Rio de Janeiro (RJ) – Candidato a patrimônio da Unesco, Sítio Burle Marx passará por revitalização

Sítio Burle Marx abriga coleção botânica e acervo do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, que em 1985 doou o local ao Iphan. Divulgação/Sítio Burle Marx

Candidato ao título de patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx, na Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, passará por uma revitalização.

Com 400 mil metros quadrados, o sítio abriga 3,5 mil plantas tropicais e semitropicais de espécies nativas e exóticas, coleção que atrai visitantes e pesquisadores.

O sítio foi comprado pelo paisagista Roberto Burle Marx na década de 1940 com o objetivo de ali instalar sua coleção botânica. Nos anos 1970, quando Burle Marx passou a morar no local, a área abrigou também objetos pessoais, sua produção artística e suas coleções de arte e design.

Em 1985, o paisagista doou o sítio e todo o acervo à Fundação Nacional Pró-Memória, do Ministério da Cultura. O órgão foi sucedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde aquele ano, o local passou a ser considerado instituição pública e foi tombado em nível federal pelo próprio Iphan.

A candidatura a patrimônio cultural mundial da Unesco foi apresentada em 2015 e o registro foi aceito pela entidade. Agora, o centro cultural fará um dossiê da candidatura e receberá a visita de especialistas estrangeiros que vão orientar esse trabalho. As informações serão conferidas in loco pela Unesco eu uma missão oficial. O resultado da avaliação será divulgado em meados de 2019.

Apoio do BNDES

Para fortalecer a candidatura, o centro cultural passará por uma revitalização. O projeto tem recursos do Iphan e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que repassará R$ 4,45 milhões à instituição.

Atualmente, o local passa por uma obra de infraestrutura elétrica, telefonia, entre outros serviços essenciais, e já licitou a reforma de um lago.

Segundo a diretora do centro cultural, Cláudia Storino, o apoio do banco, que corresponde a mais de 60% dos recursos do projeto de revitalização, vai contribuir para a candidatura na Unesco.” Além disso, é um aporte bem importante para o funcionamento do sítio, para o atendimento aos visitantes.”

Os recursos também vão possibilitar a catalogação e disponibilização online de informações do centro cultural para o público. “Só isso já vai ser uma grande diferença para quem tem pesquisa sobre Burle Marx”, acrescentou a diretora.

O Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx recebe, em média, entre 600 e 700 pessoas por mês.

Por Alana Gandra/Edição Luana Lourenço

Fonte original da notícia: EBC – Agência Brasil




Há 30 anos, Brasília (DF) se tornava Patrimônio Cultural da Humanidade

Primeira (e ainda única) cidade moderna com tal honraria, a capital do país foi inscrita na lista de Patrimônio da Unesco em 7 de dezembro de 1987.

Nunca havia aparecido uma candidata tão nova. Com apenas 27 anos e ainda em formação, Brasília não tinha a história de uma Paris. Nem monumento antigo como a Acrópole de Atenas. Tampouco um conjunto arquitetônico como o de Roma. Era uma ousadia e tanto a capital brasileira entrar para o seleto grupo das cidades com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco, o braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, Ciência e a Cultura. Mas o reconhecimento veio, em 7 de dezembro de 1987.

Passados 30 anos, a primeira cidade moderna a receber tal honraria, Brasília sofreu agressões das mais diversas formas. Viu brotar cidades não planejadas e a ocupação de áreas onde não deveria haver construções de tipo algum. Mas o título da Unesco se mostrou fundamental para a preservação do Plano Piloto conforme o desenhado por Lucio Costa e executado à risca no governo de Juscelino Kubitschek, que em 21 de abril de 1960 inaugurou uma nova forma de se viver no Brasil e garantiu aos moradores da capital uma qualidade de vida única no país.

Sem proteção

Até então, o título da Unesco havia sido concedido só a cidades construídas antes do século 20. A proposta, feita sob a iniciativa do então governador de Brasília José Aparecido de Oliveira, foi examinada e aprovada pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco com base na documentação oferecida pelo governo da capital e em relatório do arquiteto francês León Pressouyre, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), relator do processo da candidatura candanga.

Nos documentos, Brasília apresentou as principais características e os valores do plano urbanístico. Virtude referendada por Pressouyre, em maio de 1987. Ele, porém, apontou a vulnerabilidade da nova capital ante as pressões do desenvolvimento predatório que ameaçava (e ainda ameaça) com a descaracterização. Brasília sequer tinha proteção nacional.

Gênio criativo

O comitê da Unesco reconheceu a obra-prima do gênio criativo humano e exemplo eminente de conjunto arquitetural que representava período significativo da história, um marco do movimento moderno. Mas, para ganhar o título de patrimônio mundial, precisava de leis para protegê-la de alterações e deturpações. A cidade construída em 1.296 dias, a partir de 1956, não contava com essa cobertura. Não havia nada que a livrava dos males da especulação imobiliária e de outras ameaças.

Ao tomar conhecimento desse entrave, José Aparecido de Oliveira publicou o decreto, em outubro de 1987, regulamentando a Lei n° 3.751, de 13 de abril de 1960, de preservação da concepção urbanística de Brasília. Em síntese, a lei manda respeitar as quatro escalas que definem os traços essenciais da capital, ou seja, as quatro dimensões dos quatro modos de viver na cidade.

Criadas por Lucio Costa para organizar o sítio urbano que havia apresentado no concurso público aberto pelo Governo Federal para escolher o projeto da nova capital brasileira, as escalas são definidas como monumental (a do poder), residencial (das superquadras), gregária (dos setores de serviços e diversão) e bucólica (das áreas verdes entremeadas nas demais, incluindo a vegetação nativa). Com elas, o urbanista deixou claro as funções de cada espaço da cidade, definindo os setores de trabalho, moradia, serviços e lazer, em harmonia com a natureza.

Era justamente esse conceito o grande trunfo de Brasília, que trazia um desenho único de cidade. Diferentemente do que muitos pensam, seria reconhecido o projeto urbanístico de Lucio Costa e não os prédios modernistas de Oscar Niemeyer. Esses viriam a ser protegidos por meio de outras leis. Mas as obras de Niemeyer contribuíram para a conquista do título da Unesco. Os representantes da organização ressaltaram que cada elemento — da arquitetura das áreas residenciais e administrativas à simetria dos edifícios — dos traços de Niemeyer estavam em harmonia com o desenho geral da cidade. Assim como o plano de Lucio, a Unesco considerou os prédios inovadores e criativos.

EUA contra

A definição da candidatura de Brasília aconteceu em 7 de dezembro de 1987, em Paris, na 11ª Reunião Ordinária do Comitê do Patrimônio Mundial. Vinte e um integrantes do Comitê estavam no plenário. A representante dos Estados Unidos, Susan Reccem, se manifestou contra a inclusão de Brasília na lista de patrimônio da humanidade. Ela chamou a atenção do plenário para o parágrafo 29 das Orientações para a aplicação da convenção do patrimônio mundial, no qual se indicava o adiamento do exame das cidades do século 20 para depois que os sítios históricos tradicionais fossem protegidos.

Mais uma vez, León Pressouyre saiu em defesa de Brasília. Ele argumentou seria proteger uma obra singular, moderna, única cidade construída no século 20 a partir do nada (o francês usou a expressão latina ex-nihilo) para ser a capital do país. Houve um silêncio. Sinal da aprovação consensual da proposta. Mais uma ou duas considerações e Brasília se transformou em patrimônio cultural da humanidade. Continua a única não secular com tal honraria.

Históricas

No caso do Brasil, Ouro Preto (em 1980), até então, detinham tal título o centro histórico de Olinda (1982), as ruínas jesuítico-guaranis de São Miguel das Missões (1983), o centro histórico de Salvador (1985) e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (1985).

Por Renato Alves

Fonte original da notícia: Correio Braziliense




São Luís (MA) completa 20 anos como cidade Patrimônio da Humanidade

Conjunto arquitetônico composto por mais de mil casarões seculares, celebra os 20 anos do título de concedido pela UNESCO em 6 de dezembro de 1997.

Capital maranhense reúne acervo com mais de mil prédios construídos entre os séculos 18 e 19. Foto: Reprodução/TV Mirante

São Luís celebra nesta quarta-feira (6), os 20 anos do título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO) em 6 de dezembro de 1997 em Nápoles, na Itália.

O conjunto arquitetônico do Centro Histórico, com seus 405 anos de história, é composto por casarões seculares, revestidos por azulejos portugueses, reúne um acervo com mais de mil prédios construídos entre os séculos 18 e 19, que são tombados pelo patrimônio federal. A capital colonizada por portugueses nasceu moderna, já que sua planta foi desenhada no século 17 e inspirada pelo urbanismo espanhol, que época tinha Portugal sob domínio. As peculiaridades como traçados lineares nas ruas, com desenhos geométricos, quadras bem desenhadas, garantiram a São Luís, o titulo de Patrimônio Mundial da Humanidade.

Um ano antes da concessão do título, especialistas enviados pela UNESCO vieram a São Luís de surpresa para fazer uma inspeção sigilosa. De acordo com o engenheiro Luiz Felipe Andreas, responsável em assinar o dossiê de documentos que foi enviado para a avaliação, o grupo de avaliadores pediu que nenhuma informação sobre a visita fosse divulgada, para que não houvesse pressões.

“Nós os recebemos e eles pediram que não tivesse nenhuma divulgação, porque não queriam receber nenhum tipo de pressão. Era o primeiro momento. Depois eles andaram por todos os locais do Centro Histórico, inclusive os que estavam abandonados. Isso aconteceu porque o valor intrínseco é que torna importante. Essa equipe deu a recomendação pra UNESCO de que São Luís merecia a partir daí, ser avaliada”, explica o engenheiro.

Casarão colonial localizado no Centro Histórico de São Luís. Foto: Reprodução/TV Mirante

Após uma série de avaliações, o título foi concedido a São Luís. O engenheiro conta que a emoção no dia da entrega da honraria foi indescritível e para ele, o resultado de anos de muito trabalho. “É um momento de muita emoção, é muito importante, pois nele congrega as maiores autoridades do mundo da cultura, que a UNESCO reúne em torno de si. A emoção foi muito forte, não é fácil descrever, pois foi resultado de muitos anos de trabalho além da responsabilidade nossa em estarmos representando todo esse tesouro que é São Luís do Maranhão”, conta.

Quem anda entre as ruas do Centro Histórico, se encanta com a riqueza dos casarões e tem a sensação de viajar até os séculos passados, em uma espécie de livro de história com uma riqueza de detalhes infinita. Ao passear em São Luís, o goiano Alessandro Rodrigues, que morou por anos em Portugal, se sentiu como estivesse lá outra vez.

“A primeira coisa que percebemos é que esse Centro Histórico de São Luís é muito parecido com o baixo Chiado ou com o Chiado, lá em Lisboa. Quando eu olho, por exemplo, o tipo de escada, os azulejos, as fachada das construções. Só que eu gostaria que fosse mais bem cuidado”, afirma.

Manutenção do tesouro mundial

Azulejos coloniais vindos de Portugal encantam turistas que visitam o Centro Histórico de São Luís. Foto: Reprodução/TV Mirante

Desde a entrega do título até hoje, muitas obras de revitalização foram realizadas no Centro Histórico, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. O abandono de diversos casarões históricos ainda é o maior problema encontrado para manter em a beleza e originalidade nas construções.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) há diversos projetos de revitalização em andamento, em parceria com os governos estaduais e municipais, por meio do programa ‘PAC – Cidades Históricas’.

Descaso e falta de manutenção em casarões históricos é motivo de reclamação para quem visita São Luís. Foto: Reprodução/TV Mirante

“Demos inicio a nossa maior obra no PAC, ou seja, que tem a maior monta de recursos, a revitalização e requalificação da Rua Grande, junto com a Praça Deodoro e do Pantehon, para que a gente possa fazer a gestão compartilhada desse espaço entre os três entes federativos, com o apoio da população. Pois sem o apoio da população a gente não vai conseguir”, explica Rafael Pestana, coordenador técnico do Iphan no Maranhão.

Comemoração

‘Serenata Especial Histórica’, em comemoração aos 20 anos do título, irá percorrer as ruas de São Luís. Foto: Reprodução/TV Mirante

A celebração dos 20 anos do título de Patrimônio Mundial a São Luís será com uma serenata especial pelas ruas da capital, guiada por personagens históricos e contará com a participação do público presente, que poderá revisitar a história da concessão do título. O inicio do evento acontece a partir das 19h, saindo da Praça Benedito Leite, no Centro.

Fonte original da notícia: G1 MA




Parque Nacional do Iguaçu (PR) bate recorde histórico de visitação

Até as 13h, 1.642.300 pessoas passaram por lá. E o ano ainda nem acabou. Esse número superou o recorde anterior, que era de todo o ano de 2015.

Reprodução G1. Divulgação/Internet

Até as 13h de quarta-feira (6), um milhão seiscentas e quarenta e duas mil e trezentas (1.642.300) pessoas passaram pelo Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, estabelecendo o novo recorde de visitação do local. E o ano ainda não acabou… Esse número superou o recorde anterior, que era de todo o ano de 2015.

Os brasileiros são os turistas que mais visitaram esse belo cenário. Mas por lá também já passaram, este ano, setecentos e cinquenta e um mil (750 mil) estrangeiros. Eles vieram principalmente de Argentina, Paraguai, França, Alemanha e Estados Unidos.

O Parque Nacional do Iguaçu foi criado há setenta e oito anos e é patrimônio natural da Unesco. Só perde em número de visitantes para o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Por Marcos Landim

Fonte original da notícia: G1 – Jornal Hoje




MG – Especialistas vão debater gestão de patrimônios tombados pela Unesco

Escola de Arquitetura e Casa do Baile sediarão as atividades nos dias 4 e 5 de dezembro.

Construído às margens da Lagoa da Pampulha, conjunto arquitetônico foi tombado pela Unesco em 2016. Foto: Foca Lisboa / UFMG

Até 3 de dezembro, domingo, estão abertas as inscrições para a segunda edição do seminário sobre gestão da paisagem cultural, organizado pela Escola de Arquitetura da UFMG, e que será realizado de segunda-feira, 4, a quarta-feira, 6. O evento busca promover a troca de experiências sobre conceitos, métodos e estratégias de gestão dos conjuntos urbanos e paisagísticos nacionais e internacionais reconhecidos pela Unesco como patrimônio mundial.

Outro objetivo do seminário, que terá palestras de profissionais, pesquisadores e gestores da área, é ampliar o debate sobre realizações e desafios da gestão compartilhada de sítios patrimoniais, por meio de estudos de caso da Região Vitivinícola de Langhe, Roero e Monferrato, na Itália, e do Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte.

O evento é destinado a pesquisadores, professores e alunos dos programas de pós-graduação da Escola de Arquitetura, técnicos dos órgãos que integram o Comitê Gestor do Conjunto Moderno da Pampulha, membros do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município e demais interessados na temática da gestão de sítios patrimoniais. As inscrições podem ser feitas gratuitamente por meio deste link.

Programação
O auditório da Escola de Arquitetura da UFMG reunirá, em sua sessão inaugural, no dia 4, às 9h, os professores Rogério Araújo e Ana Clara Mourão, da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, e Leonardo Barci Castriota, da pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável e presidente do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios da Unesco no Brasil.

Em seguida, Marcos Valle, do Instituto Superior de Sistemas Territoriais para Inovação, de Turim, abordará os planos de gestão em diferentes tipos de sítios da Unesco. Na sequência, Roberto Cerrato, da Associação pelo Patrimônio da Paisagem Vinícola do Piemonte, vai falar sobre estratégias de articulação, mobilização e questões de governança com base na experiência do sítio Langhe-Roero Monferrato.

Às 15h, a doutoranda Luciana Féres fala sobre a candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha. Mais tarde, o professor Rogério Araújo falará sobre a proteção do conjunto.

Também ministrarão conferências Jurema Machado, ex-presidente do Iepha e do Iphan e ex-coordenadora do setor de Cultura da Representação da Unesco no Brasil, e Ana Clara Mourão Moura, que abordará as tecnologias de geoinformação como suporte à gestão da paisagem.

Na terça-feira, 5, as atividades serão realizadas no auditório da Casa do Baile, que integra o conjunto arquitetônico da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer. Na quarta, 6, uma visita técnica a Ouro Preto será conduzida pelos professores da Escola de Arquitetura Vanessa Borges Brasileiro, André Dornelles e Ana Clara Moura.

Fonte original da notícia: UFMG




Fortaleza de Santa Catarina na PB concorre ao título de Patrimônio Mundial da Unesco

Estrutura construída no século XVI é o prédio história militar mais importante da Paraíba.

Reprodução G1. Divulgação/Internet

A fortaleza de Santa Catarina, localizada na cidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa está concorrendo ao título de Patrimônio Cultural Mundial da Unesco. A estrutura histórica paraibana, juntamente com outras 18 fortificações, consta na proposta encaminhada pelo governo brasileiro à Organização das Nações Unidas (ONU).

A construção data de 1586, erguida pelos portugueses logo após ocuparem o litoral paraibano. Inicialmente construído em taipa, ele compunha com outros dois fortes um cinturão de proteção no estuário do Rio Paraíba, protegendo a nova cidade das invasões francesas e holandesas.

Segundo Osvaldo Carvalho, presidente da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, a estrutura como conhecemos hoje data do final do século XVII. A fortaleza é composta por 20 compartimentos, incluindo capela e alojamento de oficiais.

Considerado o mais importante monumento histórico militar da Paraíba, caso seja eleita pela Unesco, a fortaleza de Santa Catarina deve ter o envio de ajuda financeiros para conservação facilitado. Visitas técnicas estão sendo promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para facilitar o reconhecimento pela Unesco.

Fonte original da notícia: G1 PB




Brasil é eleito membro do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco pela quinta vez

O Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, é um dos patrimônios brasileiros tombados pela Unesco. Foto: Iphan

O Brasil foi escolhido nesta terça-feira (14), em primeiro turno, como país-membro do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), ao lado de outros 20 países. Entre outras ações, o Comitê – que faz parte da Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural da Unesco – estabelece os bens e locais que devem ser listados como Patrimônio Mundial. A eleição ocorreu durante a 21ª sessão da Assembleia Geral dos Estados Partes da Convenção do Patrimônio Mundial, em Paris.

Na votação desta terça-feira, o Brasil teve o maior número de votos (136) entre os 12 países eleitos para compor o Comitê (outros nove permanecem por mais um mandato), o que demonstra o reconhecimento mundial do País na área patrimonial e o prestígio diplomático junto à Unesco. Esta é a quinta vez que o Brasil é eleito membro do Comitê desde sua criação, em 1972, marca alcançada apenas pela França e pela Austrália. O Brasil foi membro da organização nos anos de 1980, 1987, 1993 e em 2007, tendo presidido o Comitê em 1988 e em 2010. O rodízio de países-membros ocorre a cada quatro anos.

O reconhecimento mundial do Brasil na área patrimonial se deve em grande parte ao trabalho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Poucos países no mundo têm um histórico de 80 anos de proteção de patrimônio como o Brasil. Em seu 80º aniversário, o Iphan é a instituição de preservação do patrimônio mais antiga da América Latina. O instituto é responsável pela preservação de 87 conjuntos urbanos tombados e 1.262 bens materiais tombados; pela salvaguarda de 40 bens imateriais registrados como patrimônio cultural brasileiro e pela gestão de 24 mil sítios arqueológicos cadastrados.

Além disso, o Brasil tem a maior delegação diplomática permanente da Unesco (são nove diplomatas brasileiros) e é o 10º contribuinte, o maior contribuinte extraorçamentário e um dos fundadores da Organização.

A delegação brasileira que vai integrar o Comitê é formada pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa; o professor da Universidade de Brasília (UnB) Braulio Ferreira de Souza Dias; o diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito; o diretor de Promoção Internacional do MinC, Adam Jayme Muniz; e o coordenador para Assuntos Internacionais do Iphan, Leonardo Martins Prudente.

Os demais países eleitos para compor o Comitê da Unesco este ano foram: Austrália, Bahrain, Bósnia e Herzegovina, China, Guatemala, Hungria, Quirguistão, Noruega, Espanha, Uganda e São Cristóvão e Nevis. Os países que deixaram o Comitê são: Croácia, Finlândia, Jamaica, Cazaquistão, Líbano, Peru, Filipinas, Polônia, Portugal, República da Coreia, Turquia e Vietnã. Permanecem no Comitê os seguintes países: Angola, Azerbaijão, Cuba, Indonésia, Kuwait, Tunísia, Tanzânia, Zimbábue e Burkina Faso.

Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural

A Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, instituída em 1972, reconhece o valor universal de alguns lugares no mundo que devem fazer parte do patrimônio comum da humanidade. A convenção trata não apenas da conservação natural, como de preservação de bens culturais. Cerca de 190 países já ratificaram a convenção.

A lista do Patrimônio Mundial da Unesco inclui, atualmente, cerca de mil sítios (779 culturais, 197 naturais e 31 mistos), em 161 países.

Fonte original da notícia: Ministério da Cultura




Cientistas descobrem câmara escondida na Grande Pirâmide

Pesquisadores encontram câmara de 30 metros de comprimento na maior pirâmide de Gizé, no Egito. Estrutura pode ajudar a desvendar como o Patrimônio Mundial foi construído, há cerca de 4.500 anos.

Cientistas descobriram câmara escondida com ajuda da física de partículas moderna.

Um grupo internacional de cientistas descobriu uma grande câmara vazia no interior da estrutura da Grande Pirâmide de Quéops, em Gizé, no Egito, revela um estudo publicado nesta quinta-feira (02/11) na revista Nature.

A pesquisa liderada por especialistas do Japão, França e Egito pode ajudar a explicar como o monumento foi erguido há cerca de 4.500 anos atrás. A Grande Pirâmide, a mais importante construção do Reino Antigo, foi construída durante o reinado de Khufu (por volta de 2550 a.C. – 2527 a.C.), o segundo faraó da 4ª Dinastia, a quem Heródoto chamou de Quéops.

Cientistas divergem quanto às técnicas utilizadas na construção das pirâmides de Gizé, que ficam nos arredores do Cairo e são Patrimônio Mundial da Unesco. A função da nova câmara descoberta ainda é desconhecida, mas a estrutura pode ajudar a entender como foi o processo de construção da maior das pirâmides.

Os resultados representam um “grande avanço” para se conheçam mais detalhes sobre a Grande Pirâmide e a sua estrutura interna, afirmaram os cientistas.

A grande câmara vazia tem cerca de 30 metros de comprimento e apresenta uma seção transversal similar à da Grande Galeria, por onde visitantes podem caminhar e que se localiza justamente debaixo da nova cavidade.

Física de partículas moderna

Para explorar o interior do monumento, os especialistas analisaram as imagens geradas por uma partícula cósmica conhecida como muon. Esta apresenta diferentes trajetórias quando penetra a pedra ou atravessa o ar, o que permite aos pesquisadores detectar cavidades em estruturas sólidas.

A câmara vazia foi batizada de “ScanPyramids Big Void”. Ela foi observada pela primeira vez com o uso de “filmes de emulsão nuclear instalados na Câmara da Rainha”. O material foi analisado na Universidade de Nagoia, no Japão.

A existência da cavidade foi confirmada por especialistas da Organização de Pesquisa do Acelerador de Alta Energia KEK, em Tsukuba, no Japão, com o uso de um detector de raios cósmicos instalado na Câmara da Rainha.

A descoberta foi confirmada por detectores de gases instalados no exterior da pirâmide pela Comissão Francesa de Energia Atômica (CEA) da Universidade Paris Saclay.

“Essa grande cavidade foi detectada com um alto grau de confiabilidade por três tecnologias de muon diferentes e três análises independentes”, destacam os autores.

“Ainda que não haja informação sobre a função dessa cavidade, as descobertas demonstram que a física de partículas moderna pode lançar luz sobre o patrimônio arqueológico mundial”, acrescentaram.

“[A câmara] estava escondida, acredito, desde a construção da pirâmide”, disse Mehdi Tayoubi, cofundador do projeto ScanPyramids. “A boa notícia é que o vazio está ali, e ele é bem grande.”

Fonte original da notícia: DW




Brasília (DF) é reconhecida pela Unesco como ‘cidade criativa’ pelo design

Paraty (RJ) e João Pessoa (PB) também receberam título. Rede é formada por 116 cidades do mundo que compartilham estratégias, experiências e conhecimentos sobre indústria cultural.

Cofundadora do Experimente Brasília, Tatiana Petra, de 40 anos mostra camiseta com tema relacionado à cidade. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

A Unesco anunciou nesta terça-feira (31) Brasília como uma das novas integrantes da Rede de Cidades Criativas, reconhecida como capital criativa do design. O título ocorre no mesmo ano em que a capital do país celebra três décadas como patrimônio cultural da humanidade. As cidades de Paraty (RJ) e João Pessoa (PB) também foram contempladas, nas categorias gastronomia e artesanato respectivamente.

“Acho que muda um pouco a dinâmica na questão da economia criativa e do turismo na cidade. Brasília tem um potencial enorme na vertente da economia criativa”, disse a subsecretária de Produtos e Políticas de Turismo, Caetana Franarim.

“Já vem sendo feito muitos investimentos, principalmente de governo, para este setor. Brasília tem um histórico na arquitetura que merecia ser chancelado por um órgão internacional”, completou.

O gesto da Unesco, no entanto, não significa que o Distrito Federal passe a receber verba da Organização das Nações Unidas para reforçar atividades culturais. É apenas um reconhecimento da capital federal como um polo de “design criativo”.

Vista aérea da parte central de Brasília, mostrando o início da Asa Sul. Foto: Raquel Morais/G1

Criada em 2004, a Rede de Cidades Criativas é composta por 116 cidades de 54 países que atuam em cooperação para aprimorar as estratégias de desenvolvimento por meio de sete pilares da indústria criativa e cultural. Além do design, há também artesanato e artes folclóricas, gastronomia, cinema, literaturas, artes midiáticas e música.

No Brasil, cinco cidades fazem parte da rede – sendo Belém e Florianópolis em gastronomia, Curitiba em design, Salvador em música e Santos no cinema. Na categoria design, estão incluídos setores como arquitetura, decoração, moda, arte de rua e design gráfico.

Ao ser aceita na rede, Brasília assume o compromisso de compartilhar boas práticas com outras cidades, firmar parcerias que fortaleçam atividades culturais e integrar estes fatores nos planos de desenvolvimento urbano.

Também deverá ampliar os investimentos em criação, produção e distribuição de atividades culturais, bem como o acesso à arte pela população mais desassistida.

Produtos de design expostos durante coletiva de imprensa no Buriti. Foto: Luiza Garonce/G1

A participação na rede também permite que Brasília “troque figurinhas” com outras cidades que tiveram experiências positivas na área.

Por Raquel Morais

Fonte original da notícia: G1 DF




Unesco declara registro de processo de Auschwitz Patrimônio Mundial

Imagem mostra audiência em 1964 do Julgamento de Auschwitz em Frankfurt.

Agência da ONU inclui atas e gravações de julgamento, que ocorreu em Frankfurt, no programa Memória do Mundo. Processo é marco no pós-guerra e confrontou alemães com crimes praticados pelo regime nazista.

A Unesco concedeu nesta segunda-feira (30/10)  aos arquivos do Julgamento de Auschwitz, que ocorreu no início dos anos 1960 em Frankfurt, o status de patrimônio mundial. As atas e gravações do processo foram incluídas no programa Memória do Mundo, que visa assegurar a preservação de documentos históricos significantes para gerações futuras.

Os documentos detalham o julgamento de 22 pessoas acusados de homicídio, em casos isolados, e de participação num crime em massa pelas mortes ocorridas no campo de extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de 1 milhão de pessoas, a grande maioria judeus, foram mortas em Auschwitz, entre 1940 e 1945.

O julgamento em Frankfurt ocorreu entre 1963 e 1965 e foi uma das primeiras vezes que os alemães no pós-guerra foram confrontados com a extensão dos crimes praticados pelo regime nazista.

Arquivo de processo possui 454 pastas de atas e 103 gravações de áudio.

No total, 360 testemunhas, entre as quais quase 200 sobreviventes de Auschwitz e 85 membros da da SS (tropa de elite nazista), foram ouvidos no processo. No fim, somente seis réus foram condenados à prisão perpétua por homicídio; três outros foram absolvidos, por falta de provas.

Ainda assim o processo de Frankfurt representa uma guinada decisiva na elaboração dos crimes nazistas. Eles estão documentados em 454 pastas de atas e 103 gravações de áudio, preservadas no Arquivo Central Estatal de Hessen, em Wiesbaden.

“O reconhecimento ressalta a importância única e social dos documentos para a história do pós-guerra e para a cultura de memória da Alemanha”, afirmou o secretário de Ciência e Cultura de Hessen, Boris Rhein, após o anúncio da Unesco.

O programa Memória do Mundo da Unesco inclui atualmente 427 testemunhos históricos, dos quais 24 são alemães. Até hoje nenhuma candidatura partindo do país foi rejeitada.

CN/dpa/kna/epd/afp

Fonte original da notícia: DW