Salvador (BA) – Centro Antigo vive transformação


Mudanças buscam resgatar os tempos áureos, preservando a história do local.

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Considerado o berço de uma nação inteira, a região mais antiga de Salvador passou por várias transformações, principalmente no último século, até se tornar um dos símbolos de conservação da história. Divididos em bairros que acabaram adquirindo maior ou menor importância econômica, a região do Centro Antigo de Salvador (CAS) está passando agora por uma série de mudanças que buscam resgatar os tempos áureos daquele lugar.

De acordo com a professora Luciana Sobral, coordenadora do Núcleo de Estudos Históricos da Unijorge, a busca por atender à demanda global, o CAS foi mapeado, recenseado e inúmeras transformações foram empreendidas nas últimas décadas, como a revitalização do Pelourinho, a reforma de inúmeros monumentos históricos como igrejas, prédios, praças; a modernização do porto de Salvador, calçamentos, etc.

“Todo esse investimento econômico na região, se trouxe benefícios e adequações à realidade da nova ordem mundial, por outro lado impactou de forma decisiva a vida de milhares de pessoas que viviam ou trabalhavam na região”, explica a historiadora. Essa influência também é notada em diferentes pontos de todo o Centro Antigo, que pode se dividir por bairros mais turísticos (como o Pelourinho) e residenciais (como Nazaré, Saúde ou Barbalho, por exemplo).

“Influencia em inúmeros quesitos, como por exemplo, na especulação imobiliária, no índice de violência e até de abandono por parte das autoridades. Regiões com maior fluxo turístico atraem a atenção dos órgãos gestores que tendem a investir mais pesadamente na segurança e na manutenção do patrimônio que reverte em lucro para as instituições, enquanto regiões sem grande apelo turístico tendem a ser menos privilegiadas neste e em outros sentidos”, explica Luciana.

Até o final do século XIX, o CAS era local de intensa movimentação e abrigava a elite da cidade do Salvador. “Existem relatos históricos de que havia touradas e carneiradas na Av. Sete de Setembro em direção à Praça Castro Alves. Ainda nessa praça temos o que é considerado por alguns pesquisadores como o primeiro teatro de ópera do Brasil, o Teatro São João, fundado em 1812 e destruído por um incêndio em 1923”, detalha a professora.

O Terreiro de Jesus era local de disputas a cavalos entre os jovens filhos de fazendeiros, políticos e senhores de escravos que vinham a Salvador a fim de cortejarem as jovens damas da corte. Palco de inúmeras procissões religiosas e eventos diversos, o CAS abrigava os principais prédios administrativos, a cadeia, o Palácio do Governo e era ainda o local de encontro de irmandades religiosas como a Santa Casa da Misericórdia, a Ordem Terceira de São Francisco, dentre outras. Também era área de circulação de uma população escrava ativa que transitava e comercializava nas ruas barulhentas e amontoadas, os chamados escravos de ganho.

Com a crise da agroindústria açucareira, o prestígio econômico e político da região diminuiu e a cidade expandiu-se em outras direções. Novas formas de transporte serviram para otimizar esse processo de expansão, como o surgimento dos bondes, inicialmente puxados a tração animal, depois, elétricos. Durante o governo de J. J. Seabra (1912-1916), ocorreu intensa reforma urbana que destruiu ou danificou alguns prédios históricos importantes, como a Igreja da Ajuda (o grande orador jesuíta Antônio Vieira utilizou o púlpito desta igreja algumas vezes), de São Pedro, Rosário e Mercês.

O vácuo deixado pela mudança das famílias mais abastadas da região para outras mais distantes permitiu o ingresso de imigrantes espanhóis, árabes e portugueses que se dedicaram ao comércio local. Nos anos 60, o Comércio abrigava um grande contingente de comerciantes, trabalhadores manuais, artesãos em geral, além de pessoas de baixa renda, prostitutas e marginais, expurgados dos bairros mais nobres, confinados em cortiços espalhados pelos becos e ruas do CAS, vivendo em péssimas condições de vida e exercendo atividades econômicas informais.

Recentemente, autoridades do Estado e Município têm mostrado cada vez mais interesse no resgate do Comércio que atualmente possui muitos imóveis sem utilidade. Para a historiadora, o aspecto que mais deve ser levado em conta nessa retomada é o que leva em consideração as necessidades e o potencial humano de quem reside, trabalha ou estuda na região.

“O Poder Público deve definir medidas que equacionem com justiça social as estratégias de sustentabilidade, moradia e inclusão, relacionando cultura e desenvolvimento, que não são necessariamente, excludentes. Qualquer medida que vise revitalizar e atrair mais investimentos e pessoas para a região deve respeitar o patrimônio artístico, histórico e cultural da região, e especialmente, o patrimônio humano, que é o que mantém tudo pulsante e vivo.”, avaliou.

Pelourinho, o tesouro da capital

A região mais conhecida evidentemente é o Centro Histórico, que, compreendendo o trecho na Praça Castro Alves, e indo até o Pelourinho, é considerado o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina, valor que rendeu à região o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco, em 1985, e atraiu permanentemente a atividade turística ao local.

Com edificações que datam do século XVII até o início do século XX, o Pelourinho hoje é um dos maiores tesouros de Salvador – uma cidade cujo turismo tem grande importância em sua economia. A maior parte de suas casas se transformaram em lojas, restaurantes e estabelecimentos de hospedagem, atraindo todos os anos, milhares de visitantes.

No bairro, a beleza arquitetônica divide espaço com elementos de clara desigualdade social, a exemplo dos pedintes e moradores de rua, e o movimento de pessoas no ponto turístico, é sazonal, tendo grande presença dos seus frequentadores durante a alta estação. Assim, o atual Pelô divide opiniões entre comerciantes, turistas e dos próprios baianos que passam pelo local.

A turista fluminense Maria Julia Alvarez se diz encantada com a expressão cultural presente no local durante sua primeira visita à cidade. “Acho que nós brasileiros deveríamos valorizar mais isso, e fazer todo esforço para preservar esses lugares, pois eles estão cada vez mais difíceis de encontrar”, exaltou ela, enquanto assistia uma apresentação de capoeira no Terreiro de Jesus.

Não muito distante, já na Rua das Portas do Carmo, o comerciante Antônio Francisco tem uma opinião bem divergente sobre o atual bairro. De acordo com ele, que trabalha com a venda de produtos artesanais e souvenirs há 20 anos, a situação apenas piorou. “Quando comecei a trabalhar aqui o movimento era muito maior e as pessoas se sentiam mais seguras”, explica ele.

Antônio detalha que, por conta da queda no movimento, sua loja, que nos primeiros anos chegava a funcionar até 23h, agora fecha sempre às 20h. Para ele, é preciso que o bairro tenha mais eventos, e mais policiamento para que baianos e turistas voltem a frequentar o espaço o Centro Histórico.

Santo Antônio

Ao lado do Pelô, o Santo Antônio Além do Carmo ostenta um cenário muito parecido de beleza arquitetônica, mas com uma atmosfera mais reservada, com menos comércio, e mais residências, e que pode ser notado pelas ruas bem menos movimentadas do que o seu bairro vizinho. Ainda assim, a Rua Direita de Santo Antônio – principal via da vizinhança – também dispõe de vários estabelecimentos de hospedagem de médio porte, assim como um de grande porte instalado no Convento do Carmo.

Moradora desde que nasceu, há 19 anos, Laís Cruz, diz ter presenciado poucas mudanças no bairro, mas, destacou algumas que tem melhorado bastante a vida dos residentes. Segundo ela, a revitalização do Plano Inclinado Pilar – que liga o Santo Antônio ao Comércio, na Cidade Baixa – foi fundamental para a sua mobilidade e a dos vizinhos.

“Ficou melhor para sair do bairro para resolver problemas no banco, ou comprar algo que não posso encontrar por aqui”, destacou ela, assim como os equipamentos de ginástica instalados no Largo do Santo Antônio, que voltou a reunir as famílias da redondeza.

Ainda assim, ela faz ressalvas em relação à segurança. Laís explica que, mesmo com a instalação dos hotéis e pousadas, a região carece de policiamento. “Acredito que o Santo Antônio, assim como o Pelourinho, também tem potencial turístico, mas é preciso ter mais investimento em segurança aqui, pois infelizmente não é incomum a gente presenciar delitos”, avalia.

Revitalização

Enquanto isso, falta pouco para recuperar as vias do Centro Antigo da capital, e a revitalização já alcança os 70% de obras concluídas. Recentemente, 700 metros da Rua Djalma Dutra, que integra a região já foram repavimentados e as antigas calçadas foram substituídas por novas, equipadas com itens de acessibilidade como piso tátil e rampas de acesso. A previsão é que as obras de todo o projeto sejam finalizadas até o fim do ano.

Localizada entre os bairros de Brotas, Sete Portas e Nazaré, a Rua Djalma Dutra faz parte de uma iniciativa ainda maior, que é o projeto ‘Requalificação Urbana do Entorno da Arena Fonte Nova’, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur), com o investimento de R$ 10,5 milhões.

Além desta, o projeto envolve ainda a requalificação de pontos como a Avenida Vasco da Gama, passando pelo Dique do Tororó, até a Arena Fonte Nova, e trecho da Avenida Presidente Castelo Branco, no Vale de Nazaré, que está em fase de finalização. A ação também inclui melhorias na Avenida J.J.Seabra (Baixa dos Sapateiros), no trecho da Sete Portas até a Estação Aquidabã, e finalizando na junção das vias, em frente à Arena Fonte Nova.

Também estão sendo realizados os projetos ‘Pelas Ruas do Centro Antigo’, que investe R$ 124 milhões na recuperação de mais de 260 vias em 11 bairros da capital, e ‘Requalificação Urbana da Baixa dos Sapateiros’, que recupera vias, passeios e praças, envolvendo ainda a instalação de nova iluminação e a reforma do Quartel do Corpo de Bombeiros, da Praça dos Veteranos e da Ladeira do Pax.

Por Matheus Fortes

Fonte original da notícia: Tribuna da Bahia




UFPA comemora os 390 anos do Ver-o-Peso com roteiro turístico


Roteiro ‘Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém’ será domingo, 26. Interessados podem fazer a inscrição gratuita por e-mail.

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Mercado do Ver-o-Peso completa 390 anos. (Foto: Reprodução/ TV Liberal)

Em homenagem ao aniversário de 390 anos do Ver-o-Peso, comemorado na próxima segunda-feira (27), o Projeto Roteiros Geo-Turísticos da UFPA realiza o roteiro “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém” neste domingo (26). O evento é gratuito e os interessados podem fazer a inscrição pelo formulário online ou pelo e-mail roteirosgeoturisticos@gmail.com até o dia da programação.

O trajeto inicia no Terminal Turístico da Estação das Docas, às 8h30, e passará pelos diversos mercados e ruas que compõem um dos pontos mais característicos de Belém. Nesta edição, o Roteiro passará pelos seguintes locais: Praça do Pescador, Feira do Ver-o-Peso, Pedra do Peixe e Doca do Ver-o-Peso, Mecardo de Peixe, Solar da Beira, Erveiras, Mercado de Carne, Rua XV de Novembro, Igreja e Largo das Mercês, Boulevard Castilho França, Praça dos Estivadores, Praça Pedro Teixeira, Prédio da CDP, Porto e Escadinha do Porto, Estação das Docas e Forte São Pedro Nolasco.

A coordenação do evento orienta que devido o passeio ser todo a pé, é recomendado que os participantes utilizem roupas e calçados apropriados, como tênis, roupas leves e boné. Também é aconselhável levar protetor solar e guarda-chuva ou capa de chuva.

Roteiros
Organizado pelo grupo de pesquisa em Geografia do Turismo da Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, o Roteiros Geo-Turísticos existe desde 2011, com o objetivo de promover roteiros que visam divulgar o patrimônio cultural, material e imaterial de Belém, resgatando a memória sócio-espacial da cidade. Assim, o grupo organiza caminhadas a pé e gratuitas no Centro Histórico de Belém, mostrando sua geografia, história e arquitetura.

No projeto participam estudantes de ensino médio e graduação, além de professores de diversas áreas do conhecimento, como Geografia, História, Museologia, Turismo e Arquitetura. As ações do projeto também ocorrem no município de Cametá e no distrito de Icoaraci.

Ver-o-Peso
Fundado em 1627 com a construção de uma ponte que ligava as duas margens do Igarapé do Piri, o Ver-o-Peso se estabeleceu inicialmente como o ponto de chegada e saída de barcos e navios para o Rio Amazonas ou para o mar. O “local de ver o peso” só foi instituído a partir de 1687, quando o Porto de Piri passou para a economia formal da cidade. O nome foi preservado pela tradição oral por mais de 300 anos.

Com o aterramento do Igarapé do Piri e a construção da doca no início do século XIX, o Ver-o-Peso foi cada vez mais ganhando importância econômica, cultural e social, fazendo parte de eventos significativos para a história de Belém e do Pará. Na virada do século XIX para o XX são construídos o Mercado de Ferro e o Mercado de Carne, que contribuem para a paisagem local e incrementaram as trocas culturais e comerciais, características do Ver-o-Peso.

Serviço: Roteiro Geo-Turístico “Do Ver-o-Peso ao Porto de Belém”, neste domingo (26), às 8h30, no hall de entrada no Terminal Turístico da Estação das Docas (av. Boulevard Castilhos França). Para se inscrever, basta preencher o formulário online. Mais informações pelo e-mail: roteirosgeoturisticos@gmail.com.

Fonte original da notícia: G1 PA




Lisboa (Pt) – Passar uma borracha na memória da capital


A loja de confecções Paris em Lisboa está na Rua Garrett desde 1888.

A loja de confecções Paris em Lisboa está na Rua Garrett desde 1888.

Lisboa deixou-se seduzir pela massificação do turismo. O patrimônio cultural da cidade, servido através de lojas cuja história alimentou o próprio ADN da baixa lisboeta e pela realização de ofícios que a globalização não permitiu que vingassem, está a ser apagado para dar lugar à primeira necessidade dos turistas: o alojamento.

A erradicação do patrimônio vivo que caracterizou a baixa de Lisboa, desde o Chiado à Rua Augusta, passando por várias artérias conhecidas pelos artífices que em tempo as ocuparam e de cujo labor resultaram os topônimos, deriva da aplicação de políticas que menosprezam quem vive e trabalha na capital, em detrimento de grandes interesses privados.

A todas as lojas e emblemáticos restaurantes que encerraram nos últimos anos – a cada dia que passa surge a notícia de mais um desaparecimento – faltou uma verdadeira política de urbanismo.

A Lei do Arrendamento criada pelo governo do PSD e do CDS-PP, com a então ministra Assunção Cristas a assumir a responsabilidade direta, e o excesso de licenciamento para a construção de hotéis por parte do Executivo de Fernando Medina na Câmara de Lisboa, têm sido uma boa alavanca para despejar a cidade do comércio histórico.

Seja porque as rendas aumentaram de forma exponencial, porque os contratos de arrendamento não foram renovados ou porque fundos imobiliários estrangeiros, enquanto proprietários, resolveram mandar embora os inquilinos a fim de realizarem as obras que têm dado origem a hotéis, vários espaços comerciais não têm encontrado alternativa a encerrar para sempre. Os emblemáticos Café Pirata, na Praça dos Restauradores, e a loja de confecções Paris em Lisboa, no Largo do Chiado, são os mais recentes casos em risco.

A aposta no turismo, que tem vindo a consolidar-se como «indústria» – notícias recentes apontam uma nova subida em 2017 –, não pode desmerecer nem desvalorizar o tecido social, econômico e cultural da cidade. De resto, a massificação do turismo e da uniformização das componentes endógenas coloca em risco a sua própria existência.

Urge travar as políticas que levam a vida das zonas históricas da cidade, e implementar medidas de desenvolvimento e prosperidade para quem cá vive e trabalha.

Fonte original da notícia: Abril




MTur destina R$ 250 mi à preservação de sítios históricos


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História e sua preservação estão intimamente ligadas ao Turismo. Esta é a mensagem que o ministério do Turismo pretende passar aos brasileiros ao se comprometer em ajudar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no repasse do orçamento previsto para 2017. “A preservação da nossa memória é fundamental para o Turismo”, disse o ministro Marx Beltrão.

Os R$ 250 milhões que serão destinados ao prosseguimento do PAC das Cidades Históricas podem ser retidos diante do contingenciamento de recursos federais. Por isso, o apoio do MTur e de sua força política são essenciais para que o dinheiro chegue a seu destino.

“Trabalhamos com o mesmo objeto”, afirma a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, ao comentar a relação entre os dois órgãos. “O Turismo promove os atrativos e nós mantemos”, conclui. Há obras, de acordo com a presidente, prontas para sair do papel apenas aguardando o repasse financeiro.

O PAC das Cidades Históricas foi criado em 2013 no governo Dilma, contemplando 44 cidades de 20 Estados brasileiros. O investimento total do programa é de R$ 1,6 bilhão e tem como destino 425 obras de restauração de edifícios e espaços públicos.

Além do referido PAC, a reunião da última quarta-feira, que também contou com a presença do superintendente estadual do Iphan em Alagoas, Mário Aloísio Melo, abordou a necessidade da reativação da Associação das Cidades Históricas junto com os órgãos locais de gestão.

O Brasil tem 20 sítios considerados patrimônios mundiais da humanidade pela Unesco, um dos itens considerados no estudo de competitividade turística do Fórum Econômico Mundial. No levantamento, a cultura brasileira foi considerada como um dos principais diferenciais do País, que ficou com a oitava posição dentre as 141 nações participantes.

Por Renato Machado

 Fonte original da notícia: Panrotas



Em Minas, um pequeno grupo de cidades não sabe o que é recessão e desemprego


Planejamento – Infraestrutura turística e agenda recheada de eventos e festivais blindaram a economia de Tiradentes. Flavio Tavares

Planejamento – Infraestrutura turística e agenda recheada de eventos e festivais blindaram a economia de Tiradentes. Flavio Tavares

Em função da recessão, a grande maioria dos municípios brasileiros pena com queda na arrecadação de impostos e diminuição dos repasses da União. Mas um pequeno grupo de cidades em Minas está conseguindo driblar a crise – e até mesmo crescer – graças às características e potencialidades econômicas locais.

Algumas delas são exemplo de sucesso de planejamento de longo prazo. Outras tiveram a sorte de experimentar uma conjugação positiva de variáveis econômicas que não podem ser reproduzidas em outros locais.

Com apenas 7 mil habitantes, Tiradentes, no Campo das Vertentes, atrai turistas como “gente grande”. Graças ao seu charme e patrimônio histórico, e também pelo esforço na atração de um turismo qualificado, o município não sofre com a crise. Neste ano, a cidade ainda teve a ajuda da alta do dólar, que tira o fôlego dos roteiros internacionais mesmo entre os mais abonados e redireciona os viajantes para destinos domésticos.

“A cada ano recebemos um número maior de visitantes, que no geral têm um bom poder aquisitivo. É um turista qualificado, exigente e disposto a gastar, o que movimenta a economia local”, diz o prefeito Ralph Justino (PV).

De saída da prefeitura após quatro anos de mandato, ele diz que o turismo é o principal responsável por não deixar as contas municipais no vermelho. “Sofremos dificuldade por causa da queda do repasse de verbas federais e mais obrigações financeiras impostas pela União, como o reajuste do salários dos professores. Mas não atrasei salário, paguei o 13º em dia e ainda vou deixar um dinheiro em caixa para o meu sucessor”, afirma Justino.

No mês de julho ou em feriados, a ocupação de hotéis e pousadas chega próxima a 95%. Já para festivais tradicionais, como Bike Fest, encontro de motociclistas, Festival de Cultura e Gastronomia e Mostra de Cinema, a ocupação é de 100%. “Isso movimenta as pousadas, restaurantes e toda gama de prestação de serviços, gerando emprego e renda”, diz.

O prefeito não soube precisar a arrecadação com turismo ou mesmo o número de turistas que Tiradentes recebe por ano.

Emprego

Considerada um ponto fora da curva em meio ao fechamento de vagas e de empresas país afora, Extrema figura atualmente como o município que mais gera empregos no Sul de Minas, e fica na quinta posição no Estado e 55ª no Brasil.

Segundo dados do CAGED, do Ministério do Trabalho, Extrema abriu 794 postos entre os meses de janeiro e outubro de 2016, enquanto vizinhas como Pouso Alegre e Camanducaia, por exemplo, fecharam 552 e 131 vagas respectivamente.

“Enquanto a maioria dos municípios do Brasil sofrem com problemas financeiros e administrativos, Extrema apresenta condições diferenciadas. Desenvolvemos um programa de capacitação de empresas dos mais variados setores que, hoje, garantem empregos para mais de 65% da população ativa”, diz o prefeito Luiz Carlos Bergamin (PSDB), que encerra no próximo mês um ciclo de oito anos consecutivos à frente da administração municipal.

Segundo Bergamin, a cidade possui indústrias dos setores automotivo, alimentício, metalúrgico, vestuário, estética, eletrodomésticos (Panasonic e outras), além das empresas de serviço e distribuição.

“As empresas que estão no município se equilibram pela sazonalidade comercial. Enquanto um setor diminui a intensidade, as demais aquecem e mantém a curva do emprego sempre em expansão”, diz.

Extrema é considerada a capital regional do chocolate, já que conta com a presença da suíça Barry Callebaut, a maior fabricantes de chocolates do mundo, além do grupo CRM, detentor das marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil Cacau. No segmento, ainda há uma fábrica da Bauducco.

“Essas empresas reconhecem na nossa localização geográfica uma posição estratégica para escoamento de mercadorias”, afirma o prefeito, que será sucedido pelo colega de partido João Batista.

Segundo ele, a arrecadação de Extrema é estimada em R$ 162 milhões para o exercício de 2016. Em caixa, o município possui hoje aproximadamente R$ 45 milhões.

Grãos e mineração de ouro são antídotos de municípios contra a derrocada econômica

Paracatu, no Noroeste de Minas, é uma das ilhas de desenvolvimento em meio à crise. Com cerca de 85 mil habitantes, a cidade tem duas atividades principais: a mineração, graças às reservas de ouro, calcário, zinco e chumbo, e a agropecuária. Na agricultura, o município tem mais de 40 mil hectares de área irrigada com produção de milho, feijão e soja.

E é justamente graças a essas duas vocações econômicas que a cidade apresentou alta de 10,7% na arrecadação total entre janeiro e outubro na comparação com o mesmo período de 2015, passando de R$ 158,96 milhões para R$ 176,05 milhões, segundo o secretário Municipal da Fazenda, Flávio Côrtes Ramos.

No caso da mineração, a cidade se “gaba” de a Kinross Gold Corporation, multinacional que detém os direitos de exploração, ser responsável por 22% do ouro produzido no Brasil.

A expectativa da prefeitura é arrecadar em torno de R$ 210 milhões em 2016. Se efetivado, o volume será 19% maior do que os R$ 176 milhões alcançados em 2015.

O nível de empregos também está positivo na cidade. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, de janeiro a outubro, Paracatu teve um saldo positivo de 633 empregos.

Café

Já em Guaxupé, no Sul de Minas, o café é o diferencial econômico. A cidade abriga a Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé Ltda (Cooxupé), que recebe café produzido em mais de 200 municípios.

“Nós temos várias fazendas produtoras de café e a presença de uma cooperativa exportadora no município deixa o mercado movimentado todo ano”, afirma o secretário de desenvolvimento econômico da cidade, Renato Carlos Gouvêa.

O comércio e o setor de serviços sentem reflexos positivos. “Enquanto nas outras cidades o comércio segue no negativo, aqui nós vamos, na pior das hipóteses, repetir o resultado de 2015”, afirma o presidente da Associação Comercial e Industrial e Guaxupé, Aroldo Moreira.

Segundo o superintendente de política econômica e agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), João Ricardo Albanez, o ano está sendo positivo para os municípios produtores de base agrícola em função do aumento da safra e da elevação dos preços internacionais das commodities. O milho saiu de um preço médio de R$ 29,05 a saca de 60 quilos em 2015 para R$ 45,65 em 2016, uma variação de 57%. A soja valorizou 13%, passando de R$ 72,65 para R$ 82,12; e o café, 8% saindo de R$ 451,03 para R$ 487,44.

Por Tatiana Lagôa e Janaína Oliveira

Fonte original da notícia: Hoje em Dia




Urgente! SOS Patrimônio Histórico em Torres (RS)


Antigos Chalés de Veraneio na Prainha estão ameaçados!

Como a maioria dos casarios do século XIX já foram destruídos agora o alvo são os chalés do século XX que remontam a história do turismo no RS.

Os chalés em questão tem arquitetura peculiar e são os únicos em estado de preservação.

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Por Leo Gedeon




Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural avalia cinco pedidos de proteção


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Hoje, 24 de novembro, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural reúne-se em Brasília para apreciar cinco pedidos de proteção federal, sendo quatro solicitações de tombamentos no Rio de Janeiro e um de registro para Pernambuco.

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A instância conta com 23 conselheiros, formada por especialistas de diversas áreas como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia, mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan, analisam os estudos apresentados no parecer e dossiê, aprovando ou negando o título de Patrimônio Cultural Brasileiro.

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Ao longo desses quase 80 anos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi o grande responsável pela condução e evolução da Política de Preservação do patrimônio material e imaterial no Brasil, aprimorando seu conceito como reflexo à ressignificação do patrimônio cultural por parte da sociedade, cada vez mais engajada e envolvida no processo de preservação da identidade e da memória coletiva.

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Assim, durante a 84ª Reunião que ocorrerá na sede Iphan, os conselheiros avaliarão pela manhã o pedido de Registro para a manifestação cultural de Caboclos, ou Caboclinho da Região Metropolitana de Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco. Datada desde o final do século XIX, o Caboclinho simboliza a memória do encontro cultural e da resistência, sobretudo das populações indígenas e também dos povos africanos escravizados, que reverberam profundamente na história do nordeste rural brasileiro. A prática marcada por uma forte presença religiosa afro-indígena-brasileiras está ancorada principalmente no culto à Jurema, com entidades espirituais denominadas Caboclos.

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Na parte da tarde, as discussões se voltam às propostas de tombamento de quatro bens localizados na cidade do Rio de Janeiro: os prédios das Antigas Docas de Dom Pedro II; do Antigo Supremo Tribunal Federal, do Instituto de Resseguros do Brasil, além do Lampião do Largo da Lapa.

Antigas Docas
O edifício do Armazém Central das antigas Docas D. Pedro II fica localizado em frente à área do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas.  A região, atualmente conhecida como “Pequena África”, é espaço simbólico para a comunidade afrodescendente que, rapidamente, após a realização das pesquisas arqueológicas, converteu o local em símbolo da luta pela afirmação de sua identidade e de sua história.

A proposta de tombamento está respaldada nos valores histórico e etnográficos atribuídos ao edifício das Antigas Docas D. Pedro II, como um dos últimos testemunhos da obra do engenheiro André Rebouças na região portuária do Rio de Janeiro. Também registra um importante capítulo da evolução da técnica de construção e modernização da operação de portos no Brasil.

Antigo Prédio do Supremo Tribunal Federal
O edifício, do período colonial, foi palco de julgamentos históricos, como o banimento da Família Real, o habeas-corpus de Olga Benário e o mandado de segurança em favor de Café Filho, quando se viu impedido de assumir a Presidência da República. Construído entre 1905 e 1909, durante as reformas urbanísticas do Rio de Janeiro realizadas pelo prefeito Pereira Passos, idealizador de um concurso de fachadas para a abertura da Avenida Central, o prédio – que abriga, atualmente, o Centro Cultural Justiça Federal – é detentor ainda de valores artísticos, como um importante exemplar da arquitetura eclética do período da primeira República.

Edifício do Instituto de Resseguros do Brasil – IRB
O Instituto de Resseguros do Brasil foi criado em 1939 pelo Presidente Getúlio Vargas com o objetivo de acabar com o domínio das seguradoras estrangeiras. Em 1940, os seguros contra incêndio e de transporte se tornaram obrigatórios e o IRB assimilou essa função, além de se responsabilizar pelo seguro de grandes obras federais. Em 1948, o prédio foi reconhecido pelo Royal Institute of Britsh Architects (RIBA) como uma das vinte melhores obras da época.

Lampião situado no Largo da Lapa
Desenhado por Rodolfo Bernadelli como encomenda do Prefeito Francisco Pereira Passos para sua implantação no ponto inicial da então recém-projetada Avenida Mem de Sá, foi inaugurado em 1906 e logo tornou-se um marco da nova avenida. Além de seus aspectos estilísticos, tem ainda importância histórica, como um dos últimos símbolos das grandes obras comandadas por Pereira Passos, no início do século XX. Seu tombamento complementa a proteção de diversos outros bens já tombados pelo IPHAN na mesma região, como os Arcos da Lapa, a Igreja da Lapa do Desterro e o Passeio Público. A proposta prevê o tombamento do bem por sua importância histórica e artística.

Avaliação do Conselho em 2016 
Neste ano, o Conselho avaliou favoravelmente para inserção na lista dos bens culturais protegidos: três obras do arquiteto Oscar Niemeyer, sendo a Passarela do Samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói (RJ), e o Conjunto de edificações projetadas do Parque do Ibirapuera (SP). A Casa da Flor, construída em 1912 em São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos (RJ), também ganhou a proteção federal. Já a Romaria de Carros de Boi da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade, em Goiás (GO), foi inscrito no Livro de Registro das Celebrações.

Serviço:
84ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Dia: 
24 de novembro de 2016, de 9h às 18h
Local: Sede do IPHAN
SEPS 713/913 Bloco D – Ed IPHAN – Asa Sul
Brasília – DF

Fonte original da notícia: IPHAN




Belo Horizonte (MG) – Depois de virar patrimônio, Pampulha terá espaço multiuso de R$ 300 milhões


Empresários anunciam empreendimento de 155 mil m² no Bairro Engenho Nogueira. Local, com hotel, abrigará eventos como feiras, shows e lançamentos de produtos.

Projeção do Expo Park Pampulha: complexo, em frente ao BH-Tec, terá investimento de R$ 300 milhões e deve ser inaugurado em 2019 (foto: FARKASVÖLGYI ARQUITETURA/DIVULGAÇÃO)

Projeção do Expo Park Pampulha: complexo, em frente ao BH-Tec, terá investimento de R$ 300 milhões e deve ser inaugurado em 2019 (Foto: Farkasvölgyi Arquitetura/Divulgação)

O título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conquistado pela Pampulha há pouco mais de um mês, abre as portas ao turismo internacional e atrai grandes empreendimentos para a região que abriga o conjunto moderno projetado, na década de 1940, por Oscar Niemeyer (1907-2012). Um dos mais importantes – e que promete ser um marco na cidade – é o Expo Park Pampulha, equipamento multiuso de 155 mil metros quadrados de área construída e que ocupará um terreno de 67 mil metros quadrados no Bairro Engenho Nogueira, em frente ao Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec). Feiras, eventos, centro de convenções, espaço para shows, salões para lançamentos de produtos e hotel farão parte do complexo projetado pelo arquiteto mineiro Bernardo Farkasvölgyi, com escritório em BH.

Segundo Farkasvölgyi, serão investidos cerca de R$ 300 milhões na obra. “O Expo Park Pampulha será um misto de entretenimento e negócios. Belo Horizonte tem uma política de internacionalização de negócios, mas não dispõe de espaço adequado para sediar feiras e outros eventos de grandes proporções. Por isso mesmo, muitos empresários chegam a se deslocar para outros estados e fazer seus eventos lá, bem distante de Minas, o que é um prejuízo para todos”, conta o arquiteto, que se associou a André Mafra e Wagner Avelar. Juntos, criaram a empresa Supernova Participações, responsável pela estruturação dos negócios.

A nova empresa vem apresentando o projeto a investidores brasileiros e tem, segundo os três diretores do grupo, encontrado boa acolhida. “Mostramos em São Paulo (SP) e o resultado foi muito positivo”, revela Farkasvölgyi. Com 17 mil metros quadrados de pavilhão de feiras, com possibilidade de realização de 12 eventos simultâneos, e a mesma área para salões (ballrooms), podendo sediar, por exemplo, lançamento de novos modelos automobilísticos, o empreendimento compreenderá ainda três auditórios com aproximadamente 700 lugares cada um, cinco espaços em torno de mil metros quadrados para eventos diversos, mall (centro de compras) com lojas variadas, além de um hotel com 717 quartos, nas categorias superior e média.

Meio ambiente

Outro destaque do Expo Park Pampulha será o edifício corporativo, com 21 mil metros quadrados de área construída. O projeto completo contempla ainda estacionamento com mais de duas mil vagas e uma rua interna para pedestres com uso público, que se harmoniza com a construção e poderá ser usada também como área de lazer para quem mora na região ou simplesmente está de passagem.

A preservação ambiental é uma das preocupações do grupo Supernova. Dessa forma, o empreendimento ocupará apenas a parte da frente do terreno, localizado na Rua José Vieira de Mendonça. “No restante, em 27 mil metros quadrados, no fundo, vamos manter integralmente a vegetação”, afirma Farkasvölgyi. Ele explica que o empreendimento, em fase de licenciamento urbanístico no Conselho Municipal de Política Urbana (Compur), deverá ficar pronto em 2019.

Este equipamento está perfeitamente adequado a este novo momento vivido pela Pampulha, que recebeu o título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Fizemos um projeto de Primeiro Mundo”, diz Farkasvölgyi, autor de muitos projetos em Belo Horizonte e dono da Farkasvölgyi Arquitetura, escritório posicionado no mercado há 43 anos e fundado pelo arquiteto húngaro István Farkasvölgyi, falecido em 2005. A partir de 1990, o filho de István, Bernardo, passou a dividir a direção do escritório com o pai, que foi autor do projeto do prédio da Usiminas, que fica perto do futuro empreendimento.

Bernardo, há 27 anos no mercado, é responsável pelo projeto de prédios conhecidos em BH, como o Edifício Domani Business Center, no Bairro de Lourdes, o ABC Business Center, na Avenida Afonso Pena, no Bairro Funcionários, MedPlex, na Avenida Barbacena, The One, na Avenida Raja Gabáglia, Hotel Golden Tulip BH, na Avenida do Contorno com Rua Rio de Janeiro, no Centro.

Atendimento
Segundo os empresários, o complexo foi concebido para atender, em um único local, o público de eventos e de congressos, bem como organizadores de eventos. O conceito é baseado no sistema one stop shopping ou tudo em um único lugar. “Aqui tudo foi pensado para o cliente final ter seu evento realizado e montado com todos os serviços e produtos relacionados disponíveis em um só local, com um só orçamento e falando apenas com uma única pessoa”, explica Wagner Avelar.

O empresário acrescenta que o mall terá lojas de apoio para os visitantes, hóspedes e colaboradores das empresas instaladas. “Teremos ainda equipes de áudio visual, muito usado em eventos, além de loja e sala de apoio para atender congressistas, palestrantes e o público participante”.

Outra forma de otimizar os investimentos, segundo os empresários, está na criação de uma equipe única de profissionais, que fará a gestão global dos ativos em questão, por meio da cogestão com parcerias estratégicas de franquia das marcas, onde vamos direcionar, planejar e executar o crescimento, sendo assim mais rentável, por exemplo, a operação do centro de convenções, onde temos parcerias com empresas. A operação ficará a cargo do parceiro, geralmente empresas de grande porte e líderes de mercado nos seus segmentos, “com nossos controles e parceria na área de vendas e distribuição, o que vai reduzir a sazonalidade”. Resumindo, Wagner destaca que “tudo aqui foi pensado para atender nosso público final, que vai entrar com o conceito e a ideia de seu evento e nós o executamos em um único local”.

Fonte original da notícia: em.com.br




Curitiba (PR) – No meio do caminho, tinha um patrimônio histórico


Além de legislar sobre a preservação dos bens materiais e imateriais, município precisa facilitar retorno econômico das propriedades preservadas com interesse histórico e debater muito com a população.

Solar do Rosário: complexo cultural privado é tido como exemplo de imóvel bem preservado. Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo/Arquivo

Solar do Rosário: complexo cultural privado é tido como exemplo de imóvel bem preservado. Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo/Arquivo

No meio do caminho tinha um patrimônio histórico, tinha um patrimônio histórico no meio de muitos caminhos e interesses, e, por isso, ele não foi preservado. Esta é a sina de muitos bens no Brasil, país que ainda patina em legislação e incentivo para a preservação. Se mesmo uma cidade turística como Ouro Preto (MG), tombada como patrimônio cultural da humanidade em 1980, não consegue se manter intacta, o que Curitiba pode fazer nesta área?

O arquiteto e historiador Key Imaguire Júnior, natural do bairro São Francisco, que abriga o Centro Histórico de Curitiba, reconhece avanços na legislação recente sobre a preservação de bens materiais e imateriais, mas ressalta: “A lei não resolve a situação atual. É preciso mudar a mentalidade dos proprietários, assegurando que a manutenção dos espaços não represente prejuízo”, observa.

Um exemplo bem-sucedido, diz ele, é o Solar do Rosário, um complexo cultural inaugurado por iniciativa privada em um casarão do fim do século 19. O espaço, também usado pelo poder público, oferece cursos e tem galeria de arte, livraria e café.

No geral, porém, o poder público precisa alocar recursos para a preservação. Na Europa, observa o professor Key, a paisagem cultural-histórica é extremamente importante para muitos locais, que se beneficiam do turismo. “Sem investimento não há retorno. Mas há que se dizer que a preservação deve ser feita pela importância que carrega, não pelo turismo em si”, acrescenta.

Participação pública

O arquiteto Frederico de Holanda, pesquisador-colaborador da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que o poder público tem papel fundamental para discutir o que é preciso preservar.

“Toda cidade tem uma memória, mas é preciso sensibilidade para levantar, com inúmeros sujeitos sociais, o que é mais importante”, diz. Ele lamenta casos em que apenas uma categoria profissional é chamada a dar um veredicto.

“Não se pode fiar apenas no conceito dos arquitetos, ou só dos antropólogos, ficar só atendendo as corporações é uma visão muito estreita. É preciso conversar com pessoas de todas as classes sociais, representando diversas categorias profissionais”, explica.

Holanda sugere a atuação efetiva de conselhos consultivos e a ampla divulgação de temas de preservação em audiências públicas, em reuniões de associações de moradores e de outras entidades.

“Haverá muito embate, muito conflito, mas a cidade é assim, é preciso fazer o embate para ver qual posição vai ganhar, o que precisa mesmo ser preservado. Há muita coisa antiga que não presta, assim como coisas novas. É preciso fazer muito debate mesmo”, afirma.

Curitiba ganhou legislação de tombamento somente em 2016

Tem apenas cinco meses a Lei de Proteção ao Patrimônio Cultural de Curitiba (nº 14.794/2016), que criou mecanismos para preservação de bens imóveis e bens imateriais. A norma prevê incentivo para a manutenção das edificações e penalidades ao descumprimento das normas.

Até então, a capital paranaense geria os bens de interesse histórico por meio de decretos que criavam unidades de interesse de preservação (UIPs), mas que com o passar do tempo foram sendo questionadas na Justiça por proprietários que preferiam derrubar as edificações.

A preservação já estava prevista no Plano Diretor sancionado no fim de 2015. Segundo a arquiteta e historiadora Manoela Rufinoni, professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a preservação de arquiteturas e espaços urbanos de interesse histórico e cultural precisa ser debatida junto com o plano mestre de desenvolvimento da cidade.

“Quando a questão da preservação do patrimônio arquitetônico chega a ser discutida em âmbito municipal, geralmente fica restrita às secretarias ou conselhos especificamente voltados para esse tema, sem contato com os órgãos públicos responsáveis pela gestão das transformações urbanas”, lamenta.

A vantagem de fazer a discussão conjunta, diz Manoela, é permitir uma gestão mais cautelosa das “transformações urbanas que tanto ameaçam o patrimônio das cidades”.

Mecanismos como incentivo à recuperação e restauro de imóveis históricos, tombados ou não, atraindo a atuação da iniciativa privada para este setor, são fundamentais, ressalta Manoela. “Na maioria das cidades, a política dos planos diretores e as legislações voltadas ao uso e ocupação do solo, infelizmente, apresentam normativas que incentivam somente as novas construções, alimentando o processo de demolição e reconstrução das cidades” observa a arquiteta.

Por Rosana Felix

Fonte original da notícia: Gazeta do Povo




Goiás – CAU apoia Jornada de Estudos sobre Patrimônio Edificado


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Contando com o patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU/GO), por meio do edital deste ano, a Elysium Sociedade Cultural e a UFG promovem nos dias 17 e 18, quarta e quinta, a Jornada de Estudos Brasileiros 2016: Restauro do Patrimônio Edificado – Do projeto ao uso. O evento, que será realizado no Centro Cultural UFG, próximo à Praça Universitária, é destinado a arquitetos e a estudantes de Arquitetura e Urbanismo. Também apoiam o seminário a Biapó Construtora, o Iphan-GO e o jornal A Redação. As inscrições já foram encerradas.

O fórum reunirá especialistas em patrimônio edificado de diferentes regiões do Brasil para discutir a situação atual do enorme acervo de construções e prédios distribuídos pelo país, bem como as recentes ações de restauro que vêm sendo executadas. Para os dois dias de evento estão previstos palestras, exposições, oficinas e debates. A data da abertura (17 de agosto) foi escolhida em comemoração ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico.

Confira aqui a programação.

Fonte original da notícia: CAU/GO