Local onde Jesus teria multiplicado pães e peixes é achado no Mar da Galileia

Aparição de peça de cerâmica em 2014 fez equipe se concentrar na área. Arqueólogos querem transformar local em ponto de peregrinação.

Local em que Jesus teria multiplicado pães e peixes é descoberto por arqueólogos israelenses na região do Mar da Galileia. Foto: Menahem Kahana/AFP

Arqueólogos israelenses encontraram nos arredores do Mar da Galileia (Lago Tiberiades ou Kinneret) os restos de Betsaida (Julias), o povoado onde, de acordo com a tradição cristã, os apóstolos Pedro, André e Felipe moravam e onde aconteceu o milagre da multiplicação dos pães e peixes.

“Encontramos o que parece ser a cidade dos três apóstolos, onde Jesus multiplicou os pães e os peixes”, afirmou nesta segunda-feira à Agência Efe o arqueólogo Mordejai Aviam, do Kinneret College, em Israel, que há três anos trabalha neste projeto.

Na margem nordeste do Mar da Galileia, a equipe vasculhou o lugar onde, conforme o Novo Testamento, estiveram três dos apóstolos de Jesus, a Reserva Natural do Vale de Betsaida, como é conhecida hoje.

Há pouco tempo, Aviam achou, com mais 25 arqueólogos e voluntários, uma capa do período das Cruzadas, uma feitoria de açúcar do século XIII, um mosteiro e o que parece ser uma igreja. Dois metros debaixo do solo encontraram restos do período bizantino, que se remonta à etapa final do Império Romano e que nos seus primeiros anos de vida se estendeu por todo o Mediterrâneo Oriental.

Tempo atrás tinha sido descartada a possibilidade de encontrar algo deste período da história, mas foi a aparição de uma peça de cerâmica em 2014 que fez que a equipe se concentrasse mais nesta área e o que fez aumentar as expectativas.

“Existem moedas, cerâmica, um mosaico, paredes e um banheiro de estilo romano, o que nos leva a crer que não se tratava simplesmente de um povoado, mas de uma grande cidade romana”, afirmou Aviam, acrescentando que abaixo da camada que objetos das Cruzadas estão ruínas do período anterior, o Romano (de 300 a 100 a.C.).

De acordo com a Bíblia, Jesus foi para esse lugar para descansar sozinho, afundado na tristeza pela notícia da morte de João (ordenada por Herodes Antipas), mas foi seguido por uma multidão.

Quando anoiteceu, os discípulos sugeriram que ele dispensasse os seguidores para que pudessem comer, mas ele respondeu que não era necessário que fossem embora e pediu para servir as pessoas com os alimentos que tivessem ali. Foi quando os discípulos disseram que só tinham cinco pães e dois peixes.

Teorias arqueológicas

Aviam está convicto de que os objetos achados demonstram que esse é o local onde milhões de cristãos viram esse milagre, apesar de outras teorias arqueológicas situarem esse ponto em outros lugares da região, rejeitando essa situação com o argumento de que o nível do lago nessa área cobria a zona, algo que as novas descobertas contradizem.

O historiador Flávio Josefo descreveu nos seus textos a cidade de Betsadia e explicou que o rei judeu Filipe, o Tetrarca, a transformou, fazendo com que o local se transformasse de uma vila de pescadores em uma autêntica cidade romana.

Não muito longe dali, na cidade de Tiberíades, na margem oposta do lago, novas escavações situam Madala, o povoado onde nasceu e viveu Maria Madalena, uma das figuras femininas mais relevantes da Bíblia.

Local de peregrinação

Os responsáveis pelas mais novas descobertas arqueológicas na zona querem fazer das terras próximas ao Mar da Galileia um lugar de peregrinação, culto e turismo e por isso querem acompanhar os passos de Jesus e percorrer as paisagens por onde ele e seus discípulos caminharam.

Para muitos dos que creem, pisar na terra em que Jesus Cristo viveu e ver resquícios que datam de sua época e que põem no mapa atual os lugares apresentados na Bíblia é, além de uma experiência repleta de emoção, uma forma de reafirmar a própria fé.

Por Agencia EFE

Fonte original da notícia: G1




Turistas dormem nus em píer de Veneza

Os dois foram flagrados dormindo sem roupa na frente de hotel.

O vídeo dos turistas viralizou nas redes sociais / Reprodução

Mais um episódio de comportamento inadequado de turistas voltou a irritar os moradores de Veneza nesta terça-feira (1º), apesar das pesadas multas contra violações do “decoro” aprovadas pela Prefeitura.

Por volta de 5h30 da manhã (horário local), dois homens foram flagrados deitados nus no píer de um hotel cinco estrelas no Canal Grande, a mais movimentada via aquática da capital do Vêneto. Os turistas estavam abraçados e aparentemente dormindo.

“Eram dois homens na faixa dos 30 anos. Pedimos para eles saírem e, com toda a calma, eles se vestiram e se afastaram. Acho que estavam dormindo antes de nossa chegada”, diz o autor do flagra, um barqueiro que chegava ao hotel para entregar mercadoria.

O vídeo dos turistas viralizou nas redes sociais e irritou a população de Veneza, que cobra punições ao suposto casal. De acordo com as novas regras da Prefeitura, a multa para quem andar em público com o torso nu é de 200 euros (R$ 736, segundo a cotação atual), mas os dois podem alegar que estavam em uma área privativa.

O governo municipal vem adotando uma série de medidas para coibir comportamentos inadequados dos turistas e reduzir a tensão com os moradores. Além das multas contra violações do decoro, o prefeito Luigi Brugnaro proibiu o consumo de bebidas alcoólicas na rua durante as noites e madrugadas dos fins de semana.

Nos últimos meses, habitantes de Veneza fizeram diversos protestos contra o turismo de massa e o esvaziamento populacional de seu centro histórico, que perde, em média, dois moradores por dia por causa do encarecimento dos imóveis.

Ansa

Fonte original da notícia: Band.com.br




Paraty (RJ) – Na Flip, presidente do Iphan destaca relação entre patrimônio e turismo

Kátia Bogéa. Foto: Divulgação/Internet

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, abriu ontem (27) a participação da instituição na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), defendendo a criação de um modelo sustentável de gestão do patrimônio nacional. Este ano o Iphan completa 80 anos e promoverá uma série de eventos para debater sua atuação.

Kátia discutiu a questão da sustentabilidade do patrimônio com a população da cidade, gestores e representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela chamou atenção para o fato de que atualmente, com a crise econômica que o país atravessa, é necessária a elaboração de um novo modelo financeiro de gestão.

“Nós temos que ter um modelo diferenciado, porque o dinheiro não está tão fácil. A restauração do patrimônio, principalmente o edificado, consome uma soma muito vultosa de recursos. Então, não adianta a gente ficar gastando dinheiro para recuperar aquele patrimônio, se não existe um estudo de viabilidade econômica para que aquele monumento, aquela cidade histórica possam atrair investimentos, possam mostrar um modelo de governança”, disse Kátia à Agência Brasil.

Kátia citou o caso do centro histórico de Paraty, cuja renda vem basicamente da indústria do turismo. Para ela isso é positivo, uma vez que o turismo cultural é o segmento que está mais em alta no mundo. Ela comparou por exemplo o caso da cidade de Cracóvia, na Polônia, onde esteve recentemente para reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que atrai cerca de 11 milhões de turistas por ano, enquanto o Brasil inteiro recebe apenas 6 milhões de visitantes estrangeiros/ano.

Na opinião de Kátia, o turismo cultural vai estar à frente do turismo regular, uma vez que os viajantes querem conhecer e consumir a cultura local. Neste cenário, o Iphan, a quem cabe proteger e preservar o patrimônio, deve trabalhar de forma conjunta com o Ministério do Turismo. “Paraty é um exemplo disso, porque não só tem o patrimônio cultural, mas também o patrimônio natural, que é muito explorado pelo turismo”.

Para a presidente do Iphan, o trabalho de preservação do patrimônio e do turismo deve ser feito de forma harmoniosa, mas destacou que “essa convivência pode, sim, ser bastante benéfica para ambos os lados, sem que um consuma o outro”.

Kátia Bogéa disse que os projetos para restauração e preservação têm que ser sustentáveis, com governança, “essa responsabilidade com o retorno do dinheiro e, principalmente, com a manutenção da atividade porque, sem planejamento, não tem jeito”. Segundo a presidente do Iphan, é preciso, cada vez mais, “a gente não ficar dependendo de recursos esporádicos, mas ter um planejamento muito concreto, firme e bem feito, uma governança, ou seja, que todos os atores sentem à mesa e discutam esse modelo, porque senão, não vai funcionar”, assegurou.

80 anos

Dentro da Flip, foi aberta também exposição organizada pelo Iphan em parceria com os cidadãos de Paraty, incluindo fotografias do técnico do instituto, Oscar Liberal, que abordam a relação do patrimônio edificado com o dia a dia da população, além da exibição do vídeo Memórias Afetivas de Paraty. “Essa comunidade falando do patrimônio tanto de natureza material, como imaterial, seus festejos, todo o complexo cultural que é Paraty”, explicou Kátia.

A presidente do Iphan observou que uma sequência de obras de restauração será entregue à população brasileira até o final do ano, como parte das comemorações pelos 80 anos da instituição.  Ao longo do segundo semestre o Iphan vai realizar uma série de eventos em comemoração à data, entre elas exposições e um  seminário internacional no Museu do Amanhã, em outubro, quando autoridades nacionais e estrangeiras do setor discutirão a política de preservação no mundo e o planejamentos do órgão para os próximos anos.

Por Alana Gandra – Edição Amanda Cieglinski

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




UNESCO e Banco Mundial defendem cultura e turismo como ferramentas para o desenvolvimento sustentável

Sameh Wahba, diretor de Prática Global de Resiliência Social, Urbana e Rural do Banco Mundial, e Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO. Foto: UNESCO

O Banco Mundial e a UNESCO firmaram neste mês (13) uma nova parceria para promover o crescimento econômico sustentável através de políticas culturais e de desenvolvimento urbano. Acordo de cooperação prevê ações para os próximos seis anos, ao longo dos quais os dois organismos internacionais buscarão formas de usar a indústria criativa e do turismo para promover a prosperidade compartilhada.

“Esse compromisso renovado por uma parceria de longa data entre a UNESCO e o Banco Mundial traz para o primeiro plano da discussão global o papel crítico que a cultura desempenha em apoiar os países no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da Nova Agenda Urbana”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, sobre o acordo.

Ao lembrar que o patrimônio cultural e o turismo responsável se tornaram motores econômicos fundamentais para a redução da pobreza e para a criação de empregos, especialmente para mulheres e jovens, Sameh Wahba, do Banco Mundial, enfatizou que “assuntos de cultura para o desenvolvimento urbano sustentável são essenciais para a construção de cidades e comunidades inclusivas, resilientes, produtivas e sustentáveis para todos”.

O organismo financeiro e a agência da ONU atuarão lado a lado na orientação de políticas comuns para abordar o patrimônio cultural e as indústrias criativas como recursos para responder a situações pós-desastre e pós-conflito. A renovação dessa colaboração entre as duas instituições acontece em um mundo onde 26 milhões de pessoas por ano são levadas à pobreza devido a catástrofes e guerras.

O acordo prevê ações estratégias nas áreas de Paisagens Urbanas Históricas e Regeneração Urbana, Indústrias Criativas e Culturais, Resiliência e Gerenciamento de Risco de Desastres. A UNESCO lembra que a assinatura da parceria coincide com o Ano Internacional para o Turismo Sustentável. Até 2030, o setor deve gerar 1,8 bilhão de dólares em receitas.

As indústrias criativas também são promissoras para a geração de renda e emprego. Receitas do segmento são estimadas em 2,25 bilhões de dólares. Atualmente, o setor cria 29,5 milhões de postos de trabalho em todo o mundo.

Fonte original da notícia: ONUBR




São Paulo (SP) – Problemas contemporâneos do Patrimônio Cultural

Programa
Condições especiais de atendimento, como tradução em libras, devem ser informadas por email ou telefone, com até 48 horas de antecedência do início da atividade.
centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br / 11 3254-5600

As questões relacionadas ao campo do patrimônio cultural têm ganhado destaque cada vez maior nos debates sobre cidade e cultura. Isto se deve, principalmente por se tratar de um tema que ampliou sua área de atuação. O que antes era um campo restrito a uma parcela da população, vem ganhando espaço em discussões mais amplas. Junto com isto, novos problemas aparecem, solicitando abordagens renovadas a partir de outras perspectivas.

Neste sentido este curso pretende discutir 6 problemas contemporâneos ligados a preservação do patrimônio cultural de forma geral. Serão abordados temas como o da autenticidade, instrumentos de reconhecimento e preservação, turismo e lugares de consciência a partir de discussão de conceitos e apresentação de estudos de caso. O curso pretende construir um debate aprofundado que permita compreender quais os limites e perspectivas de atuação.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Palestrantes

Sabrina Fontenele
Pós-doutorando em História pelo IFCH-Unicamp onde estuda questões como domesticidade, preservação e arquitetura moderna.

Silvio Oksman
Doutor pela FAU-USP, com mestrado (2011) e graduação pela mesma instituição. Desde 1998 desenvolve projetos de arquitetura com ênfase nas questões da preservação de patrimônio cultural.

Eduardo Costa
Pós-doutorando em História pelo IFCH-Unicamp. É arquiteto formado pela Unicamp. Especialista em Cultura Visual, História Intelectual e Patrimônios.

Data
24/08/2017 a 28/08/2017
Quintas, das 14h às 17h.

As inscrições podem ser feitas a partir de 25 de julho às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista – São Paulo.

Valores
R$ 18,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 – inteira

Fonte original da notícia: Sesc São Paulo




Prefeitura de Araxá (MG) planeja revitalização do Museu Dona Beja e da Fundação Cultural Calmon Barreto

Empresa de Belo Horizonte foi contratada para fazer trabalho nos principais patrimônios da cidade. Investimento é de R$ 258 mil e prazos para conclusão não foram divulgados.

Os projetos seguem normas do IEPHA e do IPHAN. Foto: Prefeitura de Araxá/Divulgação

A Prefeitura de Araxá contratou uma empresa de Belo Horizonte para planejar a revitalização e restauração do prédio da Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB) e do Museu Histórico de Araxá, Dona Beja.

O orçamento previsto para a elaboração dos projetos é de R$ 120 mil para as melhorias, restaurações e reformas que serão efetuadas na FCCB e R$ 138 mil relacionados à restauração e revitalização do Museu Dona Beja.

Os projetos seguem normas do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Os projetos serão assinados pela arquiteta Zenóbia Vanda Gryzbowaki (Zica), de uma empresa especializada em prestação de serviços de restauração de bens culturais e naturais nas áreas de arqueologia, arquitetura, bens móveis e artes aplicadas, engenharia, espeleologia, história, museologia, museologia, paisagismo e urbanismo.

Após visita técnica à fundação, a arquiteta assinou um parecer técnico, onde afirma que “é necessária uma revitalização da edificação e também a criação de infraestrutura para realização de eventos na sua área externa”, conforme documento.

Alguns componentes que precisam fazer parte do projeto foram apontados, como acessibilidade, pisos de madeira, ladrilhos e cimentado revisados, revisão na cobertura para conter vestígios de águas pluviais, revisão e recuperação dos forros de madeira e das esquadrias, pintura das alvenarias e dos elementos em madeira e reparos também em equipamentos elétricos e instalações hidráulicas.

Já para o Museu Dona Beja, Zica também se manifestou sobre os itens que seriam necessários para constar no projeto de restauração e revitalização do local, como revisão nos forros de madeira, esquadrias e escadas, infiltrações, equipamentos elétricos, reparação das instalações hidráulicas e também acessibilidade.

“Podemos concluir que se faz necessária uma revitalização do Museu Dona Beja como um todo, na forma de mostrar a sua importância para a cidade e região, e consequentemente, atiçar a curiosidade da população e do turismo em geral,” afirmou.

Fonte original da notícia: G1 Triângulo Mineiro




Violência provoca queda de R$ 320 milhões no turismo do Rio de Janeiro

Estimativa da CNC indica que, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas recua, em média, 1,8%.

Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a criminalidade nos últimos meses contribuiu decisivamente para uma queda de R$ 320 milhões nas receitas do turismo fluminense. O montante equivale a 42% do total da perda do faturamento do setor (R$ 768,5 milhões) entre janeiro e abril deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016.

A análise também leva em consideração outros fatores que acarretaram na queda de 7,9% no faturamento bruto do setor, como o desemprego, o aumento dos gastos dos brasileiros com viagens ao exterior, a escassez de crédito e a alta base comparativa com a geração de receitas provocadas pelos Jogos Olímpicos de 2016.

“Embora outros fatores diretamente relacionados à conjuntura econômica também ajudem a explicar a queda de atividade no turismo fluminense, inegavelmente, o aumento da criminalidade no Rio de Janeiro contribuiu sobremaneira para agravar a perda de dinamismo desse setor no Estado”, afirma o economista da CNC Fabio Bentes.

Segundo estimativa da CNC, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas que compõem a atividade turística do Estado recua, em média, 1,8%.

O estudo identifica que a sensibilidade ao aumento da violência no Estado é maior nos segmentos mais dependentes do turismo, tais como hospedagem (1,9%) e transporte (2,0%). Já nos segmentos de alimentação e serviços culturais e de lazer, mais ligados à prestação de serviços a residentes, o aumento de 10% na criminalidade no Estado reduz suas receitas em 1,7% e 1,5%, respectivamente.

Impacto da criminalidade

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), entre abril de 2016 e o mesmo mês deste ano, o total de ocorrências criminais registradas no Estado aumentou +6,4%. Dentre as principais modalidades de crime, os roubos a bancos, a caixas eletrônicos, os roubos com condução de saque e de bicicletas mais do que dobraram (+107,7%). Ainda de forma expressiva, destacaram-se os registros de roubos em coletivos (+77,6%) e roubos de aparelhos celulares (+73,0%).

A CNC avalia que, embora o turista não seja frequentemente vítima direta da maior parte dos crimes registrados, o avanço da criminalidade nos últimos meses e a consequente queda na percepção de segurança contribuíram decisivamente para a queda no nível de atividade do setor no Estado do Rio de Janeiro.

A perda de R$ 320 milhões, atribuída à violência em 2017, que equivale ao faturamento de 4,5 dias do turismo local, impactou de forma significativa o segmento de bares e restaurantes (R$ 167,2 milhões), seguido pelas atividades de transportes, agências de viagens e locadoras de veículos (R$ 105,5 milhões), hotéis, pousadas e similares (R$ 47,8 milhões) e por atividades culturais e de lazer (R$ 7,2 milhões).

Para o presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da CNC, que é empresário da hotelaria, Alexandre Sampaio, os dados vão ao encontro da realidade vivenciada pelos hoteleiros do Estado. “A violência afeta o turismo porque dilapida a imagem do Rio de Janeiro, o próprio brasileiro não quer mais visitar o Rio. Essa é uma realidade perversa, ampliada pela crise econômica do País e do Estado. E o impacto no turismo e em segmentos como hotelaria e alimentação reflete em mais de 50 segmentos da economia”, afirma o hoteleiro carioca.

Desemprego afeta o consumo

Dentre os demais fatores que também impactaram as atividades turísticas no Estado, a evolução desfavorável do mercado de trabalho limitou a capacidade de consumo desse tipo de serviço nos últimos meses. Embora o salário habitual do trabalho tenha crescido 2,6% no trimestre compreendido entre fevereiro e abril de 2017 e o mesmo período de 2016, a taxa de desocupação avançou de 11,2% para 13,6%, provocando um incremento de 2,6 milhões no contingente de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD contínua).

Mais viagens ao exterior

Outro aspecto negativo para o turismo interno, a queda de aproximadamente 10% na taxa de câmbio, voltou a estimular gastos de brasileiros no exterior, em detrimento do consumo de serviços turísticos no Brasil. De acordo com o Banco Central, nos cinco primeiros meses deste ano, quando comparadas ao mesmo período de 2016, houve uma retração de 2,6% nos gastos com o turismo doméstico e um crescimento de 41,4% nas despesas com viagens para fora do País.

Perda de receita retrai mercado de trabalho

Do ponto de vista do emprego, a queda no nível de ocupação no turismo fluminense se mostrou compatível com as perdas de receita nos últimos meses. De janeiro a maio de 2017, o saldo entre admissões e desligamentos nas atividades que compõem o setor resultou numa perda acumulada de 8.833 postos de trabalho com carteira assinada – um aumento de 75% em relação aos 5.025 postos fechados no mesmo período de 2016 –, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Os serviços de alimentação fora do domicílio, tais como bares, restaurantes e lanchonetes, que respondem pela maior parte do emprego celetista no turismo do Estado, lideraram os cortes, com -6.008 vagas, seguidos por hotéis, pousadas e similares (-1.409), serviços de transportes (-1.018) e atividades culturais e de lazer (-398).

O estudo da CNC se baseou no cruzamento de dados do Índice de Atividades Turísticas, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD contínua), do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), todos do IBGE, assim como dados do Banco Central, do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Fonte original da notícia: Jornal do Brasil




Unesco inclui Hebron na lista do patrimônio mundial

Vista do Túmulo dos Patriarcas, em Hebron – AFP/Arquivos

A Unesco declarou nesta sexta-feira a área antiga da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, “zona protegida” do patrimônio mundial, como um lugar de “valor universal excepcional em perigo”, o que irritou Israel.

Com 12 votos a favor, três contra e seis abstenções, o comitê reunido na cidade polonesa da Cracóvia decidiu incluir o centro histórico da cidade em duas listas: a do Patrimônio Mundial e a do Patrimônio em Perigo. O tema foi a disputa mais recente entre palestinos e israelenses levada ao organismo internacional.

Hebron tem uma população de 200.000 palestinos e algumas centenas de colonos israelenses, que vivem em um território protegido por soldados perto do local sagrado que os judeus chamam de Túmulo dos Patriarcas e os muçulmanos de Mesquita de Ibrahim.

“A decisão da Unesco sobre Hebron e o Túmulo dos Patriarcas é uma mancha moral. Esta organização irrelevante promove uma História Falsa. Vergonhoso para a Unesco”, escreveu no Twitter o porta-voz da diplomacia de Israel, Emmanuel Nahshon.

Pouco depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou de “delirante” a votação.

“Desta vez disseram que o Túmulo dos Patriarcas em Hebrin é um local palestino, o que significa que não é judeu, e que é um local que está em perigo”, afirmou em um vídeo postado no Facebook.

“Apenas em locais onde Israel está presente, como Hebron, a liberdade religiosa é garantida para todos”, considerou o premiê.

Para a Autoridade Palestina, no entanto, a decisão representa um “êxito” diplomático.

“Esta votação é um êxito para a batalha diplomática travada pelos palestinos em todas as frentes, ante a pressão israelense e americana sobre os Estados membros”, afirmou o ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

“Apesar da campanha israelense frenética de mentiras e distorção dos fatos sobre os direitos dos palestinos, o mundo reconheceu o nosso direito de incluir Hebron e a Mesquita de Ibrahim sob a soberania palestina”, acrescentou o ministério.

Doze membros do Comitê da Unesco votaram a favor da inscrição, seis se abstiveram e três votaram contra. Em razão das abstenções, a maioria necessária era de dez votos.

Os palestinos afirmam que a cidade antiga de Hebron está ameaçada por um aumento “alarmante” do vandalismo contra propriedades palestinas na região, atos que atribuem aos colonos israelenses.

Por este motivo, solicitaram à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que declarasse a área antiga “zona de valor universal excepcional”.

Um voto favorável da Unesco “ajudaria o turismo” e “os esforços dos palestinos para impedir toda a tentativa de destruição”, havia considerado antes da votação Alaa Shahin, funcionário da prefeitura de Hebron.

As autoridades israelenses consideram que a resolução sobre Hebron, que classifica a cidade de “islâmica”, nega uma presença judaica de 4.000 anos na região.

O Túmulo dos Patriarcas é considerado o local que contém os restos mortais de Abraão, pai das três religiões monoteístas, de seu filho Isaac, seu neto Jacó e suas esposas Sara, Rebeca e Lia.

Antes da votação, o ministério das Relações Exteriores israelense advertiu que a inclusão da cidade da Cisjordânia seria um ato de “politização da organização”.

Em maio, Israel rejeitou uma resolução da Unesco sobre o status de Jerusalém apresentando-o como “potência ocupante”, antes de impedir os pesquisadores da organização de visitar Hebron.

Em meio século de ocupação israelense, Hebron se tornou um local de conflito permanente. Centenas de colonos protegidos por centenas de soldados vivem em uma área do centro que é parcialmente proibido aos palestinos.

Na época do mandato britânico sobre a Palestina, uma comunidade de judeus vivia em Hebron antes de ser forçada a partir após o assassinato de 67 judeus em 1929.

Em 1994, um colono israelense-americano, Baruch Goldstein, abriu fogo na Mesquita de Ibrahim matando 29 muçulmanos antes de ser linchado.

AFP

Fonte original da notícia: Isto É




Salvador (BA) – A cidade no centro

A paisagem do centro histórico denuncia a precária estrutura dos casarões coloniais. Bruno Aziz

No último final de semana de maio, Antônio Conceição pôs em uma sacola seus pertences e deixou para trás o prédio em que morava e onde mantinha uma bombonière. Quando chegou ali, em 2007, o sobrado desocupado de três andares já ostentava  rachaduras. Nada comparado a uma marca recente, a fenda lateral que acendeu o alerta em Conceição. “Melhor passar um aperto do que morrer”, diz o comerciante, que, guiado pelo conselho de amigos, mudou-se para um pensionato ao lado. Abandonou o prédio abandonado: número 25, Rua Conceição da Praia, outrora sede de bancos e hotéis.

Uma linhagem de renúncias e desamparos marca a história do Centro Antigo de Salvador, região que engloba 12 bairros (incluindo o Pelourinho) e conta com, aproximadamente, 80 mil habitantes, uma população cerca de 40% menor do que a que havia em 1970. A dinâmica da cidade, que levou o centro financeiro para outras regiões, a ausência de políticas integradas de conservação do patrimônio arquitetônico e proprietários e herdeiros que somem na burocracia de inventários desenham o lugar.

Mas o Centro Antigo da cidade está longe de ser ermo. Nas encostas do Pilar, Taboão, Lapinha e Santo Antônio, novos cortiços vêm surgindo, seguidos pela ocupação de imóveis ociosos e em ruínas. No Comércio, próximo ao Elevador Lacerda, inquilinos pagam R$ 250 de aluguel a “proprietários de palavra”, como são chamados os homens e mulheres que se apossam dos restos das construções. Uma pequena babel marca o nascedouro do Brasil.

“Talvez seja o caso de chamarmos de jabuticaba; algo bem brasileiro”, diz a urbanista e historiadora Isabel Álvares, que, entre 2012 e 2014, se debruçou sobre a região para construir sua tese de doutorado. No texto, de quase 200 páginas, está o que Álvares e muito de seus pares acreditam ser a dificuldade para resgatar o centro das cidades brasileiras da degradação. “Não há regras claras, e o poder público ‘bate cabeça’. É como se cada instância – municipal, estadual e federal – falasse uma língua”, diz. “Nesse aspecto, o Centro Antigo de Salvador é o maior exemplo”.

Fronteira

Com cerca de 500 imóveis abandonados, segundo dados da prefeitura, o Centro de Salvador tem apenas um regramento definido, estabelecido pela Constituição de 1988. Nela, lê-se que o “poder público, com a colaboração da comunidade”, é protetor do patrimônio cultural. Vago, o artigo 216 da Carta trata da preservação de bens imateriais e materiais – este último, o caso dos centros históricos das cidades brasileiras.

Sem uma legislação definida e unificada, órgãos de diferentes instâncias de poder abraçam a causa da preservação do legado arquitetônico. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituído em 1937, tem atuação federal. No caso de Salvador, somam-se ao Iphan o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) e a Companhia de Desenvolvimento Urbano (Conder), ambos estaduais. No âmbito municipal, há ainda a Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) e a recém-criada Diretoria de Gestão do Centro Histórico.

No campo das leis, a responsabilidade de manutenção dos imóveis no Centro Antigo é do proprietário e, se ele não tiver condições financeiras, do Ipac ou do Iphan, a depender de qual órgão tenha sido responsável pelo tombamento. No campo da prática, a maior parte dos edifícios em ruínas no centro não possui sequer proprietários identificados. Assim, os órgãos públicos põem mais uma característica no horizonte: estruturas metálicas que escoram as construções cambaleantes.

Concebidos como instâncias responsáveis pela conservação da arquitetura tombada (como é a quase totalidade do Centro Antigo de Salvador), o Iphan e o Ipac alegam que não possuem poder para retirar moradores ou mesmo para investigar o paradeiro dos verdadeiros proprietários, uma responsabilidade do poder municipal. Esse, por sua vez, alega a dificuldade em estabelecer contato com os donos e a lentidão dos processos de retomada dos imóveis (espécie de estatização dos prédios abandonados).

“Opera-se com uma política de tombamento e escoramento. Mas o escoramento é uma coisa provisória, não é para ficar dez anos, como no caso da Ladeira da Soledade”, diz Edvaldo Vivas, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac), do Ministério Público, lembrando o caso de um casarão tombado que desabou sobre uma casa, em abril, matando três pessoas e deixando duas feridas. “Os centros históricos são uma fronteira tríplice e envolvem órgãos de todas as instâncias. Mas os gestores estão ligados a partidos e a grupos políticos diversos. Isso dificulta a orquestração”.

O Nudephac, criado em 2009, é a mão do Judiciário na questão. O órgão atua de duas formas: no caso de construções com risco de desabar, provoca, via liminar judicial, o Ipac e o Iphan a providenciarem o escoramento; no caso de construções escoradas, e que já apresentam novos riscos, move uma ação civil pública para que os órgãos competentes revitalizam o lugar. Desde que nasceu, porém, o Nudephac só conseguiu três sentenças impondo a revitalização.

“É um processo demorado e implica considerar o orçamento público, a verba que os órgãos de proteção ao patrimônio têm para fazer a intervenção”, diz Vivas. “No entanto, não é verdade que o Ipac e o Iphan ficam de mãos atadas quando os donos não são localizados. Há ações judiciais pelas quais esses órgãos poderiam solicitar a entrada no imóvel para realizarem uma revitalização, ainda que mínima”.

Integração

No final do ano passado, a prefeitura de Salvador pôs em pauta um projeto para o centro, batizado de Revitalizar, como forma de responder à acusação das instâncias federal e estadual de que o poder municipal, como dono do solo da cidade, tem atuado com negligência na questão.

O projeto, que prevê a concessão de descontos em tributos a empresários e comerciantes que se instalarem na região e realizarem reformas, segue em discussão na Câmara. Mas uma proposta complementar já virou lei: à prefeitura foi dada a permissão de se apropriar de imóveis abandonados que, após cerca de cinco anos, não tenham recebido intervenção. “A atração de comerciantes e a possibilidade de retomar o controle dos imóveis são ações importantes, mas, sozinhas, têm impacto reduzido”, diz Tânia Scofield, presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, instituição ligada à Sedur e responsável por projetos de planejamento urbano. “As intervenções já realizadas em áreas históricas nos mostram que é preciso um programa integrado, que olhe, também, para a atração de novos moradores e para a mobilidade urbana. Esses são os próximos passos que devemos dar”.

Tanto gestores municipais quanto estaduais já mencionam a necessidade de um programa de habitação voltado ao centro,  que aproveite os imensos espaços vazios que caracterizam a região. O modelo, já testado em muitas cidades no mundo, tem um exemplar, ainda infante, no Brasil. Desde o ano passado, em Belo Horizonte (MG), sete mil moradias foram disponibilizadas na área central. A Sedur e a Conder, no entanto, não antecipam metas claras ou prazos para implantação de programa semelhante em Salvador.

Moradia

Em relatos históricos, os centros das cidades são quase sempre identificados como o lugar mais dinâmico da vida urbana. Nos documentos  de meados do século passado, porém, a noção de centro começa a se diluir com o surgimento de  subcentros, que passaram a concorrer com o  principal. Esse processo foi responsável pela aceleração da deterioração das regiões históricas, que se tornaram, na Europa e nos Estados Unidos, objetos de preocupação desde a década de 50.

No Brasil, a revitalização passou a ser discutida de modo mais intenso após os anos 70. Num primeiro momento, os planos urbanos incentivaram a substituição dos sobrados e casarões por prédios modernos – como os que foram construídos no Comércio. Num segundo momento, a partir da década de 90, gestores públicos colocaram em prática projetos que visavam à dinamização, com ênfase no turismo, em detrimento do uso habitacional. É desta época a maior intervenção já realizada no centro de Salvador.

“Trata-se de uma intervenção que, iniciada em 1992, converteu o Pelourinho em uma das atrações turísticas mais conhecidas e visitadas do país, criando uma cidade-espetáculo, de casarios de muitas cores, mas também promoveu um grande esvaziamento de sua ligação com a própria cidade”, diz a urbanista Tereza Peixoto, autora de um estudo que avaliou a sustentabilidade de longo prazo dos projetos de revitalização de seis centros históricos do Brasil – Salvador, São Luís, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre – realizados entre 1990 e 2010.

Na pesquisa, Peixoto escreve 37 vezes a palavra “gentrificação”, o processo de enobrecimento de uma área, no qual habitantes são expulsos para regiões distantes por não conseguirem arcar com novos custos de vida, sobretudo aluguéis. No caso de Salvador, por exemplo, a última grande intervenção no Pelourinho reduziu a população da área de 6,7 mil, em 1991, para cerca de três mil habitantes, em 2000.  “Todas as intervenções analisadas se mostraram pouco sustentáveis. As populações foram expulsas para as periferias. E esse excesso produziu espaços-caricaturas”, diz Peixoto. “O interessante é que traços de decomposição foram aparecendo, pinturas foram descascando, como se a cidade que existia antes retomasse aos poucos seu lugar”.

A maior análise já realizada sobre o Minha Casa, Minha Vida traduz, em números, a vantagem de levar moradores aos centros. Batizado de Quanto Custa Morar Longe, os dados levantados pelo Instituto Escolhas, ligado ao Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), serão apresentados no final deste mês, mas uma amostra da pesquisa já dimensiona o problema.

A opção por um modelo como o do Minha Casa, Minha Vida levou a construções em áreas onde não há infraestrutura: sem  hospitais, escolas, saneamento e transporte. As casas,  financiadas pelo Ministério das Cidades, ficaram dentro do orçamento, mas demandaram de outros órgãos sistemas de educação, saúde, saneamento, transporte e segurança. Somados ao longo de uma década, os investimentos  farão com que cada apartamento popular termine custando, aos cofres públicos, o valor de uma cobertura em bairro nobre.

“A questão habitacional é fundamental. A região central de Salvador viveu muitos anos de abandono. É importante que os governos voltem a fazer propostas para as áreas centrais. Mas elas têm de levar em conta a população que se apropriou do espaço”, diz o arquiteto e autor do livro A vida nos centros urbanos (2002), Maurício Memoli, que, em 2012, adquiriu um sobrado no  Santo Antônio Além do Carmo. “O centro é um marco histórico. Morar nele deveria ser um privilégio”.

Em 2014, Memoli e outros arquitetos solicitaram explicações públicas ao Iphan a respeito da extinção do Escritório Técnico de Licenças e Fiscalização (Etelf), criado para agilizar a cooperação entre os poderes estadual, municipal e federal nas questões relacionadas à conservação do patrimônio histórico de Salvador. “O Iphan nunca nos respondeu”, diz Memoli.

O fim do Etelf, órgão saudado por arquitetos e urbanistas, esbarra na  torre residencial La Vue, na Ladeira da Barra. A construção, em meio a monumentos tombados, foi avaliada pelo Etelf em 2014, e o parecer emitido opinava pela rejeição do empreendimento, tendo em vista o impacto  na paisagem urbana. Em outubro, no entanto, o Etelf foi extinto. Os empreendedores solicitaram nova avaliação, e o engenheiro Bruno Tavares emitiu parecer liberando o prédio, com mais de 100 metros de altura, com o argumento de que  estava longe do entorno da área tombada.

Três anos depois, o La Vue seria notícia. O então ministro da Cultura, Marcelo Calero, acusou o então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, dono de um apartamento no local, de pressioná-lo para que a obra tivesse aval do Iphan nacional. O caso, à época tratado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil como uma amostra da “prática de influências na administração pública para proveito pessoal”, levou o Iphan nacional a anular a liberação da obra dada pela superintendência local do órgão.

“O que ocorreu foi uma divergência técnica entre o Iphan local e a direção nacional a respeito da poligonal de tombamento (área localizada na vizinhança dos imóveis tombados)”, diz à Muito Bruno Tavares, hoje superintendente do Iphan na Bahia.  Segundo ele, a extinção do Etelf não findou os diálogos entre os poderes e, há dois meses, conversas entre o Iphan e a Fundação Mário Leal Ferreira foram iniciadas com o objetivo de construir um “regramento conjunto”.

Distante dos gabinetes, há muitos outros cálculos que permeiam o Centro Antigo de Salvador. As contas feitas por “proprietários de palavras”, inquilinos do dia e pequenos comerciantes que fazem dos imóveis abandonados um propósito de vida são, quase sempre, visuais. “Rachadura na horizontal, você pode deixar. Mas um rasgo vertical é sinal de que é preciso providenciar a mudança”, ensina à reportagem uma senhora que vive com os dois filhos, há um ano, num imóvel abandonado. “Olho para o teto e vem o alívio de ele ainda estar lá. Esse é meu ponto de partida, todos os dias”.

Por Eron Rezende

Fonte original da notícia: A Tarde




MG – Prefeitos de cidades históricas e TV Globo firmam acordo para fomentar turismo e cultura

Parceria contempla 30 municípios que fazem parte da Associação das Cidades Históricas.

Conceição do Mato Dentro (MG). Divulgação/Internet

A TV Globo Minas e prefeitos de cidades históricas do estado assinaram, nesta segunda-feira (26), um termo de cooperação com o objetivo de divulgar a identidade cultural e turística mineira. A intenção é divulgar a identidade cultural e turística dos municípios por meio de projetos e ações.

A parceria contempla 30 municípios que fazem parte da Associação das Cidades Históricas. Os prefeitos participaram do encontro e assistiram trechos do programa Terra de Minas. Eles ainda aprenderam como é o processo de produção de uma reportagem.

O diretor regional e comercial da TV Globo Minas, Marcelo Ligére, e o presidente da Associação das Cidades Históricas, José Fernando Aparecido de Oliveira, assinaram um termo de cooperação.

Durante o encontro, os prefeitos das cidades históricas conheceram todo o processo de implantação da TV digital. Eles viram como está sendo feita a transição da tecnologia analógica para digital. E diferença das imagens que chegam a casa do telespectador.

Em Belo Horizonte e em outras 38 cidades do estado, o sinal analógico de TV será desligado no dia 8 de novembro.

Fonte original da notícia: MGTV