiando o projeto iniciado.




Quando o Mercado renasceu

Painéis mostram engajamento da população para preservar prédio e o processo de restauração.

Um panorama da mobilização da população de Porto Alegre ao longo dos anos pela preservação de um prédio referência da cidade. É isso que os visitantes poderão encontrar a partir de amanhã, às 11h, no Memorial do Mercado Público, na exposição que comemora os 30 anos de tombamento da construção.

No ano em que completa os seus 140 anos, o Mercado Público é brindado com o registro do processo que resultou em seu tombamento como patrimônio de Porto Alegre, em 1979, e sua posterior restauração, concluída em 1997. Nas paredes do memorial, está descrito o passo a passo da manifestação da sociedade porto-alegrense no final dos anos 60 e início dos 70, contra a intenção da prefeitura da Capital, sob o comando de Thompson Flores, de demolir o Mercado Público.

O historiador Alex Vidal, um dos responsáveis pela pesquisa em que se baseia a exposição, lembra que, na época, tanto o Estado quanto o município de Porto Alegre passavam por um momento de modernização, e o espaço ocupado pelo Mercado passou a ser bastante visado por conta de sua localização estratégica.

– Na época, o Centro era mesmo o centro das atividades da Capital. E o Mercado estava no centro do Centro. Por isso, o grande interesse na área – observa Vidal.

O sentimento crescente da população, impulsionado pelo engajamento de jornalistas, intelectuais e historiadores, é mostrado na exposição por meio de recortes de jornais da época, com enquetes, cartas e artigos sobre o assunto.

Frequentadores atuais foram entrevistados ao longo do ano

O histórico pronunciamento do então vereador Paulo Sant’Ana pela inclusão do Mercado na lista de bens materiais da Capital a serem declarados patrimônio da cidade também pode ser visto na mostra. No discurso, Sant’Ana diz:

– É preciso que a cidade se orgulhe de suas coisas históricas, é preciso que a cidade não se renda ao modernismo desenfreado.

A exposição também traz um pouco da relação entre os frequentadores e o prédio histórico nos dias atuais. Para isso, foram realizadas entrevistas com visitantes e usuários ao longo do ano.

– Houve uma grande manifestação popular nos anos 60 e 70 para preservar aquele que era um dos principais pontos da cidade. Nas entrevistas, vimos que as pessoas ainda preservam essa relação com o Mercado – afirma Luiz Antônio Custódio, coordenador da Memória Cultural da Secretaria Municipal da Cultura.

Saiba mais
– A exposição deve ficar em cartaz por cerca de um ano. O Memorial do Mercado Público funciona no segundo piso do Mercado, na sala 38.
– O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Informações podem ser obtidas pelo telefone 3225-0793.